Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens

19 março 2013

UMA MULTINACIONAL - Filipe Diniz


Como é que uma estrutura profundamente formatada - segundo a observação de Gramsci - pelo papel dos eclesiásticos enquanto intelectuais orgânicos do mundo feudal, e que mantém a hierarquia (com os seus “príncipes”) estruturada ainda sobre esse modelo, permanece a “multinacional de maior sucesso” na fase imperialista do capitalismo?

Toda a gente opina sobre a questão do novo Papa. Para quem está de fora, suscita uma certa perplexidade que a generalidade das opiniões seja acerca de questões que não pareceriam propriamente ser do foro de uma instituição religiosa: actividades bancárias obscuras, escândalos de diverso tipo, intrigalhada de todo o género.

É tal a predominância desses temas que os textos mais interessantes são aqueles que não estão com rodeios, mesmo que o façam com ironia. É o caso de um (“Pope, CEO”,“The Economist”, 9.03.2013) que começa com o seguinte e lapidar parágrafo: “A igreja católica romana é a mais antiga multinacional do mundo. É também, em muitos aspectos, a de maior sucesso, com 1,2 mil milhões de clientes, dezenas de milhões de voluntários, uma rede de distribuição global, um logotipo universalmente reconhecível, um polimento sem rival no lobbying e, suscitando os melhores auspícios para o futuro, uma actuação de sucesso junto dos mercados emergentes”.

Para o autor do artigo esta multinacional, se tem problemas, só precisa de seguir o exemplo das outras multinacionais para os ultrapassar. Se estão a braços com escândalos, montam uma campanha de relações públicas para convencer os seus clientes e empregados de que os estão a resolver. Se há a questão das operações bancárias obscuras, é subcontratar as actividades como fazem a IBM e a Ford, em vez de ter um banco próprio (“o único no mundo que tem máquinas multibanco com instruções em latim”). E se querem consolidar o sucesso nos mercados emergentes, têm que instalar quartéis-generais nos locais, como fez por exemplo a Cisco criando uma nova sede em Bangalore.

Este artigo, sob a sua inteligente ironia, coloca reflexões bem interessantes. Uma delas é como é que uma estrutura ainda profundamente formatada - segundo a observação de Gramsci - pelo papel dos eclesiásticos enquanto intelectuais orgânicos do mundo feudal, e que mantém a sua hierarquia (com os seus “príncipes”) estruturada ainda sobre esse modelo, permanece a “multinacional de maior sucesso” na fase imperialista do capitalismo? A resposta talvez esteja exactamente aí: esse sucesso não resulta das suas formas organizativas, mas de uma milenar aliança histórica com as classes dominantes.

* Este artigo foi publicado no «Avante!» n.º 2050, 14.03.2013.

Extraído do sítio O Diário.info

26 fevereiro 2013

MERCENÁRIOS: UM MERCADO DE NICHO BASTANTE LUCRATIVO - Frédéric Burnand

Agentes da Blackwater no Iraque em 1995. (AFP)

Ao reduzir os efetivos e os orçamentos militares, os países europeus terceirizam inúmeras tarefas a empresas militares privadas. Segundo o especialista Alexandre Vautravers, essas companhias, principalmente as americanas, recebem fortunas pelo seu trabalho.

Desde os anos 1990, os exércitos europeus e dos Estados Unidos são apoiados por empresas militares privadas para cumprir tarefas que não são mais capazes de executar, especialmente na Europa.

Diretor do departamento de Relações Internacionais na Universidade Webster de Genebra, redator-chefe da Revista Militar Suíça, Alexandre Vautravers explica as razões.

swissinfo.ch: Como explicar o crescimento das empresas militares privadas? 

A.V.: As empresas militares privadas trabalham essencialmente nos mercados de nicho, seja as atividades que as forças armadas convencionais não querem ou não podem assumir. Militares custeados durante anos não são forçosamente rentáveis, segundo os responsáveis da defesa, que preferem então confiar a essas empresas toda uma série de tarefas de intendência e logística. Durante a guerra do Iraque, contratos extremamente lucrativos na área de lavanderias, higiene e limpeza foram assinados pelo Exército americano.

Essas empresas obtêm igualmente muitos contratos para a proteção de pessoas ou de construções, onde o engajamento de militares profissionais, treinados e fortemente equipados, nem sempre se justifica.

Enfim, elas ocupam as lacunas e a falta de pessoal qualificado. É o caso, por exemplo, dos pilotos de helicóptero. As forças armadas formam pilotos, mas eles não ficam muito tempo nos seus postos já que os salários na iniciativa privada são muito melhores. Então, para cumprir determinadas missões, os exércitos são obrigados a suprir suas carências através dessas empresas, contratando pilotos formados por elas próprias.

swissinfo.ch: Mas é realmente mais barato terceirizar esses serviços através de empresas militares privadas? 

A.V.: Suas tarifas são bastante elevadas. Como ressalta Joseph Stieglitz no seu livro "Three trillions dollars war" ("Guerra de três milhões de euros", 2008), seus custos são de duas a quatro vezes mais elevados do que nos exércitos regulares. Para algumas atividades bastante específicas no Iraque, essa proporção pode ir de um a dez.

Mas é preciso levar em conta que os contratos firmados com as empresas privadas podem ter uma duração bastante limitada, o que é difícil com um exército profissional, como nos Estados Unidos, França ou Alemanha, onde os contratos duram geralmente de três a cinco anos. A isso é necessário acrescentar a pressão política em todos esses países para reduzir os efetivo e, sobretudo, os custos. Nas forças armadas profissionais na Europa, de 60 a 70% do orçamento da defesa são gastos em salários.

swissinfo.ch: Estamos vivendo então uma forma de privatização da guerra? 

