Mostrando postagens com marcador cibernética. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cibernética. Mostrar todas as postagens

19 setembro 2012

EUA TERÃO UMA NOVA ARMA? - Polina Tchernitsa e Alexandra Dibijeva

© Flickr.com/marsmet543/cc-by-nc-sa 3.0
Washington pode ter participado na criação de vírus informáticos para efeitos de espionagem e condução de ciberguerras, apontam dados contidos em uma pesquisa realizada por companhias informáticas da Rússia e dos EUA. Os novos vírus são análogos aos que foram utilizados durante um ataque informático aos computadores da rede de instalações nucleares iranianas.

Segundo indicam peritos, vários computadores daquele país já estão contaminados. Lembre-se que também foram atacados computadores no Líbano.

A referida pesquisa incide sobre um novo software perigoso, análogo aos Flame e Stuxnet. Este último foi usado na recolha de dados relativos ao programa nuclear iraniano em 2010. O Flame, utilizado para a ciberobservação, foi detetado em maio de 2012 por especialistas do laboratório russo Kaspersky. O vírus afetou mais de 150 computadores governamentais no Irã e na Síria e pode ser usado para o desvio de dados, disse à Voz da Rússia Vitali Kamliuk, perito-chefe do Laboratório Kaspersky.

O suplemento Flame é um programa considerado raro, sendo diferente dos vírus informáticos comuns. O seu objetivo não são os cartões de crédito e as contas on-line, aos quais os piratas informáticos ordinários procuram obter acesso. Em vez disso, o vírus estabelece um sistema profissional de monitoramento que persegue objetivos concretos. Nisso consiste a sua diferença dos vírus tradicionais que, como regra, pretendem contaminar o maior número possível de computadores. A outra característica excepcional e, aliás, a mais perigosa do Flame é que ele utiliza métodos de ataque muito complicados que não tinham sido investigados.

Mediante o Flame podiam ter sido desviados desenhos industriais dos computadores do Irã e da Síria. O vírus foi bloqueado. Mas agora existe outro perigo iminente, estando ativas, no mínimo, três modificações. Já se conhecem casos de contaminação, constatam peritos do laboratório Kaspersky. E escala de epidemia é capaz de não ter precedentes e a elaboração de tal nível não pode ser efetuada por companhias privadas, ressalta Vitali Kremliuk.

Fontes governamentais dos EUA têm apontado, reiteradas vezes, que Washington podia ter participado na criação do worm Stuxnet. A comunicação social norte-americana informa que os serviços secretos israelenses podem também ter estado implicados na criação do vírus. Mais tarde, se tornou evidente que ambos os vírus – o Flame e o Stuxnet - possuem códigos semelhantes. Representantes do laboratório Kaspersky se abstêm de fazer acusações a alguém, realçando que o lançamento do Flame e do Stuxnet assinala o início de uma nova etapa de desenvolvimento de armas cibernéticas.

Na ótica de peritos, a sua característica mais perigosa é a rapidez de ação. Por exemplo, um ataque informático contra um alvo nuclear no Irã ou uma instalação qualquer em outros países da região ocorre num instante. Pode-se igualmente dispensar os recursos humanos.

Extraído do sítio Voz da Rússia

17 agosto 2012

NOVAS FORMAS DE AGRESSÃO DOS EUA - Miguel Urbano Rodrigues

Essas inovações “revolucionárias” na estratégia militar do imperialismo iluminam bem a ameaça para a humanidade de um sistema de poder monstruoso.


Os EUA surgem como pioneiros em duas formas de agressão que o Pentágono define como evolução na arte da guerra: os drones, aviões sem piloto, e os ataques cibernéticos.

Robôs sofisticados, as aeronaves sem piloto estão a ser utilizadas intensamente em bombardeamentos no Afeganistão e no Paquistão e em operações similares no Iêmen e na Somália.

Num brilhante ensaio, o professor português Frederico Carvalho analisa a rápida expansão desses armamentos de tecnologia avançada.

