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09 março 2013

MERVAL: "ACHEI QUE A CONDENAÇÃO DO DIRCEU TERIA IMPACTO NA ELEIÇÃO"


Autor do livro "Mensalão", com prefácio do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, o jornalista e "imortal" Merval Pereira acaba de fazer uma confissão, ao ser entrevistado no GloboNews Literatura; ele imaginava que o julgamento teria efeitos eleitorais, confirmando o que o próprio Dirceu disse ao 247, em entrevista exclusiva; "mas o Haddad acabou eleito", lamentou.

247 - Em entrevista exclusiva ao Sergipe 247, publicada nesta manhã, o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, afirmou ao jornalista Valter Lima, nosso correspondente em Aracaju, que a Ação Penal 470 teve motivação política. "Vou apresentar meus recursos, os embargos declaratórios e infringentes; depois, vou caminhar para uma revisão criminal, vou bater às portas do Tribunal Criminal Internacional, porque o grau de jurisdição não foi obedecido e, evidentemente, eu não posso ser condenado pela teoria do domínio do fato sem provas, num julgamento feito às vésperas do primeiro e do segundo turno, como se fosse uma boca de urna política" (leia mais aqui).

Nesta noite, ao ser entrevistado para o programa GloboNews Literatura, o jornalista Merval Pereira, que cobriu o julgamento para as Organizações Globo e, de certa forma, regeu o desenrolar do processo, fez uma confissão ao jornalista Edney Silvestre. Disse que, nas suas colunas para o jornal O Globo, cometeu alguns erros de avaliação. "Achei que a condenação do José Dirceu teria impacto na eleição municipal", afirmou. "Pode até ter tido algum impacto, mas o Fernando Haddad acabou eleito". Haddad, do PT, enfrentou e venceu José Serra, do PSDB, que utilizou o julgamento na campanha eleitoral de 2012.

Parece inacreditável, mas o fato é que Merval, um "imortal" da Academia de Brasileira de Letras, que agora publica seu segundo livro (assim como o primeiro, uma coletânea de artigos), admite que havia um viés eleitoral nas suas análises e, portanto, na sua cobertura do processo. O jornalista da Globo fez também questão de elogiar o prefácio de Ayres Britto, que foi questionado por diversos juristas, por ter sido escrito antes do fim do processo. "É um prefácio maravilhoso, que mostra a importância do julgamento para a democracia brasileira". Mas Merval afirma que a justiça só terá sido feita mesmo quando os condenados estiverem atrás das grades.

Extraído do sítio Brasil 247

27 janeiro 2013

TODOS SÃO CHÁVEZ, MESMO SEM CHÁVEZ - Fernando Morais


Portando no peito faixas presidenciais de pano ou de papel, feitas a mão, em vez de slogans sangrentos, repetiam um único bordão: "Todos somos Chávez! Todos somos Chávez!".

Ironizado pela imprensa de direita como cena do realismo fantástico, o episódio estava carregado de simbolismo e significado. Se Chávez é mesmo um ditador e se a economia da Venezuela está pela hora da morte, como martelam diariamente nove entre dez veículos de comunicação no Brasil, por que, diabos, ele é tão popular?

Os esfarrapados rótulos de "populismo" e "caudilhismo" são cada dia mais ineficazes para explicar por que Chávez e seu governo já se submeteram a 16 processos de avaliação, entre eleições e referendos, e em apenas um saíram derrotados. A última vitória, ocorrida em dezembro, aconteceu quando Chávez já se encontrava em Cuba: os chavistas elegeram 20 dos 23 governadores de Estados venezuelanos.

Quem quer que visite o país interessado em ver as coisas como as coisas são, sem preconceitos nem estereótipos, terá a oportunidade de constatar o que os jornais não mostram. Qualquer brasileiro médio, jejuno em informação independente sobre a Venezuela, se surpreenderá.

Em 14 anos de chavismo, os índices de analfabetismo foram reduzidos a zero. Nos últimos dois anos, o projeto Gran Misión Vivienda construiu 350 mil casas populares, metade das quais edificada em parceria com mutirões de comunidades organizadas.

O número de médicos por 10 mil habitantes subiu de 18 para 58. Só o sistema público de saúde dispõe de 100 mil médicos, dos quais cerca de 30 mil são cubanos que vivem há cinco anos nas favelas que cercam Caracas, oferecendo atendimento gratuito e permanente a milhares de pessoas. A taxa de mortalidade infantil desabou de 25 para 13 óbitos por mil nascidos vivos e 96% da população tem acesso a água potável.

O coroamento dessas políticas sociais implantadas sob o comando de Chávez não poderia ser outro: em levantamento recente, realizado pela Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) em 18 nações da América Latina e do Caribe, a Venezuela aparece em primeiro lugar como o país com a mais baixa taxa de desigualdade social.

O que deixa a oposição sem fala e sem munição é que essa marcha pacífica rumo ao socialismo é liderada há 14 anos por um católico praticante sob um processo sui generis, onde não houve fuzilamentos, as instituições funcionam, não há presos políticos e a imprensa desfruta de absoluta liberdade de expressão.

Exagero? Quem tiver dúvidas que entre nos sites www.eluniversal.com e www.el-nacional.com para ver como os dois maiores jornais de oposição do país tratam Chávez e seu governo, todos os dias, sem exceção.

A ideia de que a Revolução Bolivariana não sobreviverá a Hugo Chávez é apenas uma manifestação de desejo dos golpistas de 2002, da elite saudosa da velha Venezuela. Aquela em que a fortuna decorrente do petróleo ia parar em contas bancárias em Miami e na Suíça e não em projetos sociais, como acontece hoje.

Como milhões de outros admiradores do processo venezuelano, torço para que Hugo Chávez vença a batalha contra o câncer e volte logo ao batente. Mas sei que, como todos os demais seres humanos, o presidente é mortal. Sei também, no entanto, que a Revolução Bolivariana que ele concebeu e lidera é para sempre. Quem viver verá.

* Fernando Morais é jornalista e escritor. É autor, entre outros, de "Olga", "Chatô" e "Os Últimos Soldados da Guerra Fria"

** Artigo originalmente publicado em Folha de S.Paulo

Extraído do sítio Portal Vermelho

25 janeiro 2013

VENEZUELA CONDENA PUBLICAÇÃO DE FALSA FOTO DE CHÁVEZ PELO "EL PAÍS"

O ministro da Comunicação, Ernesto Villegas, qualificou a imagem divulgada pelo jornal espanhol como "grotesca".


"Falsa e grotesca". Foi dessa forma que o ministro da Comunicação venezuelano, Ernesto Villegas, qualificou uma foto publicada nesta quinta-feira (24/01) pelo jornal espanhol El País.

A imagem, de um homem entubado em uma cama de hospital, foi vendida aos leitores do diário como sendo o presidente Hugo Chávez.

