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02 maio 2013

BOLÍVIA EXPULSA AGÊNCIA NORTE-AMERICANA USAID DO PAÍS - Vivian Fernandes


O órgão dos Estados Unidos é acusado de ingerência política em sindicatos de camponeses e outras organizações. Evo Morales criticou a postura norte-americana de tratar a América Latina como seu "quintal".


O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou a expulsão da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Regional (USAID) do país. O órgão estadunidense é acusado de ingerência política em sindicatos de camponeses e outras organizações sociais, também de conspirar contra o governo boliviano.

Em seu discurso do Dia do Trabalhador, na última quarta-feira (1º), Morales apontou que o governo norte-americano ainda segue uma mentalidade de dominação sobre a América Latina e outros países em desenvolvimento.

O dirigente sul-americano declarou que "seguramente [os estadunidenses] pensarão, todavia, que aqui se pode manipular politicamente, economicamente (aos bolivianos), esses são tempos passados". Afirmou ainda que a Bolívia é "um pequeno país, mas merece igual respeito".

Morales declarou também que a expulsão da USAID é um protesto frente à mensagem do secretario de Estado norte-americano John Kerry, que disse que a "América Latina é o quintal dos Estados Unidos".

A USAID está na Bolívia desde 1964 e atuou nas áreas de saúde, desenvolvimento sustentável, entre outras. Os projetos da agência que estão em curso serão assumidos pelo governo boliviano.

Em 2008, o governo de Morales expulsou outro órgão norte-americano, a agência antidrogas dos Estados Unidos (DEA).

* Com informações da Agencia Boliviana de Información (ABI).

Extraído do sítio Diário Liberdade

17 abril 2013

MADURO SAI DA DEFENSIVA E CRITICA CAPRILES E EUA - Jonatas Campos e Vinicius Mansur

Em três pronunciamentos feitos em cadeia de rádio e televisão em horários diferentes, presidente eleito da Venezuela afirmou que vai usar ‘mão dura contra o fascismo’. Ele avisou que seu governo não reconhecerá governadores que o considerem ilegítimo – Capriles governa Miranda – e acusou os EUA, um dos poucos países que não reconheceram sua vitória – de financiar a oposição.


Caracas – O presidente recém-eleito da Venezuela, Nicolás Maduro, aumentou o tom e partiu para o ataque no debate político por todo o dia de hoje (16). Em três pronunciamentos feitos em cadeia de rádio e televisão em horários diferentes, Maduro afirmou que vai usar “mão dura contra o fascismo” e proibiu uma marcha chamada pelo candidato derrotado Henrique Capriles Radonski para esta quarta-feira (17). O chavista ainda avisou que seu governo não vai reconhecer governadores que o considerem ilegítimo. Capriles é governador do Estado de Miranda.

Maduro também acusou a embaixada norte-americana de estar financiando a oposição. O governo dos Estados Unidos é um dos únicos das Américas que aderiu à campanha da oposição de pedir a recontagem dos votos. Ele anunciou medidas de segurança para o sistema elétrico do país que, segundo ele, vem sofrendo inúmeras tentativas de sabotagem.

Na segunda-feira (15), Capriles pediu nas redes sociais que seus seguidores "descarregassem sua raiva" ante a proclamação do presidente Nicolás Maduro no Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e convocou um “panelaço” para as 20h da noite. Como resultados dos protestos desde ontem à noite, o governo afirma que ocorreram setes mortes perpetradas por ataques de pessoas ligadas à oposição. 

“Agora estão planejando uma marcha ao centro de Caracas. Não vamos permitir. Vocês não vão para lá enchê-lo (o centro) de morte e sangre, não vou permitir que façam o que querem fazer. Vou usar a mão dura contra o fascismo e a intolerância, então digo, se querem me derrubar, venham para mim, aqui estou com o povo e uma Força Armada, seu burguês”, asseverou Maduro em uma inauguração de um centro de saúde.

Já a tarde, em um evento com trabalhadores da Petróleos da Venezuela (PDVSA), o presidente eleito acusou a embaixada dos Estados Unidos de financiar os atos de violência e alcunhou o seu opositor como o “novo Carmona", referindo-se ao empresário Pedro Carmona, que liderou o golpe fracassado contra o presidente Hugo Chávez em abril de 2002.

Em sua terceira aparição, já inaugurando um hospital no Estado Aragua, a algumas horas de Caracas, Maduro disse não reconhecer Capriles como governador o chamou os chavistas a protestar em favor do governo. “Chamo a todo o povo chavista, nacionalista e patriota, para isolar os golpistas. Não venha agora a disfarçar-se de pacifista. Não confundam nossos anseios de paz com debilidade”, disse o presidente em franco ataque.

Capriles

Por sua vez, Capriles desistiu de realizar a marcha e acusou o governo de estar por detrás dos episódios de violência. “Amanhã não vamos nos mobilizar, peço aos meus seguidores que se recolham. Amanhã ninguém vai. Quem sair está ao lado da violência. O governo quer que haja mortos no país”, acusou em coletiva de imprensa.

O oposicionista sustentou que “informações de inteligência” vindas das Forças Armadas revelaram que o governo pretendia infiltrar pessoas na marcha desta quarta-feira (17). “O governo quer através da violência que não se fale do assunto pelo qual estejamos aqui”, disse, referindo-se a sua demanda de recontagem de 100% dos votos.

Na coletiva, Capriles apresentou denúncias de irregularidades ocorridas no pleito de 14 de abril. Segundo o opositor, 535 máquinas de votação estariam danificadas; testemunhas da oposição teriam sido retiradas de 283 centros de votação; haveria mais de 600 mil falecidos nas listas de votantes; em 1176 centros, Maduro teria tido mais votos do que Chávez; em 564 centros eleitores teriam sido acompanhados irregularmente até a urna; toldos vermelhos do partido de Maduro (PSUV) estariam irregularmente próximos a 421 centros; motoqueiros teriam amedrontado eleitores em 397 centros.

Capriles ainda apresentou supostas listas de votantes e ata de verificação cidadã de uma mesma mesa de votação, no estado de Trujillo, onde haveria 181 votos a mais na ata do que pessoas na lista. Em tom de denúncia, Capriles também afirmou que pessoas com mais de 100 anos votaram.

