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12 abril 2013

DOCUMENTOS REVELAM LIGAÇÃO ENTRE MARIN E A ALA RADICAL DA DITADURA

Abertos para a consulta pública desde 1º de abril, os arquivos do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) começam a trazer à tona as primeiras revelações inconvenientes que relacionam personalidades públicas e políticas à ditadura. A primeira vítima dos documentos militares é o atual presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e do COL (Comitê Organizador Local), José Maria Marin, conforme levantamento dos repórteres Aiuri Rebello e Rodrigo Mattos, do portal UOL.

Documentos revelam que Marin se aliou a militares para obter vantagens políticas durante a ditadura e tinha conexões com órgãos repressores, como o Dops. Foto: José Cruz/ABr

Segundo a reportagem, os documentos analisados comprovam que Marin teve ligação com a ala mais radical do governo militar, além de possuir conexões com órgãos de vigilância e de repressão e de ter feito elogios ao regime. A fonte das informações são os arquivos do Dops, do SNI (Sistema Nacional de Informação) – ambos órgãos que reuniam as investigações do regime – e da Assembleia Legislativa.

Carreira política

A reportagem lembra que Marin estreou no mundo político com 31 anos, sob o cargo de vereador da cidade de São Paulo, em 1964, pouco antes do golpe militar. Meses depois, o cartola abandonou o partido ao qual era filiado, o PRP (Partido de Representação Popular), para unir-se em 1966 à Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido da ditadura.

Este foi o início de sua ascensão sob a tutela e apoio da ala radical da ditadura. Do lado do regime, Marin foi alçado à presidência da Câmara de Vereadores graças a manobras nos bastidores do Ministério da Justiça, cujo titular era Gama e Silva, e de militares, segundo os documentos do SNI. Gama e Silva foi o jurista responsável por redigir o AI-5 (Ato Institucional-nº 5), medida que cassou direitos políticos e instituiu o período mais negro da ditadura no fim de 1968.

Sempre segundo o UOL, a análise dos documentos do SNI descreve os caminhos de Marin na Câmara e o que seus companheiros parlamentares pensavam da atuação do atual dirigente esportivo: “[Marin] É considerado fraco por seus pares. Consta que sua candidatura tem apoio de círculos militares e de elementos ligados ao ministro da Justiça.” E, depois, o organismo analisou seu trabalho à frente da Câmara: “todos os atos de Marin (…) são “sugeridos” pelo esquema que o elegeu presidente da Casa”.

Aliado fiel

Os documentos, tanto no SNI quando no Dops, também mostram que não houve registro de atitude “subversiva” da parte de Marin. O comportamento regrado do político era visto como fidelidade ao regime e, com isso, não demorou para Marin ascender na política durante a ditadura.

Outro movimento político chave para Marin, segundo apurou o UOL, foi a troca de correntes entre os governistas. De acordo com os registros, o presidente da CBF traiu Luis Roberto Alves da Costa, que o levara à presidência da Câmara dos Vereadores, para se aliar ao prefeito biônico Paulo Maluf. Irritado com a traição, Alves da Costa tentou trabalhar contra Marin, sugerindo até a cassação de seu mandato, o que nunca ocorreu.

Os arquivos também mostram que Marin seguiu próximo ao regime nos anos seguintes, tendo participado da posse do general Emilio Garrastazu Médici, que depois virou presidente, no comando do III Exército. 

Morte de Herzog

Já em 1975, o político fez dois discursos pedindo providências sobre a TV Cultura. Ele dizia que algumas reportagens não retratavam corretamente o governo e causavam “intranquilidade” nos lares paulistas. Pouco depois, o jornalista da emissora Vladimir Herzog foi preso e assassinado pelo DOI-Codi, organismo de repressão.

Um ano depois, na Assembleia, Marin elogiou o delegado Sergio Paranhos Fleury, um dos líderes do instrumento de repressão do Dops, onde Herzog morreu. “Não só honra à polícia de São Paulo, como também há muito é motivo de orgulho inclusive à população de São Paulo”, discursou.

Para Marin, os benefícios do golpe eram “indiscutíveis”, não podendo restar dúvida sobre isso.

Com esse discurso, ele se tornou vice-governador pela Arena, em 1978, na chapa encabeçada por seu antigo aliado Paulo Maluf.

Os indícios de sua ligação com aspectos mais truculentos do regime não cessaram como mostra um relatório do CISA (Inteligência da Aeronáutica), de 1980, sobre assalto ao jurista Dalmo Dallari Gama.

Reconhecido defensor da democracia, Dallari foi espancado e acusou um grupo paramilitar de direita como responsável pela ação. Segundo ele, o então vice-governado tinha ligações com a agressão. O político negou e prometeu que o Dops, o órgão acusado de repressão na década de 1970, iria apurar o caso.

Já como governador, após a renúncia de Maluf, Marin passou a ser protegidos por policiais do Dops. O departamento de polícia registrou cada viagem ou participação do político em eventos públicos, como revelam os boletins do órgão. O objetivo era identificar se havia protestos contra o governador e contra o regime.

Questionado pelo UOL Esporte sobre os fatos relatados nos arquivos da ditadura, Marin se negou a falar sobre o assunto. Em texto à Folha de S. Paulo, publicado na quarta-feira 10, afirmou que era do partido do governo, mas que era “sabido por todos (…) que os deputados não tinham o menor poder sobre os órgãos do Estado”. E completou: ”Ninguém deve negar a própria biografia. E a minha vida pública sempre foi (…) pautada pelos princípios republicanos que até hoje me guiam”, disse, afirmando ter aprendido que “liberdade e justiça” devem andar juntas.

O atual presidente da CBF ainda ressaltou que, como governador, extinguiu o Dops de São Paulo.

Extraído do sítio CartaCapital

31 março 2013

MARIN TEM NÃO DE DILMA; PRESSÃO NA CBF AUMENTA


Presidente da CBF queria aproveitar o projeto de lei do deputado Vicente Cândido (PT-SP), que anistia dívidas de clubes de futebol, para enfim ser recebido pela presidente, mas novamente obteve resposta negativa; no auge do regime militar, arenista José Maria Marin discursava a favor do torturador Sérgio Paranhos Fleury, enquanto ela era presa e torturada; presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro quer a renúncia do cargo na CBF; petição na internet ultrapassou meta de 50 mil nomes; pede para sair, Marin!

Alvo de críticas e protestos para que deixe o cargo de presidente da CBF, José Maria Marin recebeu uma nova forma de ataque. E agora da presidente Dilma Rousseff. O cartola, que finalmente esperava ser recebido pela presidente para uma audiência, a fim de discutir o projeto de lei do deputado Vicente Cândido (PT) – que anistia dívidas de clubes em troca de investimentos em esportes olímpicos – recebeu resposta negativa e terá de se contentar em encontrá-la apenas em eventos, como já vinha fazendo.

