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17 abril 2013

MADURO SAI DA DEFENSIVA E CRITICA CAPRILES E EUA - Jonatas Campos e Vinicius Mansur

Em três pronunciamentos feitos em cadeia de rádio e televisão em horários diferentes, presidente eleito da Venezuela afirmou que vai usar ‘mão dura contra o fascismo’. Ele avisou que seu governo não reconhecerá governadores que o considerem ilegítimo – Capriles governa Miranda – e acusou os EUA, um dos poucos países que não reconheceram sua vitória – de financiar a oposição.


Caracas – O presidente recém-eleito da Venezuela, Nicolás Maduro, aumentou o tom e partiu para o ataque no debate político por todo o dia de hoje (16). Em três pronunciamentos feitos em cadeia de rádio e televisão em horários diferentes, Maduro afirmou que vai usar “mão dura contra o fascismo” e proibiu uma marcha chamada pelo candidato derrotado Henrique Capriles Radonski para esta quarta-feira (17). O chavista ainda avisou que seu governo não vai reconhecer governadores que o considerem ilegítimo. Capriles é governador do Estado de Miranda.

Maduro também acusou a embaixada norte-americana de estar financiando a oposição. O governo dos Estados Unidos é um dos únicos das Américas que aderiu à campanha da oposição de pedir a recontagem dos votos. Ele anunciou medidas de segurança para o sistema elétrico do país que, segundo ele, vem sofrendo inúmeras tentativas de sabotagem.

Na segunda-feira (15), Capriles pediu nas redes sociais que seus seguidores "descarregassem sua raiva" ante a proclamação do presidente Nicolás Maduro no Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e convocou um “panelaço” para as 20h da noite. Como resultados dos protestos desde ontem à noite, o governo afirma que ocorreram setes mortes perpetradas por ataques de pessoas ligadas à oposição. 

“Agora estão planejando uma marcha ao centro de Caracas. Não vamos permitir. Vocês não vão para lá enchê-lo (o centro) de morte e sangre, não vou permitir que façam o que querem fazer. Vou usar a mão dura contra o fascismo e a intolerância, então digo, se querem me derrubar, venham para mim, aqui estou com o povo e uma Força Armada, seu burguês”, asseverou Maduro em uma inauguração de um centro de saúde.

Já a tarde, em um evento com trabalhadores da Petróleos da Venezuela (PDVSA), o presidente eleito acusou a embaixada dos Estados Unidos de financiar os atos de violência e alcunhou o seu opositor como o “novo Carmona", referindo-se ao empresário Pedro Carmona, que liderou o golpe fracassado contra o presidente Hugo Chávez em abril de 2002.

Em sua terceira aparição, já inaugurando um hospital no Estado Aragua, a algumas horas de Caracas, Maduro disse não reconhecer Capriles como governador o chamou os chavistas a protestar em favor do governo. “Chamo a todo o povo chavista, nacionalista e patriota, para isolar os golpistas. Não venha agora a disfarçar-se de pacifista. Não confundam nossos anseios de paz com debilidade”, disse o presidente em franco ataque.

Capriles

Por sua vez, Capriles desistiu de realizar a marcha e acusou o governo de estar por detrás dos episódios de violência. “Amanhã não vamos nos mobilizar, peço aos meus seguidores que se recolham. Amanhã ninguém vai. Quem sair está ao lado da violência. O governo quer que haja mortos no país”, acusou em coletiva de imprensa.

O oposicionista sustentou que “informações de inteligência” vindas das Forças Armadas revelaram que o governo pretendia infiltrar pessoas na marcha desta quarta-feira (17). “O governo quer através da violência que não se fale do assunto pelo qual estejamos aqui”, disse, referindo-se a sua demanda de recontagem de 100% dos votos.

Na coletiva, Capriles apresentou denúncias de irregularidades ocorridas no pleito de 14 de abril. Segundo o opositor, 535 máquinas de votação estariam danificadas; testemunhas da oposição teriam sido retiradas de 283 centros de votação; haveria mais de 600 mil falecidos nas listas de votantes; em 1176 centros, Maduro teria tido mais votos do que Chávez; em 564 centros eleitores teriam sido acompanhados irregularmente até a urna; toldos vermelhos do partido de Maduro (PSUV) estariam irregularmente próximos a 421 centros; motoqueiros teriam amedrontado eleitores em 397 centros.

Capriles ainda apresentou supostas listas de votantes e ata de verificação cidadã de uma mesma mesa de votação, no estado de Trujillo, onde haveria 181 votos a mais na ata do que pessoas na lista. Em tom de denúncia, Capriles também afirmou que pessoas com mais de 100 anos votaram.

A despeito da grita da oposição, Maduro reafirmou que não há necessidade de recontagem dos votos, visto que o sistema eleitoral venezuelano já prevê uma auditoria de 54% das caixas onde os votos são depositados depois de fechadas as mesas. A maior parte dos países das Américas já reconheceu a vitória de Maduro, entre eles, Brasil, Argentina, Equador, México, Bolívia, Colômbia, Peru, Uruguai, Haiti, Cuba, Guatemala e Nicarágua.

Extraído do sítio Carta Maior

HÁ CENSURA NO BRASIL, SIM - Eduardo Guimarães


No último sábado, fui um dos palestrantes em um encontro de blogueiros em Curitiba. A “mesa” de debates de que participei teve como tema “Comunicação e Democracia”. Como disse na oportunidade, aqui no Brasil uma sempre foi usada contra a outra.

Há quase sessenta anos, um presidente da República deu um tiro no peito por causa da comunicação. Dez anos depois, a comunicação pediu, tramou, ajudou a instalar e, depois, a sustentar uma ditadura sangrenta que durou duas décadas.

Nesta semana, a comunicação no Brasil trata de censurar fatos em um país fronteiriço que, por ser o maior produtor de petróleo do planeta, encerra importância geopolítica e econômica de tal magnitude que atrai os olhares do mundo.

Sob a batuta dos Estados Unidos, a comunicação brasileira trata a política interna da Venezuela à base de omissões e distorções dos fatos ou, simplesmente, à base da mais legítima censura.

Antes de prosseguir, há que contextualizar os fatos.

A vitória apertada do presidente recém-eleito do país vizinho não difere, por exemplo, da que – graças a Deus – obteve Barack Obama nos Estados Unidos em novembro do ano passado, quando derrotou o republicano Mitt Romney por margem tão apertada quanto o venezuelano Nicolás Maduro derrotou o adversário Henrique Capriles – Obama obteve 2,3 pontos de vantagem e Maduro, 1,75 ponto.

Embora os EUA ou a mídia brasileira não tenham pedido recontagem dos votos nos Estados Unidos só porque a vitória de Obama não foi mais ampla, ambos põem em suspeição a eleição venezuelana apesar de o sistema eleitoral do país sul-americano ser mais confiável do que o do país norte-americano.

