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10 fevereiro 2013

CASSEM OS DEPUTADOS OU CORTO SEUS PESCOÇOS!


É exatamente isso o que o empresário Roberto Civita, dono do grupo Abril, parece querer dizer na reportagem da revista Veja desta semana, ilustrada com uma espada prestes a degolar os presidentes da Câmara, Henrique Alves, e do Senado, Renan Calheiros. No subtítulo, a ameaça é clara, pois se as ordens não forem cumpridas, "o sabre metafórico da opinião vai fazer seu serviço"; alguma surpresa com a cassação de José Genoino?

247 - Ao desenhar a Praça dos Três de Poderes, em Brasília, o arquiteto Oscar Niemeyer teve o cuidado de preservar a mesma distância entre as sedes do Executivo, do Judiciário e do Legislativo. Tudo em perfeito equilíbrio para que, visualmente, nenhum poder se sobrepusesse aos outros. Niemeyer, evidentemente, não imaginou um Quarto Poder, relativo aos meios de comunicação. Hoje, se fosse necessário criar um monumento a mais em Brasília, a imagem perfeita seria uma faca no pescoço.

A inspiração para essa imagem vem da revista Veja deste fim de semana, ilustrada com uma espada que ameaça degolar Renan Calheiros, presidente do Senado, e Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara. Até ontem, ambos eram tratados por Veja e outros veículos de comunicação como delinquentes incompatíveis com os cargos que ocupam. Mas, do Quarto Poder, vem um recado tranquilizador. Na reportagem "A faca no pescoço", o dono da revista Veja, Roberto Civita, parece avisar que a única saída para o perdão é cassar deputados como José Genoino. "Os novos presidentes da Câmara e do Senado prometem elevar o conceito do Parlamento. Se forem só palavras vazias, o sabre metafórico da opinião pública vai fazer o seu serviço". 

Internamente, sabe-se da aprovação de Veja aos primeiros movimentos do novo presidente da Câmara. "Assim como Renan, ele [Henrique Alves] anunciou uma agenda positiva – que começou com o encerramento da estéril polêmica sobre a quem cabia a palavra final a respeito da cassação do mandato dos deputados mensaleiros. Alves reconheceu que cabe ao Supremo. Ponto final".

Portanto, ao cumprir as ordens do Quarto Poder, Alves e Renan estão, temporariamente, absolvidos. Mas a ameaça é permanente, até porque escândalos relacionados à dupla transbordam. O único problema é que o sabre da "opinião pública" representa, na maioria das vezes, a opinião publicada de certos grupos de pressão – e não a opinião pública como um todo. Um relatório recente da organização Repórteres Sem-Fronteiras apontou o Brasil como um dos países de maior concentração de mídia do mundo, em que seis famílias apenas ditam a agenda pública e tentam monopolizar a narrativa dos fatos e a construção da opinião.

No caso em questão, que diz respeito aos mandatos dos deputados, o Supremo Tribunal Federal passou longe de um consenso. A decisão se deu por cinco votos a quatro e foi necessário que Celso de Mello desse um voto contrário a um que havia feito no passado sobre o mesmo tema, para que prevalecesse a "opinião pública" de empresários como Roberto Civita.

No início do julgamento, por sinal, uma repórter da Folha flagrou uma conversa do ministro Ricardo Lewandowski, em que ele dizia que o julgamento da Ação Penal seria atípico e que os ministros do STF estavam sendo obrigados a votar "com a faca no pescoço". Deu no que deu. Animados com a vitória inicial, veículos de comunicação já exibem publicamente – e sem nenhum pudor – suas peixeiras diante dos demais poderes.

Os que compõem com o Quarto Poder, como Carlos Ayres Britto, são premiados e louvados. Os que divergem, como Ricardo Lewandowski, terminam achincalhados. É democrático esse sequestro permanente do País?

Extraído do sítio Brasil 247

17 dezembro 2012

O QUE O DATAFOLHA CONTA SOBRE A VOZ ROUCA DAS RUAS - Paulo Nogueira

Os brasileiros parecem ter chegado à conclusão de que o moralismo da mídia é cínico.

Gurgel

Algumas coisas pegam, outras não. Algumas coisas mobilizam a opinião pública, e outras provocam essencialmente indiferença.

Aqui, na Inglaterra. A revelação de que o celular de uma garota sequestrada fora invadido por repórteres do tablóide News of the World, de Rupert Murdoch, gerou entre os ingleses uma raiva tão forte e tão espalhada que em menos de uma semana o jornal, de 168 anos, estava simplesmente fechado.

Na Tunísia, a autoimolação de um vendedor maltratado derrubou, em menos de um mês, uma ditadura de 23 anos.

O caso inverso é o Mensalão, no Brasil. Não vou entrar sequer no mérito da discussão sobre se o Mensalão deveria ter inflamado os brasileiros ou não. Mas o fato indiscutível é que, gostemos ou não, o caso jamais foi relevante para a opinião pública brasileira – a despeito da cobertura enorme e estrepitosa de jornais, revistas e telejornais.

Se a medição do poder de influência da grande mídia se der em torno do que o Mensalão significa para os brasileiros, a conclusão a que se chega é que a sociedade não está ouvindo tanto assim o chamado Quarto Poder. Se estivesse, a voz rouca das ruas estaria gritando palavras de ordem contra Lula, Dirceu etc. O Brasil se transformaria numa Praça Tahrir, o célebre centro de protestos do Egito.

Deu ontem na Folha que Lula e Dilma se elegeriam no primeiro turno em 2014, conforme pesquisa do Datafolha. Deu também que que a confiança da sociedade brasileira na imprensa diminuiu consideravelmente durante a cobertura do Mensalão.

