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08 março 2013

BRASIL TEM 3,6 MILHÕES DE CRIANÇAS E JOVENS FORA DA ESCOLA - Mariana Tokarnia

Brasília – No Brasil, 3,6 milhões de crianças e jovens entre 4 e 17 anos estão fora da escola. A maioria (2 milhões) tem entre 15 e 17 anos e deveria estar cursando o ensino médio. O déficit também é grande entre aqueles com idade entre 4 e 5 anos (1 milhão), que deveriam estar na educação infantil.

Os dados foram divulgados hoje (6) no relatório De Olho nas Metas, do movimento Todos pela Educação (TPE)*. A entidade estabelece que até 2022, 98% ou mais dos jovens e crianças entre 4 e 17 anos estejam matriculados e frequentando a escola.

Para que essa meta seja cumprida, seria necessário que em 2011, ano referente ao levantamento, 94,1% dos brasileiros dentro da faixa etária estivessem na escola. O número atual corresponde a 92%. Em relação aos que ficam de fora, em números absolutos, o estudo os compara a toda a população uruguaia (cerca de 3,4 milhões de pessoas).

De acordo com o relatório, houve melhora no índice, mas ele ainda é insuficiente. Alguns estados como Acre, Amazonas e Rondônia com índices pouco acima dos 70% em 2000, conseguiram espaço em uma década e tiveram as maiores taxas de crescimento de matrículas. Em 2011, o Acre apresenta 88,9% dos jovens e crianças matriculados, o Amazonas, 88,7% e Rondônia, 86,3%.

Esses estados e mais o Amapá, no entanto, ainda apresentam, em termos percentuais, os maiores índices de pessoas nessa faixa etária fora da escola, de 11% a 13% da população de 4 a 17 anos. Em números absolutos, o estado mais rico, São Paulo, é o onde existe o maior número de jovens e crianças fora das salas de aula: 575 mil alunos, o que corresponde a 6,6%. Minas vem em segundo lugar, com 367 mil alunos (8,3%).

As maiores defasagens encontram-se na "entrada", na pré-escola, e na "saída", no ensino médio, do sistema educacional. "A expansão na oferta de vagas na educação básica, ocorrida nos últimos anos do século 20 e início do 21, concentrou-se principalmente no ensino fundamental. Nas pontas, ou seja, na educação infantil e no ensino médio, houve pouco avanço", diz o texto. Na pré-escola, "a cada cinco crianças brasileiras entre 4 e 5 anos de idade, uma não encontra vaga. O país precisaria criar 1.050.560 vagas para atender todas as crianças nessa faixa etária".

"A educação infantil passará a ser obrigatória a partir de 2016 e será o desafio dos próximos gestores municipais. Os dados não chegam a ser alarmantes, mas são preocupantes, existe 1 milhão de crianças para ser incluído no sistema de ensino em quatro anos", diz a diretora-executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz.

No ensino médio, a taxa de evasão de 2010 foi 10,3%, maior que as dos anos iniciais (1,8%) e finais (4,7%) do ensino fundamental. De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), citados no relatório, 40,3% dos jovens evadidos deixam o sistema alegando falta de interesse. O mesmo estudo mostra que parte considerável dos jovens entre 15 e 17 anos ainda não chegou no ensino médio, 31,6% estão no ensino fundamental.

Segundo dados da Pesquisa Mensal de Empregos (PME), em artigo no relatório houve, de 2004 a 2012, um avanço de 169% na frequência de cursos de natureza profissionalizante por estudantes nessa faixa etária, o que leva a crer que alguns desses jovens deixam a escola para se inserir no mercado de trabalho.

Hoje às 16h, Priscila Cruz e Mozart Neves Ramos, membro do Conselho Nacional da Educação (CNE) e do TPE participam de debate pelo portal da EBC.

* Fundado em 2006, o Todos Pela Educação é um movimento da sociedade civil brasileira que tem a missão de contribuir para que até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil, o país assegure a todas as crianças e jovens o direito a educação básica de qualidade.