A informação, publicada na coluna Radar On-Line, de Veja, só atesta que a relação dos dois não é nada além de distante. Marin, que como deputado estadual por São Paulo na década de 70 foi um ferrenho defensor do regime militar, não é visto com bons olhos por Dilma, que foi presa e torturada durante a ditadura. Os dois nunca tiveram um encontro desde que ele assumiu o cargo, em março do ano passado, e desta vez, os áudios divulgados na internet que revelam críticas do dirigente contra o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, certamente foram o estopim para sua moral.

Novo inimigo

Como se já não bastassem os protestos que pedem sua saída da Confederação, Marin ganhou agora mais um inimigo de peso. O presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous, cobrou sua renúncia, fazendo coro à versão de que ele contribuiu para a prisão do jornalista Vladimir Herzog, que foi torturado e acabou sendo morto no período da ditadura.

"Marin foi um fiel servidor dos militares na ditadura e, pelo que se diz, também delator. Com essas credenciais, não pode continuar no cargo de presidente da CBF", afirmou Damous, segundo o jornalista Felipe Patury, de Época. A acusação ganhou uma petição na internet do filho do jornalista, Ivo Herzog, pedindo para que a CBF não seja presidida por um apoiador do regime militar enquanto o Brasil sedia os maiores eventos de futebol mundiais, a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, em 2013 e 2014.

O abaixo-assinado já reuniu quase 55 mil nomes, superando a meta proposta inicialmente, de 50 mil. Entre os assinantes estão artistas e parlamentares como Chico Buarque, Ana de Hollanda, Chico Alencar, Ivan Valente e Marcelo Freixo. Marin também pode passar ser convocado a prestar depoimento à Comissão Nacional da Verdade para esclarecer suas posições. Afinal, como escreveu Zuenir Ventura, seria irônico um admirador do torturador Sérgio Paranhos dirigir a CBF num país presidido por quem já foi torturada.

Extraído do sítio Brasil 247

01 março 2013

LOUCOS X RAZÃO, O JOGO DO SÉCULO - José Roberto Torero


Kevin Espada morreu. 

Tinha 14 anos e morreu num estádio de futebol. 

Pelo seu olho direito, que via o jogo do seu time, entrou um sinalizador a mais de 300 quilômetros por hora. 

Imagino os amigos de Kevin voltando às aulas e vendo sua cadeira vazia. Imagino sua mãe preparando o café da manhã e colocando, por engano, um prato a mais na mesa. Imagino seu pai entrando no seu quarto e esvaziando gavetas, colocando sapatos em caixas, enrolando uma bandeira de futebol.

Imagino estas tristes cenas, mas sei que na verdade isso é uma perda de tempo. O importante é pensar no futuro. Nada trará Kevin de volta. Mas pode-se impedir que outros garotos morram, e matem. 

O primeiro passo é proibir a entrada de sinalizadores e afins nos estádios, e melhorar a revista na entrada, que é bem relaxada em outros países. 

Mas também é preciso punir. Não apenas para castigar o assassino, que provavelmente não quis matar ninguém (mas matou). Mas para evitar que outras mortes tolas como esta aconteçam.

É preciso punir a ideia de que um clube vale mais que uma vida, a ideia de que o futebol é algo realmente importante. Ele não é. É só um esporte, um negócio. Importante mesmo é a vida, esta coisa frágil, delicada, que um dia certamente vai se acabar, mas que queremos que dure o máximo possível, e não apenas 14 anos.

Regras para os desregrados

O artigo 11 do novo regulamento da Conmebol, aprovado para esta Libertadores, diz que as associações e clubes podem ser punidos por comportamento inadequado da torcida. Já o artigo 18 diz que as punições possíveis são “advertência, repreensão, multa, anulação de jogo, perda de pontos, atuar com portões fechados, proibição de jogar num estádio ou num país e exclusão da competição (presente ou de edições futuras)”. 

Como foi cometido o crime máximo, a pena deve ser máxima. 

E esta punição não é só um castigo para a torcida e para o clube. Mais do que isso, repito, é para prevenir futuros crimes, para evitar futuras mortes. 

A punição é moralizadora. A impunidade é um incentivo à continuidade dos erros. Está aí a política nacional que não me deixa mentir. 

Mas não se pense que a torcida corintiana é a primeira ou a única a levar este tipo de artefato para o estádio. Os inchas do Peñarol, por exemplo, adoram jogar fogos de artifício na torcida adversária. Se este clube já tivesse sido punido, talvez Kevin Espada estivesse vivo. A Conmebol, por burrice, já perdeu muitas chances de educar os torcedores e civilizar a Libertadores. Não pode perder mais esta.

Para mim não interessa se o menor H.A.M., que se apresentou como culpado é realmente o assassino. Talvez seja, talvez não (e a favor desta última hipótese há o fato da feliz coincidência de o garoto ser menor de idade, e de seu advogado insistir na culpa de seu cliente, algo raro, no mínimo). 

Torcidas distorcidas

Para mim interessa a questão esportiva, já que esta é uma coluna sobre esporte. E a morte de Kevin Espada traz as torcidas organizadas de volta ao debate. Elas devem ser proibidas ou não? 

Por uma questão de princípio, sou contra impedir qualquer movimento organizado. Daí acho que elas não devem ser proibidas. Mas elas têm que ter menos importância. As organizadas se mostraram pouco úteis. Eu tinha fé que elas poderiam ser o começo de uma mudança profunda no futebol, mas não foi o que se viu. Elas não pediram transparência de gestão, quase nunca as vi se mobilizando contra a corrupção de seus dirigentes. Parecem ser mais uma massa de manobra, apoiando aqueles que lhes dão ingressos, passagens e carne para churrasco.

Outro fator é que elas afastam o torcedor comum. No final das contas, em vez de contribuírem para o aumento da renda nos estádios por ser um público fiel, as organizadas acabam espantando os desorganizados. A queda do número de torcedores nos estádios não é fruto apenas da diminuição dos lugares. 

Apesar dos problemas gerados pelos torcedores fanáticos, eles vêm sendo glamurizados. Seus sacrifícios insanos são transformados em pauta, seja montar um museu do clube em sua casa, seja gastar o dinheiro que não tem para ver seu time jogar num país distante. Até certa parte da imprensa diz que é poético fazer parte de um bando de loucos. E isso não se aplica só aos corintianos, porque loucos há em qualquer torcida. 

Na verdade, acredito que esta glamurização é muito lucrativa para muita gente. Para os patrocinadores, que veem seus produtos cada vez mais expostos, e para as tevês, que têm cada vez mais espectadores para o futebol (e o aumento das cotas pagas pelas redes é prova disso). 

Aliás, a busca de lucro é que deve ter impedido o Corinthians de desistir da Libertadores em sinal de luto. Há tantos interessados (tevês, patrocinadores e empresários de jogadores) que seria arriscado, financeiramente, tomar uma atitude nobre como esta. Mas será que para o patrocinador é bom ter sua marca associada à morte de um jovem de 14 anos? 

