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11 setembro 2012

PLANO DE AUSTERIDADE FISCAL GREGO ENCONTRA RESISTÊNCIA DA "TROIKA"


Grupo formado por UE, FMI e Banco Central Europeu não concorda com todas as propostas da Grécia para organizar suas contas públicas. Caminho a percorrer ainda é longo, afirma fonte do governo grego.

A reunião deste domingo (09/09) entre oficiais do governo grego e representantes da União Europeia (UE), Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) não avançou com sinais concretos de que a Grécia esteja próxima de garantir os empréstimos que salvariam o país da crise econômica.

Após o grupo de credores internacionais (UE, FMI, BCE) revisar os planos de austeridade da Grécia, fonte próxima ao encontro garantiu que ainda há "um longo caminho a ser percorrido" antes que a troika feche a negociação.

O ministro grego das Finanças, Yannis Stournaras, apresentou ao grupo de credores planos para cortar 11,5 bilhões de euros nos próximos dois anos em troca de um resgate financeiro. Entretanto, os relatos dão conta de que a troika rejeitou alguns trechos do plano grego por eles não estarem suficientemente detalhados.

"A troika não aceitou todas as medidas, mas nós temos propostas alternativas", disse o líder socialista Evangelos Venizelos. O partido dele é um dos três que compõem a aliança governista na Grécia.

O chefe da representação do FMI na Grécia, Poul Thomsen [foto principal], disse que o encontro foi bom "para ambos os lados". Ele acrescentou que os dois lados trabalharam "dia e noite" para revisar as medidas de austeridade apresentadas pelo governo.

Enquanto a troika discutia a aprovação do plano, o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, reuniu-se com seus parceiros de coalizão neste domingo para tentar viabilizar a aprovação política dos cortes – que ainda precisam ser finalizados.

Nesta segunda-feira, Samaras vai se reunir com a troika. Ele deve voltar a se encontrar com seus parceiros de coalizão na quarta-feira para detalhar os pontos dos cortes.

Credores internacionais, os mercados e outros governos europeus aguardam uma posição da troika acerca dos planos da Grécia antes de tomarem qualquer decisão de apoiar Atenas com o dinheiro do resgate. A palavra final da troika é aguardada para o fim de setembro ou início de outubro.

Sem o dinheiro, a Grécia poderia ser obrigada a dar um calote de sua dívida, o que poderia acarretar a saída do país da zona do euro.

Extraído do sítio Deutsche Welle

24 agosto 2012

MERKEL E HOLLANDE PEDEM MAIS ESFORÇOS DE ATENAS


Durante encontro em Berlim, a chanceler federal alemã e o presidente francês apelaram para que a Grécia continue comprometida em aplicar as medidas necessárias para permanecer na zona do euro.

Angela Merkel e François Hollande afirmaram nesta quinta-feira (23/08) que a Grécia deve se esforçar para permanecer na zona do euro, o que, garantem, é o desejo de Berlim e Paris. 

"Encorajo nossos amigos gregos a continuarem no caminho das reformas e sei como esses esforços são difíceis para a Grécia", disse Merkel ao final de um encontro com Hollande em Berlim, acrescentando que "é importante que todos respeitem os seus compromissos". 

Também Hollande apelou aos gregos para que façam o que for necessário para recuperar a economia. "Queremos, eu quero, que a Grécia permaneça na zona do euro. É uma vontade que exprimimos desde o início da crise. Cabe aos gregos fazer os esforços indispensáveis para que possamos atingir esse objetivo", sublinhou o chefe de governo francês.

Na discussão sobre um possível alargamento de prazo para a implementação do programa de reforma grega, Merkel disse que é melhor aguardar o relatório da troika, formada por representantes da União Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional. A análise é aguardada para setembro e deverá ser a base para uma decisão sobre a liberação de mais ajuda financeira.

Berlim rejeita apelo grego

Tema central do encontro entre Merkel e Hollande foi a atitude a ser tomada em relação ao primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, que visita Berlim nesta sexta-feira, prosseguindo para Paris no sábado. A Grécia, altamente endividada, necessita urgentemente de mais verbas para evitar a bancarrota.

O conservador Samaras vem pedindo mais tempo para cumprir as metas estabelecidas pelos credores internacionais. Em entrevista à imprensa alemã, ele afirmou que seu governo não pede "mais dinheiro" e sim "mais espaço para respirar". Falando ao jornal francês Le Monde, Samaras alertou para o efeito dominó que a saída de seu país da zona do euro pode causar e pediu que cessem as especulações sobre uma saída da Grécia da moeda comum europeia.

"Como é possível privatizar alguma coisa se a cada dia líderes europeus especulam sobre uma 'possível saída da Grécia da zona do euro'?", queixou-se o primeiro ministro grego. "Isso tem que acabar".

Uma ampliação no prazo para a implementação do programa de reformas, como quer Samaras, é ideia que encontra forte resistência em Berlim. "Mais tempo não é uma solução para os problemas", ressaltou o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, em entrevista a uma rádio alemã. Na opinião do político, dar mais tempo pode também significar, em última instância, ter que "dar mais dinheiro", o que exigiria um novo programa de resgate, que poderia desestabilizar os mercados financeiros e prejudicar a zona do euro.

Extraído do sítio Deutsche Welle

09 agosto 2012

O DIA EM QUE O MUNDO ENTROU NO VERMELHO - Flávio Aguiar

No dia 9 de agosto de 2007, o BNP-Paribas, um dos maiores bancos da Europa e do mundo, com ramificações que vão da Ucrânia ao Brasil, sede principal em Paris e segunda sede em Londres, congelou três de seus fundos de investimento, dizendo que não teria como honrar “as dívidas de suas obrigações colaterais”. Neste dia um mundo ruiu e começou outro, que ninguém ainda sabe onde vai parar. O artigo é de Flávio Aguiar, direto de Berlim.


Berlim - Não, não estou me referindo ao dia 17 de dezembro de 2006, quando o meu Internacional derrotou o Barcelona por 1 x 0 em Yokohama, no Japão, e sagrou-se campeão mundial de clubes.

