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19 janeiro 2013

MALUF TERÁ QUE DEVOLVER US$ 28,3 MILHÕES À PREFEITURA DE SÃO PAULO - Daniel Mello


São Paulo - A Corte Real de Jersey fixou em US$ 28,3 milhões o valor que as empresas do ex-prefeito e deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) deve devolver à prefeitura de São Paulo. O montante (atualizado e com juros) refere-se aos valores desviados em um esquema de fraudes de 1997 a 1998. Segundo a sentença, o dinheiro foi enviado ao exterior por Flávio Maluf, filho do parlamentar, por ordem do pai. Em novembro do ano passado, a Justiça de Jersey condenou Maluf a devolver o dinheiro, mas sem definir os valores, que foram estipulados agora.

“Paulo Maluf foi parte da fraude, ao menos na medida em que em janeiro e fevereiro de 1998, ele e outros em seu favor receberam uma série de 15 pagamentos no valor total de R$ 13,5 milhões”, diz a sentença. “Flávio Maluf, sabendo da natureza desses pagamentos, sob as instruções de Paulo Maluf, acertou a transferência de ao menos 13 dos 15 pagamentos para fora do Brasil”, acrescenta o texto.

De acordo com o Ministério Público Estadual, ainda será fixado o valor a ser devolvido ao erário relativo às custas processuais e honorários advocatícios. O órgão estima que esse valor chegue a US$ 4,5 milhões.

Na ação, a prefeitura argumentou que o dinheiro, que está em contas no exterior de empresas da família Maluf, veio de propinas pagas em um esquema de fraudes para desvio de recursos durante a construção da Avenida Água Espraiada (atual Avenida Roberto Marinho).

No Brasil, Paulo Maluf responde, junto com mais dez réus, a uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro referente ao mesmo caso. O Ministério Público diz que a obra foi superfaturada, com custo final de R$ 796 milhões, e que boa parte do dinheiro foi enviada ao exterior por meio de doleiros.

Em nota divulgada na ocasião da condenação, em novembro de 2012, Paulo Maluf disse que a decisão da Justiça de Jersey não tinha embasamento legal. “Qualquer obra realizada em território brasileiro, se feita de forma irregular, o que não é o caso dessa, terá de ser julgada pela Justiça brasileira”, ressaltou. Maluf também negou que seja réu ou tenha contas bancárias na Ilha de Jersey, paraíso fiscal que faz parte do Reino Unido.

O deputado aponta ainda que já havia deixado a prefeitura de São Paulo no período das fraudes. “A sentença mostra claramente que os eventuais recursos citados na ação foram movimentados em janeiro e fevereiro de 1998, quando Paulo Maluf não era mais prefeito de São Paulo, já que seu mandato acabou em dezembro de 1996.”

Extraído do sítio Agência Brasil

22 junho 2012

ERUNDINA FAZ PT LEMBRAR DO PT ANTI-MALUF - Ricardo Kotscho

Crédito: Alexandre Moreira/AE
Em menos de uma semana, a ex-petista Luiza Erundina teve dois gestos de grandeza. Primeiro, ao aceitar entrar como vice na chapa do partido do qual tinha sido expulsa. Cinco dias depois, ao deixar o posto por discordar da forma como o PT fechou a aliança com o PP num pomposo beija-mão que levou Lula e Fernando Haddad à mansão de Paulo Maluf.

"É demais para mim", protestou Erundina, ainda na segunda-feira, ao ver as imagens do sorridente encontro nos jardins daquele que já foi o inimigo público número um do PT. Para quem conhece esta nordestina arretada de opinião própria, era previsível o desenlace, como comentei na mesma noite no Jornal da Record News.

Primeira prefeita eleita pelo PT em São Paulo, em 1988, Erundina derrotou e depois foi derrotada por Paulo Maluf ao tentar a reeleição. Para ela, mulher humilde e partidária, não tinha problema nenhum aceitar ser candidata a vice indicada pelo PSB para um cargo do qual já foi titular, mas subir num palanque de mãos dadas com Maluf era algo que sua dignidade não tolerava.

