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31 janeiro 2013

SANTA MARIA E OS RATOS DE PAVLOV - Paulo Moreira Leite


Quando eu tinha a idade dos meninos e meninas que morreram na balada em Santa Maria, uma tragédia igual à que ocorreu no último sábado seria usada para massacrar a liberdade da juventude.

Com seus reflexos condicionados, que permitem a um ser humano ficar idêntico aos ratos de laboratório de Pavlov – nome muito em voga na época – eles diriam que o caso demonstrava que essa juventude não tem eira nem beira, não merece a confiança dos pais, pois passam o dia fumando maconha, ouvindo rock e pensando em dormir com a namorada.

Os tempos mudaram mas é preciso reconhecer que os ratos de Pavlov permanecem. Seu alvo, agora, é o universo Lula-Dilma.

É um pouco difícil achar culpados diretos no PT, desta vez. A tragédia tem muito a ver com questões de prefeitura, e o prefeito de Santa Maria, reeleito em 2012 com mais de 54% dos votos, é do PMDB. Complica bater no sujeito, que, além de tudo, tem fama de bom político, com um histórico de atitudes respeitáveis em sua passagem por Brasília. 

Nós sabemos que, do ponto de vista pavloviano, esse tipo de questão não importa. Importa o alvo. Mas desta vez não dá para bater direto e começar a procurar relações entre as tragédias. Com cartilagem, em vez de ossos, os ratinhos conseguem atravessar as menores brechas, não é mesmo?

Lembram-se do desastre da TAM? Teve até passeata para denunciar o governo federal como culpado. Quando a causa do acidente apareceu... os ratinhos deram um jeito de atacar um assessor do presidente em vez de pedir desculpa. 

Dessa vez, o pavlovianismo acha ruim que Lula e sua mulher, Marisa, colocaram no Facebook uma nota de pesar pela tragédia. 

Claro: é oportunismo, é intromissão. Um ex-presidente, o mais popular da história brasileira, só pode ter intenções maléficas quando coloca uma nota na internet. 

Vamos combinar que, salvo amigos e parentes próximos, todo mundo poderia ser chamado de oportunista no caso.

Um observador frio pode dizer que principalmente os jornalistas estão querendo faturar com a tragédia, pois ela ajuda a aumentar a audiência e a vender jornais. Seria estúpido, mas juro que tem gente que pensa assim.

As emissoras de TV costumam ganhar audiência e prestígio com esse tipo de cobertura. Pesquise a história das grandes emissoras e garanto que vai encontrar um episódio desses, que marcou a história de todas elas. Não é vergonhoso. Não é oportunismo. 

Quantos blogueiros não conquistaram audiência no tsunami da Ásia?

Um político como Mário Covas deixou de ser um engenheiro de Santos como tantos outros por causa de uma enchente em sua cidade natal. Ele mostrou-se à altura de suas responsabilidades como cidadão e, a partir de então, conseguiu apoio popular para sua carreira política, que o levou ao Senado, ao governo de São Paulo e a uma candidatura a presidente da República.

Não vejo nada de errado na solidariedade de Lula nem de ninguém. Acho natural. Como achei natural que Zeca Pagodinho desfilasse por Xerém a bordo de seu triciclo motorizado. Só achei um pouquinho exagerada a reação favorável. Será que isso tem a ver com seus patrocinadores? 

E tenho certeza de que, para desgosto de nossos ratos de Pavlov, a solidariedade vai se ampliar nos próximos dias. Outros políticos vão se manifestar. É absurdo ficar em silêncio e cruzar os braços numa hora dessas.

É possível inverter o raciocínio. Em vez de achar que Lula está usando a tragédia para se promover, pode-se dizer que os ratos de Pavlov querem tirar proveito da tragédia para atacar o ex-presidente. Ou seja: os oportunistas de verdade são eles.

A maldade dos ratinhos de Pavlov não tem limites. Compreende-se. Eles trocaram a consciência pelos reflexos condicionados.

