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30 janeiro 2013

ZERO HORA: DEMAGOGIA, FILISTINISMO E ÜBER CINISMO - Cristovão Fell


Ganância que mata? Como assim?

O grupo RBS/jornal Zero Hora tem uma visão de mundo (e difunde-a diariamente nos seus veículos) que estimula precisamente a ganância - a mesma que afirma ter matado centenas de vidas em Santa Maria, domingo último, numa arapuca funérea com fachada de casa de diversão noturna. 

As empresas de comunicação da família Sirotsky são pródigas em difundir a ideologia e as práticas do capitalismo selvagem e do darwinismo social mais predatório. Como podem - agora - apontar a ganância como elemento simbólico que mata e destroi famílias? ZH quer empilhar convexo com convexo, não dá certo, nem na geometria, muito menos na concretude das palavras metafóricas. As peças dessa retórica esfarrapada não se encaixam. Tudo fica postiço e falso, resultando num jornalismo de fachada recamado por uma retórica de ocasião - demagógica e filisteia. 

De Zero Hora pinga o cinismo e vaza a impostura. Resulta um veneno perigoso e letal, se engolido por ingênuos e desavisados. Veneno que mata!

Fac-símile acima da página 6 da edição de hoje do jornal Zero Hora: 

A título de sugestão aos familiares das vítimas da boate Kiss: organizem-se. Não esperem o esbulho e o descaso acontecer. Somente haverá justiça depois de muita luta organizada e preventiva. O Estado que temos, o Judiciário que contamos, são muito pequenos e inorgânicos para darem conta de direitos e garantias de que esses familiares e amigos de vítimas buscam, com legitimidade e dor. 

Organizem-se e lutem de forma unitária e intensivamente. Nada cairá do céu. A justiça e a conquista de direitos ainda são exclusivo resultado da nossa luta. Neste campo, nada é automático e mecânico, tudo é movimento e luta. 

Extraído do sítio Diario Gauche

12 janeiro 2013

PLURALIDADE DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO: URGÊNCIA PARA A CONSOLIDAÇÃO DA JOVEM DEMOCRACIA BRASILEIRA - Marilza de Melo Foucher

“O Grupo Abril e o Grupo Globo se sentem intocáveis e assumem sem complexo o controle absoluto de quase todos os veículos de comunicação”

A evolução da imprensa escrita, como vetor de informação para o grande público, será muito lenta, ela vai surgir num ambiente de censura e de controle de informação. Esta incrível fabrica de informação terá como marca registrada a liberação da palavra pública, por esta razão, ela será sempre associada aos principio democráticos.

A democracia surge para colocar o cidadão no centro do sistema político. Nesse sentido, a imprensa joga um papel fundamental na difusão das correntes de pensamentos e opinião, contribuindo, assim, para a livre confrontação de idéias. O aumento geral do nível de conhecimento nas democracias modernas foi vetor da promoção do pensamento crítico. O pluralismo contribui também para suscitar interrogações e ceticismo.

O avanço das tecnologias tem acrescentar na diversificação dos meios de comunicação. Tanto a imprensa escrita como a evolução de outros meios de comunicação representam a grande utopia de que podemos ser livre para pensar e opinar sobre a realidade. Ao dispor também do pluralismo, os indivíduos passam a usufruir de uma real liberdade na escolha dos meios de comunicação.

A consolidação da democracia brasileira exige pluralidade dos meios de comunicação

A centralização da mídia leva à cartelização do conteúdo

No Brasil ainda estamos longe desta realidade. A história da imprensa se confunde com a história das oligarquias regionais, que apenas foram se modernizando. Todavia, pensava-se que com o avanço da democracia brasileira e a chegada de governantes progressistas, os meios de comunicação seriam democratizados e regulamentados, no sentido de garantir sua pluralidade.

Logicamente, para os que açambarcaram os veículos e o mercado dos meios de comunicação a tentativa de regulamentação é associada como uma ameaça à liberdade de expressão. Em nenhuma ocasião, eles vão pensar no interesse público e coletivo, do qual usufruir do pluralismo é também uma conquista da democracia. O que é normal num país que viveu mais de duas décadas sob a ditadura. É normal que até hoje muitos brasileiros lutem pela democratização dos meios de comunicação.

Como aceitar que a democracia brasileira se consolide e que continue a conviver com uma espécie de coronelismo mediático, que usa e abusa do poder de concentração? Esta é uma questão que poderíamos fazer aos dirigentes e políticos brasileiros.

Entretanto, na Constituição Brasileira de 1988, ela define no capitulo § 5 que “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”. Todavia, basta consultar os estudos realizados recentemente sobre este assunto para verificar que a própria constituição é por vezes usurpada.

A mídia conservadora é muito unida

A concentração dos meios de comunicação os colocam nas mãos de poucos. O Grupo Abril e o Grupo Globos e sentem intocáveis e assumem sem complexo o controle absoluto de quase todos os veículos de comunicação. Abril controla 74 veículos, entre revistas, o canal MTV, internet e a TVA, a cabo, em parceria estratégica com a Telefônica. O Grupo Globo lidera o Sistema Central de Mídia Nacional e, desde 1965, mantém seus associados regionais, são 35 grupos ligados à rede. No total eles controlam 340 veículos de comunicação.

O poder mediático de que a Globo dispõe é enorme, graças às 3.305 redes de transmissão de TV (RTVs). O grupo Globo mantém parceria em todos os Estados brasileiros o que permite um enorme controle do conteúdo das informações. Além da televisão, são 33 jornais, 52 rádios (AM) 76 (FM), 27 revistas, 105 emissoras de TV, 17 canais e nove operadoras. Além disso, a Rede Brasil Sul de Comunicação, é afiliada da Globo, é a terceira maior organização de mídia privada do país, com 57 veículos, entre jornais, rádios (21 emissoras), TV (18 emissoras) e 259 retransmissoras.(1)

Estes mesmos grupos compactuaram com a ditadura e aproveitaram do apoio de seus governos para instalar o império do Quarto Poder. Estes grupos do Quarto Poder, até hoje, têm dificuldades de aceitar a conquista da cidadania política brasileira. Muitos dos cidadãos e cidadãs brasileiros conseguiram entender alguns processos de manipulações da opinião publica, hoje estão emancipados das estratégias de comunicação posta em pratica pelos dois grandes grupos e seus aliados.

A grande mídia brasileira na realidade se diz autônoma, imparcial com relação os poderes. Muitos jornais fazem uso de uma prática deliberada de induzir os leitores, ocultar e fragmentar os fatos, de maneira a desfazer e recriar o mundo à sua maneira, criam os famosos “buzzs” com o objetivo de criar um ruído entre os leitores para deformar a realidade ou oculta-la.

A prova do avanço da cidadania política no Brasil é que a grande mídia foi derrotada por três vezes consecutivas, apesar de dispor de um vasto domínio mediático espalhado em todos os rincões do Brasil. O padrão Globo pensava ser imbatível. Assim como a revista Veja da Rede Abril, seus jornais e afiliados funcionam como verdadeiros aparelhos de propaganda contra os governos legitimamente eleitos.

