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23 janeiro 2013

AÉCIO NEVES FARÁ "CARAVANAS DA PRIVATARIA" - Helena Sthephanowitz

Enquanto o ex-presidente Lula planeja fazer Caravanas da Cidadania no Brasil, para elevar o ativismo político o presidenciável tucano Aécio Neves (PSDB-MG) fará viagens defendendo a privatização.

Com mandato de parlamentar pago pelo contribuinte, senador viajará fazendo campanha pela Presidência (Foto: Antônio Cruz. Arquivo Agência Brasil)

Aécio Neves, em vez de exercer seu mandato de senador, pretende viajar pelo Brasil, fazendo conchavos com oligarquias e "resgatando" o programa da Privataria Tucana implementado no governo Fernando Henrique Cardoso (FHC). Quem paga? O povo que o elegeu para o Senado, já que o senador não abrirá mão de seu salário. Além da imprensa, que dará todo destaque, Aécio terá também espaço nos programas de TV do partido, que serão exibidos em 30 de maio e em 19 de setembro, além dos oito dias de inserções de 5 minutos diários. Como vocês podem notar, a campanha eleitoral 2014 já começou.

O senador tucano será o futuro presidente nacional do PSDB. E já tem agendada, ainda este mês, reunião com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Depois do paulista, Aécio continuará alinhavando ao Sul, ao Norte e ao Nordeste. É objetivo repetir o modelo que o elegeu em 2002 ao governo de Minas, mas, dessa vez, Aécio é o candidato à sucessão de Dilma Rousseff (PT). 

O parlamentar carregará na mala promessas como apoio financeiro dos banqueiros privados, insatisfeitos com Dilma por causa da queda da taxa de juros, e que veem em Aécio a esperança da volta dos juros altos. Carregará também o apoio de investidores internacionais que preferem os brasileiros pagando tarifas altas da conta de luz para remeterem mais lucros para o exterior. Além do apoio das petroleiras internacionais de olho grande no pré-sal e na retomada do projeto de fatiar a Petrobras para vendê-la aos pedaços. Aécio já nomeou o ex-genro de FHC, Zylbersztajn, para a Light, para mantê-lo por perto. 

Além disso, Aécio tem a oferecer às oligarquias políticas encalacradas com operações da Polícia Federal a volta dos anos FHC, com a nomeação de um Geraldo Brindeiro para procurador-geral da República, e "enquadrar" a PF para fazer como nos tempos de FHC, quando faltava até gasolina nas viaturas, para impedir operações que "constrangessem" políticos da base de apoio dos demotucanos, na época. 

Aécio já começou sua caravana da privataria pelo Rio de Janeiro, encontrando-se a equipe econômica de FHC que quebrou o Brasil três vezes. O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan e o economista Edmar Bacha, depois de servirem ao banqueiros, com uma política de juros altos, quando estavam no governo, viraram, eles próprios, banqueiros. O ex-ministro Pedro Malan e o economista Edmar Bacha fazem parte do Banco Itaú, que patrocina o Jornal da Globo para William Waack e Sardenberg criticarem a queda na taxa de juros, promovida pela presidenta Dilma.

Extraído do sítio Rede Brasil Atual

20 dezembro 2012

AMAURY RIBEIRO JR. PROMETE REVELAR EM NOVO LIVRO BASTIDORES DO COMPLÔ PARA DERRUBAR LULA E DILMA - Luiz Carlos Azenha

Amaury e o primeiro petardo (foto LCA)

Na semana seguinte às eleições municipais em que Fernando Haddad derrotou José Serra em São Paulo, episódios estranhos começaram a acontecer em torno do premiado repórter Amaury Ribeiro Jr., autor do livro Privataria Tucana, o best seller que vendeu 150 mil cópias.

Primeiro, ele foi procurado por telefone por um homem de Guarulhos que prometeu documentos relativos à Operação Parasita, da polícia paulista, que investigou empresas que cometiam fraudes na área da saúde. Foi marcada uma reunião, mas a fonte se negou a entrar no local de trabalho de Amaury. Quando se encontraram pessoalmente, do lado de fora, a história mudou: o homem ofereceu a Amaury a venda de material secreto que teria como origem o despachante Dirceu Garcia.

No inquérito da Polícia Federal que apura a quebra de sigilo de dirigentes do PSDB, aberto durante a campanha eleitoral de 2010, Dirceu é a única testemunha que acusa Amaury de ter participado da violação. “Novamente, estão querendo armar contra mim”, diz Amaury. “Mas desta vez a trama foi toda gravada por câmera de segurança”.

Em seguida, outra situação nebulosa, desta vez supostamente para atingir a Editora Geração Editorial, que publicou o Privataria Tucana. Um “ganso” da polícia paulista marcou encontro com o diretor de comunicação, William Novaes, com o objetivo de entregar um dossiê que incriminaria vários políticos tucanos, entre eles o ex-senador Tasso Jereissati.

O encontro, do qual Amaury também participou, foi gravado por câmeras ocultas. Amaury acredita que o objetivo era entregar à editora material falso que pudesse ser usado para desqualificar seu livro. Diante da recusa, a mesma suposta “fonte”, que responde a vários processos por estelionato, ligou para a editora dias depois dizendo que Amaury corria risco de vida.

“Acredito que eles pretendiam me acusar de obstruir o processo em andamento, o que poderia até resultar em minha prisão”, avalia o repórter.

Na mesma semana, narra Amaury, o ex-sub-procurador da República, hoje advogado José Roberto Santoro, que segundo a revista Veja tem ligações com o tucano José Serra, procurou a direção do jornal O Tempo, de Minas Gerais, para intermediar um encontro com a direção do jornal Hoje em Dia, onde Amaury mantém coluna semanal.

O objetivo, segundo o repórter, seria reclamar de uma nota publicada na coluna de Amaury relativa a uma mineradora de Minas e ao ex-governador do Espírito Santo, Paulo Hartung. Mas, de acordo com Amaury, no encontro Santoro não reclamou objetivamente do conteúdo da coluna. “Ele ficou falando mal de mim, tentando levar à minha demissão e quando foi advertido pelos diretores do jornal aumentou ainda mais o tom de voz, como se estivesse numa crise histérica”, diz o repórter. A coluna continua a ser publicada.

Qual seria a explicação para esta sequência de eventos?

Amaury explica: “Está ocorrendo um verdadeiro complô, articulado provavelmente por tucanos, com apoio de setores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. O objetivo é derrubar primeiro o Lula e depois atingir a presidenta Dilma”.

Aqui, é importante lembrar que, na campanha de 2010, Amaury foi acusado pela mídia de integrar um grupo de inteligência a serviço da campanha de Dilma Rousseff, aquele que teria violado o sigilo fiscal de tucanos. O repórter nega: “Estão querendo requentar um assunto velho, que sumiu das páginas dos jornais logo depois das eleições de 2010. Pelo jeito vai voltar já pensando em 2014. Talvez estejam pensando em me usar para chegar na Dilma”.

Amaury estranha que o processo sobre a violação do sigilo de tucanos tenha voltado a andar uma semana depois das eleições de 2012, quando foram chamados para depor o jornalista Luiz Lanzetta e o secretário particular do diretor de redação do Correio Braziliense e do Estado de Minas, Josemar Gimenez.

