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23 janeiro 2013

A MAIOR AMEAÇA À PAZ MUNDIAL - Noam Chomsky


Há alguns meses, ao informar sobre o debate final da campanha presidencial nos Estados Unidos, o The Wall Street Journal observou que “o único país mais mencionado (que Israel) foi o Irã, o qual a maioria das nações de Oriente Médio vê como a principal ameaça à segurança da região”.

Os dois candidatos estiveram de acordo em que um Irã nuclear é a maior ameaça à região, se não ao mundo, como Romney sustentou explicitamente, reiterando uma opinião convencional.

Sobre Israel, os candidatos rivalizaram em declarar sua devoção, mas nem assim os as autoridades israelenses se deram por satisfeitas. Esperavam “uma linguagem mais ‘agressiva’ de Romney”, segundo os repórteres. Não foi suficiente que Romney exigisse que não se permitisse que o Irã “alcance um ponto de capacidade nuclear”.

Também os árabes estavam insatisfeitos, porque os temores árabes sobre o Irã se “debateram sob a ótica da segurança israelense, não da região”, e as preocupações dos árabes não foram contempladas: uma vez mais, o tratamento convencional.

O artigo do Journal, como incontáveis outros sobre o Irã, deixa sem resposta perguntas essenciais, entre elas: Quem exatamente vê o Irã como a ameaça mais grave à segurança? O que os árabes (e a maior parte do mundo) acham que se pode fazer diante dessa ameaça, existindo ou não?

A primeira pergunta é fácil de responder. A ameaça iraniana é uma obsessão totalmente do Ocidente, compartilhada por ditadores árabes, embora não pelas populações árabes.

Como mostraram numerosas pesquisas, mesmo que os cidadãos dos países árabes em geral não simpatizem com o Irã, não o consideram uma ameaça muito grave. Na verdade percebem que a ameaça são Israel e Estados Unidos, e vários, muitas vezes maiorias consideráveis, veem nas armas nucleares iranianas um contrapeso para essas ameaças.

Em altas esferas dos Estados Unidos, alguns estão de acordo com a percepção das populações árabes, entre eles o general Lee Butler, ex-chefe do Comando Estratégico. Em 1998 ele disse: “É extremamente perigoso que, no caldeirão de animosidades que chamamos Oriente Médio”, uma nação, Israel, deva contar com um poderoso arsenal de armas nucleares, “que inspira outras nações a tê-lo também”.

Ainda mais perigosa é a estratégia de contenção nuclear da qual Butler foi o principal formulador por muitos anos. Tal estratégia, escreveu em 2002, é “uma fórmula para uma catástrofe sem remédio” e convidou os Estados Unidos e outras potências atômicas a aceitar os compromissos contraídos dentro do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e fazer esforços de “boa fé” para eliminar a praga das armas atômicas.

As nações têm a obrigação legal de levar a sério esses esforços, decretou a Corte Mundial em 1996: “Existe a obrigação de avançar de boa fé e levar a termo as negociações orientadas ao desarmamento nuclear em todos seus aspectos, conforme um controle internacional estrito e efetivo”. Em 2002, o governo de George W. Bush declarou que os Estados Unidos não estão comprometidos com essa obrigação.

Uma grande maioria do mundo parece compartilhar a opinião dos árabes sobre a ameaça iraniana. O Movimento de Países Não Alinhados (MNA) apoiou com vigor o direito do Irã de enriquecer urânio; sua declaração mais recente aconteceu na cúpula de Teerã, em agosto passado.

A Índia, membro mais populoso do MNA, encontrou formas de evadir às onerosas sanções financeiras dos Estados Unidos ao Irã. Executam planos para vincular o porto iraniano de Chabahar, recondicionado com assistência indiana, com a Ásia Central, através do Afeganistão. Também se informa que as relações comerciais se incrementam. Se não fosse pelas fortes pressões de Washington, é provável que estes vínculos naturais tivessem uma melhoria substancial.

A China, que tem estatuto de observadora no MNA, faz o mesmo, em boa medida. Expande seus projetos de desenvolvimento para o Ocidente, entre eles iniciativas para reconstituir a antiga Rota da Seda para a Europa. Uma linha ferroviária de alta velocidade conecta a China com o Cazaquistão e além. É provável que chegue ao Turcomenistão, com seus ricos recursos energéticos, e que se conecte com o Irã e se estenda até a Turquia e a Europa.

A China também tomou o controle do importante porto de Gwadar, no Paquistão, que lhe permite obter petróleo do Oriente Médio evitando os estreitos de Ormuz e Malaca, saturados de tráfico e controlados pelos Estados Unidos. A imprensa paquistanesa informa que “as importações de petróleo cru do Irã, dos estados árabes do Golfo e da África poderiam ser transportadas por terra até o noroeste da China através deste porto”.

Em sua reunião de agosto, em Teerã, o MNA reiterou sua velha proposta de mitigar ou pôr fim à ameaça das armas nucleares no Oriente Médio estabelecendo uma zona livre de armas de destruição em massa. Os passos nessa direção são, sem dúvida, a maneira mais direta e menos onerosa de superar essas ameaças, o que é apoiado por quase o mundo inteiro.
Uma excelente oportunidade de aplicar essas medidas se apresentou recentemente, quando se planejou uma conferência internacional sobre o tema em Helsinki.

Foi realizada uma conferência, mas não a que estava planejada. Só organizações não governamentais participaram da reunião alternativa, organizada pela União pela Paz, da Finlândia. A conferência internacional planejada foi cancelada por Washington em novembro, pouco depois que o Irã concordou em comparecer.

A razão oficial do governo Obama foi “a turbulência política na região e a desafiante postura do Irã sobre a não proliferação” segundo a agência Associated Press, junto a uma falta de consenso sobre como enfocar a conferência. Essa razão é a aprovada referência ao fato de que a única potência nuclear da região, Israel, se negou a comparecer, alegando que a solicitação para fazê-lo era “coerção”.

Aparentemente, o governo de Obama mantém sua postura anterior de que “as condições não são apropriadas, a menos que todos os membros da região participem”. Os Estados Unidos não permitirão medidas para submeter as instalações nucleares de Israel a inspeção internacional. Também não revelará informação sobre “a natureza e alcance das instalações e atividades nucleares israelenses”.

A agência de notícias do Kuwait informou imediatamente que “o grupo árabe de Estados e os estados membros do MNA concordaram em continuar negociando uma conferência para o estabelecimento de uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio, assim como de outras armas de destruição em massa”.

Recentemente, a Assembleia Geral da ONU aprovou, por 174 votos a seis, uma resolução na qual convida Israel a aderir ao TNP. Pelo não, votou o contingente acostumado: Israel, Estados Unidos, Canadá, as Ilhas Marshall, Micronésia e Palau.

Dias depois, em dezembro, os Estados Unidos realizaram um teste nuclear impedindo, uma vez mais, aos inspetores internacionais, o acesso ao local do teste, em Nevada. O Irã protestou, assim como o prefeito de Hiroshima e alguns grupos pacifistas japoneses.

Claro que, para estabelecer uma zona livre de armas atômicas, se requer a cooperação das potências nucleares: no Oriente Médio, isso incluiria os Estados Unidos e Israel, que se negam a cooperar. O mesmo acontece em outros lugares. As zonas da África e do Pacífico aguardam a aplicação do tratado porque os Estados Unidos insistem em manter e melhorar as bases de armas nucleares nas ilhas que controla.

Enquanto se levava a cabo a conferência de ONGs em Helsinki, em Nova York se realizava um jantar com o patrocínio do Instituto sobre Políticas sobre o Oriente Próximo, de Washington, ramificação do conselho israelense.

Segundo uma matéria entusiasta sobre essa “cerimônia” na imprensa israelense, Dennis Ross, Elliott Abrams e outros “ex-conselheiros de alto nível de Obama e Bush” asseguraram aos presentes que “o presidente atacará (o Irã) se a diplomacia não funcionar”: um presente de festas de fim de ano muito atrativo.

É difícil que os estadunidenses estejam cientes de como a diplomacia voltou a falhar, por uma simples razão: virtualmente não se informa nada nos Estados Unidos sobre o destino da forma mais óbvia de lidar com “a mais grave ameaça”: estabelecer uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio.

* Noam Chomsky é professor emérito de linguística e filosofia no Instituto Tecnológico de Massachusetts, em Cambridge. O novo livro de Noam Chomsky, Power systems: conversations om global democratic uprisings and the new challenges to US empire (Sistemas de poder: conversas sobre as rebeliões democráticas globais e os novos desafios ao império estadunidense) será publicado em janeiro.

Extraído do sítio Carta Maior

02 janeiro 2013

UM ANO PERIGOSO - Mauro Santayana

É bom não esperar muito dos próximos doze meses. Os dissídios internacionais tendem a crescer e, se não houver o milagre do bom senso, podem conduzir a novos conflitos armados regionais, com o perigo de que se ampliem. Os chineses, que têm particular visão de mundo, podem dissimular sua alma coletiva, mas no interior de seu excepcional crescimento econômico e tecnológico, militam sentimentos de orgulhosa desforra. Nenhum povo, ao que registra a História, foi tão espezinhado pelos invasores armados quanto o chinês.

Durante milênios, senhores dentro de suas fronteiras, sentiam-se os donos do mundo que conheciam, mesmo que vivessem em guerras internas e se defendessem de vizinhos hostis.

O enriquecimento dos chineses e sua crescente presença internacional são fatos novos, que podem ser o fator mais importante da História neste século, que já entrou em sua segunda década. Eles estão se apropriando, com perseverança e obstinação, das riquezas naturais do mundo, do petróleo às terras raras (de que são grandes possuidores em seu próprio subsolo). Ao mesmo tempo, desenvolvem tecnologia militar própria e fortalecem seus exércitos.

