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25 janeiro 2013

OS OCEANOS ESTÃO VIRANDO PLÁSTICO

O que acontece com o plástico que não é corretamente descartado e onde ele vai parar

Uma das principais questões relacionadas ao lixo doméstico reside no lugar onde ele vai parar quando sai das nossas casas. Na verdade, grande parte das pessoas não se importa com isso, já que ele vai para “algum lugar” que ninguém sabe onde é, que ninguém vê. E se ninguém vê o lixo, ele “deixa” de ser um problema.

Bem, o lixo está começando a aparecer e, o que antes não parecia ser um problema, chegou à superfície. Mais precisamente à superfície do mar. Um dos lugares mais problemáticos é o Giro do Pacífico Norte.

Em primeiro lugar, um giro oceânico é um termo utilizado por oceanógrafos para descrever grandes correntes marítimas rotativas, que estão diretamente relacionadas com o movimento dos ventos.

O Giro do Pacífico Norte tem se caracterizado pela grande quantidade de detritos plásticos originários da costa oeste dos EUA e da Ásia que formam o que é conhecido entre ambientalistas como plastic patch (remendo plástico, em tradução livre). Em outras palavras, é uma área do oceano com grande concentração de poluentes e que afeta não apenas o ecossistema da região, mas em última análise a vida e a saúde do próprio homem.

De acordo com o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), que faz parte do Departamento de Comércio dos Estados Unidos (USDC), o nome remendo plástico “faz com que as pessoas acreditem que é uma área contínua e visível formada por garrafas e outros tipos de lixo”.

O lugar, como é mostrado no documentário “Garbage Island: An Ocean Full of Plastic”, é uma parte do oceano com grande concentração de todos tipos de plásticos, desde garrafas e embalagens, até microplásticos, que são partículas pequenas e extremamente tóxicas de plástico.

No filme, que foi produzido pela revista Vice, é mostrado que a grande quantidade de poluentes fez com que a composição da água do mar se alterasse. Amostras de água coletadas durante a expedição chegam a conter 1.000 partes de plástico para cada plâncton. Levando em conta que seis partes de plástico para cada plâncton já caracterizam um ambiente poluído, o que dá o tom da gravidade do problema.

Danos à saúde

O grande problema é que o microplástico é tão abundante que acabou se tornando parte do ecossistema. Plânctons e pequenos crustáceos se alimentam deles, se intoxicam, e, consequentemente, fazem o mesmo ao serem comidos por pequenos peixes. O processo vai se repetindo até chegar aos grandes peixes, como o atum, e, finalmente ao próprio ser humano.

Outro problema é o fato de o microplástico absorver com facilidade outros tipos de poluentes que se encontram no mar, como pesticidas, metais pesados e outros poluentes orgânicos persistentes (POPs). Isso faz com que o nível de contaminação aumente e os danos à saúde sejam ainda maiores. Entre os problemas de saúde causados pelos POPs estão diversos tipos de disfunções hormonais, neurológicas, reprodutivas e neurológicas.

Como colaborar com a diminuição da poluição

De acordo com o NOAA, o giro do Pacífico Norte não é o único a enfrentar esse fenômeno. O mesmo acontece no Oceano Atlântico, no Giro Subtropical do Atlântico Norte, e por todo o mundo. Uma das explicações para o surgimento desse problema é a grande quantidade de plástico usada no nosso dia-a-dia, o que nos leva a refletir sobre nossos hábitos de consumo. Há de se reconhecer a importância deste material em nossa sociedade, conferindo conveniências e contribuindo para o desenvolvimento, mas igualmente cabe a reflexão sobre a parcimônia que devemos incorrer em seu uso.

Utilize menos e sempre recicle, não só o plástico, mas todo tipo de resíduo reciclável que tenha optado por consumir. Pressione as autoridades da sua região e contribua para o desenvolvimento da coleta seletiva. Se informe sobre a nova política de resíduos sólidos e, principalmente, se conscientize sobre o como suas atitudes estão contribuindo, ou não, para a poluição dos nossos oceanos.

A eCycle ajuda você a dar o primeiro passo! Visite nossa seção Recicle Tudo para se informar sobre com reciclar diversos materiais, assim como para saber onde descartarseus objetos sem uso!

