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08 abril 2013

SOFISMAS NEOLIBERAIS - Rodolpho Motta Lima


Sem medo de cometer injustiças, mas sempre no exercício livre da opinião, afirmo que Luís Fernando Veríssimo é o maior e melhor dos cronistas em atividade na mídia nacional, não apenas pelo sabor que imprime ao seu texto, mas também pela visão do mundo que revela, como alguém permanentemente atento à realidade e às suas estranhas – e muitas vezes perversas – contradições.

Estava aqui relendo uma crônica que ele escreveu em 24.03.2000 – lá se vão 13 anos - , intitulada “Silogismo”. Veríssimo tratava, então, de um posicionamento do governo tucano de FHC, que assegurava não poder dar aos trabalhadores um salário-mínimo que corrigisse as perdas de então, porque isso “comprometeria o programa de estabilização do Governo, quebraria a Previdência, inviabilizaria o país”. Era o mantra neoliberal daquela época, que rotulava de irresponsáveis e demagogos quem pensava o contrário.

Veríssimo argumentava, então, com o que denominou “um silogismo bárbaro”: se o salário-mínimo concedido não dava para boa parte da população viver dignamente e se não havia como mudar o panorama (na visão do Governo), uma parcela ponderável do povo estaria condenada “a uma subvida perpétua”, por força de uma política que, subserviente a interesses financeiros internacionais, fundamentava-se na miséria...

Essas e outras visões do pessoal tucano acabaram por desmascarar os milagres que então se apregoavam. Um deles: um “plano real” que era apresentado como produto genuinamente nacional – com direito a heróis e tudo mais - quando, na realidade, era uma necessidade/imposição do mercado globalizado, tanto que, em um passe de mágica, todas as economias de alguma relevância no planeta tiveram então a inflação estabilizada...

Os governos que se seguiram - fruto da saudável decisão popular nas urnas que, quando convém, os demotucanos esquecem - não chegaram a inverter , infelizmente, essa postura de subserviência a um mercado infame em que especuladores, empreiteiros e banqueiros ainda dão as cartas. Conseguiram, no entanto, medidas pontuais que, aqui e ali, estão atuando no sentido de diminuir a perversidade do sistema entre nós, com políticas públicas que apontam para a preocupação com os menos favorecidos. Estão aí as diversas “bolsas” que a direita tanto abomina (“Como podem gastar o meu dinheiro com esse bando de desocupados?”); está aí o sistema de cotas que provoca a ira pouco santa das elites (“Isso está estimulando o preconceito racial !”); estão aí, agora, os direitos concedidos às empregadas domésticas secularmente exploradas (“Mas isso vai provocar muitas demissões e um descontrole no âmbito familiar!”).

Não é preciso ser petista, lulista ou qualquer outro ista para perceber a diferença que existe entre o Brasil de hoje e o de então. E, invariavelmente, quando se tenta estabelecer esse paralelo, surge aquela pergunta orquestrada, para fugir do assunto: “Mas... e o mensalão?”.

A pergunta traz embutida, de modo subliminar, a tentativa de fazer vingar uma tese esquisita, beirando a paranoia: a de que o pessoal que se preocupa com as necessidades populares é essencialmente corrupto... A pergunta desconhece a história desse país, desde as Capitanias hereditárias, desconhece as folclóricas frases do “Roubo mais faço” de próceres paulistas, desconhece a corrupção no regime militar das obras faraônicas, desconhece (ou finge desconhecer) a Privataria tucana, o mensalão mineiro (também tucano); desconhece/esquece a nunca apurada, mas sempre denunciada, compra de votos para reeleição de um Presidente da República (o que equivaleu a quatro anos de poder e de manutenção de interesse econômicos que é fácil adivinhar...).

O perverso silogismo de Veríssimo volta a atacar, agora, sob nova roupagem, mas com os mesmos atores, diante de posturas e medidas governamentais. Se a Presidenta menciona que o mais importante para o país é a preservação e o incremento das conquistas sociais, as cassandras de plantão apontam para o “nervosismo do mercado”, que, “preocupado”, vê nessas palavras o perigo da “volta da inflação”... Uma chantagem, um estelionato ideológico, que a mídia comprometida repete à exaustão...

No momento em que o país atinge o menor nível de desemprego desde que ele é medido, esse dado, ao invés de ser tratado com o louvor que realmente merece, é sutilmente apresentado como “preocupante”, porque inibe a produtividade, vira custo para a indústria em função da valorização do empregado, “freia o PIB”, “trava o crescimento”. Ou seja, o pessoal neoliberal, coerente na sua perversidade, não muda mesmo. Para eles, o bom seria ter sempre à mão uma boa “reserva de mão de obra”, que alguns economistas de plantão a serviço dos exploradores chamam de “estoque”, reduzindo homens a coisas...

Felizmente, do lado de cá , o Veríssimo e sua visão do mundo também não mudam. E, como ele, pensam muitos dos cidadãos que, famosos ou desconhecidos, constituem o povo brasileiro. Se estivesse entre os vivos, Gonzaguinha responderia a esse pessoal que anseia pelo desemprego com os versos da sua composição “Um homem também chora”: “Um homem se humilha / Se castram seu sonho / Seu sonho é sua vida / E vida é trabalho / E sem o seu trabalho / Um homem não tem honra / E sem a sua honra / Se morre, se mata / Não dá pra ser feliz / Não dá pra ser feliz “.

Extraído do sítio Direto da Redação

04 março 2013

DESEMPENHO DO PIB NÃO INTERFERE NO ÂNIMO DO ELEITORADO - Eduardo Guimarães


O fraco crescimento do PIB de 2012 vem se mostrando objeto de esperança dos grupos políticos, econômicos e midiáticos de oposição ao projeto político que governa o Brasil desde 2003. Mais uma vez.