A.V.: De certa forma, sim. Porém essa privatização não é necessariamente apreciada por esses exércitos. Ela resulta da redução dos orçamentos de defesa dos países europeus. Um exemplo: desde 2010, o orçamento de defesa do Reino Unido sofre cortes bastante importantes. Assim o reabastecimento em voo está sendo operado, em parte, por uma sociedade militar privada. O mesmo acontece na guerra eletrônica: são empresas privadas que apoiam o exército britânico e lhe permite de conduzir a chamada "cyber-guerra".

Mesmo as operações de salvamento em mar, efetuadas até então pelos helicópteros da Royal Air Force, serão abandonadas por serem caras demais e assumidas por quatro empresas civis.

swissinfo.ch: O que ocorre nos Estados Unidos, o primeiro mercado dessas empresas militares? 

A.V.: O mercado americano é muito diferente. O orçamento para defesa dobrou entre 1997 e 2007 para chegar ao recorde, fazendo com que os EUA respondessem por 52% das despesas militares mundiais antes de primeira eleição de Barack Obama. A administração do presidente Bush fez um uso massivo das empresas privadas nas guerras do Afeganistão e do Iraque para preencher o fosso entre os objetivos fixados e a realidade do terreno.

A administração Obama tentou várias vezes de contrapor a essa tendência, participando notadamente da iniciativa de Montreux ou através do seu código de conduta para as empresas militares privadas. A partir de 2010 houve fortes pressões da administração para reduzir o número de empresas militares privadas, particularmente no Afeganistão. Isso irritou especialmente o governo afegão, que utilizava essas companhias para a proteção do presidente Karzaï, especialmente em época em que estavam reconstruindo o exército e a polícia afegã.

Uma série de atividades continua sendo terceirizada: infraestrutura, logística, guerra eletrônica, espionagem, pilotagem de aviões teleguiados, dentre outros. Os Estados Unidos continuam sendo o principal fornecedor de companhias militares privadas. Muitos antigos militares americanos criam a suas próprias companhias ou procuram trabalha nelas.

E muitas empresas estabelecidas na África e nos países do Golfo são, em sua grande maioria, americanas mais ou menos disfarçadas, interessadas em não ter a sua sede nos Estados Unidos.

Alexandre Vautravers
(rts.ch)
swissinfo.ch: Os países emergentes também utilizam serviços dessas empresas privadas? 

A.V.: A tendência é diferente nesses países pela simples e boa razão que os países emergentes dão uma importância muito grande ao princípio de soberania do Estado, em particular do seu monopólio de força legítima, ao contrário dos países ocidentais.

Com essa concepção mais clássica da defesa e das forças armadas, esses países estão em uma lógica de reforço das forças armadas nacionais, não na de terceirização para empresas militares privadas.

As empresas militares privadas estão assim presentes paradoxalmente nos dois extremos do espectro da defesa: nos países pós-industriais, ricos, mas onde a estrutura da defesa diminui - e nos países em via de desenvolvimento, pobres, e que dependem do apoio exterior. 

Vontade de controle na Suíça

Em janeiro de 2013, o governo suíço colocou em consulta um projeto de lei visando proibir às empresas de segurança estabelecidas na Suíça de participar diretamente em hostilidade no contexto de um conflito armado no exterior.

No fim de 2005, o governo suíço adotou um relatório sobre as empresas militares e empresas militares privadas (EMP). Ele encarregou o ministério das Relações Exteriores (DFAE) de lançar um processo em nível internacional para promover o respeito do direito internacional humanitário e dos direitos humanos pelas empresas militares e de segurança privadas operando em zonas de conflitos.

A publicação do que foi conhecido como "Documento de Montreux" é o primeiro resultado obtido conjuntamente pelo DFAE e o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICR).

Em nove de novembro de 2010, 58 empresas de segurança privadas se reuniram para assinar um código de conduta internacional na qual elas se engajam em respeitar os direitos humanos e o direito internacional humanitário.

Em janeiro de 2013, 592 dessas empresas privadas haviam assinado o código de conduta. O faturamento da indústria militar privada está avaliado em 100 bilhões de dólares por ano.

Extraído do sítio Swissinfo.ch

21 fevereiro 2013

O MITO DO CAPITALISMO "NATURAL" - Rafael Azzi

Há séculos, ideia de que ser humano é “em essência” egoísta-competitivo justifica relações capitalistas. Descobertas recentes estão derrubando tal crença.

Marinus van Reymerswaele, O banqueiro e sua esposa

O modelo capitalista de sociedade premia e estimula o comportamento individualista, utilitário e egoísta. Diversos pensadores, como o economista Alan Greenspan, acreditam que tal comportamento apenas reflete a verdadeira essência da natureza humana e, portanto, não há muito a fazer a respeito. Entretanto, essa visão do ser humano foi moldada ao longo da história e, na verdade, os estudos de hoje discordam da noção de que somos essencialmente individualistas e agressivos.

Alguns filósofos, como Thomas Hobbes, John Locke e Adam Smith, contribuíram para a consolidação da ideia de que o ser humano é, por natureza, racional, autônomo, utilitário e voltado principalmente para a satisfação egoísta de seus próprios interesses. As principais instituições políticas e econômicas que hoje moldam a sociedade foram fundadas a partir desses preceitos sobre a natureza humana.

