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11 março 2013

SANEAMENTO BÁSICO AINDA É MOTIVO DE MORTE NO BRASIL - Dal Marcondes

Em meio à falta de saneamento, moradores equilibram-se em “ruas” de madeira para chegar a suas casas em Altamira (PA), onde está sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte. Foto: Valter Campanato/ABr

Ananindeua, um município próximo a Belém, tão próximo que parece um bairro, registrou em 2011 o alarmante número de 904 internações por diarreia para cada 100 mil habitantes. Em 2012 a cidade conseguiu bater seu recorde entre os 100 maiores municípios brasileiros e marcou 1210 pessoas internadas com doenças causadoras de diarreias. Na outra ponta, das menores ocorrências de doenças com diarreia, ficou em 2011 a cidade paulista de Taubaté, com 1,4 internação para cada 100 mil habitantes. O caso de Ananindeua chama a atenção porque o município que vem logo em seguida, Belford Roxo (RJ), registrou em 2011 menos da metade dos casos, 399,4 internações para cada 100 mil habitantes. Esses dados foram levantados pela organização não governamental Instituto Trata Brasil, que monitora o saneamento básico no Brasil.

Dados da Organização Mundial de Saúde apontam que 88% das mortes por diarreia no mundo são causadas pelo saneamento inadequado, enquanto a Unicef demonstra que essa é a segunda maior causa de mortes entre crianças de 0 a 5 anos e se estima que a cada ano 1,5 milhão de crianças nessa idade morram em todo o mundo vítimas de doenças diarreicas. O estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil (em PDF), divulgado no final de fevereiro, procura, por meio de dados do Sistema Único de Saúde (SUS), medir o impacto sobre a saúde da população exposta ao saneamento básico inadequado nos 100 maiores municípios brasileiros. O estudo levantou dados de 2008 a 2011, em alguns casos 2012, e demonstrou que em quase metade dos municípios (49%) existe apenas uma oscilação nos números de internações, sem apresentar nenhuma tendência clara de melhora no indicador. Em 2011, 396.048 pessoas deram entrada no SUS com doenças diarreicas, sendo que 54.399 vivem nos 100 maiores municípios do país.

De todas as internações, cerca de metade são crianças de 0 a 5 anos, justamente a faixa etária mais fragilizada pela falta de saneamento básico, sendo que em algumas cidades essa taxa chega a mais de 70%, como é o caso de Duque de Caxias (RJ), Juazeiro do Norte (CE), Macapá (AP), Feira de Santana (BA), Belém (PA), Porto Velho (RO) e Manaus (AM).

Dados de 2011 apontam que os gastos do SUS com internações por diarreia foram de 140 milhões de reais e os municípios que mais gastaram foram justamente aqueles com piores indicadores de saúde e de saneamento básico. Enquanto em Ananindeua o gasto total por 100 mil habitantes foi de 314,4 mil reais, na cidade de Taubaté o gasto foi 721 reais para a mesma população.

Dados do Sistema Nacional de Informações de Saneamento (SNIS) mostram que são poucas as cidades, entre as 100 maiores do país, que podem ostentar a marca de 100% de seus esgotos coletados (o que não significa tratados). São elas Santos, Piracicaba, Jundiaí e Franca, no estado de São Paulo, e a capital mineira, Belo Horizonte.

Esses números reforçam a urgência de aplicação dos recursos previstos para saneamento básico em todo o Brasil. Existem políticas e planos nacionais para a gestão de recursos hídricos e saneamento, sem, no entanto, haver um esforço concentrado na aplicação em obras que possam reverter este quadro de desastre vivido pela população, principalmente das áreas mais pobres do país.

Às vésperas de mais um Dia Mundial da Água, que é comemorado em 22 de março, o Brasil pouco tem a comemorar. Nas grandes cidades a questão do abastecimento de água é cada vez mais complexa, com as empresas de água tendo de buscar o recurso em mananciais cada vez mais distantes, justamente pela falta do saneamento e do tratamento de esgotos, que coloca os rios das regiões mais habitadas entre os mais poluídos do mundo.

É hora de se entender que a água limpa e o saneamento básico são indicadores de desenvolvimento muito mais importantes do que o Produto Interno Bruto.

Extraído do sítio Revista CartaCapital

30 novembro 2012

À ESPERA DA COLETA SELETIVA E DO FIM DOS LIXÕES NO PAÍS - Cristina Ribeiro de Carvalho

Fábio Cidrin: catadores criam alternativas para os municípios

Pesquisa constata que grande parte da população desconhece o serviço que vai substituir os depósitos atuais de lixo.

A menos de dois anos do prazo final para a implementação da coleta seletiva e o fim dos lixões em todo o país, a maioria da população ainda não conta com o serviço. As informações são apontadas por pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) para o Programa Água Brasil, do Banco do Brasil, divulgada ontem na abertura da Expocatadores 2012, no ExpoCenter Norte.

O estudo, que foi apresentado pelo WWF/Brasil - organização não governamental dedicada à conservação da natureza - revela que ainda que 50% das pessoas consultadas afirmam que acreditam que a coleta seletiva é feita totalmente pelas prefeituras, mostram desconhecer o trabalho dos catadores.

O coordenador do programa Educação para Sociedade Sustentável da WWF, Fábio Cidrin, aponta que além dessas informações há outras que indicam que é preciso criar meios para que a responsabilidade nesse sentido seja feita de forma compartilhada em todo o ciclo de vida do produto. "Esse trabalho compartilhado, que fala da atuação conjunta do fabricante, a empresa que utiliza as embalagens, prefeitura e o consumidor final já é previsto na lei de resíduos sólidos", explica.

Apesar de fazer essa observação, Cidrin conta que a pesquisa indica que a população brasileira tem vontade de participar da coleta seletiva, mas sem disposição de pagar por ela. "Esse é um dos fatores que leva a essa falta de sinergia", revela.

Ele destaca, contudo, que o trabalho dos agentes catadores só tende a ajudar nos custos, já que cada tonelada de lixo reciclável coletado por essas pessoas deixa de ser custo para a prefeitura.

"A inserção desses agentes nesse trabalho, tem sobretudo um efeito social, como a geração de renda para as famílias que atuam nessa frente", diz.

Cidrin argumenta ainda que colocar em prática 100% a nova política de resíduos sólidos é ainda um desafio a ser conquistado até 2014.