É difícil pensar que, dispondo de tal poder econômico e militar, os chineses não o utilizem na defesa de sua cultura e de seus interesses. E também para cobrar o que lhes fizeram os colonizadores europeus durante o século 18 – e os japoneses, no século 20, na Manchúria. Como eles se lembram bem, contingentes do Exército Japonês, em fúria animal, mataram, entre dezembro de 1937 a fevereiro de 1938, mais de 200 mil militares e civis na cidade de Nanquim, estupraram as mulheres e meninas, antes de matá-las, e dilaceraram os corpos dos meninos, entre eles os de recém-nascidos.

O general Chiang-kai-Chek, que se tornaria anticomunista em seguida, não ficou bem no episódio. Com a desculpa de que deveria preservar a elite de seu exército, abandonou a cidade, entregando-a a recrutas mal treinados e a voluntários civis, além da população, inocente e desarmada. Foi essa gente, sem treinamento e debilitada, que os japoneses venceram e trucidaram. Os chineses não esqueceram os mortos de Nanquim, e os japoneses se esforçam em fazer de conta que não foi bem assim. Há mesmo quem veja, na decisão japonesa de enviar navios de guerra ao diminuto arquipélago, uma jogada do Pentágono

O dissídio, aparentemente menor, entre Beijing e Tóquio, a propósito das ilhas Senkaku (em japonês) ou Diaoyu (em chinês) pode ser o pretexto para o acerto de contas de 1937. Nos últimos dias do ano, o Japão decidiu enviar uma força naval para a defesa das ilhas, cuja soberania diz manter – o que os chineses contestam. Os chineses advertiram que vão contrapor-se à iniciativa bélica japonesa. As ilhas, sem importância econômica, e desabitadas, eram milenarmente chinesas, e foram incorporadas pelo Japão em 1895, depois da guerra sino-japonesa daquele fim de século. São ilhotas diminutas, a menor com apenas 800 metros quadrados (menor do que um lote urbano no Brasil) e a maior com pouco mais de 4 km2.

Acossados por uma série de vicissitudes, os Estados Unidos começam o ano combalidos pelo confronto político interno, a propósito do Orçamento. Mas não perdem a sua velha arrogância imperial. Há mesmo quem veja, na decisão japonesa de enviar navios de guerra ao diminuto arquipélago, uma jogada do Pentágono, para antecipar, enquanto lhes parece mais conveniente, o confronto com os chineses. Há um tratado de paz dos Estados Unidos com o Japão que prevê a ajuda americana em caso de conflito regional. É uma partida muito arriscada.

O presidente Obama também acaba de sancionar uma lei do Congresso determinando que o governo norte-americano tome medidas para impedir a penetração diplomática do Irã na América Latina, e, no bojo das justificativas, a Tríplice Fronteira é mais uma vez citada, como área que financia o Hesbolá. Como se não houvesse, ali e no resto do Brasil, os que financiam o Estado de Israel. Devemos nos precaver.

Infelizmente, no Brasil, há sempre os vassalos de Washington, que estimulam o intervencionismo ianque em nossas relações internacionais (sobretudo com o Irã e a Palestina), entre eles alguns senadores da República, como revelaram os despachos do Embaixador Sobel, divulgados pelo WikiLeaks. Infelizmente, no Brasil, há sempre os vassalos de Washington, que estimulam o intervencionismo ianque em nossas relações internacionais

O anunciado conflito armado entre Israel e o Irã é também alimentado pelo ódio da extrema direita judaica contra todos os que criticam Tel Aviv. O Centro Simon Wiesenthal considerou o cartunista brasileiro Carlos Latuff o terceiro maior inimigo de Israel no mundo. Os dois primeiros são o líder espiritual da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, e Ahmadinejad, o presidente do Irã.

O cineasta Sylvio Tendler, em mensagem de solidariedade a Latuff, lembra que eminentes judeus, entre eles os jornalistas Ury Avnery, Amira Haas e Gideon Levy, são mais críticos da posição de Israel contra os palestinos do que o cartunista brasileiro.

É lamentável que o nome do caçador de nazistas Simon Wiesenthal, que conheci e entrevistei, em Viena, há mais ou menos 40 anos, para este mesmo Jornal do Brasil, seja usado para uma organização fanática e radical, como essa. Wiesenthal, ele mesmo sobrevivente da estupidez nazista, era um obstinado – e legítimo – caçador de criminosos de guerra, que haviam cometido todo o tipo de atrocidades contra seu povo.

O governo direitista de Israel é de outra origem. Não podemos fazer de conta que nada temos contra a ameaça a um cidadão brasileiro, Carlos Latuff, cuja segurança pessoal deve ser, de agora em diante, de responsabilidade do governo. Ou que não nos devamos preocupar com a lei aprovada por Obama. Temos tido bom relacionamento com o governo do Irã, e a política externa brasileira é decisão soberana de nosso povo.

Uma presença militar maior em Foz do Iguaçu e ao longo da fronteira ocidental é necessária, a fim de dissuadir os agentes provocadores. As guerras sempre foram vantajosas para os americanos, desde a invasão do México, em 1846-48. É provável que seus estrategistas estejam retornando à Doutrina Bush da guerra infinita.

Diante desse cenário mundial instável, e na perspectiva de uma campanha sucessória agitada, temos que manter toda serenidade possível. A defesa de posições políticas eventuais não deve comprometer a segurança nem a soberania do povo brasileiro. A nação deve sobrepor se a todos os interesses, mais legítimos uns e menos legítimos outros, de grupos econômicos e partidários.

Infelizmente, desde Calabar e Silvério dos Reis, não faltam os que desprezam o nosso povo e traem os interesses da Pátria.

Extraído do sítio Jornal do Brasil

27 dezembro 2012

OS EUA CONSTROEM UM BUNKER SUBTERRÂNEO NO VALOR DE 100 MILHÕES DE DÓLARES NUMA BASE SECRETA DE MÍSSEIS ISRAELITA - Richard Silverstein

Mais um elemento sobre a colaboração EUA/Israel na preparação das condições para a escalada da guerra no Médio-Oriente. Uma coisa é certa: sempre que o imperialismo toma medidas de defesa, é garantido que está a preparar o ataque. Não lhe basta a tragédia há décadas vivida na zona: tenciona ampliá-la, admitindo até um cenário de utilização de armamento nuclear.

Há alguns dias Walter Pincus informou no The Washington Post que o Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA solicitou a apresentação de propostas com o fim de encontrar empreiteiros com garantias de segurança máxima para construir uma instalação militar subterrânea no valor de 100 milhões de dólares para o exército israelita. O que segue é a descrição do projecto:

O Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA planeia a supervisão da construção de uma instalação subterrânea de cinco níveis para um complexo das Forças de Defesa de Israel, com o estranho nome de Instalação 911, numa Base da Força Aérea israelita próxima de Tel Aviv.

Espera-se que a construção demore mais de dois anos, a um custo de até 100 milhões de dólares. Terá salas de aulas no Nível 1, um auditório no Nível 3, um laboratório, portas resistentes ao impacto, protecção contra radiação não ionizante e uma segurança muito estrita. Todos os trabalhadores na construção darão garantias de segurança, haverá guardas na vedação e estará separada do resto da base por barreiras.

O artigo assinala também que no passado o Corpo já construiu instalações para mísseis nucleares de Israel. Portanto, não deveria surpreender-nos que uma fonte israelita de alto nível afirme que o local para este projecto é a base israelita de mísseis de máximo segredo Sdot Micha, localizada próximo de Beit Shemesh (a uns 24 quilómetros de Jerusalém). É aí que se encontra a frota de ICBM (mísseis com armas nucleares Jericó). O local é tão secreto que várias passagens de um artigo de 2010 al respeito em Yediot foram censurados. Provinha directamente do amplamente acessível sítio na web Global Security. Os censores costumam ser célebres pela sua subtileza, e muito menos pelo seu senso comum.

A instalação subterrânea construída pelos EUA será edificada à prova de armas nucleares, de modo que possa resistir a um ataque com armas de destruição massiva de um inimigo de Israel. Isso permitiria que o sistema de comando e controlo de mísseis de Israel se mantenha operacional mesmo nas condições de um possível ataque massivo e devastador. Segundo esta fonte, as FDI [exército israelita] já têm um centro de comando à prova de armas nucleares por debaixo de Kirya, a sua sede em Tel Aviv.

Como é sabido que Israel e os EUA se espiam um ao outro, considero que extraordinário que Israel confie nos EUA para construir uma das suas instalações militares mais confidenciais. De facto, tenho pessoalmente conhecimento de que o FBI interceptou durante anos a embaixada israelita em Washington D.C. A Mossad vem operando há décadas nos EUA ¿Por que não teme Israel que os EUA façam o mesmo no caso destas instalações?

Uma resposta pode ser que o projecto é financiado pelo programa de Vendas Militares ao Estrangeiro dos EUA, o que quer dizer que o nosso governo financia o projecto sem encargos para o contribuinte israelita. No caso de Israel, a economia triunfa sobre a própria segurança.

Há que preguntar: de que inimigo se defende Israel ao construir este complexo? Como o projecto tardará dois anos a ficar concluído, isto será aproximadamente quando uma série de analistas crê que o Irão poderá ter capacidade nuclear se decidir criar uma arma.

