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10 setembro 2012

HOLLANDE ANUNCIA CORTES E IMPOSTO DE 75% PARA MAIS RICOS - Eduardo Febbro

O chefe de Estado anunciou neste domingo uma "agenda para recuperação" cujo eixo central são gigantescos cortes orçamentários e o aumento dos impostos que, em sua maioria, recairá sobre as empresas e as economias dos mais ricos. O contrato proposto é ambicioso. Hollande fixou um plano de um ano para “dar a volta” na curva negativa do desemprego. Os socialistas enfrentam um tipo de histeria selvagem da mídia. E o homem mais rico da França, Bernard Arnault, pediu "exílio fiscal" na Bélgica. O artigo é de Eduardo Febbro, direto de Paris.


Paris - Chegou a hora de pagar a conta dolorosa, quando as ilusões suscitadas na eleição do socialista François Hollande para a presidência da República em maio passado começavam a fazer ondas sem volume. O chefe de Estado anunciou neste domingo uma "agenda para recuperação" cujo eixo central é composto por gigantescos cortes orçamentários e o aumento dos impostos que, em sua maioria, recairá sobre as empresas e as economias dos mais ricos. 

Trata-se, segundo o próprio Hollande admitiu, do "maior esforço econômico dos últimos 30 anos". O dirigente socialista detalhou que o Estado precisava de 30 bilhões de euros a mais para fechar as contas do ano que vem. Desses 30 bilhões, 20 serão arrecadados via um aumento de impostos compartilhado entre os cidadãos e as empresas e outros 10 bilhões virão de cortes de gastos em quase todos os ministérios. A soma equivale a 1,5% da riqueza nacional. 

O presidente atravessa um momento delicado: as pesquisas de opinião lhe são adversas – tem a confiança de menos da metade dos cidadãos –, seu próprio campo político não esconde o desconforto perante a aparente imobilidade, a esquerda radical ameaça com o veto de passagens decisivas do texto do projeto e a mídia carrega a crítica contra Hollande, como se ele estivesse no poder há 3 anos. São apenas quatro meses, mas as manchetes dos grandes jornais e semanários refletem uma voracidade indecente : "E se Sarkozy tinha razão ?", pergunta-se a manchete principal do semanário conservador Le Point, enquanto o progressista Libération também se perguntava : "Sarkozy, estás aí ?".

A França ficou tão intoxicada pelo sarkozysmo, por sua estratégia invasora, por sua bateria de anúncios e medidas poucas vezes levadas à prática que, na semana passada, o primeiro ministro francês, Jean Marc Ayrault, disse aos jornalistas que era preciso que eles se « desintoxicassem ». O Executivo está sob pressão da imprensa, da impaciência da sociedade, dos efeitos permanentes da crise, do desemprego e das ilusões derivadas de uma mudança que tarda e que a eleição de Hollande fez nascer no eleitorado. Mas o rigor das contas e o exercício do poder impõem limites aos sonhos. Rigoroso e muito sólido em seus argumentos, François Hollande esclareceu neste domingo que, em substância, não mudou sua posição: os ricos pagarão mais. 

O chefe de Estado interpelou os ricos para que "demonstrem patriotismo" e, na mesma linha, confirmou que o governo implementará uma das promessas da campanha eleitoral que foi decisiva para a sua eleição : o imposto de 75% aplicável a quem tem renda superior a um milhão de euros. « Os que têm mais terão de pagar mais », disse, quando deixou claro que os aumentos de impostos nao se aplicariam nem de forma "linear" nem "indiscriminada". 

O pacotaço apresentado pelo Chefe de Estado supõe o fim dos privilégios fiscais exorbitantes que o ex-presidente Nicolas Sarkozy tinha concedido aos mais abastados. Quando Hollande anunciou na campanha a taxação de 75% sobre a renda daqueles que ganham mais de um milhão de euros, os grandes atletas, os cantores e os atores botaram a boca no trombone. Foram os inimigos mais acirrados dessa tributação e, hoje, serão os primeiros a pagá-la. No total, com as duas taxações, de 75% e 45%, haverá algo como 3 mil pessoas que voltarão a contribuir com o Estado. Mesmo assim, o presidente deixou claro que os ganhos de capital serão taxados com o mesmo índice que o salário do trabalhador, ou seja, entre 19% e 24%. 

Hollande disse que, assim como se passa no resto da Europa, a França tem uma "batalha contra o desemprego e contra a dívida. E assim como na Europa, necessitamos de disciplina e crescimento". Na mesma linha dessa declaração, Hollande anunciou que o Estado criará 100 mil novos postos de trabalho, num mercado golpeado como nunca pelo desemprego. As estatísticas publicadas há uma semana mostram um quadro de 3 milhões de desempregados. 

O presidente francês propôs à sociedade um contrato temporário para levar o país adiante: “Peço dois anos para solucionar os problemas da competitividade, do emprego e das contas públicas”. Do ponto de vista concreto, a mudança demorará a se formar. O presidente anunciou que as reformas iriam acelerar, mas assinalou: “não posso fazer em quatro meses o que o meu antecessor não fez em cinco anos”.

O contrato proposto é ambicioso. Hollande fixou um plano de um ano para “dar a volta” na curva negativa do desemprego. É legítimo reconhecer que os socialistas enfrentam um tipo de histeria selvagem da mídia. Qualquer pessoa que chegasse a França hoje e lesse os jornais e revistas, de esquerda ou de direita, teria a impressão de que chega a um país em guerra e em plena débâcle. “Pedi uma presidência exemplar, simples, próxima do povo e, ao mesmo tempo, estou a favor de uma presidência de ação e de movimento”, disse na televisão, dirigindo-se aos que o acusavam de incompetência, ambivalência e imobilismo. 

Os anúncios deste domingo são fortes. A pancada fiscal sobre as caixas fortes dos ricos confortará uma sociedade abalada pela decisão de Bernard Arnault, o homem mais rico da França e presidente do grupo LVH, de pedir a nacionalidade belga. Seu gesto foi interpretado como um exílio fiscal – visando a pagar menos impostos – disfarçado. Bernard Arnault deixou claro que não era por isso, que seguiria pagando seus impostos na França. Mas ninguém acreditou nele. Arnault tinha sido um militante aguerrido contra a tributação de 75% sobre os rendimentos superiores a um milhão de euros. 

