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24 setembro 2012

BRASIL RECICLA APENAS 1,4% DO LIXO QUE PRODUZ - Ivana Ebel


Reaproveitamento de resíduos domésticos ainda é muito baixo, o que a cada dia leva toneladas de matéria-prima reciclável para os aterros sanitários. Ou pior, para lixões prejudiciais ao meio ambiente.

O Brasil recicla apenas 1,4% de todo o lixo doméstico que produz e destina 0,8% dos resíduos orgânicos para a compostagem. A informação é da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP). O conselheiro da ABLP, Eleusis Bruder di Creddo diz que os números não são satisfatórios, mas a falta de dados atualizados e precisos sobre este assunto no país é outro quadro preocupante. Os mais recentes são da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, de 2008, e revelam, segundo ele, que o país produz, por dia, 110 mil toneladas de lixo.

O volume leva em conta apenas a produção residencial, o que se transforma em montanhas de lixo nos aterros. Conforme Creddo, 58% do material vão para aterros sanitários que atendem às condições necessárias de armazenamento, mas 40% de todo o resíduo das casas dos brasileiros ainda vão parar em lixões, que são áreas de depósito inadequadas para o meio ambiente.

Na Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Suécia e nos Países Baixos o cenário é diferente. De acordo com um relatório emitido pela Comissão Europeia em agosto, estes países "dispõem de sistemas globais de recolha e depõem em aterro menos de 5% dos seus resíduos".

Além disso, números do Centro de Dados Ambientais sobre Resíduos da Comissão Europeia apontam para uma redução no volume de lixo doméstico produzido por pessoa na Alemanha. Se em 2004 cada habitante deste país causava 258 quilos de lixo por ano, em 2008 a média caiu para 196 quilos.

Sem separação, toneladas de materiais recicláveis acabam em aterros e lixões
Falta uma logística reversa de resíduos

"O Brasil tem números muito ruins na questão da reciclagem e compostagem, infelizmente", avalia Creddo. Por hora, o único número positivo no tratamento de resíduos do Brasil fica por conta das latinhas de alumínio: 96% do metal proveniente dessa fonte é reutilizado. Já os números da ABLP não são tão animadores quanto a outros materiais: 24% do aço, 68% do papel e apenas 10 a 15% do plástico voltam à cadeia produtiva.

O conselheiro da Associação avalia que o problema reside na falta de um sistema de logística reversa, em que as indústrias sejam responsáveis pela compra do resíduo para compensar o que elas produzem com as embalagens. "Um sistema em que o material reciclado tem um valor comercial e é reinserido na cadeia produtiva", explica Creddo.

A situação deve melhorar a partir de 2014, quando entra em vigor no Brasil a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aprovada em 2010, mas que está em fase de regulamentação. Ao menos é nisso que aposta a presidente do Instituto GEA, Ana Maria Domingues da Luz. A ONG promove a difusão de informação quanto ao gerenciamento de resíduos sólidos e atribui o baixo desempenho do país quanto à reciclagem à falta de estruturas públicas. A presidente da entidade também lamenta que toneladas de matéria-prima sigam diariamente para o lixo. "Vai ficar lá, em aterros, até que haja a escassez de matéria-prima e a tecnologia necessária para resgatar esse material", observa Ana Luz.

Legislação deve obrigar a separação do lixo e reduzir o volume de resíduos sólidos em aterros
A lei precisa "pegar"

A lei 12.305, que instituiu a PNRS, oferece vantagens financeiras aos municípios que implantarem sistemas de coleta seletiva "com a participação de cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis, formadas por pessoas físicas de baixa renda". E mais que isso: trata-se de um instrumento legal que obriga os moradores de todas as cidades que ofereçam o serviço a separar o lixo e a acondicioná-lo adequadamente para a coleta. "Falta a lei vigorar e ser uma lei que ‘pega', porque no Brasil acontece de ter uma legislação que ninguém liga e ela passa a ser uma letra sem valor. Isso acontece, infelizmente", lamenta Ana Luz.

Ações de curto prazo, na avaliação da ambientalista, dependem diretamente do cidadão. "A pessoa precisa se preocupar com isso, ela própria deve diminuir a produção de lixo mas, no momento em que gerou o resíduo, tem que descobrir uma forma de reciclar", pondera.

Extraído do sítio Deutsche Welle

15 setembro 2012

ESPECIALISTA DIZ QUE RECICLAGEM NO BRASIL ALCANÇA MENOS DE 2% DE TODO O POTENCIAL - Alana Gandra



Rio de Janeiro - O Brasil ainda tem 4 mil lixões e apenas 30% a 40% do lixo total coletado no país são dispostos em aterros sanitários adequados. Além disso, a reciclagem é muito baixa no Brasil, segundo avalia o secretário da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP), Antonio Simões Garcia. Ele informou que os serviços de aproveitamento de material descartado não transformam no país sequer 2% do volume que pode ser reciclado.

À Agência Brasil, Garcia disse que estão “muito próximos da realidade” os números divulgados hoje (14) na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo os quais apenas 40% do lixo separado dentro de casa pelos brasileiros são coletados seletivamente ao chegarem na rua.

Alex Cardoso, da coordenação nacional do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), acrescentou que, do total de lixões ainda existentes no Brasil, 1,7 mil estão na Região Nordeste. “Chega a ter cidades com dois lixões”, informou. O MNCR avalia que há grande mobilização da sociedade em torno da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que exige a coleta seletiva para municípios com mais de 30 mil habitantes.

Na avaliação de Cardoso, no entanto, esse processo ainda é “tímido” no Brasil, “porque a política já tem dois anos e cerca de 40% dos municípios brasileiros ainda têm lixões e não dispõem de sistema de coleta seletiva”. O integrante do MNCR lembra que, até 2014, os lixões terão que ser desativados. Segundo ele, com a implantação da coleta seletiva e a desativação dos lixões, haverá também a inclusão dos catadores. 

O MNCR está preocupado com a disposição de alguns municípios de incinerar os resíduos para geração de energia. Alex Cardoso avaliou que essa é uma atividade negativa. Além de ser uma tecnologia cara, não inclui os catadores e é prejudicial à saúde humana e ao meio ambiente, na medida em que libera gases causadores do efeito estufa.

Rita Sairi Kogachi Cortez, técnica do Instituto Gea, disse à Agência Brasil que o avanço do país em coleta do lixo “é muito pequeno em relação ao número de resíduos gerados”. Ela ponderou, contudo, que o “despertar” da população está ocorrendo, porque as pessoas se mostram interessadas em participar cada vez mais do processo de separar o seu lixo.

