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24 abril 2013

PENA DE DEMÓSTENES SERÁ APOSENTADORIA DE R$ 22 MIL


Com voto favorável de Roberto Gurgel, Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) considera ex-senador membro vitalício do MP; agora, pena máxima que poderá ser aplicada ao amigo do bicheiro Cachoeira é a aposentadoria compulsória, com benefício de R$ 22 mil; possível demissão do procurador do MP-GO só poderá ocorrer pela via judicial, após o trânsito em julgado e esgotados todos os recursos; contra o voto da relatoria, conselheiros entenderam que a vitaliciedade é garantia da sociedade brasileira, e não prerrogativa do membro individual do MP; CNMP também prorrogou afastamento por mais 60 dias.

O procurador de Justiça Demóstenes Torres obteve uma vitória no início da tarde desta quarta-feira, 24, com o decisão do Plenário do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) de que ele é membro vitalício do Ministério Público. Segundo juristas consultados pelo Goiás247, com o entendimento, a pena máxima que o órgão pode aplicar a ele, acusado de envolvimento nos esquemas criminosos do bicheiro Carlinhos Cachoeira, é a aposentadoria compulsória, se condenado. Uma possível demissão aconteceria apenas em caso de condenação judicial transitada em julgado e esgotados todos os recursos.

Nos corredores do CNMP é dada como certa a condenação de Demóstenes pelo órgão regulador da atividade do parquet. Como membro vitalício, porém, a pena máxima que pode ser aplicada ao ex-senador é a aposentadoria compulsória, com a manutenção dos vencimentos proporcionais. Atualmente, o procurador tem salário de mais de R$ 22 mil.

Durante o julgamento, que referendou o afastamento de Demóstenes por mais 60 dias (contados a partir de 1º de abril), o Plenário analisou questão de ordem proposta pela relatora Claudia Chagas para discutir a vitaliciedade de Demóstenes, já que ele entrou no MP-GO antes de 1988 e optou pelo regime anterior. Claudia considerou que o procurador de Justiça não teria a garantia da vitaliciedade, considerando sua opção pelo regime jurídico anterior ao da Constituição.

Por sete votos a cinco, entretanto, o Plenário decidiu que Demóstenes Torres é vitalício. O Plenário considerou que a vitaliciedade é garantia da sociedade brasileira, e não prerrogativa do membro individual do Ministério Público. Segundo o entendimento, a vitaliciedade possibilita o exercício da atividade do membro do Ministério Público.

Votaram com a divergência os conselheiros Jarbas Soares, Alessandro Tramujas, Lázaro Guimarães, Jeferson Coelho, Maria Ester, Mario Bonsalgia e Roberto Gurgel. Seguiram o voto da relatora os conselheiros Luiz Moreira, Taís Ferraz, Almino Afonso e Adilson Gurgel. Os conselheiros Tito Amaral e Fabiano Silveira se declararam impedidos e não votaram.

Afastamento

Plenário do CNMP também referendou o afastamento por mais 60 dias do ex-senador. A decisão por maioria seguiu voto da conselheira-relatora do processo administrativo disciplinar que investiga o suposto envolvimento do ex-senador com Cachoeira. A prorrogação do afastamento foi decidida de forma monocrática pela conselheira no dia 26/3. O prazo começou a contar da data de intimação de Demóstenes (1º/4).

No voto, a conselheira argumentou que o afastamento é medida necessária, dada a gravidade dos fatos investigados. Além disso, segundo ela, a presença do ex-senador no Ministério Público de Goiás pode prejudicar andamento do trabalho na instituição. “Há grande constrangimento e desconforto na instituição, comprometendo inclusive o exercício normal das atribuições ministeriais, o que até chegou a justificar solicitação de 82 (oitenta e dois) membros para a atuação do CNMP no caso”, afirma.

Em caso de processo administrativo disciplinar, o CNMP pode afastar o membro investigado pelos prazos previstos na respectiva lei orgânica. Como o Plenário considerou que Demóstenes Torres é vitalício, ele pode ser afastado por 60 dias, prorrogáveis uma única vez (Lei Orgânica do MP/GO – Lei Complementar 25/1998).

No entanto, o Plenário acatou voto da relatora sobre o caso. Segundo ela, há necessidade de prorrogar o afastamento excepcionalmente. A medida é prevista na Lei Orgânica do Ministério Público da União (LC n. 45/93), que se aplica subsidiariamente aos estados, no que couber. “Aos processos administrativos disciplinares aplicam-se, ainda, as normas do Código de Processo Penal e sabe-se que, no curso do processo penal, até mesmo os prazos de prisão cautelar, medida muito mais drástica, são muitas vezes prorrogados diante das peculiaridades do caso e da complexidade das investigações”, lembrou a conselheira no voto.

A decisão foi por maioria, com voto divergente dos conselheiros Adilson Gurgel e Luiz Moreira. Tito Amaral e Fabiano Silveira estavam impedidos.

Extraído do sítio Brasil 247

15 março 2013

A SELETIVIDADE DA IMPRENSA AO ESCOLHER DENÚNCIAS - José Dirceu


É importante recordar como a imprensa, com exceções, esqueceu-se do caso Demóstenes Torres/Carlinhos Cachoeira/Marconi Perillo. O caso foi abandonado nos descaminhos da Justiça e mesmo do Conselho Nacional do Ministério Público.

O tempo passa e o PSDB-DEM-PPS, envolvidos no escândalo, apostam no esquecimento. Você se lembra de ter visto alguma notícia sobre o assunto nos últimos dias? Pois é.

Ontem, o CNMP rejeitou todos os recursos apresentados pelo senador cassado Demóstenes Torres contra abertura de processo por irregularidades cometidas quando ele era procurador de Justiça de Goiás. Mas o assunto não interessa mais à imprensa.

Diferentemente do que ocorre quando qualquer denúncia – mesmo sem procedência nenhuma – envolve o PT.

As acusações feitas por Marcos Valério ao ex-presidente Lula já foram investigadas em inquéritos policiais, e o Supremo Tribunal Federal por mais de uma vez o excluiu da AP 470, não atendendo aos pedidos de um dos réus.

Isso evidencia o abuso de autoridade do Procurador Geral da República ao enviar as declarações de Marcos Valério para o exame da Procuradoria de Minas Gerais – que agora agiu segundo a lei, concluiu que não havia o que investigar e enviou o caso para Brasília.

Extraído do Blog do Zé Dirceu

12 março 2013

CACHOEIRA E POLICARPO AGIRAM NA SOMBRA PARA DERRUBAR RENAN


É o que mostra a jornalista Tereza Cruvinel; colunista do jornal Correio Braziliense, ela conta que linha de passe entre contraventor e jornalista levou a publicação, na revista Veja, de matéria que deixou verdade de lado para comprar versão fantasiosa de espionagem a senadores que teria sido feita por Renan Calheiros; documentos secretos do Senado, ao quais Tereza teve acesso, mostram que verdade poderia ter sido facilmente apurada; matéria "O Jogo Sujo de Renan" ajudou então senador Demóstenes Torres a acuar corregedor Romeu Tuma e levar Renan à renúncia. 

