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28 março 2013

PORQUE O REGIME CHINÊS NÃO PODE RESOLVER SEUS PROBLEMAS AMBIENTAIS - Tian Yuan

Uma visão de Pequim sob densa poluição atmosférica em 31 de janeiro de 2013 (Mark Ralston/AFP/Getty Images)

A poluição é um grande problema na China, porque ela afeta a todos. As pessoas ficam ansiosas quando se discute o ar poluído, as tempestades de areia, os rios e os lençóis freáticos contaminados, além das “vilas de câncer”, onde produtos químicos tóxicos estão exterminando populações.

Autoridades chinesas falam de proteger o meio ambiente, mas elas têm uma fonte especial de alimentos, água e até mesmo de ar. Em dezembro de 2012, quando o novo líder chinês Xi Jinping proferiu seu discurso “Sonho da China”, parte de sua visão incluía “um meio ambiente melhor”.

Então, se todos estão preocupados com o meio ambiente na China, por que é que a poluição tem piorado a cada dia e o número de aldeias de câncer têm crescido? É óbvio que os oficiais estão dizendo uma coisa, mas fazendo outra: eles incentivam o sacrifício do meio ambiente em troca de desenvolvimento econômico e penalizam aqueles que investem na restauração ambiental.

Por que isso ocorre? Para começar, o Partido Comunista Chinês (PCC) é uma ditadura ilegítima. Para prolongar seu domínio, o regime depende desesperadamente de incentivar e propagandear o crescimento econômico.

Antes de 2012, o PCC tentou de tudo para manter o produto interno bruto (PIB) numa taxa de crescimento em torno de 8%. Depois de 2012, apesar de seus esforços e por causa da desaceleração econômica na China, o regime foi obrigado a definir uma meta de 7%. Abaixo deste nível, o desemprego proliferará, causando instabilidade social e ameaçando o regime.

Um estudo recente da Secretaria Nacional de Pesquisa Econômica dos EUA prova este ponto com números sólidos. O documento analisou 283 cidades na China e descobriu que oficiais que usaram parte de seus orçamentos no tratamento da poluição não receberam qualquer promoção. No entanto, aqueles que gastaram grandes somas na construção de rodovias e outras infraestruturas – aumentando o PIB local em detrimento do meio ambiente – foram promovidos ou granjeados com outros benefícios.

Em outras palavras, se um oficial cuida do bem-estar do povo e lida com a poluição, ele não tem esperança de ser promovido. No entanto, se um oficial eleva o PIB, o regime o premia independente da poluição gerada. Diante desta política de flagrante incentivo a ganhos pessoais, quantos oficiais protegeriam o meio ambiente?

O regime chinês também proíbe os movimentos populares de proteção ambiental. Desde 1996, o número de manifestações e protestos devido a questões ambientais aumentou cerca de 30% ao ano.

Da poluição por p-xileno nas cidades costeiras de Xiamen, Ningbo e Dalian até a poluição por molibdênio-cobre em Shifang, no sudoeste da China, e a poluição de resíduos industriais da Companhia de Papel Oji em Qidong, no centro do litoral chinês, as autoridades locais foram coniventes com empresas e permitiram projetos poluentes antes que o público tomasse conhecimento das consequências.

As pessoas não têm um canal para apelar contra as decisões do governo, então, elas recorrem a manifestações e protestos, muitas vezes violentos, e o regime responde com sua política de “manutenção da estabilidade”, mobilizando as forças armadas para reprimir manifestantes. Isto se tornou o protocolo padrão do PCC para lidar com os problemas ambientais.

A ditadura na China e a animosidade do regime pela vontade popular também são responsáveis pela grave poluição. As políticas do mundo ocidental de proteção ambiental começaram com os movimentos civis nos anos 60 e 70, com a democracia sendo necessária para seu sucesso. Os norte-americanos fizeram avanços na proteção do meio ambiente por meio da manifestação popular.

Durante a industrialização do Japão, grandes incidentes de poluição levaram nacionais a adoecerem gravemente. Na década de 60, havia muitos grupos civis que defendiam a proteção ambiental e desafiavam o Partido Liberal Democrático, o partido dominante no pós-guerra que não se preocupava com a poluição ambiental. Esses grupos também encorajaram as pessoas a boicotar as piores empresas.

Em meados dos anos 70, grupos ambientalistas alteraram com sucesso a situação no Japão, com muitos políticos apoiando a proteção ambiental. Querendo melhorar sua imagem pública, as empresas começaram a contatar grupos ambientais e prometeram cuidar do meio ambiente. Mecanismos positivos para lidar com os problemas ambientais foram finalmente estabelecidos.

A poluição na China reflete a corrupção do regime comunista e ela existirá enquanto o PCC existir, com o solo contaminado por metais pesados e resíduos químicos industriais nos rios, lagos e águas subterrâneas conferindo-lhes uma variedade de cores estranhas e efeitos letais, além do ar cheio de partículas lesivas aos pulmões e a comida sobrecarregada de toxinas.

Os chineses chegaram a um ponto crítico em sua qualidade de vida. Se eles continuarem indiferentes ou enganados pelo regime, o povo chinês estará se condenando ao suicídio.

Extraído do sítio The Epoch Times

12 março 2013

A POLUIÇÂO ATMOSFÉRICA QUE ENVOLVE A CHINA E A SAÚDE PÚBLICA - Li Rulan

A questão da qualidade do ar e câncer de pulmão na China é mais temerária do que a epidemia de SARS em 2003, segundo especialista em doenças respiratórias.

Um motociclista usa uma máscara facial numa densa poluição atmosférica agravada por uma tempestade de areia em Pequim em 28 de fevereiro de 2013 (Ed Jones/AFP/Getty Images)

O Dr. Zhong Nanshan, presidente da Associação Médica da China, advertiu que o problema da poluição na China é “mais assustador do que a SARS”, ao falar numa sessão plenária em Pequim em 5 de março.

Um respeitado especialista em doenças respiratórias, Zhong Nanshan ganhou reconhecimento uma década atrás por liderar a batalha contra a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave).

Zhong Nanshan disse que diferente da SARS, que pode ser controlada por meio de quarentena, a poluição atmosférica afeta a todos. “Quem quer que você seja, você não pode escapar do ar poluído”, disse ele, segundo o Diário Jovem da China.

Ele citou um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre qualidade do ar mostrando que a cidade-ilha de Haiko, que tem o ar mais limpo na China, ocupa apenas a 1530ª posição das 1802 cidades mundiais listadas. Zhong Nanshan acrescentou que o relatório mostra que a incidência de câncer de pulmão na China está entre as mais altas do mundo, com 76 casos em cada 100 mil homens e 48 por 100 mil mulheres.