Até aí, política é política e o debate público, por si só, dá conta de pôr os pingos nos is. O problema é quando um comportamento literalmente fascista dos derrotados na Venezuela, que não querem aceitar a derrota, conta com a cumplicidade da imprensa brasileira.

Os venezuelanos saberão resolver seus problemas, espera-se. Mas o nosso talvez seja pior do que o deles, pois na Venezuela a censura se tornou impossível devido à pluralidade da comunicação, que há para todos os gostos.

O comportamento dos derrotados na Venezuela vem sendo criminoso. Capriles, inconformado com a derrota, exortou seus seguidores a irem às ruas protestar contra uma vitória que, até prova em contrário, foi legítima como a de Obama no ano passado.

Sendo condescendente, pode-se aceitar que Capriles tenha perdido o controle de seus seguidores e que os atos de violência que desencadearam por toda Venezuela entre a madrugada de segunda-feira e a manhã de terça não tenham sido orquestrados por ele.

Aliás, ao recuar da manifestação que convocara para esta quarta-feira, o candidato derrotado parece ter percebido que sua exortação aos seus seguidores poderia leva-lo às barras da lei, porque sua primeira convocação teve como saldo, até agora, sete mortos e incontáveis atos de vandalismo por toda a Venezuela.

Uma onda de vandalismo e violência tomou o país vizinho. Sete seguidores de Nicolás Maduro foram assassinados nos estados Zulia, Táchira e em Caracas, e 61 pessoas ficaram feridas, algumas com gravidade.

Ao todo, nove estados reportaram agressões de variados tipos. A mais macabra, porém, foi a de um seguidor de Maduro que foi queimado vivo.

Segundo relatos do governo venezuelano, os assassinados tentaram defender unidades dos programas sociais Pdval, CDI e Mercal, que oferecem de atendimentos de saúde por médicos cubanos a venda de alimentos por preços mais baratos que os do comércio.

Segundo relatos do governo venezuelano, os estados atingidos pela onda de violência foram Caracas, Carabobo, Miranda, Barinas, Mérida, Lara, Táchira, Sucre e Zulia. Os primeiros ataques de seguidores de Capriles foram aos CDIs, centros de atendimento médico.

Os CDIs são dirigidos por médicos cubanos e até pacientes teriam sido atacados.

Há relatos, também, de ataques a tevês e rádios comunitárias simpatizantes do governo. As tevês estatais Venezolana de Televisión (VTV) e Telesur foram cercadas pelas hordas oposicionistas e só não as atacaram porque a polícia interveio.

Várias sedes do partido do governo, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), teriam sido depredadas e incendiadas. Praças públicas e pontos de ônibus teriam sido destruídos. Entregas de alimentos nos mercados do governo teriam sido impedidas e a mercadoria roubada pela horda ensandecida.

O governo venezuelano e incontáveis matérias nas tevês estatais reportam que tudo que tivesse o logotipo do governo era atacado pelos que, alegadamente, foram às ruas, sob instigação de Capriles, para promover um “panelaço pacífico”.

As redes estatais inclusive mostraram imagens de depredação nos centros médicos do estado Miranda, governado por Capriles, identificando-os como sendo os de La Limonera e de Trapichito. Esses ataques teriam resultado em 3 mortos que tentaram defender as instalações.

Outros relatos dão conta de ataques no estado Carabobo, na cidade de Valencia – onde este blogueiro esteve várias vezes a trabalho. Lá, oito centros médicos teriam sido atacados e um deles, incendiado.

Os mortos têm até nome. Um deles é o dirigente do PSUV Henry Rangel. No estado Zulia, outro militante do PSUV foi assassinado diante da sede do Conselho Nacional Eleitoral, quando os seguidores de Capriles ali protestavam e a vítima os xingou. Em Caracas, o militante do PSUV Luis Ponce também foi assassinado enquanto tentava defender o centro médico de La Limonera.

Aliás, o uso do condicional, aqui, é mera formalidade, pois a Telesur mostrou imagens de depredações ao longo da última terça-feira e 135 agressores foram presos em flagrante.

Se quiserem argumentar que é tudo invenção do governo, as imagens e as centenas de testemunhas provam que violência houve. Podem, então, argumentar que foi o governo que pôs hordas nas ruas para praticarem violência e pôr a culpa na oposição, mas há gente presa em flagrante, acusada de assassinatos e, segundo o governo, com filmagens e fotos das agressões.

Seja como for, haverá tempo de sobra para deslindar esses ataques. E a extensa cobertura de redes de televisão e jornais internacionais facilitará ainda mais o esclarecimento desses fatos.

O que não se pode aceitar, porém, é que fatos dessa gravidade sejam literalmente ocultados pela dita grande imprensa brasileira, que se limitou a relatar que houve “choques” com “7 mortos” na Venezuela por ação “dos dois lados”.

Não há relatos de ataques promovidos pelo governo, não há depredações de sedes de partidos de oposição, não há um só nome de um morto da oposição, não há uma só imagem em foto ou vídeo de governistas praticando violência ou vandalismo.

O Jornal Nacional, em sua edição de terça-feira, ocultou tudo isso. A Folha de São Paulo, na edição desta quarta-feira, não dá um só detalhe sobre as vítimas fatais e sobre os atos dos oposicionistas. Os outros grandes meios de comunicação brasileiros fizeram exatamente o mesmo.

O público desses veículos não sabe um dado crucial: todos os assassinados são governistas. Todos.

Há corpos, há nomes dos corpos e nenhum deles é da oposição. Há sedes do partido do governo e unidades de programas sociais do governo depredados e basta ir a eles e comprovar.

Inclusive, o mero exercício da lógica permite entender que o governo não teria por que promover uma farsa dessa magnitude, pois venceu a eleição. A quem interessa o caos? Aos que perderam, claro. Ao governo interessa a tranquilidade diante do resultado.

Grupos de mídia como Organizações Globo, Grupo Folha, Grupo Estado, Editora Abril vivem acusando quem pede regulação da mídia, sobretudo o PT, de quererem “censura”. A crise na Venezuela, porém, mostra quem não apenas quer, mas pratica censura no Brasil.

Extraído do Blog da Cidadania

16 abril 2013

OLIVER STONE: "LAS MENTIRAS Y DISTORCIONES SOBRE VENEZUELA SON UMA VERGÜENZA"

“Venezuela es el principal blanco de los medios de EEUU y del Departamento de Estado”, ha declarado el legendario director de cine estadounidense en una proyección especial de su película sobre el fallecido líder bolivariano Hugo Chávez.


El cineasta estadounidense, cuya película ‘Al Sur de la Frontera’ (2009) intenta mejorar la imagen de Chávez en EEUU, lamenta que la prensa occidental continúe tratando de desacreditar a Chávez, lo que -considera- “es una espina clavada en la democracia”.

