25 março 2012

GLOBO E FOLHA TÊM MEDO DA VERDADE - Altamiro Borges

Ilustração do blog PIG Imprensa Golpista

Em editoriais ontem (19), que até parecem combinados, O Globo e Folha criticaram os setores de sociedade que pretendem, com a instalação da Comissão da Verdade, apurar os crimes da ditadura militar. Na avaliação dos dois jornais, que deram apoio ao golpe de 1964 e às barbáries do regime, não cabe analisar o passado – seja discutindo a Lei da Anistia ou a chacina no Araguaia.
O diário da família Marinho é mais descarado. No editorial “Sem vencidos e vencedores”, até suavizava os crimes da ditadura. “Os militares trataram de manter, mesmo que só formalmente, ritos da democracia representativa... Prendia-se por motivos políticos, cassavam-se vereadores, deputados, senadores, ministros do Supremo, mas procurava-se manter um lustro de ‘democracia’”.

Jornal compara algozes com vítimas

Essa singularidade, segundo o jornal, resultou no “perdão recíproco, dos agentes envolvidos na repressão e participantes da luta armada. Uma fieira de crimes foi cometida por ambos os lados naquela guerra suja e, muitas vezes, subterrânea”. O Globo, na maior caradura, compara os torturadores com os torturados e os golpistas com os democratas que resistiram à ditadura.

Com base nesta leitura histórica, o jornal conclui que “não se sustenta a campanha que volta a ganhar força, com a proximidade da indicação dos nomes da Comissão da Verdade, para a punição de militares, policiais, agentes de segurança em geral que atuaram nos porões da repressão... Do ponto de vista da Lei de Anistia, a verdade é que não houve vencidos nem vencedores”.

Frias decreta o fim da polêmica

Já Folha, que sempre posa de eclética para enganar os mais ingênuos, foi mais marota no editorial intitulado “Respeito à Anistia”. Ela não suaviza nas críticas à ditadura, evitando usar novamente o termo “ditabranda”. Mas, na prática, defende a mesma tese do jornal carioca e tenta se amparar na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento de 2010, sobre a lei da anistia.

“O Supremo encerrou de vez, para o bem da sociedade, toda polêmica sobre o alcance da anistia”. Portanto, decreta a Folha, não cabe à Comissão da Verdade reabrir este debate. O jornal também critica o Ministério Público Federal que pediu a reabertura do caso sobre o coronel da reserva Sebastião Curió, o carrasco acusado de vários assassinatos na Guerrilha do Araguaia. 

O temor da Comissão da Verdade

Para o jornal, o pedido da Justiça Federal “tensiona o ambiente já dificultoso para instalação da Comissão da Verdade. O escopo da comissão é dar acesso a documentos do período de 1946 a 1988 para clarear o registro histórico. Não se deve sacrificar esse objetivo maior, ainda que a pretexto de repudiar crimes contra direitos humanos que a Lei da Anistia tornou página virada”.

Os editoriais dos jornais O Globo e Folha, além de patéticos, revelam o temor das famiglias Marinho e Frias com a reabertura dos debates sobre os crimes cometidos pela ditadura militar. Afinal, ambas as empresas jornalísticas apoiaram os golpistas. A Folha até cedeu seus veículos para o transporte de presos políticos para a tortura. Já Roberto Marinho costumava frequentar o Dops.

Rabo preso com a ditadura

No facebook, o dirigente petista Renato Simões foi rápido na resposta. “A Folha lança manifesto em legítima defesa de ré confessa de colaboração com os crimes da ditadura. O editorial é um libelo em causa própria, da Folha e de todos os meios de comunicação e outras empresas privadas que financiaram e defenderam a tortura e as violações de direitos humanos durante a ditadura”. 

“Cláusula pétrea da impunidade, a ilegítima lei de anistia autoconcedida pelos militares no começo do declínio de seu regime é invocada pela Folha e pelos cúmplices dos Curiós da vida, frequentadores dos porões dos Doi-Codis e outros centros de repressão e tortura sempre que a verdade começa a vir à tona. Mais uma prova do rabo preso da Folha com o regime militar, e mais uma prova da urgência e necessidade históricas da instalação da Comissão da Verdade”.


Extraído do Blog do Miro

CONDENADOS AO ATRASO - José Inácio Werneck


Bristol (EUA) – Há alguns anos o jornalista americano Adam Davidson, especializado em assuntos de economia, visitou o Haiti e observou um fato curioso, em uma região: alguns agricultores viviam de colher mangas mas cada um deles tinha apenas duas ou três árvores em que trabalhavam.


Davidson ficou intrigado, pois as plantações estavam em terrenos ao longo de um rio. Os agricultores poderiam irrigar suas terras e ter centenas de árvores, não apenas um par. Por que não o faziam? Seriam atrasados, desprovidos de iniciativa?

Nada disto. Depois de conversar com os agricultores, Davidson concluiu que não eram nem bobos nem preguiçosos. Sabiam que teriam mais mangueiras com a irrigação e sabiam também que, naquela região, contavam com recursos através de ajuda de governos estrangeiros. Mas havia um detalhe que os levava a preferir continuar como estavam. No vilarejo em que moravam, os títulos de propriedade eram incertos, confusos. Eles sabiam que se, de repente, tivessem centenas de árvores de onde colher mangas, apareceriam pessoas “bem relacionadas”, que se declarariam as legítimas proprietárias dos terrenos.

Aí está, em poucas palavras, porque países pobres continuam pobres. Porque neles as pessoas que trabalham, seja na terra, seja em outras atividades, não tem incentivo econômico para produzir, pois sabem que os lucros e as vantagens irão para terceiros.

Esta é a tese de um livro chamado Why Nations Fail (Por Que As Nações Fracassam), de Daron Acemoglu, Professor de Economia no Massachusetts Institute of Technology, e James Robinson, Professor de Ciência Política da Universidade de Harvard.

É um livro que recomendo para a presidente Dilma Rousseff, continuando no tema que abordei aqui na semana passada sobre a falta de transparência no Brasil e a precariedade de nosso ensino.

A tese do livro de Acemoglu e Robinson é simples: as pessoas precisam saber que progredirão com o fruto de seu trabalho (há um argumento mais poderoso do que este para a Reforma Agrária?) e precisam saber que a Justiça funciona no país em que vivem.

Ah, a Justiça… No Brasil é sabido que ela anda apenas para os ricos, para os “bem relacionados”. Quantos de nós não temos casos em que dependemos do bom funcionamento das Cortes, sejam elas, civis, criminais ou trabalhistas, e vemos que a Justiça no Brasil é morosa, incerta, ineficiente, corrupta?

