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08 janeiro 2013

SUSPENSE NA VENEZUELA - Mário Augusto Jakobskind


E chegamos a 2013 com grandes expectativas quanto ao desenrolar dos acontecimentos. Nesta primeira semana do novo ano, a doença do Presidente Hugo Chávez ocupou grandes espaços midiáticos. Os analistas de sempre, sobretudo os mais conservadores, não escondem o desejo de ver o Presidente que introduziu o socialismo no século XXI fora de circulação. Alguns mais radicais falam de desligamento dos aparelhos para Chávez morrer e com destaque na mídia conservadora.

Editoriais de algumas publicações da mídia de mercado tecem considerações como se a República Bolivariana da Venezuela fosse uma republiqueta qualquer. Muito pelo contrário, trata-se de um país que, pelo menos desde a ascensão de Hugo Chávez, em 1999, deu saltos em matéria de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), moradias e fim do analfabetismo.

A Constituição da Venezuela vem sendo seguida em todos os seus detalhes e continuará sendo independente de Chávez assumir ou não o governo.

Não tem sentido, portanto, a recomendação do governo dos Estados Unidos sobre respeito à Constituição. A cúpula governamental estadunidense emite opinião como se na Venezuela não se respeitasse a Constituição.

O Vice Presidente Nicolás Maduro, indicado pelo próprio Chávez como seu sucessor, poderá enfrentar uma nova eleição, caso seja necessário.

O conservadorismo tenta “informar” sobre uma suposta divisão política entre e o vice presidente Maduro e o presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello, reforçando o posicionamento da oposição derrotada nas urnas para Presidente e para os governos de Estado. Como se sabe, os aliados de Chávez ganharam em 30 dos 33 Estados.

Argentina: Clarin resiste à Lei dos Meios e Londres não falar das Malvinas

Nesta primeira semana do ano 13 do Terceiro Milênio, o primeiro-ministro britânico David Cameron reafirmou a posição colonialista negando-se a discutir a questão das Malvinas com a Argentina, território de que o Reino Unido se apoderou à força no século XIX.

De quebra, os meios de comunicação conservadores continuam a cruzada em defesa do Grupo Clarin, que não quer de jeito nenhum se adaptar a Lei dos Meios de Comunicação recorrendo à Justiça. O grupo midiático se nega a reconhecer a legislação aprovada pelo Congresso e que impede a existência de monopólio no setor midiático. Não quer se desfazer de meios de comunicação que controla, como exige a nova legislação para obedecer o critério de proporcionalidade entre os setores midiáticos público, privado e estatal.

A tática do Clarin é muita clara. Apelar à Justiça o quanto puder, para evitar a vigência da legislação e postergá-la até quando for possível, apostando numa derrota eleitoral do atual governo argentino. E a Justiça, dominada pelo conservadorismo, vai aceitando as justificativas do Clarin. Mas chegará um momento, segundo acreditam os analistas do setor, que o veredito final dará ganho de causa ao que foi decidido pelo Congresso e debatido pelo povo por mais de 3 anos.

Cuba: menor índice de mortalidade infantil

No Caribe, Cuba, em 2012, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), matéria esta divulgada pelo jornal Granma, teve o menor índice de mortalidade infantil do continente americano, na frente inclusive dos Estados Unidos e Canadá.

Para se ter uma ideia, no ano passado, o número de crianças mortas até o primeiro ano de vida foi de 4,6 para cada mil recém-nascidos. E tudo isso, apesar do bloqueio que afeta também a área de saúde de Cuba.

Política genocida contra os palestinos

No apagar das luzes de 20012, um fato divulgado pelo Centro Simon Wisenthal segue repercutindo até agora. Este Centro, que tinha por objetivo caçar nazistas acabou se tornando um defensor incondicional da política genocida contra os palestinos praticada pelo governo de Israel. Pois bem, o Centro publicou lista dos que considerou os dez mais antissemitas do mundo, cabendo o terceiro lugar ao cartunista brasileiro Carlos Latuff.

A entidade passou dos limites, porque misturou alhos com bugalhos. Colocou no mesmo nível Latuff, um militante do movimento social e defensor da causa palestina, ao lado de partidos de extrema direita e até de uma torcida de um clube de futebol racista localizado em um bairro de Londres. De quebra, como não poderia deixar de ser, colocou o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad na lista. O mesmo Ahmadinejad que tem boas relações com um grupo de judeus iranianos também críticos do sionismo.

Como o sionismo se nutre do antissemitismo, o Centro Simon Wiesenthal tornou-se então parceiro para toda obra do movimento. Está exatamente para isso, já que não tem mais nazista da II Guerra Mundial vivo.

Ao colocar Latuff na lista demonstrou na prática que está no encalço dos que não aceitam a política que vem sendo executada pelo Estado de Israel.

De qualquer forma, todo cuidado é pouco, porque se acontecer algo com Latuff a responsabilidade é dos que o difamam.

Brasil: e o mensalão do PSDB?

Quanto ao Brasil, espera-se que depois de tantos meses do julgamento mensalão os Ministros do Supremo Tribunal Federal julguem os implicados do PSDB no mensalão. Resta saber qual será o compramento dos meios de comunicação de mercado.

Extraído do sítio Direto da Redação

27 dezembro 2012

OS EUA CONSTROEM UM BUNKER SUBTERRÂNEO NO VALOR DE 100 MILHÕES DE DÓLARES NUMA BASE SECRETA DE MÍSSEIS ISRAELITA - Richard Silverstein

Mais um elemento sobre a colaboração EUA/Israel na preparação das condições para a escalada da guerra no Médio-Oriente. Uma coisa é certa: sempre que o imperialismo toma medidas de defesa, é garantido que está a preparar o ataque. Não lhe basta a tragédia há décadas vivida na zona: tenciona ampliá-la, admitindo até um cenário de utilização de armamento nuclear.

Há alguns dias Walter Pincus informou no The Washington Post que o Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA solicitou a apresentação de propostas com o fim de encontrar empreiteiros com garantias de segurança máxima para construir uma instalação militar subterrânea no valor de 100 milhões de dólares para o exército israelita. O que segue é a descrição do projecto:

O Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA planeia a supervisão da construção de uma instalação subterrânea de cinco níveis para um complexo das Forças de Defesa de Israel, com o estranho nome de Instalação 911, numa Base da Força Aérea israelita próxima de Tel Aviv.

Espera-se que a construção demore mais de dois anos, a um custo de até 100 milhões de dólares. Terá salas de aulas no Nível 1, um auditório no Nível 3, um laboratório, portas resistentes ao impacto, protecção contra radiação não ionizante e uma segurança muito estrita. Todos os trabalhadores na construção darão garantias de segurança, haverá guardas na vedação e estará separada do resto da base por barreiras.

O artigo assinala também que no passado o Corpo já construiu instalações para mísseis nucleares de Israel. Portanto, não deveria surpreender-nos que uma fonte israelita de alto nível afirme que o local para este projecto é a base israelita de mísseis de máximo segredo Sdot Micha, localizada próximo de Beit Shemesh (a uns 24 quilómetros de Jerusalém). É aí que se encontra a frota de ICBM (mísseis com armas nucleares Jericó). O local é tão secreto que várias passagens de um artigo de 2010 al respeito em Yediot foram censurados. Provinha directamente do amplamente acessível sítio na web Global Security. Os censores costumam ser célebres pela sua subtileza, e muito menos pelo seu senso comum.