Neste caso poderia haver duas considerações:

1. Israel prevê que o Irão terá armas de destruição massiva em 2014.

2. Israel prevê atacar o Irão em algum momento após a conclusão do Bunker subterrâneo.

Só pode haver um motivo para construir uma instalação semelhante: a protecção contra um ataque inimigo. Só há um inimigo que poderia pressupor uma ameaça semelhante para Israel: o Irão. De entre os inimigos actuais de Israel, só o Irão (para além da Síria, que está distraída pelos seus próprios problemas internos) tem capacidade de lançar mísseis de largo alcance contra ele. Ainda que actualmente não possa armá-los com uma ogiva nuclear, é concebível (na opinião de Israel) que esta situação mude. Por isso é crítico que Israel mantenha a sua própria capacidade nuclear para lançar um ataque e/ou responder a um ataque inimigo.

Uma vez que parece extremadamente improvável que os dirigentes iranianos lancem um ataque preventivo contra Israel, e certamente não um ataque nuclear, a construção de semelhante fortaleza indica que Israel prevê ele próprio a realização deste ataque e que tem que assegurar que as suas forças militares críticas permanecem intactas após uma reacção iraniana.

Mesmo que o nome de código do projecto 911 [acrónimo para 11-S] seja uma coincidência, é palpável o sentimento de um Armagedão iminente. Também há que assinalar que os três inimigos más formidáveis de Israel, Hezbollah, Hamas e Irão, têm consideráveis complexos militares subterrâneos. Pode admitir-se que Gilad Shalit tenha sido mantido em semelhantes búnkeres durante o seu cativeiro, e os altos dirigentes do Hamas retiram-se para complexos semelhantes durante os ataques israelitas, como o do mês passado.

Uma das tácticas mais efectivas do Hezbollah foi o uso de túneis que as FDI desconheciam para atacar as tropas israelitas a partir de diversos quadrantes com um efeito devastador. O Irão também enterrou a sua instalação avançada de enriquecimento de uranio Fordow sob 100 metros de montanha. Esta protecção impede que Israel destrua o local a menos que obtenha as bombas rebenta-búnkeres de 14 toneladas estado-unidenses. Portanto, Israel (juntamente com os seus adversários) está a colocar a sua infra-estrutura militar mais crítica e os seus sistemas de armamento debaixo de terra a fim de que possam resistir a uma possível sabotagem ou ataque frontal.

Pincus menciona algumas exigências religiosas verdadeiramente estranhas que são especificadas na solicitação da apresentação de propostas. Especifica as mezuzás:

O Corpo desenvolve uma detalhada descrição das mezuzás que o empreiteiro deve fornecer “para cada porta ou abertura com excepção dos serviços higiénicos ou cabines de duche” no edifício da Instalação 911. Uma mezuzá é um pergaminho com versos da Torá em hebreu, colocado num estojo e fixado na moldura da porta de uma casa de família judia como sinal de fé. Alguns interpretam que la lei judia requer – como neste caso – que em cada porta de uma casa seja fixada uma mezuzá.

Essas mezuzás, assinala o Corpo, “devem ser escritas em tinta indelével, em […] pergaminho de coiro sem revestimento” e escritas à mão por um escriba “possuidor de uma autorização escrita segundo a lei judia.” A escrita pode ser “asquenaze ou sefardita” mas “não uma mistura” e “deve ser uniforme”.

Também, “as mezuzás devem ser revistas por um computador numa instituição autorizada para a inspecção de mezuzás, bem como revistas manualmente no que diz respeito à forma das letras por um revisor autorizado pelo Rabinato Principal”. A mezuzá será fornecida com um estojo de alumínio com orifícios para que possa ser fixada à moldura da porta ou da abertura. Finalmente, “todas as mezuzás para a instalação serão fixadas pelo rabi da Base ou pelo seu representante nomeado e não pelo pessoal do empreiteiro”.

Francamente, nunca ouvi falar de alguma diferença entre mezuzás sefarditas ou asquenazes, nem de alguma diferença entre os estilos de escrita de uma tradição em relação à outra. O Parece mais que isto se terá baseado em informação inexacta sobre rituais judeus ou em interpretação errónea de alguma coisa que as FDI tenham indicado ao Corpo.

Mas, para além disso, sinto-me confiante ao saber que Deus, por meio deste poderosos amuletos religiosos, estará a proteger o povo judeu e seus defensores militares. A única interrogação que fica é ¿que divindade é mais poderosa: o Jeová judeu ou o Alá chiíta do Irão? ¿Mas não ofereceu Moisés um só Deus aos judeus? Que diria se visse agora o seu povo criar um Deus para Nós e outro Deus para Eles?. Espero que lhe provocasse tanto horror como me provoca a mim.

* Richard Silverstein escreve o blog Tikun Olam que examina temas relacionados com a segurança nacional de Israel, os direitos humanos, e as ameaças contra a democracia israelita.

** Este artículo foi publicado originalmente em Anti War.

Extraído do sítio ODiario.info

07 novembro 2012

NORTE-AMERICANOS ESTÃO VOTANDO NOSSO DESTINO, DIZ JORNALISTA ISRAELENSE - Yitzhak Laor


No final de seu livro, o historiador Tony Judt responde à questão sobre o que impediria que a invasão do Iraque liderada pelos EUA se tornasse um outro caso Dreyfus, na medida que a guerra estava baseada numa mentira escancarada. Em “Pensando o Século Vinte: Intelectuais e Política no Século Vinte”, escrito por Timothy Snyder, ele discursa sobre a complexidade da questão da mentira e da guerra, e do papel dessas coisas no esforço de tornar isso objeto de protesto, dizendo: “Quando a democracia faz a guerra, ela primeiro cria uma psicose da guerra...você tem de mentir, tem de exagerar, tem de distorcer e por aí....”.

Mais do que isso, parte do problema da democracia norte-americana no que concerne à guerra está conectado ao fato de que, como escreve Judt, “no século vinte, a América fez guerras sem custo para si mesma, em comparação ao custo para os outros países. Na Batalha de Stalingrado, o Exército Vermelho perdeu mais soldados do que a América já perdeu – soldados e civis juntos – em todas as guerras norte-americanas ao longo do século vinte. É difícil para os norte-americanos entenderem o que a guerra significa, e portanto é evidentemente fácil para um político enganar o seu povo ao levar a democracia para a guerra”.

Então, de onde vem a falsa imagem do sofrimento e do preço que os norte-americanos têm pagado em seus guerras? Dos filmes e programas de televisão. E nós adotamos a fantasia americana como ela fosse nossa.

Quem assistiu ao noticiário na semana passada deve ter pensado que era nosso (israelense) litoral que estava sendo inundado pelo Furacão Sandy. 

É verdade, essa fantasia tem claramente fontes reais. As entrevistas no rádio e na tevê com os israelenses que vivem nos Estados Unidos foram suficientes para demonstrar a extensão em que a classe média israelense pode ter um pé aqui e outro nos Estados Unidos: pessoas de negócios, professores trabalhando como convidados ou em ano sabático, experts em computadores, artistas, colegas estudantes, imigrantes, turistas. E aqueles de nós que ainda estão aqui? O que veem em suas telas de tevê é o que nós vemos em nossas, salvo pelas legendas que aparecem nas nossas.

Não há outro país ocidental no qual uma população inteira esteja exposta à cultura popular norte-americana por meio de sua televisão como Israel. Podemos lidar como isso com o lamento pela americanização de nossas vidas, e ainda assim é o caso prestar atenção ao que não é geralmente discutido como sintoma de nossas simbioses. 

Deixemos de lado a pauta trivial dos israelenses que vivem em Nova York e prestemos atenção em nossos protagonistas: o Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu, que fez o ensino médio e a universidade nos Estados Unidos; Stanley Fischer, que nasceu no Zambia e estudou e ensinou nos EUA, tornou-se dirigente do Banco de Israel depois de trabalhar no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial e fala um maravilhoso hebraico; Arthur Finkelstein, o consultor republicano baseado em Nova York que faz incitações contra os árabes para o ministro Avigdor Lieberman; Sheldon Adelson, o magnata dono de cassino e dono do mais patriótico jornal de Israel; Eli Tabib, que compra e vende times de futebol aqui e viaja para os Estados Unidos para fazer dinheiro lá. E esses são apenas alguns dos mais proeminentes exemplos de trocas entre múltiplas nacionalidades possíveis.

Mas há um conceito que permanece estrangeiro para os norte-americanos. Lá, sem entender o custo da guerra, os norteamericanos elegerão um presidente hoje – um líder que provavelmente afetará as vidas e as mortes de centenas de milhares de pessoas aqui. As milhões de pessoas no Oriente Médio assistem à devastação do Furacão Sandy (mesmo que não prestem em regra tanta atenção aos desastres naturais que devastaram o Haiti ou Bangladesh) não podem fazer nada nessa eleição importante, mesmo que ela venha a ter um efeito significativo em suas vidas. 

Tradução: Katarina Peixoto.

Extraído do sítio Carta Maior

05 novembro 2012

A SINUCA AMERICANA - Mauro Santayana


Os Estados Unidos advertiram o governo de Israel contra seu projeto de ataque preventivo às instalações nucleares do Irã, conforme noticiou The Guardian, em sua edição de 4ª feira. O aviso não foi das autoridades civis de Washington, e, sim, dos comandantes das tropas militares norte-americanas em operação na região do Golfo – o que, ao contrário do que se pode pensar, é ainda mais sério. O argumento dos militares é o de que esse ataque, além de não produzir os efeitos desejados – porque o Irã teria como retomar o seu programa nuclear – traria dificuldades políticas graves aos aliados ocidentais na região, sobretudo a Arábia Saudita e os Emirados Árabes – de cujo abastecimento direto depende a 5ª Frota e as bases das forças terrestres e aéreas que ali operam.

