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26 abril 2013

CADA VEZ MAIOR, LIXO ESPACIAL PÕE SATÉLITES EM RISCO


Satélites desativados, fragmentos de foguetes: milhares de detritos espaciais circundam o planeta e oferecem riscos de colisão para satélites ainda em funcionamento.

Satélites de observação terrestre podem parar de funcionar – ou porque acabou o combustível ou porque foram atingidos por detritos espaciais, como, por exemplo, peças de dispositivos fora de uso ou perdidos. No espaço, as chances de que colisões são grandes por causa do lixo espacial. Por esse motivo, especialistas de todo o mundo se encontraram esta semana na Agência Espacial Europeia (ESA), na cidade alemã de Darmstadt, para a sexta conferência mundial sobre lixo espacial. Durante quatro dias, eles discutiram estratégias para combater o volume crescente de entulhos em torno da Terra.

"Colisões não são nenhuma surpresa"

Em fevereiro de 2009, pela primeira vez na história da exploração do espaço, dois satélites ainda intactos colidiram em órbita. O Iridium-33 e o Kosmos-2251, satélites comerciais das potências espaciais EUA e Rússia, chocaram-se enquanto sobrevoavam a Sibéria, a uma altura de 790 quilômetros.

"Era realmente de se esperar que isso acontecesse um dia", disse Heiner Klinkrad, chefe do departamento de lixo espacial da ESA. Pois cada missão no espaço também deixa lixo para trás – desde chaves de fenda perdidas até destroços inteiros de satélite, passando por motores de foguetes descartados. Tudo isso está incluído no conceito de lixo espacial, explicam Klinkrad e Frank-Jürgen Diekmann, chefe da missão dos satélites de observação Envisat.

"São principalmente as peças maiores que causam problemas a longo prazo", diz Klinkrad. Pois elas podem provocar reações em cadeia, ou seja, colisões catastróficas de satélites que ameaçam, por sua vez, outros satélites. Mas até mesmo pequenos destroços podem ser perigosos, observa o especialista. "Se um satélite é atingido por um objeto de um centímetro, podemos partir do princípio que encerrou sua função." O impacto tem a força da explosão de uma granada de mão.

Satélite brasileiro SCD-2
Lista pouco popular

No catálogo da rede norte-americana de observação espacial Space Surveillance Network estão listados 13 mil destroços espaciais de grande porte. Segundo estimativas, o número de objetos inferiores a um centímetro pode chegar a mais de 700 mil. A maioria dos fragmentos provém de explosões. Surge então, para o leigo, a pergunta se, algum dia, toda essa montanha de lixo também poderá nos atingir.

Balançando a cabeça, Diekmann responde: "A probabilidade de que algo chegue até aqui embaixo sem ter se consumido em chamas ao entrar na atmosfera não é igual a zero, mas é muito, muito pequena."

Então, por enquanto não há que se contar com uma chuva de restos de satélite ou foguete. Ainda assim, de acordo com os cálculos de Klinkrad, a cada semana pelo menos dois "gigantes" de um metro conseguem penetrar a atmosfera terrestre. A atenção dos pesquisadores, no entanto, concentra-se na proteção dos satélites de maior custo.

Desde 1957, mais de 6 mil satélites foram lançados no espaço, dos quais cerca de mil estão atualmente em funcionamento para fins de pesquisa, militares ou telecomunicações. "Pelo que se sabe, apenas cerca de 6% a 7% de todos os objetos lá em cima são satélites em operação", diz Klinkrad.

Para se evitar colisões com um dos satélites europeus de pesquisa, muitos cálculos são realizados no centro de controle de Darmstadt: as órbitas dos satélites são cotejadas com o catálogo de detritos do serviço norte-americano de observação. Disso resulta um calendário de riscos com uma semana de antecedência, por meio do qual se planejam manobras de desvio.

Podendo ver toda a sucata

Contudo, esse calendário possui lacunas, já que para acompanhar todos os destroços localizados entre 260 e 36 mil quilômetros acima da superfície terrestre exige-se mais do que o domínio do cálculo. Também é preciso décadas de know-how e sofisticados radares de medição, e somente os pioneiros espaciais EUA e Rússia dispõem de ambas as coisas na medida necessária. Também por esse motivo, os viajantes espaciais europeus sonham com um sistema próprio de vigilância do lixo espacial, comenta Klinkrad. "Sem esse know-how, não é possível realizar manobras de desvio confiáveis com nossos satélites."

Por mais de 20 anos, a ESA vem se ocupando do tema. Mas somente há pouco tempo a organização composta por 18 associações europeias passou a abordar a questão também do ponto de vista político. Já em breve serão desenvolvidos os primeiros componentes para um sistema próprio de observação. Mas levará anos até a ESA poder realizar previsões tão exatas como as dos norte-americanos e russos. E pelo menos até lá todo operação espacial de resgate permanecerá um risco.

A maioria das manobras é realizada para proteger os satélites de objetos de um centímetro voando em sua direção. Mas cada mudança de órbita custa combustível, o que pode encurtar consideravelmente o tempo de vida útil da atual geração de satélites (10 a 12 anos). Em março de 2009, a própria Estação Espacial Internacional (ISS) teve de ser girada em 180 graus. A manobra demorou várias horas e foi motivada pelos destroços de um satélite meteorológico chinês, que se aproximavam perigosamente da estação tripulada.

Provável lixo espacial, que antes fazia parte de um foguete
Brincadeira espacial com consequências

A origem dos destroços foi um teste realizado pela China, nação que ainda engatinha na era espacial. Sem querer, em 11 de janeiro de 2007, os chineses prejudicaram a segurança espacial ao destruir em grande altura um de seus satélites com um míssil de médio alcance. As razões para tal ainda são desconhecidas: "Esse tiro ocorreu a cerca de 862 quilômetros de altura e resultou até hoje num total de cerca de 2.300 fragmentos", diz Klinkrad. A partir disso, ele deduz que 20% a 30% de todos os objetos que atualmente põem em risco os satélites provêm desse incidente.

Cooperações internacionais tentam agora pôr um ponto final em tudo isso: 11 nações espaciais se reuniram no Comitê de Coordenação de Destroços Espaciais entre Agências (IADC, na sigla em inglês). O lixo espacial une, comenta Klinkrad. "Não adianta manter em segredo coisas que acabarão caindo sobre a própria cabeça." Ele vê com ceticismo a atual falta de legislação no espaço sideral. "No momento, ninguém proíbe ninguém de lançar o seu satélite – fora a própria sensatez, eu diria."

Cemitério de maravilhas da comunicação

E como se livrar da sucata de satélites? Para a eliminação de satélites duas estratégias estão atualmente em uso. Se sua órbita for próxima à Terra, então é possível uma queda controlada. Quanto mais um satélite se aproxima da atmosfera terrestre, mais é freado pela resistência do ar. "É possível cortar o combustível e fazer baixar o satélite, de forma que ele é apanhado pela atmosfera e se incendeia", explica Klinkrad.