Foi isso o que ela comunicou ao presidente do partido, o governador pernambucano Eduardo Campos, sem dar margens para negociações. Com ela, não tem negócio: Erundina é do tempo em que tudo tinha limites.

Aos 77 anos, a deputada federal Luiza Erundina, que eu conheço e admiro desde os primórdios do PT, sabe que neste mundo poucos podem muito, a maioria não pode nada, ninguém pode tudo.

O jornalista Frederico Branco, um dos meus mestres na velha redação do "Estadão", me ensinou uma sábia lição, quando eu ia fazer alguma coisa errada: "Meu filho, tem coisa que pode e tem coisa que não pode". Simples assim.

Ficar de gracinha com Maluf, por exemplo, não pode. O problema com ele não é só de diferenças políticas e ideológicas. Acima de tudo, é moral e, mais do que isso, policial. Procurado pela Interpol em todo o mundo, acusado do desvio de milhões e milhões de dinheiro público, o dono da mansão não serve de companhia para quem passou a vida o denunciando.

Com seus gestos de grandeza em dois atos, Luiza Erundina lembrou ao PT de hoje dos tempos em que seus líderes chamavam o ex-governador e ex-prefeito cevado pela ditadura de "ladrão" e "nefasto", e a militância ia às ruas com as bandeiras vermelhas para denunciar as práticas do malufismo.

Mais parecendo um coadjuvante da sua própria campanha, o candidato Fernando Haddad, que nunca teve uma militância partidária, sentiu na própria pele ontem à noite os efeitos da entrada de Maluf e da saída de Erundina.

Logo após a desistência da candidata a vice, num encontro com militantes petistas na associação dos moradores de Vila Rica, na zona leste, segundo relato do repórter Bernardo Mello Franco publicado na "Folha" desta quarta-feira, o próprio Haddad deu a notícia no microfone : "A Erundina falou que vai nos apoiar, mas não vai ser mais a vice".

A frustração foi geral, como se pode constatar nas declarações de alguns militantes citados na matéria.

Josefa Gomes, 75, pensionista: "A gente fica muito decepcionada, né? O povo daqui ama a Erundina. Maluf, não, pelo amor de Deus".

Maria de Fátima Souza, 64, confeiteira: "Se for para perder a eleição, a gente tem que perder de cabeça erguida. Não com o Maluf. Eu sou limpa. Você acha que vou dar o braço a ladrão?"

Este é o PT velho de guerra, que pensa como Luiza Erundina, e nunca vai aceitar Paulo Maluf.

Em tempo: A deputada Luiza Erundina confirmou agora à tarde entrevista ao vivo no Jornal da Record News, comandado por Heródoto Barbeiro, que vai ao ar às 21 horas desta quarta-feira.

Correção: Como me alertaram os leitores, cometi um engano ao dizer que Erundina disputou a reeleição e perdeu para Paulo Maluf. Naquela época não havia reeleição. Quem disputou a sucessão de Erundina pelo PT, e acabou derrotado por Maluf, foi Eduardo Suplicy.


Extraído do blog Balaio do Kotscho

21 junho 2012

A DIREITA QUE NÃO OUSA DIZER SEU NOME - Luiz Marques

“Falo somente do que falo:
do seco e de suas paisagens”
João Cabral de Melo Neto

Francisco Weffort, ex-ministro da Cultura do governo Fernando Henrique Cardoso, utilizou um conceito religioso, “conversão”, para explicar a transição de José Sarney aos valores democráticos após servir à ditadura militar. O mesmo aplica-se ao ícone da corrupção brasileira, deputado federal Paulo Maluf. Ambos pertenceram aos quadros civis do autoritarismo de botas e converteram-se à democracia liberal, tornando-se apologistas da liberdade de expressão e organização, bem como críticos da prisão e da tortura de oposicionistas, coisa que antes apoiavam. Ao menos da boca para fora, diga-se de passagem. Numa palavra, fizeram-se adeptos das “regras do jogo”.



A conversão em questão, que aconteceu em escala nacional, foi condição para a consolidação de uma nova ordem social e política, sem fraturas na sociedade. Deu-se em toda a América Latina e, em um outro grau de tencionamento na história recente, na África do Sul. A Comissão da Verdade e outros órgãos do gênero criados para restabelecer a memória sobre o passado não confrontavam e não confrontam o processo de conversão. Buscam livrá-lo do manto do cinismo político que promoveu um eclipse na luta político-militante contra a usurpação da vontade geral pelos representantes fardados de verde-oliva das elites econômicas.