Nos últimos dias ele deu um presente de ouro a Hollande: preparou-lhe o terreno para que o aumento de impostos sobre grande parte dos milionários se tornasse inobjetável.

* Tradução: Katarina Peixoto

Extraído do sítio Carta Maior

24 agosto 2012

MERKEL E HOLLANDE PEDEM MAIS ESFORÇOS DE ATENAS


Durante encontro em Berlim, a chanceler federal alemã e o presidente francês apelaram para que a Grécia continue comprometida em aplicar as medidas necessárias para permanecer na zona do euro.

Angela Merkel e François Hollande afirmaram nesta quinta-feira (23/08) que a Grécia deve se esforçar para permanecer na zona do euro, o que, garantem, é o desejo de Berlim e Paris. 

"Encorajo nossos amigos gregos a continuarem no caminho das reformas e sei como esses esforços são difíceis para a Grécia", disse Merkel ao final de um encontro com Hollande em Berlim, acrescentando que "é importante que todos respeitem os seus compromissos". 

Também Hollande apelou aos gregos para que façam o que for necessário para recuperar a economia. "Queremos, eu quero, que a Grécia permaneça na zona do euro. É uma vontade que exprimimos desde o início da crise. Cabe aos gregos fazer os esforços indispensáveis para que possamos atingir esse objetivo", sublinhou o chefe de governo francês.

Na discussão sobre um possível alargamento de prazo para a implementação do programa de reforma grega, Merkel disse que é melhor aguardar o relatório da troika, formada por representantes da União Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional. A análise é aguardada para setembro e deverá ser a base para uma decisão sobre a liberação de mais ajuda financeira.

Berlim rejeita apelo grego

Tema central do encontro entre Merkel e Hollande foi a atitude a ser tomada em relação ao primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, que visita Berlim nesta sexta-feira, prosseguindo para Paris no sábado. A Grécia, altamente endividada, necessita urgentemente de mais verbas para evitar a bancarrota.

O conservador Samaras vem pedindo mais tempo para cumprir as metas estabelecidas pelos credores internacionais. Em entrevista à imprensa alemã, ele afirmou que seu governo não pede "mais dinheiro" e sim "mais espaço para respirar". Falando ao jornal francês Le Monde, Samaras alertou para o efeito dominó que a saída de seu país da zona do euro pode causar e pediu que cessem as especulações sobre uma saída da Grécia da moeda comum europeia.

"Como é possível privatizar alguma coisa se a cada dia líderes europeus especulam sobre uma 'possível saída da Grécia da zona do euro'?", queixou-se o primeiro ministro grego. "Isso tem que acabar".

Uma ampliação no prazo para a implementação do programa de reformas, como quer Samaras, é ideia que encontra forte resistência em Berlim. "Mais tempo não é uma solução para os problemas", ressaltou o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, em entrevista a uma rádio alemã. Na opinião do político, dar mais tempo pode também significar, em última instância, ter que "dar mais dinheiro", o que exigiria um novo programa de resgate, que poderia desestabilizar os mercados financeiros e prejudicar a zona do euro.

Extraído do sítio Deutsche Welle

11 junho 2012

ESQUERDA TEM MAIORIA EM PRIMEIRO TURNO DAS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS FRANCESAS



Comparecimento às urnas nas eleições legislativas na França foi menor do que no último pleito. Esquerda saiu vitoriosa neste primeiro turno. Resultado final garantirá a Hollande apoio para governar.

Segundo estimativas na noite deste domingo (10/06), os partidos de esquerda que sustentam François Hollande (o Partido Socialista, ao qual pertence o presidente, o Partido Verde e a Frente de Esquerda) alçancaram um total de 47% dos votos nas eleições legislativas francesas. A conservadora UMP, do ex-presidente Nicolas Sarkozy, ficou com 35%. O partido populista de extrema direita Frente Nacional recebeu cerca de 14% dos votos.

O comparecimento às urnas foi de 60% dos votantes – um percentual menor que em 2007. Tradicionalmente, as eleições legislativas atraem no país menos eleitores que as presidenciais. Cerca de 45 milhões de franceses foram às urnas para eleger os 577 deputados da Assembleia Nacional.

O resultado final das eleições legislativas só será definitivo, contudo, depois do segundo turno do pleito, que acontece em uma semana. Para serem eleitos já no primeiro turno, os candidatos precisam de uma maioria absoluta – algo que poucos deles conseguem.

A troca de poder na Assembleia Nacional dará à esquerda francesa poderes para definir a política do país. Na segunda câmera do Parlamento (Senado), ela já conta desde o ano passado com esta maioria.

Alemanha observa

Hollande não apoia Merkel em sua política de austeridade como seu antecessor
Quando um presidente não conta no Parlamento com uma maioria, os franceses definem a situação como "governo de coabitação". Isso seria para Hollande extremamente difícil. Com uma maioria de direita conservadora, ele teria que frear seus planos de reformas. Mas as pesquisas de opinião apontam para uma vitória certa de esquerda no segundo turno, não creditando ao UMP de Nicolas Sarkozy nenhuma chance de sucesso nas urnas. Até agora, o partido conservador do ex-presidente compunha uma maioria na Assembleia Nacional.

As eleições na França são também observadas com atenção na Alemanha. Depois que a premiê Angela Merkel perdeu, com a saída de Sarkozy do poder, seu mais fiel aliado na Europa, ela ficou praticamente sozinha na defesa de sua política linha-dura de austeridade.

Se a política de Hollande for corfirmada com uma maioria no Parlamento francês no segundo turno, o socialista terá maior aval internacional. Dentro da Alemanha, Merkel enfrenta também a resistência da oposição: com uma severidade até então nunca demonstrada, os social-democratas alemães criticam a política europeia de austeridade da premiê e defendem, como Hollande, um pacote de incentivo ao crescimento econômico com maiores investimentos por parte do Estado.


