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14 setembro 2012

JAPÃO ANUNCIA PLANO DE ABANDONAR ENERGIA NUCLEAR ATÉ 2040


Alvo de pressões da sociedade desde o desastre de Fukushima, governo japonês informa que desligará seus reatores nucleares nas próximas décadas. País não especificou quando exatamente meta será alcançada.

Um ano e meio após a catástrofe de Fukushima, o Japão anunciou que irá abrir mão da energia nuclear ao longo das próximas três décadas. Em encontro ministerial nesta sexta-feira (14/09), chegou-se à decisão de abandonar tal fonte energética na "década de 2030", informou a mídia japonesa.

O objetivo ambicioso do governo em Tóquio significaria um corte total do uso de energia nuclear até 2040. Então, os reatores que, até o desastre em 2011 produziam cerca de um terço da energia consumida no país, seriam permanentemente desativados.

O acidente nuclear de Fukushima abalou a confiança da população na segurança da energia nuclear. Em pesquisas recentes, a maioria dos japoneses se declarou a favor do fim do uso desse tipo de energia no país. Diante das eleições gerais previstas para os próximos meses, o tema tem sido motivo de protestos, reunindo até dezenas de milhares de pessoas.

"Muitos japoneses esperam construir uma sociedade que não dependa da energia nuclear. Por outro lado, também está claro que estão divididas as opiniões sobre quando e como exatamente uma sociedade do tipo pode ser alcançada", informou um comunicado do governo nesta sexta-feira.

O plano anunciado pelo Japão se alinha ao da Alemanha, que prometeu desligar todos os seus 17 reatores nucleares até 2022. O país europeu se disse disposto a apoiar o Japão em sua empreitada. "Trata-se de uma tarefa complexa, sobre a qual poderíamos relatar nossa própria experiência, se assim for requisitado", declarou o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, nesta sexta-feira.

Desde desastre de Fukushima, dezenas de milhares de japoneses protestaram contra a energia nuclear
Alvo de críticas

Além de não ter sido especificado quando exatamente a meta será alcançada pelo Japão, o anúncio feito nesta sexta-feira não é obrigatório para governos futuros, o que significa que uma nova administração poderia reverter os planos.

Além disso, muitos críticos veem um Japão sem energia nuclear como algo irreal e alertam que o abandono de tal fonte energética poderia ter graves consequências para a terceira maior economia do mundo.

O Greenpeace deu as boas-vindas à nova política, porém, com cautela. Segundo a organização ambiental, o abandono da energia nuclear deveria ocorrer num prazo menor, juntamente com o desenvolvimento de soluções renováveis.

O cronograma de décadas apresentado pelo Japão é desnecessário, já que 48 dos 50 reatores japoneses foram desligados na sequência da crise de Fukushima, considera o Greenpeace. O poderoso lobby empresarial japonês pressionou para a reativação dos reatores, temendo cortes e aumento do preço da energia.

Na última semana, o Partido Democrático do Japão – do premiê Yoshihiko Noda – recomendou que o país expanda o uso de energia renovável e adote mais medidas de economia energética. O país depende hoje fortemente do petróleo do Oriente Médio e foi obrigado a elevar as importações para compensar o deficit energético desde o acidente de Fukushima.

Extraído do sítio Deutsche Welle

09 maio 2012

A ENERGIA NUCLEAR NO CENTRO DO DEBATE PRESIDENCIAL FRANCÊS - Rui Curado Silva

A energia nuclear foi um dos pontos principais de debate e do programa dos candidatos à eleição presidencial francesa. No país que mais depende desta forma de energia, a ampla variedade de posições sobre este tema produziu um debate intenso quer entre esquerda e direita, mas também entre os próprios candidatos de esquerda.

Foto:  Philippe Leroyer/Flickr


O programa de Nicolas Sarkozy é claro na afirmação do nuclear como uma opção estratégica fundamental para contornar a dependência das energias fósseis. A posição de Marine Le Pen, embora muito vaga, defende a continuidade do nuclear para garantir a independência nacional da França no setor energético, embora tenha admitido que a energia nuclear é perigosa e que a longo prazo deva ser equacionada a sua substituição.

Eva Joly, dos Verdes, apresentou o único programa abertamente pela extinção da produção de energia nuclear. Aliás, foi sob a pressão de um acordo assinado entre Verdes e o Partido Socialista Francês que o programa de François Hollande passou a integrar medidas concretas para a redução da energia nuclear a curto e a médio prazo. Em particular, o encerramento da central de Fessenheim nos próximos cinco anos. A central de Fessenheim, localizada na Alsácia perto de uma falha sísmica, é a mais velha central francesa, em atividade há 35 anos, e também a que comporta maiores riscos de ocorrência de um acidente grave. Outra medida importante é a redução a 50% da energia nuclear na produção de energia elétrica até 2025. O valor atual é de 75%, sendo o mais elevado do mundo. No entanto, Hollande defende a continuidade do programa de construção do novo reator EPR (European Pressurised Reactor/Evolutionary Power Reactor).

