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22 janeiro 2013

RIQUEZAS MINERAIS, ALÉM DO COMBATE AO TERROR, EXPLICAM INTERVENÇÃO FRANCESA NO MALI

Ao mesmo tempo em que é julgada como necessária, fatores como a riqueza natural malinesa são levados em conta por críticos.

O Mali, país localizado na região da costa oeste africana, está desde o dia 11 de janeiro sob intervenção das Forças Armadas da França, país de quem foi colônia até 1959. O país enfrenta uma guerra civil iniciada no ano passado por rebeldes separatistas de origem tuaregue e que, posteriormente, teve o envolvimento de uma coalizão de milícias de orientação religiosa que se aproximava rapidamente da capital, Bamako, sudoeste do país.

Oficialmente, a justificativa do presidente francês François Hollande para a ação militar é que ele recebeu um pedido de emergência do presidente malinês, Dioncounda Traoré, e que o único objetivo do país europeu seria assegurar a segurança do país africano, afastando-o do risco de ser tomado por forças militares terroristas.


Por um lado, a versão oficial é apoiada pela população francesa, pelo governo do Mali e pelos países vizinhos. No entanto, os críticos apontam outros motivos (como a riqueza dos recursos naturais malineses) para que a intervenção seja interpretada como uma nova ofensiva neocolonialista da França na região. Outro aspecto levado em conta para criticar a iniciativa é a baixa popularidade de Hollande, que poderá reverter a tendência de queda livre em caso de sucesso militar.

Especialistas africanos entrevistados pela reportagem de Opera Mundi afirmam que a medida era necessária, mas poderá trazer problemas para as tropas francesas caso a ofensiva se prolongue ou a relação entre as tropas e os civis malineses se deteriore.

Opera Mundi publica um especial em que mostra as origens do conflito, os prós e os contras da intervenção francesa e quais podem ser suas possíveis repercussões.

As razões da França e o subsolo do Mali

“Temos um único objetivo: assegurar que, quando sairmos, ao fim de nossa intervenção, o Mali esteja seguro, com autoridades legítimas, um processo eleitoral em curso e sem mais terroristas ameaçando seu território”. Essa declaração é de um dos trechos em que Hollande justifica os motivos da França ter entrado no conflito.

"O Mali enfrenta uma agressão de elementos terroristas que vêm do norte [do país] e que todo o mundo conhece pela brutalidade e pelo fanatismo. Está em jogo a própria existência deste Estado amigo, a segurança de sua população e a de nossos seis mil cidadãos que estão lá", acrescentou o presidente francês.

“A intervenção no Mali é completamente legal e legítima: acima de tudo, ela pretende combater uma coalizão de grupos terroristas que tomou o norte do país e impôs a sharia a essa população, submetendo-os a violações graves dos direitos humanos. As tropas do Mali não tinham condição alguma de combate-los, era impossível. Se a França não tivesse entrado, as forças rebeldes já teriam tomado em Bamako”, afirma o senegalês Hamidou Anne, especialista em Relações Internacionais e membro do think tank africano Teranga em entrevista a Opera Mundi.

Ele lembra que, diferentemente de outras ocasiões, essa ofensiva foi solicitada pelo presidente malinês e teve apoio do Conselho de Segurança da ONU.

O presidente francês, François Hollande, no discurso em que anunciou o envio de tropas francesas ao Mali

O marfinense Joel Te-Lessia, especialista em Relações Internacionais, lembra também que um dos principais argumentos justificados por Hollande, a integridade territorial do Mali, “não é verdadeiro. Tanto que seu antecessor, Nicolas Sarkozy, no início do conflito, havia orientado o governo malinês a negociar, não com os terroristas, mas com o MNLA (Movimento Nacional de Libertação de Azawad, grupo separatista secular). Quando os rebeldes perderam o controle para os islamistas, a situação mudou”.

Te-Lessia lembra que, inicialmente, estava previsto que a ofensiva seria comandada por países africanos, coordenados pela Cedeao (Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental), com os franceses apoiando na logística. “No mês desde outubro (quando o CS da ONU deu o sinal verde), eles não se mostraram prontos. Acredito que Hollande não tinha o desejo que a França interviesse, não era interessante para ele que a imagem da França como estado policial voltasse ao imaginário africano, mas as forças do Mali não podiam fazer mais nada, nem as africanas ; e os outros países vizinhos estariam em perigo”.

