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18 janeiro 2013

TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O SOPA - Guilherme Souza

“A internet era livre e divertida, mas então tomou uma SOPA no joelho.” Usuário do YouTube.


SOPA e PIPA. Essas duas inocentes palavras em português escondem um significado polêmico nos Estados Unidos. São acrônimos para Stop Online Piracy Act e Protect IP Act, dois projetos de lei antipirataria que, se aprovados, vão mudar a forma como a internet é feita e a usamos. Ambos os projetos ainda tramitam no congresso, mas as chances de serem aprovados são grandes. Eles possuem extenso apoio bipartidário (algo raro) e estão amparados pela poderosa indústria do entretenimento. Segundo os cálculos da Maplight.org, uma organização que divulga as fontes de dinheiro de campanhas políticas, o lobby a favor do SOPA já arrecadou quatro vezes mais dinheiro do que os lobistas contrários. São quase US$ 2.000.000 provindos de companhias como Time Warner e RIAA, contra meros US$500.000 provenientes de empresas do Vale do Silício como Google, eBay e Yahoo.

Para uma lista completa das empresas que já declararam publicamente o seu apoio a esses projetos de lei, clique aqui.

COMO VAI FUNCIONAR?

Ambos os projetos, SOPA e PIPA, são bastante semelhantes. Enquanto o primeiro tramita na câmara dos representantes ou deputados o segundo corre no senado. O modo como eles pretendem impedir a pirataria é através do bloqueio DNS, que ironicamente é a mesma forma que países como China, Síria e Irã, tão criticados pelos EUA no que tange o acesso a informação, utilizam para praticar a censura na internet.

Quando você digita facebook.com no seu navegador, seu computador se comunica com servidores DNS (Domain Name System) que convertem o nome do site em um endereço de IP (69.63.189.16, por exemplo). Digitando o número de IP diretamente no seu navegador, você entra no site da mesma forma. O SOPA permitirá a alteração do DNS, impedindo que o endereço de IP de determinado domínio seja encontrado, bloqueando o seu acesso.

Os sites com conteúdo ilegal também serão excluídos dos resultados de ferramentas de buscas, como Google e Bing, e ficarão impedidos de receber dinheiro através do Paypal e das bandeiras Visa e Mastercard, por exemplo.

Assista o vídeo abaixo, postado há alguns dias aqui no youPIX para entender tudo isso melhor:



COMO É A LEGISLAÇÃO ATUAL?

Os críticos do SOPA/PIPA argumentam que o Ato dos Direitos Autorais do Milênio Digital, aprovado em 1998, já cobre muito do que a nova legislação objetiva evitar. Contudo, a indústria do entretenimento não anda muito satisfeita com algumas brechas existentes na lei em vigor. Atualmente, os servidores e redes sociais, por exemplo, não são responsáveis pelo conteúdo publicado pelos seus usuários e, portanto, não podem ser punidos por isso. Eles devem apenas retirar o material ilegal quando solicitados. O problema é que quando o site está sediado fora dos Estados Unidos, o pedido pode não ser atendido. Com a nova lei isto não será mais problema, visto que a página poderá ser inteiramente bloqueada.


QUAIS SÃO AS CRÍTICAS AO SOPA/PIPA?

Os principais problemas do SOPA e do PIPA são que eles permitiriam ao governo estadunidense o imenso poder de censurar completamente sites acusados de ter conteúdo pirata e também aqueles que linkam para algum material que infringe direitos autorais, o que englobaria desde o gigante Google até o mais inofensivo dos blogs. Se esta lei estivesse em vigência há alguns anos, seria muito difícil para empresas como Twitter e YouTube irem para frente, já que provavelmente seriam bloqueadas logo no seu começo devido ao compartilhamento de material protegido por direitos autorais. Se for aprovada, esta lei inibirá a criatividade e o surgimento de startups inovadoras. O medo do bloqueio levará progressivamente os sites a se autocensurarem diminuindo a circulação de informação e conteúdo.


O QUE A INTERNET ESTÁ FAZENDO A RESPEITO?

Embora pouco possa ser feito frente ao lobby milionário a favor do SOPA, as pessoas não estão esperando o projeto de lei ser aprovado de braços cruzados. Quem entra no 4chan, celeiro de memes e de movimentos ciberativistas, consegue ver, entre uma imagem pornográfica e outra, usuários conclamando à mobilização contra o SOPA. Não será nenhuma surpresa se nos próximos meses ocorrer alguma ação do grupo Anonymous (um ajuntamento de ciberativistas extremamente ligado ao 4chan). No Reddit, têm sido feitas listas que reúnem endereços de IP de sites-chaves que podem vir a ser bloqueados pelo SOPA.

