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02 fevereiro 2013

ENTREVISTA COM ASSANGE: "É BOM QUE OS GOVERNOS TENHAM MEDO DAS PESSOAS" - Jamil Chade


LONDRES – A Internet está se transformando no maior instrumento de vigilância já criado e a liberdade que ela representa estaria seriamente ameaçada. A avaliação é de Julian Assange, criador do Wikileaks e que, há sete meses, vive na embaixada do Equador em Londres. Para ele, a web redefiniu as relações de poder no mundo, se transformou no “sistema nervoso central hoje das sociedades” e chega a ser mais determinante que armas. O problema, segundo ele, é que esse poder está agora se virando contra as populações.

O australiano recebeu a reportagem do Estado para uma entrevista sobre seu livro “Cypherpunks, Liberdade e o Futuro da Internet”, que está sendo lançado no Brasil nesta semana pela Boitempo Editorial.

Apesar de aparentar relaxado, não escondia a palidez de sete meses dentro de um escritório. Em junho de 2012, ele optou por pedir asilo ao Equador, diante de sua iminente deportação para a Suécia, onde é acusado de assédio sexual. Segundo ele, sua decisão de pedir refúgio ao governo de Quito tem como meta evitar sua extradição da Suécia para os EUA, onde seria julgado pela difusão de documentos secretos. O Equador lhe concedeu asilo. Mas a polícia britânica indicou que, assim que ele pisar para fora da embaixada em direção ao aeroporto, seria detido. O resultado tem sido um confinamento sem data para acabar.

Mas essa situação não o deixou menos polêmico. Segundo ele, ao colocar informações em redes sociais, internautas pelo mundo estão fazendo um trabalho de graça para a CIA. “Hoje, o Google sabe mais sobre você que sua mãe”, disse. “Esse é o maior roubo da história”.

Assange ainda defendeu seu anfitrião, o presidente equatoriano Rafael Correa, diante de sua ação contra jornais no Equador e que chegou a ser criticado pela ONU.

Sobre o futuro do Wikileaks, Assange já prometeu que, em 2013, um milhão de novos documentos serão publicados. Ao Estado, ele garantiu: “haverá muita coisa sobre o Brasil”. Ao aparecer para a entrevista, Assange vestia uma camisa da seleção brasileira, num claro esforço de criar simpatia no Brasil e numa operação de imagem cuidadosamente trabalhada.

Eis os principais trechos da entrevista e as fotos de Joao Castelo Branco, as primeiras publicadas por um jornal brasileiro desde que o australiano pediu asilo ao Equador. 

Chade – A Internet é o símbolo da emancipação para muitos e foi apresentada como a maior revolução já feita. Mas agora o sr. traz a ideia de que há uma contra-ofensiva a isso tudo. O sr. considera que a Internet está em uma encruzilhada ?

Assange – Diferentes tecnologias produzem mais poder para estruturas existentes ou indivíduos e isso tem sido a história do desenvolvimento tecnológico, ao ponto que podemos ver a história da civilização humana como a história do desenvolvimento de diferentes armas de diferentes tipos. Por exemplo, quando rifles, que podiam ser obtidos por pequenos grupos, eram as armas dominantes em seu dia, ou navios de guerra ou bombas atômicas. E isso define a relação de poder entre diferentes grupos de pessoas pelo mundo. Desde 1945, a relação entre as superpotências dominantes tem sido definida por quem tem acesso às armas atômicas. Mas o que ocorre agora é que Internet é tão significativa que está começando a redefinir as relações de força que antes eram definidas pelos diferentes sistemas de armas que um país tinha. Isso porque todas as sociedades que tem qualquer desenvolvimento tecnológico, que são as sociedades influentes, se fundiram totalmente com a Internet. Portanto, não há uma separação entre o que nós pensamos normalmente que é uma sociedade, indivíduos, burocracia, estados e internet. A internet é o alicerce da sociedade, suas artérias, os nervos e está conectando os estados por cima das fronteiras. A Internet é um centro, se não for o centro, da nossa sociedade. Ela está envolvida na forma que uma sociedade se comunica consigo mesmo, como se comunica entre elas. Não é só simplesmente um sistema de armas ou fonte energia. Não é certo pensar como se fosse o sangue da sociedade. É o sistema nervoso central da socidade. Portanto, se há um problema na Internet, há um problema com o sistema nervoso da sociedade. Agora, víamos antes a internet como uma força liberatadora, que garantia às pessoas que não tinham informação com informação e, mais importante ainda, com conhecimento. Conhecimento é poder. Outras coisas tambem são poder. Mas ela deu muito poder a pessoas que antes não tinham poder. E não apenas mudou a relação entre os que tem poder e aquelas que não tem, dando conhecimento àqueles que não tinham conhecimento. Mas também fez todo o sistema funcionar de forma mais inteligente. Todos passaram a poder tomar decisões mais inteligentes e puderam passar a cooperar de forma mais inteligente. Agindo contrário a essa força está a vigilância em massa criada por parte do estado.

Chade – De que forma estaria ocorrendo essa vigilância em massa?

Assange – As sociedades se fundiram com a internet, diante do fato de que comunicações entre os indivíduos ocorrem pela Internet, os sistemas de telefone estão na Internet, bancos e transações usam a Internet. Estamos colocando nossos pensamentos mais íntimos na Internet, detalhes de comunicações e mesmo entre marido e muher, nossa posição geográfica. Enfim, tudo está sendo exposto na Internet. Isso signifca que grupos que estão envolvidos em vigilância em massa tem conseguido realizar uma transferencia em massa de conhecimento em sua direção. Os grupos que já tinham muito conhecimento agora tem mais. Esse é o maior roubo que de fato já ocorreu na história. Essa transferência de conhecido, de todas as comunicações interceptadas para agências nacionais de segurança e seus amigos corporativos. A tecnologia está sendo desenvolvida para essa vigilância em massa está sendo vendida por empresas de países, como a França, que vendeu um sistema de vigilância para o regime de Kadafi. Na África do Sul, há um sistema desenhado para gravar de forma permanente todas as ligações que entram e saem do país e as estocam por apenas US$ 10 milhões por ano. Está ficando muito barato. A população mundial dobra a cada 20 anos. O custo de vigilância está caindo pela metade a cada 18 meses.

Chade – Mas, justamente o sr. citou Kadafi. Muito acreditam que a Primavera Árabe só ocorreu graças à Internet. Não teria sido esse o caso?