Em alguma medida, no entanto, fazer essa aposta outra vez chega a espantar. Afinal, não faz muito tempo que foi feita e perdida por quem fez.

Em 2009, às portas do ano eleitoral de 2010, o discurso tucano-midiático era exatamente o mesmo que o de hoje, só que a situação era muito mais grave. 2008 terminara sob a égide da eclosão da crise econômica das hipotecas norte-americanas que, dali em diante, contaminaria o mundo.

O desemprego aumentou consideravelmente entre o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. A produção e as vendas no comércio praticamente ficaram paralisadas, até que o governo começasse a liderar a reação da economia brasileira investindo pesado.

O ano que precedeu a eleição presidencial de 2010, sob o aspecto do PIB, foi um presente para a oposição. Afinal, em 2009 o Brasil não teve “pibinho”, teve recessão. Isso mesmo, o tamanho da economia brasileira reduziu-se em 0,2% e o nível de emprego, ao fim daquele ano, apenas retornou ao que estava ao fim de 2008, quando a crise internacional explodiu.

Contudo, a partir do segundo semestre de 2009 já se começava a sentir uma reação da economia como a que já se faz sentir agora e que, ao longo do ano eleitoral de 2010, chegaria a experimentar crescimento próximo ao nível chinês, com aumento do PIB de 7,5%.

Diante dos resultados ruins do último trimestre de 2008 e do primeiro semestre de 2009, mídia e oposição duvidaram de que fosse possível uma reação e já davam como favas contadas a derrota do “poste” Dilma – outros viriam – não apenas pelo nível de emprego que sofrera a primeira redução em anos, mas por a candidata à sucessão de Lula nunca ter disputado uma eleição na vida.

O fim dessa história todos conhecemos. Mas o que há para resgatar é a velha discurseira tucano-midiática que se abate sobre o país toda vez que o resultado do PIB não é brilhante, mesmo que indicadores sociais revelem que mais ou menos crescimento não é fator determinante das condições de vida da maioria.

Se tomarmos como exemplo um editorial da mídia oposicionista de março de 2009, encontraremos uma argumentação igualzinha à que tem sido vista nesses veículos nos últimos tempos.

Abaixo, editorial da Folha de São Paulo de 11 de março de 2009.

FOLHA DE SÃO PAULO - 11 de março de 2009 - Editorial

Queda vertiginosa

Recuo no PIB reafirma necessidade de ações anticrise, mas arsenal é limitado pelo pendor à gastança dos governos

A HISTÓRIA , mais à frente, irá decerto atenuar a sensação de que uma nova era da economia global se impôs, num chofre, entre setembro e outubro, subvertendo o que prevalecia até o instante imediatamente anterior. Mas é essa a impressão que resta depois da divulgação de estatísticas como a do PIB brasileiro.

A produção de bens e serviços no país crescia num ritmo anualizado de 7% até setembro; entrou em mergulho radical nos três meses seguintes, quando a taxa, se anualizada, resultaria em -13,6%. Não há cenário, previsão, estimativa ou modelo econométrico que parem de pé diante de inversão dessa magnitude. A incerteza sobre o comportamento da atividade econômica, em especial para este ano e o próximo, atingiu proporções ofuscantes.

Os números do IBGE confirmam que veio da indústria o principal vetor de retração no último trimestre de 2008. O volume da produção fabril decresceu 7,4% em relação ao período imediatamente anterior. As decisões de frear fortemente as linhas de montagem foram concomitantes a outras, destinadas a cortar, também brutalmente, as despesas com aquisição de máquinas, equipamentos e construção civil.

Esta classe de gastos, os investimentos produtivos, se expandia numa velocidade “chinesa”: suficiente para duplicar o volume de dispêndios em expansão da capacidade produtiva a cada nove anos. Passou-se no quarto semestre, sem direito a fase intermediária, a uma realidade que lembra a Grande Depressão -os investimentos diminuíram ao ritmo, anualizado, de 33%.

Não se pode, obviamente, tomar a pior fase da crise, até aqui, pelo todo. Dados preliminares acerca dos primeiros dois meses de 2009 mostram que aqueles índices de vertiginosa retração não se repetiram. Em alguns setores, caso da indústria automobilística, há sinais de incipiente recuperação. Nada, contudo, que já possa assegurar crescimento positivo do PIB neste ano.

Tampouco é recomendável desprezar a notável prosperidade verificada entre 2004 e 2008. Na esteira da bonança global, a economia brasileira mais que dobrou seu ritmo de expansão em relação às duas décadas anteriores. Com saldos comerciais expressivos e entrada maciça de capitais, o Brasil pôde, mediante prudente acumulação de poupança em dólares, aumentar a proteção contra crises externas.

Infelizmente, essa linha de prudência não abrangeu os gastos de custeio dos governos -federal, estaduais e municipais-, que dispararam no período. Se o poder público tivesse controlado seu pendor natural à gastança, teria agora um arsenal menos limitado para combater os efeitos deletérios da derrocada global.

As semelhanças com o presente não são mera coincidência. Era ano pré-eleitoral como este e vínhamos de um fim melancólico do ano anterior, em termos de crescimento e emprego. A única diferença é a de que em março de 2009 as expectativas pareciam menos promissoras do que as de março de 2013.

Todavia, como já havia expectativa de retomada o discurso era exatamente o mesmo de hoje, de relativizar os sinais de aquecimento na economia dizendo, de uma forma ou de outra, que o modelo econômico em curso – baseado no consumo de massas – estaria “esgotado”.

Chega a ser risível dizer que o consumo de massas possa estar perto do patamar de estabilização em um país em que tanta gente ainda não consome mais do que o básico do básico. Mas, enfim, é nisso que a direita midiática acredita – ou quer acreditar.

Enfim, a aposta no ritmo mais fraco da economia se mostra fadada a novo fiasco por duas razões.