“Siendo neoyorquino y leyendo durante mucho tiempo el diario ‘The New York Times’ aún estoy sorprendido por lo negativo que han sido estos artículos durante tanto tiempo”, dijo Stone, destacando que duda que haya habido tanta cobertura negativa sobre algunos de los peores regímenes del mundo. “Dudo que Adolf Hitler consiguiera una cobertura similar en Alemania. Estas mentiras y distorsiones son una vergüenza para ellos, es una desgracia”, espetó.

Respecto a la situación en Venezuela en vísperas de las elecciones presidenciales de este 14 de abril, Oliver Stone considera que “las acciones encubiertas que están ocurriendo en Venezuela son alarmantes”. “No quisiera estar en los zapatos de Nicolás Maduro. No me gustaría ser él porque está en un nuevo foco de atención”, declaró el cineasta.

“No pueden ir a por él personalmente, pero es una situación muy escalofriante para heredar este poder gigantesco, explicó Stone, enfatizando que “este es un momento difícil para Venezuela y espero que la gente esté muy unida”.

El cineasta piensa que, aun ganando Maduro las elecciones, “habrá igualmente una gran presión desde el exterior por el suministro de petróleo de Venezuela”. “Habrá más reacciones e historias. Venezuela es muy importante para EEUU y toda América Latina”, concluyó.

A un día de las presidenciales la calma reina en Venezuela. El domingo casi 19 millones de venezolanos acudirán a las urnas para decidir el futuro de la Venezuela post-Chávez. Entre los favoritos se encuentran el socialista Nicólas Maduro y el candidato opositor Henrique Capriles, al que Maduro aventaja en la mayoría de las encuestas.

Extraído do sítio Libre Red

15 abril 2013

VITÓRIA APERTADA DE MADURO DEVE GERAR CRISE POLÍTICA NA VENEZUELA - Eduardo Guimarães


Na noite do último domingo, as redes sociais ferviam enquanto o mundo aguardava o resultado da apuração da eleição presidencial na Venezuela. Ao longo da apuração foram surgindo boatos de que, pela primeira vez desde 1998, a diferença entre o candidato “bolivariano” e o seu principal adversário seria apertada.

Após a divulgação do resultado pelo Conselho Nacional Eleitoral venezuelano, sabendo da diferença menor do que 2% com que Nicolás Maduro derrotou a Henrique Capriles foi possível entender a retórica do oposicionista e de seus aliados ao longo da apuração.

A oposição, enquanto os votos eram contados, começou a divulgar acusações de fraude eleitoral por obra do governo, apesar de reconhecer a solidez do sistema venezuelano de votação, que, como o do Brasil, utiliza urnas eletrônicas.

Pela primeira vez, em mais de 14 anos, pode-se dizer que a Venezuela está literalmente dividida. Assim, não se poderá negar à oposição o seu direito inquestionável de pedir recontagem dos votos.

Não chega a ser um fenômeno que um candidato que encarna a herança de Hugo Chávez, mas que não é ele, tenha vencido por margem tão apertada. Entretanto, uma oposição que já apelou a tentativa de golpe por certo não deverá aceitar o resultado.

Em seu discurso logo após o anúncio do resultado da eleição, Maduro, em lugar de comemorar e falar do futuro, bradava pela aceitação daquele resultado, permitindo ver que já sabe do que vem por aí.

Haverá uma tentativa da oposição de paralisar o país não aceitando a vitória de Maduro nem com recontagem dos votos, pois os resultados da justiça venezuelana vêm sendo desacreditados por ela, como quando decretou a permanência de Maduro no cargo de presidente após a morte de Chávez.

O mais preocupante, em um quadro como esse, é a manutenção da paz social no país vizinho. Já surgem boatos de confrontos entre opositores e governistas. Os derrotados podem simplesmente sustentar as acusações de fraude e, assim, incentivarem a radicalização de parte a parte, o que já foi feito em 2002, com os resultados trágicos que se conhece.

O estímulo à radicalização em 2002 gerou dezenas de mortes e centenas de feridos em choques pelas ruas de Caracas. Agora, o quadro que brotou da eleição de domingo propicia a retomada do ímpeto golpista da direita midiática venezuelana. E o pior: tal ímpeto pode se propagar como fogo pela América Latina.

Extraído do Blog da Cidadania

MADURO VENCE ELEIÇÕES NA VENEZUELA, OPOSIÇÃO PEDE RECONTAGEM DE VOTOS - Anastasia Gubin

Novo mandatário governará diante de uma crescente força de oposição.

Nicolás Maduro, o presidente recém-eleito da Venezuela, após o resultado das eleições em Caracas em 14 de abril de 2013 (Luis Acosta/AFP/Getty Images)

Nicolás Maduro venceu a eleição presidencial de domingo na Venezuela com 50,56% dos votos, enquanto Henrique Capriles, o candidato da oposição da Mesa da Unidade, teve 49,07%.

A presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, disse que 7.505.338 votos foram a favor de Maduro e 7.270.403 votos a favor da Capriles, o que corresponde à participação de 78,71% dos eleitores, com contagem de 99,12%, segundo a Globovisión.

Durante o boletim eleitoral, apresentado após 23h, Lucena disse que “tendo em vista esses resultados tão justos”, ela falou com os dois candidatos, no entanto, esclareceu que eles “mostram uma tendência irreversível”, o que favoreceria Maduro.

Os resultados indicam que o sucessor de Hugo Chávez governará enfrentando uma força crescente de oposição. Capriles alcançou 44,31% dos votos nas últimas eleições de outubro de 2012, indicando um aumento de 5% em popularidade.

Em seu discurso, Nicolás Maduro expressou diante de seus seguidores no Palácio Miraflores que “é uma batalha” que ele havia ganhado, segundo a Globovisión.

Mas também alertou sobre interferências no setor eletrônico. “Hoje, capturamos uns colombianos com dispositivos eletrônicos e amanhã os apresentaremos”, disse Maduro.

Maduro também comentou que a presidente argentina Cristina Fernandez esteve aguardando os resultados durante todo o dia.

Capriles não reconhece os resultados

Henrique Capriles disse publicamente que não reconhece os resultados até que se abram as urnas e contem os votos. A Venezuela é baseada num sistema eletrônico.

“Não reconheceremos um resultado, até que se conte cada voto venezuelano”, disse Capriles, segundo o El Universal, referindo-se ao boletim do CNE, que anunciou Maduro como o vencedor.

Por sua vez, Capriles afirmou que são falsas as afirmações de Maduro após estes resultados, em que ele teria telefonado pedindo para fazer um pacto.