Embora as dinastias árabes pró-ocidentais temam o poderio militar do Irã, temem mais a insurreição de seus súditos, no caso de que se façam cúmplices de novo ataque a outro país muçulmano. Nunca é demais lembrar que os Estados Unidos e a Europa dependem também do petróleo que passa pelo golfo e atravessa o Canal de Suez, controlado pelo Egito.

Há, nos Estados Unidos – e, entre eles, alguns estrategistas do Pentágono – os que pensam ser hora de ver em Israel um país como os outros, sem a aura mitológica que o envolve, pelo fato de servir como lar a um povo milenarmente perseguido e trucidado pela brutalidade do nacional-socialismo. Uma coisa é o povo – e todos os povos têm, em sua história, tempos de sacrifício e de heroísmo, embora poucos com tanta intensidade quanto o judeu e, hoje, o palestino – e outra o Estado, com as elites e os interesses que o controlam.

Nenhum outro governo – nem mesmo o dos Estados Unidos – são tão dominados pelos seus militares quanto o de Israel. Eminente pensador judeu resumiu o problema com a frase forte: todos os estados têm um exército; em Israel é o exército que tem um Estado. 

O Pentágono acredita que uma guerra total contra o Irã seria apoiada pelos seus aliados da região, mas os observadores europeus mais sensatos não compartilham o mesmo otimismo. A ofensiva diplomática de Israel na Europa, em busca de apoio para - em seguida às eleições norte-americanas - uma ação imediata contra Teerã, não tem surtido efeito. Londres avisou que não só é contrária a qualquer ação armada, mas, também, se nega a permitir o uso das ilhas de Diego Garcia e Ascenção (cedidas pela Inglaterra para as bases ianques no Oceano Índico), como plataforma para qualquer hostilidade contra o país muçulmano.

Negativa da mesma natureza foi feita pela França, que, conforme disse François Hollande a Netanyahu, não participará, nem apoiará, qualquer iniciativa nesse sentido. É possível, embora não muito provável, que Israel conte com Ângela Merkel. Israel tem esperança na vitória de Romney, e a comunidade israelita dos Estados Unidos se encontra dividida. Os banqueiros e grandes industriais de armamento, de origem judaica, trabalham com afã para a derrota de Obama. E há o temor de que, no caso da vitória republicana, os israelitas venham a aproveitar o esvaziamento do poder democrata para o ataque planejado.

Além disso, Netanyahu não tem o apoio unânime entre os militares de seu país para esse projeto. Amy Ayalon, antigo comandante da Marinha, e dos serviços internos de segurança, o Shin Bet, disse que Israel não pode negar a nova realidade nos países islâmicos: “Nós vivemos – avisa – em novo Meio Oriente, onde as ruas se fortalecem e os governantes se debilitam”. E vai ao problema fundamental: se Israel quer a ajuda dos governos pragmáticos da região, terá que encontrar uma saída para a questão palestina. É esta também a opinião, embora não manifestada com clareza, do governo de Obama, de altos chefes militares americanos, e dos círculos mais sensatos da comunidade judaica naquele país.

O fato é que os Estados Unidos se encontram em uma situação complicada. Eles não têm condições militares objetivas para entrar em nova guerra na região, sem resolver antes o problema do Iraque e do Afeganistão. Seus pensadores mais lúcidos sabem que invadir o Irã poderá significar a Terceira Guerra Mundial, com o envolvimento do Paquistão no conflito e, em movimento posterior, da China e da Rússia. Washington, na defesa de seus interesses geopolíticos, deu autonomia demasiada a Israel, armando seu exército e o ajudando a desenvolver armas atômicas. Já não conseguem controlar Tel-Avive.

Estarão dispostos, mesmo com o insensato Romney, a partir para uma terceira guerra mundial? No tabuleiro de xadrez, se trata de “xeque ao Rei”; na mesa de bilhar, de sinuca de bico.

Extraído do sítio Mauro Santayana

15 setembro 2012

AL QAEDA INCENTIVA NOVOS PROTESTOS E PEDE O FECHAMENTO DE EMBAIXADAS NORTE-AMERICANAS

O grupo terrorista classificou as manifestações dos últimos dias, ocorridas devido a um vídeo religioso, como algo "muito grande".

O grupo terrorista Al Qaeda divulgou um comunicado neste sábado (15/09) para incentivar os muçulmanos a continuarem com os protestos até conseguirem o fechamento das embaixadas norte-americanas. Em referência ao filme "A Inocência dos Muçulmanos", que foi o estopim das diversas manifestações nos últimos dias, o texto pede que os “irmãos muçulmanos no Ocidente realizem seus deveres para apoiar o profeta” Maomé.

Mais de 12 países registraram manifestações em embaixadas norte-americanas contra um vídeo religioso
"O que aconteceu é algo muito grande. Por isso, devemos unir os diferentes esforços com um só objetivo que é a expulsão das embaixadas norte-americanas dos países muçulmanos e que continuem as manifestações e protestos", diz a nota, cuja autenticidade não pôde ser verificada.

De acordo com a nota, assinada pelo braço do grupo na Península Arábica, o fechamento das embaixadas e consulados norte-americanos será um passo fundamental "para a libertação dos países muçulmanos da hegemonia e da soberba norte-americana".

Imagem da Embaixada dos Estados Unidos na Líbia após os protestos que deixaram quatro mortos, no dia 11 setembro

O documento também traz comentários sobre as mortes de J. Cristopher Stevens, embaixador dos Estados Unidos na Líbia, e de outros três funcionários da mesma representação diplomática, classificadas “como o melhor exemplo” do que deve ser feito durante os protestos. 

Em relação ao vídeo sobre o profeta, considerado blasfemo pelos muçulmanos e que desencadeou ataques e protestos contra sedes diplomáticas dos EUA em vários países, o grupo terrorista assinalou que "se dá no marco de uma cadeia seguida de guerras cruzadas contra o Islã".

"Em resposta a estas contínuas agressões, os povos muçulmanos se sublevaram em seu apoio e zelo pela dignidade e honra de nosso profeta", acrescenta a nota, que ressalta que "esta ofensa transformou a malícia do inimigo em vergonha e infortúnio como castigo".

Na noite desta sexta-feira (14/09), ao receber os corpos dos norte-americanos mortos na Líbia, o presidente Barack Obama afirmou que “a justiça chegará para aqueles que causarem danos aos norte-americanos”.

O presidente democrata, que enfrentará o republicano Mitt Romney nas eleições de 6 de novembro, também garantiu que as manifestações não prejudicarão o relacionamento dos Estados Unidos com os países da região.

Histórico dos protestos

Desde a divulgação do filme, no início desta semana, protestos foram realizados em mais de 12 países, entre os quais estão Egito, Iraque, Afeganistão, entre outros. De acordo com a agência Efe, ao menos uma pessoa morreu e outras 400 ficaram feridas em Cairo.

O Iêmen foi um dos diversos países em que ocorreram protestos em Embaixadas dos Estados Unidos nos últimos dias

Na madrugada deste sábado, mais de 500 pessoas também saíram às ruas na Austrália. A polícia local dispersou o movimento com gás lacrimogêneo. 

Extraído do sítio Opera Mundi

14 setembro 2012

A ILUSÃO DE UM MUNDO COMPREENSÍVEL - Fiódor Lukianov

A situação no Oriente Médio está tão confusa que já não é possível entender quem luta com quem e de qual lado estão as diversas partes. A morte do embaixador norte-americano em Benghazi, cidade cujos habitantes receberam com empolgação os bombardeios da Otan contra o país um ano atrás, apenas confirma o nível dos conflitos.

"A linha de Bush-Cheney-Ramsfeld foi considerada um erro e a essência da presidência de Barack Obama consistiu em se livrar da herança dos seus antecessores". Foto: AP

Há 11 anos, quando baixou a poeira sobre o local da explosão das Torres Gêmeas, destruídas por um ataque de árabes kamikases, parecia estar surgindo uma nova linha de frente que colocaria todos em seus devidos lugares. Além do bem e do mal estavam os “terroristas internacionais”, inimigos do “mundo livre”. Contra eles, um recurso universal despontou: a democracia, que, em sua concepção, deve crescer por si só, mas, caso isso não aconteça, pode ser instituída à força.

Surgiram os neoconservadores a partir de duas premissas. Em primeiro lugar, uma vez que os EUA são uma superpotência global, as medidas para garantia de sua segurança devem ter um caráter mundial. Somado a isso, a garantia do progresso mundial profetizado são os dispositivos democráticos e, quanto maior o número de países que adotam esses dispositivos, menor o nível de ameaça à América. Os acontecimentos subsequentes – Afeganistão, Irã, eleições na Palestina e apoio às “revoluções coloridas” – personificaram essas concepções na prática.

A linha de Bush-Cheney-Ramsfeld foi considerada um erro e a essência da presidência de Barack Obama consistiu em se livrar da herança dos seus antecessores. Por ironia do destino, aquilo que os neoconservadores desejavam começou de fato a acontecer justamente na administração de Obama.

O Oriente Médio despertou e multidões passaram a exigir uma democratização de verdade, varrendo os regimes ditatoriais ora por conta própria, ora com ajuda externa. Inabaláveis aliados norte-americanos do passado na luta contra o terrorismo mudaram de rumo, enquanto surgiam como beneficiários das revoluções (totalmente populares) aqueles que há pouco eram considerados senão terroristas, pelo menos seus cúmplices e, portanto, suspeitos.