A despeito da grita da oposição, Maduro reafirmou que não há necessidade de recontagem dos votos, visto que o sistema eleitoral venezuelano já prevê uma auditoria de 54% das caixas onde os votos são depositados depois de fechadas as mesas. A maior parte dos países das Américas já reconheceu a vitória de Maduro, entre eles, Brasil, Argentina, Equador, México, Bolívia, Colômbia, Peru, Uruguai, Haiti, Cuba, Guatemala e Nicarágua.

Extraído do sítio Carta Maior

16 abril 2013

OLIVER STONE: "LAS MENTIRAS Y DISTORCIONES SOBRE VENEZUELA SON UMA VERGÜENZA"

“Venezuela es el principal blanco de los medios de EEUU y del Departamento de Estado”, ha declarado el legendario director de cine estadounidense en una proyección especial de su película sobre el fallecido líder bolivariano Hugo Chávez.


El cineasta estadounidense, cuya película ‘Al Sur de la Frontera’ (2009) intenta mejorar la imagen de Chávez en EEUU, lamenta que la prensa occidental continúe tratando de desacreditar a Chávez, lo que -considera- “es una espina clavada en la democracia”.

“Siendo neoyorquino y leyendo durante mucho tiempo el diario ‘The New York Times’ aún estoy sorprendido por lo negativo que han sido estos artículos durante tanto tiempo”, dijo Stone, destacando que duda que haya habido tanta cobertura negativa sobre algunos de los peores regímenes del mundo. “Dudo que Adolf Hitler consiguiera una cobertura similar en Alemania. Estas mentiras y distorsiones son una vergüenza para ellos, es una desgracia”, espetó.

Respecto a la situación en Venezuela en vísperas de las elecciones presidenciales de este 14 de abril, Oliver Stone considera que “las acciones encubiertas que están ocurriendo en Venezuela son alarmantes”. “No quisiera estar en los zapatos de Nicolás Maduro. No me gustaría ser él porque está en un nuevo foco de atención”, declaró el cineasta.

“No pueden ir a por él personalmente, pero es una situación muy escalofriante para heredar este poder gigantesco, explicó Stone, enfatizando que “este es un momento difícil para Venezuela y espero que la gente esté muy unida”.

El cineasta piensa que, aun ganando Maduro las elecciones, “habrá igualmente una gran presión desde el exterior por el suministro de petróleo de Venezuela”. “Habrá más reacciones e historias. Venezuela es muy importante para EEUU y toda América Latina”, concluyó.

A un día de las presidenciales la calma reina en Venezuela. El domingo casi 19 millones de venezolanos acudirán a las urnas para decidir el futuro de la Venezuela post-Chávez. Entre los favoritos se encuentran el socialista Nicólas Maduro y el candidato opositor Henrique Capriles, al que Maduro aventaja en la mayoría de las encuestas.

Extraído do sítio Libre Red

15 abril 2013

VITÓRIA APERTADA DE MADURO DEVE GERAR CRISE POLÍTICA NA VENEZUELA - Eduardo Guimarães


Na noite do último domingo, as redes sociais ferviam enquanto o mundo aguardava o resultado da apuração da eleição presidencial na Venezuela. Ao longo da apuração foram surgindo boatos de que, pela primeira vez desde 1998, a diferença entre o candidato “bolivariano” e o seu principal adversário seria apertada.

Após a divulgação do resultado pelo Conselho Nacional Eleitoral venezuelano, sabendo da diferença menor do que 2% com que Nicolás Maduro derrotou a Henrique Capriles foi possível entender a retórica do oposicionista e de seus aliados ao longo da apuração.

A oposição, enquanto os votos eram contados, começou a divulgar acusações de fraude eleitoral por obra do governo, apesar de reconhecer a solidez do sistema venezuelano de votação, que, como o do Brasil, utiliza urnas eletrônicas.

Pela primeira vez, em mais de 14 anos, pode-se dizer que a Venezuela está literalmente dividida. Assim, não se poderá negar à oposição o seu direito inquestionável de pedir recontagem dos votos.

Não chega a ser um fenômeno que um candidato que encarna a herança de Hugo Chávez, mas que não é ele, tenha vencido por margem tão apertada. Entretanto, uma oposição que já apelou a tentativa de golpe por certo não deverá aceitar o resultado.

Em seu discurso logo após o anúncio do resultado da eleição, Maduro, em lugar de comemorar e falar do futuro, bradava pela aceitação daquele resultado, permitindo ver que já sabe do que vem por aí.

Haverá uma tentativa da oposição de paralisar o país não aceitando a vitória de Maduro nem com recontagem dos votos, pois os resultados da justiça venezuelana vêm sendo desacreditados por ela, como quando decretou a permanência de Maduro no cargo de presidente após a morte de Chávez.

O mais preocupante, em um quadro como esse, é a manutenção da paz social no país vizinho. Já surgem boatos de confrontos entre opositores e governistas. Os derrotados podem simplesmente sustentar as acusações de fraude e, assim, incentivarem a radicalização de parte a parte, o que já foi feito em 2002, com os resultados trágicos que se conhece.

O estímulo à radicalização em 2002 gerou dezenas de mortes e centenas de feridos em choques pelas ruas de Caracas. Agora, o quadro que brotou da eleição de domingo propicia a retomada do ímpeto golpista da direita midiática venezuelana. E o pior: tal ímpeto pode se propagar como fogo pela América Latina.

Extraído do Blog da Cidadania

MADURO VENCE ELEIÇÕES NA VENEZUELA, OPOSIÇÃO PEDE RECONTAGEM DE VOTOS - Anastasia Gubin

Novo mandatário governará diante de uma crescente força de oposição.

Nicolás Maduro, o presidente recém-eleito da Venezuela, após o resultado das eleições em Caracas em 14 de abril de 2013 (Luis Acosta/AFP/Getty Images)

Nicolás Maduro venceu a eleição presidencial de domingo na Venezuela com 50,56% dos votos, enquanto Henrique Capriles, o candidato da oposição da Mesa da Unidade, teve 49,07%.

A presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, disse que 7.505.338 votos foram a favor de Maduro e 7.270.403 votos a favor da Capriles, o que corresponde à participação de 78,71% dos eleitores, com contagem de 99,12%, segundo a Globovisión.