O modelo social adotado pelos princípios capitalistas põe em cena uma perspectiva de Estado-Nação que tem como objetivo estimular as forças do livre mercado e proteger a propriedade privada. O homem é então considerado um indivíduo autônomo e racional que, ao optar por viver em sociedade, acredita que esta é a melhor forma de proteger seus próprios interesses, evitando assim um estado de selvageria natural representado pela expressão hobbesiana “guerra de todos contra todos”.

Da mesma forma que os indivíduos proclamam sua autossuficiência, os Estados são vistos na política internacional como autônomos na busca do próprio interesse. Sob tal perspectiva, as nações encontram-se em eterna batalha em busca de poder e de bens materiais. A narrativa histórica é construída a partir de uma constante dicotomia estabelecida entre Estados e indivíduos isolados, público e privado, termos ocasionalmente unidos apenas por razões de utilidade ou de lucro.

O mito do homem que sobrevive como indivíduo é difundido na literatura universal em heróis como Robinson Crusoé: o homem que consegue, sozinho, através do uso da razão, utilizar a natureza a seu favor e sobrevive sem o auxílio de outras pessoas. Porém, o que não está dito é que Crusoé é um homem adulto, que cresceu em uma sociedade complexa, na qual dependia diretamente de outras pessoas. Além disso, ele apenas aprendeu os conhecimentos necessários para a sua sobrevivência na ilha deserta através do contato com experiências de outras pessoas e outras gerações.

Essa visão filosófica, que se transformou em política, foi naturalizada por um conjunto de teorias científicas. O darwinismo social é uma interpretação estreita da teoria de Darwin aplicada à sociedade humana. Tal teoria enfatiza a ideia de que a evolução se relaciona à competição e à sobrevivência do mais forte, pondo-a em prática na sociedade humana. Dessa forma, características como individualismo, agressividade e competição seriam os agentes naturais da evolução. Argumenta-se que a competição pela sobrevivência fundamenta a evolução humana, a fim de justificar a sociedade capitalista como o modelo natural a ser adotado.

Atualmente, tal noção é considerada bastante reducionista. Já se observou, por exemplo, que não apenas a competição mas também a cooperação entre os indivíduos são fatores de extrema importância na sobrevivência de espécies sociais. Recentes estudos de sociobiologia vêm comprovando a hipótese de que o ser humano é, na verdade, um dos animais mais sociais que existe. Não é difícil comprovar esse fato: vivemos em grupos cada vez maiores, em sociedades cada vez mais complexas com indivíduos interdependentes. Temos a necessidade constante de nos sentir conectados a outras pessoas e de pertencer a um grupo, em um sentimento que remonta às ideias ancestrais de coletividade e de comunidade.

Uma descoberta biológica recente vem corroborar essa ideia. Os neurônios-espelhos fazem parte de um importante sistema cerebral que atua diretamente em nossa conexão com outros indivíduos. Esse conjunto de neurônios é mobilizado quando vemos outra pessoa fazendo algo. Pesquisadores constataram que, quando uma pessoa observa outra realizando uma ação, no cérebro do observador são estimuladas as mesmas áreas que normalmente regem a ação observada. Portanto, ao que tudo indica, nossa percepção visual inicia uma espécie de simulação ou duplicação interna dos atos de outros.

Os neurônios-espelhos são a base do aprendizado e da aquisição da linguagem humana. Mais do que isso, eles tornam fluida a fronteira entre nós e os outros; são a origem da empatia, que é a capacidade de nos colocar no lugar de outra pessoa. Pode-se dizer que, ao observar alguém sorrindo, imediatamente nos sentimos impelidos a sorrir também. Quando percebemos alguém que está em uma situação que causa dor, a reação natural é partilhar o sentimento de dor alheia.

A capacidade empática e a necessidade de fazer parte de um grupo formam as bases, por assim dizer, das religiões organizadas e do sentimento de nacionalismo. O problema é que, ao mesmo tempo em que fomentam a empatia coletiva, estas instituições limitam o sentimento empático pelos indivíduos que não fazem parte do mesmo grupo. Assim, o indivíduo que faz parte de outra ordem — seja ela uma nação, uma religião, uma etnia ou uma classe social — é considerado diferente, distante e, eventualmente, intolerável. Tais rótulos limitam a capacidade empática e impedem de ver o outro como um semelhante na partilha de sentimentos, desejos e angústias intrínsecos à natureza humana.

Um exemplo de que a empatia é natural ao ser humano é a forma como ela ocorre de maneira livre e instintiva nas crianças. Quando uma criança observa outra pessoa em situação desfavorável, como a mendicância e a falta de moradia, a primeira reação é o questionamento. Invariavelmente, as respostas que fazem uso de rótulos auxiliam a explicar a situação: “é apenas um mendigo” ou “é só um menino de rua”. Com frases assim, está-se afirmando que o outro não é alguém como nós; trata-se apenas de alguém diferente, em uma realidade distante da nossa. Portanto, ao estimular constantemente o egoísmo e o interesse individualista, a sociedade baseada no modelo atual desestimula a capacidade empática existente em cada um.

Dessa forma, pode-se afirmar que o desafio do nosso tempo é desnaturalizar o egoísmo social que foi imposto e recuperar nossa empatia natural, não apenas em relação aos grupos de pertencimento, mas sobretudo ampliada em relação a toda nossa espécie.

* Originalmente publicado no blog Outras Palavras.

Extraído do sítio Portal Vermelho

28 janeiro 2013

Davos 2013: EXTRATERRESTRES, SUPERCAPACIDADES HUMANAS, IMORTALIDADE - Yulia Zamanskaya

EPA

Para além de questões econômicas tradicionais, a agenda do Fórum Econômico Mundial em Davos inclui tais temas como utilização não controlada de tecnologias da engenharia genética, intervenção médica no cérebro humano, prolongamento artificial da vida humana, existência de civilizações extraterrestres. As discussões, preparadas com o apoio da revista Nature, são denominadas X-Fator e parecem mais com um cenário de filme de ficção científica.

