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27 março 2013

BRICS: A NOVA REVOLUÇÃO MUNDIAL - Mauro Santayana

(HD) - Começou ontem, e se encerra hoje, em Durban, na República Sul-Africana, a quinta Cúpula Presidencial dos BRICS - aliança que une o Brasil à Rússia, Índia, China e África do Sul.


Durante o encontro, como estava previsto, se realiza um fórum, sob o tema “BRICS e África - Associação para a Cooperação, Integração, Industrialização e Desenvolvimento”, com a participação dos líderes, convidados, de 20 países do continente.

De acordo com a imprensa sulafricana, já foi aprovada pelos chefes de Estado, e será destaque na Declaração Conjunta que será divulgada hoje, a criação de um Banco de Desenvolvimento para os BRICS, nos moldes do Banco Mundial, com capital inicial de 50 bilhões de dólares; um acordo de swap no valor de 100 bilhões de dólares, para empréstimo conjunto de recursos em caso de crise, nos moldes do que faz o FMI; e uma troca de moedas entre o Brasil e a China, por três anos, em valor equivalente a 30 bilhões de dólares por ano. A providencia garantirá o comércio de mercadorias, bens e serviços em moeda local, para ficar a salvo de eventuais flutuações da moeda norte-americana.

China e o Brasil são, hoje, respectivamente, o primeiro e o terceiro credor individual externo dos EUA. Os países BRICS detêm, em conjunto, 4,5 trilhões de dólares em reservas internacionais, ou 40% do total do mundo.

Com a criação do seu próprio banco de fomento, eles estão dizendo ao ocidente que se cansaram de esperar por reformas no Banco Mundial e no FMI, que lhes dessem poder equivalente nessas instituições, conforme o peso de seus recursos financeiros, sua população, seus territórios, mercados, recursos naturais, e dimensão geopolítica.

Como ocorreu com o G-8, que se tornou uma sombra do que era antes, após a criação do G-20 - com a decisiva participação do Brasil - o FMI e o Banco Mundial poderão minguar sua já decrescente importância na nova ordem multipolar no mundo do século XXI.

Findou o tempo em que os países mais pobres tinham de ir aos EUA mendigar recursos para infraestrutura ou enfrentar crises geradas, como a atual, nas entranhas do descontrolado ultra- capitalismo.

A partir de agora, eles terão outros interlocutores a procurar, em Brasília, Moscou, Nova Delhi, Pequim ou Pretoria, e não apenas em Washington, Londres ou Berlim.

O Brasil, com a soja resistente à seca da Embrapa, a mais produtiva cana de açúcar e o melhor gado tropical do mundo, suas construtoras e seus programas de combate à miséria e à fome, aliado à China, com seus gigantescos recursos financeiros, e aos russos e indianos, pode mudar, em poucas décadas, o futuro da população africana.

Basta que, para isso, não cometamos os mesmos erros e os mesmos crimes do arrogante colonialismo ocidental, o mesmo que, depois de tantos séculos de espoliação e violência, acabou por nos reunir no BRICS.

20 fevereiro 2013

IMBECEO, A PRAGA DO NEOLIBERALISMO QUE FAZ A ALEGRIA DA GRANDE MÍDIA E DOS MERCADOS DE CAPITAIS - Glauco Cortez


As grandes empresas não têm mais hoje o presidente ou o dono da empresa. Com o mercado de ações e a pulverização das participações das grandes empresas, os controladores profissionalizam a gestão e contratam um executivo que será o presidente ou uma espécie de principal executivo. Ele é denominado atualmente de CEO (acrônimo de Chief Executive Officer). A função dele é aumentar a lucratividade dos acionistas, verdadeiros donos, que fazem parte do conselho de administração.

Nessa situação não é difícil o CEO se tornar um Imbeceo, que é a nova praga do capitalismo de mercado de capitais. O imbeceo é uma espécie de executivo ignorante, é o imbecil do neoliberalismo. O Imbeceo faz a empresa crescer extraordinarimente em pouco tempo, mas provoca danos nos parceiros, trabalhadores e consumidores. Mais que isso, pode quebrar a economia dos países como ocorreu nos Estados Unidos e Europa em 2008. Protegido pela grande mídia, o imbeceo se prolifera nas grandes empresas.

Ele atua como uma erva daninha tentando prejudicar tudo e todos para tirar o maior lucro possível e impossível, independente das consequências. E isso pode ser feito massacrando funcionários e colaboradores, falsificando produtos, baixando a qualidade ao máximo, fazendo publicidade enganosa, alterando quantidade de produtos, comprando governos e funcionários públicos.

Tudo vale para se tornar o executivo que aumentou a lucratividade, ganhou enormes bônus e ficou conhecido no meio empresarial. O problema são as consequências para a população e para as economias dos países. Produtos de baixa qualidade, recall, contaminações e todo tipo de degradação tendem a se intensificar com os imbeceos.

Extraído do sítio Educação Política

17 fevereiro 2013

G20 REJEITA GUERRA CAMBIAL E ADIA ACORDO SOBRE DÍVIDAS

A reunião dos ministros das Finanças do G20 foi encerrada neste sábado, 16 de fevereiro de 2013, em Moscou. Reuters

G20 promete não iniciar uma guerra cambial e adia a adoção de novos objetivos de redução de dívidas. Essas foram as principais decisões tomadas pelos ministros das finanças das 20 principais economias do mundo no final da reunião de dois dias em Moscou.

No comunicado final do encontro do G20, realizado em Moscou, os representantes das 20 maiores potências econômicas mundiais se declararam contrários a qualquer tipo de guerra cambial. As declarações têm em vista o receio gerado por políticas econômicas do Japão, que recentemente desvalorizou sua moeda para socorrer seus exportadores. Desde novembro, o ien já caiu 20%. O texto, porém, não cita o país claramente, o que aumenta as chances de continuidade dessa política.

As autoridades econômicas mundiais afirmaram ainda que resistirão a toda forma de protecionismo e manterão seus mercados abertos. Os representantes também se comprometeram a efetuar reformas ambiciosas e coordenadas. Entre essas, está a reforma que deverá construir um sistema financeiro mais elástico e mudanças estruturais.

De acordo com o comunicado, as economias mais avançadas também irão desenvolver estratégias fiscais em médio-prazo que serão anunciadas em São Petersburgo durante a cúpula dos líderes do G20 em setembro.A adoção de novos objetivos de redução de dívidas também foi adiada por causa da persistência da fragilidade da conjuntura mundial.

Na presidência do grupo em 2013, a Rússia declarou entre seus principais objetivos o desenvolvimento de medidas para um crescimento global sustentável, inclusivo e balanceado, além da criação de postos de trabalho.

Extraído do sítio RFI

15 fevereiro 2013

OS BILIONÁRIOS E A FOME NO MUNDO - Marcus Eduardo de Oliveira

De acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg, o mexicano Carlos Slim, dono de negócios no ramo de telecomunicações em 18 países, com uma fortuna avaliada em US$ 78,4 bilhões, é o maior bilionário do planeta. 


Depois dele, vem o cofundador da Microsoft, o norte-americano Bill Gates, com fortuna de US$ 65,8 bilhões, seguido pelo espanhol Amancio Ortega, fundador do grupo têxtil Inditex, dono da marca Zara, com US$ 58,6 bilhões. A soma dessas três maiores fortunas atinge US$ 202,8 bilhões.