Por meio de sua conta no Twitter (@VillegasPoljakE), Villegas desmentiu o El País: "Tão grotesca como falsa a foto de 'Chávez entubado' que hoje publica na primeira página o venerado diário El País da Espanha", escreveu.

Inicialmente, o jornal informou que a imagem havia sido registrada "há poucos dias" pela agência de notícias Gtres Online e que "não pôde verificar de forma independente as circunstâncias em que foi tirada, tampouco o momento preciso e o lugar". O jornalista espanhol Moises Naim chegou a anunciar por meio de sua conta no Twitter: "preparem-se para uma extraordinária foto exclusiva na web do El País em breve". Horas depois, o periódico publicou nota se retratando.

"O El País retirou de sua página na internet a foto que mostrava um homem entubado em uma cama de hospital e que uma agência de notícias havia fornecido ao jornal, afirmando que se tratava de Hugo Chávez, presidente da Venezuela. El País pede desculpas a seus leitores pelo dano causado", informa o comunicado. Não houve, porém, qualquer pedido de desculpas ao presidente ou à família dele.

Villegas informou que a imagem foi capturada de um vídeo hospedado no YouTube, datado de 2008, denominado “Intubação de acromegalia AMVAD”. "Deste vídeo vem a falsa 'foto de Chávez entubado' que publicou o El País da Espanha na primera página: http://www.youtube.com/watch?v=DB4bIH0GsYU ...", continuou o ministro.

Em artigo escrito para Opera Mundi, o articulista francês Salim Lamrani lembrou que, desde a chegada de Chávez ao poder, o El País adotou "uma linha editorial muito crítica em relação à Venezuela". 

Recuperação

De acordo com informações de membros do governo venezuelano e de chefes de Estado próximos a Chávez, o presidente está se recuperando da quarta cirurgia a que foi submetido em 11 de dezembro do ano passado. Informes divulgados recentemente pelo vice-presidente Nicolás Maduro e pelo ministro da Comunicação - únicos funcionários autorizados a informarem sobre a saúde do presidente - dão conta da melhora do líder venezuelano.

Segundo o presidente da Bolívia, Evo Morales, Chávez já estaria fazendo fisioterapia. A informação não foi negada ou confirmada pelas autoridades venezuelanas. Evo esteve presente em cerimônia dia 10 de janeiro em Caracas, data prevista na Constituição venezuelana para a posse do presidente. Um dia antes, o Tribunal Superior de Justiça (TSJ) aprovou que o ato fosse postergado e também a continuidade do Executivo liderado pelo vice-presidente.

* Com informações da rede multiestatal TeleSur

Extraído do sítio Opera Mundi

23 janeiro 2013

A MAIOR AMEAÇA À PAZ MUNDIAL - Noam Chomsky


Há alguns meses, ao informar sobre o debate final da campanha presidencial nos Estados Unidos, o The Wall Street Journal observou que “o único país mais mencionado (que Israel) foi o Irã, o qual a maioria das nações de Oriente Médio vê como a principal ameaça à segurança da região”.

Os dois candidatos estiveram de acordo em que um Irã nuclear é a maior ameaça à região, se não ao mundo, como Romney sustentou explicitamente, reiterando uma opinião convencional.

Sobre Israel, os candidatos rivalizaram em declarar sua devoção, mas nem assim os as autoridades israelenses se deram por satisfeitas. Esperavam “uma linguagem mais ‘agressiva’ de Romney”, segundo os repórteres. Não foi suficiente que Romney exigisse que não se permitisse que o Irã “alcance um ponto de capacidade nuclear”.

Também os árabes estavam insatisfeitos, porque os temores árabes sobre o Irã se “debateram sob a ótica da segurança israelense, não da região”, e as preocupações dos árabes não foram contempladas: uma vez mais, o tratamento convencional.

O artigo do Journal, como incontáveis outros sobre o Irã, deixa sem resposta perguntas essenciais, entre elas: Quem exatamente vê o Irã como a ameaça mais grave à segurança? O que os árabes (e a maior parte do mundo) acham que se pode fazer diante dessa ameaça, existindo ou não?

A primeira pergunta é fácil de responder. A ameaça iraniana é uma obsessão totalmente do Ocidente, compartilhada por ditadores árabes, embora não pelas populações árabes.

Como mostraram numerosas pesquisas, mesmo que os cidadãos dos países árabes em geral não simpatizem com o Irã, não o consideram uma ameaça muito grave. Na verdade percebem que a ameaça são Israel e Estados Unidos, e vários, muitas vezes maiorias consideráveis, veem nas armas nucleares iranianas um contrapeso para essas ameaças.

Em altas esferas dos Estados Unidos, alguns estão de acordo com a percepção das populações árabes, entre eles o general Lee Butler, ex-chefe do Comando Estratégico. Em 1998 ele disse: “É extremamente perigoso que, no caldeirão de animosidades que chamamos Oriente Médio”, uma nação, Israel, deva contar com um poderoso arsenal de armas nucleares, “que inspira outras nações a tê-lo também”.

Ainda mais perigosa é a estratégia de contenção nuclear da qual Butler foi o principal formulador por muitos anos. Tal estratégia, escreveu em 2002, é “uma fórmula para uma catástrofe sem remédio” e convidou os Estados Unidos e outras potências atômicas a aceitar os compromissos contraídos dentro do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e fazer esforços de “boa fé” para eliminar a praga das armas atômicas.

As nações têm a obrigação legal de levar a sério esses esforços, decretou a Corte Mundial em 1996: “Existe a obrigação de avançar de boa fé e levar a termo as negociações orientadas ao desarmamento nuclear em todos seus aspectos, conforme um controle internacional estrito e efetivo”. Em 2002, o governo de George W. Bush declarou que os Estados Unidos não estão comprometidos com essa obrigação.

Uma grande maioria do mundo parece compartilhar a opinião dos árabes sobre a ameaça iraniana. O Movimento de Países Não Alinhados (MNA) apoiou com vigor o direito do Irã de enriquecer urânio; sua declaração mais recente aconteceu na cúpula de Teerã, em agosto passado.

A Índia, membro mais populoso do MNA, encontrou formas de evadir às onerosas sanções financeiras dos Estados Unidos ao Irã. Executam planos para vincular o porto iraniano de Chabahar, recondicionado com assistência indiana, com a Ásia Central, através do Afeganistão. Também se informa que as relações comerciais se incrementam. Se não fosse pelas fortes pressões de Washington, é provável que estes vínculos naturais tivessem uma melhoria substancial.

A China, que tem estatuto de observadora no MNA, faz o mesmo, em boa medida. Expande seus projetos de desenvolvimento para o Ocidente, entre eles iniciativas para reconstituir a antiga Rota da Seda para a Europa. Uma linha ferroviária de alta velocidade conecta a China com o Cazaquistão e além. É provável que chegue ao Turcomenistão, com seus ricos recursos energéticos, e que se conecte com o Irã e se estenda até a Turquia e a Europa.

