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25 janeiro 2013

TENTAR CALAR A PRESIDENTE DILMA TAMPOUCO É UMA BOA IDEIA


Apesar do poder que a mídia revelou recentemente de intimidar ou aliciar setores do Judiciário, entre tantos outros, o desenrolar de sua tentativa de fabricar hipótese de um catastrófico racionamento de energia só fez comprovar, mais uma vez, que ter dinheiro e poder político não significa que o detentor dessas vantagens seja inteligente.

Se pensarmos bem, no entanto, descobriremos que isso que se diz “imprensa” vem dando, ao longo dos últimos dez anos, reiteradas exibições de ausência de neurônios. O dito Partido da Imprensa Golpista e seu braço político, o PSDB, lá atrás, foram contra o Bolsa Família.

Foram, também, contra as cotas nas universidades.

Foram, também, contra o programa Luz Para Todos.

Foram, também, contra os aumentos reais do salário mínimo.

Foram, também, contra o PAC – e continuam sendo.

Foram, também, contra o Minha Casa, Minha Vida.

Foram, também, contra a liderança estatal em investimentos durante a crise de 2008/2009.

Foram, também, contra a redução dos juros.

Agora, mídia, PSDB e alguns satélites deles são contra, obviamente, redução nas contas de luz. E persiste a mesma estratégia fracassada de darem explicações complicadas, ininteligíveis mesmo sobre por que mais uma medida tão popular seria ruim para o país.

Li uma versão dessas explicações do inexplicável que é hilariante. Como não podia deixar de ser, a matéria saiu na Folha de São Paulo eletrônica de ontem. O título da tal cretinice é “Luz mais barata ‘corroi’ verbas sociais”.

Segundo três repórteres malucos que assinam a matéria, “A conta de luz ainda não está mais barata, mas a medida (…) já tem efeitos colaterais. Para compensar a perda de receita com a diminuição das tarifas, as estatais elétricas estão cortando investimentos em patrocínio social, esportivo e institucional”.

Quem, aí, topa pagar mais caro pela energia para que essas abnegadas “estatais elétricas”, que de “estatais” não têm nada, continuem financiando times de futebol como o Avaí e o Figueirense?

Se algum infeliz industrial que não consegue competir porque o preço da energia elétrica no Brasil é um dos mais caros do mundo vier a ler essa matéria, terá uma síncope. Aquela mãe de família que conta os centavos todo mês para alimentar seus filhos e que terá alívio na conta de luz, idem.

A burrice é tão gritante que chega a dar vergonha alheia.

Com tanto dinheiro e poder, será que não tem ninguém no PIG com competência para informar a Marinho, Frias, Civita e Mesquita que a estratégia de criticar tudo o que o governo faz de bom e que o povo apoia, é fria?

Pelo visto, não tem.

Mas, agora, vemos o PSDB e a mídia se superarem ao investirem contra o direito da presidente da República de expressar publicamente a sua opinião sobre as críticas públicas que esses seus adversários vêm fazendo e de anunciar medida que revolucionará a economia do país.

Parênteses para explicar essa revolução econômica: o ganho de competitividade da indústria e o alívio nos orçamentos familiares dos setores mais pobres da sociedade tornarão os produtos brasileiros mais competitivos e injetarão quantidade gigantesca de recursos na economia.

Voltando à pretensão destro-midiática de calar Dilma para que não comprove que quem previu desgraças se deu mal, tal conduta só mostra que a oposição assumida e a enrustida não têm como travar debate público, restando-lhes, assim, a “ideia” de tentarem calar a adversária.

Se todas as “idéias” anteriores dessa gente se revelaram uma pior do que a outra, pois tudo que a oposição-midiática combateu deu tanto certo que teve que parar de criticar, essa última “ideia” em nada difere daquelas. E talvez seja até pior…

O que o cidadão irá pensar ao descobrir que tentaram impedir a presidente da República de dizer ao povo que a elegeu que discorda das críticas ao seu governo e por que discorda, além de anunciar medida que fortalece tal discordância? Não irá concluir que tentam impedir a presidente de melhorar a sua vida?

Depois, na próxima eleição, os tucanos farão como Serra em 2010, quando pôs Lula em sua propaganda e jurou ao eleitorado que, eleito, continuaria a obra dele. Em 2014, quando o tucano da vez fizer isso com Dilma, estará muito bem documentado tudo o que o PSDB disse sobre medidas que o povo vem apoiando com tanto entusiasmo.