A instalação subterrânea construída pelos EUA será edificada à prova de armas nucleares, de modo que possa resistir a um ataque com armas de destruição massiva de um inimigo de Israel. Isso permitiria que o sistema de comando e controlo de mísseis de Israel se mantenha operacional mesmo nas condições de um possível ataque massivo e devastador. Segundo esta fonte, as FDI [exército israelita] já têm um centro de comando à prova de armas nucleares por debaixo de Kirya, a sua sede em Tel Aviv.

Como é sabido que Israel e os EUA se espiam um ao outro, considero que extraordinário que Israel confie nos EUA para construir uma das suas instalações militares mais confidenciais. De facto, tenho pessoalmente conhecimento de que o FBI interceptou durante anos a embaixada israelita em Washington D.C. A Mossad vem operando há décadas nos EUA ¿Por que não teme Israel que os EUA façam o mesmo no caso destas instalações?

Uma resposta pode ser que o projecto é financiado pelo programa de Vendas Militares ao Estrangeiro dos EUA, o que quer dizer que o nosso governo financia o projecto sem encargos para o contribuinte israelita. No caso de Israel, a economia triunfa sobre a própria segurança.

Há que preguntar: de que inimigo se defende Israel ao construir este complexo? Como o projecto tardará dois anos a ficar concluído, isto será aproximadamente quando uma série de analistas crê que o Irão poderá ter capacidade nuclear se decidir criar uma arma.

Neste caso poderia haver duas considerações:

1. Israel prevê que o Irão terá armas de destruição massiva em 2014.

2. Israel prevê atacar o Irão em algum momento após a conclusão do Bunker subterrâneo.

Só pode haver um motivo para construir uma instalação semelhante: a protecção contra um ataque inimigo. Só há um inimigo que poderia pressupor uma ameaça semelhante para Israel: o Irão. De entre os inimigos actuais de Israel, só o Irão (para além da Síria, que está distraída pelos seus próprios problemas internos) tem capacidade de lançar mísseis de largo alcance contra ele. Ainda que actualmente não possa armá-los com uma ogiva nuclear, é concebível (na opinião de Israel) que esta situação mude. Por isso é crítico que Israel mantenha a sua própria capacidade nuclear para lançar um ataque e/ou responder a um ataque inimigo.

Uma vez que parece extremadamente improvável que os dirigentes iranianos lancem um ataque preventivo contra Israel, e certamente não um ataque nuclear, a construção de semelhante fortaleza indica que Israel prevê ele próprio a realização deste ataque e que tem que assegurar que as suas forças militares críticas permanecem intactas após uma reacção iraniana.

Mesmo que o nome de código do projecto 911 [acrónimo para 11-S] seja uma coincidência, é palpável o sentimento de um Armagedão iminente. Também há que assinalar que os três inimigos más formidáveis de Israel, Hezbollah, Hamas e Irão, têm consideráveis complexos militares subterrâneos. Pode admitir-se que Gilad Shalit tenha sido mantido em semelhantes búnkeres durante o seu cativeiro, e os altos dirigentes do Hamas retiram-se para complexos semelhantes durante os ataques israelitas, como o do mês passado.

Uma das tácticas mais efectivas do Hezbollah foi o uso de túneis que as FDI desconheciam para atacar as tropas israelitas a partir de diversos quadrantes com um efeito devastador. O Irão também enterrou a sua instalação avançada de enriquecimento de uranio Fordow sob 100 metros de montanha. Esta protecção impede que Israel destrua o local a menos que obtenha as bombas rebenta-búnkeres de 14 toneladas estado-unidenses. Portanto, Israel (juntamente com os seus adversários) está a colocar a sua infra-estrutura militar mais crítica e os seus sistemas de armamento debaixo de terra a fim de que possam resistir a uma possível sabotagem ou ataque frontal.

Pincus menciona algumas exigências religiosas verdadeiramente estranhas que são especificadas na solicitação da apresentação de propostas. Especifica as mezuzás:

O Corpo desenvolve uma detalhada descrição das mezuzás que o empreiteiro deve fornecer “para cada porta ou abertura com excepção dos serviços higiénicos ou cabines de duche” no edifício da Instalação 911. Uma mezuzá é um pergaminho com versos da Torá em hebreu, colocado num estojo e fixado na moldura da porta de uma casa de família judia como sinal de fé. Alguns interpretam que la lei judia requer – como neste caso – que em cada porta de uma casa seja fixada uma mezuzá.

Essas mezuzás, assinala o Corpo, “devem ser escritas em tinta indelével, em […] pergaminho de coiro sem revestimento” e escritas à mão por um escriba “possuidor de uma autorização escrita segundo a lei judia.” A escrita pode ser “asquenaze ou sefardita” mas “não uma mistura” e “deve ser uniforme”.

Também, “as mezuzás devem ser revistas por um computador numa instituição autorizada para a inspecção de mezuzás, bem como revistas manualmente no que diz respeito à forma das letras por um revisor autorizado pelo Rabinato Principal”. A mezuzá será fornecida com um estojo de alumínio com orifícios para que possa ser fixada à moldura da porta ou da abertura. Finalmente, “todas as mezuzás para a instalação serão fixadas pelo rabi da Base ou pelo seu representante nomeado e não pelo pessoal do empreiteiro”.

Francamente, nunca ouvi falar de alguma diferença entre mezuzás sefarditas ou asquenazes, nem de alguma diferença entre os estilos de escrita de uma tradição em relação à outra. O Parece mais que isto se terá baseado em informação inexacta sobre rituais judeus ou em interpretação errónea de alguma coisa que as FDI tenham indicado ao Corpo.

Mas, para além disso, sinto-me confiante ao saber que Deus, por meio deste poderosos amuletos religiosos, estará a proteger o povo judeu e seus defensores militares. A única interrogação que fica é ¿que divindade é mais poderosa: o Jeová judeu ou o Alá chiíta do Irão? ¿Mas não ofereceu Moisés um só Deus aos judeus? Que diria se visse agora o seu povo criar um Deus para Nós e outro Deus para Eles?. Espero que lhe provocasse tanto horror como me provoca a mim.

* Richard Silverstein escreve o blog Tikun Olam que examina temas relacionados com a segurança nacional de Israel, os direitos humanos, e as ameaças contra a democracia israelita.

** Este artículo foi publicado originalmente em Anti War.

Extraído do sítio ODiario.info

07 novembro 2012

NORTE-AMERICANOS ESTÃO VOTANDO NOSSO DESTINO, DIZ JORNALISTA ISRAELENSE - Yitzhak Laor


No final de seu livro, o historiador Tony Judt responde à questão sobre o que impediria que a invasão do Iraque liderada pelos EUA se tornasse um outro caso Dreyfus, na medida que a guerra estava baseada numa mentira escancarada. Em “Pensando o Século Vinte: Intelectuais e Política no Século Vinte”, escrito por Timothy Snyder, ele discursa sobre a complexidade da questão da mentira e da guerra, e do papel dessas coisas no esforço de tornar isso objeto de protesto, dizendo: “Quando a democracia faz a guerra, ela primeiro cria uma psicose da guerra...você tem de mentir, tem de exagerar, tem de distorcer e por aí....”.