Ele disse que estes números variam muito entre regiões com diferentes qualidades do ar, pois a poluição do ar está relacionada com as taxas de câncer de pulmão na China. Por exemplo, disse ele, na área urbana de Guangzhou, a incidência de câncer pulmonar é o dobro das zonas rurais circundantes e Pequim mostra o mesmo padrão.

“Se esta tendência de poluição continuar, o número de pacientes com câncer provavelmente aumentará exponencialmente”, disse ele.

Zhong Nanshan questionou a política do Partido Comunista Chinês (PCC) de priorizar o produto interno bruto (PIB), frequentemente à custa do meio ambiente. “O que é mais importante, o PIB ou a saúde? Neste ponto, não é uma questão de cuidar de ambas as questões. Atualmente, o componente necessário à sobrevivência humana foi seriamente ameaçado”, disse ele. “O desempenho dos oficiais locais é normalmente avaliado com base no crescimento do PIB em suas jurisdições. A partir de hoje, o sucesso dos oficiais em termos de reduzir a poluição também deve ser incluído como um parâmetro de desempenho.”

Anteriormente, Zhong Nanshan disse ao Sohu.com que, ao trabalhar com cirurgiões, ele viu que os pulmões de muitos moradores de Guangzhou acima de 40-50 anos são negros devido à poluição do ar. Embora uma das maiores cidades da China, Guangzhou tem níveis relativamente baixos de poluição. “Alguns podem pensar que estou exagerando o assunto, mas isso é um fato”, disse ele. “Se é assim em Guangzhou, em Pequim deve ser muito pior.”

“Eu não me importo com a chamada ‘sociedade harmoniosa’”, continuou ele, referindo-se a campanha de propaganda comunista. “As coisas mais importantes para os seres humanos são ar, água e alimento. Se estes estão ameaçados, ninguém pode realmente ser feliz.”

Chineses comuns admiram a franqueza de Zhong Nanshan, uma qualidade raramente associada aos delegados do Congresso Popular. “Poucos representantes políticos são como Zhong Nanshan”, comentou um internauta na rede de mídia social chinesa Weibo. “Eles não deveriam apenas elogiar o governo. Eles devem realmente considerar com mais seriedade o ar, a água e o alimento das pessoas.” Muitos outros internautas também pediram que mais pessoas corajosas agissem na melhoria da qualidade de vida do povo chinês.

Mas pode já ser tarde demais. Num artigo recente, a economista He Qinglian falou da poluição em geral, dizendo que mesmo que o governo e todas as pessoas parassem imediatamente de criar nova poluição, ainda levaria algumas centenas de anos para o meio ambiente da China se recuperar.

A Sra. He Qinglian também apontou que por muitos anos oficiais do PCC foram condescendentes com empresas poluidoras visando ganhos políticos e benefícios financeiros, o que levou à degradação ambiental generalizada na China. As autoridades pensaram que poderiam escapar contando com o acesso a alimentos seguros especiais, disse ela.

Eles não perceberam que a poluição do ar inesperadamente nivelaria o terreno para todos. “Na China, onde a classe social determina tudo, morrer por causa da poluição pode ser uma situação em que as pessoas experimentam a igualdade total”, concluiu ela.

Extraído do sítio The Epoch Times

26 fevereiro 2013

PETRÓLEO NÃO É MAIS VISTO, MAS AINDA POLUI GOLFO DO MÉXICO - Fabian Schmidt


Passados quase três anos da catástrofe na costa americana, pouco se vê do vazamento, mas o óleo liberado pela plataforma Deepwater Horizon ainda está lá: dissolvido na água ou em longas faixas no fundo do mar.

Na catástrofe da plataforma Deepwater Horizon, em abril de 2010, entre 500 mil e um milhão de toneladas de petróleo cru vazaram no Golfo do México. O acidente teve graves consequências para a vida animal: aves, mamíferos e tartarugas marinhas morreram vítimas das manchas de óleo. A limpeza das praias também implicou a destruição de muitos ninhos e locais de desova de tartaruga.

Tartaruga marinha vítima da catástrofe
Hoje, o petróleo quase não pode ser mais visto, e a normalidade parece ter retornado ao Golfo do México – os navios pesqueiros voltaram a circular, e os turistas estão novamente frequentando as praias. Mas isso não significa que o óleo desapareceu. As consequências da catástrofe ainda são sentidas. As taxas de nascimento de golfinhos, por exemplo, são atualmente bem menores do que as de antes da catástrofe.

A principal razão é que mais da metade do petróleo vazado não chegou a atingir a superfície. Ao contrário de um derramamento de óleo de um navio, onde as manchas se espalham na superfície, no acidente da Deepwater Horizon boa parte do petróleo continuou no fundo do mar.

"O poço de petróleo tinha uma enorme pressão", diz Antje Boetius, bióloga do Instituto Alfred Wegener de Pesquisas Marinhas e Polares. E como o vazamento, explica, ocorreu por uma brecha muito estreita, o petróleo acabou saindo em forma de gotas e, por isso, continua no fundo do mar. "Gotas com apenas milésimos de milímetro de tamanho possuem uma superfície tão grande em relação ao seu próprio empuxo que não conseguem mais subir. Elas ficam à deriva em meio às massas d'água", completa a especialista.

Sob forte pressão, petróleo vazou em gotinhas microscópicas e não subiu à superfície
Essas finas gotas de petróleo se misturam, entre mil e 2 mil metros de profundidade, com partículas em suspensão, como plâncton e minerais, sendo então aglutinadas. Esse processo as torna mais pesadas, fazendo com que desçam para o fundo do mar. Lá, elas formam novas manchas de óleo.

"Elas se parecem com a poeira em casa quando não é aspirada – só que em vermelho e marrom", descreve Boetius o óleo no fundo do mar, que fica depositado em camadas espessas e nos recifes de corais.

Colônia de bactérias a postos

Como no Golfo do México há uma emersão natural de petróleo, ali se instalaram bactérias que conseguem metabolizar o óleo por meio de enzimas especiais. Essa colônia de bactérias decompõe lentamente o petróleo vazado. Por um lado, isso é bom, já que o óleo desaparece, mas esse produto do metabolismo das bactérias nem sempre é inofensivo, diz Detlef Schulz-Bull, químico do Instituto Leibniz de Pesquisas do Mar Báltico.

O grau de toxicidade de produtos metabólicos bacterianos depende principalmente da composição do petróleo. O petróleo cru contém uma parcela de compostos aromáticos biorefratários altamente tóxicos. Quando as bactérias digerem a complexa mistura que compõe o petróleo, é muito difícil verificar a toxicidade dos produtos metabólicos, adverte Schulz-Bull.

O motivo está no fato de, após o processo de conversão bacteriana, a mistura de substâncias se tornar ainda mais complexa. "E também a sua toxicidade provavelmente aumenta", diz o perito marinho.