Edição: Tereza Barbosa

Extraído do sítio Agência Brasil

15 agosto 2012

ENSINO MÉDIO PIORA EM NOVE ESTADOS, APONTA IDEB - Amanda Cieglinski


Brasília – Se os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2011 indicam melhora na qualidade nos primeiros anos do ensino fundamental, os resultados não são animadores no ensino médio. Entre 2009 e 2011, o Ideb do ensino médio subiu apenas 0,1 ponto, passando de 3,6 para 3,7. A meta nacional esperada para o período foi atingida, mas em nove estados o índice piorou em relação à edição anterior.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, argumentou que “internacionalmente” o ensino médio continua sendo um “grande desafio” para qualquer sistema educacional. Ele defendeu que o currículo da etapa precisa ser reformulado porque é muito sobrecarregado. Em algumas redes de ensino, o total de disciplinas chega a 19. “É uma sobrecarga muito grande que não contribui para você ter foco nas disciplinas essenciais, como língua portuguesa, matemática e ciências”, disse.

Outro problema do ensino médio, segundo Mercadante, é a falta de professores com formação específica para algumas áreas, como matemática e ciências, além da alta concentração de matrículas no turno noturno – 30% dos jovens do ensino médio estudam à noite.

Vera Masagão, coordenadora-geral da organização não governamental Ação Educativa, aponta que o ensino médio é um nível subfinanciado. “A gente precisa de um investimento muito forte em qualidade e não é à toa que a matrícula também está aquém, poderia haver muito mais jovens matriculados no ensino médio que estão fora da escola”, disse.

Mercadante não quis comentar os resultados dos estados que tiveram Ideb inferior ao registrado em 2009. “Uma mesma região tem estados e cidades que evoluíram muito mais que outros. Há especificidades, a gestão na ponta. O professor na sala de aula, o diretor da escola, o secretário municipal. Vamos olhar essa informação e tentar tirar lições para avançar”, disse. O ministro aposta que a educação em tempo integral pode ser uma “grande resposta” para melhorar a qualidade do ensino.

Confira as notas dos estados no ensino médio:

Rondônia: Ideb 2009: 3,7 pontos - Ideb 2011: 3,7 pontos - Meta 2011: 3,5 pontos

Acre: Ideb 2009: 3,5 pontos - Ideb 2011: 3,4 pontos - Meta 2011: 3,5 pontos

Amazonas: Ideb 2009: 3,3 pontos - Ideb 2011: 3,5 pontos - Meta 2011: 2,7 pontos

Roraima: Ideb 2009: 3,4 pontos - Ideb 2011: 3,6 pontos - Meta 2011: 3,8 pontos

Pará: Ideb 2009: 3,1 pontos - Ideb 2011: 2,8 pontos - Meta 2011: 3,1 pontos

Amapá: Ideb 2009: 3,1 pontos - Ideb 2011: 3,1 pontos - Meta 2011: 3,2 pontos

Tocantins: Ideb 2009: 3,4 pontos - Ideb 2011: 3,6 pontos - Meta 2011: 3,4 pontos

Maranhão: Ideb 2009: 3,2 pontos - Ideb 2011: 3,1 pontos - Meta 2011: 3 pontos

Piauí: Ideb 2009: 3 pontos - Ideb 2011: 3,2 pontos - Meta 2011: 3,2 pontos

Ceará: Ideb 2009: 3,6 pontos - Ideb 2011: 3,7 pontos - Meta 2011: 3,6 pontos

Rio Grande do Norte: Ideb 2009: 3,1 pontos - Ideb 2011: 3,1 pontos - Meta 2011: 3,2 pontos

Paraíba: Ideb 2009: 3,4 pontos - Ideb 2011: 3,3 pontos - Meta 2011: 3,3 pontos

Pernambuco: Ideb 2009: 3,3 pontos - Ideb 2011: 3,4 pontos - Meta 2011: 3,3 pontos