A propagação da educação ambiental, segundo ele, é uma das ações que tendem a colaborar para que esse objetivo seja conquistado em sua plenitude. "Mas, para isso é preciso é preciso que haja uma ação concentrada sociedade civil organizada atuando por meio de ONGs", diz, explicando que esse papel não é de caráter exclusivo das escolas, mas de todos os agentes que compõe a sociedade. "E a política de resíduos sólidos tem justamente o papel de dar respaldo para essa ação". 

O presidente Associação Nacional dos Carroceiros e Catadores de Materiais Recicláveis, Roberto Laureano da Rocha, um dos responsáveis por organizar a feira, complementa os argumentos de Cidrin. "Nosso objetivo na feira é o de fortalecer o trabalho dos catadores, trazendo alternativas para os municípios e redução dos custos com o tratamento de resíduos. Isso acontece com a inserção desses agentes nessa frente", aponta. 

A Expocatadores 2012 acontece até amanhã e conta com a participação de dezenas de países, além de apresentar empresas fornecedoras de tecnologias de equipamentos voltadas para esse fim. "Vamos ter a experiência de vários países da America Latina e da África, que já atuam nessa frente", completa.

Carlos Militelli, diretor da EPS, organizadora da Expocatadores, conta que para que a feira fosse viabilizada, foi adotada a venda de estandes e o patrocínio diferenciado de empresas que não atuam com reciclagem como a Heineken. 

"Ela entra patrocinando um artista plástico que trabalha com vidro reciclável e cria uma escultura com garrafas da empresa. O mesmo acontece com a empresa de informática, que patrocina artista que faz escultura com este tipo de lixo e outros matérias recicláveis", explica.

Extraído do sítio Brasil Econômico

23 agosto 2012

NOVOS PREFEITOS COMEÇARÃO MANDATOS COM TAREFA DE CONCLUIR PLANO DE SANEAMENTO BÁSICO PARA NÃO PERDER RECURSOS - Marli Moreira

São Paulo – A maioria dos prefeitos que vão iniciar o seu mandato a partir do próximo ano terá de agir muito rápido na elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico, sob pena de ver minguar os recursos para o setor.


Por força da Lei 11.445 de 2007 e do decreto 7.217 de 2010, a partir de janeiro de 2014, deixarão de receber recursos da União para a área de saneamento, as cidades brasileiras que não tiverem apresentado um esboço dos serviços necessários de coleta e tratamento de esgoto, bem como os relacionados à distribuição de água potável e de escoamento pluvial (chuvas).

Levantamento divulgado hoje (22) pela Associação Brasileira de Agências de Regulação (Abar) indica que, embora a adesão à nova exigência tenha crescido, em 2012, 42% em comparação com 2011, apenas 11% dos municípios do país apresentaram os seus planos, ou 592 cidades, até o encerramento do primeiro semestre.

A maioria, 69% dessas localidades, concentra-se nos estados de São Paulo e Santa Catarina. Já os sistemas regulados aumentaram 19%, passando de 1.896 cidades para 2.296. No entanto, os órgãos reguladores estão presentes em menos da metade do país, ou em 41,3% dos municípios.

Para o presidente da Abar, José Luiz Lins dos Santos, a regulação dos serviços é essencial para dar proteção aos usuários porque caberá a esses órgãos avaliar a determinação da tarifa e averiguar os investimentos. Segundo ele, as agências reguladoras estão presentes em 18 estados e no Distrito Federal.

Manifestando-se esperançoso de que as novas regras venham a trazer melhorias no setor de saneamento básico, Santos alertou ser necessário um trabalho de parceria entre os governos federal e municipal. “Se o governo não tiver projetos de ajuda para fazer os planejamentos e impor apenas uma obrigação feroz, os objetivos podem não ser alcançados”, ponderou.

O vice-presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Newton Azevedo, lembrou que, para o Brasil atingir a meta de universalização dos serviços de saneamento básico até 2030, seriam necessários investimentos anuais em torno de R$ 17 bilhões. Segundo informou, porém, nos últimos anos, o montante tem-se limitado a 30% desse valor, mesmo com os aumentos dos recursos destinados ao setor por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Azevedo defendeu que os investimentos em infraestrutura sejam duplicados, passando de uma proporção hoje em 2,6% para 5% ou 6% do Produto Interno Bruto (PIB).

Extraído do sítio Agência Brasil

05 julho 2012

RÚSSIA: PROBLEMA DOS LIXÕES É MONTANHOSO - Jennifer Rankin

Com crescimento econômico do país, cidadãos russos estão produzindo cada vez mais lixo. Aterros sanitários crescem rapidamente e depósitos ilegais surgem por todo o país, danificando florestas e plantações agrícolas.

Foto: TASS

A Rússia recebeu um alerta de que precisará dobrar a capacidade de seus aterros sanitários até 2025 se a tendência atual de produção continuar no mesmo ritmo. 

Um relatório da Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla em inglês) do Banco Mundial, publicado há uma semana, pede que as autoridades reduzam em 45% a quantidade de resíduos depositados em aterros sanitários, combinando reciclagem e “recuperação de energia”, isto é, o uso de lixo como combustível.

“A Russia está produzindo uma quantidade excessiva de lixo”, diz Aleksandr Larionov, principal autor do relatório e funcionário de operações no Programa de Produção Mais Limpa da Rússia, promovido pelo IFC.

“Esses enormes volumes acabam indo parar em lixões a céu aberto, que poluem o solo, destroem o habitat, contaminam lençóis freáticos e geram doenças infecciosas. Um número cada vez maior de regiões está começando a vivenciar esses problemas”, completa.

Em média, cada cidadão russo produziu 330 quilos de lixo em 2011, em comparação aos 200 quilos per capita em 2010, de acordo com dados do IFC. A expectativa da organização é que esse número salte para 500 quilos até 2025, elevando a Rússia à média europeia atual. 

Estimar o atual volume de negócios envolvendo a gestão de resíduos na Rússia é difícil devido às grandes diferenças de tarifas para recolhimento nas diversas regiões do país, afirma o IFC. No entanto, o mercado poderia valer U$ 2,5 bilhões se o governo aumentasse a reciclagem e a prática de recuperação de energia, estimam os analistas do IFC, embora seja necessário fazer um investimento prévio de 40 bilhões de euros para modernizar a decadente infraestrutura russa.