Primeira razão: o país deve retomar o crescimento em 2013 e não no ano eleitoral de 2014, enquanto que no penúltimo ano pré-eleitoral não houve retomada e houve até recessão, o que permitiu à oposição brandir a retração de 0,2% de 2009 na campanha de 2010.

Segunda razão: assim como o discurso sobre 2009 não empanou a sensação de bem-estar da população em 2010, em 2014 o “pibinho” de 2012 será história e o de 2013 deve ser no mínimo saudável, segundo já reconhecem mesmo os analistas da oposição.

Por fim, resta dizer que mesmo que a eleição fosse neste ano, com “pibinho” em 2012 e crescimento apenas médio em 2013, dificilmente isso iria interferir na visão que o brasileiro vem mantendo de que o governo impede que a crise chegue a si.

Trecho do Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) A Década Inclusiva (2001-2011): Desigualdade, Pobreza e Política de Renda permite entender melhor a questão.

“Numa sociedade de 10 pessoas, se 1 tem renda 10 e os 9 restantes tem renda 0; ou no extremo oposto, se 10 tem a renda igual a 1; o PIB é o mesmo. O PIB é uma medida de bem-estar social que por construção não se importa com as diferenças entre pessoas, apenas com a soma das riquezas produzidas”.

Ora, o mesmo estudo mostra que a distribuição da riqueza, seja ela alguns pontos percentuais maior ou menor, é o que importa, pois é o que as pessoas sentem.

Nesse aspecto, segundo o Ipea, durante a última década o Brasil reduziu a desigualdade, fato que não ocorria de forma contínua e não chegava a índices tão baixos desde 1960, quando a série histórica começou a ser construída.

“Este é o menor nível de desigualdade da história documentada, embora o Brasil ainda seja desigual”, enfatizou o Pesquisador do Ipea Marcelo Néri. O Índice Gini, que mede a desigualdade, chegou a 0,527 em 2011 e em 2012 chegou a 0,519 – quanto mais próximo de 0, menos desigual é um país.

Em 2001, o Índice de Gini do Brasil era de 0,61 e, em 1960, era 0,535. Durante a ditadura militar a riqueza se concentrou fortemente, a desigualdade chegou a cair um pouco no início do plano real e depois, ao fim do governo FHC, voltou a subir.

Há anos que este blog vem dizendo que não é o nível do PIB e não é, apenas, o nível de emprego que mantêm o governo bem avaliado pelo eleitorado, mas a distribuição de renda.

Há alguns dias, algumas dezenas de manifestantes foram às ruas protestar contra Lula em São Paulo. Na quase totalidade, eram pessoas favorecidas pela sorte e que não se conformam com um fenômeno que a Era Lula-Dilma inaugurou no Brasil: distribuição de renda.

No imaginário do brasileiro remediado, que hoje é maioria, há uma elite branca e preconceituosa que quer tirar o PT do poder e pôr o PSDB porque é o partido que defende os interesses dos ricos. Até aqui, essa percepção não mudou uma vírgula. E não será “pibinho” que irá operar tal milagre.

Extraído do Blog da Cidadania

13 fevereiro 2013

PORTUGAL FECHOU 2012 COM MAIS DE 923 MIL PESSOAS DESEMPREGADAS - Gilberto Costa


Lisboa – O Instituto Nacional de Estatística (INE) de Portugal contabiliza que o país fechou 2012 com 923,2 mil pessoas desempregadas, uma taxa de 16,9%. O número de desempregados relativo aos meses de outubro a dezembro é 1,1 ponto percentual superior ao do trimestre anterior e 2,9 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2011.

De acordo com o INE, o aumento da população desempregada se deu “essencialmente” na faixa etária dos 25 aos 44 anos, com escolaridade básica (12 anos de estudo) e egressas da indústria, construção civil, companhias de energia e de água. A taxa de desemprego é ligeiramente maior entre as mulheres (17,1% de desempregadas e 16,8% desempregados).

Segundo o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, o desemprego está “muito elevado” e é “socialmente muito doloroso”. Ele reconhece que a falta de trabalho “é a situação talvez mais dramática” que o país vive no processo de reajustamento econômico.

Portugal sofre com a crise econômica na zona do euro e por causa da perda de confiança no mercado financeiro internacional. Por causa disso, mantém um programa acordado com o Fundo Monetário Internacional; o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia para equilibrar as finanças do país.

As medidas adotadas para zerar os déficits fiscais e de transações correntes de Portugal acabaram por enxugar o crédito disponível no país (fundamental para setores com o da construção) e também afetam os gastos sociais (inclusive o seguro-desemprego).

O dado do desemprego divulgado hoje é mais um indicador da recessão econômica. Em 2012, a economia encolheu 3% e deverá continuar diminuindo este ano. Conforme projeção do Banco de Portugal, o banco central do país, o Produto Interno Bruto (PIB) entre 2009 e o fim de 2013 deve registrar queda de 7,4%.

Extraído do sítio Agência Brasil

05 fevereiro 2013

COMO OS MUITO RICOS ESTÃO DESTRUINDO A ECONOMIA DOS EUA

Obama acertou quando disse, na posse, que a América não pode ter sucesso quando poucos vão muito bem enquanto muitos mal sobrevivem.


O artigo abaixo foi publicado originalmente no site Common Dreams. O autor, Robert Reich, é um dos comentaristas econômicos e políticos mais influentes dos Estados Unidos. Reich foi integrante do gabinete de três presidentes americanos, o último dos quais Bill Clinton.

Como o presidente Obama disse em seu discurso de posse, os Estados Unidos “não podem ter sucesso quando poucos enriquecem cada vez mais e muitos mal sobrevivem”.

No entanto, essa continua sendo a direção que seguimos.

