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07 maio 2012

DOMINGO ESPETACULAR MOSTRA A INFLUÊNCIA DE CARLINHOS CACHOEIRA SOBRE A REVISTA VEJA

O jornalístico da Record teve acesso às gravações de telefonemas entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso acusado por 15 crimes de contravenção, o diretor da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior, e mostra o esquema em que o contraventor controlava o que seria publicado na principal revista da editora Abril. 

Os documentos a que o Domingo Espetacular teve acesso com exclusividade trazem provas de que as informações trocadas entre Cachoeira e o diretor da Veja resultaram ao menos em cinco capas da revista de maior circulação do país. 

As gravações registram ainda que a influência esbarra em outras esferas do poder, como na pressão para demissão da cúpula do Ministério dos Transportes, que havia se desentendido com um dos aliados do contraventor, a construtora Delta. Por meio do que Cachoeira passava para ser publicado na Veja, vários funcionários do ministério foram afastados. 

Cachoeira se orgulha de “plantar” notícias na Veja em benefício próprio e sabe até quando determinadas matérias sairão. 

Veja a transcrição de alguns trechos dos diálogos.


A revista ainda não se manifestou com clareza em relação ao caso. O diretor de redação da Veja, Eurípedes Alcântara, publicou na Internet artigo sem citar nomes em que afirma que “ter um corrupto como informante não nos corrompe”. 

A reportagem do Domingo Espetacular ouviu especialistas, que registraram grave problema ético no tipo de jornalismo praticado pela Veja diante de tantas ligações criminosas.

O professor Laurindo Leal Filho, da USP, avalia que o controle da publicação não pode ser da fonte.

— O jornalista pode e deve falar com qualquer tipo de fonte desde que tenha o controle sobre a publicação e a matéria que ele está fazendo. Quando ele oferece à fonte o controle (...), ele rompe os limites éticos.

O presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Celso Schroder, critica o envolvimento da Veja no escândalo do Cachoeira.

— Nesse caso, houve uma relação promíscua muito intensa, unilateral.

O deputado federal Fernando Ferro (PT-PE) acredita que a CPI do Cachoeira, que começou os trabalhos na semana passada em Brasília, deve convocar não apenas o jornalista Policarpo Júnior, mas também o responsável pela editora que publica Veja, Roberto Civita.

— Na minha opinião, ele é o principal responsável. Ele é o dono dessa revista, e ele operou com vontade.

Assista à reportagem abaixo:


Extraído do sítio R7

28 abril 2012

FERNANDO FERRO SOBRE CIVITA: "JÁ SE FOI LONGE DEMAIS PARA NÃO CONVOCAR" - Gilberto Prazeres





A possibilidade do presidente do conselho de administração e diretor editorial do grupo Abril, Roberto Civita, ser blindado na CPI Cachoeira , revelada, na semana passada com exclusividade pelo 247, parece não intimidar alguns parlamentares. O deputado federal Fernando Ferro (PT-PE), por exemplo, afirma que nenhuma explicação foi dada até o momento para que se descarte a convocação do dono do grupo que publica a revista Veja. Conforme o parlamentar, as cerca de 200 ligações telefônicas do jornalista Policarpo Júnior - ponto de ligação entre a revista e o contraventor Carlos Cachoeira - gravadas pela Polícia Federal (PF) , são um indicativo forte demais para ser jogado para baixo do tapete.

“Eu já disse isso na tribuna da Câmara. Quem se associa com bandido tem que se explicar . São mais de 200 ligações para Cachoeira e uma sequência de capas de revistas baseadas em informações repassadas por ele. Para que o Civita ou mesmo o Policarpo não sejam convocados, as explicações terão que ser dadas de outra forma. Já se foi longe demais para não convocar”, defendeu Fernando Ferro, completando: “Na Inglaterra, por muito menos, um jornal foi fechado. E tem magnata (Rupert Murdoch) depondo”, diz Ferro.

O parlamentar, que defendeu, no início do mês, na tribuna da Câmara, a convocação de Civita, ainda critica o discurso corporativista adotado pela Veja, Folha de São Paulo e Rede Globo, de que a CPI Cachoeira poderia se tornar uma CPI de pressão sobre a mídia e jornalistas. “É um falso discurso. Não tem nada de ataque à mídia ou aos jornalistas. Esse corporativismo não cola. A conduta da Veja não é a conduta da maioria dos jornalistas. Querem se defender com uma mentira”, bateu o petista, assegurando que o clima, em Brasília, está quente demais para um recuo na investigação das atividades do contraventor Carlos Cachoeira e sua ligação com a publicação do Grupo Abril.

