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26 fevereiro 2013

CAOS POLÍTICO EM ITÁLIA AMEAÇA FAZER REVIVER TENSÃO SOBRE O EURO

El Economista, 26 fevereiro 2013

A derrota do primeiro-ministro cessante, Mario Monti, o candidato preferido da UE, nas eleições legislativas e senatoriais italianas, “põe em causa a política de austeridade de Merkel”, escreve o diário económico espanhol.

Monti, que teve apenas 10,1% dos votos para a Câmara de deputados e 9,1% para o Senado, ficou em quarto lugar, muito atrás das coligações de esquerda e de direita lideradas respetivamente por Pierluigi Bersani e Silvio Berlusconi e do Movimento 5 Estrelas de Beppe Grillo.

Este resultado traz nova incerteza às bolsas europeias e a Wall Street, escreve o jornal.

Extraído do sítio Press Europe

23 fevereiro 2013

RETORNO DE BERLUSCONI AO PODER PREOCUPA BERLIM - Martin Koch


Novamente candidato ao governo na eleição deste domingo, ex-premiê caça votos disparando críticas contra Alemanha. Berlim tenta não mostrar preocupação, mas eleição de empresário pode afetar planos de Merkel.

Para a chanceler federal alemã, Angela Merkel, o próximo encontro com um premiê italiano pode ser um reencontro com um velho, embora impopular, conhecido: Silvio Berlusconi foi, entre 1994 e 2011, quatro vezes primeiro-ministro. E analistas consideram bem possível que ele consiga subir ao posto uma quinta vez.

E ironicamente, justamente Merkel pode acabar contribuindo sem querer para uma vitória eleitoral de Berlusconi. O político e empresário de 76 anos culpa a Alemanha pela má situação econômica de seu país, porque Berlim apoiou de forma decisiva as medidas de austeridade impostas pela União Europeia. É com esta posição que Berlusconi vai à caça de votos.

Sorrisos forçados

A relação entre Merkel e Berlusconi sempre foi curiosa. Ambos pertencem à mesma família de partidos conservadores europeus. Mas sempre que se encontravam, a efusiva cordialidade entre ambos parecia sempre meio deslocada. Como se dois parentes distantes que, na verdade, preferem se evitar, tivessem que abrir no rosto um sorriso forçado para a foto de família. "Os dois não têm relação alguma, eles não conseguem conversar entre si, nem mesmo pessoalmente. E na política isso desempenha um papel importante. E eles também não confiam um no outro", define o cientista político Angelo Bonaffi, ex-diretor do Instituto Cultural Italiano em Berlim.

Bolaffi diz que poucos conseguem resistir a poder midiático de Berlusconi
Na campanha eleitoral, o "cavaliere" ─ como Berlusconi gosta de ser chamado, depois que ganhou uma ordem nacional de cavalaria por "mérito do trabalho" ─, vem fazendo acusações contra a Alemanha, apontando Angela Merkel quase como a única responsável pelo fato de a UE ter imposto à Itália um pacote de austeridade tão duro. Aumentos de impostos, cortes no orçamento, crise econômica, tudo é culpa de Merkel. Ele veicula os ataques populistas em sua rede constituída por várias estações de televisão. Com isso, ele possui um enorme poder manipulador, de acordo com Angelo Bolaffi. "Não há muitas pessoas que tenham conhecimento e tempo suficientes para resistir a isso", ressalta o especialista, em entrevista à DW.

Ex-premiê com poder na mídia

Na avaliação do cientista político, é como um ciclo que se fecha. Pois no início de sua carreira política, Berlusconi também usou seu poder de mídia maciçamente para poder chegar a um cargo político. Ele não acredita que o ex-primeiro-ministro consiga chegar novamente ao poder, mas sublinha que, com os 20% de votos que possivelmente receberá, ele já pode ter um papel importante na formação do novo governo.

Bolaffi lamenta que as relações entre Alemanha e Itália tenham sofrido desgaste no passado recente. Ambos os países foram aliados no início do movimento europeu, mas, desde que Berlusconi se tornou primeiro-ministro pela primeira vez, há quase vinte anos, o relacionamento sofreu abalos. Ele rompeu com a tradição de visitar a Alemanha como um dos primeiros países após a posse. De lá para cá, observa Bolaffi, o relacionamento é "precário". Ele ouve com frequência em seu país que Angela Merkel é a responsável pela má situação econômica da Itália, mas quase não ouve nada sobre as medidas de austeridade se deverem à situação atual e serem o caminho certo para sair da crise. Por isso, na opinião dele, não é de admirar o atual clima desfavorável à Alemanha entre os italianos.

