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14 janeiro 2013

O FIASCO DO ATO CONTRA LULA EM SP E A OJERIZA DO BRASILEIRO À POLÍTICA - Eduardo Guimarães


Claro que foi risível o fiasco dos 20 gatos pingados que foram à avenida Paulista no domingo para insultar o ex-presidente Lula e o PT. A quantidade de piadas possíveis sobre essa iniciativa ridícula é imensurável e está fazendo a festa de quem se indignou com aquela cretinice.

Todavia, à luz de recente ato público de apoio ao adiamento da posse do presidente Hugo Chávez, na Venezuela, o qual levou centenas de milhares, se não milhões às ruas, há que refletir sobre um fenômeno tipicamente brasileiro.

É mentira que o brasileiro não vai à rua. Vai, sim, só que apenas se for em causa própria.

Recentemente, perguntei a lideranças da CUT e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) por que ainda não se mobilizaram pela causa da regulação da mídia, que defendem. Afinal, ao menos a central sindical já conseguiu pôr dezenas de milhares na rua.

Os movimentos sociais e os sindicatos que entendem quão prejudiciais são os oligopólios de comunicação me responderam que não existe “massa crítica” para gerar manifestações de rua por esse tema.

O próprio Movimento dos Sem Mídia, fundado aqui neste blog, já conseguiu pôr centenas de pessoas na rua contra o engajamento político da imprensa dita “isenta”, como no caso da manifestação da ONG em 2009 contra editorial da Folha de São Paulo que disse que a ditadura militar brasileira teria sido “branda”.


Contudo, manifestações de 500 pessoas ou mesmo de 20, 30 mil como as que a CUT já logrou organizar para reivindicar salários etc. seriam vistas como piadas em países como Venezuela, Bolívia, Equador, Argentina e outros países politizados.

Os raros exemplos de sucesso de manifestações públicas de massas no Brasil residem entre os homossexuais e os evangélicos, que arrastam milhões de pessoas para tais iniciativas.

Aliás, verdade seja dita, nos países politizados desta região até a direita consegue pôr gente na rua, haja vista recente manifestação contra o governo na Argentina ou as marchas da oposição venezuelana menores do que as do chavismo, sim, mas, ainda assim, gigantescas.

O que acontece com o nosso povo? Por que somos tão engajados em causas de interesse de todos apenas na internet, mas sempre arrumamos um “compromisso de última hora” quando somos convocados a ir à rua defender aquilo em que acreditamos?

Os retardados que convocaram a manifestação contra Lula somaram quase duas mil pessoas no Facebook, mas a desculpa deles para não terem ido à avenida Paulista dizerem seus insultos contra o ex-presidente foi a de que “estava chovendo”…

No mesmo dia do ato dos “cansados” paulistanos, entre 300 mil (segundo a polícia) e 800 mil (segundo os manifestantes) foram à rua em Paris para protestar contra o “casamento” gay. A França, aliás, a exemplo de vários outros países europeus é palco constante de manifestações enormes.

Ir à rua protestar ou reivindicar, portanto, não é coisa de país subdesenvolvido. Muito pelo contrário, denota a preocupação dos povos em transformar retórica em ações.

Seja contra Lula, seja contra mídia, seja pelo que for – até mesmo por reivindicações que beneficiem os manifestantes –, o brasileiro demonstra comodismo e covardia.

Em 2011, a grande mídia tentou pôr gente na rua para protestar contra Lula, o PT e o governo Dilma. Impérios de comunicação martelaram convocações diuturnamente e colheram mais fiascos.

Os poucos que os grandes meios de comunicação conseguiram mobilizar, mobilizaram-se porque tais meios financiaram transporte, lanches e até pagamentos em dinheiro. Fui a algumas dessas manifestações e descobri que muitos nem sabiam por que estavam lá.

Já tentaram explicar essa apatia do brasileiro devido à ditadura, que teria atemorizado o nosso povo em relação a se mobilizar por causas políticas. É bobagem. A Argentina viveu uma ditadura mais sangrenta do que a brasileira e aquele povo se mobiliza o tempo todo.

A explicação me parece ser ojeriza do nosso povo à política. As manifestações se tornam ainda mais inviáveis quando convocadas sob tal mote.

A direita midiática, ao longo da segunda metade do século XX, trabalhou duro para gerar essa visão deturpada do povo sobre política. Nesse processo, porém, não atingiu somente a esquerda, mas a ela mesma. Hoje, aliás, a direita consegue mobilizar ainda menos gente do que a esquerda.

Esta, porém, tem instrumentos para sobrepujar a direita em mobilizações populares. Os movimentos sociais e os sindicatos estão quase que cem por cento no lado esquerdo do espectro político. Nesse ponto, surge o segundo grande inimigo da mobilização cidadã.

O comodismo explica por que pessoas politizadas e conscientes resistem a ir à rua expor suas demandas, apoios e repúdios. Esse, portanto, é o grande inimigo que é preciso combater a fim de pôr na agenda do país causa tão urgente quanto a democratização da comunicação.

Venho dizendo isso desde 2007, quando, neste blog, propus o primeiro ato público do Movimento dos Sem Mídia diante da Folha de São Paulo, que, surpreendentemente, reuniu quase 300 pessoas: ninguém muda um país sentado diante de um computador.