Não me surpreendi. Numa enquete do Diário sobre a Personalidade do Ano, os leitores optaram por Lula e Dilma. Tive o cuidado de colocar Joaquim Barbosa como opção A, pelo seu desempenho no Mensalão. Ele ficou à frente apenas de Tite e do coletivo do STF.

Os brasileiros — gostemos ou não — estão profundamente insatisfeitos com sua mídia. Este sentimento se manifesta com estrépito na internet. Qualquer editor sério estudaria com urgência os resultados do Datafolha, em nome da sobrevivência de sua credibilidade e, consequentemente, de seu negócio.

É aquela história: ou os brasileiros estão errados ou a mídia. Faça sua escolha.

Os ingleses ficaram furiosos ao saber que jornalistas entraram nas mensagens do celular dessa garota sequestrada e morta

A revolta que a mídia gostaria de ver espalhada se manifesta num grupo localizado. Por exemplo, Roberto Gurgel, o procurador-geral da República. Gurgel, ao estilo superlativo do agregado José Dias de Machado de Assis, classificou o Mensalão como a “maior agressão” que a democracia poderia sofrer.

O quê? Como classificar, então, o golpe militar que derrubou em 1964 um governo eleito pelas urnas? Sabemos todos que muitas bobagens antidemocráticas são ditas em nome da democracia, mas Gurgel extrapolou.

Mas ainda uma vez. A opinião pública brasileira parece surda a toda a exaltação retórica de Gurgel, tão repercutida pela grande mídia.

De novo: algumas coisas pegam, outras não.

O Mensalão não pegou.

Certa ou errada, a voz rouca parece ter chegado à conclusão de que é a versão 2012 do ‘Mar de Lama’ dos anos 1950 — uma cruzada pseudomoralista cujo real objetivo era, ele próprio, um mar de lama.

Extraído do sítio Diário do Centro do Mundo

23 outubro 2012

O PODER DA MÍDIA, CONTRADIÇÕES E (IN)CERTEZAS - Venício A. de Lima


Apesar da certeza arrogante com que alguns “pesquisadores” nos oferecem interpretações sobre a influência da grande mídia – ou da inexistência dela – tanto no funcionamento das instituições republicanas como no comportamento coletivo – ou no comportamento do que se chama de “opinião pública” –, os dias que correm oferecem razões de sobra para muita reflexão e humildade.

Alguns exemplos reveladores:

1. É difícil acreditar que a posição unânime da grande mídia favorável à condenação de todos os réus, portodos os crimes a eles imputados pelo Ministério Público na Ação Penal nº 470, ao longo dos últimos sete anos, não tenha exercido influência importante no resultado do julgamento no STF.

Dito de outra forma: tivesse a grande mídia, desde a primeira denúncia, em 2005, pautado sua cobertura pelo princípio constitucional da “presunção de inocência” em relação a todos os réus e a todas as acusações, o resultado do julgamento teria sido o mesmo?

Supondo que a resposta correta a essa pergunta seja “dificilmente”, estaremos admitindo a influência direta da grande mídia sobre o Judiciário, vale dizer, um dos três poderes da República.

Nova visibilidade

2. A se confirmarem os resultados ainda pendentes no segundo turno das eleições municipais, será possível afirmar que o julgamento da Ação Penal nº 470 não produziu o resultado esperado (desejado) pela grande mídia e pelos partidos de oposição [ao governo Dilma e ao governo anterior do presidente Lula]. Isto é, apesar de anos seguidos de “julgamento e condenação pública” de quadros dirigentes do PT e de alguns de seus partidos aliados, candidatos desses partidos venceram disputas em cidades-chave e tiveram expressivo número de votos em todo o país.

Seria correto, portanto, afirmar que a grande mídia não exerce mais a influência decisiva que já exerceu em campanhas eleitorais como, por exemplo, nas eleições presidenciais de 1989 (Collor x Lula).

3. O Ibope divulgou recentemente o resultado comparativo das preocupações predominantes entre os brasileiros no ano de 1989 e em 2010 (ver aqui).

O quadro abaixo é autoexplicativo, todavia vale destacar o comentário que está no release de divulgação dos resultados em relação ao “tipo de preocupação” corrupção. Afirma o Ibope:

“Apesar das constantes notícias sobre o assunto, o combate à corrupção também preocupa menos o brasileiro: de 20% passou a ser citada por 15% dos entrevistados.”

Qual a relação da queda da preocupação do brasileiro com a corrupção e as “constantes notícias” – uma verdadeira campanha de moralidade seletiva e criminalização da política – veiculadas na grande mídia desde 2005?


4. O final da novela Avenida Brasil da Rede Globo prendeu a atenção de boa parte do país na sexta feira (19/10). As Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) já haviam constatado queda do consumo de energia durante o horário em que a novela esteve no ar: 5% entre 21h e 22h. Por causa da novela, o comício do candidato a prefeito de São Paulo Fernando Haddad, com a participação da presidenta Dilma, marcado para o mesmo dia do capítulo final, foi adiado.

Considerando que a novidade foi a visibilidade que deu à chamada “nova classe C”, vale perguntar: quais modelos de comportamento (político, ético, de consumo etc., etc.) foram “oferecidos” diariamente à imensa audiência mobilizada por essa novela?

Outros tempos

Aparentemente contraditórios, esses fatos deveriam obrigar “pesquisadores” a pensar duas vezes antes de fazer avaliações definitivas: se há grande influência sobre o Judiciário, ela parece ser bem menor em relação aos resultados eleitorais (salvo o aumento nos índices de abstenção?) ou às preocupações dominantes entre os brasileiros. Por outro lado, o que dizer sobre uma novela que mobiliza milhões de pessoas a ponto de interferir diretamente na organização do tempo cotidiano? E, mais importante, o que tudo isso tem a ver com o processo democrático?