Uma análise recém-divulgada pelo Instituto de Política Econômica mostra que os super-ricos têm tido um bom desempenho na recuperação econômica, enquanto quase todos os outros vão mal. Um por cento dos assalariados viu seu salário crescer 8,2 por cento de 2009 a 2011, mas os salários anuais de 90% dos americanos continuaram a declinar na recuperação.

Em outras palavras, estamos de volta à desigualdade anterior à bolha que explodiu em 2008.

Mas o presidente está certo. Nem mesmo os muito ricos podem continuar a ter êxito sem uma prosperidade mais ampla. Isso porque 70% da atividade econômica nos Estados Unidos é o consumo. Se os 90% estão cada vez mais pobres, eles são menos capazes de gastar. Sem seus gastos, a economia não sai da primeira marcha.

Essa é uma grande razão pela qual a recuperação continua a ser anêmica, e por que o Fundo Monetário Internacional reduziu sua estimativa para o crescimento dos EUA em 2013 para apenas 2%.

Quase um quarto de todos os empregos nos Estados Unidos pagam salários abaixo da linha de pobreza para uma família de quatro pessoas. O Bureau of Labor Statistics estima que o crescimento para a próxima década será de baixos salários – como servir clientes em grandes redes varejistas e cadeias de fast food.

Americanos ricos estariam melhores com partes menores de uma economia em rápido crescimento, do que com os grandes pedaços que agora possuem de uma economia que está mal se movendo.

Neste ritmo, quem é que vai comprar todos os bens e serviços que a América é capaz de produzir? Nós não podemos voltar para o tipo do débito financiado que causou a bolha, em primeiro lugar.

Se fossem racionais, os ricos iriam apoiar investimentos públicos em educação e formação profissional, uma infra-estrutura de classe mundial (transporte, água e esgoto, energia, internet), e pesquisa básica – que faria a força de trabalho americana mais produtiva.

Se fossem racionais, eles até mesmo apoiariam os sindicatos. Mas os sindicatos estão quase extintos.

O declínio dos sindicatos na América segue exatamente o declínio da classe média.

Na década de 1950, quando a economia dos EUA estava crescendo mais rápido do que 3% ao ano, mais de um terço de todas as pessoas que trabalham pertencia a um sindicato. Isso lhes deu cacife de negociação suficiente para obter salários que lhes permitiram comprar o que a economia foi capaz de produzir.

Desde o final de 1970, os sindicatos têm corroído – como corroeu o poder de compra da maioria dos americanos, e não por coincidência, o crescimento médio anual da economia.

De quem é a culpa? Parcialmente da globalização e das mudanças tecnológicas. A globalização enviou muitos trabalhadores para o exterior.

A fabricação está começando a voltar para a América, mas está retornando sem muitos empregos. A linha de montagem foi substituída pela robótica e por máquinas-ferramentas de comando digital.

As tecnologias também substituíram muitos ex-trabalhadores sindicalizados em telecomunicações (lembra-se das operadoras de telefonia?).

Mas espere um pouco. Outras nações sujeitas às mesmas forças têm níveis muito mais elevados de sindicalização do que a América. 28% da força de trabalho do Canadá é sindicalizada, como mais de 25% na Grã-Bretanha e quase 20% na Alemanha.

Os sindicatos estão quase extintos na América porque nós escolhemos isso.

Ao contrário de outros países ricos, nossas leis trabalhistas permitem que os empregadores possam substituir trabalhadores em greve. Nós também tornamos extremamente difícil para os trabalhadores se organizarem e mal penalizamos as empresas que violam as leis trabalhistas.

O salário médio de um trabalhador do Walmart é de 8,81 dólares por hora. Um terço dos empregados do Walmart trabalham menos de 28 horas por semana e não se qualificam para os benefícios.

O Walmart é um microcosmo da economia americana, que descaradamente lutou contra os sindicatos. Mas poderia facilmente pagar mais a seus funcionários. Ganhou 16 bilhões de dólares no ano passado. Grande parte dessa quantia foi para os acionistas do Walmart, incluindo a família de seu fundador, Sam Walton.

A riqueza da família Walton agora excede a riqueza de 40% das famílias americanas combinadas, de acordo com uma análise do Instituto de Política Econômica.

Mas como o Walmart espera continuar lucrando quando a maioria de seus clientes está descendo uma escada rolante econômica?

O Walmart deve ser sindicalizado. Assim como o McDonalds. Assim como cada varejista e rede de fast-food do país. Assim como todos os hospitais nos Estados Unidos.

Dessa forma, mais americanos terão bastante dinheiro em seus bolsos para colocar a economia em movimento. E todos – mesmo os muito ricos – serão beneficiados.

Como disse Obama, a América não pode ter sucesso quando alguns poucos vão muito bem enquanto muitos mal sobrevivem.

Extraído do sítio Diário do Centro do Mundo

30 janeiro 2013

O FUTURO ESCREVE-SE EM MANDARIM - Luís Ribeiro, Thiago Mourão e Lorena Amazonas


Um em cada quatro jovens portugueses está desempregado. Para conseguirem trabalho, não hesitam em emigrar. Alemão, russo, chinês ou árabe são as línguas que aprendem antes de partir: eis o mapa das novas terras prometidas.

Num momento como este, nenhuma empresa portuguesa contrata um especialista em programação robótica. O receio de Gonçalo Gomes, 30 anos, logo se transformou numa dolorosa certeza, a cada novo currículo enviado e invariavelmente ignorado. Para piorar a situação, também a sua mulher, Marta, enfermeira, de 25 anos, não conseguia mais do que uns trabalhos precários e a meio tempo, numa clínica ou noutra.

“Decidimos abrir os nossos horizontes e enviar currículos para o estrangeiro. E, em junho, tivemos excelente feedback de empresas alemãs. O único problema é que exigiam que soubéssemos falar a língua.” Em setembro, Gonçalo e Marta entraram para um curso intensivo na DUAL, o departamento de qualificação profissional da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemão, em Lisboa.

