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12 março 2013

CACHOEIRA E POLICARPO AGIRAM NA SOMBRA PARA DERRUBAR RENAN


É o que mostra a jornalista Tereza Cruvinel; colunista do jornal Correio Braziliense, ela conta que linha de passe entre contraventor e jornalista levou a publicação, na revista Veja, de matéria que deixou verdade de lado para comprar versão fantasiosa de espionagem a senadores que teria sido feita por Renan Calheiros; documentos secretos do Senado, ao quais Tereza teve acesso, mostram que verdade poderia ter sido facilmente apurada; matéria "O Jogo Sujo de Renan" ajudou então senador Demóstenes Torres a acuar corregedor Romeu Tuma e levar Renan à renúncia. 

247 – Um das mais bem informadas jornalistas de Brasília, a jornalista Tereza Cruvinel, colunista do jornal Correio Braziliense, acaba de dar um furo. Ela teve acesso a um documento secreto do Senado Federal, carimbado como sigiloso, do qual surge mais uma forte impressão digital da parceria Carlinhos Cachoeira, o contraventor, e Policarpo Jr., o editor-chefe da revista Veja. A trama aponta muito mais para um caso de polícia do para um trunfo editorial.

De acordo com a coluna de Tereza desta terça-feira 12, a revista Veja, em reportagem assinada por Policarpo e Alexandre Oltramari, de 10 de outubro de 2007, passou por cima de informações veridicas, que poderiam ser checadas facilmente, para divulgar uma versão fatasiosa, feita por um adversário do então presidente do Semado, Renan Calheiros.

O texto "O Jogo Sujo de Renan" afirmava que o sujeito da matéria havia montagem um esquema de espionagem contra seus pares, com direito a câmeras de vídeo instaladas num hangar de Brasília, quando o fato apurado formalmente pelo então corregedor do Senado, Romeu Tuma, falecido em 2010, dizia exatamente o cotrário. O material de Veja, "que incendiou o plenário", como lembra a colunista do Correio Braziliense, foi estratégico para que o então senador Demóstenes Torres abrisse suas baterias contra Renan. Mesmo após a absolvição do senador pela acusação de uso de dinheiro de um empresário para o pagamento de despesas particulares, o então presidente do Senado não resistiu à série de críticas e renunciou ao cargo.

Abaixo, a íntegra da coluna de Tereza Cruvinel:

Dedo de CachoeiraTereza Cruvinel - Correio Braziliense - 12/03/2013

Um documento arquivado pelo Senado como "sigiloso" aponta a ação do bicheiro Carlinhos Cachoeira e seu grupo na urdidura de uma das denúncias que levaram o senador Renan Calheiros a renunciar à presidência do Senado em 2007: a de que ele teria montado um esquema para espionar os senadores Demóstenes Torres, que veio a ser cassado após ser desmascarado como agente político do bicheiro, e Marconi Perillo, hoje governador, citado como envolvido pelo relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha, no relatorio derrotado por uma coalizão entre PMDB, PSDB e DEM.

O documento, ao qual a coluna teve acesso, é a íntegra do depoimento do empresário e ex-deputado goiano Pedrinho Abrão ao então corregedor do Senado, Romeu Tuma, já falecido. Tuma pediu seu arquivamento, sem divulgá-lo, pressionado pelo DEM, partido de Demóstenes, que ameaçava processá-lo por infidelidade partidária, tirando-lhe o mandato, por ter migrado para o PTB. Curiosamente, nessa época, o DEM moveu ação semelhante contra o hoje ministro Edison Lobão, que trocara o partido pelo PMDB, mas poupou Tuma.

No depoimento, Abraão, que é dono de um hangar em Goiânia, nega taxativamente ao corregedor que o então assessor de Renan, Francisco Escórcio — que fora senador como suplente e hoje é deputado federal — tenha lhe pedido autorização para instalar câmeras no hangar e captar imagens comprometedoras dos dois senadores. Se aparecessem usando jatinhos de empresários, por exemplo, Renan poderia chantageá-los.

