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08 fevereiro 2013

EUROPOL INVESTIGA ESQUEMA DE MANIPULAÇÃO DE JOGOS EM 15 PAÍSES


Investigadores encontraram evidências de que centenas de jogos foram manipulados ao redor do mundo. Quadrilha de apostas com base na Ásia seria responsável pelo esquema.

A Europol (polícia europeia) divulgou nesta segunda-feira (04/01), em Haia, ter descoberto o maior escândalo de apostas do futebol mundial, com manipulações em mais de 680 jogos disputados entre 2008 e 2011.

Estão na lista partidas da Liga dos Campeões, de campeonatos nacionais de ponta da Europa e de eliminatórias da Copa do Mundo e da Eurocopa. "Para nós é certo que este é o maior caso de todos os tempos nesse setor", disse o diretor da Europol, Rob Wainwright.

No total, 425 jogadores, juízes e dirigentes estariam envolvidos. As manipulações teriam acontecido em 15 países e renderam 8 milhões de euros aos criminosos. Uma quadrilha organizada com base na Ásia seria a responsável pelo esquema.

Em torno de 380 jogos foram disputados na Europa, e os demais 300 na África, na Ásia e nas Américas Central e do Sul. "Temos evidências para 150 desses casos, e as operações eram comandadas de Singapura, com propinas de até 100 mil euros por jogo", afirmou o investigador Friedhelm Althans, da polícia de Bochum, na Alemanha.

Wainwright disse que a manipulação alcançou "um nível nunca antes atingido" e que o problema é muito grande. "Isso é só a ponta do iceberg", acrescentou. Nomes de jogadores e clubes não serão revelados enquanto durarem as investigações.

Extraído do sítio Deutsche Welle

30 maio 2012

O CRIME PERFEITO NAS PÁGINAS DA VEJA - Zé Augusto

Se Gilmar Mendes dissesse, sem meias palavras, que Lula ofereceu proteção na CPI do Cachoeira em troca de adiar o julgamento do "mensalão", como escreveu a revista Veja, poderia ser processado por crime de calúnia.

A pena poderia ser de 6 meses a 2 anos na Papuda, de acordo com o código penal.

Por isso, não surpreendeu seu recuo, e o desmentido às acusações graves contidas na revista Veja, quando concedeu entrevista à Globonews, em Manaus.

Então quem deveria passar 2 anos na Papuda é o editor da revista Veja, inclusive com as declarações de Gilmar na Globonews desmentindo as acusação da Veja, servindo como prova para condenação.

Mas com a frouxidão de nosso sistema judiciário, que confunde liberdade de imprensa com imprensa inimputável, nada disso acontece.

O crime de calúnia no Brasil, se cometido na imprensa e por simpatizantes dos demotucanos, tornou-se um crime perfeito.

A matéria da Veja usa de um biombo para publicar calúnias, escapando de ser condenada.

Oficialmente, não foi Gilmar Mendes quem concedeu entrevista para Veja. A matéria da revista teria sido apurada reconstituindo diálogos com diversos "interlocutores" de Gilmar, e muitos falando em off, inclusive dois senadores (quem sabe um deles não seja o Demóstenes Torres).

A revista diz que Gilmar havia confirmado, mas confirmado o quê? A única frase na revista atribuída à ele é "Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula". Nada que comprometa judicialmente, e nada que autorizasse a revista a imputar crimes à Lula.

Eis o truque: Gilmar teria falado a interlocutores, que teria falado à Veja em "off", e a Veja diz ter confirmado com Gilmar (mas só a perplexidade).

Jornalismo decente teria feito a pergunta clara e objetiva: "Houve proposta de proteção na CPI em troca de adiamento do mensalão, como seus interlocutores dizem?" Se Gilmar não confirmasse, como não confirmou na Globonews, a revista não poderia publicar uma acusação destas, como publicou, construindo um texto ardiloso para enganar o leitor como se Gilmar tivesse confirmado tudo o que está escrito, e sem se comprometer juridicamente.

(Ressalte-se que Gilmar Mendes poderia ter desmentido no sábado, se quisesse evitar que o boato da calúnia se espalhasse, mas optou por deixar que se espalhasse mesmo, com as mais diversas versões, e só desmentiu na segunda-feira).

Logo, oficialmente, não foi Gilmar quem caluniou, não foi "A", nem "B", e nem a revista assume a autoria, atribuindo a uma fonte em "off" que diz ter ouvido de Gilmar Mendes. Qual fonte? A revista Veja esconde-se atrás do biombo do sigilo da fonte, para poder publicar a calúnia, sem revelar quem caluniou.

De certa forma, ao que tudo indica, a parceria Veja-Cachoeira também usava esse modus operandi. Oficialmente havia a relação fonte-revista. Extra-oficialmente havia interesses escusos de derrubar desafetos de cargos, inclusive eleitos, interferir em eleições através de escândalos pré-fabricados, e bombardear concorrentes empresariais.