Em 2003, o número de veículos aéreos sem piloto (Vasp) excedia já os sete milhares. Segundo o Pentágono, esses engenhos vieram “revolucionar a arte militar”.

Eles apagaram na guerra a fronteira entre o soldado e o civil. Agora, algures numa pequena cidade dos EUA, um técnico, recebidas as instruções sobre o alvo a atingir, carrega nos botões de uma mesa de comando e depois vai jantar com a família de consciência tranquila. Nem sequer conhece o resultado da operação criminosa.

Mas o ataque pode ser também desfechado de uma base na Etiópia, em Djibuti, nas Seychelles ou na Arábia Saudita. Eventualmente, de um porta-aviões. Os drones disparam mísseis Halfi re ou Scorpion.

Afirmam os generais do Pentágono que os danos colaterais são mínimos. Mentem Dennis Blair, o ex-diretor Nacional da Espionagem, qualifica os Vasps de “arma perigosamente sedutora”, porque “é barata, não faz vítimas americanas e transmite uma imagem de dureza”.

Oficialmente, os alvos visados são grupos de terroristas ou personalidades cujos nomes constam de uma lista submetida à aprovação prévia do presidente Obama.

O balanço dos ataques a aldeias das zonas tribais do Paquistão, planejados e controlados diretamente pela CIA, é pesado.

Nas aldeias bombardeadas por cada “terrorista” abatido são mortos dez camponeses.

De uma só vez, os mísseis de um drone mataram 26 soldados paquistaneses. A indignação naqueles país foi tamanha que o governo de Islamabad proibiu durante meses na fronteira o trânsito de caminhões de abastecimento às tropas americanas e da Otan que ocupam o Afeganistão.

O presidente Obama não somente aprova a utilização massiva dos drones como deu o seu aval a uma alteração dos regulamentos que autoriza o recurso “a força letal” longe de zonas de guerra. Por outras palavras, o assassinato em países estrangeiros de indivíduos considerados “perigosos” para a segurança dos EUA passou a ser legal.

Além dos drones, os EUA contam hoje com um arsenal de robôs de reconhecimento.

Revistas especializadas referem a existência de pequenos robôs espiões com a aparência de insetos, que passam despercebidos. Está aliás em estudo a utilização de insetos reais em que seria implantado um chip eletrônico que permitiria comandar a distância o seu voo.


Cibernética a serviço da guerra

OS EUA são também pioneiros na utilização da cibernética como instrumento de espionagem e arma eficaz para a desativação ou destruição de equipamentos e sistemas informatizados.

O subsecretário de Defesa dos EUA, William Lynn, reconheceu numa declaração pública que para o Pentágono o ciberespaço “é um novo teatro de guerra”, como o solo, o mar ou o ar.

Atos de agressão cibernética confirmam essas palavras. Em setembro de 2010 a mídia estadunidense noticiou que o parque de ultracentrifugadoras de Natanz, no Irã, fora alvo de um ataque. Em Washington sabia-se que ali se procedia ao enriquecimento de urânio natural destinado a combustível nuclear para a produção de energia.

Aproximadamente mil centrifugadoras foram então inutilizadas pela operação de pirataria cibernética que utilizou o vírus Stuxnet. Posteriormente, soube-se que esse vírus, ate então desconhecido, resultara de um projeto americano-israelense.

Operações como a citada são planejadas e executadas sob a direção do Ciber Comand, subunidade do Comando Estratégico das Forças Armadas.


É de lamentar que a mídia brasileira, com poucas exceções, preste escassa atenção à importância crescente da guerra robótica e da ciberguerra nas agressões imperiais dos EUA.

Essas inovações “revolucionárias” na estratégia militar do imperialismo iluminam bem a ameaça para a humanidade de um sistema de poder monstruoso que somente encontra precedente no III Reich nazi.

* Miguel Urbano Rodrigues é jornalista e escritor português. Escreve mensalmente para o Brasil de Fato.

Extraído do sítio Brasil de Fato