Um estádio de futebol pode ser o lugar mais feliz do mundo. Mas os loucos e os burros podem transformá-lo num cemitério.

Extraído do sítio Carta Maior

19 dezembro 2012

BREVE VIAJE AL UNIVERSO DEL INCREÍBLE CORINTHIANS - Waldemar Iglesias

Se consagró campeón del Mundial de Clubes al margen del jogo bonito. Llevó 18.000 hinchas a Japón, en otra muestra de su popularidad. Nacido de un grupo de trabajadores hace 102 años, el Timao resulta ahora uno de los poderosos del continente y un espejo del Brasil pujante.



El día en que empezó lo mejor de este recorrido hacia la gloria mundial resultó uno de los más tristes de su historia. El mismo domingo en el que se consagró campeón del Brasileirao 2011, su gente lloró el adiós más doloroso, el del más representativo de sus ídolos: Sócrates. El estadio Pacaembú vivió entonces una jornada atravesada por muchas sensaciones: el vacío, el llanto, la gratitud, el festejo contradictorio, el clásico, el respeto, el dolor, la fiesta inevitablemente dosificada. Corinthians necesitaba -y consiguió- apenas un empate en el clásico frente a Palmeiras para consagrarse en el ámbito nacional por primera vez desde 2005, en aquellos días en los queCarlitos Tevez jugaba a ser ídolo del Timao. En las tribunas, la despedida al gran Sócrates había modificado el escenario de la inminencia de otra vuelta olímpica y las percepciones de un público que lo adoró siempre, incluso ahora que ya no está. Las múltiples banderas exhibían el principal de los significados de esa jornada: "Obrigado Doutor" ("Gracias Doctor") decían -en blanco y en negro, claro- por cada costado del estadio. El crack que tanto habían querido y que tan grande los había hecho ya no estaba. Habían ido a festejar. Pero participaron, sobre todo, de una gratitud: hubo primero un silencio de esos que se escuchan como si fueran gritos. Y luego, aplausos unánimes.

El título no pudo llenar su partida. Había sido demasiado grande ese hombre, aquel crack que admiraba al Che Guevara. En los 80, por ejemplo, fue partícipe e ideólogo de una búsqueda que asombró a su país y a su deporte: el Movimiento Democrático Corinthians, que hizo que el club paulista llevara a cabo elecciones democráticas internas. Fue mucho más: resultó un mensaje inequívoco del rechazo a la dictadura, que ya comenzaba a retirarse tras dos décadas en el poder. Se manifestaba de izquierda. Y de su admiración por Fidel Castro surgió el nombre de uno de sus hijos. Sobre eso, Sócrates contó alguna vez, en una entrevista concedida a la BBC, la siguiente anécdota:"Cuando le puse a uno de mis hijos Fidel, mi madre me dijo: 'Es un nombre un poco fuerte para un niño'. Y le respondí: 'Madre, mira lo que me hiciste a mí'". Cuentan que también se podría haber llamado John, por Lennon, otro de sus personajes más apreciados. Era lógica la afinidad: Sócrates creía en un mundo como el que presenta la canción "Imagine": "Imagina que no hay posesiones,/ Me pregunto si puedes,/ Ninguna necesidad de codicia o hambre,/ Una hermandad del hombre,/ Imagina a toda la gente/ Compartiendo todo el mundo...// Tu puedes decir que soy un soñador,/ Pero no soy el único,/ Espero que algún día te nos unas,/ Y el mundo vivirá como uno solo". Y quiso trasladar ese mundo a su Corinthians.

La Democracia Corinthiana fue un hito en la historia del fútbol, pero también de la vida de un pueblo golpeado por los horrores de la intolerancia. Lo escribió Ariel Scher, con el encanto de sus palabras y con la impresión de haberlo conocido bajo el cielo de la Plaza San Martín: "Sócrates nunca cruzó una palabra con el Gordo Víctor pero le dio un equipaje de valores en cada partido, en cada gol y en cada córner. Y también, o más, en la forja de la Democracia Corinthiana, esa avalancha de ideas, de transgresiones y de esperanzas que, con una bofetada de dignidad, rompió por un rato la lógica de poder del fútbol y de más que el fútbol". Eso era, eso fue y eso es aquella construcción que merece todos los recuerdos.

Al Corinthian inglés, matriz de este club ahora abrazado por los elogios del mundo, lo retrató el estupendo Ezequiel Fernández Moores, justo antes de la celebración de la final de la Copa Libertadores de este año, frente a Boca: "Corinthian FC rechazaba los penales, a favor o en contra, porque consideraba que ponían en duda la 'honestidad' del fútbol. Y, si un jugador rival se lesionaba, sacaba a uno de los suyos. Bandera del 'fair play', Corinthian, con su juego de ataque y pases cortos, era además un gran equipo. En 1884 goleó 8-3 a Blackburn Rovers, entonces campeón de la FA, y en 1904 propinó a Manchester United la paliza aún hoy más humillante de su historia (11-3). Un centenar de sus jugadores representaron a la selección inglesa. El club amateur más famoso del mundo cayó al rechazar los nuevos tiempos del profesionalismo. Al fútbol, decía, se juega por placer, no por dinero. N.L. 'Pa' Jackson, fundador del club en 1882, decía que los 'gentleman' (amateurs) y los 'players' (profesionales) debían estar separados dentro y también fuera del campo de juego. No tenían que compartir vagones del tren ni asistir a conciertos juntos. CB Fry, mítico capitán del Corinthian, enloqueció tras el retiro. Corría desnudo por Brighton, se postuló como Rey de Albania y admiró a Hitler. Son historias menos conocidas del Corinthian que, antes de su caída, salió de gira para enseñarle al mundo los 'valores' de la Inglaterra victoriana. En 1910 llegó a Brasil. Cinco trabajadores de San Pablo, pintores de brocha gorda, zapateros y motorman, vieron al equipo inglés y decidieron formar un club 'del pueblo': lo llamaron Corinthians". Su popularidad estaba escrita en el origen y en la inspiración de la que nació.