O problema principal é que os produtos metabólicos, tais como os ácidos graxos, são mais solúveis em água do que os compostos originais formados por longas cadeias de hidrocarboneto. Por esse motivo, eles também são mais fáceis de serem consumidos por micro-organismos. E, dessa forma, chegam à cadeia alimentar – do plâncton para os peixes, e destes para as baleias, golfinhos e para o prato do ser humano.

Pulverização do solvente Corexit prejudicou bactérias
Outro problema é que as bactérias consomem grande quantidade de oxigênio, que pode acabar faltando no mar. Em seguida, entram em cena outras bactérias, que não precisam de oxigênio. "Quando elas entram em ação, provocam um efeito colateral desagradável: produzem sulfureto, ou seja, sulfeto de hidrogênio como produto final, espantando assim vermes, mexilhões e peixes", acrescenta Boetius.

Por esse motivo, a princípio, os biólogos temiam que o Golfo do México pudesse se tornar uma poça pútrida. Isso, porém, não aconteceu, já que as fortes correntes proporcionam um fornecimento contínuo de oxigênio e diluem o petróleo e os produtos metabólicos bacterianos.

Solventes retardam degradação natural

No entanto, agora ficou claro que os especialistas em combate à mancha de petróleo não facilitaram o trabalho das bactérias. Para evitar que chegasse à costa, eles pulverizaram grande quantidade do solvente tóxico Corexit sobre o óleo na superfície. Isso fez com que a mancha se dissolvesse, e assim criou-se um novo problema: o óleo e o Corexit chegaram em forma dissolvida à água, contaminando bactérias, larvas de peixes e organismos microscópicos.

"No combate a catástrofes provocadas pelo vazamento de petróleo, é preciso rapidamente estabelecer prioridades", explica Boetius, que diz que, provavelmente, os responsáveis tinham esperança de salvar pássaros, tartarugas e mamíferos marinhos com o uso de Corexit. "E o Corexit faz sentido, porque consegue espalhar o óleo fino. Mas a decomposição por meio das bactérias é retardada, e, quando o petróleo submerge para o fundo do mar, a decomposição é ainda pior."

Ajuda chegou tarde demais para alguns animais
Schulz-Bull tira daí uma lição: nenhum tipo de solvente deve ser utilizado em grandes derramamentos de petróleo, porque eles escondem somente os efeitos visíveis. Embora não possa ser visto, diz o químico, o petróleo ainda está presente, e a aplicação de Corexit torna tudo pior: "Adiciona-se ao sistema milhares de produtos químicos, que não são inofensivos, mas que em si já são tóxicos. Não se melhora realmente nada."

O químico também considera um erro a queima da mancha de petróleo, como tentou-se no Golfo do México, pois quando isso é feito em temperaturas baixas surgem compostos altamente tóxicos em altas concentrações, como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos ou dioxinas. "Isso é um absurdo do ponto de vista ecológico", afirma.

Contra vazamentos de petróleo, só resta uma coisa a fazer, segundo o químico: é preciso cercar o óleo com barreiras de contenção, bombeá-lo e, se isso não funcionar, tentar agregá-lo na superfície, através do uso de materiais ecológicos, como pedaços especiais de madeira. Em seguida, pode-se tentar retirá-lo da superfície marinha.

Extraído do sítio Deutsche Welle

08 fevereiro 2013

POLUIÇÃO DA CHINA PENETRA ATMOSFERA DO JAPÃO - Jack Phillips

Um avião da Japan Airlines decola no aeroporto Haneda em Tóquio em meio a atmosfera cinzenta em 4 de fevereiro (Yoshikazu Tsuno/AFP/Getty Images)

A densa poluição atmosférica que tem envolvido a China no último mês está infiltrando os ares do Japão, levando o Ministério do Meio Ambiente do país a alertar a população sobre os riscos para a saúde de crianças e pessoas com condição já debilitada.

“O acesso ao nosso sistema de monitoramento da poluição do ar tem sido quase impossível na semana passada e o telefone aqui tem tocado constantemente, porque as pessoas continuam nos indagando preocupadas com o impacto sobre a saúde”, disse um funcionário anônimo do Ministério do Meio Ambiente japonês à AFP na segunda-feira.

O website do ministério tem estado sobrecarregado com o tráfego, informou a AFP. De acordo com a mídia Standard de Hong Kong, o ministério também aconselhou a população a fechar suas janelas e usar máscara de respiração, que são comumente usadas na Ásia Oriental.

“A China é nossa vizinha e todo tipo de problema acontece entre nós constantemente”, disse Takaharu Abiko, de 50 anos, à AFP. “É muito preocupante. Esta poluição é perigosa, como veneno, e não podemos nos proteger. É assustador.”

Três cidades da prefeitura de Hiroshima, localizada no Sul do Japão, registraram 40 microgramas por metro cúbico na escala de partículas PM 2,5, usada para medir a poluição do ar. Partículas pequenas podem penetrar nos pulmões e causar doenças respiratórias. A Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que é “insalubre” respirar o ar que tem mais de 25 microgramas de micropartículas por metro cúbico.

Em meados de janeiro, durante o pico da epidemia de poluição do ar na China, Pequim registrou mais de 990 microgramas por metro cúbico na mesma escala. Nas últimas semanas, o nível de PM 2,5 tem sido consistentemente maior que 500 microgramas por metro cúbico, ultrapassando múltiplas vezes o nível “perigoso” definido pela OMS.

Autoridades japonesas não implicaram a China pelo nevoeiro cinzento que cobriu partes do Japão, mas o ministro do meio ambiente japonês Yasushi Nakajima disse à AFP que “não se pode negar que há um impacto da poluição proveniente na China”.

“Nesta época do ano, definitivamente, não são areias amarelas” que são sopradas dos desertos chineses e mongóis, “são partículas tóxicas”, disse Atsushi Shimizu do Instituto Nacional de Estudos Ambientais do Japão. “Pessoas com doenças respiratórias devem ter cuidado”, advertiu ele.

O alerta no Japão surge apenas duas semanas após relatos de que a poluição da China engoliu a maior parte da Coreia do Sul. A capital de Seul registrou 218 partículas por metro cúbico na escala PM 10, outra medida para avaliar pequenas partículas no ar.

Toshihiko Takemura, professor associado da Universidade de Kyushu, disse à AFP que um aumento da poluição do ar chinês em partes do Japão se tornou uma tendência preocupante em anos recentes.

“Especialmente em Kyushu, o nível de poluição do ar tem sido detectado na vida cotidiana há alguns anos”, disse ele. “As pessoas no Leste e Norte do Japão estão agora percebendo tardiamente a poluição do ar transfronteiriça.”

Extraído do sítio The Epoch Times

19 janeiro 2013

A MALDIÇÂO DOS AGROTÓXICOS - Paulo Kliass

As pesquisas são unânimes em apontar a contaminação de solos, rios e demais reservas de água.