Hoje, como sempre, não existe explicação simples para a enorme complexidade das relações entre a mídia, as instituições republicanas e, sobretudo, a cidadania.

Um fato, todavia, parece certo: de maneira geral, a grande mídia não exerce mais o imenso poder que já teve sobre a maioria da população brasileira. Ainda bem.

Venício A. de Lima é jornalista e sociólogo, pesquisador visitante no Departamento de Ciência Política da UFMG (2012/2013), professor de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor de Política de Comunicações: um Balanço dos Governos Lula (2003-2010), Editora Publisher Brasil, 2012, entre outros.

Extraído do sítio Observatório da Imprensa

18 outubro 2012

O MENSALÃO NÃO DÁ IBOPE - Urariano Motta


Recife (PE) - O ex-presidente Lula, que é sábio em política, já havia advertido: “O povo não está preocupado com mensalão, com julgamento lá em Brasília. O povo está preocupado é se o Palmeiras vai cair para a segunda divisão”. Mas não quiseram ouvi-lo. Melhor, os fazedores de opinião – aqueles submergidos na realidade dos jornais e tevês – acharam que tudo não passava de desconversa de Lula, pois desta vez, ó, os petistas e esquerda iam para o buraco, conforme publicavam. Lido engano. É preciso, por um lado, ter paciência com a miopia dos brilhantes da mídia, e por outro, sorrir feliz que tanto errem e insistam no erro, para melhor benefício da gente brasileira. 

No que se refere ao julgamento de petistas no STF e seu reflexo nas eleições, de novo, o velho jornal confunde opinião pública com opinião publicada. Se os editores olhassem mais críticos para suas “cartas à redação”, veriam a partir delas que as letras saídas nos jornais não são bem a voz da sociedade, porque mais de uma vez as cartas se inventam. As opiniões ali são falsas ou por claro exercício da mentira, ou por seleção rigorosa do que interessa publicar, que é outra forma de invento. Disso os editores até sabem. Digamos, numa concessão à sua inocência, que eles parecem não ver é outra coisa. A saber: a força antiga da imprensa em moldar consciências não se faz mais como antigamente. Como naquele tempo em que a Globo e Folha de São Paulo mudaram o voto popular, ao divulgarem na véspera das urnas montagem do debate Lula e Collor, e dinheiro roubado em fotos de Ali Babá.

Há limites que antes não havia. Eles vão da realidade livre da internet, que não obedece às leis do mercado como ocorre na massiva imprensa, mas influencia ainda assim, à realidade mais concreta, de identificação do povo com os políticos que lhe possibilitaram um mínimo de conforto e oportunidades na vida. Sim, o reconhecimento popular àqueles políticos, “bandidos”, estampados nas imagens das primeiras páginas e na tela da televisão. Mas fazer uma análise mais funda desse fenômeno, compor uma explicação científica que decomponha o real das ruas, vai além deste espaço e do talento do colunista. Então falo do que vi esta semana. 

Nestes dias pude sentir o engano do massacre midiático sobre o julgamento da “quadrilha de petistas”. Na sala de um hospital, enquanto aguardava a hora do atendimento que demorava a chegar, pedi à recepcionista que mudasse o canal da tevê onde passava a telenovela. Então ela sintonizou a Globo News, que exibia momentos do confronto entre os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski no Supremo Tribunal. Para quê? Algumas senhoras se retiraram da sala, e só um ancião de classe média resmungava contra Lewandowski e aprovava o senso esperto, jornalístico de Joaquim Barbosa. O velho falava e a sua senhora tentava reprimi-lo, em atenção à minha cara de espanto. Mas eis que de repente, no instante em que o apresentador começou as suas doutas explicações sobre os mensaleiros, me ausentei para um telefonema. E para quê? Quando voltei, estava de volta a telenovela. Então foi minha vez de resmungar:

- É tudo falso, dos diálogos da novela às caras e bocas do julgamento. É tudo fake. 

Então foi a minha vez de não interromper a atenção do distinto público, para melhor me guardar para esta tribuna livre, onde comparecemos por dever de consciência. Em resumo, amigos: apesar da parcialidade do STF e de todo o massacre dos jornais, dos líderes de opinião e da tevê, o julgamento político contra o governo Lula teve e tem sobre as eleições efeito zero. “Ô povinho atrasado”, dizem os luminares da classe média. “Ô conversa mole”, responde a gentinha de norte a sul do Brasil.

E aqui ligamos por fim as duas pontas, do sábio comentário de Lula às pesquisas que apontam a vitória para os candidatos da base de apoio da presidenta Dilma. O Palmeiras vai mal, mas o povo vai bem, excelências.

Extraído do sítio Direto da Redação

16 outubro 2012

UMA VITÓRIA QUE INCOMODA MUITA GENTE - Mário Augusto Jakobskind


É incrível, o resultado da eleição presidencial venezuelana continua levando os colunistas de sempre a destilar ódio contra o Presidente Hugo Chávez. Geralmente estes senhores apresentam argumentos mentirosos ou de meias verdades e se recusam a apresentar fatos que ajudem a opinião pública a formar um juízo sobre as transformações em curso na Venezuela. 

Um destes analistas, prestigiado pelo Instituto Millenium, de nome Demétrio Magnoli, afirmou equivocadamente que os chavistas controlam os meios de comunicação. Tal argumento não se sustenta, até porque, dos 111 canais de televisão existentes na Venezuela, 13 são públicos com uma audiência de apenas 5,4%. É o que informam Jean-Luc Mélenchon, ex-candidato presidencial da esquerda francesa e Ignácio Ramonet, um dos editores do Le Monde Diplomatique. .