Pode-se classificar de oportunismo, mimetismo ou estratégia de sobrevivência a atitude desses personagens de infausta lembrança, remanescentes de um período repleto de barbáries. A adjetivação não muda o fato de que a redemocratização incorporou figuras emblemáticas do Mal, onde ocorreu a transmutação de regime político. No Brasil, no entanto, aqueles que travam um permanente combate às forças democráticas e progressistas usam a aproximação dos partidos políticos da centro-direita com a centro-esquerda a título de argumento para desqualificar a última, colocando o foco seletivo em líderes do obscurantismo para turvar as águas. Pura tergiversação. A intenção não é moralizar, é desmoralizar.

Devemos lamentar que a aliança do PT com o PMDB resulte em uma foto de Lula com Sarney. Idem, quando a aproximação com o PP em São Paulo conduz a uma foto de Lula e Maluf, embaralhando e confundindo biografias tão opostas em nome de uma “ética da responsabilidade” em relação ao futuro da cidade. Não devemos desconhecer, porém, que as coalizões envolvem estruturas partidárias e, no caso, mais 1 minuto e 35 segundos de propaganda televisiva na campanha eleitoral, o que pode ser decisivo à competitividade política nas urnas em uma sociedade de massas.

As circunstâncias obrigam a um pragmatismo para vencer as eleições e garantir a governabilidade na sequência, embora isso traga muitas confusões programáticas na consciência do eleitorado, em especial quando se estica em demasia o arco das alianças. Para alguns, tal significa o ocaso das ideologias e o fim da luta de classes. Na verdade, significa que os embates agora acontecem em uma realidade de alta complexidade, exigindo um discernimento maior e mais sutil.

O que chama a atenção em episódios tão inusitados é a reação dos “novos cães de guarda”, na expressão de Andrés Nin, retomada por Serge Halimi no Le Monde Diplomatique. Os jornalistas comprometidos com o status quo, sabujos do patronato e do neoliberalismo, cuja agressividade oculta um servilismo canino, exploram a contradição aparente para desacreditar a moral pública daqueles que defendem e desenvolvem em postos administrativos políticas contra as desigualdades sociais, de modo transparente e republicano.

Agem como se fotografias de Lula com Sarney ou Maluf deslegitimassem a vontade política anti-neoliberal em prol de uma mobilidade social que levou quase 40 milhões de pessoas (praticamente uma Argentina, uma Espanha, uma Bélgica) das classes E e D para as classes médias. Mantêm os olhos fechados à política de desenvolvimento sustentável e distribuição de renda, à expansão federal do ensino técnico e universitário, aos investimentos em infraestrutura e energia que modificaram o perfil sócio-econômico desse País.

O espanto da mídia comercial, encenado de forma teatral como Serra fez ao ser atingido por uma bolinha de papel, não é um convite à veritá effetuale (verdade efetiva das coisas). Não provoca uma reflexão sobre o Sistema de Representação Política em vigor, nem sobre os motivos que bloqueiam a Reforma Política no Congresso. Contenta-se com desgastar as instituições políticas, sem se questionar sobre a quem possa interessar partidos políticos enfraquecidos e sem respeitabilidade frente à opinião pública.

Não faltam então os chamados âncoras midiáticos para elogiar “a razão de Luiza Erundina” (PSB) ao renunciar à vaga de vice na chapa de Fernando Haddad (PT) na capital paulista. Ninguém se engane com a mise-en-scène. Seria interessante, a propósito, conhecer a “razão” desses comentaristas para fazer dia após dia a defesa do Estado mínimo com os chavões toscos do fracassado Consenso de Washington.

Como tantos, estou convencido de que a melhor crítica às coligações com figuras emblemáticas e deletérias da política tradicional é formulada pela esquerda que busca aliar-se sobretudo ao povo organizado. Em hipótese nenhuma, pela direita que não ousa dizer o seu nome nos meios de comunicação.