Pelo lado dos brasileiros, os quatro maiores bilionários são: Jorge Paulo Lemann, investidor controlador da Anheuser-Busch InBev, maior cervejaria do mundo, com fortuna avaliada em US$ 19,6 bilhões. Em segundo lugar vem o banqueiro Joseph Safra, com patrimônio de US$ 12 bilhões. O terceiro e quarto lugares, respectivamente, ficam com Dirce Camargo, herdeira do grupo Camargo Correa, com fortuna estimada em US$ 14,1 bilhões e, com o empresário Eike Batista, com fortuna avaliada em US$ 11,4 bilhões. A soma das fortunas desses quatro maiores bilionários brasileiros atinge a cifra de US$ 57,1 bilhões. Já a fortuna somada desses sete "imperadores do dinheiro” chega a US$ 259,9 bilhões.

De um lado, rios de dinheiro; do outro, um oceano de tristeza e miséria evidenciada pela fome e subnutrição que atinge, segundo dados da FAO (Fundo para a Agricultura e Alimentação), 1 bilhão de pessoas no mundo. Os que todos os dias tem estômagos vazios e bocas esfaimadas são 14% da população mundial, um entre seis habitantes.

Com US$ 44 bilhões (17% da fortuna dos 7 bilionários citados) resolveria o problema desse 1 bilhão de famintos espalhados pelo mundo. O drama da fome é tão intenso que dizima uma criança com menos de cinco anos de idade a cada minuto. Isso mesmo: uma criança menor de 5 anos morre a cada 60 segundos vítima da falta de alimentos em seus estômagos. Isso porque estamos num mundo em que a produção de grãos (arroz, feijão, soja, milho e trigo) seria suficiente para alimentar mais de 10 bilhões de pessoas.

Somente o Brasil, terceiro maior produtor de alimentos do mundo, atrás apenas dos EUA e da China, verá sua safra de grãos aumentar em mais de 20% na próxima década. No entanto, essa ignomínia chamada fome vai derrubando corpos inocentes ao chão também em nosso pedaço de terra. A situação aqui não é muito diferente da mundial. Em meio às controvérsias em torno do real número de famintos (50 milhões para a FGV, 34 milhões para o IBGE e 14 milhões de pessoas para o governo federal) a fome oculta (caracterizada pela falta de vitaminas e minerais que afeta o crescimento físico e cognitivo, bem como todo o sistema imunológico) atinge 40% das crianças brasileiras. No mapa mundial da subnutrição, estamos na 27ª posição, com 9% da população.

Em pleno século 21, num mundo em que a tecnologia desenvolve técnicas apuradíssimas para clonar tudo o que bem entender, a fome mata atualmente mais pessoas do que a Aids, a malária e a tuberculose juntas. Numa época em que o dinheiro corre solto pelos cassinos e praças financeiras em busca de lucro e especulação, a Syngenta, multinacional suíça da área agrícola, investe todos os anos a importância de US$ 1 bilhão em pesquisas agrícolas, mas fecha as mãos para a ajuda internacional aos famintos.

Nunca é demasiado lembrar que habitamos um mundo em que o custo diário para alimentar uma criança com todas as vitaminas e os nutrientes necessários custa apenas 25 centavos de dólar. Contudo, em decorrência da desnutrição crônica, cerca de 500 milhões de crianças correm risco de sequelas permanentes no organismo nos próximos 15 anos. De acordo com a ONG (Salvem as Crianças), a morte de 2 milhões de crianças por ano poderia ser prevenida se a desnutrição fosse combatida.

Mas, poucas são as mãos levantadas em prol dos famintos do mundo. A preocupação dos "Imperadores do Mundo” é outra. Refresquemos a memória em relação a isso: em apenas uma semana os líderes das maiores potências do planeta "fizeram” surgir 2,2 trilhões de dólares (US$ 700 bilhões nos Estados Unidos e mais US$ 1,5 trilhão na Europa) para salvar instituições bancárias no auge da crise econômica que se abateu (e ainda vem se abatendo) sobre as mais importantes economias mundiais desde 2008.

Se a preocupação fosse salvar vidas de desnutridos, incluindo a vida de 900 mil crianças no mundo (30% delas residentes em Burundi, Congo, Eritréia, Comores, Suazilândia e Costa do Marfim), esses mesmos "imperadores” tirariam dos bolsos a importância de US$ 25 milhões por ano, que é o custo estimado para salvaguardar com nutrientes esse contingente de crianças até 2015.

* Marcus Eduardo de Oliveira é economista, professor e especialista em Política Internacional pela Universidad de La Habana - Cuba.

Extraído do sítio Portal Vermelho

14 fevereiro 2013

CAPITALISMO GLOBAL BUSCA UM NOVO "PAPADO" - Saul Leblon


Passados cinco anos de implosão da ordem neoliberal, o sistema capitalista está longe de dizer 'habemus papam'. 

Entre a austeridade imposta à Europa e a liquidez contracíclica dos EUA, seus cardeais ora parecem hesitar, ora ganhar tempo. 

Nesta 4ª feira (13), os dois lados da crise transatlântica convergiram para um meio fio que os elucida mais que todas as palavras e aparências. 

A ideia é criar um grande 'nafta' europeu/norte-americano, 'equivalente à metade da produção mundial' (leia a reportagem de nosso correspondente em Londres, Marcelo Justo).

Labirínticos acordos de eliminação recíproca de tarifas e outras formas dissimuladas de protecionismo (legislações sanitárias, por exemplo) terão que ser vencidos para o desfecho da crise redundar nessa imensa 'pátria grande dos livres mercados'.

A bandeira motivacional é defender ambas as margens do avanço implacável da concorrência chinesa.

Do ponto de vista social significa algo do tipo: façamos com o emprego, a indústria, a agricultura e os serviços aquilo que a concorrência oriental faria de qualquer jeito. 

O relevante nesse aceno do consistório conservador é o fato de dobrar a aposta na mesma lógica que jogou a humanidade na pior crise desde os anos 30.

O papel reservado a governos e Estados no processo é o de sempre. E estrito: desregular, desbastar, escalpelar direitos, abrir espaços, pavimentar as free ways para o livre fluxo dos capitais e negócios. 

E seja o que Deus quiser.

O combustível da corrida é o apetite canibal dos capitais, aguçado pela dieta da crise. Fusões e aquisições pipocam diariamente nos quatro cantos do planeta. O canibalismo é induzido pelas inovações tecnológicas assadas em fogo alto nos laboratórios das corporações, que tem escala e capital para isso.

De novo: 'e seja o que Deus quiser'.

Externalidades como o custo adicional em pobreza e desigualdade, ademais da soberania dos povos, ficam a cargo do poder de ajuste e convencimento dos respectivos centuriões locais.

Aécios Neves estão, como sempre estiveram, disponíveis nas mais remotas latitudes. 

Sua caixa de ressonância midiática, idem. 

Há poucos dias a banca europeia fechou a conta de seu desempenho em 2012: 55 mil demissões. 

A pátria sem fronteiras dos acionistas aplaudiu.

Ajustes e aplausos equivalentes ocorrem em todas as áreas e nos diferentes pontos cardeais do planeta, mediante a exibição de números equivalentes.

A república dos dividendos gostaria que algo parecido acontecesse com a Petrobrás no Brasil. Cortes; redução drástica de conteúdo nacional nas encomendas; bombeamento maciço de óleo para exportação; zero de novas refinarias. E por aí afora.

Um feérico exercício de musculatura está em marcha urbi et orbi.

Dele emergirá o novo papado. A nova ordem pós-crise.

Não a dos cardeais europeus da fé ortodoxa; nem a dos discursos bonitos do cardeal Obama. 

Mas a das corporações globais embaladas em acirrada disputa pelo controle dos mercados no pós-crise. 

O efeito em cadeia dessa recomposição de massa muscular é imaginável.