Ana Carolina Marques/Opera Mundi
No entanto, para o jornalista suíço Gilles Labarthe, fundador da agência de notícia Datas, as intenções da França passam longe de termos como “guerra ao terror” e “ajuda humanitária”. Especialista em colonialismo francês e autor de livros como "L'or africain. Pillages, trafics & commerce international" (em tradução livre "O ouro africano: pilhagens, tráfico e comércio internacional"; editora Agone, 2007), ele afirma, em entrevista ao site espanhol Publico.es, que parece “claro que a França e o resto dos países implicados no Mali estão se movendo pelo interesse de assegurarem os recursos minerais da região, como já ocorreu há dois anos na Líbia”.

O jornalista admite que “é mais difícil identificar que o lobby industrial está por trás de tudo”, mas ele aponta que importantes companhias extrativistas como a Aréva possuem o direito de explorar o urânio no Níger e estão a apenas 200 quilômetros da fronteira com o Mali. A empresa fechou 2012 com um crescimento de 4% a 6% no faturamento, e há perspectiva de crescimento em 2013. A França tem a energia nuclear como principal fonte de sua matriz energética, e seu governo é proprietário de 14,33% da companhia.

Sobre as intenções francesas, Anne lembra uma frase do general Charles de Gaulle: “Os estados não têm amigos, tem interesses”. “Ninguém duvida que, caso as forças oficiais vençam, os franceses terão interesses nesses recursos. Não será surpresa se a França tiver uma maior presença no setor de extração mineral”, afirmou ele.

“Se o Mali cair nas mãos dos terroristas, estes terão ao leste a fronteira com o Níger, aberta e completamente vulnerável. Lá estão situadas minas de urânio, com companhias francesas instaladas por lá. Claro que esse fator teve uma importância na decisão”, diz Le-Tessia.

Carlos Latuff/Opera Mundi

Apesar de possuir extensa superfície desértica, o Mali é uma vasta fonte de recursos minerais, muitos deles ainda não explorados. 

As prospecções de urânio no país são animadoras, principalmente na região de Kidal (leste, zona reivindicada por separatistas e controlada pela coalizão insurgente islâmica), próximas ao Niger.

O Mali é também o terceiro maior extrator de ouro na África. No entanto, a maioria das minas de ouro do país está localizada no sul, próxima à fronteira com o Senegal, não havendo consequência imediata para o processo de extração.

Além do urânio e ouro, o país também possui destacadas reservas de cobre, diamante, manganês, ferro, fosfato, bauxita, zinco, lítio, entre outros metais (ver infográfico acima), além da possibilidade de se tornar importante exportador de petróleo – com a maioria das reservas localizadas na região norte.

Tempo indeterminado

Hollande afirmou que a França ficará no Mali "o tempo que for preciso". E, nos primeiros dias, os oficiais franceses se surpreenderam com a organização e os equipamentos das forças rebeldes.

Manifestantes egípcios protestam contra a ofensiva em frente à embaixada francesa no Cairo

A possibilidade de a operação se prolongar poderá ser o principal fator, no futuro, a transformar a aprovação inicial da ofensiva em revés. “Se a França ficar muito tempo, o problema é que inevitavelmente começaremos a contabilizar muitas vítimas civis. Quando isso começar a ocorrer, o papel da França será questionado”, dizTLe-Lessia.

Apoio interno

Na França, a intervenção francesa no Mali contou com apoio da população. Uma pesquisa realizada na última terça-feira (15/01) pelo instituto BVA aponta que 75% dos franceses aprovaram a decisão de Hollande – 82% entre os eleitores que se declaram de esquerda e 69% dos que se declaram de direita. No mesmo dia, o Ifop registrou aprovação de 63%.

A maior parte da classe política francesa, em um primeiro momento, também se manifestou favoravelmente à ação, como fizeram publicamente a UMP (União por um Movimento Popular), principal rival na oposição de direita; a Frente Nacional, de extrema-direita; e o centrista Movimento Democrático. A exceção entre as principais agremiações políticas ficou com o líder do Partido de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, considerou essa decisão “discutível” e condenou o fato de a ação não ter sido sequer discutida no Parlamento.