Em termos de mídia impressa, o panorama é ainda mais avassalador. Oitenta por cento dos jornais têm o controle da oposição, radicalmente opositora do governo bolivariano, como El Universal e outros. 

Os jornais e os telejornalões brasileiros não informam isso e se limitam a repetir que o Presidente Hugo Chávez controla os meios de comunicação. Utilizam os associados da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que acabaram de se reunir em São Paulo, a técnica de Goebels, o responsável pela propaganda nazista na II Guerra Mundial de que mentiras repetidas acabam se transformando em verdades.

Em O Globo, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, bem como nas revistas Veja e Época, entre outras publicações, só existe a verdade do pensamento único. 

É realmente de fazer espécie a parcialidade da mídia de mercado brasileira e latino-americana em relação aos acontecimentos na Venezuela. Os veículos não conseguiram absorver o resultado das urnas, quando até o candidato oposicionista derrotado, Henrique Capriles Radonski aceitou e disse que continuará fazendo oposição. Já anunciou que se candidatará ao governo de Miranda, Estado em que se projetou.

A mídia de mercado na Venezuela cansou de apresentar pesquisas, repetidas em todo o continente, anunciando a vitória de Capriles. É visível que a vitória de Chávez por mais de um milhão e 300 mil votos de diferença deixou os veículos sem saber o que fazer.

Não tiveram outra alternativa a não ser ter de informar o resultado. Mas se os leitores pensam que os articulistas e o noticiário de um modo geral mudaram de tom, enganam-se. Nem bem saíram os resultados já começaram a aventar a possibilidade de Chávez não completar o mandato devido à doença que o acometeu.

Os colunistas de sempre não escondem o desejo de ver Chávez morto o mais rápido possível e ainda se valem da Constituição para afirmar que, se em dois anos ele não poder mais governar, serão convocadas novas eleições.

Para se ter uma ideia do fanatismo antibolivariano da mídia de mercado venezuelana, vale a pena mencionar um programa de televisão em que participou o jornalista argentino Jorge Lanata. Este “visionário” previu uma vitória de Capriles com uma diferença de 500 mil votos. Quando começaram a aparecer os resultados, o mesmo Lanata falou em “empate”.

Algumas horas depois do ridículo que fez, o mesmo jornalista “informou” que foi “sequestrado” no aeroporto de Caracas e teve “roubada as imagens do registro do enriquecimento de Hugo Chávez”.

Mas o auge do ridículo ficou por conta do site estadunidense de notícias Huffington Post, que colocou um vídeo na internet de uma criança de seis anos chorando ao ser informada da derrota de Capriles. A direita está divulgando o choro como se fosse um grande acontecimento político.

É este o tipo de jornalismo que tenta incutir na opinião pública que a Venezuela vive uma “ditadura” etc e tal. Os papagaios de pirata por aqui, inconformados com o resultado das eleições, vão repetindo as baboseiras que não se sustentam.

Capriles teve total liberdade de apresentar suas propostas. Andou dizendo até que pretendia continuar as ações sociais executadas pela revolução bolivariana capitaneada por Chávez, chegando até a procurar envolver Lula, que não caiu em seu conto, quando na verdade tentava esconder o seu verdadeiro projeto de fazer o jogo das elites que perderam as rédeas do país desde a ascensão do atual presidente.

Por estas e muitas outras vale acompanhar o noticiário e se prevenir em relação ao que será apresentado de agora em diante sobre o “inferno” venezuelano. Dificilmente os leitores, telespectadores e ouvintes serão informados sobre um fato reconhecido por organismos internacionais, o de que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que mede a qualidade de vida da população, da Venezuela é o melhor da América Latina e se desenvolveu com a política de distribuição de renda colocada em prática desde a ascensão de Chávez em 1998. 

Claro que a Venezuela enfrenta desafios, um deles o da industrialização, que é uma das metas atuais da revolução bolivariana. Quando os opositores de Chávez controlavam a Venezuela através do revezamento entre dois partidos, o da social democracia (AD) e o social-cristão (Copei), a burguesia que faz compras e passa os fins de semana em Miami perdeu a hegemonia política. Nunca se conformou e já tentou tirar Chávez por um golpe de estado em abril de 2002 e outras tentativas de desestabilização. Como não conseguiu o intento decidiu mudar de estratégia apostando em Henrique Capriles Radonski.

Extraído do sítio Direto da Redação

21 setembro 2012

BRESSER PEREIRA: 'CONDENAR SEM PROVAS É VIOLÊNCIA CONTRA A DEMOCRACIA'

Ex-ministro de FHC diz no Twitter que julgamento no STF não pode ser pretexto para 'condenar um partido de esquerda e seus líderes'.


São Paulo - O economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, ministro nos dois mandatos do governo FHC (1995-2002), afirmou hoje (21) em sua conta no Twitter que condenar réus com base em indícios ao invés de provas “é uma violência contra os direitos civis e a democracia”.

Ele se referia ao julgamento do chamado “mensalão” no STF e aos argumentos usados até agora pelo relator Joaquim Barbosa para pedir a condenação dos acusados. Na avaliação de Barbosa, indícios são suficientes par determinar a culpa dos réus.

“O risco que o Supremo corre no julgamento do Mensalão é o de se deixar influenciar por uma opinião pública tomada pela emoção. É preciso jamais não esquecer que a aplicação da justiça em termos emocionais é linchamento”, disse ele numa série de posts.

Depois, concluiu: O objetivo do julgamento do Mensalão é nobre, mas não pode ser o pretexto para condenar um partido político de esquerda e seus líderes. O Mensalão foi um grande erro, foi uma violência à democracia, mas erros não justificam outros erros contra essa mesma democracia”.