De acordo com o IFC, três de cada dez aterros russos não atende aos padrões sanitários oficiais. Paralelamente, até 70% da “infraestrutura de gestão de resíduos” – latas de lixo, contêineres, caminhões, estações de triagem e aterros sanitários – é obsoleta e precisa ser substituída. 

Grupos ambientalistas afirmam que o problema é subestimado. “A situação é catastrófica”, afirma Aleksêi Kiseliov, do Greenpeace. 

“Não concordo que [apenas] 30% dos aterros são inadequados. Eu diria que 99% deles estão em tais condições”, completa.

Os ativistas também estão preocupados com a quantidade excessiva de aterros ilegais que estão surgindo por todo o país.

Autoridades russas anunciaram em abril que, desde agosto do ano passado, encontraram 22.243 aterros ilegais, cobrindo uma área total de 8.728 hectares. 

Segundo os dados apresentados, 58% estavam em áreas de conservação de água, 15% em terrenos agrícolas e outros 15% em florestas. 

O Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais disse ter eliminado 61% desses depósitos ilegais e aplicado multas num valor total de 25 milhões de rublos. 

Políticas recicladas

Cerca de 95% do lixo acaba indo parar em aterros sanitários, de acordo com o relatório do IFC. O resto é incinerado ou reprocessado por um pequeno setor de reciclagem no interior do país, fora do controle das autoridades locais.

Com a aproximação russa dos hábitos de consumo da Europa Ocidental, o IFC espera que o país possa imitar também os níveis de reciclagem europeus.

O IFC está pedindo à Rússia que recupere 45% de seu lixo urbano até 2020, sobretudo por meio de reciclagem. O restante deve ser incinerado, gerando energia.

Grandes cidades como Moscou e São Petersburgo devem tentar recuperar 70% do lixo produzido, segundo o IFC, enquanto regiões menos povoadas da Sibéria e do Círculo Ártico poderiam reciclar apenas de 10% a 20% da produção local. 

Alcançar esse objetivo salvaria 200 milhões de toneladas métricas de lixo até 2025, estima o IFC, gerando combustível e evitando que o solo e matérias-primas sejam contaminados. 

Especialista em proteção ambiental no Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais, Nikolai Mefedev, diz que o relatório do IFC não levou em consideração as medidas que o governo está atualmente tomando para melhorar a situação. 

Entre elas, estão o fechamento de lixões e a revisão de uma lei sobre produção e consumo cujo objetivo é aperfeiçoar a gestão de resíduos, criando novas organizações autorregulatórias de gestão de lixo. 

Uma nova versão da lei foi aprovada em primeira leitura na semana passada e poderia entrar em vigor em 1˚ de agosto. 

“Hoje o país não possui infraestrutura para aumentar a reciclagem”, afirma Mefedev. 

Em dezembro, o então ministro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais, Iúri Trutnev, disse que os aterros sanitários poderiam continuar sendo o principal destino do lixo num futuro próximo.

“A reciclagem não gera lucros, e a Rússia não está pronta para fazer a separação do lixo”, afirmou Trutnev em uma coletiva.


Extraído do sítio Gazeta Russa

07 junho 2012

PESQUISA MOSTRA QUE PREOCUPAÇÃO DOS BRASILEIROS COM MEIO AMBIENTE CRESCEU

Pesquisa mostra que a quantidade de brasileiros que se preocupam com o meio ambiente, mais que dobrou de 2006 até hoje
Aproximadamente 13% dos brasileiros dizem ter preocupação com o meio ambiente, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo Ministério do Meio Ambiente. O percentual é mais do que o dobro do registrado há seis anos (6%).

De acordo com o levantamento, o meio ambiente está em sexto lugar na lista de preocupações dos brasileiros, ficando atrás de saúde/hospitais (81%), violência/criminalidade (65%), desemprego (34%), educação (32%) e políticos (23%). Há seis anos, o meio ambiente aparecia na 12ª colocação, à frente apenas de reforma agrária e dívida externa. Em 1992, ano da primeira pesquisa, o tema era sequer citado.

- Isso é resultado de um maior acesso à informação. Mas o meio ambiente também é visto como problema, e não como uma oportunidade – disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

O principal problema ambiental citado pelos brasileiros é, desde a primeira pesquisa, o desmatamento de florestas (neste ano, com 67%). Outros principais problemas são a poluição de rios e lagoas (47%), a poluição do ar (36%), o aumento do volume do lixo (28%), o desperdício de água (10%), a camada de ozônio (9%) e mudanças do clima (6%).

Também são citados como problemas: extinção de animais/plantas (6%), falta de saneamento (3%), poluição por fertilizantes (3%), consumo exagerado de sacolas plásticas (3%) e falta de conscientização ambiental da população (2%).

A pesquisa mostrou, no entanto, que as belezas naturais são o principal motivo de orgulho para os brasileiros. Aproximadamente 28% das pessoas dizem que o meio ambiente brasileiro é motivo de orgulho, à frente do desenvolvimento econômico (22%), das características da população (20%), do pacifismo (13%), da cultura (6%) e da qualidade de vida (1%).

Extraído do sítio Correio do Brasil

01 junho 2012

COM QUASE 3 MIL LIXÕES, BRASIL TEM URGÊNCIA EM IMPLANTAR ATERROS SANITÁRIOS ATÉ 2014

Alerta foi levantado durante debate promovido pela ESPM-SP focado na preparação de seus alunos para a cobertura da Rio+20. Por Redação Administradores.
www.administradores.com.br



Enquanto as atenções estão voltadas para as obras dos estádios, aeroportos e hotéis para a Copa de 2014, outra obrigação oficial, que deve ser cumprida nos próximos 18 meses, não merece a mesma vigilância das autoridades: a erradicação de 2.906 lixões distribuídos por 2.810 municípios e a construção de aterros sanitários sustentáveis, onde só poderão ser depositados detritos sem qualquer possibilidade de reciclagem. O alerta foi levantado durante debate promovido pela ESPM-SP focado na preparação de seus alunos para a cobertura da Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, programada para o Rio de Janeiro entre os dias 20 a 22 de junho.

