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11 abril 2013

MÍDIA ESCONDE PROCESSO CONTRA AÉCIO - Altamiro Borges


Por três votos a zero, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiu, na semana passada, que o tucano Aécio Neves continua como réu na ação civil por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Estadual. O ex-governador é investigado pelo desvio de R$ 4,3 bilhões da área da saúde e pelo não cumprimento do piso constitucional de financiamento do sistema público de saúde entre 2003 e 2008. A mídia comercial, que adora um escândalo político, é tão seletiva que não deu qualquer destaque à decisão do TJMG.

Segundo o sítio do deputado Rogério Correia, “desde 2003, a bancada estadual do PT denuncia essa fraude e a falta de compromisso do governo de Minas com a saúde. Consequência disso é o caos instaurado no sistema público de saúde, situação que tem se agravado com a atual e grave epidemia de dengue no estado”. O ex-governador mineiro, que vive se jactando do tal “gestão de gestão”, poderá sofrer uma baita indigestão. O julgamento da ação está previsto para ocorrer ainda neste ano.

Se for considerado culpado pelo desvio dos recursos públicos, o senador ficará inelegível. Sua cambaleante candidatura presidencial entraria em coma – que não é alcoólica. É lógico que o grão-tucano tem muitos defensores. A mídia não deu manchete para a decisão da justiça e evitará tratar do tema. Ela só gosta de levantar suspeitas de corrupção contra os tais “lulopetistas”. Já a Justiça é cega! Até hoje não julgou o chamado mensalão tucano – que a mídia trata como mensalão mineiro. A conferir!

Extraído do Blog do Miro

05 abril 2013

AÉCIO NEVES CHAMA DITADURA DE "REVOLUÇÃO"

O senador Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, referiu-se nesta quinta-feira 4 ao golpe militar de 1964 como “revolução”.

Inevitável. Sobra para ele, caso Serra decida encerrar sua carreira de candidato na disputa municipal de São Paulo. Foto: José Cruz/ABR

A fala ocorreu no 57º Congresso Estadual de Municípios de São Paulo, em Santos, litoral paulista.

O termo “revolução” é comumente usado por militares e simpatizantes do regime repressivo que comandou o Brasil por 21 anos, entre 1964-1985.

Os militares negam que neste período tenha se caracterizado uma ditadura no País.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, ao ser questionado sobre o uso do termo, Aécio desconversou. “Ditadura, revolução, como quiserem”. Depois, o senador afirmou que “era um regime autoritário, que lutamos para que fosse vencido”.

O tucano usou o termo durante um discurso no qual apresentava breves relatos de episódios históricos, que, segundo ele, retratam a política centralizadora do governo federal que se mantém por décadas. “Veio a revolução de 64, novo período de grande concentração de poder nas mãos da União, apesar de ter sido um período em que foram criadas políticas compensatórias para determinadas regiões menos desenvolvidas.”

Extraído do sítio CartaCapital

27 março 2013

PSDB ABANDONA JOSÉ SERRA E ABRAÇA DE VEZ CANDIDATURA DE AÉCIO NEVES EM 2014 - Eduardo Maretti

Acompanhado pelo governador Geraldo Alckmin e pelo ex-presidente Fernando Henrique, senador mineiro é recebido em clima de unidade.

Aécio durante ato do PSDB em São Paulo: partido tomará decisão na hora certa, diz senador (Foto: Fábio Braga/Folhapress)

São Paulo – Em clima de campanha, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi recebido ontem à noite (25) pelos principais caciques tucanos de São Paulo em ato político realizado pelo diretório estadual do partido. Aécio chegou ao encontro acompanhado do governador paulista, Geraldo Alckmin, poucos minutos depois do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O ex-governador José Serra, que estaria de saída do PSDB devido à perda de espaço para Aécio, não apareceu, sob pretexto de que já havia marcado viagem para os Estados Unidos na mesma data.

Em seu discurso, Alckmin pela primeira vez foi claro sobre seu apoio ao senador mineiro para presidir a legend, a partir da convenção de maio, e ser o candidato tucano na sucessão presidencial de 2014: “Que que você, Aécio, assuma a presidência do PSDB, percorra o Brasil, ouça o povo brasileiro, fale ao povo e una o PSDB”.

À pergunta sobre a cobrança do partido para assumir a pré-candidatura, Aécio foi cauteloso. “Ainda não está na hora. Não é uma questão individual, é uma decisão que o partido vai tomar na hora certa”. Porém, o presidente do partido no estado, deputado Pedro Tobias, discursou: "A militância quer lançar candidato já". O secretário Estadual de Energia do governo Alckmin, José Aníbal, indagado pela RBA se Aécio será o candidato a presidente, também não ficou em cima do muro: “Isso ficou claro hoje”.

Ao chegar ao evento, questionado se o clima era uma indicação de que a candidatura de Aécio, na prática, está sendo lançada em São Paulo, Fernando Henrique desconversou. “Não, não, a campanha é para a presidência do partido”, afirmou. A ele coube também explicar a ausência de José Serra. Segundo o ex-presidente, Serra, a quem chamou de “dileto amigo”, viajou aos Estados Unidos para participar de uma homenagem ao economista Albert Hirschman, morto em dezembro. “Eu me sinto representado por ele lá, e espero que ele se sinta representado por mim aqui.”

FHC e Aníbal negam saída de Serra do PSDB

Segundo algumas especulações, caso não consiga uma posição de destaque (no mínimo, no curto prazo, a presidência do partido), o ex-governador José Serra poderia deixar o PSDB. Seu destino seria outra legenda, que poderia ser o PPS, ou até mesmo um novo partido, pelo qual disputaria a eleição para o governo de São Paulo em 2014. 

“É absolutamente delirante essa informação. Essa é a primeira vez que ouço isso, porque realmente seria impensável. Eu acho que não. Como Fernando Henrique disse hoje, ele se sente, aqui, representando o Serra”, disse o secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, àRBA.

A reportagem fez a mesma pergunta ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Conversa, conversa”, respondeu ele.

O ex-governador de Minas se preocupou em afagar os correligionários paulistas, onde seu nome ainda encontra resistências. “Aqui foi que tudo começou. O PSDB do Brasil inteiro deve muito aos paulistas, às lideranças que aqui estão, a outras lideranças extraordinárias como Mário Covas e Franco Montoro, à liderança de José Serra”, declarou Aécio. 

