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04 fevereiro 2013

AS VERDADES CIENTÍFICAS DE SILAS MALAFAIA - Kiko Nogueira

O show de obscurantismo e loucura na entrevista do pastor com Marília Gabriela.


Eu nunca fui fã de Marília Gabriela. Acho-a uma espécie de Jô Soares de calças. Celebridades e subcelebridades são tratadas a pão de ló em seu programa, com perguntas do tipo: “E esse coração, como vai?” Ao que o cidadão ou cidadã respondem: “Ah, Gabi, eu tô me namorando”. E segue daí.

Mas Gabi brilhou em seu encontro com o pastor Silas Malafaia. O homem ajuda em sua verborreia alucinada, mas as pontuações da apresentadora foram certeiras. Se ela se aplicasse assim com todos os entrevistados, seria melhor que Piers Morgan. Ainda que Malafaia seja um alvo fácil, ela conseguiu manter uma tensão permanente, sem descambar, respondendo a boa parte das bobagens inacreditáveis que ele repete todo dia a seus fiéis, algumas das quais mostradas pelo SBT.

O pensador inglês Bertrand Russel ilustra o caso de Malafaia perfeitamente: “o grande problema do mundo é que os tolos e fanáticos são sempre cheios de certeza, enquanto os sábios são cheios de dúvidas”.

Malafaia é uma besta apocalíptica preenchida de certezas absolutas. Daqui a 40 ou 50 anos, diz ele, vamos ver como vai ficar o mundo depois de tantos casais homossexuais adotarem crianças. A homofobia de Malafaia é apenas o pedaço mais visível de uma montanha de idiotices. O fato de ele ter uma igreja lhe dá autoridade divina para versar sobre todas as questões fundamentais.

Ele não inventou nada. Isso é da natureza das religiões organizadas (que são, na definição de Christopher Hitchens em seu livro Deus Não é Grande, “violentas, irracionais, intolerantes, aliadas do racismo, do tribalismo e do ódio, investidas de ignorância, hostis ao questionamento e às mulheres e coercivas com as crianças”).

O Silvio Santos da intolerância

Malafaia, um homem rico, cuja organização não recolhe impostos, se apoia na Bíblia para espalhar sua diatribe. Disse que “nenhuma verdade cientifica da Bíblia até hoje foi derrubada”. Era uma oportunidade de entender a ciência por trás de dilúvios e arcas com casais de animais, mares divididos ao meio por um senhor com cajado, pessoas que viram pedra ao olhar para trás, água transformada em vinho, ressuscitamentos, gente que anda sobre a água, virgens que têm filho etc etc etc.

Não é à toa que Serra se aliou a Malafaia, como escreveu o blogueiro Guy Franco aqui no Diário. É um obscurantismo sem freios, um reacionarismo tacanho, envelopado na “defesa da família”. Ele fala muito bem. Ele fala alto. Ele é ignorante e autocondescendente (“islamismo é de um radicalismo muito horroroso para o que a gente chama de religião”, mandou ver. Então ficamos combinados que ele não é radical).

O ponto alto da noite foi seu ideário homofóbico (“Ninguém nasce gay. É um comportamento; “se houver pastor homossexual, ele perde o cargo”; “a minha questão é o direitos que eles querem em detrimento da sociedade”; e por aí vai). Mas Malafaia é maior do que isso. Sua igreja enche, seus livros vendem, seus cofres ficam cada vez mais cheios. Não há sinal de que, a alturas tantas de um de seus sermões, seus seguidores vão cair em si, parar de dar dízimo e cuidar da vida. Como o próprio diz, vamos ver como vai ficar o mundo, daqui a 40 ou 50 anos, quando as besteiras de Silas Malafaia terão virado verdades científicas para milhares de pessoas.

Isto é Malafaia:

“As ofertas que eu recebo não são só de pessoas da minha igreja” “Eu não devo nada e não tenho o que temer” “Meu patrimônio é de R$ 4 milhões, R$ 2 milhões são da minha editora”“Não tem dados que declarem que eu tenho R$ 300 milhões de reais” “Deus trabalha com uma lei de recompensa” “Pastor é apenas um condutor” “O homossexualismo é um comportamento” “Se um pastor for homossexual, é afastado” “Eles (homossexuais) querem uma lei para atacar e atingir àqueles que querem” “A autoridade da bíblia é condenar o pecado”“Eu estou aqui para condenar o pecado” “Eu não estou aqui para impedir ninguém de ser homossexual” “Eu abdiquei do salário da minha igreja” “Tudo que sai da legalidade do casamento, sou contra”.