Lanzetta trabalhou na campanha de Dilma e foi acusado de ser o chefe do suposto núcleo de inteligência. Quanto a Josemar, Amaury trabalhou em O Estado de Minas, onde deu sequência à apuração dos fatos que resultaram no livro Privataria Tucana. O repórter enfatiza sempre que baseou o livro em documentos públicos obtidos em juntas comerciais e cartórios, na CPI do Banestado e no Exterior.

Aqui, pausa para uma bomba: segundo Amaury, o presidente do PSDB, Sergio Guerra, entrou na Justiça de Brasília com uma ação em que pede a retirada de circulação do livro, alegando que o Privataria Tucanacausa danos morais a caciques do partido. O pedido foi feito durante a campanha de 2012 mas até hoje a Justiça não se pronunciou.

“Com certeza, o livro provocou muitos estragos nas eleições. Com certeza continuará provocando. O curioso é que eles nunca respondem especificamente às acusações ou documentos mostrados no livro”, diz Amaury.

Ele também estranha que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que recebeu dezenas de livros pelos Correios, de leitores indignados com o conteúdo, não tenha aberto um procedimento para apurar as denúncias. Amaury entregou parte dos documentos utilizados no Privataria à Polícia Federal, que até hoje não abriu inquérito.

Além disso, apesar de o deputado federal e ex-delegado da PF Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) ter conseguido o número de assinaturas necessárias à abertura da CPI da Privataria, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), parece ter sentado sobre o assunto.

NOVO LIVRO

Desde o lançamento do Privataria Tucana, Amaury fala em escrever a sequência. O livro já tem nome: Privataria 2, o Grande Complô.

Viomundo: Amaury, do que tratará o livro?

Amaury: Vou mostrar como funciona o núcleo de inteligência do PSDB, que domina até hoje setores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Eles se movimentam para desarticular o ex-presidente Lula e futuramente a presidenta Dilma. Quero mostrar porque o PT não reage. No caso da CPI do Cachoeira, tinha a faca e o queijo na mão para investigar melhor a relação entre o bicheiro e a revista Veja.

Viomundo: Você tem explicação para o recuo do relator Odair Cunha (PT-MG)?

Amaury: O PT parece abafar todos os casos. Suspeito que é por um motivo simples. Herdou e deu continuidade a esquemas dos tucanos. No caso do Odair Cunha, devemos lembrar que o ex-sócio dele, que é da região de Boa Esperança, em Minas Gerais, se tornou diretor de Furnas e controla verbas e cargos. Será que tem o rabo preso e os tucanos descobriram?

Viomundo: E a CPI da Privataria, agora sai?

Amaury: Acho que não sai. Tudo indica que o PT tenha herdado o esquema promíscuo que os tucanos tinham com as empresas de telecomunicações. Diante da nova denúncia do Marcos Valério, que diz que a Brasil Telecom teria doado 7 milhões de reais ao PT, o partido vai ficar totalmente desmoralizado se a CPI não for aberta. Se não for aberta, vai ficar bem claro que eles temem que as investigações atinjam o próprio PT.

Viomundo: O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto, chegou a convidar o ex-presidente FHC para falar sobre a lista de Furnas. Mas foi desautorizado pelo líder do PT no Senado, Walter Pinheiro. Afinal, essa lista de Furnas é falsa, como afirmam os tucanos?

Amaury: O laudo da perícia da Polícia Federal diz que é verdadeira. A lista mostra doações de campanha feitas por um esquema montado em Furnas para vários caciques do PSDB, dentre os quais Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra. O caso foi denunciado na Justiça federal do Rio de Janeiro pela procuradora Andrea Bayão Ferreira, que em seu relatório diz não ter dúvidas da existência do esquema, que era abastecido por empresas fornecedoras de Furnas. Mas a Justiça Federal transferiu o caso para a Justiça estadual do Rio de Janeiro, apesar de Furnas ser uma estatal federal. É outro caso no qual o procurador Gurgel não tomou qualquer providência. Será que ele faria o mesmo se fosse um esquema petista?

Viomundo: E essa história do mensalão tucano, anda?

Amaury: Mais uma vez houve tratamento diferenciado ao PSDB. No caso do mensalão tucano, houve desmembramento das investigações, encaminhadas à Justiça de Minas. No STF só serão julgados os reús com foro privilegiado. Vai ficar mais difícil montar o quebra-cabeças que facilitaria a condenação, como foi o caso do mensalão petista. As teorias do Gurgel não teriam vingado se tivesse havido desmembramento também no mensalão petista. No caso dos tucanos, houve.

Viomundo: Lula nunca falou sobre a Operação Porto Seguro, aquela que desvendou um esquema de tráfico de influência nas agências reguladoras e que teria a participação de Rosemary Nogueira. A mídia explorou o que define como “relações íntimas” entre o ex-presidente Lula e Rosemary. O que te pareceu o caso?

Amaury: São denúncias sérias, que devem ser apuradas. Mas outra vez a imprensa, a Polícia Federal e o Ministério Público dão tratamento desigual a petistas e tucanos. Devemos lembrar que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acreditava ter tido um filho com uma jornalista da Globo e a imprensa não só calou a respeito durante quase duas décadas como ajudou a abafar o caso. Uma concessionária pública, a Globo, transferiu a mãe do menino para a Espanha. Conheço bem essa história. Nunca toquei no assunto por se tratar da vida pessoal. Mas diante do cinismo da imprensa estou pensando em incluir no livro algumas revelações sobre como era o esquema para sustentar mãe e filho na Europa. É jornalistacamente relevante por se tratar de dinheiro de caixa dois, de financiamento de campanha. Tenho uma testemunha que sabe de tudo.

Viomundo: Você não poupa nem a PF, que vem trabalhando como nunca?

Amaury: O governo é petista, mas há um núcleo tucano na PF, tanto que a presidente da República só ficou sabendo da Operação Porto Seguro depois que ela foi deflagrada. O ministro da Justiça apareceu na TV com aquela cara de bobo, ficou vendido. Vale lembrar que o início das investigações se deu pelas mãos do serviço de inteligência do PSDB, que cooptou testemunhas para levar o caso adiante. Meu livro vai contar os detalhes de como isso aconteceu. Vai também desnudar as relações promíscuas entre integrantes do Ministério Público e da Polícia Federal com o alto tucanato. Como vou sustentar, é mesmo um grande complô.

Viomundo: Mas se a Rosemary foi exonerada no dia seguinte à operação da PF, Dilma não sabia de nada antecipadamente? Há especulação de que ela deixou andar justamente para eliminar um núcleo de corrupção que herdou do governo Lula…

Amaury: Essa é a grande pergunta, até hoje não foi respondida. Pretendo responder no livro.

Viomundo: Já que estamos no campo das especulações, e a boataria sobre a saída de Dilma do PT para o PDT?

Amaury: Seria um suicídio político. No PDT há uma briga de vida e morte entre a família Brizola e o ex-ministro Carlos Lupi. Só faria sentido ela sair do PT se o Lula fosse candidato em 2014, o que o atual quadro político não indica.