Contrapor-se à modelagem unilateral do futuro requer alguns ingredientes estratégicos. 

Facilita muito dispor de um mercado interno de massa, assim como de uma base industrial capaz de competir por um naco do século 21. Aeticulaçoes regionais , como a do Mercosul e a da Unasul, idem.

Mas nada acontecerá sem um imperativo de desassombro político insubstituível: restituir algum nível de comando do Estado sobre a economia e o mercado.

A extensão dessa ordenação pública depende da equação política de cada sociedade

É o que o Brasil de Dilma, a Argentina, de Cristina, a Venezuela de Chávez e Maduro, a Bolívia e o Uruguai tentam implementar, de acordo com o acumulo de forças interno caso a caso.

Não é fácil.

Estados egressos de décadas de desmonte neoliberal não foram suficientemente regenerados.

Mesmo por que não se trata simplesmente de reeditar o estatismo autoritário.

É preciso ir além.

E criar espaços de socialização do planejamento público, possibilidade concreta sinalizada pelas conferências setoriais, realizadas no governo Lula.

Na realidade concreta, porém, improvisa-se. 

Da mão para a boca; na tentativa de manter a cabeça fora d'água. E resgatar alguma capacidade de comando sobre o destino econômico e social.

Avanços e hesitações compõem a norma nessa corrida.

Um episódio resume todos os demais.

O governo Dilma acaba de redefinir a margem de retorno dos projetos de infraestrutura oferecidos à iniciativa privada.

O capital privado tem caixa e interesse em investir e o país necessita, visceralmente, desse investimento complexo de longo prazo. 

O governo Dilma reajustou a taxa de retorno original considerada baixa pelo mercado. 

Não renunciou à prerrogativa de planejar o país e definir os projetos prioritários a serem implementadas, ademais de fixar o seu prazo, a qualidade e a taxa de retorno correspondente.

Mas cedeu um percentual maior na remuneração do investimento.

Poderia ter feito diferente?

Poderia, em tese.

Por exemplo, ter confiscado o caixa ocioso das empresas com uma brutal taxação sobre a aplicação financeira.

Em teoria. 

Na prática, a equação política permitiu outra solução: previamente o espaço de fuga do capital ocioso foi comprimido cortando-se significativamente a taxa de juros que serviria de abrigo confortável e seguro à liquidez e ao curto prazo. 

O saldo é quase o mesmo, a um custo futuro maior de tarifa pública; a fricção política, menor.

Ambas as escolhas refletem os ares do mundo.

Vive-se uma corrida contra o tempo. 

O governo Dilma não escapa ao tique-taque implacável dos ponteiros.

Ou o país desencadeia um novo ciclo de investimentos pesado com algum grau de racionalidade pública - o maior possível; ou a lógica selvagem das grandes corporações acabará modelando o futuro brasileiro no pós-crise.

A esquizofrenia midiática que acusa Dilma ora de intervencionista, ora de privatizante 'à la FHC', abstrai as variáveis estratégicas em jogo. Omite as implicações sociais distintas entre um desfecho e outro.

Na verdade, o papado de sua preferência é conhecido.

Abortado por Lula na primeira tentativa, quem sabe o país não pega o segundo bonde da 'nova grande nafta', preconizada pelos EUA e a UE como saída para a crise?

É esse o jogo de forças do consistório em marcha. 

Diante dele os países em desenvolvimento tem que articular a sua melhor resistência, no menor tempo possível.

Ou serão asfixiados pela fumaça que anunciar o 'habemus papam' do novo ciclo.

Extraído do sítio Carta Maior

12 fevereiro 2013

ALEMANHA ACREDITA QUE O PIOR DA CRISE ECONÔMICA GLOBAL JÁ PASSOU


Relatório do Ministério da Economia afirma que indicadores mundiais são positivos e que país recuperará crescimento em 2013.

O governo alemão acredita que a economia mundial já chegou ao fundo do poço, após analisar os sinais positivos mostrados pelos principais indicadores macroeconômicos, e confia em uma rápida recuperação do crescimento na maior economia europeia.

Assim assegura nesta segunda-feira (11/02), em seu relatório mensal, o Ministério da Economia, que assinala que o "ponto mais baixo da fase débil da economia global parece já ter sido deixado para trás", defendendo que os "indicadores conjunturais internacionais voltam a enviar sinais positivos".

O documento prevê, além disso, uma pronta recuperação da economia alemã, após ter sido superada a fase de "crescimento débil", que começou no último trimestre do ano passado.

"As possibilidades de uma recuperação do crescimento na Alemanha ao longo deste ano subiram", argumenta o texto do Ministério da Economia.

O governo da chanceler Angela Merkel estima que a economia alemã se beneficiará rapidamente "da estabilização do contexto internacional", com a melhora da situação na eurozona - ainda em uma "suave recessão" -, a resolução parcial dos problemas fiscais nos EUA e a recuperação dos países emergentes liderados pela China.

Este contexto menos turbulento, argumenta o relatório, repercute positivamente nos mercados financeiros e na economia real, devolvendo parte da confiança perdida "nas perspectivas econômicas a empresas e consumidores".

Berlim espera que o crescimento econômico nacional se sustente este ano em grande medida no consumo interno, já que as exportações, principal ponta de lança da economia nacional, vão continuar afetadas pela crise global.

A Alemanha envia 40% de suas exportações para a eurozona - e assim a crise da dívida soberana no sul do bloco econômico a afeta notavelmente -, 20% para o resto da União Europeia e 40% a terceiros países.

Extraído do sítio Opera Mundi

08 fevereiro 2013

TRABALHO FORÇADO PERSISTE POR FALTA DE SANÇÕES SEVERAS, DIZ OIT - Caroline Sarres

Brasília – O trabalho forçado no mundo ainda é possível porque a maioria dos países não adota sanções suficientemente severas para impedir a prática, diz a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em relatório preparatório para uma reunião sobre o tema, que será realizada neste mês em Genebra, na Suíça.


Na reunião, a OIT discutirá possíveis medidas para complementar as convenções 29, sobre trabalho forçado, e 105, sobre a abolição do trabalho forçado. O Brasil é signatário de ambos os acordos. Atualmente, há quase 21 milhões de pessoas em situação de trabalho escravo, dos quais a maioria são mulheres, tanto crianças quanto adultas (11,4 milhões).

"Ainda que a maioria dos países tenha adotado uma legislação que penaliza o trabalho forçado, a sanção nem sempre é suficientemente severa para ter um efeito dissuasivo, pois, em alguns casos, limita-se a multas ou a penas de prisão demasiado breves", ressalta o relatório. 

Segundo a OIT, a iniciativa privada concentra a maioria dos empregadores de pessoas em situação de trabalho escravo, especialmente nos setores doméstico, da agricultura, da construção, da indústria e do entretenimento. 

Algumas ações no Brasil foram citadas no relatório como exemplo de políticas para combater o trabalho escravo, como os planos de Ação contra o Trabalho Escravo, de 2003 e 2008; as medidas de prevenção e reinserção do trabalhador no mercado; a atuação do Grupo Especial de Inspeção Móvel - as caravanas contra o trabalho escravo - e a abertura de agências de emprego em locais onde há mão de obra escrava. O Bolsa Família também foi citado como forma de combater o trabalho forçado, por tratar de causas estruturais - como a pobreza extrema. 

Atualmente, a pessoa ou empresa que for encontrada empregando mão de obra em situação de trabalho escravo no Brasil deve pagar uma multa, os salários atrasados dos trabalhadores, as indenizações para reparar os dados causados às vítimas e contra danos coletivos causados à sociedade. Ainda tramita no Congresso Nacional a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Trabalho Escravo, que prevê a expropriação de terras urbanas e rurais onde for comprovado o uso desse tipo de trabalho. A PEC já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e precisa passar pelo Senado, o que deve ocorrer ainda neste ano. 