247 – Um das mais bem informadas jornalistas de Brasília, a jornalista Tereza Cruvinel, colunista do jornal Correio Braziliense, acaba de dar um furo. Ela teve acesso a um documento secreto do Senado Federal, carimbado como sigiloso, do qual surge mais uma forte impressão digital da parceria Carlinhos Cachoeira, o contraventor, e Policarpo Jr., o editor-chefe da revista Veja. A trama aponta muito mais para um caso de polícia do para um trunfo editorial.

De acordo com a coluna de Tereza desta terça-feira 12, a revista Veja, em reportagem assinada por Policarpo e Alexandre Oltramari, de 10 de outubro de 2007, passou por cima de informações veridicas, que poderiam ser checadas facilmente, para divulgar uma versão fatasiosa, feita por um adversário do então presidente do Semado, Renan Calheiros.

O texto "O Jogo Sujo de Renan" afirmava que o sujeito da matéria havia montagem um esquema de espionagem contra seus pares, com direito a câmeras de vídeo instaladas num hangar de Brasília, quando o fato apurado formalmente pelo então corregedor do Senado, Romeu Tuma, falecido em 2010, dizia exatamente o cotrário. O material de Veja, "que incendiou o plenário", como lembra a colunista do Correio Braziliense, foi estratégico para que o então senador Demóstenes Torres abrisse suas baterias contra Renan. Mesmo após a absolvição do senador pela acusação de uso de dinheiro de um empresário para o pagamento de despesas particulares, o então presidente do Senado não resistiu à série de críticas e renunciou ao cargo.

Abaixo, a íntegra da coluna de Tereza Cruvinel:

Dedo de CachoeiraTereza Cruvinel - Correio Braziliense - 12/03/2013

Um documento arquivado pelo Senado como "sigiloso" aponta a ação do bicheiro Carlinhos Cachoeira e seu grupo na urdidura de uma das denúncias que levaram o senador Renan Calheiros a renunciar à presidência do Senado em 2007: a de que ele teria montado um esquema para espionar os senadores Demóstenes Torres, que veio a ser cassado após ser desmascarado como agente político do bicheiro, e Marconi Perillo, hoje governador, citado como envolvido pelo relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha, no relatorio derrotado por uma coalizão entre PMDB, PSDB e DEM.

O documento, ao qual a coluna teve acesso, é a íntegra do depoimento do empresário e ex-deputado goiano Pedrinho Abrão ao então corregedor do Senado, Romeu Tuma, já falecido. Tuma pediu seu arquivamento, sem divulgá-lo, pressionado pelo DEM, partido de Demóstenes, que ameaçava processá-lo por infidelidade partidária, tirando-lhe o mandato, por ter migrado para o PTB. Curiosamente, nessa época, o DEM moveu ação semelhante contra o hoje ministro Edison Lobão, que trocara o partido pelo PMDB, mas poupou Tuma.

No depoimento, Abraão, que é dono de um hangar em Goiânia, nega taxativamente ao corregedor que o então assessor de Renan, Francisco Escórcio — que fora senador como suplente e hoje é deputado federal — tenha lhe pedido autorização para instalar câmeras no hangar e captar imagens comprometedoras dos dois senadores. Se aparecessem usando jatinhos de empresários, por exemplo, Renan poderia chantageá-los.

Em outubro de 2007, o então presidente do Senado, que já fora absolvido da acusação de ter despesas particulares pagas por um empresário, enfrentava outras denúncias, como a de usar laranjas em seus negócios. No dia 10, a revista Veja publicou matéria, assinada pelos repórteres Policarpo Junior e Alexandre Oltramari, sob o título "o jogo sujo de Renan". Afirmava que ele montara um esquema para espionar seus pares chefiado pelo assessor Escórcio. Que este fora a Goiania e se reunira com Abraão, pedindo-lhe para instalar duas câmeras em seu hangar, com o que ele não teria concordado. A reportagem transcreve falas de Abraão mas registra, no final, que ele confirmou ter os senadores como clientes e conhecer os envolvidos, negando porém ter participado de reunião com este objetivo.

Num plenário incendiado pela reportagem, Demóstenes fez um discurso indignado. O DEM e o PSDB apresentaram ao Conselho de Ética a quinta representação contra Renan. As outras envolviam a sua vida privada mas esta, de que espionava os colegas, fez com alguns deles lhe retirassem apoio. Ele contestou, depois demitiu o assessor mas, temendo perder o mandato, renunciou à presidência em dezembro.

Logo depois da reportagem, no dia 16, Tuma foi a Goiânia colher o depoimento de Abraão, que teria sido esclarecer mas foi arquivado, pela razão já citada. O então corregedor resume para Abraão o que Demóstenes declarou no Senado, dizendo ter ouvido dele, Abraão: "Ele me contou que Escórcio disse estar lá em missão relativa ao Maranhão mas que precisava também me flagrar, e ao Perilo, voando de forma ilegal. Pediu-me para instalar duas câmeras".

Ouvindo isso, Abrão declara ao corregedor, segundo a transcrição: "Não foi dessa forma, senador." E resume o encontro ocorrido no escritório do advogado Eli Dourado, negando ter havido qualquer abordagem sobre instalação de câmeras: "Conversamos muito sobre avião, se eu voava, e tal, e sobre algo que me surpreendeu, que o Heli iria ser advogado da Roseana. Falamos também da minha cirurgia, como emagreci 60 quilos e tal."

Abrão relata a Tuma que Demóstenes o visitara dias antes, afirmando já saber que Escórcio lhe propusera a arapongagem e que ele se negara a colaborar. "O Demóstenes veio para mim com um ímpeto...me especulando como promotor". Esclareceu que não ouviu proposta em tal sentido e teria acrescentado que o hangar já tem mais de 60 câmeras instaladas. "E tudo filmado por segurança, certa vez roubaram um avião aqui. Então, se eu quisesse fazer ou contribuir com alguma arapongagem, seria a coisa mais simples".

A versão de Escórcio, hoje deputado, é coerente com o depoimento de Abraão a Tuma: "A conversa foi banal. Eu fui a Goiânia contratar o Heli Dourado para mover a ação eleitoral que veio a garantir a posse de Roseana. Na conversa, alguém mencionou Pedrinho Abraão, com quem tive boa convivência no Congresso. Pedi o numero dele e liguei. Ele se propôs a ir lá me rever. O que eu não sabia, e vim a saber, é que, por ser assessor do Renan, tivera meu telefone grampeado pelo esquema deles. Deduziram que meu encontro com Pedrinho Abraão era alguma armação". A coluna não conseguiu ouvir Renan.

Essa história ocorreu há cinco anos. Demóstenes foi cassado, Renan voltou ao cargo e enfrenta protestos. Mesmo assim, é importante "apurar" o passado. Nossa história recente está cheia de narrativas imperfeitas, que ainda serão revisitadas. Falta ainda conhecer melhor o papel de Cachoeira e seu esquema em muitas delas.