Na semana passada, o 247 revelou que o executivo Fábio Barbosa, presidente do grupo Abril e ex-presidente da Febraban, foi a Brasília com a missão de impedir a convocação do chefe. No mesmo período, surgiu a informação de que João Roberto Marinho, da Globo, teria deixado claro, por meio de intermediários, ao Palácio do Planalto que o governo seria retaliado se jornalistas ou empresários de comunicação fossem convocados. E, para assegurar o sucesso dessa movimentação, o grupo ainda teria um representante dentro da CPI, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).

A tentativa de barrar a convocação de Roberto Civita ou mesmo de Policarpo Júnior na CPI do Cachoeira encontraria a sua maior resistência no desejo do ex-presidente Lula (PT) de ver a Veja respondendo sobre sua ligação com o contraventor. Alguns parlamentares, em reserva, garantem que o ex-chefe da Nação está com a “faca nos dentes” e não quer deixar passar a oportunidade de revidar as muitas capas de revista com denúncias contra os seus governos (2003-2006/2007-2010). “E não é só o Lula. É o PT como um todo e muitos partidos. E não só partidos do governo. A coisa descambou para um caminho sem volta. Se (o Civita) vai ser convocado, eu não sei. Mas se não for vai ser estranho demais. Essa história está muito pública”, afirmou um deputado federal da oposição. Já do lado governista, há o sentimento de que “enfim, o troco está vindo”. “É um pedido pessoal do Lula. É o troco dele. Fica difícil não atender. Se tiver essa história de retaliação de setores da imprensa, o governo vai ter que segurar a onda”, sinalizou, também em reserva, um deputado da base do governo.

Extraído do sítio Brasil 247

23 abril 2012

DEPUTADO AFIRMA QUE REVISTA VEJA FINANCIOU ATIVIDADES ILEGAIS DE CACHOEIRA - Raoni Scandiuzzi

Fernando Ferro, do PT de Pernambuco, quer que os dirigentes da editora Abril sejam chamados para depor na CPMI que vai investigar as ligações do bicheiro com políticos

Fernando Ferro questiona a ética jornalística e o denuncismo da revista Veja (Foto: José Cruz/ABr)

São Paulo – Depois de subir à tribuna da Câmara e dizer que a revista Veja é “o próprio crime organizado fazendo jornalismo”, o deputado federal Fernando Ferro (PT-PE) afirmou em entrevista à Rede Brasil Atual que o veículo de comunicação "fomentou, incentivou, financiou esses delinquentes a terem esse tipo de comportamento", referindo-se à rede ilegal de atuação do contraventor Carlinhos Cachoeira.

O deputado defendeu que os responsáveis pela revista prestem esclarecimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para investigar a rede ilegal de atuação de Cachoeira e que sejam tratados como réus. Escutas feitas durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, mostraram conexões entre o grupo do contraventor e o diretor da sucursal de Brasília da publicação semanal, Policarpo Júnior. 

Este mês, Veja divulgou reportagem afirmando que a CPMI é uma "cortina de fumaça" criada pelo PT para desviar o foco do julgamento do mensalão, que será realizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A notícia levou Ferro a lamentar que a revista atue desta maneira.

Perguntado se a convocação de representantes do Grupo Abril não afetaria a liberdade de imprensa, Ferro afirmou que as atividades de Veja tem conexão o crime organizado, e não com o jornalismo. Para o parlamentar, o dono da Editora Abril, Roberto Civita, deve ser tratado como réu nessa investigação.

Confira abaixo a íntegra da entrevista com o deputado Fernando Ferro, um dos candidatos a integrar a CPMI do Cachoeira.

Por que levar um órgão de imprensa a uma CPMI?

Caberia ao órgão de imprensa trazer esclarecimentos sobre essa relação, o porquê de tantos telefonemas identificados na investigação da Polícia Federal.

Você falou em requerer a presença de Roberto Civita.

Independentemente de quem seja, o Civita ou não, os responsáveis pela Veja terão de responder sobre isso. 

Há uma relação da Veja com essas atividades ilegais?

É uma relação estranha, que tem laços de cumplicidade com esse submundo. Na verdade, isso vem lá de trás, em vários momentos. Essas denúncias espetaculosas da Veja, todas elas estão sendo lastreadas por esse processo de espionagem e arapongagem. Em termos de ética jornalística, isso é muito questionável. A Veja fomentou, incentivou, financiou esses delinquentes a terem esse tipo de comportamento.