O infrator ainda pode ser incluído na lista suja do Ministério do Trabalho e Emprego, após decisão administrativa sobre o auto de infração lavrado pela fiscalização. Com o nome na lista, o empregador é impedido de ter acesso a crédito em instituições financeiras públicas, como os bancos do Brasil, do Nordeste e da Amazônia, e aos fundos constitucionais de financiamento. O registro na lista suja só é retirado quando, depois de um período de dois anos de monitoramento, não houver reincidência e forem quitadas todas as multas da infração e os débitos trabalhistas e previdenciários.

Extraído do sítio Portal EBC

06 fevereiro 2013

SUPERPOPULAÇÃO PLANETÁRIA - Mikhail Aristov

© Voz da Rússia 

O número de habitantes do nosso planeta ultrapassou o limiar de 7 bilhões de pessoas. Os especialistas em demografia dividiram-se em dois campos nas previsões do futuro. Uns afirmam que a humanidade é ameaçada por falta de recursos naturais devido à superpopulação, enquanto outros fixam um afrouxamento de ritmos de crescimento.

Superando o limiar de 7 bilhões, o número de habitantes do planeta continua subindo. Algumas mídias mundiais dão alerta por esta causa. Por exemplo, a principal conclusão que se pode tirar de uma série de artigos publicados no jornal americano Los Angeles Times é bastante lúgubre: as condições de vida da parte esmagadora das pessoas irão piorar por causa da superpopulação. É de fato assim, concorda o colaborador científico do Instituto de Demografia, Nikita Mkrtchian, adiantando que o aumento da população ameaça a existência do próprio planeta:

"A Terra cuida-se de sua própria conservação, mas o homem lança um desafio ao planeta. Este desafio já é evidente. Trata-se tanto de aquecimento global, como de simples destruição do meio ambiente. A humanidade deve deixar de crescer ou encontrar decisões ecológicas justas para se abastecer no futuro".

Segundo cálculos científicos, a humanidade precisou de 13 anos para aumentar a população de 6 para 7 bilhões de pessoas. Ao mesmo tempo, o prazo para atingir o limiar de 6 bilhões de habitantes foi num ano mais curto. Levando em consideração as afirmações dos adeptos da teoria de afrouxamento de ritmos de crescimento da povoação, podemos tirar uma conclusão de que os processos catastróficos no futuro não serão ligados à superpopulação do planeta. Pelo contrário, o problema principal será uma degradação demográfica, afirma o redator do portal informativo e analítico Demografia.ru, Igor Beloborodov:

"Os nossos problemas são relacionados com uma taxa muito baixa de natalidade e a destruição dos valores tradicionais de família, que alimentavam toda a história humana e garantiam a renovação de gerações. Isso não acontece devidamente hoje, porque o crescimento mundial é de fato garantido apenas por 39 países do continente africano. Quanto à Europa, no caso dos países do mundo anglo-saxônico, por exemplo, assiste-se a uma dinâmica demográfica muito preocupante. Nos últimos 40 anos, a taxa de natalidade naquela zona diminuiu em mais de duas vezes. Destaque-se que a população da China também começará a diminuir já para 2028-2030".

No decorrer de milênios, a taxa de natalidade devia ser muito alta, para que a humanidade pudesse sobreviver a epidemias, guerras e fome. Num certo momento, graças ao desenvolvimento de novas tecnologias, a taxa de mortalidade na Europa e na América do Norte registou uma queda. A população crescia rapidamente, mas posteriormente a taxa de natalidade diminuiu bruscamente. A situação pode repetir-se em todo o mundo, mesmo nos países com uma alta taxa de natalidade, tais como o Brasil, Índia ou México, em que o respetivo índice caiu em 2-3 vezes nas últimas décadas. Especialistas qualificam este fenômeno como "transição demográfica". Se em resultado a taxa mundial de natalidade se estabilizar ao nível médio europeu (1,5 crianças para uma mulher), é pouco provável que dentro de 300 anos a população do planeta ultrapasse um bilhão de pessoas.

Extraído do sítio Voz da Rússia

05 fevereiro 2013

EUROPA AINDA NÃO SUPEROU A CRISE, ALERTA EX-PRESIDENTE DO BANCO MUNDIAL - Michael Knigge


Em entrevista à DW, Robert Zoellick ressalta, durante a Conferência sobre Segurança em Munique, que os EUA precisam dar sinais mais claros aos europeus de que realmente querem um livre comércio transatlântico.

Enquanto a urgência da crise da dívida foi suavizada, a Europa ainda enfrenta desafios difíceis, avalia o ex-presidente do Banco Mundial Robert Zoellick. Em entrevista concedida à Deutsche Welle durante a Conferência sobre Segurança de Munique, Zoellick também explicou por que a crise no Mali não foi exatamente uma supresa.

Zollick foi presidente do Banco Mundial entre 2007 e 2012. Ele atuou como vice-secretário de Estado norte-americano entre 2005 e 2006 e representante para questões comerciais do governo dos Estados Unidos entre 2001 e 2005. Antes disso, havia servido como oficial dos EUA no processo chamado "Dois mais quatro" durante a reunificação alemã entre 1989-1990.

Deutsche Welle: A crise da dívida na Europa não tem estado na mídia há vários dias. Seria um sinal de que a Europa finalmente controlou a crise e superou sua pior fase?

Robert Zoellick: Claramente a boa notícia é que as condições se estabilizaram de alguma maneira e temos visto isso em algumas taxas de juros baixas em alguns países mediterrâneos. Mas concordo com Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), que alertou contra a complacência. E os líderes alemães também fizeram isso.

Acredito que o que o que temos visto é que algumas das extrordinárias ações do BCE reduziram a pressão e eles ganharam tempo. Mas os desafios fundamentais das reformas fiscal e estrutural ainda têm que ser enfrentados. Então acho que 2013 será um ano, no qual vamos ver se o novo governo italiano prosseguirá com as reformas e se o governo espanhol, que tem dado alguns passos difíceis, persistirá nesse caminho. O primeiro-ministro grego Antonis Samaras disse recentemente, num grupo do qual eu participava estava, que ele tem basicamente este ano para mostrar alguma recuperação, pois ele enfrenta o populismo de esquerda e de direita. Então ainda não superamos isso de maneira alguma.

Uma surpresa negativa para a economia mundial veio dos Estados Unidos recentemente, quando foi divulgado que a economia norte-americana contraiu levemente no último trimestre. Isso foi apenas uma escorregada única ou o senhor vê nuvens negras no horizonte?

A maior parte dos economistas sugeriu – e acho que eles estão provavelmente certos – que isso aconteceu por causa de uma combinação de fatores voláteis, como gastos com defesa e questões de inventário. A maioria das pessoas está prevendo um crescimento de cerca de 2% – o que é, de fato, pouco usual, ter esse nível de consistência. Dito isso, acho que mais para frente haverá alguns aumentos de impostos, que foram votados no ano passado e que poderão ser um entrave na economia. E mesmo um crescimento de 2% não é o tipo de crescimento que levará a economia norte-americana para onde ela precisa estar. De forma que os EUA encaram uma série diferente de desafios.

Obama enfrentará difíceis negociações orçamentárias
Talvez o único elemento novo no discurso de Joe Biden em Munique tenha sido seu apoio à ideia de um pacto transatlântico de livre comércio, que deveria ser fechado de uma vez em uma sessão de negociação. O senhor apoia isso, acredita que isso seja possível?