Extraído do sítio Rede Brasil Atual

15 setembro 2012

MENSALÃO DO PSDB JULGARÁ O STF - Eduardo Guimarães


A mesma mídia que anunciava até há pouco que o STF seria “julgado pela opinião pública” de acordo com o que deliberasse sobre o “mensalão do PT”, agora que a maioria daquela Corte está decidindo como jornais, revistas e televisões querem estes parecem cada vez menos interessados em julgar os julgadores, com as exceções que todos conhecem.

O mesmo Supremo que está produzindo manchetes triunfantes sobre a condenação de “mensaleiros” é a Corte em que processos contra políticos sempre terminaram em absolvição. O rigor que se vê agora, portanto, é novidade que desperta uma questão crucial: será usado como regra, a partir de agora?

Muita coisa vai chegar ao Supremo no futuro próximo. Muita coisa sobre a qual a mídia não fala porque envolve uma oposição à qual se aliou. Nesse aspecto, sobressai o mensalão tucano. Este, por sua vez, envolve uma figura análoga ao alvo principal do mensalão petista. Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB, é o José Dirceu tucano.

Sob esse prisma, vale prestar atenção ao juiz do STF que se tornou a estrela do julgamento do mensalão. O ministro Joaquim Barbosa, com seu furor condenatório, hoje é conveniente para um lado e inconveniente para o outro. Todavia, essa situação promete se inverter (ou voltar ao que era) no futuro próximo, quando ele vier a deliberar sobre o mensalão tucano.

Recentemente, Barbosa andou ironizando a sofreguidão da grande mídia em extrair suas declarações prejudiciais ao PT no âmbito do julgamento que ora pesa contra o partido e apontou o contraste com a afasia midiática em relação ao que possa ter a dizer sobre o mensalão do PSDB, chegando a cobrar de repórteres perguntas sobre este caso.

O STF, no entanto, está inaugurando uma nova jurisprudência que exige menos, muito menos para condenar. Passa a valer a subjetividade. Sob esse prisma, o Direito brasileiro passará a lidar com a necessidade de réus provarem que são inocentes em lugar de terem o direito a que se lhes provem as culpas.

Há uma excelente dose de dúvida, porém, sobre se um rigor que flerta com a violação do Estado de Direito funcionaria – ou funcionará – sem pressão da mídia. Vai se disseminando a sensação de que o usado contra o PT passará à história como momento único da Suprema Corte de Justiça, talhado especialmente para esse partido e só para ele.

Todavia, engana-se quem acha que Joaquim Barbosa faz o que faz por medo da mídia. Há, sim, juízes que se mostram intimidados, mas não é o caso dele. O que busca é popularidade. Já surgem, inclusive, especulações sobre uma sua possível carreira política.

Parece pouco provável, porém, que assim seja. Barbosa deve estar almejando, “apenas”, popularidade fácil. Para tanto, o papel de justiceiro – e a popularidade que tal papel encerra no imaginário popular – pode ser suficiente. Se assim for, ele pode frustrar os que esperam que o rigor neófito do STF seja fugaz.

Seja como for, a provável condenação “por baciada” dos acusados na Ação Penal 470 não redundará em julgamento do STF e, sim, em sua libertação provisória da pecha de rota de fuga de corruptos.

A libertação do STF dessa pecha, porém, é provisória porque a Corte terá que se libertar, ainda, da suspeita de que seu rigor recém-inaugurado não passa de casuísmo, que, caso se confirme, irá desencadear um levante dos setores responsáveis da sociedade ante uma possibilidade inaceitável para a democracia.

O cenário posterior ao julgamento do mensalão do PT, assim, vai se tornando inquietante.

Se a valoração da subjetividade nas acusações se tornar regra, uma fila imensa de políticos que hoje comemora o justiçamento de petistas pode ir se preparando para ver suas legendas em situação análoga, o que, mesmo com a provável afasia que condenações de tucanos podem despertar na mídia, obrigará esta a se manifestar.

O pior cenário, porém, é o de casuísmo do STF. Se ficar provado que aquela Corte aceitou condenar os réus do mensalão petista por razões políticas e que não usará os mesmos critérios para políticos de outras colorações partidárias, o Brasil terá mergulhado em uma situação análoga à de uma ditadura.

Assim sendo, haverá que torcer para que a presidente Dilma não caia no engano do ministro Joaquim Barbosa, que pensa que está se libertando da máquina de difamação midiática que se ergueu contra os ministros Ricardo Lewandowski e José Antônio Dias Tóffoli – recentemente, foi mostrado aqui como Barbosa foi tratado quando incomodou tucanos.

A mídia o chamou de “medíocre” para baixo quando se desentendeu com Gilmar Mendes e quando aceitou a denúncia do Ministério Público contra o ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo. Voltará a fazê-lo se, como deu a entender ao cobrar de repórteres perguntas sobre o mensalão tucano, for duro com a oposição.

O PT, Dilma e Lula estão bem quietos assistindo ao furor condenatório do STF contra seus correligionários. Se tiverem um pingo de senso histórico e de responsabilidade para com a democracia, porém, sairão do silêncio quando seus adversários forem julgados. Aí terão um prato cheio. Resta saber se terão apetite.

Extraído do Blog da Cidadania

26 agosto 2012

A PRAGA DO "PENSAMENTO ÚNICO" - Claudio Bernabucci



John K. Galbraith, um dos mais importantes economistas do século XX, pronunciou-se algumas vezes sobre a “imbecilidade dos capitalistas”. A observação factual da crise sistêmica que o mundo está vivendo, sem perspectiva de solução equilibrada dentro das regras existentes, levaria a pensar que a afirmação do economista canadense tivesse fundamento.

