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23 abril 2013

O CAPITALISMO VOLTOU A INTERNET CONTRA A DEMOCRACIA - James Orbesen


“Vamos agarrar essa nova tecnologia de novo e transformá-la num filão para a publicidade.” As palavras são do diretor-presidente da Procter & Gamble, Edwin Artzt. Famoso por sua perspicácia nos negócios, Artzt, sempre guiado pelo lucro, disse a seus colegas capitães da indústria para voltarem suas atenções para algo novo, algo inédito, algo que precisava ser conquistado.

No início, a internet era um lugar diferente. Parecia um tempo de potencial ilimitado, quando se dizia que os velhos obstáculos à comunicação e à informação se derreteriam como manteiga no micro-ondas. As pessoas poderiam usar links de maneiras nunca vistas e tudo isso num espaço estritamente público e não comercial. Os analistas dessa época previam que os conglomerados da velha mídia seriam varridos pela chegada da Era Digital. Para os que olhavam para o futuro, a internet seria o espaço democrático, uma vez que seu princípio fundamental, o compartilhamento de dados pela rede, era intrinsecamente nivelador, livre e transparente.

Para muita gente que foi criança nas décadas de 80 e 90 – inclusive eu –, essa seria uma época para além da memória. Mas Robert W. McChesney lembra-se dela. Seu último livro, Digital Disconnect: How Capitalism Is Turning the Internet Against Democracy, olha para o desenvolvimento da internet, a estupefação inicial das empresas de mídia e telecomunicações diante de um espaço descoisificável, a provável conquista do ciberespaço e como a promessa inicial da internet não só foi subvertida, como se voltou contra o funcionamento de uma sociedade aberta e democrática.

Quantidade assustadora de dados

Apesar de todos os visíveis erros do capitalismo norte-americano – que McChesney assinala ao leitor, caso este tenha passado os últimos cinco anos dormindo –, o próprio sistema é, em grande parte, uma vaca sagrada. Na verdade, o capitalismo está tão entrelaçado com a sociedade norte-americana que, para muita gente, é quase um sinônimo da democracia. Numa época em que as corporações são pessoas legais e o dinheiro é equiparado à livre expressão, não é necessário um grande salto para compreender a intenção do autor. Como diz McChesney:

“E são poucos os que duvidam que o poder concreto, nos Estados Unidos, está nas mãos dos que têm mais dinheiro. É claro que os Estados Unidos contemporâneos não são um Estado policial e não têm gulags, mas têm uma variedade de poderosos estímulos materiais e culturais para incentivar uma política de não intervenção rumo ao capitalismo. Um hino ritualizado ao gênio do livre mercado é um bom lugar por onde começar.”

Talvez um dos ganchos mais irresistíveis do livro de McChesney seja seu projeto de se dissociar irremediavelmente da noção de que o capitalismo é essencial à democracia. Na realidade, poderia ser completamente antiético. McChesney cita a experiência ateniense, quando a democracia precedeu o capitalismo em quase 2 mil anos. Os dois não são um único nem o mesmo, apesar do que apregoam muitos arautos do livre mercado. Não exige um esforço tão grande dizer que o capital está sempre procurando o próximo grande negócio, algo que propiciaria um retorno prodigioso. Foi só uma questão de tempo até que interesses monetários fossem atrás de uma das áreas que cresciam mais rapidamente no final do século 20.

Poucas inovações tecnológicas provocaram ondas tão grandes quanto a internet. O simples acesso à informação é por si só notável, para não falar do aumento de conectividade entre indivíduos. O acesso à banda larga, o Wi-Fi e a proliferação de dispositivos móveis apenas aceleraram essa tendência. Os norte-americanos estão cada vez mais conectados por períodos cada vez mais longos de tempo. E essa tendência produziu uma quantidade de dados assustadora. McChesney cita Eric Schmidt, do Google. Schmidt avaliou que, se você registrasse digitalmente todos os documentos, textos e dispositivos culturais produzidos pelo ser humano desde o início dos tempos até 2003, precisaria de um computador com 5 bilhões de gigabytes de armazenagem. Em 2010, os humanos produziam esta mesma quantidade de dados a cada dois dias.

Ganância sem fim

É muita coisa para acompanhar. Infelizmente, não é de graça. A manutenção, o espaço do provedor e o desenvolvimento do software são apenas alguns dos custos para manter a massa absoluta da internet. McChesney conta uma história triste, mas cada vez mais comum. Aquilo que já foi aberto, público e, em grande parte, não comercial, tornou-se a fronteira do moderno capitalismo. Veja a internet como ela é, hoje. Parece extremamente distante dos sonhos utópicos de seus primeiros usuários e pioneiros, pessoas como o próprio McChesney. Não era para ser assim, diz o autor. Então, o que aconteceu?

Aconteceram os lucros. Depois de anos se alimentando de interesse público e sem fins lucrativos, a internet foi entregue a empreendimentos privados devido a intensos lobbies e em pouco tempo a coisa degringolou. A palavra-chave: rentabilizar. Manter a internet como um luxo, e não como uma utilidade. Convença os políticos a apoiarem uma legislação draconiana para direitos autorais. Acumule patentes. Anuncie por toda parte. Transforme a internet numa série de circuitos fechados, privados. Junto com as inúmeras infrações de privacidade pessoal, que os anunciantes pagam na hora – o que pede a pergunta cui bono? Dê apenas uma olhada nos lucros brutais registrados pela internet – empresas de telecomunicações e de tecnologia: Google, Apple, AT&T, Microsoft, Facebook et al.

A iniciativa privada não estava interessada em fornecer bens públicos porque, como diz McChesney:

“Esta situação não é necessariamente decorrente de uma conspiração, e, sim, de uma lógica perfeitamente visível e desavergonhada do próprio capitalismo. O capitalismo é um sistema baseado em pessoas que tentam obter lucros infindáveis por quaisquer meios que sejam necessários. Você nunca pode ter demais. A ganância sem fim – comportamento ridicularizado como insanidade em todas as sociedades não capitalistas – é o sistema de valores daqueles que estão no alto da economia. O ethos rejeita, explicitamente, quaisquer preocupações com complicações sociais, ou ‘externalidades’.”