Esclarecimento

Mais de um leitor escreveu para informar Pavlov não fazia experiências com ratos, mas com cães. Confesso que fui atrás do Google e vi que era isso mesmo. O próprio Pavlov usou cães em exercícios de psicologia, em que descobriu os reflexos condicionados. Mas eu sempre ouvi falar em ratos de Pavlov e é fácil entender por quê. O uso de ratos, em laboratório, universalizou-se muito mais tarde. Quando os experimentos de Pavlov foram repetidos, décadas mais tarde, eles substituíram os cães. Ficaram, então, conhecidos como ratos de Pavlov. Não eram cobaias originais mas serviam ao mesmo propósito.

Parece que tanto ratos como cães tinham uma mesma reação quando recebiam um sinal de que era hora de comer - começavam a salivar com mais intensidade.

Extraído do sítio Revista IstoÉ

15 janeiro 2013

É UM DISPARATE A MÍDIA NO PAPEL DA OPOSIÇÃO - Paulo Nogueira

Por que não faz sentido a tese de que a imprensa deve substituir a “oposição fragilizada”.


Uma das teses mais esquisitas que surgiram no Brasil moderno sugere que a imprensa livre, aspas, deve fazer o papel da oposição na política, dada a suposta fraqueza desta.

A ideia foi claramente formulada pela primeira vez, ao que parece, por uma executiva da Folha, Judith Brito, que ocupou a presidência da Associação Nacional de Jornais. Disse ela: “Os meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada.”

Não é preciso mais que uma palavra para avaliar a tese: disparate.

Maiúsculas.

Exclamação.

Judith Brito
Primeiro, e acima de tudo, as companhias jornalísticas não foram eleitas. Fazer política, numa democracia, é para quem conquistou votos. Fora disso, é uma usurpação, é uma mostra torrencial de presunção, é uma ameaça à democracia.

Na Inglaterra nos anos 1930, aconteceu uma situação semelhante. Mas o premiê Stanley Baldwin reagiu num discurso épico, atribuído por alguns a seu primo, o Nobel de Literatura Rudyard Kipling.

“Alguns jornais não são jornais no sentido estrito da palavra, mas motores de divulgação de mutantes idéias, caprichos, gostos, simpatias e antipatias de seus proprietários”, disse Baldwin. “O que esses donos estão buscando é o poder sem responsabilidade, algo que ao longo da história foi prerrogativa das prostitutas.”

Baldwin, se se calasse, provavelmente seria esmagado, como um professor que se recolhe enquanto os alunos vão mais e mais berrando. Mas falou, e com sabedoria enérgica e enfática. E a ordem foi restabelecida, e foi feita história em seu pronunciamento, citado como um dos mais memoráveis da vida política britânica.

Não é só isso.

Para quem fala tanto em mercado, é um contra-senso brutal. A falta de opositores relevantes gera, para quem acredita no poder do mercado, uma oportunidade para que apareçam políticos que ocupem um espaço não preenchido.

Mas mais uma vez: estamos falando de poder com responsabilidade, legitimado pelo voto.

Sêneca dizia que, ao se lembrar de certas coisas que dissera, sentia inveja dos mudos.

É uma frase na qual Judith Brito poderia pensar.



Extraído do sítio Diário do Centro do Mundo

29 dezembro 2012

TARSO GENRO CRITICA "MÁ FÉ" EM REPORTAGEM DE ZERO HORA SOBRE CONSELHEIROS DE ESTATAIS - Marco Aurélio Weissheimer

O governador Tarso Genro enviou nota ao RS Urgente criticando e qualificando como “equivocada” a abordagem feita pelo jornal Zero Hora sobre a remuneração e indicação de conselheiros das estatais. Tarso afirma:

A reportagem parte do pressuposto que as pessoas indicadas para a composição dos conselhos não possuem qualificação para exercer as funções. Além disso, e mais grave, deixa em segundo plano a informação que estes colegiados e a remuneração aos seus integrantes estão previstos em lei e sequer são obra do atual governo. Portanto, não existe nem imoralidade nem ilegalidade, como a matéria deixa a entender. A mera exposição de pessoas e de suas respectivas remunerações, somada à repercussão de formadores de opinião e potencializada nas redes sociais, levou o cidadão a uma leitura parcial sobre o tema.