Além da concentração do poder midiático, existem certas aberrações não dignas da República brasileira. Alguns deputados, senadores, governadores, prefeitos, vereadores detêm participação, ou são proprietários de meios de comunicação, ferindo os princípios republicanos. Até hoje, pouco se faz para impedir que estes políticos sejam enquadrados na Lei por violação constitucional.

Como garantir a pluralidade dentro deste contexto?

Numa República democrática, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário não são infalíveis, daí o exercício da cidadania política nos dar o direito do controle social. Os jornalistas são, acima de tudo cidadãos. Ao atuar profissionalmente nos meios de comunicação, eles exercem um papel importante na vigilância contra as derivas e abuso de poder. Não devemos nos esquecer que cada cidadão tem sua parte de responsabilidade em certos desvios republicanos.

Na jovem democracia brasileira, os jornalistas deveriam estar atentos sobre qualquer forma de violação de direitos e abusos de poder. Eles deveriam ser os primeiros a defender a pluralidade. Certamente, estariam dando uma excelente contribuição na consolidação da democracia no Brasil. Além disso, teriam um leque maior de opções profissionais e poderiam exigir melhores salários e melhores condições para exercer, de modo independente, um verdadeiro jornalismo. Aquele jornalismo imparcial que provoca o verdadeiro debate, que analisa, contextualiza e coloca a nu certas contradições, cujo conteúdo leva o leitor a refletir sobre sua realidade.

Infelizmente, nesses últimos anos, o debate político no Brasil perdeu o brilho da racionalidade que exige a boa análise. As cenas de desrespeito republicano passaram a ser marcantes. As duas últimas campanhas presidenciais disputadas pelo presidente Lula foram de grande violência verbal, nunca se viu tanto racismo, tanta discriminação, tanto ódio na boca e nos escritos de certos políticos e jornalistas. Este tipo de politicagem é perverso para a democracia e nada acrescenta à educação do povo brasileiro. A grande Nação Brasileira merece que o jornalismo seja praticado dentro do rigor intelectual necessário.

O comportamento dos donos dos meios de comunicação nas últimas décadas de democratização, deixa muito a desejar. Chega a dar impressão de querer forjar uma democracia de opinião capaz de influenciar no processo eleitoral. Essa grande mídia esquece que o exercício do poder supremo é originado da vontade popular. É interessante observar o modo como ela agiu, durante as campanhas presidenciais de Lula e de Dilma. A posição do presidente da Associação Nacional dos jornais (ANJ) foi esclarecedora ao admitir, publicamente em março de 2010 que, tendo em vista a fragilidade dos partidos de oposição, a imprensa estava fazendo, de fato, a oposição ao governo.

A sociedade civil organizada começa, ainda que timidamente, a protestar contra o cartel dos meios de comunicação

Este papel de oposição era notório. Todavia, a partir desta declaração, a ANJ oficializou os governos de Lula e Dilma como adversários. Com este tipo de comportamento, a grande mídia sai fragilizada, pois não é o papel da imprensa de liderar as massas, exceto se ela quer ser governo e eliminar os partidos políticos.

Nem tampouco é papel do governo entrar no jogo da provocação, afinal, ele deve garantir a livre expressão de todos. O interesse público, no entanto, assim como as boas regras do comportamento republicano, deve predominar dos dois lados. O governo não deve ceder à pressão dos donos da mídia e, urgentemente, organizar o funcionamento do espaço nacional de Comunicação Social para obter um melhor equilíbrio, a fim de garantir a pluralidade que determina a Constituição brasileira.

Este espaço deve ser mais representativo de diversos grupos sociais. Talvez esta seja uma das últimas conquistas para consolidar a jovem democracia brasileira.

Somente a democratização dos meios de comunicação permite a livre confrontação de idéias.

* Marilza de Melo Foucher é economista, jornalista e correspondente do Correio do Brasil em Paris.

Extraído do sítio Correio do Brasil

29 dezembro 2012

TARSO GENRO CRITICA "MÁ FÉ" EM REPORTAGEM DE ZERO HORA SOBRE CONSELHEIROS DE ESTATAIS - Marco Aurélio Weissheimer

O governador Tarso Genro enviou nota ao RS Urgente criticando e qualificando como “equivocada” a abordagem feita pelo jornal Zero Hora sobre a remuneração e indicação de conselheiros das estatais. Tarso afirma:

A reportagem parte do pressuposto que as pessoas indicadas para a composição dos conselhos não possuem qualificação para exercer as funções. Além disso, e mais grave, deixa em segundo plano a informação que estes colegiados e a remuneração aos seus integrantes estão previstos em lei e sequer são obra do atual governo. Portanto, não existe nem imoralidade nem ilegalidade, como a matéria deixa a entender. A mera exposição de pessoas e de suas respectivas remunerações, somada à repercussão de formadores de opinião e potencializada nas redes sociais, levou o cidadão a uma leitura parcial sobre o tema.

Cito dois exemplos que sustentam o entendimento de que houve “má fé”, como afirmei em entrevista ao Conversas Cruzadas, na forma de publicação da reportagem: no Facebook de ZH a matéria recebeu a chamada “Conselheiros de Bolsos Cheios”, já a jornalista Letícia Duarte, na premissa que antecedeu sua pergunta sobre o tema no Conversas Cruzadas, disse que o pagamento das remunerações aos conselheiros “soava como escândalo”. Ressalto que a expressão “má fé” foi dirigida à forma de apresentação da reportagem. Os exemplos referidos, como no caso da manifestação da jornalista, são apenas conseqüência.

Este tipo de matéria está muito em voga num certo jornalismo “pós-moderno”, nos dias de hoje: usar uma verdade factual disposta de forma milimétrica para despertar preconceitos e produzir “escândalos”; é uma espécie de “pegadinha” política. Esta reportagem foi excepcionalmente feliz neste objetivo, pois o preconceito foi despertado na voz da própria colega de trabalho do autor da matéria, que já iniciaria tratar a questão como um escândalo de governo.

Na nota, Tarso Genro também explicita quais são os critérios de indicação do governo para a composição destes conselhos no setor público:

São critérios políticos e técnicos. Todas as pessoas indicadas possuem experiência no setor público e estão acostumadas a compor colegiados dentro das estruturas partidárias, sindicais, administrativas, etc. Elas representam o governo dentro dos conselhos e, por isso, possuem a confiança do governador para gerir e fiscalizar, principalmente no que se refere ao vínculo sadio que as empresas estatais devem ter com as políticas públicas. Pessoas com experiências diversificadas são essenciais para o processo de formulação e discussão de idéias. É importante salientar que estas pessoas não substituem os conselheiros técnicos nem os órgãos de controle destas empresas.