Extraído do Blog da Cidadania

15 setembro 2012

AL QAEDA INCENTIVA NOVOS PROTESTOS E PEDE O FECHAMENTO DE EMBAIXADAS NORTE-AMERICANAS

O grupo terrorista classificou as manifestações dos últimos dias, ocorridas devido a um vídeo religioso, como algo "muito grande".

O grupo terrorista Al Qaeda divulgou um comunicado neste sábado (15/09) para incentivar os muçulmanos a continuarem com os protestos até conseguirem o fechamento das embaixadas norte-americanas. Em referência ao filme "A Inocência dos Muçulmanos", que foi o estopim das diversas manifestações nos últimos dias, o texto pede que os “irmãos muçulmanos no Ocidente realizem seus deveres para apoiar o profeta” Maomé.

Mais de 12 países registraram manifestações em embaixadas norte-americanas contra um vídeo religioso
"O que aconteceu é algo muito grande. Por isso, devemos unir os diferentes esforços com um só objetivo que é a expulsão das embaixadas norte-americanas dos países muçulmanos e que continuem as manifestações e protestos", diz a nota, cuja autenticidade não pôde ser verificada.

De acordo com a nota, assinada pelo braço do grupo na Península Arábica, o fechamento das embaixadas e consulados norte-americanos será um passo fundamental "para a libertação dos países muçulmanos da hegemonia e da soberba norte-americana".

Imagem da Embaixada dos Estados Unidos na Líbia após os protestos que deixaram quatro mortos, no dia 11 setembro

O documento também traz comentários sobre as mortes de J. Cristopher Stevens, embaixador dos Estados Unidos na Líbia, e de outros três funcionários da mesma representação diplomática, classificadas “como o melhor exemplo” do que deve ser feito durante os protestos. 

Em relação ao vídeo sobre o profeta, considerado blasfemo pelos muçulmanos e que desencadeou ataques e protestos contra sedes diplomáticas dos EUA em vários países, o grupo terrorista assinalou que "se dá no marco de uma cadeia seguida de guerras cruzadas contra o Islã".

"Em resposta a estas contínuas agressões, os povos muçulmanos se sublevaram em seu apoio e zelo pela dignidade e honra de nosso profeta", acrescenta a nota, que ressalta que "esta ofensa transformou a malícia do inimigo em vergonha e infortúnio como castigo".

Na noite desta sexta-feira (14/09), ao receber os corpos dos norte-americanos mortos na Líbia, o presidente Barack Obama afirmou que “a justiça chegará para aqueles que causarem danos aos norte-americanos”.

O presidente democrata, que enfrentará o republicano Mitt Romney nas eleições de 6 de novembro, também garantiu que as manifestações não prejudicarão o relacionamento dos Estados Unidos com os países da região.

Histórico dos protestos

Desde a divulgação do filme, no início desta semana, protestos foram realizados em mais de 12 países, entre os quais estão Egito, Iraque, Afeganistão, entre outros. De acordo com a agência Efe, ao menos uma pessoa morreu e outras 400 ficaram feridas em Cairo.

O Iêmen foi um dos diversos países em que ocorreram protestos em Embaixadas dos Estados Unidos nos últimos dias

Na madrugada deste sábado, mais de 500 pessoas também saíram às ruas na Austrália. A polícia local dispersou o movimento com gás lacrimogêneo. 

Extraído do sítio Opera Mundi

14 setembro 2012

A ILUSÃO DE UM MUNDO COMPREENSÍVEL - Fiódor Lukianov

A situação no Oriente Médio está tão confusa que já não é possível entender quem luta com quem e de qual lado estão as diversas partes. A morte do embaixador norte-americano em Benghazi, cidade cujos habitantes receberam com empolgação os bombardeios da Otan contra o país um ano atrás, apenas confirma o nível dos conflitos.

"A linha de Bush-Cheney-Ramsfeld foi considerada um erro e a essência da presidência de Barack Obama consistiu em se livrar da herança dos seus antecessores". Foto: AP

Há 11 anos, quando baixou a poeira sobre o local da explosão das Torres Gêmeas, destruídas por um ataque de árabes kamikases, parecia estar surgindo uma nova linha de frente que colocaria todos em seus devidos lugares. Além do bem e do mal estavam os “terroristas internacionais”, inimigos do “mundo livre”. Contra eles, um recurso universal despontou: a democracia, que, em sua concepção, deve crescer por si só, mas, caso isso não aconteça, pode ser instituída à força.

Surgiram os neoconservadores a partir de duas premissas. Em primeiro lugar, uma vez que os EUA são uma superpotência global, as medidas para garantia de sua segurança devem ter um caráter mundial. Somado a isso, a garantia do progresso mundial profetizado são os dispositivos democráticos e, quanto maior o número de países que adotam esses dispositivos, menor o nível de ameaça à América. Os acontecimentos subsequentes – Afeganistão, Irã, eleições na Palestina e apoio às “revoluções coloridas” – personificaram essas concepções na prática.

A linha de Bush-Cheney-Ramsfeld foi considerada um erro e a essência da presidência de Barack Obama consistiu em se livrar da herança dos seus antecessores. Por ironia do destino, aquilo que os neoconservadores desejavam começou de fato a acontecer justamente na administração de Obama.

O Oriente Médio despertou e multidões passaram a exigir uma democratização de verdade, varrendo os regimes ditatoriais ora por conta própria, ora com ajuda externa. Inabaláveis aliados norte-americanos do passado na luta contra o terrorismo mudaram de rumo, enquanto surgiam como beneficiários das revoluções (totalmente populares) aqueles que há pouco eram considerados senão terroristas, pelo menos seus cúmplices e, portanto, suspeitos.

