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05 março 2013

SUBSECRETÁRIA DA ONU DIZ QUE MUNDO TEM LIÇÕES PARA APRENDER COM O BRASIL - Renata Giraldi


Brasília – A subsecretária-geral para Assuntos Humanitários das Nações Unidas, Valerie Amos, disse hoje (5) que os programas sociais, desenvolvidos no Brasil, são exemplos para o restante do mundo. Para ela, é fundamental compartilhar as experiências brasileiras na tentativa de erradicar a pobreza e desenvolver a agricultura no mundo.

“Nós queremos muito aprender as lições do que está ocorrendo aqui no Brasil [de erradicação à pobreza, combate à fome e agricultura familiar]. Queremos muito nos engajar”, ressaltou Valerie, que está em visita ao Brasil.

“Os exemplos do Brasil são uma parte muito importante. A abordagem sempre foi integrada. Isso é algo que deve ser analisado. Vários países querem aprender essas lições. O Brasil foi pioneiro. Queremos capturar essas lições e compartilhar com os nossos parceiros.”

Valerie participou hoje, em Brasília, do lançamento da Ação Humanitária Global 2013, no Palácio Itamaraty. Participaram do evento o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, embaixador Eduardo dos Santos, o coordenador-geral de Ações Internacionais de Combate à Fome (do Itamaraty), Milton Rondó Filho, e o coordenador residente do Sistema das Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek.

A meta da Organização das Nações Unidas (ONU) é obter US$ 10,5 bilhões, em 2013, para garantir assistência a cerca de 57 milhões de pessoas, em 24 países - incluindo Síria, Afeganistão e a região do Sahel, na África Ocidental, que vivem momentos de tensão.

Santos disse que o governo brasileiro pretende contribuir com US$ 1 milhão para o fundo para assuntos humanitários das Nações Unidas. O secretário-geral do Itamaraty acrescentou que o Brasil se dispõe a cooperar, com experiência e apoio técnico e profissional, com a comunidade internacional a fim de erradicar a pobreza e combater a fome no mundo.

Extraído do sítio Agência Brasil

27 janeiro 2013

ONU ALERTA QUE 200 MILHÕES DE PESSOAS ESTARÃO DESEMPREGADAS EM 2013 - Jack Phillips

Candidatos fazem fila numa feira de trabalho em 17 de janeiro de 2013 na cidade de Nova York (Mario Tama/Getty Images)

A Organização das Nações Unidas (ONU) advertiu recentemente que mais 5,1 milhões de pessoas ficarão sem trabalho em 2013, com os jovens sendo o grupo demográfico mais atingido.

No relatório anual “Tendências Mundiais do Emprego 2013″ da Organização Internacional do Trabalho (OIT), os números mostram que o desemprego mundial está novamente em ascensão, depois de caírem por dois anos consecutivos, refletindo uma desaceleração do crescimento econômico. O número total de pessoas desempregadas no mundo aumentou em 4,2 milhões em 2012 para mais de 197 milhões – uma taxa de desemprego de 5,9% – informou a agência.

Quase 13% dos desempregados tinham idades de 24 ou menos, segundo a agência.

“Muitos dos novos empregos exigem habilidades que os candidatos não têm”, disse Guy Ryder, o diretor-geral da OIT, num comunicado no website da organização. “Os governos devem intensificar esforços para apoiar as competências e as atividades de reciclagem para resolver tais discrepâncias que afetam particularmente os jovens.”

35% de todos os jovens desempregados estavam sem trabalho há seis meses ou mais em economias avançadas, um crescimento de 6,5% desde 2007, segundo a OIT.

“Muitos jovens atualmente experimentam desemprego de longo prazo desde que entram no mercado de trabalho”, disse Ryder à CNN. “Quando isso ocorre no início da carreira de uma pessoa, pode causar danos significativos a sua perspectiva de emprego em longo prazo.”

Cerca de um quarto do aumento da taxa de desemprego mundial foi encontrado em economias avançadas, afirma o relatório da OIT. Os outros três quartos do aumento foram devido a “repercussões” em outras regiões, ou seja, na Ásia Oriental, Sul da Ásia e África Subsaariana, informou a OIT.

“Uma perspectiva de incerteza econômica e uma política inadequada para lidar com a situação enfraqueceram a demanda agregada, retendo o investimento e gerando contratação”, disse Ryder, segundo a OIT. “Isso tem prolongado a queda do mercado de trabalho em muitos países, reduzindo a criação de emprego e aumentando a duração do desemprego, mesmo em países que antes tinham baixa taxa de desemprego e mercados de trabalho dinâmicos.”

O relatório concluiu que o desemprego de longo prazo também cresceu, apontando que cerca de um terço dos desempregados da Europa não tem trabalho há mais de um ano, informou a BBC. Cerca de 39 milhões de pessoas ao redor do mundo já desistiram de tentar encontrar um emprego, acrescentou o relatório.

A agência observou que países com estágios, incluindo a Alemanha, Suíça e Áustria, tiveram as menores taxas de desemprego de jovens no mundo.

O pico da taxa de desemprego global foi de 6,21% em 2009, após o colapso econômico global, informou a Associated Press. A taxa de desemprego global no ano passado foi de 5,93%.

Extraído do sítio The Epoch Times

23 janeiro 2013

A MAIOR AMEAÇA À PAZ MUNDIAL - Noam Chomsky


Há alguns meses, ao informar sobre o debate final da campanha presidencial nos Estados Unidos, o The Wall Street Journal observou que “o único país mais mencionado (que Israel) foi o Irã, o qual a maioria das nações de Oriente Médio vê como a principal ameaça à segurança da região”.

Os dois candidatos estiveram de acordo em que um Irã nuclear é a maior ameaça à região, se não ao mundo, como Romney sustentou explicitamente, reiterando uma opinião convencional.

Sobre Israel, os candidatos rivalizaram em declarar sua devoção, mas nem assim os as autoridades israelenses se deram por satisfeitas. Esperavam “uma linguagem mais ‘agressiva’ de Romney”, segundo os repórteres. Não foi suficiente que Romney exigisse que não se permitisse que o Irã “alcance um ponto de capacidade nuclear”.

Também os árabes estavam insatisfeitos, porque os temores árabes sobre o Irã se “debateram sob a ótica da segurança israelense, não da região”, e as preocupações dos árabes não foram contempladas: uma vez mais, o tratamento convencional.

O artigo do Journal, como incontáveis outros sobre o Irã, deixa sem resposta perguntas essenciais, entre elas: Quem exatamente vê o Irã como a ameaça mais grave à segurança? O que os árabes (e a maior parte do mundo) acham que se pode fazer diante dessa ameaça, existindo ou não?

A primeira pergunta é fácil de responder. A ameaça iraniana é uma obsessão totalmente do Ocidente, compartilhada por ditadores árabes, embora não pelas populações árabes.

Como mostraram numerosas pesquisas, mesmo que os cidadãos dos países árabes em geral não simpatizem com o Irã, não o consideram uma ameaça muito grave. Na verdade percebem que a ameaça são Israel e Estados Unidos, e vários, muitas vezes maiorias consideráveis, veem nas armas nucleares iranianas um contrapeso para essas ameaças.