Extraído do sítio Diário do Centro do Mundo

17 outubro 2012

HADDAD ADVERTE: SERRA TRANSFORMOU CAMPANHA ELEITORAL NUMA CRUZADA DE INTOLERÂNCIA - José Dirceu

O fato de ter sido o primeiro, e praticamente o único candidato, ainda no início da disputa para o 1º turno, a fazer um programa de governo prova que Fernando Haddad (PT e partidos aliados) gostaria de ter conduzido a campanha eleitoral com a discussão de propostas e programas para a capital paulista. José Serra (PSDB-DEM-PSD-PV), por exemplo, só apresentou seu programa nesta semana, um amontoado de clichês cuja execução depende do governo do Estado.

Pena que Haddad não tenha conseguido focar a campanha nisso, porque está sendo obrigado a mostrar ao eleitorado diariamente que o adversário José, auxiliado por seus principais aliados como o pastor evangélico Silas Malafaia, desviou a discussão, principalmente agora no 2º turno, para uma cruzada de intolerância contra os homossexuais. 

Exemplo disso se viu ontem, quando Haddad foi obrigado a rebater a campanha preconceituosa e discriminatória de José, a responder sobre ela, e a reconhecer que o adversário tucano, "indiretamente" instiga a intolerância contra homossexuais.

José fez da campanha eleitoral uma cruzada de intolerância

Em caminhada pelo bairro da Lapa (Zona Oeste da capital) nesta 3ª feira (ontem, 16.10), Haddad precisou abordar, de novo, as críticas do adversário tucano ao kit anti-homofobia - que José e aliados denominaram de kit gay - que o Ministério da Educação começou a elaborar. "O que o Serra faz não se deve fazer na política. Quando você desinforma, você cria uma nuvem de insegurança nas pessoas que é própria de quem quer promover esse tipo de preconceito", alertou haddad.

O próprio candidato tucano reconheceu ontem que faz da intolerância, do preconceito e do atraso, o principal mote de suas campanhas. Esse tipo de reconhecimento é raro em José que centra suas campanhas em temas que nada têm a ver com a administração, em questões de princípio e convicções como o aborto, ou questões de gênero, como está fazendo agora, mas diz que não foi ele, que a mídia ou "os brasileiros" é que introduzem essa discussão.

Ontem ele reconheceu que sua cruzada de agora contra os homossexuais lembra o caso do aborto na eleição presidencial de 2010. "O que aconteceu em 2010? A Dilma deu uma entrevista para o UOL e Folha e disse que era a favor do aborto. Mais adiante, na campanha, disse que era contra. A Marina Silva (candidata presidencial do PV naquele ano) cobrou a Dilma e eu cobrei a incoerência. Não entrei na posição. O que o pessoal petista espalhou? Que era uma campanha conservadora e alguns jornalistas, caso do Kennedy (Kennedy Alencar, que o entrevistava), pescaram isso".

Cobrar cumprimento de mandato até o fim, no caso de José, não adianta

Como vocês vêem, tentou explicar o inexplicável. Diante de tanta incoerência, Haddad criticou o rival por ter se recusado, em uma tumultuada entrevista à rádio CBN, a assinar um novo documento prometendo, se eleito, permanecer no cargo durante os quatro anos de mandato.

Os jornalistas estão no seu papel ao cobrar de José essa assinatura. Mas, no caso dele, não adianta nada fazer tal cobrança porque ele já assinou compromisso semelhante em 2004, quando se elegeu prefeito, e abandonou a prefeitura 16 meses após a posse para concorrer ao governo do Estado.

Ao recusar-se a assumir novo compromisso de cumprimento de um mandato até o fim "ele falou que aquele documento que assinou virou uma palhaçada", observou Haddad. "Nenhum documento que eu assinei na vida virou uma palhaçada, porque eu costumo cumprir com a minha palavra."

A propaganda do candidato do PT no rádio e TV nesta 3ª feira teve a participação do presidente Lula. "Haddad está sendo atacado com um monte de mentiras", disse o ex-chefe do governo, para quem os tucanos acham que o "povo é ingênuo". Cairão do cavalo, porque o povo não é.