“Em conversa com o governo, dissemos que tínhamos um resultado diferente do expressado nesta noite e que nós, em nome da democracia, da paz e do compromisso que temos com a Venezuela, queremos que se faça uma auditoria, porque estamos falando de uma diferença muito pequena”, disse Capriles, segundo o El Universal.

“Eu não pactuo com mentiras nem com a corrupção”, acrescentou ele. “Começo assim, pois ouvi um discurso falando de um pacto. Não pactuo com a ilegitimidade, com aqueles que considero ilegítimos”, disse Capriles.

Num discurso público, Nicolás Maduro disse, “recebi um telefonema [de Henrique Capriles] e conversamos [...] ele me propunha enviar seus chefes de campanha para fazer um pacto, eu disse que não.”

Por sua vez, Maduro afirmou que não se opunha a auditoria dos votos e afirmou, “O maior interessado numa auditoria somos nós. Peço a CNE que faça uma auditoria”, informou a Globovisión.

Extraído do sítio The Epoch Times

VITÓRIA APERTADA, MAS VITÓRIA - Gilberto Maringoni


Os próximos dias e semanas serão um duro teste para o presidente Nicolás Maduro. Terá de enfrentar uma direita interessada em desestabilizá-lo e um cerco midiático avassalador. A situação obrigará também a uma reflexão e redefinição dos rumos e ritmos da ação governamental.

UM

O resultado: 50,66% para Nicolas Maduro e 49,07% para Henrique Capriles. Em números absolutos, 7.505.338 contra 7.270.403 de votos, diferencia de 234.935 sufrágios. Mínima, mas real. 

Democracia é assim, quem tem mais votos leva, mesmo que seja 50% mais um.

Numa ditadura, isso não é possível. Ditaduras prescindem do outro lado e da oposição. Maduro venceu apertado, mas venceu. Na ponta do lápis, a questão está resolvida: o chavismo continua sem Chávez.

Mas o resultado tem de ser examinado além das planilhas. 

DOIS

O governo não estava preparado para essa diferença. Possivelmente Capriles – que cogitou não concorrer, logo após a morte de Chávez – também não. 

Os chavistas avaliaram que dariam uma lavada na oposição, repetindo ou aumentando a diferença de 12% (56 a 44%) das eleições de outubro, quando Capriles enfrentou Chávez em sua última disputa.
 
Agora, o governo contava com o clima emocional disseminado no país, após a morte do Comandante, e os inegáveis avanços sociais de seu governo. 

Pesavam contra a situação a persistência da inflação, da violência e a burocracia estatal a prejudicar o desenvolvimento dos serviços públicos. Não são problemas criados pelo chavismo, mas que continuaram nos últimos anos.

TRES

Havia certa tensão no ar nos jardins do palácio de Miraflores na noite quente deste domingo, em Caracas. As ruas estavam desertas e praticamente não havia bares ou restaurantes abertos. Cerca de duas mil pessoas aglomeraram-se ä espera do resultado oficial do Conselho Nacional Eleitoral, que seria projetado em um telão.

Eram quase 23 h quando o órgão, anunciou a totalização. 

O clima foi de espanto geral. A expectativa de um passeio não se concretizara.

Cinco minutos depois, um locutor anuncia a presença de Maduro. 

QUATRO

Maduro estava visivelmente na defensiva. Em 43 minutos, reafirmou varias marcas da campanha, denunciou planos desestabilizadores, exaltou Chávez, a Constituição e justificou o resultado eleitoral, citando a vitória de George W. Bush, em 2000. Lembrou que naquele processo – turvado por somas contraditórias em varias regiões da Flórida.- a diferencia fora também mínima. Chamou os presentes a cantar o hino nacional, voltou a denunciar a desestabilização, falou do socialismo, da democracia “protagônica”, alertou a oposição de que não deveria contestar a voz das urnas e tornou a falar de Chávez. 
Não parecia haver roteiro prévio. 

CINCO

Cotejando o resultado final com as pesquisas de dez dias atrás – as últimas que puderam ser divulgadas -, pode-se constatar que o candidato situacionista viu uma margem de até 12% de diferencia apertar-se para 1%. Ou seja, Maduro estaria em queda e Capriles em ascensão. A derrota era um risco real para o governo, não considerada como hipótese séria em alguns de seus círculos.

SEIS

Henrique Capriles faz o que qualquer candidato em sua situação faria: esperneia. Pede recontagem dos votos e diz não reconhecer o resultado. Ficou por vários minutos na televisão, em coletiva com a equipe de campanha, a dizer que “o grande derrotado foi Maduro”, numa evidente forçação de barra.

Se Maduro não sair da defensiva, a argumentação de Capriles pode prosperar. A imprensa – venezuelana e internacional – aumentará o cerco, buscando deslegitimar o mandato do novo presidente. Não lhe dará folego algum.

SETE

As falas de Maduro na campanha – corretamente – se apoiaram no legado de Chávez e na história de seus mandatos, com especial destaque para o golpe de 2002. É importante, mas o presidente pouco comenta do futuro, dos planos, dos projetos. Tem seu farol apontado para trás, o que pode dificultar a criação de uma imagem própria para a população.

OITO

Em abril de 2002, três semanas após o golpe, vim pela primeira vez a Venezuela. No hotel em que me hospedei, perguntei a uma camareira como estava o país. Ela respondeu: “Quiseram quitar Chávez, pero no conseguiram. Chávez és nuestro y por iso no lo quierem”. A frase me espantou pela síntese. Os pobres queriam seu líder. 

Corte. Onze anos depois, chego ao hotel onde estou hospedado na capital venezuelana. Pergunto ao rapaz que leva minha bagagem até o quarto em quem ele votaria. “Em Capriles, claro! Hay que cambiar”.

Entre os mais de sete milhões de votantes em Capriles, a maioria seguramente é constituída por pobres. 

Olhando as planilhas de outubro passado, uma conclusão inicial pode ser feita, lembrando que Chávez teve 8.191.132 votos e Capriles 6.591.304.

Em seis meses, a oposição ganhou cerca de 680 mil votos, enquanto o governo perdeu ao redor de 700 mil. Pode ter havido uma migração de um lado para o outro.

Saber onde e porque isso aconteceu é vital para a continuidade e estabilização do governo Maduro.

NOVE

Os próximos dias e semanas serão um duro teste para o presidente Nicolás Maduro. Terá de enfrentar uma direita interessada em desestabilizá-lo e um cerco midiático avassalador. A situação obrigará também a uma reflexão e redefinição dos rumos e ritmos da ação governamental.

Por fim, há algo não pode ser colocado em xeque: Maduro ganhou.
Leva.
Democracia, como já dito, é assim.