Durante o boletim eleitoral, apresentado após 23h, Lucena disse que “tendo em vista esses resultados tão justos”, ela falou com os dois candidatos, no entanto, esclareceu que eles “mostram uma tendência irreversível”, o que favoreceria Maduro.

Os resultados indicam que o sucessor de Hugo Chávez governará enfrentando uma força crescente de oposição. Capriles alcançou 44,31% dos votos nas últimas eleições de outubro de 2012, indicando um aumento de 5% em popularidade.

Em seu discurso, Nicolás Maduro expressou diante de seus seguidores no Palácio Miraflores que “é uma batalha” que ele havia ganhado, segundo a Globovisión.

Mas também alertou sobre interferências no setor eletrônico. “Hoje, capturamos uns colombianos com dispositivos eletrônicos e amanhã os apresentaremos”, disse Maduro.

Maduro também comentou que a presidente argentina Cristina Fernandez esteve aguardando os resultados durante todo o dia.

Capriles não reconhece os resultados

Henrique Capriles disse publicamente que não reconhece os resultados até que se abram as urnas e contem os votos. A Venezuela é baseada num sistema eletrônico.

“Não reconheceremos um resultado, até que se conte cada voto venezuelano”, disse Capriles, segundo o El Universal, referindo-se ao boletim do CNE, que anunciou Maduro como o vencedor.

Por sua vez, Capriles afirmou que são falsas as afirmações de Maduro após estes resultados, em que ele teria telefonado pedindo para fazer um pacto.

“Em conversa com o governo, dissemos que tínhamos um resultado diferente do expressado nesta noite e que nós, em nome da democracia, da paz e do compromisso que temos com a Venezuela, queremos que se faça uma auditoria, porque estamos falando de uma diferença muito pequena”, disse Capriles, segundo o El Universal.

“Eu não pactuo com mentiras nem com a corrupção”, acrescentou ele. “Começo assim, pois ouvi um discurso falando de um pacto. Não pactuo com a ilegitimidade, com aqueles que considero ilegítimos”, disse Capriles.

Num discurso público, Nicolás Maduro disse, “recebi um telefonema [de Henrique Capriles] e conversamos [...] ele me propunha enviar seus chefes de campanha para fazer um pacto, eu disse que não.”

Por sua vez, Maduro afirmou que não se opunha a auditoria dos votos e afirmou, “O maior interessado numa auditoria somos nós. Peço a CNE que faça uma auditoria”, informou a Globovisión.

Extraído do sítio The Epoch Times

VITÓRIA APERTADA, MAS VITÓRIA - Gilberto Maringoni


Os próximos dias e semanas serão um duro teste para o presidente Nicolás Maduro. Terá de enfrentar uma direita interessada em desestabilizá-lo e um cerco midiático avassalador. A situação obrigará também a uma reflexão e redefinição dos rumos e ritmos da ação governamental.

UM

O resultado: 50,66% para Nicolas Maduro e 49,07% para Henrique Capriles. Em números absolutos, 7.505.338 contra 7.270.403 de votos, diferencia de 234.935 sufrágios. Mínima, mas real. 

Democracia é assim, quem tem mais votos leva, mesmo que seja 50% mais um.

Numa ditadura, isso não é possível. Ditaduras prescindem do outro lado e da oposição. Maduro venceu apertado, mas venceu. Na ponta do lápis, a questão está resolvida: o chavismo continua sem Chávez.

Mas o resultado tem de ser examinado além das planilhas. 

DOIS

O governo não estava preparado para essa diferença. Possivelmente Capriles – que cogitou não concorrer, logo após a morte de Chávez – também não. 

Os chavistas avaliaram que dariam uma lavada na oposição, repetindo ou aumentando a diferença de 12% (56 a 44%) das eleições de outubro, quando Capriles enfrentou Chávez em sua última disputa.
 
Agora, o governo contava com o clima emocional disseminado no país, após a morte do Comandante, e os inegáveis avanços sociais de seu governo. 

Pesavam contra a situação a persistência da inflação, da violência e a burocracia estatal a prejudicar o desenvolvimento dos serviços públicos. Não são problemas criados pelo chavismo, mas que continuaram nos últimos anos.

TRES

Havia certa tensão no ar nos jardins do palácio de Miraflores na noite quente deste domingo, em Caracas. As ruas estavam desertas e praticamente não havia bares ou restaurantes abertos. Cerca de duas mil pessoas aglomeraram-se ä espera do resultado oficial do Conselho Nacional Eleitoral, que seria projetado em um telão.

Eram quase 23 h quando o órgão, anunciou a totalização. 

O clima foi de espanto geral. A expectativa de um passeio não se concretizara.

Cinco minutos depois, um locutor anuncia a presença de Maduro. 

QUATRO

Maduro estava visivelmente na defensiva. Em 43 minutos, reafirmou varias marcas da campanha, denunciou planos desestabilizadores, exaltou Chávez, a Constituição e justificou o resultado eleitoral, citando a vitória de George W. Bush, em 2000. Lembrou que naquele processo – turvado por somas contraditórias em varias regiões da Flórida.- a diferencia fora também mínima. Chamou os presentes a cantar o hino nacional, voltou a denunciar a desestabilização, falou do socialismo, da democracia “protagônica”, alertou a oposição de que não deveria contestar a voz das urnas e tornou a falar de Chávez. 
Não parecia haver roteiro prévio. 

CINCO

Cotejando o resultado final com as pesquisas de dez dias atrás – as últimas que puderam ser divulgadas -, pode-se constatar que o candidato situacionista viu uma margem de até 12% de diferencia apertar-se para 1%. Ou seja, Maduro estaria em queda e Capriles em ascensão. A derrota era um risco real para o governo, não considerada como hipótese séria em alguns de seus círculos.

SEIS

Henrique Capriles faz o que qualquer candidato em sua situação faria: esperneia. Pede recontagem dos votos e diz não reconhecer o resultado. Ficou por vários minutos na televisão, em coletiva com a equipe de campanha, a dizer que “o grande derrotado foi Maduro”, numa evidente forçação de barra.