El periodista Manolo Eppelbaum, que mucho sabe y mucho vivió el fútbol brasileño, recuerda una anécdota que retrata que el fenómeno de sus hinchas no es nuevo: "A fines del año 1976 el Campeonato Brasileño se dirimía -en semifinales- entre Fluminense y Corinthians en pleno Maracanã. Yo regresaba de Buenos Aires en auto y, a la entrada de la autopista que conecta São Paulo con Río de Janeiro, a eso de la medianoche, observé un gigantesco camión que, en su culata, llevaba una pancarta donde se leía "Hoje só carrego esperança" (Hoy sólo cargo esperanza) y un escudo de Corinthians. Por intermedio de la radio supe que al día siguiente se jugaría en el Maracanã. Al día siguiente, ya en el Maracanã, pude observar nada menos que, según las estadísticas, 450 ómnibus paulistas se encontraban estacionados en todas las pistas y aledaños del imponente estadio. Según cálculos el estadio cobijó unos 180.000 espectadores y, en una decisión por penales, Corinthians eliminó a Fluminense y llegó a la final del Campeonato Nacional". En el encuentro definitorio del reciente Mundial de Clubes, en el estadio Internacional de Yokohama, había unos 18.000 hinchas del Timao. Ellos -apodados Gaviões da Fiel- dicen que son los más seguidores y hasta fundaron una escola de samba que va camino a sumar 100.000 socios. En la mayoría de las encuestas aparece como el club paulista con más simpatizantes; pero a nivel nacional lo supera el Flamengo de Río de Janeiro.

Cinco veces campeón de Brasil, Corinthians es el equipo de San Pablo que más veces ganó el Estadual (26 en total, cuatro más que su archirrival, Palmeiras, cinco más que San Pablo y seis más que Santos, vigente tricampeón). En su camino comenzado hace 102 años, el club fue territorio de figuras: Biro Biro, Sócrates, Casão, Chicão, Rosinei, Luizão, Tupãzinho, Neco, Ricardinho, Dentinho, Marcelinho, Basílio, Luizinho, Rivelino, Zé Maria, Ronaldo, Dida, Gilmar, Roberto Carlos, el paraguayo Gamarra, Baltazar, André Santos, el colombiano Rincón, Vampeta, Nilmar, los argentinos Tevez y Mascherano, Neto, Palinha, Brandão, entre tantos otros. Su último año fue el mejor de su historia en términos de resultados. A finales de 2011, ganó el Brasileirao, tres años después de haber jugado en la Serie B. En 2007, el equipo había descendido y había resultado espacio de escándalos durante la gestión del presidente Alberto Dualib, señalado como principal responsable y hasta acusado de lavado de dinero y administración fraudulenta. Pero se fue reconstruyendo a sí mismo, bajo la conducción de Andrés Navarro Sánchez, un afiliado al Partido de los Trabajadores, quien a los 12 años ya realizaba tareas como feriante para ayudar a su familia. Lo vio campeón como hincha orgulloso de su tarea anterior: dejó su cargo a principios de 2012. Ya con el ex policía Mario Gobbi, el Timao obtuvo la primera Copa Libertadores de su larga vida y su segundo Mundial de Clubes de la FIFA (en 2000, como anfitrión, obtuvo la edición inaugural tras vencer en la final a Vasco da Gama).

Corinthians -el equipo del ex presidente Lula da Silva- es también espejo de este Brasil en marcha, potencia económica, organizador de grandes eventos. Lo escribió el periodista Pedro Motta Gueiros: "En un proceso deportivo que coincide con las transformaciones de la sociedad brasileña, la ascensión de la clase C tiene la inicial de un club que se transformó en potencia global. Con un estadio en construcción y patrocinios que crecen en la misma proporción del poder adquisitivo de sus 'torcedores', Corinthians está facturando mucho más que sus adversarios. (...) Mientras el Chelsea, con técnico español y dineros de Rusia, juega un fútbol mundial, Corinthians usa lo que quedó de la identidad nacional para adecuarla a los nuevos tiempos". Sus refuerzos para el Mundial de Clubes fueron dos futbolistas que sólo en las Ligas de Europa se les pueden pagar los salarios que pretenden: Paolo Guerrero - el autor de los dos goles del equipo en Japón, uno para vencer al Al Ahly, en semifinales; y el otro para derrotar al Chelsea- y Juan Manuel Martínez. De todos modos, la gran figura y aparición de esta competición fue su arquero Cassio, ganador del Balón de Oro y cuyo único antecedente internacional relevante había sido la participación en el Mundial Sub 20 de 2007.

Para acceder a esta conquista máxima, Corinthians tuvo una idea razonable: contratar a un entrenador que había dado perfectas muestras de su administración de recursos y planteles importantes. Adenor Leonardo Bacchi -conocido como Tite- se destacó en el Internacional de Porto Alegre. Un gaúcho nacido en Caxias do Sul fue el indicado para transformar al gigante paulista en un equipo universal. Lo hizo con un rasgo ajeno a la vieja escuela del fútbol brasileño: no hay familiaridad entre el jogo bonito y el modo de afrontar cada partido de este exitoso Timao. Lo supo Boca, en la última final de la Libertadores. Lo aprendió el Chelsea, la última semana. El Corinthians es un especialista en hacer jugar mal a sus rivales. Y se destaca en algo más: ofreciendo poco consigue mucho. Sirven los datos como testimonios al respecto: de los 16 partidos que disputó entre la Libertadores y el Mundial de Clubes, ganó diez y empató seis (cinco de ellos fuera del Pacaembú). Convirtió 22 goles y apenas recibió cuatro (nunca nadie pudo marcarle más de un tanto). Sólo en una de sus diez victorias ganó por más de dos goles (en el 6-0 frente al Deportivo Táchira, de Venezuela, como local, ya con la certeza de la clasificación a octavos de final). Es eficacia pura. Gana todo despojado de magias de otro tiempo. Tal vez, porque le falta un Sócrates...

Extraído do sítio Clarín

24 julho 2012

JOGADORES BRASILEIROS DENUNCIARAM MAUS-TRATOS EM OITO PAÍSES - João Fellet

O paranaense Lucas Alves precisou de ajuda da embaixada brasileira para poder deixar o Irã
Os esforços do governo para coibir a exploração de brasileiros no exterior também têm como público-alvo um grupo profissional que já atua internacionalmente há várias décadas: os jogadores de futebol.

Segundo o Itamaraty, nos últimos três anos, ao menos 50 jogadores brasileiros procuraram representações diplomáticas do país em busca de ajuda. Eles relataram, na maioria dos casos, descumprimento de contrato pelos patrões, más condições de trabalho e dificuldades para voltar ao Brasil.

"É possível que tenhamos até 300 atletas nessas condições", calcula Luiza Lopes da Silva, diretora do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior.

O Itamaraty já registrou queixas de jogadores brasileiros na Armênia, China, Coreia do Sul, Grécia, Índia, Indonésia, Irã e Tailândia. Segundo a Confederação Brasileira de Futebol, há cerca de 6 mil brasileiros em times estrangeiros.

Na Cartilha de Orientações para o Trabalho no Exterior, o Itamaraty diz que boa parte dos jogadores explorados são vítimas de "agentes inescrupulosos, intermediários de propostas tentadoras que escondem armadilhas".

O texto afirma que os agentes costumam dar prazos curtos para a decisão do jogador, para evitar que ele se informe melhor. Há casos em que, uma vez no exterior, o atleta encontra condições de vida e de trabalho ruins, é tratado com brutalidade pelos treinadores e tem o contrato de trabalho desrespeitado.

