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04 fevereiro 2013

EMPRESAS DE TELECOM BARRAM MARCO CIVIL - Alexandre Bazzan


No último 11 de janeiro, Aaron Swartz, jovem hacker e ativista, enforcou-se em seu apartamento em Nova York. Ainda não se sabe ao certo os motivos, mas ele estava sendo acusado pela procuradora dos EUA Carmen Ortiz, entre outras coisas, de fraude e roubo de informação. O jovem de 26 anos copiou 4,8 milhões de artigos científicos do MIT, Instituto de Tecnologia de Massachusetts, mas foi preso antes mesmo de poder compartilhar o conteúdo. Imbuído pela ética hacker de deixar disponível dados de interesse público, Swartz sempre lutou pela transparência de informações, como esses artigos científicos que poderiam ajudar outros estudos e que, em grande parte, tinham sido financiados com dinheiro público. O próprio MIT concordou em não dar queixa, mas a procuradora insistiu na acusação que poderia levar Swartz à prisão por mais de 30 anos.

Ciberativista ferrenho, ele foi uma das principais vozes a lutar contra o Sopa e Pipa, projetos de lei estadunidenses que pretendiam controlar a internet. Após a vitória no congresso, Aaron, em discurso, explicou os desafios vigentes à liberdade na rede e ironicamente disse que “para conseguir aprovar algo importante em Washington é preciso achar um monte de grandes companhias que concordem com você”.

No Brasil, houve grande indignação contra o Sopa e Pipa, mas duas grandes batalhas nacionais para a livre informação parecem não ter atenção suficiente da sociedade civil. Por meio de consulta pública, criaram-se dois novos projetos de lei: um que regulamentaria a questão de direitos autorais, especificamente, inclusive com atenção às novas tecnologias; e outro que legislaria sobre a internet, chamado de Marco Civil.

A comunicação digital depende de redes

A situação em Brasília não é muito diferente da de Washington. Bruno Magrani, professor e pesquisador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas, aproxima de Swartz ao comentar sobre o andamento do Marco Civil no Congresso: “Depois que aconteceu todo o processo de consulta pública e do projeto ter sido gestado dentro do Ministério da Justiça, acho que a sociedade civil subestimou o poder do lobby da indústria de Telecom.”

Magrani explica que “o Marco Civil passou por um processo amplo de consulta pública, teve grande participação da sociedade, teve relativo consenso em torno das propostas incluídas, mas, ao que tudo indica, na reta final, quando estava tudo encaminhado para o projeto ser aprovado, as empresas de telefonia descobriram o Marco Civil. Aí, fora do processo público de consulta, ou seja, nos corredores escuros do Congresso Nacional, eles começaram a trabalhar acionando sua bancada de deputados pra parar o Marco Civil”. Desde então a votação do projeto já foi adiada por seis vezes e ainda não existe previsão para que ele seja aprovado.

Sérgio Amadeu, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, professor adjunto da Universidade Federal do ABC (UFABC) e militante do software livre, é ainda mais enfático ao avaliar o poder das empresas de Telecom: “Nunca um setor da economia dominou de maneira tão absurda a comunicação. Não que não continuem existindo várias formas de se comunicar, mas a forma que nós mais utilizaremos – e que tende a tragar, a convergir as outras – é a comunicação digital, e ela depende de redes”, referindo-se à tecnologia de cabos e fibras óticas de propriedade das grandes empresas de telecom.

Neutralidade

A pressão das Telecoms para que não se aprove o Marco Civil da Internet é evidente, inclusive com lobby para a mudança do texto amplamente criticada por Marcelo Branco, apoiador do texto inicial, mas que, em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos, diz que se o congresso ceder aos interesses das grandes empresas de telefonia, o Marco Civil pode virar um novo Sopa e Pipa.

Existem dois pontos essenciais que travam o avanço do Marco Civil por incomodar o setor privado: a questão da neutralidade e a parte do texto que proíbe as empresas de telefonia de armazenar dados dos usuários. E é desses que a sociedade civil não pode abrir mão.

A neutralidade é a questão técnica que explica a relação das empresas de telecomunicação com o conteúdo que trafega em seus cabos. Não se pode fazer distinção por conteúdo, logo, tanto empresas, como usuários, pagam por velocidade de conexão e não por pacote de tipo ou quantidade de conteúdo. Amadeu, entretanto, afirma que “ela é técnica, mas não é somente técnica, ela é principalmente política e econômica. Imagine se uma operadora resolve, por motivos de suas convicções culturais ou políticas, começar a filtrar determinado tipo de tráfego, de informação. Ou imagine, que é o maior interesse deles na quebra da neutralidade, eles poderem fazer uma precificação, ou fixarem preços diferenciados pra quem usa vídeo, pra quem usa e-mail, ou pra quem só usa web. O sonho desses controladores dos cabos é transformar a internet numa grande rede de TV a cabo, com vários pacotes”, explica.

Com a quebra da neutralidade, “eles poderiam tentar forçar a barra e cobrar um adicional de empresas como Google e Netflix que usam muita banda” diz Bruno Magrani. Sérgio Amadeu acredita que os valores adicionais podem atingir também o usuário convencional. Magrani completa frisando que “o problema não é pra essas grandes empresas, mas sim para as pequenas. Se a gente no Brasil quer fomentar o desenvolvimento de start ups nacionais, empresas de tecnologia nacionais, essa característica da internet de baixas barreiras de acesso ao mercado é fundamental para que uma pessoa em uma garagem possa criar um site que vai ser o novo boom”, explica.

Para se ter ideia, com cobranças diferenciadas por tipo de conteúdo a velocidade de navegação pode ser afetada, assim, o conteúdo de um blog independente pode ficar muito mais difícil de ser acessado do que o de um grande portal. Afinal, um blogueiro não terá o mesmo aporte financeiro para manter um provedor de agilidade. “A neutralidade na rede é o princípio de funcionamento da internet que garante em parte essa diversidade, inventividade e liberdade que existe” diz Amadeu.

Invasão de privacidade

O segundo ponto que seria o armazenamento de dados dos usuários como a navegação, os hábitos dessa pessoa na rede, tem se mostrado enorme fonte de lucro não só para as grandes Telecoms, mas também para empresas online como Google e Facebook. Recentemente a rede social sofreu processo por guardar dados de seus usuários. A diferença, entretanto, é que no caso das empresas de telecom a coisa é mais grave:se uma pessoa quiser, ela pode usar outro buscador, mudar seu provedor de e-mail e sair do Facebook; mas a partir do momento em que o usuário entra na rede, não é possível evitar o tráfego por cabos de alguma empresa de Telecom - ou seja, mesmo contra a vontade a pessoa tem seus dados armazenados.