Extraído do sítio RS Urgente

17 setembro 2012

RESPOSTA DE RAUL PONT À PÁGINA 10 DE ZH - Marco Aurélio Weissheimer

O deputado estadual e presidente do PT-RS, Raul Pont, enviou a seguinte resposta à coluna Página 10, do jornal Zero Hora, a propósito da nota intitulada “A esquerda constrangida”, publicada na edição desta segunda-feira:

A ZH, em sua Página 10, continua sua política de parcialidade e mentira no trato de temas já conhecidos, explicados à exaustão. O que importa não é a verdade, a informação correta para os leitores, mas o viés ideológico, a crítica política mesmo sem sustentação fática. A “esquerda constrangida” deve ser respondida com outro título: “a imprensa mentirosa”. Vamos aos fatos:

1º) a Lei do Piso é do governo Lula, portanto, de um governo do PT, de esquerda, discutido com as centrais sindicais do magistério. Portanto, não há nenhum constrangimento.

2º) O projeto original tinha como elemento de correção monetário o INPC, isto é, um índice que mede a inflação, conhecido, previsível e aceito em negociações salariais, seu prejuízo de ganhos reais negociados.

3º) O Congresso, a partir de uma emenda do Senado, substituiu o INPC por um indexador que não mede a inflação, não existe em negociação sindical ou para qualquer outro fim de estabelecer correção monetária.

4º) Imediatamente após a sanção, o governo Lula enviou um projeto de Lei corrigindo o ato legislativo pelo que constava no projeto original: o INPC. Até hoje o projeto de correção do índice não foi votado pelo Plenário da Câmara, apesar de aprovado nas comissões.

5º) O critério estabelecido pelo Congresso não é um índice de inflação, mas um critério com base em custos de aluno na 1ª série do ensino fundamental e os recursos que a União destina ao FUNDEB, que tendem a ser crescentes. Isso torna a lei impraticável pelos Estados e municípios, pois enquanto a inflação tem sido em torno de 5% ou 6% ao ano e o crescimento real das finanças públicas não é superior a 2,5% ou 3% ao ano, como se pode reajustar ANUALMENTE os salários da maior categoria dos Estados e municípios em mais de 20% ao ano? Ou seja, é uma total irresponsabilidade do Congresso estabelecer um indicador que não mede a inflação, não é previsível e crescente para que os Estados e Municípios paguem?

6º) Os Estados que se propuseram a “cumprir” a lei simplesmente modificaram os planos de carreira achatando o teto e tornando o piso um valor de início e fim de carreira em evidente prejuízo aos professores.

7º) O governo Tarso apresentou proposta ao magistério que já permitiu considerável recuperação das perdas anteriores (Rigotto e Yeda). Até 2014, considerando que a inflação permaneça no patamar atual, o ganho real dos salários dos professores será superior a 40%. O plano de carreira foi mantido integralmente e é defendido pelo governo como forma de avanço ao longo da carreira, numa política de valorização do magistério. Através de um termo de ajustamento proposto pelo Ministério Público e aceito na Justiça, o governo garantiu, por complementação, que TODOS os professores recebam hoje o PISO NACIONAL no Rio Grande do Sul, enquanto se se discute na Justiça ou se corrige o indicador no Congresso.

8º) A ação de inconstitucionalidade não é nova, nem busca “judicialização” da questão salarial. O governo, simplesmente, tem que organizar seu Orçamento, prever sua receita, fixar suas despesas e não pode ficar à mercê de um corretor inflacionário que não mede a inflação, mas trabalha com uma “variação” superior a 20% ao ano, o que inviabiliza qualquer cumprimento do piso e o transforma em lei impraticável, com evidente prejuízo aos professores.

Essa é a realidade dos fatos e números, e não as “interpretações” facciosas de ZH. Se os (as) professores (as) não compreenderem isso e se acharem vítimas de “governos” e “políticos” que são todos “iguais”, estarão perdendo um momento essencial para a defesa de seus interesses imediatos e de um governo que tem lado e um projeto para a Educação e o país.

Saudações,
Raul Pont
Deputado estadual e presidente do PT/RS

Extraído do sítio RS Urgente

12 setembro 2012

ZH "ESQUECE" QUE O PROJETO É DO MINISTÉRIO DA CULTURA - Cristóvão Fell


O jornal Zero Hora publicou hoje uma matéria de página inteira sobre a restauração completa da Praça da Alfândega de Porto Alegre. De fato, a praça está ficando muito bonita. Mas omitiu que o projeto teve origem no Ministério da Cultura, do Governo Federal. É flagrante a má-fé da editoria do jornal. 

Como classificar o jornalismo praticado pelo grupo RBS, proprietários de Zero Hora? Como ajuizar o jornalismo que esconde informações importantes de um fato, um tema, ou uma realização do setor público?

Você acredita em um meio de comunicação que oculta do leitor informações relevantes acerca de uma notícia que veicula?



O que você diria de um jornal que disfarça a intenção dos seus reais objetivos? Que oculta dados com o intuito de modificar a percepção do leitor?

O que dizer de gente assim? 


Como se não bastasse, o texto da matéria é de sofrível passando a péssimo. Como pode-se interpretar a frase no fac-símile parcial acima? Como, assim: foi alterado nas reformas anteriores ou posteriores a 1924? 

Que tipo de profissional trabalha em ZH?

Extraído do sítio Diario Gauche

25 agosto 2012

JUSTIÇA ELEITORAL CONSIDERA ILEGAL ATO DA RBS QUE NÃO VEICULOU PROGRAMA DE RÁDIO DE VILLAVERDE - Marco Aurélio Weissheimer

Em decisão proferida no final da tarde desta quinta-feira (23), a Justiça Eleitoral de Porto Alegre acolheu os argumentos da representação feita pela Frente Popular- Governo de Verdade contra o Grupo RBS, considerando como ilegal o ato de não ter distribuído o programa das duas coligações proporcionais que apoiam a frente, que deveria ser veiculado nesta manhã em todas as emissoras de rádio da capital.

Segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa da Frente Popular, a sentença judicial determina à RBS e especialmente à Rádio Gaúcha a reparar o dano. “Agora o programa, que havia sido entregue cumprindo todos os requisitos e prazos do processo de entrega do material, terá que ser exibido no sábado (25) após a apresentação do horário eleitoral assegurado pela legislação e às expensas das emissoras”, diz a nota.

O deputado Raul Pont, presidente estadual do PT, divulgou nota repudiando o que considerou uma iniciativa arbitrária do Grupo RBS, que decidiu não veicular o programa eleitoral reservado às duas coligações que compõem a Frente Popular em Porto Alegre no primeiro espaço do horário eleitoral de rádio na manhã desta quinta-feira.

Segundo Pont, o programa partidário foi retirado do ar sem que nenhuma justificativa legal tenha sido apresentada: “É uma situação inaceitável e retrata o ponto a que chegamos e o grau de impunidade e de censura que os grandes meios de comunicação se arvoram”, criticou. Alguns meios de comunicação, protestou o parlamentar, começam a tomar decisões como se fossem juízes eleitorais, sem nem mesmo receber qualquer determinação do Tribunal Eleitoral. “O partido cumpriu as determinações e as regras do Tribunal Eleitoral e é inadmissível que a empresa se julgue no papel de censor, dizendo o que deve ou não ser veiculado.”