Viomundo: E essas gravações que você fez, do pessoal que tentou armar contra você, vão entrar no livro?

Amaury: Com certeza, mas antes vou entregar todo o material à Polícia Federal e à Justiça. Quero deixar claríssimo que eles escolhem os casos para investigar e punir. Como eles até agora não tomaram providências, pretendo entrar com representações na PF e no Ministério Público pedindo a apuração das denúncias contidas no Privataria Tucana. Quero ver eles sentarem em cima do assunto. Pelo jeito só vai me restar fazer denúncias fora do Brasil por meio da ICIJ, International Consortium of Investigative Journalists, entidade que tem sede nos Estados Unidos e representação em dezenas de paises. Fui o primeiro repórter brasileiro a integrar a entidade e estou pensando em acioná-la se as autoridades brasileiras não tomarem providências.

Extraído do sítio Viomundo

18 dezembro 2012

SECRETÁRIO DO PT DEFENDE CPI PARA INVESTIGAR FHC


"Quem não deve, não teme", afirmou o secretário de Comunicação do PT, André Vargas; segundo ele, é preciso abrir a CPI da Privataria Tucana para apurar, entre outros fatos, o processo de privatização do sistema de telefonia do País; para o deputado federal, essa seria uma "reação natural" às críticas contra Lula.

Numa reação direta às críticas recentes contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o secretário de Comunicação do PT, deputado federal André Vargas, defendeu nesta terça-feira a abertura da CPI da Privataria Tucana, a fim de investigar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o processo de privatização do sistema de telefonia brasileiro.

Segundo ele, é necessário apurar uma conversa telefônica, "no mínimo suspeita", em que FHC supostamente favorece um grupo empresarial durante o leilão de privatização da Telebrás. "Quem não deve, não teme", disse Vargas. Ele diz que a defesa à CPI é uma "reação natural" aos ataques contra Lula, aos quais se refere como uma forma de "desconstruir" a imagem do ex-presidente.

Vargas destacou também a diferença nos tratamentos que recebem os dois ex-presidentes. Há "dois pesos e duas medidas em relação a nossos ex-presidentes", disse o deputado. "Não se cultiva o ex-presidente Lula dentro do País e FHC é sempre tratado como uma voz a ser ouvida", acrescentou. Ele citou que a oposição, ao usar denúncias contra Lula na agenda parlamentar, também recebe o apoio da imprensa.

O pedido de abertura da CPI foi feito há exatamente um ano pelo deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), que conseguiu reunir 172 assinaturas, uma a mais que o necessário. Além de FHC, outro personagem apontado como alvo de investigação é o ex-ministro e ex-governador José Serra, personagem importante do livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr. lançado no ano passado, "A Privataria Tucana".

Extraído do sítio Brasil 247

09 novembro 2012

O "MENSALÃO" TUCANO - Mino Carta

A mídia nativa entende que o processo do “mensalão” petista provou finalmente que a Justiça brasileira tarda, mas não falha. Tarda, sim, e a tal ponto que conseguiu antecipar o julgamento de José Dirceu e companhia a um escândalo bem anterior e de complexidade e gravidade bastante maiores. Falemos então daquilo que poderíamos definir genericamente como “mensalão” tucano. Trata-se de um compromisso de CartaCapital insistir para que, se for verdadeira a inauguração de um tempo novo e justo, também o pássaro incapaz de voar compareça ao banco dos réus.

A privataria. Não adianta denunciar os graúdos: a mídia nativa cuida de acobertá-los

Réu mais esperto, matreiro, duradouro. A tigrada atuou impune por uma temporada apinhada de oportunidades excelentes. Quem quiser puxar pela memória em uma sociedade deliberadamente desmemoriada, pode desatar o entrecho a partir do propósito exposto por Serjão Motta de assegurar o poder ao tucanato por 20 anos. Pelo menos. Cabem com folga no enredo desde a compra dos votos para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, até a fase das grandes privatizações na segunda metade da década de 90, bem como a fraude do Banestado, desenrolada entre 1996 e 2002.

Um best seller intitulado A Privataria Tucana expõe em detalhes, e com provas irrefutáveis, o processo criminoso da desestatização da telefonia e da energia elétrica. Letra morta o livro, publicado em 2011, e sem resultado a denúncia, feita muito antes, por CartaCapital, edição de 25 de novembro de 1998. Tivemos acesso então a grampos executados no BNDES, e logo nas capas estampávamos as frases de alguns envolvidos no episódio. Um exemplo apenas. Dizia Luiz Carlos Mendonça de Barros, presidente do banco, para André Lara Rezende: “Temos de fazer os italianos na marra, que estão com o Opportunity. Fala pro Pio (Borges) que vamos fechar daquele jeito que só nós sabemos fazer”.

Afirmavam os protagonistas do episódio que, caso fosse preciso para alcançar o resultado desejado, valeria usar “a bomba atômica”, ou seja, FHC, transformado em arma letal. Veja eÉpoca foram o antídoto à nossa capa, divulgaram uma versão, editada no Planalto e bondosamente fornecida pelo ministro José Serra e pelo secretário da Presidência Eduardo Jorge. O arco-da-velha ficou rubro de vergonha, aposentadas as demais cores das quais costuma se servir.

Ah, o Opportunity de Daniel Dantas, sempre ele, onipresente, generoso na disposição de financiar a todos, sem contar a de enganar os tais italianos. Como não observar o perene envolvimento desse monumental vilão tão premiado por inúmeros privilégios? Várias perguntas temperam o guisado. Por que nunca foi aberto pelo mesmo Supremo que agora louvamos o disco rígido do Opportunity sequestrado pela PF por ocasião da Operação Chacal? Por que adernou miseravelmente a Operação Satiagraha? E por que Romeu Tuma Jr. saiu da Secretaria do Ministério da Justiça na gestão de Tarso Genro? Tuma saberia demais? Nunca esquecerei uma frase que ouvi de Paulo Lacerda, quando diretor da PF, fim de 2005: “Se abrirem o disco rígido do Opportunity, a República acaba”. Qual República? A do Brasil, da nação brasileira? Ou de uma minoria dita impropriamente elite?

Daniel Dantas é poliédrico, polivalente, universal. E eis que está por trás de Marcos Valério, personagem central de dois “mensalões”. Nesta edição, Leandro Fortes tece a reportagem de capa em torno de Valério, figura que nem Hollywood conseguiria excogitar para um policial noir. Sua característica principal é a de se prestar a qualquer jogo desde que garanta retorno condizente. Vocação de sicário qualificado, servo de amos eventualmente díspares, Arlequim feroz pronto à pirueta mais sinistra. Não se surpreendam os leitores se a mídia nativa ainda lhe proporcionar um papel a favor da intriga falaciosa, da armação funesta, para o mal do País.

Pois é, hora do dilema. Ou há uma mudança positiva em andamento ou tudo não passa de palavras, palavras, palavras. Ao vento. É hora da Justiça? Prove-se, de direito e de fato. E me permito perguntar, in extremis: como vai acabar a CPI do Cachoeira? E qual será o destino de quem se mancomunou com o contraventor a fim de executar tarefas pretensamente jornalísticas, como a Veja e seu diretor da sucursal de Brasília, Policarpo Jr., uma revista e um profissional que desonram o jornalismo.