Essas são duas boas perguntas. Apoio tudo que abra mercados e tente liberar o comércio. Acho que a forma certa de acordo transatlântico poderia ajudar ambos os parceiros a lidar com algumas das suas reformas estruturais, a ser mais competitivos sem gastar mais dinheiro. Então acho que isso é uma coisa boa. O que escuto do lado europeu, e acho que é uma preocupação compreensível, é a seguinte: O presidente Obama levará isso a sério?

Como ex-negociador comercial, sei que existe uma diferença entre palavras e ação. E este é um acordo complexo. Haverá questões difíceis na área da agricultura. Há questões de padronização e regulação. Há várias vozes europeias que querem dar esse passo. Mas eles querem saber que os EUA levam tudo a sério e que isso é algo a ser transmitido de maneiras variadas.

O primeiro-ministro David Cameron prometeu ao povo britânico um referendo sobre a permanência na União Europeia. A relação dos ingleses com o resto da UE, e vice-versa, vem azedando há um bom tempo. Não seria melhor para os dois lados se o Reino Unido simplesmente deixasse o bloco?

Conversas sobre saída do Reino Unido da UE: apenas ameaças?
As ligações entre ingleses e europeus são muito profundas e duradouras. Os interesses políticos, históricos, na área econômica e no comércio, são muito fortes. O que ele está tentando propor é uma maior flexibilidade na UE. O Reino Unido deve fazer parte da UE. Cameron está argumentando contra o ceticismo. Mas, segundo ele, precisamos francamente de algumas mudanças no setor de competitividade de serviços para nos tornarmos mais competitivos. Precisamos de mais flexibilidade em algumas regras trabalhistas e sociais, e assim por diante.

Agora, isso é controverso em algumas regiões da Europa, mas acredito que, neste sentido, Cameron está realmente apontando para uma questão que a Europa precisa considerar. E acho que essa é uma grande questão para a Alemanha. Porque, de alguma maneira, quando ouço os alemães conversarem sobre economia e escuto o governo britânico, noto que há muita semelhança. Eles estão tentando manter uma disciplina fiscal e obter maior competitividade no mercado. E acreditam no livre comércio. A Alemanha será o ator dominante na UE. Então a questão fica para o lado britânico: eles farão mais do que discursar?

A França sozinha, independentemente da UE, decidiu intervir militarmente no Mali. Até que ponto ponto o senhor se surpreendeu com a intervenção francesa e com o fato de que a medida tenha sido tomada sem muita assistência de parceiros europeus e dos Estados Unidos?

Intervenção no Mali era previsível, afirma Zoellick
Minha perspectiva com relação a isso é também um pouco diferente, porque, na verdade, visitei o Mali há alguns anos. No Banco Mundial, estávamos conversando sobre as dificuldades vividas no norte do país. Voltei e tentei até mesmo dizer para alguns governos, incluindo o dos Estados Unidos, para deixarem o Banco Mundial ajudar em algum área de desenvolvimento que contribui para a frustração dos tuaregues. Mas alguém também deveria ajudar no setor de segurança. Assisti ao que aconteceu na Líbia. Não acho que alguém precisava ser gênio para entender que haveria um excesso de gente e de armas vindas da Líbia. Minha maior surpresa foi que os EUA e a Europa tenham se surpreendido. Em outras palavras, acho honestamente que isso é algo cuja fermentação poderia ter sido observada antecipadamente.

Acho que os franceses ficaram surpresos e, por isso, moveram algumas forças para cessar isso. Por um lado, eu os respeito por fazerem assim, mas acho que todo mundo precisa ter uma visão clara de que isso é apenas o começo. Apesar de muitos terem "derretido na areia", na verdade isso não significa que foram embora. E como temos visto em outros lugares, você cumpre a primeira etapa e acaba com um tipo de agressão mais convencional, mas depois precisa lidar com ataques suicidas e outras coisas. Eu realmente espero que os EUA e outros países apoiem a França em seus esforços.

Extraído do sítio Deutsche Welle

27 janeiro 2013

OS QUE DEVEM MORRER - Mauro Santayana


A ciência prolonga a vida dos homens; a economia liberal recomenda que morram a tempo de salvar os orçamentos. O Ministro das Finanças do Japão, Taso Aro, deu um conselho aos idosos: tratem logo de morrer, a fim de resolver o problema da previdência social.

Este é um dos paradoxos da vida moderna. Estamos vivendo mais, e, é claro, com menos saúde nos anos finais da existência. Mas, nem por isso, temos que ser levados à morte. Para resolver esse e outros desajustes da vida moderna, teríamos que partir para outra forma de sociedade, e substituir a razão do “êxito” e da riqueza pela ética da solidariedade. 

Ocorre que nem era necessário que esse senhor Taso Aro – que, em outra ocasião, ofereceu o Japão como território seguro para os judeus ricos do mundo inteiro – expusesse essa apologia da morte. A civilização de nosso tempo, baseada no egoísmo, com a economia servidora dos lucros e dos ricos, e, sobretudo, dos banqueiros, é, em si mesma, suicida.

É claro que, ao convidar os velhos japoneses a que morram, Aro não se refere aos milionários e multimilionários de seu país. Esses dispensam, no dispendioso custeio de sua longevidade, os recursos da Previdência Social e dos serviços oficiais de saúde de seu país. Todos eles têm a sua velhice assegurada pelos infindáveis rendimentos de seu patrimônio.

Os que devem morrer são os outros, os que passaram a vida inteira trabalhando para o enriquecimento das grandes empresas japonesas e multinacionais. Na mentalidade dos poderosos e dos políticos ao seu serviço, os homens não passam de máquinas, que só devem ser mantidos enquanto produzem, de acordo com os manuais de desempenho ótimo. Aso, em outra ocasião, disse que os idosos são senis, e que devem, eles mesmos, de cuidar de sua saúde.

Não podemos, no entanto, ver esse desatino apenas no comportamento do ministro japonês, nem em alguns de seus colegas, que têm espantado o mundo com declarações estapafúrdias. O nível intelectual e ético dos dirigentes do mundo moderno vem decaindo velozmente nas últimas décadas. Não há mistério nisso. Os verdadeiros donos do mundo sabem escolher seus serviçais e coloca-los no comando dos estados nacionais.

São eles, que, mediante o Clube de Bielderbeg e outros centros internacionais desse mesmo poder, decidem como estabelecer suas feitorias em todos os continentes, promovendo a ascensão dos melhores vassalos, aos quais premiam, não só com o governo, mas, também, com as sobras de seu banquete, em que são servidos, além do caviar e do champanhe, o petróleo e os minérios, as concessões ferroviárias e nos modernos e mais rendosos negócios, como os das telecomunicações.

A civilização que conhecemos tem seus dias contados, se não escapar desses cem tiranos que se revezam no domínio do mundo.

Extraído do blog Mauro Santayana

ONU ALERTA QUE 200 MILHÕES DE PESSOAS ESTARÃO DESEMPREGADAS EM 2013 - Jack Phillips

Candidatos fazem fila numa feira de trabalho em 17 de janeiro de 2013 na cidade de Nova York (Mario Tama/Getty Images)

A Organização das Nações Unidas (ONU) advertiu recentemente que mais 5,1 milhões de pessoas ficarão sem trabalho em 2013, com os jovens sendo o grupo demográfico mais atingido.