Segundo ela, é necessário que se criem mais coletas e mais cooperativas de catadores, “para que a coisa possa caminhar melhor no Brasil”. O Instituto Gea é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que tem entre as finalidades assessorar a população a implantar programas de coleta seletiva de lixo e reciclagem.

A defesa dessa estratégia é compartilhada por André Vilhena, diretor do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), associação sem fins lucrativos dedicada à promoção da reciclagem com base no conceito de gerenciamento integrado do lixo. Disse que, nos últimos dois anos, desde a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, “houve um incremento significativo [das atividades de reciclagem], mas ainda muito longe do desejado”.

Vilhena comentou que, nesse período, cresceu o número de prefeituras oferecendo serviço de coleta seletiva ou ampliando o serviço onde já existia. O problema para a desativação dos lixões, segundo ele, é que a população brasileira se concentra nos grandes centros, em especial próximos ao litoral. “Se nós conseguirmos avançar nessas regiões de maior densidade populacional, com certeza nós vamos equacionar boa parte do problema”.

O diretor do Cempre disse que, para ter todo o território com a situação equacionada, existe a possibilidade de os municípios serem apoiados, por meio de financiamento do governo federal, para a formação de consórcios que vão elaborar os planos de resíduos e construir os aterros sanitários.

Segundo o diretor do Cempre, se forem formados 450 consórcios no Brasil, a questão será resolvida, “porque, em alguns estados, um aterro sanitário pode atender até 150 municípios”. Para ele, a solução é a melhor também pelo ponto de vista econômico. “Não faz sentido você ter um aterro sanitário para municípios com 10 mil ou 15 mil habitantes”.

Extraído do sítio Agência Brasil

10 julho 2012

A LENTA POLÍTICA DE LIXO



A Política Nacional de Resíduos Sólidos, consubstanciada na Lei 12.305, em vigor desde 2010, não conseguiu ainda sensibilizar os prefeitos para sua dimensão. O tempo por demais elástico estabelecido para a implantação definitiva, até 2014, teria concorrido para adiar seu cumprimento na maioria dos municípios.

Outro fator de protelação estaria vinculado aos altos investimentos exigidos do poder público para tornar realidade esse desafio. Ele é por demais revolucionário nos seus objetivos de erradicar os lixões tradicionais, generalizar a coleta seletiva e construir a estrutura da logística reversa, com a integração da cadeia produtora do País.

O termo lixo, dentro da nova concepção ambiental para seu tratamento, foi substituído pela expressão resíduo sólido. E, como tal, dividiu o volume dos restos produzidos pela sociedade em duas áreas bem distintas: matéria orgânica (reciclável) e inorgânica (matéria-prima para compostagem), de tal modo a não haver mais desperdícios.

Os antigos lixões poderão produzir energia, a partir dos gases emitidos nas diversas camadas de resíduos tratados e depois armazenados, nos aterros sanitários ou, até mesmo, nos locais de despejo do lixo sem quaisquer tratamentos. O esforço se volta para o aproveitamento racional da coleta urbana, como resíduo reciclável ou adubo orgânico; do entulho da construção civil, como insumo; e da poda de árvores, como lenha.

Embora disponha, há dois anos, de normatização avançada para o tratamento ambiental dos resíduos produzidos pelo ser humano, o País perdeu a grande oportunidade de implantá-la quando de seu lançamento. Diante de mudanças administrativas impostas pela União, os prefeitos vacilam em aceitá-las, pelos custos financeiros demandados e pela erradicação de hábitos arraigados.

Por isso, a limpeza urbana nunca chegou a ser eficaz. Em 2011, foram coletadas nas comunidades urbanas 55,5 milhões de toneladas de resíduos, das quais apenas 32, 2 milhões de toneladas (58%) tiveram tratamento sanitário em aterros específicos. As 23,3 milhões de toneladas restantes foram lançadas em lixões sem qualquer tratamento do chorume ou controle dos gases de efeito estufa produzidos em sua composição.

O quadro nacional aponta retrocesso existente nessa área, pois apenas 60,5% dos 5.565 Municípios oferecem destino adequado à produção de 74 mil toneladas de resíduos por dia. O fato agravante consiste em 6,4 milhões de toneladas anuais de resíduos sem coleta, indo parar em terrenos baldios, córregos, lagoas, riachos e rios das cidades.

Dessa linha de atraso para com uma questão essencial, Fortaleza ainda não conseguiu sair, embora manifeste os passos iniciais. No primeiro plano, falta educação ambiental, com destaque para habituar a população a selecionar os resíduos domésticos. Depois, a coleta seletiva ainda é acanhada, sendo feito com apenas quatro caminhões, não se praticando a separação da matéria orgânica da matéria inorgânica.

Paralelamente, não há controle da quantidade de lixo seletivo produzido, porque o serviço não é unificado. De positivo, registrem-se exemplos isolados de aproveitamento por empresários da construção civil de restos de materiais como tijolo ecológico. O entulho começa a virar matéria-prima.

Os futuros prefeitos, a serem eleitos em outubro próximo, precisam colocar em seus planos de governo essa grave questão ambiental, que foi empurrada para suas costas pelos gestores atuais.

Extraído do sítio Diário do Nordeste

07 julho 2012

LIXÕES RECEBEM TONELADAS DE OURO E PRATA POR ANO, DIZ ONU

Lixo eletrônico mundial contém “depósitos” de metais preciosos de 40 a 50 vezes mais ricos do que os contidos no subsolo.



O lixo eletrônico é um problema importante e também valioso. Segundo instituições ligadas à ONU (Organização das Nações Unidas), cerca de 320 toneladas de ouro e 7,5 mil toneladas de prata são utilizadas anualmente para a produção de aparelhos eletrônicos como computadores, tablets e celulares.

O valor dos metais empregados soma cerca de US$ 21 bilhões – US$ 16 bilhões em ouro e US$ 4 bilhões em prata – a cada ano e, quando os aparelhos são descartados, menos de 15% do ouro e da prata são recuperados. O resultado do acúmulo constante é que o lixo eletrônico mundial contém “depósitos” de metais preciosos de 40 a 50 vezes mais ricos do que os contidos no subsolo, de acordo com dados apresentados na semana passada em reunião organizada pela Universidade das Nações Unidas e pela Global e-Sustainability Initiative (GeSI) em Gana, África.