A China também tomou o controle do importante porto de Gwadar, no Paquistão, que lhe permite obter petróleo do Oriente Médio evitando os estreitos de Ormuz e Malaca, saturados de tráfico e controlados pelos Estados Unidos. A imprensa paquistanesa informa que “as importações de petróleo cru do Irã, dos estados árabes do Golfo e da África poderiam ser transportadas por terra até o noroeste da China através deste porto”.

Em sua reunião de agosto, em Teerã, o MNA reiterou sua velha proposta de mitigar ou pôr fim à ameaça das armas nucleares no Oriente Médio estabelecendo uma zona livre de armas de destruição em massa. Os passos nessa direção são, sem dúvida, a maneira mais direta e menos onerosa de superar essas ameaças, o que é apoiado por quase o mundo inteiro.
Uma excelente oportunidade de aplicar essas medidas se apresentou recentemente, quando se planejou uma conferência internacional sobre o tema em Helsinki.

Foi realizada uma conferência, mas não a que estava planejada. Só organizações não governamentais participaram da reunião alternativa, organizada pela União pela Paz, da Finlândia. A conferência internacional planejada foi cancelada por Washington em novembro, pouco depois que o Irã concordou em comparecer.

A razão oficial do governo Obama foi “a turbulência política na região e a desafiante postura do Irã sobre a não proliferação” segundo a agência Associated Press, junto a uma falta de consenso sobre como enfocar a conferência. Essa razão é a aprovada referência ao fato de que a única potência nuclear da região, Israel, se negou a comparecer, alegando que a solicitação para fazê-lo era “coerção”.

Aparentemente, o governo de Obama mantém sua postura anterior de que “as condições não são apropriadas, a menos que todos os membros da região participem”. Os Estados Unidos não permitirão medidas para submeter as instalações nucleares de Israel a inspeção internacional. Também não revelará informação sobre “a natureza e alcance das instalações e atividades nucleares israelenses”.

A agência de notícias do Kuwait informou imediatamente que “o grupo árabe de Estados e os estados membros do MNA concordaram em continuar negociando uma conferência para o estabelecimento de uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio, assim como de outras armas de destruição em massa”.

Recentemente, a Assembleia Geral da ONU aprovou, por 174 votos a seis, uma resolução na qual convida Israel a aderir ao TNP. Pelo não, votou o contingente acostumado: Israel, Estados Unidos, Canadá, as Ilhas Marshall, Micronésia e Palau.

Dias depois, em dezembro, os Estados Unidos realizaram um teste nuclear impedindo, uma vez mais, aos inspetores internacionais, o acesso ao local do teste, em Nevada. O Irã protestou, assim como o prefeito de Hiroshima e alguns grupos pacifistas japoneses.

Claro que, para estabelecer uma zona livre de armas atômicas, se requer a cooperação das potências nucleares: no Oriente Médio, isso incluiria os Estados Unidos e Israel, que se negam a cooperar. O mesmo acontece em outros lugares. As zonas da África e do Pacífico aguardam a aplicação do tratado porque os Estados Unidos insistem em manter e melhorar as bases de armas nucleares nas ilhas que controla.

Enquanto se levava a cabo a conferência de ONGs em Helsinki, em Nova York se realizava um jantar com o patrocínio do Instituto sobre Políticas sobre o Oriente Próximo, de Washington, ramificação do conselho israelense.

Segundo uma matéria entusiasta sobre essa “cerimônia” na imprensa israelense, Dennis Ross, Elliott Abrams e outros “ex-conselheiros de alto nível de Obama e Bush” asseguraram aos presentes que “o presidente atacará (o Irã) se a diplomacia não funcionar”: um presente de festas de fim de ano muito atrativo.

É difícil que os estadunidenses estejam cientes de como a diplomacia voltou a falhar, por uma simples razão: virtualmente não se informa nada nos Estados Unidos sobre o destino da forma mais óbvia de lidar com “a mais grave ameaça”: estabelecer uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio.

* Noam Chomsky é professor emérito de linguística e filosofia no Instituto Tecnológico de Massachusetts, em Cambridge. O novo livro de Noam Chomsky, Power systems: conversations om global democratic uprisings and the new challenges to US empire (Sistemas de poder: conversas sobre as rebeliões democráticas globais e os novos desafios ao império estadunidense) será publicado em janeiro.

Extraído do sítio Carta Maior

10 janeiro 2013

SOBRE CHÁVEZ - Elaine Tavares



Hoje milhões de venezuelanos vão às ruas mostrar que não aceitarão qualquer tipo de golpe no país, como já fizeram em 2002 quando a velha (e sempre renovada) elite tentou fazer crer que Chávez havia renunciado ao governo. Na verdade ele tinha sido sequestrado e conseguiu fazer passar a informação através de um soldado que lhe servia de carcereiro. Agora, o discurso que usam é de que Chávez está morto ou irreversivelmente incapacitado. Mesmo que os comunicados médicos que saem de Cuba não façam qualquer referência a isso. Ou seja, eles pretendem saber mais do que os médicos que atendem Chávez.

Assim, baseados no artigo 233 da Constituição que diz que "serão consideradas faltas absolutas do Presidente ou Presidenta da República: sua morte, sua renúncia, ou sua destituição decretada por sentença do Tribunal Supremo de Justiça, sua incapacidade física ou mental permanente certificada por uma junta médica designada pelo Tribunal Supremo de Justiça e com aprovação da Assembleia Nacional, o abandono do cargo, declarado como tal pela Assembleia Nacional, assim como a revogação popular de seu mandato", querem novas eleições. Ora, nenhum desses itens estão em questão, logo não há porque evocar esse artigo, muito menos novas eleições.

Não foi sem razão que Chávez encaminhou um pedido à Assembleia Nacional, baseado no artigo 231 da mesma Carta Magna, que diz: "O candidato eleito tomará posse do cargo de Presidente ou Presidenta da República no dia 10 de janeiro do primeiro ano de seu período constitucional, mediante juramento ante a Assembleia Nacional. Se por qualquer motivo o Presidente ou Presidenta da República não possa tomar posse ante a Assembleia Nacional o fará ante o Tribunal Supremo de Justiça". Ainda segundo a Constituição, em caso de doença, ele tem ainda 90 dias para fazer essa apresentação diante do Tribunal.

Assim que não há nenhum motivo para tanta conversa. É claro que a oposição está fazendo seu papel, provocando a confusão e tentando levar no grito. Mas, hoje, a população estará se manifestando, informada que é, uma vez que a Constituição é levada nos bolsos das calças. Há muito apreço pela lei que foi escrita com ampla participação popular.

Não cabe aqui qualquer análise mais profunda sobre os limites do governo Chávez ou mesmo sobre o fato de muito da sua política estar alavancada na sua pessoa, e sim a questão real que é a seguinte: ele foi eleito e não morreu, muito menos está irreversivelmente incapacitado.