Esse movimento relembra a experiência do Afeganistão nos anos 1980, quando os Estados Unidos apostaram nos mujahidin (“guerreiros santos”) para a luta contra a União Soviética e, depois, deles surgiu a Al Qaeda, que voltou suas armas contra o ex-padrinho.

Naquela época, a aposta foi feita de modo consciente. Afinal, a tarefa de infligir perdas ao comunismo e aos soviéticos era considerada tão prioritária que simplesmente não se mediam gastos. Além disso, ainda não era possível prever quanto o islã fortaleceria suas posições políticas nem supor o confronto ideológico ao modelo anterior.

Hoje em dia, é praticamente impossível ter ilusões em relação ao desenrolar dos acontecimentos. O antiamericanismo no mundo árabe e muçulmano como um todo é um fenômeno disseminado sobretudo entre as amplas massas populares que compõem o corpo do eleitorado. Ainda mais que as sementes da oposição religiosa e cultural, lançadas no início do século 21 durante o processo da campanha antiterrorista, germinaram.

O islã político, que, desde o início dos anos 2000, tem sido julgado no contexto da Al Qaeda e da coalisão antiterrorista global, adquire agora dimensões completamente diferentes. Nos países árabes, os islamistas têm chegado ao poder por vias legítimas. Os “irmãos muçulmanos” estão governando o Egito e, ao contrário de todas as expectativas, Mohamed Mursi não se transformou em um presidente de fachada no contexto da junta militar, mas tomou decisivamente as rédeas da situação.

Entre ele e os companheiros de armas extremistas al-Zawahiri há, é claro, grande diferença. Porém, não mais como aquela entre eles e Mubarak. E o abismo tende, mais provavelmente, a se estreitar. De um lado, com a socialização dos radicais, do outro, com o deslocamento dos moderados em sua direção.

O mais importante, contudo, é que o apoio às revoluções no mundo árabe não foi escolha consciente e premeditada de Washington, mas uma tentativa de acomodar-se à tormenta de acontecimentos, somada ao mencionado instinto ideológico.

Dez anos atrás, esperava-se que os atos terroristas em Nova Iorque e Washington deixassem clara a situação global, definindo com precisão os inimigos e os amigos. Mas a Primavera Árabe misturou todas as cartas. Na Líbia, Egito, Síria e Iêmen, os EUA transformaram-se, na realidade, em aliados daqueles com os quais haviam lutado no combate ao terrorismo.

O Oriente Médio está passando por um deslocamento tectônico, por mudanças fundamentais, cujos contornos apenas foram esboçados. Tanto Osama bin Laden quanto George Bush participaram da criação das precondições desses movimentos, mas o que foi iniciado possui sua lógica própria e os cenários praticamente não dependem de forças externas. Desse modo, as mudanças no Oriente Médio põem fim às ilusões de que o mundo do século 21 seria organizado de acordo com um esquema simples e compreensível.

Fiódor Lukianov é redator-chefe da revista Russia in Global Affairs.

Extraído do sítio Gazeta Russa

13 setembro 2012

REVOLTA CONTRA FILME QUE SATIRIZA ISLÃ SE ESPALHA PARA EMBAIXADA DOS EUA NO IÊMEN

Em resposta ao ataque na Líbia, o governo norte-americano enviou oficiais do FBI e do exército e navios de guerra.

Manifestantes tentam invadir a Embaixada dos Estados Unidos em Sana, capital do Iêmen. Foto: Agência EFE

Os protestos de muçulmanos contra um filme norte-americano que denigre e satiriza a religião islâmica chegaram nesta quinta-feira (13/09) ao Iêmen, onde centenas de jovens invadiram a Embaixada dos Estados Unidos em Sana, capital do país. 

As manifestações contra a produção cinematográfica A Inocência dos Muçulmanos já ocorreram no Egito e na Líbia, onde um embaixador e três funcionários norte-americanos acabaram mortos na terça (11/09), o que deflagrou uma crise internacional.

O governo de Barack Obama enviou oficiais do FBI e do exército para a Líbia para “fazer justiça” após a morte dos funcionários diplomáticos. Jornais internacionais reportaram que navios de guerra norte-americanos já foram vistos na costa do país norte-africano nesta quinta-feira (13/09).

Manifestantes gritam em protesto contra filme norte-americano que satiriza religião islâmica e seus seguidores. Foto: Agência EFE

Segundo a agência de notícias France Press, hoje centenas de iranianos também protestaram contra o filme em frente à Embaixada da Suíça no país, que não possui representação oficial dos EUA. Dezenas de policiais cercaram o edifício para manter a segurança e funcionários suíços deixaram o local por precaução. Não existem relatos de incidentes nem de confronto, como informou o jornal New York Times.

Já no Iêmen, os manifestantes foram reprimidos pelos seguranças da embaixada norte-americana, que fizeram disparos para o ar, e pela polícia local, que lançou bombas de gás lacrimogêneo e canhões da água. Em comunicado oficial para a agência de notícias Reuters, diplomatas iemenitas em Washington asseguraram que não houve vítimas. Veículos de notícias, citando fontes anônimas de segurança, relatam que pelo menos 15 pessoas ficaram feridas.

