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17 abril 2013

INFLAÇÃO É PSICOSSOCIAL - Paulo Moreira Leite


Vamos combinar uma coisa. A inflação está caindo. Mesmo o tomate veio abaixo. A previsão do Bradesco é que no fim de 2013 ela fique em 5,4%. Uma queda de 1,1 ponto percentual em relação a hoje. Mesmo o estouro da meta, já disse aqui, equivale a 0,09%.

Vamos ver outros números. A China cresceu 7,7% menos do que o esperado. A recuperação americana está abaixo do esperado. A Europa é um pesadelo sem luz à vista.

A economia brasileira deve crescer em 2013, mas todas as projeções pioram. Quem falava em 4% ameaça falar em 3,5%. Quem falava em 3,5% agora fala em 3%. E assim por diante.

Neste cenário, nenhum economista com consciência poderia receitar uma elevação nos juros com a finalidade de recuperar a economia. Está na cara que a coisa só pode piorar. 

Mas o coro a favor da elevação dos juros é real e não diminuiu. 

Sua causa não é econômica. É psicossocial. Explico. Num país onde o rentismo sofreu um duro golpe com uma redução drástica iniciada pelo Banco Central em agosto de 2011, ele agora quer sua revanche. 

Todos concordam que a inflação está em queda e é bom que seja assim para garantir uma recuperação, mesmo que ela seja mais lenta do que o previsto.

O argumento é que muitos empresários se queixam de uma questão comportamental. Dizem que o governo precisa dar uma prova de que realmente não quer deixar a inflação subir e que isso implica em mexer no juro. 

É economia? Não, meus amigos. É política. 

Elevar os juros agora implica em aceitar duas consequências. A recuperação irá se tornar mais cara. Logo, mais difícil.

* Paulo Moreira Leite, desde janeiro de 2013, é diretor da ISTOÉ em Brasília. Dirigiu a Época e foi redator chefe da VEJA, correspondente em Paris e em Washington. É autor dos livros A Mulher que era o General da Casa e O Outro Lado do Mensalão.

Extraído do sítio Revista IstoÉ

12 abril 2013

NO BRASIL, CAPITALISMO TEM NOME E SOBRENOME"

Quem são as famílias? Quem são as pessoas? Estudo aponta quais os principais grupos econômicos que concentram o poder no Brasil

Em levantamento inédito, o Instituto Mais Democracia (IMD) revelou na pesquisa “Quem são os proprietários do Brasil?” os grupos econômicos que são recordistas em concentração de poder no país. O estudo identifica todas as empresas que se articulam com as grandes corporações brasileiras: Vale, Gerdau, Votarantim, JBS, Grupo Ultra, entre outras. Além disso, um ranking explicita nomes e sobrenomes dos proprietários finais dessa intricada rede de poder empresarial.

Capitalismo tem nome e sobrenome no Brasil.

Ao mesmo tempo, o instituto mostra que essas empresas recebem dinheiro público de estatais brasileiras sem a necessária transparência e controle social. A pesquisa completa será divulgada no próximo dia 12 de dezembro.

“Quem são as famílias? Quem são as pessoas? Normalmente se diz que o capitalismo não tem rosto, não tem nome. Pelo contrário, na maioria dos casos tem nome, sobrenome e endereço. São pessoas que se beneficiam de toda essa estrutura vigente e inclusive de todo o recurso público que é carreado através das estatais e do financiamento público”, explicou um dos coordenadores da pesquisa, o cientista político e professor universitário João Roberto Lopes Pinto.

Diferentemente de outros rankings divulgados pelo jornal Valor Econômico e revista Exame, o foco do Mais Democracia não é mostrar os maiores faturamentos, mas analisar a estrutura de poder por trás das empresas que se articulam com esses grandes grupos. “Com outra perspectiva, o ranking da concentração de poder econômico é um paralelo a esses rankings convencionais, é um ‘contra-ranking’. A primeira diferença é que vamos explicitar, renomear e colocar novos nomes no debate público com base no Índice de Poder Acumulado (IPA). E todas as empresas que estão no topo do ranking são irrigadas pelo dinheiro público”, explicou Pinto.

Geralmente difusas e de difícil acesso, as informações analisadas pelos pesquisadores constam em uma base de dados que está sendo construída por uma cooperativa de jovens desenvolvedores, a Eita – Educação, Informação e Tecnologia para a Autogestão. O ranking está sendo elaborado com base nos dados de 400 empresas de sociedade de capital aberto que foram fornecidas para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula o mercado acionário brasileiro. Além disso, informações disponíveis nas bases de dados Economática e Econoinfo também serão incorporadas. Dessas 400 empresas iniciais, os pesquisadores já estão monitorando mais de 5 mil empresas que atuam no interior delas. O instituto tem como referência uma metodologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Zurich que realiza o cruzamento do faturamento líquido dessas empresas com dados sobre a participação acionária dos proprietários.

O pesquisador revelou algumas empresas que controlam alguns grupos econômicos brasileiros, cujos nomes não costumam ser divulgados. “Não é Odebrecht é Kieppe, não é Vale é Bradesco e Previ, não é JBS é FB Participações, que também controla a Vigor Foods, empresa que controla todo o setor lácteo no Brasil, não é Camargo Corrêa é a Morro Vermelho”, antecipou Pinto. O pesquisador também revelou que no ranking dos maiores proprietários, ao lado do homem mais rico do Brasil, o empresário Eike Batista, está uma das controladoras da Camargo Corrêa, a empresária Dirce Navarro Camargo, com patrimônio de 13,1 bilhões de dólares.

O instituto costuma utilizar o caso da Odebrecht para mostrar o emaranhado de articulações empresariais que compõem os grandes grupos econômicos no modelo capitalista contemporâneo. “A Braskem e a construtora Odebrecht são controladas pela Odebrecht Participações, que por sua vez é controlada pela Odebrecht Sociedade Anônima, que por sua vez é controlada pela Odebrecht Investimento, que por sua vez é controlada Kieppe Participações, depois Kieppe Patrimonial. Ou seja, Kieppe Patrimonial é o nome da Odebrecht e por trás da Kieppe está a família Odebrechet”, explicou João Roberto.
Participação

“O enfrentamento das corporações é um debate necessário, isto está no limite da democracia contemporânea. Com este grau de concentração, não se pode mais tratar essas empresas como se fossem atores individuais. São atores complexos que envolvem atores públicos. E essa rede complexa ninguém conhece ou discute”, afirmou o cientista político.

Em 2013, o Instituto Mais Democracia pretende cruzar o ranking dos proprietários com os dados oficiais sobre financiamento de campanha das últimas eleições. A ideia é analisar o retorno que essas empresas têm com a eleição dos políticos. Além disso, uma plataforma colaborativa com todas as informações utilizadas pelos pesquisadores serão disponibilizadas para a sociedade.