* Luiz Marques é professor de Ciência Política da UFRGS

Extraído do sítio Sul21

HIPOCRISIA... E OS ERROS DE LULA E ERUNDINA - Luiz Carlos Azenha


Primeiro, a hipocrisia.

Recorro ao texto do ex-ministro José Dirceu, em seu blog, que tratou dos que não poderiam criticar a aliança PT-PP:

“Menos o candidato do PSDB a prefeito, o ex-governador José Serra e certa imprensa. O postulante tucano à Prefeitura porque em sua campanha para o Planalto em 2010 recebeu muito feliz e sem questionar o apoio do mesmo PP e de Maluf e, não esquecer, o de uma parte do PMDB, a liderada pelo ex-governador Orestes Quércia. A imprensa porque se calou diante disso naquela ocasião. Isso quando não apoiou velada ou ostensivamente a aliança do serrismo com o malufismo e o quercismo.

José, tampouco, poderá atacar a aliança PT-PP porque Maluf apoia e integra o governo de seu companheiro tucano, o governador Geraldo Alckmin, ocupando, inclusive, um alto posto na administração, com o malufista Antônio Carlos do Amaral Filho presidindo a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado (CDHU). Tem mais: até poucas semanas atrás, o PP e seu líder Maluf tinham o silêncio, quando não o apoio dessa mesma mídia, enquanto mantinham entendimentos para uma coligação com o PSDB de José, um apoio que só perderam agora. De repente perderam esse apoio. Por quê? Por que será?”.

O jornal Valor Econômico chegou ao ponto de “descobrir” um documento mostrando que Maluf, quando governador biônico de São Paulo, cedeu as instalações para a Operação Bandeirante, que torturou presos na rua Tutóia. Isso de um jornal que é resultado de uma sociedade entre as Organizações Globo — o maior filhote da ditadura — e o Grupo Folha, que deu apoio material a torturadores.

No mesmo post, José Dirceu também adverte:

“Vamos com calma, então, com esse andor. Petistas e aliados, por favor, sem esquecer que o foro mais adequado para debater e buscar a solução dessa questão é a coordenação e a direção política da aliança e da campanha do Fernando Haddad. Deflagrar um debate em torno disso em público e pela mídia é dar chumbo ao adversário”.

O problema com este raciocínio de Dirceu é que centenas de milhares de paulistanos, que não se renderam ao antipetismo midiático, viram no episódio da visita de Lula a Paulo Maluf não uma adesão do malufismo ao PT, mas uma adesão do petismo a Maluf.

Primeiro, pela forma, que na era das imagens conta muito. Maluf afagou a cabeça de Fernando Haddad, numa cena tão forte e simbólica que poderia ter sido produzida pelos marqueteiros de José Serra.

Segundo, pelo conteúdo. Nas declarações que deu durante e depois do evento, Maluf fez parecer que o PT tinha aderido ao malufismo. Para não melindrar o anfitrião, os petistas falaram apenas em não olhar pelo retrovisor.

Errou, portanto, o ex-presidente Lula. O minuto e meio que Maluf acrescenta na propaganda de TV de Haddad vai sair a um custo altíssimo, sem contar que os malufistas vão todos votar em José Serra.

Como escreveu o Roberto Locatelli, em comentário neste blog: “O problema de se abraçar ao diabo é que ele leva ao inferno”. “De fato”, escrevi, ao concordar com ele.

Finalmente, não acredito que Luiza Erundina tenha errado ao deixar a chapa. Ela sabia da aliança com Paulo Maluf mas, como alega, pode de fato ter sido pega de surpresa pelo espetáculo da adesão de Maluf à campanha do PT — ou do PT a Maluf, que foi como a mídia vendeu o peixe.

Se achou inaceitável o que viu, fez bem em desistir de formar a chapa.

Mas Erundina errou na forma. Logo ela, que sempre foi crítica dos meios de comunicação, usou e se deixou usar por eles — da Veja ao Globo, da Folha ao Estadão — para atacar aqueles dos quais se diz aliada.

Com um aliado destes, ninguém precisa de adversário.

