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14 abril 2013

MEIOS DE COMUNICAÇÃO OPOSITORES AINDA SÃO MAIORIA 11 ANOS APÓS GOLPE CONTRA CHÁVEZ - Marina Terra

Em abril de 2002, canais de TV, jornais e rádios da oposição chegaram a fabricar notícias para derrubar o governo.

Eram cinco horas da manhã de 14 de abril de 2002. Hugo Chávez falava à nação pela primeira vez desde que, por meio da pressão popular e a lealdade de setores do Exército, foi resgatado da prisão após sofrer um golpe de Estado. Em seu discurso, houve um apelo especial, enfático, feito enquanto agarrava uma cruz entre as mãos. “Faço um chamado aos meios de comunicação. Por Deus! Reflitam, mas de uma vez por todas. Esse país também é de vocês (...)”.

Personagem ativa da derrubada da ordem democrática naqueles dias de abril de 2002, a mídia privada venezuelana ainda ocupa a maioria do espectro audiovisual e da imprensa 11 anos depois do golpe. E não se trata de um período qualquer da história da Venezuela. O aniversário do golpe de Estado contra Chávez acontece a pouco mais de um mês de sua morte e durante a disputa eleitoral para presidente, marcada para este domingo (14/04).

Trecho do documentário "A revolução não será televisionada":



Segundo dados do Ministério da Comunicação da Venezuela, atualmente 60% do espectro televisivo aberto é explorado por empresas privadas. Em 1998, antes da eleição de Chávez, o número chegava a 80%. Nas rádios, as redes privadas são hegemônicas, o Estado só tem uma estação com alcance nacional e três estações em localidades estaduais. As empresas também são maioria na imprensa escrita, sendo mais de 80% do total de jornais.

“Antes da chegada de Chávez ao poder havia um acordo tácito entre as corporações da informação, que são porta-vozes do poder econômico, e o Estado”, afirma o jornalista venezuelano José Roberto Duque, que trabalhou no jornal El Nacional e é autor de livros consagrados no país. “O que acontece com Chávez [no poder]? A aliança entre o Estado e os consórcios de comunicação se rompe”, explica.

A partir daquele momento, começaram os ataques. “Em um cenário no qual o poder econômico entra em conflito com um Estado que alinha com as lutas populares e a reivindicação do povo, começa evidentemente uma guerra na qual a verdade é a primeira a morrer”, diz Duque.

Reportagens exibidas em 11 de abril por canais privados:



Naquela época, as notícias começaram a ser deformadas a favor ou contra o projeto de Hugo Chávez. Enquanto alguns veículos preferiram simplesmente ignorar as declarações do governo, outros se empenharam em retratar o presidente como o líder de uma ditadura. É nessa ocasião também que o governo de Chávez cria seus meios de comunicação, “cujo discurso também começou a carecer de honestidade jornalística”, por produzir conteúdo que serve para defender ou elogiar o governo.

Em 2001, um conjunto de 49 leis habilitantes, que incluíam a lei de terras e hidrocarbonetos, detona o golpe, conforme analisa o jornalista Ernesto Villegas – atual ministro da Comunicação – em seu livro “Abril: Golpe Adentro”. Ali é estabelecida uma investida liderada pela Fedecámaras, entidade que reúne os empresários do país, e a mídia privada. Uma grande marcha foi convocada para 11 de abril em Caracas, propositalmente revertida para os arredores da sede do governo. No dia, o El Nacional estampava na manchete “A batalha final será em Miraflores”.

O resultado foi o “massacre de Ponte Llaguno”— nome de um viaduto próximo a Miraflores –, quando franco-atiradores dispararam contra a população, deixando 19 mortos e 70 feridos. Manipulando as imagens, rapidamente a Globovisión, um dos principais canais privados, responsabilizou o governo. Naquele dia, a Venevisión dividiu sua tela com, de um lado, imagens das micro-cadeias com a versão do governo sobre os acontecimentos, e do outro, mobilizações da oposição e atos de violência, em claro desrespeito às leis de comunicação do país.

Imagens feitas pela Globovisión da Ponte Llaguno:



À noite, Chávez foi detido por militares golpistas e em 12 de abril Pedro Carmona Estanga se autojuramentou como presidente da Venezuela, rasgando a Constituição e dissolvendo todos os poderes. Os meios de comunicação privados se ocuparam em legitimar o governo de facto, enquanto Chávez seguia preso.

De acordo com o livro Dias de Aluvião, editado por Federico Ruiz Tirado no ano passado, entre janeiro e abril de 2002, a distribuição de espaço na imprensa privada foi estatisticamente desequilibrada. Foram avaliados os jornais El Universal, El Nacional, Últimas Notícias, 2001 e Tal Cual. Cinquenta e cinco por cento da superfície redacional dava voz à oposição, enquanto 20% a Chávez e 16% ao governo.

Oitenta e cinco por cento dos termos negativos foram usados para qualificar o chavismo com frases como “comunistas” e “círculos violentos”. Os outros 15%, utilizados para adjetivar a oposição incluíam menções como “esquálidos”, “fascistas” e “golpistas”. Já os termos positivos formavam 70% das qualificações dos opositores, com termos como “povo pacífico” e “sociedade democrática”, enquanto do lado oficialista se lia “manifestantes” e “camaradas”.

Naqueles meses, 80% das primeiras páginas dos jornais falavam da oposição. Quanto ao tratamento gráfico dos líderes políticos, 38% era dedicado a Carmona, 37% ao líder opositor Carlos Ortega, e somente 25% a Chávez.

Capas dos principais jornais privados venezuelanos em 11 de abril de 2002, data em que Chávez foi deposto após golpe de Estado

“Nos primeiros sete, oito anos de Chávez”, afirma Duque, se tornou impossível fazer jornalismo na Venezuela. “Todos tinham algo a dizer, contra ou a favor, mas ninguém quis fazer um jornalismo limpo, equilibrado, e isso se prolonga até hoje. É impossível fazer um exercício imparcial ou mais ou menos objetivo do jornalismo”, diz. Para ele, inexiste um compromisso com a credibilidade no país. “A quebra aconteceu em 2002”, salienta.

Hoje em dia, canais como a Globovisión, uma espécie de porta-voz da oposição, dizem ser perseguidos pelo governo, citando multas e acusações. Presidida por Guillermo Zuloaga, foragido da Justiça desde 2010, a Globovisión acumula processos judiciais, o mais recente por omitir em seus programas jornalísticos partes da Constituição ao noticiar o tema da posse de Chávez em 10 de janeiro desse ano.