Cito dois exemplos que sustentam o entendimento de que houve “má fé”, como afirmei em entrevista ao Conversas Cruzadas, na forma de publicação da reportagem: no Facebook de ZH a matéria recebeu a chamada “Conselheiros de Bolsos Cheios”, já a jornalista Letícia Duarte, na premissa que antecedeu sua pergunta sobre o tema no Conversas Cruzadas, disse que o pagamento das remunerações aos conselheiros “soava como escândalo”. Ressalto que a expressão “má fé” foi dirigida à forma de apresentação da reportagem. Os exemplos referidos, como no caso da manifestação da jornalista, são apenas conseqüência.

Este tipo de matéria está muito em voga num certo jornalismo “pós-moderno”, nos dias de hoje: usar uma verdade factual disposta de forma milimétrica para despertar preconceitos e produzir “escândalos”; é uma espécie de “pegadinha” política. Esta reportagem foi excepcionalmente feliz neste objetivo, pois o preconceito foi despertado na voz da própria colega de trabalho do autor da matéria, que já iniciaria tratar a questão como um escândalo de governo.

Na nota, Tarso Genro também explicita quais são os critérios de indicação do governo para a composição destes conselhos no setor público:

São critérios políticos e técnicos. Todas as pessoas indicadas possuem experiência no setor público e estão acostumadas a compor colegiados dentro das estruturas partidárias, sindicais, administrativas, etc. Elas representam o governo dentro dos conselhos e, por isso, possuem a confiança do governador para gerir e fiscalizar, principalmente no que se refere ao vínculo sadio que as empresas estatais devem ter com as políticas públicas. Pessoas com experiências diversificadas são essenciais para o processo de formulação e discussão de idéias. É importante salientar que estas pessoas não substituem os conselheiros técnicos nem os órgãos de controle destas empresas.

Extraído do sítio RS Urgente

19 setembro 2012

DILMA COMEÇA A ACORDAR - Leandro Fortes


Quando Dilma Rousseff se vestiu para ir à festa de aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, logo depois de assumir a Presidência, em 2011, eu fui um dos poucos a reagir publicamente na imprensa. Mesmo entre os blogueiros progressistas, lembro apenas de outra voz dissonante a reclamar da atitude servil da presidenta, a da historiadora Conceição Oliveira, do blog “Maria Frô”. De resto, o gesto foi forçosamente saudado como um ato de estadista, de representação formal do governo e do Estado brasileiro junto a uma “instituição” nacional, no caso, o conservador diário instalado na rua Barão de Limeira, na capital paulista. O mesmo diário que, meses antes, estampara uma ficha falsa de Dilma na primeira página, com o objetivo de demonizá-la como guerrilheira e assassina e, assim, eleger o candidato do jornal, José Serra, do PSDB.

Não é difícil compreender, contudo, o que pretendia Dilma ao aceitar fazer parte da noite de gala da família Frias. Terminada a Era Lula, a presidenta se viu na contingência de criar uma rede própria de relações na mídia, com quem imaginou ser possível firmar um acordo de civilidade. Lula, a seu tempo, também caiu nessa esparrela. Mas nem a experiência do governo anterior, nem as baixarias encampadas pela mídia na campanha de 2010, ao que parece, foram capazes de convencer Dilma da inutilidade desse movimento.