No relatório anual “Tendências Mundiais do Emprego 2013″ da Organização Internacional do Trabalho (OIT), os números mostram que o desemprego mundial está novamente em ascensão, depois de caírem por dois anos consecutivos, refletindo uma desaceleração do crescimento econômico. O número total de pessoas desempregadas no mundo aumentou em 4,2 milhões em 2012 para mais de 197 milhões – uma taxa de desemprego de 5,9% – informou a agência.

Quase 13% dos desempregados tinham idades de 24 ou menos, segundo a agência.

“Muitos dos novos empregos exigem habilidades que os candidatos não têm”, disse Guy Ryder, o diretor-geral da OIT, num comunicado no website da organização. “Os governos devem intensificar esforços para apoiar as competências e as atividades de reciclagem para resolver tais discrepâncias que afetam particularmente os jovens.”

35% de todos os jovens desempregados estavam sem trabalho há seis meses ou mais em economias avançadas, um crescimento de 6,5% desde 2007, segundo a OIT.

“Muitos jovens atualmente experimentam desemprego de longo prazo desde que entram no mercado de trabalho”, disse Ryder à CNN. “Quando isso ocorre no início da carreira de uma pessoa, pode causar danos significativos a sua perspectiva de emprego em longo prazo.”

Cerca de um quarto do aumento da taxa de desemprego mundial foi encontrado em economias avançadas, afirma o relatório da OIT. Os outros três quartos do aumento foram devido a “repercussões” em outras regiões, ou seja, na Ásia Oriental, Sul da Ásia e África Subsaariana, informou a OIT.

“Uma perspectiva de incerteza econômica e uma política inadequada para lidar com a situação enfraqueceram a demanda agregada, retendo o investimento e gerando contratação”, disse Ryder, segundo a OIT. “Isso tem prolongado a queda do mercado de trabalho em muitos países, reduzindo a criação de emprego e aumentando a duração do desemprego, mesmo em países que antes tinham baixa taxa de desemprego e mercados de trabalho dinâmicos.”

O relatório concluiu que o desemprego de longo prazo também cresceu, apontando que cerca de um terço dos desempregados da Europa não tem trabalho há mais de um ano, informou a BBC. Cerca de 39 milhões de pessoas ao redor do mundo já desistiram de tentar encontrar um emprego, acrescentou o relatório.

A agência observou que países com estágios, incluindo a Alemanha, Suíça e Áustria, tiveram as menores taxas de desemprego de jovens no mundo.

O pico da taxa de desemprego global foi de 6,21% em 2009, após o colapso econômico global, informou a Associated Press. A taxa de desemprego global no ano passado foi de 5,93%.

Extraído do sítio The Epoch Times

EM DAVOS, O PESSIMISMO DOS RICOS - Luiz Gonzaga Belluzzo

Resilient Dynamism é o tema proposto aos participantes pelos organizadores do Fórum Econômico Mundial que ora se realiza em Davos. Nos últimos cinco anos, o conclave dos ricos, famosos e bem-sucedidos do mundo, anda murcho, lamurioso, pessimista e, como revela o tema escolhido, enigmático. Resilient Dynamism: soa bem, mas pode significar qualquer coisa. O jornal inglês The Guardian do dia 23 de janeiro espetou sua maldade no painel dos inconformados. Sugeriu que seria mais apropriado We got it wrong. A tradução livre: Não entendemos nada.

Escreve Monbiot, do Guardian: “A crise demonstra que o pensamento neoliberal é uma fraude de alto a baixo”. Foto: Joel Saget/AFP

O jornal New York Times publicou, na sexta 18 de janeiro deste ano corrente, a cronologia das reuniões do Federal Open Market Comittee (Fomc) de 2007. As transcrições mostram que os membros do Comitê de Política Monetária tampouco atinaram, já em agosto de 2007, com o tamanho da coisa. Dois gigantes do crédito imobiliário balançavam à beira do precipício.

Talvez, escovado por seus estudos sobre a Grande Depressão, Bernanke revelou incômodo com os sinais do mercado, mas seus pares demoraram a ouvir os passos da caminhada da economia para a recessão. Não foram poucos os membros do Fomc que temiam um repique da inflação e recomendaram uma elevação dos juros. Outros, como William Poole, apostaram no caráter passageiro das turbações financeiras: “Aposto que nada vai mudar fundamentalmente na economia real”. Rezava o comunicado da reunião do comitê publicado em 7 de agosto: “Ainda que os riscos de uma desaceleração do crescimento tenham aumentado em alguma medida, a preocupação maior do comitê é com o ­risco de a inflação não moderar o seu ritmo como esperado”.

Com essa sensibilidade, é claro que tampouco os sábios anteciparam a violência deflacionária da reversão de um ciclo expansivo apoiado no crédito fácil e no enriquecimento fictício das famílias.

Lambendo as feridas causadas por sua incúria e imprevisão, diante do massacre imposto a seus esgares presunçosos, os potentados do mundo dos negócios cuidam de lamentar a hostilidade das maiorias descontentes com os rumos da economia global. O CEO do JP Morgan, Jamie Dimon, queixou-se, em Davos, das acusações e dos ataques lançados contra os bancos pelos reguladores e pelo público em geral. Em sua opinião os bancos foram um “porto seguro” para governos, empresas e famílias “durante a tempestade”.

Ainda mais seguros foram os diques construídos pelos bancos centrais mediante a compra de papéis ilíquidos que contaminavam as carteiras das instituições. Os sábios da finança que sustentavam suas posições superalavancadas com a grana dos mercados atacadistas de dinheiro. Aí dormitavam as aplicações de curto prazo de empresas e famílias. Quando esses mercados desapareceram tangidos pelo pânico, os colegas do senhor Dimon foram socorridos, em meio à tempestade, pelos salva-vidas lançados pelos governos.

Para acrescentar vergonha à infâmia, o supracitado New York Times revelou, em sua edição de 23 de janeiro, outra proe­za dos Senhores do Universo. Em 16 março de 2007, funcionários do Morgan Stanley dis­cutiam o nome de mais um pacote de ativos tóxicos que preparavam para lançar no mercado. As sugestões eram realmente sugestivas: “Derretimento subprime”, “Holocausto nuclear”, “Porrada do Mike Tyson” ou “Um saco de excremento”.

Entre outras trapalhadas, as camadas dirigentes – os especialistas da academia e as autoridades de plantão aceitaram a viseira de modelos mais tolos do que inúteis que rezavam o refrão da impossibilidade de acontecer o que estava acontecendo, concluindo que nada havia a fazer. Despejadas das moradias recém-adquiridas e impagáveis, as famílias devedoras descarregam a ira nos banqueiros excessivamente espertos e reguladores demasiado negligentes.

Essa busca e (improvável) captura de culpados revela a precariedade histórica e analítica que se apoderou do debate contemporâneo sobre as origens da crise. O espírito do tempo, atoleimado com o advento das informações instantâneas, da mídia de massa e de suas ramificações ciberespaciais, sempre inchadas de sábios de duas frases e cinco palavras, se encarregou do resto do serviço: simplificar os problemas e massacrar a inteligência alheia com caganifâncias e vulgaridades.

George Monbiot, o celebrado articulista do Guardian não deixa barato: “A crise demonstra que o pensamento neoliberal é uma fraude de alto a baixo. As demandas dos ultrarricos foram vestidas com os adornos de uma teoria econômica sofisticada. Mas o completo fracasso dessa experiência à escala mundial não impede a sua repetição. Isso nada tem a ver com economia. É uma questão de poder”.

Extraído do sítio CartaCapital

26 janeiro 2013

OS MAIS RICOS DO MUNDO PODERIAM ACABAR FACILMENTE COM A POBREZA, DIZ PESQUISA - Alex Johnston

Uma moradora de rua com seus pertences numa calçada em Los Angeles em 6 de dezembro de 2011 (Frederic J. Brown/AFP/Getty Images)

A agência beneficente internacional Oxfam disse que as 100 pessoas mais ricas do planeta poderia essencialmente acabar com a pobreza com seus ganhos de 2012, segundo um relatório recente.