A referência é meio ano mais moça. É o dia 9 de agosto de 2007, há cinco anos atrás, portanto. Nesse dia o BNP-Paribas, um dos maiores bancos da Europa e do mundo, com ramificações que vão da Ucrânia ao Brasil, sede principal em Paris e segunda sede em Londres, congelou três de seus fundos de investimento, dizendo que não teria como honrar “as dívidas de suas obrigações colaterais” – uma referência aos pacotes que detinha dos chamados “sub-prime loans”, ou seja, os empréstimos feitos diretamente ou comprados no mercado secundário para pessoas que não tinham condição de pagá-los.

Sobre aquele dia, houve quem (Larry Eliott, editor de Economia do The Guardian) o comparasse ao 4 de agosto de 1914, dia em que o Arquiduque Franz Ferdinand, da Áustria, e sua esposa Sophie foram assassinados em Sarajevo, fato que levou diretamente à Primeira Guerra Mundial.

Foi um dia em que um mundo ruiu e começou outro, que ninguém ainda sabe onde vai parar. No 9 de agosto de 2007 o mundo que ruiu foi o das finanças internacionais, o das certezas europeias, o da imagem feliz do american way of life. Os acontecimentos se precipitaram velozmente nestes cinco anos.

Um ano mais tarde, em 7 de setembro de 2008, o governo norte-americano tinha de injetar recursos nos grupos Fannie Mae e Freddie Mac. Em 15 de setembro quebrava o Lehman Brothers. Entre 7 e 8 de outubro do mesmo ano, os três maiores bancos da Islândia – Glitnir, Landsbanki e Kauphting – quebram, forçando o governo a nacionaliza-los. Na sequência cairá o primeiro ministro do país, Geir Haarde. 

Em 10 de outubro de 2009 o socialista Yorgios Papandreou é eleito para o governo grego. Empossado, na semana seguinte ele declara que a dívida do país é muito maior do que se pensava, e que o governo conservador anterior (do atual primeiro ministro Antonis Samara) maquiara os números. 

Meio ano depois, em 10 de abril de 2010, a dívida soberana da Grécia recebe os índices que levam o país à bancarrota. Em 2 de maio do mesmo ano, os governos da Zona do Euro concedem o primeiro “pacote de ajuda” (110 bilhões de euros) à Grécia, em troca da adoção do primeiro “plano de austeridade” na Zona do Euro. Está aberta, oficialmente, a “crise da Zona do Euro”, que não fechou até hoje.

Ao final do ano, em 28 de novembro, é a vez da Irlanda: 85 bilhões de euros. Em 5 de maio de 2011 é a vez de Portugal. No começo de 2012 o desemprego atinge níveis nunca dantes navegados na Europa. A Espanha afunda, a Itália aderna. Em meados do ano a perspectiva da recessão chega à Alemanha. O presidente do Banco Central Europeu diz que tudo fará para salvar o Euro. Analistas, políticos de todas as tendências, o presidente do Banco Central Alemão interpretam algo furiosamente que isso significa que O BCE vai comprar no futuro letras dos países endividados, no mercado secundário, e que talvez o faça também diretamente. Apesar dessas reações, sem outra saída, o governo alemão apóia a declaração de Draghi.

Uma perspectiva interessante é ver o que aconteceu às pessoas diretamente envolvidas nesse processo. Recentemente o jornal The Guardian montou uma verdadeira tabela (07/08/2012) sobre 25 personalidades (incluindo nela o “povo norte-americano, coletivamente) consideradas como tendo alguma responsabilidade na deflagração desses eventos.

Entre elas há políticos (como Bill Clinton, George Bush, Gordon Brown) dirigentes de bancos centrais, “leões” do mercado financeiro, operadores bancários, etc.

Um dos poucos a reconhecer que estava errado é Alan Greespan, ex-diretor do US Federal Reserve. A nota geral é a de silêncio obstinado, ou, como no caso do então senador republicano pelo Texas, Phil Graham, um dos maiores opositores de qualquer regulamentação do mercado financeiro, a obstinação em que tudo estava certo. 

Uma das características desses envolvidos – incluindo Clinton e Bush – é essa oposição a regulamentações – o que facilitou a fusão, hoje vista amplamente como insalubre, entre bancos de operação comercial e captação de contas e os de investimento no mercado financeiro, ou a fusão incontrolada das respectivas carteiras numa mesma instituição bancária.

Da parte dos executivos envolvidos, a tônica é a obtenção de polpudas recompensas durante o processo de bancarrota das próprias instituições que dirigiam, sob a forma de bônus, salários diretos ou indiretos, e a completa impunidade posterior. Muitos continuaram ativos no sistema financeiro, simplesmente trocando de instituições, ou fundando outras com o capital que amealharam para, literalmente, causar e depois administrar a crise – sem dela sair, mas ao contrário, aprofundando-a até a exaustão.

Alguns foram punidos com a exclusão do lugar em que trabalhavam – para ressurgir em outros. Uns poucos estão em silêncio obsequioso, sumidos, mas impunes.

Apenas duas pessoas foram condenadas em meio a esse redemoinho, até agora.

Uma delas não é propriamente um responsável pela crise, mas um aproveitador dela: Bernie Madoff, que, nos Estados Unidos, em meio ao processo de desregulamentação do setor financeiro, promoveu o que se chama um “esquema Ponzi”.

Um esquema desses consiste em tomar investimentos e ressarcir os investidores, em parcelas anuais, com dinheiro do seu próprio investimento, ou de outros investidores, ao invés de lucros em operações financeiras, que são desviados para “outras finalidades”. Seu nome é uma homenagem a Charles Ponzi, que na década de 20, também nos Estados Unidos, armou o primeiro esquema dessa natureza que foi investigado (não foi o primeiro a existir) a fundo.

Outro foi o ex-primeiro ministro islandês, condenado por um tribunal especial por negligência no cargo. Há inda processos contra executivos dos três bancos do país que quebraram na ocasião.