Em altas esferas dos Estados Unidos, alguns estão de acordo com a percepção das populações árabes, entre eles o general Lee Butler, ex-chefe do Comando Estratégico. Em 1998 ele disse: “É extremamente perigoso que, no caldeirão de animosidades que chamamos Oriente Médio”, uma nação, Israel, deva contar com um poderoso arsenal de armas nucleares, “que inspira outras nações a tê-lo também”.

Ainda mais perigosa é a estratégia de contenção nuclear da qual Butler foi o principal formulador por muitos anos. Tal estratégia, escreveu em 2002, é “uma fórmula para uma catástrofe sem remédio” e convidou os Estados Unidos e outras potências atômicas a aceitar os compromissos contraídos dentro do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e fazer esforços de “boa fé” para eliminar a praga das armas atômicas.

As nações têm a obrigação legal de levar a sério esses esforços, decretou a Corte Mundial em 1996: “Existe a obrigação de avançar de boa fé e levar a termo as negociações orientadas ao desarmamento nuclear em todos seus aspectos, conforme um controle internacional estrito e efetivo”. Em 2002, o governo de George W. Bush declarou que os Estados Unidos não estão comprometidos com essa obrigação.

Uma grande maioria do mundo parece compartilhar a opinião dos árabes sobre a ameaça iraniana. O Movimento de Países Não Alinhados (MNA) apoiou com vigor o direito do Irã de enriquecer urânio; sua declaração mais recente aconteceu na cúpula de Teerã, em agosto passado.

A Índia, membro mais populoso do MNA, encontrou formas de evadir às onerosas sanções financeiras dos Estados Unidos ao Irã. Executam planos para vincular o porto iraniano de Chabahar, recondicionado com assistência indiana, com a Ásia Central, através do Afeganistão. Também se informa que as relações comerciais se incrementam. Se não fosse pelas fortes pressões de Washington, é provável que estes vínculos naturais tivessem uma melhoria substancial.

A China, que tem estatuto de observadora no MNA, faz o mesmo, em boa medida. Expande seus projetos de desenvolvimento para o Ocidente, entre eles iniciativas para reconstituir a antiga Rota da Seda para a Europa. Uma linha ferroviária de alta velocidade conecta a China com o Cazaquistão e além. É provável que chegue ao Turcomenistão, com seus ricos recursos energéticos, e que se conecte com o Irã e se estenda até a Turquia e a Europa.

A China também tomou o controle do importante porto de Gwadar, no Paquistão, que lhe permite obter petróleo do Oriente Médio evitando os estreitos de Ormuz e Malaca, saturados de tráfico e controlados pelos Estados Unidos. A imprensa paquistanesa informa que “as importações de petróleo cru do Irã, dos estados árabes do Golfo e da África poderiam ser transportadas por terra até o noroeste da China através deste porto”.

Em sua reunião de agosto, em Teerã, o MNA reiterou sua velha proposta de mitigar ou pôr fim à ameaça das armas nucleares no Oriente Médio estabelecendo uma zona livre de armas de destruição em massa. Os passos nessa direção são, sem dúvida, a maneira mais direta e menos onerosa de superar essas ameaças, o que é apoiado por quase o mundo inteiro.
Uma excelente oportunidade de aplicar essas medidas se apresentou recentemente, quando se planejou uma conferência internacional sobre o tema em Helsinki.

Foi realizada uma conferência, mas não a que estava planejada. Só organizações não governamentais participaram da reunião alternativa, organizada pela União pela Paz, da Finlândia. A conferência internacional planejada foi cancelada por Washington em novembro, pouco depois que o Irã concordou em comparecer.

A razão oficial do governo Obama foi “a turbulência política na região e a desafiante postura do Irã sobre a não proliferação” segundo a agência Associated Press, junto a uma falta de consenso sobre como enfocar a conferência. Essa razão é a aprovada referência ao fato de que a única potência nuclear da região, Israel, se negou a comparecer, alegando que a solicitação para fazê-lo era “coerção”.

Aparentemente, o governo de Obama mantém sua postura anterior de que “as condições não são apropriadas, a menos que todos os membros da região participem”. Os Estados Unidos não permitirão medidas para submeter as instalações nucleares de Israel a inspeção internacional. Também não revelará informação sobre “a natureza e alcance das instalações e atividades nucleares israelenses”.

A agência de notícias do Kuwait informou imediatamente que “o grupo árabe de Estados e os estados membros do MNA concordaram em continuar negociando uma conferência para o estabelecimento de uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio, assim como de outras armas de destruição em massa”.

Recentemente, a Assembleia Geral da ONU aprovou, por 174 votos a seis, uma resolução na qual convida Israel a aderir ao TNP. Pelo não, votou o contingente acostumado: Israel, Estados Unidos, Canadá, as Ilhas Marshall, Micronésia e Palau.

Dias depois, em dezembro, os Estados Unidos realizaram um teste nuclear impedindo, uma vez mais, aos inspetores internacionais, o acesso ao local do teste, em Nevada. O Irã protestou, assim como o prefeito de Hiroshima e alguns grupos pacifistas japoneses.

Claro que, para estabelecer uma zona livre de armas atômicas, se requer a cooperação das potências nucleares: no Oriente Médio, isso incluiria os Estados Unidos e Israel, que se negam a cooperar. O mesmo acontece em outros lugares. As zonas da África e do Pacífico aguardam a aplicação do tratado porque os Estados Unidos insistem em manter e melhorar as bases de armas nucleares nas ilhas que controla.

Enquanto se levava a cabo a conferência de ONGs em Helsinki, em Nova York se realizava um jantar com o patrocínio do Instituto sobre Políticas sobre o Oriente Próximo, de Washington, ramificação do conselho israelense.

Segundo uma matéria entusiasta sobre essa “cerimônia” na imprensa israelense, Dennis Ross, Elliott Abrams e outros “ex-conselheiros de alto nível de Obama e Bush” asseguraram aos presentes que “o presidente atacará (o Irã) se a diplomacia não funcionar”: um presente de festas de fim de ano muito atrativo.

É difícil que os estadunidenses estejam cientes de como a diplomacia voltou a falhar, por uma simples razão: virtualmente não se informa nada nos Estados Unidos sobre o destino da forma mais óbvia de lidar com “a mais grave ameaça”: estabelecer uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio.

* Noam Chomsky é professor emérito de linguística e filosofia no Instituto Tecnológico de Massachusetts, em Cambridge. O novo livro de Noam Chomsky, Power systems: conversations om global democratic uprisings and the new challenges to US empire (Sistemas de poder: conversas sobre as rebeliões democráticas globais e os novos desafios ao império estadunidense) será publicado em janeiro.

Extraído do sítio Carta Maior

22 janeiro 2013

VENEZUELA: POBREZA EXTREMA CAIU DE 11,36% PARA 6,97% EM 10 ANOS


Último censo de 2011 revelou ainda que os lares "não pobres" foram de 67% para 75,43% no mesmo período. 