“Tanto a Telefonica, quanto a Oi, já fizeram um acordo com uma empresa estrangeira chamada Phorm, cujo modelo de negócio é o seguinte: a Phorm oferece uma opção pro usuário, se ele quer participar do sistema deles de conteúdos recomendados. Eles monitoram tudo o que os usuários de internet de um dado provedor acessam e com base nessas informações oferecem ao usuário propagandas e outros conteúdos que supostamente seriam do interesse dele. Isso é extremamente invasivo à privacidade do usuário. Você imagina, no Brasil que grande parte dos acessos ainda é feito em lan-houses, que um indivíduo usou o computador antes de você, concordou em participar do programa da Phorm, aí quando você vai usar o computador, todos os dados que estão trafegando por ali estão sendo monitorados, não porque você deu autorização, mas porque o sujeito antes de você deu. Esse é o modelo que a Phorm trabalha e o modelo que duas das maiores operadoras de telefonia do Brasil já embarcaram”, pontua Bruno.

Extraído do sítio Observatório da Imprensa

02 fevereiro 2013

ENTREVISTA COM ASSANGE: "É BOM QUE OS GOVERNOS TENHAM MEDO DAS PESSOAS" - Jamil Chade


LONDRES – A Internet está se transformando no maior instrumento de vigilância já criado e a liberdade que ela representa estaria seriamente ameaçada. A avaliação é de Julian Assange, criador do Wikileaks e que, há sete meses, vive na embaixada do Equador em Londres. Para ele, a web redefiniu as relações de poder no mundo, se transformou no “sistema nervoso central hoje das sociedades” e chega a ser mais determinante que armas. O problema, segundo ele, é que esse poder está agora se virando contra as populações.

O australiano recebeu a reportagem do Estado para uma entrevista sobre seu livro “Cypherpunks, Liberdade e o Futuro da Internet”, que está sendo lançado no Brasil nesta semana pela Boitempo Editorial.

Apesar de aparentar relaxado, não escondia a palidez de sete meses dentro de um escritório. Em junho de 2012, ele optou por pedir asilo ao Equador, diante de sua iminente deportação para a Suécia, onde é acusado de assédio sexual. Segundo ele, sua decisão de pedir refúgio ao governo de Quito tem como meta evitar sua extradição da Suécia para os EUA, onde seria julgado pela difusão de documentos secretos. O Equador lhe concedeu asilo. Mas a polícia britânica indicou que, assim que ele pisar para fora da embaixada em direção ao aeroporto, seria detido. O resultado tem sido um confinamento sem data para acabar.

Mas essa situação não o deixou menos polêmico. Segundo ele, ao colocar informações em redes sociais, internautas pelo mundo estão fazendo um trabalho de graça para a CIA. “Hoje, o Google sabe mais sobre você que sua mãe”, disse. “Esse é o maior roubo da história”.

Assange ainda defendeu seu anfitrião, o presidente equatoriano Rafael Correa, diante de sua ação contra jornais no Equador e que chegou a ser criticado pela ONU.

Sobre o futuro do Wikileaks, Assange já prometeu que, em 2013, um milhão de novos documentos serão publicados. Ao Estado, ele garantiu: “haverá muita coisa sobre o Brasil”. Ao aparecer para a entrevista, Assange vestia uma camisa da seleção brasileira, num claro esforço de criar simpatia no Brasil e numa operação de imagem cuidadosamente trabalhada.

Eis os principais trechos da entrevista e as fotos de Joao Castelo Branco, as primeiras publicadas por um jornal brasileiro desde que o australiano pediu asilo ao Equador. 

Chade – A Internet é o símbolo da emancipação para muitos e foi apresentada como a maior revolução já feita. Mas agora o sr. traz a ideia de que há uma contra-ofensiva a isso tudo. O sr. considera que a Internet está em uma encruzilhada ?

Assange – Diferentes tecnologias produzem mais poder para estruturas existentes ou indivíduos e isso tem sido a história do desenvolvimento tecnológico, ao ponto que podemos ver a história da civilização humana como a história do desenvolvimento de diferentes armas de diferentes tipos. Por exemplo, quando rifles, que podiam ser obtidos por pequenos grupos, eram as armas dominantes em seu dia, ou navios de guerra ou bombas atômicas. E isso define a relação de poder entre diferentes grupos de pessoas pelo mundo. Desde 1945, a relação entre as superpotências dominantes tem sido definida por quem tem acesso às armas atômicas. Mas o que ocorre agora é que Internet é tão significativa que está começando a redefinir as relações de força que antes eram definidas pelos diferentes sistemas de armas que um país tinha. Isso porque todas as sociedades que tem qualquer desenvolvimento tecnológico, que são as sociedades influentes, se fundiram totalmente com a Internet. Portanto, não há uma separação entre o que nós pensamos normalmente que é uma sociedade, indivíduos, burocracia, estados e internet. A internet é o alicerce da sociedade, suas artérias, os nervos e está conectando os estados por cima das fronteiras. A Internet é um centro, se não for o centro, da nossa sociedade. Ela está envolvida na forma que uma sociedade se comunica consigo mesmo, como se comunica entre elas. Não é só simplesmente um sistema de armas ou fonte energia. Não é certo pensar como se fosse o sangue da sociedade. É o sistema nervoso central da socidade. Portanto, se há um problema na Internet, há um problema com o sistema nervoso da sociedade. Agora, víamos antes a internet como uma força liberatadora, que garantia às pessoas que não tinham informação com informação e, mais importante ainda, com conhecimento. Conhecimento é poder. Outras coisas tambem são poder. Mas ela deu muito poder a pessoas que antes não tinham poder. E não apenas mudou a relação entre os que tem poder e aquelas que não tem, dando conhecimento àqueles que não tinham conhecimento. Mas também fez todo o sistema funcionar de forma mais inteligente. Todos passaram a poder tomar decisões mais inteligentes e puderam passar a cooperar de forma mais inteligente. Agindo contrário a essa força está a vigilância em massa criada por parte do estado.

Chade – De que forma estaria ocorrendo essa vigilância em massa?

Assange – As sociedades se fundiram com a internet, diante do fato de que comunicações entre os indivíduos ocorrem pela Internet, os sistemas de telefone estão na Internet, bancos e transações usam a Internet. Estamos colocando nossos pensamentos mais íntimos na Internet, detalhes de comunicações e mesmo entre marido e muher, nossa posição geográfica. Enfim, tudo está sendo exposto na Internet. Isso signifca que grupos que estão envolvidos em vigilância em massa tem conseguido realizar uma transferencia em massa de conhecimento em sua direção. Os grupos que já tinham muito conhecimento agora tem mais. Esse é o maior roubo que de fato já ocorreu na história. Essa transferência de conhecido, de todas as comunicações interceptadas para agências nacionais de segurança e seus amigos corporativos. A tecnologia está sendo desenvolvida para essa vigilância em massa está sendo vendida por empresas de países, como a França, que vendeu um sistema de vigilância para o regime de Kadafi. Na África do Sul, há um sistema desenhado para gravar de forma permanente todas as ligações que entram e saem do país e as estocam por apenas US$ 10 milhões por ano. Está ficando muito barato. A população mundial dobra a cada 20 anos. O custo de vigilância está caindo pela metade a cada 18 meses.