Extraído do sítio Deutsche Welle

08 junho 2012

HOLLANDE ALERTA PARA "RISCO DE FRACASSO" DA RIO+20

Presidente francês, François Hollande, chega a fórum nesta sexta-feira. (REUTERS/Remy de la Mauviniere/Pool)

O presidente François Hollande afirmou nesta sexta-feira em Paris que há "um risco de fracasso" da conferência de Desenvolvimento Sustentável Rio+20, devido a outras "urgências", como a crise econômica e a situação na Síria. O líder francês vai comparecer ao evento, que acontece no Rio de Janeiro de 20 a 22 de junho. Ele discursou na abertura de um fórum para preparar a participação francesa na Rio+20.

A conferência do Rio "será difícil, nós sabemos que há riscos, o risco de palavras pronunciadas que não se transformarão em atos, o risco da divisão entre países desenvolvidos, países emergentes, países pobres, o risco de fracasso porque pode haver outras urgências", enfatizou François Hollande.

O chefe de Estado pronunciou um discurso na abertura do fórum do clube France Rio+20, que reúne políticos, líderes associativos, empresários, ONGs e sindicatos para preparar a participação francesa na conferência.

"O mundo está hoje voltado para a crise econômica, a crise da finança, está preocupado com uma série de conflitos, como o da Síria", que faz com que "nos esqueçamos facilmente do que no entanto é uma grande urgência, o meio ambiente", alertou François Hollande.

Segundo ele, "o fracasso pode ser o resultado de uma forma de desenvoltura, de indiferença, de leveza, da tentação cômoda de ignorar os perigos, e no entanto eles estão aí: há uma crise da biosfera", insistiu o presidente francês.


Extraído do sítio RFI

PARIS QUER "RESPOSTAS URGENTES" À CRISE ANTES DE FALAR DE UNIÃO POLÍTICA DA EUROPA

Ian Langsdon, EPA
A França pretende que sejam dadas “respostas urgentes” à crise europeia e só depois aceita discutir o aprofundamento da união política. Respondendo às posições de Angela Merkel sobre a matéria, o ministro francês dos Assuntos Europeus disse que “a prioridade não é colocar em marcha uma nova reforma institucional”, um ano e meio depois da entrada em vigor do tratado de Lisboa. A chanceler Alemã tinha defendido na véspera um fortalecimento gradual da união política e fiscal no seio da União Europeia como sendo o melhor caminho para ultrapassar a crise.

“A França é a favor de um aprofundamento” da Europa política, disse o ministro Bernard Cazeneuve, mas “a reforma institucional não pode vir antes das respostas urgentes que são exigidas pela crise”.

O reforço da integração política na Europa “não pode ser encarado sem a adesão dos povos, e essa adesão será impossível enquanto a União Europeia não demonstrado a sua capacidade de encontrar respostas para a crise”, acrescentou o ministro de François Hollande.


Europa uma vez mais dividida na resposta à crise

São cada vez mais os parceiros europeus da Alemanha que pedem ações imediatas para apagar o incendio da crise da dívida, mas nas declarações de quinta-feira, Angela Merkel preferiu focar-se no longo prazo, apelando a uma Europa política reforçada e dando como exemplo uma eleição do Presidente da Comissão Europeia por sufrágio universal. 

« Precisamos de mais Europa (…) de uma união orçamental (…) e temos necessidade, antes de mais, de uma união política. Passo a passo devemos abandonar as competências à Europa” declarou a chanceler alemã, que disse também defender uma União a duas velocidades se alguns países se recusarem a seguir nesta direção. 

Eurobonds: Sim? Não? Quando?

Um dos principais pontos de discórdia entre Paris e Berlim continua a centrar-se na questão das obrigações de dívida europeias ou eurobonds. O ministro francês dos Assuntos Europeus disse que as negociações sobre a mutualização da dívida prosseguem, no sentido de elaborar “um roteiro, ou seja um plano, acompanhado de um calendário, que nos permita rer uma perspetiva clara”, na cimeira europeia que se realiza a 28-29 deste mês

“Hoje em dia, a discussão entre a França e a Alemanha já não é tanto sobre se deve haver obrigações europeias, mas sim qual o momento em que estas devem ser tornadas realidade”, explicou Cazenouve.

“Segundo a França, os eurobonds devem ser uma parte da solução para ultrapassar a crise, e podem também servir de catalisador a um processo de integração das instituições. Segundo a Alemanha, eles só podem vir a existir quando a crise já tiver sido ultrapassada no plano financeiro e orçamental e algumas etapas já tiverem sido cumpridas no plano institucional”, acrescentou. 

Alemanha diz que só empresta o seu "cartão de crédito" a troco de federalismo

Este mesmo problema tinha já sido resumido noutras palavras pelo próprio presidente francês na cimeira europeia informal de 23 de maio:

“A opinião alemã é de considerar as obrigações europeias como um ponto de chegada, isto num cenário otimista, enquanto que, para a nós, os eurobonds são um ponto de partida », disse então François Hollande. 

Já a posição de Berlim sobre os eurobonds foi resumida nas declarações recentes do presidente do Banco Central da Alemanha Jens Weidmann:

“Ninguém confia a outra pessoa o seu cartão de crédito se não tiver possibilidades de controlar as despesas que o outro fará. A mutualização da dívida é uma das faces de uma moeda que na outra face tem o federalismo”, disse o presidente do Bundesbank.


Extraído do sítio RTP

20 maio 2012

MERKEL NEGA DIVERGÊNCIAS ENTRE PARIS E BERLIM NO COMBATE À CRISE



Chanceler federal Angela Merkel nega "diferenças" entre Alemanha e França no que diz respeito ao combate à crise na zona do euro. Berlim e Paris não defendem posições distintas, disse a premiê.

Durante a cúpula do G8, em Camp David, a residência campestre do presidente norte-americano, localizada nas proximidades de Washington, a premiê alemã Angela Merkel afirmou que crescimento econômico e consolidação do orçamento são "dois lados de uma mesma moeda". Segundo ela, os dois aspectos "convergem para o mesmo lugar". Até a próxima cúpula da União Europeia, agendada para junho, os países do bloco irão analisar as diversas possibilidades de incentivo ao crescimento, segundo Merkel.