Assange – Há uma série de histórias tradicionais de um longo trabalho de ativistas, de sindicatos e até de clubes de futebol que tiveram um papel importante na Tunísia e no Egito, os Ultras. O que é realmente novo? Bom, algumas coisas: o ativismo pan-arábico é algo novo e potenciado pela web. Diferentes ativistas em diferentes países se conectaram entre si pela web, trocando dicas, identificando quem era bem e quem era mau. O movimento dos Ultras vieram da Itália para os clubes da Tunísia e Egito. Como? Pela Internet. E então há o Wikileaks, jogando muita informação e essa informação então foi atacada pelo regime na Tunísia e depois pelo Egito. Mas também sendo disseminada pelo Egito e Tunisia. Mais importante ainda, essa informação foi disseminada para fora desses países, a tal ponto que ficou difícil para os Estados Unidos e Europa defenderem seus tradicionais aliados.

Chade – O sr. aponta para o poder de redes como Facebook e Google. Confesso que não tenho certeza que Mark Zuckerberg (criador do Facebook) pensou nisso tudo quando estava criando o site. Como é que se tornaram tão poderosos e como é que são, como o sr. diz, usados contra civis?

Assange – Google, essencialmente, sabe o que você estava pensando. E sabe também (o que vc pensou) no passado. Porque quando você tem algum pensando sobre algo, quer saber algum detalhe, você busca no Google. Sites que tem Google Adds, que na verdade são todos os sites, registram sua visita. Portanto, Google sabe todos os sites que você visitou, tudo o que você buscou, se você usou gmail ou email. Então ele te conhece melhor que você mesmo. Um exemplo: você sabe o que você buscou há dois dias, há três meses? Não. Mas o Google sabe. Google conhece você melhor que sua mãe. Claro, mas alguém pode dizer: Google só quer vender publicidade. Portanto, quem se importa que eles estejam fazendo isso. Mas, na realidade, todas as agências de inteligência americana e de aplicação da lei tem acesso ao material do Google. Eles acessaram isso em nosso caso.

Chade – Como fizeram isso?

Assange – Eles usaram instrumentos como cartas da agência de segurança nacional e mandados para buscar os dados de email das pessoas envolvidas em nossa organização. Isso saiu do Google, da conta do Twitter, onde pessoas entraram para acompanhar a nossa conta. No caso do Facebook, é algo impressionante. As pessoas simplesmente estão fazendo bilhões de centenas de horas de trabalho gratuíto para a CIA. Colocando na rede todos seus amigos, suas relações com eles, seus parentes, relatando o que estão fazendo, dizendo que vi aquela pessoa naquela festa, aquela pessoa naquela loja. É um incrível instrumento de controle. Países como a Islândia tem uma penetração do Facebbok de 88%. Mesmo que você não esteja no Facebook, você pode ter certeza que teu irmão está e está relatando sobre você, ou sua namorada está relatando sobre você. Não há como escapar. Agora, quando uma organização como Facebook diz que as pessoas querem fazer isso…

Chade – Claro, essa é justamente a minha questão: como o sr. explica que pessoas de diferentes culturas e religiões estão dispostas a revelar suas vidas diante da web?

Assange – Claro, sobre o que é que você está paranoico. Você pode dizer: bom, estou fazendo isso de forma voluntária e é mais importante estabelecer conexões sociais que se preocupar com um aparato de um estado totalitário. O problema é que isso não é verdade. As pessoas dizem que querem compartilhar algo apenas com meus amigos e amigos de meus amigos, mas não com meus amigos e com a CIA. É uma decepção o que está ocorrendo. As pessoas estão sendo enganadas em desenvolver essa atividade.

Chade – Entendo esse ponto claramente. Mas estamos vendo também censura na China, no Irã e em Cuba, países que parecem estar de fato mais temerosos da Internet. Isso não mostraria que a web é mais ameaçadora para esses regimes que para os civis?

Assange – Acho que você não pode generalizar “esses regimes”. Temos de olhar cada um deles de forma apropriada. Pessoas censuram por um motivo. Censuram porque tem medo, ou porque querem ter mais poder. Normalmente, eles querem manter seu poder. Porque o Irã censura? Bom, porque teme que pessoas dentro do Irã sejam influenciadas por material em persa publicado fora do Irã. E quem publica isso? Bom, alguns são de dissidentes genuínos. Mas também há empresas de fachada, criadas pelos israelenses, pelos Estados Unidos. Isso é um fato. Inclusive pela BBC em Persa. Denunciamos essas empresas de fachada no Wikileaks e suas estruturas de financiamento, e mesmo empresas israelenses. Agora, é algo saudável que governos estejam temerosos do que as pessoas pensam. Estranhamente, é um sinal otimista que a China, com toda sua censura e vigilância, está com medo ainda do que sua população pense. Por exemplo, a China baniu o Wikileaks em 2007. Pelo que sabemos, foi o primeiro país a banir. Temos tido uma espécie de guerra para superar o firewall chinês. De alguma forma, é um sintoma positivo. 

Chade – Porque? Esse raciocínio não vai contra seu princípio de liberdade no fluxo de informação?

Assange – Sim. Mas é um bom sintoma. Em um país onde as relações estão tão fiscalizadas e a vigilância está enraizada que o poder não precisa se preocupar com o que as pessoas pensam, esse é o maior problema.


Chade – Voltando à questão da liberdade do fluxo de informação. Wikileaks teve um imenso impacto em alguns países. Mas há quem ainda questione: bem, os documentos foram obtidos de forma ilegal. Qual sua avaliação sobre esse argumento de que, por eles terem sido obtidos de forma ilegal, não são informações legítimas?

Assange – Generais não definem a lei. Ou pelo menos não deveriam. Se falamos da situação americana, há toda uma série de leis se queremos falar de legislação e foi perfeitamente legal.

Chade – A obtenção dos documentos ?

Assange – Sim, a forma que foram obtidos. Militares americanos não tem direitos na lei americana de encobrir crimes. De fato, isso é algo explícito. Não se pode usar apenas a classificação de documentos para manter um crime sigiloso. Mas também podemos dizer: quem é que fez a lei ? Obviamente são os interesses militares. Nós, como editores, temos de levar essas leis à sério? Nós não levamos elas a sério. Quer dizer, é um conflito em relação a onde você estabelece uma linha. Muito foi dito sobre isso e muito do que foi dito está filosoficamente falido. Há uma forma simples de entender. Não é Deus que estipula essa fronteira para todos nós. Diferentes organismos tem diferentes responsabilidades. As vezes, entidades policiais tem a responsabilidade de manter algo secreto. Uma investigação sobre a Máfia, deve ser mantida em sigilo. Outras organizações, como editores e jornais, tem a responsabilidade perante o público, que é de publicar informação que ajude o público a decidir e entender o mundo. Essas diferentes responsabilidades não devem ser contaminadas uma pela outra.

Chade – Trazendo esse debate para a América Latina, como o sr. avalia o comportamento de governos diante da Internet e da imprensa em geral ?

Assange – É bem variado e tem vários problemas. Acho que, comparado com o resto do mundo, comparado com Europa, EUA, Sudeste Asiático, a região está bastante bem.