PS: seria democrático da parte do governo Dilma abrir a quem não curtiu a energia elétrica mais barata a opção de continuar pagando mais caro por ela, não acham?

Extraído do Blog da Cidadania

DILMA NA TV. PSDB SENTIU O BAQUE! - Altamiro Borges


O PSDB divulgou hoje à tarde uma nota oficial confessando que sentiu o baque com o pronunciamento de Dilma Rousseff em rede nacional de rádio e tevê na noite de quarta-feira. Os tucanos adoram a "liberdade de expressão" dos "calunistas" da mídia. Eles têm orgasmos com as análises "imparciais" de Miriam Leitão, Merval Pereira, Ricardo Noblat e até com os rosnados dos pitbulls da Veja. Mas ficaram indignados com a presidenta, que anunciou à nação a redução das contas de luz e retrucou os "pessimistas" de plantão. A tal "liberdade de expressão" da direita não contempla sequer a presidenta eleita pela maioria dos brasileiros.

Na nota oficial, o PSDB afirma que "o governo do PT acaba de ultrapassar um limite perigoso para a sobrevivência da jovem democracia brasileira. Na noite desta quarta-feira, o país assistiu à mais agressiva utilização do poder público em favor de uma candidatura e de um partido político: o pronunciamento da presidente Dilma Rousseff... Durante os oito minutos de divulgação obrigatória por parte das emissoras de rádio e TV brasileiras, a presidente Dilma faltou com a verdade, fez ataques a seus adversários, criticou a imprensa e desqualificou os brasileiros que ousam discordar de seu governo".

Na maior caradura, a nota afirma ainda que "o conceito de República foi abandonado. A chefe da Nação, que deveria ser a primeira a reconhecer-se como presidente de todos os brasileiros, agora os divide em dois grupos: o 'nós' e o 'eles'. O dos vencedores e o dos derrotados. Os do contra e os a favor. É como se estivesse fazendo um discurso numa reunião interna do PT, em meio ao agitar das bandeiras e ao som da charanga do partido... No governo do PT, tudo é propaganda, tudo é partidarizado". 

Os tucanos, que minguam a cada eleição, parecem que esqueceram a postura autoritária que adotaram no triste reinado de FHC. Exército acionado para reprimir os grevistas da Petrobras, ações truculentas contra ocupações de terras ociosas, rolo-compressor no Congresso Nacional, submissão do Judiciário e relação promíscua com os barões da mídia. Quem sempre desqualificou os adversários foram os caciques tucanos, que acusaram os que resistiram à privataria das estatais e à retirada de direitos trabalhistas de "dinossauros". Para usar uma famosa expressão de FHC, os tucanos agora repetem o blablablá dos derrotados.

A reação intempestiva e patética do PSDB ao pronunciamento da presidenta confirma porque a direita teme tanto a regulação democrática da mídia. Ela quer manter o monopólio da palavra nas emissoras de rádio e TV, que são concessões públicas. Ela quer garantir a exclusividade de espaço para os seus porta-vozes na radiodifusão, para os seus "calunistas" amestrados. O PSDB sabe que só sobrevive hoje graças à "turma do contra" da mídia venal. Quando Dilma utilizou um direito constitucional, a direita sentiu o baque!

Extraído do Blog do Miro

24 janeiro 2013

DILMA REAGE COM 'BOMBA ATÔMICA' AO CATASTROFISMO MIDIÁTICO - Eduardo Guimarães


Não poderia ser melhor a reação do governo Dilma Rousseff a um processo que começou há meses e que, neste mês, chegou ao ápice com manchetes espalhafatosas dando conta de que o Brasil estaria na iminência de sofrer um “racionamento” de energia devido à baixa do nível dos reservatórios das hidrelétricas ocasionada por falta de chuva.

Além da boataria desencadeada pelos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo sobre possível “racionamento” – boataria que chegou aos telejornais –, os comentários da grande mídia sobre a economia vêm pintando um país à beira da ruína e da estagnação, com alusões catastrofistas sobre o crescimento modesto do PIB em 2012 e “perda de confiança dos investidores”.

Por razões que serão comentadas mais adiante, porém, vai ficando claro para o Brasil e o mundo que ninguém mais está dando bola para essa verdadeira cruzada da dita “grande imprensa” no sentido de convencer o país de que está indo muito mal, obrigado.