Mais do que isso, parte do problema da democracia norte-americana no que concerne à guerra está conectado ao fato de que, como escreve Judt, “no século vinte, a América fez guerras sem custo para si mesma, em comparação ao custo para os outros países. Na Batalha de Stalingrado, o Exército Vermelho perdeu mais soldados do que a América já perdeu – soldados e civis juntos – em todas as guerras norte-americanas ao longo do século vinte. É difícil para os norte-americanos entenderem o que a guerra significa, e portanto é evidentemente fácil para um político enganar o seu povo ao levar a democracia para a guerra”.

Então, de onde vem a falsa imagem do sofrimento e do preço que os norte-americanos têm pagado em seus guerras? Dos filmes e programas de televisão. E nós adotamos a fantasia americana como ela fosse nossa.

Quem assistiu ao noticiário na semana passada deve ter pensado que era nosso (israelense) litoral que estava sendo inundado pelo Furacão Sandy. 

É verdade, essa fantasia tem claramente fontes reais. As entrevistas no rádio e na tevê com os israelenses que vivem nos Estados Unidos foram suficientes para demonstrar a extensão em que a classe média israelense pode ter um pé aqui e outro nos Estados Unidos: pessoas de negócios, professores trabalhando como convidados ou em ano sabático, experts em computadores, artistas, colegas estudantes, imigrantes, turistas. E aqueles de nós que ainda estão aqui? O que veem em suas telas de tevê é o que nós vemos em nossas, salvo pelas legendas que aparecem nas nossas.

Não há outro país ocidental no qual uma população inteira esteja exposta à cultura popular norte-americana por meio de sua televisão como Israel. Podemos lidar como isso com o lamento pela americanização de nossas vidas, e ainda assim é o caso prestar atenção ao que não é geralmente discutido como sintoma de nossas simbioses. 

Deixemos de lado a pauta trivial dos israelenses que vivem em Nova York e prestemos atenção em nossos protagonistas: o Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu, que fez o ensino médio e a universidade nos Estados Unidos; Stanley Fischer, que nasceu no Zambia e estudou e ensinou nos EUA, tornou-se dirigente do Banco de Israel depois de trabalhar no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial e fala um maravilhoso hebraico; Arthur Finkelstein, o consultor republicano baseado em Nova York que faz incitações contra os árabes para o ministro Avigdor Lieberman; Sheldon Adelson, o magnata dono de cassino e dono do mais patriótico jornal de Israel; Eli Tabib, que compra e vende times de futebol aqui e viaja para os Estados Unidos para fazer dinheiro lá. E esses são apenas alguns dos mais proeminentes exemplos de trocas entre múltiplas nacionalidades possíveis.

Mas há um conceito que permanece estrangeiro para os norte-americanos. Lá, sem entender o custo da guerra, os norteamericanos elegerão um presidente hoje – um líder que provavelmente afetará as vidas e as mortes de centenas de milhares de pessoas aqui. As milhões de pessoas no Oriente Médio assistem à devastação do Furacão Sandy (mesmo que não prestem em regra tanta atenção aos desastres naturais que devastaram o Haiti ou Bangladesh) não podem fazer nada nessa eleição importante, mesmo que ela venha a ter um efeito significativo em suas vidas. 

Tradução: Katarina Peixoto.

Extraído do sítio Carta Maior

05 novembro 2012

A SINUCA AMERICANA - Mauro Santayana


Os Estados Unidos advertiram o governo de Israel contra seu projeto de ataque preventivo às instalações nucleares do Irã, conforme noticiou The Guardian, em sua edição de 4ª feira. O aviso não foi das autoridades civis de Washington, e, sim, dos comandantes das tropas militares norte-americanas em operação na região do Golfo – o que, ao contrário do que se pode pensar, é ainda mais sério. O argumento dos militares é o de que esse ataque, além de não produzir os efeitos desejados – porque o Irã teria como retomar o seu programa nuclear – traria dificuldades políticas graves aos aliados ocidentais na região, sobretudo a Arábia Saudita e os Emirados Árabes – de cujo abastecimento direto depende a 5ª Frota e as bases das forças terrestres e aéreas que ali operam.

Embora as dinastias árabes pró-ocidentais temam o poderio militar do Irã, temem mais a insurreição de seus súditos, no caso de que se façam cúmplices de novo ataque a outro país muçulmano. Nunca é demais lembrar que os Estados Unidos e a Europa dependem também do petróleo que passa pelo golfo e atravessa o Canal de Suez, controlado pelo Egito.

Há, nos Estados Unidos – e, entre eles, alguns estrategistas do Pentágono – os que pensam ser hora de ver em Israel um país como os outros, sem a aura mitológica que o envolve, pelo fato de servir como lar a um povo milenarmente perseguido e trucidado pela brutalidade do nacional-socialismo. Uma coisa é o povo – e todos os povos têm, em sua história, tempos de sacrifício e de heroísmo, embora poucos com tanta intensidade quanto o judeu e, hoje, o palestino – e outra o Estado, com as elites e os interesses que o controlam.

Nenhum outro governo – nem mesmo o dos Estados Unidos – são tão dominados pelos seus militares quanto o de Israel. Eminente pensador judeu resumiu o problema com a frase forte: todos os estados têm um exército; em Israel é o exército que tem um Estado. 

O Pentágono acredita que uma guerra total contra o Irã seria apoiada pelos seus aliados da região, mas os observadores europeus mais sensatos não compartilham o mesmo otimismo. A ofensiva diplomática de Israel na Europa, em busca de apoio para - em seguida às eleições norte-americanas - uma ação imediata contra Teerã, não tem surtido efeito. Londres avisou que não só é contrária a qualquer ação armada, mas, também, se nega a permitir o uso das ilhas de Diego Garcia e Ascenção (cedidas pela Inglaterra para as bases ianques no Oceano Índico), como plataforma para qualquer hostilidade contra o país muçulmano.

Negativa da mesma natureza foi feita pela França, que, conforme disse François Hollande a Netanyahu, não participará, nem apoiará, qualquer iniciativa nesse sentido. É possível, embora não muito provável, que Israel conte com Ângela Merkel. Israel tem esperança na vitória de Romney, e a comunidade israelita dos Estados Unidos se encontra dividida. Os banqueiros e grandes industriais de armamento, de origem judaica, trabalham com afã para a derrota de Obama. E há o temor de que, no caso da vitória republicana, os israelitas venham a aproveitar o esvaziamento do poder democrata para o ataque planejado.

Além disso, Netanyahu não tem o apoio unânime entre os militares de seu país para esse projeto. Amy Ayalon, antigo comandante da Marinha, e dos serviços internos de segurança, o Shin Bet, disse que Israel não pode negar a nova realidade nos países islâmicos: “Nós vivemos – avisa – em novo Meio Oriente, onde as ruas se fortalecem e os governantes se debilitam”. E vai ao problema fundamental: se Israel quer a ajuda dos governos pragmáticos da região, terá que encontrar uma saída para a questão palestina. É esta também a opinião, embora não manifestada com clareza, do governo de Obama, de altos chefes militares americanos, e dos círculos mais sensatos da comunidade judaica naquele país.

