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27 março 2013

PSDB ABANDONA JOSÉ SERRA E ABRAÇA DE VEZ CANDIDATURA DE AÉCIO NEVES EM 2014 - Eduardo Maretti

Acompanhado pelo governador Geraldo Alckmin e pelo ex-presidente Fernando Henrique, senador mineiro é recebido em clima de unidade.

Aécio durante ato do PSDB em São Paulo: partido tomará decisão na hora certa, diz senador (Foto: Fábio Braga/Folhapress)

São Paulo – Em clima de campanha, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi recebido ontem à noite (25) pelos principais caciques tucanos de São Paulo em ato político realizado pelo diretório estadual do partido. Aécio chegou ao encontro acompanhado do governador paulista, Geraldo Alckmin, poucos minutos depois do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O ex-governador José Serra, que estaria de saída do PSDB devido à perda de espaço para Aécio, não apareceu, sob pretexto de que já havia marcado viagem para os Estados Unidos na mesma data.

Em seu discurso, Alckmin pela primeira vez foi claro sobre seu apoio ao senador mineiro para presidir a legend, a partir da convenção de maio, e ser o candidato tucano na sucessão presidencial de 2014: “Que que você, Aécio, assuma a presidência do PSDB, percorra o Brasil, ouça o povo brasileiro, fale ao povo e una o PSDB”.

À pergunta sobre a cobrança do partido para assumir a pré-candidatura, Aécio foi cauteloso. “Ainda não está na hora. Não é uma questão individual, é uma decisão que o partido vai tomar na hora certa”. Porém, o presidente do partido no estado, deputado Pedro Tobias, discursou: "A militância quer lançar candidato já". O secretário Estadual de Energia do governo Alckmin, José Aníbal, indagado pela RBA se Aécio será o candidato a presidente, também não ficou em cima do muro: “Isso ficou claro hoje”.

Ao chegar ao evento, questionado se o clima era uma indicação de que a candidatura de Aécio, na prática, está sendo lançada em São Paulo, Fernando Henrique desconversou. “Não, não, a campanha é para a presidência do partido”, afirmou. A ele coube também explicar a ausência de José Serra. Segundo o ex-presidente, Serra, a quem chamou de “dileto amigo”, viajou aos Estados Unidos para participar de uma homenagem ao economista Albert Hirschman, morto em dezembro. “Eu me sinto representado por ele lá, e espero que ele se sinta representado por mim aqui.”

FHC e Aníbal negam saída de Serra do PSDB

Segundo algumas especulações, caso não consiga uma posição de destaque (no mínimo, no curto prazo, a presidência do partido), o ex-governador José Serra poderia deixar o PSDB. Seu destino seria outra legenda, que poderia ser o PPS, ou até mesmo um novo partido, pelo qual disputaria a eleição para o governo de São Paulo em 2014. 

“É absolutamente delirante essa informação. Essa é a primeira vez que ouço isso, porque realmente seria impensável. Eu acho que não. Como Fernando Henrique disse hoje, ele se sente, aqui, representando o Serra”, disse o secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, àRBA.

A reportagem fez a mesma pergunta ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Conversa, conversa”, respondeu ele.

O ex-governador de Minas se preocupou em afagar os correligionários paulistas, onde seu nome ainda encontra resistências. “Aqui foi que tudo começou. O PSDB do Brasil inteiro deve muito aos paulistas, às lideranças que aqui estão, a outras lideranças extraordinárias como Mário Covas e Franco Montoro, à liderança de José Serra”, declarou Aécio. 

Segundo o senador, o PSDB vai entrar na campanha do ano que vem em busca “do início de um novo ciclo" e voltou a criticar o suposto "aparelhamento" da máquina pública no governo do PT, afirmando que irá substitui-lo pela "meritocracia".

Apesar do discurso recorrente dos tucanos, levantamento publicado há uma semana pelo jornalO Estado de S. Paulo mostra que o PSDB lidera em total de cargos de confiança (onde se daria o "aparelhamento) entre os governos estaduais. 