Em outubro de 2007, o então presidente do Senado, que já fora absolvido da acusação de ter despesas particulares pagas por um empresário, enfrentava outras denúncias, como a de usar laranjas em seus negócios. No dia 10, a revista Veja publicou matéria, assinada pelos repórteres Policarpo Junior e Alexandre Oltramari, sob o título "o jogo sujo de Renan". Afirmava que ele montara um esquema para espionar seus pares chefiado pelo assessor Escórcio. Que este fora a Goiania e se reunira com Abraão, pedindo-lhe para instalar duas câmeras em seu hangar, com o que ele não teria concordado. A reportagem transcreve falas de Abraão mas registra, no final, que ele confirmou ter os senadores como clientes e conhecer os envolvidos, negando porém ter participado de reunião com este objetivo.

Num plenário incendiado pela reportagem, Demóstenes fez um discurso indignado. O DEM e o PSDB apresentaram ao Conselho de Ética a quinta representação contra Renan. As outras envolviam a sua vida privada mas esta, de que espionava os colegas, fez com alguns deles lhe retirassem apoio. Ele contestou, depois demitiu o assessor mas, temendo perder o mandato, renunciou à presidência em dezembro.

Logo depois da reportagem, no dia 16, Tuma foi a Goiânia colher o depoimento de Abraão, que teria sido esclarecer mas foi arquivado, pela razão já citada. O então corregedor resume para Abraão o que Demóstenes declarou no Senado, dizendo ter ouvido dele, Abraão: "Ele me contou que Escórcio disse estar lá em missão relativa ao Maranhão mas que precisava também me flagrar, e ao Perilo, voando de forma ilegal. Pediu-me para instalar duas câmeras".

Ouvindo isso, Abrão declara ao corregedor, segundo a transcrição: "Não foi dessa forma, senador." E resume o encontro ocorrido no escritório do advogado Eli Dourado, negando ter havido qualquer abordagem sobre instalação de câmeras: "Conversamos muito sobre avião, se eu voava, e tal, e sobre algo que me surpreendeu, que o Heli iria ser advogado da Roseana. Falamos também da minha cirurgia, como emagreci 60 quilos e tal."

Abrão relata a Tuma que Demóstenes o visitara dias antes, afirmando já saber que Escórcio lhe propusera a arapongagem e que ele se negara a colaborar. "O Demóstenes veio para mim com um ímpeto...me especulando como promotor". Esclareceu que não ouviu proposta em tal sentido e teria acrescentado que o hangar já tem mais de 60 câmeras instaladas. "E tudo filmado por segurança, certa vez roubaram um avião aqui. Então, se eu quisesse fazer ou contribuir com alguma arapongagem, seria a coisa mais simples".

A versão de Escórcio, hoje deputado, é coerente com o depoimento de Abraão a Tuma: "A conversa foi banal. Eu fui a Goiânia contratar o Heli Dourado para mover a ação eleitoral que veio a garantir a posse de Roseana. Na conversa, alguém mencionou Pedrinho Abraão, com quem tive boa convivência no Congresso. Pedi o numero dele e liguei. Ele se propôs a ir lá me rever. O que eu não sabia, e vim a saber, é que, por ser assessor do Renan, tivera meu telefone grampeado pelo esquema deles. Deduziram que meu encontro com Pedrinho Abraão era alguma armação". A coluna não conseguiu ouvir Renan.

Essa história ocorreu há cinco anos. Demóstenes foi cassado, Renan voltou ao cargo e enfrenta protestos. Mesmo assim, é importante "apurar" o passado. Nossa história recente está cheia de narrativas imperfeitas, que ainda serão revisitadas. Falta ainda conhecer melhor o papel de Cachoeira e seu esquema em muitas delas.

Extraído do sítio Brasil 247

10 fevereiro 2013

CASSEM OS DEPUTADOS OU CORTO SEUS PESCOÇOS!


É exatamente isso o que o empresário Roberto Civita, dono do grupo Abril, parece querer dizer na reportagem da revista Veja desta semana, ilustrada com uma espada prestes a degolar os presidentes da Câmara, Henrique Alves, e do Senado, Renan Calheiros. No subtítulo, a ameaça é clara, pois se as ordens não forem cumpridas, "o sabre metafórico da opinião vai fazer seu serviço"; alguma surpresa com a cassação de José Genoino?

247 - Ao desenhar a Praça dos Três de Poderes, em Brasília, o arquiteto Oscar Niemeyer teve o cuidado de preservar a mesma distância entre as sedes do Executivo, do Judiciário e do Legislativo. Tudo em perfeito equilíbrio para que, visualmente, nenhum poder se sobrepusesse aos outros. Niemeyer, evidentemente, não imaginou um Quarto Poder, relativo aos meios de comunicação. Hoje, se fosse necessário criar um monumento a mais em Brasília, a imagem perfeita seria uma faca no pescoço.