Além disso, o caso RCTV (Radio Caracas de Televisão) segue sendo interpretado pela oposição como um violento atentado à liberdade de imprensa no país. Frequentemente campanhas pedem o retorno do canal, um dos mais populares na Venezuela até ser fechado, em 2007. Apesar de o governo dizer que na época decidiu utilizar o espectro ocupado pela RCTV para outra finalidade, para opositores essa decisão seria castigo pela participação da emissora no golpe contra Chávez em 2002.

Redes sociais

O apagão midiático ao qual a população venezuelana foi submetida naqueles dias de abril de 2002 aconteceu porque os principais meios eram controlados por opositores ao governo. Mas e se naquela época redes sociais como Twitter e Facebook – bastante populares na Venezuela – já existissem?

Segundo um estudo da consultoria espanhola IZO Innovation publicado em 2012, a Venezuela está em terceiro lugar no ranking mundial de penetração do Twitter e em sexto na América Latina em termos de horas conectadas por usuário por semana (20).

De acordo com a empresa de compilação de dados comScore, o país está em terceiro – atrás de Indonésia e Brasil – em penetração do Twitter entre usuários conectados, com 19% deles visitando o site diariamente. Ainda segundo a comScore, 86,9% dos usuários de internet venezuelanos possuem conta no Facebook, conforme dados de junho de 2011, quando a última pesquisa foi realizada.

Com o Twitter, o desenrolar do golpe na Venezuela poderia ter sido diferente, analisa Duque. “A surpresa talvez não tivesse sido tão dramática”. Para ele, porém, a internet e as redes sociais funcionam como uma ferramenta mais de um processo. “Não é uma trincheira para o ativismo. O espaço da política continua sendo as ruas.”

Ele usa como exemplo dessa reflexão um episódio emblemático que viveu em 12 de abril de 2002, quando formou parte da resistência popular nas ruas de Caracas. Logo após Carmona jurar como presidente, o jornalista estava na avenida Sucre, onde moradores construíram barricadas contra a polícia. Ninguém sabia o que havia acontecido com Chávez.

Até que um rapaz começou a distribuir alguns papeizinhos que diziam: “Hugo Chávez está sequestrado. Ele ainda é o presidente. Difundam”, conta Duque. “Eu estava com um amigo e pedi para que me desse vários, mas ele negou, porque tinha poucos. Depois seguiu compartilhando o que restava”, descreve. “Esse foi o Twitter daquele momento. Se ele existisse na época, esse homem teria feito o mesmo trabalho, mas de forma mais eficiente. Às vezes o importante não é a ferramenta tecnológica, mas a qualidade da mensagem passada”, diz.

Extraído do sítio Opera Mundi

12 abril 2013

MENSALÃO: NOVAS PROVAS APARECEM, MAS NÃO CONTRA OS RÉUS - Helena Sthephanowitz


A cada dia aparecem indícios de que o julgamento do "mensalão" (AP-470) foi político, de exceção. O primeiro deles foi o calendário coincidir com a campanha eleitoral. O segundo foi o não desmembramento, julgando até a "mequetrefe" Geiza Dias na Suprema Corte, tudo para dar grandiloquência e chamar de julgamento do século. A terceira prova de que foi um processo político, foi condenar sem provas e, pior, ignorando todas as provas de inocência apresentadas pelas defesas.

Agora vem a negação do princípio da razoabilidade nos prazos para a defesa. Se o STF não deu conta de cumprir os prazos para publicar o acórdão, porque ele é grande demais, qual a razão de só dar cinco dias para a defesa ler milhares de páginas e procurar erros jurídicos? Os cinco dias seriam mais aceitáveis se o processo tivesse sido desmembrado e houvessem só três réus sendo julgados.

Mas não em um julgamento onde "empacotaram" 37 réus, e que uns estão sendo condenados por suposto "domínio do fato" sobre crimes dos outros, o que obriga os advogados de defesa a estudarem todo o conjunto da obra, tornando impossível fazê-lo em apenas cinco dias. Também não vale a alegação de que as sessões do julgamento foram vistas e gravadas, porque os ministros não leram os votos completos, outros foram confusos, outros não foram suficientemente claros, outros fizeram discurso político na hora de declarar o voto. E, além disso, se os magistrados demoraram mais de dois meses revisando o que será publicado oficialmente, é porque valerá o que será publicado, e que pode ser razoavelmente diferente do que foi dito durante as sessões.

Prazos relâmpagos e inviáveis para a defesa será a versão brasileira do golpe paraguaio sobre o ex-presidente Lugo. Lá o objetivo foi derrubá-lo sumariamente, logo a defesa era só para figurar. Aqui o objetivo é condenar sumariamente, concedendo à defesa o papel de mero figurante, como se fosse um "faz de conta" meramente para cumprir o ritual de execução. Em um julgamento justo, direito de defesa não pode ser tratado com má vontade. Mais uma prova de que o julgamento é político.

O problema de julgamentos políticos é que eles não acabam na sentença judicial. O processo político continua e vem o julgamento do julgamento. E aí é que abundam provas não contra os réus, mas contra os juízes.

Se nas primeiras peças de defesa, os advogados foram econômicos, se limitando a rebater as teses frágeis da acusação, ausentes de provas; nos recursos, mesmo com o prazo de cinco dias, virão repletos de provas de que muito o que foi dito no julgamento, simplesmente não corresponde à verdade. Os recursos têm grande chance de confirmar, primeiro perante a comunidade jurídica, depois perante a nação, que ministros de STF não agiram com o notório saber jurídico esperado de guardiões das leis, dos direitos e deveres constitucionais, com consequências nada boas para imagem da instituição.

Além disso, o mal de julgamentos em que juízes julgam politicamente é que as políticas de bastidores, mais cedo ou mais tarde, acabam vindo à tona.

No caso do ministro Luiz Fux, está vindo mais cedo do que se esperava. José Dirceu, em entrevista, disse que o ministro Luiz Fux o procurou durante meses em busca de apoio político para que petistas ligados a ele apoiassem sua nomeação e, segundo Dirceu, Fux ofereceu-se para absolvê-lo. Poderia ser a palavra de um contra o outro. O problema é que Fux não desmentiu o encontro e desconversou sobre o teor da conversa.