Alagoas: Ideb 2009: 3,1 pontos - Ideb 2011: 2,9 pontos - Meta 2011: 3,3 pontos

Sergipe: Ideb 2009: 3,2 pontos - Ideb 2011: 3,2 pontos - Meta 2011: 3,6 ponto

Bahia: Ideb 2009: 3,3 pontos - Ideb 2011: 3,2 pontos - Meta 2011: 3,2 pontos

Minas Gerais: Ideb 2009: 3,9 pontos - Ideb 2011: 3,9 pontos - Meta 2011: 4,1 pontos

Espírito Santo: Ideb 2009: 3,8 pontos - Ideb 2011: 3,6 pontos - Meta 2011: 4,1 pontos

Rio de Janeiro: Ideb 2009: 3,3 pontos - Ideb 2011: 3,7 pontos - Meta 2011: 3,6 pontos

São Paulo: Ideb 2009: 3,9 pontos - Ideb 2011: 4,1 pontos - Meta 2011: 3,9 pontos

Paraná: Ideb 2009: 4,2 pontos - Ideb 2011: 4 pontos - Meta 2011: 3,9 pontos

Santa Catarina: Ideb 2009: 4,1 pontos - Ideb 2011: 4,3 pontos - Meta 2011: 4,1 pontos

Rio Grande do Sul: Ideb 2009: 3,9 pontos - Ideb 2011: 3,7 pontos - Meta 2011: 4 pontos

Mato Grosso do Sul: Ideb 2009: 3,8 pontos - Ideb 2011: 3,8 pontos - Meta 2011: 3,6 pontos

Mato Grosso: Ideb 2009: 3,2 pontos - Ideb 2011: 3,3 pontos - Meta 2011: 3,4 pontos

Goiás: Ideb 2009: 3,4 pontos - Ideb 2011: 3,8 pontos - Meta 2011: 3,5 pontos

Distrito Federal: Ideb 2009: 3,8 pontos - Ideb 2011: 3,8 pontos - Meta 2011: 3,9 pontos.

Extraído do sítio Agência Brasil

24 maio 2012

A GREVE NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS - Maurício Caleiro


A greve dos professores das universidades e institutos federais é, antes de mais nada, desnecessária.

Afirmo isso não no sentido de acusar os grevistas por um gesto que seria leviano ou irresponsável – pelo contrário: o ônus por essa paralisação deve ser atribuído tão-somente ao misto de descaso, arrogância e teimosia com que o governo Dilma Rousseff vem tratando os docentes federais e suas demandas.

Bastaria um pouco mais de boa vontade por parte do governo, ao invés de seguidamente “enrolar” os representantes dos professores, adiar a tomada de decisões e, no que já parece ser um traço distintivo do “estilo Dilma”, tensionar ao máximo a questão e, ao mesmo tempo, recusar-se a agir sob pressão, e a greve – que neste momento se amplia e que acabará por penalizar professores, funcionários e, sobretudo, alunos - teria sido facilmente evitada.

Protelação e má vontade

O governo firmara, em 2011, um acordo com o sindicato da categoria se comprometendo a instaurar o Plano de Carreira até março de 2012. Agora, em final de maio, o MEC anuncia que a medida ficou para 2013.

De modo similar, no ano passado o governo concordara, após tensas negociações, em conceder um aumento de míseros 4% aos docentes a partir de março de 2012. Foram necessários, porém, seguidos dias de paralisação em protesto e a ameaça concreta de greve no início deste mês para que uma Medida Provisória fosse assinada, finalmente tornando efetivo (e retroativo) o aumento anteriormente acordado. Pergunto: por que humilhar assim uma categoria profissional, se o aumento já fora acertado?