O estímulo prioritário pelo modelo do agronegócio, que os sucessivos governos têm reforçado ao longo dos anos, só produz malefícios. Esse sistema implica um conjunto de consequências negativas para o Brasil e para a maioria de nossa população: propriedades imensas, expulsão das populações locais em função da mecanização, prática da monocultura, extinção das culturas tradicionais, concentração da renda e da riqueza, entre tantos outros. 

Um dos aspectos mais perversos dessa opção é a intensificação do uso de agrotóxicos na atividade agrícola. O crescimento da aplicação indiscriminada desses venenos provoca danos permanentes para a saúde das pessoas e para o meio ambiente. As pesquisas são unânimes em apontar a contaminação de solos, rios e demais reservas de água. Por outro lado, cada vez mais são reveladas novas doenças para os trabalhadores diretamente envolvidos, bem como quadros patológicos graves para o conjunto da população – atual e futura – pela ingestão dos alimentos derivados desse tipo de produção. 

O Brasil é campeão global no uso de agrotóxicos: quase 20% do total consumido no mundo são utilizados em nosso território. Desde 2008 lideramos a lista dos países que mais aplicam pesticidas, herbicidas e afins em suas atividades agropecuárias. Para o presente ano, a previsão é de um consumo de quase 1 milhão de toneladas desses produtos, equivalente a uma movimentação aproximada de 8 bilhões dólares. Isso corresponde a um índice alarmante de 5 kg desse tipo de droga por habitante a cada ano. 

A estrutura de mercado de tais produtos é marcada pelo predomínio de grandes corporações multinacionais e o poder empresarial é altamente concentrado. Apenas 13 empresas controlam quase 90% da oferta mundial de agrotóxicos. Com essa enorme capacidade de influenciar governos, o setor consegue manter a autorização oficial dos órgãos públicos reguladores para produtos comprovadamente perigosos. Assim, o Brasil permite a produção e comercialização de substâncias proibidas há muito tempo nos Estados Unidos, Europa, Canadá, Japão e mesmo na China. 

Trata-se de combinados químicos que as pesquisas comprovaram serem causadores de diversos tipos de câncer, distúrbios neurológicos, sequelas psiquiátricas, além de serem transmitidos pelo aleitamento materno. Apesar das matrizes das grandes transnacionais estarem proibidas de produzir tais venenos, aqui em solo tupiniquim o governo faz vista grossa para as atividades de suas filiais. Além das tragédias individuais e sociais provocadas por esse tipo de irresponsabilidade, o custo que o conjunto da sociedade incorre também é elevado. Estima-se que, para cada unidade monetária consumida em agrotóxico, o Estado seja obrigado a gastar 1,28 no futuro com gastos para tratar a saúde comprometida. 

Não contentes com essa permissividade, as empresas são ainda beneficiadas com incentivos tributários para que essa atividade, já condenada em todo o mundo, seja aqui ainda mais rentável. O Brasil oferece estímulos às indústrias, em termos dos impostos envolvidos no setor: isenção total de IPI federal e redução de até 60% no ICMS dos Estados. As denúncias são públicas e amplamente conhecidas no que se refere aos danos provocados pelos agrotóxicos. Porém, os órgãos públicos que deveriam zelar pelo bem público e pelas condições de saúde e do meio-ambiente parecem se preocupar mais com os interesses das empresas do que com os interesses do país e da maioria de nossa população. 

O caso recente do “chumbinho”, presente em pesticida fabricado pela Bayer, esteve por vários anos se arrastando em reuniões e mais reuniões sem que nenhuma proibição fosse realizada. Apesar da comprovação dos malefícios e dos quase 5 mil casos anuais de envenenamento causados pelo produto, só agora no mês de novembro a Anvisa resolveu proibir sua comercialização de forma definitiva.

Extraído do sítio Brasil de Fato

14 junho 2012

PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS DESDE 1972



Desde a primeira grande conferência mundial sobre meio ambiente, em 1972, os temas "verdes" entraram na agenda política e na consciência do consumidor. Mas como este quadro demonstra, poucos problemas foram resolvidos e alguns se agravam rapidamente.

PROTEÇÃO À CAMADA DE OZÔNIO: o Protocolo da ONU de 1987 tornou ilegal o uso de gases de clorofluorcarbono (CFC) que corroem a camada de ozônio, o que protege o planeta dos raios solares que podem causar câncer de pele. Foi contida uma expansão maior do buraco na camada de ozônio, mas sua recuperação total está prevista para meados deste século ou inclusive depois.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS: na Rio-92, a ONU estabeleceu a Convenção-quadro sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês). Em 1997, a UNFCCC promulgou o Protocolo de Kyoto, o único tratado que estabelece cortes específicos de emissões de gases de efeito estufa. Mas as metas de Kyoto foram atropeladas pelas emissões de grandes economias emergentes que não são obrigadas a cumprir metas. As partes da UNFCCC concordaram em lançar um novo pacto em 2015, efetivo a partir de 2020. O tempo é curto. A Terra está a caminho de um aquecimento de três graus Celsius ou mais ao final do século, aumentando gravemente os riscos de secas, inundações e tempestades.

BIODIVERSIDADE: a Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), outra herança da Eco-92, não conseguiu conter a extinção de espécies. O mundo não alcançou a Meta de Desenvolvimento do Milênio sobre a perda da biodiversidade para 2010. Os recifes de coral sofreram redução de 38% desde 1980 e e perda de habitat é superior a 20% desde aquela década, principalmente por causa da agricultura.

OCEANOS: com exceção de algumas pescas que estão sob controle dos Estados, muitas populações de peixes sofrem um esgotamento sem precedentes. Em 2007, só 7% da produção mundial de pescado tinha o certificado do Conselho de Administração Marinho (Marine Stewardship Council) de produção com respeito ao meio ambiente. Há 169 "zonas costeiras mortas" nos oceanos e 415 que sofrem eutrofização, poluição das águas provocadas por altas concentrações de nutrientes (devido ao despejo de fertilizantes ou matéria orgânica) que causam a proliferação de organismos que consomem o oxigênio dissolvido na água.

ÁGUA DOCE: nos últimos 50 anos, triplicou a extração mundial de água subterrânea em resposta ao aumento da população urbana e da demanda agrícola. Só 158 das 263 bacias de rios que cruzam fronteiras nacionais têm acordos de cooperação em matéria de gestão de recursos. Noventa e dois por cento da "pegada de carbono" mundial da água se deve à agricultura.

ENERGIA: o aumento do interesse em energias renováveis, impulsionado especialmente pelos objetivos estabelecidos na Europa, contrasta com o predomínio dos combustíveis fósseis, que representaram 80,9% das fontes de energia em 2009. Desde 1992, a produção de energia solar aumentou 30.000% e eólica (ventos) em 6.000%. Mas em conjunto com a geotérmica, representaram apenas 0,8% do total global em 2009. Com os biocombustíveis e o gás proveniente do lixo, o percentual chega a 10,2%. O investimento global em energia e combustíveis renováveis alcançou um recorde de 211 bilhões de dólares em 2010, 540% a mais do que em 2004.