Isso poderia colocar em risco a liberdade de imprensa?

A Veja tenta formar uma ideia de que nós estaríamos querendo restringir a liberdade de imprensa. Essa é uma medida esperta e calhorda dela de justificar a sua ação criminosa. Eles querem falar em nome de toda a imprensa, mas não é verdade, essa prática, esse estilo, é próprio da Veja. Ou seja, ela praticou ações criminosas e agora quer colocar o conjunto da imprensa no Brasil como vítima. Ela é ré, vai ter que trazer esclarecimentos à CPI.

Há quem defenda esse tipo de jornalismo a qualquer custo.

Essas ações da Veja têm tudo a ver com crime organizado, não com jornalismo.

Por que no Brasil há uma tendência de punir exclusivamente os políticos que estão envolvidos em atividades ilegais, sendo que por diversas ela possui muitos lados?

Há uma ação política e ideológica de incriminar um partido político, ou uma orientação, ou uma corrente política. Na verdade, não há uma preocupação com a informação, estão preocupados em incriminar alguém que está governando o país.

O senhor está falando da Veja, especificamente?

A Veja criou a figura do bandido colaborador, que é alguém que atende aos interesses dela, e o qual ela criou um nível de promiscuidade tão grande que você nem sabe quem é mais bandido. Na verdade, os dois são.

Em sua opinião, quem mais deve ser chamado para depôr na CPI?

A partir da investigação da Operação Monte Carlo, você tem os vínculos de articulação criminosa, de envolvimento entre os personagens dessa teia criminosa, então todos eles, tanto agentes públicos quanto privados, deverão ser chamados para prestar esclarecimentos.


Extraído do sítio Rede Brasil Atual

14 abril 2012

QUEM É O "REPÓRTER DO G"? - Rodrigo Vianna

A “Veja” tem razão, minha gente. É preciso reconhecer. Está na hora de levantar essa “Cortina de Fumaça” e enxergar o que há atrás.

Depois de receber a orientação da revista, na corajosa edição que chegou às bancas essa semana, um grupo de operários da notícia (não confundi-los com as ”formigas” a que a publicação da marginal faz referência) resolveu dedicar parte da última madrugada a ler a transcrição dos grampos do Caso Cachoeira.

A leitura revela diálogos curiosos. Um deles, publicado pelo blog Dodeladelá, mostra que Cachoeira e seus arapongas se confraternizam depois de ver publicada uma reportagem no Correio Braziliense. O blogueiro Marco Aurelio Mello pergunta no Doladodelá: “A quem interessava aquela notícia?” Ah, essa cortina de fumaça…

Mas o diálogo mais intrigante é outro, também destacado pelo Doladodelá. Dois arapongas conversam. O dia: 19 de maio de 2011. Quatro dias antes, o “Fantástico” da TV Globo havia publicado reportagem sobre a compra de máquinas caça-níqueis. Os arapongas fazem referência à reportagem:

“LENINE – (…) O CHICO sentou com o repórter aí rapaz que fez, cê sabe rapaz, sentou ontem, sentou hoje…

OLÍMPIO – oh rapaz, o duuuu o do G, aquele do G que fez tudo?

LENINE – é o repórter aí homem que fez o trem do FANTÁSTICO pô”

Encerrada a transcrição (que pode ser lida aqui), esclareçamos: ”Chico” é o Dadá, araponga que trabalhava para Cachoeira e para mais meio mundo em Brasília.

Agora, vamos testar hipóteses: o araponga sentou com “o repórter do G” para que? Reparem que não se fala em repórter “da” G, mas “do” G. O que seria esse G, assim, tão próximo da palavra “Fantástico”?

G de “G Magazine”, sugere-me um gaiato no twitter. Ou seria G de “Guarani”? G de “Guaraná”? Alguém na internet falou em “G de Globo”. E aí, sinceramente, fiquei confuso. Globo seria o jornal ou seria aquele biscoito que a gente compra nas praias do Rio? Os dois são muito vendidos.

Para não ser injusto, gostaria de dizer: a reportagem do “Fantástico” parece-me correta. Não vi nada de estranho ali. No twitter, algumas pessoas dizem que a reportagem serviria para detonar adversários de Cachoeira. Não vejo elementos para afirmar isso. E a reportagem também ataca a atividade dos bingos clandestinos de uma forma geral, o que não deve ter agradado Cachoeira.

O estranho é outra coisa: por que Dadá teria se encontrado com “o repórter do G”, que “fez o trem do FANTÁSTICO”?