Aécio também voltou a falar em "ética" e "eficiência". “O PSDB não tem sequer o direito de se negar a apresentar ao Brasil uma alternativa a esse modelo de governo que aí está, do ponto de vista ético, da eficiência, de uma visão mais moderna de país e de mundo.”

Também nesse ponto, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que entre os anos 2000 e 2012 o PSDB é o terceiro partido com mais políticos cassados por corrupção (58), ficando atrás apenas do PMDB (66) e do DEM (69). O PT, alvo de Aécio, estava em 9º no ranking, com dez.
Unidade

A palavra de ordem nos discursos e nas entrevistas foi unidade. “O PSDB vai marchar junto para que possa apresentar-se ao país com força e vigor. O sentido dessa festa é de congraçamento e mostrar que estamos todos juntos”, resumiu Fernando Henrique em rápida e tumultuada coletiva ao lado de Alckmin, Aécio, do presidente nacional do partido, Sérgio Guerra, e do presidente estadual, deputado Pedro Tobias.

“Temos certeza que estamos começando a reorganizar o partido”, avaliou FHC. “À arrogância do governo [federal], vamos responder com nossa unidade”, pregou Aécio. 

“Estamos aqui para mostrar que o partido está unido”, pontuou o senador Aloysio Nunes Ferreira. Sérgio Guerra também mencionou a unidade, mas foi mais claro ao rapidamente resumir “as duas coisas importantes” que tinha a dizer: “ao adversário interessa nos dividir e confundir, a nós interessa a unidade; as condições favorecem uma candidatura que, estou convencido, deve ser a de Aécio”.

No discurso à militância, o senador e ex-governador mineiro mencionou sua história pessoal, lembrou o avô Tancredo Neves e voltou a atacar os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, chamando-os de “projeto de poder do vale-tudo” e protagonista do “mais perverso aparelhamento da máquina pública”. Segundo Aécio, “o maior programa de distribuição de renda não é o Bolsa Família, é o Plano Real”.

No final do evento, quando Aécio lutava para ultrapassar uma pequena multidão que se interpunha entre ele e o carro que o aguardava à saída, uma militante se aproximou e entregou-lhe uma réstia com várias cabeças de alho e um crucifixo, dizendo: “Um presente para te proteger do José Serra”. Dando muita risada, Aécio respondeu: “José é aliado. Isso aqui vai proteger contra os adversários”.

Extraído do sítio Rede Brasil Atual

18 outubro 2012

A FOLHA E O TUCANATO ABANDONARAM JOSÉ SERRA? - Igor Ojeda


São Paulo - Duas matérias veiculadas pela Folha de S. Paulo nesta quinta-feira (18) chamam a atenção por apontarem uma possível mudança da postura do jornal paulista e de figurões do PSDB em relação à candidatura do tucano José Serra à prefeitura de São Paulo.

Uma delas, de meia página, denuncia que integrantes do Movimento dos Sem-Teto do Ipiranga (MSTI) que participam de eventos do candidato ganham pontos em um ranking interno da organização, que serve de parâmetro para definir os beneficiados por programas de moradia popular. 

Desde o início da campanha para o segundo turno, foi a primeira reportagem da Folha de S. Paulo de cunho claramente negativo à candidatura Serra. Apesar de se autointitular “plural” e “apartidário”, o jornal paulista sempre foi conhecido no meio jornalístico pela relação bastante próxima de sua diretoria com José Serra e tucanos mais “liberais” no que diz respeito aos valores morais. 

O primeiro indício dessa possível mudança de postura da Folha de S. Paulo foi o editorial “Kit evangélico”, de 13 de outubro. No texto, o jornal critica os rumos tomados pela campanha de José Serra, que já teriam ultrapassado o ponto de não retorno. “Na corrida presidencial de 2010, ao explorar contradição da petista Dilma Rousseff – que se dizia favorável à descriminalização do aborto, mas recuou na campanha de maneira oportunista –, Serra já havia selado uma aliança com o conservadorismo evangélico. Sua atual peregrinação por templos e a aceitação graciosa de apoiadores que flertam com a intolerância indicam um caminho sem volta.” 