“Temos tido muitas solicitações de empresas germânicas para profissionais de diferentes áreas”, diz Elísio Silva, gestor da DUAL. “Na maior parte das profissões, é indispensável conhecer a língua, pelo que será sempre uma boa aposta aprender alemão.” Nada disto significa que o inglês está a perder importância. Ser fluente na língua universal, no entanto, não diferencia um candidato dos outros. Além disso, na maior parte das profissões é obrigatório dominar o idioma do país.
Uma língua muito procurada

Com o país em crise profunda e a apresentar taxas de desemprego recorde (sobretudo entre os jovens, quase 40% entre os que têm menos de 25 anos), muitos portugueses já se aperceberam da importância crescente de alguns países, na economia internacional. Uns no centro da Europa, como a Alemanha, que continua a crescer em contracorrente, e outros bem mais longe. Nos últimos anos, o aumento da procura de cursos de russo, árabe e mandarim mostram bem de onde vem o poderio económico.

Sem surpresas, atendendo ao crescimento imparável da China, o mandarim é o que tem atraído mais atenções.

Nos últimos anos, surgiram em Portugal vários cursos de mandarim. Entre os mais populares, destacam-se as aulas para crianças, procuradas por pais especialmente preocupados com o futuro dos filhos.

A China não é só futuro – a sua pujança em todos os setores da economia é já uma realidade. E, apesar de o inglês ser ensinado nas escolas daquele país, a falta de prática dos chineses e, acima de tudo, as diferenças culturais obrigam os forasteiros a aprenderem algumas noções básicas de mandarim.

“Quando sabem que falamos mandarim, os chineses ficam agradavelmente surpreendidos”, assegura Sara Veiga Silva, 21 anos e com um diploma em Estudos Asiáticos, além de um curso de mandarim do Instituto Confúcio. A China é a potência económica do momento, mas não está sozinha. Nos últimos anos, com a economia nacional congelada, as empresas lusas têm seguido o rasto do dinheiro dos países árabes que, por sua vez, acolhem de braços abertos o nosso know how nas mais diversas áreas.

“Já há uma centena de empresas nacionais e seis ou sete mil trabalhadores portugueses espalhados pelos países árabes, que são dos mercados mais vivos, atualmente”, adianta Allaoua Karim Bouabdellah, secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa. “Mas saber inglês ou francês não é suficiente. Muitos empresários árabes dominam apenas a sua própria língua, e é muito mais fácil fazer negócios quando nos exprimimos na língua do cliente.” No meio da letargia empresarial do País, os portugueses parecem despertos para este cenário, indica António Dias Farinha, professor catedrático e diretor do Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos da Faculdade de Letras de Lisboa. “Só na minha Universidade, temos mais de cem alunos a aprender árabe, e existem muitos mais cursos, aqui e noutras cidades.”

Na mira está a emigração

Após vários anos a ser ignorada, também a língua de Tolstoi e Dostoievski ganha cada vez mais adeptos – a Rússia encontra-se em ascensão económica, sustentada pelas suas reservas energéticas, de que a Europa do Norte e Centro dependem.

“Há três anos, começou a notar-se um maior interesse pela língua. Temos, atualmente, mais de duzentas inscrições nos dois semestres de russo”, sublinha Rita Marnoto, diretora do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Os objetivos dos alunos passam, aqui e ali, pela perspetiva de conseguir emprego na área da tradução e em empresas russas a trabalhar em Portugal. Mas a emigração é outra das finalidades de muitos estudantes.

Portugal está na moda, entre a classe russa mais rica. Muitos moscovitas de carteiras recheadas fazem férias no nosso país, em detrimento de outros destinos de praia (Grécia, Egito, Espanha), precisamente por ser mais caro – dessa forma, mostram aos amigos a sua saúde financeira. Por outro lado, a comunidade de Leste, russófona, que vive em Portugal, ainda é um mercado para algumas profissões, mesmo que a maioria desses imigrantes fale português.

Nem sempre a solução está do outro lado do planeta ou da Europa. Logo a seguir a Espanha, numa crise quase tão profunda como a nossa, existe um país de finanças aparentemente saudáveis. Assim pensou Joana Rodrigues, 23 anos, licenciada em engenharia biomédica. “Como quero ir trabalhar para fora e o inglês não é suficiente, decidi melhorar o meu francês”, explica.

A quantidade de países europeus em que o francês é o idioma oficial influenciou a sua decisão. “Além de França, temos a Bélgica, o Luxemburgo e a Suíça”, enumera Joana. A França pode não ter o elã económico da Rússia, do Golfo Pérsico ou da China, mas sempre fica mais perto de casa.

Extraído do sítio Press Europ

27 janeiro 2013

ONU ALERTA QUE 200 MILHÕES DE PESSOAS ESTARÃO DESEMPREGADAS EM 2013 - Jack Phillips

Candidatos fazem fila numa feira de trabalho em 17 de janeiro de 2013 na cidade de Nova York (Mario Tama/Getty Images)

A Organização das Nações Unidas (ONU) advertiu recentemente que mais 5,1 milhões de pessoas ficarão sem trabalho em 2013, com os jovens sendo o grupo demográfico mais atingido.

No relatório anual “Tendências Mundiais do Emprego 2013″ da Organização Internacional do Trabalho (OIT), os números mostram que o desemprego mundial está novamente em ascensão, depois de caírem por dois anos consecutivos, refletindo uma desaceleração do crescimento econômico. O número total de pessoas desempregadas no mundo aumentou em 4,2 milhões em 2012 para mais de 197 milhões – uma taxa de desemprego de 5,9% – informou a agência.

Quase 13% dos desempregados tinham idades de 24 ou menos, segundo a agência.