Filtragem indireta da informação

Esta revelação não é inteiramente nova. Mas McChesney torna-a mais irresistível por ser tão recente. Talvez o verdadeiro impacto de seu livro seja detalhar um trajeto de eventos que ainda estão acontecendo. Descobrir que a AT&T, deliberadamente, cobra mais por seus serviços de dispositivos móveis e pela internet – fornecendo um produto de qualidade inferior – nos Estados Unidos do que pelos serviços prestados no exterior, é inquietante. É ainda mais inquietante por parecer que a construção dos aparelhos é tão desimportante que pouco, ou nada, ela é discutida por nossos líderes políticos. A ironia da coisa é que eu podia saber disso sem a trabalheira de McChesney. A internet, com todos os seus recursos, está logo ali.

Porém, espantosamente, o jogo parece já estar viciado contra a liberdade da internet: “...Os seres humanos conseguem visitar de modo significativo apenas um pequeno número de sites de uma maneira constante. O mecanismo de busca do Google incentiva a concentração porque os sites que não terminam na primeira ou segunda página de uma busca simplesmente não existem. Como disse Michael Wolff, na Wired, ‘os primeiros 10 websites responderam por 31% das visitas de página nos Estados Unidos em 2001, 40% em 2006 e cerca de 75% em 2010’. Em 2012, segundo o medidor de tráfego Experian Hitwise, 35% das visitas à internet vão para o Google, Microsoft, Yahoo! e Facebook.”

Esse tipo de estatística lembra-me uma passagem de Final Crisis, de Grant Morrison: “Já ganhamos. E eles ainda nem sabem!” Tornamo-nos ferramentas involuntárias de nosso confinamento. Essa filtragem indireta da informação é perigosa e leva ao ponto fundamental de McChesney sobre o potencial da internet para sabotar a democracia.

“Jornalismo retrospectivo”

Poucas profissões têm sofrido nas entranhas com a ascensão da internet como o jornalismo. A cada duas semanas, parece que surge uma história sobre demissões em massa numa redação ou a consolidação da mídia em empresas maciças, monopolísticas. McChesney enfatiza muito o papel que os jornalistas têm ao proteger o público da invasão dos interesses privados. Um povo informado, diz McChesney canalizando o apoio de Thomas Jefferson a uma imprensa livre e publicamente subsidiada, é a alma de uma sociedade democrática. No entanto, a internet veio e deixou os jornalistas esperando, justamente quando o público norte-americano mais precisava deles. Embora o declínio da imprensa escrita tradicional já viesse de décadas antes da internet, McChesney pretende que a confluência da consolidação da mídia e o enfraquecimento dos publishers independentes, através do declínio precipitado da receita publicitária, talvez seja a maior ameaça a uma sociedade democrática.

Os capitalistas localizam constantemente novos lugares para gerar lucros e, às vezes, isso implica pegar o que já foi muito e torná-lo escasso. É assim com a internet. A informação na internet é virtualmente livre, mas os interesses comerciais estão trabalhando para torná-la escassa.

Isto é preocupante porque se manifesta pela atual tendência das publicações fazerem menos investigação e mais reportagem. Devido aos profundos cortes de orçamento e ao controle pelos interesses das corporações – com seus dedos em muitos, mas muitos negócios diferentes –, as redações são forçadas a jogar o jogo. Ao invés de ir atrás da notícia para informar o povo, como deveria ser, os jornalistas só podem escrever a reportagem depois que os fatos aconteceram. Isto pode significar consequências trágicas. Quando uma mina de carvão afundou em 2010, na Virgínia Ocidental, causando a morte de 29 mineiros, descobriu-se a violação flagrante de inúmeros padrões de segurança. Duas denúncias foram feitas, pelo Washington Post e pelo New York Times, destacando a abrangência do crime. Entretanto, esse escândalo só veio à luz do dia depois que a mina já tinha afundado. McChesney cita Josh Stearns: “Estamos entrando numa era de ‘jornalismo retrospectivo’, quando algumas das matérias mais importantes da nossa época emergem depois do fato.”

Para os poderosos continuarem poderosos

Esta falta de vigilância jornalística sobre as atividades de autores e agitadores da internet é espantosa. Basta simplesmente avaliar os casos de Julian Assange, Aaron Swartz e outros ativistas pela liberdade da internet para ver como a internet se tornou fortemente controlada. A cumplicidade entre grandes empresas de tecnologia, telecomunicações e internet e políticos corruptos é óbvia. Está ocorrendo e, segundo McChesney, ainda sobraram algumas escassas fontes capazes de expor esse fato – de reverter o rumo, nem se fala.

Um exemplo deslumbrante pode ser visto na China e sua menina dos olhos, a “grande muralha digital”. O bloqueio da informação e o monitoramento de dissidentes ajuda a suprimir reformas para um regime genuinamente democrático. Mesmo nos Estados Unidos, informações pessoais são compradas e vendidas, sem consentimento, por terceiros não identificados. A maioria dos usuários nem sabe se ou quando está sendo rastreada. Seria um crime. Mas faz sentido para quem faz as regras da web porque irá gerar lucros. Diz McChesney: “Resumindo, o caminho racional para essas empresas – mesmo aquelas que atualmente não trabalham junto com os militares e as agências de segurança – é cooperar com o estado de segurança nacional. Qualquer outro rumo de ação seria uma ameaça à sua lucratividade. É óbvio.”

Portanto, quando McChesney denuncia que “as provas são claras: para as corporações da internet, a prioridade de direitos humanos e da força da lei está abaixo da prioridade de lucros” – e não se trata do emaranhado de uma teoria conspiratória. O contexto informal, fácil de abordar, que ele proporcionou, reforça sua percepção, não o desmerecendo como um acadêmico atípico. A internet, que já foi considerada um motor democratizante, poderia, na verdade, ser uma ferramenta indispensável para que os poderosos continuem sendo poderosos.

A opção de mudança

A internet chegou para ficar. Ninguém duvida disso. É útil demais, entretém demais, está enredada demais na vida diária para ser extinta. Mas já não parece ser uma dádiva dos deuses, como antigamente. “Em 1935, o editor da New Republic, Bruce Bliven, se descreveu como alguém que ‘considera a publicidade tão detestável que deseja que o rádio nunca tivesse sido inventado’. Cabe perguntar se a internet irá produzir ‘blivenistas’ modernos – ou se, como com as emissoras, as pessoas acabam aceitando sua degradação como uma coisa natural e quase não reconhecem, muito menos questionam, o que está acontecendo.” Considerando a quantidade de perversão que acontece por trás da cortina da internet, este não é um sentimento puramente descartável.