Extraído do sítio Revista CartaCapital

17 setembro 2012

EMILIANO JOSÉ: CONQUISTAS PONTUAIS NÃO SUBSTITUEM MARCO REGULATÓRIO DAS TELECOMUNICAÇÕES - Rachel Duarte

Deputado federal do PT-BA diz que atual Marco é o mesmo desde 1962: " É até uma obviedade dizer o quanto ele é anacrônico” | Foto: Alexandra Martins / Agência Câmara
Segue em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal o PL 2006/11 que altera o Código Brasileiro de Telecomunicações. Com 50 anos de existência, o código tem normas ultrapassadas que não garantem direito a uma comunicação democrática e adequada às novas mídias, além de servir de sustentação a um monopólio das telecomunicações. Estes são os argumentos da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito a Comunicação com Participação Popular (FRENTECOM) para insistir na aprovação do Novo Marco Regulatório das Comunicações ainda no governo Dilma Rousseff.

Integrante da FrenteCom, o deputado federal Emiliano José (PT-BA) e ativista do tema, conversou por telefone com o Sul21 a respeito do tramite do projeto e da expectativa de aprovação. Segundo ele, a resistência no Congresso Nacional ainda é grande e se justifica no lobby das empresas de telecomunicação aos parlamentares. Por outro lado, com as aprovações de propostas que vão ao encontro da democratização da mídia, como a regulamentação das TVs por assinatura sancionada por Dilma em 2011, ele estima um cenário favorável. “A minha preocupação e insistência, também adotada pelos demais integrantes da Frentecom, é que as aprovações parciais não substituam a necessidade de aprovação do projeto do Novo Marco Regulatório das Telecomunicações. O atual modelo rege desde 1962. É até uma obviedade dizer o quanto ele é anacrônico se aplicado à realidade atual”, alerta. “Nesta época a televisão nem era esta mídia hegemônica e com tanta importância como é hoje. Temos que pensar um marco regulatório adequado às modificações econômicas e comunicacionais existentes, com o expansivo mercado das operadoras e o surgimento das novas mídias eletrônicas, como a blogosfera”, complementa.

Sobre o atual modelo das telecomunicações no Brasil, o deputado petista afirma que é um sistema insustentável para o regime democrático alcançado no país. “Quem foi que disse que o Brasil pode ser interpretado por estas poucas famílias do centro-sul do Brasil que detêm as comunicações? Quem disse que elas detêm conhecimento para isso? Elas cada vez menos cobrem o Brasil em toda sua dimensão cultural e regional. Há diferentes discursos regionais no país, de diferentes classes sociais e origens culturais que deveriam estar na cena midiática. Quem disse que cultura gaúcha é igual à baiana? Estas culturas têm o direito de estar na cena midiática. Não podemos permitir que a mídia detenha uma única forma de pensar o país cultural e politicamente”, defende.

“O tema da mídia é uma questão política no Brasil”, diz deputado da Frentecom

Deputado federal Emiliano José (PT-BA) diz que Instituo Millenium é exemplo da organização partidária da mídia | Foto: Leonardo Prado/Agência Câmara
Na compreensão do deputado federal Emiliano José, a hegemonia da comunicação é um problema político no país. Além da reprodução do pensamento único, a constituição dos grandes grupos de comunicação é de pessoas com visão ideológica semelhante. “Há um jeito dominante de olhar o país e retratá-lo, impondo rigorosamente o silêncio aos diversos atores sociais, culturais e políticos. Há uma visão partidária do país. A mídia está constituída como um partido político lato senso desde a década de 20-30, onde já existia um grupo de jornais constituído como partido político”, recorda.

Um exemplo citado por ele para denunciar a permanência desta relação partidária de parte dos organismos de imprensa é o Instituto Millenium, uma organização sem fins lucrativos autodeclarada apartidária e que realiza o Fórum Democracia e Liberdade de Expressão. “Este Instituto é uma articulação da que eu chamo ‘velha mídia’ com a direita brasileira para organizar a cena midiática brasileira”, acusa o deputado.

Segundo o parlamentar, o jornalista Pedro Bial participa da Câmara de Fundadores e Curadores da entidade e João Roberto Marinho, Roberto Civita e Roberto Mesquita – Globo, Abril e Estadão– são da Câmara de mantenedores. O Conselho Editorial é composto por Antonio Carlos Pereira, do Estadão, e por Eurípides Alcantara, de Veja. “Um quartel-general da direita, bastante conhecido, dirigentes do partido midiático”, escreveu Emiliano José em artigo na Carta Capital.

O Novo Marco Regulatório das Telecomunicações poderia contribuir para o equilíbrio de forças dos formadores de opinião do país, a fim de garantir a real liberdade de expressão, considera o petista. “Sempre quando falamos em Marco Regulatório, a velha mídia nos acusa de querer censura em ação. Nós pretendemos apenas a máxima distinção da propriedade. Este marco regulatório deve levar em conta a imperiosidade com que outros atores da mídia são silenciados pelas grandes empresas de comunicação. Não estamos defendendo a censura, como pregam os interessados em não mudar as comunicações. Queremos é a máxima liberdade de expressão, de forma democrática”, explica.

Privataria tucana x Mensalão

"Livro 'A Privataria tucana' e julgamento do 'Mensalão do PT' são exemplos da desproporção na cobertura política da mídia", diz Emiliano José.Foto: Ramiro Furquim/Sul21
O julgamento do chamado mensalão, em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) é considerado uma prova real das desproporções com que a parte da mídia cobre os temas políticos. “Enquanto um livro como ‘A Privataria Tucana’ e o Mensalão Mineiro, que é muito anterior a este chamado como o do PT e que até hoje não foi julgado geram silêncio da mídia, o flagrante desrespeito constitucional leva inclusive pessoas que nem eram para ser julgadas pelo STF ao topo do escândalo principal de corrupção do país. Não estou entrando no mérito da pauta do STF ou do comportamento dos ministros, mas de como há dois pesos e duas medidas na cobertura da mídia. Esta parte da imprensa que valoriza o ‘Mensalão do PT’ faz uma torcida cotidiana para que todos os envolvidos do PT parem na cadeia”, considera.

De acordo com o deputado Emiliano José (PT-BA), o repórter da revista Veja, “Policarpo Júnior tem que ser chamado para explicar-se, pois estão evidenciadas as suas relações profundas com o crime organizado” na CPI do Cachoeira. “Eu insisto que ele vá depor e me acusam de censura e atentado contra liberdade de imprensa. Mas a mídia não está acima da lei. Ela tem que prestar contas a sociedade diante das atitudes de violação da constituição, como quando se liga ao crime organizado”, argumenta. E complementa: “A mídia não pode expor crianças e adolescentes criminosamente, como tem feito. Não pode ser a patrocinadora da violência como acontece em tantos programas deste gênero no país. Ela não pode agir como se fosse coadjuvante da polícia. A polícia tem um papel e o jornalismo tem outra, que inclui fiscalizar inclusive o trabalho da polícia. A polícia tem que respeitar os DH e a mídia denunciar isso. E só vamos mudar este clima mexendo nas estruturas da comunicação. Não se trata de acreditar ou não em determinada mídia, é criar uma legislação para regulamentar as telecomunicações”.