Chade – Mas, justamente o sr. citou Kadafi. Muito acreditam que a Primavera Árabe só ocorreu graças à Internet. Não teria sido esse o caso?

Assange – Há uma série de histórias tradicionais de um longo trabalho de ativistas, de sindicatos e até de clubes de futebol que tiveram um papel importante na Tunísia e no Egito, os Ultras. O que é realmente novo? Bom, algumas coisas: o ativismo pan-arábico é algo novo e potenciado pela web. Diferentes ativistas em diferentes países se conectaram entre si pela web, trocando dicas, identificando quem era bem e quem era mau. O movimento dos Ultras vieram da Itália para os clubes da Tunísia e Egito. Como? Pela Internet. E então há o Wikileaks, jogando muita informação e essa informação então foi atacada pelo regime na Tunísia e depois pelo Egito. Mas também sendo disseminada pelo Egito e Tunisia. Mais importante ainda, essa informação foi disseminada para fora desses países, a tal ponto que ficou difícil para os Estados Unidos e Europa defenderem seus tradicionais aliados.

Chade – O sr. aponta para o poder de redes como Facebook e Google. Confesso que não tenho certeza que Mark Zuckerberg (criador do Facebook) pensou nisso tudo quando estava criando o site. Como é que se tornaram tão poderosos e como é que são, como o sr. diz, usados contra civis?

Assange – Google, essencialmente, sabe o que você estava pensando. E sabe também (o que vc pensou) no passado. Porque quando você tem algum pensando sobre algo, quer saber algum detalhe, você busca no Google. Sites que tem Google Adds, que na verdade são todos os sites, registram sua visita. Portanto, Google sabe todos os sites que você visitou, tudo o que você buscou, se você usou gmail ou email. Então ele te conhece melhor que você mesmo. Um exemplo: você sabe o que você buscou há dois dias, há três meses? Não. Mas o Google sabe. Google conhece você melhor que sua mãe. Claro, mas alguém pode dizer: Google só quer vender publicidade. Portanto, quem se importa que eles estejam fazendo isso. Mas, na realidade, todas as agências de inteligência americana e de aplicação da lei tem acesso ao material do Google. Eles acessaram isso em nosso caso.

Chade – Como fizeram isso?

Assange – Eles usaram instrumentos como cartas da agência de segurança nacional e mandados para buscar os dados de email das pessoas envolvidas em nossa organização. Isso saiu do Google, da conta do Twitter, onde pessoas entraram para acompanhar a nossa conta. No caso do Facebook, é algo impressionante. As pessoas simplesmente estão fazendo bilhões de centenas de horas de trabalho gratuíto para a CIA. Colocando na rede todos seus amigos, suas relações com eles, seus parentes, relatando o que estão fazendo, dizendo que vi aquela pessoa naquela festa, aquela pessoa naquela loja. É um incrível instrumento de controle. Países como a Islândia tem uma penetração do Facebbok de 88%. Mesmo que você não esteja no Facebook, você pode ter certeza que teu irmão está e está relatando sobre você, ou sua namorada está relatando sobre você. Não há como escapar. Agora, quando uma organização como Facebook diz que as pessoas querem fazer isso…

Chade – Claro, essa é justamente a minha questão: como o sr. explica que pessoas de diferentes culturas e religiões estão dispostas a revelar suas vidas diante da web?

Assange – Claro, sobre o que é que você está paranoico. Você pode dizer: bom, estou fazendo isso de forma voluntária e é mais importante estabelecer conexões sociais que se preocupar com um aparato de um estado totalitário. O problema é que isso não é verdade. As pessoas dizem que querem compartilhar algo apenas com meus amigos e amigos de meus amigos, mas não com meus amigos e com a CIA. É uma decepção o que está ocorrendo. As pessoas estão sendo enganadas em desenvolver essa atividade.

Chade – Entendo esse ponto claramente. Mas estamos vendo também censura na China, no Irã e em Cuba, países que parecem estar de fato mais temerosos da Internet. Isso não mostraria que a web é mais ameaçadora para esses regimes que para os civis?

Assange – Acho que você não pode generalizar “esses regimes”. Temos de olhar cada um deles de forma apropriada. Pessoas censuram por um motivo. Censuram porque tem medo, ou porque querem ter mais poder. Normalmente, eles querem manter seu poder. Porque o Irã censura? Bom, porque teme que pessoas dentro do Irã sejam influenciadas por material em persa publicado fora do Irã. E quem publica isso? Bom, alguns são de dissidentes genuínos. Mas também há empresas de fachada, criadas pelos israelenses, pelos Estados Unidos. Isso é um fato. Inclusive pela BBC em Persa. Denunciamos essas empresas de fachada no Wikileaks e suas estruturas de financiamento, e mesmo empresas israelenses. Agora, é algo saudável que governos estejam temerosos do que as pessoas pensam. Estranhamente, é um sinal otimista que a China, com toda sua censura e vigilância, está com medo ainda do que sua população pense. Por exemplo, a China baniu o Wikileaks em 2007. Pelo que sabemos, foi o primeiro país a banir. Temos tido uma espécie de guerra para superar o firewall chinês. De alguma forma, é um sintoma positivo. 

Chade – Porque? Esse raciocínio não vai contra seu princípio de liberdade no fluxo de informação?

Assange – Sim. Mas é um bom sintoma. Em um país onde as relações estão tão fiscalizadas e a vigilância está enraizada que o poder não precisa se preocupar com o que as pessoas pensam, esse é o maior problema.


Chade – Voltando à questão da liberdade do fluxo de informação. Wikileaks teve um imenso impacto em alguns países. Mas há quem ainda questione: bem, os documentos foram obtidos de forma ilegal. Qual sua avaliação sobre esse argumento de que, por eles terem sido obtidos de forma ilegal, não são informações legítimas?

Assange – Generais não definem a lei. Ou pelo menos não deveriam. Se falamos da situação americana, há toda uma série de leis se queremos falar de legislação e foi perfeitamente legal.

Chade – A obtenção dos documentos ?

Assange – Sim, a forma que foram obtidos. Militares americanos não tem direitos na lei americana de encobrir crimes. De fato, isso é algo explícito. Não se pode usar apenas a classificação de documentos para manter um crime sigiloso. Mas também podemos dizer: quem é que fez a lei ? Obviamente são os interesses militares. Nós, como editores, temos de levar essas leis à sério? Nós não levamos elas a sério. Quer dizer, é um conflito em relação a onde você estabelece uma linha. Muito foi dito sobre isso e muito do que foi dito está filosoficamente falido. Há uma forma simples de entender. Não é Deus que estipula essa fronteira para todos nós. Diferentes organismos tem diferentes responsabilidades. As vezes, entidades policiais tem a responsabilidade de manter algo secreto. Uma investigação sobre a Máfia, deve ser mantida em sigilo. Outras organizações, como editores e jornais, tem a responsabilidade perante o público, que é de publicar informação que ajude o público a decidir e entender o mundo. Essas diferentes responsabilidades não devem ser contaminadas uma pela outra.