Segundo o senador, o PSDB vai entrar na campanha do ano que vem em busca “do início de um novo ciclo" e voltou a criticar o suposto "aparelhamento" da máquina pública no governo do PT, afirmando que irá substitui-lo pela "meritocracia".

Apesar do discurso recorrente dos tucanos, levantamento publicado há uma semana pelo jornalO Estado de S. Paulo mostra que o PSDB lidera em total de cargos de confiança (onde se daria o "aparelhamento) entre os governos estaduais. 

Aécio também voltou a falar em "ética" e "eficiência". “O PSDB não tem sequer o direito de se negar a apresentar ao Brasil uma alternativa a esse modelo de governo que aí está, do ponto de vista ético, da eficiência, de uma visão mais moderna de país e de mundo.”

Também nesse ponto, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que entre os anos 2000 e 2012 o PSDB é o terceiro partido com mais políticos cassados por corrupção (58), ficando atrás apenas do PMDB (66) e do DEM (69). O PT, alvo de Aécio, estava em 9º no ranking, com dez.
Unidade

A palavra de ordem nos discursos e nas entrevistas foi unidade. “O PSDB vai marchar junto para que possa apresentar-se ao país com força e vigor. O sentido dessa festa é de congraçamento e mostrar que estamos todos juntos”, resumiu Fernando Henrique em rápida e tumultuada coletiva ao lado de Alckmin, Aécio, do presidente nacional do partido, Sérgio Guerra, e do presidente estadual, deputado Pedro Tobias.

“Temos certeza que estamos começando a reorganizar o partido”, avaliou FHC. “À arrogância do governo [federal], vamos responder com nossa unidade”, pregou Aécio. 

“Estamos aqui para mostrar que o partido está unido”, pontuou o senador Aloysio Nunes Ferreira. Sérgio Guerra também mencionou a unidade, mas foi mais claro ao rapidamente resumir “as duas coisas importantes” que tinha a dizer: “ao adversário interessa nos dividir e confundir, a nós interessa a unidade; as condições favorecem uma candidatura que, estou convencido, deve ser a de Aécio”.

No discurso à militância, o senador e ex-governador mineiro mencionou sua história pessoal, lembrou o avô Tancredo Neves e voltou a atacar os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, chamando-os de “projeto de poder do vale-tudo” e protagonista do “mais perverso aparelhamento da máquina pública”. Segundo Aécio, “o maior programa de distribuição de renda não é o Bolsa Família, é o Plano Real”.

No final do evento, quando Aécio lutava para ultrapassar uma pequena multidão que se interpunha entre ele e o carro que o aguardava à saída, uma militante se aproximou e entregou-lhe uma réstia com várias cabeças de alho e um crucifixo, dizendo: “Um presente para te proteger do José Serra”. Dando muita risada, Aécio respondeu: “José é aliado. Isso aqui vai proteger contra os adversários”.

Extraído do sítio Rede Brasil Atual

26 março 2013

SERRA CONTRA OS MINEIROS - Mauro Santayana


Os dois maiores problemas do homem são o mistério da morte e a ambição do poder. Lucrécio, em De rerum natura, associa uma coisa à outra, ao dizer que do medo da morte nasceram a fome do ouro e a ambição da glória – e glória, direta ou indiretamente, é poder.

A ambição do poder é legítima, mas quando não se submete à razão, costuma perder-se. Há dois paradigmas históricos clássicos sobre a conduta na busca e no exercício do poder. Um é o do Cardeal de Richelieu, o outro, o de Nero. O tutor e todo poderoso ministro de Luís 13 foi o modelo de todos quantos submeteram o poder à razão de Estado.

O imperador romano foi o mais enlouquecido dos tiranos. E há aqueles que, em sua paranoia, supõem que agem com lógica em sua insensatez, como Hitler. Entre nós, e em episódio menor e grotesco, tivemos o comportamento de Jânio Quadros, que chegou ao Planalto, e o de Lacerda, que ficou no caminho. 

José Serra é um caso de estudo político. O jovem, filho de trabalhadores imigrantes, destacou-se na adolescência como líder estudantil. Era, na identificação ideológica do tempo, homem de esquerda. A formação, no exílio, que lhe não foi difícil, graças à solidariedade dos meios acadêmicos, fez dele um economista. Ao retornar, depois do exercício eventual do jornalismo, integrou-se no MDB e, assim, ocupou a Secretaria de Planejamento do governador Franco Montoro.

Serra, pelo que dizem as folhas, e ele não desmente, está se unindo ao governador de Pernambuco contra Aécio Neves. A menos que haja uma explicação psicanalítica, não se trata de um problema pessoal. Os dois sempre se deram bem, não obstante os 20 anos a mais de Serra. O que está em jogo, e não se confessa, é o interesse de parcelas, minoritárias, das elites econômicas de São Paulo, que, sem qualquer razão objetiva, sempre viram, em Minas, a linha de resistência contra a hegemonia política e econômica dos bandeirantes sobre a Federação. Os mineiros não querem sobrepujar São Paulo, embora isso fosse natural e legítimo, porque uma nação só cresce na sadia competição regional. Os mineiros querem crescer em uma nação que cresça por igual. Qualquer um que conversar com o homem comum de Minas dele receberá essa certeza.

A meio caminho entre o Norte e o Sul históricos, e entre o litoral e o Oeste que eles, mineiros conquistaram em parceria com os paulistas, os montanheses, formados pelos povos de todas as procedências, não conseguem pensar fora do Brasil. O Brasil é o seu destino inafastável. Longe do mar e sem fronteiras com o exterior, Minas sempre será o Brasil, mesmo na desgraçada hipótese de alguma secessão.

José Serra, desde o seu retorno, buscou o poder. Ao formar seu Ministério, Tancredo se viu compelido a não aproveitá-lo, nem aproveitar Fernando Henrique, mais por resistência do próprio PMDB de São Paulo do que pelo seu próprio arbítrio. Como todos sabem, o partido, em São Paulo, estava dividido entre Montoro e Ulysses, e os dois estavam ligados indissoluvelmente ao governador.

Para não desagradar uma ou outra ala, em momento difícil de conciliação nacional, o presidente eleito buscou personalidades estranhas a esse dissídio interno do partido, convocando Setúbal, Roberto Gusmão e Almir Pazzianoto para o Ministério. Talvez não fosse a equipe dos sonhos de Tancredo, mas era a que as circunstâncias permitiam.

