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12 abril 2013

DOCUMENTOS REVELAM LIGAÇÃO ENTRE MARIN E A ALA RADICAL DA DITADURA

Abertos para a consulta pública desde 1º de abril, os arquivos do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) começam a trazer à tona as primeiras revelações inconvenientes que relacionam personalidades públicas e políticas à ditadura. A primeira vítima dos documentos militares é o atual presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e do COL (Comitê Organizador Local), José Maria Marin, conforme levantamento dos repórteres Aiuri Rebello e Rodrigo Mattos, do portal UOL.

Documentos revelam que Marin se aliou a militares para obter vantagens políticas durante a ditadura e tinha conexões com órgãos repressores, como o Dops. Foto: José Cruz/ABr

Segundo a reportagem, os documentos analisados comprovam que Marin teve ligação com a ala mais radical do governo militar, além de possuir conexões com órgãos de vigilância e de repressão e de ter feito elogios ao regime. A fonte das informações são os arquivos do Dops, do SNI (Sistema Nacional de Informação) – ambos órgãos que reuniam as investigações do regime – e da Assembleia Legislativa.

Carreira política

A reportagem lembra que Marin estreou no mundo político com 31 anos, sob o cargo de vereador da cidade de São Paulo, em 1964, pouco antes do golpe militar. Meses depois, o cartola abandonou o partido ao qual era filiado, o PRP (Partido de Representação Popular), para unir-se em 1966 à Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido da ditadura.

Este foi o início de sua ascensão sob a tutela e apoio da ala radical da ditadura. Do lado do regime, Marin foi alçado à presidência da Câmara de Vereadores graças a manobras nos bastidores do Ministério da Justiça, cujo titular era Gama e Silva, e de militares, segundo os documentos do SNI. Gama e Silva foi o jurista responsável por redigir o AI-5 (Ato Institucional-nº 5), medida que cassou direitos políticos e instituiu o período mais negro da ditadura no fim de 1968.

Sempre segundo o UOL, a análise dos documentos do SNI descreve os caminhos de Marin na Câmara e o que seus companheiros parlamentares pensavam da atuação do atual dirigente esportivo: “[Marin] É considerado fraco por seus pares. Consta que sua candidatura tem apoio de círculos militares e de elementos ligados ao ministro da Justiça.” E, depois, o organismo analisou seu trabalho à frente da Câmara: “todos os atos de Marin (…) são “sugeridos” pelo esquema que o elegeu presidente da Casa”.

Aliado fiel

Os documentos, tanto no SNI quando no Dops, também mostram que não houve registro de atitude “subversiva” da parte de Marin. O comportamento regrado do político era visto como fidelidade ao regime e, com isso, não demorou para Marin ascender na política durante a ditadura.

Outro movimento político chave para Marin, segundo apurou o UOL, foi a troca de correntes entre os governistas. De acordo com os registros, o presidente da CBF traiu Luis Roberto Alves da Costa, que o levara à presidência da Câmara dos Vereadores, para se aliar ao prefeito biônico Paulo Maluf. Irritado com a traição, Alves da Costa tentou trabalhar contra Marin, sugerindo até a cassação de seu mandato, o que nunca ocorreu.

Os arquivos também mostram que Marin seguiu próximo ao regime nos anos seguintes, tendo participado da posse do general Emilio Garrastazu Médici, que depois virou presidente, no comando do III Exército. 

Morte de Herzog

Já em 1975, o político fez dois discursos pedindo providências sobre a TV Cultura. Ele dizia que algumas reportagens não retratavam corretamente o governo e causavam “intranquilidade” nos lares paulistas. Pouco depois, o jornalista da emissora Vladimir Herzog foi preso e assassinado pelo DOI-Codi, organismo de repressão.

Um ano depois, na Assembleia, Marin elogiou o delegado Sergio Paranhos Fleury, um dos líderes do instrumento de repressão do Dops, onde Herzog morreu. “Não só honra à polícia de São Paulo, como também há muito é motivo de orgulho inclusive à população de São Paulo”, discursou.

Para Marin, os benefícios do golpe eram “indiscutíveis”, não podendo restar dúvida sobre isso.

Com esse discurso, ele se tornou vice-governador pela Arena, em 1978, na chapa encabeçada por seu antigo aliado Paulo Maluf.

Os indícios de sua ligação com aspectos mais truculentos do regime não cessaram como mostra um relatório do CISA (Inteligência da Aeronáutica), de 1980, sobre assalto ao jurista Dalmo Dallari Gama.