Os exemplos dos parágrafos acima fornecem uma boa medida dos termos em que se dão as relações do governo com os docentes, cujas demandas são invariavelmente proteladas: a má vontade evidente e os prazos sempre vencidos demonstram de forma cabal que a Educação só é prioridade para o governo Dilma nas propagandas eleitorais. Na prática, a teoria é outra: foi preciso que a greve estourasse para que o MEC viesse a público procurando justificar os atrasos e afirmando manter os canais de comunicação abertos (o que é, sem dúvida, positivo, sobretudo se comparado às práticas do governo FHC - mas vale assinalar que continuar a tomar FHC como parâmetro é perpetuar o inaceitável).


Salário defasado 

Além desses problemas, persiste sem encaminhamento uma das principais demandas dos professores – que o que recebem a título de gratificação (uma malandragem contábil dos governos anteriores ao de Lula) seja incorporado ao salário, como ocorre com a vasta maioria dos assalariados do país.

Aliás, a questão salarial, que havia recebido atenção do ex-presidente petista até o início de seu segundo governo, volta a se mostrar em um patamar periclitante. O vencimento médio de um professor adjunto com contrato para 40 horas semanais, mesmo contando com as tais gratificações, é de cerca de um terço do que percebem juízes, promotores e membros dos legislativos municipais, estaduais e federal – sendo que todos, via de regra, com uma formação bem mais curta e menos especializada do que a de um professor-doutor, o qual, recebendo, na melhor das hipóteses, uma ajuda de custa simbólica, passa quase uma década lendo, pesquisando, se adestrando intelectualmente e sendo periodicamente avaliado por seus pares ou orientadores até que esteja pronto para se tornar mestre e, depois, se doutorar. 

O professor Pierre Lucena (UFPE) dimensiona o grau de defasagem salarial: "Só para terem uma ideia da distorção, em 2003 um pesquisador com doutorado do Ipea ganhava R$ 300,00 a menos que um professor com doutorado na Universidade. Hoje ele ganha R$ 5 mil a mais que a gente. O mesmo acontece com o MCT [Ministério da Ciência e Tecnologia]".

Situação de penúria

Para além da questão salarial, há demandas urgentes e denúncias preocupantes. Na nota oficial que divulgou à sociedade, o Sindicato Nacional das Instituições de Ensino Superior (ANDES) denuncia um quadro bem diferente daquele pintado pelo marketing oficial, relatando “instituições sem professores, sem laboratórios, sem salas de aulas, sem refeitórios ou restaurantes universitários, até sem bebedouros e papel higiênico, afetando diretamente a qualidade de ensino”.

Tais carências afetam, sobretudo, as novas universidades criadas durante o governo Lula. E vêm se somar a um problema que venho reiteradamente denunciando aqui: a contratação dos chamados “professores temporários” para dar aula em tais campi.

Qualidade da inclusão

Com um contrato de trabalho ainda pior do que o de professor substituto – e inaceitável numa democracia avançada - essas vagas mal remuneradas, sem benefícios, estabilidade ou período pré-determinado de vigência, naturalmente pouco atraem candidatos com titulação de mestre ou doutor – ausência de titulação que, por si, é um impedimento ao desenvolvimento de pesquisas, já que as agências de fomento que as financiam têm um padrão mínimo de exigência quanto a isso.

A prorrogação indefinida dessa situação – que já vem se arrastando por alguns anos – pode gerar efeitos altamente indesejáveis, seja no nível de formação dos estudantes, na quantidade e qualidade da pesquisa pelas novas universidades desenvolvidas ou na consolidação de uma distinção axiológica entre dois grupos muito díspares entre si de universidades federais.

A principal questão que se coloca é: a inclusão de novos estratos sociais na universidade é para valer – ou seja, oferecendo a todos um ensino do melhor nível possível – ou, a despeito dos esforços democratizantes, ela acabará por servir à repetição, no interior da universidade, da brutal assimetria social que se verifica na sociedade brasileira? A resposta a essa pergunta é crucial para o futuro do Brasil em termos de educação e trabalho.