A partir de então, foi notável a idiossincrasia de Serra contra os políticos mineiros. Itamar, logo depois de ter escolhido um paulista para seu sucessor - o que demonstra o espírito público nacional dos mineiros – passou a ser olhado com desprezo por Serra, por Fernando Henrique, pela avenida Paulista e seus arredores. 

Em 2010, os mineiros se movimentaram para que Aécio fosse candidato à sucessão de Lula. O PSDB de São Paulo impediu essa candidatura, embora Aécio houvesse proposto consulta formal às bases nacionais do partido. Houve quem defendesse a candidatura de Serra sob o argumento da precedência etária, como se os idosos tivessem preferência constitucional ao poder. Aécio renunciou à postulação, elegeu-se senador e elegeu seu sucessor no Palácio da Liberdade.

Agora, a sua candidatura à presidência de seu partido – de que foi fundador – é claramente sabotada pelo ex-governador José Serra e pelos seus aliados do PSDB de São Paulo. Com franciscano exercício de paciência, Aécio esteve ontem, à noite, em São Paulo, buscando, como é de seu dever, o entendimento improvável.

Depois do último encontro entre os dois, houve a aproximação entre Serra e Eduardo Campos e se tornaram públicos os elogios recíprocos entre o paulista e o pernambucano.

Eduardo é neto de Miguel Arrais, um dos mais fiéis defensores do povo brasileiro. Ao ouvir o discurso de Tancredo, no Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985, o grande brasileiro disse que a vitória do mineiro estava além de seus sonhos. A aliança entre Pernambuco e Minas era vista como natural, na defesa da igualdade federativa no Brasil, como já ocorreu na História. Mas, ao que parece, ela está impedida pela ambição do poder de Serra, potencializada pela aspiração de Eduardo Campos à Presidência - sob o apadrinhamento interessado de Roberto Freire, esse outro renegado dos ideais juvenis.

Há nascidos em Minas que, pelas mesmas e insanas ambições, traíram a honra de seu povo, como foi o caso dos que se somaram aos americanos no golpe de 1964. Os autênticos mineiros, vindos de seu solo ético, já recolheram ofensas semelhantes e guardarão mais essa nos embornais de montanheses.

Se o PSDB de São Paulo, com os recursos conhecidos, impedir a marcha de Aécio, ele pode retornar às suas inexpugnáveis montanhas, e ao Palácio da Liberdade. Ali, com os braços livres, ele poderá, e sempre tendo em mente as razões nacionais, escolher o seu caminho na sucessão presidencial.

Minas, com sua História e seus valores, é a sólida patriazinha de que fala Guimarães Rosa.

Extraído do sítio Jornal do Brasil

19 março 2013

BARULHO PRIVATIZANTE CONTRA A PETROBRAS - Emiliano José

Como a memória do senador Aécio Neves e sua trupe não anda boa, ou anda tomada de uma súbita e conveniente amnésia, não custa fazer algumas comparações


A atitude do PSDB em relação à Petrobras beira a irresponsabilidade, o descaso com o patrimônio público, o desprezo em relação aos interesses nacionais e revela, sem qualquer dúvida, uma conveniente falta de memória. É como se nos trágicos anos FHC não tivessem ocorrido dezenas e dezenas de acidentes por conta de uma administração absolutamente incompetente, diante da qual, na sequência, o tucanato, convenientemente, pretendeu preparar o terreno para privatizar a empresa, o que não foi concretizado porque Serra perdeu as eleições em 2010. E a Petrobras, a partir daí, sob Lula/Dilma, só se afirmou, e cresceu, e voltou a ganhar respeitabilidade no Brasil e no mundo, tornando-se uma das maiores companhias petrolíferas do mundo.

Sabe-se, porque foi uma notícia de impacto mundial, que o maior acidente foi aquele ocorrido com a P-36, a maior plataforma de petróleo do mundo naquele momento, que produzia 84 mil de barris de petróleo por dia. Situava-se no campo de Roncador, na Bacia de Campos, a coisa de 130 quilômetros da costa do Estado do Rio de Janeiro. O acidente aconteceu no dia 15 de março de 2011 e matou 11 trabalhadores, todos integrantes da equipe de emergência da plataforma. Esses petroleiros pagaram com a vida a irresponsabilidade daquela gestão. Para que não digam que exagero, a ANP disse, então, que o acidente foi causado por "não conformidades quanto a procedimentos operacionais, de manutenção e de projeto". A plataforma afundou no dia 20 de março, alcançando uma profundidade de 1200 metros com presumíveis 1500 toneladas de óleo a bordo. Havia custado 350 milhões de dólares. Uma tragédia, de qualquer ângulo que se escolha.

De que herança fala, portanto, Aécio Neves e sua trupe? Como não se lembra dos tantos acidentes, fruto, sem qualquer dúvida, de uma gestão que não levava em conta os interesses da empresa, uma gestão incompetente, que não considerava sequer a vida de seus trabalhadores, como se viu, comprovadamente, no caso da explosão da P-36? Com relação à gestão temerária e irresponsável que o tucanato imprimia à empresa, o Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro cansou-se de tanto denunciar, inclusive citando irregularidades. Mas, fazia-se ouvidos de mercador.

Como a memória do senador Aécio Neves e sua trupe não anda boa, ou anda tomada de uma súbita e conveniente amnésia, não custa fazer algumas comparações porque, agora, distante daqueles acontecimentos, falam como se aqueles tempos fossem modelares, e estes, os tempos do naufrágio. De naufrágio na Petrobras, como vimos, é o tucanato que entende. São números gritantes que revelam, de um lado, o desastre do passado; de outro, o quanto a Petrobras cresceu sob a gestão Dilma/Lula.

Peguemos o valor da empresa, sobre o qual volta e meia o tucanato deita falação. Em 2002, a Petrobras valia 15,5 bilhões de dólares. Em 2012, seu valor subiu para 126 bilhões de dólares. Esses números revelam o que foi o trabalho da gestão tucana, medíocre, e o que foi a administração Lula/Dilma.