Extraído do sítio Brasil 247

21 dezembro 2012

PSDB OBEDECE A CACHOEIRA E VETA RELATÓRIO DE ODAIR CUNHA - Helena Sthephanowitz


Depois de oito meses, a CPI do Cachoeira terminou nesta terça-feira (18) em panetone e champanhe. Nenhum dos envolvido no esquema de corrupção e jogos ilegais do bicheiro Carlinhos Cachoeira foi indiciado. O relatório do petista Odair Cunha foi rejeitado por 18 votos a 16. Na lista de indiciados do relator, havia pedido para que 29 pessoas fossem indiciadas - ou seja, haveria indícios suficientes para que essas pessoas já fossem consideradas suspeitas de ligação ilícita com Cachoeira. Mas o PSDB venceu,

Os tucanos bateram continência para o bicheiro e votou contra o relatório de Cunha, que indiciava o contraventor, e mais dezenas de pessoas, como o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) e o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO). Os tucanos que compuseram a CPMI, leais a Cachoeira, conseguiram reunir 18 votos contra, incluindo barganha com gente do PMDB e de outros partidos pequenos. Superaram os 16 votos a favor arregimentados pelo PT e, com isso, o relatório foi rejeitado.

Apesar de não ser membro da CPI, o dedo do senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi identificado através das articulações do deputado tucano mineiro Domingos Sávio. Aécio atendeu a um pedido de Cachoeira, feito através de Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), para nomear uma sobrinha de Cachoeira para um cargo comissionado na chefia no governo de Minas. Além disso, os telefonemas interceptados mostram que a organização do bicheiro atua no negócio de jogos ilegais em cidades mineiras sem ser importunado.

Derrubado o relatório de Odair Cunha, os membros aprovaram um substitutivo do deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF) de apenas duas páginas, que não indiciou ninguém; apenas encaminhou o material da CPMI para o Ministério Público e a Polícia Federal continuar as investigações.

Para Odair, seu relatório foi derrotado por uma “blindagem” feita pelo governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) e a empreiteira Delta. "Queriam que eu retirasse questões elementares de meu texto. Como não aceitei, fomos derrotados. Apesar de todo nosso esforço, pizza geral. Fomos derrotados pela blindagem da Delta e do governador Perillo", disse o deputado.

Para o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), a derrota do texto de Odair Cunha foi tramada numa “conspiração da madrugada”, que resultou em conchavos, em mudanças de voto de última hora e na presença de parlamentares que nunca estiveram em nenhuma reunião da CPI.

Os vários interesses, sobretudo dos demotucanos, inconfessáveis na frente das câmeras de TV, explicam o relatório ter virado "pizza". Mas, independentemente de relatório, a CPMI cumpriu seu papel de revelar, a quem observou, "como se fazem as salsichas" (como disse o chanceler alemão Otto von Bismarck: "Quanto menos as pessoas souberem como se fazem as salsichas e as leis, melhor dormirão à noite").

Além disso o relatório original de Odair Cunha, inclusive com o pedido de indiciamento do diretor da revista Veja, Policarpo Júnior, continua como documento histórico nos anais do Congresso.

Extraído do sítio Rede Brasil Atual

20 novembro 2012

CPI PEDE INVESTIGAÇÃO CONTRA ROBERTO GURGEL


“Apuraram-se fortes indícios de desvios de responsabilidades constitucional, legal e funcional praticados pelo sr. Roberto Gurgel”, diz o texto assinado pelo deputado Odair Cunha; até mesmo o ex-senador Demóstenes Torres, alvo da investigação, já havia acusado o procurador-geral da República de prevaricação; um dia da caça, outro do caçador.

247 – O relatório do deputado Odair Cunha (PT-MG) sobre a CPI do caso Cachoeira pede a abertura de procedimento criminal contra procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Isso porque, durante dois anos, ele engavetou as investigações da Operação Monte Carlo, que atingiriam o ex-senador Demóstenes Torres, o que permitiu que a quadrilha do bicheiro continuasse operando.

Apontado como membro da organização criminosa, o próprio ex-senador Demóstenes acusou o procurador-geral de prevaricar no seu caso (leia mais aqui).

No caso de Gurgel, a CPI propõe que a investigação seja aberta pelo Conselho Nacional do Ministério Público.

Leia trecho de reportagem do portal G1 que menciona (no pé) o pedido de investigação contra o procurador que foi também o responsável pela denúncia da Ação Penal 470:

O relatório da CPI também analisa a atuação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no caso da operação Vegas, da Polícia Federal. Em 2009, a Vegas levantou os primeiros indícios do envolvimento de Cachoeira com políticos e empresários.

De acordo com o relatório, Gurgel suspendeu a investigação sem justificativa, possibilitando que a quadrilha continuasse atuando. "Apuraram-se fortes indícios de desvios de responsabilidades constitucional, legal e funcional praticados pelo sr. Roberto Gurgel", diz o texto.

O relator pede que o Conselho Nacional do Ministério Público investigue a conduta do procurador.

Nesta terça, Roberto Gurgel não quis se manifestar sobre o assunto. Em maio, ele explicou à CPI que não deu encaminhamento às denúncias da Operação Vegas porque, à época, detectou apenas desvios no campo ético, insuficientes para a abertura de ação penal no Supremo Tribunal Federal.

Extraído do sítio Brasil 247

01 novembro 2012

OPOSIÇÃO TENTA POSTERGAR CPI DO CACHOEIRA PARA SALVAR PERILLO


A oposição e a mídia não queriam a CPI do Cachoeira. Se empilharem tudo o que disseram sobre a proposta de investigação não passar de tentativa de Lula de se vingar do governador de Goiás, Marconi Perillo, e da revista Veja – apesar de operações da Polícia Federal mostrarem que a investigação era imperiosa –, a pilha alcançará vários metros.

No intento de evitar a CPI, a oposição conseguiu plantar na mídia denúncias fajutas contra os governadores de Brasília, Agnelo Queiróz, e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, de forma a intimidar o PT e outros partidos da base aliada do governo Dilma.

Não rolou. O PT e aliados votaram rapidamente o requerimento de CPI, obrigando a oposição a assiná-lo para não passar recibo. E, ao aceitarem convocar Agnelo, os governistas deixaram a mesma oposição sem alternativa que não fosse aceitar a convocação de Perillo.

As denúncias contra Agnelo e Cabral não passavam de vento. Os trabalhos da CPI mostraram que quem se envolveu mesmo com Cachoeira foram Demóstenes Torres e Perillo, além de figuras menores como o deputado tucano por Goiás Carlos Alberto Leréia. Tudo isso ficou claro nos grampos da PF, que, sem a CPI, não teriam vindo a público.

Vai daí que o senador, o governador e o deputado oposicionistas serão acusados pelo relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, que, em seguida, será remetido ao Ministério Público Federal, de forma que este formule denúncia ao Supremo Tribunal Federal, o qual, segundo diz a mídia, passou a ser “duro com políticos”.

Ainda que seja pouco crível que o STF, se o procurador-geral da República não engavetar o caso, venha a tratar uma eventual denúncia ao governador, ao senador e ao deputado oposicionistas, entre outros, da mesma forma que tratou o inquérito do mensalão do PT, essa possibilidade existe.

Isso porque a CPI tornou público o envolvimento dos demos e tucanos de “alto coturno”, o que não aconteceria sem a investigação parlamentar. Dessa forma, Roberto Gurgel – ou o seu sucessor, que deverá ascender ao seu cargo no ano que vem – terá dificuldade de escapar de fazer a denúncia ao STF.

A situação de Perillo, pois, é gravíssima. Há contra ele tudo o que não há contra o “núcleo político” da Ação Penal 470: uma montanha de provas materiais absolutamente inquestionáveis, tais como gravações comprometedoras, transações comerciais registradas, enfim, “atos de ofício” que não acabam mais.