Mais grave, Fux confirmou o encontro em outra entrevista, e disse uma coisa que soa impossível: que não se lembrava, no encontro, que Dirceu era réu no "mensalão". E a sensação popular é de que o caso de Fux não é isolado. Basta imaginar como teriam sido as articulações para marcar o julgamento e conduzi-lo para coincidir com campanha eleitoral.

E Gurgel...

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, saiu em defesa de Fux, sobre a revelação de José Dirceu de sofrer assédio moral em busca da nomeação para o ministro do STF. “A história do ministro Fux é uma história de honradez. E o mesmo não se pode dizer de quem o acusa.”, disse Gurgel.

Seria melhor ter ficado calado, pois a tese não fecha. Se for para desqualificar Dirceu, Fux cai junto, pois confirmou que foi procurá-lo.

Extraído do sítio Rede Brasil Atual

30 março 2013

O MILLENIUM E AS LEMBRANÇAS - Laurindo Lalo Leal Filho

Não é mera coincidência a preferência dos integrantes do Instituto Millenium pela subordinação do Brasil aos grandes centros financeiros internacionais e sua ojeriza diante das relações harmônicas entre governos latino-americanos.

O economista Cristiano Costa foi recebido em fevereiro pelo pessoal do grupo A Tarde, em Salvador. A companhia de comunicação, que tem provedor e portal na internet, agência de notícias, jornal impresso, emissora de FM, gráfica, reuniu seus profissionais para servirem-se de uma palestra da série 'Millenium nas Redações'. 

Blogueiro e professor de uma universidade capixaba chamada Fucape Business School, Costa é também colaborador cativo do Instituto Millenium, articulador desses eventos destinados a “aprimorar a qualidade da imprensa no Brasil”.

A base de sua explanação são seus artigos reproduzidos no site do instituto, em que critica duramente a política econômica do governo e ataca sem rodeios o ministro da Fazenda, Guido Mantega. 

Em um deles, cita o programa 'Minha Casa, Minha Vida' como um dos responsáveis por inflacionar o setor imobiliário. Isso num ambiente em que até os preços de imóveis de alto padrão dispararam. 

As pessoas estão mais seguras no emprego e foram comprar, a queda dos juros levou mais gente a ter acesso a crédito, ou mais gente a tirar dinheiro de aplicações financeiras para investir em imóveis. Há muitos fatores em jogo, mas lá vai o programa federal destinado a famílias de baixa renda pagar o pato da especulação.

Outras redações de jornais e revistas foram brindadas pelo Millenium com palestras sobre assuntos variados, da reforma do Judiciário à assustadora “crise econômica”. 

O currículo dos palestrantes, colaboradores do instituto, explica o objetivo real das palestras: consolidar no meio jornalístico o papel oposicionista da mídia brasileira.

Há algum tempo os ambientes de redação eram conhecidos por ter profissionais críticos, independentes, e o direcionamento da informação era resultado da sintonia dos editores com os donos dos veículos. 

Não era incomum a conclusão do jornal ou da revista acabar em atrito entre repórter e superiores. Agora, os donos dos veículos preferem formar “focas” que já cheguem às redações comprometidos com suas crenças.

Essas crenças, recheadas de interesses políticos e econômicos, vêm sendo difundidas de maneira afinada pelos meios de comunicação reunidos no Millenium. Resultado concreto desse trabalho pôde ser visto neste início de ano. 

Três assuntos, alardeados como ameaças ao país, ocuparam as manchetes dos grandes jornais e foram amplificados pelo rádio e pela TV: apagão, inflação e crise na Petrobras.

Além do noticiário parcial, analistas emitiam previsões catastróficas. Como elas não se confirmavam, o assunto era esquecido e logo substituído por outro. 

No dia 8 de janeiro, o jornal O Estado de S. Paulo estampou na capa: “Governo já vê risco de racionamento de energia”. Um dia antes a colunista da Folha de S. Paulo Eliane Cantanhêde chamava uma reunião ordinária, agendada desde dezembro, de “reunião de emergência” do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico convocada às pressas por Dilma para tratar do risco de racionamento. 

Diante da constatação de que a reunião nada tinha de extraordinária, a Folha publicou uma acanhada correção. Como de costume, o tema foi sendo lentamente deixado de lado. O risco do “racionamento” desapareceu.

Pularam para o “descontrole” da política econômica e a ameaça de um novo surto inflacionário. “Especialistas” tentavam, a partir dos índices de janeiro, projetar uma inflação futura capaz de desestabilizar a economia. 

Aproveitavam para crucificar o ministro Mantega, artífice de uma política que contraria interesses dos rentistas nacionais e internacionais: a redução dos juros bancários está na raiz da gritaria.

Não satisfeitos, colocaram a Petrobras na roda, responsabilizando a “incapacidade administrativa” dos dirigentes da empresa pela redução dos dividendos pagos aos acionistas. 

Sem considerar que, dentro da estratégia atual de ação da Petrobras, os recursos de parte dos dividendos retidos passaram a contribuir para o desenvolvimento do país na forma de novos investimentos.

Variações de uma nota só

Aparentemente isoladas, essas versões jornalísticas são, na verdade, articuladas a partir de ideias comuns que permeiam as pautas dos principais veículos. 

No site do Instituto Millenium elas estão organizadas e publicadas de maneira clara. O Millenium diz ter como valores “liberdade individual, propriedade privada, meritocracia, Estado de direito, economia de mercado, democracia representativa, responsabilidade individual, eficiência e transparência”.

Faz lembrar a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, que chegou a dizer que só o indivíduo existe, a sociedade é ficção.

Fundado em 2005, o Millenium foi oficialmente lançado em abril de 2006 com o apoio de grandes empresas e entidades patronais lideradas pela Editora Abril e pelo grupo Gerdau. 

Trata-se de uma liderança significativa, pois reúne uma empresa propagadora de ideias e valores e outra produtora de aços, base de grande parte da economia material do país. 

A elas juntam-se a locadora de veículos Localiza, a petroleira norueguesa Statoil, a companhia de papel Suzano, o Grupo Estado e a RBS, conglomerado de mídia que opera no sul do Brasil. A Rede Globo, como pessoa jurídica, não aparece na lista, mas um dos seus donos, João Roberto Marinho, colabora.