Assista ao documentário (em três partes):

Parte 1 - Apresentações dos membros da expedição, preparações e partida para o Giro do Pacífico Norte


Parte 2 - O caminho para o Giro do Pacífico Norte


Parte 3 - A poluição no Giro do Pacífico Norte


Extraído do sítio Portal e-Cycle

08 agosto 2012

OCEANOS NO LIMITE - CCS

A contaminação, a sobrepesca, a exploração do litoral e a mudança climática ameaçam a sobrevivência de centenas de espécies, de ecossistemas marinhos e do modo de vida de inúmeras famílias que deles dependem. Entre eles, nós, os humanos.

A riqueza e a diversidade dos mares, das costas e de suas fronteiras terrestres encerram sua própria fragilidade. O estreito vínculo entre esses sistemas converte qualquer ameaça em uma catástrofe para o ecossistema. Algas, micro-organismos, plantas, peixes, tartarugas marinhas, aves e cetáceos dependem do bem estar dos oceanos.

Apesar de sua importância vital, a vida marinha está desprotegida. Os recifes de coral e os prados submarinos sofrem uma taxa de degradação cinco vezes superior a dos bosques tropicais. No entanto, a área marinha protegida não atinge 0,1% de sua extensão frente aos 10% de proteção da superfície terrestre. Cifra insignificante, considerando-se que os oceanos cobrem 71% de nosso planeta.

A demanda de pescado aumentou em um ritmo mais rápido do que sua população. A resposta ao aumento da demanda tem sido capturar mais e mais. Nem revoluções tecnológicas, nem planos de sustentabilidade protegem e conservam esse ecossistema do qual todos dependemos.

O arrastão pesqueiro é a principal ameaça à biodiversidade marinha. Os grandes barcos de arraste coletam em profundidades de 2.000 metros; como consequência, produz-se uma destruição indiscriminada dos fundos marinhos. 98% das espécies que vivem nos oceanos dependem desses fundos. Dois terços de todas as espécies de coral encontram proteção nas águas profundas e frias. A pesca de arraste não somente destrói as espécies, como também leva enormes quantidades de pesca desnecessárias para o ser humano e vitais para o ambiente marinho.

A pesca intensiva ao redor de montanhas submarinas tem acabado com 90% dos corais no sul da Austrália. A fragilidade dos recifes une-se à sua lenta recuperação. Uma investigação realizada no Alasca assinalou que, após um ano, 55% dos corais atingidos por uma única passagem do arraste ainda não haviam se recuperado.

A pesca de fundo é feita em águas internacionais onde não existe nenhuma regulamentação. Sem proteção, as consequências são visíveis: o peixe relógio ou a merluza negra foram explorados até sua extinção comercial. A maioria das espécies de fundo comercializadas está sobre-explorada.

À sobrepesca soma-se a extração de gás e de petróleo na plataforma continental. A maioria das reservas marinhas de petróleo, gás e minerais encontram-se em águas pouco profundas. No entanto, a indústria começa a aventurar-se em grandes profundidades. Para isso, são realizadas explorações sísmicas de até 3.000 metros de profundidade. As consequências são devastadoras. As frágeis comunidades marinhas perecem ante a intrusão do homem.

A construção de edifícios, portos desportivos, espigões, ou a regeneração artificial de praias tem modificado o litoral. Alterações que repercutem na dinâmica marinha e deterioram o habitat de centenas de seres vivos. A ação do homem põe em risco e destrói os ecossistemas e a fauna.

Os esgotos urbanos, industriais e agrícolas; o excessivo consumo de água; a erosão das praias; a ocupação do litoral; o deterioro e a salinização dos aquíferos costeiros são outros dos problemas enfrentados pelos frágeis oceanos. Problemas promovidos pela inconsciência do ser humano e a despreocupação dos governos. Passam por alto que mais de 3 bilhões de pessoas dependem direta ou indiretamente dos recursos do mar.

Recuperar a saúde dos oceanos é essencial para salvaguardar nosso planeta. Respeitar as recomendações científicas; criar leis e protocolos de proteção dos mares e oceanos são medidas necessárias para sanar suas cicatrizes. Uma administração internacional dos oceanos e um controle eficaz das quotas de pesca somente serão possíveis com a firme vontade dos governos. Se, a isso, adicionarmos a consciência individual dos cidadãos, é viável criar um novo ritmo de consumo menos destrutivo e mais respeitoso com nossa fonte de vida.