Incentivos ao crescimento: reivindicação de Obama e Hollande

A chefe de governo alemã participa do encontro das sete maiores nações industrializadas do mundo – EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá – bem como da Rússia, unidas sob a sigla G8. Merkel, segundo diversos observadores, vem sendo pressionada para abdicar da rígida política de austeridade que defende para o combate à crise na zona do euro. O presidente norte-americano, Barack Obama, e o novo presidente francês, o socialista François Hollande, exigem um foco mais acentuado no crescimento econômico.

Da declaração oficial de encerramento da cúpula em Camp David, não há, contudo, nenhuma observação neste sentido. Os chefes de Estado e governo presentes no encontro defenderam dois caminhos paralelos: de um lado, incentivos ao crescimento econômico; de outro, medidas visando consolidar o orçamento público. Merkel ressaltou que os países do G8, altamente endividados, não dispõem mais da possibilidade de lançar mão de programas clássicos de apoio à conjuntura, como ocorreu durante a crise financeira em 2008.

O presidente norte-americano também salientou, segundo participantes do encontro, a necessidade de que se evite "impulsos artificiais" de apoio à conjuntura. Obama e Merkel reuniram-se em um encontro a dois após o fim da cúpula, a fim de debater mais uma vez a crise na zona do euro e a situação econômica global, afirmou um porta-voz da Casa Branca, sem, contudo, fornecer maiores detalhes a respeito da conversa.

Líderes dos países do G8 em Camp David, nos EUA
Hollande defende eurobonds

Enquanto isso, o recém-eleito presidente francês, François Hollande, anunciou em Camp David que pretende sugerir, durante a cúpula informal da EU, a ser realizada na próxima semana, a introdução de títulos públicos comuns europeus, os chamados eurobonds.

"Apresentarei todas as sugestões de crescimento no encontro informal no próximo 23 de maio", disse Hollande. Berlim rejeita com determinação, pelo menos até o momento, a proposta dos eurobonds. A Alemanha teria que pagar por tais títulos juros ainda mais altos do que paga no momento por seus próprios títulos públicos. Já para os países em crise, o peso dos juros diminuiria.

O semanário Der Spiegel anunciou, sem mencionar a fonte da informação, que Hollande tem sérias resistências ao nome do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, como próximo presidente do Grupo do Euro. Segundo a revista, Hollande já mandou avisar aos responsáveis em Bruxelas que dificilmente aceitará um presidente alemão para o Grupo.

Schäuble vem sendo há muito cogitado como próximo presidente do grêmio, do qual participam todos os países-membros da união monetária europeia. O atual presidente do Grupo, Jean-Claude Juncker, que é também chefe de governo de Luxemburgo, pretende entregar o cargo em fins de junho próximo.

Encontro em Roma

O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, anunciou um encontro dos três chefes de governo da Alemanha, França e Itália para junho próximo, a ser realizado em Roma. Monti afirmou durante o encontro do G8, nos EUA, estar satisfeito ao perceber que se locomove "na mesma onda" que o presidente francês Hollande. O premiê da altamente endividada Itália defendeu diversas vezes nas últimas semanas medidas mais eficazes de incentivo ao crescimento econômico.


Extraído do sítio Deutsche Welle

07 maio 2012

EUROPEUS ABREM OS BRAÇOS PARA FRANÇOIS HOLLANDE

François Hollande se prepara para encontrar os líderes da comunidade internacional. REUTERS/Regis Duvignau


Depois da vitória de François Hollande no segundo turno das eleições presidenciais francesas, diversas vozes reagiram na Europa, parabenizando o socialista e o convidando para encontros estratégicos. Vários líderes do velho continente se disseram dispostos a trabalhar com o novo presidente francês para a retomada do crescimento europeu. 

A chanceler alemã Angela Merkel foi a primeira a telefonar para François Hollande para felicitá-lo e convidá-lo para ir a Berlim. Os dois dirigentes tiveram uma primeira conversa e combinaram de trabalhar juntos em uma relação franco-alemã forte, amistosa e ao serviço da Europa.

A Alemanha será a primeira viagem de François Hollande ao exterior depois de sua posse, prevista para o dia 15 de maio, data do fim do mandato de Nicolas Sarkozy.

O primeiro-ministro David Cameron também conversou com Hollande por telefone, para felicitá-lo pela vitória.

Ainda na Europa, o premiê português Pedro Passos Coelho, que dirige um governo de centro-direita, enviou os votos de sucesso a Hollande pelo mandato que o povo francês acaba de lhe confiar. O chefe de governo acentuou sua vontade de trabalhar com Hollande no plano bilateral e no plano europeu.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, também felicitou calorosamente François Hollande, enviando um recado sem ambiguidades: "Temos um objetivo comum: relançar a economia europeia para gerar um crescimento durável". Barroso afirmou que conta com as convicções e o engajamento pessoal de Hollande para avançar a integração europeia.


Extraído do sítio RFI

SOCIALISTA FRANÇOIS HOLLANDE É O NOVO PRESIDENTE DA FRANÇA



Vitória de Hollande deve repercutir na estratégia europeia de combate à crise da dívida. Sarkozy reconhece responsabilidade pela derrota. Ministro do Exterior da Alemanha saúda presidente eleito.

François Hollande foi eleito o primeiro presidente socialista da França após quase duas décadas. Ele derrotou o candidato à reeleição, Nicolas Sarkozy, no segundo turno das presidenciais francesas realizado neste domingo (06/05). Com quase a totalidade das urnas apuradas no final da noite, Hollande vencia com quase 52% dos votos contra pouco mais de 48% de Sarkozy.

"Eu estou orgulhoso por trazer a esperança de volta. Muitas pessoas estavam esperando por este momento há anos. A França escolheu a mudança", disse Hollande no discurso da vitória em Paris. Com a eleição, Hollande, de 57 anos, torna-se o segundo presidente socialista da França desde 1958. Antes, somente François Mitterand esteve à frente do governo francês no período.