Essa integração entre empresas de mídia e empresários faz do Millenium uma organização capaz de formular e difundir programas de ação política em larga escala, com maior capacidade de convencimento do que muitos partidos políticos. Com a oposição partidária ao governo enfraquecida, ocupa esse espaço com desenvoltura.

Apesar do apego declarado à democracia, alguns dos colaboradores não escondem o desejo de combater o governo de qualquer forma. 

É o que está explícito na fala de outro de seus colaboradores, o articulista Arnaldo Jabor, quando num dos eventos promovidos pelo instituto disse: “A questão é: como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo?”

Essa articulação faz lembrar a de organismos privados como o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad), fundado em 1959, e o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), nascido em 1961. Ambos uniram empresários e mídia conservadora na formulação e divulgação de ideias que impulsionaram o golpe de 1964.

“Ipes e Ibad não eram apenas instituições que organizaram uma grande conspiração para depor um governo legítimo. Elaboraram um projeto de classe. O golpe foi seguido por uma série de reformas no Estado para favorecer o grande capital”, lembra o pesquisador Damian Bezerra de Melo, da Universidade Federal Fluminense (UFF).

No cenário atual, de decadência do modelo neoliberal e de consolidação de políticas desenvolvimentistas no Brasil, o Millenium seria um instrumento ideológico para dar combate a esse processo transformador. 

“Nos anos 1990 ocorreu a disseminação da ideologia do pensamento único, de que o capitalismo triunfou, o socialismo deixou de existir como projeto político”, afirma a historiadora Carla Luciana da Silva, da Universidade do Oeste do Paraná. “Quando surgem experiências concretas que podem desafiar essas ideias, aparece em sua defesa uma organização como o Millenium para manter vivo o ideal do pensamento único.”

A difusão dessas ideias não é feita por meio de manifestos ou programas partidários, observa a pesquisadora. “É muito difícil pegar uma revista como a Veja ou um jornal como a Folha de S. Paulo e conseguir visualizar os sujeitos que estão produzindo as ideias defendidas ali. Cria-se uma imagem do tipo ‘a’ Folha, ‘a’ Veja, como se fossem sujeitos com vida própria. É uma forma de não deixar claro em nome de que projeto falam, como se falassem em nome de todos.”

Contra as versões, fatos

Conhecendo as ações do instituto e seus personagens fica mais fácil compreender como certos assuntos tornam-se destaque de uma hora para outra. A presença nos quadros do instituto de jornalistas e “especialistas” com acesso fácil aos grandes meios de comunicação leva suas “notícias” rapidamente ao centro do debate nacional. 

E fica difícil contra-argumentar com colaboradores do Millenium, não pela qualidade de seus argumentos, mas pela força de persuasão dos veículos pelos quais difundem suas ideias.

Como retrucar, com igual alcance, comentários de Carlos Alberto Sardenberg, na CBN, de Ricardo Amorim, na IstoÉ, na rádio Eldorado e no programa Manhattan Connection, da GloboNews, de José Nêumanne Pinto, no Estadão e no Jornal do SBT, de Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo, entre tantos outros?

Não é mera coincidência a preferência dos integrantes do Millenium pela subordinação do Brasil aos grandes centros financeiros internacionais e sua ojeriza diante das relações harmônicas entre governos latino-americanos. 

Trata-se de uma tentativa de ressuscitar um projeto político implementado durante a ditadura que só passou a ser confrontado, ainda que parcialmente, a partir de 2003, com a posse do governo Lula.

Mas parece não haver espaço para uma hipótese golpista, apesar do já citado dilema de Jabor. Para a professora Tânia Almeida, da Unisinos de São Leopoldo (RS) e diretora de relações públicas da Secretaria de Comunicação do Rio Grande do Sul, um dos ganhos da crise política de 2005, com a questão do chamado “mensalão”, foi ter forçado análises e estudos em busca de explicações de como o então presidente Lula conseguiu suportar tanta notícia negativa e manter elevados índices de aprovação.

“Não era só carisma. Desde 2003, havia uma gestão de governo em funcionamento. Não existia somente aquilo de que os jornais e revistas tratavam, não era só escândalo. Outra proposta política estava acontecendo”, observa Tânia. Para a professora, os avanços sociais alcançados não permitem crer em crise que leve a uma ruptura institucional.

“O Millenium é um agente articulador, social, político, que pode fomentar e aquecer debates, mas não teria potencial para causar uma crise nos moldes de 1964. O poder de influência da mídia ficou relativizado desde 2006 em função dessa política que chega lá na ponta e inclui quem estava fora.”

Damian Melo, da UFF, tem visão semelhante, mas com um pé atrás: “O Millenium não possui hoje estratégia golpista. Quer emplacar seu projeto, e isso pode ser pela via eleitoral mesmo. Muito embora nossa experiência nos diga que é melhor ficarmos atentos”. 

* Colaborou Rodrigo Gomes

** Publicado originalmente na Revista do Brasil, edição de março de 2013

*** Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.

Extraído do sítio Carta Maior

24 janeiro 2013

CONFRONTO É A LEY DE MEDIOS DA DILMA - Paulo Henrique Amorim

A condenação do Dirceu foi a senha para a Falange da Casa Grande acelerar o Golpe (no Supremo).


A Dilma não vai fazer a Ley de Medios.

Mas, a ficha dela caiu.

Ela percebeu que o julgamento do mensalão (o do PT) foi a senha para a Falange montada em torno da Casa Grande atacar.

Como a Casa Grande é um deserto de homens e ideias, o jeito é o Golpe paraguaio, quer dizer, brasileiro: no Supremo.

Onde a Casa Grande tem maioria, já que, na rua, é um pouco mais difícil.

Para que o Golpe no Supremo seja possível, é necessário, antes, construir o ambiente na opinião pública, ou melhor, na “opinião publicada”, como diz o Paulo Moreira Leite, ao se referir ao PiG (*).

Primeiro, atingir a moral do Lula, assassinar seu caráter, pelas mãos virtuosas do brindeiro Gurgel – que fala grosso com o PT e fino com a Privataria – e do Marcos Valeriodantas, transformado em Herói da Pátria, e instalado no mesmo panteão em que o Supremo colocou o Thomas Jefferson.

(Thomas Jefferson foi a única “testemunha” dos crimes do Dirceu …)

Para que o Golpe paraguaio, quer dizer, brasileiro, dê certo é preciso, então, desconstruir a imagem de “gestora eficiente” da Dilma.