Extraído do sítio Viomundo

20 junho 2012

ERUNDINA DESISTE DE SER CANDIDATA A VICE DE HADDAD EM SÃO PAULO - Piero Locatelli

Haddad ao fundo, Lula e Maluf na casa do deputado federal, nesta segunda-feira 18. Foto: Rodrigo Coca/Fotoarena/Folhapress
A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), anunciada na semana passada como candidata a vice-prefeita de São Paulo na chapa de Fernando Haddad (PT), desistiu de participar da disputa. A decisão foi tomada nesta terça-feira 19 após reunião, em Brasília, entre Erundina e integrantes da cúpula do PSB. Também ficou certo que o PSB não vai mais indicar o candidato a vice na chapa de Haddad.

“O PSB continua na composição da chapa junto com o PT, mas infelizmente a deputada Luiza Erundina desistiu da candidatura”, declarou o presidente da legenda, Eduardo Campos. “O PSB abre mão de indicar o vice na chapa. Quem vai decidir agora é Fernando Haddad e o PT.”

Em evento no fim da tarde na zona leste da capital paulista, Haddad lamentou a decisão de Erundina e negou que arrependimento pela aliança com Maluf. “Ninguém queria que isso acontecesse (a saída do PSB como vice). Da minha parte, agi com total transparência, sem nenhum tipo de constrangimento”, declarou.

É possível que este cargo fique com o PCdoB, mas, de acordo com o presidente nacional da legenda, Renato Rabelo, nenhum convite oficial foi feito. “O PCdoB ainda não decidiu se vai fechar aliança com o PT nas eleições municipais, portanto não faz sentido falar em indicação de vice”. O PCdoB ainda mantém a pré-candidatura de Netinho de Paula, embora o partido continue a negociar tanto com o PT quanto com o PMDB de Gabriel Chalita.

A decisão foi tomada por Erundina depois que o PP, de seu antigo rival Paulo Maluf, confirmou apoio à candidatura de Haddad. A aliança foi anunciada com pompa na casa de Maluf, em cerimônia que contou com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A posição de Erundina causou polêmica na segunda-feira 18. Em entrevista publicada pelo site do jornal O Globo no início da noite de segunda, Erundina deu a entender que estava fora da campanha de Haddad pois não aceitava a aliança com Maluf. Na entrevista, a deputada disse que a situação era muito constrangedora. “Vou conversar com o meu partido. Meu partido tem outros nomes, não tem problema nenhum. Mas eu não aceito”.

Na manhã desta terça-feira, a rádio Brasil Atual publicou entrevista com Erundina na qual ela dizia uma outra coisa. Erundina lamentava a aliança com Maluf, mas dizia que a candidatura estava confirmada. “Não sou de recuar. Vou manter a decisão, porque é uma decisão partidária. Vou me empenhar e fazer o melhor que puder para dar minha contribuição, mas vou procurar demarcar campos. De um lado está o seu Maluf; de outro lado estaremos nós e os setores da sociedade que não concordam, ao meu ver, com essa aliança”, disse Erundina.

Com a entrevista à rádio, ficou a impressão de que Erundina havia, durante a noite, modificado sua posição. Nesta terça, a rádio Brasil Atual esclareceu que a entrevista de Erundina, na verdade, foi ao ar ao vivo às 16 horas de segunda-feira (e reproduzida na manhã desta terça), portanto antes de ela falar ao jornal O Globo. Assim, prevalecia a última posição de Erundina, aquela dada ao jornal O Globo, de que não queria mais ser candidata ao lado de Haddad.

A postura de Erundina nesta semana causou estranheza. Na semana passada, ela aceitou sua candidatura a vice quando já se tinha conhecimento da possibilidade de aliança entre o PP e o PT. Na ocasião, ela disse que Maluf não pautaria o projeto político da coligação. “Ele não é prefeito nem vice-prefeito. Quem vai governar conosco é o povo”.

Líderes do PT e do PSB dizem que as declarações de Erundina foram uma surpresa e que ela não falou diretamente aos partidos sobre a sua posição. Em entrevista à Band na noite de ontem, Haddad disse que ainda não havia falado com ela e a procuraria para mantê-la na chapa.