Nicolas Sarkozy assumiu a responsabilidade pelo resultado das eleições. Ele pediu para que seus correligionários se mantenham unidos e disse que não vai liderar a direita no parlamento francês. Sarkozy disse que telefonou para Hollande e desejou boa sorte ao novo presidente eleito.

O ministro do Exterior alemão, Guido Westerwelle, saudou a vitória de Hollande, afirmando que não tem dúvidas que os dois países vão continuar cooperando e vão "superar seus desafios comuns". O líder da oposição alemã, Sigmar Gabriel, do SPD, também saudou a vitória de Hollande, afirmando que é "de crucial importância para a Europa".

O que deve mudar

A expectativa é de que o resultado das eleições tenha impacto direto na maneira como o país vai enfrentar a crise da dívida na zona do euro daqui para frente. O novo presidente também deve determinar quanto tempo os soldados franceses continuarão no Afeganistão e qual será o novo posicionamento militar e diplomático do país nos conflitos mundiais.

A proposta de renegociação do recente pacto fiscal da União Européia é considerado um dos carros-chefes da proposta de Hollande para a zona do euro. O novo líder francês já exigiu da Alemanha "mais solidariedade". Internamente, Hollande ganhou pontos com a promessa de criar 60 mil novos postos de trabalho para professores, revisar em parte a reforma previdenciária iniciada por Sarkozy e adotar um imposto de renda de 75% para milionários.

Sarkozy reconhece culpa na derrota
François Hollande nunca ocupou um cargo ministerial, fez sua carreira política trabalhando para o partido. Em 1988, ao mesmo tempo que Sarkozy, o socialista ingressou na Assembleia Nacional. O programa eleitoral de Hollande, intitulado "60 compromissos com a França", é considerado vago.

Crise que derruba

Nicolas Sarkozy amargura ser o 11º líder europeu a ser retirado do poder pela crise econômica e o segundo presidente da história da França a não conseguir ser reeleito. Na reta final de campanha, o conservador lutava para conquistar votos da extrema-direita e dos centristas.

Hollande, por sua vez, teve o apoio quase unânime de outros líderes de esquerda e foi surpreendido com apoio de última hora do líder centrista François Bayron, que negou aliança a Sarkozy. Bayron criticou a retórica de campanha de Sarkozy, considerando-a muito violenta. Críticos sempre salientaram o "estilo antipático" de Sarkozy, sua alegada proximidade política com os ricos e a inabilidade para reverter a lógica de favorecimento das maiores fortunas francesa em detrimento de um índice de desemprego de quase dois dígitos.

O socialista conquistou a opinião pública com suas críticas em relação às políticas de austeridade econômica que estão sendo implementadas não somente na França, mas em toda a Europa. Hollande também havia derrotado Sarkozy no primeiro turno, no dia 22 de abril, por meio milhão de votos de diferença. Pela primeira vez, um adversário conseguiu mais votos do que o presidente em exercício ainda no primeiro turno das eleições.


Extraído do sítio Deutsche Welle

SOCIALISTA É ELEITO PRESIDENTE DA FRANÇA

Com Hollande, os socialistas voltam ao poder após 31 anos
O socialista François Hollande conquistou uma clara vitória nas eleições presidenciais da França neste domingo, com estimados 52% dos votos.

Após o fechamento das urnas, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que telefonou a Hollande para desejar-lhe "boa sorte" no cargo.

Analistas dizem que a votação tem amplas implicações para a zona do euro. Hollande prometeu reformular o acordo sobre a dívida pública nos países membros.

Pouco depois do fechamento das urnas às 20h (15h de Brasília), meios de comunicação franceses publicaram projeções baseadas em resultados parciais que davam ao socialista uma vantagem de quase quatro pontos.

Partidários de Hollande se reuniram na Place de la Bastille em Paris - um ponto de encontro tradicional da esquerda - para comemorar.

Analistas dizem que Hollande foi beneficiado pelos problemas econômicos da França e a impopularidade do presidente Sarkozy.

O candidato socialista prometeu aumentar os impostos sobre as grandes corporações e as pessoas que ganham mais de 1 milhão de euros por ano.

Ele quer aumentar o salário mínimo, contratar 60 mil professores e diminuir a idade de aposentadoria de 62 para 60 anos para alguns trabalhadores.

Hollande também pediu a renegociação de um tratado europeu duramente negociado sobre disciplina orçamental, defendido pelo chanceler alemã Angela Merkel e Sarkozy.

Sarkozy

Em discurso neste domingo, Sarkozy disse a partidários que "François Hollande é o presidente da França e ele deve ser respeitado".

O presidente disse que estava "assumindo a responsabilidade pela derrota".

Insinuando sobre o seu futuro, ele disse: "Meu lugar não será mais o mesmo. Minha participação na vida do meu país agora vai ser diferente.".

Durante a campanha, ele disse que iria deixar a política se perdesse a eleição.

Sarkozy, que está no cargo desde 2007, havia prometido reduzir o déficit orçamentário da França por meio de cortes de gastos.

É apenas a segunda vez que um presidente em exercício não é capaz de ganhar a reeleição desde o início da Quinta República da França, em 1958.

O último foi Valery Giscard d'Estaing, que perdeu para o socialista François Mitterrand em 1981. Mitterrand teve dois mandatos no cargo até 1995.

Uma eleição parlamentar está marcada para junho na França. A correspondente da BBC em Paris, Katya Adler, diz que, por causa da derrota de Sarkozy, a extrema direita francesa espera conquistar amplo terreno político no pleito parlamentar.


Extraído do sítio BBC Brasil

28 abril 2012

ELEIÇÕES NA FRANÇA, A SENHA PARA A VOLTA DE NOVOS TEMPOS DA ESQUERDA NO PODER NA EUROPA - José Dirceu

Na França com o 2º turno da eleição presidencial marcado para o domingo, 6 de maio, todas as pesquisas apontam numa mesma direção: o candidato da direita, o presidente que tentou a reeleição, Nicolas Sarkozy, da frente União por um Movimento Popular está com os dias contados.