Demonstrar, incansavelmente, que o “Brasil é uma m…” – a editoria que produz a maioria das “reportagens” sob a batuta do Gilberto Freire com “i”(*).


Os blogueiros sujos acham que a saída para o cerco Golpista é atacar com uma Ley de Medios.

A Dilma não vai fazer a Ley de Medios, embora o PT, agora, queira (e o Lula, também).

O que ela vai fazer ?

Já começou.

Ela vai para o confronto.

Ela vai peitar o Golpe mediático na mídia.

Como ela não estatizou e construiu uma corpulenta tevê estatal, que é o que deveria ter sido feito, quando o Gilberto Freire com “ï” ignorou o desastre da Gol para levar a eleição de 2006 para o segundo turno.

Já que não há uma tevê estatal competitiva, o jeito é usar o horário nobre das tevês, que, em regime de concessão, exploram o espectro eletromagnético, de propriedade do povo brasileiro.

Foi o que ela começou a fazer nesta quarta-feira, quando reduziu a tarifa de energia elétrica mais do que se anunciava – e calou a boca dos “do contra”.

O Globo, o 12º voto no Supremo, fez beicinho e disse na manchete: “Dilma desafia críticos”.

A Dilma não vai se deixar derrubar pelo PiG, assim, na boa.

Ela vai para o pau.

Do jeito dela.

Em tempo: a Folha (**), um dos arautos do caos da energia elétrica, até o Edu ridicularizar a massa cheirosa e a própria Folha, se vangloria de que a circulação dos jornais aumentou 2% (bravo!). E a Folha aumentou 4%, o que a conduz à liderança desse promissor mercado. Como se sabe que a receita publicitária dos jornais rola ladeira abaixo, a notícia do crescimento da circulação da Folha é a visita da saúde. Simples: a Folha gasta mais papel e logística e fatura menos. Quanto mais vende, pior.

Em tempo2: alerta ! Como se faltassem colonistas (***) ao PiG (****), surgiu outro, com o verniz de “repórter”. Há um novo Ataulfo Merval (*****) na praça. Escreve frequentemente no Valor, o PiG (***) cheiroso, e mistura opinião (enfática, de viés) com fatos (escassos). Nesta quinta-feira, o “editorial” foi para disseminar a desavença entre Lula e Dilma. Velho truque da Casa Grande.

Em tempo3: este ansioso blog tinha observado: “o Globo, o 12º voto no Supremo, fez beicinho e disse na manchete: ‘Dilma desafia críticos’”.

Amigo navegante mais atento liga para lembrar que, antes dessa frase com beicinho, tem outra, com mais beicinho ainda: “Nunca dantes neste país”.

Como se quisesse dizer: nunca dantes um presidente ousou desafiar a Globo. Pois é, se fosse verdadeira a suposição, agora vai ser assim: a Dilma vai desafiar a Globo, dentro do jornal nacional. Como nunca dantes. 

(*) Ali Kamel, o mais poderoso diretor de jornalismo da história da Globo (o ansioso blogueiro trabalhou com os outros três), deu-se de antropólogo e sociólogo com o livro “Não somos racistas”, onde propõe que o Brasil não tem maioria negra. Por isso, aqui, é conhecido como o Gilberto Freire com “ï”. Conta-se que, um dia, D. Madalena, em Apipucos, admoestou o Mestre: Gilberto, essa carta está há muito tempo em cima da tua mesa e você não abre. Não é para mim, Madalena, respondeu o Mestre, carinhosamente. É para um Gilberto Freire com “i”.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(***) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (****) que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

(****) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(*****) Até agora, Ataulfo de Paiva era o mais medíocre dos imortais da história da Academia Brasileira de Letras. Tão medíocre, que, ao assumir, o sucessor, José Lins do Rego, rompeu a tradição e, em lugar de exaltar as virtudes do morto, espinafrou sua notória mediocridade.

Extraído do blog Conversa Afiada

15 janeiro 2013

EXEMPLO DE MANIPULAÇÃO DA INFORMAÇÃO - Mário Augusto Jakobskind


O Globo está cada vez mais extremado em matéria de pensamento único. Continua inconformado com a decisão da Suprema Corte de Justiça da Venezuela confirmando que o Presidente Hugo Chávez não precisava tomar posse necessariamente no último dia 10. Mas é impressionante, o jornal da família Marinho a cada dia se supera em matéria de jornalismo ideologizado.

Para se ter uma ideia a que ponto chegaram os editores, na quinta-feira (10), página 28, apareceu uma foto de uma mulher cozinhando e a legenda dizia o seguinte: “Desabastecimento. Uma mulher cozinha sob a vigilância de um poster de Chávez - população já enfrenta problemas de escassez de produtos alimentícios na Venezuela”.

Seria uma legenda digna de humor ao estilo de O Pasquim se o texto não fosse criado de forma realmente séria. O sério virou ridículo

O Globo, claro, como impresso, tem o direito de fazer o que quiser, até mesmo em matéria de jornalismo de baixa qualidade, como tem demonstrado em suas edições diárias. Mas o que não pode ser aceito é transferir a manipulação da informação para os canais de televisão controlados pela família Marinho. E colocar, por exemplo, Arnaldo Jabor dando o recado do Instituto Millenium, para criticar de forma ignorante o Presidente Hugo Chávez, com o claro objetivo de demonizá-lo.

Televisão é uma concessão pública e não pode ser utilizada pelos proprietários para o esquema de lavagem cerebral, como acontece também diariamente nos informativos das emissoras da família Marinho.

O desespero das Organizações Globo em relação ao que acontece na Venezuela chega as raias do absurdo. Convocam os colunistas de sempre, que seguem a pauta do Departamento de Estado e do Instituto Millenium. Qualquer crítica ao que acontece em matéria de manipulação da informação é geralmente respondida, quando respondida, como restritiva à liberdade de imprensa e de expressão.

As Organizações Globo convocaram também figuras do espectro ideológico do grupo, como Ives Gandra e Ophir Cavalcanti, presidente da OAB, para criticar a decisão da Justiça da Venezuela.

E o governo de Dilma Rousseff também não foi poupado por sua posição admitindo que a Venezuela adotou uma solução democrática na questão da posse de Chávez.

Como se todo esse exemplo de jornalismo absolutamente parcial não bastasse, as Organizações Globo até anteciparam a morte do Presidente Hugo Chávez. Torcem visivelmente para que isso aconteça. E aí se perdem também, pois se Chávez incomoda vivo, morto vai ser incomodar ainda mais a direita carcomida. 