A edição deste ano do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, conta com uma pesquisa feita entre os 1.330 empresários que discutirão a economia mundial. Essa pesquisa mostra que Brasil fica em 4º lugar no otimismo dessas pessoas.

Brasil é citado por 15% dos “CEOs” convocados para o evento como sendo um dos três países mais importantes para o crescimento das empresas, mas não é só.

Quem assiste os “Jornais Nacionais” da vida ou lê os veículos impressos supracitados, entre outros, certamente ficará surpreso em saber que, entre os empresários brasileiros convocados para aquele evento, um expressivo contingente deposita muita confiança na economia do país.

Segundo o colunista da Folha de São Paulo Clóvis Rossi, em matéria na Folha de São Paulo da última quarta-feira (23.1), “Fatia substancial do empresariado brasileiro não compartilha o catastrofismo que, nos últimos meses, acompanha as análises sobre as perspectivas da economia no país. Ao contrário: 44% deles estão muito confiantes no crescimento das receitas de suas companhias, porcentagem de otimistas que só fica atrás da dos executivos russos (66% de otimistas), indianos (63%) e mexicanos (62%)”.

Como se vê, não é só o “povo ignorante” que confia no governo Dilma. Os mais importantes empresários brasileiros e estrangeiros estão dando uma banana para o que o colunista supracitado chamou de “catastrofismo”.

E essa perda de confiança nesses grandes meios de comunicação escritos e eletrônicos pode ser explicada por um episódio ocorrido na noite da última quarta-feira, com pronunciamento da presidente Dilma em rede nacional de rádio e televisão.

A presidente usou uma “bomba atômica” para provar que eram falsas as “análises”, “previsões”, editoriais e artigos que Globos, Folhas, Vejas e Estadões alardeiam a meses sobre supostas desgraças que estariam se abatendo sobre o país.

Em seu pronunciamento de quarta-feira, a mandatária provou que o “catastrofismo” a que se refere Clóvis Rossi decorreu de interesses políticos e econômicos contrariados com o bom momento que o Brasil atravessa justamente quando o mundo se debate em meio à maior crise econômica internacional da história.

Nesse contexto, foi sintomática a cadência do noticiário sobre desgraças econômicas no país. Primeiro, os veículos supracitados promoveram alarmismo com a iminência de um suposto “racionamento” de energia. Vendo que não viria, passaram a noticiar um suposto “apagão”. Descartada mais essa desgraça, começaram a falar em “apaguinhos”.

Devido à contundência e à insistência do noticiário alarmista, mesmo os mais desinformados foram “informados” sobre supostos problemas na geração de energia elétrica no país. Este blog, porém, desde o começo do ano vinha avisando que os que estavam apostando nessa nova desgraça colheriam frutos amargos.

Em 7 de janeiro, publicou-se, aqui, o post Imprensa tucana inventa apagão para tentar sabotar a economia.

O texto alertava para o fato de que a teoria sobre “racionamento” causaria problemas na economia porque empresários e investidores desinformados se assustariam. No dia seguinte, o noticiário foi tomado por notícias de quedas generalizadas dos preços das ações das empresas geradoras e distribuidoras de energia elétrica, com baixas de até 35%.

Em questão de dias, essas ações se recuperaram, quando ficou claro que não havia risco de racionamento.

Em 9 de janeiro, o Blog veiculou post intitulado Dilma acha que “bater boca” com a mídia é “perda de tempo”. Abaixo, trecho que, mais uma vez, avisou à mídia que estava enveredando por uma estratégia de guerra política que se revelaria infrutífera.

(…) há muito que a presidente já decidiu que “não vale a pena bater boca com a mídia”. Foi-me dado exemplo dessa questão do setor elétrico. Dilma já desmentiu várias vezes o “racionamento” e a mídia, além de não dar o devido destaque às suas palavras, desmente o que diz.

A alternativa seria enveredar por um bate-boca inútil, pois os grandes veículos que tentam aterrorizar a população sempre ficam com a última palavra, já que quem formata o noticiário são eles. Assim como em outras questões, tais como o crescimento modesto do PIB em 2012, portanto, a presidente julga que é melhor deixar que os fatos desmintam a mídia.