Esse é apenas um dos fatos que precisam ser investigados na CPI do Cachoeira. Até para que se saiba quais jornalistas faziam parte da quadrilha e quais simplesmente trocavam informações em sua busca incansável pela notícia. Por isso, afirmo: devemos nos somar ao corajoso chamado da Veja e exigir que se exponha ao país o que está por trás da “Cortina de Fumaça”

Jornalistas muitas vezes falam com bandidos para denunciar outros bandidos. Falar não significa virar parceiro. Mas está claro que uma parte da imprensa brasileira usou sistematicamente os serviços do “empresário de jogos clandestinos” (é assim que a “Folha”, respeitosamente, trata Cachoeira; por que será, hem?). E o fez não apenas para publicar reportagens sobre caça-níqueis que, eventualmente, pudesem agradar a turma de Cachô. A parceria, diz o deputado Fernando Ferro, parece ser mais profunda.

Por isso, o deputado quer que Bob Civita seja convocado pela CPI. A Abril precisa explicar os 200 telefonemas entre o diretor da revista (Policarpo) e Cachoeira. E precisa explicar se o escândalo do Mensalão foi mesmo criado a partir de uma parceria “Veja”-Cachoeira.

A velha imprensa brasileira tá com medo da CPI, medo de ver Bob Civita interrogado. Medo que se descubra quem são os outros jornalistas do esquema. O “repórter do G” é apenas parte dessa imensa teia que precisa ser desvendada. Levantemos a cortina de fumaça pra enxergar o que há atrás. 

A Globo de Ali Kamel tem todo interesse em revelar tudo que se passa, tenho certeza. Não está preocupada apenas em mostrar as ramificações no Distrito Federal. Não. Tanto que a Globo, curiosamente, pediu acesso aos autos que estavam no STF. Curiosidade jornalística sem limites. O site CartaMaior também pediu acesso aos autos. Aí, o que fez o STF? Decretou segredo de Justiça.

Mas já havia cópias dos autos circulando. E nelas pode-se ler a referência ao “Fantástico” e ao misterioso “repórter do G”. Sobre isso, a Globo ainda não falou.

Extraído do sítio Escrevinhador de Rodrigo Vianna

FERNANDO FERRO: "SE TIVER ALGUÉM DO PT ENVOLVIDO NISSO, NA INVESTIGAÇÃO VAI APARECER" - Luiz Carlos Azenha

Nenhum dos envolvidos com o bicheiro — ou, se preferirem, com o “empresário do ramo de jogos” — Carlinhos Cachoeira deve escapar da investigação da CPI que, tudo indica, será criada na semana que vem no Congresso para se debruçar sobre os desdobramentos da operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

Deputado Federal e
 engenheiro Fernando Ferro
 (PT-PE)
A opinião é do deputado Fernando Ferro (PT-PE), que foi o criador do famoso PIG, o Partido da Imprensa Golpista, para se referir a grupos de mídia que se engajaram em campanhas contra o governo do ex-presidente Lula, algumas delas baseadas em fiapos de informação, quando não em fantasias.

Sobre a ênfase dada nas últimas horas às suspeitas em torno do governador de Brasília, Agnelo Queiroz, do PT, o deputado negou que deva ser motivo para o partido desistir de investigar:

“Não, de forma alguma, é motivo para investigar e esclarecer. E nós não podemos aceitar acusações simplesmente como tentativa de desviar o foco, uma vez que o centro desta corrupção está no DEM, está aí nos setores da mídia que participou desse esquema de escândalo e faz parte da articulação do Cachoeira. Se tiver alguém do PT envolvido nisso, na investigação vai aparecer. E aí não tem motivo para ter medo. Se tiver culpa eu sinto muito, a nossa posição tem de ser esclarecer, isso é em benefício da democracia, do próprio partido e da política limpa. Eu me recuso a aceitar acusações sem ter investigação, me recuso a não fazer a investigação, que aí é o pior dos mundos”.

Sobre a convocação de jornalistas ou de empresas jornalísticas:

“Eu acho que todos aqueles que tiverem vinculação ou qualquer contato que de alguma maneira o comprometa no processo de investigação da operação Monte Carlo, ele deve ser ouvido e trazer esclarecimentos. É incompreensível que um jornalista tenha 200 ligações para Carlinhos Cachoeira e de repente ele vai dizer que não tem nada a ver com essa onda de acusações, de arapongagem, de denúncias e de envolvimento com esse crime organizado. Não teve nada… Acho que tem que ter… obrigatoriamente esclarecer, até para o bem da autoridade jornalística e para a reputação deste órgão de imprensa mais do que ninguém deve ter interesse em esclarecer essas relações”.