As quantidades de ouro e prata que vão parar no lixo aumentam à medida que crescem as vendas de aparelhos como os tabletes, cujas vendas em 2012 deverão chegar a 100 milhões de unidades em todo o mundo, número que deverá dobrar até 2014. Produtos elétricos e eletrônicos consumiram 197 toneladas em 2001, equivalentes a 5,3% da oferta mundial do metal. Em 2011, foram 320 toneladas, com 7,7% do total disponível. Apesar do crescimento de cerca de 15% na oferta de ouro na última década, o preço do metal disparou, aumentando cinco vezes entre 2001 e 2011, segundo o levantamento.

“Em vez de olharmos para o lixo eletrônico como um fardo, precisamos encará-lo como uma oportunidade”, disse Alexis Vandendaelen, representande da Umicore Precious Metals Refining, da Bélgica, durante o evento. De acordo com os especialistas, além de melhores padrões de consumo sustentável, os sistemas de reciclagem precisam melhorar para lidar com o novo tipo de lixo, mais valioso, porém mais difícil de trabalhar do que plástico ou papel.

De acordo com o levantamento feito pela GeSI e pela iniciativa Solving the E-Waste Problem (StEP) – que envolve organizações da ONU, da sociedade civil e empresas –, cerca de 25% do ouro é perdido e não pode ser recuperado por conta dos processos de desmanche empregados nos países mais desenvolvidos. Nos países em desenvolvimento, o total inviabilizado chega a 50%.

Para os especialistas presentes na reunião em Gana, o lixo eletrônico não deve ser encarado como lixo, mas como recurso, uma vez que representa uma importante fonte de renda e sua reciclagem é fundamental para a preservação do ambiente e para o desenvolvimento sustentável. E isso não se aplica apenas ao ouro e à prata, mas a diversos outros metais, como cobre, paládio, platina, cobalto ou estanho, contidos nos produtos eletrônicos descartados.

“Precisamos recuperar elementos raros de modo a poder continuar a fabricar produtos de tecnologia da informação, baterias para carros elétricos, painéis solares, televisores de tela plana e uma infinidade de outros produtos populares”, disse Ruediger Kuehr, secretário executivo da StEP. “Um dia – espero que mais cedo do que tarde –, as pessoas vão olhar para trás e perguntar como foi que nós conseguimos ser tão cegos e desperdiçar tanto nossos recursos naturais”, disse Kuehr.

Extraído do sítio Opera Mundi

05 julho 2012

RÚSSIA: PROBLEMA DOS LIXÕES É MONTANHOSO - Jennifer Rankin

Com crescimento econômico do país, cidadãos russos estão produzindo cada vez mais lixo. Aterros sanitários crescem rapidamente e depósitos ilegais surgem por todo o país, danificando florestas e plantações agrícolas.

Foto: TASS

A Rússia recebeu um alerta de que precisará dobrar a capacidade de seus aterros sanitários até 2025 se a tendência atual de produção continuar no mesmo ritmo. 

Um relatório da Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla em inglês) do Banco Mundial, publicado há uma semana, pede que as autoridades reduzam em 45% a quantidade de resíduos depositados em aterros sanitários, combinando reciclagem e “recuperação de energia”, isto é, o uso de lixo como combustível.

“A Russia está produzindo uma quantidade excessiva de lixo”, diz Aleksandr Larionov, principal autor do relatório e funcionário de operações no Programa de Produção Mais Limpa da Rússia, promovido pelo IFC.

“Esses enormes volumes acabam indo parar em lixões a céu aberto, que poluem o solo, destroem o habitat, contaminam lençóis freáticos e geram doenças infecciosas. Um número cada vez maior de regiões está começando a vivenciar esses problemas”, completa.

Em média, cada cidadão russo produziu 330 quilos de lixo em 2011, em comparação aos 200 quilos per capita em 2010, de acordo com dados do IFC. A expectativa da organização é que esse número salte para 500 quilos até 2025, elevando a Rússia à média europeia atual. 

Estimar o atual volume de negócios envolvendo a gestão de resíduos na Rússia é difícil devido às grandes diferenças de tarifas para recolhimento nas diversas regiões do país, afirma o IFC. No entanto, o mercado poderia valer U$ 2,5 bilhões se o governo aumentasse a reciclagem e a prática de recuperação de energia, estimam os analistas do IFC, embora seja necessário fazer um investimento prévio de 40 bilhões de euros para modernizar a decadente infraestrutura russa.

De acordo com o IFC, três de cada dez aterros russos não atende aos padrões sanitários oficiais. Paralelamente, até 70% da “infraestrutura de gestão de resíduos” – latas de lixo, contêineres, caminhões, estações de triagem e aterros sanitários – é obsoleta e precisa ser substituída. 

Grupos ambientalistas afirmam que o problema é subestimado. “A situação é catastrófica”, afirma Aleksêi Kiseliov, do Greenpeace. 

“Não concordo que [apenas] 30% dos aterros são inadequados. Eu diria que 99% deles estão em tais condições”, completa.

Os ativistas também estão preocupados com a quantidade excessiva de aterros ilegais que estão surgindo por todo o país.

Autoridades russas anunciaram em abril que, desde agosto do ano passado, encontraram 22.243 aterros ilegais, cobrindo uma área total de 8.728 hectares. 

Segundo os dados apresentados, 58% estavam em áreas de conservação de água, 15% em terrenos agrícolas e outros 15% em florestas. 

O Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais disse ter eliminado 61% desses depósitos ilegais e aplicado multas num valor total de 25 milhões de rublos. 

Políticas recicladas

Cerca de 95% do lixo acaba indo parar em aterros sanitários, de acordo com o relatório do IFC. O resto é incinerado ou reprocessado por um pequeno setor de reciclagem no interior do país, fora do controle das autoridades locais.

Com a aproximação russa dos hábitos de consumo da Europa Ocidental, o IFC espera que o país possa imitar também os níveis de reciclagem europeus.

O IFC está pedindo à Rússia que recupere 45% de seu lixo urbano até 2020, sobretudo por meio de reciclagem. O restante deve ser incinerado, gerando energia.

Grandes cidades como Moscou e São Petersburgo devem tentar recuperar 70% do lixo produzido, segundo o IFC, enquanto regiões menos povoadas da Sibéria e do Círculo Ártico poderiam reciclar apenas de 10% a 20% da produção local. 

Alcançar esse objetivo salvaria 200 milhões de toneladas métricas de lixo até 2025, estima o IFC, gerando combustível e evitando que o solo e matérias-primas sejam contaminados. 

Especialista em proteção ambiental no Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais, Nikolai Mefedev, diz que o relatório do IFC não levou em consideração as medidas que o governo está atualmente tomando para melhorar a situação. 