De acordo com o editorial, é impossível para o tucano querer se fazer passar como uma liderança moderna ao mesmo tempo em que adota o discurso conservador.

Dois dias depois, o site da Folha veiculou a informação de que, quando governador do estado, Serra havia distribuído em escolas paulistas material de conteúdo muito parecido ao do kit do MEC. O tucano negou a semelhança e acusou a reportagem de ter “o dedo do Zé Dirceu”.

A outra matéria da Folha de S. Paulo desta quinta-feira que chama a atenção vai ao encontro das preocupações explicitadas pelo próprio jornal paulista no editorial de cinco dias atrás. Traz a informação de que o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso estaria criticando “duramente” a campanha de Serra por causa de sua aliança com setores ultraconservadores – o pastor Silas Malafaia à frente – em torno dos ataques ao kit anti-homofobia produzido pelo Ministério da Educação (MEC) durante a gestão de Fernando Haddad. De acordo com o texto, FHC estaria alertando aliados sobre o risco de o tucano sair da eleição rotulado de conservador. A estratégia eleitoral de Serra vem contrariando também nomes como Alberto Goldman, ex-governador de São Paulo, e José Gregori, ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique.

Segundo o jornal digital Brasil 247, a movimentação de FHC estaria vinculada à certeza, por parte de quadros tucanos, de que José Serra será derrotado em 28 de outubro. O ex-presidente, o senador Aécio Neves, o atual governador paulista Geraldo Alckmin e o candidato a prefeito de Manaus Arthur Virgílio estariam articulando o “sepultamento político” do ex-ministro da Saúde, que seria excluído do núcleo duro tucano. Segundo o Brasil 247, os figurões do PSDB estão preocupados com uma possível guinada ideológica do partido, de origem social-democrata, em direção ao espectro ultraconservador.

Nos últimos anos Serra vem acumulando inúmeras tensões com outras alas do partido – em especial, as comandadas por Aécio e Alckmin –, que o veem como uma figura extremamente autoritária e personalista. Seu ostracismo político serviria para fazer a agremiação se revigorar. Estaria a Folha de S. Paulo fazendo a mesma aposta?

Extraído do sítio Carta Maior

02 setembro 2012

A HERANÇA MALDITA - Emir Sader

O governo Lula recebeu uma herança maldita do governo FHC, refletida numa profunda e prolongada recessão, no desmonte do Estado, na multiplicação por 11 da dívida pública, no descontrole inflacionário. O controle da inflação jogou-a para baixo do tapete: transferiu-a para essa multiplicação da dívida pública.

O povo entendeu, rejeitou FHC e derrotou os seus candidatos: Serra duas vezes e Alckmin. Isso é história, tanto no sentido que é verdade incorporada à história do Brasil, como história porque o governo Lula, com grande esforços, superou a recessão profunda e prolongada herdada e conduziu o Brasil ao ciclo expansivo que dura até hoje.

Para não aguçar o clima de instabilidade que a direita pretendia impor no começo do seu governo, Lula preferiu não fazer o dossiê do governo FHC, que incluísse tudo o que foi mencionado, mais os escândalos das privatizações, da compra de votos para a reeleição, da tentativa de privatização da Petrobras, entre outros.

Não por acaso FHC é o político mais repudiado pelos brasileiros. Já na eleição de 2002, Serra tratou de distanciar-se do FHC. Em 2006, as privatizações, colocadas como tema central no segundo turno, levaram a uma derrota acachapante do Alckmin. Em 2010, de novo o Serra nem mencionou FHC, tentou aparecer como o melhor continuador do governo Lula, para a desmoralização definitiva do governo FHC.

Ao lado disso, economistas da ultra esquerda esposaram a bizarra tese de que não havia herança maldita, que o governo Lula era continuidade do governo FHC, que mantinha o modelo neoliberal. Além de se chocarem com a realidade das transformações econômicas e sociais do país, foram derrotados politicamente pelo total falta de apoio a essas teses no final do governo Lula, quando o candidato que defendeu essas posições, apesar de toda a exposição midiática, teve 1% dos votos.