Extraído do sítio Carta Maior

14 abril 2013

MEIOS DE COMUNICAÇÃO OPOSITORES AINDA SÃO MAIORIA 11 ANOS APÓS GOLPE CONTRA CHÁVEZ - Marina Terra

Em abril de 2002, canais de TV, jornais e rádios da oposição chegaram a fabricar notícias para derrubar o governo.

Eram cinco horas da manhã de 14 de abril de 2002. Hugo Chávez falava à nação pela primeira vez desde que, por meio da pressão popular e a lealdade de setores do Exército, foi resgatado da prisão após sofrer um golpe de Estado. Em seu discurso, houve um apelo especial, enfático, feito enquanto agarrava uma cruz entre as mãos. “Faço um chamado aos meios de comunicação. Por Deus! Reflitam, mas de uma vez por todas. Esse país também é de vocês (...)”.

Personagem ativa da derrubada da ordem democrática naqueles dias de abril de 2002, a mídia privada venezuelana ainda ocupa a maioria do espectro audiovisual e da imprensa 11 anos depois do golpe. E não se trata de um período qualquer da história da Venezuela. O aniversário do golpe de Estado contra Chávez acontece a pouco mais de um mês de sua morte e durante a disputa eleitoral para presidente, marcada para este domingo (14/04).

Trecho do documentário "A revolução não será televisionada":



Segundo dados do Ministério da Comunicação da Venezuela, atualmente 60% do espectro televisivo aberto é explorado por empresas privadas. Em 1998, antes da eleição de Chávez, o número chegava a 80%. Nas rádios, as redes privadas são hegemônicas, o Estado só tem uma estação com alcance nacional e três estações em localidades estaduais. As empresas também são maioria na imprensa escrita, sendo mais de 80% do total de jornais.

“Antes da chegada de Chávez ao poder havia um acordo tácito entre as corporações da informação, que são porta-vozes do poder econômico, e o Estado”, afirma o jornalista venezuelano José Roberto Duque, que trabalhou no jornal El Nacional e é autor de livros consagrados no país. “O que acontece com Chávez [no poder]? A aliança entre o Estado e os consórcios de comunicação se rompe”, explica.

A partir daquele momento, começaram os ataques. “Em um cenário no qual o poder econômico entra em conflito com um Estado que alinha com as lutas populares e a reivindicação do povo, começa evidentemente uma guerra na qual a verdade é a primeira a morrer”, diz Duque.

Reportagens exibidas em 11 de abril por canais privados:



Naquela época, as notícias começaram a ser deformadas a favor ou contra o projeto de Hugo Chávez. Enquanto alguns veículos preferiram simplesmente ignorar as declarações do governo, outros se empenharam em retratar o presidente como o líder de uma ditadura. É nessa ocasião também que o governo de Chávez cria seus meios de comunicação, “cujo discurso também começou a carecer de honestidade jornalística”, por produzir conteúdo que serve para defender ou elogiar o governo.

Em 2001, um conjunto de 49 leis habilitantes, que incluíam a lei de terras e hidrocarbonetos, detona o golpe, conforme analisa o jornalista Ernesto Villegas – atual ministro da Comunicação – em seu livro “Abril: Golpe Adentro”. Ali é estabelecida uma investida liderada pela Fedecámaras, entidade que reúne os empresários do país, e a mídia privada. Uma grande marcha foi convocada para 11 de abril em Caracas, propositalmente revertida para os arredores da sede do governo. No dia, o El Nacional estampava na manchete “A batalha final será em Miraflores”.

O resultado foi o “massacre de Ponte Llaguno”— nome de um viaduto próximo a Miraflores –, quando franco-atiradores dispararam contra a população, deixando 19 mortos e 70 feridos. Manipulando as imagens, rapidamente a Globovisión, um dos principais canais privados, responsabilizou o governo. Naquele dia, a Venevisión dividiu sua tela com, de um lado, imagens das micro-cadeias com a versão do governo sobre os acontecimentos, e do outro, mobilizações da oposição e atos de violência, em claro desrespeito às leis de comunicação do país.

Imagens feitas pela Globovisión da Ponte Llaguno:



À noite, Chávez foi detido por militares golpistas e em 12 de abril Pedro Carmona Estanga se autojuramentou como presidente da Venezuela, rasgando a Constituição e dissolvendo todos os poderes. Os meios de comunicação privados se ocuparam em legitimar o governo de facto, enquanto Chávez seguia preso.

De acordo com o livro Dias de Aluvião, editado por Federico Ruiz Tirado no ano passado, entre janeiro e abril de 2002, a distribuição de espaço na imprensa privada foi estatisticamente desequilibrada. Foram avaliados os jornais El Universal, El Nacional, Últimas Notícias, 2001 e Tal Cual. Cinquenta e cinco por cento da superfície redacional dava voz à oposição, enquanto 20% a Chávez e 16% ao governo.

Oitenta e cinco por cento dos termos negativos foram usados para qualificar o chavismo com frases como “comunistas” e “círculos violentos”. Os outros 15%, utilizados para adjetivar a oposição incluíam menções como “esquálidos”, “fascistas” e “golpistas”. Já os termos positivos formavam 70% das qualificações dos opositores, com termos como “povo pacífico” e “sociedade democrática”, enquanto do lado oficialista se lia “manifestantes” e “camaradas”.

Naqueles meses, 80% das primeiras páginas dos jornais falavam da oposição. Quanto ao tratamento gráfico dos líderes políticos, 38% era dedicado a Carmona, 37% ao líder opositor Carlos Ortega, e somente 25% a Chávez.

Capas dos principais jornais privados venezuelanos em 11 de abril de 2002, data em que Chávez foi deposto após golpe de Estado

“Nos primeiros sete, oito anos de Chávez”, afirma Duque, se tornou impossível fazer jornalismo na Venezuela. “Todos tinham algo a dizer, contra ou a favor, mas ninguém quis fazer um jornalismo limpo, equilibrado, e isso se prolonga até hoje. É impossível fazer um exercício imparcial ou mais ou menos objetivo do jornalismo”, diz. Para ele, inexiste um compromisso com a credibilidade no país. “A quebra aconteceu em 2002”, salienta.

Hoje em dia, canais como a Globovisión, uma espécie de porta-voz da oposição, dizem ser perseguidos pelo governo, citando multas e acusações. Presidida por Guillermo Zuloaga, foragido da Justiça desde 2010, a Globovisión acumula processos judiciais, o mais recente por omitir em seus programas jornalísticos partes da Constituição ao noticiar o tema da posse de Chávez em 10 de janeiro desse ano.

Além disso, o caso RCTV (Radio Caracas de Televisão) segue sendo interpretado pela oposição como um violento atentado à liberdade de imprensa no país. Frequentemente campanhas pedem o retorno do canal, um dos mais populares na Venezuela até ser fechado, em 2007. Apesar de o governo dizer que na época decidiu utilizar o espectro ocupado pela RCTV para outra finalidade, para opositores essa decisão seria castigo pela participação da emissora no golpe contra Chávez em 2002.