* Tradução: ADITAL, por Irene Casado Sánchez.

Extraído do sítio Adital

14 junho 2012

PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS DESDE 1972



Desde a primeira grande conferência mundial sobre meio ambiente, em 1972, os temas "verdes" entraram na agenda política e na consciência do consumidor. Mas como este quadro demonstra, poucos problemas foram resolvidos e alguns se agravam rapidamente.

PROTEÇÃO À CAMADA DE OZÔNIO: o Protocolo da ONU de 1987 tornou ilegal o uso de gases de clorofluorcarbono (CFC) que corroem a camada de ozônio, o que protege o planeta dos raios solares que podem causar câncer de pele. Foi contida uma expansão maior do buraco na camada de ozônio, mas sua recuperação total está prevista para meados deste século ou inclusive depois.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS: na Rio-92, a ONU estabeleceu a Convenção-quadro sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês). Em 1997, a UNFCCC promulgou o Protocolo de Kyoto, o único tratado que estabelece cortes específicos de emissões de gases de efeito estufa. Mas as metas de Kyoto foram atropeladas pelas emissões de grandes economias emergentes que não são obrigadas a cumprir metas. As partes da UNFCCC concordaram em lançar um novo pacto em 2015, efetivo a partir de 2020. O tempo é curto. A Terra está a caminho de um aquecimento de três graus Celsius ou mais ao final do século, aumentando gravemente os riscos de secas, inundações e tempestades.

BIODIVERSIDADE: a Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), outra herança da Eco-92, não conseguiu conter a extinção de espécies. O mundo não alcançou a Meta de Desenvolvimento do Milênio sobre a perda da biodiversidade para 2010. Os recifes de coral sofreram redução de 38% desde 1980 e e perda de habitat é superior a 20% desde aquela década, principalmente por causa da agricultura.

OCEANOS: com exceção de algumas pescas que estão sob controle dos Estados, muitas populações de peixes sofrem um esgotamento sem precedentes. Em 2007, só 7% da produção mundial de pescado tinha o certificado do Conselho de Administração Marinho (Marine Stewardship Council) de produção com respeito ao meio ambiente. Há 169 "zonas costeiras mortas" nos oceanos e 415 que sofrem eutrofização, poluição das águas provocadas por altas concentrações de nutrientes (devido ao despejo de fertilizantes ou matéria orgânica) que causam a proliferação de organismos que consomem o oxigênio dissolvido na água.

ÁGUA DOCE: nos últimos 50 anos, triplicou a extração mundial de água subterrânea em resposta ao aumento da população urbana e da demanda agrícola. Só 158 das 263 bacias de rios que cruzam fronteiras nacionais têm acordos de cooperação em matéria de gestão de recursos. Noventa e dois por cento da "pegada de carbono" mundial da água se deve à agricultura.

ENERGIA: o aumento do interesse em energias renováveis, impulsionado especialmente pelos objetivos estabelecidos na Europa, contrasta com o predomínio dos combustíveis fósseis, que representaram 80,9% das fontes de energia em 2009. Desde 1992, a produção de energia solar aumentou 30.000% e eólica (ventos) em 6.000%. Mas em conjunto com a geotérmica, representaram apenas 0,8% do total global em 2009. Com os biocombustíveis e o gás proveniente do lixo, o percentual chega a 10,2%. O investimento global em energia e combustíveis renováveis alcançou um recorde de 211 bilhões de dólares em 2010, 540% a mais do que em 2004.

DESMATAMENTO: desde 1992, as florestas primárias do mundo recuaram 300 milhões de hectares, uma área quase do tamanho da Argentina. O desmatamento é a terceira maior causa de emissões de gases de efeito estufa, causadores do aquecimento global. A boa notícia é que o reflorestamento ganhando terreno no hemisfério norte e que houve algum progresso na oferta de incentivos financeiros para proteger as florestas nativas. Desde 2006, quadruplicou uma iniciativa da ONU de replantar pelo menos um bilhão de árvores ao ano.