Até agora, é só.

Extraído do sítio Carta Maior

24 julho 2012

FALÊNCIA DA GRÉCIA AMEAÇA UE E EURO



Cresce a tensão na Grécia às vésperas da chegada da nova missão dos credores internacionais (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu), que irá inspecionar o cumprimento das reformas econômicas no país. Os políticos e a mídia se manifestam cada vez menos preocupados com as consequências de uma possível retirada da Grécia da zona do euro, principalmente na Alemanha.

Uma falência da Grécia acarretaria graves problemas para a Europa, mas estes são banalizados por várias pessoas envolvidas na questão. Esta afirmação foi feita na segunda-feira (23) pelo economista holandês Nick Kounis, do banco ABN Amro, em entrevista à agência de notícias holandesa ANP.

“Uma saída da Grécia da zona do euro é assutadora. As consequências indiretas são enormes e difíceis de serem controladas”, mas, o que eu acho mais assutador ainda é o fato de os políticos não terem noção deste perigo”, disse Kounis.

Caso os empréstimos à Grécia sejam congelados e o país decida sair da zona do euro, todo o sistema da moeda única europeia ficará na corda bamba, alertou o economista holandês, ressaltando ainda que “os mercados não mais verão o euro como uma união monetária, mas, no máximo, como um sistema de taxas de câmbio fixas. Se este sistema pode ser desfeito uma vez, quem garante que não acontecerá novamente? Desta forma, não só a Espanha corre perigo, mas também a Itália voltará a estar na mira dos mercados financeiros”.

Na semana passada, o ministro alemão da Economia, Philip Röster, sugeriu que uma possível saída da Grécia da zona do euro não representa nenhuma tragédia para os mercados financeiros. A mídia alemã chegou até mesmo a dizer que tanto o FMI como a Alemanha não veem mais vantagens em fornecer empréstimos à Grécia.

Para o economista Kounis, os acordos têm como objetivo pressionar o governo grego. Este adiou novas medidas de austeridade e agora tem de, a curto prazo, arregaçar as mangas e tentar o país da falência.

Já se tornou claro que a Grécia não tem condições de satisfazer a todas as exigências do programa de recuperação financeira, disse Nick Kounis. “Mas este fato não precisa desembocar numa retirada da Grécia. É preciso se perguntar o que o governo grego pode fazer. Parece ser inevitável a amortização dos empréstimos gregos, pelo menos enquanto os credores acreditarem na boa vontade do governo da Grécia de realizar as mudanças necessárias.

Para se chegar a uma solução da crise da dívida europeia, é indispensável uma união fiscal, com a qual os países-membros da zona do euro possam dividir parte de suas dívidas, declarou Kounis. Ainda segundo ele, “pensa-se nos meios políticos que a Europa ainda tem muitos anos para formar uma união financeira, mas, a pergunta é: quantos danos poderemos incorrer neste meio tempo?”


Extraído do sítio Independent European Daily Express

01 julho 2012

ESTADOS UNIDOS ESTÃO SE TORNANDO MUITO PARECIDOS COM A GRÉCIA - Peter Morici

Candidatos fazem fila para entrar numa feira de trabalho em 11 de junho de 2012, em Nova York. 400 chegaram cedo e 1.000 eram esperadas até o fim do dia. (John Moore/Getty Images)
Os norte-americanos devem prestar atenção, os Estados Unidos estão se tornando muito parecidos com a Grécia e poderiam facilmente acabar do mesmo jeito.

Os problemas da Grécia começaram com um setor privado não competitivo instigado por políticas de mercado trabalhistas não realistas e uma moeda única com a Alemanha. As exportações se tornaram muito caras, as indústrias nacionais não podiam competir adequadamente com as importações, o setor privado cresceu muito lentamente e o desemprego aumentou. O desemprego juvenil e o subemprego se tornaram endêmicos.

Nos Estados Unidos, os enormes déficits comerciais em petróleo e com a China estão desacelerando o crescimento, ambos são causados por políticas governamentais. Com mais perfuração em águas profundas e uma melhor utilização do abundante gás natural, os Estados Unidos poderiam reduzir as importações de petróleo pela metade.

Quanto à China, os Estados Unidos poderiam tomar medidas contra a moeda subvalorizada da China e o protecionismo, mas não fazem nada. Consequentemente, o desemprego está emperrado acima de 8% e muitos graduados universitários estão esperando nas mesas ou nos balcões do Starbucks.

Para baixar o desemprego, a Grécia permitiu que os trabalhadores se aposentassem muito jovens e gastou muito em pensões e o governo gastava prodigamente em educação, saúde e outros serviços para criar empregos.

Nos Estados Unidos, os governos estaduais e municipais estão gastando muito na segurança social e pensões de funcionários. Os gastos do governo federal têm aumentado de forma permanente, sob o pretexto de estímulo temporário, para criar empregos no governo e subsidiar um sistema de saúde muito ineficiente. Os estados estão gastando muito em educação ineficiente, sistemas de trânsito e outros serviços e num vertiginoso mandato de assistência médica e benefícios de saúde para funcionários e aposentados.

O déficit federal disparou de 161 bilhões de dólares em 2007 para cerca de 1,3 trilhões e tem estado acima de 1 trilhão por quatro anos. Os Estados Unidos perderam sua valorizada classificação de crédito AAA e sua credibilidade continuará a cair se o enorme déficit federal não for reduzido. O presidente Barack Obama não tem um plano confiável para reduzir o déficit.

Enquanto a dívida federal e estadual se acumulam, a avaliação de crédito dos EUA continuará a ser rebaixada e os investidores permanecerão relutantes em possuir títulos norte-americanos sem receberem taxas de juros mais elevadas.

Como na Grécia, altas taxas de juros sobre a dívida pública conduzirão os governos federal e estadual à insolvência, ou o Federal Reserve terá de imprimir dinheiro para comprar títulos do governo que resultará em hiperinflação. O resultado seria a calamidade, de qualquer forma.

