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28 janeiro 2013

Davos 2013: EXTRATERRESTRES, SUPERCAPACIDADES HUMANAS, IMORTALIDADE - Yulia Zamanskaya

EPA

Para além de questões econômicas tradicionais, a agenda do Fórum Econômico Mundial em Davos inclui tais temas como utilização não controlada de tecnologias da engenharia genética, intervenção médica no cérebro humano, prolongamento artificial da vida humana, existência de civilizações extraterrestres. As discussões, preparadas com o apoio da revista Nature, são denominadas X-Fator e parecem mais com um cenário de filme de ficção científica.

Na opinião de cientistas, a humanidade terá em breve medicamentos capazes de provocar supercapacidades nos homens. Tanto que cientistas estão desenvolvendo atualmente remédios contra tais males como a doença de Alzheimer e a esquizofrenia, no futuro, provavelmente, poderão aparecer medicamentos que estimulem a atividade mental nas pessoas comuns.

Cientistas concordam que as supercapacidades humanas podem ser impulsionadas com a ajuda de engenhos eletrônicos altamente tecnológicos: as experiências mostraram que a atividade cerebral e a memória podem ser melhoradas com a ajuda de aparelhos eletrônicos implantados no organismo humano. Mas tal método é tecnologicamente complexo e é pouco provável que ele seja acessível para uma pessoa comum, diferentemente dos preparados médicos. Contudo, na opinião de cientistas, a neurobiologia alcançará um novo nível dentro de dez anos e sensores eletrônicos implantados no cérebro serão largamente divulgados. Pergunte-se contudo: será ético dividir a sociedade em aqueles que podem permitir-se melhorar a atividade cerebral e aqueles que não podem fazê-lo? Será possível vender livremente tais preparados e será necessária uma base legislativa para tal?

Outro tema de discussões é o aumento dos problemas ligados ao crescimento da duração da vida humana. Medicamentos de última geração permitiram prolongar em 35% a vida de pessoas. Este fator positivo é acompanhado de perdas financeiras relacionadas com pagamentos sociais e de superpopulação do planeta.

Segundo especialistas, a eutanásia é a única solução do problema, porque, graças ao desenvolvimento da medicina, mesmo as pessoas mais fracas e doentias podem viver até 90-100 anos, o que contraria a lei da natureza de que sobrevivem os mais fortes.

O tema mais extraordinário de discussões é a existência de civilizações extraterrestres. Os peritos do Fórum concordam que a humanidade poderá descobrir planetas habitadas em resultado da exploração do espaço e apela a que a comunidade mundial se prepare para um encontro com uma civilização extraterrestre e avalie as potenciais ameaças deste contato. Por outro lado, será necessário formar serviços especiais para descobrir civilizações extraterrestres que possam prevenir ameaças vindas do cosmos.

No entanto, como afirmam muitos peritos, a descoberta de uma razão extraterrestre não alterará muito a vida humana. Embora este seja um acontecimento sensacional, é pouco provável que ele influa imediatamente na vida humana. No entanto, a longo prazo, poderá mudar a consciência psicológica e filosófica das pessoas. Mesmo o descobrimento de um vestígio de vida num outro planeta provocará conversas sobre a possível existência da vida no universo, o que, por sua vez, irá frustrar os princípios da filosofia e da religião, consideram os peritos do Fórum.

Extraído do sítio Voz da Rússia

27 janeiro 2013

EM DAVOS, O PESSIMISMO DOS RICOS - Luiz Gonzaga Belluzzo

Resilient Dynamism é o tema proposto aos participantes pelos organizadores do Fórum Econômico Mundial que ora se realiza em Davos. Nos últimos cinco anos, o conclave dos ricos, famosos e bem-sucedidos do mundo, anda murcho, lamurioso, pessimista e, como revela o tema escolhido, enigmático. Resilient Dynamism: soa bem, mas pode significar qualquer coisa. O jornal inglês The Guardian do dia 23 de janeiro espetou sua maldade no painel dos inconformados. Sugeriu que seria mais apropriado We got it wrong. A tradução livre: Não entendemos nada.