CONTAMINAÇÃO E DEJETOS: a produção anual de plásticos mais que duplicou nas últimas duas décadas para 265 milhões de toneladas, das quais a metade é usada para artigos descartáveis. A decomposição do plástico é muito lenta, criando uma ameaça ambiental de longo prazo. Por outro lado, o número de vazamentos de petróleo caiu nos últimos 20 anos. Chumbo no petróleo ou na gasolina está perto de ser eliminado e há um tratado mundial para deter a tristemente célebre "dúzia suja" de poluentes orgânicos persistentes (POPs) e produtos químicos que se biodegradam tão lentamente que se acumulam na cadeia alimentar. Também no lado positivo, os consumidores são cada vez mais sensíveis à reciclagem, desde que não seja caro demais.

FONTES: Informe Global sobre Meio Ambiente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma); números sobre energia do informe da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) e Agência Internacional de Energia (AIEA).

Extraído do sítio R7

11 junho 2012

RELATÓRIO DA ONU APONTA FRACASSO DE METAS AMBIENTAIS GLOBAIS



O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente analisou 90 de um total de 500 metas ambientais: em só quatro houve avanço significativo. Retrocesso na pesca excessiva e nas mudanças climáticas.

Os autores do estudo intitulado "Geo-5" alertam enfaticamente para o perigo do colapso dos ecossistemas. "Isto é uma denúncia", declarou o diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, numa coletiva de imprensa no Rio de Janeiro.

Achim Steiner
"Precisamos reconhecer os fatos e enfrentar os desafios à humanidade. É urgente uma mudança de curso na política ambiental, e a cúpula de sustentabilidade das Nações Unidas Rio+20, a se realizar em breve, é uma chance que só ocorre uma vez em cada geração", pressionou Steiner.

Em mais de 500 páginas, o estudo critica com veemência a lentidão na implementação das metas ambientais acordadas em nível internacional. Os pesquisadores analisaram as 90 mais importantes, entre 500 metas internacionais, e em só quatro constataram um progresso significativo. Atualmente, são emitidos na atmosfera bem menos gases nocivos à camada de ozônio; os mares estão menos poluídos; há menos chumbo nos combustíveis; e mais seres humanos têm acesso a água limpa.

"Prioridade pessoal"

Houve vitórias em certos pontos, como no desmatamento, porém em vastas regiões do planeta a situação no tocante ao meio ambiente até mesmo piorou. O relatório menciona a pesca descontrolada, as secas e as mudanças climáticas.

"Se a tendência prosseguir, e os padrões de conduta na produção e consumo de recursos naturais não puderem ser revertidos, então os governos vivenciarão perdas e danos numa dimensão inusitada", advertiu o diretor teuto-brasileiro do Pnuma.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou em Nova York que ainda há muito a se fazer, para que tenha sucesso a conferência internacional, realizada no Rio de Janeiro de 20 a 22 de junho. Ele acredita que os líderes mundiais precisam transformar a Rio+20 em sua "prioridade pessoal".

Mais de 100 chefes de governo e de Estado estão convidados para o encontro, que ocorrerá 20 anos após a conferência do meio ambiente de 1992, na metrópole brasileira. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não participará, e tampouco os chefes de governo da Alemanha, Angela Merkel, e do Reino Unido, David Cameron.


Extraído do sítio Deutsche Welle

27 abril 2012

A "SOPA" DE PLÁSTICO DO OCEANO PACÍFICO

Uma sopa de lixo de plástico que flutua no Oceano Pacífico está crescendo numa taxa alarmante e agora cobre uma área de duas vezes o tamanho dos Estados Unidos, dizem os cientistas.

A grande expansão dos pedaços de plástico – de fato a maior quantidade de lixo no mundo jogada fora – está sendo concentrada em uma determinada área pelo movimento circular das correntes marítimas. Esta sopa em movimento expande-se por cerca de 500 milhas náuticas a partir da costa da Califórnia, cruza o norte do Pacífico, passa o Havaí e chega quase ao Japão.


Charles Moore, um oceanógrafo americano que descobriu a “Grande área de lixo do Pacífico” ou o “vórtice de lixo”, acredita que cerca de 100 milhões de toneladas de dejetos estão circulando na região. Marcus Eriksen, um diretor de pesquisa da fundação de pesquisa americana Algalita Marine, fundada por ele, disse ontem: “A idéia que as pessoas tem sobre isso é que há uma ilha de lixo de plástico sob a qual se pode andar em cima. Não é assim. É mais como uma sopa de plástico.”