Explico: em pouco tempo, os brasileiros receberão contas de luz mais baratas, com desconto médio de 20%, e não terá ocorrido racionamento algum. Dessa forma, quem está recebendo as tais informações de que além de racionamento haverá aumento na conta de luz, concluirá que recebeu informações falsas daqueles meios de comunicação.

Além disso, como o noticiário tem insistido no fato de que os reservatórios estão no mesmo nível de 2001 – quando o governo FHC impôs um duro racionamento ao país –, ao constatarem que, além de não haver racionamento, a energia ficou mais barata, as pessoas poderão mensurar a superioridade deste governo sobre aquele.

Na última quarta-feira, as previsões – ou avisos – que foram veiculados aqui ganharam materialidade. A presidente da República, em cadeia nacional de rádio e televisão, anunciou que, contrariando o alarmismo que dizia que as contas de luz cairiam menos ou nem cairiam, estas irão cair mais do que o previsto. E antes.

A previsão de redução das contas de luz residenciais, que era de 14%, passou para 18%; a redução das contas das empresas, que deveria ficar em 28%, deve passar, em alguns casos, de 32%. E, por fim, o início da redução, que só viria em março, foi antecipado para janeiro.

As dezenas de milhões de brasileiros de todas as classes sociais e regiões do país que foram alvo do alarmismo midiático verão se materializar, em questão de dias ou semanas, uma realidade que vai de encontro ao que Globos, Folhas, Vejas e Estadões alardearam.

Assim, a cada dia menos gente vai dando bola para o que esse setor partidarizado da imprensa nacional diz sobre os rumos do Brasil e sobre a forma como o país vem sendo governado. O pronunciamento recente de Dilma, nesse aspecto, constituiu-se em uma bomba atômica, que pode ter inserido o último prego na tampa do caixão da credibilidade midiática.

Para quem não viu, vale a pena assistir ao último pronunciamento da presidente Dilma Rousseff.

Extraído do Blog da Cidadania

23 janeiro 2013

GOVERNO CONTESTA APAGÃO DA FOLHA EM 2014


O ano de 2013 começou, para a Folha de S.Paulo, com um apagão iminente, desmentido pelas termelétricas e pelas chuvas. Depois, surgiu a tese de que não era mais um apagão que ameaçava o Brasil, mas 'apaguinhos' espalhados pelo País. Agora, surge a possibilidade de apagão em 2014, já desmentida pelo governo. Qual é a próxima?

247 - O ano de 2013 começou, para a Folha de S.Paulo, com um apagão iminente, indicado, pretensamente, por uma reunião emergencial que, saberíamos horas depois, estava marcada desde o ano passado (relembre). Na semana passada, surgiu a tese de que não era mais um apagão que ameaçava o Brasil, mas vários apaguinhos espalhados pelo País, simbolizados pela falha que levou à queda de energia em municípios do Piauí antes da chega da presidente Dilma Rousseff ao estado. Agora, surge a tese do apagão em 2014, já desmentida também pelo governo. Qual será a próxima?

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo desta terça-feira, "O fornecimento de luz para a Copa do Mundo de 2014 está ameaçado em boa parte das cidades-sede, diferentemente do que vem sustentando o governo. É o que mostra um relatório da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), finalizado em dezembro e obtido pela Folha". O problema é que o relatório da Aneel diz que não faltará energia, "mesmo que uma fração das instalações inicialmente propostas não seja tempestivamente concluída".

Apesar de realmente destacar atrasos, o relatório diz que "é importante comentar que a maioria desses atrasos não oferece risco iminente ao abastecimento de energia para a Copa de 2014". "Tal conclusão", diz o texto, "está ampada no fato de ainda ser possível que as concessionárias de distribuição compensem os atrasos com a urgente aceleração do ritmo de implantação das redes e subestações de distribuição".

Leia nota à imprensa divulgada pelo Ministério de Minas e Energia:

O Ministério de Minas e Energia, por meio do Grupo de Trabalho (GT) criado em 30 de agosto de 2010, acompanha e monitora todas as obras definidas como importantes para a garantia do suprimento de energia elétrica durante os eventos do Campeonato Mundial de Futebol, a Copa do Mundo. As reuniões de acompanhamento, coordenadas pelo MME, permitem afirmar, com absoluta segurança, que não há risco de desabastecimento durante a Copa do Mundo de 2014.

O Ministério informa ainda que o duplo suprimento aos Estádios para a Copa das Confederações está garantido, cumprindo assim o compromisso firmado entre o Governo Federal e a FIFA.