O fato é que os Estados Unidos se encontram em uma situação complicada. Eles não têm condições militares objetivas para entrar em nova guerra na região, sem resolver antes o problema do Iraque e do Afeganistão. Seus pensadores mais lúcidos sabem que invadir o Irã poderá significar a Terceira Guerra Mundial, com o envolvimento do Paquistão no conflito e, em movimento posterior, da China e da Rússia. Washington, na defesa de seus interesses geopolíticos, deu autonomia demasiada a Israel, armando seu exército e o ajudando a desenvolver armas atômicas. Já não conseguem controlar Tel-Avive.

Estarão dispostos, mesmo com o insensato Romney, a partir para uma terceira guerra mundial? No tabuleiro de xadrez, se trata de “xeque ao Rei”; na mesa de bilhar, de sinuca de bico.

Extraído do sítio Mauro Santayana

26 outubro 2012

MAIORIA DOS JUDEUS EM ISRAEL É A FAVOR DE APARTHEID NA PALESTINA

A três meses das eleições em Israel, pesquisa mostra acirramento da polarização na sociedade do país.


A maioria dos judeus de Israel é favorável à sua separação total com os árabes que vivem no país e representam 20% da população. A defesa, por essa parcela da sociedade local, de um apartheid na Palestina foi a conclusão de uma pesquisa realizada neste mês pelo grupo Dialog e publicada no diário Haaretz.

A três meses das eleições gerais no país, o levantamento, feito com 550 israelenses judeus, aponta os problemas da polarização da sociedade de Israel e seu rebaixamento em direção ao ultranacionalismo.

Segundo a pesquisa, 59% dos entrevistados são favoráveis aos judeus terem preferência em relação aos árabes para ocupar cargos da administração civil e governamental. Além disso, 42% dos israelenses judeus querem que o Estado os trate de forma melhor que o restante da população e dizem que não viveriam em um prédio com vizinhos árabes, nem matriculariam seus filhos em escolas mistas.

Os números não são uma novidade para a população árabe de cidadania israelense. Para a ONG Adalah, de proteção dos direitos da minoria árabe no país, o principal problema é a coalizão de direita do primeiro-ministro Benjamín Netanyahu e a falta de ações do governo para prevenir o racismo.

“Não é nenhuma surpresa que Israel esteja se convertendo em um Estado cada vez mais racista. No momento, não há nenhum tipo de conscientização da população judia sobre os árabes israelenses”, afirma Saleh, um dos porta-vozes da entidade que preferiu não dizer seu nome completo.

“O governo fomenta um clima de rejeição aos palestinos, começando pelo ministro de Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, e seu racismo recalcitrante. O governo israelense está se movendo em direção ao apartheid, não apenas na Cisjordânia, mas também dentro de Israel, com diversas leis para discriminar a minoria árabe”, analisa Saleh. 

Entre as leis que considera prejudiciais aos árabes, o porta-voz cita o favorecimento à compra de terrenos por parte dos judeus e a proibição de conceder cidadania a um cônjuge que tenha nascido nos territórios palestinos.

Anexação da Cisjordânia

Caso Israel tente anexar a Cisjordânia, hipótese pouco provável, os números em favor de um apartheid disparam entre os judeus israelenses. A criação de estradas separadas é apoiada por 74% dos entrevistados e 69% proibiria os árabes de votar para o Parlamento.

Quase metade (47%) dos judeus israelenses seriam favoráveis ao envio dos cidadãos árabes à Cisjordânia e 36% apoiam um intercâmbio de árabes em troca de assentamentos na região.

“Jamais me mudaria para a Cisjordânia. Esta é a minha casa e nunca a deixaria sob nenhum aspecto, mas não acredito que a gente chegue a esta situação”, afirma Saleh.

A pesquisa também aponta que os ultraortodoxos têm a opinião mais radical sobre os árabes, com 80% deles sendo favoráveis ao envio dessas pessoas à Cisjordânia e 95% defendem o apartheid em Israel.

Extraído do sítio Opera Mundi

01 setembro 2012

CASA BRANCA E ISRAEL PROPAGAM TERROR CONTRA O IRÃ PARA "DESESTABILIZAR" O REGIME DOS AIATOLÁS


Está circulando na internet um documento elaborado pelo Departamento de Estado de Israel que indica para os próximos meses um ataque ao Irã, antes mesmo das eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos, sob o pretexto de "aniquilar a iniciativa nuclear" de Teerã.

O ataque poderá ocorrer em curto prazo, após a Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque, a ser realizada em setembro, quando ao seu final está prevista uma reunião entre Netanyahu e o neofalcão Barak Obama. Na pauta, a chamada "guerra do século XXI" deve ser o centro da reunião, cujo documento denominado "ataque de pavor e choque" "vazou" de altas patentes militares sionistas. Trata-se de mais uma orquestração criminosa no imenso rol de barbáries cometidas pelo cão de guarda raivoso do imperialismo ianque no Oriente Médio. Em caso de um futuro conflito aberto, obviamente Obama encenará uma "oposição" diplomática a esta "iniciativa" sionista, mas orientada a partir das obscuras salas do Pentágono e seus órgãos de inteligência. De acordo com o "plano" de guerra do Departamento de Estado sionista, haveria uma ação coordenada em diversos ataques. Uma primeira fase abarcaria um ataque cibernético com vistas a paralisar completamente o regime político dos aiatolás, o qual teria "hackeados" a rede de internet, a telefonia, rádios, televisão, satélites de comunicação e cabos de fibras óticas, além de "desabilitar" virtualmente o sistema de lançamento de mísseis subterrâneos localizados em Khorramabad e Isfahan, debilitando a capacidade de reação militar deste país. Segundo o documento supostamente "vazado" estaria inclusa a sabotagem da rede elétrica erguida sobre a fibra de carbono, provocando curto-circuitos em cadeia, o que deixaria o Irã praticamente às escuras. Neste período, dezenas de mísseis com ogivas não-convencionais (com alto poder de destruição) seriam lançadas de navios estacionados no Golfo Pérsico, tendo como alvos sinistros as residências dos cientistas nucleares iranianos e as usinas de beneficiamento do urânio. Concluída esta fase, entra em cena o satélite-radar "azul e branco", o qual teria a finalidade de mapear o que "sobrou" da infraestrutura do Irã e assim enviar "drones" para completar o que os bombardeios não atingiram.

No entanto, a consecução de uma operação desta envergadura é muito pouco provável num curto período de tempo, mas é uma hipótese que não pode ser de modo algum descartada, uma vez que tal plano faz parte de uma enorme guerra psicológica de terror e isolamento contra o regime político iraniano que precede a intervenção propriamente dita. Demonstra, não obstante, que fora dos chamados "organismos internacionais" como a ONU, o imperialismo está movimentando secretamente suas peças do intricado xadrez da guerra no Oriente Médio. Contudo, para levar a cabo esta guerra é preciso enfrentar a oposição da Rússia e China que almejam uma transição pactuada para a saída de Assad. De concreto mesmo, são as medidas repressivas profiláticas que o enclave de Israel efetiva contra os palestinos, tal como aparece no relatório chamado "Breaking the Silence" (perseguição, espancamento e prisão de jovens palestinos sem um motivo aparente, servindo para difundir o terror na população), a guerra contra a Síria, na qual Washington introduz mercenários e grupos de extermínio e a ofensiva sobre o Hezbollah voltada para neutralizá-lo através de uma operação de guerra no Líbano, como sequencia da chamada "revolução árabe" conduzida por Washington. Ou seja, a Casa Branca em conluio com Tel Aviv, tem como meta eliminar qualquer indício de resistência "interna" a seus planos de guerra de rapina colonialista na região.