Chade – Alguns dos críticos apontam para o fato de que o presidente (do Equador) Rafael Correa ataca a imprensa. Como o sr. se sente sobre isso, e porque escolheu essa embaixada (do Equador) para vir ?

Assange – Pelo amor de Deus. Eles deveriam ser atacados com muita frequência. A primeira responsabilidade da imprensa e em primeiro codigo de ética é acuracy. Tudo começa com você precisando dizer a verdade. Essa precisa ser a primeira coisa. E também ser representativa. Não é porque sua organização é de propriedade de alguma família. Há um grande problema na América Latina com a concentração na mídia. Ainda que, se há seis famílias que controlam 70% da imprensa no Brasil, o problema é muito pior em vários países. Na Suécia, 60% da imprensa é controlado por uma editora. Na Austrália é muito pior, 60% também da imprensa escrita é controlada por Murdoch. Portanto, quando falamos em liberdade de expressão, temos de incluir a liberdade de distribuição, uma distribuição adequada e uma das coisas mais importantes que a Internet nos deu é a liberdade na prática de distribuição, se as pessoas estão interessadas no assunto. Não quer dizer que você pode levar algo a um milhão de pessoas com publicidade. Mas você pode montar um blog e, se as pessoas já estão interessados, podem ler.

Chade – Uma pergunta pessoal. Para alguns, o sr. é um herói, outros dizem que é um criminoso, uma ameaça internacional, outros dizem que o sr. é um ativista. Em suas próprias palavras, quem é o sr. ?

Assange – Sou apenas um cara. Todos nós vivemos só uma vez. Todos temos responsabilidades de viver nossas vidas de acordo com nossos princípios e não disperdiçá-las. Eu só estou tentando fazer isso. Não acho que é necessário que me defina. Na verdade, quando as pessoas se definem, na maioria das vezes estão mentindo. Mas, no lugar disso, devem olhar as ações de uma pessoa e ver se elas são consistentes no longo prazo. 

Chade – Porque é que o sr. evita ir à Suécia (onde a Justiça o busca por acusações de assédio sexual) ?

Assange – Porque eu seria extraditado aos EUA.

Chade – Por qual motivo exatamente ?

Assange – O EUA tem um procedimento contra minha pessoa e contra Wikileaks pelos últimos dois anos. O governo diz em seus próprios documentos internos que a investigação é de um tamanho e natureza “sem precedentes”, citando uma investigação “de todo o governo” americano. É algo sério e que envolve mais de uma dúzia de agências.

Chade – Quais são os próximos passos para o Wikileaks ? O sr. anunciou que vai publicar cerca de um milhão de documentos em 2013. Algo sobre o Brasil?

Assange – Sim. Publicaremos muito sobre o Brasil neste ano. Um material muito interessante.


* Jamil Chade é correspondente do jornal O Estado de São Paulo na Europa desde 2000. Foi premiado como o melhor correspondente brasileiro no exterior em 2011, pela entidade Comunique-se. Com passagem por 67 países e mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Genebra, Chade foi presidente da Associação de Correspondentes Estrangeiros na Suíça entre 2003 e 2005 e tem dois livros publicados. «O Mundo Não é Plano» (2010) foi finalista do Prêmio Jabuti, categoria reportagem. Na Suíça, o livro venceu o prêmio Nicolas Bouvier. Em 2011, publicou “Rousseff”.

Extraído do sítio O Estado de S. Paulo

04 janeiro 2013

NOVE NÚMEROS IMPRESSIONANTES SOBRE A INTERNET - Felipe Gugelmin

Conheça algumas informações curiosas sobre o meio de comunicação que mudou completamente o planeta.

Fonte da imagem: iStock

Há 22 anos, seria nula a probabilidade de que você estivesse lendo este texto. Não somente porque ele trata de dados recentes, mas sim porque essa é a idade que a internet comercial como a conhecemos possui — período durante o qual a rede mundial de computadores sofreu uma quantidade imensa de transformações.

Durante esse tempo de vida, esse meio de comunicação presenciou o surgimento de empresas como a Google (15 anos de vida) e o YouTube (8 anos) e a ascensão e queda de nomes como Yahoo e AOL, entre outros. Neste artigo, reunimos alguns números interessantes sobre essa rede gigantesca que domina o tempo de milhões de pessoas por todo o mundo. Confira nossa seleção e não deixe de falar sua opinião sobre o assunto em nossa seção de comentários.

Maior parte dos acessos é feita por desktops

Fonte da imagem: Reprodução/Flickr de William Pitcher
Embora muitos já tenham decretado a morte dos computadores de mesa, eles permanecem fortes no que diz respeito ao número de acessos à internet. 79% das pessoas costumam usar um aparelho do tipo para entrar na rede, enquanto somente 45% delas realizam essa ação através de celulares. Em seguida, vêm os consoles de video game (11%), reprodutores multimídia (8%) e tablets (6%).

294 bilhões de emails são enviados diariamente

As mensagens virtuais há muito tempo superaram qualquer espécie de comunicação que envolva a velha combinação papel e caneta. Atualmente, somente cerca de 3,5 bilhões de envelopes e cartas físicas são enviadas a cada dia ao redor do mundo — número que tende a diminuir drasticamente conforme mais pessoas aderem à rede mundial de computadores.

Hong Kong tem a banda larga mais rápida do mundo

Um dos dados mais surpreendentes sobre a rede mundial de computadores é que a velocidade média de conexão não está exatamente relacionada à quantidade de pessoas que a utilizam. Prova disso é o fato de que Hong Kong é o local que apresenta a conexão mais rápida do mundo: em média, o país navega a 41,9 Mbps.

Fonte da imagem: Reprodução/Flickr de inkelv1122
Em seguida, vem nomes como Andorra (35,6 Mbps), Lituânia (35,2 Mbps), Coreia do Sul (34 Mbps) e Macau (33,4 Mbps). Para efeitos de comparação, o Reino Unido possui uma velocidade média de 17,7 Mbps, valor que parece surpreendente para quem tem que lidar com as velocidades (e preços) disponíveis no Brasil.

A humanidade gasta 22% de seu tempo em redes sociais

Provando que a internet ainda é vista essencialmente como um meio de entretenimento, em média as pessoas gastam 22% de seu tempo em redes sociais. Em seguida, vêm as pesquisas (21%), leituras (20%), comunicações através de emails e mensageiros instantâneos (19%), conteúdos multimídia (13%) e compras em lojas virtuais (5%).

Em média, quem possui uma conta no Facebook costuma dedicar 7 horas e 46 minutos verificando atualizações, reclamando da vida ou simplesmente compartilhando conteúdos — 56% das pessoas também aproveitam esse tempo para espionar a vida privada de seus parceiros amorosos. Para completar, os brasileiros são os que mais possuem amigos no serviço: em geral, cada pessoa do país possui nada menos que 481 conexões na rede social.