A mídia que aí está, protegida pelas cidadelas dos oligopólios e por uma adestrada bancada parlamentar de vários níveis, nunca irá se conciliar com um governo de cores populares, de ligações esquerdistas, mesmo esse esquerdismo envergonhado do PT. Essa mídia tem como única agenda a defesa do grande capital, do latifúndio e do liberalismo econômico predatório regulado pelas forças do mercado. É uma mídia constrangedoramente provinciana, mas absolutamente descolada da realidade brasileira, ignorante da força dos movimentos sociais e nutrida, cada vez mais, por jornalistas pinçados da mesma classe média que acostumou a paralisar pelo medo. E, em muitos casos, por experientes jornalistas cooptados pela perspectiva de visibilidade e uma aposentadoria tranquila, às favas com os escrúpulos, pois.

Dilma, por sua vez, protege-se dessa discussão por trás do escudo da “gerentona”, da presidenta voltada para a administração da infraestrutura e da saúde econômica do país. Pouca ou nenhuma atenção dá ao alvoroço golpista diuturnamente organizado, ainda que no modelo cucaracha mais do que manjado aqui consolidado no esqueminha Veja-Jornal Nacional-Folha-Estadão-Globo, com o suporte diário dos suspeitos de sempre plantados nas trocentas colunas de opinião a serviço do pensamento único ditado pela direita brasileira.

Foi preciso um tapa na cara dado, vejam vocês, pelo gentil Fernando Henrique Cardoso para Dilma Rousseff, enfim, esboçar uma reação – e, possivelmente, entender o que está se passando no país que existe além da calçada do Palácio do Planalto e das planilhas sobre evolução da base monetária. Resgatado temporariamente do esquecimento, FHC foi alçado ao patamar de boneco de ventríloquo para falar o que nem mesmo a mídia, em toda sua fúria conservadora, tinha tido coragem até então de por em palavras: Dilma seria vítima de uma “herança pesada” de Lula.

Isso vindo de um presidente que quebrou o país três vezes, submeteu a nação ao FMI, permitiu um apagão energético, foi reeleito graças à compra de votos no Congresso e deixou o cargo com a popularidade no rodapé.

Expor FHC ao ridículo e, ao mesmo tempo, incensá-lo com longos textos laudatórios faz parte de um paradoxo recorrente na imprensa brasileira, também descolada cada vez mais de um artigo de luxo: o jornalismo. A capa da Veja com Marcos Valério de Souza, vermelho como um pobre diabo, a acusar Lula é mais um movimento desesperado para interditar o ex-presidente, justamente quando ele trabalha para eleger candidatos do PT Brasil afora. O texto, baseado em frases atribuídas a Valério, ainda que viesse mesmo da boca do publicitário mineiro, é parte de mais um rito dessa polca golpista entoada por uma estrutura de comunicação viciada e moribunda.

O mais curioso, no entanto, é a revelação feita pela Folha de S.Paulo sobre os gastos oficiais de publicidade federal com essa mídia tão liberal e amante da livre iniciativa: as Organizações Globo ficam com um terço de todo o dinheiro do tesouro nacional disponível para propaganda; as dez maiores empresas do ramo, com 70%. Ou seja, são financiados para fazer panfletagem política de quinta categoria.

Sem essas tetas generosas do governo ao qual achincalham por encomenda, todas essas portentosas instituições da imprensa nacional e seus zelosos colunistas, estes, lacrimosos paladinos da liberdade da expressão e do livre mercado, iriam à bancarrota. Todas, sem exceção.

Na semana passada, Dilma cancelou de última hora a presença em um evento da revista Exame, a quinzenal de economia da Editora Abril, em São Paulo. Alegou “motivos familiares”, mas já havia sido avisada da patranha da Veja. Mandou o ministro Guido Mantega, da Fazenda, em seu lugar. No meio do evento, Mantega se levantou e foi embora. No mesmo dia, instigada pelos donos, a cachorrada hidrofóbica instalada no esgoto da blogosfera se autoflagelou, histérica.

Já é um começo.