Os manifestantes conseguiram invadir a embaixada por cerca de 50 minutos, mas permaneceram na parte de fora dos edifícios. Algumas janelas foram quebradas e um grupo de jovens queimou a bandeira dos EUA, informou o jornal norte-americano Huffington Post. O presidente iemenita Abd Rabbo Mansour Hadi condenou o protesto e responsabilizou “grupos demagógicos”.

Egito 

A polícia egípcia também reprimiu manifestantes que continuavam a protestar em um local próximo a Embaixada dos EUA na noite desta quarta-feira (12/09) com bombas de gás lacrimogêneo. A Mena, agência de notícias estatal, disse que 29 pessoas ficaram feridas e 12 foram detidas durante a madrugada. 

O confronto teve início depois que os oficiais egípcios tentaram dispersar um acampamento de manifestantes próximo à sede diplomática norte-americana. Dezenas de jovens permaneciam no local desde a manifestação de terça (11/09) em protesto pacífico contra o filme.

Mohammed Mursi, presidente do país, garantiu nesta quinta (13/09) ao governo dos EUA que garantirá a segurança dos funcionários e diplomatas norte-americanos. As ruas de acesso à embaixada no Cairo amanheceram fechadas e repletas de forças de segurança.

Líbia

Enquanto isso, autoridades líbias anunciaram a criação de uma comissão independente para apurar a morte do embaixador e dos três funcionários norte-americanos durante manifestação no consulado dos EUA na terça-feira (11/09). O grupo será constituído por um juiz e vários especialistas dos ministérios do Interior e da Justiça, informou o porta-voz da Alta Comissão de Segurança do Ministério do Interior, Abdelmonem Al Horr. 

Segundo Al Horr, a investigação é “muito complicada”. "Houve tiros provenientes de uma propriedade nas proximidades. Precisamos de tempo para determinar as responsabilidades”, disse ele.

A Inocência dos Muçulmanos

As manifestações ao redor do mundo árabe e islâmico tiveram início nesta semana depois que o trailer do filme A Inocência dos Muçulmanos ganhou legendas em árabe em conta no YouTube. Desde então, milhares de pessoas assistiram à versão, aprovada pelo diretor, e uma emissora egípcia chegou a reproduzi-la.

O filme mostra muçulmanos atacando uma cidade e todos aqueles que possuem religião diferente, incluindo uma bela garota com uma cruz no peito que é morta. Em outras cenas, o profeta Maomé é chamado de “bastardo”, briga por um pedaço de carne com uma de suas esposas, aparece sem cuecas e faz sexo oral em uma mulher. 

Para Sam Bacile, o diretor da produção milionária, “O Islã é um câncer e ponto final”. O norte-americano, que prefere se identificar como um israelense judeu, acredita que o filme vai ajudar o Estado judeu a dominar o território da Palestina por mostrar as falhas do Islã ao mundo.

“É um filme político”, disse ele ao descrever a sátira islamofóbica, que foi financiada por mais de 100 doadores judeus e custou 5 milhões de dólares.

Extraído do sítio Opera Mundi

23 julho 2012

POVO ESPANHOL PEDE SACRIFÍCIO DE POLÍTICOS E BANQUEIROS - Guilherme Kolling


Protestos em mais de 80 cidades da Espanha levam centenas de milhares às ruas para contestar o corte de 65 bilhões de euros aprovado pelo governo. Políticos e banqueiros foram alvos das manifestações. “Há muitos gastos e cargos políticos a enxugar antes de tirar da educação, da saúde, de aposentados e de desempregados”, repetiam os madrilenhos que aderiram à marcha. A reportagem é de Guilherme Kolling, direto de Madri

Madri - “A joderlos!, ooéé! A joderlos, ooéé!”... O principal grito de guerra da torcida da Espanha na Eurocopa 2012 (o original é Por La Roja!, ooéé!) ganhou uma paródia malcriada que ecoou pelas principais vias do centro de Madri na noite desta quinta-feira. Quem cantava era o povo que saiu às ruas para protestar. O alvo eram políticos e banqueiros.

A inspiração veio da deputada Andrea Fabra, do conservador Partido Popular (PP), que foi flagrada dizendo 'que se jodan!', durante a apresentação no Congresso espanhol do corte de 65 bilhões de euros anunciado pelo governo na semana passada.

A população atingida pela medida reagiu com força, em 80 cidades. Em Madri, mais de 100 mil pessoas participaram da marcha pelo Paseo del Prado, Calle de Alcalá, até chegar na Puerta del Sol.

Um deles era Carlos Gaudencio, funcionário da prefeitura que exibia um cartaz parafraseando a deputada do PP, mas atacando os políticos. “Que se jodan, pero mira cómo roban!” Havia muitos outros estandartes nesse estilo, caso de uma bandeira da União Europeia contornada pelos dizeres “Bancos y políticos, que se jodan”.

Organizado pelos principais sindicatos do país ibérico, o ato tinha como título “Quieren arruinar com el país. Hay que impedirlo. Somo más”. Teve apoio maciço de centenas de entidades e de milhares de cidadãos que simplesmente desejavam manifestar seu descontentamento com as medidas do governo de direita comandado por Mariano Rajoy (PP).

O pacote aumenta impostos e sacrifica funcionários públicos, aposentados e desempregados. Nem educação nem saúde foram poupados. Rajoy declarou que não gostaria de ter adotado as medidas, mas justificou que não havia outra opção para a Espanha, que precisa reduzir seu déficit para receber o resgate de 100 bilhões de euros da União Europeia para salvar seus bancos.