Extraído do Blog do Zé Dirceu

NAS RUAS E NA TV, TUCANOS VÃO AO ATAQUE - Ricardo Kotscho


Perdido por um, perdido por dez, costumam dizer os boleiros quando só lhes resta ir ao ataque para virar o jogo.

Com 10 a 12 pontos de desvantagem para o petista Fernando Haddad, nas primeiras pesquisas do Datafolha e do Ibope no segundo turno em São Paulo, faltando apenas 12 dias para a eleição, o candidato tucano José Serra intensifica suas ações nas ruas, ao mesmo tempo em que ataca o adversário no rádio e na televisão.

O objetivo central da estratégia tucana é desqualificar o adversário, mostrando o seu despreparo em comparação com a experiência administrativa de Serra nos três níveis de governo, sem deixar de apresentar as propostas do candidato para os próximos quatro anos. Como no futebol, o perigo é ficar só no ataque e desguarnecer a defesa.

Conversei na manhã desta terça-feira com o deputado federal Edson Aparecido, coordenador geral da campanha do PSDB, sobre estes primeiros dias do segundo turno.

Aparecido fez uma avaliação positiva, destacando o apoio recebido por três partidos na semana passada (PDT, PTB e PPS) e a receptividade encontrada nas atividades de rua programadas para "colocar Serra em contato com as pessoas".

A ideia é levar estas imagens das ruas para a televisão junto com as propostas do programa de governo apresentado por Serra na noite de segunda-feira, em que o PSDB prioriza cinco áreas: saúde, habitação, mobilidade urbana, educação e urbanização de favelas.

"No segundo turno, o eleitor faz uma comparação entre os dois candidatos para responder a uma pergunta chave: o que esse cara vai melhorar na minha vida?", diz o coordenador da campanha tucana.

Os ataques diretos ao PT e a Haddad por conta do mensalão, que já começaram, devem ficar mais concentrados na voz de terceiros nos comerciais de rádio e televisão.

Na chamada "discussão de valores" proposta por Serra em sua primeira fala após a divulgação dos resultados do primeiro turno, uma coisa é certa, segundo Edson Aparecido: o pastor Silas Malafaia, que ganhou destaque na campanha, ao anunciar que vai "arrebentar o Haddad" na questão sobre sobre o "kit gay", não entrará nos programas de rádio e televisão, limitando-se aos seus próprios canais nas redes sociais.

O tema deverá perder força na campanha depois que a imprensa revelou a semelhança entre o projeto do Ministério da Educação, na época de Haddad, que foi descartado pela presidente Dilma Rousseff, e um guia distribuído por Serra quando era governador.

A forma de participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que fez uma breve aparição no programa do PSDB durante o primeiro turno, ainda está sendo discutida pelo comando da campanha.

As esperanças dos tucanos para virar o jogo, com o desafio de descontar quase um gol por dia, estão baseadas nos trackings, as pesquisas internas do partido, que apontam diminuição da rejeição de Serra e aumento da rejeição de Haddad.

"Nossos levantamentos estão mostrando que a disputa vai ficando outra vez embolada, como no primeiro turno. Esta eleição vai ser decidida pau a pau", prevê o coordenador tucano.

Adiado lançamento do livro de Audálio Dantas

Em razão de uma cirurgia de urgência para a retirada de um coágulo no cérebro a que se submeteu o jornalista Audálio Dantas na semana passada, foi adiado o lançamento do seu livro "As duas guerras de Vlado Herzog" (Editora Civilização Brasileira), que estava marcado para hoje, dia 16, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

A cirurgia foi bem sucedida e o velho amigo Audálio já se recupera em casa, mas deverá permanecer em repouso por mais alguns dias. Foram também suspensos os demais lançamentos agendados para este mes de outubro, no Rio, em Presidente Prudente e Vitória.

No próximo dia 23, Audálio deverá estar presente à cerimônia de entrega do Prêmio Vladimir Herzog, no Tuca, onde o livro estará à disposição dos interessados.