Como o tucanato tem feito cavalo de batalha sobre o lucro da empresa em 2012 – nada mais, nada menos que R$ 21,2 bilhões –, vamos recordar, que recordar é viver, que em 2002, o lucro da Petrobras foi de R$ 8,1 bilhões. E agora, José? Quanto a investimentos, que é sempre bom comparar, em 2002, a empresa investiu R$ 18,9 bilhões. Em 2012, chegou a investir R$ 84,1 bilhões. É sempre um escândalo de superioridade.

Querem mais? Que nos lembremos do número de empregados, que saltou de 46,6 mil trabalhadores em 2002 para 84,7 mil em 2012. Claro, sabemos, o tucanato critica os concursos, nunca quer aumentar o número de assalariados, lança sobre a empresa o seu olhar de Estado mínimo que quase levou o Brasil à falência. São esses trabalhadores, engenheiros, operários, técnicos de operação, gerentes, dos mais simples aos mais preparados, que sempre fizeram a grandeza da Petrobras nesses seus mais de 60 anos. Acreditar que ela pode crescer sem o crescimento constante de seu número e de sua qualificação é levá-la ao desastre, como ocorreu nos anos do tucanato.

Andaram criticando a produção de óleo, não foi? O tucanato é assim: lê pouco, estuda pouco, investiga pouco para deitar falação. Que seja, comparemos. Em 2002, o Brasil produzia 1 milhão e 500 mil barris por dia. Em 2012, saltou para 1 milhão e 980 mil barris por dia. Vamos então à comparação quanto às reservas provadas: de 11 bilhões de barris equivalentes de petróleo (BOE) em 2002 para 15,7 bilhões de barris de óleo equivalente de petróleo em 2012. Nada, nada que se compare, por óbvio, favorece a gestão temerária e irresponsável do tucanato à frente da Petrobras. Receita, o tucanato gosta muito de falar em receita. Aí é um escândalo: lá, em 2002, era de R$ 69,2 bilhões; em 2012, saltou para R$ 281,3 bilhões.

Sob quaisquer aspectos, os anos dos governos Lula/Dilma foram superiores em relação à Petrobras. O que impressiona é ouvir o senador Aécio Neves falar em reestatizar a Petrobras. Será que ele se esqueceu de que a pretensão óbvia, escancarada do tucanato era privatizar a empresa? Por alguma razão, a memória deve estar falhando. Não se lembra da proposta de Petrobrax.

O segredo de toda essa movimentação, para além de tudo o que foi dito, é combater a legislação aprovada pelo Congresso Nacional que estabeleceu o regime de partilha. Com ele, a Petrobras ganhou peso e importância na exploração dos campos de produção do Pré-Sal. Ela será a operadora única de todos os blocos contratados sob o regime de partilha. É a melhor maneira de preservar os interesses nacionais.

Justiça seja feita, para que não o acusem de esconder suas intenções, o senador Aécio disse, em discurso, que de fato pretende alterar essa lei para entregar a exploração às multinacionais, coisa que Serra já havia prometido a elas se vencesse as eleições presidenciais de 2010, o que, graças à sabedoria do povo brasileiro, não aconteceu. Essa proposta, obviamente, para usar expressão antiga, mas apropriada, é um crime de lesa-pátria, que não passará.

A Petrobras é um patrimônio do povo brasileiro, a empresa que mais encarna os interesses nacionais, e que por isso mesmo vai seguir sua trajetória ascendente dos últimos anos, contribuindo, agora, com os extraordinários recursos do Pré-Sal, para o conjunto da Nação, para a educação, para um meio ambiente saudável, para o desenvolvimento tecnológico. Ninguém vai privatizá-la, nem subordiná-la a interesses menores, por mais barulho que façam.

Extraído do sítio Brasil 247

06 março 2013

DILMA REBATE AÉCIO E DIZ QUE BOLSA FAMÍLIA NÃO É FEITO NA "CANETADA" - Diogo Alcântara


Brasília - Pela primeira vez, a presidente Dilma Rousseff rebateu as críticas do senador Aécio Neves (PSDB-MG) de que o governo federal tirou pessoas da miséria "por decreto". Sem citá-lo nominalmente, a presidente refutou a ideia de que o Bolsa Família é executado “na canetada” e afirmou que só a experiência de 10 anos de programa mostrou que dava para tirar pessoas da pobreza extrema. Na segunda-feira, em evento do PSDB em Goiânia, Aécio disse que a presidente “tirou o foco de 2013 e olha para 2014”.

“Todo mundo acha que o Bolsa Família a gente faz na canetada. O Bolsa Família precisou de arte e engenho. Precisou de vontade política”, disse a presidente à uma plateia de governadores e prefeitos no Palácio do Planalto, em Brasília.

“Não é milagre, não é malabarismo nem estatística. Nós colocamos hoje todos os 36 milhões de brasileiros do cadastro do Bolsa Família acima da linha da miséria. Agora, eu quero também aproveitar e pedir para vocês ajudarem a achar aquilo que é invisível. Porque tem aquela pobreza extrema que está oculta, não se vê. Temos de cadastrá-la e fazer desse processo uma espécie de batalha nacional”, afirmou Dilma.

Referindo-se ao seu início de mandato e o período do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, a presidente acrescentou que “só a experiência de 10 anos mostrou que dava para tirar as pessoas da miséria”. 

Dilma reuniu governadores de 24 estados e prefeitos de capitais e cidades com população superior a 250 mil habitantes para anunciar investimentos em saneamento básico, asfaltamento e mobilidade urbana. Na plateia estavam presentes os governadores Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco - potencial candidato à Presidência da República em 2014 -, e Geraldo Alckmin (PSDB), de São Paulo, que foi derrotado por Lula na disputa da presidência, em 2006.

Extraído do sítio Jornal do Brasil

05 março 2013

TROPA VIRTUAL ESPALHA MENSAGENS PRÓ AÉCIO NA INTERNET - Eduardo Guimarães


No último domingo, este Blog foi surpreendido por uma enxurrada de comentários colocados em um post antigo, de 23 de abril de 2011, intitulado Um Larry Rother para Aécio Neves. O texto tratou de episódio pouco elogioso ao senador mineiro ocorrido naquele ano.

Mais adiante discorrerei com detalhes sobre a tal enxurrada de comentários. Antes, explicarei a natureza do post que foi alvo dessa verdadeira tropa virtual.