É nesse momento que a mídia tucana começa a espalhar que os governistas da CPI querem encerrá-la em 48 dias para não investigarem centenas de requerimentos feitos pela oposição. São cerca de 500 requerimentos para ouvir pessoas que não seriam apreciados nem em seis anos, quanto mais nos seis meses pretendidos pela oposição.

É conversa, pois, que os governistas estejam querendo fazer a CPI “terminar em pizza” por quererem que os trabalhos sejam estendidos por mais 48 dias, tempo necessário para fazer um relatório final conclusivo. O que a oposição tenta é jogar para as calendas relatório que colocará Perillo no mesmo banco dos réus que os petistas ora ocupam.

Extraído do Blog da Cidadania

17 setembro 2012

GOLPISMO AGE COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ - Saul Leblon


Carlinhos Cachoeira e seu ubíquo braço-direito, o araponga Dadá, não estão mais à solta para emprestar artes e ofício às reportagens' e 'denúncias' programadas por 'Veja'. Quase não se nota. Se o plantel perdeu talento específico, o engajamento na meliância política ganhou em arrojo e sofreguidão. A constelação de colunistas que orbita em torno daquilo que 'Veja' excreta arregaçou mangas e redobra esforços. 

A afinação do jogral não deixa dúvida sobre o alvo mais cobiçado, como mostra a meticulosa análise de Marco Aurélio Weissheimer.
 
O troféu da vez é Lula, não a pessoa, mas o símbolo de uma barragem que reordenou a política brasileira criando espaço à ascensão do campo popular. 

Buliçosos escribas do jornalismo isento sugerem nesta 2ª feira que podem superar as mais dilatadas expectativas na caça ao tesouro. As postagens do colunismo amigo de Demóstenes Torres - outro centurião da linha de frente abatido sem deixar vácuo - sugerem a travessia de um Rubicão. 

O conservadorismo age como se não houvesse amanhã. A crise econômica não destruiu o governo do PT e o país retoma o crescimento neste 4º trimestre. Então, é agora ou nunca. 

Com a ajuda das togas que atiçam o linchamento contra o partido no STF, a mídia demotucana arranca uma escalada preventiva vertiginosa. Comete-se de forma explícita aquilo que até mesmo Dadá e Cachoeira teriam pejo em praticar desguarnecidos das sombras: a chantagem ancorada em 'provas' improváveis, mas tornadas críveis através do incessante centrifugador de carniça de quatro hélices: Veja-colunistas- bancada demotucana-Procuradoria geral da República.

No manuseio dessa engrenagem exibem o que sabem fazer melhor: regurgitar guerra política travestida de jornalismo; incorporar denúncias palatáveis à heterodoxia jurídica; arredondar a massa informe em escândalo e criminalização de forças e lideranças que não derrotam na urna há três eleições presidenciais. 

Nas últimas 72 horas uma não-entrevista do publicitário Marcus Valério a 'Veja', talvez pela pífia credibilidade e repercussão do meio e da mensagem, transformou-se em 'entrevista gravada' - mas cujo áudio a revista 'estuda' se vai liberar', avisam os relações públicas do comboio em marcha. 

Ato contínuo, o renitente vácuo de credibilidade é ocupado pelo anúncio da existência de um suposto vídeo, 'de 4 cópias' (sempre é oportuno um detalhe para granjear confiabilidade à impostura) em que um desesperado Marcus Valério faria revelações para divulgação imediata -'caso sofra um atentado', acena um operador da usina de carniça midiática, exalando o odor característico que o inebria.

Claro, o indefectível procurador Roberto Gurgel está disponível para dar uma pala, emprestando glacê jurídico aos fuzarqueiros do golpismo; porém, evocando parcimônia: 'só' posteriormente ao julgamento em curso no STF, as denúncias de Valério contra Lula - negadas pelo próprio e por seu advogado, até segunda ordem - poderão, eventualmente, ser examinadas pelo ministério público. 

No fecho do rally desta segunda feira, o PSDB e seu rodapé gasto, Roberto Freire, 'exigiam' que Lula se pronunciasse sobre a maromba desatada. Esse é o idioma político adotado pelo dispositivo midiático conservador - que recebeu 70% da publicidade federal do governo Dilma - a dois anos da sucessão de 2014. A ver.

Extraído do sítio Carta Maior

11 setembro 2012

DENÚNCIA DIZ QUE PSDB OPERA 'MENSALÃO UNIVERSITÁRIO' PARA FAZER CAIXA DOIS

Ex-prefeito de Anápolis (GO), Ernani de Paula denunciou ao Ministério Público a concessão de bolsas-fantasma a instituições de ensino que repassariam o dinheiro para campanhas tucanas.


Rio de Janeiro – Logo depois de o PSDB ter começado a incluir citações ao julgamento do mensalão nas propagandas eleitorais de seus candidatos a prefeito veiculadas em todo o país e após o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ter dito que “a Justiça está despertando o Brasil”, uma denúncia feita ao Ministério Público Estadual de São Paulo afirma que o partido operaria um esquema de desvio de recursos públicos com o objetivo de fazer caixa dois para suas campanhas eleitorais. Segundo a denúncia, nestas eleições o esquema já teria beneficiado o candidato tucano à prefeitura de São Paulo, José Serra, entre outros.

A denúncia, feita pelo ex-prefeito de Anápolis (GO) e empresário do setor de educação, Ernani de Paula, aponta que o suposto esquema funcionaria a partir da concessão de bolsas de estudo a alunos-fantasma em instituições de ensino pouco conhecidas e ligadas às administrações tucanas. Após o recebimento, segundo a denúncia, o dinheiro das bolsas-fantasma era repassado ao PSDB para a cobertura de gastos de campanha.

Ex-proprietário da Universidade São Marcos, hoje sob intervenção do Ministério da Educação, de Paula, segundo reportagem publicada no jornal digital Brasil 247, afirma que desde 2006, ano da chegada de Serra ao governo de São Paulo, cerca de R$ 800 milhões já teriam sido repassados a instituições de ensino que fariam parte do esquema de arrecadação ilegal de fundos para o PSDB.

O principal braço do esquema seria a concessão de bolsas-fantasma para o ensino superior, iniciada no governo de FHC. Segundo Ernani de Paula, o mentor desse sistema de arrecadação ilegal teria sido o ex-ministro da Educação – e também ex-secretário de Educação de Serra no governo paulista – Paulo Renato de Souza, já falecido.

O denunciante disse ao MP Estadual que a São Marcos passou a enfrentar dificuldades financeiras por não ter aceitado aderir ao esquema. Em seguida, Paulo Renato – e mais tarde o seu filho, Renato Souza Neto – o teriam pressionado a vender a universidade para um “grupo de interessados” próximos ao governo tucano. O negócio não chegou a ser concretizado.

Durante a denúncia, de Paula citou como emblemáticos os casos da Faculdade Sumaré, que, embora não tenha renome, é a principal beneficiada pelo repasse de verbas para a concessão de bolsas de estudo, e da Uniesp, que administra 51 faculdades em São Paulo, além de outras no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, na Bahia e no Tocantins. Juntas, as duas instituições já teriam recebido quase R$ 140 milhões, segundo o denunciante: “Essa faculdade [a Sumaré], que ninguém sabe o que faz ou quem é o dono, já recebeu mais de R$ 70 milhões. É o mensalão universitário”.