A inspiração para essa imagem vem da revista Veja deste fim de semana, ilustrada com uma espada que ameaça degolar Renan Calheiros, presidente do Senado, e Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara. Até ontem, ambos eram tratados por Veja e outros veículos de comunicação como delinquentes incompatíveis com os cargos que ocupam. Mas, do Quarto Poder, vem um recado tranquilizador. Na reportagem "A faca no pescoço", o dono da revista Veja, Roberto Civita, parece avisar que a única saída para o perdão é cassar deputados como José Genoino. "Os novos presidentes da Câmara e do Senado prometem elevar o conceito do Parlamento. Se forem só palavras vazias, o sabre metafórico da opinião pública vai fazer o seu serviço". 

Internamente, sabe-se da aprovação de Veja aos primeiros movimentos do novo presidente da Câmara. "Assim como Renan, ele [Henrique Alves] anunciou uma agenda positiva – que começou com o encerramento da estéril polêmica sobre a quem cabia a palavra final a respeito da cassação do mandato dos deputados mensaleiros. Alves reconheceu que cabe ao Supremo. Ponto final".

Portanto, ao cumprir as ordens do Quarto Poder, Alves e Renan estão, temporariamente, absolvidos. Mas a ameaça é permanente, até porque escândalos relacionados à dupla transbordam. O único problema é que o sabre da "opinião pública" representa, na maioria das vezes, a opinião publicada de certos grupos de pressão – e não a opinião pública como um todo. Um relatório recente da organização Repórteres Sem-Fronteiras apontou o Brasil como um dos países de maior concentração de mídia do mundo, em que seis famílias apenas ditam a agenda pública e tentam monopolizar a narrativa dos fatos e a construção da opinião.

No caso em questão, que diz respeito aos mandatos dos deputados, o Supremo Tribunal Federal passou longe de um consenso. A decisão se deu por cinco votos a quatro e foi necessário que Celso de Mello desse um voto contrário a um que havia feito no passado sobre o mesmo tema, para que prevalecesse a "opinião pública" de empresários como Roberto Civita.

No início do julgamento, por sinal, uma repórter da Folha flagrou uma conversa do ministro Ricardo Lewandowski, em que ele dizia que o julgamento da Ação Penal seria atípico e que os ministros do STF estavam sendo obrigados a votar "com a faca no pescoço". Deu no que deu. Animados com a vitória inicial, veículos de comunicação já exibem publicamente – e sem nenhum pudor – suas peixeiras diante dos demais poderes.

Os que compõem com o Quarto Poder, como Carlos Ayres Britto, são premiados e louvados. Os que divergem, como Ricardo Lewandowski, terminam achincalhados. É democrático esse sequestro permanente do País?

Extraído do sítio Brasil 247

06 fevereiro 2013

PODER DO PMDB VAI DAR MAIS TRABALHO A DILMA - Ricardo Kotscho


Uma coisa é certa e o governo pode se preparar: com seu poder inflado, ao assumir o controle do Congresso Nacional, o PMDB vai dar mais trabalho à presidente Dilma Rousseff.

O problema não são nem os novos presidentes eleitos para o Senado e a Câmara, mas os eleitores deles, quer dizer, a maioria dos parlamentares que garantiu as vitórias de Renan Calheiros e Henrique Alves, como todo mundo já esperava desde o ano passado.

Com certeza eles vão cobrar a independência do Legislativo e outras benfeitorias para os parlamentares que os dois prometeram durante a campanha para se eleger. Se os novos presidentes cumprirem suas promessas, não vai ser fácil a vida dos articuladores políticos do governo Dilma. Dona Ideli que se prepare.

Henrique Alves, o novo presidente da Câmara, mais conhecido por "Henriquinho", já deu o primeiro sinal de encrenca à vista: prometeu criar, ainda antes do Carnaval, uma comissão para discutir e votar a proposta de orçamento impositivo para as emendas parlamentares.

É tudo o que eles querem. No atual orçamento da União, as emendas dos parlamentares são apenas autorizativas, ou seja, o governo pode ou não liberar as verbas no momento em que bem entender.

Se a proposta de Alves for aprovada, acaba a eterna negociação de todos os anos dos parlamentafres com o governo para a liberação das verbas das emendas toda vez que há uma votação importante na Câmara. A grana federal teria que ser automaticamente liberada para onde o parlamentar quiser mandar.