O texto em questão se refere a episódio ocorrido há quase dois anos com o senador pelo PSDB mineiro Aécio Neves, que foi flagrado dirigindo alcoolizado no Rio de Janeiro em um fim de semana e que, por isso, recusou-se a fazer o teste do bafômetro.

Eis um trecho do post que publiquei naquele abril de 2011:

“(…) Quem será o Larry Rother ou o Diogo Mainardi de Aécio Neves? Sim, porque se existiram para Lula, contra quem não havia provas de alcoolismo, teriam que existir para Aécio, que acaba de ser flagrado dirigindo bêbado no Rio. Além de haver provas contra o tucano, a prova ainda inclui um crime relacionado à bebida (…)”.

Não é raro entrarem comentários em posts antigos, mesmo sendo tão antigo quanto esse – todos os dias entram algumas dezenas de comentários assim. Contudo, nunca ocorreu, neste Blog, uma chuva de comentários como esses em um texto escrito há quase dois anos.

Mas não é só. O que é interessante é que mais de 40 comentários partiram de meia dúzia de pessoas – ou, ao menos, de computadores. Isso é o que mostram os IPs dos comentaristas, os quais postaram mensagens seguidas com nomes e e-mails falsos, mas que foram denunciados por suas assinaturas eletrônicas.

Abaixo, imagens dos comentários fakes pró Aécio:

COMENTÁRISTA – Carlos Vianna
IP – 177.18.47.123 
STATUS – Marcado como spam por eduguim
DATA/HORA – Enviado em 03/03/2013 as 22:48
TEXTO – Gente que não sabe discutir política, lança assuntos sensacionalistas para tentar sujar a imagem do candidato à presidência pelo PSDB, Aécio Neves.
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

COMENTÁRISTA – Danilo Souza
EMAIL - danilosouza2402@gmail.com
IP – 177.18.47.123 
STATUS – Marcado como spam por eduguim
DATA/HORA - Enviado em 03/03/2013 as 22:48
TEXTO – Os ataques do PT só mostram que eles estão com medo de uma candidatura de Aécio Neves. Aécio Neves é um governante que cumpre o que promete. Excelente senador atuante.
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

COMENTARISTA – Ricardo
EMAIL - ricardogouva@yahoo.com.br
IP – 177.18.47.123 
TEXTO – Marcado como spam por eduguimEnviado em 03/03/2013 as 22:47
Vendo a biografia de Aécio Neves, é impossível que não se possa ver a integridade desse homem. Responsabilidade, mandatos e gestões eficientes em todos os cargos que já atuou. Um homem que é de fato preparado para assumir a presidência do brasil. Aécio Neves é com certeza meu voto no ano que vem. Tucanos de volta em 2014!
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

COMENTARISTA – Ana Ribeiro
EMAIL – anaribeiro668@yahoo.com.br
IP – 177.18.47.123 
STATUS – Marcado como spam por eduguim
DATA/HORA – Enviado em 03/03/2013 as 22:47
TEXTO – Olhem mais para seus partidos e vejam quem realmente tem alguma coisa pra se orgulhar. Mensalão e fichas sujas! Aécio Neves é um homem íntegro e responsável pelos seus atos. Como presidente, com certeza irá dar continuidade ao excelente trabalho que foi feito em Minas Gerais. Em 2014 eu vou de Aécio Neves Presidente!
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

COMENTARISTA – Fernanda Souza
EMAIL – fernandasouza628@yahoo.com.br
IP – 177.18.47.123 
STATUS – Marcado como spam por eduguim
DATA/HORA – Enviado em 03/03/2013 as 22:46
TEXTO – Se Aécio Neves fez um bem pra MG como governador, imagina então como presidente do Brasil em 2014? Intriga da oposição! Aécio Neves é um homem íntegro e responsável com seus deveres como cidadão.
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

Como se vê, do computador que tem o IP 177.18.47.123 saíram 5 mensagens, 3 com nomes de homens e 2 com nomes de mulheres. Os horários de postagem dessas mensagens foram praticamente os mesmos.

Abaixo, mais um exemplo de outro IP (ou computador) usado para postar mais mensagens simultâneas com nomes e e-mails falsos, o que denota trabalho de equipe, até porque tal fenômeno durou manhã, tarde e noite inteiras do último domingo.

COMENTARISTA – Bianca
EMAIL – biancadias2303@gmail.com
IP – 189.63.166.248 
STATUS – Marcado como spam por eduguim
DATA/HORA – Enviado em 03/03/2013 as 17:27
TEXTO – Minas Gerais evoluiu muito com o governo de Aécio Neve
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

COMENTARISTA – Igor
EMAIL – igor.barros01@yahoo.com.br
IP – 189.63.166.248 
STATUS – Marcado como spam por eduguim
DATA/HORA – Enviado em 03/03/2013 as 17:24
TEXTO – Tudo que o Governador Aécio Neves fez por Minas Gerais reflete no excelente presidente que teremos.
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

COMENTARISTA – Michael
EMAIL – michael.costa59@yahoo.com.br
IP – 189.63.166.248 
STATUS – Marcado como spam por eduguim
DATA/HORA – Enviado em 03/03/2013 as 17:04
TEXTO – Minas Gerais evoluiu muito com o governo de Aécio Neves. Eu sou testemunha
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

COMENTARISTA – Samuca Rocha
EMAIL – samuelrocha343@yahoo.com.br
IP – 189.63.166.248 
STATUS – Marcado como spam por eduguim
DATA/HORA – Enviado em 03/03/2013 as 16:39
TEXTO – Com certeza o PIB do Brasil será um orgulho para os brasileiros quando Aécio Neves assumir a presidência da República.
POST – Um Larry Rother para Aécio Neves

Essas são pequenas amostras da chuva de comentários que este Blog recebeu, repito, no último domingo em um post que foi publicado aqui há praticamente dois anos.

Não há, claro, nada de ilegal em um político ter uma tropa de apoiadores para postar comentários elogiosos ou em sua defesa em páginas da internet que tratam de política e que o elogiaram ou criticaram.

Todavia, há que perguntar sobre o aspecto ético de um pequeno grupo de pessoas se multiplicar em muitas ao custo de um estratagema desonesto como falsificar o próprio nome e o próprio e-mail, travestindo-se homens em mulheres e mulheres em homens.