Eu mesmo tenho dois casos que rolam na Justiça, sem uma conclusão, embora ambos já tenham sentença passada em julgado em meu favor. Um é uma reclamacão trabalhista em que fui vencedor contra o Jornal do Brasil. Outro é para levantar um dinheiro que pertence a mim e dois outros sócios da antiga empresa Circuito-1, que foi extinta e nada deve ao Fisco.

Um data de 1986, outro de 1987. Embora concluídos ambos, até hoje não conseguimos por a mão naquilo que nos pertence.

O Brasil está à frente do Haiti, mas não muito. Se nossos sérios problemas de ensino, de transparência, de igualdade de oportunidades e de uma sólida fundação legal não forem solucionados, nunca seremos um país do Primeiro Mundo.

Extraído do sítio Direto da Redação

DEMÓSTENES EMPREGA ENTEADA DE GILMAR MENDES


Foto: Pedro França/Agência Senado

O Senador ligado a Carlinhos Cachoeira abriga em seu gabinete Ketlin Ramos, que é tratada como filha do Ministro do Supremo Tribunal Federal. Se o caso for ao STF, ele se declarará impedido de julgar?

247 – Uma reportagem da Folha de S. Paulo publicada neste domingo coloca mais pressão sobre o senador Demóstenes Torres (DEM/GO). Assinada por Leandro Colon e Fernando Mello, informa que ele emprega em seu gabinete uma enteada do ministro Gilmar Mendes, do STF. Ou seja: se vier a ser aberta investigação contra ele, Mendes poderá ser levado a se declarar impedido, em razão dos laços que os unem. O caso também servirá para reabrir outra história. Durante a Operação Satiagraha, o delegado Paulo Lacerda, ex-chefe da Polícia Federal, foi afastado do comando da Agência Brasileira de Inteligência quando uma conversa entre Demóstenes e Gilmar Mendes foi publicada na revista Veja. O caso é tratado por jornalistas como Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim como “o grampo sem áudio”. Leia, abaixo a reportagem de Colon:

Enteada de ministro do STF é assessora de senador do DEM

Demóstenes Torres emprega em cargo de confiança em seu gabinete uma familiar de Gilmar Mendes. Senador é citado em apuração sobre jogo ilegal, caso que pode ir ao STF; ele e Mendes negam conflito de interesse.

Leandro Colon e Fernando Mello, Folha de S. Paulo

Sob risco de virar alvo do STF (Supremo Tribunal Federal), o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) emprega em seu gabinete uma enteada de Gilmar Mendes, um dos 11 ministros da corte.

Ketlin Feitosa Ramos, que é tratada na família como filha do ministro, ocupa desde setembro o cargo de assessora parlamentar de Demóstenes, posto de confiança e livre nomeação.

O senador passa hoje por uma crise política por ter seu nome envolvido na Operação Monte Carlo, que desmontou no mês passado um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na exploração de jogos caça-níquel.

Acusado de ser o chefe do esquema, o empresário Carlinhos Cachoeira é amigo de Demóstenes e teve 300 telefonemas com ele gravados pela polícia.

O senador confirmou que recebeu de Cachoeira um telefone antigrampo, um fogão e uma geladeira de presentes de casamento. Investigação mostrou que o senador também pediu ao empresário R$ 3.000 para pagar despesas de táxi-aéreo.

Como senadores possuem foro privilegiado (só podem ser investigados com autorização do STF), todo o material que envolve Demóstenes e outros políticos foi remetido para análise do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Ele poderá pedir ao STF autorização para abrir um inquérito específico para investigar o senador. Gurgel não tem prazo para isso.

Se o pedido de inquérito for feito, o caso será distribuído automaticamente a um dos 11 ministros do STF, incluindo Gilmar Mendes, caso ele não se declare impedido.

Extraído do sítio do Brasil 247

CONTAS DO DISTRITO FEDERAL NÃO SÃO JULGADAS PELA CÂMARA LEGISLATIVA DESDE 2003 - Pedro Pedruzzi

Brasília – Desde 2003, nenhuma das contas do governo do Distrito Federal (GDF) foi julgada pela Câmara Legislativa, o que deixou sem conclusão as denúncias de irregularidades apontadas nos pareceres entregues pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) ao Legislativo – poder encarregado de aprovar essas contas.

José Roberto Arruda
Pivô de diversos escândalos nos últimos anos, o governo da capital federal teve seis governadores entre 2003 e 2010 – Joaquim Roriz, Maria de Lourdes Abadia, José Roberto Arruda, Paulo Octávio, Wilson Lima e Rogério Rosso. O parecer de 2011 não está entre eles porque ainda não foi finalizado pelo TCDF.

Joaquim Roriz
Entre as ressalvas do tribunal referentes aos sete anos (2003-2010), há várias relativas a reduções indevidas da alíquota de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no setor atacadista, o que, de acordo com o Ministério Público do Distrito Federal (MPDF), deveriam ser caracterizadas como “renúncia fiscal”.

Luiz Estevão
“Essa renúncia fiscal disfarçada, maquia as contas do GDF e alimenta a guerra fiscal entre os estados”, disse à Agência Brasil o promotor de Justiça do DF Rubin Lemos. De acordo com o promotor, o GDF já responde a cerca de 680 ações sobre renúncia fiscal desde 1998.

Rogério Rosso
Segundo ele, o governo tem a obrigação de dizer que fez a renúncia fiscal, caso contrário, comete ilegalidades. “Nenhum governo pode abrir mão desse tipo de receita sem observar os ditames legais, porque ela [receita] não pertence ao governo. Essas receitas pertencem à sociedade, à população. Ao abrir mão de parte do ICMS, os governantes tinham a obrigação de compensar, de alguma forma, a perda de arrecadação. Em vez de fazerem isso, optaram por esconder essas renúncias das contas do GDF”, disse Rubin.

Maria de Lourdes
Abadia
Em todos os pareceres entregues à Câmara Legislativa, o TCDF tem determinado “sistematicamente” que o GDF elabore metodologia para a avaliação do custo e do benefício das renúncias de receita e de outros incentivos fiscais.

O Relatório Analítico e Parecer Prévio sobre as Contas pede ainda que o GDF “faça constar do demonstrativo da renúncia da receita, as isenções, anistias, remissões, subsídios e outros benefícios de natureza financeira e de créditos concedidos, indicando os respectivos montantes e fundamentos legais e as medidas adotadas para compensá-los”.

Wilson Lima
Dessa forma, o tribunal busca meios de identificar não apenas quanto e como esse dinheiro deixou de ser arrecadado, mas, sobretudo, os beneficiados pelas reduções de alíquotas de ICMS.