“Se a Constituição Federal fosse cumprida, a comunicação no país poderia ser outra”, afirma parlamentar

Deputado petista salienta que proibição dos monopólios da comunicação está na Constituição Federal | Foto: Janine Moraes/Ag Câmara
Se a Constituição brasileira fosse devidamente regulamentada, o deputado acredita que o cenário das telecomunicações no país poderia ser outro. “Está na Constituição a proibição dos monopólios, mas eles estão aí, nos afrontando. A lei diz que a produção regional tem que ser valorizada e não é. Ela diz que os direitos humanos tem que ser respeitados e eles são constantemente violados pela mídia”, fala.

O Projeto de Lei 2006/11 que altera o Código Brasileiro de Telecomunicações que tramita no Congresso Nacional foi elaborado pelo então ministro da Secretaria de Comunicação Social Franklin Martins, e apresentado durante a Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM), em 2010. Emiliano José disse não saber se houveram alterações após o pente-fino feito pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo a pedido de Dilma Rousseff. “Vamos nos debruçar no projeto e a ampliar o debate para que não fique só no parlamento. A falta de engajamento da sociedade é um dos problemas para não aprovação do Marco Regulatório. É preciso fazer como na Argentina com a Lei de Medios que foi pressão da sociedade. As pessoas precisam entender o seu direito à comunicação”, alerta.

Extraído do sítio Sul21

10 setembro 2012

A MÍDIA E OS POLÍTICOS - Mino Carta

A inveja dói. Não bastou cair nos braços de Clinton para ser “o cara”. Foto: Lula Marques / Folhapress
Quando me convidam para falar em público, quase sempre plateias universitárias, às vezes, se a situação recomenda, proponho: levante o braço quem já leu um livro de Fernando Henrique Cardoso. Ao cabo de décadas de palestras, vi ao todo três braços erguidos. O príncipe dos sociólogos é lido por pouquíssimos.

Fama usurpada? Anos atrás, em conversa com um caro amigo, ousei citar o líder comunista italiano Massimo D’Alema, o qual, sem referir-se ao sociólogo, disse do político: “Fernando Henrique é um presidente de exportação”. O caro amigo me convidou com extrema firmeza a passar o resto dos meus dias na Itália e nunca mais falou comigo. E nem sei se ele leu algum livro do seu herói.

Avento a hipótese de que haja quem coloque FHC sobre um pedestal inviável e lhe atribua um peso específico inexistente, a configurar um mistério brasileiro digno da análise dos cultores do absurdo. Entendo que a presidenta Dilma fique indignada com o artigo que o presidente da reeleição comprada publicou no Estadão de domingo 2 de setembro para denunciar no chamado “mensalão” a herança de Lula. Mas vale a pena abrir portas abertas ou conversar com as paredes para replicar a um texto ditado, antes de mais nada, pela inveja?

Há quem diga que mesmo em Higienópolis, o bairro heráldico de São Paulo, o morador FHC deixou de ser assunto há muito tempo. E quanto há de sofrer o esquecido, devorado pela constatação de que Lula não foi presidente de exportação para ser reconhecido internacionalmente como “o cara” sem precisar atirar-se nos braços do presidente americano. À época da Presidência tucana, Clinton, avalista do neoliberalismo mundial, ao qual FHC aderiu sofregamente.

Estranho, de todo modo, que as autoridades brasileiras atualmente no poder atribuam importância a uma mídia disposta a desancá-las in limine e a priori para apoiar maciçamente o tucanato, com resultados tragicômicos, como se viu em 2002, 2006 e 2010. Nesta semana, a espantosa Veja registra a mudança histórica representada pelas “condenações de mensaleiros”. “O Brasil reencontra o rumo ético”, afirma, e nisto conta com a imediata concordância de Época, a global.

Simples explicar tanto regozijo: Veja e Época consideram-se pontas de lança da mídia enfim vencedora. Sem entrar no mérito da palavra errada, mensaleiros, entregam-se ao estado de graça os mesmos que silenciaram em relação ao “mensalão” tucano, das privatizações em diante. Cabe perguntar por que o Brasil não começou a mudar então.

Os políticos, em geral, ainda não entenderam que esta mídia, pronta a antecipar os veredictos do Supremo, serve exclusivamente à minoria privilegiada, a lhe repetir as frases feitas, a lhe engolir as mentiras, a acreditar em suas invenções qual fossem a própria verdade factual, sem dar-se conta, é óbvio, das omissões. E para impedir a convocação de Policarpo Jr. diretor da sucursal de Veja em Brasília, parceiro de Carlinhos Cachoeira em algumas clamorosas contravenções, destinada à apuração da CPI, basta e sobra que um representante da Abril baixe na capital federal e converse com quem de direito, habilitado a dar um jeito. Ah, sim, o famoso jeitinho brasileiro. Daí, a moral: o Brasil não é o Reino Unido, que manda para casa o senhor Murdoch.

Veja e Época celebram a mudança que lhes convém, expõem-se, contudo, a um risco. E se o Supremo tomar gosto pela fidelidade à deusa vendada e depois do processo em curso partir para outro, o julgamento das falcatruas tucanas? Os dias não têm sido luminosos para o PSDB, à vista, inclusive, da luta intestina a ser precipitada pela possível (provável?) derrota de José Serra na iminente eleição paulistana. Quem será o próximo candidato tucano à Presidência da República, o anti-Dilma? Nuvens plúmbeas estacionam no horizonte.

Desde já, CartaCapital avisa. Tão logo termine o julgamento do chamado “mensalão petista”, nossa capa vai soletrar: E AGORA VAMOS AO MENSALÃO TUCANO. Temos um excelente enredo a desenrolar. Se mudança houve, que seja.

Extraído do sítio CartaCapital

09 setembro 2012

DEMOCRATIZE-SE O SUPREMO! - Rodolpho Motta Lima


Há duas semanas, escrevi aqui sobre a democracia relativa, traduzida em posicionamentos dúbios e incoerentes, que defendem ou atacam protagonistas de situações semelhantes – envolvendo os mesmos valores –, em função de conveniências ideológicas de momento.

No Brasil, vivenciamos isso cotidianamente, sufocados por uma mídia – a grande mídia – que, de forma monocórdia, manipula os fatos com versões de conveniência. Um exemplo marcante desse posicionamento ideológico – vinculado à política partidária – nos está sendo oferecido agora, a propósito do julgamento do assim chamado “mensalão”. Já tive oportunidade de externar aqui meu pensamento a respeito. Para mim, quem , comprovadamente, tenha incorrido em qualquer delito deve ser punido exemplarmente. Nenhuma dúvida a esse respeito.