Caso isso venha a acontecer a lei é clara, deverão acontecer novas eleições, uma vez que o vice não assume automaticamente como no Brasil, por exemplo, quando tivemos de engolir Sarney. Só que, por enquanto, a oposição terá de se acalmar. Se realmente quer respeito à Constituição, deverá esperar ou que Chávez morra ou que se recupere. O povo organizado certamente fará valer sua voz. O tempo é de espera!

Extraído do sítio Brasil de Fato

09 janeiro 2013

JUSTIÇA DETERMINA QUE CHÁVEZ PODE FAZER JURAMENTO APÓS DIA 10

A presidenta do Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela, Luisa Estella Morales, afirma que Chávez não precisa fazer o juramento nesta quinta (10) (AVN)

Em pronunciamento na televisão estatal venezuelana, a presidenta do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), Luisa Estella Morales, afirmou que o presidente Hugo Chávez, que está em Cuba se recuperando de uma cirurgia para retirar um câncer pélvico realizada no dia 11 de dezembro, não precisa fazer o juramento de posse pela sua reeleição nesta quinta-feira (10).

Segundo a interpretação feita pela juiza com base no artigo 231 da constituição venezuelana, o juramento pode ser feito após o dia 10 perante o TSJ. A juiza ressaltou que até a presente data, Chávez se ausentou do país por motivos de saúde com autorização da Assembleia Nacional do país, decisão ratificada em sessão realizada nesta terça-feira (08).

A presidenta informou que o máximo tribunal resolveu que não é necessário que o presidente reeleito faça uma nova juramentação perante a Assembléia Nacional "em virtude de não existir interrupção no exercício do cargo" e considerou que não é necessário que o presidente reeleito.

O TSJ resolveu que não existe ausência temporal do presidente Hugo Chávez e que há continuidade administrativa e destacou a diferença entre as Constituições de 1967 e a atual de 1999. "A diferença do que dispunham os artigos 186 e 187 da Constituição de 1961 que autorizava entregar o mandato ao presidente do Congresso, a Carta Magna de 1999 eliminou expressamente essa disposição, o que impede que o término do mandato seja considerada falta absoluta. Seria absurdo no caso de um presidente reeleito", afirmou.

* Com informações da TV estatal venezuelana, VTV

Extraído do sítio da EBC

GLOBO DIZ QUE VENEZUELA DESMORALIZA O MERCOSUL


Jornal dos Marinho, que foi contra a suspensão do Paraguai, quer tratamento idêntico para a Venezuela, em função do adiamento da posse de Hugo Chávez

247 - A cláusula democrática que serviu para suspender o Paraguai, depois da deposição de Fernando Lugo, também deveria ser usada pelo Mercosul para suspender a Venezuela. É o que argumenta o jornal O Globo, em editorial. Leia abaixo:

Venezuela desmoraliza Mercosul

País infringe cláusula democrática com expedientes chavistas para adiar a posse do presidente enfermo e deixa aliados em situação delicada

Não podia ser mais digna de regime autoritário a falta de transparência com que o chavismo lida com a doença do chefe máximo, internado em Cuba para a quarta cirurgia devido a um câncer. Impressionam as fórmulas mirabolantes que os mais próximos a Hugo Chávez apresentam para contornar o “estorvo” de a Constituição da Venezuela determinar para o dia 10, quinta-feira, a posse para um terceiro mandato de seis anos, diante da Assembleia Nacional (Congresso).

Segundo a Carta, se o eleito não puder se apresentar ao Congresso na data indicada, deverá fazê-lo diante do Supremo Tribunal de Justiça, sem especificar data ou local. É nisto que se baseia o politiburo chavista para alegar que a posse pode ser feita “no futuro”, diante do órgão máximo do Judiciário.

O agravamento da doença de Chávez explodiu no colo do pequeno grupo que ocupa os postos-chave em torno do comandante. É o que acontece com todos os modelos políticos construídos ao redor do culto à personalidade e à concentração de poder em torno do chefe único, onisciente e onipotente. É da própria natureza desses regimes a tentação de não obedecer regras de troca de comando, na vã suposição da “imortalidade” de seu líder.

O máximo que conseguem é adiar o desfecho, ganhando tempo para negociar internamente a sucessão, ou para que a luta intestina aponte um vencedor. Enquanto isto, o líder agonizante é mantido vivo à custa de aparelhos, ou a notícia de sua morte é adiada tanto quanto possível.

Antes de partir para Havana, Chávez indicou o vice-presidente Nicolás Maduro como substituto. Ele assume se o presidente morrer antes do dia 10 (para completar o mandato). Mas Maduro tem um rival muito forte em Diosdado Cabello, recém-eleito presidente da Assembleia, que assumiria após o vice completar o mandato, com a missão de convocar eleições em 30 dias. A tentativa de adiar a posse, via artifícios sem base legal, cheira a golpe. Que teria sido gestado numa reunião entre os altos dirigentes do chavismo e Raúl Castro, em Havana.

Não espanta o governo brasileiro enviar o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, para acompanhar o que se passa em Havana. Afinal, o Brasil foi o principal avalista do ingresso da Venezuela no Mercosul, em estranha manobra: a Unasul e o Mercosul consideraram, com extrema rapidez, o impeachment de Fernando Lugo pelo Congresso paraguaio um “golpe de estado”, e suspenderam o Paraguai, com base na cláusula democrática. Explica-se: o Paraguai era o único obstáculo à adesão plena da Venezuela ao Mercosul.

Como o Brasil e demais membros do Mercosul e Unasul procederão agora que os chavistas querem passar por cima da Constituição venezuelana e adiar a data da posse de Chávez? Não aplicarão o mesmo tratamento dado ao Paraguai. Afinal, aquele episódio demonstrou que a cláusula democrática foi na prática revogada, para a desmoralização das duas alianças.

Extraído do sítio Brasil 247

08 janeiro 2013

NOBLAT E OS GOLPISTAS DA VENEZUELA - Altamiro Borges


A mídia colonizada torceu pela morte de Hugo Chávez antes das eleições presidenciais de outubro passado. Frustrada, ela apostou na vitória do ricaço Henrique Capriles, mas também se deu mal. Na sequência, ela previu que o chavismo seria derrotado nas eleições locais de dezembro, mas os partidários da “revolução bolivariana” venceram em 20 dos 23 estados. Agora, ela volta a torcer pela morte de Chávez, que se trata de um câncer em Cuba. Um dos mais histéricos neste coro macabro é Ricardo Noblat, do jornal O Globo.

Em seu blog hoje, ele afirma que “tem golpe em marcha na Venezuela”. Noblat garante que Hugo Chávez já era! “São aparelhos que ainda o mantém vivo. A hipótese de sua recuperação é remota. Só cogitam dela os que acreditam em milagres”, afirma o colunista, talvez com base em informes do serviço secreto dos EUA. Metido a constitucionalista desde o julgamento do “mensalão petista”, Noblat prega, então, que sejam convocadas novas eleições presidenciais no país vizinho. “É o que manda a Constituição”, esbraveja.

