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25 janeiro 2013

UEFA DEFINE QUE EURO 2020 SERÁ REALIZADA EM 13 PAÍSES


A Eurocopa de 2020 será espalhada por todo o continente europeu, confirma a Uefa. Em 12 países vão ocorrer três jogos da fase de grupo e uma partida eliminatória. Final e semifinais serão realizadas num 13º estádio.

Treze estádios em 13 países sediarão a Eurocopa de 2020, anunciou a Uefa nesta sexta-feira (25/01), após uma reunião do seu comitê executivo em Nyon, na Suíça. Conforme decidido em dezembro do ano passado, esta será a primeira vez que a competição será realizada em mais de um ou dois países.

Estádios de 12 países vão ser, cada um, palco de três jogos da fase de grupos e de uma partida da fase eliminatória. As duas semifinais e a final serão disputadas num 13º país. "Não queremos incluir apenas uma região, mas sim toda a Europa. De leste a oeste, de norte a sul", destacou o presidente da Uefa, Michel Platini. A Federação Alemã de Futebol (DFB) é uma das que já sinalizou interesse.

Cada uma das 53 federações de futebol europeias poderá candidatar-se duas vezes, uma para ser sede de três jogos da fase de grupos e um da fase eliminatória, e uma segunda para sediar a fase final. Mas apenas uma das candidaturas poderá ser aprovada, resultando na participação de 13 países. O processo de escolha começará em abril e o anúncio das cidades-sede será feito em setembro de 2014.

Extraído do sítio Deutsche Welle

09 junho 2012

FEDERAÇÕES APOSTAM EM JOGO LIMPO - Simon Bradley

O lateral-esquerdo da Itália Domenico Criscito protesta durante a primeira rodada do Grupo F da Copa do Mundo 2010 em Nelspruit, na África do Sul (Keystone)

Quais são as chances do campeonato europeu de futebol 2012, organizado em conjunto pela Polônia e pela Ucrânia, atingido por escândalos de doping e de manipulação de resultados por apostadores?

Funcionários da Uefa e de outras federações esportivas internacionais reunidos recentemente na cidade suíça de Neuchâtel disseram que estavam confiantes que a Eurocopa 2012 não seria marcada por escândalos. Mas alguns especialistas dizem que as federações estão "cegas" para a realidade.

A União Europeia de Futebol controla os milhões de apostas realizadas pelas 300 a 400 operadoras credenciadas através de um chamado “sistema de alerta precoce para detectar anomalias nos padrões de apostas”.

Todos os anos, cerca 31.000 partidas são examinadas - 1.900 jogos do campeonato europeu da primeira e segunda divisões de suas 53 federações nacionais. Nos últimos dois anos, foram detectadas cerca de 250 partidas com irregularidades nas apostas; 31 partidas da Eurocopa 2012 serão fiscalizadas.

"Claro que estamos acompanhando o que está acontecendo com muita atenção. Mas a Eurocopa 2012 não é uma competição com alto risco de manipulação de resultados, já que será vista por cerca de 200 milhões de pessoas, que acabam sendo 200 milhões de árbitros", declarou Pierre Cornu, responsável do departamento jurídico da Uefa, em uma mesa redonda sobre manipulação de resultados.

"A manipulação de resultados é um problema sério, mas 99,99% de todos os jogos que você assiste são limpos. O 0,01% é certamente preocupante, mas não devemos ficar muito obcecados."

A Interpol estima que cerca de 300 a 500 bilhões de dólares são apostados por ano no esporte. A proliferação de tecnologias que permitem que as apostas sejam feitas em todos os tipos de eventos esportivos, em todo o mundo, através da internet e de celulares, e o crescimento dos mercados ilegais, principalmente na Ásia, tem intensificado a ameaça de manipulação de jogos.

Apesar do otimismo de Cornu, a UEFA continua preocupada. O presidente da organização, Michel Platini, alertou recentemente que a manipulação de resultados estaria "matando o jogo".

Denis Oswald, membro do conselho executivo do Comitê Olímpico Internacional (o COI, sediado em Lausanne) e especialista em manipulação de resultados, concorda com Cornu: "Com tantas pessoas assistindo, não acho que seja algo provável de acontecer. Se eu quisesse manipular uma partida, não seria no Euro 2012".
"A manipulação de resultados é um problema sério, mas 99,99% de todos os jogos que você assiste são limpos" - Pierre Cornu, Uefa
Risco potencial

Mas Hervé Martin Delpierre, diretor do documentário “Sport, Mafia et Corruption”, que passou 18 meses investigando resultados combinados, acha que há um "risco potencial real" que o Euro 2012 seja alvo de irregularidades.