Entre elas, estão o fechamento de lixões e a revisão de uma lei sobre produção e consumo cujo objetivo é aperfeiçoar a gestão de resíduos, criando novas organizações autorregulatórias de gestão de lixo. 

Uma nova versão da lei foi aprovada em primeira leitura na semana passada e poderia entrar em vigor em 1˚ de agosto. 

“Hoje o país não possui infraestrutura para aumentar a reciclagem”, afirma Mefedev. 

Em dezembro, o então ministro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais, Iúri Trutnev, disse que os aterros sanitários poderiam continuar sendo o principal destino do lixo num futuro próximo.

“A reciclagem não gera lucros, e a Rússia não está pronta para fazer a separação do lixo”, afirmou Trutnev em uma coletiva.


Extraído do sítio Gazeta Russa

08 junho 2012

RECUPERAÇÃO DE ÁREA DO LIXÃO DE GRAMACHO DEVE DEMORAR AO MENOS 15 ANOS - Fabíola Ortiz



O fechamento do lixão de Gramacho (na Baixada Fluminense), o maior lixão a céu aberto da América Latina, não significa o fim da degradação ambiental do local. Segundo especialistas e o próprio governo do Estado, a recuperação da área de 1,3 milhão de metros quadrados deve demorar no mínimo 15 anos.

Segundo a diretora da ONG Ecomarapendi, Vera Chevalier, enquanto o Rio de Janeiro se prepara para sediar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, o Estado “busca uma saída minimamente honrosa para o problema”.

Para a ativista ambiental, que acompanha o lixão desde 1990, não adianta apenas deixar de enviar lixo para Gramacho. O desafio, diz ela, é o que fazer após a desativação do aterro.

O terreno onde fica localizado o lixão já foi um dia mangue e área de lazer para a população de Duque de Caxias, município vizinho ao Rio de Janeiro. Hoje a área tem aparência argilosa com montanhas de sedimentos de 50 metros de altura (o equivalente a um edifício de 17 andares) e 60 milhões de toneladas de lixo que foram sendo acumuladas ao longo de 34 anos. Se não houver um monitoramento diário, há risco de parte dos resíduos verter sobre a Baía de Guanabara.

“O termo mais correto não é fechar um aterro, mas, sim, encerrá-lo. Para encerrar são precisos mais 15 anos de obras de engenharia e controle para considerar tratado aquele espaço que não poderá ser habitado”, diz Chevalier, que ainda não tem o cálculo preciso de quanto deverá ser investido para recuperar a área e transformá-la para uso coletivo. “Serão muitos milhões [de reais] que devem ser investidos continuamente para que ele se transforme numa área que seja, pelo menos, de lazer.”

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), abordou a urgência de reverter o quadro de desastre ambiental provocado pelo lixão. “É um crime ambiental que a cidade do Rio comete há muito tempo. Gramacho é um aterro que vai ser autossustentável, vai ter exploração de gás e vai ser reflorestado. O aterro é uma propriedade da prefeitura e vai ser fechado”, afirmou.

O coordenador do Programa Recicla Rio, da Superintendência de Política de Saneamento da Secretaria Estadual do Ambiente, Jorge Pinheiro, também afirma que a área do aterro levará ao menos 15 anos para ser recuperada. “É provável que Gramacho vire um parque, não será possível construir edifícios lá.”

Gás metano será vendido

O gás metano provocado pela decomposição do lixo é altamente inflamável e pode ser usado na produção de energia. O plano é que todo o gás captado no lixão de Gramacho será consumido pela Refinaria de Duque de Caxias (Reduc). A venda do material irá gerar créditos de carbono à refinaria, e 18% desses recursos serão destinados à recuperação e urbanização do bairro Jardim Gramacho, onde se localiza o aterro.

A iniciativa, resultado de uma parceria entre o governo estadual e a refinaria da Petrobras, envolve a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no valor de R$ 1 bilhão. O gás metano do lixão de Gramacho será explorado por 15 anos pela concessionária Nova Gramacho.

Segundo a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana), a Usina de Biogás do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho foi inaugurada em 2009 e, atualmente, há 80 poços interligados, com vazão de biogás da ordem de 6.000 metros cúbicos por hora.

O projeto do biogás de Gramacho prevê, até dezembro deste ano, uma vazão máxima de 20.000 metros cúbicos por hora de biogás, vindo de 320 poços. A ideia é alcançar o fornecimento dos 75 milhões de metros cúbicos por ano para a Reduc.

Reurbanização de R$ 80 milhões

O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, anunciou que existe um projeto de reurbanização de Gramacho com pavimentação de ruas, construção de habitações, ciclovias e áreas de lazer.

“A urbanização sustentável do Jardim Gramacho custará R$ 80 milhões, dos quais R$ 20 milhões estão previstos no contrato entre a Comlurb e a Nova Gramacho. O restante, R$ 60 milhões, será captado junto ao governo federal e outros órgãos”, afirmou Minc.

O projeto de urbanização sustentável de Jardim Gramacho será um dos temas ambientais que serão apresentados na Conferência da ONU, a Rio+20, entre 20 a 22 de junho.

Pólo de reciclagem

Assim como a recuperação da região, está prevista ainda a instalação de um complexo de reciclagem que contará com R$ 4 milhões do TAC firmado com a Reduc, e R$ 1,5 milhão, do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam), para a instalação de três galpões que farão parte do complexo de reciclagem.

Em recente pesquisa da Secretaria Estadual do Ambiente com os cerca de 1.600 catadores cadastrados para receber uma verba indenizatória da prefeitura do Rio, 400 admitiram ter interesse em continuar a trabalhar como catadores.

Minc anunciou que os polos de reciclagem serão construídos para acolher quatro cooperativas com 100 catadores cada uma, além de haver cursos de capacitação e qualificação em outras profissões para os catadores que queiram ingressar no mercado formal de trabalho.

“Nós vamos fazer um trabalho de informação e participar do treinamento dos catadores nos galpões, assim como ajudar a implantar a coleta seletiva nos municípios do Rio e da Baixada Fluminense”, disse Chevalier, da ONG Ecomarapendi.

Para o representante da Associação dos Catadores do Aterro Metropolitano do Jardim Gramacho (ACAMJG), Sebastião Carlos dos Santos, o Tião, esta é a primeira vez, depois de 36 anos, que os catadores estão tendo um reconhecimento.

“O fechamento de Gramacho vai servir como modelo de fechamento dos lixões não só no Rio, como no Brasil. Isso é inédito o que está acontecendo”, disse.