* Peter Morici é economista e professor da Faculdade Smith de Administração da Universidade de Maryland e um colunista amplamente publicado.


Extraído do sítio The Epoch Times

13 junho 2012

ESPANHA É QUARTO PAÍS A RECEBER AJUDA DO FUNDO DE RESGATE EUROPEU - Bernd Riegert



Além de Grécia, Irlanda e Portugal, agora serão os espanhóis os próximos a se submeterem-às regras impostas pelos credores internacionais.

A Espanha ainda não apresentou aos demais 16 países da zona do euro o requerimento oficial de empréstimo emergencial. Porém deverá fazê-lo em breve, pois trata-se de um pré-requisito para o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) reunir e liberar a verba.

O país quer repassar a provável quantia necessária, de 100 bilhões de euros, aos bancos já parcialmente estatizados, a fim de salvá-los da bancarrota. O FEEFE também já realizou esse tipo de refinanciamento do setor bancário na Grécia, Irlanda e Portugal.

Antes de fazer o repasse das parcelas do empréstimo, a chamada troika – formada pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) – atesta as condições para que o país em questão possa receber o aporte de recursos. Com a Espanha não deve ser diferente, segundo declarou o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, em entrevista à rádio Deutschlandfunk, nesta segunda-feira (11/06).

Ajuda dos vizinhos

Os ministros das Finanças do Eurogrupo fizeram um convite expresso ao FMI para que este coloque á disposição seu know-how sobre o assunto. Inicialmente, a Espanha não quer receber crédito do FMI, pois tais empréstimos estão geralmente atrelados a uma série de restrições.

No início de junho, o ministro espanhol de Finanças, Cristóbal Montoro, admitira que seu país não pode, no momento, levantar os recursos necessários no mercado livre, por isso precisaria da ajuda europeia. Eventualmente, o futuro Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF) poderá disponibilizar os recursos para Madri, contudo o mecanismo provavelmente só estará disponível em meados de julho.

Em caráter preventivo, a Comissão Europeia já declarou que a Espanha deverá continuar se esforçando para reduzir seu elevado deficit orçamentário. Os novos créditos, que os espanhóis terão que assumir agora com os parceiros europeus, para salvar os bancos do país, serão naturalmente somados ao deficit já existente.

Cada vez mais espanhóis raspam suas contas, temendo a crise dos bancos
Caso grego

Desde maio de 2010, a Grécia vem recebendo recursos dos países-membros da UE, da Comissão Europeia e do FMI. Os dois pacotes de ajuda aprovados até agora somaram um total de 240 bilhões de euros. Destes, segundo informações do FEEF, 107 bilhões de euros vieram de recursos europeus, e 30 bilhões de euros do FMI.

A Grécia precisa se submeter a rígidas restrições, cujo cumprimento a troika formada pela Comissão Europeia, FMI e BCE fiscalizará, antes de liberar as parcelas de crédito. Além dos créditos emergenciais, o país contou ainda com um corte de dívida por parte de credores privados, num volume efetivo de 35 bilhões de euros.

Caso irlandês

Assim como os espanhóis, os irlandeses também estão sofrendo as consequências do estouro da bolha imobiliária e da crise bancária resultante. Em novembro de 2010, o governo da Irlanda absorveu os riscos dos bancos e acabou se sobrecarregando.

Como as dívidas públicas não puderam mais ser financiadas através do mercado financeiro, a Irlanda tomou um empréstimo da UE, do BCE e do FMI no valor de 85 bilhões de euros. Destes, cerca de 35 bilhões de euros se destinavam apenas a salvar os bancos.

Em contrapartida, a Irlanda se comprometeu com duras medidas de austeridade, as quais estão sendo respeitadas, ao contrário da Grécia. Entretanto, o governo tenta baixar os juros do empréstimo concedido pelos parceiros europeus e esticar o prazo de pagamento. No final de 2013, o país deverá poder novamente refinanciar suas dívidas no mercado.

Caso português

Em maio do ano passado, Portugal capitulou diante dos mercados financeiros e pediu ajuda à zona do euro. Até a metade de 2014, os portugueses poderão pedir 78 bilhões de euros para resgate de sua economia. Um terço do montante será aportado pelo FMI.

Portugal também cumpre restrições impostas por seus credores. Porém, em apenas um ano, já esgotou mais da metade da margem de crédito. Questiona-se se, até 2014, não será necessário um novo pacote de resgate.

Paralelamente aos créditos emergenciais do FMI e da UE, o BCE tem comprado, em massa, títulos de Estados endividados. Desse modo procura-se manter em nível tolerável sobretudo os juros da Itália e da Espanha. Até o momento, o BCE já investiu cerca de 200 bilhões de euros nesse controverso programa.

Após o estouro da crise, em 2008, a Comissão Europeia também concedeu crédito a países do bloco europeu que não adotam a moeda comum. A Hungria, Letônia e Romênia receberam, até hoje, cerca de 14 bilhões de euros como auxílio orçamentário.

Extraído do sítio Deutsche Welle

09 junho 2012

OLHOS E CORAÇÕES VOLTADOS À GRÉCIA - Maurício Caleiro


À medida que as eleições gregas entram em sua reta final, os olhos do mundo se voltam ao berço da democracia para acompanhar o que promete ser um dos mais emocionantes pleitos dos últimos tempos - e dos poucos a incluir a possibilidade concreta de eleger uma força política cuja plataforma inclui o rompimento com o programa de austeridade ditado pela Troika.

Pois, a nove dias das eleições, a Syriza (Coligação da Esquerda Radical) lidera, com 31% - e na condição de grande e entusiasmante novidade -, as projeções de votos, seguida pelos 25% da centro-direita (Nova Democracia) e pelos socialistas (só de nome) do PASOK, com 14%.

A confirmação da vitória da Syriza no próximo dia 17 seria uma enfática tradução político-eleitoral da derrota do receituário neoliberal anti-crise que a "comunidade europeia" lhe determinou, e cujo fracasso, do ponto de vista social, tem sido dramática e cotidianamente constatado pela população grega, que convive com índices de desemprego da ordem de 35% e com mais da metade dos jovens sem trabalho. 