Extraído do sítio CartaCapital

O ACORDO LULA-MALUF - Rui Martins


Berna (Suiça) - Embora eu tenha operado as amígdalas e, recentemente, tenham me tirado a vesícula biliar, há uma coisa que não consigo fazer – é engolir sapo. E talvez, por isso, termine os poucos anos que me restam de militância como apartidário.

Ainda na semana passada, quando o ministro do Trabalho, neto do velho combatente Brizola, passava por Genebra, na Organização Internacional do Trabalho, um amigo tinha organizado uma feijoada com os companheiros do PT e me convidou não só para participar do encontro, como para aderir ao partido.

E eu, com aquela sinceridade e maneira direta capaz de chocar algumas pessoas, agradeci mas declinei da oferta: “meu caro, desde o dia em que deixei a igreja, prometi a mim mesmo, nunca mais pertencer a igreja ou partido. Nem acreditar em deus, seja qual for, e muito menos em líderes humanos, mesmo porque, no fundo sou um rebelde e nunca aceitaria ter de aceitar uma decisão com a qual não concorde”.

Faz dez anos, perdi meu emprego como correspondente europeu da CBN por ter insistido em malhar o ex-governador na época da ditadura e ex-prefeito Paulo Maluf, naquela questão das contas bancárias suíças. Escrevi mesmo um livro sobre esse caso, contando a sucessão de meus boletins a Heródoto Barbeiro, dando número do processo penal na Polícia Federal suíça, por suspeita de desvio de dinheiro público depositado em diversas contas sob nomes diferentes.

Nesse livro, (“Dinheiro Sujo da Corrupção”, Geração Editorial) havia uma frase profética, um dom do qual não consegui me livrar: “Mas pode também não acontecer nada com Paulo Maluf e sua família – bastará para isso que os processos instaurados no Brasil terminem sem condenação ou sejam derrubados por falhas ou vícios processuais ao chegarem ao Supremo Tribunal Federal”.

Realmente, as contas de Maluf bloqueadas na Suíça logo serão desbloqueadas, pois até hoje não houve condenação brasileira e nem haverá. E a família Maluf receberá de volta com juros todos os milhões que, há alguns anos, provocavam tantas denúncias na mídia e revolta na população.

Entretanto, jamais poderia imaginar que no ano da criação da Comissão da Verdade, aconteça igualmente uma reabilitação política de Paulo Maluf de maneira clara e escandalosa como a ocorrida, sendo oficiante o ex-presidente Lula, a quem tenho apoiado, para tentar dar corpo à candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo.

Lembro-me do valoroso herói bíblico, Sansão, que perdeu todas suas forças ao lhe cortarem os cabelos. Será que Lula sem barba é outro Lula, diferente daquele que vi pessoalmente no Itamaraty, no encontro dos emigrantes, ou daquele diante do qual se puseram de pé, acho que há três anos, os representantes dos países membros da OIT no grande auditório do Palácio das Nações ?

Por que jogar numa aventura paulistana, fadada à derrota, seu prestígio, ao aceitar um acordo eleitoral com Paulo Maluf ? Não posso ser político porque não engulo sapo, não posso ser diplomata porque não sei mascarar meus sentimentos. Falo como jornalista e como cidadão, para externar minha decepção. Por que trazer um desconhecido dos paulistanos, quando Erundina, ex-prefeita, teria muito mais chances e não seria necessária uma aliança com Maluf ?

E, folheando meu livro, já esgotado, achei um episódio precedente - "a frase "indiciado não é culpado", de Ruy Falcão, (na época porta-voz da ex-prefeita paulistana Marta Suplicy, hoje dirigente do PT), justificando o apoio malufista, nada tinha de escandalosa... ela se integrava na antologia oportunista da política brasileira... ". Maluf já havia recebido o apoio do PT, no segundo turno da candidatura de Marta Suplicy.

Escrevo este comentário para tornar pública minha decepção e que é, sem dúvida, de outros tantos paulistas e brasileiros, diante dessa coligação desnecessária. Não voto em São Paulo, ainda bem, porque não aceitaria participar dessa farsa.

Desculpe-me companheiro Lula, continuo admirando sua gestão como presidente, mas ninguém é perfeito, mesmo os grandes líderes erram, felizmente podemos divergir.