E o que McChesney oferece como solução? Existe esperança? Para ele, sim, e é uma mistura de inciativas democráticas que deve trabalhar dentro do sistema de forma a fazer retroagirem as preocupações capitalistas, assim como os subsídios públicos para um jornalismo proativo. A solução parece ideal, mas para mim é quase impossível imaginá-la acontecendo no ambiente hiper-partidarizado de hoje. Afinal, McChesney é um otimista auto-identificado. Como alguém que já cresceu com a internet, ao invés de ser testemunha de seu nascimento, acho que o fundamental não é o establishment, que já está nas mãos das corporações, e sim os pioneiros digitais, como Aaron Swartz, indivíduos ou grupos que estejam dispostos a virar as ferramentas da internet contra seus donos.

E McChesney admite que a internet continua sendo desenvolvida. Quem sabe o que será no futuro? Suas observações poderiam ser o último alerta do capitalismo tardio, e não a criação de uma Nova Ordem Digital.

Porém, uma vez que a internet ainda está em curso, o simples tamanho dela poderia, um dia, funcionar contra os interesses das corporações. Não é preciso ser um usuário excessivamente conhecedor para saber como superar os obstáculos entre os usuários e a informação. Embora um povo informado seja essencial ao funcionamento da democracia, talvez a maneira de avançar seja um povo informado sobre como a internet funciona, capaz de navegar na rede de uma maneira mais significativa e independente. O fundamental para a democratização da internet talvez seja uma geração de usuários que conheçam as regras do jogo, apoderando-se dela através do uso diário e das opções online. A empresa Kickstarter, apesar de monetizada, é um exemplo de democracia do tipo digital.

Só podemos esperar que todas aquelas horas incontáveis online compensem. Com o tempo, justamente aquelas pessoas consideradas intrusas, hackers ou escravas de seus laptops talvez venham a ser a melhor opção da internet para uma mudança significativa e democrática.

* Tradução: Jô Amado, edição de Leticia Nunes. Informações de James Orbesen [“When capitalismo consumed the Internet”, Salon, 14/4/13].

Extraído do sítio Observatório da Imprensa

20 abril 2013

A PIOR CRISE DOS JORNAIS NOS EUA - Altamiro Borges


A crise da mídia impressa, decorrente da explosão da internet e da queda de credibilidade dos jornalões e revistonas, agrava-se em todos os cantos. No Brasil, vários jornais já sucumbiram - como o JB, o JT e outros - e muitos trilham o caminho do falência, como o velho Estadão, que demitiu mais de 20% da sua equipe no início de abril. No mundo, o declínio também se acelera. O jornalista Fernando Rodrigues, da Folha, revelou nesta semana que a receita dos jornais nos EUA foi a pior dos últimos 50 anos - em 2012, ela foi 15% menor do que era em 1956, conforme informações compiladas pelo sítio Statista.

"Segundo o site, o boom da internet fez a receita dos veículos impressos com anúncios cair mais de 70% desde o ano 2000 – quando a indústria de mídia impressa havia atingido o pico de receita nos EUA. O faturamento com a circulação (venda de jornais e revistas) caiu cerca de 25% nesse período. O mais alarmante é que a internet, uma possível válvula de escape para as empresas de jornalismo impresso, não está rendendo o suficiente para cobrir as perdas", afirma o repórter, que conclui:

"A venda de publicidade nos sites dos jornais já representa mais de 10% das receitas do setor nos EUA. O problema é que as receitas totais anuais encolheram US$ 45 bilhões desde o ano 2000. No ano passado (2012), o valor total de faturamento foi de R$ 33 bilhões. Ou seja, afirma Statista, “os US$ 3,4 bilhões em venda de anúncios online parecem apenas uma gota d’água no balde”. Os jornais e revistas perdem leitores e, como consequência, os anúncios publicitários diminuem drasticamente. O mesmo fenômeno também já atinge as emissoras de rádio e televisão, que sofrem com a migração, principalmente dos jovens, para a internet.

A Secretaria de Comunicação da Presidência da República, responsável pela distribuição das verbas de publicidade do governo federal e das empresas estatais, deveria ler como atenção os dados compilados pelo sítio Statista. O que ocorre em ritmo mais acelerado nos EUA também já se manifesta no Brasil. Mas a Secom, que insiste na questionável tese da "mídia técnica", parece que ainda não entendeu o fenômeno e continua privilegiando a velha mídia com os recursos dos cofres públicos.

Extraído do Blog do Miro

29 março 2013

"MAIOR ATAQUE CIBERNÉTICO DA HISTÓRIA" ATINGE INTERNET EM TODO O MUNDO - Dave Lee

Ataque cibernético causou lentidão na internet nesta quarta-feira 27

A internet ficou mais lenta ao redor do mundo nesta quarta-feira devido ao que especialistas em segurança chamaram de maior ciberataque da História.

Uma briga entre um grupo que luta contra o avanço do spam e uma empresa que abriga sites deflagrou ataques cibernéticos que atingiram a estrutura central da rede.

O episódio teve impacto em serviços como o Netflix - e especialistas temem que possa causar problemas em bancos e serviços de email. Cinco polícias nacionais de combate a crimes cibernéticos estão investigando os ataques.

O grupo Spamhaus, que tem bases em Londres e Genebra, é uma organização sem fins lucrativos que tenta ajudar provedores de email a filtrar spams e outros conteúdos indesejados.

Para conseguir seu objetivo, o grupo mantém uma lista de endereços que devem ser bloqueados - uma base de dados de servidores conhecidos por serem usados para fins escusos na internet.

Recentemente, o Spamhaus bloqueou servidores mantidos pelo Cyberbunker, uma empresa holandesa que abriga sites de qualquer natureza, com qualquer conteúdo - à exceção de pornografia ou material relacionado a terrorismo.

Sven Olaf Kamphuis, que diz ser um porta-voz da Cyberbynker, disse em mensagem que o Spamhaus estava abusando de seu poder, e não deveria ser autorizado a decidir "o que acontece e o que nao acontece na internet".

O Spamhaus acusa a Cyberbunker de estar por trás dos ataques, em cooperação com "gangues criminosas" do Leste da Europa e da Rússia.

A Cyberbunker não respondeu à BBC quando contactada de forma direta.

'Trabalho imenso'

Steve Linford, executivo-chefe do Spamhaus, disse à BBC que a escala do ataque não tem precedentes.

"Estamos sofrendo este ciberataque por ao menos uma semana". "Mas estamos funcionando, não conseguiram nos derrubar. Nosso engenheiros estão fazendo um trabalho imenso em manter-nos de pe. Este tipo de ataque derruba praticamente qualquer coisa".