Extraído do sítio UOL Notícias

04 junho 2012

SUÍÇA: CAÇANDO TESOUROS NO MERCADO DE RESÍDUOS - Clare O'Dea

Demolição de uma casa na Suíça. (Keystone)

Cada habitante da Suíça produziu 707 quilos de resíduos urbanos em 2010, um número 40% acima da média europeia. Porém graças a um sistema modelo de eliminação e sistemas de reciclagem, lidar com lixo se tornou um bom negócio.

Existe uma demanda para todos os tipos de material reciclável, incluindo entulho de construções até estrume de elefante. O que importa é saber se a sua remoção de um lugar para outro é uma atividade rentável.

Com 650 empresas ativas no setor, cresce a competição para aproveitar o bolo de 20 milhões de toneladas de material utilizado que troca de mãos na Suíça a cada ano.

Uma empresa suíça - abfallboerse.ch (bolsa de lixo) - encontrou um nicho de mercado ao oferecer uma plataforma de negócios entre aqueles que geram e eliminam resíduos. Informações sobre as pessoas interessadas em jogar algo fora são confidenciais, como explica o fundador da companhia, Kurt Muther, à swissinfo.ch.

"Baseado nos resíduos que uma empresa está produzindo, especialistas na indústria podem realizar estimativas acuradas sobre a produção, o que pode ser uma informação muito sensível", explica Muther.

"Afora material radioativo, nós podemos negociar com todas as categorias de resíduos, incluindo pepelão, papel, plásticos, metais, sucata, lixo hospitalar, lixo orgânico, entulho de construção civil, resíduos líquidos e madeira."

Valor agregado 

"Lixo orgânico, como esterco, é uma categoria que passou do lado do débito para o do crédito no balanço geral", acrescenta Muther. "O esterco é muito procurado pelos produtores de húmus ou usinas a gás". A plataforma abfallborse.ch na internet, que representa os produtores de resíduos, vasculha o mercado e obtém o melhor preço para os resíduos, se há também um custo ou ganho para a sua remoção.

"A concorrência está funcionando bem na Suíça, com algumas diferenças regionais, especialmente na parte francófona da Suíça, onde a falta de concorrência faz com que os preços da eliminação de lixo sejam 20% mais elevados", diz. "Temos números confiáveis de que, no momento, mais de 20 milhões de toneladas de lixo são despejados nas ruas da Suíça a cada ano. Se você coloca um preço de mercado nos custos de transporte e eliminação desse volume de lixo, sem incluir a disponibilização de toda a infraestrutura, você chega a um potencial de mercado de 2,8 bilhões de francos suíços", acrescenta.

Trabalho pesado 

Somente o setor de construção civil responde sozinho por mais de dois terços do volume de lixo na Suíça. A boa notícia é que 80% desse material são reciclados, em grande parte para virar concreto. A taxa europeia é de 46%.

O Ministério suíço do Meio Ambiente tem um papel fundamental na elevação das taxas de reciclagem no setor da construção civil e demolição na última década.

A força do sistema helvético de gestão de resíduos está no fato da legislação ser baseado em consulta. "Como resultado, ela é bastante equilibrada e permite também sua aplicação de forma eficiente", afirma Robin Quartier, funcionário no ministério.

Um regulamento importante é a exigência de separar os materiais no local de demolição. "Na Suíça você não pode simplesmente derrubar um prédio, criar uma pilha enorme de entulho e despejar no aterro mais próximo. Você tem de separar os resíduos da demolição que são combustíveis e não combustíveis", explica.

As construtoras também têm um grande incentivo para despejar o menos possível de material nos aterros, pois os encargos são relativamente elevados. Fragmentos de concreto podem ser triturados de forma eficiente e utilizados para a fabricação de concreto novo. As autoridades concentraram seus esforços nos últimos dez anos para criar uma demanda para esses tipos de materiais reciclados. 

"Construir com materiais reciclados já é tecnicamente possível há muito tempo, mas as pessoas que estão construindo uma casa ou algo parecido preferem escolher materiais novos. Havia muito trabalho a ser feito como introduzir normas técnicas para engenheiros que trabalham com esse tipo de material e facilitar o acesso ao mercado", lembra Quartier.

Questão importante 

Uma das leis em vigor desde 1° de janeiro de 2000 é a proibição de depósito de lixo combustível nas áreas de aterro. A Suíça regulamenta que se este pode ser queimado, ele tem de ser queimado. Agora 50% de todo o lixo urbano é levado aos 29 incineradores em funcionamento no país, enquanto que o resto é analisado, coletado separadamente e reciclado.

De acordo com as autoridades ambientais, a incineração ajuda a reduzir as emissões poluentes e preservar os recursos naturais. O volume de lixo foi reduzido dessa forma a 90%.

Os incineradores, que são propriedade e geridos pelas administrações cantonais (estaduais) ou comunais (municípios), são aceitos como parte da paisagem pela população, apesar da resistência por eles em outros países como a França e a Irlanda.

Todas as usinas estão equipadas com filtros eletrostáticos, capazes de filtrar cinzas e poeira. A maior parte das cinzas coletadas pelos filtros é tratada na Suíça e o resto é enviado à Alemanha, onde é armazenado com segurança em minas de sal desativadas especialmente equipados para esses fins. 

Entre as fronteiras

Em 2010, a Suíça exportou 214 mil toneladas de resíduos perigosos, 12% do total. No mesmo ano a Suíça importou aproximadamente 31 mil toneladas de lixo nessa categoria.

A Suíça apresentou um pedido de adesão à Rede Europeia para a implementação e aplicação da legislação ambiental vigente (IMPEL, na sigla em inglês). Um dos benefícios será de "coordenar e resolver problemas no movimento transfronteiriços de lixo."


A gestão de resíduos é um negócio global e grandes multinacionais como Veolia, Loacker Recycling ou Remondis também estão presentes na Suíça. De acordo com Muther elas estão comprando empresas locais médias na área de eliminação de detritos. "Essa é a estratégia correta, pois o conhecimento local é essencial", diz. Com o elo final da cadeia de lixo bem regulada e administrada, a atenção da classe política está voltada agora para formas de reduzir o impacto ambiental de bens e serviços utilizados pela população suíça.

No entanto, ainda há um grande caminho para o país alcançar a sustentabilidade. Em um recente relatório, a organização mundial de defesa do ambiente WWF estimou que se o resto do mundo viver de uma forma similar a dos suíços, 2,82 planetas serão necessários para suportar o consumo global.

Extraído do sítio Swissinfo.ch

01 junho 2012

PESQUISA MOSTRA QUE 26% DOS BRASILEIROS REUTILIZAM RECICLÁVEIS ANTES DE JOGÁ-LOS FORA

Curitiba tem maior percentual de pessoas que se preocupam com fim sustentável dos objetos.