Se Maduro não sair da defensiva, a argumentação de Capriles pode prosperar. A imprensa – venezuelana e internacional – aumentará o cerco, buscando deslegitimar o mandato do novo presidente. Não lhe dará folego algum.

SETE

As falas de Maduro na campanha – corretamente – se apoiaram no legado de Chávez e na história de seus mandatos, com especial destaque para o golpe de 2002. É importante, mas o presidente pouco comenta do futuro, dos planos, dos projetos. Tem seu farol apontado para trás, o que pode dificultar a criação de uma imagem própria para a população.

OITO

Em abril de 2002, três semanas após o golpe, vim pela primeira vez a Venezuela. No hotel em que me hospedei, perguntei a uma camareira como estava o país. Ela respondeu: “Quiseram quitar Chávez, pero no conseguiram. Chávez és nuestro y por iso no lo quierem”. A frase me espantou pela síntese. Os pobres queriam seu líder. 

Corte. Onze anos depois, chego ao hotel onde estou hospedado na capital venezuelana. Pergunto ao rapaz que leva minha bagagem até o quarto em quem ele votaria. “Em Capriles, claro! Hay que cambiar”.

Entre os mais de sete milhões de votantes em Capriles, a maioria seguramente é constituída por pobres. 

Olhando as planilhas de outubro passado, uma conclusão inicial pode ser feita, lembrando que Chávez teve 8.191.132 votos e Capriles 6.591.304.

Em seis meses, a oposição ganhou cerca de 680 mil votos, enquanto o governo perdeu ao redor de 700 mil. Pode ter havido uma migração de um lado para o outro.

Saber onde e porque isso aconteceu é vital para a continuidade e estabilização do governo Maduro.

NOVE

Os próximos dias e semanas serão um duro teste para o presidente Nicolás Maduro. Terá de enfrentar uma direita interessada em desestabilizá-lo e um cerco midiático avassalador. A situação obrigará também a uma reflexão e redefinição dos rumos e ritmos da ação governamental.

Por fim, há algo não pode ser colocado em xeque: Maduro ganhou.
Leva.
Democracia, como já dito, é assim.

Extraído do sítio Carta Maior

11 abril 2013

CHAVISTAS SE PREPARAM PARA CENÁRIO EM QUE OPOSIÇÃO NÃO RECONHEÇA DERROTA - Vinicius Mansur


Candidato da oposição venezuelana se recusou a assinar junto ao órgão eleitoral compromisso com reconhecimento do resultado das urnas. Chavistas divulgam documentos que indicariam movimentação adversária para o não-reconhecimento. 

O principal candidato da oposição venezuelana, Henrique Capriles, se recusou, na última terça-feira (9) a assinar um documento do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) comprometendo-se a reconhecer o resultado da eleição presidencial que acontece no próximo domingo, 14 de abril. Durante toda sua campanha, Capriles disparou diversas críticas ao órgão eleitoral do país, acusando-o de alinhamento ao poder executivo.

Ao invés do compromisso com o CNE, Capriles assinou, durante um ato de campanha transmitido ao vivo pelo canal de televisão Globovisión, um documento que classificou como “compromisso com os venezuelanos”. No texto, o candidato afirma que cumprirá com a Constituição, mas não explicita se reconhecerá o resultado a ser anunciado pelo CNE. Em uma larga entrevista dada a TV Venevisón na noite desta quarta-feira (10), Capriles afirmou que não poderia assinar um documento proposto por um órgão que faz vistas grossas para as mais de 100 denúncias apresentadas pela oposição. Entre as denúncias, o uso do canal do estado para fazer propaganda oficialista e a coerção de eleitores para votar no chavismo.

Denúncias dos chavistas

Horas antes, o vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e presidente do Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, apresentou e-mails enviados pelo assessor de Capriles, Armando Briquet, ao especialista em auditorias eleitorais da empresa Esdata, Guillermo Salas. Neles, Briquet trata das ações a serem tomadas caso a oposição resolva não reconhecer o resultado eleitoral.

Cabello também apresentou uma interceptação telefónica, que pode ser escutada abaixo, onde um homem apresentado como motorista de Carpiles afirma a um interlocutor não identificado que o resultado eleitoral não será reconhecido em caso de derrota.


O dirigente do PSUV ainda reforçou as denúncias feitas pelo governo desde o último domingo (7) sobre a presença de mercenários de El Salvador na Venezuela. De acordo com o ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Elias Jaua, o serviço de inteligência do Estado obteve informações que um grupo ligado ao terrorista Luis Posada Carriles entrou no país, articulado com os setores da oposição com intuito de provocar desestabilizações. O governo ordenou o fechamento das fronteiras. O candidato da oposição taxou de ridículas as acusações.

Temperatura se eleva

Incidentes no sistema de eletricidade no país também contribuem elevam a tensão às vésperas da eleição. Após uma série de apagões registrados em distintas partes do país desde a semana passada, o governo ordenou a presença das Forças Armadas nas estações de energia. Desde então,17 pessoas foram presas em flagrante, incluindo funcionários da Corporação Elétrica Nacional (Corpoelec), segundo informe do chefe do Comando Estratégico Operacional da Força Armada Nacional Bolivariana, Wilmer Barrientos.

O militar também informou que 22 escolas que funcionarão como centros eleitorais no estado Bolívar, que faz fronteira com o Brasil, amanheceram sem conexão com a rede elétrica. Entretanto, garantiu que todas as medidas já foram tomadas para recupera-las e que os 13.638 centros de votação de todo país serão policiados por cerca de 140 mil homens. Barrientos também afirmou que um operativo especial protegerá a rede de telecomunicações

Também contribuíram para elevar a tensão alguns episódios violentos envolvendo militantes em campanha. Após uma reunião com as Forças Armadas, a presidenta do CNE, Tibisay Lucena, divulgou um comunicado afirmando que o país está preparado para garantir a paz e a democracia e convocou a população a não aderir a provocações. "Só aos aventureiros convém qualquer agressão ao processo. Sá a quem não tem oportunidades pela via eleitoral convém nos agredir", diz a nota.

Extraído do sítio ComunicaSul

01 abril 2013

SUSPEITO DE MATAR CHE GUEVARA RECEBERÁ YOANI SÁNCHEZ EM MIAMI

Encontro entre blogueira e Félix Rodríguez ocorrerá durante o mês de abril e será organizado por grupo de exilados cubanos.