Neste quadro, uma intervenção militar iminente pode acontecer contra o regime de Bashar al Assad como uma possibilidade concreta por parte do imperialismo europeu (França e Inglaterra) face às recentes derrotas dos mercenários "rebeldes" na Síria: "Não estamos descartando nada e temos um plano de contingência para uma ampla série de cenários" (G1, 30/8), advertiu o secretário de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, passando por cima das decisões do Conselho de Segurança da ONU – tal como aconteceu durante a guerra contra a Sérvia em 1999 quando a população civil foi brutalmente bombardeada pela OTAN, criando zonas de "exclusão aérea" ou de "segurança", a antessala da intervenção militar direta.

Como podemos ver, tanto o imperialismo ianque como o europeu estão movimentando suas peças, organizando uma verdadeira guerra de rapina colonialista contra a Síria e Irã. Diante desta perspectiva, mais do que nunca os países semicoloniais devem apontar suas armas químicas militares (Síria) e nucleares (Irã) para se defender das tropas invasoras contingenciadas pelo inimigo maior dos povos em todo o planeta: o imperialismo. Este combate deve ser o eixo programático dos marxistas revolucionários, em oposição a esquerda revisionista que festeja cada bomba que cai sobre a população síria por intermédio dos atentados terroristas concentrados nas mãos dos mercenários "rebeldes" a serviço da Casa Branca.

Extraído do sítio Diário Liberdade

29 agosto 2012

O QUE VOCÊ NÃO LEU NOS JORNAIS - Marino Boeira


Todo mundo sabe que o lobby judaico nos Estados Unidos elege o presidente e orienta a política externa norte-americana. Não importa se Democrata ou Republicano, nenhum candidato à Presidência se atreve a contrariar os interesses de Israel. A importância do voto dos judeus americanos é tão decisiva que o candidato republicano Mitt Romney, que é mórmon, foi fazer campanha em Israel. Conseguiu a agradar os israelenses e ofender os palestinos ao chamar Jerusalém de capital de Israel e atribuir às diferenças culturais o motivo de a economia israelense ser mais bem sucedida que a Palestina. Até o moderado Mahmoud Abbas, Presidente da Autoridade Palestina, reagiu às declarações de Romney, classificando-as de racistas.

A grande imprensa norte-americana, que costuma jogar às claras na hora de se definir sobre qual partido vai apoiar nas eleições nacionais – Democratas ou Republicanos – talvez até porque os dois sejam muito parecidos – é unânime porém na defesa de Israel e raramente publica noticias que revelem o papel agressivo do país nas relações com os palestinos.

E no Brasil? Você como leitor dos nossos grandes jornais, como O Globo, O Estadão, Folha e ZH, costuma encontrar informações isentas sobre o que acontece no Oriente Médio ou elas refletem também um apoio sistemático à política de Israel com seus vizinhos árabes?

Faça um teste. Leia a noticia a seguir, publicada esta semana pelo site Opera Mundi e veja se você a viu em algum dos grandes jornais brasileiros:

Na ofensiva de 2008 e 2009 contra os palestinos da Faixa de Gaza, o exército de Israel matou 1.400 palestinos em apenas três semanas e teve 13 baixas. Num dos ataques, tanques israelenses destruíram uma casa onde estavam umas 30 pessoas. Com bandeiras brancas, homens , mulheres e crianças saíram para a rua em busca de um novo abrigo, entre elas Riyeh Abu Hajai e sua filha Madja. Soldados israelenses abriram fogo e mataram as duas. Como o caso teve grande repercussão, um tribunal das Forças Armadas de Israel acusou um militar, identificado como Sargento “S” de ser o autor dos disparos. Esta semana, saiu a sentença do tribunal. Ele foi condenado a 45 dias de prisão, pela acusação de ter disparado sem autorização dos seus superiores. Você leu certo: 45 dias e não 45 anos, ou 45 meses. O tribunal considerou que não ficou provada a relação direta en tre os disparos do militar e a morte das palestinas, embora o Sargento “S” tenha admitido que atirou na direção daquelas mulheres.

Outra notícia que você provavelmente não leu, se suas únicas fontes são os jornais brasileiros é sobre o relatório publicado no último domingo pela Breaking the Silence (Quebrando o Silêncio), uma organização de antigos oficiais do Exército de Israel dedicada à divulgação das ações militares nos territórios palestinos ocupados, aparentemente uma fonte que não pode ser acusada de estar a serviço dos palestinos. Mais de 30 ex-soldados contaram como trataram crianças e jovens palestinos durantes as operações militares e prisões entre 2005 e 2011, revelando um padrão de abuso e racismo.

Durante uma madrugada em 2009, todas as casas da cidade palestina Salfit, localizada na Cisjordânia, foram invadidas por soldados israelenses. A ordem do Comando Central era prender todas as pessoas que tivessem de 15 a 50 anos e levá-las para uma escola que havia se tornado provisoriamente um centro de detenção. Isso porque a Agência de Segurança de Israel, que realiza o serviço de segurança interna, queria coletar informações sobre as pedras que eram jogadas contra jipes militares nas estradas e ruas ao redor da cidade. Os militares colocaram vendas e algemas de plástico, muitas vezes apertando-as, nos jovens e adultos. Por sete horas, estes palestinos permaneceram sentados sem poder nem se mexer, sem acesso à água e comida, em um sol escaldante. Eles não sabiam por que estavam lá e nem o que seria feito pelos militares — um dos jovens urinou nas calças. Muitos ficaram com as mãos roxas pela falta de circulação sanguínea e outros com os braços dormentes por conta das algemas. Um dos garotos, de apenas 15 anos, pediu para ir ao banheiro e, antes de ser levado por um soldado, foi espancado ainda no chão.

Esta é apenas uma das histórias desse documento, repleto de descrições de intimidações, humilhações, violência verbal e física e de prisões arbitrárias por parte dos militares israelenses em circunstâncias cotidianas na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Um depoimento de um sargento de Hebron revela com precisão o que esses militares eram ensinados a pensar sobre os palestinos: “Eles eram vermes e em algum ponto, eu lembro que eu os odiava, odiava eles [palestinos]. Eu era um racista, estava tão zangado com eles pela sua sujeira, sua miséria, a porra toda”,

* Marino Boeira é professor universitário.

Extraído do sítio Sul21

26 agosto 2012

SOCORRO GOMES: A MÍDIA CONTRA OS POVOS - DA AL AO ORIENTE MÉDIO - Vanessa Silva

Imagens da mídia: Chávez, moribundo, tenta usar imagem jovial para se aproximar de seu opositor, Capriles. Obama vai invadir a Síria, caso o governo de Assad ultrapasse a “linha vermelha”. Antissionismo é antissemitismo e grupos terroristas podem atacar israelenses no Brasil. Todas essas informações foram veiculadas nesta semana. Para repercutir esses assuntos, o Vermelho conversou com a presidenta do Conselho Mundial da Paz e do Cebrapaz, Socorro Gomes.