No entanto, do ponto de vista das ideias, devemos reconhecer que, nas últimas décadas, o capitalismo neoliberal teve a capacidade de exercer uma hegemonia ímpar sobre todas as atividades humanas. Sofisticados instrumentos teóricos e culturais permitiram a esta nova ideologia eliminar qualquer resistência e crítica significativas, a ponto de se configurar como um “pensamento único”. Só recentemente, diante dos graves escândalos no coração do sistema, este primado começou a ser posto em discussão de forma incisiva.

Já mencionamos a batalha de ideias em curso e a relação de forças existentes. Vale a pena reiterar que estamos assistindo a uma autêntica guerra global dentro do sistema capitalista, da qual o neoliberalismo sairá derrotado ou vencedor. No último caso, podemos estar certos: o que resta da democracia no planeta estaria seriamente comprometido. Neste quadro, a circulação das ideias em escala planetária é fundamental para a definição do resultado. Somente por meio da difusão de pensamentos plurais e antitéticos ao dominante, poderão ser conquistadas as mentes e os corações habilitados a criar uma nova civilização para superar as injustiças de um mundo onde minorias não eleitas decidem o destino de bilhões de seres humanos.

A ferramenta principal é a mídia. A livre difusão da internet – com a grave exceção da China –, apesar de limitada, permite uma informação de baixo para cima que tem aberto brechas importantes no monólito do pensamento único. Os jornais independentes sempre foram minoria e, na chamada grande imprensa, as vozes autônomas são escassas, relegadas aos espaços de debates: espécie de reserva indígena-intelectual, que visa demonstrar o pluralismo de um jornal, enquanto a informação transmitida em todas as outras páginas defende pura e simplesmente a ordem existente. Mundo afora, o cidadão é informado sobre a crise econômico-financeira de forma predominantemente mecanicista, tecnicista e distorcida. As causas principais das convulsões em curso são eludidas: in primis a desregulamentação insensata do sistema financeiro, origem de fraudes e falências.

As análises de economistas e jornalistas alinhados ao neoliberalismo, e que ainda são maioria, chegam de hábito a um beco sem saída, a um porto das névoas, quando tocam o tema “mercados”. Neste ponto, as dúvidas desaparecem, as perguntas se extinguem – Ipse dixit! – em obséquio aos inomináveis e onipotentes titereiros donos dos “mercados”.

Sendo assim, os cortes sociais realizados pelos governos europeus, alvos de ataques especulativos, são descritos mecanicamente como respostas obrigatórias, para satisfazer às exigências ou aos humores dos “mercados”. Obviamente, isso é feito sem informar quais grupos de interesses e forças concretas estão por trás dos tais “mercados”. As imponentes transferências de riquezas provocadas pela gangorra dos spreads ou negociatas das bolsas de valores, a existência de imensas fortunas escondidas nos “paraísos fiscais”, são fatos descritos de forma fria e tecnicista, incompreensível para o cidadão comum, oferecendo uma representação da realidade absolutamente surrealista, sem análise alguma sobre as causas e consequências.

A situação da mídia brasileira cabe perfeitamente neste quadro, com algum agravante. O “pensamento único” da chamada grande imprensa é bem mais extenso aqui do que em outros países de democracia madura. A esse aspecto acrescenta-se um partidarismo acentuado, unilateralmente antigovernamental, que contrasta com uma concepção da informação como serviço pluralista à cidadania. O governo brasileiro não pode ser isento de críticas, mas o mérito de ser um dos poucos no mundo que na última década conseguiram crescimento econômico e diminuição das desigualdades, deveria ser reconhecido em homenagem aos fatos.

Em suma, a opinião pública mundial padece de uma informação parcial ou distorcida, que esconde a realidade de um planeta onde a desigualdade sem freios e a avidez do lucro estão comprometendo as possibilidades de construir um futuro comum. Esta “cegueira” é na maioria das vezes fruto de partidarismo ideológico, que esconde interesses oligárquicos supranacionais; outras vezes é consequência da incapacidade de sair do esquema prefixado de pensar e agir. Para reverter esse quadro perigoso, é preciso que se difunda o pensamento crítico, hoje minoritário. O papel da mídia independente é de informar sobre os fatos e ideias que os outros não querem ou não podem contar.

Extraído do sítio Revista CartaCapital

18 agosto 2012

NOBLAT, NÃO RASGUE A CONSTITUIÇÃO - Marcus Vinicius


Se fosse advogado Ricardo Noblat não passaria no exame da Ordem. E como jornalista deveria se aprofundar nos temas que discute. O articulista resolveu se meter a censor do Supremo Tribunal Federal (STF) dizendo quem pode e quem não pode julgar a Ação 470. Mais: atenta contra a Constituição Federal.

Não vou entrar na polêmica se realmente Noblat ouviu o ministro José Antônio Dias Toffoli fazendo comentários desairosos sobre sua pessoa. Me atenho ao seu comentário em video (link: http://youtu.be/cvyLfkZs-jo ), onde elenca motivos para que Dias Tóffoli não julgue:

1 – Lula o nomeou ao STF depois de sua passagem pela Advogacia Geral da União;

2 – Foi assessor do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu;

3 – Sua atual esposa foi advogada de três acusados.

Os ministros Carlos Ayres Brito, Cesar Peuluzzo, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandoviski, Carmen Lúcia também foram nomeados pelo ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Estariam eles também sob suspeição?

Quando foi da Advocacia Geral da União e quando esteve à serviço do ministro José Dirceu o ministro Dias Tóffoli praticou algum ato que desabonasse sua conduta?

Para ser ministro do STF é preciso autorização prévia de órgãos de imprensa, CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para contrair matrimônio?

No seu comentário Ricardo Noblat declara:

“Se ele (Tóffoli) votar pela inocência de pessoas com as quais viveu e algumas com as quais trabalhou, sempre vai se dizer que prestou um serviço a quem o nomeou”.