Extraído do sítio CartaCapital

QUAIS AS VERDADEIRAS RAZÕES DA DESIDRATAÇÃO DO "JORNAL NACIONAL"? - José Dirceu

Dois mitos que caem juntos. O primeiro, de que o “Jornal Nacional”, da Globo, seria um telejornal imbatível, inatingível e intocável. Não é nada disso. O principal telejornal da Globo lamenta estar sendo muito prejudicado no período da veiculação do horário político eleitoral e já viu 20% de sua audiência ir embora. A informação está na coluna Outro Canal, assinada por Keila Jimenez e publicada na Folha. 

Realocado para mais cedo na grade de programação da Globo, para dar espaço à propaganda política, o "JN" sofre com a migração de público para a TV paga e ainda enfrenta um adversário forte em audiência: a novelinha infantil "Carrossel" do SBT.

E a queda do JN pode estar se dando, ainda, por outras razões. Por exemplo, pelo fato de as notícias serem velhas uma vez que foram divulgadas na internet durante o dia. Ou ainda devido ao enorme tempo dedicado ao julgamento no Supremo, uma decisão política dos Marinhos e que revela que a mídia brasileira ainda não sabe lidar com as novas mídias e com a nova realidade política e social do país.

A Globo usa seus telejornais para fazer oposição ao governo, quando a imensa maioria da população apoia o governo. Recusa a regulação e a concorrência, o pluralismo e a diversidade... Enfim, mantém-se fiel ao discurso único, forçando a mão numa imagem que não bate com a realidade do país.

A queda

A média do "JN" de janeiro a agosto deste ano, quando ia ao ar na faixa a partir das 20h30, é de 30,4 pontos. Cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande SP. Com o início do horário eleitoral, dia 21 de agosto, o noticiário passou a ir ao ar meia hora mais cedo, às 20h. Sua média de audiência, de 21 de agosto (início da propaganda eleitoral) a 13 de setembro, caiu para 24,3 pontos. 

Uma queda de seis pontos de audiência. O IBOPE do jornalístico chega a ser menor que o do próprio horário político na Globo. A propaganda eleitoral teve média na rede de 24,9 pontos até o último dia 13. 

A novelinha "Carrossel" parece ter sentido menos o baque da propaganda política no Ibope. Caiu da média de 13,5 pontos para a casa dos 12 pontos, nos últimos dias. É a Globo quem diz: "Carrossel" também perdeu público com o horário eleitoral: perdeu cerca de 13% de audiência, dizem eles. Na verdade, 11,1% pelos números dados aqui. Bem menos do que os 6 pontos do “JN”, que equivalem a uma queda de 19,7%.

Extraído do Blog do Zé Dirceu

06 setembro 2012

DILMA NÃO ESCOLHEU FHC. A QUESTÃO É QUE A OPOSIÇÃO NÃO TEM OUTRA LIDERANÇA NACIONAL - José Dirceu

Está parcialmente correta a maior parte das avaliações dos analistas políticos sobre a resposta dada em nota oficial pela presidenta Dilma Rousseff ao artigo publicado no domingo em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso julgou o governo Lula. No texto FHC, ao mesmo tempo, deu seguimento à estratégia da oposição de tentar estabelecer dissensões entre o ex e a atual presidentes petistas.

Equivocam-se, porém, os analistas que afirmam que a presidenta da República dirigiu a nota ao antecessor tucano porque decidiu elegê-lo como interlocutor na oposição. Analisem comigo. A chefe do governo não o elegeu. Na verdade, ela não tinha escolha. A quem retrucar, na oposição, aos ataques desferidos a ela e a seu governo, a não ser o ex-presidente FHC?

Os que vão por esta linha, de que ela escolheu o ex-presidente, escondem um fato importante: a oposição e os tucanos não têm uma liderança nacional fora FHC. Queiramos ou não - eles e nós - o ex-presidente tucano continua o grande nome deles, a figura central, o símbolo e o grande defensor do ideário neoliberal. Ainda que não seja liderança para entrar em disputa eleitoral, não se disponha mais a ser candidato.