Extraído do sítio RS Urgente

09 junho 2012

UM MODO INCOERENTE DE FAZER JORNALISMO - Tamires Coêlho



Os profissionais de Comunicação, sobretudo os jornalistas, estão sendo cada vez mais vistos com olhos de desconfiança por boa parcela da população. Diante de notícias e comentários estereotipados e (muitas vezes) de mau gosto, o jornalismo já não é mais visto como um lugar de construção e desconstrução de fatos, mas como legitimador de um senso comum superficial. É possível encontrar distorções (sutis e escrachadas) nos mais variados meios de comunicação, nas abordagens de incontáveis temas.

Como seria impossível relatar todas as falhas éticas (sejam de ethos jornalístico ou relativas a um código de moralidade da profissão) que – infelizmente – encontramos publicadas cotidianamente em diversas interfaces, este artigo tem seu foco voltado à cobertura da Marcha das Vadias de Porto Alegre em 2012 pela Rede Brasil Sul de Televisão (RBS – distribuidora da Rede Globo para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina).

A Marcha das Vadias é um manifesto que ocorre desde 2011 em várias partes do mundo, inclusive em várias cidades do Brasil. A onda de protestos começou quando foi constatado um número bastante alto de estupros na Universidade de Toronto (Canadá) e um policial tentou “conscientizar” as mulheres dizendo-lhes que “não se vestissem como vadias” se não quisessem ser estupradas – como se (absurdamente) as mulheres abusadas pudessem ser culpadas por seu estupro. A manifestação em Porto Alegre aconteceu no dia 27 de maio (domingo) e atraiu pelo menos 1.500 pessoas à Praça da Redenção (Praça Farroupilha).

Roupas curtas

O evento ativista reuniu mulheres, homens, homossexuais, idosos e crianças que reivindicaram igualdade de direitos, clamaram pelo fim do machismo, do abuso sexual e da violência contra as mulheres – independentemente da roupa que elas estejam usando. O movimento pacífico não era partidarizado, embora houvessem algumas pessoas com símbolos e bandeiras de partidos políticos, e não pretendia visibilizar nenhuma organização ou instituição em específico. Apesar de frases e gritos de crítica à Igreja católica (que é totalmente contra o aborto) e ao sistema capitalista (iniciativas mais isoladas), foi uma marcha voltada à sociedade em seus mais diversos âmbitos.

Desde o início, durante a confecção de cartazes, muitos ativistas já comentavam os possíveis desdobramentos midiáticos que a marcha – organizada com a ajuda imprescindível de redes sociais virtuais – poderia causar e especulavam quais seriam os discursos e críticas ao protesto por parte da RBS, que concentra boa parte dos meios de comunicação do estado e da região Sul do país. Mas a empresa surpreendeu. E não foi de maneira positiva.

Distorcer entrevistas e minimizar a participação popular da marcha foi apenas o começo. Afirmar que um movimento que parou uma importante via da capital com mais de mil manifestantes tinha “dezenas de pessoas” no jornal impresso Zero Hora foi uma piadinha bem rápida, perto da stand up comedy que se desenrolaria na segunda-feira subsequente (28 de maio). Logo no Bom Dia Rio Grande, telejornal matinal da emissora no estado, gritos e frases de efeito contra a violência sexual e pela igualdade de gênero foram simplesmente igualados às escolhas de vestuário das mulheres – com direito a comparações com personagens caricaturais de novelas. Mensagens como “Meu corpo, minhas regras”, “Estupro não tem justificativa”, “Pelo fim da violência contra a mulher”, “Menos violência + orgasmo”, “Se ser livre é ser vadia, somos todas vadias”, “Estupro = Machismo”, “Eu não vim da tua costela, tu que vieste do meu útero”, “Basta! Não somos estupráveis”, “Mulher bonita é a que luta”, foram simplesmente ignoradas em parte da matéria, que mostrou a Marcha das Vadias como um protesto para que as mulheres usem roupas curtas ou chamativas. E só.

Participação “oportuna”

Parece óbvio que se a marcha tivesse um motivo eminentemente estético, de aparência, relativo à moda, não haveria o por quê de marchar e de mobilizar tantas pessoas em torno de uma causa. Mas o discurso da RBS deixou claro que o grupo ativista lutava pelo direito de usar roupas consideradas “vulgares” quando as mulheres bem entendessem. Visão reducionista que transfere o valor do poder político das mulheres a uma discussão sobre moda, consumo e corpo físico.

Apesar de a matéria televisiva ter mencionado que a organização do protesto defendia que “[...] a mulher deve ser respeitada, independente (sic) da forma de se vestir”, imediatamente depois a repórter Dayanne Rodrigues diz que as mulheres estavam lutando (pasmem!) para que as roupas justas não fossem consideradas vulgares. O foco da matéria foi nas roupas das mulheres, e não no manifesto pacífico contra o machismo e a violência sexual. E como já não fosse suficientemente incoerente, exibe um trecho de entrevista (que contradiz a fala da própria repórter) com uma das organizadoras da marcha explicando que, não importa a roupa que a mulher use, nada confere a um homem o direito de abusar sexualmente dela.

Até aí, talvez algum leitor pense que esta análise é totalmente feminista, radical e que não considera eventuais deslizes que ocorrem naturalmente na profissão de jornalista, na correria das redações etc. Mas a reportagem é fechada com “chave de ouro” com a participação bastante “oportuna” de uma consultora de moda. Sim, porque uma consultora de moda obviamente iria revelar dados importantes correlacionados a uma marcha contra a violência sexual (quanta coerência!). Deturpando o objetivo principal da Marcha das Vadias, a matéria passa a discutir o que uma mulher pode vestir (ou não) e quando vestir, ratificando assim os padrões impostos às mulheres quanto ao estereótipo e ao comportamento – aspectos ironicamente questionados na marcha.

“Voz do povo”

Quando a repórter diz que “vale o bom senso” em relação às roupas a serem usadas por mulheres, ela deve ter esquecido (ironicamente) sobre como esse é também um elemento primordial na produção de conteúdo jornalístico. O direito de sair de shortinho ou de minissaia defendido na marcha não é um apelo comercial para que se compre mais dessas peças de roupas, mas um pedido de respeito para que, muito vestida ou pouco vestida, nada dê o direito a qualquer homem de considerá-la fácil, vulgar ou “estuprável”. A impressão que ficou é a de que, se não houvesse imagens, facilmente acreditaríamos que a repórter nem teria se dado ao trabalho de ir à manifestação para ouvir a versão dos ativistas.

E as incoerências supracitadas no impresso e na TV do grupo RBS foram apenas uma preparação ao que viria a ser dito em um programa da Rádio Atlântida (pertencente ao mesmo conglomerado comunicacional) horas mais tarde. O locutor Alexandre Fetter, em total desrespeito às manifestantes, disse: “Vão lavar uma louça. Como vou respeitar quem se auto-intitula de vadia?” O comentário gerou revolta por parte de muita gente e gerou uma série de réplicas ao “comunicador” (se é que é possível utilizar essa denominação), a ponto de ele escrever debochadamente em sua conta de Twitter as seguintes mensagens: “Sofrendo ataque de vadias e variações sobre o gênero, a tarde inteira” e “Daí quem se auto intitula vadia fica braba por que a chamo pelo título. Não consigo entender, daí, gurias. Relaxem e, eventualmente, gozem.”