Redes sociais

O apagão midiático ao qual a população venezuelana foi submetida naqueles dias de abril de 2002 aconteceu porque os principais meios eram controlados por opositores ao governo. Mas e se naquela época redes sociais como Twitter e Facebook – bastante populares na Venezuela – já existissem?

Segundo um estudo da consultoria espanhola IZO Innovation publicado em 2012, a Venezuela está em terceiro lugar no ranking mundial de penetração do Twitter e em sexto na América Latina em termos de horas conectadas por usuário por semana (20).

De acordo com a empresa de compilação de dados comScore, o país está em terceiro – atrás de Indonésia e Brasil – em penetração do Twitter entre usuários conectados, com 19% deles visitando o site diariamente. Ainda segundo a comScore, 86,9% dos usuários de internet venezuelanos possuem conta no Facebook, conforme dados de junho de 2011, quando a última pesquisa foi realizada.

Com o Twitter, o desenrolar do golpe na Venezuela poderia ter sido diferente, analisa Duque. “A surpresa talvez não tivesse sido tão dramática”. Para ele, porém, a internet e as redes sociais funcionam como uma ferramenta mais de um processo. “Não é uma trincheira para o ativismo. O espaço da política continua sendo as ruas.”

Ele usa como exemplo dessa reflexão um episódio emblemático que viveu em 12 de abril de 2002, quando formou parte da resistência popular nas ruas de Caracas. Logo após Carmona jurar como presidente, o jornalista estava na avenida Sucre, onde moradores construíram barricadas contra a polícia. Ninguém sabia o que havia acontecido com Chávez.

Até que um rapaz começou a distribuir alguns papeizinhos que diziam: “Hugo Chávez está sequestrado. Ele ainda é o presidente. Difundam”, conta Duque. “Eu estava com um amigo e pedi para que me desse vários, mas ele negou, porque tinha poucos. Depois seguiu compartilhando o que restava”, descreve. “Esse foi o Twitter daquele momento. Se ele existisse na época, esse homem teria feito o mesmo trabalho, mas de forma mais eficiente. Às vezes o importante não é a ferramenta tecnológica, mas a qualidade da mensagem passada”, diz.

Extraído do sítio Opera Mundi

11 abril 2013

CHAVISTAS SE PREPARAM PARA CENÁRIO EM QUE OPOSIÇÃO NÃO RECONHEÇA DERROTA - Vinicius Mansur


Candidato da oposição venezuelana se recusou a assinar junto ao órgão eleitoral compromisso com reconhecimento do resultado das urnas. Chavistas divulgam documentos que indicariam movimentação adversária para o não-reconhecimento. 

O principal candidato da oposição venezuelana, Henrique Capriles, se recusou, na última terça-feira (9) a assinar um documento do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) comprometendo-se a reconhecer o resultado da eleição presidencial que acontece no próximo domingo, 14 de abril. Durante toda sua campanha, Capriles disparou diversas críticas ao órgão eleitoral do país, acusando-o de alinhamento ao poder executivo.

Ao invés do compromisso com o CNE, Capriles assinou, durante um ato de campanha transmitido ao vivo pelo canal de televisão Globovisión, um documento que classificou como “compromisso com os venezuelanos”. No texto, o candidato afirma que cumprirá com a Constituição, mas não explicita se reconhecerá o resultado a ser anunciado pelo CNE. Em uma larga entrevista dada a TV Venevisón na noite desta quarta-feira (10), Capriles afirmou que não poderia assinar um documento proposto por um órgão que faz vistas grossas para as mais de 100 denúncias apresentadas pela oposição. Entre as denúncias, o uso do canal do estado para fazer propaganda oficialista e a coerção de eleitores para votar no chavismo.

Denúncias dos chavistas

Horas antes, o vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e presidente do Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, apresentou e-mails enviados pelo assessor de Capriles, Armando Briquet, ao especialista em auditorias eleitorais da empresa Esdata, Guillermo Salas. Neles, Briquet trata das ações a serem tomadas caso a oposição resolva não reconhecer o resultado eleitoral.

Cabello também apresentou uma interceptação telefónica, que pode ser escutada abaixo, onde um homem apresentado como motorista de Carpiles afirma a um interlocutor não identificado que o resultado eleitoral não será reconhecido em caso de derrota.


O dirigente do PSUV ainda reforçou as denúncias feitas pelo governo desde o último domingo (7) sobre a presença de mercenários de El Salvador na Venezuela. De acordo com o ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Elias Jaua, o serviço de inteligência do Estado obteve informações que um grupo ligado ao terrorista Luis Posada Carriles entrou no país, articulado com os setores da oposição com intuito de provocar desestabilizações. O governo ordenou o fechamento das fronteiras. O candidato da oposição taxou de ridículas as acusações.

Temperatura se eleva

Incidentes no sistema de eletricidade no país também contribuem elevam a tensão às vésperas da eleição. Após uma série de apagões registrados em distintas partes do país desde a semana passada, o governo ordenou a presença das Forças Armadas nas estações de energia. Desde então,17 pessoas foram presas em flagrante, incluindo funcionários da Corporação Elétrica Nacional (Corpoelec), segundo informe do chefe do Comando Estratégico Operacional da Força Armada Nacional Bolivariana, Wilmer Barrientos.

O militar também informou que 22 escolas que funcionarão como centros eleitorais no estado Bolívar, que faz fronteira com o Brasil, amanheceram sem conexão com a rede elétrica. Entretanto, garantiu que todas as medidas já foram tomadas para recupera-las e que os 13.638 centros de votação de todo país serão policiados por cerca de 140 mil homens. Barrientos também afirmou que um operativo especial protegerá a rede de telecomunicações

Também contribuíram para elevar a tensão alguns episódios violentos envolvendo militantes em campanha. Após uma reunião com as Forças Armadas, a presidenta do CNE, Tibisay Lucena, divulgou um comunicado afirmando que o país está preparado para garantir a paz e a democracia e convocou a população a não aderir a provocações. "Só aos aventureiros convém qualquer agressão ao processo. Sá a quem não tem oportunidades pela via eleitoral convém nos agredir", diz a nota.

Extraído do sítio ComunicaSul

12 março 2013

A SUSPEITA DOENÇA DE CHÁVEZ - Mário Augusto Jakobskind


A direita, em todos os quadrantes, está tentando convencer a opinião pública de que o movimento chavista está dividido. Procuram lançar dúvidas sobre o futuro da Revolução Bolivariana, que é irreversível.

A mais recente queimação foi relacionada com a dúvida lançada sobre a doença que tirou a vida de Chávez no último dia 5 de março. A única forma de desmentir ou confirmar a acusação lançada pelo Presidente interino Nicolás Maduro é investigá-la com rigor.