A interpretação exibida nas ruas é outra. Seja no “Manos arriba! Eso es un asalto!”, uma das palavras de ordem da caminhada, ou no cartaz com os dizeres “Nos roban dinero para dar a los banqueros”.

Ao invés de cortes nos salários e em áreas sociais, os manifestantes defendem menos dinheiro às instituições financeiras, menos cargos políticos, redução dos altos salários e nas benesses de parlamentares.

“Nesses últimos três meses, tivemos perdas que superam 5 mil euros. São 5 mil euros a menos por ano no nosso salário!”, denunciava o bombeiro José Luis Garcia, integrante de uma das classes que esteve em peso na passeata de Madri. “Nos tiraram salário extra, pagamento de Natal, seguro médico, auxílio-alimentação. Antes de fazer isso, poderiam extinguir pelo menos uns 80% dos cargos políticos desse país”, sugeriu.

Julián Sánchez, também bombeiro, exemplificou os efeitos negativos dos sucessivos recortes na corporação com o aumento do número de plantões e a falta de pessoal e de material de trabalho. “E os carros oficiais que deixam a disposição dos políticos? E o dinheiro para Fórmula 1 em Valência? Enfim, não se pode dizer que a única saída era tomar essas medidas. Há muito para cortar”.

Além de bombeiros, profissionais do canal de televisão Telemadrid, enfermeiros, profissionais da educação e até mesmo policiais engrossaram a marcha. A classe cultural também se mobilizou, com direito a presença ilustre do ator Javier Barden. “Cultura no es lujo”, era um dos dizeres do grupo.

A tese do corte de benesses à classe política foi repetida por vários ativistas, que se referiam a uma pesquisa divulgada neste ano, que revelou que a Espanha tem mais de 400 mil cargos políticos, número muito superior aos pouco mais de 100 mil que existem na Alemanha.

Olga Rosa e Maite Méndez, funcionárias da Universidade Carlos III de Madri, criticaram o desconto no salário dos servidores que ficam doentes. E disseram que há muito desperdício com dinheiro público, como recursos destinados a touradas, incentivadas por serem consideradas um bem cultural.

Julia Ogaña, funcionária do Estado de Madri, observou que a suspensão do salário extra e do pagamento de Natal não atinge parlamentares, que recebem esse valor diluído nos vencimentos mensais.

A administradora de empresas Nieves Palomares, 50 anos, está desempregada e vai ser atingida pelos cortes. Ela compara a ajuda de algumas centenas de euros recebida por quem está sem trabalho com salários em cargos públicos que superam 100 mil euros. “Não seria mais justo diminuir um pouco o soldo deles?”, questiona.

Reduzir recursos da Família Real ou cortar os benefícios fiscais da Igreja foram outras sugestões dos manifestantes. No manifesto lido na Puerta del Sol ao final da caminhada, ficou a promessa de que, enquanto o povo não for ouvido, permanecerá protestando na rua.


Extraído do sítio Carta Maior

24 maio 2012

"MANIFESTANTE" NA FRANÇA, "VÂNDALO" NO BRASIL: É O CONSERVADORISMO MATREIRO - Rodrigo Vianna


Durante essa semana, ouvi os maiores absurdos sobre a greve dos metroviários e ferroviários de São Paulo. Claro que ninguém gosta de chegar à estação e encontrar os trens parados. Claro que o bom jornalismo precisa mostrar as dificuldades que uma greve desse tipo gera para os cidadãos. Tudo isso está ok.

Mas o grau de conservadorismo embutido nas coberturas da chamada grande mídia é algo assustador. Já não sei se a cobertura reflete o conservadorismo de certo público, ou se é o contrário. Na internet, li comentários absurdos: “a culpa é do molusco de nove dedos”, ou “sindicalista pra mim devia morrer”. Essas pessoas existem, não são ficção. Nas ruas, também ouvi coisas parecidas, mas sem a mesma agressividade que a internet costuma estimular…

Quase não se discutiu – na cobertura midiática – a situação lamentável dos transportes na maior metrópole sul-americana. Uma greve como essa não seria gancho para um debate sério? Seria… Mas é esperar demais desse jornalismo trôpego…

Em parte, a cobertura midiática que criminaliza sindicalistas e grevistas (aliás, vale ressaltar que os sindicatos que comandaram a greve em São Paulo não são cutistas, não tem ligação com Lula nem o PT, por isso esse discurso de culpar “petistas” é, além de tudo, obtuso) alimenta-se de um conservadorismo tosco, que costuma enxergar ”conflito” como “desordem”. Conflito não é visto como sintoma de que algo não vai bem. Conflito não é visto como um momento de inovação criativa. Conflito é baderna. Greve é baderna.

Mas há um outro conservadorismo, mais sofisticado, a alimentar essas coberturas. E o cartaz que reproduzo acima reflete exatamente isso. Qualquer cidadão medianamente informado sabe que a História da Humanidade se fez – e ainda se faz- a partir das contradições e dos interesses conflitantes. O moderno Estado liberal, por exemplo, é filho de uma Revolução sangrenta, ocorrida na França, em 1789. Nossa imprensa, duzentos anos atrasada, talves visse Danton e Robespierre como “baderneiros” e “vândalos”…

Claro, não quero comparar grevista de transporte em São Paulo com jacobino francês… Mas não é preciso ir tão longe… 

O jornalismo conservador trata manifestantes franceses por esse nome: “manifestantes”. É só no Brasil que manifestante vira “vândalo”. Conservadorismo matreiro, que por vezes se traveste de “moderno”, se recicla, mas está sempre lá – a frear as mudanças, transformando qualquer ameaça de rompimento em reforma tênue e limitada, evitando os “arroubos”, os “exageros”, os “radicalismos”.