De outro lado, o governo federal perderia uma importante moeda de troca com os deputados para conseguir a aprovação dos seus projetos e medidas provisórias.

É exatamente aí que reside o poder dos parlamentares junto a suas bases locais, que se elegem e reelegem seguidamente graças a estas emendas, como é o caso do decano Henrique Alves, que já acumula uns dez mandatos.

Como ninguém é de ferro, duvido que o novo presidente da Câmara consiga instalar esta comissão do orçamento impositivo ainda antes do Carnaval. Mas, depois da Quarta-Feira de Cinzas, certamente viveremos fortes emoções nas relações entre Executivo e Legislativo, ainda mais com o notório Eduardo Cunha na liderança do PMDB.

Podem falar o que quiserem do PMDB, mas trata-se de um partido de profissionais. Enquanto a oposição mais uma vez se apequena votando nos candidatos oficiais, para garantir um carguinho na Mesa, e o governo cede para garantir a chamada governabilidade, o velho PMDB cresce e mostra suas garras para o embate decisivo de 2014.

Há vinte anos o PMDB não lança candidato próprio a presidente da República, nem precisa. Eles não querem o Palácio do Planalto. Só querem o poder.

Extraído do blog Balaio do Kotscho

POR TRÁS DO DISCURSO MANIQUEÍSTA - Luciano Martins Costa


A eleição dos dirigentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados produz um conjunto de reportagens que merece uma observação mais acurada dos leitores de jornais. Antes, porém, é conveniente rever as ideias do sociólogo alemão Herbert Gans, descritas em artigo publicado pelo Laboratório Nieman de Jornalismo, da Universidade Harvard, e reproduzidas neste Observatório (ver “Sociólogo defende jornalismo em prol da democracia”), no qual ele argumenta que os jornalistas devem repensar sua forma de trabalho como contribuição para a democracia no século 21.

Trata-se, resumidamente, de uma crítica à forma como a imprensa cobre assuntos importantes, deixando vácuos imensos de informação para serem preenchidos pelas opiniões de colunistas. No caso da política, observa o pesquisador, a falta de profundidade se percebe na preferência dos jornais por reproduzir decisões, ações e discursos de políticos eleitos, omitindo os processos por trás desses eventos.

A crítica se encaixa perfeitamente no caso da imprensa brasileira, com a mesma e grave consequência: a demonização do poder político – portanto, da democracia – e o isolamento entre a sociedade e seus supostos representantes.

O exercício da crítica, essência do jornalismo em política, exige mais do que reproduzir acusações contra parlamentares, embora essa seja uma tarefa fundamental. É preciso que o ânimo da crítica vá além dos fatos isolados e penetre na busca das causas de tantos escândalos.

Por exemplo, a acusação que se faz ao novo presidente do Senado, Renan Calheiros, de se haver beneficiado de notas frias para justificar o uso de verbas de representação, precisa ir além do fato em si e mostrar sua conexão com a prática generalizada, que parece comum a muitos parlamentares, de gastar descontroladamente os recursos e depois deixar a justificativa nas mãos de assessores – que fazem qualquer coisa para fechar suas planilhas.

Essa prática, aliás, não é exclusiva dos congressistas. Também é usada por executivos em visita à capital federal, por dirigentes de empresas estatais, prefeitos, lobistas e quem quer que seja obrigado a prestar contas de seus gastos.

Até mesmo jornalistas podem ser vistos pedindo notas fiscais em valor superior ao que foi gasto em restaurantes, para justificar suas despesas de trabalho, mas isso é assunto interno de cada empresa. A imprensa deve estar de olho naqueles que prestam contas de gastos feitos com dinheiro público.

O segundo plano

Evidentemente, tal prática generalizada não pode ser confundida com o desvio de milhões de reais do orçamento para empreiteiras associadas a doadores de campanha, nem com a destinação de verbas para organizações não governamentais de fantasia e consultorias de fachada.

O que se discute aqui é o ânimo da imprensa, que se esgota no primeiro indício, conforme o personagem acusado, e se desvanece quando aparecem os sinais de que a mesma irregularidade permeia todo o sistema. Como diz o sociólogo Herbert Gans, é preciso ir além dos fatos isolados e questionar o modelo da representação política.