Mediado pela professora Cynthia Ferrari, do Núcleo de Imagem e Som da ESPM, o encontro contou com apresentações de Estanislau Maria de Freitas Jr, coordenador de conteúdo do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, e Caco de Paula, publisher do Portal Planeta Sustentável. Para mostrar o grau de desatenção da sociedade com os problemas do ecossistema, Freitas lembrou que uma pesquisa dos institutos Akatu e Ethos revelou que 56% de 800 pessoas ouvidas, em seis regiões metropolitanas, nunca tinham ouvido falar em sustentabilidade. "Infelizmente ainda é um assunto abstrato e, portanto, mais difícil de ser compreendido pela sociedade", diz Freitas. Ele trouxe outros dados que revelam o desequilíbrio ambiental: 1/3 da produção de alimentos se perde por problemas de transporte, armazenamento e distribuição. Enquanto isso, um milhão de pessoas passam fome.

Caco de Paula, por sua vez, preferiu conduzir a conversa para os resultados que a Rio+20 pode gerar. Ele lembrou que terminada a Rio-92, primeira reunião da ONU que discutiu a sustentabilidade do planeta, a imprensa não poupou o evento e indicou o seu fracasso. "Só que é importante não esquecer que a Rio-92 serviu, entre outras coisas, para começar a alterar alguns importantes paradigmas; as questões ambientais, aos poucos, passaram a ser encaradas com menos voluntarismo e mais profissionalismo", exemplifica o executivo. A Rio+20 também deve abrir espaço para discussões cada vez mais conciliadoras entre as áreas de sustentabilidade das empresas, preocupadas com a imagem institucional, e os departamentos de marketing, focados nos resultados.

"No mundo de hoje, não há mais espaço para o empresário que pretende produzir sem olhar para a sustentabilidade do planeta", afirma Caco.

Extraído do sítio Instituto Akatu

CATADORES DE GRAMACHO COMEÇAM A RECEBER INDENIZAÇÃO COM O FIM DO ATERRO SANITÁRIO - Vladimir Platonow



Rio de Janeiro – A Caixa Econômica Federal começou a distribuir hoje (31) os cartões magnéticos que dão acesso ao saque de R$ 14.864,55 pagos a cada catador do Aterro Sanitário de Gramacho. O aterro será desativado no próximo domingo (3), depois de 35 anos de existência.

O dinheiro está sendo pago pela pela prefeitura do Rio, que será reembolsada pela empresa Novo Gramacho Energia Ambiental S.A, conforme previsto no contrato de concessão para exploração do gás metano produzido no aterro. O reembolso será feito em 15 parcelas anuais.

Gramacho é considerado o maior lixão da América Latina e se estende por uma área de 1,3 milhão de metros quadrados, à margem da Baía de Guanabara, e sempre apresentou um grande risco de desastre ambiental. Com o fechamento do aterro, o lixo produzido no Rio de Janeiro será todo levado para um centro de tratamento de resíduos no município vizinho de Seropédica.

Para receber o cartão magnético, cerca de 1,4 mil catadores aguardaram desde as primeiras horas da manhã em uma longa fila perto do Ciep Hermes Lima, no bairro Jardim Gramacho. Nitidamente ansiosos, eram liberados em pequenos grupos e, após terem seus nomes conferidos em uma lista, seguiam para dois caminhões-agência da Caixa, onde digitavam a senha para o cartão.

O gerente regional da Caixa, Thiago Blanc, disse que 70% dos catadores jamais haviam tido uma conta em banco. “O processo de inclusão bancária e a promoção da cidadania estão na missão da Caixa. É algo que nas grandes cidades se considera normal e até um adolescente já abre sua conta. Mas aqui temos casos de pessoas com até 80 anos que estão abrindo suas primeiras contas bancárias”, disse Blanc.

A catadora Gerusa Maria dos Santos, há 28 anos trabalhando em Gramacho, aguardava a vez para digitar a senha e ganhar seu cartão eletrônico. Uma novidade para ela, aos 62 anos de vida.

Apesar de avaliar positivamente a chance de receber o dinheiro, ela tem noção de que a quantia é pouca e vai logo acabar, deixando muitas pessoas sem recursos e nem trabalho. “Pouca gente tem consciência para usar bem o dinheiro. Os catadores não ganhavam mal aqui. A partir de agora, a vida deles vai mudar, porque não vão ter a mãe que tinham: o aterro. Acabou. Agora eles vão ter que sobreviver”, alertou Gerusa.

Para que isso não aconteça, alguns têm planos de investir imediatamente o dinheiro, como Epifânia Barbosa da Conceição, de 43 anos, que comemorava a primeira conta bancária. “Vou comprar minha casa, pela Caixa, lá em Realengo [bairro da zona oeste]”, disse.

Alba Valéria Pereira, de 36, pensa em montar um negócio com o dinheiro da indenização. “Eu pretendo abrir uma pensão, com a minha família, para vender comida. Uma irmã é cozinheira de forno e fogão e a outra é boleira. Se o dinheiro não for investido, ele some.”


Extraído do sítio Agência Brasil

31 maio 2012

NÃO DESCARTÁVEIS - Gisele Brito

Fim de lixões garante melhoria ambiental, mas tira trabalho de catadores. Experiência positiva em Gramacho é exceção.

O maior lixão do País e da América Latina tem data marcada para encerrar suas atividades: 5 de junho. Situado em Duque de Caxias (RJ), às margens da Baía de Guanabara, o lixão de Gramacho recebia resíduos de toda a região metropolitana fluminense. Ele ganhou fama internacional devido ao documentário "Lixo Extraordinário". Após anos de negociação, os 1.063 catadores que retiravam da montanha gelatinosa de lixo acumulado ao longo de mais de 3 décadas seu sustento conseguiram garantir ressarcimento pela perda do posto de trabalho. A prefetura do Rio, em parceira com a União, irá pagar cerca de R$ 14 mil reais a cada um deles, além de garantir um fundo para a melhoria do bairro que o circunda.

"A gente tenta passar a experiência que tivemos aqui. Queremos que isso vire uma política pública. Vai fechar? Tem que ter investimento no catador, dar capacitação, dar opção", explica Alexandre Freitas Mariano, vice-presidente da Cooperativa de Catadores do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho.