Contudo, não podemos deixar de perceber a tal tática de manipulação, fundamentada no que poderíamos chamar de “dois pesos e duas medidas”. As vestais da dignidade e honradez, os paladinos da justiça e da ética, omitem-se totalmente quando se trata de maracutaias provenientes dos opositores do Governo, como o outro “mensalão” , o do tucanato mineiro, e o não explicado caso da “Privataria Tucana”, um livro inteiro de denúncias sem respostas convincentes, que, ou está a exigir um posicionamento dos órgãos judiciais republicanos, ou deveria levar a um processo o jornalista que o escreveu, por calúnia, infâmia, difamação. Nunca o silêncio total sobre o assunto. Aliás, o mesmo ministro do STF relator do mensalão em julgamento, Joaquim Barbosa, em entrevista dada a diversos jornalistas e cujos termos estão acessíveis na internet, questionou-os claramente – e sem resposta - sobre o fato de apenas se preocuparem com esse mensalão, deixando de lado as também supostas incorreções tucanas.

Chego agora ao assunto que me motiva neste texto: o STF, o processo de sua composição, o seu poder. Não é um tema novo , eu mesmo já me referi a ele anteriormente. Portanto, não vinculo meu posicionamento ao atual julgamento, qualquer que seja o seu resultado final .

Julgo impossível deixar de ver, no formato de indicação dos Ministros do STF, uma implicação política, por maior que seja o cuidado na escolha. O poder Executivo indica e o Legislativo avaliza as indicações , e aí , por si só, já se configura o aspecto político. Uma vez empossados, os ministros indicados têm garantida a vitaliciedade e só se retiram se decidirem aposentar- se ou, compulsoriamente, aos 70 anos. Se são pessoas de inegável saber jurídico, são, também, seres políticos, com ideologia e valores específicos, predileções e repúdios. Até hoje se vincula o ministro Marco Aurélio de Mello ao seu primo Collor, que o nomeou. Até hoje se mencionam os vínculos antigos do ministro Gilmar Mendes com políticos tucanos,especialmente a FHC, a cujo governo serviu e que o nomeou. E, agora mesmo, se diz do ministro Dias Toffoli, que foi advogado do PT e nomeado por Lula, que ele seria naturalmente simpático à causa petista.

Cá para nós, toda a preocupação com o fato de o ministro Peluzzo votar ou não no processo do mensalão teve a ver com uma certa posição que se supunha já definida. Numa aberração jurídica, chegou-se a admitir, em determinado momento, que ele votasse antes do Relator e, portanto, sem levar em consideração os estudos e definições do próprio Relator e do Revisor do processo. Felizmente, prevaleceu o bom senso.

Não se trata, então - e isso é o óbvio - , de pessoas sem um passado ou sem vinculações ou convicções políticas. E, ainda que não se discuta aqui sua lisura, ou sua competência, a verdade é que, parafraseando Mário de Andrade, “ninguém pode libertar-se das teorias-avós que bebeu“. E, é claro, em dúvida vão prevalecer os tais vínculos. É humano.

Se há essas implicações , creio que deveria haver uma correspondência direta entre a composição do STF e a vontade popular. Afinal, não há política sem povo, e o regime democrático coloca o interesse popular em primeiro plano. Não é uma ideia original a eleição de Ministros da Suprema Corte dos países. Um exame comparativo , sem maior detalhamento, revela que isso já existe na França, na Espanha, em Portugal, na Alemanha e, parcialmente, no Japão. Seria possível aqui, portanto, que a população elegesse seus ministros, como faz com os principais membros do poder Executivo e com todo o poder Legislativo. Pode-se até admitir um período mais elástico dos seus mandatos , mas sem possibilidade de reeleição.

Nada, a meu ver, justifica a vitaliciedade. As atribuições do STF, guardião da Constituição Federal, são muito relevantes para que se assegure tal poder discricionário e atemporal a onze homens, que, é claro, não são infalíveis. Isso, aliás, colhe-se da ambiência do próprio STF, quando se percebe que um mesmo fato merece, às vezes , considerações e julgamentos diametralmente opostos. Ou quando se ouve de um ministro – como aconteceu recentemente – a declaração de que um outro, quando presidente do STF, manipulou resultados de julgamentos... Essas e outras razões indicam que o STF precisa ser oxigenado com maior frequência.

Penso que a cidadania deveria encampar essa bandeira. Claro, seria necessário detalhar as mínimas (ou máximas, porque indispensáveis) condições exigidas dos candidatos à suprema magistratura. Seria preciso discutir o número de eleitos e os períodos de mandatos, entre muitos outros aspectos. Mas eu creio, sinceramente, que a democracia sairia ganhando com essas mudanças.

Extraído do sítio Direto da Redação

02 setembro 2012

POSTURA DO STF EXIGE INSTALAÇÃO IMEDIATA DAS CPIs TUCANAS - Helena Sthephanowitz

Quando todos forem julgados, sem que se veja a cor do partido, aí sim o Brasil passará por uma faxina histórica, erradicando boa parte de toda a corrupção abafada por mais de 500 anos

Com muitos mais indícios incriminatórios, desvio de verba pública para campanha de Azeredo passa longe da mídia e do STF (AgCâmara)
Assumida durante o julgamento da Ação Penal 470, chamada de 'caso mensalão', a nova postura do STF, em que um conjunto de indícios são suficientes para condenar sem provas (e desconsiderar contraprovas trazidas para a defesa), exige a imediata instalação da CPI da Privataria Tucana, até para não deixar prescrever os crimes ainda puníveis.

Na época de FHC, o “engavetador-geral da República”, Roberto Gurgel, barrava todas as investigações por "falta de provas", apesar dos robustos indícios, com todas as características que gerariam provas com um mínimo de investigações.

É só instalar a CPI, juntar nos autos o livro "A Privataria Tucana", a escritura da casa de José Serra, quebrar o sigilo bancário da turma toda, colher o testemunho do deputado Protógenes (PCdoB) sobre as investigações que começou e não pôde concluir, requisitar ou autos da CPI do Banestado e os arquivos da Operação Satiagraha.

Por que não cobrar também o julgamento do processo em que Serra responde por atos praticados ainda no governo FHC e que se arrasta até hoje? Em termos de réus ilustres supera o chamado "mensalão", e em termos de valores também, além de ser bem mais antigo, pois se arrasta desde 2003.

Não é um processo qualquer. Trata-se do rombo no Banco Econômico, socorrido com R$ 3 bilhões no âmbito do Proer, quando Serra era ministro do Planejamento. São réus também praticamente toda a equipe econômica do governo FHC, incluindo o ex-ministro Pedro Malan, o ex-ministro e banqueiro Ângelo Calmon de Sá e os ex-presidentes do Banco Central Gustavo Loyola e Gustavo Franco.

A juíza Daniele Maranhão Costa, da 5ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, acatou a denúncia apontando dano ao erário, enriquecimento ilícito e violação aos princípios administrativos no caso.

Note-se que Serra é o candidato mais célebre destas eleições de 2012, e a celeridade no julgamento seria uma oportunidade para o tucano sair inocentado, ou para o eleitor saber se estará votando em alguém condenado em primeira instância.

E o mensalão tucano, quando entra em julgamento?