Extraído do sítio Pragmatismo Político

10 abril 2013

IBGE PREVÊ SAFRA DE GRÃOS 12% MAIOR QUE SAFRA DE 2012 - Flávia Villela


Rio de Janeiro – A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas deste ano deve atingir 181,3 milhões de toneladas, 12% maior que a de 2012 (161,9 milhões de toneladas) e 1,2% menor do que a estimativa de fevereiro (183,5 milhões de toneladas). Os dados são da terceira estimativa do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) divulgada hoje (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A área total de colheita em 2013 é estimada em 52,7 milhões de hectares, acréscimo de 7,9% sobre a área colhida em 2012 (48,8 milhões de hectares) e redução de 214.574 hectares da prevista em fevereiro (-0,4%). A área de colheita leva em conta as produções de caroço de algodão, amendoim, arroz, feijão, mamona, milho, soja, aveia, centeio, cevada, girassol, sorgo, trigo e triticale.

As três principais culturas – arroz, milho e soja, que somadas representam 92,5% da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, respondem por 86% da área a ser colhida. Em relação ao ano anterior, houve acréscimos na extensão de plantio de 0,9% para o arroz, de 8,1% para o milho e de 10,5% para a soja. Os acréscimos na produção foram de 5,1% para o arroz, de 5% para o milho e de 23,2% para a soja, quando comparados aos dados de 2012.

No comparativo regional por volume produção, a Região Sul aparece na frente com 72,1 milhões de toneladas de grãos, seguida da Centro-Oeste (71,6 milhões de toneladas), Sudeste (19,3 milhões de toneladas), Nordeste (13,7 milhões de toneladas) e Norte (4,6 milhões de toneladas). Na comparação com a safra passada, houve aumento de produção na região Sudeste (0,6%), na Centro-Oeste (1,1%), na Sul (30,5%) e na Nordeste (14,9%). Na Região Norte, houve decréscimo de 2,4%.

O Mato Grosso lidera como maior produtor nacional de grãos, com participação de 23,7%, seguido pelo Paraná (20,6%) e Rio Grande do Sul (15,7%), que somados representam 60% do total nacional. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola é uma pesquisa mensal de previsão e acompanhamento das safras dos principais produtos agrícolas.

Extraído do sítio Agência Brasil

08 abril 2013

SOFISMAS NEOLIBERAIS - Rodolpho Motta Lima


Sem medo de cometer injustiças, mas sempre no exercício livre da opinião, afirmo que Luís Fernando Veríssimo é o maior e melhor dos cronistas em atividade na mídia nacional, não apenas pelo sabor que imprime ao seu texto, mas também pela visão do mundo que revela, como alguém permanentemente atento à realidade e às suas estranhas – e muitas vezes perversas – contradições.

Estava aqui relendo uma crônica que ele escreveu em 24.03.2000 – lá se vão 13 anos - , intitulada “Silogismo”. Veríssimo tratava, então, de um posicionamento do governo tucano de FHC, que assegurava não poder dar aos trabalhadores um salário-mínimo que corrigisse as perdas de então, porque isso “comprometeria o programa de estabilização do Governo, quebraria a Previdência, inviabilizaria o país”. Era o mantra neoliberal daquela época, que rotulava de irresponsáveis e demagogos quem pensava o contrário.

Veríssimo argumentava, então, com o que denominou “um silogismo bárbaro”: se o salário-mínimo concedido não dava para boa parte da população viver dignamente e se não havia como mudar o panorama (na visão do Governo), uma parcela ponderável do povo estaria condenada “a uma subvida perpétua”, por força de uma política que, subserviente a interesses financeiros internacionais, fundamentava-se na miséria...

Essas e outras visões do pessoal tucano acabaram por desmascarar os milagres que então se apregoavam. Um deles: um “plano real” que era apresentado como produto genuinamente nacional – com direito a heróis e tudo mais - quando, na realidade, era uma necessidade/imposição do mercado globalizado, tanto que, em um passe de mágica, todas as economias de alguma relevância no planeta tiveram então a inflação estabilizada...

Os governos que se seguiram - fruto da saudável decisão popular nas urnas que, quando convém, os demotucanos esquecem - não chegaram a inverter , infelizmente, essa postura de subserviência a um mercado infame em que especuladores, empreiteiros e banqueiros ainda dão as cartas. Conseguiram, no entanto, medidas pontuais que, aqui e ali, estão atuando no sentido de diminuir a perversidade do sistema entre nós, com políticas públicas que apontam para a preocupação com os menos favorecidos. Estão aí as diversas “bolsas” que a direita tanto abomina (“Como podem gastar o meu dinheiro com esse bando de desocupados?”); está aí o sistema de cotas que provoca a ira pouco santa das elites (“Isso está estimulando o preconceito racial !”); estão aí, agora, os direitos concedidos às empregadas domésticas secularmente exploradas (“Mas isso vai provocar muitas demissões e um descontrole no âmbito familiar!”).

Não é preciso ser petista, lulista ou qualquer outro ista para perceber a diferença que existe entre o Brasil de hoje e o de então. E, invariavelmente, quando se tenta estabelecer esse paralelo, surge aquela pergunta orquestrada, para fugir do assunto: “Mas... e o mensalão?”.

A pergunta traz embutida, de modo subliminar, a tentativa de fazer vingar uma tese esquisita, beirando a paranoia: a de que o pessoal que se preocupa com as necessidades populares é essencialmente corrupto... A pergunta desconhece a história desse país, desde as Capitanias hereditárias, desconhece as folclóricas frases do “Roubo mais faço” de próceres paulistas, desconhece a corrupção no regime militar das obras faraônicas, desconhece (ou finge desconhecer) a Privataria tucana, o mensalão mineiro (também tucano); desconhece/esquece a nunca apurada, mas sempre denunciada, compra de votos para reeleição de um Presidente da República (o que equivaleu a quatro anos de poder e de manutenção de interesse econômicos que é fácil adivinhar...).

O perverso silogismo de Veríssimo volta a atacar, agora, sob nova roupagem, mas com os mesmos atores, diante de posturas e medidas governamentais. Se a Presidenta menciona que o mais importante para o país é a preservação e o incremento das conquistas sociais, as cassandras de plantão apontam para o “nervosismo do mercado”, que, “preocupado”, vê nessas palavras o perigo da “volta da inflação”... Uma chantagem, um estelionato ideológico, que a mídia comprometida repete à exaustão...