Consultado pela Agência Brasil, o TCDF informou que, sobre a obrigatoriedade do cumprimento das determinações feitas pelo tribunal, há duas correntes distintas. Uma delas entende que há a autoaplicabilidade, assim que o tribunal aprecia o relatório. A outra corrente, de legalistas, entende que apenas com a ratificação pela Câmara Legislativa é que se poderia exigir uma resposta do GDF.

Extraído do sítio da Agência Brasil

CUBA: E O PAPA VEM? - Leonardo Padura Fuentes*

Atualmente, cheios de preocupações terrenas, os cubanos parecem esperar menos da visita do papa e muito mais das suas próprias capacidades e dedicação. Por Leonardo Padura Fuentes, para a IPS.

Não há muita expectativa com simbólicas presenças papais na ilha das Caraíbas.
Foto de Catholic Church of England and Wales

Havana, Cuba – Engalanada com luzes e pinturas brilhantes, acaba de abrir, num bairro da periferia de Havana, a confeitaria La Caridad. O negócio privado ocupa o local onde anteriormente havia uma modesta moradia e, basta ver o seu aspeto e as suas ofertas, para perceber que tem aspirações de grandeza.

A alguns poucos quarteirões, no mesmo bairro afastado do centro, funciona o luxuoso restaurante cubano-italiano Il Divino, instalado na varanda de uma mansão de estilo campestre-colonial. Entre as suas atrações está o facto de ser a sede do Clube de Someliers de Cuba, apoiado por uma prodigiosa adega subterrânea, onde repousam vários milhares de garrafas de vinhos italianos, espanhóis, franceses, chilenos, australianos, alguns com idades bem antigas e preços de dar susto…

Nas ruas dessa mesma zona da capital cubana contam-se às dezenas os vendedores ambulantes de vegetais, bijuterias, artigos industrializados, lanches.

Negócios como estes e outros dos permitidos pelas recentes leis cubanas destinadas a ampliar e apoiar o chamado “trabalho por contra própria”, e até contratação de trabalhadores por particulares, brotam nos locais mais inesperados e às vezes até aparentemente afastados, como uma explosão de capacidades e de necessidades por várias décadas adiadas, mal vistas pelo centralizado modelo económico socialista, que no seu momento os proibiu e por anos os combateu, como se fossem o inimigo (ao menos de classe).

Justamente num desses comércios emergentes, enquanto esperava ser servido, um dos clientes perguntou ao seu acompanhante algo que, naquele ambiente de eficiência e desejos de prosperar, pode bem revelar os modos de pensar de hoje na ilha do Caribe… “Veja, e por fim o papa vem a Cuba?”, perguntou a pessoa e o seu acompanhante terminou de iluminar a situação com a sua resposta: “Parece-me que sim”. Entre os dois clientes, por certo, o consumo chegou a 150 pesos, algo como um terço do salário médio estatal cubano.

Há 14 anos, quando se aproximava a visita do papa João Paulo II, possivelmente a muitos cubanos ocorresse fazer semelhante pergunta. Todo a gente sabia que vinha o pontífice e, também, tinha alguma expectativa pelo que pudesse provocar ou deixar na sua passagem pela ilha. Mas entre aqueles meses de 1997 anteriores ao acontecimento e os dias de hoje, vésperas da visita de Bento 16 (de 23 a 29 deste mês), a mente dos cubanos parece estar a dar mais voltas do que é possível contar.

Umas poucas semanas atrás, ao concluir o trajeto pastoral que a imagem da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba, realizou por todo o território nacional, as pessoas demonstraram um fervor religioso, ou, no mínimo, uma curiosidade, que parecia imprópria num país onde se promoveu a prática do ateísmo científico como política de Estado. Nas ruas, pequenas capelas, conhecidas igrejas, as pessoas reuniram-se para aproximar-se da Virgem e ouvir as mensagens dos padres católicos. O fim da peregrinação foi diante de uma multidão reunida numa ampla avenida, perto da catedral.

O sentimento religioso, inclusive preservado em segredo durante anos por muitas pessoas, é, portanto, uma realidade incontestável. Mas, e a visita do papa?

Ao contrário do ocorrido entre 1997 e 1998, quando se aproximava e por fim acontecia a chegada de João Paulo II, hoje os cubanos têm, em muitos casos, os mesmos e inclusive novos problemas. Só que naqueles tempos ainda estava fresca a eliminação de discriminações políticas e sociais a respeito dos cidadãos com crenças religiosas, enquanto um manto de imobilidade caíra sobre a sociedade cubana. Atualmente, cheias de preocupações terrenas, as pessoas parecem esperar menos (talvez uma bênção celestial) da visita do papa e muito mais das suas próprias capacidades e dedicação. É como se muitos tivessem decidido aplicar a velha máxima judaica: quando alguém sofre uma desgraça, deve orar, como se a ajuda só pudesse vir da providência; mas, ao mesmo tempo deve agir, com se só ele pudesse encontrar a solução para a desgraça…

A mais leve rutura das estreitas margens estabelecidas pelo Estado socialista para a prática da iniciativa individual e a consequente possibilidade de buscas independentes de vias para melhorar as condições de vida das pessoas, gerou muito mais energias e preocupações do que altas questões de política e, inclusive, de fé. Muito pouco parece interessar a uma quantidade notável de cubanos se o papa os visitará e quando. Eles são algumas dessas mesmas pessoas que, meses antes, enquanto corriam atrás da imagem de uma virgem cubana, também esperavam ouvir das autoridades que finalmente eles, como cubanos, teriam a eventual possibilidade de ter acesso à Internet graças a um cabo de fibra ótica que parece ter se perdido no mar, ou de viajar livremente para o exterior, graças à reforma de algumas leis migratórias que não acabam de ser reformadas, entre outros sonhos desfeitos ou adiados.

As pessoas parecem pensar que os problemas materiais, dos que ganham pouco e vivem mal, dificilmente poderão ser resolvidos, aqui e agora, com visitas de pontífices. Os que ganham mais e aspiram prosperar, devem considerar que os produtos, os impostos e a competição são os seus mais urgentes problemas. Não é de estranhar, então, que não estejam com muita expectativa com simbólicas presenças papais na ilha das Caraíbas. As suas necessidades são, neste momento, terrivelmente terrenas.

* Leonardo Padura Fuentes, escritor e jornalista cubano. As suas novelas foram traduzidas para mais de 15 idiomas e a sua obra mais recente, “O homem que amava os cães”, tem como personagens centrais Leon Trotski e o seu assassino, Ramón Mercader.