“Muitos dos novos empregos exigem habilidades que os candidatos não têm”, disse Guy Ryder, o diretor-geral da OIT, num comunicado no website da organização. “Os governos devem intensificar esforços para apoiar as competências e as atividades de reciclagem para resolver tais discrepâncias que afetam particularmente os jovens.”

35% de todos os jovens desempregados estavam sem trabalho há seis meses ou mais em economias avançadas, um crescimento de 6,5% desde 2007, segundo a OIT.

“Muitos jovens atualmente experimentam desemprego de longo prazo desde que entram no mercado de trabalho”, disse Ryder à CNN. “Quando isso ocorre no início da carreira de uma pessoa, pode causar danos significativos a sua perspectiva de emprego em longo prazo.”

Cerca de um quarto do aumento da taxa de desemprego mundial foi encontrado em economias avançadas, afirma o relatório da OIT. Os outros três quartos do aumento foram devido a “repercussões” em outras regiões, ou seja, na Ásia Oriental, Sul da Ásia e África Subsaariana, informou a OIT.

“Uma perspectiva de incerteza econômica e uma política inadequada para lidar com a situação enfraqueceram a demanda agregada, retendo o investimento e gerando contratação”, disse Ryder, segundo a OIT. “Isso tem prolongado a queda do mercado de trabalho em muitos países, reduzindo a criação de emprego e aumentando a duração do desemprego, mesmo em países que antes tinham baixa taxa de desemprego e mercados de trabalho dinâmicos.”

O relatório concluiu que o desemprego de longo prazo também cresceu, apontando que cerca de um terço dos desempregados da Europa não tem trabalho há mais de um ano, informou a BBC. Cerca de 39 milhões de pessoas ao redor do mundo já desistiram de tentar encontrar um emprego, acrescentou o relatório.

A agência observou que países com estágios, incluindo a Alemanha, Suíça e Áustria, tiveram as menores taxas de desemprego de jovens no mundo.

O pico da taxa de desemprego global foi de 6,21% em 2009, após o colapso econômico global, informou a Associated Press. A taxa de desemprego global no ano passado foi de 5,93%.

Extraído do sítio The Epoch Times

25 janeiro 2013

COM DESEMPREGO EM ALTA, BRASILEIROS COMEÇAM A DEIXAR PORTUGAL - Antonio Netto


A crise financeira que assola o país europeu e a boa fase econômica do Brasil influenciam na hora de tomar a decisão. Só em 2011, total de brasileiros que deixou Portugal supera em quase 8 mil o número dos que chegaram.

Os brasileiros são a maior comunidade estrangeira em Portugal. De acordo com dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteira (SEF), órgão português responsável pela política de imigração, são mais de 111 mil brasileiros legalizados, o que representa 25% da população imigrante.

No entanto, considerando apenas os números de 2011, o saldo entre os que chegaram ao país e os que saíram mostra uma clara tendência: o total de brasileiros em Portugal diminuiu em quase 8 mil.

Segundo relatório do SEF, o número geral de imigrantes residentes está em queda desde 2010 e isso "poderá configurar uma nova tendência", que pode ser explicada pela "alteração de processos migratórios e efeitos da atual crise econômica e financeira".

Para Carlos Vianna, presidente da Casa do Brasil de Lisboa, apesar de ainda não haver números oficiais sobre a imigração em 2012, essa tendência se confirma, considerando a experiência da associação no apoio aos imigrantes. "A população imigrante brasileira vai cair bem mais em 2012 e 2013. Não tenha dúvida disso", afirma.

Portugal tem a terceira maior taxa de desemprego da Europa, de 16,3% em novembro de 2012, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ficando atrás apenas da Espanha (26,6%) e da Grécia (26%).

"A crise econômica levou mais de 100 mil portugueses a saírem de Portugal. Se os portugueses jovens, com boa formação acadêmica, estão saindo aos magotes, que dirá os imigrantes. A economia brasileira está mais aquecida, há pleno emprego e, portanto, a situação está melhor hoje do que quando muitos deixaram o Brasil", diz Vianna.

Qualificação não é sinônimo de emprego

Gabriela volta ao Brasil levando o marido espanhol junto

A publicitária brasileira Gabriela Nogueira migrou para Portugal em meados da década de 90. Nessa época, a economia do Brasil enfrentava a hiperinflação e mais uma mudança de moeda. "Eu achava que teria mais chances de um futuro certo morando fora do Brasil. Portugal começava a mostrar a influência da entrada no mercado europeu e podia-se ver o país crescer, evoluir e mudar", conta.

Mas, no final de 2012, após 17 anos no exterior, a publicitária resolveu voltar para o Brasil. "Voltei para São Paulo. Aqui se trabalha muito, mas a oferta cultural é rica e hoje a cidade está como Lisboa quando eu cheguei. Em Portugal e em outros países europeus, o mercado de trabalho está tão fechado que qualificação não é sinônimo de um bom emprego", diz Gabriela, que levou para o Brasil o marido espanhol e a filha do casal.

"A decisão de voltar foi tomada há mais de um ano e não foi uma decisão só minha, mas minha e do meu marido. Por mais que eu adore a Europa, tenho 42 anos e uma família, marido e filha de 5 anos, o que faz com que a maneira de pensar seja conjunta", argumenta.

A tendência da redução de estrangeiros em Portugal representa uma forte mudança do fluxo migratório face às últimas décadas. No início dos anos 90, havia 107 mil estrangeiros legalizados no país. Passados 20 anos, esse número mais do que quadruplicou, chegando a 454 mil.

No entanto, do início de 2010 até o fim de 2011 (data do último relatório do SEF), esse crescimento exponencial foi quebrado e mais de 17 mil estrangeiros residentes abandonaram Portugal nesse período.