DESMATAMENTO: desde 1992, as florestas primárias do mundo recuaram 300 milhões de hectares, uma área quase do tamanho da Argentina. O desmatamento é a terceira maior causa de emissões de gases de efeito estufa, causadores do aquecimento global. A boa notícia é que o reflorestamento ganhando terreno no hemisfério norte e que houve algum progresso na oferta de incentivos financeiros para proteger as florestas nativas. Desde 2006, quadruplicou uma iniciativa da ONU de replantar pelo menos um bilhão de árvores ao ano.

CONTAMINAÇÃO E DEJETOS: a produção anual de plásticos mais que duplicou nas últimas duas décadas para 265 milhões de toneladas, das quais a metade é usada para artigos descartáveis. A decomposição do plástico é muito lenta, criando uma ameaça ambiental de longo prazo. Por outro lado, o número de vazamentos de petróleo caiu nos últimos 20 anos. Chumbo no petróleo ou na gasolina está perto de ser eliminado e há um tratado mundial para deter a tristemente célebre "dúzia suja" de poluentes orgânicos persistentes (POPs) e produtos químicos que se biodegradam tão lentamente que se acumulam na cadeia alimentar. Também no lado positivo, os consumidores são cada vez mais sensíveis à reciclagem, desde que não seja caro demais.

FONTES: Informe Global sobre Meio Ambiente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma); números sobre energia do informe da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) e Agência Internacional de Energia (AIEA).

Extraído do sítio R7

07 junho 2012

PESQUISA MOSTRA QUE PREOCUPAÇÃO DOS BRASILEIROS COM MEIO AMBIENTE CRESCEU

Pesquisa mostra que a quantidade de brasileiros que se preocupam com o meio ambiente, mais que dobrou de 2006 até hoje
Aproximadamente 13% dos brasileiros dizem ter preocupação com o meio ambiente, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo Ministério do Meio Ambiente. O percentual é mais do que o dobro do registrado há seis anos (6%).

De acordo com o levantamento, o meio ambiente está em sexto lugar na lista de preocupações dos brasileiros, ficando atrás de saúde/hospitais (81%), violência/criminalidade (65%), desemprego (34%), educação (32%) e políticos (23%). Há seis anos, o meio ambiente aparecia na 12ª colocação, à frente apenas de reforma agrária e dívida externa. Em 1992, ano da primeira pesquisa, o tema era sequer citado.

- Isso é resultado de um maior acesso à informação. Mas o meio ambiente também é visto como problema, e não como uma oportunidade – disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

O principal problema ambiental citado pelos brasileiros é, desde a primeira pesquisa, o desmatamento de florestas (neste ano, com 67%). Outros principais problemas são a poluição de rios e lagoas (47%), a poluição do ar (36%), o aumento do volume do lixo (28%), o desperdício de água (10%), a camada de ozônio (9%) e mudanças do clima (6%).

Também são citados como problemas: extinção de animais/plantas (6%), falta de saneamento (3%), poluição por fertilizantes (3%), consumo exagerado de sacolas plásticas (3%) e falta de conscientização ambiental da população (2%).

A pesquisa mostrou, no entanto, que as belezas naturais são o principal motivo de orgulho para os brasileiros. Aproximadamente 28% das pessoas dizem que o meio ambiente brasileiro é motivo de orgulho, à frente do desenvolvimento econômico (22%), das características da população (20%), do pacifismo (13%), da cultura (6%) e da qualidade de vida (1%).

Extraído do sítio Correio do Brasil

01 maio 2012

RUMO AO CONTINENTE LIXO - Ana Fuentes



Um grupo de pesquisadores ambientalistas embarca nesta quarta-feira, 2 de maio, em uma expedição rumo a um depósito de lixo quase cem vezes maior do que a Holanda que flutua no meio do Oceano Pacífico.

Poucos se fala sobre o “sétimo continente”. Trata-se de uma ilha de lixo 97 vezes mais extensa do que a Holanda, que possui cerca de 30 metros de espessura e localiza-se entre o litoral da Califórnia e do Havaí. Pesa cerca de 3,5 milhões de toneladas e se parece muito mais com uma enorme sopa de resíduos porque não é possível caminhar nela.

O oceanógrafo estadunidense Charles Moore a descobriu por acaso em 1999, porque não está perto de nenhuma rota marítima comercial ou turística. Os satélites não podem detectá-la: só pode ser vista a partir das pontes de comando dos barcos. Trata-se de uma das maiores ameaças ecológicas atuais.

Como o depósito está em águas internacionais, ninguém se importa com ele. Para conscientizar a comunidade internacional, nessa quarta-feira, 2 de maio, uma equipe de ambientalistas franceses partirá em uma expedição a partir de San Diego à ilha do lixo.

“Cerca de 80% dos resíduos provêm da terra firme, da população que habita os litorais. Chegam ao mar transportados pelos rios e pelo vento. Trata-se de todo tipo de resíduos que jogamos nos rios ou que provêm do lixo. Desde embalagens de detergente até o casco de um barco naufragado por um tsunami”, explica Alain Dupont. Mergulhador e especialista em travessia marítima, Dupont faz parte da primeira expedição europeia ao “sétimo continente”.

Dupont e seus quatro companheiros (mergulhadores, navegadores experientes e cientistas) têm vários objetivos para essa expedição de um mês. O primeiro: especificar quanto espaço ocupa a placa de lixo e que risco implica. “Os satélites atualmente detectam vários parâmetros como a temperatura da água, a altitude, a salinidade, a pressão ou a cor, por fotometria. No entanto, o plástico se desintegra em partículas de menos de um milímetro de tamanho, que entram em contato com os peixes e plâncton”, aponta Dupont.

O plástico não é biodegradável e geralmente pode levar mais de 100 anos para se decompor. O Greenpeace afirma que a proporção do plástico na área do continente lixo já é seis vezes maior do que a de plâncton. Os animais confundem as partículas de plástico com sua comida, não podem digeri-las e muitos acabam morrendo. Outros acumulam toxinas, prejudicando toda a cadeia alimentar.

Qual é a solução?

Repescar os resíduos é praticamente impossível porque custaria dezenas de milhares de euros. Nenhum governo se preocupa porque as placas estão em águas internacionais e legalmente eles não estão obrigados a isso.

De fato, este não é o único continente de lixo que existe. Há uma placa similar no Oceano Atlântico. Mas as campanhas contra jogar resíduos nas águas se concentram no máximo ao litoral e não ao alto mar.

Dupont insiste que este problema é tão grave como o da mudança climática e acredita ser crucial sensibilizar as novas gerações. “Nosso desafio principal nessa missão será redigir comunicados e informações diariamente, em tempo real, e enviar mensagens e imagens que o público possa seguir em nossa página na internet (em francês) e também via Facebook.”