Economicismo desumano 

A receita ditada pela Troika, além de coagir e humilhar a autonomia da democracia grega, impôs um brutal corte de salários, pensões e investimentos estatais, com alta redução do raio de ação do Estado e nenhuma preocupação com as graves consequências sociais decorrentes. A aplicação de tais medidas, caracterizadas por um neoliberalismo desabrido, tem envenenado ainda mais o tecido socioeconômico de uma nação empobrecida e aprofundado a crise. Para muito além das planilhas sobre dados macroeconômicos, a Grécia é hoje um país cuja classe média vem sendo dizimada e cujos pobres, sujeitos a fome e desnutrição, encontram-se entregues à própria sorte.

O mundo social do trabalho se esfacela, com sindicatos extramente enfraquecidos, a proliferação de “contratos informais” e o calote salarial institucionalizado (500 mil trabalhadores não estariam recebendo seus pagamentos). O cenário se deteriora: há falta de medicamentos para doenças graves e empresas farmacêuticas relutam cada vez mais a vender a prazo, segundo relata o The Guardian de hoje (08/06); nas cidades, proliferam mendigos e meninos de rua; grassam a fome e a desnutrição: “o país já se encontra em ruínas”, definiu o ativista Yorgos Mitralias, segundo relato de Mauricio Haschizume em matéria da Carta Maior.

Assimetria de tratamentos

Um caso dramático se tornou o símbolo das medidas desumanas a que está sendo submetido o povo grego: o músico Antonios Perris, de 60 anos, se suicidou após ver-se na miséria e não conseguir que nenhum asilo aceitasse a mãe, que sofre de Alzheimer e esquizofrenia e pulou com ele do quinto andar de um prédio. Perris (foto abaixo) deixou uma carta, largamente negligenciada pela mídia corporativa, em que apela aos poderosos pelos pobres e para que os bancos cessem os despejos.



Enquanto, num flagrante desrespeito aos direitos humanos, o povo grego é pauperizado dessa maneira em nome da austeridade, o Banco Central Europeu injeta nada menos do que 1 trilhão de euros (R$ 2.532.000.000.000,00) em bancos do continente, cuja ação irresponsável no período imediatamente anterior à crise, “alavancando” empréstimos sem lastros, é uma das principais causas da débâcle financeira.

Mídia versus renovação

Não obstante tais discrepâncias, será instrutivo acompanhar, nessa reta final das eleições gregas, o esforço que os porta-vozes do mercado encrustados na mídia e por ela designados como “jornalistas especializados” farão para alardear, com um palavrório que, sob verniz técnico, mistura wishful thinking, lugares-comuns da Economia e não tão veladas ameaças, o caos e a expulsão do paraíso que fatalmente, segundo eles, incidirão sobre a Grécia caso a Syriza – caracterizada como o ninho do pior e mais irresponsável radicalismo - assume ao poder.


Até o momento, porém, o que as pesquisas de intenção de voto sugerem é que os eleitores têm se dado conta de que o paraíso neoliberal da Europa mal tem lugar para a plutocracia grega, quanto mais para os estratos médios e baixos, atirados à própria sorte. O jovem candidato a primeiro-ministro pela Syriza, Alexis Tsipras (37, foto acima), já alertou que se a Europa cortar os fundos adicionais pré-acordados, a Grécia, sob seu comando, para de pagar a dívida. Mesmo caso a coligação não venha a ganhar as eleições (toc, toc, toc...), deve se constituir como uma nova força na arena grega - e, de qualquer maneira, já goza do mérito de ter trazido uma lufada de ar fresco a renovar o pensamento político no velho continente.

Novos rumos para a esquerda

Muito haveria para se dizer sobre a relação entre a paradoxal vigência do neoliberalismo como alegada panaceia para a Europa atual, a crise grega e a saudável novidade representada pela Syriza. Mas a sensacional intervenção de Slavoj Žižek no comício da coligação, disponível ao final do texto (com legendas em português lusitano), aborda essas e outras questões - como os impasses no interior da esquerda ou a recusa à passividade que as reações dos gregos à crise denotam - com tamanho brilhantismo, eloquência e originalidade que o melhor é encerrar por aqui, recomendando, com ênfase, que assistam ao vídeo.

Pois, falando para um público naturalmente entusiasmado, certamente grato por seu apoio e que compartilha muitos de seus ideais, o filósofo esloveno mostra-se particularmente inspirado, seja pela consistência de sua crítica ou pela intensidade de sua performance, com seu blending único de psicanálise e marxismo, seu inglês com sotaque caricatural, suas metáforas e comparações inusitadas e desconcertantes - tecidas muitas vezes a partir de filmes, canções e demais produtos culturais de massa (como a alusão a Coca-Cola e Pepsi para ilustrar a diferença entre Nova Democracia e PASOK) -, além de seus conceitos personalíssimos e desconcertantes - como, no caso, o de “democracia descafeinada”. Vale a pena ver o vídeo até o final.



Extraído do sítio Cinema & Outras Artes

29 maio 2012

CRISE BANCÁRIA ESPANHOLA SE AGRAVA E PREOCUPA MERCADOS



Crise bancária espanhola se agrava, pondo país no centro do drama da dívida europeia. Madri nega que venha a pedir ajuda da União Europeia. Bruxelas confia que a Espanha superará crise bancária com suas próprias forças.

A crise bancária espanhola se intensifica e coloca a quarta maior economia da zona do euro no centro do drama da dívida europeia. No entanto, Madri quer sair do redemoinho com suas próprias forças. Apesar de serem necessários mais de 23 bilhões de euros para o saneamento do banco espanhol Bankia, o governo acredita que consegue reverter a situação sem ajuda externa.

Os mercados financeiros continuam extremamente nervosos. O euro se recuperou na segunda-feira, ainda que temporariamente, das grandes perdas sofridas na semana passada.