Venezuela

Nesta quinta-feira (23), o jornal “Bom Dia Brasil”, da Rede Globo, veiculou uma reportagem crítica à campanha pró-Chávez onde dizia que o presidente da Venezuela “tenta vender a imagem de um líder que personifica mudança; mas está no poder há 14 anos. (…) O candidato desenhado esconde o homem debilitado e doente que tenta a terceira reeleição, tendo que encarar um adversário nem um pouco raquítico. Henrique Caprilles tem 40 anos, agita a campanha com vigor físico (…) Vende com a própria imagem a encarnação do novo, que Chávez tanto queria ser.”

A Globo tenta uma manobra para deslegitimar o processo dramático que vem sendo desenvolvido na Venezuela, que celebrará sua eleição presidencial no próximo dia 7 de outubro. Na opinião de Socorro Gomes, que participará como observadora do pleito, a realidade do país é o contrário do que a mídia brasileira tenta vender: 

“O que está acontecendo na Venezuela é uma busca para dar total transparência às eleições. A própria justiça eleitoral tem total autonomia, autoridade e está convidando personalidades, representações políticas dos países para acompanhar esse pleito, o que demonstra a profunda preocupação com a lisura das eleições. No meu entendimento é uma grande conquista democrática”.

É comum ainda os grandes jornais do país publicarem editoriais criticando o país caribenho. No dia 31 de julho, quando a Venezuela ingressou formalmente no Mercosul, o jornal O Estado de S. Paulo saiu com o editorial “O que Chávez esconde”, aliando o presidente ao narcotráfico. Tal ofensiva deve-se à importância que a Venezuela tem para a região. Contra isso, foi criada a campanha “Brasil Está com Chávez”, para respaldar o processo bolivariano.

A importância deste evento é ressaltada por Socorro: “a campanha de solidariedade se dá porque somos países vizinhos, irmãos e temos um destino comum. A questão da integração soberana dos povos latino-americanos é fundamental para a garantia da paz no continente. Uma vez que Chávez e a própria Venezuela vêm sofrendo ameaças, e sabotagens de todos os tipos por parte dos Estados Unidos. (…) Então é um movimento positivo que demonstra também um amadurecimento da consciência internacionalista do Brasil e dos países irmãos”.

Síria

Na segunda-feira (20), pela primeira vez, o presidente dos Estados Unidos declarou explicitamente que poderá invadir a Síria. Até então, este governo colaborava de maneira ativa no financiamento de mercenários e no fornecimento de armas para a oposição do país, com o objetivo de criar um clima de terror. A declaração de Obama viola o direito internacional, como lembra a pacifista Socorro Gomes:

“Quando o governo Obama ameaça invadir a Síria ele viola o direito internacional e os princípios e resoluções da ONU de autodeterminação e autonomia dos povos. (…) Essas potências querem que mercenários armados, hordas de assassinos [atuem no país] e o governo da Síria fique de mãos atadas sem defender seu povo. Oras, o presidente de uma nação tem como obrigação primeira defender a soberania da nação e a vida de seu povo. Ao invés de parar de financiar os mercenários assassinos, eles [Estados Unidos] criticam um governo que defende o seu território”.

Para a presidenta do Conselho Mundial da Paz (CMP), “o que os Estados Unidos querem mesmo é a invasão da Síria e não há aí nenhum compromisso com a democracia, com o direito internacional ou com a vida dos civis”. De fato, o que está em jogo é uma peça fundamental no tabuleiro geopolítico mundial. “Anteontem foi o Iraque, o Afeganistão; ontem, a Líbia e agora é a Síria. Isso merece a denúncia firme, a condenação veemente porque o que está em risco são a paz e o direito dos povos e das nações no mundo”.

Diante do impasse existente no país, a única solução possível é o diálogo entre o governo e seus adversários: “o desfecho necessário é o diálogo entre a oposição — não os mercenários, bandidos — e o governo, [de maneira que] o próprio povo sírio, de maneira soberana, resolva seus problemas.” 

Em missão do CMP e da União da Juventude Socialista, a presidenta visitou a Síria em abril deste ano. Com a autoridade de quem esteve em Damasco, ela afirma que “a despeito das críticas feitas ao país, é bom lembrar que a Síria já foi atacada várias vezes e nessas últimas décadas avançou bastante do ponto de vista da democracia, da melhoria das condições de vida do povo. Tem problemas que precisam ser resolvidos de maneira soberana, sem a ingerência de potências internacionais imperialistas, que querem a destruição da nação, querem colocar governos que obedeçam a seus vis desígnios de hegemonia e de saque dos recursos naturais na região”.

E lembra ainda que o CMP realizou, em julho, sua Assembleia mundial com resoluções de apoio e solidariedade ao povo sírio. “No dia 21 de setembro, estaremos em todos os Estados onde existe o Cebrapaz, para que as pessoas conheçam as resoluções do CMP. Também vamos fazer atos e eventos em apoio ao povo sírio e de contestação às ações imperialistas contra aquele povo”. Leia aqui a íntegra da resolução política.

Irã 

Nesta quinta-feira (23) o colunista Michel Chossudovsky, do Resistir.info informou que o “Canal 10 de Israel sugere, violentamente, que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está ‘determinado a atacar o Irã antes das eleições nos Estados Unidos’ e que o ‘momento para a ação está ficando mais próximo’”. Para Socorro, esta é mais uma estratégia em aliança com os Estados Unidos para o domínio da região:

“Israel tem as costas largas por conta de sua aliança com os EUA. Israel, que é uma potência nuclear, que tem uma política de lento genocídio contra o povo palestino, Israel que já invadiu no Líbano as fazendas de Shebaa, ocupou e usurpou as colinas de Golã da Síria, agora busca criar um clima para uma guerra. É claro que hoje Israel volta suas baterias contra o Irã. E ali a questão é essa: a busca do domínio da região, sendo que Israel é também a ponta de lança dos Estados Unidos no Oriente Médio”.

Israel

Hoje, ao criticar Israel, você pode ser acusado de antissemita e até mesmo identificado como simpatizante do holocausto. Isso é o que alguns colunistas vêm pregando na imprensa nos últimos dias. A Folha de S. Paulo, na quarta-feira (22), publicou o artigo dos jornalistas Salomão Schvartzman e Zevi Ghivelder em que eles dizem: “o antissemitismo prega que o judeu não tem lugar na sociedade. O antissionismo prega que Israel não tem lugar no mundo. Ou será que antissemitismo e antissionismo têm a mesma raiz?” Também defendem que “a Palestina nunca foi uma nação, Israel só ocupou tal território após ser atacado” e mencionam que o mesmo aconteceu com Berlim, que foi ocupada pelos Aliados no final da Segunda Guerra Mundial.

