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23 fevereiro 2013

RETORNO DE BERLUSCONI AO PODER PREOCUPA BERLIM - Martin Koch


Novamente candidato ao governo na eleição deste domingo, ex-premiê caça votos disparando críticas contra Alemanha. Berlim tenta não mostrar preocupação, mas eleição de empresário pode afetar planos de Merkel.

Para a chanceler federal alemã, Angela Merkel, o próximo encontro com um premiê italiano pode ser um reencontro com um velho, embora impopular, conhecido: Silvio Berlusconi foi, entre 1994 e 2011, quatro vezes primeiro-ministro. E analistas consideram bem possível que ele consiga subir ao posto uma quinta vez.

E ironicamente, justamente Merkel pode acabar contribuindo sem querer para uma vitória eleitoral de Berlusconi. O político e empresário de 76 anos culpa a Alemanha pela má situação econômica de seu país, porque Berlim apoiou de forma decisiva as medidas de austeridade impostas pela União Europeia. É com esta posição que Berlusconi vai à caça de votos.

Sorrisos forçados

A relação entre Merkel e Berlusconi sempre foi curiosa. Ambos pertencem à mesma família de partidos conservadores europeus. Mas sempre que se encontravam, a efusiva cordialidade entre ambos parecia sempre meio deslocada. Como se dois parentes distantes que, na verdade, preferem se evitar, tivessem que abrir no rosto um sorriso forçado para a foto de família. "Os dois não têm relação alguma, eles não conseguem conversar entre si, nem mesmo pessoalmente. E na política isso desempenha um papel importante. E eles também não confiam um no outro", define o cientista político Angelo Bonaffi, ex-diretor do Instituto Cultural Italiano em Berlim.

Bolaffi diz que poucos conseguem resistir a poder midiático de Berlusconi
Na campanha eleitoral, o "cavaliere" ─ como Berlusconi gosta de ser chamado, depois que ganhou uma ordem nacional de cavalaria por "mérito do trabalho" ─, vem fazendo acusações contra a Alemanha, apontando Angela Merkel quase como a única responsável pelo fato de a UE ter imposto à Itália um pacote de austeridade tão duro. Aumentos de impostos, cortes no orçamento, crise econômica, tudo é culpa de Merkel. Ele veicula os ataques populistas em sua rede constituída por várias estações de televisão. Com isso, ele possui um enorme poder manipulador, de acordo com Angelo Bolaffi. "Não há muitas pessoas que tenham conhecimento e tempo suficientes para resistir a isso", ressalta o especialista, em entrevista à DW.

Ex-premiê com poder na mídia

Na avaliação do cientista político, é como um ciclo que se fecha. Pois no início de sua carreira política, Berlusconi também usou seu poder de mídia maciçamente para poder chegar a um cargo político. Ele não acredita que o ex-primeiro-ministro consiga chegar novamente ao poder, mas sublinha que, com os 20% de votos que possivelmente receberá, ele já pode ter um papel importante na formação do novo governo.

Bolaffi lamenta que as relações entre Alemanha e Itália tenham sofrido desgaste no passado recente. Ambos os países foram aliados no início do movimento europeu, mas, desde que Berlusconi se tornou primeiro-ministro pela primeira vez, há quase vinte anos, o relacionamento sofreu abalos. Ele rompeu com a tradição de visitar a Alemanha como um dos primeiros países após a posse. De lá para cá, observa Bolaffi, o relacionamento é "precário". Ele ouve com frequência em seu país que Angela Merkel é a responsável pela má situação econômica da Itália, mas quase não ouve nada sobre as medidas de austeridade se deverem à situação atual e serem o caminho certo para sair da crise. Por isso, na opinião dele, não é de admirar o atual clima desfavorável à Alemanha entre os italianos.