Escreve Monbiot, do Guardian: “A crise demonstra que o pensamento neoliberal é uma fraude de alto a baixo”. Foto: Joel Saget/AFP

O jornal New York Times publicou, na sexta 18 de janeiro deste ano corrente, a cronologia das reuniões do Federal Open Market Comittee (Fomc) de 2007. As transcrições mostram que os membros do Comitê de Política Monetária tampouco atinaram, já em agosto de 2007, com o tamanho da coisa. Dois gigantes do crédito imobiliário balançavam à beira do precipício.

Talvez, escovado por seus estudos sobre a Grande Depressão, Bernanke revelou incômodo com os sinais do mercado, mas seus pares demoraram a ouvir os passos da caminhada da economia para a recessão. Não foram poucos os membros do Fomc que temiam um repique da inflação e recomendaram uma elevação dos juros. Outros, como William Poole, apostaram no caráter passageiro das turbações financeiras: “Aposto que nada vai mudar fundamentalmente na economia real”. Rezava o comunicado da reunião do comitê publicado em 7 de agosto: “Ainda que os riscos de uma desaceleração do crescimento tenham aumentado em alguma medida, a preocupação maior do comitê é com o ­risco de a inflação não moderar o seu ritmo como esperado”.

Com essa sensibilidade, é claro que tampouco os sábios anteciparam a violência deflacionária da reversão de um ciclo expansivo apoiado no crédito fácil e no enriquecimento fictício das famílias.

Lambendo as feridas causadas por sua incúria e imprevisão, diante do massacre imposto a seus esgares presunçosos, os potentados do mundo dos negócios cuidam de lamentar a hostilidade das maiorias descontentes com os rumos da economia global. O CEO do JP Morgan, Jamie Dimon, queixou-se, em Davos, das acusações e dos ataques lançados contra os bancos pelos reguladores e pelo público em geral. Em sua opinião os bancos foram um “porto seguro” para governos, empresas e famílias “durante a tempestade”.

Ainda mais seguros foram os diques construídos pelos bancos centrais mediante a compra de papéis ilíquidos que contaminavam as carteiras das instituições. Os sábios da finança que sustentavam suas posições superalavancadas com a grana dos mercados atacadistas de dinheiro. Aí dormitavam as aplicações de curto prazo de empresas e famílias. Quando esses mercados desapareceram tangidos pelo pânico, os colegas do senhor Dimon foram socorridos, em meio à tempestade, pelos salva-vidas lançados pelos governos.

Para acrescentar vergonha à infâmia, o supracitado New York Times revelou, em sua edição de 23 de janeiro, outra proe­za dos Senhores do Universo. Em 16 março de 2007, funcionários do Morgan Stanley dis­cutiam o nome de mais um pacote de ativos tóxicos que preparavam para lançar no mercado. As sugestões eram realmente sugestivas: “Derretimento subprime”, “Holocausto nuclear”, “Porrada do Mike Tyson” ou “Um saco de excremento”.

Entre outras trapalhadas, as camadas dirigentes – os especialistas da academia e as autoridades de plantão aceitaram a viseira de modelos mais tolos do que inúteis que rezavam o refrão da impossibilidade de acontecer o que estava acontecendo, concluindo que nada havia a fazer. Despejadas das moradias recém-adquiridas e impagáveis, as famílias devedoras descarregam a ira nos banqueiros excessivamente espertos e reguladores demasiado negligentes.

Essa busca e (improvável) captura de culpados revela a precariedade histórica e analítica que se apoderou do debate contemporâneo sobre as origens da crise. O espírito do tempo, atoleimado com o advento das informações instantâneas, da mídia de massa e de suas ramificações ciberespaciais, sempre inchadas de sábios de duas frases e cinco palavras, se encarregou do resto do serviço: simplificar os problemas e massacrar a inteligência alheia com caganifâncias e vulgaridades.

George Monbiot, o celebrado articulista do Guardian não deixa barato: “A crise demonstra que o pensamento neoliberal é uma fraude de alto a baixo. As demandas dos ultrarricos foram vestidas com os adornos de uma teoria econômica sofisticada. Mas o completo fracasso dessa experiência à escala mundial não impede a sua repetição. Isso nada tem a ver com economia. É uma questão de poder”.

Extraído do sítio CartaCapital