Jean-Luc Mélenchon defende uma saída progressiva do nuclear e propôs a realização de um referendo sobre a questão. Entre os seus apoiantes diretos, o Partido Comunista Francês defende a continuidade do programa nuclear, enquanto o Partido de Esquerda é contra.

Entre declarações confusas e pouco claras sobre o assunto, o candidato Philippe Poutou do NPA admitiu a falta de unanimidade dentro do seu partido sobre a questão da energia nuclear, embora o seu programa proponha a saída da energia nuclear dentro de 10 anos.

A candidata da Lutte Ouvrière, Nathalie Arthaud mostrou-se favorável à energia nuclear no quadro de uma gestão pública.

No caso de vitória de Sarkozy, não se espera nenhuma alteração ao programa nuclear francês nos próximos cinco anos. No caso de vitória de Hollande, pelo menos existe a esperança de uma inflexão das prioridades energéticas do país e do encerramento da central de Fessenheim, no entanto nada de radicalmente diferente ocorrerá certamente no panorama energético francês.

Rui Curado Silva - Investigador no Departamento de Física da Universidade de Coimbra.


Extraído do sítio Esquerda.net

07 maio 2012

JAPÃO DESATIVA TODAS AS CENTRAIS NUCLEARES DO PAÍS - Ulrike Mast-Kirschning



Após catástrofe nuclear de Fukushima, o Japão desligou da rede seu último reator. Governo diz que se trata de manutenção de rotina e plantas serão reativadas em breve. Greenpeace vê chance para energia sustentável.

"Todas as luzes estão acesas, não está escuro. Tudo está normal no Japão", disse Hisayo Takada, de Tóquio, um dia antes de a última das 54 usinas nucleares do país ser desligada da rede . "E isso não vai mudar no dia 5 de maio", apostou a ativista do Greenpeace.

A usina de Tomaria (foto), localizada na ilha de Hokkaido, foi então desativada. Oficialmente, para manutenção de rotina. Segundo funcionários, porém, é na verdade para melhorar a segurança na planta.

As exigências de segurança foram aumentadas significativamente pelo governo desde a explosão na central nuclear de Fukushima Daiichi, na sequência de um forte terremoto e de um tsunami que atingiu a costa leste do Japão. Na época, foi liberada uma grande quantidade de radioatividade na região.

Quatro reatores de Fukushima nunca mais serão ligados à rede elétrica. Segundo informou a operadora Tepco, eles foram riscados da lista. Mesmo dois reatores menos danificados foram desativados permanentemente.

Explosão em Fukushima em março de 2011 foi maior catástrofe nuclear da história do Japão
Até agora nenhum apagão

Ao todo, 15 centrais nucleares avariadas foram desativadas. Todas as outras foram desligadas para manutenção. Especialmente no interior deve haver escassez de energia, informou o governo japonês.

"A maioria das pessoas não acredita nisso", diz a ativista do Greenpeace, Hisayo Takada. "Metade da energia que abastecia o oeste do Japão vinha de centrais nucleares", disse ela. Atualmente não há qualquer reator ativo na região e, até agora, não há registros de apagão.

Os japoneses temem, entretanto, que possam ocorrer problemas nos meses mais quentes do verão, julho e agosto. É quando os condicionadores de ar são ligados, principalmente na capital, Tóquio, e a demanda por energia aumenta.

"Tivemos experiência com isso no verão passado", contrapõe a ambientalista. No ano passado, Tóquio conseguiu economizar até 80% de energia no horário de pico. Já naquela época havia poucos reatores da Tepco em operação. Levando em conta todo o verão, o consumo de energia foi reduzido em 40%.

Cidadãos em Tóquio protestam contra energia atômica
Oportunidade para fontes alternativas

No entanto, o governo japonês insiste que as centrais nucleares serão reativadas assim que possível. A planta de Oii, de propriedade da Kansai Electric Power, na cidade de Fukui, a oeste do país, estaria adequadamente protegida contra desastres nucleares, declarou já em abril o ministro japonês do Comércio Yukio Edano. Até agora as autoridades locais não aprovaram o retorno das operações na usina, e ainda não há data para o reator ser religado à rede. As negociações sobre a reativação devem continuar na próxima semana.

Enquanto isso já foram realizadas duas audiências públicas no local, diz a ativista do Greenpeace. Para os cidadãos, muitas questões de segurança teriam ficado em aberto, no caso de a região ser atingida por um terremoto. "É um grande desafio para o Japão seguir adiante sem suas 54 centrais nucleares, mas esta também é uma grande oportunidade", acredita Hisayo. "Nós podemos poupar energia, oferecer mais incentivos para reduzir o consumo e investir mais em fontes de energia renovável."

Extraído do sítio Deutsche Welle