Extraído do sítio Esquerda.net

"BRASILEIRO TEM 4 MI DE HECTARES NO PARAGUAI E NÃO PLANTA UMA SEMENTE" - Jorge Américo

Ativista dos direitos humanos narra detalhes do conflito agrário no país e explica o contexto de ocupação das terras pelos brasileiros.



O Paraguai vive uma contradição na questão fundiária: os títulos de terras representam uma extensão maior que o território nacional. Segundo autoridades do governo, os registros de propriedade somam uma área de 530 mil km². No entanto, a dimensão territorial do país não passa de 406 mil km².

Recentemente, o Estado paraguaio iniciou a medição das propriedades localizadas nas regiões de fronteira. A medida acirrou os conflitos agrários no país e resultou na ampliação das ações do movimento dos “carperos”. No alvo das disputas estão os grandes latifúndios, como os 4 milhões de hectares ocupados pelo brasileiro Tranquilo Favero.

Somente na província do Alto Paraná, na divisa com o Brasil, pelo menos 170 mil hectares são ocupados por brasileiros e seus descendentes, os chamados “brasiguaios”.

Paulo Illes, coordenador do Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (ONG que presta assistência a imigrantes no Brasil), esteve na região. Em entrevista à Radioagência NP, ele narra detalhes do conflito e explica o contexto de ocupação das terras. Entre outras revelações, ele demonstra como o maior latifundiário do país se transformou no “rei da soja”.

Radioagência NP: Paulo, qual a atual situação do conflito envolvendo os chamados “brasiguaios”?

Paulo Illes: Não dá para tratar o tema como um conflito entre brasileiros e paraguaios, como a imprensa brasileira tentou fazer. Dizer que o Paraguai estava expulsando os brasileiros e que vai tomar suas terras. Isso não é verdade. O que está em jogo são as grandes propriedades. Por exemplo, Tranquilo Favero tem mais de 4 milhões de hectares de terra.

Quem é Tranquilo Favero?

Tranquilo Favero, chamado o Rei da Soja do Paraguai
Tranquilo Favero é um grande latifundiário que não planta um pé de soja. No fundo, é um grande agiota. A maioria dos latifundiários são assim. Eles arrendam a terra para os pequenos agricultores, que são obrigados a comprar a semente – que é transgênica – financiar o maquinário, o adubo, o veneno e tudo o que precisa para cuidar da lavoura e ainda vender a soja para esses grandes latifundiários. Além de usar a terra e levar toda a soja para fora, não industrializam nada, não geram emprego, não têm responsabilidade social e ainda agridem a natureza, jogando veneno de todo tipo.

Quando as disputas por terras se intensificaram no Paraguai?

Em 2005 o governo paraguaio aprovou a lei fronteiriça, que proíbe estrangeiros de países limítrofes – brasileiros, bolivianos e argentinos – de terem posse de terras numa faixa de 50 quilômetros da fronteira. É como se o Paraguai tivesse descoberto o Alto Paraná agora. Durante mais de 40 anos foi uma região totalmente habitada por brasileiros e agora houve essa valorização da terra e o movimento campesino quer terra nessa região.

Quem são os carpeiros? Eles representam o movimento campesino do Paraguai?

Um dos acampamentos dos carpeiros
É um movimento quase de luta armada, que não tem apoio da Federação Nacional do Movimento Campesino. É um movimento misturado com militantes de praticamente todos os movimentos campesinos, mas é um movimento novo e não está articulado com os movimentos tradicionais do Paraguai. O movimento campesino do Paraguai sempre teve muita ligação com o MST do Brasil. Quando há uma ocupação, é colocada uma bandeira vermelha do movimento. Agora, o que aparece nos acampamentos, nos lugares que são ocupados é a bandeira nacional. O discurso do movimento é a soberania, que as terras do Paraguai são para paraguaios e não para brasileiros.

Pela legislação, os brasileiros perderam o direito às terras?

Como estão ali há 25, 30, 35 anos, eles colocaram essas terras no nome dos filhos e netos. Ou seja, está no nome de paraguaios, mas o movimento camponês alega que os filhos de brasileiros nascidos no Paraguai não são paraguaios porque não falam o Guarani.

Como foi o processo de ocupação da área?

Chegou-se a falar em 400 mil brasileiros que teriam migrado para o Paraguai entre 1970 e 1985. Foi um macroacordo daquela época, que incluiu a construção da usina de Itaipu, da Ponte da Amizade e uma rodovia, que se une com a BR 277, no Brasil, e se estende até o Porto Paranaguá. Houve, então, uma migração massiva de colonos brasileiros para o Paraguai. O sujeito poderia vender 20 hectares no Brasil e comprar 40, 50 no Paraguai. Naquela época, o Paraguai vivia uma ditadura militar e o presidente [Alfredo] Stroessner doou terra parra muitos amigos dele – coronéis – que depois venderam para os brasileiros. Hoje tem terras que possuem vários títulos. Tem propriedades que o dono não tem escritura, apenas um contrato de compra e venda.

Como tem sido a atuação dos órgãos do Poder Judiciário?

O Partido Colorado esteve mais de 50 anos no poder e acabou com as instituições do Paraguai. Não tem um Ministério Público nem Poder Judiciário funcionando. O governo Lugo está tentando recuperar essas instituições para que elas possam atuar e resolver essas emergências que tem no campo. Então, acaba batendo de frente com os corruptos que ainda estão lá. Nem todos os colorados saíram dos cargos que ocupavam há muito tempo.

Qual a representatividade do Partido Colorado hoje?

O Partido Colorado ganhou as eleições municipais em 24 das 25 capitais departamentais e tem grande expectativa de derrubar o presidente [Fernando] Lugo nas eleições do ano que vem. As organizações sociais do Paraguai estão ausentes, as organizações de direitos humanos estão ausentes e a academia está ausente. Os jornalistas que vão lá, é para fazer propaganda das grandes empresas, das multinacionais e do Partido Colorado, com o objetivo de atacar o governo.

Como você avalia o comportamento do governo brasileiro?

É uma postura de total respeito à soberania do Paraguai, intervenção de jeito nenhum, a não ser num modelo de cooperação. O Brasil já ofereceu toda a sua tecnologia, estudos geográficos e o sistema de cadastro único de imóveis e propriedades do Brasil.