Mídia e militância

É importante, aqui, abrir parênteses para um comentário sobre a postura da mídia ante os problemas da educação em âmbito federal: embora não costume perder uma oportunidade de atacar o governo chefiado por Dilma, mantém o mais completo silêncio quanto à questão. Explica-se: a demanda por melhores salários, condições de trabalho e adoção de um Plano de Carreira que estabilizaria, a longo prazo, a profissão docente contraria frontalmente a orientação neoliberal para a estruturação do ensino superior, que recomenda sua privatização e instrumentalização como apêndice dos setores empresariais e industriais privados.

A novidade é a repetição de uma estratégia de avestruz também por parte de setores governistas na blogosfera e nas redes sociais, como forma de mitigar ou mesmo esconder a gravidade do estado de coisas no ensino superior federal. Não deixa de haver alguma ironia sinistra no fato de que vários dos que se autoproclamam inimigos figadais da mídia corporativa adotem a mesma estratégia do silêncio por esta empregada, quando, para eles, o que está em jogo é a paixão político-partidária e não a luta por uma sociedade mais justa.

Longo caminho

Há um longuíssimo caminho a ser percorrido pela administração Dilma para consubstanciar em realidade a promessa – reiterada durante a campanha eleitoral e reforçada no discurso de posse – de que a Educação seria uma prioridade em seu governo. Pelo que estamos vendo até agora, nesses 17 meses, estamos bem longe disso.


Extraído do blog Cinema & Outras Artes

20 novembro 2011

SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA - Nº 5


Brasília – A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (19) que "a pobreza no Brasil tem face negra e feminina". Daí a necessidade de reforçar as políticas públicas de inclusão e as ações de saúde da mulher, destacou, ao encerrar, em Salvador, o Encontro Ibero-Americano de Alto Nível, em comemoração ao Ano Internacional dos Afrodescendentes.
Em discurso, ela explicou por que as políticas de transferência de renda têm foco nas mulheres, e não nos homens: elas "são incapazes de receber os rendimentos e gastar no bar da esquina". Dilma destacou que, nos últimos anos, inverteu-se uma situação que perdurava no país, quando negros, índios e pobres corriam atrás do Estado em busca de assistência. Agora, o Estado é que vai em busca dessas populações, declarou.
Ao defender a necessidade de ações de combate à pobreza, a presidenta citou o Programa Brasil sem Miséria, cujo objetivo é retirar 16 milhões de pessoas da pobreza extrema. No discurso, ela destacou ainda a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), em 2003, e a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, no ano passado, além da obrigatoriedade do ensino da história afrobrasileira nas escolas.
Dilma apontou também o fato de a data do evento coincidir com a da morte do líder negro Zumbi dos Palmares, com o Dia Nacional da Consciência Negra, a ser comemorado amanhã (20), e com os 123 anos do fim institucional da escravidão no país.
Nestes 123 anos, disse a presidenta, "sofremos as consequências dramáticas da escravidão" e foi preciso combater uma delas, a sistemática desvalorização do trabalho escravo, que resultou na desvalorização de qualquer tipo de trabalho no país. A característica mais marcante da herança da escravidão foi a invisibilidade dos mais pobres, enfrentada nos últimos anos a partir da certeza de que o crescimento do país só seria possível com distribuição de renda e inclusão social, acrescentou Dilma.
Para a presidenta, existe, no entanto, uma "boa herança" da escravidão, que é o fato de milhões e milhões de negros terem construído ao longo dos anos a nacionalidade brasileira, junto com as populações indígenas, europeias e asiáticas. Segundo Dilma, essa "biodiversidade" cultural é uma das maiores riquezas do país, uma grande contribuição para o mundo, especialmente quando ressurgem em várias países preconceitos contra imigrantes.
Ela ressaltou que, embora o Brasil tenha a segunda maior população negra do mundo, atrás apenas da Nigéria, a discriminação persiste: os afrodescendentes são os que mais sofrem com a pobreza e o desemprego.
No discurso, além de lembrar o papel central do Continente Africano na política externa brasileira, Dilma enfatizou o fato de a América do Sul ser um dos continentes que mais crescem, apesar da crise financeira que começou em 2008. De acordo com a presidenta, a adoção de políticas desenvolvimento do mercado interno pelos países sul-americanos tem sido uma barreira contra os efeitos da crise.