Extraído do blog Balaio do Kotscho

11 novembro 2011

PASTOR SILAS MALAFAIA "SE FORNICOU" - Altamiro Borges

O excêntrico pastor Silas Malafaia bateu recordes no twitter na noite de ontem. Milhares de internautas aproveitaram para tirar uma casquinha de um suposto tropeço gramatical do midiático evangélico, que já virou motivo de chacota por suas constantes declarações preconceituosas e por suas posições políticas retrógradas, direitistas.

Em entrevista à revista Época, Malafaia destilou a sua ira – nada santa – contra Toni Reis, atual presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis (ABGLT). “Eu vou arrebentar o Toni Reis... Eu vou fornicar esse bandido, esse safado. Eu vou arrombar com esses...”, esbravejou o pastor, segundo registrou a publicação da famiglia Marinho.

#MalafaiaEscolheuFornicar

Diante da imediata reação dos internautas, Malafaia ainda tentou recuar. No seu twitter, ele retrucou o jornalista da Época que o entrevistou e garantiu que falou “funicar” e não fornicar. “Na linguagem vulgar, ‘funicar’ significa ‘ferrar’ o movimento gay”, esclareceu Malafaia. Pouco tempo depois, ele deletou o seu próprio tuíte. Mas o episódio grotesco já havia chegado às redes sociais.

Segundo informa o sítio Brasil 247, “tuiteiros levaram aos Trending Topics a hashtag #MalafaiaEscolheuFornicar. Afinal, não dá (sem trocadilhos) para deixar passar em branco os instintos mais primitivos da gramática de Malafaia. “Ele podia estar orando, mas #MalafaiaEscolheuFornicar”, brincou @LucasDcan. Teve até canção para o pastor: “Quero ver você não chorar, não olhar pra trás, nem se arrepender do que faaaaz... #CanteParaMalafaia”, ironizou @jufreitascs”.

Homofobia e outros preconceitos

A incontinência verbal do pastor decorre das crescentes críticas aos seus programas de TV. A ABGLT enviou aos órgãos ligados à defesa dos direitos humanos trechos de gravações em que Malafaia faz apologia à violência contra gays. A entrevista à Época só agrava a tensão – com ele “fornicando” ou “funicando”. Vale registrar que o vocábulo “funicar” não consta no dicionário Aurélio.

Silas Malafaia é realmente um personagem “exótico”. Suas posições homofóbicas e seus ataques rasteiros ao direito do aborto já renderam inúmeras críticas. No terreno político, o pastor da Assembléia de Deus Vitória em Cristo não esconde as suas posições direitistas. Na campanha eleitoral do ano passado, ele chegou a gravar vídeos hidrófobos contra a candidata Dilma Rousseff.

Apoio ao tucano José Serra

Num primeiro momento, Malafaia anunciou seu apoio à candidata, também evangélica, Marina Silva. Logo depois, ele apareceu na propaganda eleitoral do candidato tucano, José Serra. Justificou o seu apoio dizendo que Dilma Rousseff apoiava o aborto e o casamento de homossexuais. Na ocasião, levantou-se a denúncia, não comprovada, de que o pastor fora “comprado” pelo PSDB.

As denúncias contra Silas Malafaia, porém, não causam surpresa. O pastor já sofreu várias investigações por desvio de dinheiro e enriquecimento ilícito. Em 2007, por exemplo, ele foi investigado duas vezes pela Receita Federal e três vezes pelo Ministério Público Federal. Ele mesmo admitiu ter havido erro nas contas da sua igreja – não por culpa de dele, mas sim do “meu contador”.

Doações de R$ 40 milhões ao ano

A Assembléia de Deus Vitória em Cristo capta em oferta e doações de fiéis cerca R$ 40 milhões por ano. Seu programa evangélico é transmitido, com milionários custos, pela Rede TV, Band e CNT. Dublado em inglês, ele também atinge 200 países via satélite. O pastor afirma que não recebe da igreja e que vive do dinheiro de sua empresa, a Editora Central Gospel, cujo catálogo tem cerca de 600 títulos, entre livros (incluindo Bíblias), CDs e DVDs. 

No ano passado, sua igreja comprou o jato Gulfstream III nos Estados Unidos por US$ 4 milhões. O avião tem autonomia para oito horas de vôo, doze lugares, sofá, cozinha e sistema individual de entretenimento. É um “favor de Deus”, conforme está escrito em inglês na sua fuselagem.

Extraído do Blog do Miro - Altamiro Borges