Nesse sentido, grupos de direitos civis nos Estados Unidos apresentaram solicitação, direito assegurado pela Lei de Liberdade de Informação, sobre dados vinculados aos supostos planos de envenenamento de Chávez.

Os responsáveis pela petição pedem à Agência Central de Inteligência (CIA), ao Departamento de Estado e à Agência de Inteligência e Defesa informações sobre a atuação das instituições no caso. São entidades respeitáveis e que se movimentam em defesa dos direitos humanos, como a organização de direitos civis Partnership for Civil Justice Fund (Fundo da Sociedade para a Justiça Civil), a organização estadunidense antibelicista ANSWER, (Coalición ANSWER) e o diário ‘Liberation Newspaper’. 

No pedido são solicitados todos os registros e documentos, incluindo correios eletrónicos, cartas, memorandos, notas, fotografías, gravações de áudio, vídeos, avaliações de inteligência, registros ou outros dados que "se relacionam ou façam referência a qualquer informação vinculada com os planos de envenenamenteo ou outras formas de assassinar o Presidente Hugo Chávez”.

Os responsáveis pela petição lembram também que o governo dos Estados Unidos conhecia e contava com informações sobre as tentativas de assassinato de líderes estrangeiros, entre os quais o comandante da Revolução cubana, Fidel Castro, o ditador dominicano Rafael Leónidas Trujillo e o que tinha sido chefe do Exército chileno, General René Schneider Chereau. A carta não só menciona o conhecimento, como a possível participação de Washington nas ocorrências.

Para os signatários da petição, o público tem necessidade urgente e imperiosa de receber informação que sustente qualquer tentativa de assassinar o presidente da Venezuela, inclusive qualquer conhecimento que tenha ou haja tido o Governo dos Estados Unidos sobre tais atividades, e, em particular, o papel que o governo estadunidense tenha podido ter nesse planos.

Reforçando essa tese, vale lembrar que em 17 de novembro de 2010 o congressista estadunidense Connie Mack, considerado então porta-voz da extrema direita republicana, discursava no Capitólio em um encontro de fascistas dizendo que o Presidente Chávez deveria ser assassinado como um cachorro. Não à toa, que Mack era vinculado à máfia cubano- americana de Miami, que tentou mais de 400 vezes matar Fidel Castro.

O Governo venezuelano também pediu uma investigação sobre as circunstâncias da doença de Chávez, especificamente se foi envenenado ou deliberadamente exposto aos elementos que provocaram o câncer. Essa informação foi divulgada pelo canal NBC News.

O governo norte-americano negou qualquer envolvimento, mas agora não basta apenas a negativa sem aprofundar as investigações.

Diante de fatos até hoje não esclarecidos, que vão desde as mais de 400 tentativas de assassinatos de Fidel Castro, inclusive com uma técnica de espalhar radiação, que não deu certo porque a tecnologia nos anos 60 não estava tão desenvolvida como hoje, a morte do líder palestino Yasser Arafat, que já não há quase dúvidas e está sendo investigada na França, os desastres aéreos que mataram o panamenho General Omar Torrijos e o equatoriano Jaime Roldós, dois dirigentes que adotavam políticas nacionalistas, a desconfiança sobre as circunstâncias da morte de Chávez precisam ser investigadas com bastante rigor.

Mesmo o Brasil não está isento de dúvidas em relação às circunstâncias da morte do Presidente João Goulart, em 1976, em sua fazenda em Las Mercedes, na Argentina. Até hoje não foi esclarecido se houve mesmo troca de remédios que levaram Jango a morrer ou não. É preciso também rigor para se esclarecer de uma vez por todas as dúvidas.

De um modo geral a cobertura dos acontecimentos na Venezuela tem sido francamente manipulada. O objetivo principal é o de convencer a opinião pública que a Revolução Bolivariana está com os dias contados. Isso não é jornalismo. É distorcer a história.

Mas de alguma forma mesmo que se confirme que a morte de Chávez foi provocada, o tiro saiu pela culatra, porque o povo nas ruas reafirma que a Venezuela nunca mais voltará a ser uma colônia estadunidense, como era antes de dezembro de 1998 quando da primeira eleição do líder bolivariano.

Extraído do sítio Direto da Redação

"DILMA E CRISTINA DEVEM ERGUER MURO CONTRA GOLPISTAS" - Dario Pignotti


À Carta Maior, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães fala sobre as incertezas políticas no continente após a morte de Hugo Chávez. Para ele, Brasil e Argentina desempenharão papel fundamental nesse processo. É importante que esses países estejam vigilantes, desestimulando eventuais movimentos golpistas. Juntas, Dilma e Cristina podem influir poderosamente. Por Dario Pignotti.

Brasília – Hugo Chávez citava frequentemente Samuel Pinheiro Guimarães para defender a aliança vital com o Brasil ou repudiar as tentativas de anexação por parte dos Estados Unidos sob o manto da Alca.

Chávez conhecia os bastidores do Itamaraty e quando citava Samuel talvez procurasse fortalecê-lo frente aqueles que tentavam afastá-lo da secretaria geral da Chancelaria para reestabelecer a diplomacia do Consenso de Washington. O diplomata também foi mencionado pela embaixada dos EUA para quem ele é um “antiamericano virulento”, segundo documento divulgado pelo Wikileaks.

A morte de Chávez, mas sobretudo a tensão estratégica entre Venezuela e Estados Unidos, e o “muro” que Dilma e Cristina Kirchner estariam formando para abortar tentativas golpistas contra Nicolas Maduro foram os temas tratados pelo diplomata nesta enciclopédica entrevista à Carta Maior.

Carta Maior – Washington considerou absurda a suspeita de que Chávez tenha morrido vítima de uma enfermidade inoculada. Certamente a hipótese soa algo exagerada, mas você a descartaria por completo?

Samuel Pinheiro Guimarães – Não estou em condições de falar sobre o que ocorreu concretamente, mas o presidente Maduro falou do tema, segundo ouvi, e prometeu investigar. Ele deve saber porque disse isso e se houver alguma desconfiança por parte do governo venezuelano este pode adotar a decisão que lhe pareça mais conveniente. Os estados têm soberania para decidir o que fazer. Não afirmou nada, estou especulando.

Os que colocaram em dúvida o que causou a morte de Arafat (suposto assassinato com substâncias radioativas) foram desqualificados em 2004, quando ele morreu. Passados alguns anos, isso que parecia um absurdo hoje não é mais e os que foram ridicularizados não estavam tão equivocados. O passar do tempo às vezes acaba revelando algumas coisas. Que se investigue.

CM – Maduro falou de um plano sedicioso com participação estadunidense... O jornalista Kennedy Alencar informou que Dilma e Cristina se articulam para frear eventuais golpistas...