Linford disse à BBC que o ataque estava sendo investigado por cinco polícias cibernéticas no mundo, mas afirmou que não poderia dar mais detalhes, já que as polícias envolvidas temem se alvos de ataques também.

Os autores da ofensiva usaram uma tática conhecida como Negação Distribuída de Serviço (DDoS, na sigla em inglês), que inunda o alvo com enormes quantidades de tráfego, em uma tentativa de deixá-lo inacessível.

Os servidores do Spamhaus foram escolhidos como alvo.

Linford disse ainda que o poder do ataque é grande o suficiente para derrubar uma estrutura de internet governamental.

Extraído do sítio BBC Brasil

05 março 2013

TROPA VIRTUAL ESPALHA MENSAGENS PRÓ AÉCIO NA INTERNET - Eduardo Guimarães


No último domingo, este Blog foi surpreendido por uma enxurrada de comentários colocados em um post antigo, de 23 de abril de 2011, intitulado Um Larry Rother para Aécio Neves. O texto tratou de episódio pouco elogioso ao senador mineiro ocorrido naquele ano.

Mais adiante discorrerei com detalhes sobre a tal enxurrada de comentários. Antes, explicarei a natureza do post que foi alvo dessa verdadeira tropa virtual.

O texto em questão se refere a episódio ocorrido há quase dois anos com o senador pelo PSDB mineiro Aécio Neves, que foi flagrado dirigindo alcoolizado no Rio de Janeiro em um fim de semana e que, por isso, recusou-se a fazer o teste do bafômetro.

Eis um trecho do post que publiquei naquele abril de 2011:

“(…) Quem será o Larry Rother ou o Diogo Mainardi de Aécio Neves? Sim, porque se existiram para Lula, contra quem não havia provas de alcoolismo, teriam que existir para Aécio, que acaba de ser flagrado dirigindo bêbado no Rio. Além de haver provas contra o tucano, a prova ainda inclui um crime relacionado à bebida (…)”.

Não é raro entrarem comentários em posts antigos, mesmo sendo tão antigo quanto esse – todos os dias entram algumas dezenas de comentários assim. Contudo, nunca ocorreu, neste Blog, uma chuva de comentários como esses em um texto escrito há quase dois anos.

Mas não é só. O que é interessante é que mais de 40 comentários partiram de meia dúzia de pessoas – ou, ao menos, de computadores. Isso é o que mostram os IPs dos comentaristas, os quais postaram mensagens seguidas com nomes e e-mails falsos, mas que foram denunciados por suas assinaturas eletrônicas.

Abaixo, imagens dos comentários fakes pró Aécio:

COMENTÁRISTA – Carlos Vianna
IP – 177.18.47.123 
STATUS – Marcado como spam por eduguim
DATA/HORA – Enviado em 03/03/2013 as 22:48
TEXTO – Gente que não sabe discutir política, lança assuntos sensacionalistas para tentar sujar a imagem do candidato à presidência pelo PSDB, Aécio Neves.
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

COMENTÁRISTA – Danilo Souza
EMAIL - danilosouza2402@gmail.com
IP – 177.18.47.123 
STATUS – Marcado como spam por eduguim
DATA/HORA - Enviado em 03/03/2013 as 22:48
TEXTO – Os ataques do PT só mostram que eles estão com medo de uma candidatura de Aécio Neves. Aécio Neves é um governante que cumpre o que promete. Excelente senador atuante.
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

COMENTARISTA – Ricardo
EMAIL - ricardogouva@yahoo.com.br
IP – 177.18.47.123 
TEXTO – Marcado como spam por eduguimEnviado em 03/03/2013 as 22:47
Vendo a biografia de Aécio Neves, é impossível que não se possa ver a integridade desse homem. Responsabilidade, mandatos e gestões eficientes em todos os cargos que já atuou. Um homem que é de fato preparado para assumir a presidência do brasil. Aécio Neves é com certeza meu voto no ano que vem. Tucanos de volta em 2014!
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

COMENTARISTA – Ana Ribeiro
EMAIL – anaribeiro668@yahoo.com.br
IP – 177.18.47.123 
STATUS – Marcado como spam por eduguim
DATA/HORA – Enviado em 03/03/2013 as 22:47
TEXTO – Olhem mais para seus partidos e vejam quem realmente tem alguma coisa pra se orgulhar. Mensalão e fichas sujas! Aécio Neves é um homem íntegro e responsável pelos seus atos. Como presidente, com certeza irá dar continuidade ao excelente trabalho que foi feito em Minas Gerais. Em 2014 eu vou de Aécio Neves Presidente!
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

COMENTARISTA – Fernanda Souza
EMAIL – fernandasouza628@yahoo.com.br
IP – 177.18.47.123 
STATUS – Marcado como spam por eduguim
DATA/HORA – Enviado em 03/03/2013 as 22:46
TEXTO – Se Aécio Neves fez um bem pra MG como governador, imagina então como presidente do Brasil em 2014? Intriga da oposição! Aécio Neves é um homem íntegro e responsável com seus deveres como cidadão.
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

Como se vê, do computador que tem o IP 177.18.47.123 saíram 5 mensagens, 3 com nomes de homens e 2 com nomes de mulheres. Os horários de postagem dessas mensagens foram praticamente os mesmos.

Abaixo, mais um exemplo de outro IP (ou computador) usado para postar mais mensagens simultâneas com nomes e e-mails falsos, o que denota trabalho de equipe, até porque tal fenômeno durou manhã, tarde e noite inteiras do último domingo.

COMENTARISTA – Bianca
EMAIL – biancadias2303@gmail.com
IP – 189.63.166.248 
STATUS – Marcado como spam por eduguim
DATA/HORA – Enviado em 03/03/2013 as 17:27
TEXTO – Minas Gerais evoluiu muito com o governo de Aécio Neve
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

COMENTARISTA – Igor
EMAIL – igor.barros01@yahoo.com.br
IP – 189.63.166.248 
STATUS – Marcado como spam por eduguim
DATA/HORA – Enviado em 03/03/2013 as 17:24
TEXTO – Tudo que o Governador Aécio Neves fez por Minas Gerais reflete no excelente presidente que teremos.
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

COMENTARISTA – Michael
EMAIL – michael.costa59@yahoo.com.br
IP – 189.63.166.248 
STATUS – Marcado como spam por eduguim
DATA/HORA – Enviado em 03/03/2013 as 17:04
TEXTO – Minas Gerais evoluiu muito com o governo de Aécio Neves. Eu sou testemunha
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

COMENTARISTA – Samuca Rocha
EMAIL – samuelrocha343@yahoo.com.br
IP – 189.63.166.248 
STATUS – Marcado como spam por eduguim
DATA/HORA – Enviado em 03/03/2013 as 16:39
TEXTO – Com certeza o PIB do Brasil será um orgulho para os brasileiros quando Aécio Neves assumir a presidência da República.
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

Essas são pequenas amostras da chuva de comentários que este Blog recebeu, repito, no último domingo em um post que foi publicado aqui há praticamente dois anos.