Parabéns Erundina por não ter aceitado participar dessa aliança.


Extraído do sítio Direto da Redação

MALUF E O PRAGMATISMO ELEITORAL - Altamiro Borges


Até domingo, Paulo Maluf era uma figura esquecida pela mídia. Ninguém falava sobre a presença do seu partido, o PP, no governo tucano de São Paulo nem de suas tratativas para apoiar José Serra. De repente, ele virou manchete dos jornalões e destaque nas telinhas. Os "calunistas" da mídia ficaram excitados! Bastou sair na foto junto com Lula e Fernando Haddad, dando apoio ao petista na disputa para a prefeitura paulistana.

A guinada de Maluf revela o grau de pragmatismo que contamina a política brasileira. Ele mesmo justificou sua abrupta mudança teorizando que “não existe mais esquerda e direita”. Puro oportunismo! Na prática, o líder do PP procura viabilizar eleitoralmente sua legenda e cavar mais espaços no concorrido quadro partidário brasileiro – ampliando suas vagas nos palácios do Planalto e dos Bandeirantes!

Guinada de forte impacto

Este pragmatismo tem forte impacto eleitoral. Não é para menos que a decisão de Maluf abalou os vários comandos de campanha – e não apenas o de Fernando Haddad. Conforme registrou o sítio Terra Magazine, o apoio do PP ao petista caiu como bomba no já conflagrado ninho tucano. Vale conferir a reportagem da jornalista Marina Dias:

O presidente estadual do PP em São Paulo, deputado federal Paulo Maluf, anunciou no início da tarde desta segunda-feira (18) o apoio oficial de seu partido à candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura da capital paulista. Enquanto petistas comemoram a aliança, que trará 1 minuto e 35 segundos a mais ao programa eleitoral gratuito do PT, o tucano José Serra culpa Geraldo Alckmin por ter, nas palavras de interlocutores, “deixado Maluf escapar”.

Segundo aliados, que pedem reserva quanto a seus nomes, Serra está “muito irritado” com o governador, que havia garantido o apoio do PP à candidatura tucana. “Serra acha que Alckmin acertou com Maluf para 2014 e não se esforçou muito, digamos assim, para este ano”, explica um cardeal do PSDB. “Ele (Serra) acredita que Alckmin deixou Maluf escapar, não segurou o PSB, e ainda teve a história do PR… o PR foi Kassab que trouxe”, completa.

O grupo paulista do PP estava muito próximo de fechar com Serra, já que integra a base de Alckmin. Essas negociações, porém, começaram a azedar nas últimas semanas, depois que o governador se recusou a ceder a Secretaria de Habitação do Estado ao PP. Por outro lado, Maluf conseguiu emplacar um de seus aliados na Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, cargo negociado com a presidente Dilma pelo ministro da pasta, Aguinaldo Ribeiro (PP).

O escarcéu da mídia demotucana

O grosso da mídia, por razões óbvias, evita tratar dos traumas no ninho tucano. Prefere fazer escarcéu com os constrangimentos gerados nas hostes petistas. A senadora Marta Suplicy, que não estava lá muita engajada na campanha de Haddad, já disse que não aceita o apoio de Paulo Maluf. A deputada Luiza Erundina, a “vice dos sonhos” do petista, também ameaça deixar a chapa. Já os setores do PT sempre refratários à política de alianças também se dizem chocados com a foto de Lula, Haddad e Maluf.

Do ponto de vista político, a coligação com o PP malufista é um desastre. Ela representa mais uma perda de identidade ideológica e desmotiva a militância petista. Confirma o reinado do pragmatismo exacerbado. Já do ponto de vista eleitoral, ainda é cedo para avaliar o seu impacto. Fernando Haddad ganhou mais um minuto e 35 segundos na rádio e televisão numa campanha que é cada vez mais midiática. O petista também procura superar o patamar do partido nas últimas eleições, atraindo setores de centro e direita.

Pela reação de José Serra e da sua mídia, a jogada foi de alto risco político, mas incomodou. A equação eleitoral não é tão simples assim. Só o tempo dirá se o pragmatismo exacerbado será bem sucedido.

Extraído do Blog do Miro