Segundo o cineasta, Cornu foi "excessivamente otimista", já que o sistema de alerta precoce controla apenas sites credenciados.

"Infelizmente, eles estão cegos com relação a 80 a 90% das apostas realizadas em todo o mundo, principalmente na Ásia", disse Delpierre à swissinfo.ch.

O número de apostadores e de modalidades de apostas explodiu. Há uma estimativa de 15.000 sites de jogos online e agora é possível fazer até 300 tipos diferentes de apostas durante o jogo. Dos cinco minutos antes do final, ao número de escanteios durante o primeiro tempo, até quem marca o primeiro gol.

E a ideia de que apenas jogos de pequeno porte são manipulados é falsa, acrescentou Delpierre.

"Se você falar com o pessoal da Early Warning System GmbH ou da Sportradar, que supervisionam a maioria das apostas na Europa, eles vão te dizer que a Champions League e eliminatórias da Copa do Mundo também estão em risco e que já existem fortes suspeitas", observou.

E jogos eliminatórios da Eurocopa não estão livres de qualquer suspeita. A Uefa está investigando alegações de que a eliminatória entre Noruega e Malta para a Eurocopa de 2008 tenha sido fraudada.

Salários não pagos e corrupção

No entanto, o jornalista investigativo Declan Hill, que tem escrito muito sobre manipulações de resultados, foi mais cauteloso. Segundo Hill, os manipuladores de partidas devem provavelmente estar presentes na Ucrânia e na Polônia, mas ele duvida que eles tenham sucesso.

"Há apenas 16 equipes no torneio, nove das quais têm uma boa chance de ganhar e há também algumas zebras. Mas o mais importante é que a maioria das federações de futebol envolvidas pagam seus jogadores ", disse à swissinfo.ch.

"É 'a' questão que o COI e a Fifa vêm se esquivando. Muitas de suas federações nacionais convocam os jogadores para a Copa do Mundo, por exemplo, sem pagar nada, o que abre a porta para os manipuladores."

Em fevereiro, FIFPro, o sindicato mundial de jogadores profissionais, publicou um levantamento de 3.400 jogadores, principalmente da Europa Oriental, revelando que 12% deles haviam sido abordados para forçar os resultados e 23,6% estavam cientes da manipulação de resultados em sua liga. O sindicato concluiu que havia uma ligação clara entre salários não pagos e corrupção.

Manipuladores asiáticos

Segundo Hill, 60 investigações abertas contra manipuladores de jogos estariam relacionadas a uma gangue de 20 a 30 asiáticos de Cingapura, Malásia, Indonésia e Tailândia, que teriam se aliado a outros grupos criminosos no mundo, em lugares como Alemanha, Finlândia e Itália. Mil dirigentes esportivos e jogadores foram presos e 100 pessoas condenadas, acrescentou.

Na Itália, 50 suspeitos foram presos no ano passado em um enorme escândalo de manipulação revelado por promotores em Cremona, que envolve 22 clubes e 33 jogos. Muitas outras pessoas continuam sob investigação.

O primeiro-ministro italiano Mario Monti sugeriu na semana passada que o futebol italiano fosse suspenso por dois a três anos. O técnico italiano Cesare Prandelli disse que não teria nada contra em retirar sua equipe do Eurocopa deste ano.

Organismos esportivos internacionais dizem que têm uma abordagem de tolerância zero com relação à corrupção no esporte e introduziram uma série de medidas, como linhas de denúncia e programas de prevenção.

Mas sem mais apoio do governo e um quadro jurídico harmonizado, vai ser difícil conter o crescente fenômeno.

"No momento, a manipulação de resultados não é uma prioridade para os governos. É realmente uma luta de longo prazo que é muito mais resistente do que a luta contra o doping, dada a escala do problema, os montantes envolvidos e à complexidade das investigações", declarou na mesa-redonda de Neuchâtel o diretor-geral do COI Christophe De Kepper.

Extraído do sítio Swissinfo.ch

08 junho 2012

EUROCOPA 2012: ENTRE POLÍTICA E ESPORTE - Stefan Nestler



Críticas à situação dos direitos humanos na Ucrânia, coanfitriã da UEFA Euro 2012, dominaram os jornais na contagem regressiva para o torneio. Espanha e Alemanha são principais favoritas este ano.