À parte da questão ética, o fato revela que o PSDB já está trabalhando por Aécio como se ele estivesse em plena campanha eleitoral, pois esse fenômeno que acabo de relatar é usado no auge dessas campanhas, quando qualquer voto conta.

Ou, no mínimo, é o próprio Aécio que organizou essa ação.

Este relato é interessante porque mostra até a estratégia usada. Claramente, os partidários de Aécio estão varrendo o Google em busca de textos negativos contra ele e espalhando defesas a seu favor, num primeiro momento.

Por último, o episódio também sugere que os adversários de Aécio devem ficar atentos, porque, concomitantemente à sua defesa por pessoas que utilizam do expediente questionável supra revelado, as mesmas pessoas provavelmente não ficarão só na defesa…

PS: espera-se que os computadores dos quais partiram as tais mensagens não tenham restrições para esse tipo de utilização, como, por exemplo, a de pertencerem a órgãos públicos.

Extraído do Blog da Cidadania

04 março 2013

A PROCURA DESESPERADA POR UM CANDIDATO - Rodolpho Motta Lima


Nos últimos dias, tem havido grande efervescência política com o lançamento, claro ou velado, de diversas candidaturas à Presidência da República, inclusive a da própria Presidenta. A profusão de prováveis candidatos de oposição a Dilma – estimulados pela mídia - deixa evidente, de cara, que o pessoal do PIG não acredita que Aécio ou qualquer outro tucano seja capaz de vencer a eleição. E a direita experimenta seus sonhos de consumo nas figuras de Marina Silva (nem de direita nem de esquerda, porque tudo que cai na REDE é peixe...), Eduardo Campos (cujo avô, Miguel Arraes, deve tremer no túmulo com certos entusiasmos de ocasião destinados ao neto) e até uma outra, que merece aqui observação mais atenta.

Recentemente – entre os dias 20 e 26.02 - , vimos surgir, nas charges do Chico, cartunista/chargista de presença diária no “Globo” junto a figuras de “presidenciáveis” – como Marina, Aécio e Eduardo – a do ministro, Joaquim Barbosa. Nada a objetar, se ele não estivesse aparecendo, como os outros e com os outros, no estilo “mocinho que invade o saloon”, em atitude acintosa de oposição à presidenta Dilma. Em uma delas, a que me parece mais grave, a charge vem acompanhada da mensagem/fala atribuída aos quatro personagens – Joaquim Barbosa inclusive - e dirigida à Dilma: “- Eu vou tirar você desse lugar”.

Chico costuma seguir, em suas charges, a linha editorial do jornal onde trabalha. Nada contra: ele tem todo o direito de possuir o posicionamento político-ideológico da mídia a que serve. Isso não se discute. E é igualmente óbvio que ele pode fazer humor com as coisas e pessoas que bem entender, assumindo, claro, suas responsabilidades éticas. Mas é obrigação cidadã não deixar passar em branco aquilo que – com humor ou sem ele – cheira a desvio antidemocrático.

No campo político, a charge envolvendo personagens do nosso dia a dia corresponde a uma tradição e deve ser saudada como manifestação da liberdade de comunicação e da expressão de ideias. Isso é ponto pacífico. Creio mesmo que, apesar de pouco republicana, a colocação do Presidente do Supremo ao lado de políticos oposicionistas mandando mensagens contrárias à Presidenta é um direito do chargista. Lá no fundo, ele pode estar desejando a candidatura do Ministro Joaquim Barbosa a Presidente do país. Ou pode, o que seria postura lastimável, estar torcendo pela monitoração do poder executivo pelo poder judiciário.

Sabemos todos que os humoristas são sempre os primeiros a ser perseguidos por sistemas repressores de poder. É só lembrar, na história recente do país, a turma do Pasquim... No Brasil de hoje, felizmente, é livre a comunicação. Mas é igualmente livre a interpretação que se possa fazer das intenções de quem atua na mídia, humorista ou não. O episódio das charges do Chico pode ser irrelevante para muitos. E ele pode nem ter percebido o sentido que se poderia dar à sua criação. Mas assim como “de grão em grão a galinha enche o papo”, de pequenos golpes em pequenos golpes pode-se chegar a um grande ataque às instituições.

De qualquer forma, nada tenho contra o cartunista, apenas divergindo de suas ideias. Tenho certeza de que ele não se importará nem um pouco com os meus gostos, mas, entre os diversos Chicos brasileiros, ideologicamente prefiro o Chico Buarque de Holanda – pela coerência ao longo da vida – e o Chico Mendes – morto em defesa dos seringueiros massacrados pelo poder. E quanto ao humor, minha predileção vai para o Chico Anysio, pela sua criatividade não pautada... 

Provoca estranheza, isso sim, que o Presidente do STF se deixe retratar dessa forma, sem qualquer palavra a respeito. Não é por falta de espaço na mídia, onde ele, seguidamente, vem opinando sobre diversos problemas da sociedade. Não por acaso, no dia 01.03 ele foi personagem central da coluna do Merval Pereira, com considerações do colunista sobre a possibilidade de vir a ser candidato à Presidência da República. E é claro que ele tem direito a postular o cargo, como qualquer cidadão brasileiro. Mas, em nome da independência entre os poderes constituídos, obtida a duras penas pela democracia brasileira, e considerada, fundamentalmente, a sua condição de magistrado - julgador, inclusive de feitos em que o poder executivo está envolvido -, ele deveria contestar claramente uma possível inferência, extraída da charge, de que – como presidente do Supremo que é - estaria “fazendo o jogo” da oposição ao atual Governo, eleito, diga-se, pela expressiva maioria do povo brasileiro.

No momento em que o julgamento do Mensalão, aplaudido por muitos, é considerado por outros um episódio de cartas marcadas, político em sua essência, onde terá faltado a observância a princípios básicos do direito, com casuísmos e inversões doutrinárias, Joaquim Barbosa deveria ser, no mínimo por sagacidade e prudência, o primeiro a rejeitar tal postura a ele atribuída, porque ele representa o poder maior da justiça neste país e não pode, em hipótese alguma, deixar que se sobreponha a essa posição a interpretação de que age politicamente, seja atrelado a um grupo , seja a serviço de seus interesses pessoais. A não ser, é claro, que concorde com a insinuação, hipótese em que deveria afastar-se do Supremo e dedicar-se aos projetos de um candidato oposicionista. Afinal, de todas as autoridades maiores dos poderes do país – que não valem pelo que são individualmente, mas pelo que encarnam como representantes dos interesses do povo -, esperam-se, permanentemente e sem cochilos, posturas condizentes com os ideais republicanos que se obrigam a defender.