O mensalão do PSDB e o ex-governador Eduardo Azeredo em Minas Gerais, que segundo o Ministério Público funcionou no fim da década de 1990 para arrecadar ilegalmente recursos para a campanha ao governo de Minas, ainda não tem previsão de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

Em dezembro de 2009, os ministros do STF receberam a denúncia e abriram processo criminal contra o agora deputado federal tucano, acusado de peculato e lavagem de dinheiro por participação no "mensalão tucano". O relator do processo também é o ministro Joaquim Barbosa, o mesmo da Ação 470.

Baseada em laudos da Polícia Federal e em quebras de sigilo, a peça sustenta que R$ 3,5 milhões, transferidos por estatais mineiras às agências de Marcos Valério para que promovessem eventos esportivos, foram desviados para a campanha à reeleição do então governador Azeredo. Daquela verba, paga como patrocínio, somente R$ 200 mil teriam sido efetivamente comprovados por meio de notas fiscais. Na Justiça mineira, os réus sustentam que o dinheiro bancou sim, as competições.

Seria compreensível se a velha imprensa cobrasse celeridade do Judiciário como um todo. Mas causa estranheza quando, em ano eleitoral, essa velha imprensa só bate o bumbo sobre o processo do chamado "mensalão".

Extraído do sítio Rede Brasil Atual

A HERANÇA MALDITA - Emir Sader

O governo Lula recebeu uma herança maldita do governo FHC, refletida numa profunda e prolongada recessão, no desmonte do Estado, na multiplicação por 11 da dívida pública, no descontrole inflacionário. O controle da inflação jogou-a para baixo do tapete: transferiu-a para essa multiplicação da dívida pública.

O povo entendeu, rejeitou FHC e derrotou os seus candidatos: Serra duas vezes e Alckmin. Isso é história, tanto no sentido que é verdade incorporada à história do Brasil, como história porque o governo Lula, com grande esforços, superou a recessão profunda e prolongada herdada e conduziu o Brasil ao ciclo expansivo que dura até hoje.

Para não aguçar o clima de instabilidade que a direita pretendia impor no começo do seu governo, Lula preferiu não fazer o dossiê do governo FHC, que incluísse tudo o que foi mencionado, mais os escândalos das privatizações, da compra de votos para a reeleição, da tentativa de privatização da Petrobras, entre outros.

Não por acaso FHC é o político mais repudiado pelos brasileiros. Já na eleição de 2002, Serra tratou de distanciar-se do FHC. Em 2006, as privatizações, colocadas como tema central no segundo turno, levaram a uma derrota acachapante do Alckmin. Em 2010, de novo o Serra nem mencionou FHC, tentou aparecer como o melhor continuador do governo Lula, para a desmoralização definitiva do governo FHC.

Ao lado disso, economistas da ultra esquerda esposaram a bizarra tese de que não havia herança maldita, que o governo Lula era continuidade do governo FHC, que mantinha o modelo neoliberal. Além de se chocarem com a realidade das transformações econômicas e sociais do país, foram derrotados politicamente pelo total falta de apoio a essas teses no final do governo Lula, quando o candidato que defendeu essas posições, apesar de toda a exposição midiática, teve 1% dos votos.

FHC não ouve ninguém, despreza os que o cercam, mas sofre da teoria da dependência da dor de cotovelo. Dedica as pouco claras forças mentais que lhe restam para atacar o Lula, cujo sucesso – espelhada no apoio de 69,8% dos brasileiros que querem Lula de volta como presidente em 2014 e nenhuma pesquisa sequer faz a mesma consulta sobre o FHC, para não espezinha-lo ainda mais – fere seu orgulho à morte.

Esses amigos tentam convencê-lo a não escrever mais, a não se expor ainda mais à execração publica – com efeitos diminutos, porque ele não ouve, seu orgulho ferido é o maior dos sentimentos que ele tem, mas também porque ninguém lê seus artigos – a se retirar definitivamente da vida pública. Cada vez que ele se pronuncia, aumentam os apoio ao Lula e à Dilma.

A historia diz, inequivocamente, que o Lula é um triunfador e FHC um perdedor. Isso a direita e seu segmento midiático não perdoam, mas é uma batalha perdida para todos eles.

Extraído do sítio Carta Maior

QUANDO O STF VAI JULGAR A PRIVATARIA? - Paulo Henrique Amorim

Vamos ver se sobrevive a nova jurisprudência anti-corrupção quando se sentarem (se, se sentarem) no banco dos reus brancos de olhos azuis.


Até agora, a única relação da Privataria Tucana com a Justiça é o processo que movem o Padim Pade Cerra, Daniel Dantas e o PSDB contra o autor da denúncia, o jornalista Amaury Ribeiro Jr, cuja qualidade o Merval já exaltou.

Quando o Procurador Roberto Tênue Gurgel vai ler pelo menos um dos exemplares da Privataria que o Edu, gentilmente, lhe enviou ?

O PiG (*) saúda entusiasmado que o STF vai botar os (pobres, pretos, p… e) petistas na cadeia:


Segundo a Folha, “provas” obtidas em CPI – como por exemplo, provavelmente, a acusação do Thomas Jefferson ao José Dirceu, na CPI dos Correios – passam a valer para condenar (pobres, pretos, p… e) petistas.

Da mesma forma, a profilaxia do Supremo passou a dispensar o “ato de ofício”.


Basta “o conjunto da obra”.

Mesmo que aí se localizem apenas provas “tênues”, como recomenda o Roberto Tênue Gurgel.

Se for em nome da extinção da corrupção no sistema eleitoral brasileiro, que ótimo !

Alvíssaras !

Agóóóra a coisa vai !, dizia meu chefe Tarso de Castro, na Interpress.

Vamos ver como se comportarão o PiG (*) e o Supremo na Privataria, no mensalão tucano, na Lista de Furnas.

Vamos ver se sobrevive a nova jurisprudência anti-corrupção quando se sentarem (se, se sentarem) no banco dos reus brancos de olhos azuis.

Chega de corrupção !

Ninguém aguenta mais !

Extraído do sítio Conversa Afiada

30 agosto 2012

MÍDIA TENTA SATANIZAR O PT - Altamiro Borges


A mídia está excitada com os primeiros resultados do julgamento no STF do chamado “mensalão do PT”. A condenação do deputado João Paulo Cunha atiçou os piores instintos da imprensa partidarizada. Manchete do jornal O Globo: “Petista que presidiu a Câmara é condenado por corrupção”. Manchete da Folha: “STF condena petista por corrupção”. O partido que venceu as três últimas eleições presidenciais – apesar da violenta oposição midiática – agora é satanizado pelos jornalões, revistonas e emissoras de televisão.

Na semana passada, com o voto contrário à condenação do ministro-revisor Ricardo Lewandowski, a imprensa caiu no pessimismo e passou a desqualificar vários integrantes do Supremo. Afirmou que a maioria tinha sido indicada por Lula, que os ministros não tinham autonomia e transformariam o julgamento numa enorme pizza. Agora, com a votação do primeiro bloco, ela faz apologia do STF. De vilões, os ministros viraram heróis. Já se fala até na candidatura presidencial de Joaquim Barbosa, o novo ícone da mídia.