Sobre a questão, Socorro opina que “de fato a Palestina foi ocupada muitas vezes. O povo da Palestina estava ali há milhares de anos e inclusive existiam judeus ali que viviam pacificamente. O que ocorre é que no momento da resolução [242] da ONU, de criar o Estado de Israel, ficou determinado também criar o Estado da Palestina. E pelo peso das armas só foi criado o Estado de Israel e por essas mesmas armas foi impedido que o povo da Palestina conquistasse a sua nação. Só que Israel já usurpou, além do território que a ONU determinou, a maior parte do território palestino. Tomou inclusive as zonas mais ricas em água, mais férteis da Palestina, com armas”. 

Outro episódio controverso foi o debate realizado pela Conib (Confederação Israelita do Brasil) no último dia 19. Entre os participantes estavam os jornalistas Caio Blinder, Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo. “Hoje, o anti-israelismo [antissionismo] virou antissemitismo. Quando se quer atacar os judeus, ataca-se Israel”, declarou Mainardi. “Onde houver israelenses ou judeus, existe a possibilidade de um ataque”, declarou Blinder. “Ainda mais em um país onde não há punição para atos terroristas”, complementou Azevedo.

Essa hipótese é totalmente contestada pela ativista: “Nós, o povo brasileiro e os povos do mundo, não temos nada contra os judeus. É um direito de crença religiosa cada um professar a religião que queira, agora o que não podemos é fazer o uso perverso da crença, da religião para dominar os povos, para saquear o povo palestino. Isso não podemos aceitar. A própria ONU já teve resolução dizendo que o sionismo é racismo”. (Trata-se da resolução 3379 adotada em 1975. Em 1991, no entanto, a resolução foi revogada, sob pressão dos EUA e de Israel, no contexto de um mundo unipolar dominado pelo imperialismo estadunidense).

Ela pontua ainda que “eles [Israel] tentam jogar como se quem fosse contra o genocídio sionista fosse contra os judeus. É mentira. Tem muito judeus que abraçam a causa palestina e são antissionistas, inclusive israelenses. Infelizmente, a grande mídia serve à desinformação. E é com isso que os sionistas jogam”.

Fórum Social da Palestina

No contexto da solidariedade com o povo palestino, vítima do imperialismo israelense, o Cebrapaz integra a comissão de organização do Fórum Social Palestina Livre, que será realizado em novembro em Porto Alegre. Segundo a presidenta da entidade, “o Fórum tem uma organização ampla. É a defesa da solidariedade e do direito do povo palestino a seu território, seu Estado independente e soberano. É por isso que vão se reunir pessoas do mundo inteiro, organizações, lideranças para manifestar essa solidariedade e defesa do Estado Palestina Livre”.

Extraído do sítio Portal Vermelho

27 julho 2012

MUNDO CONFLAGRADO - Mário Augusto Jakobskind


O mundo está conflagrado. A situação na Síria agravou-se e já é considerada pela Cruz Vermelha como guerra civil. Lamenta-se o número de vítimas resultantes dos confrontos.

Três integrantes do alto escalão do governo foram mortos em um atentado em Damasco, o que para os analistas representou sinal de fraqueza do regime de Bashar Assad, embora houve quem dissesse que teria sido o próprio regime que realizou o ato terrorista para evitar um golpe de estado. É a tal coisa: não raramente numa guerra, a verdade sofre revezes... 

De um modo geral o noticiário sobre a Síria é majoritariamente apresentado pela versão de um dos lados, contra o regime atual que vem sendo combatido pelos rebeldes com a ajuda do Ocidente.

Rússia e China mais uma vez rejeitaram resolução no Conselho de Segurança condenando o regime de Bashar Assad, sob a justificativa de que poderia repetir os acontecimentos do ano passado, ou seja, que resultaram no sinal verde na ONU para os bombardeios da OTAN na Líbia. E que então Rússia e China se abstiveram permitindo a aprovação da resolução.

Representantes de países europeus e dos Estados Unidos, que têm sido acusados de armar os rebeldes sírios juntamente com monarquias árabes como a Arábia Saudita e o Catar, condenaram a Rússia e a China por não repetirem o que fizeram o ano passado.

Numa guerra, vale sempre repetir, a verdade também é uma das vítimas. Neste caso, o mais certo é apresentar as versões dos dois lados combatentes em pé de igualdade. Mas isso não acontece, o que dá margem à opinião pública se posicionar apenas contra o regime sírio, não levando em conta a composição dos rebeldes e quem os apoia.

O representante sírio na ONU, Bashar Ja`Afri, garantiu que entre os rebeles existem grupos terroristas ajudados pela Al Qaeda, o que obriga o seu governo a proteger o povo contra a ameaça externa. Não é a primeira vez que se denuncia a participação da Al Qaeda nos combates, o que já tinha acontecido no ano passado na Líbia. 

O governo sírio ameaçou utilizar armas químicas se houver invasão estrangeira. Essas armas podem estar estocadas e provavelmente foram adquiridas no Ocidente. 

Há denúncias inclusive que muitas imagens difundidas no Ocidente sobre os confrontos na Síria estão sendo produzidas nos canais de televisão no Catar.

Na Líbia, no ano passado as imagens apresentadas eram absolutamente manipuladas de forma a parecer que os rebeldes durante os confrontos tinham apoio popular. De um modo geral apareciam os rebeldes com suas metralhadoras dando tiros para o ar e conforme a disposição das câmaras parecia que alguns observadores, os próprios rebeldes, eram o povo.

A situação na Síria hoje é de extrema gravidade, não resta dúvida, mas não é difícil prever que o dia de amanhã, digamos, pós-Assad, será ainda pior, prevalecendo a barbárie, o que seria o cenário ideal para o fortalecimento de setores conservadores e pouco afetos aos valores democráticos. Ou alguém tem alguma dúvida de que a Arábia Saudita está preocupada com o respeito aos direitos humanos na Síria? E mesmo os Estados Unidos.

O cerco à Síria é um fato e se insere no contexto de fazer com que o Irã perca um aliado na região. A questão dos direitos humanos, que devem ser defendidos, claro, no fundo é mero pretexto, porque se fosse essa realmente a maior questão na área, os Estados Unidos não apoiariam monarquias como da Arábia Saudita, do Barheim e outras menos votadas. 

Em meio a este quadro de tensão e sem perspectivas de melhora, pelo menos por enquanto, ocorre um hediondo atentado na Bulgária, que vitimou cinco israelenses, um búlgaro de religião muçulmana e o próprio terrorista. 

Um fato lamentável, sem dúvida, que o primeiro ministro Benyamin Netanyahu tenta aproveitar para levantar a opinião pública contra o Irã. Antes mesmo de qualquer investigação sobre a autoria do atentado, o dirigente extremista culpou o Irã. Depois, o Pentágono e o governo israelense acusaram o Hezbollah. Teerã negou qualquer participação.

O Ministro da Defesa israelense Ehud Barak já admitiu intervir militarmente na Síria e o motivo alegado é uma eventual entrega de armas químicas pelos adeptos de Assad ao Hezbollah, no Líbano. Pretextos não faltarão e serão apresentados no momento em que a máquina militar israelense achar necessário.

Ao se analisar o significado do atentado em meio às pressões contra Teerã em função do programa nuclear, culpar o país persa logo de saída antes de qualquer investigação pode ser considerado leviandade ou algo mais grave que chega ao Mossad. 