O Grupo de Trabalho, que tem a finalidade de definir as obras e ações necessárias para garantir o suprimento de energia para a Copa 2014, realizou em 2012 quinze (15) reuniões nas Cidades-Sedes e seis (6) reuniões em Brasília para verificar e buscar soluções para os problemas identificados pelas distribuidoras.

O relatório da ANEEL, Nota Técnica n° 0188/2012-SFE/ANEEL, citado na reportagem "Para ANEEL, há Risco de Faltar Luz na Copa", publicada no jornal Folha de S. Paulo desta terça-feira (22/01/2013), foi elaborada com as informações apresentadas pelas Concessionarias de Distribuição no mês de outubro de 2012 e tem como principal foco subsidiar o Ministério de Minas e Energia de informações sobre o cumprimento dos prazos acordados com a Agência. Com base nestas informações do MME realizou em dezembro/2012 reuniões nas cidades-sede para verificar o andamento das obras e adotar providências para o cumprimento de seus cronogramas de execução.

Ao contrário do que afirma a "Folha de S. Paulo", o relatório da Aneel conclui "que a maioria desses atrasos não oferece risco iminente ao abastecimento de energia para a Copa 2014".

Extraído do sítio Brasil 247

12 janeiro 2013

A SEMANA DOS GRANDES ERROS NA GRANDE IMPRENSA


Primeiro, a Folha noticiou uma reunião de emergência sobre o setor elétrico, que era rotineira. O Estadão, em letras garrafais, anunciou que o Ministério Público investigaria o ex-presidente Lula. E o Globo avisou que empresários já estariam fazendo seu próprio racionamento. Três exemplos "wishful thinking", em que a vontade política dos editores se impõe à objetividade dos fatos. Se isso não bastasse, Veja também derrapou feio ao anunciar uma megafusão bancária que não houve

Wishful thinking. A expressão inglesa é a melhor tradução para o comportamento dos grandes jornais brasileiros na semana que passou e expressa um dos principais erros do pensamento, que é o de transformar desejos em realidade. Em vez de narrar os fatos como eles são, a história é contada como gostaríamos (ou gostariam) que fosse.

Entre pessoas comuns, o erro é perdoado. Mas quando se trata de grandes jornais, que têm o dever da objetividade, a questão se complica. A semana que passou, para a grande imprensa, foi também a semana dos grandes erros. Não pequenos deslizes, mas erros colossais, que, em alguns casos, foram escritos em letras garrafais – fugindo até ao padrão gráfico das publicações.

O jogo dos erros começou com a Folha de S. Paulo, dos Frias, que, na segunda-feira, anunciou: "Escassez de luz faz Dilma convocar o setor elétrico". No subtítulo, a mensagem de que, na "reunião de emergência", seriam discutidas medidas contra o racionamento, sob a imagem de uma vela acesa na escuridão. Este era o desejo – o wishful thinking. A realidade, no entanto, é que a reunião não era emergencial nem haverá racionamento.

No dia seguinte, foi a vez do Estadão, principal concorrente da Folha, que não ficou atrás. O sonho da família Mesquita, que controla o jornal, talvez seja ver o ex-presidente Lula atrás das grades. E a manchete "MPF vai investigar Lula" veio em negrito e letras gigantes como se anunciasse que a Alemanha nazista foi derrotada pelos aliados. Mais um exemplo de wishful thinking. No mesmo dia, a "informação" foi negada pelo procurador-geral Roberto Gurgel.

O Globo, dos Marinho, naturalmente, não poderia ficar de fora da festa e anunciou que grandes grupos empresariais já planejam racionar energia. Outra demonstração de um desejo – na quinta-feira, após uma reunião com a presidente Dilma, os principais empresários do País deram demonstrações públicas de que não estão trabalhando com a hipótese de apagão.

Se tudo isso não bastasse, houve também a barriga de Veja Online, que, também nesta semana, anunciou a fusão entre Bradesco e Santander. Neste caso, não era wishful thinking. Apenas um erro de informação e os jornalistas responsáveis foram demitidos.

De todo modo, a semana foi exemplar ao escancarar os riscos que se corre quando a vontade política dos editores se sobrepõe à objetividade dos fatos.

PS: até agora, apenas a Folha admitiu o erro, ainda que em letras miúdas.

Extraído do sítio Brasil 247