Calma tensa

A coalizão de governo em Berlim não parece se interessar muito pelo fato de a campanha eleitoral italiana estar sendo feita às custas da Alemanha. O ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, disse ao jornal Süddeutsche Zeitung que não vai fazer comentários sobre os ataques contra o país nas campanhas eleitorais italianas. "Obviamente não somos partidários na campanha eleitoral italiana", comentou. "Mas esperamos que o curso pró-europeu e as reformas necessárias continuem. Essa é, certamente, a atitude geral do governo alemão", ponderou.

Na opinião de Langguth, reeleição de Berlusconi pode atrapalhar planos de Merkel
Na opinião do cientista político Gerd Langguth, a chanceler e sua equipe não devem estar tão relaxadas em relação a Roma, como querem fazer parecer. Ele acredita que o resultado das urnas italianas pode lançar uma sombra sobre as eleições alemãs de setembro. "A eleição de Berlusconi poderia ameaçar a reeleição de Angela Merkel, porque poderia ser vista como um fracasso da chanceler em fazer valer sua vontade."

Angelo Bolaffi está convencido que, no final, vai prevalecer, novamente, o que já é comum na política do país: uma batalha cabeça por cabeça entre dois ou três partidos, seguida por complicadas negociações de coalizão. O movimento de protesto Cinco Estrelas, do comediante Beppe Grillo, pode ter uma participação importante, já que pode obter até 20% dos votos. Talvez seja formada uma grande coalizão entre o PdL de Berlusconi e o partido de centro-esquerda PD, de Pier Luigi Bersani, que começou a campanha eleitoral como favorito. "Tudo está em aberto, como é comum na Itália", conclui Bolaffi.

Extraído do sítio Deutsche Welle

11 setembro 2012

SOROS: ALEMANHA DEVERIA COMANDAR OU ABANDONAR O EURO

George Soros
Nova Iorque – A Europa está em crise financeira desde 2007. Quando a bancarrota do Lehman Brothers ameaçou o crédito das instituições financeiras, o crédito privado foi substituído pelo crédito do estado, revelando uma falha não reconhecida no euro. Ao transferirem seu direito a imprimir moedas ao Banco Central Europeu (BCE), os países membros se expuseram ao risco de default, como fossem países de Terceiro Mundo, pesadamente endividados em moeda estrangeira. Os bancos comerciais arcaram com os títulos da dívida pública de países mais fracos, que se tornaram potencialmente insolventes.

Há um paralelo entre a atual crise do euro e a crise bancária internacional de 1982. Naquele momento, o Fundo Monetário Internacional salvou o sistema bancário global, emprestando dinheiro o suficiente para países pesadamente endividados; evitou-se o default, mas ao custo de uma depressão duradoura. A América Latina teve uma década perdida.

A Alemanha está hoje jogando o mesmo papel que o do FMI, de então. O cenário difere, mas o efeito é o mesmo. Os credores estão jogando todo o fardo do ajuste para os países devedores e se evadindo de suas próprias responsabilidades.

A crise do euro é uma mistura complexa de problemas das dívidas soberanas e dos bancos, assim como de problemas no desempenho da economia que deram lugar aos desequilíbrios na balança de pagamentos da zona do euro. Então, eles tentaram ganhar tempo.

Em regra, isso funciona. O pânico da finança arrefece e as autoridades lucram com a sua intervenção. Mas não desta vez, porque os problemas financeiros estiveram combinados com um processo de desintegração política.

Quando a União Europeia foi criada, era a corporificação de uma sociedade aberta – uma associação voluntária de estados iguais que concederiam parte de sua soberania em benefício do bem comum. A crise do euro agora está tornando a União Europeia algo fundamentalmente diferente, dividindo países-membros em duas classes – credores e devedores – com a responsabilidade sobre os credores.