Não há, claro, nada de ilegal em um político ter uma tropa de apoiadores para postar comentários elogiosos ou em sua defesa em páginas da internet que tratam de política e que o elogiaram ou criticaram.

Todavia, há que perguntar sobre o aspecto ético de um pequeno grupo de pessoas se multiplicar em muitas ao custo de um estratagema desonesto como falsificar o próprio nome e o próprio e-mail, travestindo-se homens em mulheres e mulheres em homens.

À parte da questão ética, o fato revela que o PSDB já está trabalhando por Aécio como se ele estivesse em plena campanha eleitoral, pois esse fenômeno que acabo de relatar é usado no auge dessas campanhas, quando qualquer voto conta.

Ou, no mínimo, é o próprio Aécio que organizou essa ação.

Este relato é interessante porque mostra até a estratégia usada. Claramente, os partidários de Aécio estão varrendo o Google em busca de textos negativos contra ele e espalhando defesas a seu favor, num primeiro momento.

Por último, o episódio também sugere que os adversários de Aécio devem ficar atentos, porque, concomitantemente à sua defesa por pessoas que utilizam do expediente questionável supra revelado, as mesmas pessoas provavelmente não ficarão só na defesa…

PS: espera-se que os computadores dos quais partiram as tais mensagens não tenham restrições para esse tipo de utilização, como, por exemplo, a de pertencerem a órgãos públicos.

Extraído do Blog da Cidadania

02 março 2013

DIREITA INCONFORMADA COM O AVANÇO DA DEMOCRACIA E SEM PERSPECTIVA DE GOLPE DESCOBRE A MANIPULAÇÃO NA INTERNET - Glauco Cortez

Esalq, a fazenda do Lulinha

Este ano de 2013 e as eleições de 2014 prometem muita manipulação e falsidade na internet. Inconformada com a democracia e com os avanços sociais e políticos no Brasil, setores ultraconservadores se utilizam da manipulação, calúnia, difamação e photoshop para destruir a reputação de pessoas. A cada dia novos casos aparecem na internet.

No mês passado, logo após o incêndio na boate Kiss, de Santa Maria (RS), um grupo intitulado Revoltados On-line acusou de forma vil o deputado Paulo Pimenta, do PT (RS), afirmando que o deputado era sócio dos donos da boate. O deputado nada tinha a ver com a boate.

Há pouco tempo, uma mensagem no facebook e por e-mail dizia que o filho do Lula tinha comprado uma grande fazenda. Na foto, o campus da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), em São Paulo.

Agora apareceu um vídeo em que uma repórter do SBT recebe um tapa de um vereador do DEM no Mato Grosso. A nova versão diz que o agressor é José Rainha, do PT. O vídeo sobre a agressão da repórter é antigo. Haja estômago!

Extraído do sítio Educação Política

20 fevereiro 2013

JORNALISTAS CUBANOS SOBRE YOANI: "INSTRUMENTO DOS EUA CONTRA CUBA" - Alexandre Haubrich


Jornalista cubano Iroel Sánchez diz que os poucos que a conhecem no país "a chamam de mercenária, argumentando que serve, em troca de dinheiro e privilégio, à agressão dos Estados Unidos contra o país onde nasceu"; relato direto de Havana do correspondente Alexandre Haubrich, especial para o 247.

Por Alexandre Haubrich, direto de Havana, especial para o 247 - Em visita ao Brasil, a blogueira cubana Yoani Sánchez tem enfrentado protestos por onde passa. Já aconteceu na Bahia, já aconteceu no Rio Grande do Norte, e em Brasília, onde desembarcou no início da tarde desta quarta-feira, houve bate-boca ao ser recebida no Congresso. Alguns parlamentares reclamavam de sua presença e da interrupção dos trabalhos na Casa. Yoani, pouco conhecida em Cuba, é a principal fonte cubana de toda a mídia internacional empenhada em desconstruir as conquistas da Revolução. Não é diferente no Brasil.

Em uma das fotos referentes aos protestos, Yoani é escoltada por Demétrio Magnoli, articulista dos Instituto Millenium, organização que tem como mantenedores figuras como Armínio Fraga, João Roberto Marinho, Jorge Gerdau, Nelson Sirotsky e Roberto Civita e, entre as instituições parceiras, o Movimento Endireita Brasil. Entre os "especialistas" vinculados ao Instituto Millenium, uma das poucas estrangeiras é justamente Yoani.

Direita se mobiliza em defesa de Yoani

Em Feira de Santana, na Bahia, o prefeito da cidade, do DEM, pediu ajuda da Polícia Militar para garantir a segurança da cubana. Ao mesmo tempo, o PP e o PSDB convidaram-na nesta terça-feira à Câmara de Deputados. Na segunda-feira, o senador do PSDB Álvaro Dias baseou-se em texto da revista Veja para pedir esclarecimentos ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, ao ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e ao embaixador de Cuba, Carlos Zamora Rodrigues, sobre suposto dossiê sobre Yoani que teria sido elaborado antes da visita.

A blogueira cubana, que viveu na Suíça durante dois anos antes de voltar a Cuba, criou em 2007 o blog Generación Y, onde tece críticas ao governo cubano, especialmente a partir de problemas cotidianos enfrentados na ilha. Segundo documentos divulgados pelo Wikileaks, porém, a blogueira mantém relações estreitas com o Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Cuba, espécie de embaixada estadunidense com algumas limitações diplomáticas. Conforme relata, de Cuba, o jornalista Iroel Sánchez, que mantém o blog La Pupila Insomne e colabora com o EcuRed, espécie de Wikipédia cubano, "Yoani Sánchez aparece 124 vezes em Wikileaks, é o personagem colaborador do Escritório dos EUA que mais vezes aparece no Wikileaks".