Há meses FHC tenta desconstruir Lula. Aqui e no exterior

Além do mais, o ex-presidente FHC vem há meses nessa tentativa de desconstruir a imagem do ex-presidente Lula e de seus dois governos. Aqui e no exterior. É como disse ontem o líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP): "O Fernando Henrique pediu [para levar a resposta que levou]. Estamos em época de eleição e querer descolar a imagem de Dilma da de Lula é desconhecer a relação dos dois. (Com a nota) a presidenta recolocou as coisas no devido lugar".

Então, eu afirmei e insisto: os tucanos não têm uma liderança nacional fora FHC. José Serra, que em nome deles disputou e perdeu duas vezes a Presidência da República, caminha para uma derrota nesta 4ª vez em que disputa a Prefeitura de São Paulo, e para uma possível aposentadoria.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), há dois anos em campanha como presidenciável para 2014 (na verdade, até desde antes de se eleger senador em 2010), com seu comportamento não é levado a sério. Além disso, não emplacou como liderança nacional nem entre os tucanos. Fora de Minas, sua liderança é uma incógnita.

Quem mais de liderança nacional a oposição tem no leque de legendas partidárias que a formam, PSDB-DEM-PPS-PV, etc.? Resta FHC. Daí a resposta da presidenta Dilma a ele. Até para ela marcar nitidamente sua posição e se diferenciar de alguns dos nossos aliados que acenam para o tucanato e para as elites, até com possíveis coligações partidárias e alianças políticas em 2014.

Extraído do Blog do Zé Dirceu

13 agosto 2012

O TRISTE FIM DE POLICARPO - Leandro Fortes

Capa da edição de número 710
de CartaCapital
Na CartaCapital dessa semana há uma história dentro de uma história. A história da capa é o desfecho de uma tragédia jornalística anunciada desde que a Editora Abril decidiu, após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, que a revista Veja seria transformada num panfleto ideológico da extrema-direita brasileira. Abandonado o jornalismo, sobreveio a dedicação quase que exclusiva ao banditismo e ao exercício semanal de desonestidade intelectual. O resultado é o que se lê, agora, em CartaCapital: Veja era um dos pilares do esquema criminoso de Carlinhos Cachoeira. O outro era o ex-senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Sem a semanal da Abril, não haveria Cachoeira. Sem Cachoeira, não haveria essa formidável máquina de assassinar reputações recheada de publicidade, inclusive oficial.

A outra história é a de um jornalista, Policarpo Jr., que abandonou uma carreira de bom repórter para se subordinar ao que talvez tenha imaginado ser uma carreira brilhante na empresa onde foi praticamente criado. Ao se subordinar a Carlinhos Cachoeira, muitas vezes de forma incompreensível para um profissional de larga experiência, Policarpo criou na sucursal da Veja, em Brasília, um núcleo experimental do que pior se pode fazer no jornalismo. Em certo momento, instigou um jovem repórter, um garoto de apenas 23 anos, a invadir o quarto do ex-ministro José Dirceu, no Hotel Nahoum, na capital federal. Esse ato de irresponsabilidade e vandalismo, ainda obscuro no campo das intenções, foi a primeira exalação de mau cheiro desse esgoto transformado em rotina, perceptível até mesmo para quem, em nome das próprias convicções políticas, mantém-se fiel à Veja, como quem se agarra a um tronco podre na esperança de não naufragar.

A compilação e análise dos dados produzidos pela Polícia Federal em duas operações – Vegas, em 2009, e Monte Carlos, em 2012 – demonstram, agora, a seriedade dessa autodesconstrução midiática centrada na Veja, mas seguida em muitos níveis pelo resto da chamada “grande” imprensa brasileira, notadamente as Organizações Globo, Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e alguns substratos regionais de menor monta. Ao se colocar, veladamente, como grupo de ação partidária de oposição, esse setor da mídia contaminou a própria estrutura de produção de notícias, gerou uma miríade de colunistas-papagaios, a repetir as frases que lhes são sopradas dos aquários das redações, e talvez tenha provocado um dano geracional de longo prazo, a consequência mais triste: o péssimo exemplo aos novos repórteres de que jornalismo é um vale tudo, a arte da bajulação calculada, um ofício servil e de remuneração vinculada aos interesses do patrão.