É a primeira vez em 36 anos que a Eurocopa volta a se realizar no Leste da Europa. A última vez foi em 1976, quando os melhores times de futebol do continente competiram pelo título na Iugoslávia.

Mas o futebol não é o único tema, quando se fala sobre o torneio da UEFA na Polônia e na Ucrânia. Nos últimos meses, o esporte ficou muitas vezes à sombra da política. A detenção da líder da oposição ucraniana, Yulia Tymoshenko, por alegações de abuso de poder enquanto primeira-ministra, dominou as manchetes dos jornais.

Muitos líderes políticos europeus, entre eles o novo presidente francês, François Hollande, não vão viajar para a Ucrânia em protesto contra as violações dos direitos humanos no país. "Amo futebol, mas o que se passa na Ucrânia é um problema", disse Hollande.

Custos explosivos

Ao entregar a realização da Euro 2012 a um Estado da antiga União Soviética, a União das Federações Europeias de Futebol (UEFA) esperava acelerar a democratização do país. Mas a Ucrânia tornou-se um caso problemático, não só no que diz respeito à política.

A UEFA ameaçou retirar a Eurocopa do país várias vezes, devido à lentidão dos preparativos. Além disso, os custos explodiram. Economistas preveem que a Ucrânia saia do torneio com um saldo negativo de bilhões de euros. As perspectivas para a coanfitriã, a Polônia, são bastante melhores, ainda que tenham diminuído as esperanças de um boom econômico depois da Eurocopa.

Promoção para a Euro em Kharkiv, Ucrânia
Espanha e Alemanha são favoritas

Em nível esportivo, os países anfitriões não estão entre os times favoritos ao título europeu. Tanto a equipe polaca como a ucraniana já ficariam contentes se passassem além da primeira rodada do torneio.

A Espanha e a Alemanha são novamente apontadas como favoritas. A equipe espanhola, atual campeã europeia e mundial, dominou o futebol nos últimos anos e lidera os rankings mundiais com margem de vantagem. Ainda assim, estarão ausentes dois jogadores fundamentais: o zagueiro Carles Puyol e o atacante David Villa não vão poder jogar devido a lesões.

A Alemanha é o time mais jovem da UEFA Euro 2012, com uma média etária de 24,4 anos. A maior parte dos comentadores diz que o time tem mais vantagens que a Espanha – ainda que os últimos jogos de preparação tenham passado outra ideia. "Definitivamente, não creio que haverá falhas", disse o treinador da equipe alemã Joachim Löw. A Alemanha não vence a Eurocopa desde 1996.

Time alemão (de camiseta branca) está entre favoritos
No entanto, uma vitória alemã não será fácil. O time vai enfrentar logo na primeira rodada vários ossos duros de roer: Portugal, Holanda (vice-campeã mundial) e Dinamarca. Muitos olham também para a Holanda como possível vencedora da Euro. Neste segundo grupo de favoritos estão também a França e a Itália. Ambas as equipes se recuperaram do mau desempenho na primeira rodada da Copa do Mundo de 2010. A França está incansável: já não perde há 20 jogos. Também a Inglaterra poderá ter algo a dizer na hora da entrega do título.

O jogo de abertura entre os anfitriões da Polônia e a Grécia transcorrerá esta sexta-feira (08/06) na capital Varsóvia. A final se realiza em 1º de julho em Kiev, capital da Ucrânia. Também haverá jogos em Danzig, Breslau e Posen, na Polônia, bem como em Donetsk, Kharkiv e Lviv na Ucrânia.

Grande dispositivo policial

Ambos os países anfitriões estão bastante preocupados com a questão segurança. A Polônia anunciou controles apertados nas fronteiras. Os hooligans deverão ser interceptados logo à entrada no país. Cerca de 10 mil agentes de segurança estarão de serviço durante a Eurocopa.

A Ucrânia terá 7 mil oficiais vigiando as grandes cidades nos dias dos jogos. O governo em Kiev sublinhou que não haverá qualquer tolerância para infratores violentos.

A organização internacional de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional aponta que as forças de segurança ucranianas ultrapassam com frequência os limites legais, ao intervir mais duramente – não só contra elementos da oposição, mas também contra torcedores de futebol.

Extraído do sítio Deutsche Welle