Extraído do sítio Brasil de Fato

VERMELHO: DEZ ANOS COMBATENDO A USINA DE MENTIRAS DA MÍDIA - Joanne Mota

“O Vermelho tem sido uma trincheira dos que lutam por um verdadeiro projeto de reforma, ele aparece como um contraponto à usina de mentiras em que se transformaram os grandes meios de comunicação”. Foi dessa forma que o secretário nacional de Comunicação do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), José Reinaldo, resumiu o papel do Portal Vermelho na última década.

Segundo ele, ao completar 10 anos, o Vermelho reafirma sua trajetória de luta, pois se consolida como um dos principais portais não só de notícias, mas também de comentários, opiniões e reflexões da esquerda brasileira e latino-americana. 

“O Portal Vermelho se apresenta como um instrumento na luta de ideias dos trabalhadores e de todos que lutam contra a exploração capitalista, contra a opressão imperialista dos povos e das nações, contra – como está dito no manifesto, quando de sua criação - a treva neoliberal e por uma nova sociedade”, frisa comunista.

José Reinaldo relembra que o Vermelho nasce como uma oficina de si próprio, que se fabrica no ar e abre caminho para uma longa jornada. Acompanhe a entrevista:

No manifesto do Vermelho tem uma passagem que diz assim: “Toda noite tem aurora. E toda aurora tem seus galos, clarinando no escuro o dia por nascer. A ambição do Portal Vermelho é ser um galo assim na internet. Contribuir para dissipar treva neoliberal. Trabalhar para que venha logo a alvorada dos trabalhadores e povos da terra”. O que podemos tirar dessa mensagem neste aniversário de 10 anos do Vermelho? Ele cumpre seu papel?

José Reinaldo: Essa formulação faz parte da inspiração poética dos companheiros que há dez anos criaram o Vermelho. Essa foi a forma poética para traduzir a luta pelo ideal socialista, que faz parte dos objetivos doPortal Vermelho. O Portal Vermelho se apresenta como um instrumento na luta de ideias dos trabalhadores e de todos que lutam contra a exploração capitalista, contra a opressão imperialista dos povos e das nações, contra – como está dito no manifesto - a treva neoliberal e por uma nova sociedade. 

Uma sociedade democrática, baseada no progresso social, na justiça social e baseada, também, na independência e soberania nacional. Para tanto, precisamos, também, conquistar o socialismo, pois o capitalismo não contempla essas conquista da humanidade. Por isso, que o Portal Vermelho se apresenta como o lutador dessa nova aurora, desse novo despertar da humanidade que é o socialismo.

Diante da atual conjuntura, quais são as frentes de destaque de atuação do Portal?

JR: O Vermelho tem se destacado como um portal voltado para a luta dos trabalhadores. Diariamente, nos preocupamos em refletir em nosso noticiário a realidade da luta dos trabalhadores e fazemos isso a partir de uma denuncia viva da exploração e da opressão capitalista, que no Brasil, bem como no mundo, é cruel. Ao mesmo tempo, o Vermelho tem tido êxito na luta pela democratização de nosso país, que tem dado passos importantes na conquista da democracia e do progresso social. 

Passos esses que têm como marco as duas vitórias do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua continuidade com a vitória da presidente Dilma. E mesmo com esses avanços, as estruturas institucionais, econômicas e sociais do Brasil ainda são antidemocráticas, porque o Brasil ainda se subjuga a uma classe dominante retrógrada, uma classe dominante da grande burguesia financeira, monopolista, ligada ao imperialismo, ao latifúndio, às grandes corporações do comércio mundial e aos grandes meios de comunicação.

A luta pela democracia, em todos os seus planos – política, social -, é uma luta permanente e o Vermelho tem se engajado nessa luta?

JR: Sim. Fazemos isso através de uma propaganda incansável da luta por um novo plano nacional de desenvolvimento, que é uma bandeira das forças progressistas, socialistas e comunistas do país. Para tanto, trabalhamos a partir de uma plataforma política baseada nas lutas por reformas estruturais no interior da sociedade, que é algo que este governo ainda está devendo. Por isso, a nossa luta, a luta do Vermelho é constante e penso que estamos tendo êxito nesse aspecto.

E como fazemos isso? Denunciando as investidas neoliberais e as ingerências imperialistas. Defendendo a integração latino-americana e o fortalecimento da soberania e do Estado brasileiro e de nossas nações amigas frente ao cenário mundial. Além de, e, sobretudo, o Vermelho assume um papel fundamental como trincheira na luta anti-imperialista. Pois, como socialistas, somos a um só tempo patrióticos e internacionalistas, defendemos a soberania nacional e a solidariedade internacional entre os povos, para enfrentar o inimigo comum da humanidade que é o imperialismo. Este que é representado pelos Estados Unidos e seus aliados da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Ao fazer isso, ao nos distinguirmos como um portal da luta anti-imperialista e da solidariedade internacional nós temos elevado nossa voz de protesto contra as guerras imperialistas em defesa da paz mundial. 

Desse modo, o Vermelho assume um papel de mediador, de ponte entre os fatos que ocorrem entre o nacional e o internacional?

JR: Exatamente. O Vermelho busca, diariamente, em noticiário alinhar as pautas nacionais às internacionais, de forma a mostrar que as coisas não acontecem de forma descolada. Então, reflexões sobre temas internacionais, por exemplo, contribuem para que o nosso leitor perceba os acontecimentos de uma perspectiva ampla. 

Para tanto, o Vermelho conta com um bom número de colunistas, colaboradores, escritores, jornalistas, cientistas e dirigentes políticos que nos ajudam a construir no interior da militância a base para o debate, levantado na esfera política de discussão. Tudo isso acontece, porque nós acreditamos que nunca como agora, e talvez isso seja efeito da chamada globalização, os episódios internacionais influenciaram tanto os acontecimentos nacionais e vice-versa.

E o Brasil como um grande país, de forte influência política e econômica, assume um papel nesse processo. Daí nosso olhar para o mundo, mas sem esquecer de nós.

A ascensão dos governos progressistas na América Latina influenciou tal postura?

JR: Sem dúvida. Neste início de século, as condições para lutar por um mundo melhor no ambiente internacional são muito melhores do que na década anterior. Só para lembrar, a década de 1990 foi uma década difícil, porque foi uma década que sucedeu a derrocada do socialismo no Leste Europeu e na União Soviética e isso impactou os movimentos revolucionários, houve quem tentasse construir política e ideologicamente um novo tipo de revisionismo em que se nega os pressupostos fundamentais do marxismo-leninismo e do socialismo científico. 

Hoje, não podemos dizer que superamos por completo esse cenário, mas podemos dizer que hoje, com certeza, as condições são mais favoráveis para lutar e o que tornou isso possível foi a concretização de um novo ambiente na América Latina. Construído a partir de importantes vitórias e conquistas patrióticas, populares, sociais e democráticas.