Na opinião de cientistas, a humanidade terá em breve medicamentos capazes de provocar supercapacidades nos homens. Tanto que cientistas estão desenvolvendo atualmente remédios contra tais males como a doença de Alzheimer e a esquizofrenia, no futuro, provavelmente, poderão aparecer medicamentos que estimulem a atividade mental nas pessoas comuns.

Cientistas concordam que as supercapacidades humanas podem ser impulsionadas com a ajuda de engenhos eletrônicos altamente tecnológicos: as experiências mostraram que a atividade cerebral e a memória podem ser melhoradas com a ajuda de aparelhos eletrônicos implantados no organismo humano. Mas tal método é tecnologicamente complexo e é pouco provável que ele seja acessível para uma pessoa comum, diferentemente dos preparados médicos. Contudo, na opinião de cientistas, a neurobiologia alcançará um novo nível dentro de dez anos e sensores eletrônicos implantados no cérebro serão largamente divulgados. Pergunte-se contudo: será ético dividir a sociedade em aqueles que podem permitir-se melhorar a atividade cerebral e aqueles que não podem fazê-lo? Será possível vender livremente tais preparados e será necessária uma base legislativa para tal?

Outro tema de discussões é o aumento dos problemas ligados ao crescimento da duração da vida humana. Medicamentos de última geração permitiram prolongar em 35% a vida de pessoas. Este fator positivo é acompanhado de perdas financeiras relacionadas com pagamentos sociais e de superpopulação do planeta.

Segundo especialistas, a eutanásia é a única solução do problema, porque, graças ao desenvolvimento da medicina, mesmo as pessoas mais fracas e doentias podem viver até 90-100 anos, o que contraria a lei da natureza de que sobrevivem os mais fortes.

O tema mais extraordinário de discussões é a existência de civilizações extraterrestres. Os peritos do Fórum concordam que a humanidade poderá descobrir planetas habitadas em resultado da exploração do espaço e apela a que a comunidade mundial se prepare para um encontro com uma civilização extraterrestre e avalie as potenciais ameaças deste contato. Por outro lado, será necessário formar serviços especiais para descobrir civilizações extraterrestres que possam prevenir ameaças vindas do cosmos.

No entanto, como afirmam muitos peritos, a descoberta de uma razão extraterrestre não alterará muito a vida humana. Embora este seja um acontecimento sensacional, é pouco provável que ele influa imediatamente na vida humana. No entanto, a longo prazo, poderá mudar a consciência psicológica e filosófica das pessoas. Mesmo o descobrimento de um vestígio de vida num outro planeta provocará conversas sobre a possível existência da vida no universo, o que, por sua vez, irá frustrar os princípios da filosofia e da religião, consideram os peritos do Fórum.

Extraído do sítio Voz da Rússia

23 janeiro 2013

KRUPP: DUAS OU TRÊS LIÇÕES SOBRE CAPITALISMO - Saul Leblon


Celso Furtado dizia que o carrasco das nações no mundo globalizado era a perda dos instrumentos endógenos de decisão.

Sem eles tornar-se-ia virtualmente impossível subordinar os interesses do dinheiro aos da sociedade.

A reinvenção dessa prerrogativa seria quase uma pré-condição para regenerar a agenda do desenvolvimento no século 21. 

O fato de o Ministério do Planejamento no Brasil ter se reduzido a uma sigla ornamental, ilustra o quanto a sociedade ainda se ressente desse difícil processo de reconstrução. 

O fiasco do projeto siderúrgico da Krupp (Tyssenkrupp) no país é mais uma evidência da visão arguta de Furtado, cuja pertinência histórica a ortodoxia nativa desdenha e inveja.

Fundada em Essen, há 201 anos, a lendária siderúrgica alemã, anexada por Hitler ao esforço de guerra nazista, está se desfazendo de uma unidade no Rio de Janeiro.

A Companhia Siderúrgica do Atlântico começou a ser planejada pela Tyssenkrupp em 2005; entrou em operação em 2010 e custou US$ 15 bi.

A previsão de produzir cinco milhões de toneladas de placas de aço por ano revelou-se um fracasso.

Não um fracasso qualquer.

O tropeço da gigante alemã no país condensa algumas coisas que os crédulos dos mercados racionais e autorreguláveis precisam aprender sobre o capitalismo. 

A CSA nasceu como uma perfeita obra da globalização do capital.

Nela, como se sabe, nações e povos figuram como mero substrato logístico ou entreposto de insumos baratos. 

Arcam com as externalidades do projeto e participam de forma lateral dos lucros.

Mas são coagidos a engolir o grosso dos prejuízos quando ele ocorre.

É o caso.

Num país com 8,5 milhões de quilômetros quadrados, a CSA foi erguida sobre um solo pantanoso, ao lado de um mangue, na Baia de Sepetiba, zona oeste do Rio de Janeiro.

A escolha singular elevou em cerca de 60% o custo de implantação. 

Exigiu um exército de bate-estacas para as fundações que mobilizariam quase um terço da oferta desses equipamentos na região.

Havia lógica, a do dinheiro, por trás da aparente excentricidade.

Ocupar um terreno próximo à fonte de matéria-prima, trazida do Espírito Santo pela Vale do Rio Doce (sócia com 23% do capital), era uma motivação.

A disponibilidade de um porto exclusivo para intenso movimento de embarques rumo aos EUA, outra.