Os objetivos da imprensa golpista

Não há qualquer esforço para uma análise técnico-jurídica do processo. A execração da mídia é puramente política, confirmando sua postura de principal partido da direita nativa. Dane-se a falta de provas concretas, o que vale são os “indícios” de corrupção – um verdadeiro atentado aos manuais de direito. Para a mídia, o STF não condenou o deputado João Paulo Cunha, mas sim o PT – e, lógico, o ex-presidente Lula. Já há “calunistas” mais afoitos dizendo que Lula, “o chefe dos mensaleiros”, também deve ser julgado pelo STF.

A mesma mídia que esconde o “mensalão mineiro” – ela nem sequer fala em “mensalão tucano” – ou as denúncias sobre a privataria no reinado de FHC, agora concentra toda a sua artilharia contra o PT. O seu objetivo estratégico é desgastar as forças de esquerda do país – e não apenas os petistas. Já o seu objetivo tático, imediato, é tentar salvar a oposição demotucana de um vexame nas eleições municipais de outubro. Daí a sua violenta pressão para que o julgamento no STF ocorresse nas vésperas do pleito.

A falsa ética dos corruptos

Toda a corrupção deve ser apurada rigorosamente e punida de forma exemplar. Mas a mídia não está preocupada, de fato, com isto. Ela já ajudou a eleger famosos corruptos – é só lembrar os demos José Roberto Arruda e Demóstenes Torres – e conta com bilionários anúncios publicitários de várias empresas corruptoras. Parte dela inclusive está envolvida com o crime organizado, como comprovam os grampos da Operação Monte Carlo da Polícia Federal. Seu discurso ético é pura hipocrisia que só engana os ingênuos!

Em tempo: o artigo de Eliane Cantanhêde, aquela da “massa cheirosa” tucana, na Folha de hoje é patético. Ela afirma com todas as letras que o PT, “o partido que mobilizou a nação com o discurso da ética, chega ao banco dos réus e às portas da prisão”. Diante do resultado da primeira parte do julgamento, ela afirma na maior caradura que “estamos todos constrangidos. E tristes”. Cinismo puro! Ela deve ter saído para festejar a condenação junto com os seus amigos e familiares tucanos!

Sobre o artigo de Cantanhêde, vale a pena ler o desabafo do Eduardo Guimarães no Blog da Cidadania.

Extraído do Blog do Miro

24 agosto 2012

VELHA MÍDIA TUCANA SE DESESPERA - Messias Pontes


É de desespero o momento vivido pela velha mídia conservadora, venal e golpista, toda ela tucana até o talo. A ênfase dada nos últimos meses, notadamente nos últimos dias ao julgamento da AP 470 que ela insiste à exaustão em chamar de mensalão (sem aspas), não tem surtido nem de leve o efeito esperado, ou seja, que a população venha a pública se manifestar nas ruas e praças públicas contra “o maior escândalo do século” praticado pelo PT e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Essa velha e desmoralizada mídia já não forma mais opinião. Tanto assim que perdeu em 2002, 2006 e 2010 e já está perdendo agora nas eleições municipais nos dois maiores colégios eleitorais do País, em especial em São Paulo. O que hoje existe é a opinião formada. Transformada no maior partido de oposição do Brasil, essa velha mídia, que também não inova, está perdendo com muita celeridade o pouco da credibilidade que conquistou ao longo dos anos com seus engôdos, armações e mentiras.

As manchetes dos últimos dias têm sido as mesmas: julgamento do mensalão do PT. Ontem, O Globo, o Estadão e a Folha estamparam o sensacionalismo primário, numa forçação de barra que já lhes é peculiar. Principalmente o jornalão que emprestava suas peruas para transportar presos políticos para a tortura nos porões da ditadura militar: “Relator conclui que verba pública irrigou o mensalão” foi a manchete de ontem.

Como o Datafolha, empresa do mesmo grupo, publicou a última pesquisa de intenção de voto na capital paulista antes do horário eleitoral no rádio e TV, várias poderiam ter sido as manchetes da Folha: “Russomanno ultrapassa Serra”;“Serra em tendência de queda”; “Serra em queda livre”; “Serra cai mais três pontos”; “Aumenta rejeição a Serra”; “Russomanno coloca quatro pontos na frente de Serra”; “Pela primeira vez Serra perde a liderança”...

O declínio de Serra apavora a velha mídia, e isto se manifesta a cada pesquisa, tanto na queda de intenção de voto como no aumento da sua rejeição. Em junho a rejeição do candidato do conservadorismo de direita era de 32%, em julho passou para 37% e agora aumenta mais um ponto, se aproximando de 40% de rejeição, o que inviabiliza qualquer eleição. Na pesquisa ontem divulgada, Russomanno aparece com 31% das intenções de voto e Serra com 27; o primeiro subiu cinco pontos e o outro caiu três. Na espontânea Russomanno também ultrapassou Serra: 15 a 13.

Essa tendência de queda na intenção de voto e no aumento da rejeição está acontecendo sem que se faça uso do livro Privataria tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, que desnuda a política de traição nacional do tucanato em geral e de José Serra em particular. Se todo paulistano tomasse conhecimento do conteúdo desse livro, o “Zé” Bolinha de Papel só teria o voto dele, dos seus familiares e do demotucanato. As suas pretensões de chegar à presidência da República foram pro brejo, a não ser que ele insista em ser na próxima encarnação.

Se o objetivo da velha mídia conservadora, venal e golpista é bater no PT, este dá motivos de montão: cadê a reforma agrária?; por que quer ter a hegemonia da esquerda? Por que não cumpre acordo? Por que transporta dólares na cueca? Por que dá rasteira nos aliados? Por que o ônus do governo é dividido com os partidos aliados e o bônus os petistas, como areia de cemitério, querem comer sozinhos? E por aí vai.

Para causar estragos irreversíveis à imagem do Partido dos Trabalhadores, basta a velha mídia mostrar à exaustão as imagens de milhares de famílias de trabalhadores rurais sem terra acampados há anos à espera de um assentamento; é suficiente mostrar diariamente como o governo petista está sucateando o Incra, justamente o órgão responsável pela reforma agrária no País; basta mostrar que apenas 1% de latifundiários é dono de 48% de toda a terra do País; é suficiente mostrar, pelo menos uma vez por semana, que é de um petista o projeto de lei que dispõe sobre a privatização da Embrapa. Isto mesmo, é de um senador petista, Delcídio Amaral (PT-MS), o projeto que quer transformar o mais importante órgão de pesquisa agropecuária da América Latina em empresa de economia mista com ações negociadas na bolsa.

Para frustração e desespero do baronato da mídia e seus colonistas amestrados o interesse dos brasileiros no julgamento do chamado mensalão petista é inversamente proporcional ao interesse pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira. Por mais que parlamentares inconsequentes - do quilate do pedetista Miro Teixeira e outros da sua laia como o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves, e o vice-presidente Michel Temer – insistam em impedir a ida do jornalista Policarpo Júnior, diretor da sucursal da famigerada revista Veja, mais cedo ou mais tarde esse “jornalista” e o seu patrão Robert Civita, cúmplices do bandido Carlinhos Cachoeira, terão de depor na CPMI.

Extraído do Blog Desabafo País