Chade – Trazendo esse debate para a América Latina, como o sr. avalia o comportamento de governos diante da Internet e da imprensa em geral ?

Assange – É bem variado e tem vários problemas. Acho que, comparado com o resto do mundo, comparado com Europa, EUA, Sudeste Asiático, a região está bastante bem.

Chade – Alguns dos críticos apontam para o fato de que o presidente (do Equador) Rafael Correa ataca a imprensa. Como o sr. se sente sobre isso, e porque escolheu essa embaixada (do Equador) para vir ?

Assange – Pelo amor de Deus. Eles deveriam ser atacados com muita frequência. A primeira responsabilidade da imprensa e em primeiro codigo de ética é acuracy. Tudo começa com você precisando dizer a verdade. Essa precisa ser a primeira coisa. E também ser representativa. Não é porque sua organização é de propriedade de alguma família. Há um grande problema na América Latina com a concentração na mídia. Ainda que, se há seis famílias que controlam 70% da imprensa no Brasil, o problema é muito pior em vários países. Na Suécia, 60% da imprensa é controlado por uma editora. Na Austrália é muito pior, 60% também da imprensa escrita é controlada por Murdoch. Portanto, quando falamos em liberdade de expressão, temos de incluir a liberdade de distribuição, uma distribuição adequada e uma das coisas mais importantes que a Internet nos deu é a liberdade na prática de distribuição, se as pessoas estão interessadas no assunto. Não quer dizer que você pode levar algo a um milhão de pessoas com publicidade. Mas você pode montar um blog e, se as pessoas já estão interessados, podem ler.

Chade – Uma pergunta pessoal. Para alguns, o sr. é um herói, outros dizem que é um criminoso, uma ameaça internacional, outros dizem que o sr. é um ativista. Em suas próprias palavras, quem é o sr. ?

Assange – Sou apenas um cara. Todos nós vivemos só uma vez. Todos temos responsabilidades de viver nossas vidas de acordo com nossos princípios e não disperdiçá-las. Eu só estou tentando fazer isso. Não acho que é necessário que me defina. Na verdade, quando as pessoas se definem, na maioria das vezes estão mentindo. Mas, no lugar disso, devem olhar as ações de uma pessoa e ver se elas são consistentes no longo prazo. 

Chade – Porque é que o sr. evita ir à Suécia (onde a Justiça o busca por acusações de assédio sexual) ?

Assange – Porque eu seria extraditado aos EUA.

Chade – Por qual motivo exatamente ?

Assange – O EUA tem um procedimento contra minha pessoa e contra Wikileaks pelos últimos dois anos. O governo diz em seus próprios documentos internos que a investigação é de um tamanho e natureza “sem precedentes”, citando uma investigação “de todo o governo” americano. É algo sério e que envolve mais de uma dúzia de agências.

Chade – Quais são os próximos passos para o Wikileaks ? O sr. anunciou que vai publicar cerca de um milhão de documentos em 2013. Algo sobre o Brasil?

Assange – Sim. Publicaremos muito sobre o Brasil neste ano. Um material muito interessante.


* Jamil Chade é correspondente do jornal O Estado de São Paulo na Europa desde 2000. Foi premiado como o melhor correspondente brasileiro no exterior em 2011, pela entidade Comunique-se. Com passagem por 67 países e mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Genebra, Chade foi presidente da Associação de Correspondentes Estrangeiros na Suíça entre 2003 e 2005 e tem dois livros publicados. «O Mundo Não é Plano» (2010) foi finalista do Prêmio Jabuti, categoria reportagem. Na Suíça, o livro venceu o prêmio Nicolas Bouvier. Em 2011, publicou “Rousseff”.

Extraído do sítio O Estado de S. Paulo

01 fevereiro 2013

PAULO PIMENTA PROCESSARÁ FASCISTÓIDES - Renato Rovai


Na tragédia de Santa Maria muitos sofreram diferentes dores e alguns foram marcados para sempre. Muito provavelmente o que aconteceu com o deputado Paulo Pimenta (PT) é quase insignificante tamanha a proporção da tragédia. Mas é algo que talvez só ele tenha vivido. Por ser de Santa Maria, deputado federal e filiado ao PT, Paulo Pimenta não foi poupado nem neste momento. Pessoas vinculadas à oposição divulgaram em redes sociais que Pimenta era o verdadeiro proprietário da Boate Kiss. 

E que por isso o local funcionava sem alvará. A mentira transformou a vida do deputado num inferno durante algumas horas. E agora ele promete que vai até as últimas consequências para responsabilizar os que o acusaram de forma leviana. O deputado também comentou, na entrevista que segue, a infeliz charge do cartunista Chico Caruso, tema de um post deste blog.

Como o senhor tomou conhecimento de que estava sendo divulgado nas redes sociais que a Boate Kiss seria sua?

Eu estava em Porto Alegre acompanhando o ministro Alexandre Padilha (Saúde) em visita aos pacientes internados no Hospital Cristo Redentor, quando foi comunicado, pela assessoria, que havia sido postado em um site chamado Revoltados OnLine uma denúncia com uma montagem de uma foto aonde apareciam eu e a presidenta Dilma e havia um conjunto de acusações inverídicas. Entre elas a de que eu seria dono dessa boate.

Diante desses boatos, qual foi o sentimento do senhor?

Eu sou de Santa Maria, moro em Santa Maria e estudei na Universidade Federal de Santa Maria. Conheço dezenas de famílias que foram atingidas por essa tragédia e, evidentemente, que isso pra nós foi de uma violência que jamais poderíamos imaginar que num momento de consternação, desespero e de dor, alguém pudesse produzir.

Infelizmente, a partir desta postagem, alguns blogueiros conservadores e pessoas que atuam no Twitter passaram a reproduzir a notícia. Nós, imediatamente informamos a todos de que se tratava de uma calúnia, de uma infâmia. E que eu não tenho e nunca tive relação com nenhum dos sócios deste estabelecimento. Aliás, jamais estive neste estabelecimento. E que passaríamos a adotar medidas junto à Polícia Federal e à Polícia Civil a fim de identificar os autores e aqueles que estavam multiplicando aquela infâmia, aquela calúnia.

Mesmo assim, algumas pessoas continuaram postando e multiplicando essa informação. Inclusive se utilizando de robôs que mandam a mensagem em série pelo twitter.

Alguma dessas pessoas o procurou antes de reproduzir o boato? O senhor poderia nomear algumas das que espalharam essa história?

Nenhuma dessas pessoas jamais nos procurou. Nem o pessoal dos Revoltados OnLine, nem o blogueiro chamado Eduardo Homem de Carvalho, nem aquela Adriana Vasconcelos ou uma que é conhecida por Val. Por isso já entramos com uma queixa crime na Polícia Civil e encaminhamos todos os prints da difamação para que sejam juntados ao processo. Além disso, a Polícia Federal a partir de hoje também entrou na investigação em função da suspeita de que por trás disso estão blogs de ódio, de incitamento à violência extrema e grupos de extrema direita.