Os números e o apoio são bem diferentes das pesquisas de opinião em torno da aprovação do governo durante todo o mês de 2012. De acordo com o Ifop, Hollande fechou o ano com pífios 37% (4 pontos percentuais a menos que o levantamento de novembro), enquanto o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault foi ainda pior: 35% (queda de oito pontos). Resta saber como serão os primeiro resultados após a intervenção.

Pós-intervenção

Para Te-Lessia, a intervenção militar francesa não irá resolver a disputa política no Mali nem livrar a região do terrorismo. “O Mali tem um território vasto, a França não tem condições de vigiar e revistar todas as cidades e vilas. E os terroristas poderão se esconder na Líbia ou na Argélia. O problema não é esse, terroristas aparecem o tempo todo. O que se deve fazer é impedir que eles tenham acesso a a reservas, armas , bases, munição, abastecimento”, afirma. Ele lembra que também será preciso fazer com que os malineses reconstruam suas Forças Armadas. “Não puderam fazer antes nem durante a crise, veremos no futuro, em caso de vitória”.

Extraído do sítio Opera Mundi

03 setembro 2012

SÍRIA: A GUERRA NA TELEVISÃO - Robert Fisk


Quando sírios armados irromperam em Damasco, no mês passado, um enfurecido homem de idade mediana, usando óculos, apareceu na televisão estatal com uma dura mensagem aos inimigos da Síria. “Dizem que é a última batalha – rugiu. Sim, estou de acordo que é a última. E eles perderam!”

Os espectadores sírios não estão acostumados a uma declaração franca como esta vinda de um porta-voz do regime, mas ele é Omran Zoubi, funcionário da linha dura recém-chegado ao posto mais alto das operações midiáticas do governo. O presidente Bashar al Assad o nomeou ministro da Informação para converter a televisão estatal síria em uma fonte crível de informação.

Querem observar tropas sírias abrindo terreno a sangue e fogo nas ruas da capital? Sintonizem a televisão estatal. Querem presenciar o sacrifício do exército: um soldado gravemente ferido estendido em um beco de Alepo, enquanto dois de seus camaradas tentam tratar suas feridas? Tudo o que tem que fazer é sintonizar a jovem cronista – com um capacete azul e um colete anti-balas com o letreiro Imprensa, como seus colegas do Ocidente – que com voz grave transmite sua informação ao vivo desde Alepo no canal Dunia, não estatal, mas dificilmente contrário a Al Assad.

Os sírios – como Zoubi, que é um analista político de uma espécie rara, mas intensa, no governo de Damasco – aprenderam muito da CNN e da Al Jazeera. “Sou um adepto da liberdade e da abertura”, me diz Zoubi no edifício ao qual sempre me referi com cinismo como o Templo da Verdade. E nos dias de Ahmed Iskandar Ahmed e Mohamed Salman – um feroz ministro da Informação, que perdoava os jornalistas errantes, mas morreu de câncer cerebral, e um homem levemente piedoso que ajudava os jornalistas estrangeiros se confiava neles, mas acabou sob prisão domiciliar – a verdade era difícil de achar entre a sucessão de planos quinquenais que os pobres sírios tiveram que devorar.

Mas na hora mais sombria da Síria, um pouco de verdade real aflorou à superfície. Há um par de noites, Al Assad concedeu sua entrevista mais importante em meses – seguirá lutando, disse, e a batalha da Síria está muito longe de terminar – ao canal privado Dunia. Carros-bomba, corpos esquartejados, vítimas gritando, fazem parte hoje do cotidiano das notícias vespertinas. Quando um jornalista da Dunia, que entrevistava uma mulher gravemente ferida, logo depois do massacre de Daraya, retardou os paramédicos que tentavam levá-la para o hospital, os espectadores sírios se indignaram tanto que a emissora se viu a retirar a entrevista de sua cobertura. Obviamente, um canal por satélite ocidental sugeriu que esta censura despertava suspeitas acerca da versão síria das matanças.