Madri não quer ajuda europeia

"Não haverá programa de resgate europeu para as instituições financeiras espanholas", garantiu o primeiro-ministro Mariano Rajoy nesta terça-feira (28/05). De acordo com a vice-ministra do Orçamento Marta Fernandez Currás a recapitalização dos bancos já foi iniciada. Ela afirmou que o Estado irá fornecer os meios disponíveis necessários. "Uma operação de resgate em nível europeu não é preciso", assegurou.

No entanto, Rajoy admitiu que, para a Espanha, atualmente é "muito difícil" levantar capital novo nos mercados financeiros. O prêmio de risco para títulos do governo espanhol subiu a níveis recordes de mais de 500 pontos básicos. Isso significa que a Espanha tem que, em comparação com a Alemanha, oferecer juros tão altos como nunca desde a introdução do euro.

Enquanto a Alemanha – tida como referência pelos investidores como um dos devedores mais confiáveis – paga juros tão baixos como nunca para dívidas de dez anos (1,37%), a Espanha tem que pagar 6,41%. Taxas de juros tão altas são consideradas insustentáveis a longo prazo.

Entretanto, na interpretação de Rajoy, isso não tem nada a ver com a crise do Bankia. "Todo mundo sabe que a Espanha faz tudo para reduzir o seu deficit. Mas há uma incerteza geral em relação à situação na Grécia ", disse o chefe de governo.

A União Europeia (UE) continua confiando na capacidade dos espanhóis de superar a crise bancária sozinhos. "Estamos confiantes de que todas as medidas necessárias sejam tomadas para reestruturar o setor bancário", afirmou Amadeu Altafaj-Tardio, porta-voz do comissário da UE para assuntos monetários, Olli Rehn.

Radicais de esquerda com força na Grécia

Na Grécia, três semanas antes das novas eleições, parece que o conservador Nova Democracia e a coalizão da esquerda radical Syriza devem protagonizar uma disputa apertada pelo primeiro lugar. Quatro sondagens representativas veem os conservadores como a força mais forte.

Os radicais de esquerda, porém, vêm logo depois, enquanto o socialista Pasok continua caindo na preferência do eleitorado. Em todas as pesquisas divulgadas na mídia grega, mais de 80% dos entrevistados querem que a Grécia continue na zona do euro. Na opinião dos especialistas em demoscopia, partido algum conseguirá a maioria absoluta no Parlamento. Até as novas eleições, dia 17 de junho, a Grécia é liderada por um governo interino.

Extraído do sítio Deutsche Welle

21 maio 2012

GREGOS TENTAM SALVAR SEUS EUROS - Nicolas Martin



A crise faz os gregos sacarem cada vez mais dinheiro de suas contas e cria o temor de uma corrida aos bancos, o que poderia resultar num colapso do sistema bancário.

Há quatro anos, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o então ministro das Finanças, Peer Steinbrück, afirmaram diante das câmeras de televisão que a “poupança dos alemães está segura”. A frase garantiu a paz na população do país diante da crise iminente. Tal voto de confiança da população é algo com que o presidente grego, Karolos Papoulias, nem sonha. Ele bem que poderia aparecer da mesma forma diante das câmeras de TV, mas, na situação atual, nenhum cidadão grego acreditaria em suas palavras.

Schiereck não descarta efeito dominó na Europa

Desde o começo da semana, os gregos vêm sacando suas economias dos bancos. Ainda não ocorreram tumultos na frente das grandes instituições de crédito, mas, segundo estimativas, até 900 milhões de euros estão sendo sacados diariamente. "Se consideramos o orçamento total dos bancos gregos, isso pode ser considerado dramático", diz o economista Dirk Schiereck, da Universidade Técnica de Darmstadt. Nos últimos dois anos, os gregos já haviam sacado cerca de 45 bilhões de euros dos bancos. "Esta tendência aumentou ainda mais nas últimas semanas ", observa Schiereck.

Falta de transparência

Se a situação piorar, o sistema bancário poderá entrar em colapso dentro de alguns dias. Pois a lógica dos bancos requer que apenas uma pequena parte das economias esteja disponíveis para saque. O resto é aplicado ou repassado para os clientes na forma de empréstimos, para que o dinheiro esteja sempre circulando. "Se o povo retirar seus depósitos, surge um buraco de financiamento, que tem que ser coberto pelos bancos", explica Schiereck. Normalmente, os bancos poderiam obter empréstimos do Estado. Mas o Estado grego não tem dinheiro e, por isso, "existe um grande perigo de que os bancos se tornem insolventes e entrem em colapso", conclui Schiereck.

Fila em frente à filial do banco Northern Rock, em 2007
Ninguém sabe ao certo quanto dinheiro os bancos gregos ainda podem pagar a seus clientes. "Esta informação é mantida em segredo, aparentemente de propósito", especula Hans-Peter Burghof, especialista em economia bancária da Universidade de Hohenheim. Fato é que as economias da população grega são muito maiores que as verbas que o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) destinou ao setor bancário grego. Os 18 bilhões de euros do FEEF não são nada se comparados aos estimados 140 bilhões de euros guardados nos bancos gregos.

Burghof considera normal que os gregos saquem suas economias bancárias diante do intenso debate sobre o possível retorno à dracma. Mas uma verdadeira corrida aos bancos pode ocorrer a qualquer hora e depender de pequenos detalhes. "Este é um processo que pode acontecer muito rapidamente", diz o economista. “Às vezes, basta uma declaração infeliz de um político”, completa.

Moratória

Se isso ocorrer de fato, só resta a chamada moratória. "Isso significa que, como medida inicial, ninguém mais pode retirar seu dinheiro", explica Burghof. Então, os bancos passam a liberar semanalmente um montante fixo a seus clientes. "Mas apenas insinuar tal moratória pode ser devastador para a credibilidade da Grécia”, adverte o analista.