Esse movimento relembra a experiência do Afeganistão nos anos 1980, quando os Estados Unidos apostaram nos mujahidin (“guerreiros santos”) para a luta contra a União Soviética e, depois, deles surgiu a Al Qaeda, que voltou suas armas contra o ex-padrinho.

Naquela época, a aposta foi feita de modo consciente. Afinal, a tarefa de infligir perdas ao comunismo e aos soviéticos era considerada tão prioritária que simplesmente não se mediam gastos. Além disso, ainda não era possível prever quanto o islã fortaleceria suas posições políticas nem supor o confronto ideológico ao modelo anterior.

Hoje em dia, é praticamente impossível ter ilusões em relação ao desenrolar dos acontecimentos. O antiamericanismo no mundo árabe e muçulmano como um todo é um fenômeno disseminado sobretudo entre as amplas massas populares que compõem o corpo do eleitorado. Ainda mais que as sementes da oposição religiosa e cultural, lançadas no início do século 21 durante o processo da campanha antiterrorista, germinaram.

O islã político, que, desde o início dos anos 2000, tem sido julgado no contexto da Al Qaeda e da coalisão antiterrorista global, adquire agora dimensões completamente diferentes. Nos países árabes, os islamistas têm chegado ao poder por vias legítimas. Os “irmãos muçulmanos” estão governando o Egito e, ao contrário de todas as expectativas, Mohamed Mursi não se transformou em um presidente de fachada no contexto da junta militar, mas tomou decisivamente as rédeas da situação.

Entre ele e os companheiros de armas extremistas al-Zawahiri há, é claro, grande diferença. Porém, não mais como aquela entre eles e Mubarak. E o abismo tende, mais provavelmente, a se estreitar. De um lado, com a socialização dos radicais, do outro, com o deslocamento dos moderados em sua direção.

O mais importante, contudo, é que o apoio às revoluções no mundo árabe não foi escolha consciente e premeditada de Washington, mas uma tentativa de acomodar-se à tormenta de acontecimentos, somada ao mencionado instinto ideológico.

Dez anos atrás, esperava-se que os atos terroristas em Nova Iorque e Washington deixassem clara a situação global, definindo com precisão os inimigos e os amigos. Mas a Primavera Árabe misturou todas as cartas. Na Líbia, Egito, Síria e Iêmen, os EUA transformaram-se, na realidade, em aliados daqueles com os quais haviam lutado no combate ao terrorismo.

O Oriente Médio está passando por um deslocamento tectônico, por mudanças fundamentais, cujos contornos apenas foram esboçados. Tanto Osama bin Laden quanto George Bush participaram da criação das precondições desses movimentos, mas o que foi iniciado possui sua lógica própria e os cenários praticamente não dependem de forças externas. Desse modo, as mudanças no Oriente Médio põem fim às ilusões de que o mundo do século 21 seria organizado de acordo com um esquema simples e compreensível.

Fiódor Lukianov é redator-chefe da revista Russia in Global Affairs.

Extraído do sítio Gazeta Russa

13 setembro 2012

REVOLTA CONTRA FILME QUE SATIRIZA ISLÃ SE ESPALHA PARA EMBAIXADA DOS EUA NO IÊMEN

Em resposta ao ataque na Líbia, o governo norte-americano enviou oficiais do FBI e do exército e navios de guerra.

Manifestantes tentam invadir a Embaixada dos Estados Unidos em Sana, capital do Iêmen. Foto: Agência EFE

Os protestos de muçulmanos contra um filme norte-americano que denigre e satiriza a religião islâmica chegaram nesta quinta-feira (13/09) ao Iêmen, onde centenas de jovens invadiram a Embaixada dos Estados Unidos em Sana, capital do país. 

As manifestações contra a produção cinematográfica A Inocência dos Muçulmanos já ocorreram no Egito e na Líbia, onde um embaixador e três funcionários norte-americanos acabaram mortos na terça (11/09), o que deflagrou uma crise internacional.

O governo de Barack Obama enviou oficiais do FBI e do exército para a Líbia para “fazer justiça” após a morte dos funcionários diplomáticos. Jornais internacionais reportaram que navios de guerra norte-americanos já foram vistos na costa do país norte-africano nesta quinta-feira (13/09).

Manifestantes gritam em protesto contra filme norte-americano que satiriza religião islâmica e seus seguidores. Foto: Agência EFE

Segundo a agência de notícias France Press, hoje centenas de iranianos também protestaram contra o filme em frente à Embaixada da Suíça no país, que não possui representação oficial dos EUA. Dezenas de policiais cercaram o edifício para manter a segurança e funcionários suíços deixaram o local por precaução. Não existem relatos de incidentes nem de confronto, como informou o jornal New York Times.

Já no Iêmen, os manifestantes foram reprimidos pelos seguranças da embaixada norte-americana, que fizeram disparos para o ar, e pela polícia local, que lançou bombas de gás lacrimogêneo e canhões da água. Em comunicado oficial para a agência de notícias Reuters, diplomatas iemenitas em Washington asseguraram que não houve vítimas. Veículos de notícias, citando fontes anônimas de segurança, relatam que pelo menos 15 pessoas ficaram feridas.

Os manifestantes conseguiram invadir a embaixada por cerca de 50 minutos, mas permaneceram na parte de fora dos edifícios. Algumas janelas foram quebradas e um grupo de jovens queimou a bandeira dos EUA, informou o jornal norte-americano Huffington Post. O presidente iemenita Abd Rabbo Mansour Hadi condenou o protesto e responsabilizou “grupos demagógicos”.

Egito 

A polícia egípcia também reprimiu manifestantes que continuavam a protestar em um local próximo a Embaixada dos EUA na noite desta quarta-feira (12/09) com bombas de gás lacrimogêneo. A Mena, agência de notícias estatal, disse que 29 pessoas ficaram feridas e 12 foram detidas durante a madrugada. 

O confronto teve início depois que os oficiais egípcios tentaram dispersar um acampamento de manifestantes próximo à sede diplomática norte-americana. Dezenas de jovens permaneciam no local desde a manifestação de terça (11/09) em protesto pacífico contra o filme.

Mohammed Mursi, presidente do país, garantiu nesta quinta (13/09) ao governo dos EUA que garantirá a segurança dos funcionários e diplomatas norte-americanos. As ruas de acesso à embaixada no Cairo amanheceram fechadas e repletas de forças de segurança.

Líbia

Enquanto isso, autoridades líbias anunciaram a criação de uma comissão independente para apurar a morte do embaixador e dos três funcionários norte-americanos durante manifestação no consulado dos EUA na terça-feira (11/09). O grupo será constituído por um juiz e vários especialistas dos ministérios do Interior e da Justiça, informou o porta-voz da Alta Comissão de Segurança do Ministério do Interior, Abdelmonem Al Horr. 

Segundo Al Horr, a investigação é “muito complicada”. "Houve tiros provenientes de uma propriedade nas proximidades. Precisamos de tempo para determinar as responsabilidades”, disse ele.

A Inocência dos Muçulmanos

As manifestações ao redor do mundo árabe e islâmico tiveram início nesta semana depois que o trailer do filme A Inocência dos Muçulmanos ganhou legendas em árabe em conta no YouTube. Desde então, milhares de pessoas assistiram à versão, aprovada pelo diretor, e uma emissora egípcia chegou a reproduzi-la.

O filme mostra muçulmanos atacando uma cidade e todos aqueles que possuem religião diferente, incluindo uma bela garota com uma cruz no peito que é morta. Em outras cenas, o profeta Maomé é chamado de “bastardo”, briga por um pedaço de carne com uma de suas esposas, aparece sem cuecas e faz sexo oral em uma mulher. 

Para Sam Bacile, o diretor da produção milionária, “O Islã é um câncer e ponto final”. O norte-americano, que prefere se identificar como um israelense judeu, acredita que o filme vai ajudar o Estado judeu a dominar o território da Palestina por mostrar as falhas do Islã ao mundo.

“É um filme político”, disse ele ao descrever a sátira islamofóbica, que foi financiada por mais de 100 doadores judeus e custou 5 milhões de dólares.

Extraído do sítio Opera Mundi

26 agosto 2012

SOCORRO GOMES: A MÍDIA CONTRA OS POVOS - DA AL AO ORIENTE MÉDIO - Vanessa Silva

Imagens da mídia: Chávez, moribundo, tenta usar imagem jovial para se aproximar de seu opositor, Capriles. Obama vai invadir a Síria, caso o governo de Assad ultrapasse a “linha vermelha”. Antissionismo é antissemitismo e grupos terroristas podem atacar israelenses no Brasil. Todas essas informações foram veiculadas nesta semana. Para repercutir esses assuntos, o Vermelho conversou com a presidenta do Conselho Mundial da Paz e do Cebrapaz, Socorro Gomes.


Venezuela

Nesta quinta-feira (23), o jornal “Bom Dia Brasil”, da Rede Globo, veiculou uma reportagem crítica à campanha pró-Chávez onde dizia que o presidente da Venezuela “tenta vender a imagem de um líder que personifica mudança; mas está no poder há 14 anos. (…) O candidato desenhado esconde o homem debilitado e doente que tenta a terceira reeleição, tendo que encarar um adversário nem um pouco raquítico. Henrique Caprilles tem 40 anos, agita a campanha com vigor físico (…) Vende com a própria imagem a encarnação do novo, que Chávez tanto queria ser.”