A pobreza extrema na Venezuela caiu de 11,36% em 2001 para 6,97% em 2011, de acordo com o Censo 2011, realizado pelo INE (Instituto Nacional de Estatísticas) do país. Além disso, os lares considerados “pobres” caíram de 21,64% para 17,60%, e aumentaram os de “não pobres”, de 67% para 75,43% em 2011.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (21/01) pelo presidente do INE, Elías Eljuri, que sublinhou que o método usado na pesquisa é o recomendado pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) que mede a pobreza estrutural usando o resultado dos censos de cada país.

De acordo com a metodologia, os cinco critérios a serem levados em conta são: lares com crianças em idade escolar fora da escola; superlotação; moradia inadequada; lares sem serviços básicos e lares com chefes de família sem educação primária. Um lar é considerado em “pobreza extrema” se tem duas ou mais necessidades insatisfeitas. “Pobre”, quanto apresenta uma necessidade e “não pobre” quando todas as cinco são preenchidas.

“Por todas as vias examinadas, houve uma redução da pobreza bem importante. Já há estimativas que a pobreza conjuntural fechará em torno de 6,5% em 2012”, afirmou Eljuri. O pesquisador forneceu detalhes sobre os indicadores e disse que a aglomeração crítica de pessoas em casas se reduziu de 15,12% a 10,10%; a moradia inadequada de 9, 38% a 8,69% e lares sem serviços básicos de 14,69% a 8,68%.

“Isto é produto da melhoria das condições de vida que a população venezuelana vem tendo com o plano da ‘Missão Habitação’, as 346 mil casas que foram construídas no último ano e meio. As que serão construídas neste ano contribuirão de maneira decisiva para a redução de indicadores como a concentração crítica de pessoas num mesmo espaço”, ressaltou.

Extraído do sítio Opera Mundi

26 dezembro 2012

POR QUE A CONCENTRAÇÃO NA MÍDIA ATENTA CONTRA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO - Paulo Nogueira

O relator da ONU para a imprensa falou coisas importantes no Brasil, mas foi ignorado.

Rue

Frank de La Rue, relator da ONU para a liberdade de expressão, disse coisas importantes em sua recente passagem pelo Brasil.

Lamentavelmente, mas não surpreendentemente, a cobertura foi virtualmente nula, embora o tema de alto interesse público: liberdade de expressão.

Rue foi ignorado por uma razão: ele disse coisas que não atendem aos interesses corporativos das grandes empresas de jornalismo, a começar pela Globo.

Em outras ocasiões, ele foi bem coberto pela própria Globo, como verifiquei numa pesquisa rápida. O Jornal Nacional e o Globo deram bem críticas que Rue fez, em 2009, a Chavez na questão da imprensa.

Portanto, Rue é notícia na Globo quando fala coisas que agradam à família Marinho e é nada quando fala coisas que desagradam.

Essa delinquência jornalística simboliza o ponto que Rue defendeu no Brasil: o país tem que discutir uma lei de mídia, em nome da liberdade de expressão e, mais ainda, do direito sagrado dos brasileiros à informação.

O Diário já defendeu várias vezes que o Brasil se inspire na reforma que está sendo feita na Inglaterra por inspiração do juiz Brian Leveson, que por mais de um ano comandou uma investigação sobre os excessos da mídia e as formas de proteger a sociedade deles.

Rue cita dois exemplos vizinhos para o Brasil: a Argentina e o Uruguai. Mais uma vez: o que você lê na grande mídia brasileira são sistemáticos ataques à Lei dos Meios da Argentina, embora o ponto mais importante dela seja mitigar a indefensável, intolerável concentração multimídia do grupo Clarin, obtida graças a favores da ditadura militar.

Sobre o Uruguai, paira um espesso silêncio. Isso quer dizer que os brasileiros não estão tendo acesso a informações importantes para formar opinião sobre a questão da mídia.

Rue tem uma tese sobre a concessão de emissoras de tevês e rádios. As frequências das quais derivam as emissoras de tevê e as estações de rádio são “propriedade do Estado”, nota ele, e deveriam ser administradas como recursos como “solo, água e petróleo”.

O que aconteceu na América do Sul foi uma deformação. Os beneficiários de concessões deram a elas um caráter estritamente comercial. A Globo é o caso mais notável, mas evidentemente não é o único. Essa distorção é generalizada, como se vê na Argentina, por exemplo, com o Clarin, citado acima.

“Concessão não é feita apenas para enriquecer o dono”, diz Rue. No último levantamento da Forbes das maiores fortunas no Brasil, a família Marinho estava no pódio.

Qualquer tentativa de debater a questão da mídia no Brasil costuma ser rechaçada, por ela mesma, como “ameaça de censura”. Mais uma vez, este tipo de argumento apenas comprova o acerto das teses centrais de Rue.

O Diário defende, como já foi dito, uma legislação de mídia nos moldes da dinamarquesa. Na Dinamarca, a liberdade de expressão é um direito sagrado. Foi lá, em nome dessa liberdade, que cartunistas desafiaram o fundamentalismo islâmico ao publicar charges de Maomé.

Para monitorar o comportamento da mídia, os dinamarqueses têm um órgão fiscalizador que é independente das empresas de jornalismo e também do governo. A autofiscalização fracassou miseravelmente na Inglaterra e no Brasil é essencialmente uma piada.

Com atraso de vários dias, a Folha entrevistou Rue, e o resultado está na edição de hoje. Ponto para a Folha, ainda que não se tenha tocado num assunto que ele abordou no Brasil – o absurdo de o jornal destruir, na Justiça, a paródia digital Falha de S. Paulo. (Rue lembrou que nos Estados Unidos havia uma paródia do NY Times.)

As teses de Rue mostram que o Brasil está, infelizmente, distante de ter uma mídia genuinamente “livre” – a não ser que consideremos que “livre” signifique a subordinação completa aos interesses de um pequeno grupo de grandes corporações para as quais notícia é apenas o que as beneficia.

Extraído do sítio Diário do Centro do Mundo

24 dezembro 2012

ONU SE "ESCANDALIZA" COM STF - João Brant

Seria muito ruim que prevalecesse no Judiciário uma perspectiva que coloca os interesses comerciais das empresas acima dos direitos das crianças e adolescentes.


O relator especial da ONU para liberdade de expressão, Frank la Rue, esteve no Brasil em meados de dezembro para uma visita a convite do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. Como não era uma visita oficial, ele não quis se pronunciar sobre a situação do país, mas um assunto específico chamou sua atenção e o fez abrir uma exceção: ele se disse ‘’escandalizado” com possibilidade do STF derrubar a vinculação horária da classificação indicativa de programas de televisão. 

La Rue estava se referindo à ação de inconstitucionalidade apresentada pelo PTB e apoiada pelas emissoras de TV que tenta derrubar a obrigação das emissoras respeitarem faixas horárias para veicular programas voltados apenas a determinadas idades. 