Burghof diz que colapso de bancos gregos sairia caro para alemães
Esse tipo de corridas a bancos individuais desacreditados já ocorreu diversas vezes, como no caso do banco irlandês Northern Rock ou o do austríaco Bawag. Mas, na maioria dos casos, uma estatização das instituições conseguiu salvar os clientes da perda total de suas economias. No caso de uma corrida aos bancos de todo o país, como é possível ocorrer na Grécia, existem poucos casos comparáveis. Uma delas foi a crise financeira da Argentina e outra, a grande depressão de 1929. Em ambos os casos, os depositantes perderam quase todo o dinheiro.

“Uma falência do sistema bancário grego também pode custar caro para a Alemanha”, alerta Burghof. Já Schiereck afirma que, mesmo sem o apoio europeu, os maiores países da UE terão que arcar com significativos gastos adicionais. "Muitos bancos europeus possuem títulos de bancos gregos", observa. Ele lembra que sobretudo os bancos franceses estão nervosos, porque se envolveram muito com a Grécia. "No caso de um colapso dos bancos gregos, não podemos descartar que ocorra um efeito dominó", prevê Schiereck.

Extraído do sítio Deutsche Welle

14 maio 2012

PRESIDENTE GREGO PROPÕE GOVERNO DE TECNOCRATAS PARA EVITAR NOVAS ELEIÇÕES

Lideranças políticas da Grécia se reunem de novo nesta terça para tentar formar um governo de tecnocratas. REUTERS/John Kolesidis/Files

O presidente grego, Carolos Papulias, lançou mão de uma última cartada, para evitar novas eleições em junho, diante do fracasso que os partidos ganhadores enfrentam para formar um governo de coalizao, e afastar a ameaça de saída da zona do euro. A proposta de Papulias é a formação de um governo de tecnocratas, ou seja, de personalidades não políticas que tenham o apoio da maioria no parlamento.

Os líderes de todos os partidos representados no parlamento participam nesta terça-feira de nova reunião para discutir a iniciativa do presidente. Antes Papulias terá um encontro a portas fechadas com o conservador Panos Kammenos, cujo partido nacionalista populista ganhou 33 dos 300 assentos nas últimas eleições do dia 6. Até então ele tinha sido mantido à distância das negociações para formar uma coalizão entre os principais vencedores.

O partido de esquerda radical Syriza, que despontou como segunda força política do país ao rejeitar totalemente as imposições do plano de austeridade, também vai estar no encontro. Apenas o partido comunista extremista KKE e os neonazistas do Amanhecer Dourado não foram convocados.

O governo tecnocrata em discussão terá como tarefa flexibilizar e renegociar a longo prazo as medidas de austeridade drásticas impostas à Grécia em troca de assistência financeira da União Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional.

Mas os líderes da zona do euro já deram a entender que se a Grécia não respeitar escrupulosamente as condições do plano internacional de resgate, ela poderá sair do bloco, mesmo que isso possa desestabilizar a moeda única. A crise grega e também a situação na Espanha fizeram com que as bolsas europeias despencassem nesta segunda-feira.


Extraído do sítio RFI

11 maio 2012

O VENTO MUDOU - José Manuel Pureza

Há uma inequívoca derrotada nas eleições francesas e gregas: a troika e a sua receita estúpida e incompetente para a Europa.



Não, não é inevitável. Foi essa a mensagem dada à Europa pelos povos de França e da Grécia. Cada um a seu jeito, porque cada um está em sua condição. Não é inevitável a desconstrução da Europa por um fundamentalismo recessivo, disse com clareza o povo francês. Não é inevitável a punição das vidas das pessoas e a humilhação dos povos como redenção da cupidez do sistema financeiro, disseram com clareza os gregos.

A política europeia virou? Não. Mas só o sectarismo mais cego se recusará a reconhecer que as condições do combate político em escala europeia e em escala nacional mudaram no domingo passado. Há uma inequívoca derrotada nas eleições francesas e gregas: a troika e a sua receita estúpida e incompetente para a Europa. O campo dos talibãs da austeridade ficou fragilizado. E se é certo que do novo presidente francês não se ouve a palavra rutura, não é menos certo que no centro do seu compromisso eleitoral estava a renegociação do pacto orçamental imposto por Angela Merkel. Esse vai ser o teste decisivo à intensidade da mudança: ou a social-democracia hoje personificada em François Hollande se queda por uma adenda ao neoliberalismo - que o aceita e não quer mais do que "humanizá-lo" - ou tem a coragem de lhe contrapor com clareza e coragem outra estratégia, outro horizonte e outra cultura económica e política.

Essa é também a escolha que os socialistas portugueses terão que fazer. Que a direção do Partido Socialista tenha alinhado com esta direita na aprovação pacoviamente precoce do pacto orçamental ditado de Berlim - para mais, votando a favor -, retira-lhe todo o crédito que um sábio adiamento da decisão confere agora a Hollande e coloca-a em contradição com a vontade expressa pelo SPD de votar contra o dito pacto. O PASOK, na Grécia, fez o mesmo que Seguro. Os resultados estão á vista. A interpelação de Mário Soares ao seu partido tem, neste contexto, um sentido claro: a radicalidade da crise não se compadece com adendas suavizadoras da austeridade, é precisa outra opção de fundo e ela não se fará sem rutura com o memorando de entendimento com a troika. Não por palavras mas em atos concretos.

O dogma da ilegalização de tudo quanto não seja neoliberalismo-custe-o-que-custar sofreu um sério revés em Paris e Atenas. Cabe agora a todos/as os/as que aspiram a uma mudança efetiva transformar essa derrota do adversário numa vitória própria. Para isso é preciso programa, é preciso firmeza sem transigências no essencial e maleabilidade lúcida no acessório, é preciso ouvir as pessoas e garantir-lhes em concreto a dignidade que lhes está a ser roubada.