Mas a história de sucesso da luta dos catadores de Gramacho ainda é uma exceção. Em fevereiro, o lixão de Itaoca, em São Gonçalo (RJ), encerrou suas atividades empurrando centenas de catadores para situação ainda mais precária do que a anterior. A empresa que passou a explorar o biogás proveniente da decomposição do lixo no solo paga R$ 200 para as famílias, mas o valor é considerado insuficiente pelos catadores do lixão.

Ao todo, existem 2.906 lixões no Brasil, espalhados por 2.810 munícipios, o equivalente a 50,5% das cidades brasileiras, segundo estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em muitos deles há catadores ameaçados de perder sua única fonte de renda. Até 2014, todos os lixões – áreas com dejetos a céu aberto – terão de ser fechados para atender as exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aprovada em 2010. Os resíduos terão de ser reciclados ou levados para aterros sanitários – onde o lixo é enterrado, e o chorume e os gases são controlados. Mas os catadores exigem que a PNRS seja cumprida integralmente, especialmente seus artigos que tratam da inclusão dos catadores de material reciclável.

"Todo o processo para o fechamento dos lixões tem que ser dialogado. Não pode ser uma coisa do tipo ‘bala, polícia, cerca’. É preciso levar sustentabilidade e dignidade do ponto de vista do trabalho e da moradia. É preciso impedir a exclusão dentro da exclusão com políticas públicas. A PNRS garante isso", diz Elisabeth Grimberg, uma das coordenadoras do Instituto Pólis.

Extraído do sítio Folha Universal

Ler também:
Jornal de Floripa: Lixão no Rio será fechado sem avaliação da contaminação ambiental


FOTOS DO LIXÃO DE GRAMACHO. 
Fotos realizadas durante ensaio fotográfico. 
Fotos de Kadu Niemeyer

30 maio 2012

JARDIM GRAMACHO: A MAIOR LIXEIRA DA AMÉRICA LATINA É DESATIVADA NA SEXTA-FEIRA



Trinta e quatro anos depois, o Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro (Brasil), vai ser desactivado. Deixará de ser a maior lixeira da América Latina na próxima sexta-feira, mas o seu fim ficará marcado pela ausência de uma avaliação que aponte o tamanho real da sua contaminação ambiental, de acordo com a Folha.

Criado sobre um mangue das margens da baía de Guanabara – imagine-se! -, na confluência dos rios Sarapuí e Iguaçu, Duque de Caxias, o aterro terá recebido cerca de 70 milhões de toneladas de lixo sem qualquer protecção.

Na verdade, o Jardim Gramacho é apenas parte do problema. À sua volta existem pelo menos 42 lixeiras clandestinas, sendo que 21 estão activas. O objectivo da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Rio de Janeiro é desactivá-las todas ainda em 2012.

O CTR (Centro de Tratamento de Resíduos), a 50 km do Rio, receberá o lixo que até agora tinha como destino o Jardim Gramacho. O local tem capacidade para 10 mil toneladas de lixo e um tempo de vida estimado de 17 anos.

A desactivação do Jardim Gramacho custou R$93,1 milhões (€37,2 milhões) à Prefeitura do Rio de Janeiro, em indenizações aos chamados catadores e ao consórcio que geria este equipamento.

Recorde tudo o que já escrevemos sobre o Jardim Gramacho. E assista a uma reportagem da Folha sobre a lixeira. São imagens impressionantes que, a partir de sexta-feira, ficarão a pertencer ao passado do Rio de Janeiro.


14 maio 2012

GRANDE ABC NÃO TEM ALTERNATIVA PARA ATERROS - Camila Galvez

O Grande ABC gera, por mês, 66.523 toneladas de lixo. Desse total, cerca de 5%, ou apenas 3.374 toneladas, são recicladas, o que significa que os 95% restantes vão para aterros sanitários. Com exceção de Santo André, que possui área própria, as demais cidades enviam o lixo para o aterro particular Lara, em Mauá, ao custo total de R$ 5,35 milhões por mês. Para se ter uma ideia, com o valor gasto com lixo em um ano seria possível, por exemplo, que Diadema cumprisse a meta de entregar 650 unidades habitacionais na cidade.

Aterro sanitário Lara, em Mauá
Como parte da exigência da lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, todas as cidades brasileiras devem apresentar até agosto o seu Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. No Grande ABC, apenas São Bernardo concluiu o seu, ainda no ano passado, mas as demais prometem cumprir o prazo, que não deve ser prorrogado pelo governo federal.

No entanto, há poucas opções para substituir a destinação de lixo para os aterros na região. O que a maioria das prefeituras pretende é reduzir a quantidade de resíduos por meio da reciclagem. Santo André é a cidade que está mais avançada nesse sentido: recicla 15% do lixo gerado por mês. As demais não chegam a ultrapassar 2%. Uma das campeãs brasileiras é Curitiba, no Paraná, com percentual de 22%.

O aterro municipal de Santo André, única cidade da região que tem terreno próprio para destinação dos detritos, está no limite. Depois de passar meses fechado, aguarda aval da Cetesb para ampliação da área em 40 mil metros quadrados, que permitirá receber lixo por mais 14 anos. O órgão estadual pediu mais detalhes sobre o estudo de contaminação do solo do terreno, e o Semasa tem 40 dias para apresentar a documentação.

USINA

São Bernardo é o município do Grande ABC que está mais próximo de tirar do papel uma alternativa ao aterro: a Usina Verde, que irá separar o lixo seco para reciclagem e incinerar a parte úmida para geração de energia. Estima-se que 45,8% dos resíduos recolhidos na cidade são orgânicos e serão destinados à queima na usina. O custo estimado da tecnologia é de R$ 300 milhões.

Segundo o secretário de Planejamento Urbano e Ação Regional, Alfredo Luiz Buso, o processo de licitação está em fase final e a vencedora do certame foi o consórcio Revita/Lara. "Nesta semana expira o prazo para qualquer tipo de recurso e logo em seguida devemos começar a elaborar o contrato", afirmou. A expectativa é que as obras comecem ainda neste ano, no terreno do antigo lixão do Alvarenga, e a usina deve estar em operação em 2015.

Quando passar a funcionar, a tecnologia deve gerar 30 megawatts por hora, suficientes para abastecer um município do tamanho de Diadema. A Prefeitura pretende utilizar a energia na iluminação de ruas e prédios públicos. O processo gera 10% de resíduos, que podem ser reaproveitados no recapeamento asfáltico de vias ou na área da construção civil.