A Globo tenta uma manobra para deslegitimar o processo dramático que vem sendo desenvolvido na Venezuela, que celebrará sua eleição presidencial no próximo dia 7 de outubro. Na opinião de Socorro Gomes, que participará como observadora do pleito, a realidade do país é o contrário do que a mídia brasileira tenta vender: 

“O que está acontecendo na Venezuela é uma busca para dar total transparência às eleições. A própria justiça eleitoral tem total autonomia, autoridade e está convidando personalidades, representações políticas dos países para acompanhar esse pleito, o que demonstra a profunda preocupação com a lisura das eleições. No meu entendimento é uma grande conquista democrática”.

É comum ainda os grandes jornais do país publicarem editoriais criticando o país caribenho. No dia 31 de julho, quando a Venezuela ingressou formalmente no Mercosul, o jornal O Estado de S. Paulo saiu com o editorial “O que Chávez esconde”, aliando o presidente ao narcotráfico. Tal ofensiva deve-se à importância que a Venezuela tem para a região. Contra isso, foi criada a campanha “Brasil Está com Chávez”, para respaldar o processo bolivariano.

A importância deste evento é ressaltada por Socorro: “a campanha de solidariedade se dá porque somos países vizinhos, irmãos e temos um destino comum. A questão da integração soberana dos povos latino-americanos é fundamental para a garantia da paz no continente. Uma vez que Chávez e a própria Venezuela vêm sofrendo ameaças, e sabotagens de todos os tipos por parte dos Estados Unidos. (…) Então é um movimento positivo que demonstra também um amadurecimento da consciência internacionalista do Brasil e dos países irmãos”.

Síria

Na segunda-feira (20), pela primeira vez, o presidente dos Estados Unidos declarou explicitamente que poderá invadir a Síria. Até então, este governo colaborava de maneira ativa no financiamento de mercenários e no fornecimento de armas para a oposição do país, com o objetivo de criar um clima de terror. A declaração de Obama viola o direito internacional, como lembra a pacifista Socorro Gomes:

“Quando o governo Obama ameaça invadir a Síria ele viola o direito internacional e os princípios e resoluções da ONU de autodeterminação e autonomia dos povos. (…) Essas potências querem que mercenários armados, hordas de assassinos [atuem no país] e o governo da Síria fique de mãos atadas sem defender seu povo. Oras, o presidente de uma nação tem como obrigação primeira defender a soberania da nação e a vida de seu povo. Ao invés de parar de financiar os mercenários assassinos, eles [Estados Unidos] criticam um governo que defende o seu território”.

Para a presidenta do Conselho Mundial da Paz (CMP), “o que os Estados Unidos querem mesmo é a invasão da Síria e não há aí nenhum compromisso com a democracia, com o direito internacional ou com a vida dos civis”. De fato, o que está em jogo é uma peça fundamental no tabuleiro geopolítico mundial. “Anteontem foi o Iraque, o Afeganistão; ontem, a Líbia e agora é a Síria. Isso merece a denúncia firme, a condenação veemente porque o que está em risco são a paz e o direito dos povos e das nações no mundo”.

Diante do impasse existente no país, a única solução possível é o diálogo entre o governo e seus adversários: “o desfecho necessário é o diálogo entre a oposição — não os mercenários, bandidos — e o governo, [de maneira que] o próprio povo sírio, de maneira soberana, resolva seus problemas.” 

Em missão do CMP e da União da Juventude Socialista, a presidenta visitou a Síria em abril deste ano. Com a autoridade de quem esteve em Damasco, ela afirma que “a despeito das críticas feitas ao país, é bom lembrar que a Síria já foi atacada várias vezes e nessas últimas décadas avançou bastante do ponto de vista da democracia, da melhoria das condições de vida do povo. Tem problemas que precisam ser resolvidos de maneira soberana, sem a ingerência de potências internacionais imperialistas, que querem a destruição da nação, querem colocar governos que obedeçam a seus vis desígnios de hegemonia e de saque dos recursos naturais na região”.

E lembra ainda que o CMP realizou, em julho, sua Assembleia mundial com resoluções de apoio e solidariedade ao povo sírio. “No dia 21 de setembro, estaremos em todos os Estados onde existe o Cebrapaz, para que as pessoas conheçam as resoluções do CMP. Também vamos fazer atos e eventos em apoio ao povo sírio e de contestação às ações imperialistas contra aquele povo”. Leia aqui a íntegra da resolução política.

Irã 

Nesta quinta-feira (23) o colunista Michel Chossudovsky, do Resistir.info informou que o “Canal 10 de Israel sugere, violentamente, que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está ‘determinado a atacar o Irã antes das eleições nos Estados Unidos’ e que o ‘momento para a ação está ficando mais próximo’”. Para Socorro, esta é mais uma estratégia em aliança com os Estados Unidos para o domínio da região:

“Israel tem as costas largas por conta de sua aliança com os EUA. Israel, que é uma potência nuclear, que tem uma política de lento genocídio contra o povo palestino, Israel que já invadiu no Líbano as fazendas de Shebaa, ocupou e usurpou as colinas de Golã da Síria, agora busca criar um clima para uma guerra. É claro que hoje Israel volta suas baterias contra o Irã. E ali a questão é essa: a busca do domínio da região, sendo que Israel é também a ponta de lança dos Estados Unidos no Oriente Médio”.

Israel

Hoje, ao criticar Israel, você pode ser acusado de antissemita e até mesmo identificado como simpatizante do holocausto. Isso é o que alguns colunistas vêm pregando na imprensa nos últimos dias. A Folha de S. Paulo, na quarta-feira (22), publicou o artigo dos jornalistas Salomão Schvartzman e Zevi Ghivelder em que eles dizem: “o antissemitismo prega que o judeu não tem lugar na sociedade. O antissionismo prega que Israel não tem lugar no mundo. Ou será que antissemitismo e antissionismo têm a mesma raiz?” Também defendem que “a Palestina nunca foi uma nação, Israel só ocupou tal território após ser atacado” e mencionam que o mesmo aconteceu com Berlim, que foi ocupada pelos Aliados no final da Segunda Guerra Mundial.

Sobre a questão, Socorro opina que “de fato a Palestina foi ocupada muitas vezes. O povo da Palestina estava ali há milhares de anos e inclusive existiam judeus ali que viviam pacificamente. O que ocorre é que no momento da resolução [242] da ONU, de criar o Estado de Israel, ficou determinado também criar o Estado da Palestina. E pelo peso das armas só foi criado o Estado de Israel e por essas mesmas armas foi impedido que o povo da Palestina conquistasse a sua nação. Só que Israel já usurpou, além do território que a ONU determinou, a maior parte do território palestino. Tomou inclusive as zonas mais ricas em água, mais férteis da Palestina, com armas”. 

Outro episódio controverso foi o debate realizado pela Conib (Confederação Israelita do Brasil) no último dia 19. Entre os participantes estavam os jornalistas Caio Blinder, Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo. “Hoje, o anti-israelismo [antissionismo] virou antissemitismo. Quando se quer atacar os judeus, ataca-se Israel”, declarou Mainardi. “Onde houver israelenses ou judeus, existe a possibilidade de um ataque”, declarou Blinder. “Ainda mais em um país onde não há punição para atos terroristas”, complementou Azevedo.

Essa hipótese é totalmente contestada pela ativista: “Nós, o povo brasileiro e os povos do mundo, não temos nada contra os judeus. É um direito de crença religiosa cada um professar a religião que queira, agora o que não podemos é fazer o uso perverso da crença, da religião para dominar os povos, para saquear o povo palestino. Isso não podemos aceitar. A própria ONU já teve resolução dizendo que o sionismo é racismo”. (Trata-se da resolução 3379 adotada em 1975. Em 1991, no entanto, a resolução foi revogada, sob pressão dos EUA e de Israel, no contexto de um mundo unipolar dominado pelo imperialismo estadunidense).

Ela pontua ainda que “eles [Israel] tentam jogar como se quem fosse contra o genocídio sionista fosse contra os judeus. É mentira. Tem muito judeus que abraçam a causa palestina e são antissionistas, inclusive israelenses. Infelizmente, a grande mídia serve à desinformação. E é com isso que os sionistas jogam”.

Fórum Social da Palestina

No contexto da solidariedade com o povo palestino, vítima do imperialismo israelense, o Cebrapaz integra a comissão de organização do Fórum Social Palestina Livre, que será realizado em novembro em Porto Alegre. Segundo a presidenta da entidade, “o Fórum tem uma organização ampla. É a defesa da solidariedade e do direito do povo palestino a seu território, seu Estado independente e soberano. É por isso que vão se reunir pessoas do mundo inteiro, organizações, lideranças para manifestar essa solidariedade e defesa do Estado Palestina Livre”.

Extraído do sítio Portal Vermelho

22 agosto 2012

O QUE O IRÃ PENSA DO OCIDENTE E DE SUA FEBRE DE GUERRA - Pepe Escobar

Dado que não é possível acompanhar pessoalmente o robô Curiosity em suas andanças em Marte, não há como escapar da histeria do “Bombardeiem o Irã” que emana, incansável, de Telaviv e dos sentinelas avançados de Telaviv em Washington. Agora já há até opinionismo de terceira classe, a sugerir que o presidente Barack Obama dos EUA voe pessoalmente a Israel, para acalmar o duo pirado Bibi-Barak [1]. 

Por Pepe Escobar, em Asia Times Online

Assim sendo, é hora de tomar rumo completamente diferente – e totalmente ausente das páginas da mídia-empresa ocidental – e ouvir o pensamento iraniano qualificado que se dedica a analisar o que realmente fermenta por baixo do rugido dos tambores de guerra – no que diga respeito a Irã, Turquia, mundo árabe e toda a Eurásia. 