Um dos principais acusados de assassinar Che Guevara, Félix Rodríguez receberá a blogueira Yoani Sánchez em Miami no mês de abril, quando ela fará outra viagem aos Estados Unidos.

Che Guevara foi morto no dia 9 de outubro de 1967, na Bolívia

De acordo com o site espanhol Terceira Informação, o encontro entre Yoani e o ex-agente policial da ditadura de Fulgencio Batista será organizado pela Associação de Veteranos da Baía de Cochinos, grupo de cubanos que vivem em Miami.

O evento chegou a ser questionado pelos membros da associação, depois que a blogueira defendeu o fim do embargo econômico à ilha caribenha, o que contraria a agenda desses exilados cubanos. No entanto, na semana passada, foi emitida uma nota de boas vindas a Yoani, na qual expõem as suas divergências, mas a classificam como “lutadora pela democracia e os direitos humanos”.

No debate interno na associação, Rodríguez foi um dos principais defensores da visita de Yoani à cidade.

Morte de Che

Che Guevara morreu na Bolívia em outubro de 1967. De acordo com documentos desclassificados do governo norte-americano, Rodríguez, que atuava sob os nomes de Capitão Ramos ou "O Gato", recebeu por um rádio a ordem para matar Che. Até então, o próprio agente imaginava que o argentino seria levado vivo aos Estados Unidos.

Segundo os mesmos documentos, Rodríguez passou a ordem de execução de Che para o sargento Jaime Terán, o que elemesmo admitiu em entrevista para uma revista espanhola em 1998. "Mandei Terán cumprir a ordem. Disse que ele deveria disparar embaixo do pescoço para que Che parecesse ter sido morto em combate."

Extraído do sítio Opera Mundi

21 março 2013

POR QUE A BLOGUEIRA YOANI SANCHEZ NÃO DENUNCIA GREVE DE FOME QUE ESTÁ ACONTECENDO AGORA EM CUBA? - Antonio Mello

Prisioneiros em Cuba "estão em greve de fome há 43 dias em protesto contra o confisco de bens pessoais como fotografias, cartas e exemplares do Corão" ... e a blogueira Yoani Sanchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?


A "ONG Centro de Direitos Constitucionais, baseada em Nova York, afirma que a greve de fome já alcança 130 dos 166" detentos em Cuba... e a blogueira Yoani Sanchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?

O antropólogo Mark Mason, especialista em fatores culturais causadores de sofrimento humano, em entrevista à rede russa RT declarou: "Mais da metade deles está livre de acusações. Eles deveriam estar na rua, saírem da prisão hoje mesmo". No entanto, estão presos em Cuba, em greve de fome... e a blogueira Yoani Sanchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?

O mesmo antropólogo prosseguiu: “Eu não consigo descrever as condições horríveis, o tratamento e a humilhação que muitos desses detentos reportaram. Eles são obrigados a ficar em pé, sem roupas, em salas geladas por horas. Só isso já constitui estresse físico, é uma tortura psicológica indescritível”. E agora há a greve de fome... e a blogueira Yoani Sanchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?

Um dos prisioneiros relatou que “Eles realmente tentam de tudo para nos quebrar, incluindo tortura física e psicológica. Eu mesmo fui torturado com eletrochoques e waterboarding [simulação de afogamento]. Presenciei ainda crianças entre nove e 12 anos dentro dos campos. É muito difícil observar essas crianças sendo espancadas em minha frente”. Por isso muitos dos 133 detentos em Cuba estão em greve de fome desde o dia 6 de fevereiro... e a blogueira Yoani Sanchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?

Sabe por quê? Porque tudo isso está acontecendo na ilha de Cuba, mas não sob administração cubana. Tudo isso se passa na prisão de Guantánamo, na Base Naval dos Estados Unidos na Baía de Guantánamo, sob responsabilidade dos Estados Unidos da América.

Por isso Yoani Sanchez não fala nada. Também as Damas de Blanco estão silentes.

Yoani Sanchez não fala nada, e mais uma vez deixa cair a máscara e mostra a serviço de quem se encontra.

Extraído do Blog do Mello

19 março 2013

FRANCISCO I VEM DISPUTAR O CONSENSO SOCIAL - Julio C. Gambina


Há 40 anos que o neoliberalismo se ensaiou nos nossos territórios com as ditaduras e o terrorismo de Estado, para depois se estender por toda a orbe. A Igreja na Argentina, salvo honrosas e escassas excepções, acompanhou a genocida ditadura nesse parto neoliberal, ainda que agora falem de pobreza e de ética.

A Igreja é parte do poder mundial, e não só do poder económico. A Igreja disputa historicamente o consenso da sociedade. É uma realidade a ter em conta em tempos de crise capitalista, considerada também uma crise de civilização, já que esta civilização contemporânea é comandada pelo regime do capital, ou seja, pela exploração do homem pelo homem, pela depredação da Natureza.

Quando o sistema mundial estava desafiado pelo avanço dos povos e o socialismo (como forma que tentava ser alternativa da ordem mundial) abriu caminho a teologia da libertação, em confronto aberto com o poder institucional de uma Igreja retrógrada. Assim a Igreja dos pobres mostrava-se a partir do sul do mundo, mais precisamente da Nossa América. A Igreja oficial não podia negar esse rumo que desbravava caminho entre os padres da base e serviu de fundamento a um grande debate mundial no seio da Igreja.

Os caminhos da ofensiva popular tocavam à porta da Instituição. A resposta contemporânea da instituição Igreja foi acompanhada da ofensiva capitalista para recuperar o poder económico do regime do capital. Essa ofensiva materializou-se nos anos 80 do século passado contra o socialismo e os povos, abrindo caminho ao poder reacionário dos Ratzinger e dos Bergoglio.

Há 40 anos que o neoliberalismo se ensaiou nos nossos territórios com as ditaduras e o terrorismo de Estado, para depois se estender por toda a orbe. A Igreja na Argentina, salvo honrosas e escassas excepções, acompanhou a genocida ditadura nesse parto neoliberal, ainda que agora falem de pobreza e de ética.