FHC não ouve ninguém, despreza os que o cercam, mas sofre da teoria da dependência da dor de cotovelo. Dedica as pouco claras forças mentais que lhe restam para atacar o Lula, cujo sucesso – espelhada no apoio de 69,8% dos brasileiros que querem Lula de volta como presidente em 2014 e nenhuma pesquisa sequer faz a mesma consulta sobre o FHC, para não espezinha-lo ainda mais – fere seu orgulho à morte.

Esses amigos tentam convencê-lo a não escrever mais, a não se expor ainda mais à execração publica – com efeitos diminutos, porque ele não ouve, seu orgulho ferido é o maior dos sentimentos que ele tem, mas também porque ninguém lê seus artigos – a se retirar definitivamente da vida pública. Cada vez que ele se pronuncia, aumentam os apoio ao Lula e à Dilma.

A historia diz, inequivocamente, que o Lula é um triunfador e FHC um perdedor. Isso a direita e seu segmento midiático não perdoam, mas é uma batalha perdida para todos eles.

Extraído do sítio Carta Maior

29 agosto 2012

À CPMI, PAULO PRETO PERGUNTA POR TUCANOS "DE ALTA PLUMAGEM" QUE O ACUSARAM

Ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, falou aos parlamentares na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, nesta quarta-feira. O depoente ficou conhecido nas eleições presidenciais de 2010 com o envolvimento em denúncias de desvio de verbas públicas na direção da empresa pública responsável pela construção de parte do Rodoanel, no Estado de São Paulo, e o sumiço de cerca de R$ 4 milhões da campanha do então candidato à Presidência da República, José Serra.

O nome de Paulo Preto surgiu após declarações de Pagot à revista IstoÉ de que parte das verbas destinadas às obras do Rodoanel teria sido direcionada para uso na campanha eleitoral de Serra e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB. O contrato mencionado foi celebrado entre o Dnit e a Departamento de Obras Rodoviárias de São Paulo (Dersa), então comandada por Paulo Preto. À CPMI, no entanto, Pagot disse ter sido mal interpretado pela revista. Ele sustentou que houve pressão para aprovar mais recursos para obra, mas que não se pode provar que o valor seria usado em campanhas.

Segundo a revista, na sua edição de agosto de 2010, Paulo Preto foi acusado por líderes do PSDB de ter arrecadado dinheiro de empresários em nome do partido e não entregá-lo para o caixa da campanha. Segundo os líderes tucanos José Gregori e Sérgio Freitas, em entrevista à publicação semanal, as únicas pessoas autorizadas a atuar em nome do partido na arrecadação são o José Gregori e o Sérgio Freitas”, afirma o ex-ministro Eduardo Jorge, vice-presidente nacional do PSDB.

– Não podemos calcular exatamente quanto o Paulo Preto conseguiu arrecadar. Sabemos que foi no mínimo R$ 4 milhões, obtidos principalmente com grandes empreiteiras, e que esse dinheiro está fazendo falta nas campanhas regionais – confirmou à publicação “um ex-secretário do governo paulista que ocupa lugar estratégico na campanha de José Serra à Presidência”.

Paulo Preto, na CPMI, criticou “a ingratidão humana” e reclamou que foi “demitido após entregar as oito maiores obras deste país”, após o mal estar causado junto à cúpula tucana.

– O (José) Aníbal (ex-líder do PSDB na Câmara) disse q eu fugi… Nunca saí de São Paulo – contrapôs Paulo Preto, antes de seguir para o ataque e acusar a “alta plumagem, que eu sei onde está, mas não aparece aqui. Eu estou aqui…”.

Ele acrescentou que move, hoje, sete processos criminais e nove por danos morais (dos quais já ganhou cinco em segunda instância), dois deles contra a revista IstoÉ.