Curtis Ebbesmeyer, um oceanógrafo e um técnico que controla os dejetos de plástico em praias, vem acompanhando o aumento do lixo de plástico nos oceanos nos últimos 15 anos e compara o vórtice de lixo a uma entidade viva: “Ele se move em círculos como um grande animal sem controle” Quando esse animal se aproxima da terra, e isso acontece no arquipélago havaiano, o resultado é dramático. “A área de lixo de derrama sobre a praia, e você tem uma praia coberta com esse confete de plástico.”

Historicamente o lixo que chegava aos oceanos era biodegradável. Mas os plásticos modernos são tão duráveis que objetos com mais de 50 anos podem ser encontrados na área do norte do Pacífico. O Sr. Moore disse que porque o mar de lixo é translúcido e está numa superfície de água, ele não pode ser detectado em fotografias de satélite. “Você só o vê da proa dos navios”.

De acordo com o Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas, os refugos de plástico causam a morte de mais de um milhão de pássaros marinhos todos os dias, e também de mais de 100 mil mamíferos marinhos. Seringas, filtros de cigarro e escovas de dente tem sido encontradas no estômago de aves mortas, que as confundem com comida.

Precisamos parar de jogar lixo nas ruas, rios e mares. Pense nisso!

(Esse artigo é parte do publicado no jornal britânico The Independent. Para ler o original clique aqui. Também existe um outro artigo sobre isso no website Superuse. Para lê-lo clique aqui. Para ver uma animação do lixo caminhando no Oceano Pacífico feita pelo Greenpeace clique aqui).

Extraído do sítio The Urban Earch

26 abril 2012

OCEANO DE PLÁSTICO - Paula Neiva e Roberta de Abreu Lima

WWF 2005
Os oceanos ocupam 70% da superfície da Terra, mas até hoje se sabe muito pouco sobre a vida em suas regiões mais recônditas. Segundo estimativas de oceanógrafos, há ainda 2 milhões de espécies desconhecidas nas profundezas dos mares. Por ironia, as notícias mais freqüentes produzidas pelas pesquisas científicas relatam não a descoberta de novos seres ou fronteiras marinhas, mas a alarmante escalada das agressões impingidas aos oceanos pela ação humana.

Um estudo atualmente em curso pela entidade ambientalista Greenpeace, cujas conclusões serão apresentadas em maio num congresso na Inglaterra, mostra que a concentração de material plástico nas águas atingiu níveis inéditos na história.

Nos últimos meses, embarcações do Greenpeace esquadrinharam dezenas de regiões dos oceanos pesquisando amostras da vida marinha. Os cientistas descobriram que a poluição por plásticos, antes restrita a alguns pontos conhecidos, hoje é onipresente nas águas dos mares do mundo inteiro.

"É absolutamente chocante quando se navega no meio do nada, a milhares de quilômetros da costa, e se descobre a alta concentração de plástico na água", diz o inglês Adam Walters, um dos pesquisadores que viajam a bordo dos barcos do Greenpeace. Segundo o Programa Ambiental das Nações Unidas, existem 46.000 fragmentos de plástico em cada 2,5 quilômetros quadrados da superfície dos oceanos. Isso significa que a substância já responde por 70% da poluição marinha por resíduos sólidos.

A primeira vítima dos plásticos que se depositam nos oceanos é a vida animal. Calcula-se que 267 espécies, principalmente pássaros e mamíferos marinhos, engulam resíduos plásticos ou os levem para seus filhotes julgando tratar-se de alimento. Há seis anos, uma baleia minke foi encontrada morta na Normandia, no norte da França, com 800 quilos de sacolas plásticas no estômago.

Em regiões como a Califórnia, é comum achar tartarugas, leões-marinhos e focas mortos por asfixia ou lesões internas provocadas pela ingestão de plástico. O Atol de Midway, próximo ao Havaí, é o símbolo máximo da tragédia que o plástico impinge aos mares. Por capricho das correntes marinhas, o atol recebe diariamente o entulho plástico proveniente do Japão e da costa oeste dos Estados Unidos.