Uma siderúrgica complementar à CSA foi erguida pela Krupp no Alabama. As placas brutas enviadas de Sepetiba seriam laminadas nessa unidade para abastecer o parque automobilístico norte-americano.

A indústria automotiva dos EUA entrou em coma com o colapso da ordem neoliberal em 2008. 

A espiral recessiva desligou seus altos-fornos e criou um elefante branco no Alabama. 

A mesma condição foi estendida à siderúrgica gêmea brasileira.

Os impactos sociais e ambientais do projeto, porém, permanecem ativos.

Reportagem de Carta Maior durante a Rio+ 20, no ano passado, revelou que, entre outras 'externalidades', a localização inadequada contaminou o mangue e o mar com resíduos de metais despejados pela usina.

A vida marinha, a pesca e o turismo local foram golpeados.

Em novembro último, a CSA foi multada em R$ 10,5 milhões de reais pela secretaria estadual de meio ambiente do Rio.

Motivo: ter proporcionado aos moradores locais e à vida aquática um evento tóxico conhecido pelo nome poético emprestado aos fogos de artifício: 'chuva de prata'.

Nem a população de Sepetiba, nem o Brasil, tampouco os metalúrgicos do Alabama tem motivos para estourar fogos diante do fiasco global da Tyssenkrupp.

O stop lost no monitor da empresa na Alemanha já decidiu como resolver o seu problema específico no Brasil. 

A Krupp resolveu vender o elefante branco a um grupo local e pressiona o BNDES a financiar o negócio da hora: uma planta ociosa num mundo que convive com um excedente de 500 milhões de toneladas de aço. O equivalente a um ano de produção da siderurgia chinesa. 

Colosso de planejamento dos mercados racionais

Quando o conservadorismo ataca o governo por 'eleger vencedores', grupos financiados com empréstimos favorecidos pela TJLP, o juro real negativo do BNDES, certamente não se refere a esses casos ilustrativos.

Neles, os vencedores são os capitais globalizados cantados em verso e prosa pelos críticos do 'intervencionismo da Dilma' . 

O grande perdedor, menos lembrado, é justamente a nação, desprovida - ainda - de planejamento público, bem como de salvaguardas estatais demonizadas pelos sacerdotes dos livres mercados.

A Krupp seguir a mais essa aventura do capital, como já aconteceu em outras oportunidades.

A pioneira da siderurgia alemã não sobreviveria por dois séculos se não encarnasse a própria essência mutante do capitalismo. 

Escrúpulo não é um ingrediente da receita. 

A mesma empresa que inventou o aro inteiriço das rodas de trens em meados do século IXX, distinguiu-se na fundição de canhões, que abasteceriam os exércitos alemães derrotados na Primeira Guerra.

Sob o nazismo, o complexo Krupp não desperdiçaria oportunidades e sinergias.

Anexado ao esforço de guerra de Hitler, exibiria notável poder de adaptação.

A contabilidade da empresa registra então um momento de virtuosa produtividade, vitaminada pela mais valia absoluta de dezenas de milhares de trabalhadores gratuitos. 

Escravos, recrutados diretamente dos campos de concentração nazistas.

Extraído do sítio Carta Maior

02 janeiro 2013

APESAR DA CRISE, 100 MAIS RICOS DO MUNDO GANHARAM US$ 241 BILHÕES EM 2012

No topo da lista da Bloomberg está o magnata mexicano Carlos Slim, com uma fortuna avaliada em 75,2 bilhões de dólares

Com efeitos avassaladores sobre a população mundial desde sua eclosão, em setembro de 2008, a crise econômica foi bastante positiva em 2012 para os bilionários do planeta, conforme revela resumo anual da agência Bloomberg, publicado nesta quarta-feira (02/02). As 100 pessoas mais ricas do mundo ganharam 241 bilhões de dólares no ano que passou, ou, de acordo com comparação feita pelo jornal Publico.es, tudo o que a Espanha – um dos países mais atingidos pela crise – gastou com aposentadorias, desemprego, saúde e benefícios sociais em 2012. Todas as fortunas juntas somam agora 1,9 trilhões de dólares.

No topo da lista da Bloomberg está o magnata mexicano Carlos Slim (à esquerda), com uma fortuna avaliada em 75,2 bilhões de dólares. As receitas de suas empresas de telecomunicação, imobiliárias e as ações em grupos de comunicação cresceram 21,6% no ano passado.

Slim, que é proprietário da Telmex, o que lhe dá o monopólio das comunicações no México, têm também numerosos negócios na Espanha. Em 2011, o milionário se tornou um dos sócios privados mais importantes do CaixaBank e em 2012 passou a ser acionista majoritário do time de futebol Real Oviedo Club.

De acordo com a publicação, somente 16 dos 100 maiores magnatas do mundo tiveram perdas no ano passado. Na verdade, como escreveu à Bloomberg em um e-mail com seu Blackberry, deitado em uma espreguiçadeira nas Bahamas, John Catsimaditis, proprietário do Red Apple Group INC, "esse foi um ano estupendo para os bilionários". O saudita Alwaleed bin Talal Al Saud e o chinês Lee Shau Kee engrossaram seus imensos patrimônios em 65,2% e 42,4%, respectivamente.

A publicação afirma que o espanhol Amancio Ortega, de 76 anos, fundador do grupo têxtil Inditex, do qual faz parte a rede Zara, foi o bilionário que mais aumentou sua fortuna em 2012, com ganho de US$ 22,5 bilhões ao longo 2012, até atingir um total de US$ 57,5 bilhões - aumento de 63% em relação ao ano anterior.