As palavras do relator são claras. “Fiquei escandalizado que o Supremo Tribunal Federal esteja vendo conflito entre liberdade de expressão e a proteção à infância. Não posso entender e em nenhum país vi uma corte suprema que esteja disposta a sacrificar a proteção da infância por outros interesses. É absolutamente absurdo. A vinculação horária não é uma violação à liberdade de expressão. A liberdade tem limites. Defendo a liberdade ampla, mas reconheço os limites. Neste caso, o Estado tem obrigação de regular a proteção da infância. Senão, dá-se a impressão de que interesses econômicos podem se sobrepor a outros interesses”. 

O susto do relator tem sentido. A ação começou a ser votada em novembro de 2011, e depois dos votos de quatro ministros, todos favoráveis à derrubada da vinculação de horários, foi suspensa por um pedido de vistas do ministro Joaquim Barbosa. Desde então, o processo não foi retomado. 

Esse alerta deveria ser levado em conta pelo STF na continuidade da análise da ação. Seria muito ruim que prevalecesse no Judiciário uma perspectiva que coloca os interesses comerciais das empresas acima dos direitos das crianças e adolescentes. Entidades da sociedade civil brasileira já vinham alertando para esse perigo. O reforço, agora, vem da insuspeita relatoria de liberdade de expressão da ONU. 

Extraído do sítio Brasil de Fato

29 setembro 2012

PETIÇÃO SOBRE COLHEITA DE ÓRGÃOS SOLICITA EUA A PRESSIONAR CHINA - Matthew Robertson

Pede-se aos EUA que divulguem o que Wang Lijun revelou sobre a atrocidade.

A Dra. Wang Wenyi (direita) e a Dra. Cynthia Liu (esquerda), membras do grupo ‘Médicos contra a Colheita Forçada de Órgãos’, se preparam para entregar a petição no gabinete de Susan E. Rice, a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, em Nova York. (Amal Chen/The Epoch Times)
NOVA YORK – A petição de quase 25 mil assinaturas pede aos EUA para colocarem pressão sobre a China por meio da ONU para impedir a prática da colheita forçada de órgãos.

A petição, entregue em 26 de setembro no gabinete de Susan E. Rice, a embaixadora dos EUA na ONU, também pede ao governo dos EUA para liberarem qualquer informação que possuam sobre o envolvimento de Wang Lijun, o ex-chefe da polícia de Chongqing na China que foi condenado a 15 anos de prisão, nas atividades de colheita de órgãos.

Desde 2000, essas atividades têm em grande medida visado prisioneiros da consciência, especificamente praticantes da disciplina espiritual do Falun Gong. Pelo menos 60 mil praticantes do Falun Gong foram mortos quando seus órgãos foram extraídos, segundo estimativas de analistas do assunto. Os órgãos são vendidos por dezenas de milhares de dólares para chineses ricos, oficiais do Partido Comunista Chinês (PCC) e estrangeiros que necessitam de órgãos, segundo a petição.

“Queremos quebrar o silêncio, para que os Estados Unidos parem de ser apenas um observador, mas se posicione internacionalmente e exija o fim destes crimes”, disse o Dr. Torsten Trey, diretor-executivo dos ‘Médicos contra a Colheita Forçado de Órgãos’ (DAFOH), num conversa telefônica.

Seu grupo de defesa médica recolheu as petições e as entregou ao escritório de Rice no edifício das Nações Unidas. “Precisamos ver investigações internacionais chegarem ao fundo disto. Esta é a razão da petição”, disse ele.

As assinaturas foram coletadas por voluntários ao longo das últimas quatro a cinco semanas em cidades estadunidenses e foram então digitalizadas, gravadas num CD e DVD e entregues ao gabinete de Rice, juntamente com a carta de apresentação. “Pedimos que você tome uma atitude pelos que assinaram e levaram sua voz às Nações Unidas”, diz a carta.

O grupo recolheu mais de 24.300 até o domingo e era estimado que facilmente ultrapassaria 25 mil no intervalo antes da entrega. O escritório de Rice não respondeu a um pedido de comentário na tarde de 26 de setembro.

As pessoas foram enormemente receptivas à petição, disse Trey, citando histórias de voluntários em campo. “Notamos tremenda receptividade do povo. Muitos ofereceram sua ajuda ou sugestões e apoio”, disse Trey.

“Eles dizem, ‘Eu quero saber o que está acontecendo e, se as pessoas estão sendo mortas por seus órgãos, eu quero que isso acabe.’ Eles têm um simples desejo de fazer a coisa certa”, disse ele. “Poderíamos facilmente ter conseguido 100 mil assinaturas nos EUA em um mês”, acrescentou ele.

A Dra. Wenyi Wang, membra do DAFOH e ex-jornalista da edição chinesa do Epoch Times, esteve presente no dia e ajudou a entregar a petição ao gabinete de Rice. “Quando as pessoas souberem a verdade, elas farão a escolha certa”, disse ela. “A Declaração de Direitos Humanos da ONU surgiu há muitos anos; viemos aqui submeter a petição para lembrar à ONU que o regime chinês não está cumprindo com a declaração.”

A Dra. Cynthia Liu, uma patologista do Centro Médico da Universidade de Nova York e membra do DAFOH, ajudou a entregar a petição.

A carta e petição destacavam a evidência disponível da colheita de órgãos de praticantes do Falun Gong na China e observava, “Altos oficiais do PCC estão envolvidos em dirigir a colheita forçada de órgãos.”

Essas afirmações são baseadas em ligações telefônicas gravadas secretamente pela ‘Organização Mundial para Investigar a Perseguição ao Falun Gong’ (WOIPFG), cujos pesquisadores contataram a China se passando por vários oficiais comunistas e provocando admissões de oficiais do PCC e publicaram as conversas online.

“Acredita-se que Wang Lijun, em sua tentativa de desertar no consulado dos EUA em Chengdu em fevereiro de 2012, forneceu informações vitais sobre a colheita de órgãos para os funcionários do consulado”, diz a carta.

Quando perguntado sobre o assunto durante a coletiva do 17º Diálogo EUA-China sobre os Direitos Humanos, o secretário-adjunto de Estado norte-americano Michael H. Posner deu uma resposta ambígua.

Se o Departamento de Estado tem sido mais aberto com o Congresso não é conhecido. Uma coletiva somente com seus membros foi realizada pelo Comitê das Relações Exteriores num ambiente restrito em 26 de abril. Os membros da equipe de congressistas não foram autorizados a participar e a comissão não fez qualquer comentário sobre o conteúdo da coletiva após sua conclusão.

Posteriormente, pressão multiprolongada foi feita sobre a administração para divulgar o que sabe e para pressionar por maior atenção internacional e investigação.

A audiência do Congresso foi realizada recentemente por dois subcomitês do Comitê Parlamentar das Relações Exteriores, que convocou testemunhas para depor. O Rep. Dana Rohrabacher (R-Calif.), presidente de um dos subcomitês, descreveu a colheita de órgãos como um “crime monstruoso”.

Os membros do Congresso estão circulando uma carta com o objetivo de obter centenas de assinaturas num documento que será enviado à secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton, pedindo que o Departamento de Estado divulgue publicamente o que sabe sobre a colheita de órgãos de pessoas vivas na China e que informação Wang Lijun forneceu.