O lixo de Midway provoca a morte de metade dos 500.000 albatrozes que nascem anualmente no atol, os quais confundem plástico com comida. O plástico do tipo PVC, empregado em canos, brinquedos e numa infinidade de utilidades domésticas, pode conter compostos de estanho altamente tóxicos para moluscos e peixes.



Essas substâncias, que chegam ao mar principalmente pela ação das chuvas que varrem os aterros sanitários, causam alterações hormonais que modificam o sistema reprodutivo e diminuem a taxa de fertilidade desses animais.

Os mesmos compostos de estanho estão presentes em alguns tipos de tinta utilizados para proteger o casco de barcos e navios. "Essas tintas já foram banidas em alguns países, mas continuam a ser usadas em muitos outros", informa o biólogo Alexander Turra, da Universidade de São Paulo.

O plástico encontrado nos oceanos não é apenas aquele que se vê enfeando as praias, como sacolas e garrafas. Uma das principais ameaças vem de peças quase invisíveis, os chamados pellets, bolinhas com meio centímetro de diâmetro utilizadas como matéria-prima pelas indústrias.

Quase metade de todo lixo produzido pelo homem termina no mar.
O mundo produz atualmente 230 milhões de toneladas de produtos plásticos por ano - contra 5 milhões na década de 50. Os pellets chegam aos oceanos como lixo industrial e por meio do descarte de navios que os usam para limpar seus tanques e porões. Essas bolinhas têm enorme capacidade de absorção de poluentes.

Apenas uma delas apresenta concentração de poluentes até 1 milhão de vezes maior que a da água onde se encontra, envenenando os cardumes que a ingerem. Um estudo feito neste ano por pesquisadores da Universidade de São Paulo mostrou que em Santos, no litoral paulista, cada meio metro cúbico de areia da praia contém até 20.000 pellets.

Um trabalho recente desenvolvido por um time de dezenove pesquisadores dos Estados Unidos, da Inglaterra e do Canadá mapeou, pela primeira vez, o impacto da ação humana sobre os mares.

De acordo com o estudo, apenas 4% das áreas oceânicas do mundo, localizadas nos pólos, estão imunes a ela.

E nada menos de 40% das regiões registram interferências humanas de alta ou média intensidade. "O interesse pelo tema aumentou consideravelmente na última década, depois que os cientistas perceberam que a ação humana altera profundamente os oceanos", disse a VEJA o ecologista Benjamin Halpern, da Universidade da Califórnia, coordenador do estudo.

Para chegarem a essa conclusão, os pesquisadores coletaram registros sobre uma série de variáveis, como poluição, atividade pesqueira e ocupação de zonas costeiras, em diversos pontos dos mares e oceanos e avaliaram sua intensidade.

Outro estudo, divulgado na semana passada pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas, indica que três quartos das regiões pesqueiras do mundo estão ameaçados pelo impacto da ação humana. Como as grandes regiões pesqueiras se encontram próximas à costa, sofrem os efeitos do crescimento desenfreado da ocupação dos litorais.

Calcula-se que 2.000 famílias se instalem diariamente em áreas litorâneas. Como se isso não bastasse, segundo o estudo da ONU, a pesca predatória ameaça 80% das principais espécies de peixes comercializadas. A indústria da pesca captura 2,5 vezes mais peixes do que poderia caso respeitasse a capacidade dos cardumes de se renovar.

Os estudos mais recentes sobre a saúde dos oceanos apontam que, além da praga dos plásticos, há cinco principais sintomas da deterioração causada pela interferência humana.

• Acidificação das águas - A produção desenfreada de dióxido de carbono (CO2), o gás do efeito estufa produzido pela queima de combustíveis fósseis, faz com que os oceanos hoje absorvam uma quantidade dez vezes maior da substância do que há 100 anos. O CO2 eleva a acidez das águas, o que ameaça a sobrevivência de diversas espécies de peixes e mamíferos.

• Surgimento de zonas mortas - O esgoto doméstico, os dejetos de gado e o lixo industrial despejados nos oceanos promovem a proliferação de algas. Em excesso, elas ameaçam todas as outras formas de vida porque, quando morrem, são degradadas por bactérias num processo que consome grande parte do oxigênio da água. O resultado é o surgimento das zonas mortas, inóspitas à maioria das espécies. Há cinqüenta anos, havia três zonas mortas no mundo. Hoje, são 150.