"Com frequência, o jogador é submetido a uma carga de treino excessiva, instalado em alojamento precário e vê seu salário ser descontado diariamente – sem que isso tenha sido explicitamente acordado – com alimentação, acessórios esportivos e outros itens", diz a cartilha. Em outros casos, os jogadores são rejeitados pelo clube e abandonados sem passagem de volta nem assistência.

Passaportes extraviados

Contratados por um time de Sari, no Irã, o paranaense Lucas Camargo Alves, de 22 anos, e o gaúcho Cassius Lumar Viana Rosa, 25, mudaram-se para o país persa em julho do ano passado, atraídos pelo que consideraram uma boa oferta de trabalho.

Três meses depois, no entanto, o clube não entrou no campeonato local e suspendeu os pagamentos dos atletas. "Pedimos para vir embora, mas disseram que os nossos passaportes tinham sido extraviados", afirma Alves.

Após insistirem, o clube disse que só entregaria os documentos se os jogadores pagassem, cada um, US$ 30 mil referentes a gastos com hospedagem, passagens e comissões recebidas.

"Fugimos para a capital (Teerã) sem ninguém saber", afirma.

Em Teerã, a dupla procurou a Embaixada brasileira, que contatou o clube e conseguiu recuperar os passaportes. No entanto, os atletas descobriram que, para deixar o país, teriam de pagar uma multa de US$ 3 mil por causa do vencimento de seus vistos.

"Foi uma surpresa, achávamos que estávamos legais", diz Alves.

Ao pagar a multa e comprar a passagem de volta, Alves afirma que gastou todas as economias que tinha feito na viagem. "Desanimei com o futebol depois disso", diz o jogador, que voltou a morar em Cascavel (PR) e tem pensado em abandonar a carreira.

Profissionais vulneráveis

Além de mirar modelos e jogadores de futebol brasileiros, a cartilha do Itamaraty também alerta sobre riscos no exterior para churrasqueiros e professores de danças brasileiras.

Segundo o texto, a proliferação de churrascarias e restaurantes de comidas típicas brasileiras vem criando um mercado internacional para profissionais do ramo. A contratação costuma ser feita por empresários que viajam ao Brasil para conhecer restaurantes brasileiros e identificar futuros empregados.

Como em muitos países, o setor opera com certo grau de informalidade, diz o Itamaraty, muitos profissionais acabam em situação vulnerável.

Professores de capoeira e de danças brasileiras também enfrentam condições semelhantes. Muitos ingressam no país estrangeiro na condição de turistas e, ao trabalhar informalmente, sujeitam-se a penalidades que podem incluir multa, prisão e deportação.


Extraído do sítio BBC Brasil

16 julho 2012

BLATTER RECUA E DIZ QUE NÃO SABIA DE SUBORNO ATÉ A QUEDA DA ISL



Em entrevista na semana passada, presidente da FIFA havia dito que sabia da propina de R$ 45 milhões paga aos ex-dirigentes Teixeira e Havelange. Sobre o último, acha que deve deixar a presidência de honra da Federação.


Ao contrário do que disse em entrevista na semana passada, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse neste domingo que não sabia do suborno pago ao ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e a seu antecessor, João Havelange, até a falência da extinta empresa de marketing esportivo ISL, então parceira da Fifa. "Eu não sabia de nada até a falência da ISL. Foi a Fifa que reuniu os documentos e iniciou o processo. Quando eu disse que é difícil medir problemas do passado com os padrões de hoje, falei de forma geral. Para mim, suborno é inaceitável, e estou sendo acusado disso", disse Blatter ao jornal suíço Blick.

Documentos divulgados pela justiça suíça na quarta-feira 11 comprovaram o pagamento de R$ 45 milhões em propina aos ex-dirigentes, por meio da ISL, entre os anos de 1992 e 2000. Na entrevista publicada pelo site da Fifa na última quinta-feira, o dirigente afirmou que na época dos pagamentos, o fato não era problema, mas sim nos padrões de hoje. "Saber o que? Que comissões eram pagas? Naquela época, tais pagamentos podiam ser deduzidos até mesmo de impostos como gastos de negócios", disse. "Eu não poderia saber de uma ofensa que na época não era ofensa".

Na entrevista deste domingo, Blatter também diz que, por ele, João Havelange deixaria a presidência de honra da Fifa, apesar de a decisão, ressalta, não depender dele. "Ele tem de ir. Ele não pode continuar como presidente de honra depois desses incidentes", disse. Blatter disse que levará o caso para ser analisado pelo Comitê da entidade no próximo Congresso.

Fifa pede desculpas

A Fifa divulgou uma nota na última sexta-feira pedindo desculpas sobre os argumentos utilizados pelos advogados da Federação em defesa aos ex-dirigentes acusados de propina. O jurídico da Federação havia alegado que o suborno é normal para algumas culturas, chegando a fazer parte da renda de determinados povos, como os sul-americanos e os africanos.

A alegação causou polêmica na imprensa e por meio da nota, a Fifa repudiou os argumentos. "Os comentários em relação a supostas práticas de negócios dos sul-americanos e africanos feitos por um consultor jurídico externo que representou a FIFA no caso não refletem a posição da entidade", diz trecho do posicionamento.


Extraído do sítio Brasil 247

13 julho 2012

APÓS DENÚNCIAS, MARIN GARANTE R$ 100 MIL POR MÊS A TEIXEIRA - Raphael Coutinho

Foto: Larissa Ponce/SEFOT-SECOM e Marcello Casal Jr/ABr
Em passagem pelo Recife, o presidente da CBF afirmou que continuará pagando salário (por meio de consultoria) ao antecessor, acusado de enriquecimento ilícito pela Justiça da Suíça. Dava para esperar outra coisa?

Durante sua passagem pelo Recife nesta quinta-feira (12), para anunciar um amistoso entre a Seleção Brasileira e a China, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, preferiu não comentar as denúncias sobre o recebimento de suborno por parte dos ex-presidentes da entidade Ricardo Teixeira e João Havelange. “Prefiro não fazer comentário a respeito desta pergunta”, disse, calmamente. Entretanto, quando o assunto foi a possibilidade de corte do pagamento do salário de consultor a Teixeira, o mandatário da entidade máxima do futebol brasileiro não titubeou e garantiu a continuidade dos depósitos na conta bancária do ex-dirigente.

“Ele (Ricardo Teixeira) contribui com assessoria em nível internacional. Aproveitamos a experiência que o Ricardo tem no futebol internacional. O que foi divulgado (suspeitas de suborno) não tem relação entre Ricardo Teixeira e a CBF”, afirmou José Maria Marin. Teixeira se afastou da presidência da entidade em março deste ano, alegando problemas de saúde, porém sob suspeitas de receber dinheiro, por fora, para programar amistosos da Seleção Brasileira. Mesmo assim, o dirigente continua recebendo vencimentos de aproximadamente R$ 100 mil por mês para prestar uma suposta assessoria.