No momento em que o país atinge o menor nível de desemprego desde que ele é medido, esse dado, ao invés de ser tratado com o louvor que realmente merece, é sutilmente apresentado como “preocupante”, porque inibe a produtividade, vira custo para a indústria em função da valorização do empregado, “freia o PIB”, “trava o crescimento”. Ou seja, o pessoal neoliberal, coerente na sua perversidade, não muda mesmo. Para eles, o bom seria ter sempre à mão uma boa “reserva de mão de obra”, que alguns economistas de plantão a serviço dos exploradores chamam de “estoque”, reduzindo homens a coisas...

Felizmente, do lado de cá , o Veríssimo e sua visão do mundo também não mudam. E, como ele, pensam muitos dos cidadãos que, famosos ou desconhecidos, constituem o povo brasileiro. Se estivesse entre os vivos, Gonzaguinha responderia a esse pessoal que anseia pelo desemprego com os versos da sua composição “Um homem também chora”: “Um homem se humilha / Se castram seu sonho / Seu sonho é sua vida / E vida é trabalho / E sem o seu trabalho / Um homem não tem honra / E sem a sua honra / Se morre, se mata / Não dá pra ser feliz / Não dá pra ser feliz “.

Extraído do sítio Direto da Redação

05 março 2013

PETRÓLEO E PROVINCIALISMO - Paulo Moreira Leite

O debate sobre os royalties do petróleo ultrapassou qualquer plano racional para se tornar um conflito artificialmente radicalizado.


O Congresso volta a debater o veto sobre petróleo. É uma discussão que os brasileiros nunca enfrentaram em tempos recentes – pelo menos, desde que o País passou a se definir como uma república federativa, na qual os interesses da Federação se sobrepõem às disputas locais.

Claro que uma nação é formada pela combinação de interesses particulares e interesses gerais. Mas cada uma resolveu, em sua história, a forma de processar o local e o nacional. A França é um país tão centralizado que nem possui estados como se conhece no Brasil.

Os Estados Unidos têm uma formação diferente. A guerra civil americana, por exemplo, não se destinava a manter a escravidão no país inteiro – apenas nos Estados Confederados, que pretendiam manter o trabalho cativo no interior de suas fronteiras.

Hoje em dia, muitos Estados norte-americanos admitem a pena de morte, outros têm leis especiais sobre imigração e até formas particulares de contar votos em eleições presidenciais. Não por acaso, o país se chama “Estados Unidos da América.”

O Brasil tem outra forma de organização, que privilegia o sentido nacional. O debate dos royalties do petróleo é curioso por causa disso.

Ninguém decidiu pagar os Estados na fronteira de Foz do Iguaçu pela energia extraída de Itaipu. Nem se considerou necessário que os recursos advindos do minério de ferro de Carajás fossem apropriados exclusivamente pela população local. Imagine se no século XVII apenas os mineiros tivessem direito ao ouro de seu Estado durante a colonização – e assim por diante.

O debate sobre os royalties do petróleo ultrapassou qualquer plano racional para se tornar um conflito artificialmente radicalizado.

Falta base real, pois a imensa maioria de deputados e senadores tem uma posição firmada há tempos.

A disputa já deveria ter sido resolvida assim que o tema chegou ao Congresso, e, se isso não ocorreu, deve-se a fatores extra-parlamentares. 

Ao assumir uma postura de lealdade às suas origens, a TV Globo jogou toda sua audiência para defender os interesses dos Estados produtores. O jogo democrático autoriza todo veículo de comunicação a ter uma postura política clara, favorecendo um ponto de vista em detrimento de outro.

A dificuldade se encontra em boa parte de nossos políticos, que preferem ceder aos meios de comunicação na esperança de receber uma cobertura favorável no futuro.

O outro fator foi o ministro Luiz Fux, que determinou monocraticamente que o Congresso votasse 3.000 vetos antes de discutir os royalties.

Contando com um novo apoio do STF, a bancada fluminense ameaça bater de novos às portas do tribunal para mudar a decisão do Congresso.

É apenas antidemocrático. Num país onde cada homem vale um voto, são os parlamentares eleitos – e mais ninguém – que têm a responsabilidade de resolver esta questão.

Extraído do sítio IstoÉ

SUBSECRETÁRIA DA ONU DIZ QUE MUNDO TEM LIÇÕES PARA APRENDER COM O BRASIL - Renata Giraldi


Brasília – A subsecretária-geral para Assuntos Humanitários das Nações Unidas, Valerie Amos, disse hoje (5) que os programas sociais, desenvolvidos no Brasil, são exemplos para o restante do mundo. Para ela, é fundamental compartilhar as experiências brasileiras na tentativa de erradicar a pobreza e desenvolver a agricultura no mundo.

“Nós queremos muito aprender as lições do que está ocorrendo aqui no Brasil [de erradicação à pobreza, combate à fome e agricultura familiar]. Queremos muito nos engajar”, ressaltou Valerie, que está em visita ao Brasil.

“Os exemplos do Brasil são uma parte muito importante. A abordagem sempre foi integrada. Isso é algo que deve ser analisado. Vários países querem aprender essas lições. O Brasil foi pioneiro. Queremos capturar essas lições e compartilhar com os nossos parceiros.”

Valerie participou hoje, em Brasília, do lançamento da Ação Humanitária Global 2013, no Palácio Itamaraty. Participaram do evento o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, embaixador Eduardo dos Santos, o coordenador-geral de Ações Internacionais de Combate à Fome (do Itamaraty), Milton Rondó Filho, e o coordenador residente do Sistema das Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek.

A meta da Organização das Nações Unidas (ONU) é obter US$ 10,5 bilhões, em 2013, para garantir assistência a cerca de 57 milhões de pessoas, em 24 países - incluindo Síria, Afeganistão e a região do Sahel, na África Ocidental, que vivem momentos de tensão.

Santos disse que o governo brasileiro pretende contribuir com US$ 1 milhão para o fundo para assuntos humanitários das Nações Unidas. O secretário-geral do Itamaraty acrescentou que o Brasil se dispõe a cooperar, com experiência e apoio técnico e profissional, com a comunidade internacional a fim de erradicar a pobreza e combater a fome no mundo.

Extraído do sítio Agência Brasil

04 março 2013

DESEMPENHO DO PIB NÃO INTERFERE NO ÂNIMO DO ELEITORADO - Eduardo Guimarães


O fraco crescimento do PIB de 2012 vem se mostrando objeto de esperança dos grupos políticos, econômicos e midiáticos de oposição ao projeto político que governa o Brasil desde 2003. Mais uma vez.

Em alguma medida, no entanto, fazer essa aposta outra vez chega a espantar. Afinal, não faz muito tempo que foi feita e perdida por quem fez.