Algumas dessa pessoas, desses blogueiros, já publicaram pedidos de desculpas. No entanto, em respeito a todos que nos apoiaram neste embate vamos levar esse caso até as últimas consequências. Tanto na esfera da Polícia Federal quanto na da Polícia Civil. É preciso que ele seja exemplar para coibir a irresponsabilidade da calúnia, da difamação e da utilização das redes dessa maneira.

Independente do pedido de desculpas, não nos resta outra medida a não ser levar até as últimas consequências esse caso. Inclusive em respeito as vítimas dessa tragédia.

Para o senhor, qual a motivação em envolverem o seu nome nesses boatos?

Eu percebi que em vários episódios recentes este tipo de blog tem atuado de forma a buscar algum tipo de vínculo com a presidente Dilma, com o presidente Lula. Acredito que por eu ser deputado federal de Santa Maria, por ser do PT, pela presidente Dilma ter ido a Santa Maria no dia da tragédia, pelo governador Tarso Genro ter ido a Santa Maria no dia da tragédia, eles encontraram elementos para produzir uma montagem que talvez não tivesse como objetivo principal atingir a mim, mas a própria presidenta ou o partido de uma forma geral. Veicularam isso sem qualquer responsabilidade e noção das consequências que o ato teria. Só que nós reagimos com todo rigor desde o primeiro momento. Passamos a enfrentar a denúncia tanto no facebook como no twitter e eles não esperavam essa reação. Esse Eduardo Homem inclusive postou no blog dele que duvidava que seria processado. E que nós só ameaçamos. Essa sensação de impunidade é o que os motiva a agir assim. Eles acham que podem fazer o que bem entendem sem que haja consequência.

O que o senhor achou da charge do cartunista Chico Caruso publicada em O Globo e reproduzida no Blog do Noblat?

São, digamos assim, iniciativas que vão na mesma direção. Procuram tirar dividendo político e eleitoral de qualquer situação sem qualquer limite ou escrúpulo. De uma tragédia, de um acidente, de uma crise. Para que vocês tenham uma noção do tamanho da irresponsabilidade, da falta de escrúpulo. Inclusive, os sócios dessa boate estão presos. Mesmo o sócio que tinha como sócios formais a mãe e a irmã, está preso. E um dos presos chama-se Mauro Hoffmann. Eles chegaram a veicular em um blog uma denúncia de que seriam parentes da ministra Gleisi Hoffmann, por ter o mesmo sobrenome.

Para se ter uma idéia, a polícia identificou que as câmeras de segurança não estavam funcionando e eles chegaram a denunciar que a presidenta Dilma solicitou à Polícia Federal o recolhimento dos computadores a fim de não serem identificados supostos mecanismos de financiamento do PT através de dinheiro dessa boate.

Essa denúncia partiu de quem deputado?

Deste blog (Revoltados Online). Das relações que ele estabelece. Você conhece a operação Intolerância da Polícia Federal, que aconteceu a um tempo atrás. Prendeu um cara de Curitiba e um de Brasília. Investigava incitações ao racismo, contra nordestinos e judeus. Eles têm relação.

O senhor acredita que a Presidenta Dilma poderia também tomar providências em relação à charge? 

Eu acredito que até poderia. Acho que essa postura, digamos assim, de tolerância exagerada por integrantes do governo, permitiu que esses blogs e essas figuras de extrema-direita, de linha reacionária, fossem se sentindo à vontade para publicar o que quisessem.

A nossa atitude, pretendemos que seja um exemplo. Nós não vamos aceitar, não vamos tolerar e vamos levar até a última consequência esta investigação. De modo a, principalmente, fazer com que esses blogs de ódio, que propagam a infâmia, a calúnia, contra os gays, os negros e etc, sejam enfrentados e desmascarados.

Extraído do sítio Blog do Miro

06 janeiro 2013

DOCUMENTOS REVELAM MILHÕES DE DÓLARES EM FINANCIAMENTO DOS EUA A MEIOS E JORNALISTAS VENEZUELANOS - Eva Golinger


Os documentos evidenciam que mais de 150 jornalistas foram capacitados e treinados pelas agências estadunidenses e 25 páginas web foram financiadas na Venezuela com o dinheiro estrangeiro. Documentos recentemente desclassificados do Departamento de Estado dos Estados Unidos através da Lei de Acesso à Informação (FOIA, por suas siglas em inglês) evidenciam mais de 4 milhões de dólares em financiamento a meios e jornalistas venezuelanos durante os últimos anos.

O financiamento tem sido canalizado diretamente do Departamento de Estado através de três entidades públicas estadunidenses: a Fundação Panamericana para o Desenvolvimento (PADF, por suas siglas em inglês), Freedom House e pela Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (Usaid).

Em uma tosca tentativa de esconder suas ações, o Departamento de Estado censurou a maioria dos nomes das organizações e dos jornalistas recebendo esses fundos multimilionários. No entanto, um documento datado de julho de 2008 deixou sem censura os nomes das principais organizações venezuelanas recebendo os fundos: Espaço Público e Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS).

Espaço Público e IPYS são as entidades que figuram como as encarregadas de coordenar a distribuição dos fundos e os projetos do Departamento de Estado com os meios de comunicação privados e jornalistas venezuelanos.

Os documentos evidenciam que a PADF, o FUPAD, em espanhol, implementou programas na Venezuela dedicados à "promoção da liberdade dos meios e das instituições democráticas", além de cursos de formação para jornalistas e o desenvolvimento de novos meios na Internet devido ao que considera as "constantes ameaças contra a liberdade de expressão" e "o clima de intimidação e censura contra os jornalistas e meios".

Financiamento a páginas web anti Chávez

Um dos programas da Fupad, pelo qual recebeu 699.996 dólares do Departamento de Estado, em 2007, foi dedicado ao "desenvolvimento dos meios independentes na Venezuela" e para o jornalismo "via tecnologias inovadoras". Os documentos evidenciam que mais de 150 jornalistas foram capacitados e treinados pelas agências estadunidenses e 25 páginas web foram financiadas na Venezuela com dinheiro estrangeiro. Espaço Público e IPYS foram os principais executores desse projeto em âmbito nacional, que também incluiu a outorga de "prêmios" de 25 mil dólares a vários jornalistas.

Durante os últimos dois anos, aconteceu uma verdadeira proliferação de páginas web, blogs e membros do Twitter e do Facebook na Venezuela que utilizam esses meios para promover mensagens contra o governo venezuelano e o presidente Chávez e que tentam distorcer e manipular a realidade sobre o que acontece no país.

Outros programas manejados pelo Departamento de Estado selecionaram jovens venezuelanos para receber treinamento e capacitação no uso dessas tecnologias e para criar o que chamam uma "rede de ciberdissidentes" na Venezuela.