Do modo como é feita a cobertura da política nacional, o resultado mais visível não é o desenvolvimento do senso crítico que, teoricamente, levaria o eleitor a fazer escolhas mais adequadas de seus representantes. O que tem resultado da cobertura crítica, porém personalizada, partidarizada e limitada, é o descrédito das instituições republicanas. O discurso da imprensa é maniqueísta.

Expressões como “Sob velha direção – os novos donos do Congresso”, como a estampada na primeira página do Globo de terça-feira (5/2) apenas alimentam essa ojeriza do cidadão contra o político, e podem contribuir para minar os valores democráticos.

Os novos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, tomam posse sob suspeitas gerais, alimentadas por um noticiário que deveria ir mais fundo. Sem penetrar naquilo que Gans chama de “segundo plano” do processo político, o público tende a considerar que “todo político é ladrão” e que toda acusação tem fundamento.

Alves abre o ano legislativo confrontando o Supremo Tribunal Federal, o que agrava ainda mais o quadro, porque, embora ele estivesse claramente se dirigindo ao público interno, como uma satisfação pelos votos de seus pares, o que passa para a sociedade é a impressão de que uma quadrilha se apossou do Congresso e, de lá, desafia os deuses da Justiça.

Nem toda acusação tem fundamento, nem todos os políticos são desonestos e nem tudo no Judiciário é Justiça.

Extraído do sítio Observatório da Imprensa

05 fevereiro 2013

O MAL NOSSO DE CADA DIA - Mário Augusto Jakobskind


A imagem do Congresso, que já não era das melhores, agora ficou ainda pior com a eleição de Renan Calheiros para a presidência do Senado com 56 dos 68 votos. E na Câmara dos Deputados, o outro pemedebista, Henrique Eduardo Alves, obteve 271 votos e ainda promete uma “gestão palpitante”.

Calheiros, ex-tudo, inclusive ministro do famigerado governo de Fernando Henrique Cardoso, prometeu transparência. Seria cômico se não fosse trágico.

Além de outras promessas, Calheiros deixou claro em sua “plataforma” de quatro pontos a rejeição de qualquer proposta de regulação da mídia e ele alega ser defensor da liberdade de expressão.

O “ilustre” senador, que também age na área midiática, quer manter o setor da forma como é atualmente, inclusive com as ilegalidades de parlamentares proprietários de veículos de comunicação ou a cessão por parte deles para laranjas mantenedores do status quo midiático.

Calheiros se soma ao esquema midiático conservador, do qual faz parte, que está impedindo qualquer tipo de debate objetivando um novo marco regulatório no setor. Deixou claro e contará com o apoio da base aliada para este fim. Segue a pauta dos colunistas de sempre.

O PSB sentindo-se envergonhado pulou fora do esquema que tem como justificativa a chamada governabilidade.

Só que o outro candidato, Pedro Taques, do PDT, não é lá essas coisas. Tem se notabilizado por posicionamentos moralistas muito aproveitados pela mídia de mercado.

Tendo em vista tudo isso e muito mais, é de causar espécie o fato de o deputado Henrique Alves, de uma tradicional família da elite do Rio Grande do Norte, tornar-se, como produto de um conchavo político escabroso, o terceiro na ordem de sucessão. Ou seja, depois de Dilma Rousseff e Michel Temer, a cadeira de presidente fica com ele. E depois dele, Renan Calheiros.

Imaginava-se, sinceramente, que o Brasil estivesse em melhores condições do que em outros tempos.

O pessimismo se estende às áreas de muitos Estados, como o Rio de Janeiro, por exemplo, onde o Governador Sérgio Cabral tem feito de tudo para agradar o amigo empresário Eike Batista, que quer comprar, e já comprou, áreas da cidade do Rio de Janeiro, da Glória ao Pontal.

Os movimentos sociais estão atentos e têm denunciado o esquema de favorecimento, como, por exemplo, nos arredores do Maracanã.

Na Aldeia Maracanã, onde representantes dos povos originários estão sobrevivendo desde 2006, o prédio do antigo Museu do Índio, por decisão da Justiça, não será demolido. É um prédio histórico, se recuperado poderá ser transformado em um espaço de cultura indígena.

A Ministra da Cultura, Marta Suplicy, já acenou nesse sentido ao se posicionar pela manutenção do prédio, o que deixou furioso o governador do Estado do Rio de Janeiro, que está sendo obrigado a voltar atrás no que tinha formulado açodadamente.