Pode-se começar com o embaixador Hossein Mousavian, pesquisador do Woodrow Wilson School of Public and International Affairs da Universidade de Princeton; ex-porta-voz da equipe de negociadores iranianos para a questão nuclear de 2003 a 2005; e autor de The Iranian Nuclear Crisis: A Memoir. 

Escrevendo na página da internet da Arms Control Association [2], Mousavian vai diretamente ao ponto: “A história do programa nuclear do Irã sugere que o ocidente, inadvertidamente, está empurrando o Irã na direção de armas nucleares.” 

Em sete passos chaves, Mousavian mostra didaticamente como o processo se desenrolou – começando pela “entrada do Irã no campo nuclear”, possibilitada, aliás, por Washington: “nos anos 1970s, o Xá [do Irã] tinha planos ambiciosos para explicar o programa nuclear, prevendo 23 usinas nucleares até 1994, com apoio dos EUA.” 

Mousavian mostra como, de 2003 a 2005, durante o primeiro governo Bush, o Irã apresentou várias propostas [nucleares], que incluíram o compromisso declarado de que limitariam o enriquecimento no nível de 5%; de que exportariam todo o urânio baixo-enriquecido [orig. low-enriched uranium (LEU)] ou bastões de combustível nuclear que produzissem; de que assinariam um protocolo adicional aos acordos de salvaguardas com a AIEA e com o Código 3.1 dos arranjos subsidiários, que assegurariam nível máximo de transparência; e autorizavam a AIEA a inspecionar instalações não declaradas. Essas propostas visavam a superar as preocupações do ocidente sobre a natureza do programa nuclear iraniano, garantindo que nenhum urânio enriquecido seria desviado para algum programa de armas atômicas. A proposta iraniana também teria facilitado o reconhecimento, pela comunidade internacional, do direito de o Irã enriquecer urânio, nos termos do Tratado de Não Proliferação. Em troca desses compromissos que o Irã assumia, o dossiê iraniano na AIEA seria normalizado e o Irã teria acesso a uma mais ampla cooperação política, econômica e de segurança com a União Europeia. Além disso, também interessava ao Irã garantir o suprimento de combustível para o reator nuclear de pesquisas em Teerã, motivo pelo qual estava disposto a enviar o urânio enriquecido para algum outro país onde pudesse ser convertido em bastonetes/combustível.

O governo Bush recusou todos os oferecimentos do Irã. Mousavian recorda “encontro que tive naquele momento com o embaixador francês no Irã, Francois Nicoullaud, que me disse: ‘Para os EUA, o Irã enriquecer urânio no próprio país é a linha vermelha que a União Europeia não pode ultrapassar’.” 

De onde se pôde concluir que “o ocidente não está interessado em resolver a questão nuclear. A única coisa que o ocidente deseja é obrigar o Irã a abandonar completamente seu programa de enriquecimento.” Efeito disso foi, como não poderia deixar de ser, que o Irã foi compelido a “modificar sua diplomacia nuclear e a acelerar o programa de enriquecimento, para assegurar-se a autossuficiência na produção do combustível nuclear.” 

‘Estoque zero’, quem se candidata?

Rode o filme para a frente, até fevereiro de 2010. Teerã propôs “manter o enriquecimento abaixo de 5%, desde que o ocidente assegurasse o combustível necessário para manter em atividade o reator de Teerã. O ocidente recusou essa proposta.” 

Então, em maio de 2010, “o Irã construiu um acordo com Brasil e Turquia para trocar seu estoque de urânio baixo-enriquecido por combustível para o reator de pesquisas. O acordo baseou-se em proposta esboçada inicialmente pelo governo Obama com funcionários dos governo de Brasil e Turquia, em clima de entendimento que os fez crer que teriam as bênçãos de Washington para negociar com o Irã. Lamentavelmente, os EUA boicotaram o sucesso da negociação, ao rejeitar o acordo; e o Conselho de Segurança da ONU, em seguida, aprovou novas sanções contra o Irã.” Qualquer observador objetivo que acompanhe a história do dossiê nuclear iraniano conhece todos esses fatos. 

Novamente, rodem o filme à frente, até setembro de 2011, “quando o Irã já dominava a tecnologia de enriquecimento a 20% e já acumulava estoque considerável; foi quando o Irã propôs suspender as atividades de enriquecimento a 20% e aceitar que o ocidente fornecesse os bastonetes-combustível para o reator de Teerã. Mais uma vez, o ocidente rejeitou a proposta; o que obrigou os iranianos a dar um passo adiante e passar a produzir seus próprios bastonetes-combustível.” 

Sobre as conversações desse ano em Istanbul e Bagdá, Mousavian destaca que “depois de cada bloqueio, de cada ação ocidental punitiva, o Irã fez avançar o seu programa nuclear.” 

E a coisa ainda piora: “Comparação entre a declaração de 19 de junho, em Moscou, feita por Catherine Ashton, chefe da política externa da União Europeia e principal negociadora no grupo P5+1, e a declaração da mesma Ashton dia 14 de abril em Istanbul mostra uma grande diferença. O P5+1, em junho, dá mais importância ao Irã cumprir suas obrigações internacionais, a saber, obedecer a resoluções do Conselho de Segurança da ONU, do que a que cumpra os deveres a que se obriga por ser signatário do Tratado de Não Proliferação. Vê-se hoje claro retrocesso em relação à posição em Istanbul. Indica que o foco volta, agora, a ser a suspensão das atividades iranianas de enriquecimento, demanda que sempre aparece para interromper quaisquer negociações, desde 2003.” 

O resumo é que “não só o ocidente empurrou o Irã a buscar a autossuficiência, mas, em todas as circunstâncias, tentou privar o Irã de seu inalienável direito de enriquecer urânio. Esse movimento impulsionou o Irã a buscar, a todo galope, controlar toda a tecnologia nuclear.” 

A conclusão é inevitável: “Os progressos que o Irã obteve em seu programa nuclear é produto dos esforços do ocidente para isolar o Irã, ao mesmo tempo em que se recusou a reconhecer os direitos do Irã.” 

Washington e seus seguidores europeus simplesmente não conseguem entender que “sanções, isolamento e ameaças não obrigarão o Irã a ajoelhar-se. Ao contrário, essas políticas só levaram a avanços no programa nuclear iraniano.” Mesmo sob as mais devastadoras sanções e a febre de “Bombardeiem o Irã” já chegando ao surto convulsivo, só uma consequência é garantida, diz Mousavian: “o Irã tende hoje a retirar-se do Tratado de Não Proliferação e a buscar sua bomba atômica.” 

O que torna tudo isso ainda mais absurdo é que há solução que pode por fim a toda essa loucura:

Para atender às preocupações do ocidente sobre o estoque iraniano de urânio enriquecido a 20%, solução mutuamente aceitável para o longo prazo implicaria “estoque zero”. Sob essa abordagem, um comitê conjunto (Irã e P5+1) quantificaria as carências domésticas do Irã, em termos do quanto de urânio 20% o país carece para finalidades de pesquisa; e tudo que ultrapassasse essa quantia seria vendido no mercado internacional, ou imediatamente ‘empobrecido’ até voltar ao nível de 3,5%. Assim se asseguraria que o Irã não pudesse formar estoque permanente de urânio enriquecido a 20%, o que atenderia às preocupações internacionais sobre a possibilidade de o Irã construir bombas atômicas. Seria solução que salvaria as posições de todos, ao mesmo tempo em que reconheceria o direito dos iranianos de enriquecer seu urânio, assegurando ao país meios para negar qualquer interesse em construir armas atômicas.

Washington – e Telaviv – algum dia aceitarão? Claro que não. Os cães da guerra continuarão a ladrar. 

Um novo jogo de segurança 

Também é reconfortante examinar a análise iraniana da situação síria. 

Mehdi Mohammadi, na página internet IranNuc.IR [3] escreve: “o medo que a maioria sunita tem, de uma minoria salafista, não é fator a desprezar; e é realidade muito frequentemente censurada, relevante para entender a situação em campo na Síria. É a mesma realidade que impediu a oposição de aceitar qualquer forma de negociações e, até, eleições livres”. Esse fato é absoluto anátema na cobertura que a imprensa-empresa ocidental tem dado à situação na Síria. 

Mohammadi avalia corretamente as discrepâncias entre várias facções da Fraternidade Muçulmana (FM) dentro da Síria: há uma facção linha-dura que quer ver implantada a lei da Xaria; e outra, convencida de que o futuro de toda a região está, seja como for, nas mãos da FM – a qual está em missão de caráter divino; mas a maioria quer, isso sim, extrair a maior quantidade de dinheiro que consigam extrair da Arábia Saudita, aliando-se para isso com a França, os EUA, os sunitas no Líbano e na Jordânia: “esses são a espinha dorsal da oposição armada na Síria”. 

O xis da questão é que, mesmo no melhor cenário, a FM “está cometendo gravíssimo erro estratégico (...). Ainda que o governo de Assad seja deposto, os EUA jamais permitirão que o governo sírio caia nas mãos da parte da Fraternidade Muçulmana que aspira a manter e, se possível, aprofundar ainda mais o atual conflito com Israel.” 

Mohammadi observa, também corretamente, como EUA, Israel, Arábia Saudita e Turquia “chegaram à conclusão de que o melhor modo de impedir que desenvolvimentos da Primavera Árabe ajudassem a aumentar o poder do Irã na região seria converter todo o real conflito em luta entre xiitas e sunitas.” 

No fundo, como o Irã interpreta tudo isso? Segundo Mohammadi, “há alto grau de confiança em que o governo sírio não se deixará depor, no mínimo num prazo médio.” Além disso, “é muito pouco provável que Rússia e China cheguem a algum acordo com o ocidente sobre a Síria” e inclusive “sobre o dossiê nuclear iraniano.” 