Os mais ricos do mundo ganharam 240 bilhões de dólares no ano passado – um número que a Oxfam, uma coalizão internacional de 17 organizações que trabalham em 90 países com foco na desigualdade e na pobreza, disse que poderia acabar com a pobreza mundial cerca de quatro vezes.

“É amplamente aceito que desenvolver riqueza e desigualdade extremamente rápido é prejudicial ao progresso humano e que algo precisa ser feito”, disse a Oxfam, citando um relatório do Fórum Econômico Mundial que classificou a desigualdade de renda como um dos riscos globais de 2013.

E acrescentou num comunicado de imprensa, “Os 1% mais ricos aumentaram seu rendimento em 60% nos últimos 20 anos com a aceleração da crise financeira, em vez de retardarem seu processo.”

Em 14 de 19 dos países mais ricos e desenvolvidos do Grupo dos 20 (G-20), a desigualdade tem aumentado desde 1990, disse o grupo beneficente, afirmando que o crescimento econômico raramente tem beneficiado os pobres. Os ministros das finanças do G-20 se reuniram recentemente na Cidade do México.

A Oxfam advertiu que “a extrema disparidade de riqueza e renda não é apenas antiética, é também economicamente ineficiente, politicamente corrosiva, socialmente divisionista e ambientalmente destrutiva”.

O crescimento econômico frequentemente vem em primeiro lugar na mente de muitos funcionários governamentais e políticos, enquanto os interesses dos pobres vêm em segundo lugar, afirma o relatório.

A desigualdade na China, Rússia, África do Sul e Japão aumentou ainda mais entre as nações do G-20 desde 1990, diz a Oxfam. A Coreia do Sul é o único país rico entre os membros do G-20 onde a desigualdade diminuiu nas últimas duas décadas. Brasil, México e Argentina, nações em desenvolvimento do G-20, também têm feito progressos notáveis.

“Não podemos mais fingir que a criação de riqueza para poucos beneficiará inevitavelmente a todos – muitas vezes o inverso é verdadeiro”, disse Jeremy Hobbs, diretor da Oxfam, num comunicado. “A concentração de recursos nas mãos do 1% do topo deprime a atividade econômica e torna a vida mais difícil para todos – particularmente para aqueles na parte inferior da escada econômica.”

“Num mundo onde até mesmo recursos básicos, como terra e água, são cada vez mais escassos, não podemos nos dar ao luxo de concentrar recursos nas mãos de poucos e deixar tantos lutarem pelo que resta”, continuou ele.

Falando sobre o impacto ambiental, Hobbs disse os 1% mais ricos usariam cerca 10 mil vezes mais carbono do que a média dos habitantes norte-americanos.

“De paraísos fiscais a fracas leis trabalhistas, os mais ricos se beneficiam de um sistema econômico global que é manipulado a seu favor”, disse Hobbs. “É hora de nossos líderes reformarem o sistema de forma que ele funcione no interesse de toda a humanidade, em vez de para uma elite global.”

A Oxfam estima que os paraísos fiscais retenham cerca de 32 trilhões de dólares ou um terço de toda a riqueza mundial. Fechá-los poderia render 189 bilhões de dólares em receitas fiscais adicionais.

Extraído do sítio The Epoch Times

O NEOLIBERALISMO ESTÁ ACABADO? PENSE BEM ANTES DE RESPONDER - George Montbiot

Observando, atônito, as lições desaprendidas na Grã-Bretanha, na Europa e nos Estados Unidos, me chama a atenção que toda a estrutura do pensamento neoliberal seja uma fraude. As demandas dos ultra-ricos se vestiram de teoria econômica sofisticada e foram aplicadas independentemente de seu resultado. O completo fracasso desta experiência em escala mundial não é impedimento para que se repita. Isto não tem nada a ver com a economia. Tem absolutamente a ver com o poder. A análise é de George Montbiot, do The Guardian

Londres - No ano 2012, as cem pessoas mais ricas do mundo enriqueceram 241.000 milhões de dólares a mais [veja nota 1]. Sua riqueza se estima agora em 1,9 trilhões de dólares, só um pouco menos que o PIB do Reino Unido.

Isto não é consequência do azar. O aumento das fortunas dos super-ricos é resultado direto de medidas políticas. Aqui vão algumas: a redução das taxas de impostos e da ação fiscal; a negativa dos Estados em recuperar uma porção dos ingressos procedentes dos minerais e da terra; a privatização de ativos públicos e a criação de uma economia de cabines de pedágio; a liberalização salarial e a destruição da negociação coletiva.

As medidas políticas que fizeram tão ricos os monarcas globais são aquelas medidas que estão espremendo todos os demais. Não é isto o que a teoria previa. Friedrich Hayek, Milton Friedman e seus discípulos – em mil escolas de negócios, o FMI, o Banco Mundial, a OCDE e mais ou menos todos os governos modernos – argumentaram que quanto menos os Estados acionem fiscalmente os ricos, menos defendam os trabalhadores e redistribuam a riqueza, mais próspero será todo o mundo. Toda tentativa de reduzir a desigualdade iria ferir a eficiência do mercado, impedindo que a maré ascendente elevasse todos os barcos [2]. Seus apóstolos levaram a cabo uma experiência global durante 30 anos e os resultados estão hoje à vista. Fracasso total.

Antes de continuar, deveria esclarecer que não acredito que o crescimento econômico perpétuo seja sustentável ou desejável [3]. Mas se o objetivo é o crescimento – um objetivo que todo governo diz perseguir –, não se pode organizar maior desatino no tocante a isso que liberando os super-ricos das restrições estabelecidas pela democracia.

O relatório anual do ano passado da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) deveria haver suposto um atestado de óbito do modelo neoliberal desenvolvido por Hayek, Friedman e seus discípulos [4]. Mostra, inequivocamente, que suas políticas conseguiram resultados opostos aos que previam. Na medida em que essas políticas (cortar impostos aos ricos, privatizar ativos do Estado, desregular o mercado de trabalho, reduzir a seguridade social) começavam a dar dentadas, dos anos 80 em diante, também passaram a cair as taxas de crescimento e a aumentar o desemprego.

O notável crescimento dos países ricos durante as décadas de 50, 60 e 70 se fez possível graças à destruição da riqueza e do poder da elite, como resultado da Depressão e da II Guerra Mundial. Sua escalada outorgou, aos 99% restante, uma oportunidade sem precedentes de exigir tudo o que tal crescimento estimulou em redistribuição, gasto público e seguridade social.

O neoliberalismo foi uma tentativa de inverter o sentido destas reformas. Generosamente financiado por milionários, seus defensores tiveram um êxito assustador: no político [5]. No econômico, fracassaram.

Em todos os países da OCDE, os impostos se fizeram mais regressivos: os ricos pagam menos, os pobres pagam mais [6]. O resultado, sustentavam os neoliberais, seria que aumentariam a eficiência econômica e o investimento, enriquecendo todos. Aconteceu o contrário. Enquanto diminuíam os impostos aos ricos e às empresas, caiu a capacidade de gasto, tanto do Estado como da população mais pobre, e se contraiu a demanda. O resultado foi que caíram as taxas de investimento, em sintonia com as expectativas de crescimento das empresas [7].