Em 2009, às portas do ano eleitoral de 2010, o discurso tucano-midiático era exatamente o mesmo que o de hoje, só que a situação era muito mais grave. 2008 terminara sob a égide da eclosão da crise econômica das hipotecas norte-americanas que, dali em diante, contaminaria o mundo.

O desemprego aumentou consideravelmente entre o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. A produção e as vendas no comércio praticamente ficaram paralisadas, até que o governo começasse a liderar a reação da economia brasileira investindo pesado.

O ano que precedeu a eleição presidencial de 2010, sob o aspecto do PIB, foi um presente para a oposição. Afinal, em 2009 o Brasil não teve “pibinho”, teve recessão. Isso mesmo, o tamanho da economia brasileira reduziu-se em 0,2% e o nível de emprego, ao fim daquele ano, apenas retornou ao que estava ao fim de 2008, quando a crise internacional explodiu.

Contudo, a partir do segundo semestre de 2009 já se começava a sentir uma reação da economia como a que já se faz sentir agora e que, ao longo do ano eleitoral de 2010, chegaria a experimentar crescimento próximo ao nível chinês, com aumento do PIB de 7,5%.

Diante dos resultados ruins do último trimestre de 2008 e do primeiro semestre de 2009, mídia e oposição duvidaram de que fosse possível uma reação e já davam como favas contadas a derrota do “poste” Dilma – outros viriam – não apenas pelo nível de emprego que sofrera a primeira redução em anos, mas por a candidata à sucessão de Lula nunca ter disputado uma eleição na vida.

O fim dessa história todos conhecemos. Mas o que há para resgatar é a velha discurseira tucano-midiática que se abate sobre o país toda vez que o resultado do PIB não é brilhante, mesmo que indicadores sociais revelem que mais ou menos crescimento não é fator determinante das condições de vida da maioria.

Se tomarmos como exemplo um editorial da mídia oposicionista de março de 2009, encontraremos uma argumentação igualzinha à que tem sido vista nesses veículos nos últimos tempos.

Abaixo, editorial da Folha de São Paulo de 11 de março de 2009.

FOLHA DE SÃO PAULO - 11 de março de 2009 - Editorial

Queda vertiginosa

Recuo no PIB reafirma necessidade de ações anticrise, mas arsenal é limitado pelo pendor à gastança dos governos

A HISTÓRIA , mais à frente, irá decerto atenuar a sensação de que uma nova era da economia global se impôs, num chofre, entre setembro e outubro, subvertendo o que prevalecia até o instante imediatamente anterior. Mas é essa a impressão que resta depois da divulgação de estatísticas como a do PIB brasileiro.

A produção de bens e serviços no país crescia num ritmo anualizado de 7% até setembro; entrou em mergulho radical nos três meses seguintes, quando a taxa, se anualizada, resultaria em -13,6%. Não há cenário, previsão, estimativa ou modelo econométrico que parem de pé diante de inversão dessa magnitude. A incerteza sobre o comportamento da atividade econômica, em especial para este ano e o próximo, atingiu proporções ofuscantes.

Os números do IBGE confirmam que veio da indústria o principal vetor de retração no último trimestre de 2008. O volume da produção fabril decresceu 7,4% em relação ao período imediatamente anterior. As decisões de frear fortemente as linhas de montagem foram concomitantes a outras, destinadas a cortar, também brutalmente, as despesas com aquisição de máquinas, equipamentos e construção civil.

Esta classe de gastos, os investimentos produtivos, se expandia numa velocidade “chinesa”: suficiente para duplicar o volume de dispêndios em expansão da capacidade produtiva a cada nove anos. Passou-se no quarto semestre, sem direito a fase intermediária, a uma realidade que lembra a Grande Depressão -os investimentos diminuíram ao ritmo, anualizado, de 33%.

Não se pode, obviamente, tomar a pior fase da crise, até aqui, pelo todo. Dados preliminares acerca dos primeiros dois meses de 2009 mostram que aqueles índices de vertiginosa retração não se repetiram. Em alguns setores, caso da indústria automobilística, há sinais de incipiente recuperação. Nada, contudo, que já possa assegurar crescimento positivo do PIB neste ano.

Tampouco é recomendável desprezar a notável prosperidade verificada entre 2004 e 2008. Na esteira da bonança global, a economia brasileira mais que dobrou seu ritmo de expansão em relação às duas décadas anteriores. Com saldos comerciais expressivos e entrada maciça de capitais, o Brasil pôde, mediante prudente acumulação de poupança em dólares, aumentar a proteção contra crises externas.

Infelizmente, essa linha de prudência não abrangeu os gastos de custeio dos governos -federal, estaduais e municipais-, que dispararam no período. Se o poder público tivesse controlado seu pendor natural à gastança, teria agora um arsenal menos limitado para combater os efeitos deletérios da derrocada global.

As semelhanças com o presente não são mera coincidência. Era ano pré-eleitoral como este e vínhamos de um fim melancólico do ano anterior, em termos de crescimento e emprego. A única diferença é a de que em março de 2009 as expectativas pareciam menos promissoras do que as de março de 2013.

Todavia, como já havia expectativa de retomada o discurso era exatamente o mesmo de hoje, de relativizar os sinais de aquecimento na economia dizendo, de uma forma ou de outra, que o modelo econômico em curso – baseado no consumo de massas – estaria “esgotado”.

Chega a ser risível dizer que o consumo de massas possa estar perto do patamar de estabilização em um país em que tanta gente ainda não consome mais do que o básico do básico. Mas, enfim, é nisso que a direita midiática acredita – ou quer acreditar.

Enfim, a aposta no ritmo mais fraco da economia se mostra fadada a novo fiasco por duas razões.

Primeira razão: o país deve retomar o crescimento em 2013 e não no ano eleitoral de 2014, enquanto que no penúltimo ano pré-eleitoral não houve retomada e houve até recessão, o que permitiu à oposição brandir a retração de 0,2% de 2009 na campanha de 2010.

Segunda razão: assim como o discurso sobre 2009 não empanou a sensação de bem-estar da população em 2010, em 2014 o “pibinho” de 2012 será história e o de 2013 deve ser no mínimo saudável, segundo já reconhecem mesmo os analistas da oposição.

Por fim, resta dizer que mesmo que a eleição fosse neste ano, com “pibinho” em 2012 e crescimento apenas médio em 2013, dificilmente isso iria interferir na visão que o brasileiro vem mantendo de que o governo impede que a crise chegue a si.

Trecho do Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) A Década Inclusiva (2001-2011): Desigualdade, Pobreza e Política de Renda permite entender melhor a questão.

“Numa sociedade de 10 pessoas, se 1 tem renda 10 e os 9 restantes tem renda 0; ou no extremo oposto, se 10 tem a renda igual a 1; o PIB é o mesmo. O PIB é uma medida de bem-estar social que por construção não se importa com as diferenças entre pessoas, apenas com a soma das riquezas produzidas”.