Já outro usuário do Reddit, se aproveitou de uma nova ferramenta do site da Casa Branca, que permite aos internautas criarem petições oficiais sobre quaisquer assuntos. Aquelas que atingem 25 mil assinaturas no prazo de um mês ganham uma resposta oficial da Casa Branca. Em apenas dois dias, a petição que pede o veto ao SOPA ultrapassou esse mínimo e, no momento, já ultrapassou a casa dos40 mil. A petição pode ser conferida aqui.

Embora não seja nenhum arroubo de eloquência, o texto conseguiu o seu objetivo e tem duas boas sacadas, ao postar um discurso do Obama, no qual ele defende a livre circulação da informação em oposição à censura que ocorre na China, e ao linkar uma imagem protegida por direitos autorais, alertando que este ato levaria ao bloqueio do site da própria Casa Branca, expondo o ridículo da lei. Até o momento, o Obama ainda não se manifestou.

Um desenvolvedor chamado Tamer Rizk já fez um plugin para o Firefox, o DeSOPA, que permite a qualquer usuário do navegador acessar sites bloqueados pelo SOPA.

Durante os últimos dias, quem entrou no Pirate Bay foi convidado a assistir um dos vídeos-protesto mais interessantes sobre o assunto. Um rap chamado “SOPA cabana”. O mais curioso é que o vídeo é resultado justamente da força colaborativa e criativa da internet que está ameaçada pelo SOPA. Dan Bull, o criador do vídeo, pediu aos seus seguidores no Twitter ideias para escrever uma canção sobre o SOPA. Após concluir a música, ele foi ao Facebook e pediu voluntários para tirarem fotos mostrando partes da letra. O resultado ficou impressionante.



QUAL VAI SER O IMPACTO DO SOPA?

Os internautas já estão encontrando formas de burlar o SOPA antes mesmo de ele ser aprovado. Aliás, esta é a principal crítica ao projeto: tudo que ele não faz é impedir a pirataria, já que qualquer um pode furar o bloqueio DNS. Porém, isso não significa que a internet não será prejudicada e tampouco que os únicos afetados serão os norte-americanos. Especialistas em segurança da informação afirmam que com esta lei em vigor, se tornará impossível implementar um novo protocolo DNS, denominado DNSSEC, que tornaria a internet mais segura. Como já foi dito, o SOPA acabará também por inibir a criatividade, a inovação e a circulação de informação na rede. Além disso, uma vez aprovada nos Estados Unidos, esta lei fatalmente se espalhará por outros países.

Não é um cenário nada animador, mas gosto de enxergar a internet como o monstro da mitologia grega, Hidra de Lerna. Corte uma de suas cabeças e duas novas nascem no lugar. Se algum desses projetos de lei for aprovado, o golpe será duro, é verdade, mas acredito que a internet encontrará o seu caminho como já fez outras vezes.

Para mais informações acesse: American Censorship

Extraído do sítio YouPix

19 janeiro 2012

SITES REALIZAM APAGÃO GERAL CONTRA LEI DE PROPRIEDADE INTELECTUAL

Os maiores sites do mundo realizam nesta quarta-feira 18 uma espécie de greve online para protestar contra dois projetos de lei que serão votados no parlamento americano no próximo mês. O Stop Online Piract Act, SOPA, e o Protect IP. Act, PIPA, visam preservar os direitos autorais na internet. Mas, para muitos, acabariam com a lógica de conhecimento compartilhado da Web.

Lei que tramita no parlamento americano restringe compartilhamento de conteúdos nas redes; em protesto, sites como Wikipedia realizaram blecaute

A home da versão em inglês da Wikipedia amanheceu com a tela preta, e com um texto explicando o protesto. “Imagine um mundo sem conhecimento gratuito”, diz a página. E conta que o site será paralisado durante todo o dia, em protesto contra os dois projetos de lei. O Google também utilizou sua homepage para divulgar o protesto, com um link para texto explicativo.

Se aprovadas, as duas leis obrigarão os sites de compartilhamento fiscalizar o conteúdo hospedado em sua rede. Assim, se um conteúdo estiver infringindo a lei de direitos autorais americana, o site que o abriga deve bloquear seu domínio, o acesso ao site, sua publicidade, pagamentos e conexões em cinco dias. Na prática, isso altera toda a lógica de compartilhamento utilizada até então, em que redes como Facebook, Twitter, Google, YouTube e Wikipedia possibilitam que o internauta tenha acesso a todo tipo de conteúdo gratuitamente.