A Constituição da Venezuela, uma das mais democráticas do mundo – que prevê até referendo revogatório do mandato presidencial –, afirma que na “impossibilidade” de posse do mandatário, novas eleições deverão ser convocadas num prazo de 30 dias pelo Congresso Nacional. Os chavistas informam que o líder bolivariano está em recuperação e que nada impede que a sua posse seja adiada por alguns dias. A própria oposição direitista já admite o adiamento. Noblat, porém, não concorda. É mais realista do que o rei.

Para o serviçal da família Marinho, Chávez é um “presidente que governa como ditador” e um “ditador que governa como presidente”. Daí sua torcida macabra. “Chávez estaria destinado a se eternizar na presidência se não fosse o câncer descoberto em meados do ano passado”. Por isto ele exige que a posse deve ocorrer na próxima quinta-feira, dia 10. Caso contrário, garante, estará em marcha “um golpe na Venezuela”, que “nada tem a ver com a oposição. Que é fraca, fraquinha, e sem imaginação. Como a nossa”.

A “revolução bolivariana” já enfrentou e derrotou vários “golpes midiáticos” – como o de abril de 2002 e o locaute patronal de 2003. Hugo Chávez foi eleito e reeleito com consagradoras votações. Mesmo assim, Ricardo Noblat e outros “calunistas” amestrados da mídia colonizada insistem em chamá-lo de “ditador” e “caudilho”. Agora, o serviçal da famiglia Marinho acusa os chavistas de golpistas. Haja “imaginação”. Na falta de votos para as suas teses elitistas, a mídia golpista torce pelo câncer.

Extraído do Blog do Miro

SUSPENSE NA VENEZUELA - Mário Augusto Jakobskind


E chegamos a 2013 com grandes expectativas quanto ao desenrolar dos acontecimentos. Nesta primeira semana do novo ano, a doença do Presidente Hugo Chávez ocupou grandes espaços midiáticos. Os analistas de sempre, sobretudo os mais conservadores, não escondem o desejo de ver o Presidente que introduziu o socialismo no século XXI fora de circulação. Alguns mais radicais falam de desligamento dos aparelhos para Chávez morrer e com destaque na mídia conservadora.

Editoriais de algumas publicações da mídia de mercado tecem considerações como se a República Bolivariana da Venezuela fosse uma republiqueta qualquer. Muito pelo contrário, trata-se de um país que, pelo menos desde a ascensão de Hugo Chávez, em 1999, deu saltos em matéria de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), moradias e fim do analfabetismo.

A Constituição da Venezuela vem sendo seguida em todos os seus detalhes e continuará sendo independente de Chávez assumir ou não o governo.

Não tem sentido, portanto, a recomendação do governo dos Estados Unidos sobre respeito à Constituição. A cúpula governamental estadunidense emite opinião como se na Venezuela não se respeitasse a Constituição.

O Vice Presidente Nicolás Maduro, indicado pelo próprio Chávez como seu sucessor, poderá enfrentar uma nova eleição, caso seja necessário.

O conservadorismo tenta “informar” sobre uma suposta divisão política entre e o vice presidente Maduro e o presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello, reforçando o posicionamento da oposição derrotada nas urnas para Presidente e para os governos de Estado. Como se sabe, os aliados de Chávez ganharam em 30 dos 33 Estados.

Argentina: Clarin resiste à Lei dos Meios e Londres não falar das Malvinas

Nesta primeira semana do ano 13 do Terceiro Milênio, o primeiro-ministro britânico David Cameron reafirmou a posição colonialista negando-se a discutir a questão das Malvinas com a Argentina, território de que o Reino Unido se apoderou à força no século XIX.

De quebra, os meios de comunicação conservadores continuam a cruzada em defesa do Grupo Clarin, que não quer de jeito nenhum se adaptar a Lei dos Meios de Comunicação recorrendo à Justiça. O grupo midiático se nega a reconhecer a legislação aprovada pelo Congresso e que impede a existência de monopólio no setor midiático. Não quer se desfazer de meios de comunicação que controla, como exige a nova legislação para obedecer o critério de proporcionalidade entre os setores midiáticos público, privado e estatal.

A tática do Clarin é muita clara. Apelar à Justiça o quanto puder, para evitar a vigência da legislação e postergá-la até quando for possível, apostando numa derrota eleitoral do atual governo argentino. E a Justiça, dominada pelo conservadorismo, vai aceitando as justificativas do Clarin. Mas chegará um momento, segundo acreditam os analistas do setor, que o veredito final dará ganho de causa ao que foi decidido pelo Congresso e debatido pelo povo por mais de 3 anos.

Cuba: menor índice de mortalidade infantil

No Caribe, Cuba, em 2012, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), matéria esta divulgada pelo jornal Granma, teve o menor índice de mortalidade infantil do continente americano, na frente inclusive dos Estados Unidos e Canadá.

Para se ter uma ideia, no ano passado, o número de crianças mortas até o primeiro ano de vida foi de 4,6 para cada mil recém-nascidos. E tudo isso, apesar do bloqueio que afeta também a área de saúde de Cuba.

Política genocida contra os palestinos

No apagar das luzes de 20012, um fato divulgado pelo Centro Simon Wisenthal segue repercutindo até agora. Este Centro, que tinha por objetivo caçar nazistas acabou se tornando um defensor incondicional da política genocida contra os palestinos praticada pelo governo de Israel. Pois bem, o Centro publicou lista dos que considerou os dez mais antissemitas do mundo, cabendo o terceiro lugar ao cartunista brasileiro Carlos Latuff.

A entidade passou dos limites, porque misturou alhos com bugalhos. Colocou no mesmo nível Latuff, um militante do movimento social e defensor da causa palestina, ao lado de partidos de extrema direita e até de uma torcida de um clube de futebol racista localizado em um bairro de Londres. De quebra, como não poderia deixar de ser, colocou o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad na lista. O mesmo Ahmadinejad que tem boas relações com um grupo de judeus iranianos também críticos do sionismo.

Como o sionismo se nutre do antissemitismo, o Centro Simon Wiesenthal tornou-se então parceiro para toda obra do movimento. Está exatamente para isso, já que não tem mais nazista da II Guerra Mundial vivo.

Ao colocar Latuff na lista demonstrou na prática que está no encalço dos que não aceitam a política que vem sendo executada pelo Estado de Israel.

De qualquer forma, todo cuidado é pouco, porque se acontecer algo com Latuff a responsabilidade é dos que o difamam.

Brasil: e o mensalão do PSDB?

Quanto ao Brasil, espera-se que depois de tantos meses do julgamento mensalão os Ministros do Supremo Tribunal Federal julguem os implicados do PSDB no mensalão. Resta saber qual será o compramento dos meios de comunicação de mercado.