A lição dos resultados eleitorais na Grécia é essa mesma. Claro que, aflitos, os amigos do centrão sentenciam o caos causado pela vitória dos "radicais". Como se radicais não tivessem sido as políticas que governaram a Grécia nos últimos dois anos pela mão da troika e do centrão com ela alinhado, como se caos não fosse uma dívida que cresceu para os 180% do PIB depois da intervenção externa, um desemprego que vai nos 22% e um horizonte de pelo menos mais dez anos de agravamento desta descida aos infernos. Não, o que incomoda verdadeiramente os amigos do centrão é que uma esquerda europeísta e por isso mesmo frontalmente contrária à destruição recessiva da Europa passe a ter um reconhecimento social amplo e possa ser vista como precedente de conteúdos de governação alternativos para a União.

Pode estar em germinação uma Europa nova. As escolhas que agora fizermos decidirão o sentido e a densidade dessa novidade. Não, não há inevitabilidades. Tudo está sempre em aberto.

* José Manuel Pureza é dirigente do Bloco de Esquerda, professor universitário.

Extraído do sítio Esquerda.net

03 maio 2012

FRANÇA, GRÉCIA, EGITO: TRÊS ELEIÇÕES QUE PODEM MUDAR ÂNIMOS NO MUNDO - Antonio Martins

Paris, abril: ativistas anti-AIDS protestam diante do comitê eleitoral de Sarkozy, que impõe políticas de cortes de direitos e serviços públicos
A oligarquia financeira derrapará em Paris? Nazistas chegarão ao Parlamento grego? Um ex-ministro de Mubarak governará no Cairo?

Na última década, uma nova cultura política, que brotou de grandes mobilizações de rua e dos Fóruns Sociais Mundiais, relativizou a importância das eleições. Ela mostrou que política é algo que se pratica todos os dias, por meio de atos e posturas — e não apenas uma vontade que se delega, por meio do voto, a cada dois ou quatro anos. Ainda assim, as eleições continuam a ser muito importantes. Basta ver o que estará em jogo, nos próximos dias e semanas, em três países que se tornaram emblemáticos das possibilidades e impasses contemporâneos: França, Grécia e Egito.

A disputa de maior relevância (e talvez a de prognóstico mais favorável) é a da França. O segundo turno das eleições presidenciais será decidido no próximo domingo, 6/5. Logo a seguir, em 10 e 17 junho, virá a renovação completa do Parlamento — o “terceiro turno”, na opinião do historiador Luiz Felipe de Alencastro, que vive em Paris.

Em condições normais, seria um confronto morno: ele opõe o presidente atual, Nicolas Sarkozy, de centro-direita, a François Hollande, de um Partido Socialista (PS) que abandonou há décadas os últimos traços de rebeldia anti-capitalista. I’m not dangerous, “não sou perigoso”, fez questão de declarar o próprio candidato, numa entrevista recente à revista inglesa The Economist. Referia-se ao fato de não propor nacionalização de setores importantes da economia, como as feitas por François Mitterrand, o único membro do PS e da esquerda a presidir a França no pós-II Guerra. Porém, nas circunstâncias de recessão prolongada e crise política que marcam a Europa, mesmo uma mudança muito menos brusca pode ter vastas consequências.A vitória de Hollande é provável. A quatro dias das eleições, ele tem, em todas as pesquisas de intenção de voto, entre seis e doze pontos de vantagem sobre Sarkozy — uma margem que só um fato totalmente inesperado poderá desfazer. O que inquieta os conservadores são alguns pontos do programa do candidato socialista. Ele quer elevar a 75% a alíquota de imposto de renda sobre os salários acima de 1 milhão de euros anuais. E pretende contratar 60 mil novos professores, para restaurar o combalido sistema de ensino, depredado por anos de políticas de desmonte do estado de bem-estar social.

Tais propostas, reconhece a mesma The Economist, têm potencial para quebrar eixo Berlim-Paris, fundamental para manter as atuais políticas, de regressão dos serviços públicos, adotadas na Europa. Altamente impopulares em todos os países, elas têm sido impostas graças ao controle de instituições como o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia — algo possível devido à forte articulação entre Sarkozy e a chanceler alemã, Angela Merkel. Sem um parceiro em Paris, acrescenta The Economist, Merkel perderá inclusive condições de justificar, perante os alemães, a continuidade das políticas de corte de direitos em seu próprio país. A troco de quê eles fariam tal sacrifício, se mesmo seus vizinhos o rejeitam? Por tudo isso, a revista declarou seu apoio a Sarkozy e dedicou a capa desta semana ao candidato socialista, chamando-o de “o perigoso Monsieur Hollande”…

Outros fatores acentuam a importância das eleições francesas. No “terceiro turno”, intervirão, além de conservadores e socialistas, mais forças. Por um lado, a Frente Nacional (FN), de extrema-direita, cuja candidata à Presidência, Marine Le Pen, alcançou 18,5% dos votos, no primeiro turno. Confiante em suas perspectivas futuras, ela declarou em 1º de Maio que votará em branco, no domingo. Muitos analistas julgam que torce pela vitória de Hollande, esperando que o enfraquecimento da direita tradicional abra caminho para que a FN domine o campo dos que temem as mudanças, a esquerda e os estrangeiros.

Menos bem-sucedido no primeiro turno, o principal candidato à esquerda também não será carta fora do baralho. Jean-Luc Mélanchon alcançou 11% dos votos em abril, mas realizou os maiores comícios da campanha e restaurou a mobilização e orgulho do Partido de Esquerda (por quem concorreu) e Partido Comunista (que o apoiou). Seu apoio a Hollande, no segundo turno, é explícito. Mas nas eleições parlamentares, o setor à esquerda dos socialistas deverá apresentar candidaturas e propostas próprias. Se tiverem forte expressão no Parlamento, contribuirão para afastar ainda mais o provável governo socialista das atuais políticas europeias.

Símbolo de estabilidade até há poucos anos, a Europa tornou-se, desde a adoção dos planos de “austeridade”, em 2009, um continente intranquilo, conturbado e empobrecido. Até os cenários extremos tornaram-se possíveis, como se verá no post a seguir, sobre a Grécia. Por isso, as eleições são tão importantes — inclusive ou especialmente para quem vê política como algo que vai muito além delas…


Extraído do sítio Outras Palavras