Cabral pensava em demolir o prédio, construído em 1867 e onde trabalharam pelos indígenas o Marechal Rondon e Darcy Ribeiro, entre outros, e transformar o espaço em área para estacionamento de carros dos consumidores de um futuro shopping, possivelmente sob controle de Eike Batista, o empresário que ampliou seus serviços com a inestimável ajuda do pai, Eliezer Batista, ministro de vários governos e detentor de informações privilegiadas.

Mas a mobilização continua por parte dos movimentos sociais, atletas, professores e pais de alunos, que querem evitar a demolição do Estádio de Atletismo Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio Delamare, bem como a Escola municipal Friedereich, já tombada pela Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.

Um país com desempenho olímpico sempre sofrível, com algumas exceções, e todas elas geralmente por esforço pessoal, o Poder Público em vez de incentivar o desenvolvimento dos desportos prefere demolir locais históricos onde se formam atletas, como o Célio de Barros, dando prioridade à construção de shoppings com estacionamento para os torcedores de futebol gastarem.

E depois de cada olimpíada vem o lenga-lenga analítico sobre os motivos da colocação medíocre do Brasil nas competições, também acompanhadas de promessas de incentivos públicos e privados, que nunca saem ou quando saem não passam de migalhas.

Tudo muito lamentável, de federal, estadual e municipal, que só pode ser evitado com a conscientização da população, manifestada através de mobilizações.

Estado delinquente

Na área internacional, Israel foi justamente condenado na Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas pelo que vem fazendo em matéria de assentamentos desde 1967.

Os sucessivos governos estimulam a construção de assentamentos em territórios que ocupam para evitar o surgimento de um Estado Palestino sem solução de continuidade em suas terras. São mais de 500 mil colonos que deveriam ser removidos se Israel realmente quisesse a paz com os palestinos.

Além de não aceitar a determinação da ONU, tal qual um Estado delinquente, Israel responde em termos ofensivos à Comissão de Direitos Humanos da ONU.

Merece não só o repúdio como medidas efetivas da comunidade internacional.

Extraído do sítio Direto da Redação

RENAN JÁ SE RENDE AOS BARÕES DA MÍDIA - Altamiro Borges


Em seu discurso de posse ontem no Senado e em artigos publicados hoje em vários jornais, o peemedebista Renan Calheiros já avisou que não pretende comprar briga com os barões da mídia. Entre as suas quatro prioridades para o Congresso Nacional, ele enfatizou a defesa da chamada liberdade de imprensa e garantiu que vai “interditar qualquer ensaio na tentativa” de regulamentá-la. Após apanhar muito da mídia nos últimos dias, o novo presidente do Senado pediu trégua. Será que ele já combinou com o time adversário?

Numa referência implícita a outras nações que avançam na regulação democrática das comunicações, Renan Calheiros tentou agradar os donos da mídia nativa. Para ele, o veto ao debate sobre o tema é “um antídoto contra as pretensões que ocorrem em alguns países. Temos que nos inspirar sim, nas brisas de uma primavera democrática e criar uma barreira contra os calafrios provocados pelo inverno andino. Vamos criar uma trincheira sólida, se preciso legal, a fim de impedir, de barrar a passagem destes ares gélidos e soturnos”.

“Do ponto de vista conceitual”, o senador também apostou na confusão entre a liberdade de expressão e a de imprensa, que hoje mais equivale à liberdade dos monopólios. E disse se inspirar nas platitudes repetidas pela atual presidenta. “Para corrigir os excessos da imprensa, mais liberdade de expressão. Desta forma, recordo a presidente Dilma Rousseff que, recentemente, afirmou preferir o barulho imprensa livre ao silêncio das ditaduras. Eu também”. O seu recado foi explicito: nada de regulação democrática da mídia

“Quem regula, gosta, rejeita ou critica é o consumidor da informação. Ele é quem faz isso e somente ele. Como já foi dito, o único controle tolerável é o controle remoto. E o controle remoto não deve ficar na mão do Estado, mas nas mãos dos cidadãos”, afirmou para alegria dos barões da mídia. O novo presidente do Senado só deixou de enfatizar que existem quatro artigos da Constituição que até hoje não foram regulamentados – inclusive um que proíbe os monopólios nos meios de comunicação. Lamentável!