Os neoliberais insistiram também em que a desigualdade irrestrita em ingressos e os salários flexíveis reduziriam o desemprego. Mas em todo o mundo rico, tanto a desigualdade como o desemprego dispararam [8]. O recente salto do desemprego na maioria dos países desenvolvidos – pior que o de qualquer recessão prévia das últimas três décadas – se viu precedido da cota em proporção dos salários no PIB mais baixa desde a II Guerra Mundial [9]. Explode em migalhas a teoria. Fracassou pela mesma razão evidente: os baixos salários deprimem a demanda, que deprime o emprego.

Conforme os salários se estancavam, as pessoas complementavam seus ingressos endividando-se. O aumento da dívida alimentou os bancos desregulados, com as consequências que todos somos conscientes. Quanto maior a desigualdade, descobre o relatório das Nações Unidas, menos estável é a economia e mais reduzidas suas taxas de crescimento. As medidas políticas com as quais os governos neoliberais tratam de reduzir seu déficit e estimular sua economia são contraproducentes.

A eminente redução no degrau superior do imposto sobre a renda no Reino Unido (de 50% a 45%) não suporá um impulso para os ingressos do Estado ou da empresa privada [10], mas enriquecerá os especuladores que fizeram vir abaixo a economia: o Goldman Sachs e outros bancos estão agora pensando em como aproveitar-se disso [11].

A lei de bem-estar social aprovada pelo Parlamento britânico na semana passada não ajudará a limpar o déficit ou estimular o emprego: reduzirá a demanda, suprimindo a recuperação econômica. O mesmo vale para o teto posto às remunerações do setor público. “Voltar a aprender algumas antigas lições sobre justiça e participação”, afirma a ONU, “é a única forma de acabar superando a crise e prosseguir por um caminho de desenvolvimento econômico sustentável” [12].

Como disse antes, não tenho favorito nesta corrida, salvo a crença de que ninguém, neste oceano de riquezas, deveria ser pobre. Mas observando, atônito, as lições desaprendidas na Grã-Bretanha, na Europa e nos Estados Unidos, me chama a atenção que toda a estrutura do pensamento neoliberal seja uma fraude. As demandas dos ultra-ricos se vestiram de teoria econômica sofisticada e foram aplicadas independentemente de seu resultado. O completo fracasso desta experiência em escala mundial não é impedimento para que se repita. Isto não tem nada a ver com a economia. Tem absolutamente a ver com o poder.

Notas:

[1] http://www.bloomberg.com/news/2013-01-01/billionaires-worth-1-9-trillion-seek-advantage-im-2013.html

[2] Milton Friedman e Rose Friedman, 1980, Free to Choose, Secker & Warburg, Londres [Libertad en elegir, Grijalbo, Barcelona, 1992].

[3] Para uma visão alternativa, veja-se Tim Jackson, 2009, Prosperity Without Growth [Prosperidad sin crecimiento, Icaria, Barcelona, 2011], Sustaintable Development Commission, http://www.sd-commission.org.uk/data/fiis/publications/prosperity_without_growth_report.pdf

[4] UNCTAD, 2012, Trade and Development Report: Policies for Inclusive and Balanced Growth,http://unctad.org/en/PublicationsLibrary/tdr2012_en.pdf

[5] Veja-se David Harvey, 2005, A Brief History of Neoliberalism, Oxford University Press [Breve historia del neoliberalismo, Akal, Madrid, 2007].

[6] Informa a ONU: “O efeito conjunto destas mudanças na estrutura fiscal fez mais regressivos os impostos. Um exame das reformas fiscais dos países da OCDE não encontrou nenhum país no qual o sistema fiscal se tornou mais progressivo (Steinmo, 2003: 223)”, UNCTAD, 2012, como supra.

[7] “A redistribuição por meio de medidas fiscais pode, portanto, dar-se em interesse da sociedade em seu conjunto, especialmente ali onde a desigualdade é especialmente elevada, como em muitos países em desenvolvimento. Apoia isto a experiência dos países desenvolvidos, pois as taxas de investimento não eram mais baixas – mas geralmente mais altas – nas primeiras três décadas da época de pós-guerra, ainda que os impostos sobre benefícios e os níveis superiores eram mais elevados que depois das amplas reformas fiscais aplicadas posteriormente. Existem fortes razões para acreditar que a disponibilidade dos empresários em investir em uma nova capacidade produtiva não depende primordialmente dos benefícios líquidos em um determinado período de tempo, mas em suas expectativas com respeito à futura demanda de bens e serviços que podem produzir com capacidade adicional. Isto acaba sendo de especial importância quando se considera o efeito conjunto de um aumento dos impostos empresariais. Sempre e quando os ingressos fiscais mais elevados sejam utilizados para gasto adicional do Estado, melhorarão as expectativas das empresas de crescimento da demanda. Este efeito de demanda é independente de se os gastos adicionais do Estado adotam a forma de consumo do Estado, investimento público ou transferências sociais. Quando o nível do investimento fixo se mantém como resultado de expectativas de demanda favorável, subirão os benefícios brutos, e geralmente também os benefícios líquidos, não obstante o aumento inicial de impostos. Nesse processo, se criarão ingressos e emprego adicionais para a economia em seu conjunto”, UNCTAD, 2012, como supra.

[8] “A proposição de que uma maior flexibilidade do nível salarial agregado e dos salários médios mais baixos é necessária para impulsionar o emprego, pois conduz à substituição de trabalho por capital na economia em seu conjunto, pode ser refutada diretamente, dada a forte correlação positiva entre investimento na formação de capital fixo bruto (FCFB) e a criação de emprego que existe nos países desenvolvidos (gráfico 6.3). Esta correlação contradiz o modelo neoclássico: no mundo real, as empresas investem e desinvestem em capital e trabalho ao mesmo tempo, e o nível de seu investimento depende do estado conjunto de suas expectativas de demanda. Isto implica que, no contexto macroeconômico, capital e trabalho podem se considerar substitutos apenas em uma medida muito limitada”, UNCTAD, 2012, como supra.

[9] “Justamente antes do último e enorme salto do desemprego nos países desenvolvidos – de menos de 6% em 2007 a cerca de 9% em 2010-2011 - a proporção dos salários no conjunto do PIB havia caído a seu nível mais baixo registrado desde o final da II Guerra Mundial (ou seja, a 57%, de mais de 61% em 1980). Isto deveria supor um sinal de alerta. Se o desemprego cresce mais que durante qualquer outra recessão ocorrida nas últimas três décadas, ainda que a parte dos salários no PIB tenha baixado, deve haver algo fundamentalmente errado em uma teoria econômica que justifica o aumento da igualdade principalmente em termos da necessidade de atacar um desemprego persistente”, UNCTAD, 2012, como supra.

[10] Thomas Piketty, Emmanuel Saez e Stefanie Stantcheva calculam que o nível ótimo do degrau superior do imposto sobre a renda (para maximizar ingressos) se encontra entre 57 e 83%. Piketty, Saez e Stantcheva, 2011, Optimal taxatiom of top labor incomes: A tale of three elasticities, National Bureau of Economic Research, Cambridge, MA. http://www.nber.org/papers/w17616

[11] Patrick Jenkins, “Goldmam Eyes Tax Delay om UK Bonuses”, Financial Times, 14 de janeiro de 2013.

[12] UNCTAD, 2012, como supra.

*George Monbiot é um dos jornalistas ambientais britânicos mais respeitados, autor de livros como The Age of Consent: A Manifesto for a New World Order e Captive State: The Corporate Takeover of Britain, assim como de volumes de investigação e viagens como Poisoned Arrows, Amazon Watershed e No Man's Land. Viveu por dois anos no Brasil cobrindo a região amazônica.

Extraído do sítio Carta Maior