O antes homem mais rico do mundo, Bill Gates, continua sendo o número dois da lista, a exemplo de anos anteriores. O cofundador da Microsoft aumentou sua fortuna em 12,6% e conta com um patrimônio de 62,700 bilhões de dólares. Entre os primeiros 40 da relação da Bloomberg, somente a empresária do ramo da mineração, Gina Rinehart, viu seu patrimônio encolher.

O quarto lugar é de Warren Buffett, investidor do mercado financeiro, que desde o começo da crise pediu sanções legais contra banqueiros e solicitou ao presidente Barack Obama várias vezes para que subisse os impostos das grandes fortunas. "Claro que há luta de classes. Nós, os ricos, a começamos e estamos ganhando”, afirmou. Buffett tem um patrimônio de 47,9 bilhões de dólares.

Também está na lista, na colocação 23, Sheldon Adelson, magnata dos cassinos e um dos principais financiadores da campanha do candidato republicanos à Presidência dos EUA, Mitt Romney. Com uma fortuna de 22,700 bilhões de dólares, Adelson aumentou o patrimônio em 14,2% no último ano.

Extraído do sítio Opera Mundi

27 agosto 2012

CACETADAS (INTELECTUAIS, BEM ENTENDIDO) NAS FRASES FEITAS - José Dirceu

A entrevista que o Fernando Nogueira da Costa concedeu a Eleonora de Lucena, da Folha (“Concentração está no DNA dos bancos, diz economista”), é uma mostra do que está no livro lançado por ele sobre a história dos bancos no Brasil, com o sugestivo (e irônico, segundo o autor) título “Brasil dos Bancos”.

Fernando, que é um dos nossos clunistas fixos aqui do blog, já foi professor da presidenta Dilma Rousseff, ex-dirigente da Caixa Econômica Federal e da FEBRABAN (federação dos bancos) e atualmente é professor da UNICAMP, dá umas boas cacetadas no pensamento baseado em frases feitas, por exemplo de que os bancos não podem ser grandes demais.

“É uma ingenuidade histórica essa discussão nos EUA de que é preciso fragmentar os bancos para que eles não sejam grandes demais para quebrar. Os clientes querem bancos grandes demais que não possam quebrar”, diz, em uma das respostas.

Porém, ter grandes bancos não quer dizer deixá-los ao deus dará. Veja: “A lógica da liberalização anterior, quando a fiscalização se afrouxou, deixando a autorregulação para o mercado [é que gerou o escândalo da Libor, do dinheiro sujo no HSBC, as perdas do JP Morgan...]. Se não há limite, há maximização dos ganhos, bônus, levando a fraudes e manipulações”. E ainda: “Bancos precisam ser fiscalizados, regulados. A concentração não significa diminuição de competição”.

Continuando, no mesmo diapasão: “Eu me considero de esquerda, mas nunca demonizei banqueiro. As razões para a demonização não são justas. Há razões históricas - a crítica da igreja católica aos juros. Há um desconhecimento da população, que acha que o banqueiro é um explorador porque paga menos juros do que cobra. Qualquer negócio tem que dar lucro. É preciso cobrar uma regulação, não fazer crítica ao banqueiro”.

Desnacionalizar ajuda?

Segundo Fernando Costa, não: “Não é fragmentando o sistema bancário e abrindo as fronteiras que se aumenta a competição. Essa foi a tentativa dos anos 1990 e deu em nada. Nos anos 1980 deu em crise bancária e a desnacionalização. Os bancos vieram e poucos ficaram. Banco precisa de fiscalização. No Brasil, 45% do crédito está nos bancos públicos - os privados têm 38%, e os estrangeiros, 17%.”.

Ao contrário, a desnacionalização foi ruim: “Não trouxe nenhuma inovação, os juros não caíram. Mas a entrada do Santander fomentou a reação dos grandes nacionais. A aquisição do Real pelo Santander levou o Itaú a negociar com o Unibanco. A competição fomentou a concentração”.

Fomentar competição via bancos públicos é bom

Já as medidas adotadas pelo governo Dilma Rousseff de usar o poder de fogo dos bancos públicos para fomentar a competição foram positivas, no seu entender. Para ele, “é um avanço histórico fomentar a competição via Banco do Brasil e Caixa”.

Vamos ler e refletir sobre o que nos conta Fernando Nogueira da Costa em seu livro “O Brasil dos Bancos”. 

Em tempo: à ironia do título o autor contrapõe sua interpretação, a ‘moral da história’ da sua obra, vamos dizer assim, de que “a historia bancária não pode ser segregada da de seu povo. Não pode ser voltada para essa elite diminuta [que ele chama da ‘elite branca’ do país], que foi o erro estratégico dos bancos estrangeiros”.

Extraído do blog do José Dirceu

07 agosto 2012

AS ESTATAIS NECESSÁRIAS - Mauro Santayana

As empresas estatais são necessárias, em qualquer país do mundo, para o processo de desenvolvimento econômico e social da população e a conquista e defesa de soberania e independência com relação às outras nações.

Nos Estados Unidos, que são citados como paradigma da livre iniciativa, o Exército, com 75 usinas, é o maior operador de hidrelétricas do país e a AMTRAK, a gigantesca empresa ferroviária nacional, subsidiada pelo governo - o que ninguém estranha - oferece um dos melhores serviços de transporte de passageiros do mundo.

Na China, com quase 4 trilhões de dólares em reservas internacionais, pouquíssimas empresas não têm participação majoritária do estado ou até mesmo do Partido Comunista Chinês. Elas competem entre si, dentro e fora do país, até mesmo na compra de empresas estrangeiras, principalmente da Europa, da América Latina e dos Estados Unidos.