A expedição foi financiada principalmente pela região da Guiana Francesa e pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais, mas os ambientalistas continuam precisando de patrocinadores. O plano é colaborar com escolas e instituições que se unam ao projeto. Eles também pretendem trabalhar lado a lado com pesquisadores suíços e estadunidenses que investigam o fenômeno dos continentes de lixo.


"Os plásticos que flutuam no oceano ficarão ali para sempre. Está praticamente confirmado que não há como tirá-los de lá. O que é preciso fazer é parar de jogar resíduos no mar para evitar que o fenômeno se amplie", explica Dupont. O problema cresce de forma exponencial. Os cientistas calculam que em 20 anos o sétimo continente será do mesmo tamanho da Europa.

Extraído do sítio RNW

28 abril 2012

IPEA: COLETA SELETIVA CHEGA A APENAS 18% DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS - EcoD

A boa notícia é que a coleta seletiva aumentou 120% nas 994 cidades que mantinham esse programa entre 2000 e 2008/Foto: Ministério da Saúde

Dois anos depois da aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em 2010, a coleta seletiva, prevista na lei, estava presente apenas em 18% dos municípios brasileiros. E, nas cidades onde ela já estava implementada, a quantidade de material recuperado nesses programas ainda era pequena quando comparado com o total coletado. Os dados constam no levantamento Plano Nacional de Resíduos Sólidos: Diagnóstico dos Resíduos Urbanos, Agrosilvopastoris e a Questão dos Catadores, divulgado nesta quarta-feira, 25 de abril, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A boa notícia é que a coleta seletiva aumentou 120% nas 994 cidades que mantinham esse programa entre 2000 e 2008. Apesar do incremento das ações, o estudo mostra que, no caso dos metais, por exemplo, das 9,8 milhões de toneladas de resíduos reciclados em um ano, apenas 0,7% foi recuperado pela coleta seletiva. Na reciclagem de 3,8 milhões toneladas de papel e papelão, a coleta seletiva respondeu por 7,5% e, no caso do plástico (962 mil toneladas/ano) e vidro (489 mil toneladas/ano), a recuperação dos materiais a partir da coleta seletiva foi pouco maior que 10%.

De acordo com o Ipea, os números indicam que “a reciclagem no país ainda é mantida pela reciclagem pré-consumo e pela coleta pós-consumo informal”.

Em relação à coleta regular total, o levantamento mostra que a cobertura no país vem crescendo e alcançou, em 2009, 90% dos domicílios do país. A distribuição, entretanto, revela uma desigualdade entre a área urbana, onde a coleta supera o índice de 98%, e as áreas rurais, onde a cobertura ainda não atinge 33%.

“A geração de resíduos sólidos urbanos tende a aumentar não apenas com o aumento da população, mas também com o aumento da renda, principalmente quando estratos da população que tinham acesso muito restrito a produtos industrializados e embalados ganham poder de compra”, alerta o documento.

Lixões ainda preocupam

De acordo com o estudo do Ipea, mais de 74 mil toneladas de resíduos sólidos ainda são encaminhadas, diariamente, para os lixões do país ou para aterros controlados – antigos lixões que passaram por melhorias para virarem aterros. Apesar de o volume ainda ser significativo, o levantamento aponta uma redução de 18%, em oito anos, nesse tipo de destinação de resíduos.

Os municípios brasileiros devem eliminar os lixões até 2014, segundo estabelece a PNRS. A menos de dois anos do prazo final, o relatório aponta a existência de 2,9 mil áreas como essas distribuídas em quase 3 mil municípios. “Os consórcios públicos para a gestão dos resíduos sólidos podem ser uma forma de equacionar o problema dos municípios que ainda têm lixões como forma de disposição final”, sugerem os pesquisadores do Ipea.

O levantamento mostra ainda que a quantidade de resíduos e rejeitos dispostos em aterros sanitários aumentou 120%, entre 2000 e 2008. “Os municípios de pequeno e médio porte apresentaram acréscimos significativos na quantidade total de resíduos e rejeitos dispostos em aterros sanitários”, acrescenta. Para o instituto, esse incremento pode ser resultado do recebimento de resíduos produzidos, coletados ou gerados nos municípios de grande porte.

O Ipea ainda alerta para o problema do resíduo orgânico, que não é coletado separadamente no país. “Essa forma de destinação gera despesas que poderiam ser evitadas caso a matéria orgânica fosse separada na fonte e encaminhada para um tratamento específico, por exemplo, para compostagem”, sugere.

Segundo o levantamento, do total estimado de resíduos orgânicos que são coletados (94 mil toneladas por dia), apenas 1,6% é encaminhado para tratamento em usinas de compostagem, que controlam a decomposição desses materiais para obter um material final rico em nutrientes que pode ser usado como adubo, por exemplo.

“No geral, pode se afirmar que as maiores deficiências na gestão dos resíduos sólidos encontram-se nos municípios de pequeno porte, com até 100 mil habitantes, e naqueles localizados na região Nordeste”, avalia o relatório.

27 abril 2012

A "SOPA" DE PLÁSTICO DO OCEANO PACÍFICO

Uma sopa de lixo de plástico que flutua no Oceano Pacífico está crescendo numa taxa alarmante e agora cobre uma área de duas vezes o tamanho dos Estados Unidos, dizem os cientistas.

A grande expansão dos pedaços de plástico – de fato a maior quantidade de lixo no mundo jogada fora – está sendo concentrada em uma determinada área pelo movimento circular das correntes marítimas. Esta sopa em movimento expande-se por cerca de 500 milhas náuticas a partir da costa da Califórnia, cruza o norte do Pacífico, passa o Havaí e chega quase ao Japão.


Charles Moore, um oceanógrafo americano que descobriu a “Grande área de lixo do Pacífico” ou o “vórtice de lixo”, acredita que cerca de 100 milhões de toneladas de dejetos estão circulando na região. Marcus Eriksen, um diretor de pesquisa da fundação de pesquisa americana Algalita Marine, fundada por ele, disse ontem: “A idéia que as pessoas tem sobre isso é que há uma ilha de lixo de plástico sob a qual se pode andar em cima. Não é assim. É mais como uma sopa de plástico.”

Curtis Ebbesmeyer, um oceanógrafo e um técnico que controla os dejetos de plástico em praias, vem acompanhando o aumento do lixo de plástico nos oceanos nos últimos 15 anos e compara o vórtice de lixo a uma entidade viva: “Ele se move em círculos como um grande animal sem controle” Quando esse animal se aproxima da terra, e isso acontece no arquipélago havaiano, o resultado é dramático. “A área de lixo de derrama sobre a praia, e você tem uma praia coberta com esse confete de plástico.”