Mas detrás de tudo isso se esconde o fato de as Organizações Globo, o Departamento de Estado, os colunistas de sempre, regiamente pagos, e as oligarquias latino-americanas temerem um fato real, qual seja, o caráter irreversível da Revolução Bolivariana. Eis aí a causa principal do comportamento aético das Organizações Globo, ou seja, o temor que mesmo se Chávez não puder completar o novo mandato designado pelo povo, a Revolução Bolivariana continuará. Não tem mais volta.

A direita venezuelana, que continua jogando todas as suas cartas em Enrique Capriles, perde eleição e quer aproveitar a atual situação para ver se consegue reverter o fato histórico do novo tempo que representou a ascensão de Hugo Chávez.

E, como prova ainda da maior parcialidade das Organizações Globo, em um dos editoriais desesperadores, o jornal tenta comparar os acontecimentos atuais na Venezuela com um episódio ocorrido na vigência da ditadura no Brasil, quando o vice Pedro Aleixo foi impedido pelos militares de assumir no lugar do general de plantão Costa e Silva. O Globo conta com a falta de memória de parte dos seus leitores e omite o fato de que sempre apoiou a ditadura e, como diria Leonel Brizola, ”engordou na estufa da ditadura”.

Em relação ao que acontece em matéria de manipulação de informação nas emissoras de televisão e rádio das Organizações Globo, mais do que nunca é preciso que o Brasil retome a discussão sobre o controle social da mídia, para que a democracia avance neste país, porque, sem isso, não se pode afirmar que no Brasil a democracia é cem por cento.

Esse debate não pode ser jogado para debaixo do tapete, como querem as poucas famílias que controlam as emissoras de televisão do país.

Nesse sentido, espera-se que a Presidenta Dilma Rousseff siga o exemplo de Cristina Kirchner e aceite enfrentar a questão. Primeiro, a continuidade do debate amplo pela sociedade brasileira, por sinal já iniciado. Depois, um posicionamento do Congresso e, finalmente, vontade política do Executivo para não evitar que haja avanço no setor.

Resta saber o que pensa sobre o tema o Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

Extraído do sítio Direto da Redação

09 janeiro 2013

ANO NOVO, PIG VELHO - Bepe Damasco


Enquanto a presidenta Dilma vive a repetir as platitudes de sempre contra uma Ley de Medios à brasileira, o PIG entrou 2013 com a corda toda, pisando fundo no acelerador da mentira e da desinformação, movido pela obsessão golpista costumeira. Não que isso cause um fiapo de surpresa a quem quer que seja. O problema é a falta de luz no fim do túnel, na medida em que a presidenta, revelando lamentável desconhecimento do que está em jogo na luta pela democratização das comunicações no Brasil, tornou a avisar ao PT que não apoiará qualquer proposta que restrinja a liberdade de expressão no Brasil. Pessoa dotada de soberbas e conhecidas qualidades, ela, infelizmente, confunde liberdade de expressão com liberdade de monopólio.

Faria muito bem à nossa incipiente democracia se a presidenta recuperasse o que disse o ex-ministro Franklin Martins sobre o anteprojeto que preparou:  "Não existe nada no anteprojeto que não esteja previsto na Constituição. O marco regulatório é nada além nem aquém do que diz a Constituição." E mais: segundo Franklin, o processo de convergências das mídias é uma realidade e mais cedo ou mais tarde o governo terá de tratar dele. Caso contrário, o mercado o fará. "E quando o mercado decide, prevalece a lei do mais forte. O setor de telefonia fatura 13 vezes mais que o de radiodifusão. Quanto mais tempo levar para regular, maior é a força deles de se impor nessa discussão."

E é justamente por ter mandado seu ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, engavetar o trabalho do Franklin que Dilma é obrigada a assistir, com pouca margem para reação, à tentativa desesperada da direita midiática de emparedá-la. E como o STF está em recesso, os canhões agora estão apontados para a economia. A estratégia, comum a Veja, Folha, Globo e Estadão, é tão simples quanto calhorda: ignorar que o índice de desemprego é o menor da história, que existe uma gravíssima crise internacional, que as medidas contracíclicas do governo para enfrentar essa crise mantiveram milhões de postos de trabalho e vão fazer o país voltar a crescer de forma vigorosa em 2013, que 16 milhões de brasileiros deixaram a miséria absoluta no governo Dilma, que o Brasil tem 370 bilhões de dólares de reservas, que a inflação está sob controle, que os juros foram reduzidos aos patamares mais baixos que se têm notícia, que o governo enfrentou a sabotagem das empresas de energia controladas pelos governos tucanos e vai reduzir a energia em 20% já a partir do próximo mês. 

Reparem que a cada dia, no afã de torcer contra o país por interesses partidários, a mídia tem menos escrúpulos para definir sua pauta. Não custa lembrar o bombardeio da passagem do ano:

"Brasil pode ter que racionar energia" - Comemorando o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas brasileiras devido à estiagem, o monopólio midiático, inconformado com a queda no preços das tarifas de energia que se aproxima, passou a prever um cenário catastrófico com aumento de tarifas e racionamento. Destaque absoluto para a cara de pau de uma reportagem da "rádio que troca notícia", que se fartou de ouvir "especialistas" do setor, mas não se deu ao trabalho de entrevistar um só integrante do governo. Jornalismo de esgoto na veia.

Contrariados porque a presidenta Dilma disse na lata deles que chega a ser "ridículo" prever racionamento de energia, o PIG partiu para o ataque. Não adianta explicar que os investimentos em geração e distribuição foram e estão sendo feitos em níveis adequados e que as termelétricas seguram o tranco na hora da emergência. Campeã das previsões furadas, a mídia deve ter se sentido afogada pelas chuvas que voltaram a cair na última semana.

"Governo faz maquiagem para fechar contas"- O mundo caiu. A credibilidade fiscal do país foi à breca. A estabilidade conquistada a duras penas nos últimos 20 anos (malabarismo para incluir os anos FHC) virou pó. O governo praticou estelionato fiscal.

Esse festival de imbecilidades tomou conta dos jornalões nos últimos dias. A realidade é bem outra. Tudo que a equipe econômica fez, rigorosamente dentro da lei, foi descontar o valor dos investimentos feitos no PAC das contas do superávit primário e capitalizar as estatais e bancos públicos com títulos públicos e não com aporte direto de recursos. Deve ser duro para um sujeito íntegro, sério e competente como o ministro Mantega dar de cara no jornal dos Marinho com a "urubóloga" Miriam Leitão acusando-o de ter patrocinado um estelionato fiscal. Se esse governo não fosse tão leniente com os serviçais do PIG, seria o caso de uma dura resposta pública.