A Operação Vegas, vale lembrar, foi escondida pelo procurador-geral da República Roberto Gurgel, este mesmo que por ora acusa mensaleiros no STF com base em uma denúncia basicamente moldada sobre os clichês da mídia, em especial, desta Veja sobre a qual sabemos, agora, que tipo de fontes frequentava. Na Vegas, a PF havia detectado não somente a participação de Demóstenes Torres na quadrilha, mas também de Policarpo Jr. e da Veja. Essa informação abre uma nova perspectiva a ser explorada pela CPI do Cachoeira, resta saber se vai haver coragem para tal.

Há três meses, representantes das Organizações Globo e da Editora Abril fecharam um sórdido armistício com Michel Temer, vice-presidente da República e cacique-mor do PMDB. Pelo acordo, o noticiário daria um descanso para Dilma Rousseff em troca de jamais, em hipótese alguma, a CPI do Cachoeira convocar Policarpo Jr., ou gente maior, como Roberto Civita, dono da Abril. A fachada para essa negociata foi, como de costume, as bandeiras das liberdades de imprensa e de expressão, dois conceitos deliberadamente manipulados pela mídia para que não se compreenda nem um nem outro.

No dia 14 de agosto, terça-feira que vem, o deputado Dr. Rosinha irá ao plenário da CPI apresentar um requerimento de convocação do jornalista Policarpo Jr.. É possível, no mundo irrreal criado pela mídia e onde vivem nossos piores parlamentares, que o requerimento caia, justamente por conta do bloqueio do PMDB e dos votos dessa oposição udenista sem qualquer compromisso com a moral nem o interesse público.

Será uma chance de ouro de todos nós percebermos, enfim, quem é quem naquela comissão.

Extraído do sítio CartaCapital

06 agosto 2012

A IMPRENSA BRASILEIRA ENVERGONHA NOSSA DEMOCRACIA - Paulo Cavalcanti

O que dizer de um país, onde 11 famílias detêm o monopólio da "opinião publicada" - sim pois quando eles (os donos dos jornais), declaram que aquilo que está publicado em seus jornais, "é opinião pública" - na verdade, trata-se da opinião exclusiva "deles", que fazem uso da nossa opinião, sem pedir procuração.


O escândalo, envolvendo a revista Veja, com uma quadrilha de contraventores do jogo do bicho, faz de Rupert Murdoch, magnata da mídia inglesa, um escoteiro mirim. No entanto, pirotecnias implementadas, no sentido de blindar Roberto Civita, dono da revista Veja e do Grupo Abril, parece que te surtido resultados, pois até aqui, nada aconteceu.

No dia 08/05/2012 - o jornal "O Globo" da família Marinho (um dos 11 donatários da opinião públicada), em editorial, defendeu Roberto Civita, em editorial sob o título, "Roberto Civita não é Rupert Murdoch" - leia aqui - uma defesa, prá lá de apaixonada, ridícula, e sem fundamentos, porém, ele é o dono da nossa opinião, como nós não temos um jornal para contestá-lo, vale o escrito. Leiam o editorial, para mensurar até onde vai, a cara de pau, e impáfia de quem tem poder de escrever aquilo que bem entende, na certeza da falta de contestação a altura.