Extraído do Blog do Miro

RENAN, O CANDIDATO DA GLOBO E DA VEJA - Helena Sthephanowitz

O novo presidente do Senado, Renan Calheiros, candidato preferido da grande mídia (Lia de Paula/Ag. Senado)

Não se engane com as aparências superficiais. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi eleito pela Rede Globo e pela revista Veja à presidência do Senado.

A Veja, apesar de seus blogueiros dispararem dardos contra Renan – em doses inofensivas, apenas para consumo interno de seus leitores – fez corpo mole, e não produziu nenhuma matéria com potencial para derrubar a candidatura de Renan. Tivesse empenhada de fato contra sua eleição haveria contra ele pelo menos uma grande denúncia, com destaque na capa, no último mês, como fez várias outras durante três meses, quando a revista quis derrubá-lo, em 2007.

A TV Globo também não chegou a tentar desconstruir Renan no Jornal Nacional como fez em 2007. Limitou-se a noticiar "protocolarmente" a denúncia do Procurador-Geral Roberto Gurgel, sem fazer juízo de valor e dando ênfase às declarações da defesa do senador de forma até respeitosa. Deu para perceber que tratou a candidatura com certa naturalidade, tentando fazer a maioria dos telespectadores absorverem-na.

Por trás desse tratamento cortês, percebem-se dois motivos.

O primeiro é a dívida da revista com Renan pela blindagem que o PMDB proporcionou ao jornalista Policarpo Júnior na CPI do Cachoeira. A TV Globo, por corporativismo ou rabo preso, também atuou nos bastidores junto ao PMDB contra as investigações sobre o bicheiro pela CPI – e ficou devendo esta ao PMDB.

O segundo motivo é que esta velha imprensa julga que Renan no comando do Senado vem a calhar para gerar embaraços desgastantes à base governista e à presidenta Dilma, favorecendo a oposição demotucana nas eleições 2014, tão querida da Globo e da Veja.

Renan sabe que se não tiver munição capaz de conter a imprensa, sua vitória de hoje será tão alegre quanto o porre do peru na véspera da ceia de natal. O chamado PIG (Partido da Imprensa Golpista) e a oposição o deixaram ser eleito de propósito, já com o forno aceso para abatê-lo e assá-lo.

Por isso ele procurou se precaver, mostrando suas armas em seu discurso. Fez "juras de amor" à liberdade de imprensa, dando a entender que, se não for incomodado, nenhuma lei passará no Senado contra os interesses dos barões da mídia. Nas entrelinhas, passou o recado de que, se os barões da mídia não forem "seu amigo", ele tem cartas na manga para se aliar ao PT e ao PCdoB e apoiar uma "Ley dos Médios" – como a que a Argentina tenta emplacar – contra o oligopólio de uma dúzia de magnatas donos de jornais e TV's.

Diga-se que o senador não estaria descumprindo qualquer promessa assumida em seu discurso quanto ao compromisso com as liberdades de imprensa e de expressão, pois democratizar as comunicações só aumenta estas liberdades.

Outra salvaguarda de Renan é o vice-presidente do Senado ser Jorge Vianna, do PT. Se o derrubarem, quem assume interinamente é um petista, coisa que os barões da mídia consideram pior para eles.

E o que Dilma tem a ver com isso? Nada!

Para a presidenta, como para qualquer presidente da República de qualquer democracia no mundo, o que importa é ter harmonia institucional com o Legislativo e garantir a governabilidade para cumprir o programa de governo. Sendo o Senado presidido por qualquer senador apto a ser eleito, da base governista, comprometido com o programa do governo e que não seja dado a atos impensados, nem golpista, pouco importa o nome.

Há quem diga que seria melhor se o PMDB tivesse escolhido um nome que não estivesse na linha de tiro do denuncismo. Mas Renan e o PMDB não abriram mão se sua postulação, e resolveram ir para o enfrentamento. A sorte está lançada. Resta saber até que ponto os pactos, mesmo que implícitos, de Renan com a velha mídia irão durar.

Às 5 horas da madrugada da sexta-feira (1), poucas horas antes da eleição, a revista Época – das Organizações Globo –, publicou a denúncia do Procurador-Geral da República contra Renan. Não surtiu efeito. O candidato adversário de Renan teve apenas 18 votos, quando era esperado pela oposição entre 20 e 25. No Senado não houve discursos fortes explorando a matéria. Mesmo os discursos críticos foram suaves, de quem não queria comprar briga, nem desestabilizar a candidatura, apenas marcar posição. Se a matéria da Época fosse ou ainda vier a ser repercutida no Jornal Nacional com força, o pacto (implícito ou não) Renan-Globo estaria (ou estará) rompido.