Sob esta ótica o voto de cinco colegas de Dias Tóffoli estaria “contaminado”, pois foram todos nomeados pelo governo que Dias Tóffoli participou.

A pergunta mais importante, que em nenhum momento é feita pelo jornalista é: E se todos forem inocentes? Neste caso, mesmo comprovada a inocência o ministro Dias Toffoli deveria votar pela condenação apenas para “não ficar mal com a mídia”?

Diz o texto da Constituição Brasileira de 1988 em seu artigo 5.°, inciso LVII: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Desta forma, o acusado de ato ilícito tem o direito de ser tratado com dignidade enquanto não se solidificam as acusações, já que pode-se chegar a uma conclusão de que o mesmo é inocente.

Ao colocar em xeque a honra do ministro Dias Tóffoli, e, sobretudo, macular o princípio sagrado da presunção de inocência, o jornalista pre-julga os réus, o STF e agride nossa Carta Magna.

A Suprema Corte Brasileira pautou-se sempre como guardiã do Direito e da Justiça. Sem provas, In dubio pro reo, pois um juiz de instância maxima não julga ao sabor dos humores da opinião pública, tampouco da opinião publicada. Fosse assim não teríamos um ordenamento jurídico, perdendo efeito toda jurisprudência que baliza as decisões de nossos magistrados.

Noblat talvez devesse refletir sobre o exemplo da Suprema Corte dos Estados Unidos. Lá é notória a divisão entre juízes conservadores (nomeados pelos Republicanos) e liberais (nomeados pelos democratas). O equilíbrio politico entre uma posição e outra se dá justamente onde interessa ao cidadão: na jurisprudência. É o que registra matéria de João Ozório de Melo, no site Conjur (Consultor Jurídico):

“A Suprema Corte dos EUA tem nove ministros — cinco conservadores e quatro liberais. Na ala conservadora estão o presidente da Corte, John Roberts (indicado por George Bush) e os ministros Antonin Scalia (indicado por Ronald Reagan), Anthony Kennedy (Ronald Reagan), Clarence Thomas (George Bush) e Samuel Alito (George Bush). Na ala liberal, estão o ministro Stephen Breyer (indicado por Bill Clinton) e as ministras Ruth Bader Ginsburg (Bill Clinton), Sonia Sotomayor (Barack Obama) e Elena Kagan (Barack Obama).

Nos últimos tempos, o ministro conservador Anthony Kennedy assumiu a posição de fiel da balança da Suprema Corte, se alinhando com os conservadores ou com os liberais de acordo com suas convicções jurídicas, em cada um dos casos.

Os brasileiros e brasileiras esperam que o STF faça justiça, seja o guardião da Constituição Federal e consagre o respeito ao devido processo legal. Ninguém pode ser condenado sem provas. Nenhum ministro pode ser posto sob suspeição antes de manifestar juridicamente seu voto.

As tentativas de cerceamento da defesa dos réus, a espetacularização do julgamento, a intimidação de ministros nos fazem lembrar os momentos mais tristes da imprensa brasileira, quando nos idos de 1964, veículos como O Globo, no qual o articulista escreve, rasgou a Constituição de 1946 para apoiar abertamente o golpe contra um presidente legitimamente eleito pelo voto popular.

O retorno à democracia, ao Estado de Direito e às liberdades individuais custou o sangue de centenas de brasileiros. Não é digno da memória dos que tombaram campanhas histriônicas para que o STF, justo a nossa Suprema Corte, patrocine um atentado à Constituição Cidadã.

*  Marcus Vinícius é jornalista e edita o www.marcusvinicius.blog.br.

Extraído do blog de Marcus Vinicius

16 agosto 2012

MARCOS COIMBRA ACUSA DATAFOLHA DE MANIPULAR PESQUISA

Foto: Nelio Rodrigues/Divulgação
Em artigo publicado no jornal Correio Braziliense nesta quarta-feira, o presidente do Instituto Vox Populi, o sociólogo Marcos Coimbra, aponta manipulação do Datafolha no levantamento sobre o que a população pensa a respeito do julgamento da Ação Penal 470 no Supremo Tribunal Federal, conhecida como "mensalão". Intitulado "Resultados de Encomenda", o texto de Coimbra diz que, na pesquisa, foram feitas "perguntas indutivas".

O sociólogo defende que, com o levantamento, foram produzidos resultados de encomenda. Divulgada na edição da Folha de S.Paulo do último domingo, a pesquisa diz que 73% da população defendem cadeia para os reús do processo. "A pesquisa abusou de perguntas indutivas, que tendiam a conduzir os entrevistados a determinadas respostas. Como diz a literatura em língua inglesa, fornecendo-lhes 'pistas' sobre as respostas 'corretas'."

Extraído do sítio Brasil 247

14 agosto 2012

MENSALÃO FOI CONLUIO DA IMPRENSA CONTRA LULA - Elton Bezerra

Foto: Eduardo Enomoto/Divulgação

Estrela do direito administrativo, o jurista Celso Bandeira de Mello falou sobre o processo do mensalão. Leia trechos de sua entrevista ao repórter Elton Bezerra, da revista Consultor Jurídico, na qual ele também falou sobre meios de comunicação e os governos Lula e FHC:

ConJur — Como que o senhor vê o processo do mensalão?

Celso Antônio Bandeira de Melo − Para ser bem sincero, eu nem sei se o mensalão existe. Porque houve evidentemente um conluio da imprensa para tentar derrubar o presidente Lula na época. Portanto, é possível que o mensalão seja em parte uma criação da imprensa. Eu não estou dizendo que é, mas não posso excluir que não seja.

ConJur − Como o senhor espera que o Supremo vá se portar?