Esse método não é praticável para os numerosos satélites que giram em órbita geoestacionária, a 35.786 quilômetros da Terra. Como uma queda controlada seria muito dispendiosa, essas maravilhas da comunicação são catapultadas para ainda mais longe, explica Klinkrad: "Retira-se o satélite desativado do anel geoestacionário para uma assim chamada órbita-cemitério." Ela se encontra a cerca de 300 quilômetros acima da principal rota de circulação de satélites. Até hoje, pelo menos mil objetos foram enterrados – ou estacionados – ali.

Klinkrad e Diekmann conseguem imaginar a criação de uma espécie de serviço de reboque espacial. Mas algo assim ainda está muito distante. Para Klinkrad, no entanto, isso não é motivo de preocupação: "Eu provavelmente não dormiria tranquilo, se estivesse num satélite. Mas aqui na Terra, ainda dá".

Extraído do sítio Deutsche Welle

04 abril 2013

O FIM DOS LIXÕES EM 2014? - Afonso Capelas Jr.

Lixão em Palmeira dos Índios, Alagoas – Creative Commons
No Brasil, lixão não é desvantagem das grandes cidades. Lugares considerados paraísos ecológicos, como a bela Trancoso, na Bahia, e até Fernando de Noronha, no litoral pernambucano, também têm seus dejetos a céu aberto, com direito a urubus e mau cheiro. Ao todo, ainda temos exatos 2 906 desses depósitos de rejeitos em 2 810 cidades, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Eles terão que ser eliminados até agosto de 2014 para atender ao que obriga a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Será que vamos conseguir em tão pouco tempo? Os promotores da Associação Brasileira dos Membros dos Ministérios Públicos de Meio Ambiente (Abrampa) vão lutar por essa meta, durante o congresso anual da entidade, que será realizado a partir de 17 de abril. O assunto terá prioridade total durante o encontro.

“Existem prazos e eles serão cobrados pelos gestores públicos”, garantiu o presidente da Abrampa, Sávio Bittencourt, ao jornal O Estado de S. Paulo, nesta semana. Basta os prefeitos das cidades que ainda têm lixões a céu aberto solicitarem o apoio do Ministério Público. “Não dá para deixar para a última hora e dizer que não deu tempo”, alertou Bittencourt.

Uma das armas mais poderosas dos Ministérios Públicos de Meio Ambiente é o TAC, ou Termo de Ajustamento de Conduta. Como o próprio nome sugere, é um acordo extrajudicial feito entre os próprios ministérios e a parte interessada, no caso a prefeitura que se compromete a desativar o lixão e instalar um aterro sanitário no seu município.

Mas é preciso muito dinheiro para acabar com os depósitos de lixo do país: nada menos que R$ 70 bilhões, pelas contas da Confederação Nacional dos Municípios. Também será necessário promover, de verdade, a coleta seletiva, que hoje é uma piada: menos de 20% das cidades fazem esse tipo de coleta.

Então, o jeito é ficar de olho para ver se os promotores vão conseguir seus objetivos e se os prefeitos vão mostrar boa vontade. E cobrar, porque o prazo é curto. Se não atingirmos esse objetivo corremos o risco de ver a PNRS se transformar naquelas famosas leis de papel, que não são cumpridas.

Extraído do sítio Planeta Sustentável

29 março 2013

ALERTAS DE DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA LEGAL SOBEM 26% EM SEIS MESES - Heloisa Cristaldo


Brasília – Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal subiram 26%, entre 1º de agosto de 2012 e 28 fevereiro de 2013, em comparação ao mesmo período do ano passado, informou hoje (28) o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os dados foram registrados pelo Deter, sistema de detecção de desmatamento em tempo real do Inpe, que usa imagens de satélite para analisar a perda da Floresta Amazônica em nove estados. Eles incluem a degradação, referente ao desmatamento parcial da floresta, e o corte raso, quando há desmatamento total da área e o solo fica exposto. No total, foram registrados alertas de desmatamento ou degradação nos últimos seis meses em 1.695,27 quilômetros quadrados da floresta.

Segundo o diretor de Proteção Ambiental do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Luciano de Menezes Evaristo, o índice divulgado hoje ainda não comprova o aumento de desmatamento na região.

“Não se pode dizer que com o aumento de alertas houve o aumento de desmatamento. Isso porque o Deter, que tem um componente de degradação florestal que pode se tornar ou não em desmatamento. Temos que aguardar o período Prodes [Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia] em julho para ser definido se aquela degradação foi realmente corte raso [desmatamento]”, explicou.

Os campeões da lista de alertas de desmatamento são os estados de Mato Grosso, do Pará e de Rondônia. O Acre teve uma redução de 84% nos alertas - no período analisado em 2012, foram 28, e este ano, apenas quatro.


“Mato Grosso e Pará sempre foram os campeões do desmatamento. Esses alertas podem estar sendo impulsionados pelo boom das commodities, pelo aumento do preço da terra e pode ter havido uma pressão maior no mês de julho. Mas a administração ambiental reagiu, mudou as estratégias e trouxemos de novo sob o controle qualquer ameaça [de degradação da floresta]”, disse Evaristo.

Com o acréscimo de alertas para fiscalização, o Ibama adotou novas estratégias e apreendeu no mês de fevereiro R$ 15 milhões em toras de madeira. As ações da Operação Onda Verde superaram, em apenas um mês de fiscalização no oeste paraense, o volume de madeira em tora ilegal apreendido em 2012 em todo o estado. A operação tem ações em áreas críticas, que respondem a 54% de todo o desmatamento da Amazônia Legal, em Mato Grosso, Amazonas e em Rondônia e já retirou de circulação mais de 65 mil metros cúbicos de toras ilegais.

“Para onde o desmatamento caminhar, através dos alertas que o Inpe nos passar pelo Deter, nos encaminharemos para as nossas bases para conter o desmatamento. E o grande alento deste ano, entramos a partir de janeiro e em fevereiro fizemos grandes apreensões de madeira. Só no Pará, quase 22 mil m³ de tora foram apreendidos no mês de fevereiro, pegamos todos os desmatadores que fazem o corte seletivo na floresta de surpresa, na chuva, mais de 100 tratores foram apreendidos”, destacou o diretor. De acordo com Evaristo, as ações não tem data para terminar.

Extraído do sítio Agência Brasil

28 março 2013

PORQUE O REGIME CHINÊS NÃO PODE RESOLVER SEUS PROBLEMAS AMBIENTAIS - Tian Yuan

Uma visão de Pequim sob densa poluição atmosférica em 31 de janeiro de 2013 (Mark Ralston/AFP/Getty Images)

A poluição é um grande problema na China, porque ela afeta a todos. As pessoas ficam ansiosas quando se discute o ar poluído, as tempestades de areia, os rios e os lençóis freáticos contaminados, além das “vilas de câncer”, onde produtos químicos tóxicos estão exterminando populações.