Extraído do sítio Direto da Redação

20 fevereiro 2013

CASO AÉCIO: "É CONSTITUCIONAL O GOVERNADOR CONTRATAR EMPRESA SUA E DA SUA FAMÍLIA?" - Conceição Lemes


O ex-procurador-geral de Justiça, Alceu José Torres Marques, cuidou de arquivar pessoalmente duas representações do Movimento Minas Sem Censura contra Aécio e Andrea Neves.

Em Minas Gerais, o senador Aécio Neves (PSDB) e a irmã Andrea estão blindados por todos os lados.

Denúncias feitas contra ambos em 2011 e 2012 nunca foram investigadas, inclusive pelo Ministério Público do Estado.

O ex-procurador-geral de Justiça, Alceu José Torres Marques, que deixou o cargo no início de dezembro de 2012, cuidou de arquivar pessoalmente duas representações feitas pelo Movimento Minas Sem Censura, bloco de oposição que reúne parlamentares do PT, PMDB, PCdoB e movimentos sociais.

Ambas tinham como foco a época em que Aécio era governador (2003 a 2010) e Andrea comandou o Núcleo Gestor de Comunicação Social do Governo. Durante esse período, ela destinou dinheiro de estatais mineiras e da administração direta estadual para a rádio Arco-Íris e em outras empresas de comunicação da família Neves.

A primeira representação, protocolada em maio de 2011, foi arquivada em 27 de julho do mesmo ano. A segunda, de março de 2012, teve igual destino em novembro.

Em reportagem publicada pelo Viomundo neste domingo 17, o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG) justificou: “Como o ex-procurador-geral não apurou nada, sequer quanto de dinheiro público foi aplicado na rádio Arco-Íris, entramos com a segunda representação”.

Ela foi distribuída a João Medeiros Silva Neto, que é um dos oito promotores da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do MP de Belo Horizonte.

Ele não se intimidou. Abriu inquérito civil público para apurar as denúncias dos deputados Rogério Correia (PT) e Sávio Souza Cruz (PMDB), respectivamente líder e vice-líder do Minas Sem Censura.

O doutor Alceu Marques, porém, avocou para si o processo – leia-se tirou das mãos de João Medeiros — e arquivou.

Mais uma vez o promotor não se intimidou. Ingressou com reclamação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Inicialmente, ela foi distribuída para o conselheiro Jarbas Soares Júnior, procurador-geral de Justiça de Minas de 2005 a 2008, nomeado pelo então governador Aécio Neves.

O promotor João Medeiros arguiu o seu impedimento. Só então Jarbas Soares Júnior se declarou suspeito. 
Aqui o seu despacho.

A ação foi redistribuída, ficando a relatoria com o conselheiro Almino Afonso Fernandes.

Na seção de 11 de dezembro de 2012, do Conselho Nacional do Ministério Público, o relator decidiu pela improcedência da reclamação, mas os conselheiros Mario Bonsaglia e Fabiano Silveira pediram vista do processo. Ela será julgada na próxima sessão, no dia 26 de fevereiro. O procurador-geral da República é quem preside o CNPM. Roberto Gurgel, relembramos, há quase 23 meses mantém engavetada a representação de deputados mineiros contra Aécio e Andrea Neves por sonegação fiscal e ocultação de patrimônio.

Viomundo – Ao recorrer ao Conselho Nacional do Ministério Público, o que o senhor pleiteia?

João Medeiros – Peço que seja reconhecida a atribuição da Promotoria e devolvido o inquérito à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Belo Horizonte para que possamos realizar a investigação. Afinal, ao avocar para si o inquérito, ou seja, tirar da Promotoria o inquérito, o ex-procurador-geral feriu a autonomia do Ministério Público.

Viomundo — Por que decidiu investigar as denúncias contra Aécio e Andrea Neves?

João Medeiros – Todas as notícias que chegam à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do MP de Belo Horizonte geram uma investigação através de um inquérito civil público. Assim foi feito com essa representação. Em março do ano passado, ela chegou aqui e foi distribuída para mim por critério de ordem de entrada. Até então eu desconhecia os fatos relatados. Aí, instaurei um inquérito civil público, como é de praxe em situações semelhantes.

Viomundo – O que aconteceu a seguir?

João Medeiros — A partir do momento em que abri o inquérito civil público, eu passei a levantar dados. Como os deputados haviam trazido a informação de que o ex-governador e a irmã eram proprietários de duas ou três rádios e um jornal impresso, a minha primeira providência foi solicitar à Junta Comercial documentos que pudessem confirmar isso ou não.

A abertura do inquérito chegou ao conhecimento do ex-procurador-geral, que me fez algumas ligações, para saber do que se tratava.

Depois, por escrito, ele me pediu que prestasse informações sobre o tema, pois havia suspeita de que uma investigação idêntica já havia sido feita pela Procuradoria Geral.

Enviei a cópia da portaria para instauração do inquérito civil público, que é o primeiro ato do inquérito. Ela tem a síntese do objeto, a descrição do que se tratava, com base na representação dos parlamentares.

Aí, veio o ato de avocação. Não cheguei sequer a receber a documentação da Junta Comercial.

Viomundo – Existe hierarquia funcional do chefe do MP sobre os promotores?

João Medeiros — Não, o procurador-geral é a chefia administrativa da instituição.

Viomundo – Quais as justificativas do ex-procurador-geral para avocar o processo?

João Medeiros – Foram duas. A primeira, a de que o caso já estava resolvido, pois tinha sido objeto de investigação da Procuradoria Geral. Foi então que eu soube que no ano anterior, 2011, os parlamentares já tinham enviado ao então procurador-geral de Justiça de Minas uma representação semelhante.

Na verdade, em 2011, os parlamentares se equivocaram, pois deveriam já ter encaminhado a representação à Promotoria e não ao Procurador-Geral.

Mas o ex-procurador-geral também se equivocou ao não encaminhar o inquérito para a Promotoria e realizar a investigação no âmbito da chefia do Ministério Público.

A segunda alegação é a de que o fato se projetava também sobre o atual governo. Logo, ele, o procurador-geral, deveria ser o responsável pela investigação também.