Ora, o mesmo estudo mostra que a distribuição da riqueza, seja ela alguns pontos percentuais maior ou menor, é o que importa, pois é o que as pessoas sentem.

Nesse aspecto, segundo o Ipea, durante a última década o Brasil reduziu a desigualdade, fato que não ocorria de forma contínua e não chegava a índices tão baixos desde 1960, quando a série histórica começou a ser construída.

“Este é o menor nível de desigualdade da história documentada, embora o Brasil ainda seja desigual”, enfatizou o Pesquisador do Ipea Marcelo Néri. O Índice Gini, que mede a desigualdade, chegou a 0,527 em 2011 e em 2012 chegou a 0,519 – quanto mais próximo de 0, menos desigual é um país.

Em 2001, o Índice de Gini do Brasil era de 0,61 e, em 1960, era 0,535. Durante a ditadura militar a riqueza se concentrou fortemente, a desigualdade chegou a cair um pouco no início do plano real e depois, ao fim do governo FHC, voltou a subir.

Há anos que este blog vem dizendo que não é o nível do PIB e não é, apenas, o nível de emprego que mantêm o governo bem avaliado pelo eleitorado, mas a distribuição de renda.

Há alguns dias, algumas dezenas de manifestantes foram às ruas protestar contra Lula em São Paulo. Na quase totalidade, eram pessoas favorecidas pela sorte e que não se conformam com um fenômeno que a Era Lula-Dilma inaugurou no Brasil: distribuição de renda.

No imaginário do brasileiro remediado, que hoje é maioria, há uma elite branca e preconceituosa que quer tirar o PT do poder e pôr o PSDB porque é o partido que defende os interesses dos ricos. Até aqui, essa percepção não mudou uma vírgula. E não será “pibinho” que irá operar tal milagre.

Extraído do Blog da Cidadania

01 março 2013

UNIÃO EUROPEIA SUPERA BRASIL NO CONSUMO DE BIOCOMBUSTÍVEIS - Fernando Caulyt


Enquanto faltam investimentos para suprir demanda no Brasil, Europa regulou o setor e produção aumentou 16 vezes em uma década. Precursor da tecnologia, país precisa de 100 novas usinas para atender procura até 2020.

Depois dos Estados Unidos, em 2003, agora é a vez de a Europa superar o Brasil no consumo de biocombustíveis. Dados consolidados divulgados recentemente pela União Europeia mostram que o bloco econômico consumiu em 2011 cerca de 14 mil toneladas equivalentes de petróleo (TEP) – 2 mil a mais que o consumo brasileiro.

Se levada em conta a participação dos biocombustíveis na matriz de combustíveis, o Brasil se manteve em 2011 como líder mundial – com 17% contra 4,5% da UE. Mas a reviravolta no consumo total, impensável há uma década, é por si só significativa e é fruto de um conjunto de leis e medidas de fomento por parte dos governo europeus. Em dez anos, o consumo nos países do bloco aumentou 16 vezes.

Há dez anos, os produtores brasileiros começavam a ganhar fama internacional com combustível mais limpo feito à base de cana-de-açúcar. Anos mais tarde, o produto made in Brazil recebeu a comprovação de ser mais eficiente do que o concorrente americano, fabricado a partir do milho.

Também naquela época, os brasileiros faziam campanha entre os europeus para incentivar o consumo do biocombustível e, dessa maneira, se tornarem o principal fornecedor do produto.

E a Europa parece ter seguido o conselho à risca. A superação do consumo brasileiro pelos europeus se deve ao fato de o continente ter adotado, em 2003, uma legislação para promover o uso de biocombustíveis, em que foi estipulada uma meta facultativa de 5,75% de biocombustiveis no setor de transportes em 2010.

Em 2009, essa legislação foi substituída por duas novas normas, que estabeleciam uma meta obrigatória de 10% de energia renovável no setor transporte europeu até 2020, além da redução em 6% das emissões de gases do efeito estufa dos combustíveis usados no setor de transportes até 2020.

Perda de fôlego na produção

Ao mesmo tempo em que o Brasil perdeu o posto para a Europa em relação aos números absolutos de consumo – já que a população e frota de veículos europeia é maior do que a brasileira –, perdeu fôlego também na produção e no consequente consumo de biocombustível.

“O país também deu uma ‘patinada’ principalmente na questão do etanol”, destaca Waldyr Gallo, professor de engenharia mecânica da Unicamp e especialista em motores e biocombustíveis.

Veículos com motores flex correspondem a cerca de 57% da frota brasileira
Enquanto o biodiesel tem que representar, por legislação, 5% do diesel disponibilizado nos postos de combustível, o etanol pode ser escolhido ou não pelos proprietários dos carros com motores flex – que correspondem a cerca de 57% da frota nacional e têm tendência em alta, já que de 80% a 90% dos veículos vendidos saem de fábrica com esse tipo de motor.

Dessa forma, o consumidor tem a escolha de qual combustível vai usar. A decisão, naturalmente, é orientada pelo preço da gasolina e do etanol nas bombas. Quando o etanol fica mais barato, há uma migração em massa de consumidores, e o mercado não dá conta de suprir a demanda.

“O que aconteceu no Brasil foi uma dificuldade de investimento no setor produtivo. Quer dizer, o plantio da cana e as instalações industriais não cresceram para dar conta da demanda”, explica Gallo.

E no ano passado o país teve justamente que importar mais gasolina porque o setor sucroalcooleiro não conseguiu atender o mercado interno. O governo escolheu importar gasolina em vez de etanol por um único motivo: o preço. Importar gasolina é mais barato que importar etanol.

A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) culpa a crise financeira mundial e condições climáticas desfavoráveis. “Com isso, a produção ficou estagnada, e o consumo caiu. O consumo e a produção vão aumentar”, garante Géraldine Kutas, assessora sênior da presidência para assuntos internacionais da Unica.

Exportação de etanol

O Brasil exporta entre 10% e 15% de sua produção de biocombustível. A venda para o exterior poderia ser maior caso o mercado interno fosse atendido. Mesmo assim, existem várias barreiras para que o produto brasileiro entre na Europa: além de subsídios dados para agricultores europeus, a exportação acaba esbarrando em dificuldades técnicas, sobrepreço e discussão sobre sustentabilidade.
Etanol concorre diretamente com o preço da gasolina no Brasil

Kutas, da Unica, explica que a exportação para a Europa é mínima por causa da alta tarifa de importação imposta pelos europeus ao etanol brasileiro: 0,19 euro por litro, mesmo pelo fato de a produção brasileira atender aos critérios de sustentabilidade europeus.