Autoridades chinesas falam de proteger o meio ambiente, mas elas têm uma fonte especial de alimentos, água e até mesmo de ar. Em dezembro de 2012, quando o novo líder chinês Xi Jinping proferiu seu discurso “Sonho da China”, parte de sua visão incluía “um meio ambiente melhor”.

Então, se todos estão preocupados com o meio ambiente na China, por que é que a poluição tem piorado a cada dia e o número de aldeias de câncer têm crescido? É óbvio que os oficiais estão dizendo uma coisa, mas fazendo outra: eles incentivam o sacrifício do meio ambiente em troca de desenvolvimento econômico e penalizam aqueles que investem na restauração ambiental.

Por que isso ocorre? Para começar, o Partido Comunista Chinês (PCC) é uma ditadura ilegítima. Para prolongar seu domínio, o regime depende desesperadamente de incentivar e propagandear o crescimento econômico.

Antes de 2012, o PCC tentou de tudo para manter o produto interno bruto (PIB) numa taxa de crescimento em torno de 8%. Depois de 2012, apesar de seus esforços e por causa da desaceleração econômica na China, o regime foi obrigado a definir uma meta de 7%. Abaixo deste nível, o desemprego proliferará, causando instabilidade social e ameaçando o regime.

Um estudo recente da Secretaria Nacional de Pesquisa Econômica dos EUA prova este ponto com números sólidos. O documento analisou 283 cidades na China e descobriu que oficiais que usaram parte de seus orçamentos no tratamento da poluição não receberam qualquer promoção. No entanto, aqueles que gastaram grandes somas na construção de rodovias e outras infraestruturas – aumentando o PIB local em detrimento do meio ambiente – foram promovidos ou granjeados com outros benefícios.

Em outras palavras, se um oficial cuida do bem-estar do povo e lida com a poluição, ele não tem esperança de ser promovido. No entanto, se um oficial eleva o PIB, o regime o premia independente da poluição gerada. Diante desta política de flagrante incentivo a ganhos pessoais, quantos oficiais protegeriam o meio ambiente?

O regime chinês também proíbe os movimentos populares de proteção ambiental. Desde 1996, o número de manifestações e protestos devido a questões ambientais aumentou cerca de 30% ao ano.

Da poluição por p-xileno nas cidades costeiras de Xiamen, Ningbo e Dalian até a poluição por molibdênio-cobre em Shifang, no sudoeste da China, e a poluição de resíduos industriais da Companhia de Papel Oji em Qidong, no centro do litoral chinês, as autoridades locais foram coniventes com empresas e permitiram projetos poluentes antes que o público tomasse conhecimento das consequências.

As pessoas não têm um canal para apelar contra as decisões do governo, então, elas recorrem a manifestações e protestos, muitas vezes violentos, e o regime responde com sua política de “manutenção da estabilidade”, mobilizando as forças armadas para reprimir manifestantes. Isto se tornou o protocolo padrão do PCC para lidar com os problemas ambientais.

A ditadura na China e a animosidade do regime pela vontade popular também são responsáveis pela grave poluição. As políticas do mundo ocidental de proteção ambiental começaram com os movimentos civis nos anos 60 e 70, com a democracia sendo necessária para seu sucesso. Os norte-americanos fizeram avanços na proteção do meio ambiente por meio da manifestação popular.

Durante a industrialização do Japão, grandes incidentes de poluição levaram nacionais a adoecerem gravemente. Na década de 60, havia muitos grupos civis que defendiam a proteção ambiental e desafiavam o Partido Liberal Democrático, o partido dominante no pós-guerra que não se preocupava com a poluição ambiental. Esses grupos também encorajaram as pessoas a boicotar as piores empresas.

Em meados dos anos 70, grupos ambientalistas alteraram com sucesso a situação no Japão, com muitos políticos apoiando a proteção ambiental. Querendo melhorar sua imagem pública, as empresas começaram a contatar grupos ambientais e prometeram cuidar do meio ambiente. Mecanismos positivos para lidar com os problemas ambientais foram finalmente estabelecidos.

A poluição na China reflete a corrupção do regime comunista e ela existirá enquanto o PCC existir, com o solo contaminado por metais pesados e resíduos químicos industriais nos rios, lagos e águas subterrâneas conferindo-lhes uma variedade de cores estranhas e efeitos letais, além do ar cheio de partículas lesivas aos pulmões e a comida sobrecarregada de toxinas.

Os chineses chegaram a um ponto crítico em sua qualidade de vida. Se eles continuarem indiferentes ou enganados pelo regime, o povo chinês estará se condenando ao suicídio.

Extraído do sítio The Epoch Times

12 março 2013

A POLUIÇÂO ATMOSFÉRICA QUE ENVOLVE A CHINA E A SAÚDE PÚBLICA - Li Rulan

A questão da qualidade do ar e câncer de pulmão na China é mais temerária do que a epidemia de SARS em 2003, segundo especialista em doenças respiratórias.

Um motociclista usa uma máscara facial numa densa poluição atmosférica agravada por uma tempestade de areia em Pequim em 28 de fevereiro de 2013 (Ed Jones/AFP/Getty Images)

O Dr. Zhong Nanshan, presidente da Associação Médica da China, advertiu que o problema da poluição na China é “mais assustador do que a SARS”, ao falar numa sessão plenária em Pequim em 5 de março.

Um respeitado especialista em doenças respiratórias, Zhong Nanshan ganhou reconhecimento uma década atrás por liderar a batalha contra a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave).

Zhong Nanshan disse que diferente da SARS, que pode ser controlada por meio de quarentena, a poluição atmosférica afeta a todos. “Quem quer que você seja, você não pode escapar do ar poluído”, disse ele, segundo o Diário Jovem da China.

Ele citou um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre qualidade do ar mostrando que a cidade-ilha de Haiko, que tem o ar mais limpo na China, ocupa apenas a 1530ª posição das 1802 cidades mundiais listadas. Zhong Nanshan acrescentou que o relatório mostra que a incidência de câncer de pulmão na China está entre as mais altas do mundo, com 76 casos em cada 100 mil homens e 48 por 100 mil mulheres.

Ele disse que estes números variam muito entre regiões com diferentes qualidades do ar, pois a poluição do ar está relacionada com as taxas de câncer de pulmão na China. Por exemplo, disse ele, na área urbana de Guangzhou, a incidência de câncer pulmonar é o dobro das zonas rurais circundantes e Pequim mostra o mesmo padrão.

“Se esta tendência de poluição continuar, o número de pacientes com câncer provavelmente aumentará exponencialmente”, disse ele.