Meta é reduzir volume de resíduos por meio da reciclagem

Os planos de resíduos sólidos preveem metas de reciclagem como principal alternativa ao envio de toneladas de lixo para aterros sanitários próximos do limite. Na última análise da Cetesb, que não divulga a vida útil do aterro Lara, o status da área caiu de adequado para controlado.

Em São Bernardo, a meta é reciclar 10% até 2016, por meio da implantação de seis centrais de triagem, 30 ecopontos, 600 PEVs (pontos de entrega voluntária) e coleta seletiva porta a porta, com recurso de R$ 42 milhões.

Em Mauá, o secretário de Meio Ambiente, José Afonso Pereira, estima que até 2028 o município irá reciclar 12% do lixo. "Vamos investir na instalação de ecopontos, PEVs e na central de reciclagem, que será inaugurada em junho."

Ribeirão Pires tem meta ambiciosa, conforme o secretário de Meio Ambiente Temístocles Cristofano. "Nos próximos três anos queremos alcançar 10% de lixo reciclado."

As demais cidades não informaram suas metas.

Extraído do sítio Diário do Grande ABC

10 maio 2012

MAIS DE 1/3 DOS RESÍDUOS COLETADOS EM MG VÃO PARA LIXÕES OU ATERROS INADEQUADOS - Junia Oliveira

Lixões, como o de Conselheiro Lafaiete, na Região Central, são grave problema em 16,9% dos municípios mineiros, segundo levantamento da Abrelpe

Os urubus rondam o terreno fétido e imundo. Na montanha de detritos, a imagem estampada do atraso e do risco de doenças. Em outro lugar, a camada recobre os resíduos de maneira ineficaz, sem espantar pragas, como insetos e ratos que rondam o local à espera dos restos. Essas são cenas comuns em todo o Brasil, onde mais da metade dos resíduos sólidos coletados diariamente (58,1%) são enviados para depósitos a céu aberto ou aterros controlados – opção igualmente perigosa de tratar o meio ambiente. Em Minas, um dos estados mais desenvolvidos do país, a situação é também preocupante: 35,9% do lixo recolhido em território mineiro são descartados incorretamente. Os dados, relativos a 2011, foram divulgados ontem pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Minas é o terceiro estado que mais gera e também o terceiro que mais coleta resíduos – 17.445 toneladas por dia e 15.737 toneladas por dia, respectivamente. Mas, quando o assunto é a destinação adequada, cai para a sexta posição, atrás de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro. De todo o resíduo recolhido, 64,1% vão para aterros sanitários, 19% para aterros controlados e 16,9% acabam nos lixões. Na comparação com dados anteriores, fica claro que a evolução anda a passos muito lentos. No ano passado, houve aumento de apenas 1% na quantidade de material descartado corretamente, em relação a 2010.

O ritmo causou espanto à Abrelpe. “Esperávamos um panorama melhor em 2011, como consequência da implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Mas nos surpreendeu perceber que, passado mais de um ano da sanção da lei, não tenhamos efeitos práticos consideráveis, a não ser a sensibilização para o tema”, afirma o diretor-executivo da associação, Carlos Silva Filho. Ele se refere à Lei 12.305, que determinou prazo até o início de agosto de 2014 para que todas as cidades brasileiras eliminem completamente os lixões e construam aterros sanitários.

Silva Filho destaca, no entanto, que a proibição dos depósitos a céu aberto não é novidade e teve início em 1981, com a Política Nacional de Meio Ambiente. Em 1995, com a Lei de Crimes Ambientais, as práticas foram criminalizadas, com possibilidade de prisão para quem descumprir a norma. “O problema é que sempre houve leniência do poder público com esse tema. A lei de resíduos sólidos veio para reforçar e determinar prazo para aquilo que sempre foi ilegal. Os municípios já estavam cansados de saber que não poderiam manter seus lixões, por isso, não vale a justificativa de que quatro anos é um prazo curto”, ressalta.



Os 35,9% de resíduos sólidos descartados incorretamente em Minas estão concentrados em 74,7% dos municípios. Das 853 cidades mineiras, apenas 80 têm aterros sanitários e outras 136 usinas de triagem e compostagem. A maioria absoluta convive com descarte a céu aberto (278) ou com o “quebra-galho” dos aterros controlados (359), que nada mais são do que uma linha tênue para o lixão.

Conduta quebrada 

O presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), órgão da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Ilmar Bastos Santos, lembra que, entre 2005 e 2006, foram firmados mais de 500 termos de ajustes de conduta (TAC) com os municípios na tentativa de solucionar o problema. Mas a maioria não cumpriu, sob alegação de falta de recursos ou por simples má vontade política.

O aterro tem custo relativo para esses municípios. Os TACs ainda estão em execução, o que vai implicar multa e não resolverá o problema. Decidimos, então, trabalhar com consórcios para mudar a situação”, diz. Seis deles já foram formalmente constituídos e abrangem 38 cidades. Outros 48 estão em fase de articulação e poderão beneficiar 470 municípios. O maior deles é o megaconsórcio do Colar Metropolitano, com 47 cidades, exceto BH e Sabará. Até o dia 28,está aberta consulta pública para que catadores de materiais recicláveis, operadores de tecnologia nacionais e internacionais e investidores opinem sobre o que pode ser acrescentado ou mudado no projeto.

Multas bancariam usinas de triagem

Uma nova tentativa para ajudar os municípios que ainda mantêm lixões e aterros controlados foi posta na mesa de negociações. Uma comissão formada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Associação Mineira de Municípios (AMM) e Ministério Público estadual busca soluções para quem está com a corda no pescoço. Na primeira reunião do grupo, na segunda-feira, uma das propostas apresentadas foi a construção de usinas de triagem e compostagem em municípios de pequeno e médio porte que têm, em comum, multas recebidas pelo descumprimento da legislação, mas não pagas.

A secretaria e o MP prometeram fazer o levantamentos dos débitos. O promotor Luciano Badini, coordenador do Centro de Apoio Operacional da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, adianta que cada multa é de R$ 20 mil e a maioria das prefeituras tem saldo devedor entre R$ 80 mil e R$ 100 mil. Em vez de pagar ao estado, as prefeituras investiriam na criação de consórcios. “O município não consegue fazer sozinho, a única alternativa é a reunião de vizinhos, com inclusão, necessariamente, dos catadores de material reciclável no projeto e implantação de coleta seletiva. É uma alternativa boa e barata”, afirma.