Da mesma forma que previam e acertaram que a diferença entre ele e o candidato do Partido Socialista (PS), François Hollande, seria ínfima - foi de pouco mais de 1% - agora todas as pesquisas consolidam a vantagem do candidato da esquerda, em média com 10 pontos percentuais à frente do atual ocupante do Palácio dos Champs Elisée.

Tudo indica, então, que começa pela França a volta da esquerda ao poder na Europa, depois de longo jejum e predomínio da direita em vários países. A começar pela própria França, onde ela está no governo há 17 anos, desde o fim da era François Miterrand em 1995.

Com conservadores em declínio, as chances de volta da esquerda

Os indícios e a realidade indicam que os conservadores estão em célere declínio e não têm nenhum futuro nos demais e principais países europeus.

Na Inglaterra, o governo do primeiro-ministro David Cameron, do Partido Conservador, acaba de ser obrigado a reconhecer que o país está em recessão mesmo; na Espanha, deteriou-se rapidamente o apoio ao gabinete do primeiro-ministro Mariano Rajoy, do direitista PP, eleito há apenas seis meses (novembro-2011); e, na Itália, degringola o governo do primeiro-ministro Mário Monti.

Nenhum deles conseguiu até agora retirar seus países da profunda crise em que eles mergulharam a partir de 2008 quando bateram forte na Europa os efeitos da crise econômica global, levando a maioria à falência - ou quase - uma vez que as políticas conservadoras ortodoxas não conseguiram driblar a quebra e a recessão.

O que interessa, agora, são as eleições para a Assembleia Nacional

Com a situação do pleito presidencial praticamente definido na França, o que interessa agora são as eleições legislativas de junho para a Assembleia Nacional, onde os socialistas podem fazer uma maioria com a Frente de Esquerda e os verdes.

Essa é a questão. Para isso a esquerda francesa precisa crescer quase 10% até o pleito do meio do ano em relação ao que tem hoje, segundo as pesquisas. Esta é uma batalha e tanto que vai depender das medidas iniciais dos primeiros 100 dias da presidência de Hollande.

Que, espera-se, não reeditem o jogo pendular do governo anterior da esquerda (1991-1995), o primeiro de François Miterrand (PS), que foi um jogo de avanços e recuos, estatiza-desestatiza, o que até levou capitais franceses na primeira hora a deixarem o país.

27 abril 2012

HOLLANDE TEM DEZ PONTOS DE VANTAGEM SOBRE SARKOZY, SEGUNDO PESQUISA - João Novaes



São Paulo - François Hollande seria eleito o sétimo presidente da Quinta República na França caso o segundo turno da eleição, marcado para o dia 6 de maio, se a eleição fosse hoje. De acordo com pesquisa do instituto TNS/Sofres, o candidato do Partido Socialista obteria 55% dos votos, contra 45% do atual chefe de Estado e candidato à reeleição, Nicolas Sarkozy, da UMP (União por um Movimento Popular). A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira (26/04).

O resultado mantém a diferença de dez pontos percentuais em relação ao último levantamento, realizado entre os dias 18 e 19 de abril.

Transferência de votos

Segundo a enquete, 51% dos eleitores que votaram em Marine Le Pen (Frente Nacional, extrema-direita) no primeiro turno devem optar por Sarkozy, contra apenas 16% no socialista; já 33% se absteriam ou votariam branco ou nulo. Marine obteve 17,9% dos votos no primeiro turno.

Em compensação, 82% dos eleitores de Jean-Luc Mélenchon, quarto colocado com 11,11%, optariam por Hollande, contra 6% por Sarkozy (12% não teriam preferência). Entre os eleitores do centrista François Bayrou (9,1% no primeiro turno), 39% votariam por Sarkozy e 32% por Hollande; 29% pretendem se abster, votar branco ou nulo.

Na pesquisa, 27% dos entrevistados não manifestou intenção votar, dois pontos a mais do que o registrado na última semana. Em relação à certeza das opiniões, 81% das pessoas abordadas afirmaram estar certas de suas escolhas, contra 14% que se disseram abertas. Outros 5% “não tem opinião”.

A pesquisa foi realizada por telefone e consultou mil pessoas. No primeiro turno, Hollande venceu Sarkozy por 28,63% contra 27,02%. Nenhum instituto de pesquisa colocou, até agora, Sarkozy em uma desvantagem inferior a oito pontos percentuais.

Extraído do sítio Rede Brasil Atual

25 abril 2012

NICOLAS SARKOZY DESCARTA FAZER ALIANÇA COM EXTREMA-DIREITA

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, em campanha pela reeleição. REUTERS/Philippe Wojazer


A caça as eleitores da extrema-direita, que fizeram a candidata Marine Le Pen da Frente Nacional chegar em terceiro lugar no primeiro com 18% dos votos, mobiliza os dois candidatos que disputam a presidência francesa. Mas o socialista, François Hollande, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, fazem um complexo malabarismo político de cortejar esses eleitores sem fazerem concessões ao partido de Le Pen.

Em entrevista nesta manhã na Rádio France Info, Sarkozy, que precisa dos votos da extrema-direita para se reeleger, confirmou que não pretende negociar com o partido Frente Nacional. Ele também descartou a possibilidade de formar um governo com representantes da extrema-direita caso seja eleito. Para o presidente francês, há muitos pontos de discordância entre o seu partido, o UMP, e a Frente Nacional. Mas ele disse que está pronto para escutar os eleitores de Marine Le Pen que mostraram "raiva e desespero" ao votarem na candidata da extrema-direita. 

Ontem o candidato socialista François Hollande disse que cabe a ele conquistar também o votos dos eleitores da extrema-direita, que expressaram sua raiva. Mas ele não parece disposto a fazer grandes concessões. Hollande confirmou hoje, que, caso seja eleito, vai propor no ano que vem o direito de voto aos estrangeiros que vivem na França há mais de 5 anos. Essa proposta vem sendo usado pelos adversários de Hollande para afastá-lo dos eleitores da Frente Nacional, partido que defende uma restrição à entrada e permanência de imigrantes na França. 