No Brasil, também já tivemos grandes estatais, que foram essenciais para o desenvolvimento da siderurgia, da energia, do transporte, das telecomunicações, nos governos de Getúlio Vargas, de Juscelino e durante o regime militar. O problema das estatais não é o fato de pertencerem ao Estado, mas quem se coloca à frente delas. Como diz o economista Delfim Netto, não há diferença essencial entre empresa pública ou empresa privada, mas, sim, entre empresa bem administrada e mal administrada.

Infelizmente, muitas delas foram esquartejadas, desnacionalizadas e vendidas a preço de banana nos anos 1990, para empresas internacionais. Por ironia, muitas das compradoras eram estatais estrangeiras, ou tinham participação de governos estrangeiros, até mesmo de países menos desenvolvidos do que o nosso, que tinham acesso a dinheiro barato e subsidiado, e estão quebrando agora, como é o caso da Espanha.

Entre os argumentos para privatização, estava o de que o preço dos serviços ia cair e que ia se acabar com os cabides de empregos. E o que aconteceu? Pagamos, em telecomunicações, por exemplo, algumas das tarifas mais altas do mundo. Os serviços são tão “bons”, que empresas estiveram proibidas de comercializá-los até que melhorassem o funcionamento de suas redes. Seus lucros servem para pagar ao genro do Rei da Espanha, um jogador de handebol envolvido com a corrupção, mais de um milhão de euros por ano para participar de algumas reuniões como conselheiro da Telefónica (Vivo) para a América Latina.

A administração das estatais deve ser conduzida por critérios técnicos e sempre subordinada politicamente ao interesse nacional maior.

Escândalos como o da VALEC, com o prejuízo de mais de 400 milhões de reais, desgastam o Estado diante da opinião pública, o que só favorece aos estrangeiros que querem dominar a nossa economia.

Extraído do sítio Mauro Santayana

18 julho 2012

NOTÍCIAS DIÁRIAS SOBRE AS BOLSAS DE VALORES NA GRANDE MÍDIA FUNCIONA COMO UMA DITADURA IDEOLÓGICA DA INFORMAÇÃO - Glauco Cortez

Notícia diária em rede nacional para 0,3% da população
A informação sobre o sobe e desce das bolsas de valores todos os dias no rádio e na televisão funciona como uma lavagem cerebral e não tem nada de jornalismo. Todos os dias o Jornal Nacional nos mostra como estão as bolsas do Brasil, dos Estados Unidos, de países da Europa, do Japão etc… A Rádio CBN, por exemplo, expõe a situação da bolsa praticamente a cada meia hora. E para quê? Quantos brasileiros têm dinheiro aplicado em bolsas fora do pais? Ou melhor, quantos brasileiros tem dinheiro aplicado na bolsa no Brasil? Segundo informações do próprio mercado empresarial, menos de 1% da população investe na bolsa. Alguns sites especializados falam em 0,2% ou 0,3%.

Qual o motivo de se dar notícia diuturnamente sobre a bolsa em rádio e televisão abertas, fora de programas exclusivamente econômicos? Aparentemente nenhuma. Eles servem para criar uma expectativa de tensão na população. Em momentos especulativos, em que agentes financeiros podem apostar contra alguma moeda, as bolsas oscilam de forma mais intensa, provocando a sensação na população de que alguma coisa está errada.

Quando ocorre alterações bruscas há pelo menos a justificativa jornalística de que há algo anormal, mas a notícia diária das bolsas de valores são profundamente irrelevantes para o espectador ou ouvinte, assim como são enfadonhas. No entanto, lá estão essas notícias diariamente, como se fossem um dogma do jornalismo. Elas não tem novidade, não tem interesse (menos e 1% aplicam em bolsa), não tem empatia, não tem interesse público ou social, não tem ineditismo, não tem improbabilidade e não tem apelo, mas é um dogma.

Um dogma criado para sustentar a ditadura ideológica dos especuladores financeiros, que pelos meios de comunicação, expressam incessantemente (diariamente) que o interesse dos grandes apostadores das bolsas de valores são os mesmos interesses de toda a sociedade. Na maioria das vezes, em verdade, são o contrário. Eles apostam contra uma moeda e destroem a economia de um país, ou colocam esse país em condições financeiras de difícil solução e tendo de adotar medidas de austeridade fiscal contra a população, enquanto engordam seus lucros.

É certo que a ação da grande mídia hoje no Brasil está no nível mais baixo da intervenção. Ela atua politicamente, defendendo certos grupos políticos, mas a questão econômica são o seu grande triunfo ideológico, visto que cria uma espécie de chantagem sobre a vida política e cultural do país.


Extraído do sítio Educação Política

30 abril 2012

ENERGIA EÓLICA DEVE SUPERAR A GERADA POR USINAS NUCLEARES NO MUNDO ATÉ 2020 - Gero Rueter



O avanço do vento no mundo é irresistível. Limpa e barata, a eletricidade de origem eólica já equivale à produzida por 280 reatores e em breve passará à frente da energia nuclear no mundo.

A importância da energia eólica cresce rapidamente em todo o mundo. Na Espanha e na Dinamarca, o vento é a fonte de 20% da eletricidade. Na Alemanha, essa percentagem é de 10% e, segundo os prognósticos, até 2020, será de 20% a 25%.

Segundo a Associação Mundial de Energia Eólica (WWEA, na sigla em inglês), no ano passado foram construídas novas centrais eólicas perfazendo 40 gigawatts (GW) de energia produzida. Com isso, o total da energia ambientalmente correta em todo o mundo chegou a 237 GW no final de 2011, o equivalente ao desempenho de 280 reatores termonucleares.