Surge, então, o questionamento: seria essa a “voz do povo” do Rio Grande do Sul? De uma pessoa que utiliza um programa de rádio para debochar de causas ativistas e claramente corrobora com agressões simbólicas machistas? De alguém que sequer foi capaz de pesquisar no Google sobre os motivos do nome da Marcha das Vadias? O já referido “bom senso” citado pela repórter do Bom Dia Rio Grande espera que não.

“Aprodução e transmissão do saber”

Percebe-se que, se a sociedade e a cultura do brasileiro estão tendendo (mesmo que lentamente) à não aceitação de estereótipos e ao não conformismo, o profissional de comunicação das grandes empresas (talvez imposto por seus editores, ou não) deturpa critérios de noticiabilidade, modifica narrativas e sentidos, desconsidera denúncias importantes. E um jornalismo que não acompanha esse processo está fadado a ser tão desacreditado quanto a política eleitoral no país.

Levando em conta a noção de ethos, que seria “a imagem de si que o locutor constrói em seu discurso para exercer uma influência sobre seu alocutário” (CHARAUDEAU & MAINGUENEAU, 2004, p.220), qual é a imagem de si que os comunicadores estão construindo? Será que os jornalistas e o locutor do grupo RBS tentam ser objetivos à medida do possível, ou seria esse um jornalismo híbrido deformado no qual “nem temos um jornalismo opinativo consistente, pluralista; nem temos um jornalismo noticioso habilitado a exercer a grande reportagem de aprofundamento e investigação dos problemas sociais” (MEDINA, 1988, p. 140)?

Se, como diz Pena (2005), “a notícia nunca esteve tão carregada de opinião”, por que travestir de informativo o que não é? Se o mesmo teórico diz que o jornalismo é uma “prática discursiva especializada de produção e transmissão de saber”, não seria esse saber orientado e direcionado previamente? Se “a percepção individual, para ser ampliada, necessita da assistência de intérpretes munidos com dados não amplamente disponíveis à experiência individual” (BAUMAN, 2004), como proceder quando os intérpretes não estão devidamente informados e bradam o que primeiro lhes vier à cabeça?

Pretensa objetividade

Este artigo não tem a intenção de incitar o boicote à RBS, ou de propor alternativas de comunicação aos produtos do grupo. Mas questionamos como dar credibilidade a uma empresa de comunicação que age da forma supracitada e que, muito irônica e incoerentemente, recém publicou um “guia de ética” que prega que “o primeiro dever do jornalismo é a busca da verdade”, que considera como seu objetivo “assegurar ao público seu direito à informação independente, à opinião plural, às respostas e às correções sempre que estas se fizerem necessárias” e que se diz “uma empresa ética e que se orgulha do que faz”. É difícil encontrar na prática um “bom senso” da RBS que seja tão lindo e transparente como é o guia utópico.

A Marcha das Vadias de Porto Alegre conseguiu o que queria: gerar debates, discussões, dissabores, polêmica e visibilidade ao movimento pelo fim da violência sexual. Junto com um novo pensamento em termos de sociedade e de educação (voltadas à diversidade), o que deve ser repensado no fazer jornalístico e na sua pretensa objetividade?

Referências bibliográficas:
BAUMAN, Zigmunt. Entrevista com Zygmunt Bauman. Entrevista concedida a Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke. São Paulo: Tempo Social, 2004. Disponível aqui, acesso em 28 de maio de 2012.
CHARAUDEAU, Patrick; MAINGUENAU, Dominique. Dicionário de análise do discurso. São Paulo: Contexto, 2004.
GRUPO RBS. Guia de Ética e autorregulamentação jornalística. PortoAlegre: RBS Publicações, 2011. Disponível aqui, acesso em 28 de maio de 2012.
GRUPO RBS. Marcha das vadias pede mais respeito às mulheres, em Porto Alegre. 28 de maio de 2012. Disponível aqui, acesso em 28 de maio de 2012.
MEDINA, Cremilda. Notícia um produto à venda: Jornalismo na sociedade urbana e industrial. 2ª ed. São Paulo: Summus, 1988.
PENA, Felipe.Teoria do jornalismo. São Paulo: Contexto, 2005.

Tamires Coêlho é jornalista, mestranda em Ciências da Comunicação e pesquisadora de Tecnologias da Comunicação, Cultura e Identidade.


Extraído do sítio Observatório da Imprensa

12 maio 2012

O SILÊNCIO DE ZERO HORA

Privatização da Previdência: Ajuris rebate editorial da RBS

Por meio de um editorial publicado no jornal Zero Hora de quarta-feira (9), a RBS voltou a defender a criação de um sistema de previdência complementar para o funcionalismo estadual do RS. 

Um dia antes (8) o juiz gaúcho Pedro Luiz Pozza, em artigo intitulado "Os gaúchos novamente na contramão", escrevera que "quanto mais demorarmos a criar nossa previdência complementar, maior será o tempo que o Estado levará para livrar-se desse grande ônus, que é um dos calcanhares de aquiles do erário gaúcho".

O editorial de Zero Hora disse também que "ainda que ecoe como uma voz isolada no silêncio corporativista de sua classe e dos servidores públicos em geral, merece atenção o alerta do juiz Pedro Luiz Pozza sobre a urgência de criação de uma previdência complementar para os servidores estaduais". 

Com o artigo a seguir - escrito pelo juiz Pio Giovani Dresch, que é presidente da Ajuris - a entidade, em nota, diz que está "rebatendo mais este ataque da RBS".

O silêncio da Zero Hora - Por Pio Giovani Dresch, 
juiz de Direito, presidente da Ajuris

Diz a Zero Hora em editorial que os juízes e servidores públicos permanecem em silêncio corporativista sobre a previdência complementar – leia-se: privatização da previdência.

Não. A Zero Hora parece ter ouvidos seletivos, porque só o que a Ajuris tem feito há muitos anos é combater esta ideia. Pode, portanto, nos acusar de outras coisas, mas não de permanecer em silêncio.
Se isso é corporativismo é outra discussão. Podemos muito bem redarguir que ao longo desses anos ZH tem sido um veículo muito barulhento em defesa de um corporativismo de outra ordem, que quer a qualquer custo transferir os milionários recursos dos fundos previdenciários para grandes conglomerados financeiros.

Para isso, apresenta sempre só um lado da questão. 

Ignora desde sempre que o chamado déficit da Previdência tem diversas causas outras, que não de natureza atuarial. Não se preocupa em investigar e divulgar quanto dinheiro da Previdência foi desviado pelos governos para obras ou até mesmo destinações menos nobres. 

Não se preocupa igualmente em esclarecer que a conta do chamado déficit previdenciário é sempre agregada com os valores de programas sociais, de inegável valor, mas sem natureza previdenciária.

Outra coisa que nunca aparece em ZH é a informação sobre fundos previdenciários entregues a empresas privadas que quebraram em diferentes lugares do mundo – inclusive aqui ao lado, na Argentina e no Chile –, deixando ao abandono milhões de trabalhadores.