79% da América do Norte está conectada à rede

Fonte da imagem: Reprodução/Free Press Pics
Enquanto nossos vizinhos do norte possuem quase 80% de conexão à internet, na América do Sul a tecnologia está restrita a somente 39% de seus moradores — número que só supera a África (11%) e a Europa Oriental (22%). Já a Europa Ocidental conta com 65% de disponibilidade de conexões, enquanto 58% da Oceania possui alguma espécie de cobertura.
1,63 bilhão de GB

Essa é a quantidade de dados que são enviados através da rede mundial de computadores a cada 24 horas. Ou seja, você pode passar a vida inteira conectado à internet que dificilmente vai ver sequer uma fração mínima do que ela disponibiliza — algo que surge como uma ótima notícia, já que isso torna mais fácil evitar a maior parte dos conteúdos bizarros disponíveis no meio.

250 milhões de tweets são enviados diariamente

Ao todo, nada menos que 250 milhões de atualizações são feitas diariamente no sistema de microblogs Twitter. O difícil é tentar descobrir quantas delas realmente são úteis em meio a um universo de reclamações, piadinhas sem graça e links para fotografias que retratam o que alguém está prestes a comer no almoço.

72 horas de vídeo

Fonte da imagem: Reprodução/YouTube
É essa a quantidade de conteúdo que é enviada para o YouTube, maior site de vídeos do mundo, a cada minuto que passa. Ou seja, a cada vídeo com gatos fofinhos que você vê, é grande a chance de que algumas horas de conteúdos semelhantes estejam chegando ao serviço no mesmo momento.
Existem 45 bilhões de páginas na rede

Caso seu objetivo na internet seja conhecer ao menos um site interessante por dia, saiba que isso é plenamente possível — e você provavelmente vai morrer antes de completar seu objetivo. Atualmente, existem nada menos que 45 bilhões de páginas, compreendendo desde blogs pessoais até sites de tecnologia como o Tecmundo.

* Originalmente publicado em How It Works Magazine, WorldWideWebSize.com

Extraído do sítio Tecmundo

26 setembro 2012

JUSTIÇA BRASILEIRA MANDA YOUTUBE APAGAR VÍDEO OFENSIVO A MAOMÉ


Juiz atende pedido de organização islâmica, que havia entrado com ação contra a Google Brasil, proprietária do YouTube. Em outro caso, Justiça Eleitoral ordena detenção de presidente da empresa.

A Justiça de São Paulo determinou nesta terça-feira (25/09) que o portal YouTube deve retirar da sua oferta todos os vídeos que contenham cenas do filme Inocência dos Muçulmanos, que os muçulmanos consideram ofensivo ao profeta Maomé.

Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, o YouTube tem dez dias para retirar todos os vídeos. A multa por descumprimento da sentença é 10 mil reais por dia.

Com a decisão, a Justiça atendeu pedido da União Nacional das Entidades Islâmicas (UNI), que havia entrado com uma ação contra a empresa Google Brasil Internet, proprietária do site. Um segundo pedido da UNI, para impedir a reinserção dos vídeos, foi negado pela Justiça.

Ordem de prisão

A Justiça brasileira também ordenou a detenção do presidente da Google no Brasil, Fabio José Silva Coelho, por a empresa não ter retirado da internet alguns vídeos considerados ofensivos a um candidato às eleições municipais de outubro.

Para o Tribunal Eleitoral Regional de Mato Grosso do Sul, o presidente da Google cometeu o delito de "desobediência" ao não retirar do Youtube dois vídeos considerados caluniosos. O vídeo continha "calúnias, injúrias e difamações" a um candidato à Câmara Municipal de Campo Grande, de acordo com as autoridades eleitorais.

Extraído do sítio Deutsche Welle

05 junho 2012

LIBERDADE NA INTERNET ESTÁ SOB ATAQUE, DIZ RICHARD STALLMAN - Marco Aurélio Weissheimer

No lançamento da 13ª edição do Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre, um dos criadores do movimento advertiu para crescentes ameaças à liberdade digital. Para Richard Stallman, coisas muito sérias estão acontecendo na sociedade digital. “A inclusão digital pode ser boa ou ruim. Depende de onde a sociedade será incluída. O que vemos hoje é que a liberdade está sendo atacada de várias maneiras. Talvez tenhamos que diminuir a nossa inclusão para preservar nossas liberdades”

Fotos: Caroline Bicocchi/Palácio Piratini
Porto Alegre - O criador do movimento software livre, Richard Stallman, participou nesta segunda-feira (4), no Palácio Piratini, do lançamento da 13ª edição do Fórum Internacional Software Livre, que será realizada de 25 a 28 de julho, no Centro de Eventos da PUC-RS, em Porto Alegre. Em um ato que contou com a presença do governador Tarso Genro, Stallman falou sobre as crescentes ameaças à liberdade na sociedade digital. 

Em uma rápida intervenção no início da cerimônia, o governador gaúcho disse que o movimento em defesa do software livre representa hoje “uma das lutas mais importantes para recuperar a densidade da democracia que hoje se encontra esvaziada”. Tarso agradeceu e destacou o empenho de ativistas como Marcelo Branco em defesa da liberdade digital. “Quando eu era ministro da Justiça, foi ele que me advertiu sobre a necessidade de entrarmos no debate sobre o projeto restritivo e de censura que tramitava então no Congresso Nacional. Conseguimos bloquear a votação desse projeto e ajudamos a estimular um debate nacional sobre o tema”.

A fala de Richard Stallman foi marcada por graves advertências acerca das crescentes restrições na internet. Para o criador do Projeto GNU, iniciado em 1983 nos Estados Unidos, coisas muito sérias estão acontecendo na sociedade digital. “A inclusão digital pode ser uma coisa muito boa ou muito ruim. Depende de onde a sociedade será incluída. O que vemos hoje é que a liberdade está sendo atacada de várias maneiras. Talvez tenhamos que diminuir um pouco a nossa inclusão para preservar as nossas liberdades”, sugeriu.

Após um período de euforia e liberdade, os usuários da internet devem começar a se policiar, pois tudo o que fazem está sendo gravado e classificado. A palavra “tudo”, aqui, não é força de expressão. É “tudo” mesmo. Stallman citou os casos do Facebook, do Google e do Google Analytics como exemplos de um sistema de vigilância que está sendo feito em vários níveis. O mais perigoso, defendeu, é aquele controlado pelos governos.

“Grandes empresas privadas como Amazon, Microsoft, Apple e grandes empresas de telefonia também têm seus sistemas de vigilância. Nós podemos controlar isso usando software livre, por exemplo. Mas quando se trata de governos, a situação é mais complicada. Na Inglaterra, há um sistema que diz onde está cada automóvel do país pelo controle da placa. É algo que Stálin não teve, mas que gostaria de ter”, brincou.