Um Papa polaco chegou à Igreja para acompanhar o princípio do fim da experiência socialista, ainda que se discuta o carácter daquela experiência. O capitalismo mundial necessitava do Este da Europa. A Alemanha assim o entendeu. Os EUA também. Sem o Este da Europa, ainda que já abandonado o projecto socialista original, o mundo deixou de ser bipolar e constituiu-se o caminho unipolar do capitalismo transnacional e neoliberal.

O caminho unipolar está a ser desafiado pela mudança política na Nossa América e o ressurgir do socialismo, seja pela mão da revolução cubana ou por processos específicos que ressurgem em alguns países (Venezuela ou Bolívia), inclusive em variados movimentos políticos, sociais, intelectuais, culturais, na nossa região.

Com a morte de Chávez e milhões de mobilizados a constituírem-se em sujeitos pelo cumprimento do legado revolucionário e socialista de Hugo Chávez, a Igreja lança para a mesa o símbolo de um Chefe da Igreja nascido no sul e comprometido com o projecto do norte.

O Papa argentino, Francisco I, vem cumprir o projecto do poder mundial de disputar o consenso da sociedade, especialmente dos povos. Não se trata apenas de sustentar posições contrárias ao matrimónio igualitário ou contra o aborto, largamente difundidos pelo bispo Bergoglio, mas de gerir a uma consciência de disciplinamento para a ordem contemporânea, reacionária, de dominação transnacional.

A Nossa América é hoje laboratório da mudança política. A Instituição Igreja quer intervir neste processo, e não é para desenvolver essas mudanças, mas para as travar. A disputa é pelas consciências. É uma batalha de ideias, pela mudança ou pelo retrocesso. Preocupa-os o efeito Chávez na região. Preocupa-os a sucessão política na Venezuela e a capacidade de alargar o rumo socialista. Precisam de disputar o consenso.

Mas, por mais tentativas institucionais para acompanhar a ofensiva do capital contra o trabalho, os trabalhadores e os sectores populares, inclusiva a Igreja dos pobres, o movimento religioso popular persiste na procura pela organização da sociedade do viver bem (Bolívia), do bem viver (Equador), do socialismo cubano, ou da luta pela emancipação social de grande parte da sociedade dos de baixo na Nossa América.

O Papa Francisco I vem pelas suas razões. Nós, os povos, devemos continuar a nossa luta e experimentação por uma nova sociedade, por um outro mundo possível, esse que se constrói na luta contínua contra a exploração, pela emancipação social, contra o capitalismo e o imperialismo, pelo socialismo.

* Júlio Gambina é presidente da Fundação de Investigações Sociais e Políticas (FISYP).

** Tradução de José Paulo Gascão.

Extraído do sítio O Diário.info

15 março 2013

AMÉRICA LATINA É REGIÃO-CHAVE PARA FUTURO DA IGREJA CATÓLICA - Rafael Plaisant Roldão e Astrid Prange de Oliveira


Mudanças em políticas tradicionais, como o celibato, são improváveis, mas Vaticano quebra tabu ao eleger cardeal argentino. Aproximação com América Latina, que concentra mais de 40% dos católicos do mundo, é promissora.

A surpreendente escolha do argentino Jorge Mario Bergoglio como Papa marca uma mudança de foco da Igreja Católica em direção a uma região fundamental para o seu futuro. O Vaticano tem na Europa a sua sede, seu bastião histórico e sua principal fonte de renda, mas há tempos que a América Latina é sua principal base de fiéis – e talvez a chave para retomar o prestígio de antes.

Enquanto, no último século, o número de católicos europeus caiu pela metade e hoje representa apenas 25% do total mundial, na América Latina a tendência é oposta. Na região já se concentram 42% dos fiéis do planeta, e estima-se que até 2050 esse número terá crescido mais de 40%.

Para ser mantida, no entanto, essa progressão demanda atenção – e a Igreja parece finalmente ter tomado ciência disso. Muitos fiéis dizem já não se enquadrarem mais nos estritos parâmetros impostos pelo catolicismo romano, e vêm buscando abrigo em Igrejas evangélicas e pentecostais ou mesmo no agnosticismo.

"Com essa escolha, seremos uma Igreja mundial", declarou à DW o padre Bernd Klaschka, diretor da organização católica Adveniat, que atua na América Latina em nome da Conferência Episcopal da Alemanha. "Ela mostra a confiança no desenvolvimento da Igreja Católica na América Latina. O novo Papa vai conquistar os corações com sua postura simples e discreta."

Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, em 2009
Aproximação com fiéis

Francisco é conhecido pela personalidade discreta, pela forma simples com que prega e pela conexão com os pobres – de certa forma um contraste com seu antecessor, muitas vezes criticado por não falar a língua do povo. Mas o argentino compartilha muitas das mesmas posturas conservadoras de Bento 16 e é improvável que tome medidas drásticas em temas como o aborto, o casamento gay ou a ordenação de mulheres.

Especialistas dizem que, devido a suas posições conservadoras centenárias, a Igreja é vista por muitos, especialmente pelos mais jovens, como um corpo estranho e distante. E, em defesa de uma reaproximação com esses fiéis, há basicamente duas linhas de pensamento dentro do Vaticano.

Uma propõe o regresso às essências do catolicismo, tomando a aplicação estrita da educação católica como cavalo-de-batalha e rechaçando mudanças drásticas, como a aceitação do uso de anticoncepcionais. Outra corrente defende a manutenção dessas essências, mas de forma adaptada à realidade moderna – como é o caso dos episcopados que aceitam o uso da pílula do dia seguinte por mulheres vítimas de estupro.

O papa Francisco, de 76 anos, terá que buscar uma síntese entre ambas as tendências, o que não será fácil. Sua escolha surpreendeu também aos que esperavam um pontífice mais jovem, capaz de dar energia à Igreja num momento de escândalos que minam sua autoridade moral, de crise de governança interna, do crescimento dos evangélicos e da crescente falta de novos padres.

"O primeiro movimento é caminhar"

No Brasil, maior país católico do mundo, o número de padres ordenados até cresceu (de 16.700 para 22 mil), mas a cifra é ainda baixa comparada à população nacional e à quantidade de paróquias e dioceses. A situação se repete na Europa – que chegou a importar prelados latino-americanos –, nos Estados Unidos e nos demais países da América Latina, como a Argentina do papa Francisco.