Por exemplo, se alguém postar em sua página no Facebook algum vídeo com algum clipe ou show de determinado artista, a rede social pode determinar o bloqueio do usuário.

Além disso, as leis forçariam uma fiscalização mais rigorosa sobre o conteúdo que circular por essas redes – infringindo a privacidade dos usuários atuando como espécies de censores.

Cerca de 120 websites confirmaram participação no protesto desta quarta-feira. Entre eles, as versões em inglês do WordPress e Mozilla e até a página do documentarista Michael Moore. Ao todo, mais de 10 mil sites participaram do protesto.

No Brasil, vários sites se uniram ao movimento, como a Homepage da Casa de Cultura Digital e dezenas de blogs. Aqui, o protesto se estende ao substitutivo do Senador Azeredo ao projeto de lei 84/99, que também pune certas formas de compartilhamento na Web e, segundo os ciberativistas, reduzem as possibilidades de inclusão digital, ao restringir o uso de obras cerceadas pelo copyright (direito autoral), entre outras atividades na rede.

Apesar de se restringir aos Estados Unidos, as leis afetarão a Internet em todo o mundo. Isso porque os principais domínios da Web (.net, .com, .or) e as maiores redes (Facebook, Twitter, Google, etc) são americanas e, portanto, respondem à legislação do país.

Outro argumento contra os dois atos é de que, impedindo a colaboração, o SOPA estaria aumentando os custos e dificultando a inovação na rede.

Em defesa das leis está a indústria de entretenimento e farmacêutica dos Estados Unidos. O PIPA passará por debate e votação no Senado a partir de 24 de janeiro. Já o SOPA enfrentará votação preliminar no Comitê Judicial da Câmara de Representantes em fevereiro. Liderandoo grupo a favor, o republicano Lamar Smith argumenta que as leis protegerão os consumidores, negócios e empregos de “ladrões estrangeiros”, que roubariam a propriedade intelectual do país.

Já a Casa Branca é contra a aprovação da Lei, pois acredita que a restrição pode prejudicar negócios legítimos.

Em sua página explicativa, a Wikipedia refuta a teoria de que o protesto seria na verdade uma guerra entre a indústria de Hollywood, terra das grandes produtoras e gravadoras e do Vale do Silício, onde foram criadas as principais redes americanas.

O #StopSopa figurou como um dos tópicos mais comentados do Twitter no mundo, assim como o “EndPiracy” (acabe com a pirataria), complementado pelo “Not liberty” (mas não com a liberdade).


Extraído do sítio da Revista Carta Capital

28 novembro 2011

ESTADOS UNIDOS PREVÊEM REGULAR O USO DO CIBERESPAÇO

Washington, 27 nov (Prensa Latina) Autoridades dos Estados Unidos mantêm em debate hoje, por separado, dois projetos de lei encaminhados a regular e limitar o uso da Internet neste país nortenho, o qual poderia trazer impactos ao resto do mundo.

As regulações submetidas a discussão são a Lei para Frear a Pirataria em Série (SOPA, por suas siglas em inglês) e a Lei para Prevenir Ameaças Reais em Série à Criatividade Econômica e Roubo à Propriedade Intelectual, conhecida como Proteção ao IP, referiu o diário La Opinión.

O regulamento contra a pirataria, analisada pela Câmera de Representantes, foi apresentada no passado 26 de outubro e estabelece a possibilidade de fechar sites operados desde Estados Unidos ou de outro país, que resultem suspeitos de contar com documentos protegidos pelo direito de autor.

Ao mesmo tempo, o Senado estuda a normativa Proteção a IP, que versa sobre a defesa contra o roubo de trabalhos ou documentos por via cibernética e constitui um complemento do SOPA.

Segundo o rotativo, o custo da aplicação desses estatutos estima-se em ao redor de 47 milhões de dólares até o ano 2016.

A aprovação dessas leis implicaria uma nova etapa no uso de Internet, considerada por muitos como um espaço demasiado livre.

Facebook, Twitter, consideradas as principais redes sociais, bem como os maiores buscadores (Google, Yahoo, eBay e AOL) manifestaram rejeição aos dois projetos, que contam em princípio com apoio de 23 congressistas dos partidos Democrata e Republicano.

Extraído do sítio da Prensa Latina