Durante a sua fala, Stallman anunciou, em tom de lamento, que amanhã (terça-feira) estará visitando a Argentina pela última vez em virtude de um sistema de gravação das impressões digitais de todas as pessoas que entram ou saem do país. “Será meu último voo para a Argentina. Algumas coisas não podem ser toleradas. O Estado não pode saber tudo sobre todos. A polícia secreta da União Soviética não tinha esse controle sobre a vida das pessoas”, protestou o fundador da Free Software Foundation, que acrescentou. “Numa sociedade livre, não pode ser fácil para a polícia saber tudo sobre todas as pessoas. Se for fácil, então não estaremos vivendo em uma sociedade livre”.

Stallman citou também como ameaça à liberdade a tentativa de censura na internet em vários países, mas essa luta, segundo ele, parece que está sendo vencida pela internet. “A censura existe muito antes do computador, mas parece que a internet está ganhando da censura. Muitos países têm tentado exercer a censura por meio de filtros e outros mecanismos, mas não estão conseguindo”. Outra forma de controle, apontou, é o uso de formatações sigilosas de dados para limitar o acesso. “Essa prática vem sendo usada por empresas para barrar a competição, com programas que restringem o acesso dos usuários. Vídeos estão sendo distribuídos dessa forma, com formatos secretos, para que não haja livre difusão”.

O ativista defendeu a necessidade de um maior engajamento político nesta luta contra as ameaças à liberdade no contexto da chamada sociedade digital. “Muitas pessoas não querem se envolver nos aspectos políticos dessa luta, o que é um erro. Num certo sentido, precisamos mais de ativistas do que de programadores hoje”, afirmou. Stallman defendeu, por fim, que os governos e as agências governamentais passem a usar prioritariamente softwares livres, o que não acontece hoje.

As ameaças que pairam sobre a liberdade na internet no Brasil

As ameaças sobre a liberdade na internet que pairam sobre o contexto brasileiro foram tema de uma intervenção de Marcelo Branco, logo após a fala de Stallman. Militante da causa da liberdade na internet há vários anos, Marcelo Branco apontou um conjunto de problemas e ameaças que já são reais no Brasil.

As empresas operadoras de telefonia, assinalou, representam hoje uma ameaça à liberdade na internet, pois querem quebrar a neutralidade da rede. Essa neutralidade significa que todas as informações que trafegam na rede devem ser tratadas da mesma forma, navegando a mesma velocidade. Trata-se de um princípio que garante o livre acesso a qualquer tipo de informação na rede e impede, por exemplo, que as operadoras possam “filtrar” o tráfego, definindo que tipo de dados pode andar mais ou menos rápido. Para Marcelo Branco, a neutralidade na rede não precisa de regulamentação. Ou ela existe, ou não existe. O grande risco, apontou, é que essa regulamentação seja feita pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) que seria “sensível” ao lobby das operadoras.

Em segundo lugar, Marcelo Branco apontou a indústria do copyright como outra ameaça à liberdade na internet. “As empresas que compõem essa indústria querem uma internet vigiada que criminalize o usuário. Empresas como Google e Facebook podem ser nossas aliadas neste item, mas, por outro lado, ameaçam a nossa privacidade”. Neste tema (do copyright), o ativista criticou a atual gestão do Ministério da Cultura, classificando-a como “reacionária e conservadora”.

A pressão pela criminalização na internet vem crescendo em vários níveis. Marcelo Branco considerou um absurdo querer responsabilizar um provedor por um eventual crime cometido por um usuário. “É como querer responsabilizar uma operadora de celular por um crime cometido por um bandido que utilizou o telefone durante o delito ou para praticar o mesmo”. Ele também criticou a retirada de conteúdo de páginas da internet sem mandado judicial. “Isso é inaceitável em um Estado Democrático de Direito”.

Por fim, Marcelo Branco criticou a iniciativa do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) de realizar uma consulta pública sobre patenteamento de softwares. “Foi um vacilo do governo Dilma. Uma das maiores lutas do movimento de software livre mundial, foi justamente contra a implementação de patentes de software na Europa. Em 2005, a Europa rejeitou a possibilidade do software ser patenteado. Patente de software é uma ameaça a inovação, ao software livre e a liberdade do conhecimento. O Brasil não pode seguir esse caminho", defendeu.


Extraído do sítio Carta Maior

CHINA BLOQUEIA REFERÊNCIAS AO MASSACRE DA PRAÇA DA PAZ CELESTIAL NA INTERNET

China bloqueou referências online a mortes de opositores na Praça 
da Paz Celestial, em 1989.

Autoridades chinesas bloquearam nesta segunda-feira resultados de buscas feitas na internet sobre termos relacionados ao 23º aniversário do massacre contra manifestantes na Praça da Paz Celestial, em Pequim, ocorrido em 1989.

A censura ocorre no mesmo dia em que o governo chinês decretou a prisão de ativistas políticos, além de ter colocado outros sob intensa vigilância para impedir que participem dos protestos.

Palavras como "23", "vela" e "nunca esqueça", digitadas nos mecanismos de busca chineses, não retornavam nenhum resultado.

Discussões sobre os protestos do dia 4 de junho de 1989 ainda são um tabu no país.

Apesar da censura, alguns usuários conseguiram subir fotos para o microblog chinês Sina Weibo.

Em 1989, militares chineses mataram centenas de manifestantes pró-democracia que se reuniam no centro de Pequim.

Os protestos nunca foram registrados publicamente na China e o governo nunca informou quantos opositores, de fato, foram mortos.

Grupos de direitos humanos, entretanto, estimam que entre centenas e milhares de pessoas morreram durante a ofensiva militar.

Analistas afirmam que a censura a qualquer tipo de referência online ao evento é especialmente importante para Pequim neste ano, já que o governo se prepara para uma troca de lideranças.

"Hoje é o aniversário de um daqueles tópicos que são sempre objeto de alto escrutínio", disse à BBC Duncan Clark, da consultoria BDA China.

"As buscas feitas sobre 'Praça da Paz Celestial' na internet chinesa resultavam em descrições amenas sobre a praça, fotos de visitantes, e principais marcos turísticos".

"Alguns usuários tuitaram que até as buscas pela palavra "hoje" estão sendo censuradas".

O principal microblog chinês, Sina Weibo, desativou a emoticon (símbolo comumente usado na internet) de uma vela, geralmente usada para lamentar mortes no país.

Em retaliação, os usuários tentaram substituir a emoticon da vela pelo símbolo da tocha olímpica, que acabou, logo em seguida, desativado pelo site.