Como país credor mais forte, a Alemanha emergiu como o hegemon. Países em débito pagam prêmios de risco substanciais para o financiamento de suas dívidas públicas. Isso se reflete nos seus custos de financiamento em geral. Para tornar as coisas piores, o Bundesbank permanece comprometido com uma doutrina monetária fora de moda, enraizada na traumática experiência alemã com a inflação. Como resultado, reconhece somente a inflação como uma ameaça à estabilidade, e ignora a deflação, que é a ameaça real hoje. Mais ainda, a insistência da Alemanha na austeridade por parte dos países devedores pode facilmente se tornar contraprodutiva, com o aumento da dívida em relação ao PIB, enquanto este despenca.

Há um perigo real de que a Europa de dois níveis se torne permanente. Tanto os recursos humanos como os financeiros serão atraídos para o centro, deixando a periferia permanentemente deprimida. Mas a periferia está fervilhando em descontentamento.

A tragédia da Europa não é o resultado de uma conspiração maligna, mas reside, antes, numa falta de políticas coerentes. Como nas tragédias gregas, concepções errôneas e a mais completa falta de entendimento têm consequências fatais, mesmo que não intencionadas.

A Alemanha, como o maior credor dos países, está no comando, mas se recusa a aceitar responsabilidades adicionais. Como resultado, toda oportunidade de resolução da crise foi perdida. A crise se espalhou da Grécia para outros países com déficit, e chegou mesmo a pôr em questão a sobrevivência mesma do euro. Como uma quebra do euro causaria um estrago imenso, a Alemanha sempre faz o mínimo necessário para mantê-lo vivo.

Mais recentemente, a chanceler Angela Merkel deu suporte ao Presidente do BCE, Mario Draghi, deixando assim o presidente do Bundesbank, Jens Weidmann , isolado. Isso permitirá que o BCE abafe os custos dos empréstimos aos países que se submeteram a um programa de austeridade sob supervisão da Troika (o FMI, o BCE e a Comissão Europeia).

Os devedores estão, mais cedo ou mais tarde, comprometidos com a rejeição dessa Europa de dois níveis. Se o euro cair em desgraça, o mercado comum da União Europeia será destruído, deixando a Europa pior do que estava quando os esforços para uni-la começaram, dado o legado de desconfiança e hostilidade mútuas. Quanto mais tardio for o rompimento, pior será o resultado. Então, é chegada a hora de considerar alternativas que até recentemente seriam consideradas inconcebíveis.

A meu juízo, a melhor linha de ação consiste em persuadir a Alemanha a escolher entre liderar a criação de uma união política com um compartilhamento de responsabilidades orçamentárias, ou o abandono do euro.

Na medida em que toda a dívida acumulada é nominal em euros, faz toda a diferença quem permanece no comando da união monetária. Se a Alemanha deixá-lo, o euro será depreciado. Os países devedores poderiam retomar sua competitividade; sua dívida em valores reais diminuiria e, com o BCE sob seu controle, a ameaça de default desapareceria e o custo de seus empréstimos cairiam a níveis comparáveis aos do Reino Unido.

Os países credores, por outro lado, teriam prejuízos nos seus investimentos nominais em euros e encontrariam uma competição dura em casa, a partir de outros países membros da zona do euro. A extensão dos prejuízos dos países credores dependeria da extensão da depreciação da moeda, dados os juros sobre a manutenção da depreciação dos títulos das dívidas.

Após o deslocamento inicial, o resultado final seria a realização do sonho de John Maynard Keynes, de um sistema monetário internacional, no qual tanto credores como devedores compartilhariam responsabilidades pela manutenção da estabilidade. E a Europa evitaria a depressão iminente.

O mesmo resultado poderia ser obtido, com menos custo para a Alemanha, se a Alemanha decidir se comportar como um hegemon benevolente. Isso significaria implementar a proposta da união bancária europeia, estabelecer uma espécie de nível de negociação entre países credores e devedores, ao estabelecer um Fundo de Redução de Dívida, vindo a convertê-la toda em dívida nos eurobônus, e visando a um crescimento nominal do PIB na casa dos 5%; assim a Europa poderia fortalecer sua via de saída do endividamento excessivo.