“Nada pode ser escondido – insiste Zoubi. Não há justificativa para esconder nada. As pessoas estão acostumadas agora aos fatos reais. Agora se trata de refletir na tele o que ocorre nas ruas. As pessoas têm hoje muitas opções em seus canais de televisão. Queremos ser uma dessas opções. Não se trata de impedir que as pessoas vejam a Al Jazeera, mas quero que sejam capazes de decidir por si mesmas”. Ele sente desprezo pela Al Jazeera e, em certo momento, sugere que a fúria estadunidense em relação à cadeia de notícias por não dizer à verdade poderia ser uma emoção que ele compartilha com Washington.

Faço um convite aberto à oposição síria para que apareça nas telas sírias, diz o ministro. Na era anterior, se exercia veto sobre quem poderia aparecer na tela. Esse veto foi suprimido. Algumas mentalidades se acostumaram muito às velhas regras: foi necessário um pouco de tempo para leva-las a uma maior abertura e liberdade.

“O pior – diz Zoubi – seria a televisão mentir. Não queremos meios de comunicação mentirosos. A diferença entre nós e os meios estrangeiros é que nós dizemos a verdade, mas de uma forma desagradável e pouco refinada. Eles são muito bons em comercializar suas mentiras”.

Bom, até certo ponto, digo para meus botões. Não se vê a televisão síria investigar as torturas infligidas pelos homens da inteligência mujabarati ou a quantidade de dano colateral causado pelo poder bélico do exército, assassinatos deliberados segundo o Exército Sírio Livre, todos os governos ocidentais e muitos jornalistas. Mas apenas esta semana a CNN divulgou uma reportagem exclusiva sobre a oposição síria, na qual homens armados e encapuzados eram identificados como ativistas, termo que antes se reservava para manifestantes desarmados.

Do lado do governo, existem sete canais de televisão, um dedicado a notícias e outro a dramas, o qual, me dizem amigos, perdeu atrativo nos últimos meses. Agora que há um drama verdadeiro nas ruas, quem vai se interessar pela versão teatral?

* De The Independent, Especial para Página/12. 

Tradução: Katarina Peixoto.

Extraído do sítio Carta Maior

27 julho 2012

MUNDO CONFLAGRADO - Mário Augusto Jakobskind


O mundo está conflagrado. A situação na Síria agravou-se e já é considerada pela Cruz Vermelha como guerra civil. Lamenta-se o número de vítimas resultantes dos confrontos.

Três integrantes do alto escalão do governo foram mortos em um atentado em Damasco, o que para os analistas representou sinal de fraqueza do regime de Bashar Assad, embora houve quem dissesse que teria sido o próprio regime que realizou o ato terrorista para evitar um golpe de estado. É a tal coisa: não raramente numa guerra, a verdade sofre revezes... 

De um modo geral o noticiário sobre a Síria é majoritariamente apresentado pela versão de um dos lados, contra o regime atual que vem sendo combatido pelos rebeldes com a ajuda do Ocidente.

Rússia e China mais uma vez rejeitaram resolução no Conselho de Segurança condenando o regime de Bashar Assad, sob a justificativa de que poderia repetir os acontecimentos do ano passado, ou seja, que resultaram no sinal verde na ONU para os bombardeios da OTAN na Líbia. E que então Rússia e China se abstiveram permitindo a aprovação da resolução.

Representantes de países europeus e dos Estados Unidos, que têm sido acusados de armar os rebeldes sírios juntamente com monarquias árabes como a Arábia Saudita e o Catar, condenaram a Rússia e a China por não repetirem o que fizeram o ano passado.

Numa guerra, vale sempre repetir, a verdade também é uma das vítimas. Neste caso, o mais certo é apresentar as versões dos dois lados combatentes em pé de igualdade. Mas isso não acontece, o que dá margem à opinião pública se posicionar apenas contra o regime sírio, não levando em conta a composição dos rebeldes e quem os apoia.

O representante sírio na ONU, Bashar Ja`Afri, garantiu que entre os rebeles existem grupos terroristas ajudados pela Al Qaeda, o que obriga o seu governo a proteger o povo contra a ameaça externa. Não é a primeira vez que se denuncia a participação da Al Qaeda nos combates, o que já tinha acontecido no ano passado na Líbia. 