Zhong Nanshan questionou a política do Partido Comunista Chinês (PCC) de priorizar o produto interno bruto (PIB), frequentemente à custa do meio ambiente. “O que é mais importante, o PIB ou a saúde? Neste ponto, não é uma questão de cuidar de ambas as questões. Atualmente, o componente necessário à sobrevivência humana foi seriamente ameaçado”, disse ele. “O desempenho dos oficiais locais é normalmente avaliado com base no crescimento do PIB em suas jurisdições. A partir de hoje, o sucesso dos oficiais em termos de reduzir a poluição também deve ser incluído como um parâmetro de desempenho.”

Anteriormente, Zhong Nanshan disse ao Sohu.com que, ao trabalhar com cirurgiões, ele viu que os pulmões de muitos moradores de Guangzhou acima de 40-50 anos são negros devido à poluição do ar. Embora uma das maiores cidades da China, Guangzhou tem níveis relativamente baixos de poluição. “Alguns podem pensar que estou exagerando o assunto, mas isso é um fato”, disse ele. “Se é assim em Guangzhou, em Pequim deve ser muito pior.”

“Eu não me importo com a chamada ‘sociedade harmoniosa’”, continuou ele, referindo-se a campanha de propaganda comunista. “As coisas mais importantes para os seres humanos são ar, água e alimento. Se estes estão ameaçados, ninguém pode realmente ser feliz.”

Chineses comuns admiram a franqueza de Zhong Nanshan, uma qualidade raramente associada aos delegados do Congresso Popular. “Poucos representantes políticos são como Zhong Nanshan”, comentou um internauta na rede de mídia social chinesa Weibo. “Eles não deveriam apenas elogiar o governo. Eles devem realmente considerar com mais seriedade o ar, a água e o alimento das pessoas.” Muitos outros internautas também pediram que mais pessoas corajosas agissem na melhoria da qualidade de vida do povo chinês.

Mas pode já ser tarde demais. Num artigo recente, a economista He Qinglian falou da poluição em geral, dizendo que mesmo que o governo e todas as pessoas parassem imediatamente de criar nova poluição, ainda levaria algumas centenas de anos para o meio ambiente da China se recuperar.

A Sra. He Qinglian também apontou que por muitos anos oficiais do PCC foram condescendentes com empresas poluidoras visando ganhos políticos e benefícios financeiros, o que levou à degradação ambiental generalizada na China. As autoridades pensaram que poderiam escapar contando com o acesso a alimentos seguros especiais, disse ela.

Eles não perceberam que a poluição do ar inesperadamente nivelaria o terreno para todos. “Na China, onde a classe social determina tudo, morrer por causa da poluição pode ser uma situação em que as pessoas experimentam a igualdade total”, concluiu ela.

Extraído do sítio The Epoch Times

11 março 2013

SANEAMENTO BÁSICO AINDA É MOTIVO DE MORTE NO BRASIL - Dal Marcondes

Em meio à falta de saneamento, moradores equilibram-se em “ruas” de madeira para chegar a suas casas em Altamira (PA), onde está sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte. Foto: Valter Campanato/ABr

Ananindeua, um município próximo a Belém, tão próximo que parece um bairro, registrou em 2011 o alarmante número de 904 internações por diarreia para cada 100 mil habitantes. Em 2012 a cidade conseguiu bater seu recorde entre os 100 maiores municípios brasileiros e marcou 1210 pessoas internadas com doenças causadoras de diarreias. Na outra ponta, das menores ocorrências de doenças com diarreia, ficou em 2011 a cidade paulista de Taubaté, com 1,4 internação para cada 100 mil habitantes. O caso de Ananindeua chama a atenção porque o município que vem logo em seguida, Belford Roxo (RJ), registrou em 2011 menos da metade dos casos, 399,4 internações para cada 100 mil habitantes. Esses dados foram levantados pela organização não governamental Instituto Trata Brasil, que monitora o saneamento básico no Brasil.

Dados da Organização Mundial de Saúde apontam que 88% das mortes por diarreia no mundo são causadas pelo saneamento inadequado, enquanto a Unicef demonstra que essa é a segunda maior causa de mortes entre crianças de 0 a 5 anos e se estima que a cada ano 1,5 milhão de crianças nessa idade morram em todo o mundo vítimas de doenças diarreicas. O estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil (em PDF), divulgado no final de fevereiro, procura, por meio de dados do Sistema Único de Saúde (SUS), medir o impacto sobre a saúde da população exposta ao saneamento básico inadequado nos 100 maiores municípios brasileiros. O estudo levantou dados de 2008 a 2011, em alguns casos 2012, e demonstrou que em quase metade dos municípios (49%) existe apenas uma oscilação nos números de internações, sem apresentar nenhuma tendência clara de melhora no indicador. Em 2011, 396.048 pessoas deram entrada no SUS com doenças diarreicas, sendo que 54.399 vivem nos 100 maiores municípios do país.

De todas as internações, cerca de metade são crianças de 0 a 5 anos, justamente a faixa etária mais fragilizada pela falta de saneamento básico, sendo que em algumas cidades essa taxa chega a mais de 70%, como é o caso de Duque de Caxias (RJ), Juazeiro do Norte (CE), Macapá (AP), Feira de Santana (BA), Belém (PA), Porto Velho (RO) e Manaus (AM).

Dados de 2011 apontam que os gastos do SUS com internações por diarreia foram de 140 milhões de reais e os municípios que mais gastaram foram justamente aqueles com piores indicadores de saúde e de saneamento básico. Enquanto em Ananindeua o gasto total por 100 mil habitantes foi de 314,4 mil reais, na cidade de Taubaté o gasto foi 721 reais para a mesma população.

Dados do Sistema Nacional de Informações de Saneamento (SNIS) mostram que são poucas as cidades, entre as 100 maiores do país, que podem ostentar a marca de 100% de seus esgotos coletados (o que não significa tratados). São elas Santos, Piracicaba, Jundiaí e Franca, no estado de São Paulo, e a capital mineira, Belo Horizonte.

Esses números reforçam a urgência de aplicação dos recursos previstos para saneamento básico em todo o Brasil. Existem políticas e planos nacionais para a gestão de recursos hídricos e saneamento, sem, no entanto, haver um esforço concentrado na aplicação em obras que possam reverter este quadro de desastre vivido pela população, principalmente das áreas mais pobres do país.

Às vésperas de mais um Dia Mundial da Água, que é comemorado em 22 de março, o Brasil pouco tem a comemorar. Nas grandes cidades a questão do abastecimento de água é cada vez mais complexa, com as empresas de água tendo de buscar o recurso em mananciais cada vez mais distantes, justamente pela falta do saneamento e do tratamento de esgotos, que coloca os rios das regiões mais habitadas entre os mais poluídos do mundo.

É hora de se entender que a água limpa e o saneamento básico são indicadores de desenvolvimento muito mais importantes do que o Produto Interno Bruto.

Extraído do sítio Revista CartaCapital

06 março 2013

BIODIGESTÃO É OPÇÃO PRA GRANDES QUANTIDADES DE LIXO ORGÂNICO RURAL E URBANO

O lixo pode ser uma importante fonte de renda para os municípios, se tiver um destino adequado.