“Se tal evidência foi recebida e for trazida à luz, medidas podem ser tomadas para ajudar a impedir tais abusos abomináveis”, diz a carta. “Solicitamos, portanto, que o Departamento de Estado libere qualquer informação que possa ter que se relacione com os abusos de transplante na China, incluindo toda a documentação que Wang Lijun possa ter fornecido ao nosso consulado em Chengdu.”

Extraído do sítio The Epoch Times

27 setembro 2012

RELATÓRIO MOSTRA EFEITOS DO BLOQUEIO ESTADUNIENSE E PEDE SUSPENSÃO DA MEDIDA, QUE JÁ DURA 53 ANOS - Natasha Pitts


Na última quinta-feira (20), o ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, apresentou um relatório com informações sobre o impacto do bloqueio que os Estados Unidos mantêm contra Cuba desde a histórica Revolução de 1959. Além de assegurar que o bloqueio já não tem sentido algum, o ministro destacou que o fim da medida traria benefícios não só para Cuba, mas também para os EUA.

O relatório relembra que o bloqueio persiste há 53 anos e que durante este tempo foi se institucionalizando mediante a aprovação de sucessivos presidentes e a instituição de medidas legislativas que o tornaram mais "férreo e abarcador”.

"Desde este momento [Revolução Cubana], a política de asfixia econômica que representa não cessou um só instante, o que reflete claramente a obsessão de sucessivos governos dos Estados Unidos de destruir o sistema político, econômico e social eleito pelo povo cubano no exercício de seus direitos à livre determinação e à soberania. Durante todos estes anos se recrudesceu e reforçou os mecanismos políticos, legais e administrativos de tal política com o objetivo de procurar sua instrumentação mais eficaz”, denuncia o relatório.

Por conta do bloqueio, Cuba não pode exportar e importar livremente produtos e serviços para os Estados Unidos; não pode utilizar o dólar norte-americano em suas transações financeiras internacionais ou ter contas nesta moeda em bancos de outros países; não pode ter acesso a crédito de bancos nos Estados Unidos, de suas filiais em outros países e de instituições internacionais como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

O reflexo financeiro disto, até dezembro de 2011, passa de 108 bilhões de dólares em cálculos atuais, levando-se em consideração a depreciação do dólar frente ao valor do ouro no mercado internacional. O relatório também aponta que a perseguição às transnacionais financeiras internacionais cubanas é um dos traços mais significativos do bloqueio. De acordo com o relatório anual publicado pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), do Departamento do Tesouro, a cifra dos fundos congelados pelos EUA a Cuba no final de 2011 fechou em mais de 245 milhões de dólares, situação que barra o desenvolvimento econômico, social e científico-técnico da Ilha.

A comunidade internacional já fez inúmeros apelos aos governos dos Estados Unidos. Inclusive no âmbito da Assembleia Geral das Nações Unidas já foi expressa em 20 resoluções este apoio ao fim do bloqueio. Apesar disso, a medida se mantém como uma "ferramenta de pressão” e não há indícios de que possa ser suspensa pelo governo do atual presidente estadunidense, Barack Obama.

"O bloqueio continua sendo uma política absurda obsoleta, ilegal e moralmente insustentável, que não cumpriu, nem cumprirá o propósito de dobrar a decisão patriótica do povo cubano de preservar sua soberania, independência e direito à livre determinação; mas gera carências e sofrimentos à população, limita e retarda o desenvolvimento do país e danifica seriamente a economia de Cuba. É o principal obstáculo ao desenvolvimento econômico e social da Ilha”, aponta o relatório.

Por isso, cientes de que o bloqueio econômico, comercial e financeiro é uma transgressão ao direito à paz, ao desenvolvimento e à segurança de um Estado soberano - segundo afirma a Carta das Nações Unidas - é que as autoridades e a população cubana reivindicam o fim desta medida de austeridade que afeta não só a economia, mas também causa prejuízos à saúde e à alimentação do povo cubano.

Extraído do sítio Adital

22 setembro 2012

BLOQUEIO DOS EUA CONTRA CUBA, CERCO SEM SINAIS DE RELAXAMENTO


Havana, 21 set (Prensa Latina) Cuba denuncia o recrudescimento do bloqueio econômico, comercial e financeiro que por mais de meio século aplica os Estados Unidos contra o país, ignorando o clamor mundial.

Multas milionárias a entidades que realizaram operações com a ilha, perseguição de transações, prorrogação de leis e uma maior presença de sua dimensão extraterritorial têm caracterizado o cerco norte-americano nos últimos meses.

De acordo com o ministro cubano de Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, até dezembro de 2011 a unilateral medida de Washington deixou em suas mais de cinco décadas de execução perdas por um bilhão 66 bilhões de dólares, considerando a depreciação dessa divisa com respeito ao ouro.

Rodríguez apresentou a véspera nesta capital o relatório sobre a Resolução 66/6 da Assembleia Geral da ONU "Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba", o qual atualiza o impacto das sanções em diferentes setores.

Em próximas semanas, o projeto de resolução se submeterá pela vigésima primeira ocasião à Assembleia Geral, onde sempre tem sido respaldado desde 1992, e em outubro do ano passado recebeu 186 votos a favor com mal dois na contramão (Estados Unidos e Israel).

Outros espaços de acordo como o Movimento de Países Não Alinhados, a União Africana, a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América e a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos também expressaram nos últimos meses sua rejeição ao bloqueio.

Enquanto a comunidade internacional demanda de maneira unânime o cessar da unilateral medida, Washington responde fortalecendo-a, advertiu o chanceler cubano.

Durante seu terceiro ano de gerenciamento desde a Casa Branca -apontou- o presidente Barack Obama não só manteve o cerco, senão que o endureceu, sobretudo com o acosso e a perseguição das transações financeiras relacionadas com a ilha.

Em junho de 2012, Estados Unidos anunciou a imposição ao banco holandês ING de uma multa de 619 milhões de dólares, a mais alta da história a uma entidade estrangeira por suas relações comerciais com Cuba.

Asseguradoras como Metlife e a empresa de fornecimento da indústria petroleira Flowserve Corporation também foram castigadas por violar o cerco.

As multas da Administração Obama passaram de 89 milhões de dólares em 2011 a 622 milhões no que vai deste ano, assinalou o chanceler a jornalistas na apresentação do novo relatório.

Obama prorrogou ademais por terceiro ano consecutivo a Lei de Comércio com o Inimigo, norma que sustenta a aplicação do bloqueio e o facultam para impor outras iniciativas encaminhadas ao complementar.

Ao anterior soma-se a inclusão uma vez mais de Cuba na lista de países supostamente patrocinadores do terrorismo, no qual Washington se ampara para arreciar o seguimento às transações comerciais e financeiras da ilha.

Extraterritorialidade do bloqueio 

A atual Administração estadunidense deu mostras recorrentes de interesse por acentuar o caráter extraterritorial do bloqueio, segundo o texto posto a disposição do debate na Assembleia Geral da ONU.

Uma multa à naviera francesa CMA CGM por prestar serviços a Cuba e investigações ao banco espanhol BBVA por sua suposta participação em investimentos relacionadas com a ilha são alguns dos exemplos citados pelo relatório que apresentou Rodríguez.