Uma pesquisa feita pelo Ibope revelou que apenas 26% dos brasileiros entrevistados reciclam itens em vez de jogá-los fora. Isso quer dizer que essas pessoas separam o lixo para a coleta seletiva ou levam os materiais sem uso até um posto de reciclagem, por exemplo. 

A quantidade de pessoas que reciclam o lixo, apontou o estudo, aumenta significativamente a partir dos 35 anos. Dos 12 aos 34 anos, o percentual oscila entre 18% e 22%. Já cerca de 27% das pessoas que estão no grupo dos 35 aos 44 disseram separar o lixo ou levá-los para uma central de reciclagem. Entre os entrevistados de 45 a 44, o percentual é de 34%. 

Curitiba é a cidade com maior número de brasileiros que dizem fazer a reciclagem. Cerca de 45% dos entrevistados responderam que dão, com frequência, um destino sustentável ao lixo. Seguido da capital do Paraná vem São Paulo (35%) e Porto Alegre (45%). A cidade com o pior resultado foi Brasília, onde apenas 3% dos entrevistados disseram que reciclam os itens em vez de jogá-lo fora.

A maior parte da população (70%) ouvida no estudo do Ibope, no entanto, diz estar preocupado em ter mais hábitos sustentáveis. Esforços para a redução do consumo de água (73%) e a utilização de gás e eletricidade da casa (72%) são os mais evidentes. A prática é maior entre os entrevistados mais velhos. Apenas 8% relataram deixar a torneira aberta enquanto escovam os dentes. 

Outros 26% afirmaram que reutilizam os itens, como garrafas, tubos, caixas e envelopes. O grupo que mais possui este hábito é o de jovens entre 20 e 24 anos. 

Sacolas plásticas

A pesquisa ainda mostrou que a restrição de distribuição de sacolas plásticas ainda não surtiu o efeito esperado. Apenas 14% das pessoas ouvidas disseram que levam a sua própria sacola ou bolsa quando vão às compras. Foi em Belo Horizonte que quase metade (48%) dos entrevistados disseram levar as sacolas para transportar a mercadoria. 

Em São Paulo, o percentual de pessoas que disseram dispensar as sacolas plásticas é de 19%, a frente de Rio de Janeiro e Curitiba (11%). Apenas 5% dos entrevistados em Salvador e Recife afirmaram levar bolsas retornáveis na hora de fazer compras no 
supermercado. 

Apenas 5% do total dos brasileiros ouvidos no estudo afirmaram deixar de comprar algum produto com muitas embalagens plásticas. Em São Paulo, esse percentual chega a 7%. Em Belo Horizonte e Porto Alegre, 4% disseram se preocupar com o excesso de materiais usados para embalar as mercadorias. 

O estudo do Ibope, encomendado pela empresa Target Group Index, ouviu 10.368 pessoas, entre julho de 2011 e fevereiro de 2011, em Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).

Extraído do sítio R7

31 maio 2012

PLANOS DE RESÍDUOS SÓLIDOS DEVEM INCLUIR CATADORES DE RUA - Heloísa Bio

Em São Paulo, quase 20 mil catadores realizam a coleta seletiva do lixo, em meio à ausência de uma política de resíduos sólidos

Pelos princípios da nova Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), os municípios brasileiros têm até 2014 para separar e coletar seus resíduos, descartando somente os rejeitos que não são passíveis de reaproveitamento. Com essa medida será possível reduzir o lixo de uma megalópole como São Paulo de 11 mil toneladas/dia para 2,2 mil toneladas/dia em menos de dois anos.

No entanto, apesar da legislação da capital paulista determinar a elaboração de um Plano Municipal de Resíduos Sólidos até agosto de 2012, até hoje nada foi feito no sentido. Nesse contexto, grande parte da coleta seletiva da cidade acaba passando pela mão dos catadores, que além de colaborar com o poder público e a sociedade, atuam como agentes ambientais do meio urbano.

Atualmente, quase 20 mil catadores de rua prestam este serviço público, realizando a coleta e o envio de papéis, plásticos, latinhas e vidros para as cooperativas e, com isso, evitando o consumo de novas matérias-primas para a fabricação de mais produtos. Calcula-se que 90% de alguns materiais recicláveis que chegam à indústria possam ter sido coletados por catadores, segundo Eduardo Ferreira, da Rede Cata Sampa – composta por 15 cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis – e liderança do Movimento Nacional dos Catadores.

Eduardo Ferreira e Rizpah Besen - Foto: Heloísa Bio

Ferreira e a coordenadora de programas da ONG Instituto 5 Elementos, Rizpah Besen, debateram o tema na sessão do filme “À Margem do Lixo”, no ultimo dia 10, no Cineclube Socioambiental Crisantempo. O documentário de Evaldo Mocarzel, além de acompanhar a rotina dos catadores na cidade de São Paulo, mostra a articulação política da categoria e os avanços com um maior apoio político federal.

“Além da mudança de visão, reconhecendo que os resíduos sólidos não são lixo, mas bens econômicos, e da previsão do fim dos lixões no país, a Política Nacional dos Resíduos Sólidos contempla a inclusão dos catadores. [...] A coleta seletiva não é sustentável sem esse grupo, ou seja, sem a vertente social”, expressa Rizpah.

O reconhecimento social dos catadores é baixo e dados mostram que empresas de coleta de materiais recicláveis movimentam a maior parcela dos recursos. Ainda, o fato de um caminhão fazer a coleta seletiva em São Paulo não quer dizer que a reciclagem vai ocorrer. Cerca de 60% do material da coleta das concessionárias vai para o lixo comum, enquanto muitas centrais não conseguem absorver a demanda da separação. “São 96 distritos no município, o ideal era cada um ter pelo menos uma cooperativa de catadores para absorver a quantidade de materiais da cidade”, esclarece Ferreira.

Enquanto assiste a toneladas de resíduos secos serem dispostas em aterros e paga caro pelo transporte dos resíduos a locais cada vez mais distantes, o município não dá mostras de qualquer avanço na elaboração de seu Plano Municipal de Resíduos Sólidos.

Panorama nacional

Foto: Elza Fiúza/ABr

O Brasil avançou pouco no que se refere à gestão dos resíduos sólidos urbanos em 2011. Esta é uma das conclusões da nova edição do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, estudo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) apresentado no último dia 8 em São Paulo. A destinação final ainda aparece como o principal problema a ser superado.