A Alemanha pode decidir comandar a zona do euro ou deixá-la. Qualquer das alternativas seria melhor do que criar uma insustentável Europa de dois níveis.

* Publicado originalmente em Project Syndicate. Tradução: Katarina Peixoto

Extraído do sítio Carta Maior

24 agosto 2012

MERKEL E HOLLANDE PEDEM MAIS ESFORÇOS DE ATENAS


Durante encontro em Berlim, a chanceler federal alemã e o presidente francês apelaram para que a Grécia continue comprometida em aplicar as medidas necessárias para permanecer na zona do euro.

Angela Merkel e François Hollande afirmaram nesta quinta-feira (23/08) que a Grécia deve se esforçar para permanecer na zona do euro, o que, garantem, é o desejo de Berlim e Paris. 

"Encorajo nossos amigos gregos a continuarem no caminho das reformas e sei como esses esforços são difíceis para a Grécia", disse Merkel ao final de um encontro com Hollande em Berlim, acrescentando que "é importante que todos respeitem os seus compromissos". 

Também Hollande apelou aos gregos para que façam o que for necessário para recuperar a economia. "Queremos, eu quero, que a Grécia permaneça na zona do euro. É uma vontade que exprimimos desde o início da crise. Cabe aos gregos fazer os esforços indispensáveis para que possamos atingir esse objetivo", sublinhou o chefe de governo francês.

Na discussão sobre um possível alargamento de prazo para a implementação do programa de reforma grega, Merkel disse que é melhor aguardar o relatório da troika, formada por representantes da União Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional. A análise é aguardada para setembro e deverá ser a base para uma decisão sobre a liberação de mais ajuda financeira.

Berlim rejeita apelo grego

Tema central do encontro entre Merkel e Hollande foi a atitude a ser tomada em relação ao primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, que visita Berlim nesta sexta-feira, prosseguindo para Paris no sábado. A Grécia, altamente endividada, necessita urgentemente de mais verbas para evitar a bancarrota.

O conservador Samaras vem pedindo mais tempo para cumprir as metas estabelecidas pelos credores internacionais. Em entrevista à imprensa alemã, ele afirmou que seu governo não pede "mais dinheiro" e sim "mais espaço para respirar". Falando ao jornal francês Le Monde, Samaras alertou para o efeito dominó que a saída de seu país da zona do euro pode causar e pediu que cessem as especulações sobre uma saída da Grécia da moeda comum europeia.

"Como é possível privatizar alguma coisa se a cada dia líderes europeus especulam sobre uma 'possível saída da Grécia da zona do euro'?", queixou-se o primeiro ministro grego. "Isso tem que acabar".

Uma ampliação no prazo para a implementação do programa de reformas, como quer Samaras, é ideia que encontra forte resistência em Berlim. "Mais tempo não é uma solução para os problemas", ressaltou o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, em entrevista a uma rádio alemã. Na opinião do político, dar mais tempo pode também significar, em última instância, ter que "dar mais dinheiro", o que exigiria um novo programa de resgate, que poderia desestabilizar os mercados financeiros e prejudicar a zona do euro.

Extraído do sítio Deutsche Welle

11 junho 2012

JOSEPH STIGLITZ SOBRE EL RESCATE: "ES LA ECONOMÍA DEL VUDÚ, NO FUNCIONARÁ"

El Premio Nobel apuesta por una autoridad bancaria europea y políticas de crecimiento.

El premio Nobel de Economía, Joseph Stiglitz.ÁNGEL NAVARRETE
"El plan es: el Gobierno español rescata a los bancos y los bancos rescatan al Gobierno. Es la economía del Vudú, no funcionará, no está funcionando". Es la opinión del premio Nobel de Economía,Joseph Stiglitz, sobre el rescate de hasta 100.000 millones a los bancos españoles.