É público e notório que o governo israelense tem feito o possível e o impossível para convencer o mundo que o programa nuclear iraniano é belicoso e está entre os seus objetivos usar bombas atômicas contra Israel.

Netanyahu se vale do holocausto, chantageando visivelmente, para mostrar que os judeus podem ser novamente vítimas, como na II Guerra Mundial, desta vez das bombas iranianas.

Isso valeu observações de figuras como o linguista estadunidense Noam Chomsky, que afirmou recentemente que Israel nuclear é um perigo e os dirigentes do Irã não teriam interesse e mesmo coragem para atacar Israel porque a retaliação seria arrasadora.

Para Chomsky, portanto, Israel nuclear é um perigo para a região e não o Irã. Poucos analistas se atrevem a afirmar isso, até porque serão execrados pelos setores que querem a todo custo bombardear as instalações nucleares do Irã e de quebra pela mídia de mercado.

E o governo israelense acusar Chomsky de antissemita fica difícil, porque ele é de origem judaica e filho de rabino. Mas não se enquadra no ideário sionista.

Em suma: é dever de todos os cidadãos do mundo ser contra guerras e violências. E respeitar os direitos humanos sem fazer disso uma arma de hipocrisia.

Pode-se e deve-se condenar desrespeitos aos direitos humanos na Síria ou em qualquer outro país, mas silenciar diante do que acontece na Arábia Saudita e em outras monarquias aliadas dos EUA é uma demonstração concreta de que a questão dos direitos humanos para os Estados Unidos é apenas jogo de interesse e hipocrisia.


Extraído do sítio Direto da Redação

07 junho 2012

NAVIO DO BRASIL GRAVA 320 INVASÕES AÉREAS DE ISRAEL NO LÍBANO - Luis Kawaguti

A fragata Liberal substituiu a fragata União na missão de paz no Líbano em maio
O navio de guerra brasileiro da missão de paz da ONU no Líbano registrou 320 invasões do espaço aéreo libanês por aviões militares de Israel nos últimos seis meses.

Segundo a diplomacia israelense, os voos têm caráter defensivo. Seu objetivo seria coletar informações sobre supostos foguetes do Hezbollah que poderiam atingir Israel.

Contudo, esses voos militares violam a resolução do Conselho de Segurança da ONU que estabeleceu um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah em 2006 e proíbe forças armadas estrangeiras de entrar no Líbano sem autorização do governo.

As 320 invasões aconteceram entre novembro de 2011 e maio de 2012, segundo o contra-almirante Wagner Lopes de Moraes Zamith, comandante da Força Tarefa Naval da ONU . Em média, elas representam mais de 12 invasões por semana.

Os voos suspeitos foram registrados pelo radar da fragata brasileira "União" e também gravados em imagens pela tripulação. Foram flagrados principalmente aviões de caça, de reabastecimento e "drones" - os aviões militares não tripulados.

"As violações de espaço aéreo são frequentes. Nosso navio tem capacidade de detectar essa atividade aérea. Inclusive isso é uma atividade subsidiária nossa que é muito bem-vinda pela Unifil (missão de paz da ONU no Líbano)", afirmou Zamith à BBC Brasil.

Radares

Os sobrevoos irregulares de Israel sobre áreas libanesas acontecem ao menos desde a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano em 2000.

Eles são registrados pela ONU por meio de um radar terrestre instalado no quartel general da Unifil em Naqoura, no norte do país.

Porém, segundo Zamith, o equipamento não tem alcance adequado para monitorar a região próxima à fronteira com Israel.

O posicionamento da fragata brasileira durante missões no litoral sul do Líbano desde o fim do ano passado ampliou a capacidade de detecção da missão e possibilitou o atual registro de flagrantes.

Reação

Avião israelense de reabastecimento e carga, Hércules C-130, sobrevoa Hebron
Depois de captadas, as informações sobre os voos suspeitos são analisadas pela Unifil - que verifica se de fato houve violação do espaço aéreo.

Em seguida, a missão faz protestos formais ao Conselho de Segurança da ONU, exigindo que as IDF (Forças de Defesa de Israel) parem com os abusos.

"Esses voos violam a resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU. Eles estão minando nossa credibilidade junto à população do sul do Líbano", afirmou à BBC Brasil Andrea Tenenti, o porta-voz da Unifil.

Segundo ele, a ação diplomática é a única reação possível da Unifil, pois seu mandato não permite o uso da força para impedir as violações israelenses - a menos em caso de ataque a capacetes azuis.

A Força Tarefa Naval da ONU existe desde 2006. Desde que o Brasil assumiu o comando da frota no ano passado, um único incidente envolvendo forças navais das Nações Unidas e aviões de Israel foi registrado, em 2011.

Um caça israelense invadiu o espaço aéreo libanês e sobrevoou um navio de guerra da esquadra internacional. Na linguagem naval, esse tipo de ação é considerada atitude hostil.

A ONU entrou em contato com Israel e o caso foi tratado como um mal-entendido.

Defesa de Israel

Segundo o diplomata Alon Lavi, porta-voz da embaixada israelense no Brasil, foi o Hezbollah quem violou a resolução do Conselho de Segurança da ONU com violência praticada dentro do Líbano.

Segundo ele, Israel teria informações de inteligência segundo as quais o grupo extremista xiita estaria estocando foguetes em áreas libanesas.

Outro motivo para os voos seriam "ameaças abertas" feitas por líderes do Hezbollah de atacar cidades israelenses.

"Israel tem a obrigação de obter informações de inteligência sobre esses foguetes porque eles estão apontados para a nossa população de novo", disse.

"É por isso que Israel tem feito voos no espaço aéreo do Libano, mas não temos propósitos ofensivos. A prova disso é que nenhum lugar no Líbano foi ameaçado ou atacado", disse.

Segundo ele, apesar de não haver registro de ataques recentes do Hezbollah, os voos israelenses continuam acontecendo com o caráter de monitoração.

Já para o diplomata Jimmy Douaihy, encarregado da embaixada libanesa, os voos violam a soberania do Líbano. Segundo ele, não há sentido na afirmação de que eles ocorrem em defesa contra o Hezbollah.

"Há tropas das Nações Unidas lá (sul do Líbano). Eles é que monitoram a área e não levantaram esse tipo de atividade", afirmou.

Ele também afirmou que as violações da soberania libanesa por Israel ocorreriam também pelas fronteiras terrestre e marítima. "Desde 2006 foram mais de 10 mil violações. Acontece quase todo dia. Já apresentamos várias queixas ao Conselho de Segurança (da ONU)", disse.

Ciclos

O contra-almirante Zamith afirmou que os voos israelenses têm características de ações de reconhecimento. Segundo ele, a atividade israelense no espaço aéreo libanês varia de acordo com a conjuntura política da região.

"As situações aqui são cíclicas, às vezes pioram e às vezes melhoram. Obviamente, nos momentos em que a situação do entorno regional se agrava, a tendência é que essas atividades aéreas também aumentem proporcionalmente", disse.

Lavi afirmou, por sua vez, que a relação entre as forças de Israel e os militares brasileiros atuando no Líbano é "muito boa e próxima".


Extraído do sítio BBC Brasil