O chanceler mencionou ademais as pressões exercidas contra a direção do Hotel Hilton, em Trinidad e Tobago, o qual obrigou à mudança de sede em dezembro de 2011 da Cimeira Cuba- Caricom.

Não só entidades sofreram a extraterritorialidade do bloqueio, a partir de casos como o de um cidadão da Dinamarca a quem em fevereiro deste ano autoridades estadunidenses lhe congelaram 137 mil coroas dinamarquesas (uns dois mil 385 dólares) pela compra de fumos cubanos na Alemanha.

Pode dizer-se com estrito apego à verdade que Obama tem endurecido o bloqueio, afirmou aqui o titular de Relações Exteriores da ilha.

Extraído do sítio Agência Prensa Latina

22 agosto 2012

METADE DA POPULAÇÃO LATINO-AMERICANA VIVE EM CIDADES COM MENOS DE 500 MIL HABITANTES - Flávia Villela


Rio de Janeiro – Nos últimos 50 anos, o número de centros urbanos cresceu mais que cinco vezes na América Latina e no Caribe e hoje a metade da população urbana na região (222 milhões de pessoas) vive em cidades com menos de 500 mil habitantes. De acordo com o relatório Estado das Cidades da América Latina e do Caribe, divulgado hoje (21) pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), cerca de 14% dos habitantes da região estão nas megacidades (65 milhões).

O êxodo rural perdeu força e as migrações ocorrem hoje, sobretudo entre centros urbanos. O crescimento populacional também tem caído, o que contribui para a queda do desemprego e da pobreza. Segundo o oficial principal de Assentamentos Humanos do ONU-Habitat, Erik Vittrup, essa oportunidade de tornar as cidades mais inclusivas e melhores para seus habitantes pode ser desperdiçada se não forem revistos os atuais modelos de crescimento e desenvolvimento nas cidades da região.

“Os modelos de crescimento das cidades nos anos 90 e anteriores não se adaptam aos desafios atuais. É ridículo que estejamos reproduzindo modelos de cidade focados na expansão horizontal. A vantagem de morar na cidade é a concentração urbana, da estrutura urbana, de serviços”.

Para o representante da ONU, a densidade demográfica reduz custos e impactos ambientais, além de estimular a criatividade e a cultura. Esses benefícios só podem ser sentidos se houver uma boa administração e planejamento urbano.

“Não precisamos de mais terras para uma cidade crescer. Ela pode crescer para cima, por exemplo”, disse. Ele citou também como alternativa o reaproveitamento das zonas centrais subaproveitadas, que já têm infraestrutura e equipamentos prontos.

Se em 1950 havia 320 cidades com pelo menos 20 mil habitantes, meio século depois o número passou para 2 mil. As metrópoles (com mais de 5 milhões de habitantes), que não existiam na América Latina e no Caribe em 1950, hoje somam oito na região: Cidade do México, São Paulo, Buenos Aires, Rio de Janeiro, Lima, Bogotá, Santiago e Belo Horizonte.

As cidades com maior densidade populacional são as que estão crescendo menos em termos populacionais desde a década de 1980 e, ao mesmo tempo, perdendo vantagens competitivas. Já as cidades com menos de 1 milhão de habitantes são as que mais têm crescido, mas também indicam movimento de queda.

O estudo mostra que a especulação imobiliária é um problema comum na maior parte dos países estudados e contribui para a expansão das periferias, do número de rodovias e centros comercias, além de condomínios fechados. Esse tipo de crescimento também estimula o uso de transportes individuais em detrimento da criação de um tecido urbano interconectado. As consequências são congestionamento, poluição e periferias que crescem desordenadamente, sem infraestrutura e sem meios de transporte adequados.

“Com isso, há aumento do preço do transporte, da energia, a degradação do meio ambiente, de dinheiro público que deveria estar sendo investido de outras formas, entre outros problemas”, citou Vittrup.

A pesquisa mostra ainda que o número de veículos individuais duplicou nos últimos dez anos, sem planejamento a longo prazo para lidar com os desafios da mobilidade urbana. O relatório elogia as iniciativas de alguns governos de resgatar as zonas centrais, criar ciclovias, mas lamenta que essas não sejam uma tendência.

Extraído do sítio Agência Brasil

10 agosto 2012

FAO ANUNCIA RISCO DE NOVA CRISE ALIMENTAR

Seca afeta plantação de soja em Princenton, nos Estados Unidos, nesta foto de 18 de julho. REUTERS/John Sommers II

A FAO, braço da ONU para a Agricultura e Alimentação denunciou nesta quinta-feira o risco de uma crise alimentar comparável a de 2007-2008 se reproduza. A situação pode voltar a acontecer caso alguns países continuem a restringir suas exportações, enquanto os preços dos cereais aumentam devido a seca que atinge certas zonas de produção.

O calor e o tempo seco no centro-oeste dos Estados Unidos provocaram o aumento do preço do milho e da soja, levando a um aumento geral dos preços dos cereais. Maus resultados nas colheitas na região próxima ao Mar Negro, poderiam levar países, como a Rússia, a limitar suas exportações.

Em 2007, além de condições climáticas desfavoráveis, o custo recorde de carburantes, políticas de restrição de exportações e a alta dos preços dos cereais, fazendo disparar o preço dos alimentos, gerou uma situação de crise. Na época, violentas manifestações foram registradas no Egito, Camarões e Haiti.

O preço da cesta básica de alimentos, que contém, carne, cereais, óleos, produtos lácteos e açúcar, calculada todos os meses pela FAO sofreu uma alta de 6% entre os meses de junho e julho desse ano. A organização assinala que a situação é diferente de 2007, quando a elevação do preço do barril de petróleo vez explodir ainda mais os custos da produção, mas que é preciso evitar intervenções restritivas no mercado.

A alta dos preços atinge especialmente os países mais pobres que não produzem quantidades suficientes de alimentos e seus próprios territórios. Quase um bilhão de pessoas no mundo não possuí recursos para se alimentar e depende inteiramente de programas de assistência, de acordo com dados das Nações Unidas.

Extraído do sítio RFI

27 julho 2012

MUNDO CONFLAGRADO - Mário Augusto Jakobskind


O mundo está conflagrado. A situação na Síria agravou-se e já é considerada pela Cruz Vermelha como guerra civil. Lamenta-se o número de vítimas resultantes dos confrontos.

Três integrantes do alto escalão do governo foram mortos em um atentado em Damasco, o que para os analistas representou sinal de fraqueza do regime de Bashar Assad, embora houve quem dissesse que teria sido o próprio regime que realizou o ato terrorista para evitar um golpe de estado. É a tal coisa: não raramente numa guerra, a verdade sofre revezes... 

De um modo geral o noticiário sobre a Síria é majoritariamente apresentado pela versão de um dos lados, contra o regime atual que vem sendo combatido pelos rebeldes com a ajuda do Ocidente.