– Não tenho medo de absolutamente nada – disse ele, ressaltando que abriu seu sigilo bancário por iniciativa própria. Afirmou também que as revistas IstoÉ, Época e Carta Capital fizeram matérias mentirosas e estão sendo processadas. Ele também negou denúncia publicada em 2010 pela imprensa de que havia “desaparecido” com R$ 4 milhões destinados à campanha de José Serra. Ele desafiou alguém a comprovar a denúncia e disse que gostaria de saber quem é seu inimigo (que teria inventado essa história).

“Segundo dois dirigentes do primeiro escalão do partido, o engenheiro arrecadou ‘antes e depois de definidos os candidatos tucanos às sucessões nacional e estadual’. Os R$ 4 milhões seriam referentes apenas ao valor arrecadado antes do lançamento oficial das candidaturas, o que impede que a dinheirama seja declarada, tanto pelo partido como pelos doadores. ‘Essa arrecadação foi puramente pessoal. Mas só faz isso quem tem poder de interferir em alguma coisa. Poder, infelizmente, ele tinha. Às vezes, os governantes delegam poder para as pessoas erradas’, afirmou à IstoÉ Evandro Losacco, membro da Executiva do PSDB e tesoureiro-adjunto do partido”, lembrou a revista, ainda em 2010. Na época, Paulo Preto afirmou aos dirigentes tucanos que “não se deixa um líder ferido na estrada. Não cometam esse erro”, e voltou ao assunto.

– O Senado do meu país está dando ao ‘líder ferido’ o direito de comprovar. Não saio desta Casa sem entregar todos os documentos comprobatórios do que eu falar – disse, acrescentando que pediu a Deus para falar na CPMI, para se defender.

Ele disse que foi uma ingratidão ter sido demitido oito dias depois de entregar “as três maiores obras deste País” em 34 meses, em referência ao Rodoanel, à revitalização da Marginal Tietê e de outras rodovias da capital paulista.

– A infraestrutura do governo Serra, no que diz respeito a rodovias, eu era o gestor. Pessoas que nunca me viram, nunca me cumprimentaram, nunca estenderam a mão a mim, colocaram essa matéria na revista IstoÉ – afirmou Paulo Preto, em resposta às dúvidas do relator da CPMI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG)

Segundo a revista IstoÉ, Paulo Preto seria um “falastrão, contava vantagens aos companheiros e nos corredores do Palácio dos Bandeirantes. Prometia mundos e fundos num futuro governo Aloysio. E quando Aloysio deixou a Casa Civil de Serra, muitos passaram a torcer por sua exoneração, o que aconteceu sob a batuta do governador Alberto Goldman”. Aloysio, atualmente, integra uma das facções internas do PSDB que se opôs à candidatura de Serra à prefeitura de São Paulo, mas foi derrotado nas prévias realizadas pela agremiação partidária.

Extraído do sítio Correio do Brasil

19 agosto 2012

A JOGADA POR TRÁS DA ENTREVISTA DE ALCKMIN À FOLHA - José Dirceu

http://sul21.com.br/jornal/2012/01/hals-125/
O que deu na seara tucana de voltar a insinuar, agora, que o governador Geraldo Alckmin (PSDB), é de novo candidato a presidente, em 2014, depois de ter concorrido ao Palácio do Planalto em 2006 e ter sido derrotado pelo presidente Lula?

Só pode haver uma explicação já que vi toda a entrevista dele à Folha de S.Paulo (publicada 6ª feira) e o Geraldinho não afirmou nem uma vez que será candidato: uma bela e armada jogada, já que José Serra, agora, apressou-se em dizer que o apóia e assim ficará os quatro anos na prefeitura. Pelo menos é o que José quer, mais uma vez, passar ao eleitor.

Para ele, pode valer a tentativa. Mas um problema é que não adianta, o eleitor não acredita. Ainda ontem, quando andou em trem de subúrbio - e foi aconselhado a andar no horário de rush, pra ver quando o bicho pega - José foi interrogado por um eleitor: "quer se eleger para abandonar de novo a Prefeitura?".