A partir desta manhã, François Hollande distribui uma carta dirigida aos 46 milhões de eleitores franceses. O documento foi escrito na noite de domingo após os resultados do primeiro turno. O jornal Le Parisien, que publica a carta entitulada União para a mudança, escreve que o candidato resolveu se dirigir a todos os eleitores, incluindo os dos candidatos derrotados do centro e da extrema-direita.

Até o momento, Marine Le Pen tem esnobado os candidatos ao Eliseu e parece inclinada a convocar os seus eleitores a votarem em branco no segundo turno no dia 6 de maio. A representante da Frente Nacional, que obteve 6.421.773 votos, anunciará se ela apaoiará um candidato ao segundo turno durante um encontro com militantes no dia 1° de Maio. 


Extraído do sítio RFI

24 abril 2012

SEGUNDO TURNO NA FRANÇA: QUEM PODE TIRAR VOTO DE QUEM - Flávio Aguiar



Tão importante, no segundo turno francês (06 de maio), quanto saber quem pode dar voto a quem, é saber quem pode tirar de quem. Nesses termos, Hollande parece estar numa posição melhor do que a de Sarkozy.

O candidato socialista tirou votos do candidato mais à esquerda, Jean-Luc Mélenchon, na reta final. Uma parte dos que potencialmente votariam neste, no primeiro turno, preferiram votar direto em Hollande, para impulsionar desde já seu favoritismo no segundo. Criou-se um ambiente favorável ao “voto útil” desde já. A estratégia teve sucesso: Sarkozy tinha, como objetivo na reta final, chegar na frente (“mesmo que fosse por um fio de cabelo”, dizia ele) no primeiro turno para dar força à perspectiva de uma reviravolta na rodada final. 

Não conseguiu. Aposta agora em debater até o esgotamento com Hollande até o 6 de maio, pondo suas fichas em seu desempenho espetaculoso diante do mais comedido de Hollande. Há um duplo sentido nisso: de um lado, Sarkozy quer sobressair; do outro, marcaria pontos se conseguisse enfurecer Hollande, fazendo-o sair do sério e cometer deslizes.

Outro ponto a favor de Hollande é o imediato apoio que recebeu de Mélenchon, sem pré-requisitos. Isso vai arrastar para sua votação a esmagadora maioria dos 11% que o candidato das esquerdas recebeu. Um efeito colateral desse movimento seria a contrapartida de projetar Mélenchon como um vetor decisivo no segundo turno, caso a vitória de Hollande se confirme. A esquerda sairia das cinzas (ou das traças) a que está jogada nesta erupção vulcânica da crise financeira européia.

Já do lado de Sarkozy as perspectivas são mais complicadas. Em primeiro lugar porque o maior fator a roubar votos de Sarkozy foi o próprio Sarkozy. Votos que potencialmente seriam seus se dispersaram, uma parte em direção a Le Pen, outra em direção a Bayrou e até mesmo em direção a Hollande, como testemunha o fato de que Jacques Chirac, o ex-presidente conservador, preferiu apoiar o socialista.

Sarkozy se deu mal num país que já teve como presidentes os carismáticos De Gaulle, à direita, e Mitterand, à esquerda. Faltou-lhe manter o “aplomb”, ou seja, o decoro da presidência. Suas incontinências iniciais, comemorando demasiadamente sua vitória anterior com um corte de “mais ricos”, foram-lhe tão fatais, quanto sua falta de coerência final, sassaricando em várias direções, indo desde tornar-se o parceiro menor da dupla Merkozy (coisa difícil para a direita francesa engolir) até rejeitar o apoio da chanceler alemã e entregar-se a arroubos nacionalistas de última hora.

Sarkozy terá de continuar sendo o boneco de molas que foi no primeiro turno, pressionado por ter de captar votos mais ao centro (eleitores de François Bayrou e seu Movimento Democrático – 9%) e mais à direita, os de Marine Le Pen, cujos 18% se dividem entre a direita tradicional, burguesa ou pequeno-burguesa, e um cortejo de neo-desempregados, jovens ou não, devido à crise. Prova disso é que Le Pen saiu-se melhor no nordeste da França, região em processo de desindustrialização, onde tirou o segundo lugar. Também na Bretanha ela saiu-se bem, como na região do Gard, “pays d’oc”, junto ao Mediterrâneo, onde chegou em 1º. Tradicionalmente, nessa região, os socialistas predominavam nas votações. Esses votos podem retornar à casa de onde, eventualmente, saíram.

Pode ser que Le Pen venha a apoiar Sarkozy. Mas num primeiro momento, pelo menos, os 18% que obteve subiram-lhe à cabeça, e por suas declarações iniciais ela parecia mais disposta a disputar a liderança do conservadorismo francês com Sarkozy do que fazer uma união ideológica com este contra a esquerda. Ou seja, sua votação expressiva pode continuar roubando votos de Sarkozy.

Enquanto isso, a Bolsa de Valores de Paris amanheceu na segunda em queda. Paradoxalmente, isso é bom, num primeiro momento, para Hollande, pois é um sinal de que os tão temidos “Mercados” estão de fato temendo a vitória do socialista e sua promessa de rever os acordos fiscais e de austeridade da Zona do Euro.

Do outro lado do Reno, Angela Merkel tem, de fato, razões para se preocupar.

* Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

Extraído do sítio Carta Maior

23 abril 2012

SARKOZY PERDE NO PRIMEIRO TURNO - Rui Martins



Em votação apertada, o socialista François Hollande derrotou o conservador presidente Nicolas Sarkozy no primeiro turno por 28,6% a 27,1%.

Mas a grande surpresa da eleição presidencial francesa neste domingo foi a votação da candidata da extrema direita, Marine Le Pen, que teve 18% dos votos.

Le Pen, de 43 anos, que roubou a cena com seu discurso anti-imigrante e a promessa de abandonar o euro, passa a ser o fiel da balança para o segundo turno. Mas já disse que só apoia Sarkozy se ele se comprometer com o discurso radical que ela prega.