Não diz também por que milagre uma determinada alíquota, alegadamente insuficiente para compor um fundo público, possa render tão maravilhosos frutos num fundo privado.

Não será isto exatamente um silêncio corporativista? E, pior, vindo de quem exerce a função de bem informar?

Na verdade, questão de fundo é saber se a Previdência deve ser pública ou privada. Nós, assim como milhões de trabalhadores deste país, confiamos que a Previdência Pública nos oferece para o futuro uma segurança que nenhum fundo privado oferece. Nunca sabemos onde explodirá a próxima bolha e quais serão suas vítimas.

Não temos dúvida de que os sistemas de Previdência do País e do nosso Estado passam por crises, e pretendemos contribuir com os governos na construção de um sistema seguro e autossustentável. Não somos adeptos do corporativismo burro, que, inflexível na defesa de privilégios, não percebe que caminha para o precipício, mas também não caímos em contos de sereia e nem aceitamos receitas prontas, apresentadas sem qualquer estudo sério que as sustente.

Vamos continuar nesta luta. Sem silêncios. Mas esperamos que a fala de Zero Hora não seja seletiva, que não fique ela própria em silêncio nos pontos que não lhe interessa revelar.

30 abril 2012

QUEM É O INCOERENTE? - Cristina P. Rodrigues


Entendo que a situação de parte da imprensa gaúcha é mesmo delicada. Por exemplo, Rosane de Oliveira, a colunista de política da RBS. Como criticar o governo do estado por não pagar o piso ao magistério se ela apoiou os governos que mais contribuíram justamente para sucatear o salário da categoria?

Não é fácil mesmo resolver esse problema. Aí resta apelar para a incoerência e fazer uma manobra pra criticar sem se contradizer abertamente e, ao mesmo tempo, sem ficar mal com a opinião pública, o que aconteceria se defendesse que o governo simplesmente não pagasse o piso. O resultado é um texto publicado na Zero Hora deste domingo que deixa o governador sem alternativa: ou é irresponsável ou incoerente. Se correr o bicho pega; se ficar o bicho come.

Segundo a argumentação da colunista, não tem escapatória: ou Tarso dá o piso e é, portanto, irresponsável, já que o estado não tem dinheiro para isso; ou não dá o piso e é incoerente com seu discurso de campanha. O engraçado é que Rosane demonstra concordar com o governo, sabe que não tem como pagar o piso integral, mas não pode simplesmente dizer isso, porque aí estaria elogiando um governo que ela não apoia. Não pode, né. Mas por que ela não apoia um governo com o qual concorda?

E o Tarso é que é incoerente…

Mas não é tão difícil assim achar a explicação. Rosane não pode dizer que o governo tem que dar o piso, mesmo que pensasse isso, porque apoiou os governos anteriores, que não só não deram os R$ 1.451,00 como concederam reajustes pífios à categoria (e a todas as outras categorias do funcionalismo). Então, em vez de dizer que o governo atual está dando um reajuste histórico e valorizando a categoria como há muito tempo não se via, ela diz que ele está sendo incoerente.

É uma postura estranha essa, mas não incompreensível. É estranha porque não liga muito para o contexto, o que não condiz com o bom exercício da profissão. Mas não é incompreensível quando a gente pensa que os interesses do jornal não são mesmo fazer bom jornalismo e valorizar o cidadão gaúcho.


Ironicamente, ao contrário do que diz dos outros, é Zero Hora que é incoerente com o discurso. Mas é extremamente coerente com sua postura comprometida com o empresariado e com interesses neoliberais, que sempre adotou e mantém até hoje.


Extraído do blog Somos Andando

29 abril 2012

"PASSEI A RESPONDER ATRAVÉS DOS BLOGS E DAS REDES SOCIAIS PORQUE ESTA FORMA DE COLUNISMO É UMA ARMADILHA" - Marcos Aurélio Weissheimer



Em nota publicada neste domingo no site PTSul, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, respondeu à colunista política Rosane de Oliveira, do jornal Zero Hora, que neste domingo afirmou que o governador será “incoerente ou irresponsável” na solução para o tema do piso nacional do magistério. A nota afirma:

Pela segunda vez neste mês, um articulista de ZH utiliza o espaço do jornal para fazer ataques diretos a políticos do governo do Estado, reportando-se diretamente à pessoa do governador. Neste domingo, foi a vez da jornalista Rosane de Oliveira “sentenciar” que Tarso Genro será “incoerente ou irresponsável”, na solução para o pagamento do piso nacional do magistério. A colunista desconsidera o fato de que o governo da Unidade Popular Pelo Rio Grande adotou uma outra posição para retirar o estado da crise, que não a do governo anterior de criação do “déficit zero”, que diminuiu as funções do Estado, sucateou a administração pública e congelou salários.

Neste sábado, ao ler a coluna, quando voltava de mais uma edição da Interiorização de Governo, em Rio Grande, o governador fez algumas considerações sobre o novo episódio de ideologização da notícia, através do falseamento da verdade.

1- Sobre o Colunismo Político predominante

“É um certo tipo de colunismo político que ainda não se esgotou no país, mas que tende rapidamente a esgotar-se pela falta de credibilidade, pois ele vem perdendo a sua capacidade de transmitir informações e críticas fundadas. Ele perdeu a “fala” universal, que caracterizou os grandes colunistas políticos do país, com capacidade de informar e criticar com seriedade e passou a defender posições ideológicas dissimuladas, “adaptando” ou inventando os fatos, para contentar um público determinado –aquele que este tipo de jornalismo cativa, com seus malabarismos factuais e lugares comuns: os que adoraram as ideias do neoliberalismo que está levando a Europa à ruína e que, aqui, foram retratados no famoso “déficit” zero. Aliás, não é de graça que a colunista de política da Zero Hora é a mais saudosa do “déficit zero”, que não só paralisou o estado, mas aplicou um brutal arrocho salarial nos servidores, situação que agora estamos começando a reverter”.

2- As constantes criações de factóides e inverdades

“O mesmo estilo de jornalismo político que “define” que o governador será incoerente ou irresponsável, é o mesmo que inventou, por exemplo, que eu defendi uma posição contrária aos sistema de PPPs no caso da RS 10, quando, na verdade, defendi e defendo a PPP e tenho negociado com os prefeitos a adaptação para baratear a proposta. Nunca fui contrário a PPPs. O que sou contrário é que elas sejam apenas um negócio bom para as empresas e não atendam o interesse público. Sou, inclusive, um dos elaboradores da atual lei que rege as parcerias público-privadas no país, cuja redação foi comandada pelo Fernando Haddadd quando ele era Secretário do Ministério do Planejamento e eu era ministro do CDES, no primeiro governo Lula. Este tipo de jornalismo inventa, por exemplo, que prometi “mundos e fundos” para os servidores e que prometi pagar o piso dos professores imediatamente. Isso é uma deslavada inverdade, pois está gravado nos debates e está escrito numa carta remetida ao CPERS que nós criaríamos as condições para pagar o piso e que isto ocorreria de forma processual. Esta foi e é a minha posição.