Curiosamente, José Maria Marin assumiu o comando da CBF justamente por indicação do próprio Ricardo Teixeira. E a tal assessoria prestada pelo ex-presidente da entidade até hoje não foi explicada de forma detalhada por nenhum representante confederação.

Na última quarta-feira (11), um Tribunal da Suíça publicou informações de um processo contra os ex-dirigentes brasileiros, no qual aproximadamente R$ 45 milhões em subornos passaram por suas contas em oito anos, através da empresa de marketing suíça ISL. Na decisão da Justiça do país europeu, Ricardo Teixeira e João Havelange aparecem como os condenados por uma fraude na venda de direitos de transmissão da Fifa para a empresa ISL. Segundo o levantamento, a companhia pagou suborno para os brasileiros entre os anos de 1992 e 2000.

A gestão de Ricardo Teixeira à frente da CBF sempre foi marcada por denúncias de enriquecimento ilícito por parte do ex-dirigente. A TV Globo chegou a exibir um Globo Repórter especial, em 1999, sobre o crescimento do patrimônio do então homem forte do futebol brasileiro. Porém, a mesma rede de televisão assumiu, pouco tempo depois, uma postura, digamos, mais “light” ao abordar a gestão da entidade.


Extraído do sítio Brasil 247

12 julho 2012

DOSSIÊ REVELA QUE HAVELANGE E TEIXEIRA RECEBERAM PROPINAS MILIONÁRIAS



Documento liberado pela Justiça suíça mostra que os dois ex-dirigentes brasileiros de futebol receberam suborno da empresa de marketing ISL, que negociava direitos de transmissão da Copa do Mundo.

O ex-presidente da Fifa João Havelange e o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira aceitaram propinas milionárias da antiga empresa de marketing esportivo ISL, revelam documentos judiciais liberados esta quarta-feira (11/07) por determinação da Justiça suíça.

Segundo o dossiê de 41 páginas, Teixeira recebeu ao menos 12,74 milhões de francos suíços (26,47 milhões de reais, pela cotação atual) entre 1992 e 1997 em pagamentos da ISL, que faliu em 2001. Já Havelange recebeu um pagamento de 1,5 milhão de francos suíços (3,1 milhão de reais) em 1997, quando ainda era presidente da entidade máxima do futebol mundial.

Pagamentos atribuídos a contas conectadas aos dois ex-dirigentes brasileiros de futebol somam 22 milhões de francos suíços (45,71 milhões de reais) entre 1992 e 2000.

O documento estava embargado desde junho de 2010, quando Havelange e Teixeira chegaram a um acordo com a Justiça suíça para não terem seus nomes divulgados em troca do pagamento de uma multa.

O dossiê foi divulgado pela própria Fifa, horas depois de a Justiça suíça determinar a sua divulgação, atendendo ao pedido de várias empresas de comunicação, entre elas a rede britânica BBC, que em 2010 acusou Havelange de ter recebido propina da ISL.

A ISL era a parceira de marketing da Fifa e negociava os direitos de transmissão da Copa do Mundo. Havelange foi presidente da Fifa de 1974 a 1998.


Extraído do sítio Deutsche Welle

05 junho 2012

RICARDO TEIXEIRA ENFRENTA NOVA DENÚNCIA DE DESVIO DE DINHEIRO


Revelados pelo jornal Folha de S.Paulo, papéis mostram ainda outros R$ 205 mil recebidos pelo ex-presidente da CBF da empresa Ailanto Marketing, também de Sandro Rossell

Ricardo Teixeira, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), embolsou R$ 705 mil dos sócios da Ailanto, empresa denunciada por superfaturar o amistoso entre Brasil e Portugal, em Brasília, no final de 2008.

A informação foi divulgada no domingo pelo jornal Folha de S. Paulo, o qual garante que os donos da empresa, Sandro Rosell, presidente do Barcelona, e Vanessa Precht, secretária do espanhol, enviaram dinheiro a Teixeira ao longo de 2008, 2009 e 2010 por meio de empréstimos bancários e cheques nominais.

Rosell emprestou R$ 500 mil a Teixeira em 2008, na mesma época em que a Ailanto foi criada – a empresa é suspeita de ter sido montada apenas para organizar o jogo da Seleção. Já Vanessa repassou ao ex-cartola da CBF os montantes de R$ 90 mil, em 2009, e R$ 115 mil, no ano seguinte.

A documentação da partida disputada no Distrito Federal foi apreendida pelo Ministério Público após o órgão tomar ciência da utilização de R$ 9 milhões de dinheiro público na organização do amistoso. De acordo com a reportagem, a Ailanto nega irregularidades no recebimento do montante e diz que cumpriu todas as exigências do contrato para a organização do amistoso.

A Ailanto é investigada por superfaturar itens como hotelaria e passagens aéreas usadas pelos atletas no amistoso, além do desvio de R$ 1,1 milhão em gastos não justificados.


Extraído do sítio Correio do Brasil

27 abril 2012

TEIXEIRA USOU A EMPRESA SANUD PARA RECEBER SUBORNO DA FIFA

Foto: Ricardo Nogueira/Folhapress
Novos documentos investigados pelo Parlamento Europeu comprovaram que Ricardo Teixeira usou a empresa Sanud junto com João Havelange para receber comissões em nome da Fifa. Os subornos podem ter passado de US$ 40 milhões, entre 1978 e 2000.

Leia na matéria de Roberto Pereira de Souza, do UOL:

Agora está confirmado: Ricardo Teixeira usou a empresa Sanud junto com João Havelange para receber comissões em nome da Fifa e não repassou os valores aos cofres da entidade. Os valores finais ainda não foram fechados pela Justiça da Suíça, mas os subornos podem ter passado de US$ 40 milhões, entre 1978 e 2000. O escândalo está sendo investigado pelo Parlamento Europeu, que divulgou um relatório parcial esta semana.

Parte dessas comissões milionárias foram recebidas pelos brasileiros entre 1989 e 1998, ano em que Havelange se afastou da presidência da Federação, depois de cumprir mandatos seguidos desde 1974.

Além da Sanud, empresa investigada na CPI do Futebol em 2001 (e que tem o irmão de Teixeira, Guilherme, como procurador, no Brasil) os dois brasileiros usaram também o fundo Renford Investiments, e a empresa Garantie JH para coletar propinas na venda de direitos de transmissão dos jogos das Copas do Mundo, “para um país da América do Sul”.

As informações foram amplamente investigadas pelo promotor suíço Thomas Hildebrand que abriu ação criminal contra os dois brasileiros, mantendo seus nomes sob sigilo judicial.

Mas alguns documentos exclusivos obtidos por UOL Esporte, no ano passado, permitem cruzar as datas dos depósitos efetuados em várias contas de empresas de fachada, usadas no maior escândalo de corrupção esportiva, que chega a 122,6 milhões de francos suíços ou cerca de US$ 160 milhões no total.