Todo esse processo teve início com a primeira eleição do presidente Hugo Chávez, depois com a Revolução Bolivariana, a eleição do presidente Lula e agora com a presidente Dilma, para citar apenas alguns. Além disso, temos que destacar a resistência vitoriosa de Cuba socialista, que é um alento para os povos. Então, a atual conjuntura geopolítica nos confere uma nova realidade que se traduz em estímulo para prática da solidariedade internacional e isso não tem como não se refletir em nosso labor, em nossa reflexão teórica.

Frente à atuação anuviada que a mídia assume no processo de transmissão de informação para a sociedade, o Vermelho se coloca como uma alternativa ao que é colocado pela grande mídia? Ele tenta se por como um canal aberto, plural e diverso na elucidação dos fatos?

JR: A mídia hoje é uma das principais trincheiras da luta do imperialismo, da burguesia reacionária, dos governos conservadores na sua ofensiva política, ideológica, econômica e social contra os povos e os trabalhadores. A mídia se tornou porta-voz de políticas regressivas, chegando a ponto de transmitir políticas de guerra, de políticas militaristas e agressivas.

Hoje quando vemos as guerras transmitidas pela mídia, como por exemplo, o conflito na Líbia ou as investidas contra a Síria e o Irã, são ações que o imperialismo desencadeia depois de uma preparação da opinião pública, realizada através da mídia, que é feita para tornar naturais as guerras. 

Um esforço que o imperialismo faz para que a opinião pública considere que as guerras são justas, porque são guerras para assegurar o direito humanitário, são guerras para afastar “ditadores” do poder, por exemplo. Um grande mentira, mas que eles conseguem, visto o aparato que têm, incutir na opinião pública que são guerras justas. Então, a mídia se transformou em um instrumento principal para o exercício de políticas regressivas, inclusive políticas de guerra.

Em nosso caso, no Brasil, nos anos do neoliberalismo, a mídia se transformou em uma plataforma de propaganda do que eles [a mídia] chamam de reformas, e que eu chamo de reformas regressivas. Quando o Vermelho fala de reforma política, o Vermelho fala do diametralmente oposto ao que eles colocam, ou seja, o Vermelho fala da ampliação da participação popular e verdadeiro pluripartidarismo. Quando eles falam da reforma da previdência, eles querem cortar direitos. Quando o Vermelho fala, busca a ampliação das conquistas. Quando eles falam de reforma econômica e da luta contra os monopólios, eles estão falando de enfraquecer a presença do Estado frente a setores estratégicos da economia. Quando o Vermelho fala, fala sobre importância do papel do Estado como indutor de desenvolvimento e da justiça social.

Diante disso, fica claro o antagonismo entre nossa concepção de reforma e a concepção assumida pela grande mídia. Nessa medida, o Vermelho, modestamente, tem sido uma trincheira dos que lutam por uma verdadeira plataforma de reforma, e que aparece como um contraponto à usina de mentiras em que se transformaram os grandes meios de comunicação dominados pelos grandes grupos capitalistas.

Qual o balanço desses 10 anos da atuação do Vermelho?

JR: O Vermelho vive em uma trajetória ascendente desde a sua criação, acredito que nesta década o Vermelho se consolidou como um dos principais portais não só de notícias, mas também de comentários, opiniões e reflexões da esquerda brasileira e latino-americana.

O Vermelho se consolidou como uma referência da luta contra o monopólio da mídia. Foi no Vermelho que nasceu esse grande movimento que, aliado com outras forças aliadas à luta pela democratização da mídia, resultou na realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação. 

O Vermelho também tem sua contribuição no movimento dos Blogueiros Progressistas. Foi assim que o Vermelho se consolidou como meio de comunicação da esquerda, das forças antiimperialistas, das forças democráticas, dos comunistas. 

E ao mesmo tempo se transformou em uma trincheira da luta concreta, da luta prática do movimento pela democratização da comunicação e faz isso em trajetória ascendente. Além disso, o Vermelho defende sua ideologia da luta pelo socialismo, defende a ideologia da luta anti-imperialista. E o nosso Portal faz isso de maneira plástica, elástica, flexível, de forma ampla, a partir de uma política de unidade com todas as forças de esquerda, que tem como referencial uma plataforma comum. É com essa identidade, a identidade Vermelha, que nós vamos adiante ofertando uma comunicação profissionalizada, verdadeira, crítica e com foco no desenvolvimento nacional.


Extraído do sítio do Portal Vermelho

RATOS ABANDONAM NAVIO DEMÓSTENES - Eduardo Guimarães


Há anos que Demóstenes “30%” Torres vem sendo cultuado pela mídia, apesar de as suas relações perigosas com o crime organizado de Goiás serem do conhecimento até da Procuradoria-Geral da República e de toda a grande imprensa desde 2009.

Sempre foi enorme o prestígio de Demóstenes entre os mais bravios pit-bulls da imprensa golpista, que, depois de a porta ter sido arrombada, assumem ares de isenção ao divulgarem o que já não haveria mais como esconder.

O simbolismo que as relações escandalosas do senador do DEM de Goiás com o crime organizado encerram, é arrasador. Não houve dia, na última década, em que ele não aparecesse em destaque na Globo, na Veja, na Folha ou no Estadão acusando adversários ou sendo incensado.

Figurinha fácil nos blogs de Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes ou Ricardo Noblat, entre outros, era sempre usado para atacar “a corrupção do PT” ou as cotas étnicas nas universidades, das quais, ao lado do sociólogo Demétrio Magnoli, é considerado o maior carrasco.

Agora, todo mundo acordou. Sabendo que a bomba estava para estourar, Globos, Folhas, Vejas, Estadões e seus blogueiros amestrados tiveram que expor o seu ex-darling em seus noticiários.

Até o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sempre pronto a abrir investigações contra membros do governo do PT, só agora anuncia que pedirá abertura de inquérito ao STF. Por que não fez isso em 2009? Diz que aguardava o “resultado de outra investigação”…

Desde 2009?!! Não é muito tempo, senhor procurador-geral da República?

Por que só agora Veja, Folha, Estadão, Globo e seus blogueiros amestrados decidiram noticiar as “aventuras” de Demóstenes? Porque só agora a bomba estourou, ora.

Aliás, a postura laudatória a Demóstenes adotada até por seus adversários no Senado, inicialmente, mostra que o homem deve ser um arquivo vivo. Apesar de ter sido abandonado pela mídia, portanto, o mais provável é que seu caso seja abafado.