"Fantástico mostra o desperdício em obras públicas" - Pinçando problemas em algumas obras públicas, a reportagem do Fantástico deste domingo parece feita sob medida para figurar num programa eleitoral do PSDB. A matéria faz um esforço enorme para dar a impressão que o Brasil é um grande canteiro de obras abandonadas, sempre na linha demagógica do tipo "quem paga a conta é você". Problemas existem em obras de infraestrutura no Brasil, Argentina, Espanha, EUA, Rússia, França, Itália, Reino Unido, em qualquer parte do mundo.

Para Ali Kamel, que vai transformando o Fantástico num grande panfletão dominical contra o governo, não há nenhum mérito nas obras do PAC. Já o ambicioso e elogiado programa de investimentos em infraestrutura anunciado pelo Planalto, com investimentos de mais 130 bi em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos sequer é citado na matéria.

O mais ridículo e patético, no entanto, foi guardado para o final, no qual uma "consternada" repórter entrevista, sob luz de lamparina, uma senhora dos grotões do Brasil em cuja residência a luz elétrica ainda não chegou. Estimulando essa brasileira humilde a lamentar não poder assistir às novelas da Globo, a jornalista sonegou a informação essencial quando o assunto é energia elétrica no Brasil: o Programa Luz para Todos, do governo federal, promoveu uma verdadeira revolução no campo, levando em 10 anos mais luz aos lares brasileiros do que nas últimas três décadas somadas. Constrangida por não ter dado espaço para ninguém do governo, a apresentadora do Fantástico fechou o simulacro de matéria jornalística informando que a produção do programa tentou, em vão, falar com o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, por duas semanas consecutivas.

Pudera, o ministro está de licença médica desde novembro. Será que o Fantástico não sabe? Incompetência e má-fé têm limites.

Extraído do Blog do Bepe

O SUICÍDIO DA IMPRENSA BRASILEIRA - Emir Sader

A imprensa brasileira está sob risco de desaparição e, de imediato, da sua redução à intranscendência, como caminho para sua desaparição.

Mas, ao contrário do que ela costuma afirmar, os riscos não vem de fora – de governos “autoritários” e/ou da concorrência da internet. Este segundo aspecto concorre para sua decadência, mas a razão fundamental é o desprestígio da imprensa, pelos caminhos que ela foi tomando nas ultimas décadas.

No caso do Brasil, depois de ter pregado o golpe militar e apoiado a ditadura, a imprensa desembocou na campanha por Collor e no apoio a seu governo, até que foi levada a aderir ao movimento popular de sua derrubada.

O partido da imprensa – como ela mesma se definiu na boca de uma executiva da FSP – encontrou em FHC o dirigente politico que casava com os valores da mídia: supostamente preparado pela sua formação – reforçando a ideia de que o governo deve ser exercido pela elite -, assumiu no Brasil o programa neoliberal que já se propagava na América Latina e no mundo.

Venderam esse pacote importado, da centralidade do mercado, como a “modernização”, contra o supostamente superado papel do Estado. Era a chegada por aqui do “modo de vida norteamericano”, que nos chegaria sob os efeitos do “choque de capitalismo”, que o país necessitaria.

O governo FHC, que viria para instaurar uma nova era no país, fracassou e foi derrotado, sem pena, nem glória, abrindo caminho para o que a velha imprensa mais temia: um governo popular, dirigido por um ex-líder sindical, em nome da esquerda.

A partir desse momento se produziu o desencontro mais profundo entre a velha imprensa e o país real. Tiveram esperança no fracasso do Lula, via suposta incapacidade para governar, se lançaram a um ataque frontal em 2005, quando viram que o governo se afirmava, e finalmente tiveram que se render ao sucesso de Lula, sua reeleição, a eleição de Dilma e, resignadamente, aceitar a reeleição desta.

Ao invés de tentar entender as razoes desse novo fenômeno, que mudou a face social do pais, o rejeitou, primeiro como se fosse falso, depois como se se assentasse na ação indevida e corruptora do Estado. A velha mídia se associou diretamente com o bloco tucano-demista até que, se dando conta, angustiada, da fragilidade desse bloco, assumiu diretamente o papel de partido opositor, de que aqueles partidos passaram a ser agregados.

A velha mídia brasileira passou a trilhar o caminho do seu suicídio. Decidiu não apenas não entender as transformações que o Brasil passou a viver, como se opor a elas de maneira frontal, movida por um instinto de classe que a identificou com o de mais retrogrado o pais tem: racismo, discriminação, calunia, elitismo.

Não há mais nenhuma diferença entre as posições da mídia – a mesma nos principais órgãos – e os partidos opositores. A mídia fez campanha aberta para os candidatos à presidência do bloco tucano-demista e faz oposição cerrada, cotidiana, sistemática, aos governos do Lula e da Dilma.

Tem sido a condutora das campanhas de denúncia de supostos casos de corrupção, tem como pauta diária a suposta ineficiência do Estado – como os dois eixos da campanha partidária da mídia.

Certamente a internet é um fator que acelera a crise terminal da velha mídia. Sua lentidão, o fato de que os jovens não leem mais a imprensa escrita, favorece essa decadência.

Mas a razão principal é o suicídio politico da velha mídia, tornando-se a liderança opositora no pais, editorializando suas publicações do começo ao final, sendo totalmente antidemocráticas na falta de pluralismo sequer nas paginas de opinião, assumindo um tom golpista histórico na direita brasileira.

Caminha assim inexoravelmente para sua intranscendência definitiva. Faz campanha, em coro, contra o governo da Dilma e contra o Lula, mas estes tem apoio próximo aos 80%, enquanto irrisórias cifras expressam os setores que assimilam as posições da mídia.

Uma pena, porque a imprensa chegou a ter, em certos momentos, papel democrático, com certo grau de pluralidade na história do pais. Agora, reduzida a um simulacro de “imprensa livre”, ancorada no monopólio de algumas famílias decadentes, caminha para seu final como imprensa, sob o impacto da falta de credibilidade total. Uma morte anunciada e merecida.