Calma tensa

A coalizão de governo em Berlim não parece se interessar muito pelo fato de a campanha eleitoral italiana estar sendo feita às custas da Alemanha. O ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, disse ao jornal Süddeutsche Zeitung que não vai fazer comentários sobre os ataques contra o país nas campanhas eleitorais italianas. "Obviamente não somos partidários na campanha eleitoral italiana", comentou. "Mas esperamos que o curso pró-europeu e as reformas necessárias continuem. Essa é, certamente, a atitude geral do governo alemão", ponderou.

Na opinião de Langguth, reeleição de Berlusconi pode atrapalhar planos de Merkel
Na opinião do cientista político Gerd Langguth, a chanceler e sua equipe não devem estar tão relaxadas em relação a Roma, como querem fazer parecer. Ele acredita que o resultado das urnas italianas pode lançar uma sombra sobre as eleições alemãs de setembro. "A eleição de Berlusconi poderia ameaçar a reeleição de Angela Merkel, porque poderia ser vista como um fracasso da chanceler em fazer valer sua vontade."

Angelo Bolaffi está convencido que, no final, vai prevalecer, novamente, o que já é comum na política do país: uma batalha cabeça por cabeça entre dois ou três partidos, seguida por complicadas negociações de coalizão. O movimento de protesto Cinco Estrelas, do comediante Beppe Grillo, pode ter uma participação importante, já que pode obter até 20% dos votos. Talvez seja formada uma grande coalizão entre o PdL de Berlusconi e o partido de centro-esquerda PD, de Pier Luigi Bersani, que começou a campanha eleitoral como favorito. "Tudo está em aberto, como é comum na Itália", conclui Bolaffi.

Extraído do sítio Deutsche Welle

04 janeiro 2013

JOGADORES DO MILAN DEIXAM CAMPO APÓS OFENSAS RACISTAS

Kevin-Prince Boateng, natural de Gana e jogador do Milan, é ofendido por torcedores

Um jogo de futebol entre o Milan e o time da segunda divisão italiana Pro Patria foi suspenso depois que os jogadores deixaram o campo após sofrerem ofensas racistas.

A FIGC (Sigla da federação italiana de futebol) anunciou que uma investigação será realizada sobre o caso.

Parte da torcida do Pro Patria cantou músicas racistas para ofender jogadores de origem africana do Milan.

Aos 25 minutos do primeiro tempo do amistoso, após o início das ofensas, o atleta Kevin-Prince Boateng - que é de Gana e atua no Milan - pegou a bola do jogo e a chutou em direção à torcida.

Em seguida, Boateng retirou sua camisa - ato que foi imitado por outros jogadores.

Organizadores do evento usaram o sistema de som do estádio para pedir que a torcida parasse com as ofensas.

Mais tarde, Boateng escreveu em sua conta no Twitter: "É uma vergonha que coisas como essa ainda aconteçam... Parem com o racismo para sempre".

O presidente da FIGC, Giancarlo Abete, classificou o episódio como "inqualificável e intolerável" por meio de uma nota publicada no site da entidade.

"Temos que reagir com força e sem silêncio para isolar alguns poucos criminosos que transformaram um amistoso em um tumulto que ofende todo o futebol italiano", diz a nota.

Enquanto se retirava do campo, Boateng aplaudiu determinados setores do público que reagiram desaprovando os colegas que estavam na área da arquibancada de onde partiram as ofensas.

A partida foi logo suspensa e o Milan anunciou por meio de seu site que outros jogadores negros do time - M'Baye Niang, Urby Emanuelson e Sulley Muntari - também foram ofendidos.

O técnico do Milan, Massimiliano Allegri, afirmou ter ficado "desapontado" com o episódio. "Precisamos acabar com esses gestos não civilizados. Nos desculpamos com todos os outros torcedores que vieram para ver um belo dia esportivo".

"Prometemos retornar e nos desculpamos com o clube e os jogadores do Pro Patria, mas não poderíamos ter tomado uma atitude diferente".

Massimiliano deu apoio irrestrito á saída de campo dos jogadores do time.

Sinal

"Isso tudo é muito triste, mas nós tivemos que dar um sinal forte. Estamos muito orgulhosos de nossos jogadores por sua decisão", disse à BBC Sport Umberto Gandini, um diretor do Milan.