Três quartos dos municípios estão na corda bamba. De um lado, a aproximação do fim do prazo para erradicar essas áreas ilegais está acabando e quem não se adequar terá sérias consequências, inclusive financeiras – hoje, recursos do estado e da União já priorizam a formação de consórcios. De outro, há o risco de prefeitos serem responsabilizados criminalmente. O MP mudou a estratégia e enquadrou os administradores. Eles podem agora responder por crime de poluição, segundo a Lei de Crimes Ambientais, e por improbidade administrativa ambiental – uma maneira de evitar que as multas simplesmente passem de uma gestão para outra.

O presidente da AMM e prefeito de São Gonçalo do Pará, no Centro-Oeste de Minas, Ângelo Roncalli, vê com simpatia a solução, já que tratar o lixo individualmente é um problema para cidades de pequeno porte. “É muito caro manter um aterro se não tiver um volume de lixo considerável. Um projeto bem menor já custa muito. Hoje, criar uma usina de compostagem e fazê-la funcionar adequadamente fica em torno de R$ 600 mil a R$ 800 mil, inviável para a maioria das cidades”, diz, acrescentando que não acredita em negligência das prefeituras.

Neste mês será publicado o decreto que regulamentará a Lei Estadual 18.823, de novembro de 2011, concedendo o Bolsa reciclagem a integrantes de associações e cooperativas de coleta de material reciclável. Serão destinados, inicialmente, cerca de R$ 3 milhões para a iniciativa, segundo o presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Ilmar Bastos Santos. O valor da bolsa será de acordo com a produção. As instituições participantes deverão se cadastrar para ter direito ao recurso.

Análise da notícia - Lixo dá voto? - Paulo Nogueira

O grave problemas dos lixões já passou do limite do bom senso e da saúde pública há muitos anos. É alarmante a constatação de que 75% dos municípios mineiros ainda mantêm lixões ou aterros controlados, ambos incapazes de dar destinação adequada a montanhas diárias de resíduos. Não é mais possível ficar na eterna retórica, mesmo verdadeira, da falta de recursos dos pequenos municípios. Que as prefeituras não têm dinheiro é claro e notório, então que se busquem soluções, como a dos consórcios com recursos públicos e privados, que parecem ser uma boa saída. O problema maior é a falta de vontade. Afinal, lixo bem tratado rende voto? Deveria render, mesmo porque uma população contaminada pelo foco de doenças dos lixões pode não ter condições de eleger ninguém.


Extraído do sítio Estado de Minas

08 maio 2012

42% DO LIXO NO PAÍS VAI PARA LOCAIS INADEQUADOS - Flávia Albuquerque

Em 2011 foram coletadas 55,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos. Foto: ABr
A quantidade de resíduos sólidos gerados no Brasil em 2011 totalizou 61,9 milhões de toneladas, 1,8% a mais do que no ano anterior, de acordo dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2011, lançado hoje (8), pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), durante a 11ª Conferência de Produção Mais Limpa e Mudanças Climáticas da Cidade de São Paulo. Do total coletado, 42% do lixo acaba em local inadequado.

Segundo o diretor executivo da Abrelpe, Carlos Silva Filho, o crescimento de resíduos sólidos no período de 2010 para 2011 foi duas vezes maior do que o crescimento da população, que cresceu 0,9% no período. “Se continuarmos nessa curva ascendente de crescimento ano após ano e não conseguirmos, de alguma forma, adotar ações adequadas para conter essa geração, certamente, em médio prazo, nossos sistemas de gestão de resíduos entrarão em colapso”.

O estudo mostra ainda que, em 2011, foram coletadas 55,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos, o que resulta em uma cobertura de 90%. “Cerca de 10% de tudo o que é gerado acaba em terrenos baldios, córregos, lagos e praças. Nós vemos que esse problema é recorrente em praticamente todas as cidades do país”, disse Silva Filho. Da quantidade coletada, o Sudeste responde por 53% e o Nordeste por 22%. “Nessas duas regiões está concentrado 75% de todo o lixo do território nacional”.

Segundo o Panorama, 42% dos resíduos sólidos foram destinados em locais inadequados como lixões e aterros controlados. Filho ressaltou que a Abrelpe considera a segunda opção inadequada porque, do ponto de vista ambiental, têm o mesmo impacto negativo que os lixões. “O aterro controlado não protege o meio ambiente como um aterro sanitário”.

De acordo com a publicação, a quantidade de lixo levado para aterros sanitários pode ter sido maior em porcentagem, mas ao analisar a quantidade nota-se que em 2011 a situação piorou. “Em 2010 o volume de destinação inadequada foi 22,9 milhões de toneladas contra 23,2 milhões de toneladas em 2011”, disse.

O Panorama indica ainda que dos 5.565 municípios brasileiros, 58,6% do total, afirmaram ter iniciativas de coleta seletiva, o que significa um aumento de 1% em comparação ao ano anterior. Com relação à coleta de lixo hospitalar, os municípios coletaram e destinaram 237,6 mil toneladas de resíduos de saúde, das quais 40% têm destino inadequado. “Dessa porcentagem temos 12% indo para lixão, sendo depositado sobre o solo sem tratamento prévio, não só contaminando o meio ambiente mas trazendo um risco muito grave para as pessoas que tiram seu sustento desses lixões”.

Para Silva Filho, o cenário revelado pelo Panorama precisa ser modificado até agosto de 2014, quando acaba o prazo para o cumprimento das metas da Lei Nacional de Resíduos Sólidos. Na avaliação do diretor executivo, as empresas do setor estão preparadas para enfrentar o desafio, pois têm tecnologia, conhecimento técnico e mão de obra. “Precisamos de vontade política e do recurso necessário para tanto. Sem isso não teremos a possibilidade de atender o que determina a Lei Nacional”, disse.

* Matéria publicada originalmente na Agência Brasil.


Extraído do sítio CartaCapital

01 maio 2012

SITUAÇÃO DO SANEAMENTO NO BRASIL É DRAMÁTICA E NÃO CONDIZ COM CRESCIMENTO ECONÔMICO DO PAÍS, DIZ ESPECIALISTA - Vítor Abdala



Rio de Janeiro – Os indicadores de saneamento no Brasil são “dramáticos” e fazem o país parecer parado no século 19. A avaliação é do presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos. A organização não governamental realiza estudos e acompanha a situação do saneamento básico no país.