• Desaparecimento de mamíferos - A presença de mamíferos marinhos é um indicador bastante preciso da qualidade dos oceanos. Alterações no ciclo de vida desses animais alertam para desequilíbrios em seu ambiente. Na última década, milhares de golfinhos e leões-marinhos morreram por envenenamento ao comer peixes menores, que se alimentam de algas tóxicas, contaminadas por resíduos químicos.

• Marés vermelhas freqüentes - Chama-se de maré vermelha a concentração de algas tóxicas em águas litorâneas. Há uma década, no Golfo do México, ela ocorria uma vez a cada dez anos. Atualmente, acontece todos os anos. Causa a morte de cardumes e pode provocar nas pessoas reações alérgicas e dificuldade para respirar. O fenômeno se deve à destruição dos manguezais e pântanos e à poluição decorrente da ocupação humana nas regiões costeiras.

• Destruição do assoalho marinho - A poluição decorrente de vazamentos em petroleiros destrói o habitat das espécies que vivem próximo à superfície oceânica. Mas o assoalho marinho também sofre com a contaminação ao redor das plataformas de perfuração e extração de petróleo. O nível de hidrocarbonetos no solo marinho se mantém excepcionalmente alto numa área de 8 quilômetros em volta das plataformas de extração. Em algumas regiões do Mar do Norte, a área poluída cobre mais de 100 quilômetros quadrados do assoalho marinho.

Extraído do sítio Planeta Sustentável

25 abril 2012

UM OCEANO DE PLÁSTICO

Entre o litoral da Califórnia e o Havaí, uma área enorme ganhou um triste apelido: o Lixão do Pacífico. Levadas pela corrente marítima, toneladas e toneladas de sujeira, produzidas pelo homem, se acumulam num lugar que já foi um paraíso.

Um oceano de plástico, uma sopa intragável, de tamanho incerto e aproximadamente 1,6 mil quilômetros da costa entre a Califórnia e o Havaí e que, segundo estimativas, seria maior do que a soma de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.


Extraído do Youtube

24 abril 2012

EL PLÁSTICO, PRINCIPAL AMENAZA DE LOS OCÉANOS


El aumento de la producción de plásticos en todo el mundo es indetenible, la mayoría de estos acaban en los océanos, amenazan a todos los seres vivos. Así lo aseguran científicos alemanes, británicos y chilenos del Instituto Alfred Wegener de Investigación Polar y Marina.

Las micropartículas, es decir las piezas de plástico disueltas y que pueden acumularse en los organismos vivos, son particularmente peligrosas. Estas micropartículas de plástico se absorben por el tracto gastrointestinal de los animales y también por el organismo humano.

En su reciente estudio, los investigadores utilizaron una red para atrapar las micropartículas más efectivamente y con ayuda de tecnología moderna lograron saber hasta qué punto puede disolverse el plástico en el mar y con qué eficiencia puede ser absorbido por los organismos vivos.

Todavía se desconoce la eficacia de penetración de las micropartículas en las rocas, o cómo se ubican en los pantanos y se ponen en contacto con las sales. Sin embargo, los científicos están extremadamente preocupados por el aumento de la contaminación marina con plástico, sobre todo porque no se sabe todavía nada sobre las posibles consecuencias de esta contaminación.

Anteriormente se sabía que los océanos contínuamente se oxidan, pero hoy en día la tasa de oxidación es la más alta de los últimos 300 millones de años. Esto se debe al aumento constante de las emisiones de dióxido de carbono principalmente por la industria. Esta contaminación convierte a las criaturas del mar en sus principales víctimas.

En un futuro próximo, la contaminación podría tener graves consecuencias en todos los países sin excepción. Además, las grandes cantidades de dinero asignadas al estudio de los problemas ambientales, de hecho han resultado en vano, porque la industria sigue trabajando sin prestar atención al medioambiente.


Extraído do sítio Patria Grande

23 abril 2012

POLUIÇÃO POR PLÁSTICOS NOS OCEANOS: UMA PREOCUPAÇÃO GLOBAL - Fernanda Imperatrice Colabuono

Em um estudo recentemente realizado no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, foram encontrados PCBs e pesticidas organoclorados em plásticos retirados do trato digestório de albatrozes e petréis.