Medo da crise

Dona de uma estética no distrito de Lisboa, a brasileira Maritânia Nogueira está em Portugal há 13 anos. Ela afirma que, apesar da redução de 15% na clientela, ainda consegue manter uma boa qualidade de vida no país. Mesmo assim, a esteticista está disposta a voltar para o Brasil.

"Assusta muito. Meu medo é perder tudo o que juntei e investi e não ter mais condições de voltar de jeito nenhum. Eu posso perder isso em um ano, pelo jeito que está o país", declara Maritânia.

Maritânia está bem em Lisboa, mas ainda assim pensa em voltar

Retornar ao país de origem é um desejo cada vez mais comum em Portugal. A Organização Internacional para as Migrações (OIM), através do Programa de Retorno Voluntário, ajuda estrangeiros que pretendem retornar ao país de origem, mas não têm condições, fornecendo a passagem aérea e, em alguns casos, auxílio de reintegração.

De acordo com Isabela Salim, assistente de projetos da OIM, o número de pedidos de apoio feitos por brasileiros ao regresso voluntário está em alta. Em 2010, foram 1.397. Em 2011 subiu para 1.839 e, em 2012, até setembro, foram mais 1.214 pedidos.

Com o crescente número de solicitações de ajuda, Isabela reforça que é muito importante o Brasil criar incentivos e apoios aos brasileiros que querem voltar.

"São pessoas que aprenderam muito como imigrantes, levam daqui know-how que pode beneficiar o crescimento brasileiro. Pessoas que trabalham nas áreas da construção civil e serviços, duas áreas de trabalho em declínio em Portugal e em expansão no Brasil", diz Isabela.

Fim de um sonho

Eliana Miranda será uma das beneficiadas do Programa de Retorno Voluntário. Faltando dois dias para voltar para Belo Horizonte, ela conta que migrou em 2005 e trabalhou em empresas de limpeza e como babá, mas que está há meses desempregada em Portugal.

"A gente vem com a intensão de conseguir comprar alguma coisa, melhorar a vida. Vem com a expectativa de comprar uma casa, montar um negócio. Mas, no decorrer da vida, percebe que isso não pode ser alcançado. Não é uma realidade. Agora é mais complicado ainda, porque nem mesmo para a sobrevivência diária está sendo possível", conta Eliana.

Apesar de falar com alguns amigos no Brasil e ter a consciência de que "as coisas estão bem difíceis e bem caras", Miranda avalia que, no Brasil, "pelo menos você tem expectativa de tentar, de lutar. Pelo menos tem uma chance. Aqui [em Portugal] já não dá mais nem para tentar".

Extraído do sítio Deutsche Welle

22 janeiro 2013

DESEMPREGO VAI SUPERAR MARCA DOS 200 MILHÕES DE PESSOAS NO MUNDO EM 2013, PREVÊ OIT


Segundo relatório, número de desempregados em 2012 chegou a 197 milhões. Estimativa para o ano que vem deve bater o recorde de 2009, de 199 milhões. Mais afetados são os jovens, quase um terço dos desempregados no mundo.

O desemprego no mundo vai ultrapassar o patamar dos 202 milhões de pessoas em 2013, estimou a Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta terça-feira (22/01), em Genebra. Caso a estimativa se confirme, o número baterá o recorde absoluto de 199 milhões de desempregados, registrado em 2009. Depois da queda na taxa de desemprego por dois anos consecutivos, 2012 voltou a apresentar um aumento de 4,2 milhões de pessoas, totalizando 197 milhões de desempregados.

No seu relatório anual sobre as tendências mundiais do emprego, a OIT calcula que, "apesar de uma recuperação moderada do crescimento de produção", esperada para este ano e para o próximo, "a taxa de desemprego deverá aumentar de novo, e o número de desempregados no mundo deverá crescer 5,1 milhões em 2013 e mais três milhões em 2014". Especialistas da OIT acreditam que o crescimento da economia mundial não será forte o suficiente para diminuir a taxa de desemprego.

Em uma entrevista coletiva, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, ressaltou que as perspectivas não são boas. "As incoerências políticas, principalmente na zona do euro, abordam os problemas na base do caso a caso", acusou Ryder, responsabilizando os governos europeus pelos resultados negativos nas decisões de investimento, o que reduziu a geração de empregos.

Taxa de desemprego entre os jovens é preocupante

Alarmante também é o alto número de 73,8 milhões de jovens, entre 15 e 24 anos, que estão desempregados. Quase 13% da população jovem do mundo não tem emprego. A tendência é que mais 500 mil jovens estejam desempregados até 2014. A OIT diz que a crise fez aparecer um novo fenômeno, o dos jovens desempregados de longa duração, referente àqueles que ficam desempregos assim que chegam ao mercado de trabalho. Nos países industrializados, pouco mais de um terço dos jovens estão há meio ano ou mais sem emprego.

Para efeito de comparação, o percentual de adultos sem emprego é de 4,5. Quase um terço do total de desempregados no mundo são jovens, sendo que essa faixa etária representa cerca de 25% da população mundial entre as idades de 15 e 64 anos. Ante essa situação, principalmente na Europa, organizações do trabalho preveem que muitos jovens simplesmente deixarão de procurar emprego.

Nesse contexto, a OIT elogiou Alemanha, Suíça e Áustria por terem conseguido manter relativamente baixa a taxa de desemprego entre os jovens. Já nos países mais afetados pela crise europeia, a preocupação é grande. De cada dois jovens, um está desempregado.

Extraído do sítio Deutsche Welle

13 setembro 2012

AUSTERIDADE CONTRA A CRISE DESACELERA ECONOMIA MUNDIAL, DIZ UNCTAD - Mário Câmera

Relatório de órgão das Nações Unidas diz que medidas de austeridade não estão surtindo efeito
As medidas de austeridade adotadas por governos de países desenvolvidos para tentar conter a crise econômica mundial não estão dando o resultado esperado e ainda desaceleram a economia mundial e aumentam a desigualdade de renda. É o que afirma o relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), divulgado nesta quarta-feira.