Demóstenes e Cachoeira

Em abril deste ano, Ernani de Paula já havia denunciado que o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, teria doado R$ 3 milhões para a campanha do ex-senador Demóstenes Torres, então no DEM, para o governo de Goiás em 2006. Ex-aliado de Cachoeira e Demóstenes, com os quais agora se diz rompido, de Paula também afirmou na ocasião que os dois seriam os responsáveis pela produção e divulgação do vídeo em que um funcionário dos Correios, Maurício Marinho, recebe R$ 3 mil de propina.

O vídeo, divulgado em 2005, teria, segundo Ernani de Paula, o intuito de desestabilizar o governo Lula e seria uma represália ao então chefe da Casa Civil, José Dirceu, que teria vetado a indicação de Demóstenes para o Ministério da Justiça, articulação que vinha sendo tentada pelo grupo de Cachoeira. A divulgação do vídeo precedeu a célebre entrevista do então deputado Roberto Jefferson (PTB) que deu início ao escândalo do mensalão.

Extraído do sítio Rede Brasil Atual

28 agosto 2012

EXCLUSIVO: SERRA ENTRE OS DIÁLOGOS DE CACHOEIRA


Pela primeira vez, o nome do ex-governador de São Paulo e candidato à prefeitura, José Serra, aparece na boca do contraventor Carlos Cachoeira, numa conversa com o já cassado Demóstenes Torres. "Ocê vai tá com o Serra aí hoje?", pergunta o bicheiro. "Marca uma audiência com ele', insiste. "Vou marcar com ele e venho aqui", atende o ex-senador. Negócios da Delta com São Paulo são o próximo alvo da CPI.

247 – 14 de maio de 2009. José Serra era governador de São Paulo. Executava, no Estado, obras bilionárias, como a construção do trecho Sul Rodoanel e as ampliações das marginais – algumas, com a participação da construtora Delta, de Fernando Cavendish. Amanhã, o empreiteiro estará na CPI, que investiga as atividades do bicheiro Carlos Cachoeira. Assim como Cavendish, também irá depor o engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, que era o homem forte da Dersa, empresa de desenvolvimento rodoviário de São Paulo, e já disse que Serra era sua "bússola" na estatal.

Um diálogo, obtido com exclusividade pelo Brasil 247, aponta agora, pela primeira vez, o nome de José Serra nas conversas de Cachoeira. É num telefonema dele ao ex-senador Demóstenes Torres. Cachoeira quer uma audiência do governador para um personagem chamado Dino. E Demóstenes promete marcá-la.

"Ocê vai tá com o Serra aí hoje?", pergunta Cachoeira. Com naturalidade, Demóstenes diz que não. Afirma ter estado na Companhia Siderúrgica Nacional, do empresário Benjamin Steinbruch. Cachoeira faz então uma brincadeira dizendo que quem gosta muito de Steinbruch é o atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

E, depois, insiste para que Demóstenes, que foi cassado por ser uma espécie de despachante de luxo do bicheiro, marque uma audiência com Serra. "Vou marcar com ele e venho aqui", atende o ex-senador.

Escute aqui o primeiro diálogo entre Demóstenes e Cachoeira.

Numa outra conversa, de 26 de abril de 2009, Cachoeira também liga a Demóstenes para tratar de negócios em São Paulo. O ex-senador estava no apartamento 1.105 do Hotel Meliá, no bairro do Itaim-Bibi de São Paulo. O bicheiro, que representava interesses da Delta em São Paulo, pede para o senador se encontrar com um espanhol chamado Carlos Sanchez. Trata-se do chefe do Departamento de Engenharia do Metrô de Madri – o modelo usado é o mesmo usado em São Paulo.

Escute aqui o segundo diálogo entre Cachoeira e Demóstenes.

Na terceira conversa, Cachoeira fala com o próprio Sanchez sobre o encontro no Hotel Meliá. Onde? Na rua João Cachoeira, em São Paulo.

Escute aqui o diálogo entre Cachoeira e Sanchez

Neste diálogo, Cachoeira sugere a Sanchez que entre na página da internet do Senado para reconhecer a face de Demóstenes Torres. O espanhol, pelo tom de voz, já festeja um negócio que será "muy bueno".

Há ainda um último diálogo em que um homem não identificado conversa com um certo Geovane, ligado ao grupo de Cachoeira, sobre um encontro com Serra.

Brasil 247 entrou em contato, via telefone e e-mail, com o assessor de imprensa da campanha de José Serra à Prefeitura para conhecer a opinião do candidato sobre as revelações. Ele tem memória sobre a audiência que o senador Demóstenes Torres iria pedir? Ocorreu? O que foi tratado? Sem dúvida, a palavra de Serra sobre o assunto pode ser esclarecedora. Até 14h..., o retorno ainda não havia ocorrido.

Extraído do sítio Brasil 247

22 agosto 2012

LIGAÇÕES PERIGOSAS DE POLICARPO JÚNIOR COM QUADRILHA DE CACHOEIRA


Um documento de 154 páginas em poder da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira detalha por meio de dezenas de diálogos a intricada relação do diretor da sucursal da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior, com o contraventor Carlos Cachoeira e sua rede de “espionagem”. O material também revela um vínculo estreito entre o conteúdo das escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal (PF) e o teor das reportagens publicadas pela revista. 

Nos diálogos, Cachoeira e pessoas de sua confiança – entre elas, o ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM; ex-PFL) – aparecem em conversas diretas com Policarpo ou em diálogos que fazem referência a ele para acertar matérias, combinar entrevistas e, até mesmo, encomendar “grampos” telefônicos.

Mais que demonstrar uma relação profissional entre jornalista e “fonte”, as escutas evidenciam uma relação comprometedora de Policarpo Júnior com agentes do crime. Tudo contribui para provar que a intimidade entre o jornalista (muitas vezes, tratado como “Poli”) e o contraventor Carlos Cachoeira, embora forjadas em nome da busca de informação, escondiam práticas evidentemente criminosas. 

No conjunto de gravações, está materializada a decisão de Policarpo de utilizar meios escusos para conseguir, a qualquer custo, seus “furos” de reportagem.

No dia 26 de julho do ano passado, por exemplo, ele fala com Cachoeira para pedir um levantamento de informações sobre o deputado federal Jovair Arantes (PTB-GO). À época, a sucursal da Veja em Brasília preparava matéria sobre a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que tinha na sua direção pessoas ligadas ao partido de Jovair. 

Dois dias depois dessa primeira ligação, Policarpo combina por telefone um encontro com Jairo Martins de Souza, apontado pela PF como um dos “arapongas” de Cachoeira, responsável por municiar a imprensa com informações que favoreciam a organização criminosa (leia Diálogo 1). No dia 3 de agosto, a revista Veja publica matéria que faz referência à Conab e a Jovair.

Em outro momento, no início daquele mesmo mês, uma conversa reveladora entre Jairo e Cachoeira demonstra a relação próxima do grupo com o jornalista Policarpo Júnior. Cachoeira reclama com Jairo por ele haver passado informações diretamente ao diretor da Veja, sem ter exigido dele contrapartida alguma. 