Extraído do Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães

A ASSOCIAÇÃO DA MÍDIA COM O CRIME - Luis Nassif



Está na hora de se começar a investigar mais a fundo a associação da Veja com o crime organizado. Não é mais possível que as instituições neste país - Judiciário, Ministério Público - ignorem os fatos que ocorreram.

Está comprovado que a revista tinha parceria com Carlinhos Cachoeira e Demóstenes. É quase impossível que ignorasse o relacionamento entre ambos - Demóstenes e Cachoeira.

No entanto, valeu-se dos serviços de ambos para interferir em inquéritos policiais (Satiagraha), para consolidar quadrilhas nos Correios, para criar matérias falsas (grampo sem áudio).

Até que a Polícia Federal começasse a vazar peças do inquérito, incriminando Demóstenes, a posição da revista foi de defesa intransigente do senador (clique aqui), através dos mesmos blogueiros das quais se valeu para tentar derrubar a Satiagraha.

Aproveitando a falta de coragem do Judiciário, arvorou-se em criadora de reputações, em pauteira do que deve ser denunciado, em algoz dos seus inimigos, valendo-se dos métodos criminosos de aliados como Cachoeira. Paira acima do bem e do mal, um acinte às instituições democráticas do país, que curvam-se ao seu poder.

O esquema Veja-Cachoeira-Demóstenes foi um jogo criminoso, um atentado às instituições democráticas. Um criminoso - Cachoeira - bancava a eleição de um senador. A revista tratava de catapultá-lo como reserva moral, conferindo-lhe um poder político desproporcional, meramente abrindo espaço para matérias laudatórias sobre seu comportamento. E, juntos, montavam jogadas, armações jornalísticas de interesse de ambos: do criminoso, para alijar inimigos, da revista para impor seu poder e vender mais.

Para se proteger contra denúncias, a revista se escondeu atrás de um macartismo ignóbil, conforme denunciei em "O caso de Veja".

Manteve a defesa de Demóstenes até poucas semanas atrás, na esperança de que a Operação Monte Carlo não conseguisse alcança-lo (clique aqui). Apenas agora, quando é desvendada a associação criminosa entre Cachoeira e Demóstenes, é que resolve lançar seus antigos parceiros ao mar.


Extraído do sítio Luis Nassif Online

PARLAMENTARES VÃO CONVERSAR COM GURGEL SOBRE DEMORA EM INVESTIGAÇÕES CONTRA CARLINHOS CACHOEIRA - Iolando Lourenço

Brasília - Representantes da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção vão se reunir na terça-feira (27), às 15 horas, com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para pedir urgência nas investigações envolvendo o empresário do jogo Carlinhos Cachoeira e vários políticos. Os parlamentares querem saber do procurador os motivos da lentidão do processo que, desde 2009, está na Procuradoria-Geral da República.

Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres
“Não dá para justificar essa lentidão. Não está legal isso. O processo está na procuradoria desde setembro de 2009. Queremos saber o porquê da demora na apuração do caso”, disse o líder do PSOL, deputado Chico Alencar (RJ). “É de se estranhar essa lentidão para a abertura de inquérito. De nossa parte, trata-se de zelo pela ética na política e de defesa do próprio Congresso Nacional”, acrescentou.

O PSOL já protocolou na Mesa da Câmara pedido para que a Corregedoria da Casa investigue as relações de parlamentares com o bicheiro Carlinos Cachoeira. No Senado, o partido protocolou representação contra o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) que, conforme denúncias da imprensa, recebeu presentes de casamento de Cachoeira.

Também esta semana, o deputado Protógenes (PCdoB-SP) conseguiu 181 assinaturas de deputados em um requerimento para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com a finalidade de investigar, em 180 dias, as práticas criminosas desvendadas pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal. De acordo com a justificativa do requerimento da CPI, a Polícia Federal efetuou a prisão, em Goiás, de uma organização criminosa que operava com a contravenção do jogo do bicho, de caça-níqueis, corrupção em larga escala de autoridades civis, policiais e políticos.

De acordo com Chico Alencar, vão participar da conversa com o procurador os deputados Francisco Praciano (PT-AM), coordenador da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção, Protógenes, Paulo Rubem Santiago (PDT-PE), Chico Alencar e os senadores Pedro Taques (PDT-AM) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou ontem (23), em nota, que ainda não pediu investigação judicial do caso porque, ao longo desses três anos, teve notícia de outras apurações em curso em Goiás sobre o mesmo tema. "Em 2009, a Procuradoria-Geral da República recebeu da Justiça Federal em Anápolis o processo 2008.35.02.000871-4, que ficou sobrestado [suspenso] pois havia relação com outras investigações em curso, sendo esta uma estratégia de atuação", diz trecho de nota divulgada nessa sexta-feira à noite.

De acordo com a assessoria da PGR, todas as informações apuradas estão sendo reunidas e passam por análise. "Os documentos remetidos ao Ministério Público Federal são cobertos pelo sigilo, como escutas telefônicas, portanto o conteúdo da investigação não será informado", informa a nota.

Extraído do sítio da Agência Brasil

23 março 2012

APOLONIO DE CARVALHO: HOMENAGEM AOS 100 ANOS DE UM LIBERTÁRIO - Fundação Perseu Abramo


O Memorial da Resistência de São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta a exposição Apolonio de Carvalho, a trajetória de um libertário. Composta por cerca de 30 painéis com fotos, documentos, cartazes e textos que percorrem a história de Apolonio de Carvalho (1912, Corumbá, Mato Grosso do Sul – Rio de Janeiro, RJ, 2005) desde a sua infância em Corumbá, passando pelos principais acontecimentos políticos e sociais do século 20, como a Insurreição de 1935, a Guerra Civil Espanhola, a Resistência Francesa contra o nazismo, a luta contra a ditadura militar, o exílio, a anistia e a reconstrução democrática no Brasil.

Esta mostra presta uma homenagem aos 100 anos de nascimento deste “internacionalista” cuja trajetória inclui as mais importantes lutas libertárias ocorridas no Brasil e na Europa no século XX, afirma Stela Grisotti, curadora da mostra.

Além dos painéis, o público poderá assistir trechos do documentário Vale a pena sonhar (2003), que traz uma seleção de imagens da Guerra Civil Espanhola e da Resistência Francesa, além de depoimentos de companheiros de luta de Apolonio de Carvalho. A direção do filme é da curadora da exposição, Stela Grisotti e Rudi Böhm.