Parte desse dinheiro (mais de US$ 40 milhões) ficou nas contas dos dois brasileiros que estavam por trás de um grupo de empresas listadas pela promotoria suíça.

Mesmo mantendo o sigilo judicial imposto ao processo criminal que ainda tramita na Suíça, o promotor Hildbrand deu detalhes sobre as operações das duas pessoas denunciadas no recebimento de propina. Essas pessoas foram codificadas pelas letras H (Teixeira) e E (Havelange).

ADVOGADOS NÃO LOCALIZADOS

A reportagem do UOL Esporte tentou localizar os advogados de Ricardo Teixeira e Guilherme Teixeira, mas não obteve o sucesso no contato com os defensores da dupla.

Na Suíça, corrupção privada só é enquadrada em crime quando envolve suborno em contratos comerciais. “Por isso as pessoas H e E foram incriminadas”, explicou o promotor usando as duas letras para proteger a identidade dos brasileiros.

Segundo Hildbrand, “os dois, E e H, tinham participação financeira na companhia G (Sanud). Detalhes das operações individuais podem ser conhecidos no quadro abaixo”.

Por esse quadro divulgado pelo Comitê Europeu de Cultura, Ciência, Educação e Mídia, que também investiga o maior escândalo do futebol mundial, 32 depósitos foram feitos entre 10 de agosto de 1992 até 4 de maio de 2000, na conta da Sanud (empresa G).

O Parlamento Europeu divulgou nesta semana parte do conteúdo do processo que investiga o escândalo. Para preservar o sigilo judicial, o promotor apenas listou os depósitos feitos e a Comissão Europeia excluiu os nomes das empresas denunciadas.

Porém, cruzando as informações divulgadas esta semana pelo Parlamento Europeu com um dossiê de lista de empresas beneficiadas a que o UOL Esporte teve acesso, ano passado, foi possível checar cada depósito realizado com os nomes das empresas beneficiadas: A Sanud e a Garantie JH receberam entre 1992 e 1997, 22 repasses financeiros, totalizando US$ 10 milhões. A Garantie JH recebeu em um único depósito de 3 de março de 1997, US$ 1 milhão. Os outros dez repasses foram feitos para a conta da Renford Investiments Ltd.

Apesar da coincidência das letras JH, até o relatório divulgado pelo Parlamento Europeu não se poderia afirmar que a Garantie era operada por João Havelange. A confirmação foi possível porque dados sigilosos do processo obtidos pelo UOL Esporte trazem a lista dos depósitos associada aos nomes das empresas beneficiárias. O roteiro de datas e valores divulgados pelos comissários europeus foi decisivo para o cruzamento dos nomes das empresas.

A dinheirama manipulada pela Fifa passava antes pelos cofres da International Sports Leisure (ISL), empresa de marketing esportivo montada por Havelange em associação com Adidas e a japonesa Dentsu, nos anos 80. A ISL tinha 50% de capital japonês e acabou quebrando em 2001.

A falência da ISL chamou a atenção do Ministério Público e uma investigação criminal foi aberta na Suíça para apurar os motivos da falta de caixa. Um dos executivos da empresa, Jean Marie Weber, abriu o jogo e contou como o esquema funcionava.

Há ainda outro detalhe importante revelado pelo promotor Hildbrand e que ajudou a confirmar os nomes dos brasileiros: “alguns depósitos foram feitos em contas dos filhos do suspeito H (Teixeira) e um dos contratos assinados pela Fifa leva a assinatura do suspeito E, em 97 e 98”.

Está claro também de onde os dois recebiam comissão pela venda exclusiva dos direitos de transmissão do jogos: “O pagamento foi feito pela ISL e uma de suas subsidiárias a ISMM Investiments, que recontratava empresas para vender direitos de televisão e rádio a um país da América do Sul”. Os dois únicos interessados em direitos de televisão na América do Sul e que eram oficiais da Fifa, e que operavam a Sanud e a Garantie JH, são Ricardo Teixeira e João Havelange.

“Os pagamentos foram feitos direta ou indiretamente aos dois (H e E); ambos eram executivos da Fifa e um deles ainda é”, revelou o promotor aos parlamentares europeus em depoimento dado em março de 2012.

Saem Sanud, Garantie JH e entra a Renford

O último depósito feito na conta da Sanud (que, no Brasil era operada pelo irmão de Ricardo Teixeira, Guilherme) foi feito no dia 30 de março de 1997. A partir de março de 1998 entra em cena a Renford Investiments para receber em um único depósito a soma de US$ 2 milhões.

“Os pagamentos foram feitos como venda de influência pessoal na negociação dos direitos exclusivos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo. Esses pagamentos se referem a contratos assinados em 12 de dezembro de 1997 e maio de 1998 pelo acusado E”, revela o promotor.

Esses contratos negociavam a transmissão da Copa de 2002 (no Japão e Coreia). Era o último ano de Havelange à frente da Fifa e ele assinou os contratos de venda de direitos como presidente da entidade.

“O acusado E ficou rico com as comissões recebidas e não cumpriu seu dever de repassar esses valores aos cofres da Fifa, que acusou prejuízo de igual valor", denuncia.

A mesma acusação se refere ao acusado H (Teixeira) como um dos beneficiários da empresa Sanud.

“As somas recebidas foram levadas em dinheiro por um cidadão de Andorra e depositadas em três contas dos filhos de H”, revela o promotor. “Parte do dinheiro saiu também do Bank of America, nos Estados Unidos”.

Entre 10 de agosto de 1992 e 4 de maio de 2000 as empresas operadas por Havelange e Teixeira receberam US$ 15,6 milhões. Mas outra montanha de dólares passou por outras empresas antes desse período. Estima-se que empresas como Wando, Ovada, Beleza e Sicuretta também receberam cerca de US$ 60 milhões:

“Esse interesse por promoção esportiva começou na Fifa nos anos 1970”, revelou um ex-gerente da ISL ao promotor Hildbrand. “A ISL perseguiu esses objetivos desde sua fundação. As atividades continuaram, mas agora há uma espécie de fundação que opera com fundo de investimento único”.

Teixeira e Havelange escapam da condenação

Embora o caso chame a atenção do investigadores europeus, o fato é que o promotor Hildbrand não vê caminhos claros para abrir novo processo criminal contra os acusados H e E. “Houve um acordo judicial e parte do dinheiro foi depositado na conta da falida ISL”, explicou o promotor em seu depoimento.

“A Fifa foi a principal interessada no acerto. Seus advogados na Suíça lutaram muito para esse acordo e não existe mais queixa de prejuízo causado aos cofres da entidade. O interesse da Fifa sugere que a entidade sabia de tudo o que ocorria e suspeitamos que a entidade tenha feito pagamento por terceiros ”, disse o promotor. “ O pagamento do acusado H (Teixeira) foi feito pelo mesmo escritório de advocacia que trabalha para a Fifa”, concluiu Hildbrand.