Si el Gobierno de Rajoy decide pedir el rescate completo, esta ayuda de Europa supondría un 10% del PIB español, lo que podría hacer más complicado y menos rentable la venta de deuda al mercado internacional. La teoría del premio Nobel es que siendo los bancos españoles los principales compradores de deuda soberana, el Ejecutivo de Rajoy se podría ver obligado a pedir ayuda a las mismas entidades que ahora se dispone a sanear con el dinero de los socios europeos.

Para el Nobel de Economía, Bruselas debería acelerar el debate sobre una autoridad bancaria común para la Eurozona. "En un contexto de economía en crisis no hay forma de impulsar políticas de crecimiento si no hay un sistema bancario europeo", asegura Stiglitz. El ex asesor económico del presidente Bill Clinton es un convencido de la importancia del crecimiento para salir de la crisis. "Alemania sigue en el discurso de reforzar la disciplina fiscal, pero ése es un diagnóstico totalmente erróneo", avisa. En su opinión, Merkel "tendrá que preguntarse si quieren pagar el precio de una eventual desaparición del Euro o prefiere mantenerlo con vida".


Extraído do sítio Público.es

ESQUERDA TEM MAIORIA EM PRIMEIRO TURNO DAS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS FRANCESAS



Comparecimento às urnas nas eleições legislativas na França foi menor do que no último pleito. Esquerda saiu vitoriosa neste primeiro turno. Resultado final garantirá a Hollande apoio para governar.

Segundo estimativas na noite deste domingo (10/06), os partidos de esquerda que sustentam François Hollande (o Partido Socialista, ao qual pertence o presidente, o Partido Verde e a Frente de Esquerda) alçancaram um total de 47% dos votos nas eleições legislativas francesas. A conservadora UMP, do ex-presidente Nicolas Sarkozy, ficou com 35%. O partido populista de extrema direita Frente Nacional recebeu cerca de 14% dos votos.

O comparecimento às urnas foi de 60% dos votantes – um percentual menor que em 2007. Tradicionalmente, as eleições legislativas atraem no país menos eleitores que as presidenciais. Cerca de 45 milhões de franceses foram às urnas para eleger os 577 deputados da Assembleia Nacional.

O resultado final das eleições legislativas só será definitivo, contudo, depois do segundo turno do pleito, que acontece em uma semana. Para serem eleitos já no primeiro turno, os candidatos precisam de uma maioria absoluta – algo que poucos deles conseguem.

A troca de poder na Assembleia Nacional dará à esquerda francesa poderes para definir a política do país. Na segunda câmera do Parlamento (Senado), ela já conta desde o ano passado com esta maioria.

Alemanha observa

Hollande não apoia Merkel em sua política de austeridade como seu antecessor
Quando um presidente não conta no Parlamento com uma maioria, os franceses definem a situação como "governo de coabitação". Isso seria para Hollande extremamente difícil. Com uma maioria de direita conservadora, ele teria que frear seus planos de reformas. Mas as pesquisas de opinião apontam para uma vitória certa de esquerda no segundo turno, não creditando ao UMP de Nicolas Sarkozy nenhuma chance de sucesso nas urnas. Até agora, o partido conservador do ex-presidente compunha uma maioria na Assembleia Nacional.

As eleições na França são também observadas com atenção na Alemanha. Depois que a premiê Angela Merkel perdeu, com a saída de Sarkozy do poder, seu mais fiel aliado na Europa, ela ficou praticamente sozinha na defesa de sua política linha-dura de austeridade.

Se a política de Hollande for corfirmada com uma maioria no Parlamento francês no segundo turno, o socialista terá maior aval internacional. Dentro da Alemanha, Merkel enfrenta também a resistência da oposição: com uma severidade até então nunca demonstrada, os social-democratas alemães criticam a política europeia de austeridade da premiê e defendem, como Hollande, um pacote de incentivo ao crescimento econômico com maiores investimentos por parte do Estado.