O fator Gurgel

Antes da eleição no Senado, o senador Fernando Collor (PTB-AL) discursou abrindo fogo contra o Procurador-Geral da República (PGR) Roberto Gurgel, chamando-o de "chantagista" e "prevaricador". Além das acusações fortes que já vem fazendo desde o ano passado, disse algo novo: tramita no Senado um processo contra Gurgel (provavelmente devido ao "sobrestamento" da Operação Vegas da Polícia Federal, fato que paralisou as investigações sobre a organização do bicheiro Cachoeira).

É o Senado que tem poderes constitucionais tanto para processar o PGR por crimes de responsabilidade, como para exonerá-lo do cargo por maioria absoluta em votação secreta.

Sob a presidência de Sarney, parece que o processo no Senado a que Collor se referiu não teve andamento. Agora, com Renan, o que acontecerá?

Extraído do sítio Rede Brasil Atual

02 fevereiro 2013

"ROLA-BOSTA" DA VEJA ATACA OS TUCANOS - Altamiro Borges


Reinaldo Azevedo, recentemente batizado pelo teólogo Leonardo Boff de “rola-bosta”, ficou indignado com o resultado da eleição para a presidência do Senado. Não por razões éticas – já ele mantém intimas ligações com corruptos, como o ex-senador Demóstenes Torres, o “mosqueteiro da ética” da Veja –, mas sim por motivos políticos. Ele fez campanha contra Renan Calheiros por ele ser da base aliada do governo Dilma e não gostou das traições na votação dos seus amigos do PSDB. Tanto que rosnou contra os tucanos.

No artigo intitulado “tucanos pra quê?”, postado hoje, Reinaldo Azevedo rosnou: “Não tem jeito, não! As coisas não acontecem por acaso. A oposição não chega ao estado miserável a que chegou ao Congresso por acidente. É preciso muito esforço para isso. É preciso haver muita dedicação. E nisso, convenham, os tucanos são de uma aplicação comovente”. Sua indignação é porque parte da bancada, “os bons de bico, traiu o compromisso e deixou Pedro Taques (PDT-MT) na mão” e votou no senador do PMDB.

Revoltado, ele agora se indaga sobre o futuro da oposição demotucana e pede a cabeça dos traidores. “Os 11 tucanos poderiam vir a público para declarar o seu voto. Não se trata de patrulha, não, mas de vergonha na cara. Já que se anunciou à sociedade o apoio ao adversário de Renan, cumprira agora deixar claro quem fez o quê. Notem: ninguém é obrigado a abrir o voto. Mas todos podem se dispensar de mentir. Se havia senadores contrários ao apoio a Taques, que dissessem, ora”.

Aliado canino de José Serra, o rola-bosta da Veja também fustigou o rival mineiro. “Aécio Neves havia acenado com a possibilidade de fazer um discurso em defesa da candidatura de Taques. Discurso não houve. O senador se limitou, há alguns dias, a fazer uma espécie de convite-apelo a Renan para que retirasse a sua candidatura... O apoio ao opositor de Renan, no fim das contas, foi uma operação de marketing que acabou saindo pela culatra. Agora, resta suspeita da farsa, do adesismo e da traição, tudo misturado”.

Para Reinaldo Azevedo, a folgada vitória de Renan Calheiros no Senado revela o colapso da oposição no país. Ele lembra que já postou um artigo no seu blog “afirmando que a greve que realmente faz mal ao Brasil é a greve da oposição, que está paralisada há sete anos, caminhando para oito, desde quando ficou com medo das consequências e recuou diante da possibilidade de pedir o impeachment de Lula, na crise do mensalão. Depois disso, não se encontrou mais... Assim, cabe a pergunta: Tucanos pra quê?”.

O rola-bosta da Veja está enraivecido! Parece que lhe faltará bosta para rolar. E a sua revolta não é por razões éticos – apesar de muitos ingênuos acharem que era isto que estava em jogo nas eleições do Senado. É por motivos eminentemente políticos. Para ele, a eleição da presidência da Casa era o momento certo para fortalecer a oposição, derrotar o governo Dilma e, quem sabe, criar as condições para possíveis ações contra a presidenta. Reinaldo não esquece nunca da oportunidade perdida do impeachment de Lula!

Extraído do Blog do Miro