De acordo com o Trata Brasil, os últimos dados disponíveis do Ministério das Cidades, de 2009, mostram que cerca de 55,5% da população brasileira não estão ligados a qualquer rede de esgoto e que somente um terço dos detritos coletados no país é tratado.

“Podemos dizer que a grande maioria do esgoto do país continua indo para os cursos d’água, os rios, as lagoas, os reservatórios e, consequentemente, o oceano. O Brasil parou no século 19. Qualquer indicador que você pegue tem níveis dramáticos, que não têm nenhuma relação com o avanço econômico que o Brasil vem tendo”, disse Carlos.

Para o especialista, o Brasil teve avanços, principalmente com a criação do Ministério das Cidades e com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os progressos, no entanto, ainda são tímidos em relação às necessidades do país.

Segundo ele, atualmente são investidos entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões por ano em saneamento no Brasil, quantia inferior à necessária para atingir as metas do governo até 2030 – investimento de R$ 420 milhões pelos próximos 18 anos, o que corresponde a cerca de R$ 20 bilhões por ano, de acordo com estimativas feitas pelo Ministério das Cidades.

Mesmo com o aumento dos recursos para saneamento básico nos últimos anos, principalmente por causa do PAC, a maioria dos projetos não sai do papel. Um levantamento divulgado no início de abril deste ano pelo Trata Brasil, sobre as 114 principais obras de saneamento da primeira fase do programa, mostra que apenas 7% delas estão prontas. Entre as demais, 32% estavam paralisadas e 23% atrasadas.

“O problema não é a falta de recursos. Os municípios não conseguem tocar as obras. Muitos projetos [apresentados ao PAC] estavam desatualizados e tinham problemas técnicos. Muitas obras não passaram nem na primeira inspeção [do programa]”, informou o especialista.

Para Édison Carlos, os principais entraves ao avanço do saneamento básico no país são a falta de prioridade dada pelos políticos à questão e a falta de interesse da população em cobrar essas obras das autoridades.

O Instituto Trata Brasil participará da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Cnuds), a Rio+20, mas Édison Carlos é cético em relação aos avanços que poderão ser obtidos.

“Espero estar errado, mas acho que temas como os biocombustíveis, a questão da floresta e o efeito estufa tendem a dominar as discussões. Além disso, o que costuma balizar essas discussões são temas econômicos”.

Extraído do sítio Agência Brasil

30 abril 2012

PARA IPEA, BRASIL DESPERDIÇA EM UM ANO MAIS DE UMA ITAIPU EM ENERGIA

A dois anos do prazo final para erradicação de lixões, país tem 2.906 deles em 2.810 municípios e recicla parcela mínima dos resíduos. 

O que se gasta com bagaço de cana-de-açucar é suficiente para gerar 16.464 megawatts ao ano, mais que a maior hidrelétrica brasileira (Foto:Lucas Lacaz Ruiz/Folhapress)
São Paulo – Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) traça um panorama preocupante para a implementação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em 2000 e com prazos variados a vencer nos próximos dois anos.

No momento em que se realiza a construção de hidrelétricas na Amazônia, contestadas por ambientalistas, o comunicado do Ipea revela que o país desperdiça mais de uma usina de Itaipu em bagaço de cana-de-açúcar. As 201 mil toneladas de resíduos dessa cultura seriam suficientes para gerar 16.464 megawatts ao ano, mais que a maior hidrelétrica brasileira (14.000 megawatts). 

“Para viabilizar uma maior disponibilização dessa energia para a rede elétrica, entretanto, será necessário vencer várias barreiras de ordem técnica, econômica e regulatória, sendo necessários mais incentivos econômicos para motivar os investimentos do setor privado nessa área”, observam os pesquisadores. Eles apontam ainda que a lei aprovada em 2010 para permitir um manejo mais racional dos resíduos sólidos reflete um “momento crítico do desenvolvimento brasileiro”, com um aumento de consumo que cria novos desafios à gestão correta do lixo.

Previstos para serem fechados até 2014, os lixões ainda são 2.906 em 2.810 municípios brasileiros. Para o Ipea, as grandes dificuldades estão nas cidades de pequeno porte, nas quais praticamente inexiste qualquer iniciativa de reciclagem, e na região Nordeste, na qual 89,1% das cidades têm algum depósito desse tipo. No Norte, 380 municípios, ou 84,6% do total, ainda mantêm lixões. 

Embora entre 2000 e 2008 tenha ocorrido uma redução de 18% no material encaminhado a lixões, ainda são levadas a esses lugares 74 mil toneladas produzidas diariamente em todo o país. Aterros sanitários e lixões somam 90% da destinação total. 

Hoje, a coleta regular de resíduos sólidos atinge 90% dos domicílios – 98% no meio urbano e 33% nas áreas rurais. Apenas 1,6% de 94 mil toneladas diárias de lixo são encaminhadas para compostagem, método que o Ipea recomenda ser mais utilizado. O número de cidades com programas de coleta seletiva de materiais recicláveis cresceu 120% entre 2000 e 2008, mas atingia à época apenas 994 de 5.565 municípios. 

“Estimativas indicam que a participação dos resíduos recuperados pelos programas de coleta seletiva formal ainda é muito pequena vis-à-vis ao total coletado, o que sugere que a reciclagem no país ainda é mantida pela reciclagem pré-consumo e pela coleta pós-consumo informal”, aponta o Ipea.

Com isso, a reciclagem, ainda incipiente, depende basicamente dos catadores, calculados entre 400 mil e 600 mil em todo o país. A renda média da categoria ficava em 2008 entre R$ 420 e R$ 520, e 60% das 1.100 organizações coletivas apresentavam um nível de eficiência considerado baixo. 

Contudo, a partir de 2003, dizem os pesquisadores, o governo federal passou a adotar uma série de iniciativas de incentivo e de aprimoramento da atividade. Até 2010, R$ 280 milhões haviam sido destinados aos catadores, e em 2007 foi constituído um grupo interministerial para pensar políticas voltadas à categoria. 


Extraído do sítio Rede Brasil Atual