Júbilo na Argentina após eleição do novo Papa
"Em Buenos Aires há paróquias com 80 mil a 90 mil membros", diz Klaschka, em referência à proporção de fiéis para padres. "Por isso, a formação de leigos deverá ser alta prioridade no papado de Bergoglio." Essa pode ser uma saída, já que o fim do celibato e a ordenação de mulheres parece, pelo menos a médio prazo, fora de questão.

Em sua primeira homilia, o papa Francisco declarou nesta quinta-feira (14/03): "O primeiro movimento é o caminhar. Nossa vida é um caminho e, quando paramos, as coisas não acontecem". A Igreja está diante de uma série de desafios e reconhece que precisa se mover. O primeiro passo já foi dado, com a renúncia de Bento 16, que quebrou uma tradição de mais de 700 anos. O segundo também, com a escolha do primeiro Pontífice jesuíta, latino-americano e único não europeu desde o século 8. Caberá a Francisco tentar tirar a Igreja da inércia que vem-lhe custando caro, nas últimas décadas.

Extraído do sítio Deutsche Welle

O PAPA QUE NÃO FOI - Paulo Moreira Leite

Deixando fatores religiosos de lado, cabe reparar que a escolha de Jorge Mario Bergoglio terá imensas consequências políticas para brasileiros e argentinos.


No Brasil, a escolha privou os adversários de Dilma Rousseff de um aliado seguro, que seria representado pelo cardeal Odilo Scherer. 

A possível escolha de dom Odilo foi acompanhada com uma esperança inusitada por parte dos meios de comunicação, engrossando um coral de cálculos em voz baixa elaborados por políticos de oposição e personalidades próximas. 

A ideia era que um papa brasileiro, como dom Odilo, poderia ser um ótimo contraponto na campanha de 2014 – quando o país deve assistir a um novo esforço dos adversários do governo para silenciar Lula, personalidade que possui uma estatura que nenhum rival conseguiu alcançar até o momento, pelo menos. 

Imagine um papa – a quem muitos católicos enxergam como a voz de Deus na Terra – fazendo pronunciamentos e declarações desfavoráveis ao governo Dilma. Seria uma ajuda e tanto, vamos combinar. Bento XVI chegou a ensaiar movimentos nesta direção, em 2010, deixando clara sua preferência pelos adversários de Dilma. 

Dois bispos, em Guarulhos e na Paraíba, fizeram campanha direta e explícita contra a presidente. Um terceiro bispo, que assumiu uma postura oposta, foi pressionado a renunciar logo após as eleições. 

O próprio José Serra deixou-se fotografar beijando um crucifixo e sua campanha fez de uma obsessão do Vaticano – o aborto – um tema quentíssimo da eleição.

A falta de carisma de Bento XVI e a boa situação do país, que crescia 7,5% em 2010, impediram que uma intervenção dessa natureza tivesse maiores consequências. 

Embora Dilma Rousseff seja titular de um governo que mantém apoio da ampla maioria dos brasileiros em 2013, como dizem seus índices de opinião, ninguém imagina que a decisão de 2014 irá ocorrer num ambiente semelhante. A possibilidade de a oposição se aliar a um dissidente do governo da estatura de Eduardo Campos coloca questões de outra natureza.

Na Argentina, a escolha de Bergoglio promete gerar complicações semelhantes para o governo de Cristina Kirchner, que vive um momento muito mais complicado do que a vizinha ao Norte. O novo papa é um adversário assumido de seu governo.

É possível fazer algumas observações, contudo.

A escolha de Bergoglio confirma a profundidade da crise que envolve a cúpula da Igreja Católica. É uma opção que parece sob encomenda para que todos possam rir aqueles analistas que preparavam um tapete vermelho para receber um personagem salvador, que seria capaz de abrir uma saída para um abismo de denúncias de corrupção, tráfico de influência e impunidade em relação a milhares de casos de pedofilia, um dos mais covardes e inaceitáveis crimes que a vida moderna registra. 

Deixando de lado os dados biográficos triviais – o novo papa anda de metrô, fala como as pessoas simples etc. – pode-se ir atrás de informações mais substanciosas. 

Horácio Verbitsky, um dos mais respeitados pesquisadores de direitos humanos da Argentina, informa que Bergoglio tem uma folha corrida complicada. Mostrou-se conivente com a perseguição a presos políticos, inclusive sacerdotes que participaram da resistência ao regime militar. Verbistsky ainda relata que Bergoglio pouco fez para esclarecer casos de filhos de presos políticos desaparecidos que foram adotados clandestinamente por amigos do regime militar. 

Ele também se manifestou contra o casamento de pessoas do mesmo sexo.

Parece difícil que um papa com tais características seja capaz de recuperar o prestígio da Igreja. 

Seria esta a revolução prometida pela renúncia de Bento XVI?

Extraído do sítio IstoÉ

14 março 2013

CENSURA E FÉ

Jorge Bergoglio é acusado de envolvimento com o regime autoritário argentino da década de 1970. Entenda a polêmica.


Nesta quinta (14), o jornalista argentino Horacio Verbitsky, diretor do Centro de Estudos Legais e Sociais (Cels), escreveu um artigo inflamado no jornal Página 12 em que acusa novamente o atual papa Francisco de envolvimento com a ditadura civil-militar argentina. Para o jornalista, o jesuíta Jorge Bergoglio é um ‘populista conservador’ que vai introduzir apenas mudanças ‘cosméticas’ em seu pontificado. No artigo intitulado ‘Un ersatz’ ele afirma que o sucessor do trono de Pedro é uma opção da “pior qualidade”, e o compara com “a água com farinha que as mães indigentes usam para enganar a fome de seus filhos” [tradução livre]. A escolha do título dá o tom do texto: a palavra alemã ersat – que não possui tradução para línguas latinas – dá ideia de substituição de mesmo nível, ou seja, para o autor, Francisco teria uma veia ultraconservadora tal como acusam os opositores de Bento XVI – que, quando jovem, foi membro da Juventude Hitlerista (segundo Joseph Ratzinger, isso aconteceu apenas quando ele foi obrigado).