De acordo com a publicação, no ano passado, 3.371 municípios brasileiros, 60,5% do total, deram destino inadequado a mais de 74 mil toneladas de resíduos por dia, que seguiram para lixões e aterros controlados, sem a devida proteção ambiental. “Com a quantidade de resíduos que tiveram destino inadequado no país seria possível encher 56 piscinas olímpicas em cada dia do ano. Outras 6,4 milhões de toneladas sequer foram coletadas, o que equivale a 45 estádios do Maracanã repletos de lixo. Os dados mostram que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) ainda não começou a produzir efeitos e resultados concretos nos vários sistemas e nem no cenário atualmente implementado”, comenta o diretor executivo da Abrelpe, Carlos Silva Filho.

Segundo o estudo, quase 62 milhões de toneladas de resíduos sólidos foram geradas em 2011, 1,8% a mais que em 2010 - percentual duas vezes maior que a taxa de crescimento da população no mesmo período. “Esse dado é importante, pois revela que o volume de geração cresceu em uma proporção menor do que nos anos anteriores, mas continua numa curva ascendente”, observa Silva Filho. A edição anterior do Panorama apontou um aumento de 6,8% na geração.

“Das 55,5 milhões de toneladas de resíduos coletadas em 2011, 58,1% foram dispostos em aterros sanitários”, acrescenta Silva Filho, ao destacar que o índice evoluiu apenas 0,5% em relação a 2010. A geração per capita média do país foi de 381,6 kg por ano, valor 0,8% superior ao do ano anterior.

Outro dado da publicação diz respeito aos recursos aplicados pelos municípios para custear os serviços de limpeza urbana. Em 2011, a média mensal por habitante foi de R$ 10,37, o que equivale a um aumento de 4% se comparado a 2010. “É ainda um valor muito inferior ao mínimo necessário para garantir a universalização dos serviços, tendo em vista uma gestão baseada na hierarquia dos resíduos, conforme preconiza a PNRS”, alerta o diretor da associação.

Dos 5.565 municípios brasileiros, 58,6% afirmaram ter iniciativas de coleta seletiva, o que significa um aumento de 1% em relação a 2010.


Extraído do sitio Brasil de Fato

17 maio 2012

OS TRÊS PILARES DA INDÚSTRIA DE VALORIZAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS - Carlos Bezerra



Com a proximidade da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que será realizada de 20 a 22 de junho, é oportuno e pertinente analisar a questão relativa ao lixo urbano, também em pauta no Brasil, devido à recente aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei 12.305. A atividade econômica inerente à coleta, destinação e reciclagem dos produtos que a sociedade compra e consome é uma das poucas que respondem de modo pleno aos três pilares desse importante evento da ONU: o econômico, o social e o ambiental.

Exatamente por isso, a questão do lixo precisa ser tratada sob uma nova perspectiva, mais condizente com os níveis profissional, tecnológico e de investimento que se empregam nos dias de hoje. Estamos falando da indústria de valorização dos resíduos, que cria empregos de modo intensivo, recolhe impostos substantivos, produz itens de expressivo valor agregado, como energia elétrica de fonte renovável por meio da queima de biogás de aterro ou queima de rejeitos em fornos, além de uma série de subprodutos obtidos com a reciclagem. Ou seja, consubstancia uma cadeia produtiva cujo resultado concreto é a melhora do meio ambiente, a geração e distribuição de renda por meio da produção e salários e a geração de energia elétrica importante produto para dar mais segurança ao crescimento econômico brasileiro.

No tocante ao eixo social, a atividade é muito peculiar num aspecto relevante: propicia a inclusão na sociedade de consumo de milhares de trabalhadores sem especialização e baixa empregabilidade em outros segmentos. São pessoas — e suas famílias — contempladas com emprego registrado em carteira, assistência médica, férias, previdência e todos os direitos trabalhistas. Por executarem função fundamental, esses trabalhadores precisam ser valorizados, bem treinados e reconhecidos. Trata-se, portanto, de uma vertente significativa do setor.

Estamos falando de um negócio complexo, moderno e de elevado custeio, no qual o emprego de recursos é muito alto. Exigem-se vultoso aporte financeiro e tecnologia de ponta para se implantarem eficazmente sistemas de coleta domiciliar, sistemas de coleta seletiva, unidades de triagem de materiais recicláveis e usinas termelétricas que recuperam energia dos resíduos que não se mostraram viáveis para a reciclagem. Obviamente que não podemos esquecer os cuidados para se optar por bons projetos, com garantias das performances prometidas, aproveitando a experiência de outros países e o cuidado com a segurança no tocante aos efluentes líquidos, gasosos e sólidos gerados com o processamento dos resíduos. Todos esses projetos de geração de energia a partir de resíduos têm como característica a redução de gases de efeito estufa, que vai ao encontro do consenso que houve em Durban entre os países.

Esse tema não pode continuar sendo tratado no plano da retórica e de modo superficial. Infelizmente — e a despeito da determinação da Lei 12.305, de erradicação dos “lixões” até agosto de 2014 —, metade das cidades brasileiras continua depositando o lixo no solo. Estudo divulgado recentemente aponta a necessidade de implantação de 448 aterros de grande e pequeno portes no país, a um custo total aproximado de R$ 2 bilhões. Faz-se necessário um maior senso de urgência para a realização da prática, uma vez que as possibilidades técnicas já existem.

Diversas questões envolvem hoje essa atividade, que evoluiu da coleta, transporte e disposição de lixo para uma indústria que atua conforme os mais contemporâneos conceitos de valorização dos resíduos. O foco que antes era a disposição dos resíduos agora mudou para a valorização destes. O objetivo é que cada aterro de resíduo urbano seja um aterro sanitário (atendendo a todas as normas técnicas e ambientais existentes), que possua uma unidade de triagem para aproveitar toda a parte reciclável do resíduo (metais, papel etc), e ainda, quando viável, implemente unidade de valorização dos resíduos que pode ser uma termelétrica para geração de energia renovável a partir do biogás gerado no próprio aterro. Tal viabilidade poderá se ampliar sobremaneira se buscarmos e efetivarmos saídas criativas como a criação de incentivos fiscais e tributários e uma taxa de valorização de resíduo mais adequada com as necessidades atuais.

Assim, a gestão adequada dos resíduos sólidos é parte fundamental na manutenção da qualidade de vida e na sustentabilidade de cidades que crescem aceleradamente, ampliam o consumo e, por consequência, a quantidade e a diversidade dos resíduos. O grande desafio, que envolve todos os agentes sociais, é manter a qualidade dos serviços e a inovação tecnológica, com uma projeção de longo prazo. 