Dia desses, o Igor Felippe escreveu aqui um belo artigo, lembrando exatamente essa tradição brasileira – tão bem estudada por Florestan Fernandes: a cooptação que esvazia conflitos, que finge dissolver as diferenças.

Ontem mesmo, assistia eu a uma sessão da CPI do Trabalho Escravo, pela TV, quando vi dois deputados ruralistas esbravejando contra os “exageros” embutidos nessa campanha pela erradicação do trabalho escravo no Brasil. “Veja, agora querem que toda fazenda tenha pelo menos um banheiro pra 40 pessoas! Se isso for trabalho escravo, aqui na Câmara mesmo somos escravos, falta banheiro pros deputados”.

É uma cara de pau sem fim. E o sujeito (deputado do PMDB-SC) dizia isso ressaltando que “respeita muito” o Ivan Valente (PSOL-SP) – deputado que cobrava mais ações contra o trabalho escravo. Respeita, mas acha que é preciso encontrar um “equilíbrio”. Equilibrio entre escravo e dono do escravo? Esse é o Brasilsão de meu Deus…

Quem tem o desplante de não se ajeitar na grande conciliação, é tratado como “vândalo”, “radical”. E expelido, feito um caroço de jabuticaba.

É um tipo de mentalidade fortíssima na sociedade brasileira, e que tem defensores de alto a baixo. Conservadorismo matreiro. Eu poderia escrever muito mais, mas nem precisa: o cartaz lá em cima já diz tudo. 

Nota: recebi a imagem reproduzida acima pelo facebook; já não lembro mais quem mandou, peço desculpas por não citar o autor da didática montagem. Se ele aparecer por aqui, darei o devido crédito…


Extraído do sítio Escrevinhador, de Rodrigo Vianna

13 maio 2012

DEZENAS DE MILHARES VÃO ÀS RUAS EM PROTESTO PELO MUNDO

Milhares continuaram na praça Puerta del Sol, em Madri, durante a noite
Dezenas de milhares de manifestantes foram às ruas de vários países do mundo para protestar contra medidas de austeridade e a crise econômica.

Os protestos ocorreram em várias cidades da Espanha, em Nova York, Moscou, na Rússia, Atenas, na Grécia, Frankfurt, na Alemanha, e Londres.

Na Espanha, dezenas de milhares de pessoas foram às ruas em várias cidades para marcar o aniversário de um ano do Movimento Indignados.

No centro da capital, Madri, os manifestantes continuaram na praça Puerta del Sol durante a noite de sábado, apesar do prazo dado pela polícia, até a meia-noite, para a desocupação da praça.

Em 2011, o Movimento Indignados estabeleceu um acampamento na praça, mas as autoridades afirmaram que, neste sábado, iriam impedir que os manifestantes passassem a noite no local. Cerca de 2 mil policiais da tropa de choque foram para a praça, mas até o fim da noite de sábado, não tinham feito nenhum movimento para dispersar os manifestantes.

Segundo o correspondente da BBC em Madri Guy Hedgecoe, o clima era festivo e, além de jovens, aposentados e famílias também participaram da manifestação.

"O objetivo de hoje é recuperar os espaços públicos", disse a manifestante Sofia Ruiz à agência de notícias Reuters.

"Também é uma forma de celebrar o fato de existirmos há um ano e que vamos estar aqui até que o sistema mude, que sejamos ouvidos ou que eles levem em conta nossas reivindicações", acrescentou.

Em Barcelona cerca de 45 mil pessoas foram às ruas, segundo a polícia. Os organizadores do protesto afirmam que o número de manifestantes chegou a centenas de milhares.

Um dos manifestantes de Barcelona, Jose Helmandez, disse à BBC que é doutor em genética e biologia molecular, mas não conseguiu encontrar emprego em sua área.

"Muitas pessoas estão saindo do país para procurar trabalho, mesmo se elas acabam não fazendo algo para o qual são qualificadas. Eu estava na França, mas voltei para a Espanha há quase dois anos e tudo o que encontrei foram empregos temporários", disse.

Crise e críticas

Protestos ocuparam parques e praças de Moscou
O Movimento Indignados foi formado devido ao impacto da pior crise econômica das últimas décadas na Espanha.

De acordo com Guy Hedgecoe o desemprego na Espanha é de mais de 24% e a economia do país está em recessão.

Alguns setores da sociedade espanhola criticaram os Indignados devido ao fato de os protestos terem tido pouco impacto na política espanhola no último ano.

O governo do primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, eleito em novembro de 2011, introduziu cortes orçamentários e aumentos de impostos.

Rajoy também anunciou a desregulamentação do mercado de trabalho, o que gerou insatisfação entre os sindicatos do país.

O correspondente da BBC em Madri afirma que os Indignados são contra o programa de austeridade do governo e vão passar os próximos dias debatendo formas de fazer com que os líderes econômicos e políticos da Espanha sejam mais responsáveis por suas medidas.

Outras cidades

Manifestantes tentaram chegar até o Banco da Inglaterra
Protestos parecidos com os ocorridos na Espanha também foram realizados neste sábado em várias cidades do mundo, como parte de um dia de ação global. Alguns destes protestos foram organizados pelo movimento Occupy.