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Brasília – Ao participar do Encontro Ibero-Americano de Alto Nível em comemoração ao Ano Internacional dos Afrodescendentes, em Salvador, a presidenta Dilma Rousseff pediu hoje (19) que a relação entre o Brasil e os países africanos seja cada vez mais forte. “Isso significa que nós estamos olhando para uma das raízes mais importantes da formação de nossas culturas”, disse.
Durante um rápido discurso, Dilma lembrou que, no Censo 2010, mais da metade dos brasileiros declararam ter ascendência africana. O número, de acordo com o Palácio do Planalto, representa 97 milhões de pessoas.
“Isto é muito importante porque acredito que somos, em termos de país, um dos mais populosos. Sem sombra de dúvida, na nossa cultura, na nossa visão de mundo, na nossa forma de viver e de fazer todas as atividades, temos um componente muito forte que trazemos na formação da própria nacionalidade brasileira”, concluiu.
Após o evento, na capital baiana, a presidenta oferece almoço aos chefes de Estado e de governo no Hotel Convento do Carmo, seguido de espetáculo musical de Gilberto Gil e Susana Baca. A agenda de Dilma prevê ainda encontros bilaterais com o presidente do Uruguai, José Mujica, e com o presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca. O retorno a Brasília está marcado para as 17h45.

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Brasília – Três anos após a criação do Cadastro Nacional de Adoção, as crianças negras ainda são preteridas por famílias que desejam adotar um filho. A adoção inter-racial continua sendo um tabu: das 26 mil famílias que aguardam na fila da adoção, mais de um terço aceita apenas crianças brancas. Enquanto isso, as crianças negras (pretas e pardas) são mais da metade das que estão aptas para serem adotadas e aguardam por uma família.
Apesar das campanhas promovidas por entidades e governos sobre a necessidade de se ampliar o perfil da criança procurada, o supervisor da 1ª Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal, Walter Gomes, diz que houve pouco avanço. “O que verificamos no dia a dia é que as família continuam apresentando enorme resistência [à adoção de crianças negras]. A questão da cor ainda continua sendo um obstáculo de difícil desconstrução.” Leia mais...

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Brasília – O percentual de crianças negras de 7 a 14 anos que estão mais de dois anos de atrasadas na escola é o dobro do registrado entre as brancas. Enquanto 16,7% dos alunos negros estão nessa situação, entre os brancos, o índice é apenas 8%. Os dados compilados pelo Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) são referentes a 2009 e reforçam a tese de que as desigualdades entre negros e brancos se repetem no ambiente escolar.
O fator socioeconômico geralmente é o mais usado para justificar o “atraso” escolar dos estudantes negros em relação aos brancos. Isso porque a condição social do aluno tem grande impacto na aprendizagem e a maioria da população de baixa renda do país é negra. Mesmo quando são considerados alunos de um mesmo nível econômico, os não negros têm desempenho superior aos negros. Leia mais...
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Matérias extraídas do sítio da Agência Brasil

19 novembro 2011

SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA - Nº 3

Diminuem analfabetos, aumentam negros e desigualdade no Brasil

Brasília, 16 nov (Prensa Latina) - A taxa de analfabetismo diminuiu e aumentou o número de pessoas negras ou pardas, bem como a desigualdade na remuneração pela cor da pele, revelam dados oficiais sobre a população brasileira, divulgados hoje.

Os indicadores Sociais Municipais do Censo Demográfico 2010, fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), precisam que baixou de 13,63 por cento em 2000, para 9,6 por cento no ano passado a taxa de iletrados maiores de 15 anos.

No entanto, essa redução não é proporcional em todos os estados e regiões brasileiras, pois em pequenas comunidades de até 50 mil habitantes no Nordeste chega até 28 por cento da população maior de 15 anos e atinge 60 por cento entre os idosos.