Para regular e salvaguardar esses direitos, é preciso que estejam bem estabelecidos os parâmetros das normas legais, técnicas, ambientais, econômicas e jurídicas, fatores fundamentais para preservar, nesse processo, os indivíduos, o habitat e os objetivos de sustentabilidade perseguidos pelas nações na Rio+20.

* Carlos Bezerra é diretor de Projetos Especiais da Vega Engenharia Ambiental.

Extraído do sítio Jornal do Brasil

16 maio 2012

SÃO PAULO RECICLA APENAS 1,2% DOS RESÍDUOS PRODUZIDOS

Os índices de reciclagem em São Paulo ainda são muito baixos. O bairro da Vila Mariana é o que mais recicla em toda a cidade, mesmo assim os números não chegam a 5% de todo o lixo que é produzido. Enquanto isso, diversos bairros da periferia paulista permanecem sem acesso à coleta seletiva.

Conforme informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, a média de reciclagem na cidade é de apenas 1,2%, considerada muito baixa. Os outros três bairros com os melhores índices de reciclagem são: Santo Amaro, com 4%, Pinheiros, que recicla 3,5% e Lapa, com 2,4%.

Segundo os moradores locais o bom desempenho da Vila Mariana não se deve ao incentivo governamental. Pelo contrário, os próprios moradores têm ido atrás de informações sobre a rotina do caminhão da coleta seletiva, pois não foram distribuídos informativos com os direcionamentos para promover de fato a ação pela cidade.

Vila Mariana é o bairro que mais recicla. Imagem | Mayra Rosa - CicloVivoJ

Já nos bairros afastados do centro, como Parelheiros, M’Boi Mirim, Perus, São Miguel, entre outros, a coleta seletiva existe apenas por consequência do trabalho dos catadores informais. Mas, as ações governamentais não cheguem até os extremos da capital.

Outro problema é a falta de garantia de que os resíduos recicláveis coletados realmente terão a destinação correta. Isto acontece porque, mesmo com a baixa demanda, a estrutura física da cidade não suporta todo o material. Em São Paulo existem 21 centrais de triagem, enquanto o ideal seria ter, pelo menos, 70, conforme informado por Roberto Laureano Rocha, representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.

Segundo o diretor de Coleta Seletiva da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana, Valdecir Papazissis, existe a previsão de que sejam criadas mais 11 centrais de triagem. Porém, ainda não existe prazo definido para isso.

Extraído do sítio Consumidor Moderno

14 maio 2012

GRANDE ABC NÃO TEM ALTERNATIVA PARA ATERROS - Camila Galvez

O Grande ABC gera, por mês, 66.523 toneladas de lixo. Desse total, cerca de 5%, ou apenas 3.374 toneladas, são recicladas, o que significa que os 95% restantes vão para aterros sanitários. Com exceção de Santo André, que possui área própria, as demais cidades enviam o lixo para o aterro particular Lara, em Mauá, ao custo total de R$ 5,35 milhões por mês. Para se ter uma ideia, com o valor gasto com lixo em um ano seria possível, por exemplo, que Diadema cumprisse a meta de entregar 650 unidades habitacionais na cidade.

Aterro sanitário Lara, em Mauá
Como parte da exigência da lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, todas as cidades brasileiras devem apresentar até agosto o seu Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. No Grande ABC, apenas São Bernardo concluiu o seu, ainda no ano passado, mas as demais prometem cumprir o prazo, que não deve ser prorrogado pelo governo federal.

No entanto, há poucas opções para substituir a destinação de lixo para os aterros na região. O que a maioria das prefeituras pretende é reduzir a quantidade de resíduos por meio da reciclagem. Santo André é a cidade que está mais avançada nesse sentido: recicla 15% do lixo gerado por mês. As demais não chegam a ultrapassar 2%. Uma das campeãs brasileiras é Curitiba, no Paraná, com percentual de 22%.

O aterro municipal de Santo André, única cidade da região que tem terreno próprio para destinação dos detritos, está no limite. Depois de passar meses fechado, aguarda aval da Cetesb para ampliação da área em 40 mil metros quadrados, que permitirá receber lixo por mais 14 anos. O órgão estadual pediu mais detalhes sobre o estudo de contaminação do solo do terreno, e o Semasa tem 40 dias para apresentar a documentação.

USINA

São Bernardo é o município do Grande ABC que está mais próximo de tirar do papel uma alternativa ao aterro: a Usina Verde, que irá separar o lixo seco para reciclagem e incinerar a parte úmida para geração de energia. Estima-se que 45,8% dos resíduos recolhidos na cidade são orgânicos e serão destinados à queima na usina. O custo estimado da tecnologia é de R$ 300 milhões.

Segundo o secretário de Planejamento Urbano e Ação Regional, Alfredo Luiz Buso, o processo de licitação está em fase final e a vencedora do certame foi o consórcio Revita/Lara. "Nesta semana expira o prazo para qualquer tipo de recurso e logo em seguida devemos começar a elaborar o contrato", afirmou. A expectativa é que as obras comecem ainda neste ano, no terreno do antigo lixão do Alvarenga, e a usina deve estar em operação em 2015.

Quando passar a funcionar, a tecnologia deve gerar 30 megawatts por hora, suficientes para abastecer um município do tamanho de Diadema. A Prefeitura pretende utilizar a energia na iluminação de ruas e prédios públicos. O processo gera 10% de resíduos, que podem ser reaproveitados no recapeamento asfáltico de vias ou na área da construção civil.

Meta é reduzir volume de resíduos por meio da reciclagem

Os planos de resíduos sólidos preveem metas de reciclagem como principal alternativa ao envio de toneladas de lixo para aterros sanitários próximos do limite. Na última análise da Cetesb, que não divulga a vida útil do aterro Lara, o status da área caiu de adequado para controlado.

Em São Bernardo, a meta é reciclar 10% até 2016, por meio da implantação de seis centrais de triagem, 30 ecopontos, 600 PEVs (pontos de entrega voluntária) e coleta seletiva porta a porta, com recurso de R$ 42 milhões.

Em Mauá, o secretário de Meio Ambiente, José Afonso Pereira, estima que até 2028 o município irá reciclar 12% do lixo. "Vamos investir na instalação de ecopontos, PEVs e na central de reciclagem, que será inaugurada em junho."

Ribeirão Pires tem meta ambiciosa, conforme o secretário de Meio Ambiente Temístocles Cristofano. "Nos próximos três anos queremos alcançar 10% de lixo reciclado."

As demais cidades não informaram suas metas.

Extraído do sítio Diário do Grande ABC