SPG – Não tenho informação, mas imagino que haja uma grande preocupação por parte das presidentas para que não haja um golpe de estado. Isso sempre pode ocorrer, como em 2002. De repente veio o golpe. Um golpe se articula discretamente. Estão corretas em se preocupar se têm informações. Mas creio que isso seja difícil no curto prazo. No médio ou longo prazo, aí já não sei. É importante que Brasil e Argentina estejam vigilantes.

Desestimular eventuais movimentos golpistas é importante. Juntas, elas podem influir poderosamente. O apoio delas ao governo democrático é necessário. Igualmente acredito que a transição para as eleições está assegurada. Haverá estabilidade no curto prazo, o problema é o longo prazo.

CM – Se tiveram coragem de tentar um golpe contra Chávez, porque não tentariam de novo agora, sem ele?

SPG – Claro, isso é lógico. É preciso levar em conta que a sociedade venezuelana está fraturada, os programas sociais levaram à conscientização das massas e, ao mesmo tempo, provocaram uma reação das classes altas e médias altas. As minorias sabem que pelas urnas é difícil chegar ao poder e aparece aí a tentação permanente de fazê-lo por fora das urnas.
Não sei com certeza se há setores militares fortes com planos golpistas, mas se há militares que não gostam do chavismo isso não me surpreenderia. Isso ocorre com todas as elites. Por isso, considero importante que existam milícias populares dispostas a defender o governo para compensar o poder dos militares.

CM – O novo secretário de Estado, John Kerry, se veste de pomba. Será ele menos hostil do que Hillary?

SPG – Parece-me quase impossível ser mais hostil que Hillary, mas a política externa dos EUA transcende a característica pessoal de seus funcionários. Há um princípio permanente que é castigar, ainda que muitos anos depois, os países que não se enquadram nos desígnios de Washington. Quando algum país não obedece a esse enquadramento, e a Venezuela fez isso, será vítima de uma política que eu chamaria de vingativa. Lembro quando Bush invadiu o Iraque por muitas coisas. Para ele, havia um sentimento pessoal. Bush chegou a dizer que Saddam quis matar seu pai. O mesmo ocorre com o Irã, porque eles invadiram a embaixada e, pior, os iranianos tiveram a audácia de dar os nomes dos informantes iranianos que trabalhavam com a CIA. Isso, Washington nunca perdoou. O mesmo se aplica a Venezuela. Creio que Washington nunca perdoará as atitudes de Chávez.

CM – Soberania equivale e irreverência...

SPG – A Venezuela foi uma província petroleira dos EUA durante décadas. Na II Guerra foi maior fornecedora de petróleo dos aliados. Tudo isso deu origem a uma classe dominante muito ligada ao negócio petroleiro e a Washington. Colômbia e Venezuela são fundamentais para o sistema norteamericano, no Mediterrâneo americano. Chávez acabou com tudo isso. Deu às costas aos Estados Unidos e se voltou ao Brasil, ingressou no Mercosul e rechaçou a ALCA. Isso, para os EUA, é imperdoável.

CM – Para a direita, o chavismo morrerá com ele.

SPG – A dimensão de Chávez foi imensa, mas não considero adequado dizer que tudo era fruto do carisma dele. Um autor alemão que viveu nos EUA dizia que as pessoas não chegavam ao poder porque tem carisma, o poder é que lhes dá carisma. Quando Chávez chegou ao poder em 1999, não tinha a grande dimensão internacional que chegou a ter, na medida em que foi desenvolvendo seu projeto. Agora, é preciso ver com Maduro amadurece (risos).

CM – O cesarismo, talvez inevitável, do modelo bolivariano agrava o vazio causado pela morte do líder?

SPG – Os meios de comunicação dão muito valor à atuação do presidente ou do primeiro ministro, supervalorizam a pessoa, como se ela fosse imprescindível. É falso, Ninguém governa sozinho, governa-se porque se representa um conjunto de setores. Isso ocorre nas democracias liberais e nas ditaduras. Por tanto, é um equívoco achar que o chavismo é só a presença de Chávez e não ver que esse fenômeno teve um respaldo enorme dos setores populares.

Dizer que Chávez era tudo foi mentira desses meios, que também inventaram que a revolução não é democrática. Na Venezuela de Chávez houve mais eleições que aqui no Brasil, como Lula observou. Não há notícias de jornalistas ou opositores presos. Se houvesse, seria notícia permanente. Essa imprensa criou a fantasia de que a revolução é um sistema baseado numa pessoa e isso é falso.

CM – A longa agonia de Chávez permitiu que Maduro se afiançasse como seu sucessor?

SPG – Espero que sim. Não é fácil saber qual será sua habilidade para manter dentro do projeto os setores populares, partidos e forças armadas.

CM – Sendo Alto Representante do Mercosul (até julho de 2012), você pode conversar em profundidade com Chávez?

SPG – Com Chávez falei poucas vezes. Ele citava constantemente um livro meu que ele considerava muito importante.

CM – Parece estar em marcha um ataque preventivo contra Maduro quando os conservadores anunciam que deverá haver um “inevitável” ajuste do gasto público.

SPG – A mídia internacional e os organismos financeiros internacionais repetem em coro que é preciso fazer um ajuste, controlar a inflação ou então virá uma catástrofe. Tudo isso é falso. Basta olhar para os EUA onde nunca se fala disso e onde há déficits comerciais e fiscais absurdos. Lá não se pede isso, aqui sim. É uma religião disfarçada de discurso econômico global onde toda a política social é chamada de populismo. No Brasil falam do lulopetismo.

CM – As políticas sociais destes 14 anos de Chávez são conquistas irreversíveis?

SPG – Não creio. No Chile havia um processo avançado e, com o golpe de 73, se retrocedeu até na reforma agrária. Na Argentina ocorreu o mesmo com o golpe de 1976. Se a direita volta é para retomar o poder e terminar com as políticas públicas, com a redistribuição de renda. Tudo começa com as campanhas nos meios de comunicação, dizendo que chegou a modernidade, que está tudo melhor, que o populismo está dizendo adeus.

Na Venezuela esse discurso pode começar a ser utilizado com a volta das classes abastadas, para desqualificar os programas de saúde, os gastos do Estado com alfabetização, para retirar recursos da Universidade das Forças Armadas, das missões (programas sociais do governo).

Capriles (principal opositor nas eleições de outubro de 2012) teve mais de 40% dos votos. Esses votos não são só das elites. Há pessoas pobres beneficiadas pelos programas sociais que são ideologicamente conservadoras. Eu creio que essas conquistas não possam ser entendidas como irreversíveis. Por isso as classes dominantes querem voltar ao governo, para reverter esses avanços.

* Tradução: Marco Aurélio Weissheimer.

Extraído do sítio Carta Maior