O governo sírio ameaçou utilizar armas químicas se houver invasão estrangeira. Essas armas podem estar estocadas e provavelmente foram adquiridas no Ocidente. 

Há denúncias inclusive que muitas imagens difundidas no Ocidente sobre os confrontos na Síria estão sendo produzidas nos canais de televisão no Catar.

Na Líbia, no ano passado as imagens apresentadas eram absolutamente manipuladas de forma a parecer que os rebeldes durante os confrontos tinham apoio popular. De um modo geral apareciam os rebeldes com suas metralhadoras dando tiros para o ar e conforme a disposição das câmaras parecia que alguns observadores, os próprios rebeldes, eram o povo.

A situação na Síria hoje é de extrema gravidade, não resta dúvida, mas não é difícil prever que o dia de amanhã, digamos, pós-Assad, será ainda pior, prevalecendo a barbárie, o que seria o cenário ideal para o fortalecimento de setores conservadores e pouco afetos aos valores democráticos. Ou alguém tem alguma dúvida de que a Arábia Saudita está preocupada com o respeito aos direitos humanos na Síria? E mesmo os Estados Unidos.

O cerco à Síria é um fato e se insere no contexto de fazer com que o Irã perca um aliado na região. A questão dos direitos humanos, que devem ser defendidos, claro, no fundo é mero pretexto, porque se fosse essa realmente a maior questão na área, os Estados Unidos não apoiariam monarquias como da Arábia Saudita, do Barheim e outras menos votadas. 

Em meio a este quadro de tensão e sem perspectivas de melhora, pelo menos por enquanto, ocorre um hediondo atentado na Bulgária, que vitimou cinco israelenses, um búlgaro de religião muçulmana e o próprio terrorista. 

Um fato lamentável, sem dúvida, que o primeiro ministro Benyamin Netanyahu tenta aproveitar para levantar a opinião pública contra o Irã. Antes mesmo de qualquer investigação sobre a autoria do atentado, o dirigente extremista culpou o Irã. Depois, o Pentágono e o governo israelense acusaram o Hezbollah. Teerã negou qualquer participação.

O Ministro da Defesa israelense Ehud Barak já admitiu intervir militarmente na Síria e o motivo alegado é uma eventual entrega de armas químicas pelos adeptos de Assad ao Hezbollah, no Líbano. Pretextos não faltarão e serão apresentados no momento em que a máquina militar israelense achar necessário.

Ao se analisar o significado do atentado em meio às pressões contra Teerã em função do programa nuclear, culpar o país persa logo de saída antes de qualquer investigação pode ser considerado leviandade ou algo mais grave que chega ao Mossad. 

É público e notório que o governo israelense tem feito o possível e o impossível para convencer o mundo que o programa nuclear iraniano é belicoso e está entre os seus objetivos usar bombas atômicas contra Israel.

Netanyahu se vale do holocausto, chantageando visivelmente, para mostrar que os judeus podem ser novamente vítimas, como na II Guerra Mundial, desta vez das bombas iranianas.

Isso valeu observações de figuras como o linguista estadunidense Noam Chomsky, que afirmou recentemente que Israel nuclear é um perigo e os dirigentes do Irã não teriam interesse e mesmo coragem para atacar Israel porque a retaliação seria arrasadora.

Para Chomsky, portanto, Israel nuclear é um perigo para a região e não o Irã. Poucos analistas se atrevem a afirmar isso, até porque serão execrados pelos setores que querem a todo custo bombardear as instalações nucleares do Irã e de quebra pela mídia de mercado.

E o governo israelense acusar Chomsky de antissemita fica difícil, porque ele é de origem judaica e filho de rabino. Mas não se enquadra no ideário sionista.

Em suma: é dever de todos os cidadãos do mundo ser contra guerras e violências. E respeitar os direitos humanos sem fazer disso uma arma de hipocrisia.

Pode-se e deve-se condenar desrespeitos aos direitos humanos na Síria ou em qualquer outro país, mas silenciar diante do que acontece na Arábia Saudita e em outras monarquias aliadas dos EUA é uma demonstração concreta de que a questão dos direitos humanos para os Estados Unidos é apenas jogo de interesse e hipocrisia.


Extraído do sítio Direto da Redação