Historicamente o lixo que chegava aos oceanos era biodegradável. Mas os plásticos modernos são tão duráveis que objetos com mais de 50 anos podem ser encontrados na área do norte do Pacífico. O Sr. Moore disse que porque o mar de lixo é translúcido e está numa superfície de água, ele não pode ser detectado em fotografias de satélite. “Você só o vê da proa dos navios”.

De acordo com o Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas, os refugos de plástico causam a morte de mais de um milhão de pássaros marinhos todos os dias, e também de mais de 100 mil mamíferos marinhos. Seringas, filtros de cigarro e escovas de dente tem sido encontradas no estômago de aves mortas, que as confundem com comida.

Precisamos parar de jogar lixo nas ruas, rios e mares. Pense nisso!

(Esse artigo é parte do publicado no jornal britânico The Independent. Para ler o original clique aqui. Também existe um outro artigo sobre isso no website Superuse. Para lê-lo clique aqui. Para ver uma animação do lixo caminhando no Oceano Pacífico feita pelo Greenpeace clique aqui).

Extraído do sítio The Urban Earch

26 abril 2012

OCEANO DE PLÁSTICO - Paula Neiva e Roberta de Abreu Lima

WWF 2005
Os oceanos ocupam 70% da superfície da Terra, mas até hoje se sabe muito pouco sobre a vida em suas regiões mais recônditas. Segundo estimativas de oceanógrafos, há ainda 2 milhões de espécies desconhecidas nas profundezas dos mares. Por ironia, as notícias mais freqüentes produzidas pelas pesquisas científicas relatam não a descoberta de novos seres ou fronteiras marinhas, mas a alarmante escalada das agressões impingidas aos oceanos pela ação humana.

Um estudo atualmente em curso pela entidade ambientalista Greenpeace, cujas conclusões serão apresentadas em maio num congresso na Inglaterra, mostra que a concentração de material plástico nas águas atingiu níveis inéditos na história.

Nos últimos meses, embarcações do Greenpeace esquadrinharam dezenas de regiões dos oceanos pesquisando amostras da vida marinha. Os cientistas descobriram que a poluição por plásticos, antes restrita a alguns pontos conhecidos, hoje é onipresente nas águas dos mares do mundo inteiro.

"É absolutamente chocante quando se navega no meio do nada, a milhares de quilômetros da costa, e se descobre a alta concentração de plástico na água", diz o inglês Adam Walters, um dos pesquisadores que viajam a bordo dos barcos do Greenpeace. Segundo o Programa Ambiental das Nações Unidas, existem 46.000 fragmentos de plástico em cada 2,5 quilômetros quadrados da superfície dos oceanos. Isso significa que a substância já responde por 70% da poluição marinha por resíduos sólidos.

A primeira vítima dos plásticos que se depositam nos oceanos é a vida animal. Calcula-se que 267 espécies, principalmente pássaros e mamíferos marinhos, engulam resíduos plásticos ou os levem para seus filhotes julgando tratar-se de alimento. Há seis anos, uma baleia minke foi encontrada morta na Normandia, no norte da França, com 800 quilos de sacolas plásticas no estômago.

Em regiões como a Califórnia, é comum achar tartarugas, leões-marinhos e focas mortos por asfixia ou lesões internas provocadas pela ingestão de plástico. O Atol de Midway, próximo ao Havaí, é o símbolo máximo da tragédia que o plástico impinge aos mares. Por capricho das correntes marinhas, o atol recebe diariamente o entulho plástico proveniente do Japão e da costa oeste dos Estados Unidos.

O lixo de Midway provoca a morte de metade dos 500.000 albatrozes que nascem anualmente no atol, os quais confundem plástico com comida. O plástico do tipo PVC, empregado em canos, brinquedos e numa infinidade de utilidades domésticas, pode conter compostos de estanho altamente tóxicos para moluscos e peixes.



Essas substâncias, que chegam ao mar principalmente pela ação das chuvas que varrem os aterros sanitários, causam alterações hormonais que modificam o sistema reprodutivo e diminuem a taxa de fertilidade desses animais.

Os mesmos compostos de estanho estão presentes em alguns tipos de tinta utilizados para proteger o casco de barcos e navios. "Essas tintas já foram banidas em alguns países, mas continuam a ser usadas em muitos outros", informa o biólogo Alexander Turra, da Universidade de São Paulo.

O plástico encontrado nos oceanos não é apenas aquele que se vê enfeando as praias, como sacolas e garrafas. Uma das principais ameaças vem de peças quase invisíveis, os chamados pellets, bolinhas com meio centímetro de diâmetro utilizadas como matéria-prima pelas indústrias.

Quase metade de todo lixo produzido pelo homem termina no mar.
O mundo produz atualmente 230 milhões de toneladas de produtos plásticos por ano - contra 5 milhões na década de 50. Os pellets chegam aos oceanos como lixo industrial e por meio do descarte de navios que os usam para limpar seus tanques e porões. Essas bolinhas têm enorme capacidade de absorção de poluentes.

Apenas uma delas apresenta concentração de poluentes até 1 milhão de vezes maior que a da água onde se encontra, envenenando os cardumes que a ingerem. Um estudo feito neste ano por pesquisadores da Universidade de São Paulo mostrou que em Santos, no litoral paulista, cada meio metro cúbico de areia da praia contém até 20.000 pellets.

Um trabalho recente desenvolvido por um time de dezenove pesquisadores dos Estados Unidos, da Inglaterra e do Canadá mapeou, pela primeira vez, o impacto da ação humana sobre os mares.

De acordo com o estudo, apenas 4% das áreas oceânicas do mundo, localizadas nos pólos, estão imunes a ela.

E nada menos de 40% das regiões registram interferências humanas de alta ou média intensidade. "O interesse pelo tema aumentou consideravelmente na última década, depois que os cientistas perceberam que a ação humana altera profundamente os oceanos", disse a VEJA o ecologista Benjamin Halpern, da Universidade da Califórnia, coordenador do estudo.

Para chegarem a essa conclusão, os pesquisadores coletaram registros sobre uma série de variáveis, como poluição, atividade pesqueira e ocupação de zonas costeiras, em diversos pontos dos mares e oceanos e avaliaram sua intensidade.

Outro estudo, divulgado na semana passada pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas, indica que três quartos das regiões pesqueiras do mundo estão ameaçados pelo impacto da ação humana. Como as grandes regiões pesqueiras se encontram próximas à costa, sofrem os efeitos do crescimento desenfreado da ocupação dos litorais.

Calcula-se que 2.000 famílias se instalem diariamente em áreas litorâneas. Como se isso não bastasse, segundo o estudo da ONU, a pesca predatória ameaça 80% das principais espécies de peixes comercializadas. A indústria da pesca captura 2,5 vezes mais peixes do que poderia caso respeitasse a capacidade dos cardumes de se renovar.

Os estudos mais recentes sobre a saúde dos oceanos apontam que, além da praga dos plásticos, há cinco principais sintomas da deterioração causada pela interferência humana.