Números respeitáveis, considerando-se que atualmente há cerca de 380 reatores desse tipo fornecendo energia. O prognóstico leva em conta a tendência de desligamento de usinas nucleares, o que deve reduzir a parcela de contribuição desta fonte no fornecimento mundial de energia.


Muito mais vento até 2020

A expansão da energia eólica em escala mundial avança a passos largos. A cada ano, o número de aerogeradores cresce 20%. A WWEA estima que até 2020 o volume energético gerado pelo vento irá quadruplicar, chegando a mais de mil gigawatts.

A China é o país que mais promove esse avanço: de lá vem quase a metade de todas as turbinas produzidas em 2011. O país é líder no setor de energia eólica, seguido por Estados Unidos e Alemanha. No entanto, em relação ao número de habitantes e à participação do vento perante outras fontes de eletricidade, nações da União Europeia como a Dinamarca, Espanha e Alemanha seguem sendo as campeãs. Na China, a parcela da energia eólica no abastecimento nacional gira em torno de apenas 3%.

Embora seja favorável ao meio ambiente e ao clima, o sucesso da energia eólica em escala global se deve, sobretudo, ao fato de ser a opção mais barata. Stefan Gsänger, diretor geral da WWEA, calcula entre cinco e nove cents de euro o preço de um kilowatt/hora de eletricidade produzido nas usinas modernas em terra. Em comparação, o mesmo volume de energia produzido em usinas modernas de carvão mineral custa cerca de sete cents na Europa.

Necessidade de apoio político

Stefan Gsänger, WWEA
Entretanto, estudos da UE e do ministério alemão do Meio Ambiente mostram que os verdadeiros custos são praticamente o dobro. Isso de deve ao fato de a fuligem expelida pelas usinas de carvão ser responsável por diversas doenças respiratórias, acarretando altos custos para o sistema de saúde. Cálculos sérios também revelam que o preço final da energia gerada em outras usinas modernas a base de combustíveis fósseis também são superiores aos da energia eólica em terra.

Na opinião de Gsänger, a energia eólica continua necessitando de apoio político, mesmo constando, hoje em dia, entre as fontes energéticas menos onerosas. Esse apoio não seria na forma de taxas mais altas, mas de uma tarifa de abastecimento garantida.

Segundo o diretor geral da WWEA, esse tipo de garantia é necessário para que se obtenham créditos bancários. Ele cita o exemplo da Turquia: "Lá, a tarifa de abastecimento está abaixo do preço de mercado. No entanto, a tarifa é necessária, pois aí os bancos financiam as usinas eólicas. E vejo isso também como perspectiva para outros países".

Microcréditos como solução

Instrumentos de financiamento são muito importantes para a expansão da energia eólica. Ao contrário das usinas de combustíveis fósseis, os principais custos são de investimento, o que é um grande problema nas regiões menos desenvolvidas. Por isso, em várias nações africanas, por exemplo, o avanço da energia do vento está totalmente estagnado.

Gsänger postula que, para produzir energia eólica mesmo assim nesses países, a solução seriam usinas menores e um sistema de microcrédito, como o desenvolvido pelo prêmio Nobel da Paz Muhammad Yunus em Bangladesh.

"Isto significa que a empresa que disponibiliza a usina também fornece o crédito, simultaneamente. Os consumidores de eletricidade o reembolsam mensalmente, mas só começam a pagar quando a central realmente fornecer energia."

Parque eólico na costa belga do Mar do Norte
Avanços tecnológicos

Nos últimos anos, a tecnologia eólica tem evoluído: assim, existem turbinas com hélices bem grandes, para regiões de pouco vento, e torres mais altas, que exploram melhor o potencial local. Além disso, são construídas grandes centrais em alto mar. Nesse caso, contudo, os custos de instalação e manutenção são altos, resultando em 18 a 20 cents de euro por kilowatt/hora, duas vezes mais do que em terra.

Uma outra inovação são pequenos aerogeradores para residências, comunidades ou firmas industriais. Mais de meio milhão deles foram instalados até o momento, a maioria na China e nos EUA. Também aqui os custos de eletricidade resultantes são mais elevados, entre 15 e 20 cents por kilowatt/hora.

Ainda assim, as miniusinas são rentáveis para muita gente nos países em desenvolvimento, onde não há outra possibilidade de produzir eletricidade. Mesmo para os consumidores das nações industriais, as minicentrais valem cada vez mais a pena, pois produzem a preços inferiores aos de muitas operadoras de energia. Deste modo, especialistas veem aí um mercado com grande futuro.

Iniciativa de cidadãos

Miniaerogeradores: tendência em ascensão
Mais da metade dos aerogeradores da Alemanha são propriedade de cidadãos, agricultores e comunidades locais. Este é um fator muito importante para a aceitação e sucesso da energia eólica, afirmou à DW o agricultor e presidente da confederação Windenergie, Hermann Albers.

Juntamente com outros agricultores e cidadãos, ele ergueu numerosos parques eólicos privados em sua região. "Hoje, registramos enorme aceitação nessas comunidades. Em muitos casos, a metade dos moradores locais já deseja investir na energia do vento. As pessoas compreenderam as chances que existem", registra Albers.

Também a WWEA vê na participação cidadã um instrumento importante para difundir mais rapidamente a energia ambientalmente correta em todo o mundo. Por isso, a próxima Conferência Mundial de Energia Eólica se realiza no início de julho de 2012, em Bonn, sob o título: Community Power – Citizens Power (Força da comunidade, força dos cidadãos).

Extraído do sítio Deutsche Welle