Nunca prometi “mundos e fundos”, mas uma política de recuperação salarial que está sendo implementada, e que, aliás, está sendo criticada pela oposição, representada na coluna de ZH de domingo pelo presidente do PP e ex-secretário de Relações Institucionais do governo anterior, Celso Bernardi. Este jornalismo, recentemente, também inventou que a nossa proposta de aumento para uma parte da categoria dos professores era a mesma da governadora Yeda. E o fez rapidamente, sem ter a mínima noção do que é uma transação judicial. Omitiu deliberadamente que a posição do governo não exigiu nenhuma renúncia de direito pelos servidores do magistério; que a nossa posição não retira a proposta de alcançar o piso até 2014; que ela não exigiu a alteração do “quadro de carreira” e que o aumento atual constituiu-se, apenas, em mais um aumento -um adiantamento de aumento ao magistério. Ao dizer isso -que a nossa proposta era igual a da governadora Yeda- a colunista revela duas coisas: primeiro, que não se informou sobre o que estava acontecendo e, segundo, que se apressou a forjar uma suposta informação que confirmaria a nossa “incoerência”. Na verdade, quando ela fala em incoerência, quer é lembrar que o bom era o “déficit zero”. Por isso sua análise das nossas medidas salariais envolve dois extremos: critica os aumentos excessivos aos servidores e diz, ao mesmo tempo, que os aumentos -no caso dos professores- são insatisfatórios”.

3- Sobre a estratégia, pouco compreendida ou não aceita pela oposição ao nosso governo, de consolidar o Estado como indutor do desenvolvimento ecônomico e social

“A nossa estratégia, até agora, está dando certo: usar os recursos próprios para reorganizar a máquina pública que estava destruída e melhorar os salários dos servidores; buscar recursos do Governo Federal para investimentos -inclusive através do recebimento da dívida da União com a CEEE; buscar financiamentos no BID, no Banco Mundial e no BNDES; aumentar, com meios técnicos adequados, as receitas sem aumentar impostos; estabelecer uma política de relações internacionais para atrair investimentos produtivos; retomar o crescimento no estado tendo como ponto de partida a base produtiva local, voltados para a renovação da nossa base tecnológica; fazer um “déficit” responsável sem cair na armadilha neoliberal de reduzir políticas de proteção e promoção social, deixando os pobres a ver navios”.

4- A utilização das redes socias e dos blogs para responder à grande mídia

“Eu passei a responder através dos “blogs” e das redes, porque esta forma de colunismo que estamos falando é, também, uma armadilha: constrói fatos para promover a sua visão de mundo, de Estado e de política, e também quer monopolizar o debate, frequentemente só publicando parte das respostas daqueles que são alvos da suas invenções. Quando se tratam de matérias que contam fatos verdadeiros e que pendem, sobre ela, uma interpretação política, ideológica ou econômica, acho adequado que se responda pelo próprio jornal, quando ele permite a resposta, como, aliás, é o caso da Zero Hora”.

5- Direito de resposta também em tom crítico

Tenho respeito pela colunista Rosane de Oliveira. Acho que ela cumpre rigorosamente o seu papel crítico, que é esperado pelo jornal a que serve, que, como sabemos, não pode ser considerado simpatizante do projeto que nós, do PT e da esquerda, representamos. Mas ela merece, da nossa parte, a atenção e respeito que temos com todas as forças políticas democráticas do estado. Nem acho que se trata de má-fé, mas de miopia ideológica: se os fatos não tem confirmado que o Tarso é incoerente, mas, ao contrário, tem confirmado que temos aplicado o nosso programa de governo de forma coerente, é preciso “adaptar” os fatos e repetir a acusação de incoerência para, ao final, consolidar uma “verdade” pela repetição. E também, imediatamente, para salvaguardar a defesa do “déficit zero”, que sempre foi apresentado pela colunista como um exemplo de boa gestão pública”.

6- Sugestão

“Assim como fui cobrado como governador, também defendo que a colunista seja mais responsável e não crie falsas incoerências ou irresponsabilidades. Recomendo à ela, por exemplo, que leia todas as colunas do falecido Carlos Castello Branco, do Márcio Moreira Alvez e do grande Newton Carlos, paradigmas da seriedade no jornalismo político”.


Extraído do sítio RS Urgente

27 abril 2012

GOLEADA DAS COTAS RACIAIS E O CRITÉRIO DE NOTICIABILIDADE RACISTA DE ZERO HORA - Rodolfo Mohr

Ontem, dia 26 de abril, encerrou-se a votação no Supremo Tribunal Federal (STF), do ação proposta pelo partido Democratas, questionando a constitucionalidade das cotas raciais na Universidade de Brasília, como caso concreto, mas que visava o questionamento global do projeto das cotas raciais nas Universidades Públicas brasileiras.

A goleada de 10 x 0 só não foi maior porque o ministro Dias Toffoli se declarou impedido de votar, já que quando era advogado-geral da União já havia declarado apoio às cotas raciais. Foi mais uma derrota contundente do DEM, partido atolado na areia movediça da corrupção, e o terceiro passo histórico, em menos de um ano, do Supremo Tribunal Federal na consolidação da democracia brasileira, a partir do estabelecido pela Constituição Cidadã de 1988. Afirma ainda uma significativa vitória do movimento negro, na luta por políticas afirmativas que atenuem os efeitos da chaga da escravidão, que perdurou cerca de 350 anos e apenas há 124 declarou a abolição, recentemente em termos históricos. Ainda mais quando a política do fim do império era de branqueamento da população, com políticas afirmativas para atrair imigrantes europeus, em especial italianos e alemães.

Em maio de 2011, o STF reconheceu a união estável entre homossexuais. Esta decisão foi uma conquista marcante para o movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transsexuais e transgenêros) contra o preconceito e contra as religiões que os tratam como anormais, moralmente doentes. Realizando anualmente o maior movimento de massas do Brasil, a Parada do Orgulho de São Paulo registrou 4 milhões de participantes ano passado, conseguiram desde a decisão do STF o começo da afirmação de direitos civis fundamentais, ainda sonegados com a não criminalização da homofobia – está parada no Congresso o Projeto de Lei Complementar 122 que trata do tema – e com a ausência de uma educação pública voltada para a diversidade – o governo Dilma cedeu à pressão da bancada evangélica que exigiu o veto ao Kit Anti-homofobia, material didático voltado para a construção de uma educação que combata à discriminação aos LGBTs. Ainda significou um novo impulso para as demandas do movimento. O Deputado Federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) é o proponente da lei sobre o casamento igualitário civil, que prevê o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Mais informações no site casamentociviligualitario.com.br.