Dar um destino ecologicamente correto para os resíduos é um desafio e tanto para a população e governos. Existem inúmeras opções, mas nem todas são práticas ou financeiramente viáveis. Uma possível solução são os biodigestores. Essa é uma forma interessante de evitar o descarte dos resíduos em lixões e aterros. Resíduos tratados dessa maneira produzem o biogás, composto basicamente por dois gases de efeito estufa (GEEs): metano (CH4) e o gás carbônico (CO²). Ambos podem ser utilizados na produção de energia elétrica, térmica ou mecânica, além de, ao final do processo, ainda resultam em adubo.

O método utilizado é muito simples. Todo o processo ocorre de forma anaeróbica e fechada, ou seja, na ausência de oxigênio e sem liberação de nenhum dos gases produzidos pela ação das bactérias. Dessa forma, é possível canalizar os gases da decomposição e queimá-los, mas não de maneira aleatória, como acontece em alguns aterros, mas com a finalidade de substituir o gás natural em algum setor da economia. O biogás é mais barato, renovável e diminui a emissão dos gases que intensificam o aquecimento global.

O processo é basicamente o mesmo de uma composteira seca (veja mais aqui), mas sem a liberação de nenhum gás e com o benefício de aceitar qualquer resíduo orgânico, inclusive dejetos de animais e humanos. Os resíduos da biodigestão podem ser utilizados como biofertilizantes, pois possuem alta concentração de nutrientes importantes para as plantas.

No entanto, a biodigestão sozinha não soluciona o problema do lixo nas cidades. É necessária uma eficiente coleta seletiva, já que apenas os dejetos orgânicos devem ter esse destino. Seria preciso estimular uma cooperação maior entre o poder público e a população. Assim, o início de toda essa cadeia de reciclagem começaria dentro das residências na separação do lixo reciclável do orgânico.

Compostagem

A compostagem doméstica pode ser um destino interessante para os resíduos orgânicos, mas o CH4 e o CO², apesar de em menor quantidade que em lixões ou aterros, são liberados na atmosfera. Essa ainda é uma forma mais ecológica para destinar os resíduos orgânicos em pequena quantidade. No entanto, em um escala muito maior, ao se tratar de resíduos de milhões de pessoas, a biodigestão é um processo muito melhor para o meio ambiente e também para a economia.

A biodigestão é também uma forma de gerar créditos de carbono, metodologia que tem por objetivo reconhecer métricas que contribuam para o controle e redução das emissões de GEEs. Cada tonelada de carbono retirada da atmosfera ou deixada de ser produzida equivale a um crédito de carbono, que pode ser comercializado no mercado internacional. Dessa forma, os resíduos se convertem em uma fonte de renda para os municípios, podendo acarretar em diminuição de impostos. Além disso, é um Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que visa crescimento econômico mais sustentável.

Exemplo sueco

Os biodigestores são encontrados com maior frequência em propriedades rurais, principalmente naquelas criadoras de porcos e aves, mas nada impede a ampliação do processo no meio urbano. A cidade de Borás, na Suécia, é um modelo desse uso. Ela conseguiu descontaminar um rio ao tratar o esgoto doméstico por meio da biodigestão e também reduziu drasticamente o volume de lixo sem valor econômico. Essa iniciativa também diminuiu a dependência da cidade em relação aos combustíveis fósseis ao dar preferência ao biogás em alguns setores da economia.

Extraído do sítio Revista Amazônia

05 março 2013

SUBSTITUIR LIXÕES POR ATERROS SANITÁRIOS AUMENTARÁ EMISSÕES DE METANO - Débora Spitzcovsky

De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, todos os lixões do Brasil devem ser substituídos por aterros sanitários até 2014. A medida garante que o lixo produzido no país, finalmente, tenha destinação correta, mas aumenta a emissão de metano no ar, acendendo o debate a respeito da oportunidade de produzir eletricidade a partir de biogás no Brasil.


Considerado um gás 25 vezes mais potente do que o CO2, quando o assunto é a contribuição para o efeito estufa, o metano está cada vez mais presente no ar que respiramos. Dados da Iniciativa Global do Metano (GMI)apontam que a concentração do gás aumentou nos países em desenvolvimento nos últimos 260 anos e, principalmente, a partir de 2007 por conta do crescimento da produção e descarte de resíduos sólidos – entre outras atividades, como a agricultura e pecuária. 

No Brasil, esse cenário pode piorar ainda mais. Isso porque a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada em 2010, determina, entre outras mudanças, que até o ano de 2014 todos os lixões do país devem ser fechados e substituídos poraterros sanitários. "A medida é de suma importância, uma vez que garantirá adestinação correta do lixo produzido no país, mas aumentará a emissão de gás metano", alertou Christopher Godlove, da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, durante palestra no evento de lançamento do Manual de Boas Práticas no Planejamento para a Gestão dos Resíduos Sólidos

O especialista explica por quê. "Ao mandarmos os resíduos sólidos para locais que possuem condições mais adequadas para recebê-los, como os aterros sanitários, favorecemos sua decomposição e, consequentemente, aumentamos a liberação de metano, proveniente da degeneração anaeróbia de matéria orgânica", esclareceu. 

A informação serve de alerta para os governos do país, que devem começar a pensar desde já em alternativas para o problema. Para Godlove, a melhor delas é capturar obiogás para utilizá-los na produção de eletricidade. "É uma fonte abundante, já que o metano é emitido 24 horas por dia, sete dias por semana, nos aterros. No entanto, deve-se ter em mente que a produção de energia elétrica por biogás não tem potencial para ser parte expressiva da nossa matriz. Trata-se de uma boa fonte de energia local, que pode servir como backup", explicou o especialista. 

Segundo o Atlas Brasileiro de Emissões de GEE e Potencial Energético na Destinação de Resíduos Sólidos, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil tem potencial para produzir mais de 280 megawatts de energia a partir do biogás capturado em unidades de destinação de resíduos sólidos. O volume seria suficiente para abastecer uma população de cerca de 1,5 milhão de pessoas. 

No Estado de São Paulo, já existem duas usinas de metano implantadas nos aterros sanitários Bandeirantes e São João, localizados nas cidades de Perus e São Mateus. De acordo com o Atlas da Abrelpe, o Brasil conta com 22 projetos que preveem o aproveitamento energético do biogás, sendo que a maioria deles é destinado à região sudeste. "Para aumentar esse número, é interessante que haja subsídio do governo. Não se trata de uma regra, cada caso é um caso, mas no geral aterros sanitários que tenham mais de 500 mil toneladas de resíduos sólidos são promissores para o desenvolvimento de projetos de geração de energia elétrica", concluiu Godlove.