© David M. Lawrence / Plastics at SEA www.sea.edu/plastics
Os plásticos têm inúmeras qualidades e utilidades que trazem praticidade a nossa vida. Apesar disso, uma vez descartados no ambiente podem causar sérios prejuízos a biota e ao ecossistema. Hoje em dia, os plásticos são considerados poluentes emergentes e constituem um problema global. Por este motivo, pesquisadores de todo o mundo tem se preocupado com este tema e diversos estudos sobre a poluição por plásticos tem sido desenvolvidos.

A ingestão de plásticos por animais marinhos, como tartarugas e aves, é um assunto em particular que tem chamado muito a atenção dos pesquisadores, devido aos danos causados a estes animais. Os efeitos físicos causados pela ingestão de plásticos são os mais conhecidos. Dentre eles pode-se citar o sufocamento por grandes peças de plástico, a obstrução do trato digestório e a diminuição do volume funcional do estômago, que podem causar, em pouco tempo, a morte do animal.

Ave marinha encontrada morta em uma praia da costa sul do Brasil. Muitas destas aves encontram-se com o trato digestório repleto de plásticos. © Fernanda Imperatrice Colabuono / IO-USP

Outro problema associado à ingestão de plásticos que têm sido recentemente investigado é a transferência de poluentes orgânicos persistentes que encontram-se adsorvidos a superfície dos plásticos para os animais que os ingerem. Os plásticos adsorvem os poluentes presentes no ambiente e chegam a ter concentrações tão altas quanto as encontradas em diversos animais, e estão sendo utilizados para monitorar a poluição de diversos locais no mundo. Apesar de a alimentação ser a maior via de exposição de poluentes orgânicos persistentes para os animais marinhos, alguns trabalhos investigam a ingestão de plásticos como uma fonte adicional de contaminação. Os poluentes orgânicos persistentes são bastante conhecidos por seus efeitos tóxicos e além da sua grande persistência no ambiente, possuem alta afinidade aos tecidos animais. Os bifenilos policlorados (PCBs) e pesticidas organoclorados, como os DDTs, são exemplos de alguns poluentes orgânicos persistentes encontrados nos plásticos.

As aves marinhas estão entre os animais mais afetados pela poluição dos oceanos. São animais com alta freqüência de ingestão de plásticos, em especial o grupo dos albatrozes e petréis que são capazes de acumular os plásticos no trato digestório por longos períodos. Da mesma maneira, problemas causados por poluentes orgânicos persistentes em aves marinhas são bastante conhecidos, sendo associados com a diminuição do sucesso reprodutivo e declínio de populações destes animais. Em um estudo recentemente realizado no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, foram encontrados PCBs e pesticidas organoclorados em plásticos retirados do trato digestório de albatrozes e petréis. Observou-se que tanto as concentrações destes contaminantes nos plásticos como o grupo de compostos encontrados eram bastante similares aos encontradas nos tecidos das mesmas aves. As investigações continuam em diversos centros de pesquisa em busca de maiores evidências sobre a transferência de poluentes dos plásticos para os animais marinhos.

Pedaços de plásticos encontrados no trato digestório de uma ave marinha. Os plásticos podem causar diversos danos físicos, além de serem uma possível fonte de contaminação por poluentes orgânicos persistentes. © Fernanda Imperatrice Colabuono / IO-USP
A mortalidade de animais marinhos causada pelos plásticos pode ser facilmente observada em diversas partes do mundo. Entretanto, a poluição por plásticos pode causar problemas além daqueles que os nossos olhos podem ver como o transporte de poluentes orgânicos e a transferência destes contaminantes para os animais marinhos. Por serem leves e capazes de flutuar na superfície da água, os plásticos são carregados pelas correntes marinhas e são encontrados até em lugares remotos do planeta, distantes de áreas industrializadas e poluídas, o que mostra que este não é apenas um problema local. A grande quantidade de plásticos presentes no ambiente marinho e os prejuízos causados ao ecossistema por este tipo de poluição é um alerta de que este é um problema que merece a atenção de todos.

* Fernanda Imperatrice Colabuono é estudante de doutorado da Universidade de São Paulo. Seu projeto foi financiado pelo CNPq e contou com a colaboração do Projeto Albatroz e do Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (FURG).


Extraído do sítio Global Garbage