Rússia e China mais uma vez rejeitaram resolução no Conselho de Segurança condenando o regime de Bashar Assad, sob a justificativa de que poderia repetir os acontecimentos do ano passado, ou seja, que resultaram no sinal verde na ONU para os bombardeios da OTAN na Líbia. E que então Rússia e China se abstiveram permitindo a aprovação da resolução.

Representantes de países europeus e dos Estados Unidos, que têm sido acusados de armar os rebeldes sírios juntamente com monarquias árabes como a Arábia Saudita e o Catar, condenaram a Rússia e a China por não repetirem o que fizeram o ano passado.

Numa guerra, vale sempre repetir, a verdade também é uma das vítimas. Neste caso, o mais certo é apresentar as versões dos dois lados combatentes em pé de igualdade. Mas isso não acontece, o que dá margem à opinião pública se posicionar apenas contra o regime sírio, não levando em conta a composição dos rebeldes e quem os apoia.

O representante sírio na ONU, Bashar Ja`Afri, garantiu que entre os rebeles existem grupos terroristas ajudados pela Al Qaeda, o que obriga o seu governo a proteger o povo contra a ameaça externa. Não é a primeira vez que se denuncia a participação da Al Qaeda nos combates, o que já tinha acontecido no ano passado na Líbia. 

O governo sírio ameaçou utilizar armas químicas se houver invasão estrangeira. Essas armas podem estar estocadas e provavelmente foram adquiridas no Ocidente. 

Há denúncias inclusive que muitas imagens difundidas no Ocidente sobre os confrontos na Síria estão sendo produzidas nos canais de televisão no Catar.

Na Líbia, no ano passado as imagens apresentadas eram absolutamente manipuladas de forma a parecer que os rebeldes durante os confrontos tinham apoio popular. De um modo geral apareciam os rebeldes com suas metralhadoras dando tiros para o ar e conforme a disposição das câmaras parecia que alguns observadores, os próprios rebeldes, eram o povo.

A situação na Síria hoje é de extrema gravidade, não resta dúvida, mas não é difícil prever que o dia de amanhã, digamos, pós-Assad, será ainda pior, prevalecendo a barbárie, o que seria o cenário ideal para o fortalecimento de setores conservadores e pouco afetos aos valores democráticos. Ou alguém tem alguma dúvida de que a Arábia Saudita está preocupada com o respeito aos direitos humanos na Síria? E mesmo os Estados Unidos.

O cerco à Síria é um fato e se insere no contexto de fazer com que o Irã perca um aliado na região. A questão dos direitos humanos, que devem ser defendidos, claro, no fundo é mero pretexto, porque se fosse essa realmente a maior questão na área, os Estados Unidos não apoiariam monarquias como da Arábia Saudita, do Barheim e outras menos votadas. 

Em meio a este quadro de tensão e sem perspectivas de melhora, pelo menos por enquanto, ocorre um hediondo atentado na Bulgária, que vitimou cinco israelenses, um búlgaro de religião muçulmana e o próprio terrorista. 

Um fato lamentável, sem dúvida, que o primeiro ministro Benyamin Netanyahu tenta aproveitar para levantar a opinião pública contra o Irã. Antes mesmo de qualquer investigação sobre a autoria do atentado, o dirigente extremista culpou o Irã. Depois, o Pentágono e o governo israelense acusaram o Hezbollah. Teerã negou qualquer participação.

O Ministro da Defesa israelense Ehud Barak já admitiu intervir militarmente na Síria e o motivo alegado é uma eventual entrega de armas químicas pelos adeptos de Assad ao Hezbollah, no Líbano. Pretextos não faltarão e serão apresentados no momento em que a máquina militar israelense achar necessário.

Ao se analisar o significado do atentado em meio às pressões contra Teerã em função do programa nuclear, culpar o país persa logo de saída antes de qualquer investigação pode ser considerado leviandade ou algo mais grave que chega ao Mossad. 

É público e notório que o governo israelense tem feito o possível e o impossível para convencer o mundo que o programa nuclear iraniano é belicoso e está entre os seus objetivos usar bombas atômicas contra Israel.

Netanyahu se vale do holocausto, chantageando visivelmente, para mostrar que os judeus podem ser novamente vítimas, como na II Guerra Mundial, desta vez das bombas iranianas.

Isso valeu observações de figuras como o linguista estadunidense Noam Chomsky, que afirmou recentemente que Israel nuclear é um perigo e os dirigentes do Irã não teriam interesse e mesmo coragem para atacar Israel porque a retaliação seria arrasadora.

Para Chomsky, portanto, Israel nuclear é um perigo para a região e não o Irã. Poucos analistas se atrevem a afirmar isso, até porque serão execrados pelos setores que querem a todo custo bombardear as instalações nucleares do Irã e de quebra pela mídia de mercado.

E o governo israelense acusar Chomsky de antissemita fica difícil, porque ele é de origem judaica e filho de rabino. Mas não se enquadra no ideário sionista.

Em suma: é dever de todos os cidadãos do mundo ser contra guerras e violências. E respeitar os direitos humanos sem fazer disso uma arma de hipocrisia.

Pode-se e deve-se condenar desrespeitos aos direitos humanos na Síria ou em qualquer outro país, mas silenciar diante do que acontece na Arábia Saudita e em outras monarquias aliadas dos EUA é uma demonstração concreta de que a questão dos direitos humanos para os Estados Unidos é apenas jogo de interesse e hipocrisia.


Extraído do sítio Direto da Redação

07 julho 2012

LIXÕES RECEBEM TONELADAS DE OURO E PRATA POR ANO, DIZ ONU

Lixo eletrônico mundial contém “depósitos” de metais preciosos de 40 a 50 vezes mais ricos do que os contidos no subsolo.



O lixo eletrônico é um problema importante e também valioso. Segundo instituições ligadas à ONU (Organização das Nações Unidas), cerca de 320 toneladas de ouro e 7,5 mil toneladas de prata são utilizadas anualmente para a produção de aparelhos eletrônicos como computadores, tablets e celulares.

O valor dos metais empregados soma cerca de US$ 21 bilhões – US$ 16 bilhões em ouro e US$ 4 bilhões em prata – a cada ano e, quando os aparelhos são descartados, menos de 15% do ouro e da prata são recuperados. O resultado do acúmulo constante é que o lixo eletrônico mundial contém “depósitos” de metais preciosos de 40 a 50 vezes mais ricos do que os contidos no subsolo, de acordo com dados apresentados na semana passada em reunião organizada pela Universidade das Nações Unidas e pela Global e-Sustainability Initiative (GeSI) em Gana, África.

As quantidades de ouro e prata que vão parar no lixo aumentam à medida que crescem as vendas de aparelhos como os tabletes, cujas vendas em 2012 deverão chegar a 100 milhões de unidades em todo o mundo, número que deverá dobrar até 2014. Produtos elétricos e eletrônicos consumiram 197 toneladas em 2001, equivalentes a 5,3% da oferta mundial do metal. Em 2011, foram 320 toneladas, com 7,7% do total disponível. Apesar do crescimento de cerca de 15% na oferta de ouro na última década, o preço do metal disparou, aumentando cinco vezes entre 2001 e 2011, segundo o levantamento.