“É o seguinte, por exemplo, agora eu dei todas as informações que ele precisava desse caso aí, por quê? É uma troca com ele, tem que ter uma troca, não pode dar as coisas pra ele igual você sai correndo pra fazer favor”, orienta Cachoeira. Mais adiante completa: “Jairo, põe isso na tua cabeça, esse cara não vai fazer pra você nunca isoladamente, a gente tem que trabalhar com ele em grupo. Os grandes furos do Policarpo fomos nós que demos”.

Outra sequência de escutas flagradas pela PF no fim de junho do ano passado revela o passo-a-passo da construção de nova reportagem. Em uma das conversas, no dia 29 de junho, Carlos Cachoeira diz a Policarpo que tem “informação quentíssima” e orienta que ele se encontre com um “amigo”, que seria Cláudio Abreu, diretor da Construtora Delta no Centro-Oeste. 

Numa segunda conversa no mesmo dia, desta vez, entre Cláudio e Cachoeira, o empresário conta que esteve com Policarpo e que passou a ele informações sobre uma reunião em Curitiba para discutir a licitação da BR-280.

Cláudio revela que, além de já haver decidido não participar do encontro em Curitiba, deu a Policarpo orientações para ele se infiltrar na reunião. No dia seguinte, Cachoeira fala com Demóstenes por telefone e informa ao então senador qual seria o próximo “furo” da Veja (leia Diálogo 2). Menos de uma semana depois, as páginas da revista estampam reportagem com as informações repassadas pelo grupo, em uma denúncia que tem como foco o Ministério dos Transportes.

As investigações da PF deixam claro que Policarpo dispunha de uma rede bem estruturada de informantes, com hierarquia igualmente bem definida, para municiá-lo com dados para suas reportagens. Obviamente, somente eram repassadas as informações que interessavam ao grupo, com a intenção, na maioria das vezes, de minar adversários, demonstrando uma relação essencialmente promíscua entre “fonte” e jornalista.

Diálogo 1 (Policarpo e Jairo)
- Policarpo: Tá saindo agora? É que aquele lugar deve tá fechado já.
- Jairo: É?
- Policarpo: Eu acho que sim.
- Jairo: Então fala outro local melhor pra você aí.
- Policarpo: Hã?
- Jairo: Fala outro lugar melhor pra você rápido. 
- Policarpo: Então vamos ali, ali é rápido, agora ainda não tem trânsito, se bem que para voltar de lá, eu vou demorar umas quatro horas para chegar aqui em casa. 
- Jairo: No park?
- Policarpo: É.

Diálogo 2 (Cachoeira e Demóstenes)
- Cachoeira: Outra coisa, é o seguinte: passei um trem pro Policarpo aí hoje que ele vai bamburrar, viu?
- Demóstenes: Bom demais, que que é?
- Cachoeira: Só guarde pra nós aí, que ele vai infiltrar lá, vai ter uma reunião da ANEOR, do sindicato dos empreiteiros amanhã, vai tá mais de 70 empresas lá, e eles distribuindo obra e ele vai infiltrar lá dentro.
- Demóstenes: Show de bola, show de bola. Aí vai ser um show mesmo, aí é supercraque, hem, aí vai ser de arrebentar.

Extraído do sítio Portal Vermelho

15 agosto 2012

'BANCADA DA VEJA' NA CPI BARRA MAIS UMA VEZ CONVOCAÇÃO DE POLICARPO

Mesmo com novas evidências de suas relações com as atividades criminosas de Carlos Cachoeira, diretor da revista em Brasília se livra de depoimento.

O líder do PT, Jilmar Tatto, cobrou "coragem" para convocar Policarpo Jr., e surge nos bastidores a "Bancada da Veja" (Foto: Leonardo Prado. Agência Câmara)

São Paulo – O diretor da sucursal da revista Veja em Brasília, jornalista Policarpo Jr., mais uma vez escapou de ser convocado pela CPMI do Cachoeira para esclarecer suas ligações com as atividades criminosas do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Escutas da Polícia Federal nas operações Vegas e Monte Carlo, reveladas na edição desta semana na revista Carta Capital, trazem fortes evidências de que o bicheiro e o jornalista agiam em parceria na produção de notícias que ora favoreciam as negociatas do contraventor, ora alimentavam os sucessivos ataques de Veja a integrantes dos governos Lula e Dilma.

Apesar disso, os integrantes da CPI favoráveis à convocação (parlamentares do PT, do PCdoB, do PSB e do PTB) não conseguiram apoio suficiente entre seus pares de outros partidos para chamar o jornalista a depor. E decidiram retirar o requerimento da pauta.

Além da blindagem feita por integrantes da oposição, Policarpo conta com a ajuda de parte da base governista – que afirma não ver motivos para a presença do jornalista na comissão. O grupo está sendo chamado de "Bancada da Veja" na CPI. A avaliação interna, segundo fontes da própria CPI, é que dificilmente essa resistência será quebrada, a menos que continuem surgindo fatos novos.

Obrigação

Para Jilmar Tatto (PT-SP), líder da bancada na Câmara, a comissão teria a obrigação de convocar o jornalista, “que usou sua profissão e a revista para se aliar ao crime organizado e prejudicar seus alvos, como o deputado Jovair Arantes”.

Tatto se refere a uma das escutas reveladas por Carta Capital. Nela, Policarpo aparece pedindo a Cachoeira material contra o deputado federal Jovair Arantes (PTB-GO) para uma apuração envolvendo supostos desvios na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

“Tenho fé que essa comissão vai convocá-lo, para que explique sua relação com o crime organizado, com Carlinhos Cachoeira, com o ex-senador Demóstenes. Portanto, espero com muita paciência. Espero que nós não tenhamos medo. Tivemos coragem de convocar senadores. Espero que não tenhamos medo de convocar um jornalista, ou melhor, um pseudojornalista”, disse ele.

O líder do PT afirmou que a convocação não é um atentado contra a liberdade de imprensa. “Trata-se de convocar um senhor que começa a envergonhar a categoria dos jornalistas.”

O senador Fernando Collor (PTB-AL), autor do requerimento de convocação de Policarpo, reclamou da não convocação “desse bandido” e seus asseclas, Rodrigo Rangel e Gustavo Ribeiro. Collor disse que o procurador Alexandre Camanho, que, segundo ele, é o braço direito do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, levou dois procuradores ao encontro dos jornalistas da revista Veja Gustavo Ribeiro e Rodrigo Rangel, em 12 de março, para entregar os inquéritos das operações Vegas e Monte Carlo, sob segredo de justiça. “Vejam a gravidade desse fato. Essa revista é um coito de bandidos, comandada por seu chefe maior, Roberto Civita”, disse.

Ações criminosas

O deputado Dr. Rosinha (PT-PR), que também apresentou requerimento de convocação de Policarpo, disse que espera a votação dessa convocação na próxima reunião administrativa da comissão.

Segundo ele, já está provado que algumas ações do jornalista são criminosas, como a do Hotel Naoum – quando a revista, mais uma vez em conluio com Cachoeira, invadiu o quarto de hotel do ex-ministro José Dirceu em Brasília.