Ninguém acredita em José e nada indica que ele vá ganhar

Outro problema é que nada indica que José vá ganhar este ano. Pelo contrário, ele continua em queda nas pesquisas, como demonstrou o IBOPE da última 6ª feira. Subir mesmo só sua taxa de rejeição que chegou a 37%.

Assim, salvo a jogada para José Serra sair rapidamente apoiando a candidatura presidencial de Alckmin em 2014 na tentativa de passar aos eleitores que caso se elegesse ficaria quatro anos na prefeitura, o resto é pura encenação.

Oposição e tucanos falavam no governador tucano de Goiás, Marconi Perillo como presidenciável em 2014, o que virou um acinte agora, depois de provada a ligação de todo o governo do PSDB goiano com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Beto Richa, Antônio Anastasia? Não, Aécio ou Serra

Já falar sobre o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB) como presidencial tucano em 2014, como fez Alckmin na entrevista, nem vale a pena comentar. Idem para sua referência ao governador de Minas, Antônio Anastasia. Do jeito que a coisa está e pelo andar da carruagem, Anastásia nem o sucessor deve fazer...

Assim, o candidato da oposição em 2014 ao Planalto será o senador Aécio Neves (PSDB-MG) - que quem "plantou" a notícia na Folha não se esquece de dizer que "não empolga os tucanos" - ou José Serra pela 3ª vez (foi e perdeu em 2002 e em 2010). No caso deste, mesmo que tenha de sair por outro partido, dependendo da conjuntura de 2014.

Assim, por mais voltas que Alckmin tenha dado na entrevista à Folha e que os desdobramentos desta também tenham dado, o objetivo queiram ou não é o de ajudar José Serra. Que rapidamente já afirmou que apoia Alckmin e portanto fica na prefeitura. Em outras palavras, correu para obter os dividendos políticos que se propunha com a entrevista.

Extraído do Blog do José Dirceu

18 agosto 2012

PARTE DO PSDB NÃO ACREDITA QUE JOSÉ SERRA VENÇA EM SÃO PAULO: BOLINHA DE PAPEL E USO DA RELIGIÃO AJUDARAM A DESTRUÍ-LO COMO POLÍTICO - Glauco Cortez


As últimas notícias mostram que José Serra deverá ter uma grande derrota nas próximas eleições para a prefeitura de São Paulo, o que o deixará de fora das próximas eleições para presidente e perderá poder político dentro do partido.

Isso parece ser evidente dentro do próprio partido. Diretório do PSDB da capital paulista já apoia outro candidato e o próprio Ackmin, governador de São Paulo, já ensaia lançar seu nome como candidato a presidência em 2014.

O alto índice de rejeição de José Serra pode ser atribuído em grande parte por sua campanha horrenda nas últimas eleições presidenciais, na qual perdeu toda a noção de bom senso para conquistar votos. Isso teve um efeito reverso.

Dois fatos são importantíssimos na análise de Serra. O primeiro foi o evento da bolinha de papel que atingiu sua cabeça, sem qualquer gravidade e, mesmo assim, ele simulou uma espécie de atentado, fazendo um show com o apoio da Rede Globo. Ao ser desmascarado, provocou repulsa da população.

Outro fato é uma espécie de mito entre os políticos. Eles acreditam, por acontecimentos já históricos, que a falta de religiosidade pode prejudicar o candidato. Isso é verdade. Mas Serra parece provar que o excesso de participação religiosa também pode ter efeito negativo. Serra, já na eleição presidencial, transformou o discurso religioso em discurso político, misturando palanque e altar. Há muitas religiões no Brasil e com diferentes posicionamentos. A atitude de Serra evidenciou uma grande falsidade espiritual. Ou seja, a população desconfiou que ele abusou de temas religiosos para conseguir votos.

As últimas pesquisas para a prefeitura mostram estagnação de sua candidatura com crescimento da rejeição. Além disso, há Celso Russomanno com boa votação e com o mesmo perfil eleitoral de Serra. Fernando Haddad, do PT, já começa a despontar na disputa como terceiro colocado e sem a presença ainda forte de Lula na campanha. 