Extraído do sítio Direto da Redação

03 janeiro 2013

BRASIL NÃO TEME QUEBRA DE INSTITUCIONALIDADE NA VENEZUELA, DIZ ASSESSOR DE DILMA - Lamia Oualalou


Rio de Janeiro – O Brasil está preocupado com a saúde do presidente venezuelano, Hugo Chávez, mas não avalia que haja possibilidade de quebra institucional no país vizinho, afirmou em entrevista exclusiva por telefone ao Opera Mundi Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais. Garcia se reuniu em Havana em 31 de dezembro de 2012 com as mais altas autoridades de Cuba e Venezuela para acompanhar a situação. 

Na opinião de Garcia, a notícia de que o governo brasileiro estaria preocupado com a situação institucional da Venezuela é resultado de uma “guerra de boatos”, originada na própria Venezuela. No Brasil, correu a versão de que o governo estaria preocupado com a possibilidade de que setores do chavismo boicotem a realização de uma nova eleição presidencial, caso Chávez não consiga assumir o mandato para o qual foi reeleito em 7 de outubro de 2012.

Segundo Garcia, a própria entrada da Venezuela no Mercosul no ano passado é um fator a mais que garante que não haverá ruptura institucional. Garcia destacou ainda que a presidenta Dilma Rousseff está sendo regularmente informada sobre a saúde do líder venezuelano, há três semanas internado em hospital de Havana para o tratamento de um câncer. Segundo ele, a situação de Chávez é considerada “grave”.

O presidente venezuelano anunciou em 8 de dezembro do ano passado que precisaria passar por uma quarta cirurgia após células cancerígenas aparecerem em exames médicos. Ele novamente não detalhou o local exato do câncer. Na ocasião, ele indicou que o vice Nicolás Maduro seria o candidato ideal caso os venezuelanos precisem eleger um novo presidente.

A Constituição venezuelana prevê que, caso ocorra uma falta “absoluta” do presidente nos últimos dois anos de governo, o vice deverá assumir. No entanto, o mesmo artigo assinala que, em caso de ausência do presidente eleito na posse, serão convocadas novas eleições dentro de um prazo de 30 dias. Nesse período, governa o presidente da Assembleia Nacional, atualmente o deputado do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Diosdado Cabello.

Se a falta absoluta ocorre nos primeiros quatros anos do governo, é convocada uma nova eleição, da mesma forma caso ela aconteça antes da posse. A diferença é que, no período entre o pleito e a posse, quem governa é o vice-presidente. Na situação atual, Maduro.
Boatos

Os boatos sobre a saúde de Chávez e o futuro do governo do presidente venezuelano foram condenados na terça-feira (1) por Maduro, que se encontro em Havana junto com o resto da alta cúpula chavista.

Em entrevista à rede multiestatal TeleSur, o também chanceler fez um chamado ao povo para que “se vacine” contra “rumores e mentiras” que circulam em redes sociais e meios de comunicação da oposição.

Ele garantiu que todos os detalhes sobre a recuperação do líder venezuelano estão sendo transmitidos. "[Chávez] está consciente, absolutamente, da complexa recuperação pós-operatória e nos ordenou (...) que informássemos o povo da situação, por mais dura que fosse", disse.

Extraído do sítio Rede Brasil Atual

02 janeiro 2013

POR QUE CHÁVEZ É TÃO ODIADO - Owen Jones

Talvez por ele ter mostrado que pode dar certo um modelo voltado para os pobres.

Hugo Chávez

O artigo abaixo foi publicado no jornal inglês Independent, e é republicado com autorização pelo Diário. O autor, Owen Jones, 28 anos, é um dos talentos emergentes do jornalismo político inglês. O texto foi escrito na época da campanha presidencial, e Owen estava em Caracas para cobrir as eleições.

Se tudo o que a mídia ocidental disser for verdade, eu escrevo essa coluna de um país brutalizado por um líder terrível e indigno, Hugo Chavez, que prende rotineiramente qualquer jornalista ou político que se pronuncie contra sua tirania.

De acordo com o colunista Toby Young, a Venezuela é liderada por um “tirano marxista” e um “ditador comunista”. O oponente nas eleições presidenciais de Chavez, Henrique Capriles, foi retratado, em contraste, como um democrata dinâmico e inspirador, determinado a acabar com o fracassado experimento socialista na Venezuela e abrir o país para o extremamente necessário capital estrangeiro.

A realidade da Venezuela não poderia ser mais distante do que o alegado, mas o dano já foi feito: até mesmo vários esquerdistas consideram Chavez um tirano. E aqueles que desafiam a narrativa são repudiados como idiotas, seguindo os passos daqueles que, como o conhecido casal socialista Beatrice e Sidney Webb, nos anos 30, louvaram a Rússia de Stálin, esquecendo-se de seus horrores.

A Venezuela é uma espécie engraçada de “ditadura”. A mídia privada tem 90% de audiência e, rotineiramente, lança propagandas vitriólicas contra Chavez. Na época das eleições, as áreas pró-oposição estiveram embriagadas de letreiros com a face sorridente de Capriles, e comícios jubilantes contra Chavez foram um evento regular ao redor do país.

Os venezuelanos votaram então pela décima quinta vez desde que Hugo Chavez foi eleito pela primeira vez, em 1999: todas essas eleições foram julgadas como livres pelos observadores internacionais, incluído o ex presidente americano Jimmy Carter, que descreveu o processo eleitoral do país como “o melhor do mundo”. Quando Chavez perdeu um referendo constitucional em 2007, ele aceitou o resultado. Antes de seu incentivo a que todos tirassem título de eleitor, muitas pessoas pobres não podiam votar. Contrastando fortemente com a maior parte das democracias ocidentais, mais de 80 por cento dos venezuelanos votaram nas eleições presidenciais.

Até mesmo oponentes de Chavez me disseram que ele foi o primeiro presidente venezuelano que se importou com os pobres. Desde sua vitória em 1998, a pobreza extrema caiu de quase um quarto para 8,6% no ano passado; o desemprego reduziu-se pela metade; e o PIB per capita dobrou. Em vez de ter arruinado a economia – o que todos seus críticos alegam – a exportação de petróleo subiu de $14,4 bilhões para $60 bilhões em 2011, provendo fundos para ser gastos nos ambiciosos programas sociais de Chavez, as chamadas “missiones”.

Seus críticos o atacam por sua associação com autocratas e tiranos como Gaddafi, Ahmadinejad e Assad. Eles podem ter um ponto, mas levando-se em conta o suporte ocidental às ditaduras como as da Arábia Saudita, Bahrain e Cazaquistão – cujo regime paga, atualmente, $13 milhões por ano a Tony Blair por serviços de relações públicas – uma enorme casa de vidro se ergue atrás deles. Os principais aliados da Venezuela são as democracias latino americanas, todas governadas por presidentes progressistas que Chavez ajudou a inspirar, tais como Brasil, o Equador e a Bolívia.

Isso não quer dizer que a Venezuela está livre de problemas, nada disso. Segurança é a principal preocupação dos venezuelanos com quem conversei, e não é de se espantar: crimes vilentos surgiram, com mais de 20.000 pessoas assassinadas em 2011. A polícia local e o sistema judiciário são ineficazes e, muitas vezes, corruptos, e é claro que uma sociedade com mais armas do que pessoas não é a sociedade ideal. O governo está iniciando uma força policial nacional, mas uma ação urgente é necessária.