Em Londres, centenas de manifestantes se reuniram em frente à catedral de St. Paul, onde um acampamento de manifestantes foi removido em fevereiro. O protesto então se dirigiu para o distrito financeiro da capital britânica.

A polícia prendeu mais de dez pessoas que tentaram ir até o Banco da Inglaterra.

Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de Moscou, na Rússia, Nova York e Atenas, na Grécia.

Protestos menores também ocorreram em Lisboa e no centro financeiro da Alemanha, Frankfurt.

Cerca de mil pessoas também fizeram uma manifestação em Tel Aviv, Israel, contra o aumento do custo de vida. Outras cidades israelenses também teriam tido protestos.


Extraído do sítio BBC Brasil

02 maio 2012

OCCUPY WALL STREET RENASCE NO 1º DE MAIO E ATACA SÍMBOLOS DO CONSUMO EM NY - Pedro Henrique

Com o fim do rigoroso inverno norte-americano, movimento voltou a ocupar ruas da maior metrópole dos EUA. Artigo de Pedro Henrique, do Opera Mundi.

"Empresas não são pessoas", diz cartaz de ativista durante movimento organizado pelo Occupy Wall Street, em Nova York, nesta quarta (2) (Foto: CC/asterix611/Flickr)

Apesar de ser o berço do Dia do Trabalho, os Estados Unidos não têm a tradição de baixar as portas do comércio, nem fechar fábricas e escolas, como ocorre em quase todo o mundo. Ontem, porém, os manifestantes do movimento Occupy Wall Street mudaram este cenário, confiantes no lema que disseminam desde o ano passado: “Nós somos os 99% e podemos mudar o mundo”.

Após uma pausa devido ao rigoroso inverno no hemisfério norte, o movimento que protesta contra o sistema financeiro internacional e se espalhou pelo globo em 2011 voltou à ativa neste 1º de maio, com uma manifestação sem precedentes em Nova York.

O recado já havia sido dado, como noticiado no Opera Mundi: não ao consumo, ao trabalho, à escola. E eles cumpriram o que prometeram. Jovens, famílias inteiras com bebês de colo, idosos, mendigos, hipsters e engravatados ocuparam as ruas de Manhattan pacificamente, com guitarras, violões, bandeiras, cartazes, discursos, canções e gritos de protesto no simbólico ‘feriado’.



O movimento, que foi alvo de uma articulada repressão por parte da polícia norte-americana – que evacuou todos os ocupantes de suas bases, proibindo-os de ali voltarem a acampar – renasceu. A iniciativa começou cedo, com a ocupação do Bryan Park, na rua 42 com a 6a Avenida. O Occupy ainda realizou ações pontuais em alguns pontos de comércio e bancos (os vilões da crise americana de 2008, ajudados por Barack Obama para não quebrarem). Cartões-postais, como a ponte de Williamsburg, também foram ocupados.

Por volta das 14h (15h no horário de Brasília), centenas saíram em direção à Union Square, tomando a 5a Avenida, o símbolo-mor do consumismo nova-iorquino. Sempre acompanhados pela polícia, eles respeitaram até a rua 33 o cercadinho humano que os impossibilitava de tomar – literalmente – a avenida. Dado instante, porém, a multidão ficou irrefreável. A polícia perdeu o controle da situação – e a 5a Avenida foi, literalmente, ocupada. A liberdade, contudo, durou pouco, segundos. Centenas de policiais voltaram a cercar alguns manifestantes e prende-los

Grande parcela dos ‘ocupadores’, entretanto, deu continuidade à caminhada e, por volta das 15h, já dominavam a Union Square, monitorada pelos homens da NYPD (o departamento de polícia de Nova York). “Loucura, era disso que eu estava falando”, dizia uma das manifestantes à amiga que empunhava a bandeira da anarquia, correndo em direção à praça. Lá, os discursos – e reivindicações – se misturavam, chamando atenção para os mais distintos assuntos: aborto, imigração, drogas, direitos de GLBT, cadeirantes. Todos, no fim, desembocavam no mesmo grito: o fim do capitalismo e dos privilégios ao 1% mais rico da população.

Encontro de classes

A professora Suzane, de 65 anos, que se recusou a dar o sobrenome por medo de retaliação, exaltou o Occupy como a “única salvação” para o sistema atual. “O dia de hoje é crucial para a história dos Estados Unidos. A única salvação para todo o mundo é a ocupação em Wall Street. Você tem aqui ricos, pobres, jovens e idosos, fora um monte de gente que não está aqui por medo de perderem seus trabalhos: gente da minha família inclusive. Em 65 anos nunca vi nada igual”, declarou Suzane.

Para a professora, o movimento é, sobretudo, “apolítico”. “Democratas ou republicanos, nós já vimos que nada acontece. A mídia, que deveria dar atenção a isso, é controlada pelo [Rupert] Murdoch, nada é noticiado. Por isso estamos aqui”. O jovem William, de 29 anos, que trabalha como operário em construção (e também se recusou a dar seu sobrenome), atendeu ao clamor do lema do “May Day” e “enforcou” o dia de trabalho para se juntar ao Occupy. Ele ressaltou a importância dos jovens – e da união com as diversas faixas etárias, raças e classes sociais.