Sarkozy vai ter que correr atrás dos votos dos centristas e do pessoal da extrema-direita, se quiser derrotar Hollande no segundo turno, no dia 6 de maio.

Já não haverá mais supresa – os franceses votarão domingo contra o atual presidente Nicolas Sarkozy e confirmarão esse voto, no segundo turno, no começo de maio. O baixinho hiperativo não conseguiu ganhar a confiança dos franceses nestes cinco anos, ao contrário, mesmo eleitores de direita dizem não suportar mais seu irrequieto presidente. Embora, na França, os presidentes costumem ser reeleitos, isso não acontecerá com Sarkozy.

O vencedor e próximo presidente francês será o ex-dirigente do Partido Socialista, François Hollande, ex-marido da candidata derrotada faz cinco anos, a também socialista Segolène Royal. Além da diferença de programa político entre Sarkozy e Hollande, existe uma enorme diferença de personalidade – Hollande não é hiperativo e tem tudo de um francês comum, com sorrisos e gestos controlados de um homem normal.

Parece que os franceses aspiram justamente isso – um presidente normal, mesmo um tanto devagar, mais próximo do comum dos mortais, pois isso acaba inspirando mais confiança e segurança. Dizem que, depois da revolta estudantil de maio 68, os franceses elegeram Georges Pompidou, por ter cara de senhor bonachão e tranquilo.

Politicamente Hollande não é também nenhum revolucionário; é um socialdemocrata típico, sem grande arrojos, consciente dos limites de um político na cena nacional, sujeito na maioria das vezes às pressões da máquina do capital e das grandes empresas multinacionais, sem se esquecer das limitações impostas pela União Europeia atualmente dominada por uma maioria neoliberal.

Quem quer sonhar com um mundo sem as especulações financeiras, sem a força e vantagens dos bancos e sem os jogos nas bolsas de valores, responsáveis pela liquidação econômica da Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha, como se uma revolução ainda fosse possível, votará domingo no candidato da esquerda unida, Jean-Luc Mélenchon, cuja plataforma considerada anacrônica, consegue entusiasmar centenas de milhares de pessoas nos comícios e irá garantir 15% dos votos.

É ainda possível se mudar o rumo do mundo ocidental neoliberal, baseado num capitalismo faminto de mais lucros e insensível às multidões de desempregados na Europa ?

Mélenchon, certo ou errado, sonhador, visionário ou irrealista, garante podermos chegar a um mundo mais justo e menos desigual, livre dos tentáculos dos grande conglomerados, onde os operários podem ter salários maiores e sem o endividamento colossal dos países. Quem ainda acredita ser possível se mudar o mundo, num utópico novo formato econômico, votará Mélenchon, mas, no segundo turno, terá de cair na realidade, votar Hollande, aceitar algo menos ambicioso para se evitar a reeleição de Sarkozy.

O presidente francês deixará saudades na imprensa people pelo seu gosto do luxo, por sua vida romanesca, pela incrível capacidade de refazer suas próprias propostas e pela sua megalomania. Ninguém esquecerá o presidente na fossa, abandonado pela esposa Cecília, apaixonada por um publicitário, nem de seu rápido amor e casamento com a cantora Carla.

De suas promessas é melhor esquecer, a França com seus sobressaltos pouco mudou depois de seus cinco anos de presidência, que Sarkozy bem gostaria terem sido de reinado.

Extraído do sítio Direto da Redação

22 abril 2012

COM MAIS DE 28% DOS VOTOS, HOLLANDE VENCE 1º TURNO E DISPUTA COM SARKOZY A PRESIDÊNCIA FRANCESA - Silvano Mendes


Segundo os primeiros resultados divulgados às 20h no horário de Paris, quando as últimas urnas foram fechadas, François Hollande conquistou mais de 28,4% dos votos no primeiro turno das eleições, nesse domingo. O atual presidente Nicolas Sarkozy obteve mais de 25,5% dos votos e enfrentará o líder socialista no segundo turno, no dia 6 de maio. Ainda de acordo com as informações divulgadas pelo ministério francês do Interior, o terceiro lugar nessa rodada do pleito ficou com a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, à frente de Jean-Luc Mélenchon, da extrema-esquerda.

As urnas confirmaram as principais sondagens divulgadas antes da votação deste domingo. François Hollande, do Partido Socialista, venceu o primeiro turno das eleições presidenciais francesas, com mais de 28,4% dos votos, seguido do presidente Nicolas Sarkozy, do partido UMP, que chegou em segundo lugar com cerca de 25,6% dos votos. Os dois vão disputar o segundo turno das eleições no dia 6 de maio.

Os resultados de boca de urna também confirmaram que a candidata de extrema-direita, Marine Le Pen, ficou em terceiro na disputa, com cerca de 20% dos votos, o maior índice já alcançado pelo partido Frente Nacional. Ela foi seguida pelo candidato da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélénchon, que conquistou cerca de 11% dos eleitores. O centrista François Bayrou registrou menos de 9% dos votos. Eva Joly, do partido Europa Ecologia, ficou apenas com menos 3% e os demais candidatos registraram não alcançaram 1% dos votos. 

A participação do eleitorado foi considerada alta, acima de 81%, um índice superior às eleições de 2007. Lembrando que mais de 44 milhões de eleitores foram convocados às urnas e o voto não é obrigatório na França.

Expectativa agora é para a repercussão dos resultados entre os candidatos. Na sede do Partido Socialista, em Paris, centenas de pessoas aguardam a chegada do candidato François Hollande que votou em Tulle, seu reduto eleitoral na região sudoeste da França. Muitos partidários estão reunidos no local. O presidente Nicolas Sarkozy deve se encontrar com seus partidários também em Paris para falar dos resultados deste primeiro turno.

Resultados finais na quarta-feira

Apesar dos primeiros resultados divulgados agora a pouco, que são apenas uma estimativa baseada nas pesquisas de boca de urna, os franceses ainda terão que esperar até quarta-feira para conhecer oficialmente o nome dos dois candidatos que concorrem para o segundo turno no dia 6 de maio.


Extraído da RFI - Rádio França Internacional