“Em vez de olharmos para o lixo eletrônico como um fardo, precisamos encará-lo como uma oportunidade”, disse Alexis Vandendaelen, representande da Umicore Precious Metals Refining, da Bélgica, durante o evento. De acordo com os especialistas, além de melhores padrões de consumo sustentável, os sistemas de reciclagem precisam melhorar para lidar com o novo tipo de lixo, mais valioso, porém mais difícil de trabalhar do que plástico ou papel.

De acordo com o levantamento feito pela GeSI e pela iniciativa Solving the E-Waste Problem (StEP) – que envolve organizações da ONU, da sociedade civil e empresas –, cerca de 25% do ouro é perdido e não pode ser recuperado por conta dos processos de desmanche empregados nos países mais desenvolvidos. Nos países em desenvolvimento, o total inviabilizado chega a 50%.

Para os especialistas presentes na reunião em Gana, o lixo eletrônico não deve ser encarado como lixo, mas como recurso, uma vez que representa uma importante fonte de renda e sua reciclagem é fundamental para a preservação do ambiente e para o desenvolvimento sustentável. E isso não se aplica apenas ao ouro e à prata, mas a diversos outros metais, como cobre, paládio, platina, cobalto ou estanho, contidos nos produtos eletrônicos descartados.

“Precisamos recuperar elementos raros de modo a poder continuar a fabricar produtos de tecnologia da informação, baterias para carros elétricos, painéis solares, televisores de tela plana e uma infinidade de outros produtos populares”, disse Ruediger Kuehr, secretário executivo da StEP. “Um dia – espero que mais cedo do que tarde –, as pessoas vão olhar para trás e perguntar como foi que nós conseguimos ser tão cegos e desperdiçar tanto nossos recursos naturais”, disse Kuehr.

Extraído do sítio Opera Mundi

23 junho 2012

RIO+20 DEIXA MAIS FRUSTRAÇÕES DO QUE LEGADOS - Norma Moura

Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável resultou em documento cheio de boas intenções. Mas, como afirma o premiê Dmítri Medvedev, também "não tenho dúvidas de que poderíamos ter feito mais".

Foto: government.ru

O futuro que queremos não será exatamente o que teremos. Pelo menos é o que indicam os resultados preliminares da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, encerrada na sexta-feira (22), no Rio de Janeiro.

Sem especificar responsabilidades e prazos ou apontar fontes de financiamentos para ações que visem o desenvolvimento sustentável, sobretudo nos países em desenvolvimento, o documento final da cúpula, intitulado "O Futuro que Queremos", tem 49 páginas de boas intenções e poucas ações concretas.

Essa é a conclusão quando se ouve o barulho feito pelas organizações não governamentais que participaram do encontro.

Insatisfeitas com vários pontos do documento, elas acusam as autoridades internacionais de terem produzido um acordo acanhado frente aos desafios ambientais do planeta e de usarem a crise financeira mundial como desculpa para boicotar o financiamento de projetos para o desenvolvimento sustentável.

“Foi frustrante”, resumiu a ativista Iara Pietricovsky, representante da Cúpula dos Povos. Discurso dissonante das lideranças mundiais, que defenderam a Conferência como um avanço importante para o debate futuro sobre o meio ambiente.

O secretário-geral da Rio+20, Sha Zukan, defendeu o legado deixado. “Os líderes mundiais fizeram no Rio uma estrutura de ações. Construímos um grande legado sobre o futuro que queremos”.

A polifonia tornou o Riocentro, palco do encontro, em uma Babel moderna, onde diplomatas, políticos e ativistas ambientais não falaram a mesma língua.

O próprio secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, apresentou discursos divergentes em menos de 24 horas.

Na abertura do Segmento de Alto Nível da conferência, criticou o documento produzido com o esforço (hercúleo, diga-se de passagem) da diplomacia brasileira, definindo-o como pouco ambicioso.

No dia seguinte, lembrou-se de que é um representante diplomático, aceitou o diapasão oferecido pelo Itamaraty e afinou seu discurso com o da presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

Em documento oficial, avaliou a Rio+20 como uma “base sólida para a promoção do desenvolvimento sustentável”.

Desentendimentos a parte, o fato é que, passados 20 anos da primeira conferência sobre meio ambiente (Rio-92), a sensação que fica é a de que os países ainda não entenderam a urgência em discutirseriamente alternativas para o modelo de desenvolvimento atual.

Futuro incerto

Como palco para a multiplicidade de expressões, a Rio+20 pode até ser considerada um sucesso, como querem nos fazer acreditar as autoridades brasileiras.

Mas como instrumento para salvar o planeta por meio da renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, a conversa sai do tom.

Isso porque quando se trata de colocar a mão no bolso, as nações mais ricas demonstram pouca disposição para o sacrifício.

Esse comportamento já era uma tendência antes da conferência. Agora, com a ausência de representantes de países de peso – tanto em termos de economia como de poluição, como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a chanceler alemã, Angela Merkel - ele se tornou a tônica dos negociadores na conferência.

Infelizmente, reverter o processo de esgotamento do planeta demanda mais do que discursos e boa vontade. É preciso dinheiro. Muito mais do que os US$ 20 milhões para financiar projetos de energia limpa na África anunciados pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

Se o documento final da Rio+20 “é produto da ambição coletiva dos países que participaram dessa conferência”, como defendeu a presidente Dilma Rousseff, ao encerrar o evento, então os líderes mundiais foram realmente pouco ambiciosos.

Como disse o primeiro-ministro da Rússia, Dmítri Medvedev, também "não tenho dúvida de que todos nós podemos fazer mais.

Em seu pronunciamento na quarta-feira (21), o premiê russo lembrou que esse é um acordo global, com medidas que devem ser assumidas por todos.

“Há apenas uma verdade simples: somente em conjunto e juntos poderemos tornar nosso mundo mais amigável, mais seguro e confortável para a geração atual e as gerações futuras”, afirmou o premiê russo.

Em uma crítica velada a grandes nações, Medvedev garantiu que a Rússia vem mantendo suas responsabilidades, principalmente em relação ao protocolo de Kioto.

Como saldo do que deveria ser a urgência do planeta e vontade política mundial, ficou a criação do Centro Rio+ (Centro Internacional para o Desenvolvimento Sustentável).

Seu objetivo será o de ampliar os diálogos para a sustentabilidade, mas ainda não há data para sua instalação no Campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Também haverá uma espécie de promissória a ser descontada em 2013, para quando os líderes acertaram a retomada das discussões com a criação de um grupo de trabalho que deverá apresentar propostas a serem implementadas após 2015. 

A partir desta data, entrarão em cena os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, nos mesmos moldes dos Objetivos do Milênio.

A esperança é que os países-membros das Nações Unidas consigam, então, implantar em escala mundial uma economia verde que freie a destruição do meio ambiente ao mesmo tempo em que erradique a miséria. Um enorme desafio, seja hoje ou daqui a três anos.

* Norma Moura é jornalista e foi subeditora da sucursal de Brasília do Jornal do Brasil e da editoria de política do Correio Braziliense.


Extraído do sítio Gazeta Russa