Assim, enquanto 1,1 por cento dos adolescentes e jovens da Região Sul são analfabetos, e 1,5 do Sudeste, no Nordeste ascende a 4,9 por cento, quase o duplo da média nacional, fixada em 2,5 por cento.

Além disso, a zona rural do país continua com a maior quantidade de pessoas que não sabem ler nem escrever, pois apresenta uma taxa de 21,2 por cento de suas moradores maiores de 10 anos, frente a 6,8 em igual população urbana.

Também prossegue a desigualdade racial neste parâmetro, pois enquanto entre os brancos maiores de 15 anos a taxa de analfabetismo é de 5,9 por cento, entre os negros é de 14,4 por cento e de 13 por cento entre os pardos.

Essa diferença não se limita só à alfabetização, pois abarca também a remuneração por igual trabalho. Tomando como exemplo os bairros ricos de São Paulo, a principal cidade brasileira, o Censo 2010 reflete que os brancos ganham até seis vezes mais que os negros, que inclusive percebem menos que os pardos e indígenas.

A mostra refere que os salários entre brancos e negros só se equiparam entre os habitantes dos bairros considerados mais carentes de São Paulo.

Em outros resultados interessantes, o IBGE precisa que dos 191 milhões de brasileiros, 91 milhões classificam como brancos, para 47,7 por cento da população, 15 milhões como negros (7,6), 82 milhões como pardos (43,1), dois milhões como amarelos (1,1) e 817 mil indígenas (0,4).

Os dados para o Censo foram recopilados por técnicos do IBGE entre agosto de 2009 e julho de 2010, em cerca de 67,5 milhões de lares brasileiros.

Extraído do sítio Prensa Latina

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Cresce número de brasileiros que se declaram pretos ou pardos, segundo IBGE

Censo 2010 mostra grande desigualdade de renda e educação entre a população preta e parda e a branca

São Paulo – Um dos destaques do Censo 2010 é a mudança na estrutura populacional em termos de cor ou raça. A proporção de pessoas que se declaram pretas ou pardas teve um aumento de 6 pontos percentuais, com 50,7%, em relação a 2000, que era de 44,7%. 

As regiões Norte e Nordeste têm a maior concentração de pretos e pardos enquanto o Sudeste e o Sul têm maioria branca. Esse quadro condiz com a ocupação histórica do país. Na população abaixo dos 40 anos a proporção de pretos e pardos é maior. Já entre os idosos, maiores de 65 e principalmente acima de 80 anos, há mais brancos.

Renda

A desigualdade na distribuição de renda pode ser uma das explicações para a diferença entre pretos e pardos e os brancos na pirâmide etária. Os rendimentos médios mensais dos pretos (R$ 834), pardos (R$ 845) e indígenas (R$ 735) é praticamente a metade dos brancos (R$ 1.538) e amarelos (R$ 1.574). As capitais com maior desigualdade são Salvador (Bahia) com os brancos ganhando 3,2 vezes mais do que pretos e Recife (Pernambuco), onde essa diferença é o triplo.

Analfabetismo

Os pretos ou pardos ainda mantêm taxas maiores de analfabetismo em relação aos outros grupos de cor ou raça. A taxa entre a população com 15 anos ou mais caiu de 13,6% em 2000 para 9,6 em 2010. Entre os negros e pardos na mesma faixa etária os percentuais são respectivamente de 14,4% e 13,0%, contra 5,9% dos brancos.

O analfabetismo da população preta piora em municípios com até 5 mil habitantes, com 27,1% e também nas cidades entre 5.001 e 20.000 habitantes chegando a 28,9%. Já as taxas de analfabetismo dos pardos variam de 20,0% a 22,1% nos municípios desde os com até 5.000 habitantes até os de 50.000 habitantes.

Extraído do sítio da Rede Brasil Atual,  16/11/2011

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