William, entretanto, lembrou o medo de um grande número de trabalhadores que poderiam se juntar à causa e não o fazem por preverem represálias. “Eu acredito no Occupy, mas só não sei se ele consegue ser efetivo com esse número que temos aqui manifestando”, disse. A tese de represália – “num mundo cruelmente corporativista”, como pontuou Suzane – faz sentido. Diversos policiais empunhavam câmeras durante o manifesto – e, claro, que com intenções outras que a mera curiosidade ou o puro registro. Se negavam, no entanto, a explicar o uso da máquina.

Rumo ao coração financeiro

Por volta das 16h30, um chamado do palco convocou as milhares de pessoas que ocupavam a Union Square e seus arredores para seguir em marcha ao Zucotti Park, em Wall Street, onde tudo começou. Os manifestantes passaram pela Broadway, interditando uma das principais avenidas de Manhattan, em meio às diversas grifes que pipocam pelo miolo do sofisticado bairro do SoHo. Moradores, turistas e comerciantes, em sua maioria, fotogravam, comentavam, aplaudiam. Outros, fechavam as portas, como uma loja da rede Starbucks.

A nova-iorquina Margie, 61 anos, dava de ombros ao cerco policial e sorria em meio à multidão, já a caminho do coração financeiro da cidade. Dizia-se feliz por participar e interagir com o ato “histórico”. “O que está acontecendo aqui é muito importante. E essa união, especialmente, pode mudar muita coisa. Eu espero que mude”.

Entretanto, nem tudo foram flores. Ainda no caminho, um policial questionado sobre como reagiriam quando os manifestantes chegassem a Wall Street, alterara: “Isso certamente não vai acabar bem”.




A exemplo de outras iniciativas do Occupy, como a caminhada na Ponte do Brooklyn e a marcha do Occupy Times Square, dezenas de manifestantes foram presos. A reportagem presenciou duas detenções, com direito a algemas e camburão. Uma das manifestantes presas, perguntada por alguém da imprensa porque estava sendo detida, limitou-se a responder, quase em silêncio, “porque eu sou contra”.

Próxima parada: Europa

Cidades como Paris também fizeram seu grito de resistência no 1o de Maio, mas foi apenas um ‘esquenta’ para a grande rede que irá se propagar em toda a Europa entre 12 a 15 de maio, quando eles prometem reativar a ‘revolução espanhola’ (que dominou as ruas e o Twitter com o hashtag #spanishrevolution no mesmo período do ano passado). O Occupy Wall Street, aliás, foi inspirado nos “indignados” espanhóis, que agregava o mesmo caldeirão de pessoas para se voltar contra o sistema.

Com o agravante da situação econômica na Europa – ainda pior que nos Estados Unidos –, a Espanha promete ser outra vez o epicentro do movimento. O país, onde uma em cada quatro pessoas está desempregada, vai fazer barulho. “O ‘May Day’ foi histórico e voltou para ficar. Mas a Europa vai queimar”, aposta o médico brasileiro Alexandre Carvalho, um dos idealizadores do Occupy.


Extraído do sítio Rede Brasil Atual

22 abril 2012

OCCUPY WALL STREET E ANONYMOUS CONVOCAM PARA MANIFESTAÇÕES EM 1º DE MAIO

O OWS conta com o apoio do Anonymous na convocação para o movimento de 1º de Maio
Os ativistas do movimento Ocupar Wall Street (OWS) iniciaram, neste domingo, uma mobilização mundial pela greve em protesto contra as políticas capitalistas e a corrupção do mercado mundial, dois dos principais fatores que deterioram as condições de vida da maioria dos trabalhadores. Nos EUA, país-sede da pior crise do capitalismo no último século, milhares de ativistas, estudantes, imigrantes, desempregados e integrantes de organizações da sociedade civil já garantiram presença no próximo dia 1º de Maio em 115 cidades norte-americanas.

A greve, convocada pelo OWS e que conta com o apoio dos ciberguerrilheiros que integram o Grupo Anonymous, foi definida como “um ato de solidariedade de 99% da população global na luta contra o 1% dos mais ricos e poderosos”. Com base na movimentação constatada até agora, o OWS acreditam que não apenas os EUA será paralisado pelas movimentações populares no Dia do Trabalhador, mas “tem tudo para se tornar um ato global contra o sistema corrupto capaz de mostar o descontentamento das pessoas com o que está acontecendo”.



As coordenações do OWS em Londres, Melbourne e Sidney, na Austrália, Ottawa e Toronto, no Canadá, e Seúl já confirmaram que nestas capitais também está assegurada a mobilização popular. O 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalho, “é um dia perfeito para protestar contra a corrupção do mercado global, que aumenta o desemprego, os baixos salários, eleva os impostos e o empobrecimento de 99% da população, que se vêem privados da maior parte dos recursos mundiais”, manifestou-se o OWS.

O movimentno também informa que outro ponto central da greve convocada para 1º de Maio é a defesa dos direitos dos imigrantes nos EUA. Segundo Hanilee Ramos, representante do Movimento de Coalizão 1º de Maio, a luta do OWS foi encampada por todos os imigrantes dos EUA e a comemoração do feriado, reforçado pela greve, tende a conferir mais representatividade aos protestos.

Sindicatos e grupos de trabalhadores estão mobilizados para marchar pelas principais ruas de Nova York, cidade que viu emergir o movimento OWS em 17 de setembro do ano passado, com a bússola apontada para a denúncia do poder desmedido alcançado por bancos e grandes corporações mundiais.


Extraído do sítio Correio do Brasil