Em Cuba, uma desconhecida

Iroel garante que em Cuba Yoani não é conhecida, para o que baseia-se em documentos do Wikileaks: "Há um telegrama que deu a conhecer o Wikileaks, trocado entre diplomatas estadunidenses em Cuba. Há uma pesquisa que fez o Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Cuba, onde perguntam pelo conhecimento que tem a população cubana sobre alguns dos personagens que têm vínculos com esse Escritório. Uma pesquisa feita com pessoas que vão ali pedir visto para ir aos EUA. E mesmo assim só 2% conheceram a Yoani Sanchez". O jornalista diz que os poucos que a conhecem "a chamam de mercenária, argumentando que serve, em troca de dinheiro e privilégio, à agressão dos Estados Unidos contra o país onde nasceu". É o que ele próprio pensa: "ela é um instrumento da política dos Estados Unidos contra Cuba", diz.

Elaine, que constantemente tece críticas ao governo, incomoda-se com o espaço dado a Yoani: "já não penso nada sobre ela, ou seja, me é tão, mas tão indiferente que me incomoda a centralidade que meu país e meu governo dão às coisas que ela diz ou faz". Mantendo a crítica, Elaine não concorda com a postura assumida por Yoani: "é meu país, o que vou fazer? Trato de mudá-lo, não de ir à embaixada dos Estados Unidos. É uma atitude diferente frente à vida", explica.

O desconhecimento do povo com relação a Yoani não se deve, ao contrário do que dizem os admiradores da blogueira, a um suposto bloqueio governamental à internet. O acesso em Cuba é dificultado pela proibição, pelos EUA, de utilização por Cuba dos cabos submarinos que abastecem a região com sinal de internet. Mesmo assim alguns cubanos conseguem utilizar a rede – graças, inclusive, à parceria com a Venezuela que tem levado novos cabos à ilha – enquanto outros recebem informações via intranet. Elaine Diaz, jornalista cubana e professora da Universidade de Havana, garante: "os cubanos que têm acesso à internet (não à intranet, um tipo de internet para acessar sites de domínio .cu, unicamente) podem, sim, acessar o seu site atualmente".

Iroel fala no mesmo sentido: "Seu blog não está bloqueado em Cuba". E explica a atuação de Yoani: "Ela não escreve para os cubanos. Ela escreve para os grandes jornais que lê a classe média no mundo, no Brasil, na Espanha, no México, na Argentina. Ela disse que os cubanos passam fome, porque não há tangerina no mercado. Bom, é verdade, não há tangerinas no mercado, mas isso não significa que estamos passando fome. Ou diz que estragou o elevador do edifício. Bom, isso não diz nada para uma favela em Buenos Aires, não diz nada para o povo mapuche. Ela não escreve para 80% do povo latino-americano. Escreve para a grande mídia que exclui no Brasil, na Argentina...É uma aliada dos que excluem as maiorias. É fabricada e paga pela maquinaria que exclui a opinião da maioria".

Os protestos no Brasil

Os meios de comunicação estatais, segundo Elaine, não têm feito qualquer cobertura da vinda da blogueira ao Brasil. A jornalista tem se informado a respeito pela internet, pelas redes sociais. E tem gostado do que tem visto: "Aprecio muito o que está fazendo a UJS no Brasil", comemora, e completa: "Estive duas vezes no Brasil, e só sinto agradecimento pelo infinito carinho com que me receberam". Para Iroel, os protestos "demonstram que apesar do favor que lhe faz a grande mídia, ela (Yoani) carece de popularidade no Brasil, são mais os que a rechaçam do que os que a aplaudem. Algo muito diferente do que acontece quando líderes políticos da Revolução Cubana vistam o Brasil".

Extraído do sítio Brasil 247

VEJA USA A TÁTICA DA ANTECIPAÇÃO - Mário Augusto Jakobskind


A revista Veja, como sempre, segue aprontando. Desta vez tenta envolver a Embaixada de Cuba em um suposto dossiê contra a blogueira cubana Yoáni Sánchez, que chega ao Brasil nesta segunda-feira (18). De quebra aparece o senador Álvaro Dias tentando reforçar o absurdo.

A Veja e o senador tucano estão equivocados. Não é necessário nenhum dossiê da embaixada cubana, como afirmam, para saber quem é Yoáni Sánchez. Ela tem vínculos profundos com o Departamento de Estado norte-americano e cobertura internacional em vários órgãos da mídia de mercado.

No Brasil, não é mistério nenhum, a blogueira foi requisitada pelo Instituto Millenium para dar o recado contra o regime cubano. Escreve artigos que não resistem a menor análise.

Yoáni Sánchez ganhou vários prêmios que lhe asseguram boa quantidade de euros e dólares. Essas informações não são novas e estão na internet ao alcance de quem quiser. Vale então uma pergunta: como ela consegue todo material informático que em Cuba custa uma fortuna? Quem, em suma, a financia?

A blogueira é pouco conhecida em Cuba propriamente dita, mas em compensação tornou-se arroz de festa em muitos países com o seu proselitismo contra o regime socialista.

Yoáni Sánchez passou muito tempo reclamando que o governo cubano não lhe permitia sair. Agora, seguindo uma orientação pragmática, o governo de Raúl Castro autoriza a saída de quem quer que seja. Yoáni chega ao Brasil para participar de uma série de atividades.

A revista Veja, antecipando-se ao que acontecerá em matéria de informações e contestações sobre a blogueira, jogou o veneno tentando envolver a representação diplomática cubana no Brasil.

Trata-se de um esquema manjado com o objetivo de antecipar o que vai acontecer. E só cai nesta mentira quem desconhece a existência nos dias de hoje da internet.

Quem tiver dúvidas a esse respeito basta pedir o auxílio do doutor google (www.google.com.br) e verá tudo que quiser a respeito da blogueira.

Espaços midiáticos não comprometidos com serviços de inteligência como a CIA provavelmente vão divulgar informações sobre Yoáni Sánchez. Ela terá muito mais espaço na mídia de mercado para divulgar o que considera suas verdades.

Os espaços midiáticos de mercado não vão perguntar a blogueira se ela assinaria um manifesto contra bloqueio estadunidense de 50 anos imposto a seu país. Ficaria de saia justa, por motivos óbvios.

Os referidos meios de comunicação de mercado não vão perguntar, por exemplo, que tipo de contrato ela tem com o Instituto Millenium, que a convidou para escrever artigos em grandes jornais brasileiros?Quanto recebe por sua catilinária anticubana editada em vários jornais do mundo, a começar pelo espanhol El Pais?