"Temos 26 usinas e 2 bilhões de litros de etanol certificados neste padrão. A Europa considera que o etanol é feito de matéria-prima agrícola e deveria ser limitado. Nós achamos que os argumentos europeus não se aplicam à realidade brasileira, porque nós não temos competição com alimentos, podemos produzir os dois tranquilamente”, explicou Kutas.

Gallo concorda que a realidade brasileira é outra, mas apoia a imposição de barreiras ao etanol brasileiro, que é muito mais barato do que o produzido pelos europeus.

“Cada país precisa defender o seu próprio sistema produtivo, até porque, às vezes, as coisas são temporárias. Depois que a onda passa, a sua indústria local está sucateada e não tem mais como suprir seu próprio mercado interno”, afirma.

O etanol europeu é produzido a partir do trigo (36%), beterraba (23%), milho (23%) e outros grãos (17%), ou seja, produtos alimentícios. A União Europeia tenta mudar esse panorama e estimular o uso de outras fontes, como resíduos. É por isso que o bloco discute, atualmente, a redução da meta obrigatória de consumo de biocombustível de 10% para 5% até 2020.

Demanda

Diferentemente da Europa, o Brasil não tem metas de produção nem de consumo de biocombustíveis. Mas a demanda é basicamente projetada pelo aumento da frota de veículos flex e exportação de biocombustíveis. Em condições normais, com o aumento da frota flex e da demanda do exterior, a produção atual teria que ser duplicada até 2020 para abastecer o mercado doméstico e obter excedente para exportação.

“Para isso, precisamos construir mais de 100 novas usinas de beneficiamento de cana-de-açúcar. Temos que ver se haverá competitividade de gasolina e etanol no futuro e isso depende de políticas públicas. Isso volta à questão da decisão da matriz energética e de transportes. Depende também de inovações tecnológicas e produtividade”, disse Kutas.

Brasil precisa de 100 novas usinas de etanol para dar conta da demanda projetada para 2020
Questionada sobre aumentar a produção de etanol para fazer com que o preço seja menor no mercado, Kutas informou que o setor precisa cobrir os custos de produção, já que a matéria-prima, no caso a cana-de-açúcar, representa 60% do preço do produto final.

“O etanol no Brasil tem 40 anos e temos que dar um salto em termos de inovação agrícola, reduzir os custos de logística, entre outros. As empresas não estão paradas. Mas são investimentos que vão demorar para gerar resultados concretos no preço do produto”, conclui.

Extraído do sítio Deutsche Welle

19 fevereiro 2013

DILMA: PRODUÇÃO DE GRÃOS ESTE ANO SERÁ A MAIOR DA HISTÓRIA - Paula Laboissière

Agronegócio já tomou emprestado R$ 13,5 bilhões para a modernização de propriedades.(Valter Campanato/ABr)

Brasília - A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (18) que a produção de grãos no país deve ser a maior da história, confirmando a expectativa de 185 milhões de toneladas anunciada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). “Isso sem contar os outros alimentos que chegam à mesa produzidos pela nossa agricultura, que são as verduras, as frutas, as carnes, o leite, o café e o açúcar”, disse.

No programa semanal Café com a Presidenta, ela atribuiu a expectativa de recorde na produção ao clima e ao solo brasileiros e também a medidas como a ampliação do crédito, a redução do custo dos financiamentos e os investimentos feitos por meio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

“Nesta safra, o governo brasileiro colocou R$ 115 bilhões para financiar o agronegócio e também colocou R$ 18 bilhões só para a agricultura familiar. Veja você: é um valor significativo que está à disposição dos nossos agricultores, dos pequenos, dos médios e dos grandes agricultores”, explicou.

Segundo Dilma, a procura pelo crédito no setor é grande. Até o momento, meio de safra, os agricultores tomaram R$ 72 bilhões para financiar o custeio da produção (preparar a terra, comprar sementes e fertilizantes e fazer a colheita) e para investimentos (construção de sistemas de irrigação e compra de máquinas agrícolas).

“Tudo isso vai significar mais tecnologia no campo e o resultado é que temos hoje uma das agriculturas mais eficientes e modernas do mundo. A cada ano, os nossos agricultores têm procurado mais e mais crédito para modernizar a produção e para melhorar as condições do trabalho no campo.”

O agronegócio já tomou emprestado R$ 13,5 bilhões para a modernização de propriedades – apenas os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para compra de equipamentos agrícolas cresceram 24% em relação à safra passada, de acordo com a presidenta. “O Plano Safra da Agricultura Familiar já liberou, somente nesta safra, R$ 6 bilhões para a compra de máquinas e para projetos de infraestrutura nas propriedades. O dinheiro é usado para recuperar a terra, organizar pomares, construir sistemas de irrigação, comprar resfriadores de leite e até para comprar tratores e pequenas carretas para o transporte da produção”, disse.

Dilma destacou também que 30% dos recursos usados pelas prefeituras para garantir a merenda escolar podem ser comprados diretamente da agricultura familiar. Atualmente, segundo ela, sete em cada dez municípios brasileiros compram uma parte da merenda escolar diretamente da agricultura familiar. “E queremos que esse número cresça ainda mais. Com isso, não só as nossas crianças e os nossos jovens serão beneficiados, mas aumentará a renda do agricultor.”

Extraído do sítio EBC

14 fevereiro 2013

DESGRAÇA MIDIÁTICA NOSSA DE CADA DIA, AGORA, É A INFLAÇÃO - Eduardo Guimarães


O ano nem bem começou e os brasileiros mais crédulos já acham que estão vivendo em um país à beira da ruína, com ao menos duas desgraças descomunais que o noticiário anuncia que estão prestes a se abater sobre suas vidas.

O país, segundo a mídia oposicionista, está para mergulhar em uma recessão sem precedentes por conta de um iminente racionamento de energia elétrica e, como se fosse pouco, está para ver seus rendimentos derreterem ao fim de cada mês por conta da volta da inflação.

Nem o ritmo magnífico de geração de empregos escapa de virar desgraça midiática, pois grandes veículos resolveram destacar, em vez do fato de que o mercado de trabalho brasileiro caminha na contramão do resto do mundo e abriga cada vez mais gente, que, em 2012, geramos menos empregos que nos anos anteriores.

Na seção de cartas de leitores do Estadão da quarta-feira de cinzas, leitores imbecilizados já afirmam que a década passada foi uma “década perdida” (?!), apesar de ter sido a década em que o Brasil mais progrediu em décadas.

Se 1% das desgraças midiáticas nossas de cada dia se materializassem, melhor seria que todos emigrássemos para qualquer parte do mundo que nos aceitasse e que o último que saísse que apagasse a luz.