Mas, quando vemos seu relacionamento com a oposição, Chavez tem sido muito clemente. Muitos dos opositores – incluindo Capriles – envolveram-se, em 2002, em um golpe militar no estilo Pinochet, bancado pelos Estados Unidos, e que falhou apenas no momento em que os adeptos de Chavez tomaram as ruas. O golpe foi incitado e apoiado em grande parte pela mídia privada: e eu imagino o que aconteceria para a Sky News e ITN se provocassem um coup d’état contra um governo democraticamente eleito na Grã-Bretanha.

Cinco anos depois, o governo se recusou a renovar a licença de uma emissora televisiva, RCTV, por sua participação no golpe. Até Chavistas reconheceram que foi um erro tático, mas eu me pergunto quantos governos iriam tolerar emissoras que defendem sua derrota armada.

A escuma oligarca da Venezuela odeia Chavez, mas a verdade é que seu governo mal os tocou. O máximo de imposto é apenas 34%, e há uma violenta sonegação de impostos. Por que o desprezam? Como o líder chavista Temir Porras me disse, é porque “as pessoas que limpam suas casas, agora, são mais importantes politicamente do que eles”. Durante o governo de Chavez, os pobres receberam um poder político que não deve ser ignorado: não é de espantar que Capriles pelo menos declarou que deixaria os programas sociais devidamente intactos.

Os críticos ocidentais de Chavez têm o direito de discordar dele. Mas é hora de pararem de fingir que ele é um ditador. Chavez venceu as eleições com justiça. E, apesar de seus obstáculos formidáveis, provou que é possível liderar um governo popular e progressista que rompe com o dogma neoliberal. Talvez seja por isso, afinal das contas, que é tão odiado.

Extraído do sítio Diário do Centro do Mundo

01 janeiro 2013

A HORA E A VEZ DE FERNANDO HADDAD - Eduardo Guimarães


No primeiro dia de 2013, nos quatro cantos do país milhares de prefeitos tomarão posse, mas, ao longo dos próximos quatro anos, as atenções se voltarão àquela que promete ser a gestão municipal que mais terá potencial para influir decisivamente na grande política nacional.

Para quem gosta de misticismos ou de numerologia, o paulistano Fernando Haddad é um prato cheio. No próximo dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, já no comando da cidade ele cumprirá meio século de vida.

O simbolismo vem a calhar para a importância que terá a gestão do mais eminente membro da nova geração de políticos que o PT, por graça e obra do ex-presidente Lula, começou a dar ao país no primeiro dia do ano retrasado, com a posse da presidente Dilma Rousseff.

Não será fácil, porém, a missão do novo prefeito. Assume o comando de uma megalópole mergulhada no caos, ainda que, do ponto de vista financeiro, graças à boa situação do país não enfrente problemas de relevo.

E esse caos paulistano é bem visível, real e, aliás, foi ele que elegeu Haddad para governar a capital mais rica e problemática do país. Transporte, Saúde, Educação e Segurança Pública são os problemas mais evidentes, ainda que estejam longe de ser os únicos.

O que torna tão importante a gestão Haddad, portanto, é a resposta que dará à aflição em que se encontram mais de dez milhões de almas paulistanas que, como a maioria dos brasileiros na eleição de Lula em 2002, após anos a fio de má gestão demo-tucana apelam ao PT para consertar o estrago que a direita sempre faz quando governa.

Para ficarmos só em São Paulo, Luiza Erundina, então no PT, foi eleita para consertar o estrago de Jânio Quadros, e Marta Suplicy para consertar o de Paulo Maluf e Celso Pitta.

Tendo assumido o cargo de prefeitas de São Paulo após verdadeiras nuvens de gafanhotos que passaram pela administração da cidade, as petistas ainda tiveram que enfrentar a imprensa local, que, de longe, é a mais tendenciosa e partidarizada do país.

Erundina e Marta foram alvo da eterna campanha difamatória da imprensa conservadora do Sudeste contra o PT, desfechada contra elas com olhos postos na política nacional. E em um momento em que o PT está sob o ataque mais furioso dessa imprensa, Haddad deve virar alvo em meses.

Durante a recente campanha eleitoral, o petista revelou-se um craque. Dono de oratória e presença de espírito impecáveis, deu um banho no experiente José Serra em debates nos quais nem parecia um neófito diante de uma velha raposa da política nacional.

Agora, porém, vem a parte difícil. Não será com retórica e frases de efeito que Haddad enfrentará a situação calamitosa em que está mergulhada uma cidade para a qual poucos veem solução real a curto e médio prazos.

O grande problema é que a população não quer… Ou melhor, não pode mais esperar. Viver em São Paulo se tornou uma verdadeira tortura. O povo não está disposto a esperar muito para começar a ver ao menos algum resultado.

Eleger prioridades e apresentar alguns resultados que simbolizem que um novo caminho começa a ser trilhado em 1º de janeiro de 2013 será, também, uma questão de sobrevivência política, pois Haddad já é visto pela direita midiática como uma retumbante ameaça.

Se terminar bem avaliado seu primeiro mandato e for reeleito, já em 2018 o mais “novo” modelo de político que o PT apresenta ao país estará automaticamente credenciado a disputar a sucessão presidencial ou ao menos o governo paulista. Não é pouco.

Extraído do Blog da Cidadania

30 dezembro 2012

CHAVISMO E RESPONSABILIDADE HISTÓRICA - Félix Lopes

A recente vitória eleitoral em 20 dos 23 estados da Venezuela representa para o processo bolivariano e seus seguidores uma nova e grande chance para o avanço revolucionário.


Depois das recentes eleições para governadores e vereadores na Venezuela proliferam análises de todas as cores. Mas a imensa maioria das opiniões parece coincidir num elemento: ao obter o triunfo em 20 dos 23 estados, as forças revolucionárias conseguiram uma vitória rotunda, ratificando o chavismo como um movimento histórico e o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) como a principal força política da nação. Em resumo, o mapa do país sul-americano agora é mais vermelho que quatro anos atrás.

Essa realidade não pode ser vista desligada das circunstâncias e do tempo. O triunfo é mais alentador e convincente, se levarmos em conta que o processo eleitoral se realizou sem a presença na Venezuela do líder e principal referente da revolução, o comandante Hugo Chávez. Anotemos a favor do processo bolivariano uma indiscutível elevação da consciência política e classista de seus seguidores, algo que um analista bem qualificou de "o batizo do chavismo como identidade política autônoma na sociedade venezuelana".