Reconhecido defensor da democracia, Dallari foi espancado e acusou um grupo paramilitar de direita como responsável pela ação. Segundo ele, o então vice-governado tinha ligações com a agressão. O político negou e prometeu que o Dops, o órgão acusado de repressão na década de 1970, iria apurar o caso.

Já como governador, após a renúncia de Maluf, Marin passou a ser protegidos por policiais do Dops. O departamento de polícia registrou cada viagem ou participação do político em eventos públicos, como revelam os boletins do órgão. O objetivo era identificar se havia protestos contra o governador e contra o regime.

Questionado pelo UOL Esporte sobre os fatos relatados nos arquivos da ditadura, Marin se negou a falar sobre o assunto. Em texto à Folha de S. Paulo, publicado na quarta-feira 10, afirmou que era do partido do governo, mas que era “sabido por todos (…) que os deputados não tinham o menor poder sobre os órgãos do Estado”. E completou: ”Ninguém deve negar a própria biografia. E a minha vida pública sempre foi (…) pautada pelos princípios republicanos que até hoje me guiam”, disse, afirmando ter aprendido que “liberdade e justiça” devem andar juntas.

O atual presidente da CBF ainda ressaltou que, como governador, extinguiu o Dops de São Paulo.

Extraído do sítio CartaCapital

31 março 2013

MARIN TEM NÃO DE DILMA; PRESSÃO NA CBF AUMENTA


Presidente da CBF queria aproveitar o projeto de lei do deputado Vicente Cândido (PT-SP), que anistia dívidas de clubes de futebol, para enfim ser recebido pela presidente, mas novamente obteve resposta negativa; no auge do regime militar, arenista José Maria Marin discursava a favor do torturador Sérgio Paranhos Fleury, enquanto ela era presa e torturada; presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro quer a renúncia do cargo na CBF; petição na internet ultrapassou meta de 50 mil nomes; pede para sair, Marin!

Alvo de críticas e protestos para que deixe o cargo de presidente da CBF, José Maria Marin recebeu uma nova forma de ataque. E agora da presidente Dilma Rousseff. O cartola, que finalmente esperava ser recebido pela presidente para uma audiência, a fim de discutir o projeto de lei do deputado Vicente Cândido (PT) – que anistia dívidas de clubes em troca de investimentos em esportes olímpicos – recebeu resposta negativa e terá de se contentar em encontrá-la apenas em eventos, como já vinha fazendo.

A informação, publicada na coluna Radar On-Line, de Veja, só atesta que a relação dos dois não é nada além de distante. Marin, que como deputado estadual por São Paulo na década de 70 foi um ferrenho defensor do regime militar, não é visto com bons olhos por Dilma, que foi presa e torturada durante a ditadura. Os dois nunca tiveram um encontro desde que ele assumiu o cargo, em março do ano passado, e desta vez, os áudios divulgados na internet que revelam críticas do dirigente contra o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, certamente foram o estopim para sua moral.

Novo inimigo

Como se já não bastassem os protestos que pedem sua saída da Confederação, Marin ganhou agora mais um inimigo de peso. O presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous, cobrou sua renúncia, fazendo coro à versão de que ele contribuiu para a prisão do jornalista Vladimir Herzog, que foi torturado e acabou sendo morto no período da ditadura.

"Marin foi um fiel servidor dos militares na ditadura e, pelo que se diz, também delator. Com essas credenciais, não pode continuar no cargo de presidente da CBF", afirmou Damous, segundo o jornalista Felipe Patury, de Época. A acusação ganhou uma petição na internet do filho do jornalista, Ivo Herzog, pedindo para que a CBF não seja presidida por um apoiador do regime militar enquanto o Brasil sedia os maiores eventos de futebol mundiais, a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, em 2013 e 2014.

O abaixo-assinado já reuniu quase 55 mil nomes, superando a meta proposta inicialmente, de 50 mil. Entre os assinantes estão artistas e parlamentares como Chico Buarque, Ana de Hollanda, Chico Alencar, Ivan Valente e Marcelo Freixo. Marin também pode passar ser convocado a prestar depoimento à Comissão Nacional da Verdade para esclarecer suas posições. Afinal, como escreveu Zuenir Ventura, seria irônico um admirador do torturador Sérgio Paranhos dirigir a CBF num país presidido por quem já foi torturada.

Extraído do sítio Brasil 247

16 julho 2012

BLATTER RECUA E DIZ QUE NÃO SABIA DE SUBORNO ATÉ A QUEDA DA ISL



Em entrevista na semana passada, presidente da FIFA havia dito que sabia da propina de R$ 45 milhões paga aos ex-dirigentes Teixeira e Havelange. Sobre o último, acha que deve deixar a presidência de honra da Federação.