Ele disse que não é verdadeira a alegação do jornalista de que usava integrantes da organização criminosa como fonte de informação. “Já passou disso”, afirmou, citando também a gravação relativa ao deputado Jovair. “Não é proteção da mídia, mas de um cidadão suspeito de ações criminosas. Ele tem que ser investigado”, disse.

Dr. Rosinha também defendeu a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal do jornalista.

Governadores

Também não foram para frente os requerimentos pela convocação dos governadores Marconi Perillo (PSDB-GO), Siqueira Campos (PSDB-TO) e Silval Barbosa (PMDB-MT); e do procurador-Geral da República, Roberto Gurgel.

No caso dos governadores, o entendimento é que essas audiências tem sido pouco produtivas e de que a comissão deveria gastar energia nas quebras de sigilos e na análise de documentos que continuam chegando. Já a convocação de Gurgel - por este ter demorado mais de dois anos para abrir ação contra o então senador Demóstenes Torres (ex-DEM) - é vista como algo que poderia causar um "desgaste muito grande" da PGR. Seriam necessários mais elementos para convocá-lo, avaliam os parlamentares.

Extraído do sítio Rede Brasil Atual

13 agosto 2012

O TRISTE FIM DE POLICARPO - Leandro Fortes

Capa da edição de número 710
de CartaCapital
Na CartaCapital dessa semana há uma história dentro de uma história. A história da capa é o desfecho de uma tragédia jornalística anunciada desde que a Editora Abril decidiu, após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, que a revista Veja seria transformada num panfleto ideológico da extrema-direita brasileira. Abandonado o jornalismo, sobreveio a dedicação quase que exclusiva ao banditismo e ao exercício semanal de desonestidade intelectual. O resultado é o que se lê, agora, em CartaCapital: Veja era um dos pilares do esquema criminoso de Carlinhos Cachoeira. O outro era o ex-senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Sem a semanal da Abril, não haveria Cachoeira. Sem Cachoeira, não haveria essa formidável máquina de assassinar reputações recheada de publicidade, inclusive oficial.

A outra história é a de um jornalista, Policarpo Jr., que abandonou uma carreira de bom repórter para se subordinar ao que talvez tenha imaginado ser uma carreira brilhante na empresa onde foi praticamente criado. Ao se subordinar a Carlinhos Cachoeira, muitas vezes de forma incompreensível para um profissional de larga experiência, Policarpo criou na sucursal da Veja, em Brasília, um núcleo experimental do que pior se pode fazer no jornalismo. Em certo momento, instigou um jovem repórter, um garoto de apenas 23 anos, a invadir o quarto do ex-ministro José Dirceu, no Hotel Nahoum, na capital federal. Esse ato de irresponsabilidade e vandalismo, ainda obscuro no campo das intenções, foi a primeira exalação de mau cheiro desse esgoto transformado em rotina, perceptível até mesmo para quem, em nome das próprias convicções políticas, mantém-se fiel à Veja, como quem se agarra a um tronco podre na esperança de não naufragar.

A compilação e análise dos dados produzidos pela Polícia Federal em duas operações – Vegas, em 2009, e Monte Carlos, em 2012 – demonstram, agora, a seriedade dessa autodesconstrução midiática centrada na Veja, mas seguida em muitos níveis pelo resto da chamada “grande” imprensa brasileira, notadamente as Organizações Globo, Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e alguns substratos regionais de menor monta. Ao se colocar, veladamente, como grupo de ação partidária de oposição, esse setor da mídia contaminou a própria estrutura de produção de notícias, gerou uma miríade de colunistas-papagaios, a repetir as frases que lhes são sopradas dos aquários das redações, e talvez tenha provocado um dano geracional de longo prazo, a consequência mais triste: o péssimo exemplo aos novos repórteres de que jornalismo é um vale tudo, a arte da bajulação calculada, um ofício servil e de remuneração vinculada aos interesses do patrão.

A Operação Vegas, vale lembrar, foi escondida pelo procurador-geral da República Roberto Gurgel, este mesmo que por ora acusa mensaleiros no STF com base em uma denúncia basicamente moldada sobre os clichês da mídia, em especial, desta Veja sobre a qual sabemos, agora, que tipo de fontes frequentava. Na Vegas, a PF havia detectado não somente a participação de Demóstenes Torres na quadrilha, mas também de Policarpo Jr. e da Veja. Essa informação abre uma nova perspectiva a ser explorada pela CPI do Cachoeira, resta saber se vai haver coragem para tal.

Há três meses, representantes das Organizações Globo e da Editora Abril fecharam um sórdido armistício com Michel Temer, vice-presidente da República e cacique-mor do PMDB. Pelo acordo, o noticiário daria um descanso para Dilma Rousseff em troca de jamais, em hipótese alguma, a CPI do Cachoeira convocar Policarpo Jr., ou gente maior, como Roberto Civita, dono da Abril. A fachada para essa negociata foi, como de costume, as bandeiras das liberdades de imprensa e de expressão, dois conceitos deliberadamente manipulados pela mídia para que não se compreenda nem um nem outro.

No dia 14 de agosto, terça-feira que vem, o deputado Dr. Rosinha irá ao plenário da CPI apresentar um requerimento de convocação do jornalista Policarpo Jr.. É possível, no mundo irrreal criado pela mídia e onde vivem nossos piores parlamentares, que o requerimento caia, justamente por conta do bloqueio do PMDB e dos votos dessa oposição udenista sem qualquer compromisso com a moral nem o interesse público.

Será uma chance de ouro de todos nós percebermos, enfim, quem é quem naquela comissão.

Extraído do sítio CartaCapital

10 agosto 2012

RELAÇÃO ENTRE POLICARPO E CACHOEIRA INCLUÍA A NÃO PUBLICAÇÃO DE NOTÍCIAS


A reportagem O Triste Fim de Policarpo indica que assuntos contrários aos interesses do contraventor Carlinhos Cachoeira podiam até constar da pauta da revista Veja, mas não se consolidavam como matérias publicadas. Em grampo de 19 de maio de 2009, o então senador Demóstenes Torres ligou para Cachoeira preocupado com a possibilidade de Policarpo Jr. produzir reportagem crítica sobre o delegado Aredes Correia Pires, então corregedor de Segurança Pública do governo de Goiás.

"Poli me ligou dizendo que vai estourar o diretor-geral (Aredes)", disse Demóstenes a Cachoeira. Pede, em seguida, para o bicheiro conseguir "umas fotos" para calar a boca do jornalista. "Mas pelo menos as fotos vê se consegue, senão (Policarpo) acaba arrancando a cabeça do Aredes, e fica a pior situação do mundo", finalizou Demóstenes. Ao que não se viu nas páginas de Veja, a matéria anunciada por Policarpo Jr. a Demóstenes jamais foi publicada. Quer dizer, estava na pauta, como o jornalista adiantou ao então senador, mas não foi produzida e muito menos circulou.

Entre os dias 9 e 16 de maio, a Operação Monte Carlo flagrou conversas entre Cachoeira e o ex-diretor da Delta Cláudio Abreu em tratativas para evitar a publicação, sempre em Veja, de reportagem contrária aos interesses da Delta. Essa reportagem igualmente nunca pode ser lida, porque jamais foi publicada, àquela altura, qualquer crítica de Veja à Delta.

"O Policarpo confia muito em mim", disse mais tarde Cachoeira a Abreu, comemorando o silência de Veja a favor de suas articulações.