Outra pergunta que não será formulada: quanto ela recebeu em dinheiro por prêmios conquistados no exterior?

A Veja adiantou como a blogueira vai ser recebida nos arraiais das forças conservadoras da mídia de mercado. Figuras marcadas serão escaladas para dar as boas vindas. Alô Jabor, alô Merval. alô William Waack!

Yoáni Sanchez já começou mentindo ao afirmar em uma de suas entrevistas antes de viajar que tem o apoio de cubanos residentes no Brasil. A única entidade representativa dos cubanos aqui, a Associação de Cubanos Residentes no Brasil (Ancreb), manifestou seu repúdio a presença desta senhora que tem como missão criticar o regime socialista cubano.

A blogueira, em suma, é uma farsa e só existe porque conta com o apoio em todos os níveis de governos, entidades e figuras marcadas por uma linha ideológica que quer manter a todo custo o mundo sob o domínio de forças econômicas perniciosas à maioria da população mundial.

Não é preciso nenhuma bola de cristal para prever que os telejornais das Organizações Globo serão acionados para dar as boas vindas à senhora blogueira, recém-contratada pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) como vice-presidente do Comitê de Liberdade de Imprensa em Cuba. Vale também a seguinte pergunta: quanto ela vai receber em espécie pelo cargo?

A Veja e seus seguidores na mídia de mercado não se conformam com o contraponto. Informam o que consideram as suas verdades, mas quando questionados inventam histórias do tipo dossiê da embaixada cubana.

Ah, sim, não será nenhuma surpresa se Yoani Sãnchez for convocada pela SIP para participar de debates com o objetivo de atacar governos de países como a Argentina, onde foi aprovado pelo Congresso, depois de anos de discussão pelos movimentos sociais, legislação sobre os meios de comunicação. Uma legislação democrática e que é combatida com muita violência pelo patronato midiático vinculado a SIP.

Extraído do sítio Direto da Redação

04 fevereiro 2013

O PAÍS DOS TRINTA BERLUSCONI


A organização Repórteres sem Fronteiras publicou, em 24 de janeiro de 2013, um relatório intitulado “Brasil, o país dos trinta Berlusconi”, que aborda os importantes desequilíbrios e obstáculos que caracterizam o horizonte midiático do gigante sul-americano. O documento se baseia em uma investigação realizada em três etapas – Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília – no decorrer de novembro de 2012.

O anfitrião da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 apresenta um panorama midiático que pouco evoluiu nas últimas três décadas, desde o fim da ditadura militar (1964-1985). Para além de uma dezena de grupos sediados principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, que repartem entre si a comunicação de massas, o país conta com uma profusão de meios de comunicação regionais, fragilizados devido à sua extrema dependência para com os centros de poder dos distintos estados. Tanto a imprensa escrita como a mídia audiovisual se mantêm sob a tutela financeira das instituições ou organismos públicos. Uma tutela que mina diretamente sua independência.

Essa situação traz consigo insegurança. O ano de 2012 deixou a profissão de luto, com cinco jornalistas e blogueiros assassinados, colocando o Brasil no quinto lugar dos países mais mortíferos. Dois jornalistas reputados por seus conhecimentos sobre questões de segurança pública também tiveram que se exilar. A campanha das eleições municipais de outubro de 2012 multiplicou os casos de agressões e de ataques cometidos contra os meios acusados de estar a serviço de seus proprietários, políticos locais.

Novas regras

O relatório também indaga sobre um outro obstáculo à liberdade de informação: a proliferação de ações judiciais acompanhadas por ordens de censura contra certos meios. O caso do diário O Estado de S.Paulo, cujas reportagens incomodaram os interesses da família do ex-presidente José Sarney, é, nesse âmbito, o mais conhecido. Mas a mordaça judicial afeta cada vez mais a web e a blogosfera brasileira, enquanto os net-cidadãos aguardam com impaciência a adoção de um novo quadro regulatório (Marco Civil) que garanta a neutralidade da internet.

Ainda no plano legislativo, a questão de uma nova lei de imprensa mobiliza tanto como divide, desde a revogação da lei de 9 de fevereiro de 1967, herdada do regime militar, que castigava com a cadeia os jornalistas recalcitrantes e impunha aos conteúdos editados ou difundidos um controle prévio. Essa herança sobreviveu à adoção da Constituição democrática de 1988, até aos dias de hoje.

Um código eleitoral obsoleto continua reprimindo a informação de caráter político. Um sistema inadaptado de regulação das frequências condena à ilegalidade numerosas rádios comunitárias, espelho de uma sociedade civil ainda pouco escutada. Um novo enquadramento legal precisa do consentimento de uma classe política muito presente na esfera midiática e ciosa de seus interesses.

Essas novas regras, ansiadas pelos atores da informação no Brasil, estão incluídas nas recomendações propostas por Repórteres sem Fronteiras na conclusão do relatório “Brasil, o país dos trinta Berlusconi”. Em um país que não carece de trunfos, a sua diversidade pode se tornar um modelo.

* Por Repórteres sem Fronteiras em 02/02/2013 na edição 731 (www.rsf.org)

Extraído do sítio Observatório da Imprensa

EMPRESAS DE TELECOM BARRAM MARCO CIVIL - Alexandre Bazzan


No último 11 de janeiro, Aaron Swartz, jovem hacker e ativista, enforcou-se em seu apartamento em Nova York. Ainda não se sabe ao certo os motivos, mas ele estava sendo acusado pela procuradora dos EUA Carmen Ortiz, entre outras coisas, de fraude e roubo de informação. O jovem de 26 anos copiou 4,8 milhões de artigos científicos do MIT, Instituto de Tecnologia de Massachusetts, mas foi preso antes mesmo de poder compartilhar o conteúdo. Imbuído pela ética hacker de deixar disponível dados de interesse público, Swartz sempre lutou pela transparência de informações, como esses artigos científicos que poderiam ajudar outros estudos e que, em grande parte, tinham sido financiados com dinheiro público. O próprio MIT concordou em não dar queixa, mas a procuradora insistiu na acusação que poderia levar Swartz à prisão por mais de 30 anos.

Ciberativista ferrenho, ele foi uma das principais vozes a lutar contra o Sopa e Pipa, projetos de lei estadunidenses que pretendiam controlar a internet. Após a vitória no congresso, Aaron, em discurso, explicou os desafios vigentes à liberdade na rede e ironicamente disse que “para conseguir aprovar algo importante em Washington é preciso achar um monte de grandes companhias que concordem com você”.