Ao contrário do que disse em entrevista na semana passada, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse neste domingo que não sabia do suborno pago ao ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e a seu antecessor, João Havelange, até a falência da extinta empresa de marketing esportivo ISL, então parceira da Fifa. "Eu não sabia de nada até a falência da ISL. Foi a Fifa que reuniu os documentos e iniciou o processo. Quando eu disse que é difícil medir problemas do passado com os padrões de hoje, falei de forma geral. Para mim, suborno é inaceitável, e estou sendo acusado disso", disse Blatter ao jornal suíço Blick.

Documentos divulgados pela justiça suíça na quarta-feira 11 comprovaram o pagamento de R$ 45 milhões em propina aos ex-dirigentes, por meio da ISL, entre os anos de 1992 e 2000. Na entrevista publicada pelo site da Fifa na última quinta-feira, o dirigente afirmou que na época dos pagamentos, o fato não era problema, mas sim nos padrões de hoje. "Saber o que? Que comissões eram pagas? Naquela época, tais pagamentos podiam ser deduzidos até mesmo de impostos como gastos de negócios", disse. "Eu não poderia saber de uma ofensa que na época não era ofensa".

Na entrevista deste domingo, Blatter também diz que, por ele, João Havelange deixaria a presidência de honra da Fifa, apesar de a decisão, ressalta, não depender dele. "Ele tem de ir. Ele não pode continuar como presidente de honra depois desses incidentes", disse. Blatter disse que levará o caso para ser analisado pelo Comitê da entidade no próximo Congresso.

Fifa pede desculpas

A Fifa divulgou uma nota na última sexta-feira pedindo desculpas sobre os argumentos utilizados pelos advogados da Federação em defesa aos ex-dirigentes acusados de propina. O jurídico da Federação havia alegado que o suborno é normal para algumas culturas, chegando a fazer parte da renda de determinados povos, como os sul-americanos e os africanos.

A alegação causou polêmica na imprensa e por meio da nota, a Fifa repudiou os argumentos. "Os comentários em relação a supostas práticas de negócios dos sul-americanos e africanos feitos por um consultor jurídico externo que representou a FIFA no caso não refletem a posição da entidade", diz trecho do posicionamento.


Extraído do sítio Brasil 247

13 julho 2012

APÓS DENÚNCIAS, MARIN GARANTE R$ 100 MIL POR MÊS A TEIXEIRA - Raphael Coutinho

Foto: Larissa Ponce/SEFOT-SECOM e Marcello Casal Jr/ABr
Em passagem pelo Recife, o presidente da CBF afirmou que continuará pagando salário (por meio de consultoria) ao antecessor, acusado de enriquecimento ilícito pela Justiça da Suíça. Dava para esperar outra coisa?

Durante sua passagem pelo Recife nesta quinta-feira (12), para anunciar um amistoso entre a Seleção Brasileira e a China, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, preferiu não comentar as denúncias sobre o recebimento de suborno por parte dos ex-presidentes da entidade Ricardo Teixeira e João Havelange. “Prefiro não fazer comentário a respeito desta pergunta”, disse, calmamente. Entretanto, quando o assunto foi a possibilidade de corte do pagamento do salário de consultor a Teixeira, o mandatário da entidade máxima do futebol brasileiro não titubeou e garantiu a continuidade dos depósitos na conta bancária do ex-dirigente.

“Ele (Ricardo Teixeira) contribui com assessoria em nível internacional. Aproveitamos a experiência que o Ricardo tem no futebol internacional. O que foi divulgado (suspeitas de suborno) não tem relação entre Ricardo Teixeira e a CBF”, afirmou José Maria Marin. Teixeira se afastou da presidência da entidade em março deste ano, alegando problemas de saúde, porém sob suspeitas de receber dinheiro, por fora, para programar amistosos da Seleção Brasileira. Mesmo assim, o dirigente continua recebendo vencimentos de aproximadamente R$ 100 mil por mês para prestar uma suposta assessoria.

Curiosamente, José Maria Marin assumiu o comando da CBF justamente por indicação do próprio Ricardo Teixeira. E a tal assessoria prestada pelo ex-presidente da entidade até hoje não foi explicada de forma detalhada por nenhum representante confederação.