Extraído do sítio Carta Maior

GLOBO DIZ QUE VENEZUELA DESMORALIZA O MERCOSUL


Jornal dos Marinho, que foi contra a suspensão do Paraguai, quer tratamento idêntico para a Venezuela, em função do adiamento da posse de Hugo Chávez

247 - A cláusula democrática que serviu para suspender o Paraguai, depois da deposição de Fernando Lugo, também deveria ser usada pelo Mercosul para suspender a Venezuela. É o que argumenta o jornal O Globo, em editorial. Leia abaixo:

Venezuela desmoraliza Mercosul

País infringe cláusula democrática com expedientes chavistas para adiar a posse do presidente enfermo e deixa aliados em situação delicada

Não podia ser mais digna de regime autoritário a falta de transparência com que o chavismo lida com a doença do chefe máximo, internado em Cuba para a quarta cirurgia devido a um câncer. Impressionam as fórmulas mirabolantes que os mais próximos a Hugo Chávez apresentam para contornar o “estorvo” de a Constituição da Venezuela determinar para o dia 10, quinta-feira, a posse para um terceiro mandato de seis anos, diante da Assembleia Nacional (Congresso).

Segundo a Carta, se o eleito não puder se apresentar ao Congresso na data indicada, deverá fazê-lo diante do Supremo Tribunal de Justiça, sem especificar data ou local. É nisto que se baseia o politiburo chavista para alegar que a posse pode ser feita “no futuro”, diante do órgão máximo do Judiciário.

O agravamento da doença de Chávez explodiu no colo do pequeno grupo que ocupa os postos-chave em torno do comandante. É o que acontece com todos os modelos políticos construídos ao redor do culto à personalidade e à concentração de poder em torno do chefe único, onisciente e onipotente. É da própria natureza desses regimes a tentação de não obedecer regras de troca de comando, na vã suposição da “imortalidade” de seu líder.

O máximo que conseguem é adiar o desfecho, ganhando tempo para negociar internamente a sucessão, ou para que a luta intestina aponte um vencedor. Enquanto isto, o líder agonizante é mantido vivo à custa de aparelhos, ou a notícia de sua morte é adiada tanto quanto possível.

Antes de partir para Havana, Chávez indicou o vice-presidente Nicolás Maduro como substituto. Ele assume se o presidente morrer antes do dia 10 (para completar o mandato). Mas Maduro tem um rival muito forte em Diosdado Cabello, recém-eleito presidente da Assembleia, que assumiria após o vice completar o mandato, com a missão de convocar eleições em 30 dias. A tentativa de adiar a posse, via artifícios sem base legal, cheira a golpe. Que teria sido gestado numa reunião entre os altos dirigentes do chavismo e Raúl Castro, em Havana.

Não espanta o governo brasileiro enviar o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, para acompanhar o que se passa em Havana. Afinal, o Brasil foi o principal avalista do ingresso da Venezuela no Mercosul, em estranha manobra: a Unasul e o Mercosul consideraram, com extrema rapidez, o impeachment de Fernando Lugo pelo Congresso paraguaio um “golpe de estado”, e suspenderam o Paraguai, com base na cláusula democrática. Explica-se: o Paraguai era o único obstáculo à adesão plena da Venezuela ao Mercosul.

Como o Brasil e demais membros do Mercosul e Unasul procederão agora que os chavistas querem passar por cima da Constituição venezuelana e adiar a data da posse de Chávez? Não aplicarão o mesmo tratamento dado ao Paraguai. Afinal, aquele episódio demonstrou que a cláusula democrática foi na prática revogada, para a desmoralização das duas alianças.

Extraído do sítio Brasil 247

08 janeiro 2013

NOBLAT E OS GOLPISTAS DA VENEZUELA - Altamiro Borges


A mídia colonizada torceu pela morte de Hugo Chávez antes das eleições presidenciais de outubro passado. Frustrada, ela apostou na vitória do ricaço Henrique Capriles, mas também se deu mal. Na sequência, ela previu que o chavismo seria derrotado nas eleições locais de dezembro, mas os partidários da “revolução bolivariana” venceram em 20 dos 23 estados. Agora, ela volta a torcer pela morte de Chávez, que se trata de um câncer em Cuba. Um dos mais histéricos neste coro macabro é Ricardo Noblat, do jornal O Globo.

Em seu blog hoje, ele afirma que “tem golpe em marcha na Venezuela”. Noblat garante que Hugo Chávez já era! “São aparelhos que ainda o mantém vivo. A hipótese de sua recuperação é remota. Só cogitam dela os que acreditam em milagres”, afirma o colunista, talvez com base em informes do serviço secreto dos EUA. Metido a constitucionalista desde o julgamento do “mensalão petista”, Noblat prega, então, que sejam convocadas novas eleições presidenciais no país vizinho. “É o que manda a Constituição”, esbraveja.

A Constituição da Venezuela, uma das mais democráticas do mundo – que prevê até referendo revogatório do mandato presidencial –, afirma que na “impossibilidade” de posse do mandatário, novas eleições deverão ser convocadas num prazo de 30 dias pelo Congresso Nacional. Os chavistas informam que o líder bolivariano está em recuperação e que nada impede que a sua posse seja adiada por alguns dias. A própria oposição direitista já admite o adiamento. Noblat, porém, não concorda. É mais realista do que o rei.

Para o serviçal da família Marinho, Chávez é um “presidente que governa como ditador” e um “ditador que governa como presidente”. Daí sua torcida macabra. “Chávez estaria destinado a se eternizar na presidência se não fosse o câncer descoberto em meados do ano passado”. Por isto ele exige que a posse deve ocorrer na próxima quinta-feira, dia 10. Caso contrário, garante, estará em marcha “um golpe na Venezuela”, que “nada tem a ver com a oposição. Que é fraca, fraquinha, e sem imaginação. Como a nossa”.

A “revolução bolivariana” já enfrentou e derrotou vários “golpes midiáticos” – como o de abril de 2002 e o locaute patronal de 2003. Hugo Chávez foi eleito e reeleito com consagradoras votações. Mesmo assim, Ricardo Noblat e outros “calunistas” amestrados da mídia colonizada insistem em chamá-lo de “ditador” e “caudilho”. Agora, o serviçal da famiglia Marinho acusa os chavistas de golpistas. Haja “imaginação”. Na falta de votos para as suas teses elitistas, a mídia golpista torce pelo câncer.

Extraído do Blog do Miro