O código penal é claro:

Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga.

A liberdade de imprensa, e de expressão, é plena e não cabe falar em retorno de censura. Cada um publica o que bem entende, mas convenhamos que, se uma revista publicar fotos de pedofilia recebidas em "off", seu editor irá preso, e a revista recolhida imediatamente. Ninguém falará que a liberdade de imprensa foi afrontada, nem que houve censura, pois o que se estaria fazendo é combater um crime.

Então por que o mesmo não vale com outros crimes publicados na imprensa, como de calúnia, formação de quadrilha para atividades clandestinas, etc?

29 maio 2012

EXAME DE VOZ DESTACA "SEGMENTOS FRAUDULENTOS" EM FALA DO MINISTRO GILMAR MENDES


O laudo de uma perícia em análise de frequência de voz aponta trechos "fraudulentos e suspeitos" na entrevista do ministro Gilmar Mendes veiculada nesta segunda-feira (28) pelo canal "GloboNews", sobre um encontro seu com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na edição do último domingo (27), a revista Veja publicou reportagem em que o ministro Gilmar Mendes relata um suposto encontro entre ele, Lula e o ex-ministro Nelson Jobim no dia 26 de abril.

Segundo Mendes, o ex-presidente teria insinuado que poderia protegê-lo na CPMI do Cachoeira, que investiga a relação entre políticos e agentes públicos com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, em troca do adiamento do julgamento dos envolvidos no mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal). O escândalo do mensalão, que deve ser julgado em agosto próximo, envolveu pagamentos a parlamentares da base aliada do então presidente Lula em troca de aprovação de projetos no Congresso Nacional.

À emissora de TV, Mendes confirmou o teor da conversa que teria travado com Lula.

Na análise de um total de 3 minutos de trechos da entrevista, foram detectadas 11 ocorrências de "alto risco", cinco de "provável risco" e duas de "baixo risco".

"Alto risco é uma maneira de dizer que a pessoa está mentindo", afirma o perito responsável pela análise, Mauro Nadvorny.

Nadvorny é diretor-presidente da empresa Truster Brasil, que produz a tecnologia que detecta sinais de tensão, estresse, medo, embaraço e excitação em arquivos de voz.. De acordo com Nadvorny, esses fatores permitem situar declarações em uma escala de veracidade.

O laudo indicou "alto risco" de fraude nos trechos em que o magistrado diz que o mensalão "entrou na pauta das conversas", que "o presidente tocou várias vezes na questão da CPMI" e no trecho em que Mendes diz ter "nenhuma relação, a não ser relação de conhecimento e de trabalho funcional com o senador Demóstenes".

Veja a seguir alguns dos trechos da entrevista de Gilmar Mendes considerados "fraudulentos e suspeitos" pelo laudo de Nadvorny, acompanhados da conclusão do perito:

Gilmar Mendes: “Este assunto entrou na pauta das conversas”

De acordo com a análise do software, o ministro Gilmar Mendes não está sendo verdadeiro quando afirma que o assunto (mensalão) entrou na pauta das conversas.

Gilmar Mendes: “E aí o presidente disse da importância do julgamento do mensalão, que se possível não se julgasse esse ano porque não haveria objetividade”

De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes está sendo verdadeiro quando afirma que o presidente Lula teria dito que não haveria objetividade. Não é possível concluir que ele tenha dito algo sobre a importância do julgamento não acontecer este ano.

Gilmar Mendes: “O presidente tocou várias vezes na questão da CPMI, desenvolvimento da CPMI, o domínio que o governo tinha sobre a CPMI”

De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes não está sendo verdadeiro quando afirma que o presidente Lula tocou no assunto da CPMI.

Gilmar Mendes: “Então eu disse a ele: ‘com toda franqueza, presidente, eu vou lhe dizer uma coisa, parece que o senhor está com alguma informação confusa’”

De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes está sendo verdadeiro quando afirma que disse ao presidente Lula que ele estava com uma informação “confusa”.

Gilmar Mendes: “ 'O senhor não está devidamente informado, eu não tenho nenhuma relação, a não ser relação de conhecimento e de trabalho funcional com o senador Demóstenes”

De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes não está sendo verdadeiro quando afirma que não tem nenhuma relação com a matéria da CPMI.

Gilmar Mendes: “Aí então eu esclareci a viagem de Berlim, (...) me encontrara com o senador em Praga porque isso foi agendado previamente, ele tinha também uma viagem para Praga, então nos deslocamos até Berlim. Eu vou um pouco a Berlim, como o senhor vai a São Bernardo".