Para encerrar o processo na justiça suíça, Havelange acertou com a Fifa a devolução de cerca de US$ 400 mil dólares:

“A idade avançada do acusado e a consequente redução de sua capacidade de ganho e de aposentadoria fizeram com que a promotoria aceitasse o pagamento de 500 mil francos suíços”.

Um depósito de US$ 1 milhão foi feito na conta da Garantie JH e foi confirmado pelo promotor Hildbrand “como sendo na conta do acusado E, que é idoso e está aposentado”.

O suspeito H (Teixeira) encerrou o caso com a devolução de cerca de US$ 2,6 milhões. O dinheiro foi depositado na conta de massa falida da ISL, que ainda precisa pagar seus credores.

Na opinião do promotor Thomas Hildbrand, a Fifa sempre soube do escândalo, porque Joseph Blatter está na entidade desde 1974 e sempre ocupou cargo de gerência executiva e secretaria geral, até ser eleito presidente em 1998, substituindo João Havelange.

Ricardo Teixeira renunciou a seu cargo executivo na Fifa, em março de 2012. João Havelange renunciou a cargo vitalício no Comité Olímpico Internacional, em meio a investigação por corrupção. Havelange está internado no hospital Samaritano no Rio de Janero, desde 18 de março, vítima de infecção no tornozelo direito.


Extraído do sítio Brasil 247

26 abril 2012

E O OSCAR VAI PARA... - Jorge Luiz Souto Maior*

A situação envolvendo o jogador de futebol Oscar equivale à conhecida prática da escravidão por dívida, legalizada no Brasil no período da imigração européia, quando se considerava crime o fato do imigrante deixar, ou, mais propriamente, fugir da fazenda antes de pagar a dívida que tinha com o dono da fazenda. O caso do Oscar é ainda mais grave porque mesmo que este proponha pagar a dívida, o seu “dono” não o quer libertar. Essa analogia é pertinente até para refletir sobre o fato de que as relações de trabalho no futebol ainda guardam muito da lógica escravagista. O artigo é de Jorge Luiz Souto Maior.



A conhecida frase acima virou tradição no maior evento do cinema. O Oscar, de fato, é uma estatueta, uma coisa, que simboliza a premiação do trabalho realizado em nome da arte cinematográfica.

O que estamos presenciando no debate entre o São Paulo e o Internacional, no entanto, é uma inversão plena de valores. De fato, o homem, o Oscar, foi transformado, ele próprio, na coisa, na estatueta, que será entregue a um dos dois clubes não como reconhecimento de um trabalho realizado, mas para satisfação de um interesse econômico, fixado em um contrato.

Imaginemos a cena: o representante de um dos clubes fazendo o gesto de levantar, orgulhoso, a estatueta, o Oscar, e agradecendo, na seqüência, aos advogados e juízes, que souberam decifrar as cláusulas do contrato.

Sem entrar nos meandros dos termos contratuais, sem me posicionar, portanto, quanto a quem tem, ou não, razão nesta contenda, o que me parece inegável é que, de modo algum, essa discussão jurídico-formal pode conduzir ao efeito que ora se verifica de uma pessoa ser tratada como posse de alguém, e, pior, como uma coisa, um troféu que se possa erguer e, com isso, ser impedida de exercer um direito fundamental, que é o direito ao trabalho.

Em concreto, juridicamente falando, visualizando o Direito na perspectiva da proteção da condição humana, uma questão patrimonial, fixada em um contrato, não pode se constituir como fundamento para impedir o pleno exercício de um direito fundamental, que está ligado, inclusive, à noção básica da liberdade.

A consideração jurídica de que o Oscar “pertence” ao São Paulo, ou ao Internacional, é, portanto, totalmente ineficaz no aspecto da limitação do direito ao trabalho. Não é possível, por exemplo, que um Oficial de Justiça, por ordem judicial, pegue o Oscar e o conduza, à força, até um local determinado e o obrigue a treinar e a jogar. Do mesmo modo, não é possível que o efeito contratual, patrimonial, mesmo sem o necessário adimplemento, impeça alguém de exercer a sua liberdade. 

Sem exagero, a situação equivale à conhecida prática da escravidão por dívida, que fora, até, legalizada no Brasil no período da imigração européia, quando se considerava crime o fato do imigrante deixar, ou, mais propriamente, fugir da fazenda antes de pagar a dívida que tinha com o dono da fazenda, sendo que a dívida em questão advinha do custeio da própria imigração e, depois, do valor devido pelo alojamento e pela alimentação concedidos na fazenda, sendo que o valor pago pelo trabalho era sempre menor que o montante da dívida que crescia diariamente.

O caso do Oscar é ainda mais grave porque mesmo que este proponha pagar a dívida, o seu “dono” não o quer libertar...

Essa analogia é pertinente até para refletir sobre o fato de que as relações de trabalho no futebol ainda guardam muito da lógica escravagista, na qual o trabalhador (o jogador) é dito como um patrimônio de seu dono (o clube), o qual se vê, inclusive, legitimado para exigir condutas, modos de agir e até de pensar por parte do jogador, chegando a interferir no seu direito de manifestação, atingindo, quase que por completo, a sua vida privada.

Os negócios no futebol, porque envolvem muito dinheiro, cegam as pessoas, gerando deturpações valorativas muito graves, a ponto do jogador ser entendido como o objeto do contrato que se realiza por terceiros interessados (os clubes) e não como sujeito.

Não é possível, repito, impedir alguém de exercer um direito fundamental sob o argumento de que há um direito patrimonial pendente.

No caso concreto, a solução só pode ser pensada a partir da vontade do jogador, conferindo-lhe a necessária liberdade para exercer seu direito fundamental de trabalhar, de praticar seu ofício, de se conceber, enfim, como um autêntico ser humano, o que não representa negligenciar as eventuais repercussões patrimoniais (que não me proponho a analisar neste texto) que possam advir de seu ato, mas que, mesmo sem solução, repito, não constituem empecilho à efetividade dos Direitos Humanos.

Em suma: o Oscar, a estatueta, vai para quem a Academia considerar que o mereça. O Oscar, o cidadão, vai para onde ele quiser!

* Jorge Luiz Souto Maior: Graduação em Direito pela Faculdade de Direito Sul de Minas (1986), Mestrado (1995) e Doutorado (1997) em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Pesquisa, em nível de pós-doutorado, realizada na França em 2001, financiada pela CAPES, sob orientação do Prof. Jean-Claude Javillier, professor da Universidade de Paris-II. Atualmente é professor livre docente da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito do Trabalho, atuando principalmente nos seguintes temas: Direito do Trabalho, Teoria Geral do Direito do Trabalho, História do Direito do Trabalho, Direitos Humanos, Processo do Trabalho e Justiça do Trabalho.


Extraído do sítio Carta Maior