O episódio provocou reações de outros jogadores e da sociedade civil. Vincent Kompany, o capitão do Manchester City, apoiou a atitude dos jogadores do Milan.

"Eu só posso elogiar a decisão do Milan de deixar a partida".

Piara Powar, diretor da organização FARE (sigla de Futebol Contra o Racismo na Europa) disse que a federação de futebol italiana deve adotar uma ação de força.

"Elogiamos Kevin-Prince Boateng por suas ações e seus colegas de time pelo apoio que deram a ele", disse Powar.

"A Itália, assim como qualquer pais da Europa, tem que lidar com um sério problema de racismo. Esperamos uma ação forte da FIGC", disse.

Extraído do sítio BBC Brasil

Insultos racistas irritam Boateng e Milan abandona amistoso

13 junho 2012

AJUDA À ITÁLIA EXTRAPOLARIA RECURSOS DA ZONA DO EURO, ESTIMAM ANALISTAS - Dirk Kaufmann



Alguns observadores acreditam que situação dos italianos é mais favorável do que a dos espanhóis. Um alívio pois, para sair do buraco, a Itália demandaria mais recursos do que dispõe a zona do euro.

A Itália tendo que pagar juros cada vez mais altos para conseguir novos recursos. Nesta terça-feira (12/06), o governo italiano precisou garantir juros de até 6,66% para os títulos públicos. Credores têm tentando vender seus títulos públicos, e as negociações de seguros contra o risco de calote (credit default swap) é crescente. O governo do primeiro-ministro Mario Monti está na corda bamba.

E ele não é o único. Há poucos dias, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, precisou reconhecer que não conseguiria salvar os bancos em apuros de seu país sem ajuda de Bruxelas. A ministra austríaca das Finanças, Maria Fekter, já afirmou que o mesmo não poderá acontecer com Roma. Em entrevista a um canal de televisão da Áustria nesta segunda-feira, ela declarou que, de início, os italianos precisarão encontrar os próprios meios para sair da crise.

Outra dimensão

O pedido de ajuda da Espanha mostrou a grave situação em que se encontra a quarta maior economia da zona do euro. Caso a Itália, que ocupa o terceiro lugar nesse ranking, também sigar por esse caminho, a crise da dívida na Europa alcançará um patamar ainda mais preocupante.

Uma comparação entre os problemas da Itália e da Espanha, porém, mostra uma diferença determinante entre os dois países. Em entrevista à Deutsche Welle, Jürgen Pfister, economista-chefe do banco Bayern LB, aponta um ponto em favor dos italianos: "A Itália não tem problema bancário porque não sofreu o estouro da bolha imobiliária, como a Espanha", avalia.

As atuais dificuldades vividas por Roma estão, por exemplo, na retração de sua produção econômica. Segundo Pfister, isso é resultado das medidas de austeridade aplicadas por Monti. E a previsão é de que no próximo ano este significativo freio na produção continue sendo sentido.

Entretanto os italianos conseguiram ir mais longe com seus esforços para conter o endividamento. Enquanto eles são capazes de alcançar uma quota de deficit de 2%, os espanhóis só chegam, "com sorte", a 6,5%. Outros aspectos apontam para uma maior capacidade de Roma de solucionar seus problemas, do que Madri. Entre eles, segundo Pfister, estaria a maior competitividade da economia da Itália e uma estrutura industrial mais desenvolvida.

À sombra das eleições

O atual "governo dos tecnocratas" sob comando do especialista em finanças Mario Monti começou com elogios antecipados. Porém, de acordo com Pfister, Roma não correspondeu às expectativas.

E, afinal de contas, também um governo de tecnocratas precisa se preocupar com a reeleição, se deseja realizar seu trabalho por um prazo mais longo. Assim, o pleito de 2013 já projeta sombra, fazendo do gabinete de Monti um "governo por prazo limitado".

Sendo assim, diferentemente de Maria Fekter, Jürgen Pfister não acredita que a Itália pedirá ajuda europeia. O especialista está convencido que os italianos conseguirão encontrar sozinhos a saída para seus problemas. Mas se não conseguirem, diz Pfister, a zona do euro teria um outro problema: "Os mecanismos de auxílio, mesmo na forma ampliada, não seriam suficientes para a Itália".

Extraído do sítio Deutsche Welle