No caso da inflação, em primeiro lugar há que pontuar que janeiro é mês de alta generalizada de preços. Isso é histórico. Mas, de fato, houve uma inflação um pouco maior neste janeiro do que nos dos últimos anos. Isso se deu por conta de um fator que, em qualquer economia, sempre gera pressões inflacionárias: a queda do desemprego e o aumento da renda, que põem a lei da oferta e da procura em vigor.

Contudo, o tom alarmista do noticiário, além de exagerado, poderá atuar da mesma forma que o alarmismo sobre “racionamento” e apagão, pois agentes econômicos começam a aumentar preços por conta de expectativas que nem se materializaram.

Mais uma vez, há uma tentativa de sabotar a economia igual à do mês passado com a balela sobre crise energética. O que a mídia oposicionista busca, de novo, é uma profecia que se torne autorrealizável.

Nesse aspecto, a fraquíssima comunicação social do governo colabora com um alarmismo que prejudica o país. Deveria haver uma estratégia para explicar à sociedade as particularidades conjunturais que levaram à alta de preços do mês passado, mas o que se vê é imobilismo.

O governador do Paraná, um dos Estados que boicotaram a adesão das energéticas ao plano do governo federal que reduziu o valor das contas de luz, por conta da falta de estratégia de comunicação do governo federal está arrogando a si um benefício aos paranaenses que tentou sabotar.

O fato é que o Brasil está sendo muito bem governado, está vivendo uma era de ouro. Relatório recente da OCDE já dá a retomada do crescimento brasileiro como favas contas. Só que isso não chega à sociedade.

Como dizia minha santa avozinha, “Galinha, quando põe ovo, tem que cantar”. Se não canta, alguma raposa chega antes que o dono do galinheiro e faz a festa. E o que não faltam hoje, no Brasil, são raposas.

Extraído do Blog da Cidadania

10 fevereiro 2013

PRINCIPAIS DESTINOS DO CARNAVAL NORDESTINO DEVEM GERAR MAIS DE 275 MIL EMPREGOS - Carolina Sarres


Brasília – O carnaval é um período de oportunidades para viajar, descansar, se divertir e conhecer pessoas novas. O feriado, no entanto, é particularmente especial para quem quer trabalhar. Centenas de milhares de vagas de emprego temporário são abertas no período e muitos desses postos têm a perspectiva de se tornar permanentes. Só em Salvador e Olinda, dois dos principais destinos do feriado no Nordeste, estima-se que aproximadamente 275 mil empregos sejam criados, direta e indiretamente. Na capital baiana, são cerca de 210 mil vagas e na cidade pernambucana, 65 mil, segundo dados das prefeituras locais.

As áreas que mais contratam são as de serviços e o comércio, devido à demanda que se intensifica com a presença de visitantes nas cidades onde o carnaval é atração. Olinda, por exemplo, espera receber cerca de 150 mil turistas, o que corresponde a mais de um terço da população da cidade – de 378 mil pessoas, segundo o Censo 2011 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Algo em torno de 95% dos leitos da rede hoteleira de Olinda são ocupados no período. Nos cinco dias de carnaval, mais de 2 milhões de pessoas devem visitar a cidade.

“Grande parte dessa geração de empregos é informal. Quem vem a Olinda vê isso muito claramente nas ruas. Acredito que, se a quantidade de vagas informais abertas não for igual à das formais, está muito perto disso”, informou a coordenadora de projetos da cooperativa de trabalho especializada em serviços, Banco de Horas, Patrícia de Luna.

Segundo ela, ainda há o que melhorar para receber os turistas na cidade. "No Nordeste, qualificação é a palavra de ordem. E isso tem acontecido. Existe um esforço do poder publico de organizar o que se tem, mas, claro, sempre tem o que melhorar. Em Olinda, por exemplo, o que acontece é carnaval de rua, então é uma organização desorganizada", disse Patrícia.

Em Salvador, a mobilização é ainda maior. Para organizar a festa, 12 secretarias municipais são articuladas, com a contratação de mão de obra para a execução de atividades específicas, como a montagem de trios elétricos, vistorias, acompanhamento de circuito, guias de informação, segurança, limpeza dos locais de festa, transporte, entre outros. Deverão ser gastos com o carnaval da capital baiana mais de R$ 17,5 bilhões, considerando somente o que foi investido pelos patrocinadores da festa, por meio da Empresa Salvador de Turismo (Saltur).

Os dias de festa ainda estimulam o turismo local. Muitos visitantes nas cidades aproveitam para conhecer os pontos turísticos dessas cidades, visitar restaurantes e fazer compras. Estima-se que o município receba cerca de R$ 1 bilhão.

As oportunidades de trabalho nesses períodos festivos se apresentam em cadeia e estão em diversos setores da economia. Em Olinda, por exemplo, mais de 5 mil toneladas de lixo reciclável são coletadas ao longo do feriado somente na parte histórica da cidade, onde a movimentação é maior. Além do faturamento com a venda de produtos, há a renda gerada pela reciclagem dos resíduos.

Em Salvador, espera-se ultrapassar a marca das 100 mil toneladas de lixo reciclável coletado, alcançada no carnaval de 2012. De acordo com Joílson Santana, um dos coordenadores do Complexo Cooperativo de Reciclagem da Bahia (CCRB) e do projeto Ecofolia Solidária: Trabalho Decente Preserva o Meio Ambiente, cerca de 2,5 mil catadores não cooperativados devem fazer a coleta seletiva de cerca de 70 toneladas de lixo reciclável. O restante deve ser processado por outras cooperativas. Joílson informou que, desses 2,5 mil catadores avulsos, 30%, ou 750, se deslocam de cidades próximas a Salvador para trabalhar na capital durante o carnaval.

"O projeto [Ecofolia Solidária] ajuda muito nesse sentido, pois, ao fazer parte, o catador recebe um kit de proteção individual, com calça, camisa, luva, botas e protetores auriculares. Eles ainda recebem três tíquetes de refeição diários e têm acesso a cinco centrais de apoio às atividades para onde podem levar o material coletado - o que ajuda, já que não estão na cidade onde costumam trabalhar ", disse.

O projeto Ecofolia Solidária está em sua décima edição em 2013 e tem o objetivo de organizar, armazenar e comercializar o lixo reciclável, diminuindo o impacto sobre o meio ambiente e promovendo a inclusão social.

Extraído do sítio Agência Brasil

08 fevereiro 2013

O JOGO SUJO NEOLIBERAL NA CAMPANHA CONTRA A PETROBRAS


Há uma pergunta que não é feita, na recente onda de avaliações negativistas sobre o desempenho da Petrobras em 2012: qual é o papel de uma empresa estatal de infraestrutura do porte petroleira brasileira?