Por exemplo, em abril deste ano, o Instituto George W. Bush, juntamente com a organização estadunidense Freedom House convocou um encontro de "ativistas pela liberdade e pelos direitos humanos" e "especialistas em Internet" para analisar o "movimento global de ciberdissidentes". Ao encontro, que foi realizado em Dallas, Texas, foi convidado Rodrigo Diamanti, da organização Futuro Presente da Venezuela.

No ano passado, durante os dias 15 e 16 de outubro, a Cidade do México foi a sede da II Cúpula da Aliança de Movimentos Juvenis ("AYM", por suas siglas em inglês). Patrocinado pelo Departamento de Estado, o evento contou com a participação da Secretária De Estado Hillary Clinton e vários "delegados" convidados pela diplomacia estadunidense, incluindo aos venezuelanos Yon Goicochea (da organização venezuelana Primero Justicia); o dirigente da organização Venezuela de Primera, Rafael Delgado; e a ex-dirigente estudantil Geraldine Álvarez, agora membro da Fundação Futuro Presente, organização criada por Yon Goicochea com financiamento do Instituto Cato, dos EUA.

Junto a representantes das agências de Washington, como Freedom House, o Instituto Republicano Internacional, o Banco Mundial e o Departamento de Estado, os jovens convidados receberam cursos de "capacitação e formação" dos funcionários estadunidenses e dos criadores de tecnologias como Twitter, Facebook, MySpace, Flicker e Youtube.

Financiamento a Universidades

Os documentos desclassificados também revelam um financiamento de 716.346 dólares via organização estadunidense Freedom House, em 2008, para um projeto de 18 meses dedicado a "fortalecer os meios independentes na Venezuela". Esse financiamento através da Freedom House também resultou na criação de "um centro de recursos para jornalistas" em uma universidade venezuelana não especificada no relatório. Segundo o documento oficial, "O centro desenvolverá uma rádio comunitária, uma página web e cursos de formação", todos financiados pelas agências de Washington.

Outros 706.998 dólares canalizados pela Fupad foram destinados para "promover a liberdade de expressão na Venezuela", através de um projeto de 2 anos orientado ao jornalismo investigativo e "às novas tecnologias", como Twitter, Internet, Facebook e Youtube, entre outras. "Especificamente, a Fupad e seu sócio local capacitarão e apoiarão [a jornalistas, meios e ONGs] no uso das novas tecnologias midiáticas em várias regiões da Venezuela".

"A Fupad conduzirá cursos de formação sobre os conceitos do jornalismo investigativo e os métodos para fortalecer a qualidade da informação independente disponível na Venezuela. Esses cursos serão desenvolvidos e incorporados no currículo universitário".

Outro documento evidencia que três universidades venezuelanas, a Universidade Central da Venezuela, a Universidade Metropolitana e a Universidade Santa Maria, incorporaram cursos sobre jornalismo de pós-graduação e em nível universitário em seus planos de estudos, financiados pela Fupad e pelo Departamento de Estado. Essas três universidades têm sido os focos principais dos movimentos estudantis antichavistas durante os últimos três anos.

Sendo o principal canal dos fundos do Departamento de Estado aos meios privados e jornais na Venezuela, a Fupad também recebeu 545.804 dólares para um programa intitulado "Venezuela: As vozes do futuro". Esse projeto, que durou um ano, foi dedicado a "desenvolver uma nova geração de jornalistas independentes através do uso das novas tecnologias". Também a Fupad financiou vários blogs, jornais, rádios e televisões em regiões por todo o país para assegurar a publicação dos artigos e transmissões dos "participantes" do programa.

A Usaid e a Fupad

Mais fundos foram distribuídos através do escritório da Usaid em Caracas, que maneja um orçamento anual entre 5 a 7 milhões de dólares. Esses milhões de dólares fazem parte dos 40 a 50 milhões de dólares que anualmente as agências estadunidenses, europeias e canadenses estão dando aos setores antichavistas na Venezuela.

A Fundação Panamericana para o Desenvolvimento está ativa na Venezuela desde 2005, sendo uma das principais contratistas da Usaid no país sulamericano. A Fupad é uma entidade criada pelo Departamento de Estado em 1962, e é "filiada" à organização de Estados Americanos (OEA). A Fupad implementou programas financiados pela Usaid, pelo Departamento de Estado e outros financiadores internacionais para "promover a democracia" e "fortalecer a sociedade civil" na América Latina e Caribe.

Atualmente, a Fupad maneja programas através da Usaid com fundos acima de 100 milhões de dólares na Colômbia, como parte do Plano Colômbia, financiando "iniciativas" na zona indígena em El Alto; e leva 10 anos trabalhando em Cuba, de forma "clandestina", para fomentar uma "sociedade civil independente" para "acelerar uma transição à democracia".

Na Venezuela, a Fupad tem trabalhado para "fortalecer os grupos locais da sociedade civil". Segundo um dos documentos desclassificados, a Fupad "tem sido um dos poucos grupos internacionais que tem podido outorgar financiamento significativo e assistência técnica a ONGs venezuelanas".

Os "sócios" venezuelanos

Espaço Público é uma associação civil venezuelana dirigida pelo jornalista venezuelano Carlos Correa. Apesar de que em sua página web (www.espaciopublic.org) destaca que a organização é "independente e autônoma de organizações internacionais ou de governos", os documentos do Departamento de Estado evidenciam que recebe um financiamento multimilionário do governo dos Estados Unidos. E tal como esses documentos revelam, as agências estadunidenses, como a Fupad, não somente financiam grupos como Espaço Público, mas os consideram como seus "sócios" e desde Washington lhes enviam materiais, linhas de ação e diretrizes que são aplicadas na Venezuela, e exercem um controle sobre suas operações para assegurar que cumprem com a agenda dos Estados Unidos.

O Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS) é nada mais do que um porta-voz de Washington, criado e financiado pelo National Endowment for Democracy (NED) e por outras entidades conectadas com o Departamento de Estado. Seu diretor na Venezuela é o jornalista Ewald Sharfenberg, conhecido opositor do governo de Hugo Chávez. IPYS é membro da agrupação Intercâmbio Internacional de Livre Expressão (IFEX), financiado pelo Departamento de Estado e é parte da Rede de Repórteres Sem Fronteiras (RSF), organização francesa financiada pela NED, pelo Instituto Republicano Internacional (IRI) e pelo Comitê para a Assistência para uma Cuba Livre.

Ver os documentos em:

* Eva Golinger é advogada venezuelano-estadunidense.

** Artigo publicado originalmente no sítio Adital.

Extraído do sítio Prensa Latina  

04 janeiro 2013

NOVE NÚMEROS IMPRESSIONANTES SOBRE A INTERNET - Felipe Gugelmin

Conheça algumas informações curiosas sobre o meio de comunicação que mudou completamente o planeta.

Fonte da imagem: iStock

Há 22 anos, seria nula a probabilidade de que você estivesse lendo este texto. Não somente porque ele trata de dados recentes, mas sim porque essa é a idade que a internet comercial como a conhecemos possui — período durante o qual a rede mundial de computadores sofreu uma quantidade imensa de transformações.