A alfinetada não é nova, acontece há décadas. Em 1986, o advogado Emilio Mignone publicou o controverso livro Igreja e ditadura (1986), na qual levantava suspeitas sobre a participação de Bergoglio no sequestro de dois sacerdotes, em 1976. Nesta época, a ditadura civil-militar argentina estava no ápice e Bergoglio era presidente da Ordem Jesuíta. Segundo Mignone e também Verbitsky – na obra O silêncio (2005)– o sacerdote teria retirado a proteção da Igreja dos padres Francisco Jalics e Orlando Yorio, envolvidos com grupos da esquerda revolucionária.

O jornalista argentino acusa o atual papa Francisco, na obra e no presente artigo, de ter, inclusive, delatado os colegas ao regime ditatorial, fato que teria causado o sequestro e desaparecimento deles. A acusação poderia ser reforçada pelo testemunho recente de cinco pessoas: um sacerdote, um ex-sacerdote, uma teóloga, um integrante de uma fraternidade leiga que denunciou no Vaticano o que acontecia na Argentina em 1976 e um cidadão que também foi sequestrado à época.

Chamado a depor pela Justiça argentina, o então cardeal negou participação no caso. Em 2010, uma biografia autorizada sobre a vida do atual pontífice foi publicada. Na obra, o hoje papa Francisco nega as acusações e ainda afirma que tentou resgatar seus colegas do local onde eles estavam presos. O suspense permanece.

Extraído do sítio Revista de História

12 março 2013

A SUSPEITA DOENÇA DE CHÁVEZ - Mário Augusto Jakobskind


A direita, em todos os quadrantes, está tentando convencer a opinião pública de que o movimento chavista está dividido. Procuram lançar dúvidas sobre o futuro da Revolução Bolivariana, que é irreversível.

A mais recente queimação foi relacionada com a dúvida lançada sobre a doença que tirou a vida de Chávez no último dia 5 de março. A única forma de desmentir ou confirmar a acusação lançada pelo Presidente interino Nicolás Maduro é investigá-la com rigor.

Nesse sentido, grupos de direitos civis nos Estados Unidos apresentaram solicitação, direito assegurado pela Lei de Liberdade de Informação, sobre dados vinculados aos supostos planos de envenenamento de Chávez.

Os responsáveis pela petição pedem à Agência Central de Inteligência (CIA), ao Departamento de Estado e à Agência de Inteligência e Defesa informações sobre a atuação das instituições no caso. São entidades respeitáveis e que se movimentam em defesa dos direitos humanos, como a organização de direitos civis Partnership for Civil Justice Fund (Fundo da Sociedade para a Justiça Civil), a organização estadunidense antibelicista ANSWER, (Coalición ANSWER) e o diário ‘Liberation Newspaper’. 

No pedido são solicitados todos os registros e documentos, incluindo correios eletrónicos, cartas, memorandos, notas, fotografías, gravações de áudio, vídeos, avaliações de inteligência, registros ou outros dados que "se relacionam ou façam referência a qualquer informação vinculada com os planos de envenenamenteo ou outras formas de assassinar o Presidente Hugo Chávez”.

Os responsáveis pela petição lembram também que o governo dos Estados Unidos conhecia e contava com informações sobre as tentativas de assassinato de líderes estrangeiros, entre os quais o comandante da Revolução cubana, Fidel Castro, o ditador dominicano Rafael Leónidas Trujillo e o que tinha sido chefe do Exército chileno, General René Schneider Chereau. A carta não só menciona o conhecimento, como a possível participação de Washington nas ocorrências.

Para os signatários da petição, o público tem necessidade urgente e imperiosa de receber informação que sustente qualquer tentativa de assassinar o presidente da Venezuela, inclusive qualquer conhecimento que tenha ou haja tido o Governo dos Estados Unidos sobre tais atividades, e, em particular, o papel que o governo estadunidense tenha podido ter nesse planos.

Reforçando essa tese, vale lembrar que em 17 de novembro de 2010 o congressista estadunidense Connie Mack, considerado então porta-voz da extrema direita republicana, discursava no Capitólio em um encontro de fascistas dizendo que o Presidente Chávez deveria ser assassinado como um cachorro. Não à toa, que Mack era vinculado à máfia cubano- americana de Miami, que tentou mais de 400 vezes matar Fidel Castro.

O Governo venezuelano também pediu uma investigação sobre as circunstâncias da doença de Chávez, especificamente se foi envenenado ou deliberadamente exposto aos elementos que provocaram o câncer. Essa informação foi divulgada pelo canal NBC News.

O governo norte-americano negou qualquer envolvimento, mas agora não basta apenas a negativa sem aprofundar as investigações.

Diante de fatos até hoje não esclarecidos, que vão desde as mais de 400 tentativas de assassinatos de Fidel Castro, inclusive com uma técnica de espalhar radiação, que não deu certo porque a tecnologia nos anos 60 não estava tão desenvolvida como hoje, a morte do líder palestino Yasser Arafat, que já não há quase dúvidas e está sendo investigada na França, os desastres aéreos que mataram o panamenho General Omar Torrijos e o equatoriano Jaime Roldós, dois dirigentes que adotavam políticas nacionalistas, a desconfiança sobre as circunstâncias da morte de Chávez precisam ser investigadas com bastante rigor.

Mesmo o Brasil não está isento de dúvidas em relação às circunstâncias da morte do Presidente João Goulart, em 1976, em sua fazenda em Las Mercedes, na Argentina. Até hoje não foi esclarecido se houve mesmo troca de remédios que levaram Jango a morrer ou não. É preciso também rigor para se esclarecer de uma vez por todas as dúvidas.

De um modo geral a cobertura dos acontecimentos na Venezuela tem sido francamente manipulada. O objetivo principal é o de convencer a opinião pública que a Revolução Bolivariana está com os dias contados. Isso não é jornalismo. É distorcer a história.

Mas de alguma forma mesmo que se confirme que a morte de Chávez foi provocada, o tiro saiu pela culatra, porque o povo nas ruas reafirma que a Venezuela nunca mais voltará a ser uma colônia estadunidense, como era antes de dezembro de 1998 quando da primeira eleição do líder bolivariano.

Extraído do sítio Direto da Redação