Extraído do sítio Viomundo de Luiz Carlos Azenha

11 abril 2012

MÍDIA DEMO-TUCANA JÁ FAZ MENÇÃO À RELAÇÃO ENTRE VEJA E CACHOEIRA - Eduardo Guimarães

Está caindo a ficha da grande mídia demo-tucana quanto ao potencial explosivo da vindoura Comissão Parlamentar de Inquérito que investigará as relações entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira e empresas privadas, sem prejuízo de suas relações com o governo de Goiás e, sobretudo, com órgãos de imprensa ligados ao PSDB e ao DEM, como a revista Veja. Essa tomada de consciência transparece em denúncias fracas que essa mídia está fazendo ao PT.

A tentativa da grande mídia de envolver também o PT em um escândalo que atinge em cheio dois expoentes da oposição – o senador Demóstenes Torres, do DEM (agora desfiliado), e o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo – é absolutamente frágil e busca, apenas, tentar induzir a sociedade à crença de que o partido do governo estaria envolvido com um criminoso que, agora se sabe, é responsável pelas maiores denúncias contra petistas durante a década passada.

As denúncias da mídia contra o PT em nada se comparam ao envolvimento de Perillo com Cachoeira, que transparece em dezenas de nomeações e contratos com o governo de Goiás.

Está sendo usada gravação da Polícia Federal, feita no ano passado, na qual Claudio Abreu, à época diretor da empreiteira Delta, aparece conversando com o araponga Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, um dos braços-direitos do bicheiro, sobre tentativa de suborno de Claudio Monteiro, chefe de gabinete do governador de Brasília, Agnelo Queiróz (PT), para que facilite manutenção de contrato de limpeza urbana firmado pelo governo anterior, do demo José Roberto Arruda.

Além disso, também está sendo difundida, com grande destaque, menção da quadrilha de Cachoeira ao subchefe de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais do governo Dilma, Olavo Noleto.

Contudo, as acusações são tão frágeis que a Polícia Federal não indiciou nenhuma dessas pessoas. A exposição desproporcional dessas escutas que a mídia pretende que atinjam ao PT visa apenas ludibriar a sociedade, fazendo-a pensar que o escândalo em questão seria “suprapartidário”, o que é um absurdo porque escutas da PF mostram que o bicheiro Carlinhos Cachoeira esteve por trás de grande parte das acusações da Veja ao PT.

O ataque da mídia tucana ao PT se torna ainda mais absurdo quando se nota que uma das informações mais estarrecedoras oriunda das escutas da PF, a que versa sobre o envolvimento da Veja com Cachoeira, até agora não havia sido divulgada por nenhum desses grandes meios de comunicação.

Todavia, isso mudou nesta quarta-feira (11/04). A Folha publicou “análise” de seu colunista Fernando Rodrigues em que, ao acusar o PT de “ira mal-resolvida” contra PSDB e DEM por suas condutas durante o escândalo do mensalão, acaba citando um caso que a mídia terá que divulgar, pois o deputado federal do PT de Pernambuco Fernando Ferro já avisou que fará requerimento à CPI pedindo convocação – não será convite, mas convocação – de Roberto Civita, dono da editora Abril, que edita a Veja.

Fernando Rodrigues distorce os fatos na página A7 da Folha de São Paulo de quarta-feira 11 de abril ao dizer que “(…) Os governistas vislumbram a possibilidade de usar a CPI do Cachoeira para constranger jornalistas que usaram as informações do empresário na apuração de reportagens (…)”.

Na verdade, as gravações mostram o bicheiro confraternizando com o editor da Veja Policarpo Jr. por ataques que a revista fizera ao governador petista de Brasília, Agnelo Queiróz. Em outro ponto, as escutas mostram membros da quadrilha afirmando que praticamente todas as matérias da Veja contra o PT partiram de seu chefe, Cachoeira. Há centenas de telefonemas trocados entre Policarpo e Cachoeira que mostram relação íntima entre o bicheiro e a revista.

Até aqui, não há nada minimamente comparável entre petistas e Cachoeira ao que há envolvendo a oposição. Podem até surgir relações do bicheiro com alguém da base aliada, mas o forte empenho do PT, de Lula e do governo Dilma para que a CPI seja instalada mostram que o governismo está disposto a finalmente escancarar a espantosa promiscuidade da mídia demo-tucana e da oposição com o crime organizado.

Extraído do Blog da Cidadania