• Acidificação das águas - A produção desenfreada de dióxido de carbono (CO2), o gás do efeito estufa produzido pela queima de combustíveis fósseis, faz com que os oceanos hoje absorvam uma quantidade dez vezes maior da substância do que há 100 anos. O CO2 eleva a acidez das águas, o que ameaça a sobrevivência de diversas espécies de peixes e mamíferos.

• Surgimento de zonas mortas - O esgoto doméstico, os dejetos de gado e o lixo industrial despejados nos oceanos promovem a proliferação de algas. Em excesso, elas ameaçam todas as outras formas de vida porque, quando morrem, são degradadas por bactérias num processo que consome grande parte do oxigênio da água. O resultado é o surgimento das zonas mortas, inóspitas à maioria das espécies. Há cinqüenta anos, havia três zonas mortas no mundo. Hoje, são 150.



• Desaparecimento de mamíferos - A presença de mamíferos marinhos é um indicador bastante preciso da qualidade dos oceanos. Alterações no ciclo de vida desses animais alertam para desequilíbrios em seu ambiente. Na última década, milhares de golfinhos e leões-marinhos morreram por envenenamento ao comer peixes menores, que se alimentam de algas tóxicas, contaminadas por resíduos químicos.

• Marés vermelhas freqüentes - Chama-se de maré vermelha a concentração de algas tóxicas em águas litorâneas. Há uma década, no Golfo do México, ela ocorria uma vez a cada dez anos. Atualmente, acontece todos os anos. Causa a morte de cardumes e pode provocar nas pessoas reações alérgicas e dificuldade para respirar. O fenômeno se deve à destruição dos manguezais e pântanos e à poluição decorrente da ocupação humana nas regiões costeiras.

• Destruição do assoalho marinho - A poluição decorrente de vazamentos em petroleiros destrói o habitat das espécies que vivem próximo à superfície oceânica. Mas o assoalho marinho também sofre com a contaminação ao redor das plataformas de perfuração e extração de petróleo. O nível de hidrocarbonetos no solo marinho se mantém excepcionalmente alto numa área de 8 quilômetros em volta das plataformas de extração. Em algumas regiões do Mar do Norte, a área poluída cobre mais de 100 quilômetros quadrados do assoalho marinho.

Extraído do sítio Planeta Sustentável

25 abril 2012

UM OCEANO DE PLÁSTICO

Entre o litoral da Califórnia e o Havaí, uma área enorme ganhou um triste apelido: o Lixão do Pacífico. Levadas pela corrente marítima, toneladas e toneladas de sujeira, produzidas pelo homem, se acumulam num lugar que já foi um paraíso.

Um oceano de plástico, uma sopa intragável, de tamanho incerto e aproximadamente 1,6 mil quilômetros da costa entre a Califórnia e o Havaí e que, segundo estimativas, seria maior do que a soma de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.


Extraído do Youtube

O MONSTRO DA MONSANTO - Jorgito Patrício



Há cerca de cinco anos a imprensa noticiou que favelados cariocas estavam pegando Ascarel de um depósito e usando-o como óleo de cozinha; o herbicida "agente laranja" foi usado pelos militares dos EUA para desfolhar árvores do Vietnã durante a guerra. 

A Monsanto é a maior produtora de herbicidas do mundo, e está entre as cem empresas mais lucrativas dos EUA. Apenas nos últimos dois anos, investiu US$ 6,7 bilhões na aquisição de outras companhias norte-americanas de sementes e biotecnologia, tornando-se a maior empresa do ramo.

A Monsanto Chemical Company foi fundada em 1901, em Saint Louis, Missouri, Estados Unidos. Nos anos 20, se converteu num dos maiores fabricantes de ácido sulfúrico e de outros produtos básicos da indústria química. Desde a década de 40 até hoje sempre se manteve entre as dez maiores indústrias químicas dos Estados Unidos. 

Em 1929 a Swan Chemical Company, adquirida pouco depois pela Monsanto, desenvolveu os bifenilos policlorados (PCBs) que foram elogiados por sua extraordinária estabilidade química e ininflamabilidade. Os PCBs, ou Ascarel, foram largamente utilizados como refrigerantes de equipamentos elétricos.

Nos anos 60, os numerosos compostos da família dos PCBS da Monsanto foram usados como lubrificantes de ferramentas, revestimentos impermeáveis, refrigeradores de transformadores. Nos anos 30 já se tinham alguns indícios dos perigos dos PCBs. Nos anos 60 e 70 os cientistas apresentaram dados conclusivos: os PCBs e outros compostos organoclorados provocavam câncer e estavam relacionados com um conjunto de transtornos reprodutivos e imunológicos.

O centro mundial de produção de PCBs era a fábrica da Monsanto em East Saint Louis. O lugar hoje é um subúrbio de empobrecimento crônico. A cidade tem a taxa mais elevada de morte fetal e de nascimentos prematuros do estado. O Ascarel é proibido hoje no mundo, mas ninguém sabe o que fazer com as milhões de toneladas do produto estocadas por todo planeta.

Agente Laranja

Há cerca de cinco anos a imprensa noticiou que favelados cariocas estavam pegando Ascarel de um depósito e usando-o como óleo de cozinha! O herbicida conhecido como agente laranja foi usado pelos militares norte-americanas dos EUA para desfolhar as árvores da selva tropical do Vietnã durante a guerra nos anos 60. É uma mistura de dois tóxicos poderosos, o 2,4,5-T (ácido Triclorofenoxiacético) e 2,4-D (ácido Diclorofenoxiacético).

Ele era fornecido por várias empresas, mas o da Monsanto era o mais poderoso por conter níveis maiores de dioxinas. As dioxinas, já se comprovou, são carcinogênicas e teratogênicas (gera fetos mal formados). Por conta desta eficiência, a Monsanto foi a principal acusada na demanda interposta pelos veteranos de guerra que, depois do conflito, apresentaram uma série de doenças atribuídas a exposição ao agente laranja.

É preciso observar que os militares prestaram serviço por no máximo um ano no Vietnã. Mas e os nativos da região? Estimativas dão conta da existência de mais de 500 mil crianças nascidas no Vietnã desde os anos 60 com deformidades relacionadas às dioxinas contidas no agente laranja.

Uma ação judicial, motivada pela denúncia de trabalhadores ferroviários expostos a dioxinas em consequência de um descarrilamento, revelou a existência de dados manipulados. Um funcionário da Agencia de Proteção Ambiental Americana (EPA) concluiu que os estudos foram manipulados para apoiar a posição da Monsanto, que defendia que os efeitos das dioxinas limitavam-se à cloroacne (uma enfermidade da pele). A Monsanto teve que pagar US$ 16 milhões e se revelou que muito dos produtos da empresa, desde herbicidas caseiros estavam contaminados por dioxinas.

Extraído do sítio Brasil de Fato