Durante esse tempo de vida, esse meio de comunicação presenciou o surgimento de empresas como a Google (15 anos de vida) e o YouTube (8 anos) e a ascensão e queda de nomes como Yahoo e AOL, entre outros. Neste artigo, reunimos alguns números interessantes sobre essa rede gigantesca que domina o tempo de milhões de pessoas por todo o mundo. Confira nossa seleção e não deixe de falar sua opinião sobre o assunto em nossa seção de comentários.

Maior parte dos acessos é feita por desktops

Fonte da imagem: Reprodução/Flickr de William Pitcher
Embora muitos já tenham decretado a morte dos computadores de mesa, eles permanecem fortes no que diz respeito ao número de acessos à internet. 79% das pessoas costumam usar um aparelho do tipo para entrar na rede, enquanto somente 45% delas realizam essa ação através de celulares. Em seguida, vêm os consoles de video game (11%), reprodutores multimídia (8%) e tablets (6%).

294 bilhões de emails são enviados diariamente

As mensagens virtuais há muito tempo superaram qualquer espécie de comunicação que envolva a velha combinação papel e caneta. Atualmente, somente cerca de 3,5 bilhões de envelopes e cartas físicas são enviadas a cada dia ao redor do mundo — número que tende a diminuir drasticamente conforme mais pessoas aderem à rede mundial de computadores.

Hong Kong tem a banda larga mais rápida do mundo

Um dos dados mais surpreendentes sobre a rede mundial de computadores é que a velocidade média de conexão não está exatamente relacionada à quantidade de pessoas que a utilizam. Prova disso é o fato de que Hong Kong é o local que apresenta a conexão mais rápida do mundo: em média, o país navega a 41,9 Mbps.

Fonte da imagem: Reprodução/Flickr de inkelv1122
Em seguida, vem nomes como Andorra (35,6 Mbps), Lituânia (35,2 Mbps), Coreia do Sul (34 Mbps) e Macau (33,4 Mbps). Para efeitos de comparação, o Reino Unido possui uma velocidade média de 17,7 Mbps, valor que parece surpreendente para quem tem que lidar com as velocidades (e preços) disponíveis no Brasil.

A humanidade gasta 22% de seu tempo em redes sociais

Provando que a internet ainda é vista essencialmente como um meio de entretenimento, em média as pessoas gastam 22% de seu tempo em redes sociais. Em seguida, vêm as pesquisas (21%), leituras (20%), comunicações através de emails e mensageiros instantâneos (19%), conteúdos multimídia (13%) e compras em lojas virtuais (5%).

Em média, quem possui uma conta no Facebook costuma dedicar 7 horas e 46 minutos verificando atualizações, reclamando da vida ou simplesmente compartilhando conteúdos — 56% das pessoas também aproveitam esse tempo para espionar a vida privada de seus parceiros amorosos. Para completar, os brasileiros são os que mais possuem amigos no serviço: em geral, cada pessoa do país possui nada menos que 481 conexões na rede social.

79% da América do Norte está conectada à rede

Fonte da imagem: Reprodução/Free Press Pics
Enquanto nossos vizinhos do norte possuem quase 80% de conexão à internet, na América do Sul a tecnologia está restrita a somente 39% de seus moradores — número que só supera a África (11%) e a Europa Oriental (22%). Já a Europa Ocidental conta com 65% de disponibilidade de conexões, enquanto 58% da Oceania possui alguma espécie de cobertura.
1,63 bilhão de GB

Essa é a quantidade de dados que são enviados através da rede mundial de computadores a cada 24 horas. Ou seja, você pode passar a vida inteira conectado à internet que dificilmente vai ver sequer uma fração mínima do que ela disponibiliza — algo que surge como uma ótima notícia, já que isso torna mais fácil evitar a maior parte dos conteúdos bizarros disponíveis no meio.

250 milhões de tweets são enviados diariamente

Ao todo, nada menos que 250 milhões de atualizações são feitas diariamente no sistema de microblogs Twitter. O difícil é tentar descobrir quantas delas realmente são úteis em meio a um universo de reclamações, piadinhas sem graça e links para fotografias que retratam o que alguém está prestes a comer no almoço.

72 horas de vídeo

Fonte da imagem: Reprodução/YouTube
É essa a quantidade de conteúdo que é enviada para o YouTube, maior site de vídeos do mundo, a cada minuto que passa. Ou seja, a cada vídeo com gatos fofinhos que você vê, é grande a chance de que algumas horas de conteúdos semelhantes estejam chegando ao serviço no mesmo momento.
Existem 45 bilhões de páginas na rede

Caso seu objetivo na internet seja conhecer ao menos um site interessante por dia, saiba que isso é plenamente possível — e você provavelmente vai morrer antes de completar seu objetivo. Atualmente, existem nada menos que 45 bilhões de páginas, compreendendo desde blogs pessoais até sites de tecnologia como o Tecmundo.

* Originalmente publicado em How It Works Magazine, WorldWideWebSize.com

Extraído do sítio Tecmundo

30 dezembro 2012

CRISE DA MÍDIA IMPRESSA COMPROMETE QUALIDADE DO JORNALISMO? - Richard A. Fuchs


Grandes jornais eram vistos tradicionalmente como garantia para o jornalismo de qualidade. Mas a concorrência da internet já deixa marcas: alguns jornais já pararam as máquinas e muitos diminuíram o número de tiragens.

A nova geração já definiu onde quer buscar informação e escolheu pela forma instantânea e gratuita: a internet. Como consequência, a circulação dos jornais impressos apresentou uma queda acentuada nos últimos tempos e alguns meios de comunicação impressos já declararam falência, como o jornal Frankfurter Rundschau e o jornal de economia Financial Times Deutschland.

Já o renomado Süddeutsche Zeitung prepara um corte de gastos. Na redação dos jornais regionais a situação segue a tendência e são tomadas medidas de sobrevivência como fusões e cortes de funcionários.

Velocidade e precisão

Há uma década a informação impressa e digital conviviam lado a lado e ampliaram a diversidade dos meios de comunicação na Alemanha. No entanto, de acordo com o analista Sven Gabor Janszky, a triagem começou e o impresso já perdeu grande espaço: "O setor de informação em massa no futuro vai funcionar quase completamente de forma eletrônica", prevê o chefe da empresa de pesquisa de tendências 2b Ahead. "Quem ganha dinheiro com os meios de comunicação impresso terá dificuldade para continuar lucrando."

Dois grandes jornais fecharam as portas na Alemanha: 'Frankfurter Rundschau' e 'Financial Times Deutschland'
Para Janszky o jornal impresso se tornou obsoleto porque é muito lento."Queremos ter a informação a todo momento e onde quer que estejamos." Com os smartphones, laptops e redes sociais, não há mais espaço para produtos impressos, diz Janszky. Os programas eletrônicos que analisam automaticamente e de forma muito precisa o tipo de busca de cada usuário se tornam cada vez mais importantes.