Teerã, pois, está apostando na possibilidade de que “Rússia e China consigam construir um front estratégico confiável, anti-ocidente”. E o autor conclui: “A equação estratégica da região, como resultado dos eventos hoje em curso na Síria, absolutamente não mudou em qualquer direção que possa prejudicar o Irã.” 

Em entrevista à página da internet “Iranian Diplomacy (IRD)” [4], Mohammad Farhad – ex-embaixador e analista de estratégia – comenta o modo como “alguns países árabes, que têm currículos muito sujos no campo dos direitos humanos, deram as mãos aos EUA, na atual correlação de forças na Síria, com vistas a definir um novo jogo de segurança. Mas esse jogo de segurança está sendo mal administrado e, com certeza, maculará a imagem internacional dos EUA.” 

Koleini observa que, “enquanto o ocidente busca criar novo arranjo de segurança no Mediterrâneo, Moscou tenta “não deixar que o ocidente imponha ali seu monopólio geopolítico.” Por isso, a abordagem russa “não está necessariamente focada no que realmente esteja ocorrendo dentro da Síria, mas tem em vista um pacote regional e o projeto de Moscou para regular esse pacote nas suas interações com o ocidente.” 

Isso explica por que a Rússia “jamais permitirá que estados ocidentais imponham qualquer tipo de zona aérea de exclusão sobre a Síria”. É atitude de confronto? Não, de modo algum: “A Rússia está fazendo o máximo possível para evitar, a qualquer preço, qualquer tipo de confrontação. A China sempre demonstrou, em todos os seus movimentos, que segue a mesma política.” 

Mehdi Sanaei, diretor do Grupo de Estudos sobre a Rússia na Universidade de Teerã e diretor do Iran and Eurasia Research Center (IRAS), escrevendo na página internet do jornal Tabnak News [5] vai ainda mais fundo: Moscou trabalha agora sob “nível sem precedentes de desconfiança quanto aos objetivos e intenções dos EUA no Oriente Médio e Eurásia.” 

Quer dizer: podem todos esquecer o famoso “reset” das relações entre Washington e Moscou. 

Sanaei refere-se ao famoso artigo sobre política externa que Putin publicou [6] às vésperas da eleição presidencial na Rússia: “Putin visou diretamente os EUA, acusando Washington de mentir e manipular a estrutura e as resoluções da ONU, servindo-se de dois pesos e duas medidas em inúmeras questões globais em diferentes países, além de perseguir interesses só seus, enquanto prega democracia.” 

Sanaei descreve, também corretamente, o modo como os analistas russos veem a política externa do governo Obama, como “resultado de dois tipos de teorias: ‘realismo de última moda’ e ‘neoliberalismo’. Por causa disso, os EUA realmente creem que todos os países do mundo possam ser classificados ou como “amigos” ou como “inimigos” dos EUA. Países hostis, portanto, têm de ser enfraquecidos, e a presença deles nas arenas estratégicas regional e global deve ser contida e, se possível, suprimida, em termos políticos, econômicos e culturais”. 

Portanto, para Moscou, “uma nova onda da ordem do mundo foi iniciada pelos EUA para criar nova versão do velho sistema unipolar. Os principais alvos dessa onda, Moscou insiste, incluem o Norte da África, o Oriente Médio, o Irã, a Eurásia e, finalmente, China e Rússia.” 

Koleini, dessa vez em artigo para o jornal Emrooz de Teerã [7], introduz o tema do Oleogasodutostão no relacionamento Irã-Rússia: “Apesar da cooperação com o programa de energia nuclear iraniano, a Rússia sempre desejou cortar a mão do Irã no mercado europeu de gás natural. Nessa direção, a Rússia interagiu com Turquia e alguns países do Leste Europeu no projeto Blue Stream. Isso prova, acima de qualquer dúvida, que a Rússia tenta alcançar a liderança na engenharia da estrutura de segurança na Europa, mediante sua política de energia, e reduzir a dependência da Europa de outras fontes de energia.” 

Tudo isso, enquanto “tenta desempenhar papel de equilíbrio no caso nuclear do Irã.” 

Koleini também oferece esboço do principal desafio para a “política eurasiana” que Putin explicitou antes de eleito: “O ponto é que o ocidente está projetando novos jogos políticos, sobretudo na Ásia Central, para criar problemas novos para a Rússia e afastar da Eurásia a atenção de Moscou, atraindo-a para esferas tradicionais da extinta União Soviética.” 

Egito e Irã trocam beijos 

Intelectuais iranianos têm monitorado atentamente a vizinha Turquia. Especialista em Turquia e Cáucaso, Elyas Vahedi observa como “o governo turco surgiu com conceitos como ‘nem religião de estado, nem estado religioso’, ‘governo secular, não homem secular’, ‘civilizar a Constituição’, ‘abertura democrática/abertura curda/abertura alawita’ e ‘controle e supervisão civis sobre o exército’, e tem-nos usado para fortalecer e manter o controle político sobre o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP).”

E, claro, antes da Primavera Árabe, toda a conversa girava em torno de “zero problemas com nossos vizinhos” e a doutrina da “profundidade estratégica” da Turquia. 

Mas agora que a Turquia está metida na Síria, o governo do AKP “tenta justificar o próprio fracasso, declarando que a política de minimizar os problemas com países vizinhos teria entrado na segunda fase (...). A Turquia acredita que o principal traço da segunda versão de sua política é interação com povos de países vizinhos, não mais com governos vizinhos.” 

Simplesmente não se sustenta, diz Vahedi: “Esse ponto de vista, apesar de algumas limitações, seria ainda, de certo modo, justificável em alguns países como Líbia, Egito e Tunísia; mas absolutamente não se aplica à Síria.” Além disso, Ankara “manteve-se em silêncio ante o suplício do povo do Bahrain, sob o pretexto de que os protestos políticos no Bahrain não seriam populares.” 

Sobretudo, a política exterior da Turquia “também alimentou especulações de que Ankara participava do conflito xiita-sunita provocado e encenado pelo ocidente. O dano que essa ideia causará à posição e ao prestígio regionais e internacionais da Turquia custará caro demais a Ankara.” 

Vahedi vê a Turquia, bem como a Arábia Saudita e o Qatar, como seguidores do ocidente, que lidera da retaguarda, no estilo típico de Obama. A Turquia “parece ter lido a mente do ocidente e tenta aceitar o papel que entende como o seu, a serviço do ocidente, à espera de obter algumas concessões do ocidente.” Mas não funcionará – por exemplo, a entrada da Turquia na União Europeia não acontecerá, ante a gigantesca oposição de França e Alemanha. 

Para não falar que Ankara “enfrenta graves críticas que lhe vêm de figuras nacionalistas. Dizem que, o governo da Turquia fala da defesa dos direitos do povo sírio como sua primeira e principal prioridade, ao mesmo tempo em que direitos dos turcos são ignorados em Karabakh e nos Bálcãs, com a conivência das potências ocidentais.” 

Ali Akbar Asadi, do Departamento de Relações Internacionais da University of Allameh Tabatabaei, discorre sobre os eventos chaves das semanas vindouras: o renovado relacionamento diplomático entre Irã e Egito – objeto da mais furiosa ira de Washington; o Departamento de Estado, em movimento infantilóide, insiste que o Irã “não merece” ser anfitrião da reunião do Movimento de Não Alinhados em Teerã, do qual participará o presidente Mohamed Mursi do Egito [8]. 

Asadi vai direto à jugular – as petromonoarquias do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) estão aterrorizadas ante a possibilidade de que “o Egito retome suas relações com a República Islâmica do Irã, ou, mesmo, de que estabeleça relações estratégicas com a Turquia, minando o poder e a influência do próprio CCG no novo equilíbrio do poder regional.” 

Assim sendo, o GCC está fazendo o que costuma fazer: deixando jorrar um pouco de dinheiro. “Querem manter o Egito, como ator político grande e importante no mundo árabe, do lado deles.” 

Estão também exigindo de Mursi e da FM que “não tomem qualquer medida para exportar sua revolução ou para ativar outros afiliados” da FM no GCC. E esperam que “o Cairo evite adotar nova abordagem para fortalecer o Hamas contra o Fatah, ajudando a população palestina e de Gaza, e mostrando-se em aberta e firme oposição contra o regime israelense.” 

A política do GCC, apoiada pelo ocidente e por Israel, é “manter o Egito estrangulado em seus desafios domésticos” e, assim, incapaz de exercer “a liderança histórica que aspira a recuperar, no mundo árabe.” 

Eis, então, apenas uma amostra da discussão intelectual em curso hoje no Irã. Comparada à histeria bombardeante de que Telaviv e Washington estão acometidas, soa como se esses analistas pensassem e escrevessem em Marte. 

Notas

1. An Obama Visit to Israel Could Stall Iran Attack, Bloomberg, August 21. 
2. Ver armscontrol.org/
3. Ver www.irannuc.ir/
4. Ver www.irdiplomacy.ir/
5. Ver www.tabnak.ir/
6. Ver Russia and the changing world, RIANOVOSTI. Sobre esse artigo e a “volta de Putin” ao poder na Rússia, ver também PEPE ESCOBAR, “Agora é encarar: o czar voltou”, 6/3/2012, em port. em http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2012/03/pepe-escobar-agora-e-encarar-1-o-czar.html [NTs].
7. Ver www.tehrooz.com
8. EUA says Iran doesn’t deserve to host summit of Non Aligned Movement, Washington Post, August 21.

Tradução: Vila Vudu.

Extraído do sítio Portal Vermelho