Extraído do sítio Deutsche Welle

08 junho 2012

PARIS QUER "RESPOSTAS URGENTES" À CRISE ANTES DE FALAR DE UNIÃO POLÍTICA DA EUROPA

Ian Langsdon, EPA
A França pretende que sejam dadas “respostas urgentes” à crise europeia e só depois aceita discutir o aprofundamento da união política. Respondendo às posições de Angela Merkel sobre a matéria, o ministro francês dos Assuntos Europeus disse que “a prioridade não é colocar em marcha uma nova reforma institucional”, um ano e meio depois da entrada em vigor do tratado de Lisboa. A chanceler Alemã tinha defendido na véspera um fortalecimento gradual da união política e fiscal no seio da União Europeia como sendo o melhor caminho para ultrapassar a crise.

“A França é a favor de um aprofundamento” da Europa política, disse o ministro Bernard Cazeneuve, mas “a reforma institucional não pode vir antes das respostas urgentes que são exigidas pela crise”.

O reforço da integração política na Europa “não pode ser encarado sem a adesão dos povos, e essa adesão será impossível enquanto a União Europeia não demonstrado a sua capacidade de encontrar respostas para a crise”, acrescentou o ministro de François Hollande.


Europa uma vez mais dividida na resposta à crise

São cada vez mais os parceiros europeus da Alemanha que pedem ações imediatas para apagar o incendio da crise da dívida, mas nas declarações de quinta-feira, Angela Merkel preferiu focar-se no longo prazo, apelando a uma Europa política reforçada e dando como exemplo uma eleição do Presidente da Comissão Europeia por sufrágio universal. 

« Precisamos de mais Europa (…) de uma união orçamental (…) e temos necessidade, antes de mais, de uma união política. Passo a passo devemos abandonar as competências à Europa” declarou a chanceler alemã, que disse também defender uma União a duas velocidades se alguns países se recusarem a seguir nesta direção. 

Eurobonds: Sim? Não? Quando?

Um dos principais pontos de discórdia entre Paris e Berlim continua a centrar-se na questão das obrigações de dívida europeias ou eurobonds. O ministro francês dos Assuntos Europeus disse que as negociações sobre a mutualização da dívida prosseguem, no sentido de elaborar “um roteiro, ou seja um plano, acompanhado de um calendário, que nos permita rer uma perspetiva clara”, na cimeira europeia que se realiza a 28-29 deste mês

“Hoje em dia, a discussão entre a França e a Alemanha já não é tanto sobre se deve haver obrigações europeias, mas sim qual o momento em que estas devem ser tornadas realidade”, explicou Cazenouve.

“Segundo a França, os eurobonds devem ser uma parte da solução para ultrapassar a crise, e podem também servir de catalisador a um processo de integração das instituições. Segundo a Alemanha, eles só podem vir a existir quando a crise já tiver sido ultrapassada no plano financeiro e orçamental e algumas etapas já tiverem sido cumpridas no plano institucional”, acrescentou. 

Alemanha diz que só empresta o seu "cartão de crédito" a troco de federalismo

Este mesmo problema tinha já sido resumido noutras palavras pelo próprio presidente francês na cimeira europeia informal de 23 de maio:

“A opinião alemã é de considerar as obrigações europeias como um ponto de chegada, isto num cenário otimista, enquanto que, para a nós, os eurobonds são um ponto de partida », disse então François Hollande. 

Já a posição de Berlim sobre os eurobonds foi resumida nas declarações recentes do presidente do Banco Central da Alemanha Jens Weidmann:

“Ninguém confia a outra pessoa o seu cartão de crédito se não tiver possibilidades de controlar as despesas que o outro fará. A mutualização da dívida é uma das faces de uma moeda que na outra face tem o federalismo”, disse o presidente do Bundesbank.