O alarmismo dos jornalões conservadores, dos comentaristas “econômicos” ligados à especulação financeira e dos consultores de investimentos descreve em cenário quase falimentar para a Petrobras. Equiparam os lucros menores alcançados em 2012 a um prejuízo que não ocorreu. A realidade é inversa; embora tenha ficado 36% abaixo da expectativa, a Petrobras teve lucro de R$ 21,2 bilhões, o que não é pouco.

Em entrevista coletiva nesta terça-feira (5) a presidenta da estatal, Maria das Graças Foster, referiu-se aos problemas enfrentados em 2012 e que, em sua avaliação, persistirão neste primeiro semestre. O recuo nos lucros em 2012 resultou, disse, do "aumento da importação de derivados a preços mais elevados, pela desvalorização cambial, que impacta tanto nosso resultado financeiro como nossos custos operacionais, pelo aumento de despesas extraordinárias como a baixa de poços secos e pela produção de petróleo” que, embora dentro da meta “foi de 1.980 mil barris por dia no Brasil, 2% inferior à de 2011". Em sua avaliação, a produção de 2013 ficará no mesmo patamar de 2012, mas vê perspectiva de crescimento com a entrada em operação, no segundo semestre, de seis novas plataformas de extração de petróleo.

As avaliações sobre a saúde financeira da Petrobras fazem parte de um jogo que envolve um conjunto contraditório de interesses financeiros, especulativos e mesmo ideológicos. 

O foco dos jornalões e seus comentaristas tem sido a contenção, pelo governo, do preço da gasolina para impedir o crescimento da inflação no ano passado. Chamam isso de “interferências do governo na gestão da Petrobras”.

A queda no lucro em 2012 não pode ser negligenciada; ela gera um problema para os acionistas privados da Petrobrás; a União é dona de 50,26% das ações ordinárias, com direito a voto, tendo, portanto, o controle da empresa; acionistas privados são donos de 39,6% dessas ações e, ganham menos do que esperavam. A presença do capital privado é muito maior entre os acionistas preferenciais, que não têm direito a voto, mas são privilegiados na distribuição dos dividendos e na devolução do capital, quando for o caso. Eles são donos de 73% do total destas ações. A direção da Petrobras decidiu pagar dividendos de 47 centavos de real para cada ação ordinária, menos da metade do que vai pagar para as ações preferenciais (97 centavos).

Esta redução nos lucros dos acionistas explica parte do “problema” gerado pelo desempenho em 2012 – embora a Petrobras tenha tido um lucro líquido que supera os R$ 20 bilhões (correspondendo a 9% do de seu valor de mercado calculado pela Corretora Economatica), o ganho é bastante inferior ao esperado pelos investidores. Eles podem perder dinheiro se ficarem atemorizados pelo noticiário alarmista: compraram ações a um preço que correspondia a uma expectativa de lucro mais alta e, agora, são induzidos a vendê-las a preços mais baixos. 

Há inclusive analistas que se referem a especulações que acompanham este movimento: existem aplicadores que torcem pela criação de um clima pessimista para induzir muita gente a vender suas ações, permitindo aos espertalhões comprá-las na baixa, para acumular a possibilidade de maiores lucros futuros. 

Essa possiblidade é concreta devido aos reconhecidamente sólidos “fundamentos” da Petrobras que podem levar à recuperação no preço de suas ações em médio e longo prazos. 

A Petrobras é uma empresa que não corre o risco de quebrar, muitos dizem. Ao contrário, a perspectiva promissora ancora-se no cenário de crescimento da Petrobras, cujo tamanho pode dobrar nos próximos anos.

Contra os pessimistas de plantão pode-se argumentar que a Petrobras vive dores de crescimento e, na verdade, se fortalece. Sua lucratividade da estatal vem crescendo; nos três últimos meses de 2012 teve lucro de R$ 7,7 bilhões, muito acima dos 5,22 bilhões esperados pelos analistas, e 53% mais alto do que o registrado no mesmo período em 2011. Quase 80% do lucro no final de 2012 (6,12 bilhões) foi operacional, muito acima do lucro financeiro (1,6 bilhões).

Contrapondo-se às análises catastrofistas, é preciso registrar – ao lado da queda de 36,3% no lucro líquido de 2012 – os resultados positivos do ano. A receita líquida foi de R$ 281,3 bilhões, 15% maior do que a de 2011, que ficou em R$ 244,1 bilhões. O valor alcançado em 2012 não é negligenciável e pode relativizar outro problema real, o salto de 43% na dívida líquida, que chegou a R$ 147,817 bilhões (que corresponde a pouco mais da metade da receita líquida alcançada no ano), e que a presidenta da Petrobras prevê que vai continuar crescendo em 2013, pois a estatal precisa garantir os investimentos programados para 2013, na altura de R$ 97,7 bilhões. 

Outro ponto positivo foi o cumprimento da meta de produção para 0 ano de 2012, de 1,98 milhão de barris por dia de óleo e gás natural. 

O caráter ideológico da campanha contra a Petrobras foi registrado com clareza num editorial onde o jornal O Globo defendeu os sócios privados da estatal. A grande parcela de acionistas privados da empresa reforça suas obrigações com o “mercado”, disse o diário da família Marinho. "Não fosse assim, seu capital deveria ser fechado, para que pudesse prestar contas somente à União", criticou.

Este é o ponto e ajuda a responder à pergunta formulada no início destas reflexões. O papel de uma empresa controlada majoritariamente pelo governo é remunerar o capital privado investido em suas ações ou ser instrumento de política econômica?

Para o dogma neoliberal impõe o respeito sacrossanto aos interesses do capital – é a ele que a empresa deve prestar contas, e não à sociedade através de seu instrumento, o governo. São os interesses privatistas que devem prevalecer, pensam.

Na série de governos inaugurada por Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, o pensamento que prevalece é outro. O governo e o Estado têm um papel essencial no fomento e apoio ao desenvolvimento e, nesse sentido, devem intervir na economia. E empresas do porte da Petrobras são ferramentas insubstituíveis para isso. É necessário que as empresas do governo, ou controladas por ele, intervenham na formação dos preços, no aumento da oferta de bens e de crédito, na redução dos juros, na criação das condições para o crescimento econômico e o desenvolvimento. E legítimo, e necessário, usar uma empresa como a Petrobras para segurar o preço dos combustíveis e conter a inflação!

O noticiário alarmista não passa de uma campanha para, enfraquecendo a Petrobras, atingir também o governo da presidenta Dilma Rousseff, acusou o deputado federal Fernando Ferro (PT-PE). Trata-se de “uma crítica desonesta, um mau jornalismo, que não ajuda a democracia e muito menos o povo brasileiro”.

Extraído do sítio Portal Vermelho