Extraído do sítio Planeta Sustentável

26 fevereiro 2013

PETRÓLEO NÃO É MAIS VISTO, MAS AINDA POLUI GOLFO DO MÉXICO - Fabian Schmidt


Passados quase três anos da catástrofe na costa americana, pouco se vê do vazamento, mas o óleo liberado pela plataforma Deepwater Horizon ainda está lá: dissolvido na água ou em longas faixas no fundo do mar.

Na catástrofe da plataforma Deepwater Horizon, em abril de 2010, entre 500 mil e um milhão de toneladas de petróleo cru vazaram no Golfo do México. O acidente teve graves consequências para a vida animal: aves, mamíferos e tartarugas marinhas morreram vítimas das manchas de óleo. A limpeza das praias também implicou a destruição de muitos ninhos e locais de desova de tartaruga.

Tartaruga marinha vítima da catástrofe
Hoje, o petróleo quase não pode ser mais visto, e a normalidade parece ter retornado ao Golfo do México – os navios pesqueiros voltaram a circular, e os turistas estão novamente frequentando as praias. Mas isso não significa que o óleo desapareceu. As consequências da catástrofe ainda são sentidas. As taxas de nascimento de golfinhos, por exemplo, são atualmente bem menores do que as de antes da catástrofe.

A principal razão é que mais da metade do petróleo vazado não chegou a atingir a superfície. Ao contrário de um derramamento de óleo de um navio, onde as manchas se espalham na superfície, no acidente da Deepwater Horizon boa parte do petróleo continuou no fundo do mar.

"O poço de petróleo tinha uma enorme pressão", diz Antje Boetius, bióloga do Instituto Alfred Wegener de Pesquisas Marinhas e Polares. E como o vazamento, explica, ocorreu por uma brecha muito estreita, o petróleo acabou saindo em forma de gotas e, por isso, continua no fundo do mar. "Gotas com apenas milésimos de milímetro de tamanho possuem uma superfície tão grande em relação ao seu próprio empuxo que não conseguem mais subir. Elas ficam à deriva em meio às massas d'água", completa a especialista.

Sob forte pressão, petróleo vazou em gotinhas microscópicas e não subiu à superfície
Essas finas gotas de petróleo se misturam, entre mil e 2 mil metros de profundidade, com partículas em suspensão, como plâncton e minerais, sendo então aglutinadas. Esse processo as torna mais pesadas, fazendo com que desçam para o fundo do mar. Lá, elas formam novas manchas de óleo.

"Elas se parecem com a poeira em casa quando não é aspirada – só que em vermelho e marrom", descreve Boetius o óleo no fundo do mar, que fica depositado em camadas espessas e nos recifes de corais.

Colônia de bactérias a postos

Como no Golfo do México há uma emersão natural de petróleo, ali se instalaram bactérias que conseguem metabolizar o óleo por meio de enzimas especiais. Essa colônia de bactérias decompõe lentamente o petróleo vazado. Por um lado, isso é bom, já que o óleo desaparece, mas esse produto do metabolismo das bactérias nem sempre é inofensivo, diz Detlef Schulz-Bull, químico do Instituto Leibniz de Pesquisas do Mar Báltico.

O grau de toxicidade de produtos metabólicos bacterianos depende principalmente da composição do petróleo. O petróleo cru contém uma parcela de compostos aromáticos biorefratários altamente tóxicos. Quando as bactérias digerem a complexa mistura que compõe o petróleo, é muito difícil verificar a toxicidade dos produtos metabólicos, adverte Schulz-Bull.

O motivo está no fato de, após o processo de conversão bacteriana, a mistura de substâncias se tornar ainda mais complexa. "E também a sua toxicidade provavelmente aumenta", diz o perito marinho.

O problema principal é que os produtos metabólicos, tais como os ácidos graxos, são mais solúveis em água do que os compostos originais formados por longas cadeias de hidrocarboneto. Por esse motivo, eles também são mais fáceis de serem consumidos por micro-organismos. E, dessa forma, chegam à cadeia alimentar – do plâncton para os peixes, e destes para as baleias, golfinhos e para o prato do ser humano.

Pulverização do solvente Corexit prejudicou bactérias
Outro problema é que as bactérias consomem grande quantidade de oxigênio, que pode acabar faltando no mar. Em seguida, entram em cena outras bactérias, que não precisam de oxigênio. "Quando elas entram em ação, provocam um efeito colateral desagradável: produzem sulfureto, ou seja, sulfeto de hidrogênio como produto final, espantando assim vermes, mexilhões e peixes", acrescenta Boetius.

Por esse motivo, a princípio, os biólogos temiam que o Golfo do México pudesse se tornar uma poça pútrida. Isso, porém, não aconteceu, já que as fortes correntes proporcionam um fornecimento contínuo de oxigênio e diluem o petróleo e os produtos metabólicos bacterianos.

Solventes retardam degradação natural

No entanto, agora ficou claro que os especialistas em combate à mancha de petróleo não facilitaram o trabalho das bactérias. Para evitar que chegasse à costa, eles pulverizaram grande quantidade do solvente tóxico Corexit sobre o óleo na superfície. Isso fez com que a mancha se dissolvesse, e assim criou-se um novo problema: o óleo e o Corexit chegaram em forma dissolvida à água, contaminando bactérias, larvas de peixes e organismos microscópicos.

"No combate a catástrofes provocadas pelo vazamento de petróleo, é preciso rapidamente estabelecer prioridades", explica Boetius, que diz que, provavelmente, os responsáveis tinham esperança de salvar pássaros, tartarugas e mamíferos marinhos com o uso de Corexit. "E o Corexit faz sentido, porque consegue espalhar o óleo fino. Mas a decomposição por meio das bactérias é retardada, e, quando o petróleo submerge para o fundo do mar, a decomposição é ainda pior."

Ajuda chegou tarde demais para alguns animais
Schulz-Bull tira daí uma lição: nenhum tipo de solvente deve ser utilizado em grandes derramamentos de petróleo, porque eles escondem somente os efeitos visíveis. Embora não possa ser visto, diz o químico, o petróleo ainda está presente, e a aplicação de Corexit torna tudo pior: "Adiciona-se ao sistema milhares de produtos químicos, que não são inofensivos, mas que em si já são tóxicos. Não se melhora realmente nada."

O químico também considera um erro a queima da mancha de petróleo, como tentou-se no Golfo do México, pois quando isso é feito em temperaturas baixas surgem compostos altamente tóxicos em altas concentrações, como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos ou dioxinas. "Isso é um absurdo do ponto de vista ecológico", afirma.

Contra vazamentos de petróleo, só resta uma coisa a fazer, segundo o químico: é preciso cercar o óleo com barreiras de contenção, bombeá-lo e, se isso não funcionar, tentar agregá-lo na superfície, através do uso de materiais ecológicos, como pedaços especiais de madeira. Em seguida, pode-se tentar retirá-lo da superfície marinha.