Leia, um trecho do editorial apaixonado

" (...) Comparar Civita a Murdoch é tosco exercício de má-fé, pois o jornal inglês invadiu, ele próprio, a privacidade alheia. Quer-se produzir um escândalo de imprensa sobre um contato repórter-fonte. Cada organização jornalística tem códigos, em que as regras sobre este relacionamento - sem o qual não existe notícia - têm destaque, pela sua importância. Como inexiste notícia passada de forma desinteressada, é preciso extremo cuidado principalmente no tratamento de informações vazadas por fontes no anonimato. Até aqui, nenhuma das gravações divulgadas indica que o diretor de "Veja" estivesse a serviço do bicheiro, como afirmam os blogs, ou com ele trocasse favores espúrios. Ao contrário, numa das gravações, o bicheiro se irrita com o fato de municiar o jornalista com informações e dele nada receber em troca..."

O que esperar de uma democracia capenga, onde a imprensa não está à serviço da verdade imparcial? O que esperar de uma democracia, onde ministros do STF, se manifestam fora dos autos em tempo integral, e pela imprensa que manipula a opinião pública? O que esperar de uma democracia, onde o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, pede a condenação dos réus, porém declara em pleno julgamento do processo do mensalão, que "não existem provas, pois quadrilhas, não deixam rastros" - ou seja, a declaração desconstrói a tese de que "não existe crime perfeito" - ou seja, ninguém comete um crime tão perfeito, a ponto de não deixar prova alguma na cena do referido crime.

O desespero da imprensa, "que é oposição"

O Globo (18/3/2010) publicou a seguinte declaração de Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e executiva do grupo Folha de S.Paulo:

"A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação e, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo."

A falta de ar, provocada pelas ações inócuas implementadas até aqui, é que, todas as mentiras e factoides desferidos até o momento, não produziu efeito prático e concreto. Observem que em pleno julgamento do mensalão, sai um pesquisa, onde Lula e Dilma, está bombando, numa demonstração de que apesar da "opinião publicada" - a "opinião publica" - tá cagando e andando para essa manipulação toda, referente a criminalização dos 38 réus do mensalão, sem provas, como o próprio Procurador Roberto Gurgel, admite que não existem.

O conluio imprensa, bandidos e justiça

Como pode, uma órgão de imprensa estar metido com quadrilha de bandidos, juntamente com Senador da República (Demóstenes Torres - DEM/GO), e nem o dono da revista Roberto Cívita, nem o jornalista Policarpo Jr, serem convocados à prestar esclarecimentos públicos, sobre as falcatruas que aparecem no vídeo acima?

A imprensa no Brasil, caiu num descrédito tão grande, que a população em geral, sequer vê, lê, ou escuta aquilo que eles publicam. Num quadro preocupante, onde a oposição deixou de existir desde 2003 - uma imprensa que perdeu completamente a credibilidade. Quem sofre com isso, é a combalida democracia, onde tudo virou um angu, parece que tudo virou uma coisa só.

Já publiquei neste blog, opinião de preocupação com relação ao quadro que se apresenta - leia aqui - e assista o vídeo com as 11 famílias que são donas da nossa opinão - onde sem dúvidas, dá sinais, de que estamos bem próximos do advento de grandes mudanças, que não se sabe quais são, daí os motivos da inquietação, pois estamos 24 hs sob ameaça de que "algo está para acontecer", o Brasil esta funcionando há 10 anos, sem oposição no Congresso Nacional. A única iniciativa "capenga" de oposição durante todo esse período, coube às 11 famílias donatárias da "opinião publicada".

Numa democracia plena, é saudável que os poderes funcionem em harmonia, porém o quadro que ora se apresenta é o seguinte: um partido que ganhou o governo mas não ganhou o poder, um Congresso cuja base aliada é um saco de gatos, não passa a menor segurança de governabilidade, uma vez que tudo é decidido no "balcão de negócios" - e finalmente, um judiciário lento, caro e injusto com o cidadão, e de quebra, com ministros e juízes se pronunciando fora dos autos, emitindo opiniões condenatórias sobre processos que correm em segredo de justiça, como se tivesse num boteco tomando cerveja com os amigos.

Pobre democracia essa nossa....

Extraído do Blog do Paulinho