De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes não está sendo verdadeiro quando afirma que se encontrou com o senador (Demóstenes) em Praga para ir a Berlim (para visitar sua filha) numa viagem previamente agendada.

Gilmar Mendes: “Claro que houve a conversa sobre o Mensalão, o Jobim sabe disso”

De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes muito provavelmente não está sendo verdadeiro quando afirma que a conversa existiu e que Jobim sabe disso.

Procurado pelo UOL para comentar o laudo, o ministro Gilmar Mendes não se manifestou até agora.

Equipamento

A análise de Nadvorny foi feita voluntariamente, com o software de análise de voz da Truster Brasil, o mesmo usado pelos serviços de inteligência das polícias do Rio Grande do Sul e do Distrito Federal.

"A tecnologia faz uma varredura em todo o arquivo de voz para estabelecer uma linha básica e aponta os trechos em que a fala foge dessa linha, o que indica, em diferentes graus, que a pessoa não está sendo verdadeira", diz Nadvorny.

Segundo ele, nos trechos em que o programa aponta "alto risco", há praticamente certeza de que a pessoa está mentindo. "Isso porque a natureza humana não é construída para mentir. Quando a pessoa mente, ela está sob estresse", afirma.

Extraído do sítio UOL Notícias

PARTIDAS COMBINADAS AMEAÇAM O FUTURO DO FUTEBOL - Alexandra Zakharova

© Foto: «Vesti.Ru»
A Europa afunda em escândalos com partidas combinadas. Um após outro são revelados fatos de falcatrua em campeonatos nacionais de futebol.

Na Itália já foram presas cerca de 20 pessoas, entre as quais alguns jogadores da seleção, que deveriam jogar na Euro 2012, e o clube Fenerbahçe de Istambul foi afastado da participação na liga dos campeões.

Marcar gol contra em troca de alguns milhares de dólares é uma coisa comum para alguns futebolistas. Assim agiu, por exemplo, o jogador do Atalanta de Bérgamo, Itália, Andrea Masielo. Recentemente ele foi preso sob a acusação de participar de jogos combinados e poderá ser condenado à prisão.

Apesar das punições rigorosas não diminui o número de fraudadores. Trata-se de valores astronômicos de renda, - salienta o perito da comissão russa de investigação de jogos combinados, Alexander Bubnov.

“Participam deste processo casas de apostas. São feitas apostas. Se alguém sabe o resultado fixado da partida combinada, ele ganha muito dinheiro. Nas casas de aposta pode-se ganhar centenas de milhões de dólares com os jogos combinados.

O atual escândalo pode debilitar a seleção italiana, que é considerada uma das favoritas da Euro-2012. Poderão não ir ao campeonato os participantes do jogo entre Lázio e Genoa no ano passado. Então a Lazio romana, relativamente fraca, venceu o adversário com a contagem de 4 a 2. Nesta partida jogou o lateral esquerdo do Zenit e da seleção italiana Domenico Criscito, que por enquanto é testemunha no processo. Ele, como também os futebolistas presos, pode não ter permissão de participar no campeonato continental.

Entretanto o mais provável é que ninguém atrapalhe os astros de defender a honra de seu país – assinala o jornalista esportivo Artiom Lokalov.

“É perfeitamente possível que os processos judiciais sejam adiados. Pelo menos não irão tocar os futebolistas da seleção da Itália durante a Euro, somente depois do campeonato. Temos o exemplo do campeonato mundial de 2006, quando na Itália também estourou o escândalo de partidas combinadas. Entretanto isto não impediu que a seleção se tornasse a melhor do mundo. Não acho que esta situação irá se refletir sobre a seleção que irá disputar a Copa da Europa.”

Na Turquia prosseguem, há mais de dois meses. as audiências judiciais sobre o envolvimento do dirigente do clube mais promissor do país, em jogos combinados. O presidente do Fenerbahçe de Istambul, Aziz Yildirim, poderá ser condenado a 150 anos de prisão por subornar equipes de adversários e criar um esquema de lavagem de dinheiro. A federação nacional de futebol afastou o clube Fenerbahçe da participação na liga dos campeões..

Na Hungria um escândalo de corrupção terminou em tragédia. O dirigente do clube húngaro PEAK, Robert Kutas, suicidou-se logo após a acusação de envolvimento de sua equipe, considerada a mais honesta, em jogos combinados.

O problema é atual não apenas para a Europa. No início do ano na China foram condenados os dirigentes da Associação Chinesa de Futebol e também juízes e árbitros. Cada um deles organizou partidas com resultados previamente conhecidos em troca de centenas de milhares de dólares.

Na Rússia em breve será introduzida responsabilidade penal por “influência sobre o resultado de competições”. Agora uma comissão especial trabalha no projeto de lei sobre os jogos “encomendados”.


Extraído do sítio Voz da Rússia