Quando tentavam buscar por detalhes do massacre, internautas se deparavam com uma menssagem informando que os resultados das buscas não estavam disponíveis "devido a leis relevantes, regulações e políticas".

Com o passar dos anos, segundo Clark, os métodos do governo provaram-se "bastante efetivos" em evitar qualquer discussão sobre o episódio.

"Para muitos chineses, as palavras 'Praça da Paz Celestial' não trazem à mente as mesmas imagens e associações como no Ocidente; trata-se de uma praça como a Trafalgar Square para os britânicos".

"Tal 'ocultamento' demonstra a eficácia dos mecanismos de controle do governo; muitos que nasceram naquele ano ou depois nunca ouviram falar do que aconteceu, até mesmo os graduados nos melhores cursos universitários".

Termos 'sensíveis'

O governo dos Estados Unidos pediu à China que libertasse todos os dissidentes da época que ainda estão na prisão.

Em nota, o Departamento de Estado americano também reivindicou à China que "divulgue publicamente o número de mortos, detidos e desaparecidos" durante o episódio.

Além do massacre de 1989 na Praça da Paz Celestial, as autoridades chinesas censuram os resultados dos termos na internet relacionados ao movimento de independência de Taiwan, ou postagens de termos "sensíveis" referentes ao Tibete, a Xinjiang ou ao Partido Comunista.

Ainda que o Google não seja banido na China, as pessoas que usam o mecanismo de busca são encaminhadas diretamente aos servidores da companhia localizados em Hong Kong.

Recentemente, a filial do Google em Hong Kong adicionou uma nova ferramenta indicando aos usuários, em tempo real, quais palavras são "sensíveis" durante as buscas feitas nos computadores do país.


Extraído do sítio BBC Brasil

28 abril 2012

A NOVA GUERRA FRIA, AGORA NA INTERNET - Carlos Castilho



Os Estados Unidos ganharam a Guerra Fria nuclear sem disparar um tiro, mas podem estar perdendo a versão cibernética do conflito pela supremacia mundial. E acredite quem quiser: a nova superpotência virtual é a China, apontada pelos especialistas ocidentais em segurança cibernética como a maior incógnita contemporânea no que se refere a políticas de uso da internet.

Os norte-americanos não admitem publicamente, mas o jornal inglês The Guardian afirmou na série "Batalha pela Internet" que o número de chineses especialistas em crackear [1] computadores e redes virtuais é maior do que o dos engenheiros norte-americanos dedicados ao desenvolvimento de novos programas e equipamentos para computação. Os crackers chineses são conhecidos também como cyber jedis (guerreiros cibernéticos), numa analogia com os guerreiros do bem na série Guerra nas Estrelas.

No fundamental, a nova versão da Guerra Fria é essencialmente uma guerra por informações onde as armas convencionais passaram a um segundo plano, para desespero de toda a multimilionária indústria bélica mundial. Os jedis chineses, em sua esmagadora maioria protegidos pelo governo de Beijing, vasculham o sistema financeiro ocidental, as redes de comunicações privadas e governamentais, descobrem vulnerabilidades em bancos de dados, em complexos de energia e transporte, bem como, é óbvio, nos serviços de inteligência militar.

A grande diferença em relação à Guerra Fria nuclear é que agora a busca por informações não está voltada para o botão vermelho da retaliação atômica, mas a um complexo e ainda pouco estudado sistema de tomada de decisões no qual os indivíduos estão sendo substituídos por processos impessoais, como as bolsas de valores. A balança do poder mundial não depende mais exclusivamente de decisões tomadas na Casa Branca ou no Palácio do Povo, em Beijing.

A descoberta do poder chinês na internet assustou os governos ocidentais, em especial os Estados Unidos e a Inglaterra, onde os seguidores da velha Guerra Fria ainda são muito influentes. Se até a queda do Muro de Berlim (1989) , os espiões e cientistas nucleares eram os grandes alvos dos estrategistas soviéticos e norte-americanos, agora todas as atenções se voltam para jovens entre 17 e 30 anos, afaixa etária dos modernos guerreiros cibernéticos, um ramo dos nerds (jovens fanáticos por computação).

Em 2011 foi criado na Inglaterra um projeto chamado Cyber Security Challange (Concurso sobre Segurança Cibernética) destinado a atrair nerds para o campo da Guerra Fria cibernética. Logo na primeira edição, no ano passado, quatro mil jovens de ambos os sexos se inscreveram para a competição, que não chegou a ser divulgada na imprensa. No ano passado, o vencedor foi Jonathan Millican, estudante do primeiro ano de engenharia eletrônica, com 19 anos incompletos.

O julgamento final da versão 2012 Cyber Security Challange deveria ter ocorrido em março, mas teve que ser adiado porque o site do concurso foi crackeado, segundo os britânicos, por cyber jedis chineses. Os prêmios previstos no concurso variam desde bolsas de estudo até inscrição grátis em eventos ligados à segurança cibernética. Não há prêmios em dinheiro, mas segundo o jornal The Guardian, o emprego em empresas do setor é imediato.

São garotos como Jonathan que passaram a ser observados de perto por estrategistas mililtares que acabam de receber plenos poderes do presidente Barack Obama e do governo inglês para desenvolver uma estratégia antichinesa na guerra pelo controle da internet. Segundo a Casa Branca, cerca de 60% das empresas norte-americanas que tiveram seus sites invadidos por crackers acabaram pedindo falência. 

Até agora a principal estratégia do Pentágono era criar muros virtuais (firewall) contra invasões de redes de computadores, mas os especialistas já se deram conta que a defesa passiva é inútil, porque a criatividade dos cyber jedis é quase infinita. Para cada muro criado surgem imediatamente dezenas de opções sobre como derrubá-lo. Por isso a tendência é investir nas ações ofensivas, atacando os centros onde se aglutinam os guerreiros virtuais.

O problema é que a dispersão é enorme nessa área, da mesma forma que o altíssimo índice de privatização das empresas ligadas ao gerenciamento de informações na web complica a ação dos militares, cuja cultura operacional é tradicionalmente centralizadora e vertical. Nos Estados Unidos, de 80% a 90% dos bancos de dados estão em mãos privadas, o que torna extremamente relevante o papel da Google, a megacorporação no setor de informações e a terceira maior empresa privada do mundo no ramo das comunicações. 

A estratégia da Google na Guerra Fria cibernética é fundamental para a balança do poder entre os Estados Unidos e a China, mas também transcendental para nós, que usamos gratuitamente os mecanismos de busca, correio eletrônico, YouTube e dezenas de outros aplicativos desenvolvidos pela empresa para captar nossas preferências e dados pessoais.

[1]Neologismo criado para expressar o ato de identificar códigos, senhas e arquivos protegidos em computadores ou redes de computadores. Os crackers são o oposto dos hackers, que desenvolvem novos softwares.