Em seu "Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2012", a Unctad diz que os países desenvolvidos, como os da União Europeia, insistem no erro de não realizarem investimentos domésticos. Segundo a Unctad, essas políticas são responsáveis pelo crescimento econômico vir desacelerando em "todas as regiões do mundo".

O texto afirma que a austeridade fiscal e o arrocho salarial "estão enfraquecendo ainda mais o crescimento nesses países, sem alcançar os resultados esperados de redução de déficits fiscais, criação de empregos e renovação de confiança dos mercados financeiros."

O organismo lembra que em 2010 já alertava que o desafio para a recuperação dessas economias não era o aumento da dívida dos governos, mas a falta de demanda interna nos países mais ricos.

"A demanda é o que impulsiona as economias modernas", afirma o relatório.

Medidas anticíclicas

Ao criticar as medidas de austeridade adotadas por governos de países desenvolvidos, a Unctad destaca o melhor desempenho dos países em desenvolvimento, como o Brasil.

A resposta dos países em desenvolvimento à deterioração da economia mundial é a adoçãode políticas anticíclicas, com um aumento da despesa pública, informa o relatório.

O documento cita o Brasil como exemplo desse tipo de política, ao dizer que o governo federal adotou reformas fiscais para aumentar as receitas que financiam suas despesas.

No entanto, as medidas de austeridade prejudicam a demanda nos mercados desenvolvidos e isso reduz as perspectivas de exportação dos mercados em desenvolvimento. Estes últimos "não poderão evitar uma desaceleração de suas economias e estão vulneráveis à contínua deterioração das economias desenvolvidas", garante a Unctad.

O "Relatório sobre Comércio e Desenvolvimento 2012" prevê um crescimento de 2,3% para a economia mundial, em 2012 - contra os 2,7% registrados no ano passado. Segundo as previsões do organismo da ONU, o Brasil deve crescer 2,0%.

Desigualdade de renda

Grande parte do "Relatório sobre Comércio e Desenvolvimento 2012" é dedicada à questão da desigualdade de renda no mundo, que vem aumentando, segundo o organismo da ONU.

Para os economistas da Unctad, uma das saídas para retomar o caminho do crescimento econômico é, exatamente, reverter este quadro .

Ao lembrar que famílias de baixa e média renda gastam proporções muito maiores de seus salários em consumo, o relatório volta a citar o Brasil.

"No Brasil, vários programas destinados a erradicar a pobreza extrema e melhorar as oportunidades para populações vulneráveis foram lançados ou fortalecidos", diz o relatório, que também elogiou os esforços feitos pelo governo para diminuir a desigualdade de renda entre homens e mulheres no mercado de trabalho.

A Unctad não poupou os grandes executivos e agentes financeiros, lembrando que a remuneração "extremamente elevada" que ganham é "frequentemente relacionada à tomada excessiva de riscos em busca de lucros de curto prazo e de dividendos para os acionistas".

Do outro lado da moeda, aparecem os trabalhadores assalariados, que, segundo relatório, foram "forçados a se endividar para manter seus padrões de vida."

Extraído do sítio BBC Brasil

01 setembro 2012

ZONA DO EURO REGISTRA NOVO RECORDE DE DESEMPREGO


Em julho último, mais de 18 milhões de pessoas dos 17 países da moeda comum não tinham trabalho. Taxa de desemprego foi de 11,3%. Duramente atingida pela crise, na Espanha, 52,9% dos jovens não têm emprego.

O mercado de trabalho na zona do euro atingiu, em julho, um recorde negativo. De acordo com os dados divulgados pelo departamento de estatísticas da União Europeia (Eurostat), os 17 países que compõem o bloco da moeda comum registraram 18.002.000 desempregados – ou seja, uma taxa de 11,3%.

Em julho foram feitos novos 88 mil registros de pessoas desempregadas em relação a junho, mas o índice permaneceu praticamente estável. Já em comparação com julho do ano passado, a lista de desemprego tem a mais dois milhões de pessoas. Em toda a União Europeia, os índices de junho e julho permaneceram o mesmo, 11,4%

Há mais de um ano o número de desempregados vem aumentando na zona do euro. Especialistas alertam que, sem trabalho, a população passa a contar com menos recursos e, consequentemente, consome menos, o que afeta a conjuntura econômica dos países.

Grécia e Espanha

Na Espanha, desemprego em julho foi de 25,1%
Os dois países que registraram as piores taxas de desemprego na zona do euro foram Grécia e Espanha, ambos duramente atingidos pela crise da dívida. Em julho, 25,1% dos espanhóis não tinham um posto de trabalho – ou seja, uma em cada quatro pessoas – percentual maior do que os 24,8% registrados no mês anterior. Os últimos registros divulgados da Grécia, ainda em maio, mostravam um desemprego na casa dos 23,1%.

Também afetada pela crise, a Itália apresentou 10,7% de desemprego em julho. Já os melhores índices foram observados na Áustria (4,5%), na Holanda (5,3%), na Alemanha e na Bélgica (ambas com 5,5%).

A situação permanece preocupante quando se considera toda a UE. Quase 25,3 milhões de pessoas não têm um posto de trabalho no bloco, um aumento de 43 mil desempregados em apenas um mês. O número corresponde a uma taxa de 10,4%.

Ainda segundo o levantamento, os mais afetados são os jovens. Cerca de 22,6% da população da zona do euro com menos de 25 anos está desempregada, ou seja, quase 3,4 milhões de pessoas. Neste ponto também a Espanha apresenta os piores índices. Mais da metade dos jovens espanhóis (52,9%) encontram-se sem ocupação. Na Alemanha, onde foi registrado o menor desemprego entre jovens, o índice é de apenas 8,0%.

Extraído do sítio Deutsche Welle