Parece que parte do PSDB e Alckmin já entendam.

Extraído do sítio Educação Política

24 julho 2012

JOSÉ SERRA É O MAIS NOVO ALVO DA CPMI DO CACHOEIRA - Najla Passos

O candidato pelo PSDB à prefeitura de São Paulo recebeu uma doação milionária da esposa de um empreiteiro com histórico de prática de corrupção e envolvimento com a Delta, empresa apontada como braço da organização criminosa do contraventor Carlinhos Cachoeira. Outros tucanos também estão na berlinda. Há novas denúncias contra o governador de Goiás, Marconi Perillo, e a recomendação da abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Carlos Leréia.


Brasília - O candidato pelo PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, é o mais novo alvo das investigações da CPMI do Cachoeira. Candidato à presidência da república em 2010, ele recebeu uma doação milionária de Ana Maria Baeta Valadares Gontijo, esposa de José Celso Gontijo, acusado de participar do esquema criminoso do contraventor. 

Gontijo é aquele empreiteiro flagrado em vídeo, em 2009, pagando propina para o chamado “mensalão do DEM”, durante o governo do também tucano José Arruda no Distrito Federal. E, nas conversas interceptadas pela Polícia Federal entre membros da quadrilha de Cachoeira, é apontado como o responsável pela entrada da Construtora Delta no Distrito Federal. 

A doação de Ana Maria chamou a atenção da Receita Federal pelo valor recorde: R$ 8,2 milhões. Como a legislação eleitoral só permite que uma pessoa física doe 10% dos seus rendimentos anuais, ela precisaria ter recebido R$ 7 milhões por mês durante 2009. Algo, no mínimo, incomum. Na semana passada, os membros da CPMI já aprovaram a convocação de Gontijo e a do ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish. E também a de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-captador de recursos da campanha de José Serra. 

O deputado Dr. Rosinha (PT-PR), membro da CPMI, acha provável que as investigações sobre o esquema de Cachoeira cheguem ao PSDB nacional. E, segundo ele, nem por mera vontade ou mesmo mérito da CPMI. “Agora surgiu esta possível conexão com o Paulo Petro. E os documentos apareceram sem que nós os tivéssemos buscado”, afirma, se referindo à doação que surpreendeu à Receita. 

Foi Paulo Preto quem assinou a maior parte dos contratos do governo de São Paulo com a Delta, durante as gestões de Geraldo Alkmin e Serra, que totalizam quase R$ 1 bilhão.

Tucanos na berlinda

José Serra não é o único tucano na berlinda. Situação ainda mais incômoda é a do governador de Goiás, Marconi Perillo. Ele não conseguir explicar à CPMI porque Cachoeira foi preso na mansão que vendera poucos meses antes e não convenceu os parlamentares de que sua campanha não foi financiada com o caixa 2 de empresas ligadas à quadrilha.

Agora, para agravar a situação, é acusado de receber propina para liberar pagamentos devidos pelo governo à Delta, construtora ligada à organização criminosa. Conforme as denúncias, o dinheiro teria sido liberado via a venda da sua casa à Cachoeira. “A situação do Perillo está realmente complicada”, avalia Rosinha. 

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) já pediu a reconvocação do governador para depor. No requerimento, ele alega que a venda da casa teria sido feita com sobrepreço de R$ 500, em troca do pagamento de uma dívida de R$ 8,5 milhões do governo com a empreiteira. Em coletiva, na tarde desta quarta (18), o presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) disse que o assunto só será definido em meados de agosto, após o recesso parlamentar. E rebateu as críticas do PSDB de que a convocação atendia a interesses eleitoreiros. 

Outro tucano sob a mira da CPMI é o deputado Carlos Leréia (GO), flagrado em ligações comprometedoras com a quadrilha. A corregedoria já recomendou a abertura de processo contra ele por quebra de decoro parlamentar. Segundo o relator da representação, deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), há indícios de uma relação muito próxima entre Leréia e Cachoeira, que estava tentando exercer influência no governo de Goiás por meio do deputado.