Extraído do sítio Brasil 247

08 agosto 2012

COLLOR: CIVITA É "BANDIDO" E POLICARPO "QUADRILHEIRO"

Foto: José Cruz/ABr

No retorno dos trabalhos da CPI do Cachoeira, senador cobra convocação do dono da Editora Abril, Roberto Civita, e do chefe da sucursal da Veja, Policarpo Jr., por envolvimentos com Cachoeira. Requerimentos serão debatidos na próxima semana.

Na primeira sessão da CPI do Cachoeira no retorno do recesso, o senador Fernando Collor (PTB-AL) voltou a cobrar as convocações do dono da Editora Abril, Roberto Civita, e do chefe de sucursal da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior. O parlamentar acusou Civita de "bandido" e Policarpo de "quadrilheiro". Os requerimentos, de autoria do próprio senador, serão discutidos na próxima reunião administrativa da comissão do Congresso, agendada para a próxima semana.

Collor também fez duras críticas ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a quem chamou de "chantagista". Segundo ele, Gurgel segurou a investigação da Polícia Federal chamada Operação Vegas como trunfo para chantear o senador cassado Demóstenes Torres.

Recentemente, a revista Veja foi citada pela mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, acusada de ter chantageado o juiz titular do caso, Alderico Rocha Santos. Segundo o magistrado, ela disse que Cachoeira encomendou a Policarpo Jr. um dossiê contra ele, e que se não fosse negociada uma saída para seu marido, as informações seriam publicadas. Na edição desta semana, a revista negou ter feito qualquer dossiê para Cachoeira.

Extraído do sítio Brasil 247

06 agosto 2012

A IMPRENSA BRASILEIRA ENVERGONHA NOSSA DEMOCRACIA - Paulo Cavalcanti

O que dizer de um país, onde 11 famílias detêm o monopólio da "opinião publicada" - sim pois quando eles (os donos dos jornais), declaram que aquilo que está publicado em seus jornais, "é opinião pública" - na verdade, trata-se da opinião exclusiva "deles", que fazem uso da nossa opinião, sem pedir procuração.


O escândalo, envolvendo a revista Veja, com uma quadrilha de contraventores do jogo do bicho, faz de Rupert Murdoch, magnata da mídia inglesa, um escoteiro mirim. No entanto, pirotecnias implementadas, no sentido de blindar Roberto Civita, dono da revista Veja e do Grupo Abril, parece que te surtido resultados, pois até aqui, nada aconteceu.

No dia 08/05/2012 - o jornal "O Globo" da família Marinho (um dos 11 donatários da opinião públicada), em editorial, defendeu Roberto Civita, em editorial sob o título, "Roberto Civita não é Rupert Murdoch" - leia aqui - uma defesa, prá lá de apaixonada, ridícula, e sem fundamentos, porém, ele é o dono da nossa opinião, como nós não temos um jornal para contestá-lo, vale o escrito. Leiam o editorial, para mensurar até onde vai, a cara de pau, e impáfia de quem tem poder de escrever aquilo que bem entende, na certeza da falta de contestação a altura.

Leia, um trecho do editorial apaixonado

" (...) Comparar Civita a Murdoch é tosco exercício de má-fé, pois o jornal inglês invadiu, ele próprio, a privacidade alheia. Quer-se produzir um escândalo de imprensa sobre um contato repórter-fonte. Cada organização jornalística tem códigos, em que as regras sobre este relacionamento - sem o qual não existe notícia - têm destaque, pela sua importância. Como inexiste notícia passada de forma desinteressada, é preciso extremo cuidado principalmente no tratamento de informações vazadas por fontes no anonimato. Até aqui, nenhuma das gravações divulgadas indica que o diretor de "Veja" estivesse a serviço do bicheiro, como afirmam os blogs, ou com ele trocasse favores espúrios. Ao contrário, numa das gravações, o bicheiro se irrita com o fato de municiar o jornalista com informações e dele nada receber em troca..."

O que esperar de uma democracia capenga, onde a imprensa não está à serviço da verdade imparcial? O que esperar de uma democracia, onde ministros do STF, se manifestam fora dos autos em tempo integral, e pela imprensa que manipula a opinião pública? O que esperar de uma democracia, onde o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, pede a condenação dos réus, porém declara em pleno julgamento do processo do mensalão, que "não existem provas, pois quadrilhas, não deixam rastros" - ou seja, a declaração desconstrói a tese de que "não existe crime perfeito" - ou seja, ninguém comete um crime tão perfeito, a ponto de não deixar prova alguma na cena do referido crime.

O desespero da imprensa, "que é oposição"

O Globo (18/3/2010) publicou a seguinte declaração de Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e executiva do grupo Folha de S.Paulo:

"A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação e, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo."

A falta de ar, provocada pelas ações inócuas implementadas até aqui, é que, todas as mentiras e factoides desferidos até o momento, não produziu efeito prático e concreto. Observem que em pleno julgamento do mensalão, sai um pesquisa, onde Lula e Dilma, está bombando, numa demonstração de que apesar da "opinião publicada" - a "opinião publica" - tá cagando e andando para essa manipulação toda, referente a criminalização dos 38 réus do mensalão, sem provas, como o próprio Procurador Roberto Gurgel, admite que não existem.

O conluio imprensa, bandidos e justiça

Como pode, uma órgão de imprensa estar metido com quadrilha de bandidos, juntamente com Senador da República (Demóstenes Torres - DEM/GO), e nem o dono da revista Roberto Cívita, nem o jornalista Policarpo Jr, serem convocados à prestar esclarecimentos públicos, sobre as falcatruas que aparecem no vídeo acima?

A imprensa no Brasil, caiu num descrédito tão grande, que a população em geral, sequer vê, lê, ou escuta aquilo que eles publicam. Num quadro preocupante, onde a oposição deixou de existir desde 2003 - uma imprensa que perdeu completamente a credibilidade. Quem sofre com isso, é a combalida democracia, onde tudo virou um angu, parece que tudo virou uma coisa só.

Já publiquei neste blog, opinião de preocupação com relação ao quadro que se apresenta - leia aqui - e assista o vídeo com as 11 famílias que são donas da nossa opinão - onde sem dúvidas, dá sinais, de que estamos bem próximos do advento de grandes mudanças, que não se sabe quais são, daí os motivos da inquietação, pois estamos 24 hs sob ameaça de que "algo está para acontecer", o Brasil esta funcionando há 10 anos, sem oposição no Congresso Nacional. A única iniciativa "capenga" de oposição durante todo esse período, coube às 11 famílias donatárias da "opinião publicada".

Numa democracia plena, é saudável que os poderes funcionem em harmonia, porém o quadro que ora se apresenta é o seguinte: um partido que ganhou o governo mas não ganhou o poder, um Congresso cuja base aliada é um saco de gatos, não passa a menor segurança de governabilidade, uma vez que tudo é decidido no "balcão de negócios" - e finalmente, um judiciário lento, caro e injusto com o cidadão, e de quebra, com ministros e juízes se pronunciando fora dos autos, emitindo opiniões condenatórias sobre processos que correm em segredo de justiça, como se tivesse num boteco tomando cerveja com os amigos.

Pobre democracia essa nossa....

Extraído do Blog do Paulinho