No Brasil, houve grande indignação contra o Sopa e Pipa, mas duas grandes batalhas nacionais para a livre informação parecem não ter atenção suficiente da sociedade civil. Por meio de consulta pública, criaram-se dois novos projetos de lei: um que regulamentaria a questão de direitos autorais, especificamente, inclusive com atenção às novas tecnologias; e outro que legislaria sobre a internet, chamado de Marco Civil.

A comunicação digital depende de redes

A situação em Brasília não é muito diferente da de Washington. Bruno Magrani, professor e pesquisador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas, aproxima de Swartz ao comentar sobre o andamento do Marco Civil no Congresso: “Depois que aconteceu todo o processo de consulta pública e do projeto ter sido gestado dentro do Ministério da Justiça, acho que a sociedade civil subestimou o poder do lobby da indústria de Telecom.”

Magrani explica que “o Marco Civil passou por um processo amplo de consulta pública, teve grande participação da sociedade, teve relativo consenso em torno das propostas incluídas, mas, ao que tudo indica, na reta final, quando estava tudo encaminhado para o projeto ser aprovado, as empresas de telefonia descobriram o Marco Civil. Aí, fora do processo público de consulta, ou seja, nos corredores escuros do Congresso Nacional, eles começaram a trabalhar acionando sua bancada de deputados pra parar o Marco Civil”. Desde então a votação do projeto já foi adiada por seis vezes e ainda não existe previsão para que ele seja aprovado.

Sérgio Amadeu, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, professor adjunto da Universidade Federal do ABC (UFABC) e militante do software livre, é ainda mais enfático ao avaliar o poder das empresas de Telecom: “Nunca um setor da economia dominou de maneira tão absurda a comunicação. Não que não continuem existindo várias formas de se comunicar, mas a forma que nós mais utilizaremos – e que tende a tragar, a convergir as outras – é a comunicação digital, e ela depende de redes”, referindo-se à tecnologia de cabos e fibras óticas de propriedade das grandes empresas de telecom.

Neutralidade

A pressão das Telecoms para que não se aprove o Marco Civil da Internet é evidente, inclusive com lobby para a mudança do texto amplamente criticada por Marcelo Branco, apoiador do texto inicial, mas que, em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos, diz que se o congresso ceder aos interesses das grandes empresas de telefonia, o Marco Civil pode virar um novo Sopa e Pipa.

Existem dois pontos essenciais que travam o avanço do Marco Civil por incomodar o setor privado: a questão da neutralidade e a parte do texto que proíbe as empresas de telefonia de armazenar dados dos usuários. E é desses que a sociedade civil não pode abrir mão.

A neutralidade é a questão técnica que explica a relação das empresas de telecomunicação com o conteúdo que trafega em seus cabos. Não se pode fazer distinção por conteúdo, logo, tanto empresas, como usuários, pagam por velocidade de conexão e não por pacote de tipo ou quantidade de conteúdo. Amadeu, entretanto, afirma que “ela é técnica, mas não é somente técnica, ela é principalmente política e econômica. Imagine se uma operadora resolve, por motivos de suas convicções culturais ou políticas, começar a filtrar determinado tipo de tráfego, de informação. Ou imagine, que é o maior interesse deles na quebra da neutralidade, eles poderem fazer uma precificação, ou fixarem preços diferenciados pra quem usa vídeo, pra quem usa e-mail, ou pra quem só usa web. O sonho desses controladores dos cabos é transformar a internet numa grande rede de TV a cabo, com vários pacotes”, explica.

Com a quebra da neutralidade, “eles poderiam tentar forçar a barra e cobrar um adicional de empresas como Google e Netflix que usam muita banda” diz Bruno Magrani. Sérgio Amadeu acredita que os valores adicionais podem atingir também o usuário convencional. Magrani completa frisando que “o problema não é pra essas grandes empresas, mas sim para as pequenas. Se a gente no Brasil quer fomentar o desenvolvimento de start ups nacionais, empresas de tecnologia nacionais, essa característica da internet de baixas barreiras de acesso ao mercado é fundamental para que uma pessoa em uma garagem possa criar um site que vai ser o novo boom”, explica.

Para se ter ideia, com cobranças diferenciadas por tipo de conteúdo a velocidade de navegação pode ser afetada, assim, o conteúdo de um blog independente pode ficar muito mais difícil de ser acessado do que o de um grande portal. Afinal, um blogueiro não terá o mesmo aporte financeiro para manter um provedor de agilidade. “A neutralidade na rede é o princípio de funcionamento da internet que garante em parte essa diversidade, inventividade e liberdade que existe” diz Amadeu.

Invasão de privacidade

O segundo ponto que seria o armazenamento de dados dos usuários como a navegação, os hábitos dessa pessoa na rede, tem se mostrado enorme fonte de lucro não só para as grandes Telecoms, mas também para empresas online como Google e Facebook. Recentemente a rede social sofreu processo por guardar dados de seus usuários. A diferença, entretanto, é que no caso das empresas de telecom a coisa é mais grave:se uma pessoa quiser, ela pode usar outro buscador, mudar seu provedor de e-mail e sair do Facebook; mas a partir do momento em que o usuário entra na rede, não é possível evitar o tráfego por cabos de alguma empresa de Telecom - ou seja, mesmo contra a vontade a pessoa tem seus dados armazenados.

“Tanto a Telefonica, quanto a Oi, já fizeram um acordo com uma empresa estrangeira chamada Phorm, cujo modelo de negócio é o seguinte: a Phorm oferece uma opção pro usuário, se ele quer participar do sistema deles de conteúdos recomendados. Eles monitoram tudo o que os usuários de internet de um dado provedor acessam e com base nessas informações oferecem ao usuário propagandas e outros conteúdos que supostamente seriam do interesse dele. Isso é extremamente invasivo à privacidade do usuário. Você imagina, no Brasil que grande parte dos acessos ainda é feito em lan-houses, que um indivíduo usou o computador antes de você, concordou em participar do programa da Phorm, aí quando você vai usar o computador, todos os dados que estão trafegando por ali estão sendo monitorados, não porque você deu autorização, mas porque o sujeito antes de você deu. Esse é o modelo que a Phorm trabalha e o modelo que duas das maiores operadoras de telefonia do Brasil já embarcaram”, pontua Bruno.

Extraído do sítio Observatório da Imprensa