Na área de comunicação de massa, a ferramenta de filtro absorveria cada vez mais a tarefa dos jornalistas. Isso permitiria que a informação fosse adaptada precisamente de acordo com as preferências de um usuário, prevê o analista: "O jornal na minha tela apareceria diferente do seu."

Mudança de conteúdo

Sven Gabor Janszky: o jornalismo impresso seria apenas semanal ou mensal
O fim do jornal impresso, no entanto, não significa necessariamente o fim da informação em papel, acalma Janszky os fãs da mídia impressa. Porém, no futuro será um item de luxo. "As informações impressas serão direcionadas para um segmento privilegiado que busca informação num contexto editorial."

Não haverá mais notícias factuais impressas, haverá apenas publicações direcionadas para uma elite que circulam uma vez por semana, uma vez por mês ou até trimestralmente, explicou.

As análises e material de background seriam apenas um complemento da informação já obtida diariamente na rede. Um exemplo positivo é o semanário Die Zeit que, ao contrário da tendência dos meios impressos, registra a cada semana novos recordes de vendas.

Para o resto do setor impresso, fechar as portas é algo que está por vir, prevê o analista de tendências. Para ele, a qualidade da cobertura jornalística será prejudicada. “Nós vamos ver que o jornalismo de qualidade vai se reduzir a um nicho que é muito caro, mas que possui um público-alvo. Teremos que nos despedir dos produtos de massa que ainda são de qualidade”, afirma Janszky, provocando pessoas como Frank Schirrmacher.

Schirrmacher é editor de um dos jornais alemães mais respeitados, o Frankfurter Allgemeine Zeitung(FAZ), e luta fortemente contra a completa digitalização do setor de informação. "O que aconteceu com a democratização da informação?", questionou Schirrmacher de forma retórica seus leitores numa das edições de seu jornal. A resposta dele, contudo, é pouco favorável aos meios digitais: A "nova e bela economia da informação" resultou no surgimento de grandes empresas como Amazon, Google, Facebook e Apple.

Solução em conteúdo digital pago

A crise do impresso entrou na agenda do governo alemão, influenciado também por acontecimentos na imprensa dos EUA e Reino Unido. Recentemente, a revista norte-americana Newsweek encerrou a edição impressa após 80 anos de circulação. A partir de 2013, o conteúdo será apenas disponibilizado online. No vídeo semanal gravado pela chanceler federal Angela Merkel e veiculado pela internet, ela comentou estar preocupada com essa tendência e desejou um bom futuro para os jornais e revistas tradicionais.

Klaus Meier: a qualidade depende do modelo de gestão
Já o professor de jornalismo Klaus Meier ainda demonstra otimismo frente à mídia impressa alemã. "Eu não acho que num futuro próximo novos jornais serão completamente fechados na Alemanha", diz o especialista em Crossmedia da Universidade Católica de Eichstätt-Ingolstadt.

Os jornais impressos já percorreram um longo caminho, diz Meier, "Se comparar o jornal de hoje com o de 20 anos atrás, é possível notar a diferença gráfica e o quanto são mais avançados."

Para Meier, apesar do declínio nas vendas, o jornal impresso ainda é forte e ele prevê que a longo prazo a mídia online conviverá com uma mídia impressa reduzida. "Os jornais que eram diários vão aparecer ainda uma ou duas vezes por semana com uma edição impressa, ao contrário da edição online, então com publicações atuais e interativas."

Modelo de gestão

Se essa mudança vai afetar a qualidade do jornalismo, a decisão dependerá de qual será o modelo de gestão que os donos dos meios de comunicação irão impor. É cada vez mais frequente o sistema "Paywall", no qual o usuário paga pelo conteúdo digital do site, diz o professor. "Por outro lado, vamos perceber cada vez mais que o jornalismo não é 100% comercializável, e que precisamos pensar em modelos de instituição, talvez por meio de investimentos do Estado."

Como exemplo, ele comenta a criação de organizações não governamentais, como a Pro Publica, nos Estados Unidos, que apoia os jornalistas ou editores através de bolsas de estudos para pesquisas. No entanto, nem mesmo o especialista pode afirmar se isso seria suficiente para garantir o espaço da mídia impressa.

Extraído do sítio Deutsche Welle

23 dezembro 2012

MARÍA GABRIELA CHÁVEZ RECLAMA RESPETO A SU FAMILIA Y AL PUEBLO VENEZOLANO


Una de las hijas de Hugo Chávez, María Gabriela, pidió que cesen las “mentiras” sobre el estado de salud del presidente venezolano, hospitalizado en Cuba, ante los rumores sobre su supuesta muerte, en un tuit publicado la noche del viernes.

“Respeto a la familia y sobre todo respeto a mi pueblo. Basta d mentiras! Estamos junto a papá. VIVOS, luchando y recuperando la salud. CON DIOS”, dijo en su cuenta en Twitter @Maby80 María Gabriela, que se halla en La Habana junto a su padre.

María Gabriela es la segunda de los cuatro hijos del mandatario.

Extraído do sítio Patria Grande

24 agosto 2012

G1 INCITA INTERNAUTAS CONTRA LEWANDOWSKI, APÓS MINISTRO REVELAR QUE DINHEIRO DO 'MENSALÃO' FOI PARA A GLOBO

O portal G1, da Globo, publicou uma manchete venenosa que incitou internautas no twitter contra o ministro Ricardo Lewandowski, do STF. 

Internautas desavisados leram a manchete com uma meia verdade (e uma meia mentira) e entenderam que o ministro "inocentou" Marcos Valério de todos os crimes. Nada mais falso.

Ontem Lewandowski condenou Valério e seus sócios por corrupção ativa e peculato no contrato da empresa de publicidade DNA Propaganda com o Banco do Brasil, no caso que ficou conhecido como da Visanet. 

Manchete venenosa incita internautas contra Lewandowski. http://goo.gl/M9ZTH

Tuiteiros manipulados por incitação no G1

Hoje o ministro absolveu Valério e seus sócios, na execução do contrato da SMPB Propaganda com a Câmara dos Deputados, porque o contrato foi executado e cumprido, sem cometimento de nenhum crime, conforme atestou com provas robustas nos autos do processo.

Se o G1 fizesse jornalismo honesto diria que Lewandowski inocentou João Paulo Cunha (PT-SP), uma vez que não há outras acusações sobre ele, ou diria que o ministro absolveu Valério apenas no contrato com a Câmara.

"Coincidentemente", a manchete venenosa veio após o ministro revelar que o dinheiro noticiado pela Globo como se alimentasse o "mensalão" foi parar no bolso da própria emissora, demonstrando, indiretamente, que a emissora, sabendo do caminho dinheiro neste contrato, passou 7 anos espalhando o boato falso como se fosse notícia, de que teria sido desviado para comprar votos no Congresso.

Extraído do Blog Amigos do Presidente Lula