Viomundo – O que acha dessa investigação do o ex-procurador-geral?

João Medeiros – Eu tenho críticas a ela, pois foi muito célere e superficial. O então procurador-geral arquivou-a de forma quase sumária, quando, na verdade, ele a deveria ter encaminhado à Promotoria.

Viomundo – Como a investigação para a segunda representação se projetaria também sobre o atual governador?

João Medeiros – Eis a questão. Aí, tem uma distorção muito importante na leitura. Por essa interpretação equivocada, se o fato denunciado diz respeito à política de comunicação do governo e ela foi mantida, logo, em tese, haveria também irregularidades na atual gestão. Logo, o atual governador seria investigado também.

Só que não é disso que se trata. Em nenhum momento, a portaria que instaurou o inquérito fala que a política de comunicação estava equivocada, que houve licitação viciada, entre outros problemas. Além disso, a nossa preocupação não era com o patrimônio da rádio.

A nossa representação se fixou no repasse de recursos públicos para a empresa de propriedade de um ex-governador e de sua família. Esse seria o foco da nossa apuração.

Configura irregularidade ou não? Qual o valor repassado? Qual a natureza do material veiculado? Como se deu esse procedimento? É constitucional o governador contratar empresas sua e da sua família? Houve ou não privilégio? Isso não fere o princípio da impessoalidade e da moralidade?

São pontos que eu pretendia esclarecer, mas não tive oportunidade de investigar.

O nosso foco, repito, é o vínculo de parentesco de um ex-mandatário, uma empresa de sua propriedade e os recursos públicos recebidos a título de publicidade.

Viomundo — Na última sessão de 2012 do Conselho Nacional, o senhor fez sustentação oral da sua reclamação. Qual foi a sua linha de defesa?

João Medeiros – Defesa da autonomia da Promotoria e de o inquérito permanecer sob a sua tutela. Esclareci que, ao contrário do ex-procurador aventou, o meu foco de investigação não visava a política de comunicação, de modo a estender a responsabilidade para o atual governador, mas um contrato que havia sido feito na época em que o senador Aécio Neves era governador, eventualmente beneficiando a empresa dele e da família.

Ainda questionei o fato de o então procurador ter tirado o processo da minha alçada.Pedi que fosse reconhecido o papel da Promotoria, devolvendo o inquérito para ela realizar o procedimento investigatório.

O conselheiro Almino Alfonso, relator do processo, julgou improcedente a minha reclamação, mas dois conselheiros, Mario Bonsaglia e Fabiano Silveira, pediram vista. Aí, o julgamento foi suspenso. Ele está nesse pé.

Viomundo – E agora?

João Medeiros – O julgamento da minha reclamação está na pauta da próxima sessão do Conselho Nacional, em 26 de fevereiro.

Ocorre que há um detalhezinho que complica a situação. Enquanto o meu questionamento tramitou, o procurador-geral, que estava com o inquérito na sua mão, arquivou-o. Esse mais um imbróglio que terá de ser resolvido.

Vamos supor que o Conselho Nacional decida que o ex-procurador-geral tem razão. Aí, refletirei sobre o que fazer.

Agora, se o meu recurso for julgado procedente, o Conselho, além de determinar que o inquérito venha para a Promotoria, vai de ter esclarecer como vai ser feita a sua anulação do ato de arquivamento, pois foi tocado por uma autoridade incompetente.

Temos de aguardar a decisão.

Extraído do sítio Viomundo

31 janeiro 2013

SHOW DE UNIDADE TUCANA É ENCENAÇÃO - José Dirceu


O senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidenciável da oposição em 2014 com candidatura já lançada, passou os dois últimos dias em articulações em São Paulo. Jantou anteontem com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, almoçou ontem com o governador Geraldo Alckmin e depois tomou um café com José Serra, duas vezes derrotado em disputa pelo Palácio do Planalto (2002 e 2010). Aécio havia programado essa ofensiva junto ao tucanato paulista assim que voltasse das férias nos Estados Unidos.

Sua intenção é eliminar resistências internas, manifestadas sobretudo por Alckmin e aliados - até publicamente - ao seu projeto de antecipar o lançamento da candidatura presidencial. Já em várias oportunidades, Alckmin veio a público considerar "prematuro" falar em sucessão para o Planalto agora, principalmente lançar uma candidatura. Ele está mal no Estado, muito desgastado nas pesquisas - até setembro tinha em média 40% de aprovação a seu governo e de lá para cá despencou para 27% - e quer tempo para se recuperar.

Tudo o que Alckmin não quer, portanto, é ter o espaço político ocupada por uma candidatura presidencial de Aécio desde já. E no início desta semana, na sede paulista do PSDB, o senador Aloysio Nunes Ferreira Filho (PSDB-SP) defendeu que Alckmin também coloque seu nome no páreo da disputa pelo Planalto no ano que vem. O governador paulista foi o candidato do PSDB ao Planalto em 2006, quando foi derrotado pelo presidente Lula.

Tucanos fingem unidade e derrotam uns aos outros

Com tanta armação, o que fica claro, também, é que José Serra e os serristas paulistas não ficarão nem um pouco chateados se Alckmin morder a isca, começar a batalhar para ser candidato a presidente e sobrar para ele (Serra) a candidatura a governador do Estado. De novo.

Aliás, se vocês fizerem um retrospecto, pelo lado tucano só Serra e Alckmin se revezam (ou disputam juntos) as eleições majoritárias em São Paulo desde 2002. Não há renovação no partido, são 10 anos que os eleitores tucanos não têm outra opção para presidente da República, governador e prefeito de São Paulo.

Outro aspecto que fica claro também em toda essa armação? É que esse show de unidade tucana é tudo apenas encenação. Os tucanos estão e continuam divididos e sem direção. É tudo para ocupar espaço no noticiário, não é para valer.

Ou vocês acham que Alckmin, que destruiu o serrismo na máquina do Estado, já esqueceu que Serra o derrotou em 2008 quando ele disputou a prefeitura e não foi nem para o 2º turno porque Serra apoiou a reeleição do prefeito Gilberto Kassab? E acham que Serra e Alckmin perdoam Aécio por tê-los derrotado em 2002, 2006 e 2010 quando disputaram o Planalto e perderam a eleição em Minas?

Extraído do Blog do Zé Dirceu