Extraído do sítio Deutsche Welle

08 fevereiro 2013

POLUIÇÃO DA CHINA PENETRA ATMOSFERA DO JAPÃO - Jack Phillips

Um avião da Japan Airlines decola no aeroporto Haneda em Tóquio em meio a atmosfera cinzenta em 4 de fevereiro (Yoshikazu Tsuno/AFP/Getty Images)

A densa poluição atmosférica que tem envolvido a China no último mês está infiltrando os ares do Japão, levando o Ministério do Meio Ambiente do país a alertar a população sobre os riscos para a saúde de crianças e pessoas com condição já debilitada.

“O acesso ao nosso sistema de monitoramento da poluição do ar tem sido quase impossível na semana passada e o telefone aqui tem tocado constantemente, porque as pessoas continuam nos indagando preocupadas com o impacto sobre a saúde”, disse um funcionário anônimo do Ministério do Meio Ambiente japonês à AFP na segunda-feira.

O website do ministério tem estado sobrecarregado com o tráfego, informou a AFP. De acordo com a mídia Standard de Hong Kong, o ministério também aconselhou a população a fechar suas janelas e usar máscara de respiração, que são comumente usadas na Ásia Oriental.

“A China é nossa vizinha e todo tipo de problema acontece entre nós constantemente”, disse Takaharu Abiko, de 50 anos, à AFP. “É muito preocupante. Esta poluição é perigosa, como veneno, e não podemos nos proteger. É assustador.”

Três cidades da prefeitura de Hiroshima, localizada no Sul do Japão, registraram 40 microgramas por metro cúbico na escala de partículas PM 2,5, usada para medir a poluição do ar. Partículas pequenas podem penetrar nos pulmões e causar doenças respiratórias. A Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que é “insalubre” respirar o ar que tem mais de 25 microgramas de micropartículas por metro cúbico.

Em meados de janeiro, durante o pico da epidemia de poluição do ar na China, Pequim registrou mais de 990 microgramas por metro cúbico na mesma escala. Nas últimas semanas, o nível de PM 2,5 tem sido consistentemente maior que 500 microgramas por metro cúbico, ultrapassando múltiplas vezes o nível “perigoso” definido pela OMS.

Autoridades japonesas não implicaram a China pelo nevoeiro cinzento que cobriu partes do Japão, mas o ministro do meio ambiente japonês Yasushi Nakajima disse à AFP que “não se pode negar que há um impacto da poluição proveniente na China”.

“Nesta época do ano, definitivamente, não são areias amarelas” que são sopradas dos desertos chineses e mongóis, “são partículas tóxicas”, disse Atsushi Shimizu do Instituto Nacional de Estudos Ambientais do Japão. “Pessoas com doenças respiratórias devem ter cuidado”, advertiu ele.

O alerta no Japão surge apenas duas semanas após relatos de que a poluição da China engoliu a maior parte da Coreia do Sul. A capital de Seul registrou 218 partículas por metro cúbico na escala PM 10, outra medida para avaliar pequenas partículas no ar.

Toshihiko Takemura, professor associado da Universidade de Kyushu, disse à AFP que um aumento da poluição do ar chinês em partes do Japão se tornou uma tendência preocupante em anos recentes.

“Especialmente em Kyushu, o nível de poluição do ar tem sido detectado na vida cotidiana há alguns anos”, disse ele. “As pessoas no Leste e Norte do Japão estão agora percebendo tardiamente a poluição do ar transfronteiriça.”

Extraído do sítio The Epoch Times

06 fevereiro 2013

SUPERPOPULAÇÃO PLANETÁRIA - Mikhail Aristov

© Voz da Rússia 

O número de habitantes do nosso planeta ultrapassou o limiar de 7 bilhões de pessoas. Os especialistas em demografia dividiram-se em dois campos nas previsões do futuro. Uns afirmam que a humanidade é ameaçada por falta de recursos naturais devido à superpopulação, enquanto outros fixam um afrouxamento de ritmos de crescimento.

Superando o limiar de 7 bilhões, o número de habitantes do planeta continua subindo. Algumas mídias mundiais dão alerta por esta causa. Por exemplo, a principal conclusão que se pode tirar de uma série de artigos publicados no jornal americano Los Angeles Times é bastante lúgubre: as condições de vida da parte esmagadora das pessoas irão piorar por causa da superpopulação. É de fato assim, concorda o colaborador científico do Instituto de Demografia, Nikita Mkrtchian, adiantando que o aumento da população ameaça a existência do próprio planeta:

"A Terra cuida-se de sua própria conservação, mas o homem lança um desafio ao planeta. Este desafio já é evidente. Trata-se tanto de aquecimento global, como de simples destruição do meio ambiente. A humanidade deve deixar de crescer ou encontrar decisões ecológicas justas para se abastecer no futuro".

Segundo cálculos científicos, a humanidade precisou de 13 anos para aumentar a população de 6 para 7 bilhões de pessoas. Ao mesmo tempo, o prazo para atingir o limiar de 6 bilhões de habitantes foi num ano mais curto. Levando em consideração as afirmações dos adeptos da teoria de afrouxamento de ritmos de crescimento da povoação, podemos tirar uma conclusão de que os processos catastróficos no futuro não serão ligados à superpopulação do planeta. Pelo contrário, o problema principal será uma degradação demográfica, afirma o redator do portal informativo e analítico Demografia.ru, Igor Beloborodov:

"Os nossos problemas são relacionados com uma taxa muito baixa de natalidade e a destruição dos valores tradicionais de família, que alimentavam toda a história humana e garantiam a renovação de gerações. Isso não acontece devidamente hoje, porque o crescimento mundial é de fato garantido apenas por 39 países do continente africano. Quanto à Europa, no caso dos países do mundo anglo-saxônico, por exemplo, assiste-se a uma dinâmica demográfica muito preocupante. Nos últimos 40 anos, a taxa de natalidade naquela zona diminuiu em mais de duas vezes. Destaque-se que a população da China também começará a diminuir já para 2028-2030".

No decorrer de milênios, a taxa de natalidade devia ser muito alta, para que a humanidade pudesse sobreviver a epidemias, guerras e fome. Num certo momento, graças ao desenvolvimento de novas tecnologias, a taxa de mortalidade na Europa e na América do Norte registou uma queda. A população crescia rapidamente, mas posteriormente a taxa de natalidade diminuiu bruscamente. A situação pode repetir-se em todo o mundo, mesmo nos países com uma alta taxa de natalidade, tais como o Brasil, Índia ou México, em que o respetivo índice caiu em 2-3 vezes nas últimas décadas. Especialistas qualificam este fenômeno como "transição demográfica". Se em resultado a taxa mundial de natalidade se estabilizar ao nível médio europeu (1,5 crianças para uma mulher), é pouco provável que dentro de 300 anos a população do planeta ultrapasse um bilhão de pessoas.