Extraído do sítio Observatório da Imprensa

24 abril 2012

INTERNET SUPERA JORNAL E SE TORNA 2ª MÍDIA NO BRASIL EM 2012 - Marcelo Gripa


A internet assumirá a segunda posição entre as mídias ainda em 2012, deixando o meio jornal para trás em volume de investimentos. De acordo com estimativa apresentada pelo IAB Brasil nesta terça-feira, 24, o digital crescerá 39%, fechando o ano com 13,7% de participação e faturamento na casa dos R$ 4,7 bilhões. Em 2011, a web representava 11% do polo publicitário.

O crescimento do mercado de buscas será de 50% e o de display (banner) terá incremento de 25%, informou o presidente da instituição, Fabio Coelho - que também preside o Google Brasil.

De acordo com com o IAB, a internet cresce, em média, quatro vezes mais do que o mercado de publicidade, em geral - e esses números não contabilizam redes sociais. Em breve será divulgada uma estimativa de faturamento para este ano, em que sites como Facebook e Twitter estarão envolvidos.

As 100 maiores empresas do país investem 13,4% de suas verbas publicitárias no meio digital, segundo Coelho, que considerou a web um mercado "pujante".

Para chegar aos resultados apresentados hoje, o IAB considerou os 80 milhões de internautas no país maiores de 16 anos, dos quais 49% pertencem às classes C, D e E e 51%, às A e B.

Extraído do sítio adNews

18 abril 2012

'A INTERNET NUNCA ESTEVE TÃO AMEAÇADA', DIZ CO-FUNDADOR DO GOOGLE

Em janeiro, estadunidenses saíram às ruas para rejeitar o projeto de lei SOPA , que pretendia manter a propriedade intelectual e barrar a liberdade do uso da informação na Internet. Foto: Janek Akarzynski/AFP
As interferências dos governos e as políticas da Apple e do Facebook são a maior ameaça à Internet aberta em toda sua história. A conclusão é de Sergey Brin, co-fundador do Google. Ele manifestou sua preocupação em entrevista ao jornal britânico The Guardian.

“Existe um alinhamento de forças poderosas contra a Internet aberta em todo o mundo”, disse ao Guardian. “Estou muito mais preocupado do que estive no passado. É assustador”, afirmou.

Brin culpa o Facebook e a Apple pelo que chama de construção de um ‘jardim murado’. Segundo ele, esse “jardim murado” é erguido pelas empresas por meio do rígido controle dos softwares que podem ou não ser usados em suas plataformas. Segundo Brin, restrições desse tipo colocam em risco as inovações na Internet. O co-fundador do Google mostra afirma que, se a Internet fosse dominada pelo Facebook, ele e Larry Page não poderiam criar o Google e sua ferramenta de busca.

Censura pelo mundo

A censura na web é especialmente forte em países com um regime político fechado, como a China e Rússia. Recentemente, o dragão asiático introduziu regras de ‘identidade real’ na tentativa de conter microbloggers que se tornaram críticos ao regime. Enquanto isso, na Rússia, blogueiros que ajudaram a fomentar protestos contra o presidente eleito Vladimir Putin estão enfrentando crescente pressão do Kremlin.

Ao mesmo tempo, iniciativas similares tramitam nos órgãos legislativos de países ocidentais. Para Ricken Patel, co-fundador do Avaaz (uma rede com 14 milhões de ativistas no mundo), os governos estão percebendo o poder destes meios de organizar as pessoas e estão tentando reprimi-los pelo mundo, não apenas em nações como a China e a Coreia do Norte. “Estamos vendo projetos de lei, nesse sentido, nos Estados Unidos, na Itália e pelo mundo”, disse. No Reino Unido, o governo anunciou planos para monitorar o uso de email e das redes sociais pelos cidadãos.

Na entrevista ao Guardian, Sergey Brin também confessou a intromissão do governo dos Estados Unidos em seu banco de dados. Segundo ele, o Google foi forçado a liberar informações para o governo americano e, algumas vezes, nem mesmo informou seus usuários sobre isso.

Brin também admitiu estar errado sobre a capacidade dos governos de controlar a liberdade na Internet. “Achei que não fosse possível colocar o gênio de volta na lâmpada, mas agora vejo que, em certas regiões, o gênio, de fato, voltou para a lâmpada”, disse Brin, citando a China, Arábia Saudita e Irã como as maiores ameaças.


Extraído do sítio da Revista CartaCapital

24 janeiro 2012

O PROTESTO DOS GIGANTES - Mauro Malin

A midiática manobra de gigantes da internet como Google, Facebook, Wikipedia e Twitter contra legislação antipirataria que tramita no Congresso dos Estados Unidos foi objeto de artigo crítico de Álvaro Pereira Júnior na Folha de S. Paulo (“Nova mídia X velha mídia”, 21/1/2012).

Pereira Júnior escreveu:

“Os ‘revolucionários’ Google, Facebook, Yahoo etc. também são conglomerados bilionários, como são/foram os estúdios de Hollywood e gravadoras. Têm as mesmas aspirações monopolistas, são igualmente obcecados pelo lucro (e esta não é uma crítica, é só uma constatação).


“Já são um novo establishment, que pressiona com sucesso a Casa Branca e faz com que políticos, em um passe de mágica, mudem de opinião e posem de defensores da liberdade de expressão.

“(...) A pose adolescente das corporações do mundo on-line vive seus últimos dias. Quem manda agora são elas, e seria honesto assumirem isso”.

O argumento é inteligente, porque, sem entrar no mérito da disputa, expõe a cara de pau dos vencedores (temporários) da competição na galáxia pós-Gutenberg.

Outro ângulo, porém, também pode e deve ser explorado no debate. Usar conteúdo alheio sem pedir licença não é ético, não é honesto, não é legal, nem legítimo. Será que determinado número de usuários – por multimilionário, quase bilionário que seja esse número – adquiriu o direito de revogar a legislação vigente passando por cima das instituições?

A telemática e a digitalização introduziram mudanças irreversíveis em todo o processo da comunicação. Criaram a falsa expectativa de um acesso igualitário ao conhecimento e à cultura. Mas não alteraram os pressupostos da propriedade corporativa. Como escreveu Bernardo Carvalho (“Em defesa da obra“),

“Nenhuma empresa abrirá mão de suas patentes científicas ou industriais em nome da visibilidade, do bem comum ou do direito à informação. A começar pelas próprias corporações de mídia eletrônica – elas estão interessadas, isto sim, na adoção de um modelo flexível de licenciamento e difusão de conteúdo.

“O Google, por exemplo, não pretende tornar disponível a usuários e competidores o saber por trás de seus serviços – e não é por acaso que mantém sigilo desse saber, a ponto de nenhuma informação sobre a empresa aparecer no próprio Google, que em princípio deveria ter acesso a tudo”.