Mas o resultado obtido em 16 de dezembro passado não deveria injetar, unicamente, alegria e confiança ao folguedo de natal. Agora — como advertiu o esperto político José Vicente Rangel, na sua coluna O Espelho (no jornal Últimas Noticias) — "se torna premente analisar as gestões regionais e sua repercussão em alguns magros resultados, assim como que o triunfalismo não contribua a que a análise e a autocrítica sejam perturbados". Rangel refere-se, sem dúvida, a um tema ao qual o presidente Chávez deu máxima prioridade: mais eficiência na gestão de governo, acompanhamento e efetividade nas soluções.

O povo bolivariano, a partir das organizações de base criadas pelo Poder Popular e utilizando os meios alternativos de comunicação, apoia e acompanha Chávez na sua batalha contra a ineficiência e o burocratismo. Caso se disseminasse esse espírito pelos governos estaduais e prefeituras nas mãos do PSUV, a revolução sairá favorecida e isso influirá positivamente na elevação da participação do povo nos próximos processos eleitorais. Ficou demonstrado que as pessoas votam naquilo que acreditam.

APONTAMENTOS SOBRE A ABSTENÇÃO

A maioria dos órgãos da mídia, analistas e políticos vem tentando justificar a tradicional alta abstenção nas eleições regionais. Desta vez, 46% da população não foi às urnas. Examinando os números finais, a mais golpeada por isto foi a oposição, ainda sob os efeitos da ressaca dos resultados das eleições presidenciais de 7 de outubro passsado.

Historicamente, as eleições para governadores e vereadores tiveram baixa participação: em 2000 (43,55%), 2004 (54,27%), 2008 (34,5%)... Para o politicólogo Nicmer Evans, os "níveis de abstenção (em) processos regionais são tipicamente altos", contudo, ressaltou a baixa participação "da oposição, já que pretendia tirar a legitimidade de que goza o Poder Eleitoral. Agora, esta derrota a obriga a reconstruir-se ou reinventar-se". Segundo a opinião de Jesús Silva, professor de estudos políticos da Universidade Central da Venezuela (UCV), "a tese de um projeto nacional de inclusão social venceu, mais uma vez, a oposição burguesa".

A força da revolução conseguiu um total de 4,84 milhões de votos (55%) e a extrema direita obteve 3,83 milhões (43%). A força chavista, ademais, conquistou 186 assentos (78%) dos 237 que estavam sendo definidos. Estes resultados devem ser entendidos como uma grande e nova chance, numas circunstâncias muito especiais para as forças revolucionárias. Os números por muito ilustrativos e contundentes que eles forem, reclamam uma leitura bem calma e exigem às filas revolucionárias novas estratégias para derrotar a abstenção entre seus potenciais seguidores: o povo.

CAPRILES, O GRANDE PERDEDOR

Segundo o resultado eleitoral no estado Miranda, pareceria que Henrique Capriles Radonski (junto a outros dois governadores da direita) emerge como o grande triunfador da oposição. Ao menos é o que querem apresentar os meios da oligarquia. Mas os números finais falam doutra realidade muito complexa para Capriles e suas aspirações como candidato dos ianques e os grupos econômicos de poder.

Para José Vicente Rangel, a reeleição do opositor Capriles Radonski, em Miranda, por tão só quatro pontos, "mais do que um sucesso pessoal, é o equivalente a um chocolate envenenado, já que não é expressão da consolidação de uma liderança mas sim por causa do antichavismo dos setores sociais que votam nesse estado".

Rangel nos está advertindo de uma realidade que se sustenta nas estatísticas e no estado mental desse conglomerado antichavista do Leste de Caracas. Que dizem os números? Primeiro que o "teto" eleitoral de Capriles em Miranda ficou estagnado e não consegue chegar aos 600 mil votos. Nas eleições regionais de 2008, Capriles obteve 583.795 votos (53,11%), contra 506.753 (46,10%) de Diosdado Cabello. Agora, Capriles foi eleito com 582.305 votos (51,94%), isto é, 1.490 votos menos que em 2008. E Elías Jaua, o contrincante chavista, conseguiu 534.937 votos (47,71%), um incremento de 28.184 votos mais que os obtidos por Diosdado Cabello em 2008.

Vencendo, Capriles tem menos votos que os obtidos em 2008.Perdendo, Elías Jaua conseguiu em apenas três meses e participando pela primeira vez de uma contenda eleitoral, que quase 30 mil moradores mais de Miranda aderissem ao voto revolucionário.

O segundo e não menos importante é que agora Capriles tem que governar com um Conselho Legislativo dominado pelo chavismo, com oito dos 15 deputados submetidos à eleição popular. E isso que significa? A vitória do PSUV, como maioria legislativa no estado, permitirá exercer maior controle legal e constitucional sobre a gestão do governador Capriles. Significa, simplesmente, que acabou a corrupção de Capriles, de sua família e de seus parceiros do partido Primeiro Justiça.

O novo Conselho Legislativo de Miranda poderá exigir uma exaustiva auditoria da gestão de Capriles 2008-2012, para demonstrar ao país o que ele fez com o dinheiro da governação, durante quatro anos. E a partir de agora não poderá aprovar projetos fantasmas, ou manter os parasitos de seu partido com o dinheiro do povo. A esta hora, Capriles também tirou essas contas e sabe que ao perder o poder de manobra, fica estagnado, do ponto de vista eleitoral e político.

A LIÇÃO HISTÓRICA

Várias são as conclusões às que se pode chegar, após os resultados eleitorais venezuelanos de 16 de dezembro passado: a mais importante tem a ver com a confirmação de uma frase utilizada por Chávez para despedir-se de seu povo, antes de viajar a Havana: "Não se enganem, temos Pátria". Essa Pátria é a que acaba de recuperar cinco estados chaves (outrora baluartes da oposição), com implicações sociais, geopolíticas e populacionais: Táchira, Zulia, Carabobo, Monagas e Nova Esparta.

Por outro lado, embora o chavismo não vencesse em dois estados importantes do país (Miranda e Lara), obteve a vitória nos Conselhos Legislativos, o que permite assegurar que estamos diante do triunfo mais importante das forças revolucionárias bolivarianas desde 1998. Para a oposição a perda é significativa e sua frustração se evidencia de várias maneiras: uns bradam que houve fraude, outros arremetem contra o povo, entretanto os três vencedores tentam converter-se nos líderes da esfacelada oposição.

O vice-presidente executivo do governo bolivariano, Nicolás Maduro, fez um apelo aos opositores a manterem a equanimidade: "A estreia foi muito péssima, com uma fanfarrice e uma prepotência, que já entra no campo da loucura. Eu acho que eles não perceberam que 20 governações são mais do que três... O povo dissolveu a chamada Mesa da Unidade Democrática (MUD), que vem sofrendo derrota após derrota, como aconteceu nos anos 2002 e 2003; e nas eleições presidenciais de 7 de outubro passado".

Sem dúvida, depois dessa lição histórica, se abre um novo cenário de confronto, onde a oposição voltará a tentar tudo contra essa "rara ditadura venezuelana" que, segundo afirma o escritor uruguaio Eduardo Galeano, vive de eleição em eleição e permite que o povo seja quem decida.

Extraído do sítio Granma