Extraído do sítio Carta Maior

04 julho 2012

A PELEJA ENTRE ALCKMIN E SERRA DE OLHO EM 2014 - Ricardo Kotscho

Imagem: Marcello Casal Jr/ABr
O parto da indicação do vice de José Serra foi apenas mais um lance na peleja disputada pelo ex-governador tucano com Geraldo Alckmin, o atual governador - os dois com um olho nas eleições de 2014 e o outro nas sequelas da última disputa municipal paulistana, em 2008.

Estava tudo mais ou menos previsto desde que Serra decidiu se lançar candidato a prefeito de São Paulo pela quarta vez, depois de negar mil vezes esta possibilidade.

Para entender as dificuldades mais uma vez encontradas na formação da chapa liderada pelos tucanos é preciso recuar um pouco no tempo.

Em 2008, quando era governador, Serra rifou a candidatura de Geraldo Alckmin a prefeito, e apoiou Gilberto Kassab, que era do DEM, seu parceiro preferido. Alckmin não foi nem para o segundo turno e pegou bronca da dupla Serra & Kassab, o vencedor de 2008.

Agora, a situação se inverteu. O discreto Akckmin, que não esquece e não perdoa as traições, sem nunca dar muita bandeira sobre o que está sentindo, não tinha como impedir a candidatura de Serra em 2012, até por falta de outro nome viável no PSDB, mas queria pelo menos definir o nome do vice.

No começo do ano, antes do "sim" de Serra, enquanto se dedicava à formação do seu novo partido, o PSD, para o qual levou vários tucanos desgarrados - entre eles, Alexandre Schneider, agora confirmado como candidato a vice-prefeito -, Gilberto Kassab chegou a propor uma aliança ao PT de Lula.

Alckmin ficou assistindo de longe e em silêncio a esta dança de Serra e Kassab, esperando a hora de dar o troco. A ala tucana que o apóia resolveu então defender uma chapa tucana puro-sangue, descartando qualquer indicação feita pelo partido do atual prefeito.

Afinal, quem pode garantir que, desta vez, Serra, caso eleito, vá cumprir até o final o mandato de prefeito e não queira dar um salto mais alto já em 2014? Em princípio, Alckmin gostaria de ser candidato à reeleição como governador, com o apoio de Serra, mas não se pode descartar seu nome desde já da lista dos presidenciáveis tucanos.

A lista, por enquanto, tem apenas o nome do senador mineiro Aécio Neves, declarado candidato "natural" do PSDB por Fernando Henrique Cardoso, pelo presidente do partido, Sérgio Guerra, e por outros tucanos de bico grande. Aécio, no entanto, até agora não assumiu o papel, com uma atuação bastante discreta no Senado, sem arriscar vôos mais federais.

Pode parecer confuso este tabuleiro, mas o jogo é complicado mesmo. Prefeitura, governo estadual e Presidência da República: para Serra, Alckmin e Kassab, cada movimento pode influir no próximo, um está intimamente ligado ao outro.

Ao mesmo tempo em que apóia seu amigo Serra em São Paulo, Gilberto Kassab tenta viabilizar sua candidatura ao governo do Estado, em 2014. Para isso, anda fazendo alianças do PSD com o PT em importantes cidades paulistas.

Ao ser contemplado esta semana pelo Supremo Tribunal Federal com um bom tempo de TV e grana gorda do fundo partidário, o PSD do prefeito Gilberto Kassab ganhou força para impor o nome de Alexandre Schneider, ex-secretário municipal de saúde, escalado no sábado como vice da chapa de José Serra.

Repete-se, assim, a dobradinha que Serra e Kassab formaram em 2004. Um ano e três meses depois, o prefeito Serra abandonaria o cargo para disputar o governo do Estado, deixando em seu lugar Gilberto Kassab, que se reelegeria com o apoio do então governador.

Os alckmistas, mais uma vez perdedores na queda de braço com a dupla, esperam não ver o mesmo filme de novo em 2014. O desfecho da história é imprevisível.


Extraído do blog Balaio do Kotscho