Extraído do sítio Voz da Rússia

02 fevereiro 2013

MUNICÍPIOS DISCUTEM DESAFIO DE DESATIVAR TODOS OS LIXÕES DO PAÍS - Étore Medeiros

Uma das metas da política Nacional de Resíduos Sólidos é a desativação de todos os lixões do País, que devem ser substituídos por aterros sanitários até 2 de agosto de 2014. Imagem: reprodução

Entre os pontos da extensa pauta que será discutida no Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas – Municípios Fortes, Brasil Sustentável, em Brasília, está a ousada meta de desativação de todos os lixões do País, que devem ser substituídos por aterros sanitários até 2 de agosto de 2014. A determinação é o ponto central da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Instituída pela Lei N° 12.305/2010, após duas décadas de tramitação no Congresso, a PNRS também prevê a implementação de programas de coleta seletiva, de educação ambiental e a inclusão dos catadores de material reciclável em todos os municípios.

O desafio, entretanto, é imenso, e há quem duvide da viabilidade da norma. Para o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, “é impossível cumprir 10%” do que prevê a lei. Ele teme que os prefeitos acabem sendo responsabilizados pela impossibilidade de atender às exigências da nova política de manejo do lixo urbano. Para ele, a legislação é “inviável” e os prefeitos podem “até virar ficha suja, porque só quem vai ser responsabilizado (pela falta de estrutura para recolher e tratar o lixo) é o poder municipal”.

Nos últimos dois anos, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) destinou R$ 48 milhões para a elaboração dos planos de gestão de resíduos sólidos pelas prefeituras – documentos imprescindíveis para a solicitação de verbas federais destinadas ao atendimento das metas da PNRS. De acordo com levantamento da CNM, no entanto, ao fim do prazo inicial para a elaboração do plano municipal (2 de agosto de 2012), somente 9% das prefeituras haviam concluído o trabalho e 49% sequer tinham iniciado os projetos.

Para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a maioria das prefeituras não tem dedicado tempo suficiente à questão. “O governo federal fez e está fazendo a sua parte, disponibilizando apoio e recursos. Agora, cabe aos estados e aos municípios fazer a parte deles”, declarou.

Entre 2011 e 2012, dos R$ 546,8 milhões autorizados no Orçamento da União para o programa de resíduos sólidos, R$ 201,1 milhões foram efetivamente gastos. Ainda assim, dados do Panorama dos Resíduos Sólidos do Brasil 2011, da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, apontam que, entre 2010 e 2011, apenas 30 cidades conseguiram substituir os lixões por aterros sanitários. De acordo com a mesma pesquisa, em dezembro de 2011, 60,1% dos 5.565 municípios brasileiros ainda não haviam se adequado.

RECUPERAÇÃO

Se acabar com os lixões do país já é uma tarefa complicada, outra meta da Política Nacional de Resíduos Sólidos promete ser igualmente trabalhosa: recuperar as áreas contaminadas por esses depósitos a céu aberto. A PNRS estima que, até 2031, somente as cidades das regiões Sul e Sudeste conseguirão reabilitar totalmente as áreas contaminadas. Nas demais regiões, a expectativa é que esse índice chegue a 90%.

Apesar de os objetivos estarem definidos, o governo federal ainda não tem uma dimensão do impacto ambiental já causado ao país com a contaminação do ar, do solo e dos lençóis freáticos. “No momento, não existe nenhum diagnóstico das áreas contaminadas, mas estamos trabalhando para a contratação de um estudo que vai elaborar a metodologia de avaliação dos níveis de contaminação causada pelo lixões. Também estamos finalizando a capacitação de 330 técnicos para gerenciar as áreas contaminadas”, explica a gerente substituta de Resíduos Perigosos do MMA, Sabrina Andrade.

* Artigo originalmente publicado no jornal Correio Braziliense.

Extraído do sítio Ciência Em Pauta

A MONSANTO, ALÉM DA JUSTIÇA - Mauro Santayana


Agricultores brasileiros estão em litígio contra a Monsanto, que lhes cobrou royalties pelo uso de uma tecnologia cuja patente expirou em 2010, de acordo com a legislação brasileira. As leis nacionais estabelecem que o início da vigência de uma patente é a data de seu primeiro registro. A Monsanto invoca a legislação norte-americana, pela qual a patente passa a vigorar a partir de seu último registro. Como sempre há maquiagem dos processos tecnológicos, a patente não expira jamais.

Os lobistas da Monsanto não tiveram dificuldades em negociar acordo vantajoso, para a empresa, com os senhores do grande agronegócio, reunidos em várias federações estaduais de agropecuária, e com a poderosa Confederação Nacional da Agricultura, comandada pela senadora Kátia Abreu. Pelo cambalacho, a Monsanto suspenderia a cobrança dos royalties até 2014, e os demandantes desistiriam dos processos judiciais.

"Uma das maldições do homem é a tentativa de criar uma natureza protética"

Uma das maldições do homem é a tentativa de criar uma natureza protética, substituindo o mundo natural por outro que, sendo por ele criado, poderá, na insolência da razão técnica, ser mais perfeito. Essa busca, iniciada ainda na antiguidade, continuou com os alquimistas, e se intensificou com as descobertas da química, a partir do século 18. O conluio entre a ciência, mediante a tecnologia e o sistema capitalista que engendrou a Revolução Industrial, amparada pelo laissez-faire, exacerbou esse movimento, que hoje ameaça a vida no planeta.

A Alemanha se tornaria, no século 19, o centro mais importante das pesquisas e da produção industrial de novos elementos a fim de substituir a matéria natural, construída nos milênios de vida no planeta, por outra, criada com vantagens para o sistema de produção industrial moderno.

Não há exemplo mais evidente desse movimento suicida do que a Monsanto. A empresa foi fundada em 1901 a fim de produzir sacarina, o primeiro adoçante sintético então só fabricado na Alemanha. Da sacarina, a empresa foi ampliando seus negócios com outros produtos sintéticos, como a vanilina e corantes, muitos deles cancerígenos. Não deixa de ser emblemático que o primeiro grande cliente da Monsanto tenha sido exatamente a Coca-Cola. É uma coincidência que faz refletir.

Não é só a Monsanto que anda envenenando as terras e as águas com seus produtos químicos. Outras empresas gigantes da química com ela competem na produção de agrotóxicos mortais. Com o controle da engenharia genética aplicada aos vegetais de consumo humano e de consumo animal, no entanto, ela tem sido a principal responsável pelos danos irreparáveis à natureza e à saúde dos animais e dos seres humanos.

Vários países do mundo têm proibido a utilização das sementes transgênicas da Monsanto, entre eles a França, que interditou o uso das sementes alteradas. No Brasil, ela tem vencido tudo, com a conivência das autoridades responsáveis, ou irresponsáveis. A Comissão Técnica de Biossegurança e o Conselho Nacional de Biossegurança vêm dando sinal verde aos crimes cometidos pela Monsanto e outras congêneres no Brasil.

Essa devia ser uma preocupação prioritária do Parlamento, que só se movimenta com entusiasmo quando se trata das articulações internas para a eleição bianual de suas mesas diretoras.