Na última quarta-feira (11), um Tribunal da Suíça publicou informações de um processo contra os ex-dirigentes brasileiros, no qual aproximadamente R$ 45 milhões em subornos passaram por suas contas em oito anos, através da empresa de marketing suíça ISL. Na decisão da Justiça do país europeu, Ricardo Teixeira e João Havelange aparecem como os condenados por uma fraude na venda de direitos de transmissão da Fifa para a empresa ISL. Segundo o levantamento, a companhia pagou suborno para os brasileiros entre os anos de 1992 e 2000.

A gestão de Ricardo Teixeira à frente da CBF sempre foi marcada por denúncias de enriquecimento ilícito por parte do ex-dirigente. A TV Globo chegou a exibir um Globo Repórter especial, em 1999, sobre o crescimento do patrimônio do então homem forte do futebol brasileiro. Porém, a mesma rede de televisão assumiu, pouco tempo depois, uma postura, digamos, mais “light” ao abordar a gestão da entidade.


Extraído do sítio Brasil 247

12 julho 2012

DOSSIÊ REVELA QUE HAVELANGE E TEIXEIRA RECEBERAM PROPINAS MILIONÁRIAS



Documento liberado pela Justiça suíça mostra que os dois ex-dirigentes brasileiros de futebol receberam suborno da empresa de marketing ISL, que negociava direitos de transmissão da Copa do Mundo.

O ex-presidente da Fifa João Havelange e o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira aceitaram propinas milionárias da antiga empresa de marketing esportivo ISL, revelam documentos judiciais liberados esta quarta-feira (11/07) por determinação da Justiça suíça.

Segundo o dossiê de 41 páginas, Teixeira recebeu ao menos 12,74 milhões de francos suíços (26,47 milhões de reais, pela cotação atual) entre 1992 e 1997 em pagamentos da ISL, que faliu em 2001. Já Havelange recebeu um pagamento de 1,5 milhão de francos suíços (3,1 milhão de reais) em 1997, quando ainda era presidente da entidade máxima do futebol mundial.

Pagamentos atribuídos a contas conectadas aos dois ex-dirigentes brasileiros de futebol somam 22 milhões de francos suíços (45,71 milhões de reais) entre 1992 e 2000.

O documento estava embargado desde junho de 2010, quando Havelange e Teixeira chegaram a um acordo com a Justiça suíça para não terem seus nomes divulgados em troca do pagamento de uma multa.

O dossiê foi divulgado pela própria Fifa, horas depois de a Justiça suíça determinar a sua divulgação, atendendo ao pedido de várias empresas de comunicação, entre elas a rede britânica BBC, que em 2010 acusou Havelange de ter recebido propina da ISL.

A ISL era a parceira de marketing da Fifa e negociava os direitos de transmissão da Copa do Mundo. Havelange foi presidente da Fifa de 1974 a 1998.


Extraído do sítio Deutsche Welle

05 junho 2012

RICARDO TEIXEIRA ENFRENTA NOVA DENÚNCIA DE DESVIO DE DINHEIRO


Revelados pelo jornal Folha de S.Paulo, papéis mostram ainda outros R$ 205 mil recebidos pelo ex-presidente da CBF da empresa Ailanto Marketing, também de Sandro Rossell

Ricardo Teixeira, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), embolsou R$ 705 mil dos sócios da Ailanto, empresa denunciada por superfaturar o amistoso entre Brasil e Portugal, em Brasília, no final de 2008.

A informação foi divulgada no domingo pelo jornal Folha de S. Paulo, o qual garante que os donos da empresa, Sandro Rosell, presidente do Barcelona, e Vanessa Precht, secretária do espanhol, enviaram dinheiro a Teixeira ao longo de 2008, 2009 e 2010 por meio de empréstimos bancários e cheques nominais.

Rosell emprestou R$ 500 mil a Teixeira em 2008, na mesma época em que a Ailanto foi criada – a empresa é suspeita de ter sido montada apenas para organizar o jogo da Seleção. Já Vanessa repassou ao ex-cartola da CBF os montantes de R$ 90 mil, em 2009, e R$ 115 mil, no ano seguinte.

A documentação da partida disputada no Distrito Federal foi apreendida pelo Ministério Público após o órgão tomar ciência da utilização de R$ 9 milhões de dinheiro público na organização do amistoso. De acordo com a reportagem, a Ailanto nega irregularidades no recebimento do montante e diz que cumpriu todas as exigências do contrato para a organização do amistoso.

A Ailanto é investigada por superfaturar itens como hotelaria e passagens aéreas usadas pelos atletas no amistoso, além do desvio de R$ 1,1 milhão em gastos não justificados.


Extraído do sítio Correio do Brasil