Apolonio participou, desde a década de 30, das principais lutas políticas do Brasil e do Exterior. Sua trajetória foi marcada pela luta das causas sociais, na consolidação de um projeto democrático e socialista para o Brasil. Serviu o Exército Brasileiro, foi voluntário nas Brigadas Internacionais da Guerra Civil Espanhola, combatendo o fascismo entre 1937 e 1939, e, na França, foi coronel da Resistência na luta contra o nazismo na 2ª Guerra Mundial.

Nos anos 60, rompeu com o PC brasileiro e ajudou a fundar o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Com a redemocratização, foi um dos primeiros a se filiar ao PT. Faleceu no dia 23 de setembro de 2005, aos 93 anos de idade, vítima de pneumonia.

Concebida originalmente para integrar a programação oficial do Ano do Brasil na França (2005), a exposição foi montada, pela primeira vez no Museu da Resistência e Deportação de Toulouse, cidade no sul da França libertada do domínio nazista sob o comando de Apolonio, em 1949. No Brasil, foi apresentada nas cidades do Rio de Janeiro (2007) e Recife (2008) com o apoio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.



Todos os materiais apresentados fazem parte de um amplo acervo reunido por Stela Grisottie Rudi Böhm para a elaboração do documentário Vale a pena sonhar – lançado há mais de sete anos. O material foi coletado em arquivos da França, da Espanha e do Brasil, além do depoimento do próprio Apolonio ainda em 2002.

Abaixo a programação completa. Renée France de Carvalho, lançando o livro Um vida de lutas, foi a companheira de Apolonio durante a vida inteira.



Extraído do sítio Viomundo, de Luiz Carlos Azenha

NAZISMO À BRASILEIRA - Gianni Carta

Os dois potenciais terroristas presos na quinta-feira 22 pela Polícia Federal de Curitiba tinham planos, entre outros, de atacar estudantes do curso de Ciências Sociais da Universidade de Brasília. Isso porque aqueles “esquerdistas” tinham ideais liberais sobre sexualidade e direitos de minorias. 

Resta saber se tentativas de atentados como os da dupla Rodrigues e Vieira Mello engatilharão ataques terroristas como aqueles de Mohamed Merah, autor de sete assassinatos e morto por policiais em Toulouse. Foto: AFP 
Emerson Eduardo Rodrigues e Marcelo Valle Vieira Mello (“ambos com mais de 30 anos”, segundo a assessoria da PF) pretendiam “atirar a esmo” também nos alunos a cursar faculdades de Direito e Comunicação. Os ataques se dariam em uma casa de eventos utilizada pelos alunos. Vieira Mello, diga-se, cursou Letras na UNB.

“As mensagens dizem que dariam um tratamento especial àquele ‘câncer’, fazendo referência aos estudantes, quando eles estivessem reunidos no local”, declarou o delegado Wagner Mesquita, da PF no Paraná, em entrevista ao portal Terra.

Sem direito à fiança, os suspeitos alimentavam um website hospedado na Malásia com conteúdo extremista. No silviokoerich.org faziam ameaças de morte ao deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ), ofensas à presidenta Dilma Rousseff, a negros, homossexuais e judeus. Teciam apologias à violência contra as mulheres, e, ao mesmo tempo, incitavam o abuso sexual de menores.

Como se dá com psicopatas, as ideias dois internautas extremistas são permeadas de contradições. Postavam fotografias de cenas pornográficas a envolver crianças e adolescentes, e, ao mesmo tempo, consideravam que os alunos de Ciências Sociais da UNB eram demasiado liberais no quesito sexualidade.

Rodrigues e Vieira Mello também não poupavam críticas a nordestinos.

Embora ofendessem a mineira Dilma, esse ranço contra o Nordeste é embasado no antigo preconceito contra Lula. Para conservadores, e por tabela extremistas, o sucesso do presidente mais popular do Brasil é certamente algo difícil de engolir. A Bolsa Família não passaria de uma ninharia para alimentar vagabundos. Houve, claro, o mensalão durante o primeiro mandato de Lula, e isso serve de munição para os conservadores e extremistas. Mas para entender governos anteriores aos de Lula seria recomendável ler A Privataria Tucana, de Amaury Jr.

De qualquer forma, como explicar essas tentativas de perpetrar ataques contra as vidas de estudantes e um deputado federal no Brasil? Isso sem contar o inaudito reacionarismo. Em grande parte, esse fenômeno decorre da radicalização de uma narrativa nacionalista na “fascistofera” e na mídia canarinho.

Neste mundo globalizante onde a tecnologia (leia internet) aproxima cada vez mais os povos, o conservadorismo a reinar nos tabloides e redes de tevê nos Estados Unidos e na Europa logo contagia outros países. E, por tabela, esse discurso neoconservador tem um enorme impacto nos extremistas capazes de cometer atos de loucura. Esse fenômeno ocorre na Europa, onde a islamofobia e a judeofobia são uma grande preocupação. Mas, ao contrário do Brasil, onde a vasta maioria da mídia é neoconservadora, na Europa e EUA há periódicos liberais que não aderem à essa narrativa, entre eles o Le Monde, La Repubblica, The Nation, etc. E mesmo diários conservadores como o Corriere della Sera ou Le Figaro fazem o mesmo.

Qual a origem desse discurso nacionalista?

Em recente entrevista a CartaCapital, o historiador francês Nicolas Lebourg, da Universidade de Perpignan, disse que a atual narrativa de nacionalistas é uma reação à crise dupla que vivemos nesses tempos. A primeira foi aquela geopolítica de 11 de setembro de 2001. A segunda foi a econômica, iniciada em 2008.

A partir do 11 de Setembro, ideais neoconservadores (“neocons”) migraram para a Europa. “São baseados no seguinte quadro bastante simplista: o mundo livre seria o Ocidente, e do outro lado existe o Islã.” Essa narrativa substituiu aquela da Guerra Fria, quando o Ocidente lutava contra o totalitarismo soviético.

No Brasil, pelo menos por ora, extremistas como os dois detidos pela PF não parecem estar atrás de muçulmanos. A “luta” deles é contra os esquerdistas, e todos os outros males que a ideologia deles encapsula. Aqui os esquerdistas ainda são chamados de “comunistas”, termo anacrônico mundo afora mas, apesar da globalização, ainda bastante utilizado. Basta moderar comentários no website da CartaCapital para descobrir que colunistas a exprimir posições favoráveis à reforma da Lei da Anistia ou à descriminalização do aborto são catalogados como comunistas.

Resta saber se tentativas de atentados como os da dupla Rodrigues e Vieira Mello engatilharão ataques terroristas como aqueles de Mohamed Merah, autor de sete assassinatos e morto por policiais em Toulouse.


Extraído do sítio da Carta Capital