Neste mês de abril de foi declarado legal pelo STF o aborto de fetos anencéfalos. O debate permeado pela moral, religião, ciência e direito conseguiu furar o senso comum conservador, que abordava o tema como a defesa da vida. Onde está o começo da vida? É possível interromper uma vida somente pela vontade da mãe? A sociedade brasileira foi inundada no segundo turno das eleições de 2010, pela visão religiosa, portanto de foro privado, contaminar a esfera pública. José Serra, na ânsia desesperada de angariar o voto da direita mais conservadora, apelou em “defesa da vida” e contra a autonomia da mulher sobre o seu próprio corpo. Os ministros do Supremo por 8 x 2 decidiram pela descriminalização do aborto de anencéfalos, fetos sem cérebro, portando sem vida. Isso potencializou a luta feminista pela legalização do aborto, que esta seja uma decisão das mulheres, amparadas pelo Estado, respeitadas pela sociedade. As mulheres ganharam novo impulso para terem o direito de decidir livremente.

Finalmente, chegamos as edições dos jornais brasileiros de hoje, 27 de abril. Vamos nos deter as duas mais reconhecidas do Rio Grande do Sul: Correio do Povo e Zero Hora. O Correio do Povo utilizou o critério da relevância para escolher sua manchete, Zero Hora optou pela proximidade, nome que se utiliza no jornalismo para o bom e velho bairrismo.

No Correio: “STF vota a favor das cotas raciais”. A imagem destacada na capa é a do índio guarani Araujo Sepetti que protestou pelos direitos indígenas durante a sessão do STF. Além disso, outras chamadas secundários com fotos ou sem, que tratavam do imposto de renda, do Presídio Central e do tema principal da agenda política gaúcha, o pagamento do piso nacional dos professores sob a cartola “Magistério” e sob o título “Cpers/Sindicato acusa o governo”.

Na Zero Hora, a manchete principal: “Estado paga R$ 1.451 a magistério, mas não cumpre a lei do piso”. A foto destacada sob o título “Guardiães do aeroporto” é a imagem de uma ave (falcão ou gavião, não sei a diferença) que caçam passarinhos que atrapalham os vôos do aeroporto Salgado Filho. A notícia mais relevante do país, a votação das cotas no STF é apresentada num canto, entre a manchete e a foto em destaque. Sob a cartola “Decisão”, o título “Supremo aprova as cotas em universidades”.


Poderíamos concluir que para Zero Hora o tema das cotas não são importantes. Entretanto, a essa conclusão só pode chegar o leitor desatento. Aos que acompanham a discussão das cotas sabem que Zero Hora privilegia este como um debate central. Polemizou com a UFRGS, com o movimento negro, com o movimento estudantil e com todos que apoiaram as cotas. Deu voz a meia dúzia de supostos líderes estudantis anti-cotas. O grupo RBS, realizou alguns programas Conversas Cruzadas da TVCom, seu principal programa de debates, para o tema. Hoje, no programa Polêmica da Rádio Gaúcha este foi o tema. O vestibular da UFRGS foi objeto de contestação pelo jornal na edição de 26 de janeiro de 2012, quando foi corrigido o ponto de corte para os vestibulandos cotistas. Em Zero Hora, uma pessoa com a bandeira contra as cotas tem mais visibilidade do que a decisão da máxima corte do judiciário brasileiro. Na matéria da página 36, podemos fazer a análise de conteúdo quantitativa e qualitativa e chegaremos a conclusão da desproporção das fontes e o desequilíbrio anticotas. Zero Hora não faz questão de esconder um critério de noticiabilidade que está acima dos fatos, acima das notícias: o racismo editorializado pela omissão, ocultamento, inversão do secundário e do primário. Temas que estão teoricamente organizados por Perseu Abramo no seu “Padrões de manipulação da grande imprensa”, indispensável leitura para ser aprender ler a grande imprensa.


Extraído do sítio Rodomundo

25 abril 2012

A FALÁCIA DA LIBERDADE DE IMPRENSA - Cristina Rodrigues

Foto: Diego Vara
O post de hoje tem como base a palestra do presidente do Grupo RBS no Fórum da Liberdade. Desculpem, caros leitores, mas vou chover no molhado. O sujeito em questão, que atende pelo nome de Nelson Sirotsky, faz insinuações contra deputados que, segundo ele, atentam contra a liberdade de imprensa ao propor leis “direcionadas à produção da mídia brasileira”, segundo o site Comunique-se.

Ele não citou nomes de parlamentares, mas foi bem explícito ao criticar o governador, Tarso Genro, o mesmo que responde pela concessão de gordo patrocínio do governo ao grupo que exerce o monopólio da comunicação no Rio Grande do Sul. O alvo da crítica foi, claro, o Conselho de Comunicação, cuja discussão está correndo no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Para Sirotsky, “qualquer ‘regulação’ para o setor de mídia tem o objetivo de interferir no trabalho de jornalistas e veículos de comunicação”. Deve ser muito bom esse curso de comunicação nas universidades do país, a ponto de formar gente que não erra. Nunca.

Engenheiros, médicos, advogados, biólogos, dentistas etc. etc. têm órgãos de regulação do exercício da profissão. Por que os jornalistas são tão especiais? A profissão é tão importante quanto as outras citadas, e por isso é tão importante que ela seja exercida da melhor forma possível. É por isso que as profissões têm conselhos.

E olha a contradição: “Para o presidente da RBS, o povo é quem deve debater sobre o tema de controle da imprensa”. Pois bem, meu caro, é justamente para propôr um debate com representatividade de diversos setores da sociedade que o conselho precisa existir. O povo, quando organizado, incomoda, daí não vale mais. O povo pode decidir, desde que quieto.

O que precisamos, ao contrário, é brigar pela maior representatividade do Conselho de Comunicação gaúcho, por enquanto se encaminhando para uma discussão muito acanhada, dominada pela mídia corporativa.

Imprensa concentrada não é livre

A crítica do chefe do monopólio de comunicação do RS baseia-se no conceito de liberdade de expressão, aliado ao de liberdade de imprensa. Ele engana-se (ou melhor, tenta enganar seu leitor) ao acreditar que o que temos hoje é imprensa livre. Apesar de a pobreza ter diminuído no Brasil, nenhum novo grupo alcançou um patamar significativo no cenário das comunicações. Ela continua sendo controlada por cerca de dez famílias. E não há liberdade sem igualdade.

Se, num país de 190 milhões, dez famílias dizem o que é ou não notícia (e todas representativas do mesmo espectro social de interesses), não há liberdade de imprensa.

O ClicRBS destacou essa citação do patrão: “Como não acreditar numa democracia cuja imprensa denuncia com a mesma ênfase um escândalo como o do Mensalão, que envolveu políticos ligados ao governo, e um episódio como o do senador Demóstenes Torres, até então uma das lideranças mais fortes da oposição?”. Como acreditar em democracia, perguntaria eu, quando a revista de maior tiragem no país, dedica capa ao mensalão, ocorrido sete anos antes, no momento em que o senador Demóstenes Torres, uma liderança da oposição, está sob fortes denúncias de corrupção? Nota-se uma diferença grande entre os dois episódios, aliás. No segundo, a imprensa estava envolvida não só no crime de desinformar, como no delito em si.

A matéria do Comunique-se encerra assim: “O empresário defendeu a ética jornalística e os valores que fazem parte da profissão – como apuração e produção isenta de conteúdo”. Bom, aí só nos resta rir.

Extraído do blog Somos Andando