Estão expostos os traços de uma dessas situações em que o engodo tem sido aceito pela mídia, na sua cobertura de falsas rebeliões libertárias, devido à inércia, ou à desatenção. “A sorte ajuda os audazes”, sentenciou Virgílio com muita propriedade.

Crime ou luta contra a opressão?

Se piratear é crime, como ficamos: propomos a mudança da lei, para que deixe de ser crime, ou aceitamos o crime como legítimo recurso da luta contra a opressão? Mas qual opressão? No Brasil a opressão não está exatamente no campo jurídico-institucional, embora também esteja aí, mas principalmente na realidade dos Brasis tão desiguais. Ninguém que tenha juízo está propondo convocar uma Constituinte para mudar o artigo 5º da Carta de 1988.

Sempre existe descompasso entre mudança tecnológica e legislação, mas a cada momento é preciso avaliar o que fere o espírito, a finalidade da lei, da lei em vigor, na sua dimensão social e de proteção de direitos. Por mais que a tecnologia evolua, sempre é possível fazer uma exegese que permita avaliar determinada(s) prática(s) à luz de categorias básicas do direito. E incumbir a Justiça de se manifestar.

Esse desafio se coloca diante de cada geração, e mais ainda numa era em que não apenas as práticas, mas os sistemas de referência para muitas práticas parecem mudar o tempo todo.

O preço de disputar na ponta

Algo que ainda não se percebeu devidamente é que para estar na ponta da utilização das novas tecnologias é preciso dispor de um capital colossal. As empresas jornalísticas mal tinham conseguido digerir o desafio de construir edições digitais em portais convencionais – e digeriram mal, diga-se de passagem – quando se viram diante da incontornável necessidade de produzir edições destinadas a smartphones e tabletes.

Para que as novas mídias disputem em usabilidade e comodidade com o jornal impresso, e mais ainda com a televisão, as empresas produtoras de conteúdo jornalístico independente terão que comprar softwares caríssimos, ou criar seus próprios laboratórios, o que pode ser mais oneroso ainda.

Talvez em algum momento isso compense a desativação das rotativas e das frotas de distribuição, entre outras economias financeiras e ecológicas previstas. O New York Times, que tem seu próprio laboratório de inovações, parece obter resultados positivos com a política de cobrança por conteúdo online.

Mas os desenvolvimentos tecnológicos pesados requerem não só um ponto de partida conquistado anteriormente (a Universidade Stanford foi o berço do Vale do Silício). Requerem mais concentração de pessoas altamente qualificadas e maior uso do tempo delas – leia-se mais dinheiro. Não dá para entender como isso possa reduzir desigualdades.

Extraído do sítio do Observatório da Imprensa

19 janeiro 2012

SITES REALIZAM APAGÃO GERAL CONTRA LEI DE PROPRIEDADE INTELECTUAL

Os maiores sites do mundo realizam nesta quarta-feira 18 uma espécie de greve online para protestar contra dois projetos de lei que serão votados no parlamento americano no próximo mês. O Stop Online Piract Act, SOPA, e o Protect IP. Act, PIPA, visam preservar os direitos autorais na internet. Mas, para muitos, acabariam com a lógica de conhecimento compartilhado da Web.

Lei que tramita no parlamento americano restringe compartilhamento de conteúdos nas redes; em protesto, sites como Wikipedia realizaram blecaute

A home da versão em inglês da Wikipedia amanheceu com a tela preta, e com um texto explicando o protesto. “Imagine um mundo sem conhecimento gratuito”, diz a página. E conta que o site será paralisado durante todo o dia, em protesto contra os dois projetos de lei. O Google também utilizou sua homepage para divulgar o protesto, com um link para texto explicativo.

Se aprovadas, as duas leis obrigarão os sites de compartilhamento fiscalizar o conteúdo hospedado em sua rede. Assim, se um conteúdo estiver infringindo a lei de direitos autorais americana, o site que o abriga deve bloquear seu domínio, o acesso ao site, sua publicidade, pagamentos e conexões em cinco dias. Na prática, isso altera toda a lógica de compartilhamento utilizada até então, em que redes como Facebook, Twitter, Google, YouTube e Wikipedia possibilitam que o internauta tenha acesso a todo tipo de conteúdo gratuitamente.

Por exemplo, se alguém postar em sua página no Facebook algum vídeo com algum clipe ou show de determinado artista, a rede social pode determinar o bloqueio do usuário.

Além disso, as leis forçariam uma fiscalização mais rigorosa sobre o conteúdo que circular por essas redes – infringindo a privacidade dos usuários atuando como espécies de censores.

Cerca de 120 websites confirmaram participação no protesto desta quarta-feira. Entre eles, as versões em inglês do WordPress e Mozilla e até a página do documentarista Michael Moore. Ao todo, mais de 10 mil sites participaram do protesto.

No Brasil, vários sites se uniram ao movimento, como a Homepage da Casa de Cultura Digital e dezenas de blogs. Aqui, o protesto se estende ao substitutivo do Senador Azeredo ao projeto de lei 84/99, que também pune certas formas de compartilhamento na Web e, segundo os ciberativistas, reduzem as possibilidades de inclusão digital, ao restringir o uso de obras cerceadas pelo copyright (direito autoral), entre outras atividades na rede.

Apesar de se restringir aos Estados Unidos, as leis afetarão a Internet em todo o mundo. Isso porque os principais domínios da Web (.net, .com, .or) e as maiores redes (Facebook, Twitter, Google, etc) são americanas e, portanto, respondem à legislação do país.

Outro argumento contra os dois atos é de que, impedindo a colaboração, o SOPA estaria aumentando os custos e dificultando a inovação na rede.

Em defesa das leis está a indústria de entretenimento e farmacêutica dos Estados Unidos. O PIPA passará por debate e votação no Senado a partir de 24 de janeiro. Já o SOPA enfrentará votação preliminar no Comitê Judicial da Câmara de Representantes em fevereiro. Liderandoo grupo a favor, o republicano Lamar Smith argumenta que as leis protegerão os consumidores, negócios e empregos de “ladrões estrangeiros”, que roubariam a propriedade intelectual do país.

Já a Casa Branca é contra a aprovação da Lei, pois acredita que a restrição pode prejudicar negócios legítimos.

Em sua página explicativa, a Wikipedia refuta a teoria de que o protesto seria na verdade uma guerra entre a indústria de Hollywood, terra das grandes produtoras e gravadoras e do Vale do Silício, onde foram criadas as principais redes americanas.

O #StopSopa figurou como um dos tópicos mais comentados do Twitter no mundo, assim como o “EndPiracy” (acabe com a pirataria), complementado pelo “Not liberty” (mas não com a liberdade).


Extraído do sítio da Revista Carta Capital