Extraído do sítio RTP

20 maio 2012

MERKEL NEGA DIVERGÊNCIAS ENTRE PARIS E BERLIM NO COMBATE À CRISE



Chanceler federal Angela Merkel nega "diferenças" entre Alemanha e França no que diz respeito ao combate à crise na zona do euro. Berlim e Paris não defendem posições distintas, disse a premiê.

Durante a cúpula do G8, em Camp David, a residência campestre do presidente norte-americano, localizada nas proximidades de Washington, a premiê alemã Angela Merkel afirmou que crescimento econômico e consolidação do orçamento são "dois lados de uma mesma moeda". Segundo ela, os dois aspectos "convergem para o mesmo lugar". Até a próxima cúpula da União Europeia, agendada para junho, os países do bloco irão analisar as diversas possibilidades de incentivo ao crescimento, segundo Merkel.

Incentivos ao crescimento: reivindicação de Obama e Hollande

A chefe de governo alemã participa do encontro das sete maiores nações industrializadas do mundo – EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá – bem como da Rússia, unidas sob a sigla G8. Merkel, segundo diversos observadores, vem sendo pressionada para abdicar da rígida política de austeridade que defende para o combate à crise na zona do euro. O presidente norte-americano, Barack Obama, e o novo presidente francês, o socialista François Hollande, exigem um foco mais acentuado no crescimento econômico.

Da declaração oficial de encerramento da cúpula em Camp David, não há, contudo, nenhuma observação neste sentido. Os chefes de Estado e governo presentes no encontro defenderam dois caminhos paralelos: de um lado, incentivos ao crescimento econômico; de outro, medidas visando consolidar o orçamento público. Merkel ressaltou que os países do G8, altamente endividados, não dispõem mais da possibilidade de lançar mão de programas clássicos de apoio à conjuntura, como ocorreu durante a crise financeira em 2008.

O presidente norte-americano também salientou, segundo participantes do encontro, a necessidade de que se evite "impulsos artificiais" de apoio à conjuntura. Obama e Merkel reuniram-se em um encontro a dois após o fim da cúpula, a fim de debater mais uma vez a crise na zona do euro e a situação econômica global, afirmou um porta-voz da Casa Branca, sem, contudo, fornecer maiores detalhes a respeito da conversa.

Líderes dos países do G8 em Camp David, nos EUA
Hollande defende eurobonds

Enquanto isso, o recém-eleito presidente francês, François Hollande, anunciou em Camp David que pretende sugerir, durante a cúpula informal da EU, a ser realizada na próxima semana, a introdução de títulos públicos comuns europeus, os chamados eurobonds.

"Apresentarei todas as sugestões de crescimento no encontro informal no próximo 23 de maio", disse Hollande. Berlim rejeita com determinação, pelo menos até o momento, a proposta dos eurobonds. A Alemanha teria que pagar por tais títulos juros ainda mais altos do que paga no momento por seus próprios títulos públicos. Já para os países em crise, o peso dos juros diminuiria.

O semanário Der Spiegel anunciou, sem mencionar a fonte da informação, que Hollande tem sérias resistências ao nome do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, como próximo presidente do Grupo do Euro. Segundo a revista, Hollande já mandou avisar aos responsáveis em Bruxelas que dificilmente aceitará um presidente alemão para o Grupo.

Schäuble vem sendo há muito cogitado como próximo presidente do grêmio, do qual participam todos os países-membros da união monetária europeia. O atual presidente do Grupo, Jean-Claude Juncker, que é também chefe de governo de Luxemburgo, pretende entregar o cargo em fins de junho próximo.

Encontro em Roma

O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, anunciou um encontro dos três chefes de governo da Alemanha, França e Itália para junho próximo, a ser realizado em Roma. Monti afirmou durante o encontro do G8, nos EUA, estar satisfeito ao perceber que se locomove "na mesma onda" que o presidente francês Hollande. O premiê da altamente endividada Itália defendeu diversas vezes nas últimas semanas medidas mais eficazes de incentivo ao crescimento econômico.


Extraído do sítio Deutsche Welle