Bandeira de Melo − Eu não tenho muita esperança de que seja uma decisão estritamente técnica. Mas posso me enganar, às vezes a gente acha que o Supremo vai decidir tecnicamente e ele vai e decide tecnicamente.

ConJur − O ministro Eros Grau disse uma vez que o Supremo decidia muitos casos com base no princípio da razoabilidade e não com base na Constituição. O que o senhor acha disso?

Bandeira de Melo − Pode até ser, mas eu acho que muitas vezes quem decide é a opinião pública.

ConJur – E o que o senhor acha disso?

Bandeira de Melo – Péssimo. A opinião pública é a opinião da imprensa, não existe opinião pública. Acho muito ruim decidir de acordo com a imprensa.

ConJur – E como o senhor avalia a imprensa?

Bandeira de Melo − A grande imprensa é o porta-voz do pensamento das classes conservadoras. E o domesticador do pensamento das classes dominadas. As pessoas costumam encarar os meios de comunicação como entidades e empresas cujo objetivo é informar as pessoas. Mas esquecem que são empresas, que elas estão aí para ganhar dinheiro. Graças a Deus vivemos numa época em que a internet nos proporciona a possibilidade de abeberarmos nos meios mais variados. Eu mesmo tenho uma relação com uns quarenta sites onde posso encontrar uma abordagem dos acontecimentos do mundo ou uma avaliação deles por olhos muito diversos; que vai da extrema esquerda até a extrema direita. Não preciso ficar escravizado pelo que diz a chamada grande imprensa. Você pega a Folha de S.Paulo e é inacreditável. É muito irresponsável. Eles dizem o que querem, é por isso que eu ponho muita responsabilidade no judiciário.

ConJur – O que o Judiciário deveria fazer?

Bandeira de Melo − Quando as pessoas movem ações contra eles, contra os absurdos que eles fazem, as indenizações são ridículas. Não adianta você condenar uma Folha, por exemplo, ou uma Veja a pagar R$ 30 mil, R$ 50 mil, R$ 100 mil. Isso não é dinheiro. Tem que condenar em R$ 2 milhões, R$ 3 milhões. Aí, sim, eles iriam aprender. Do contrário eles fazem o que querem. Lembra que acabaram com a vida de várias pessoas com o caso Escola Base? Que nível de responsabilidade é esse que você acaba com a dignidade das pessoas, com a vida das pessoas, com a saúde das pessoas e fica por isso mesmo? Essa é nossa imprensa.

ConJur − O senhor é a favor da diminuição da maioridade penal?

Celso Antônio Bandeira de Melo − Não consigo ser porque a vida inteira eu fui contra, mas hoje eu balanço. Eu era firme como uma rocha, achava um absurdo, achava que era necessário dar boas condições de vida para as crianças. Claro que devemos fazer isso, mas enquanto existir televisão e não for permitida a censura, nós vamos ter a continuidade dessa violência e as crianças vão assistir violência.

ConJur − O senhor é a favor da censura na TV?

Bandeira de Melo − Sou absolutamente a favor. Sou contra a censura ideológica. Essa eu sou visceralmente contra. Mas a censura de costumes eu sou a favor.

ConJur − Como seria essa censura de costumes?

Bandeira de Melo − Todo mundo é [a favor], só que não tem coragem de dizer. Você é a favor de passar filmes pedófilos na televisão? Eu não sou. Mas se passasse você se sentiria como? Você é a favor de censurar. As pessoas não têm coragem de dizer, porque depois do golpe virou palavrão ser a favor da censura. Você é a favor que passe um filme que pregue o racismo, não importa que tipo de racismo, nem contra que povo? Todo mundo é a favor da censura, mas as pessoas não têm coragem de dizer por que não é politicamente correto.

ConJur − E a quem caberia exercer essa censura?

Bandeira de Melo − Não precisa ser de funcionário público. Um corpo da sociedade escolhido por organismos razoavelmente confiáveis, como a OAB e certas entidades de benemerência.

ConJur – Mas a censura não é vedada pelas leis do país?

Bandeira de Melo − Você diria que é proibido. Eu diria que não é tão proibido assim. Pegue a Constituição e veja o que ela diz a respeito da defesa da criança, inclusive na televisão. Portanto, seria perfeitamente possível, mas a palavra ficou amaldiçoada.

ConJur – Por que deveria haver censura?

Bandeira de Melo − A imprensa escolhe o que noticia e usa uma merda de argumento que diz o seguinte: “Nós não somos responsáveis por essas coisas, isso existe, são os outros que fazem isso. Só estamos contando, nada mais.” Se fosse por isso, a humanidade não teria dado um passo, porque a humanidade adorava ver os cristãos sendo devorados pelos animais ou os gladiadores se matando. A humanidade adorava ver as supostas feiticeiras sendo queimadas. A humanidade sempre gostou de coisas de baixo nível e vis. Dizer que tem gente que gosta de assistir esses programas ordinários não é argumento válido. Você diz esse mesmo argumento para passar e acabou. A imprensa poderia dar notícias de coisas maravilhosas. Existe muita gente boa, que fazem coisas excelentes. Não. Ela noticia só o que há de pior, e você fica intoxicado por aquilo no último grau.

ConJur − O senhor acha que a imprensa deveria ser obrigada a noticiar outras coisas?

Bandeira de Melo − Acho que não dá para tolher a liberdade das pessoas nesse nível. Deveria haver uma regulamentação da imprensa importante.

ConJur − Em todos os meios: impresso, eletrônico?

Bandeira de Melo − Todos. De maneira que os que trabalham, os empregados, deveriam ter uma participação obrigatória e importante. O dono do jornal, da televisão tem direito ao dinheiro daquele lugar, mas não às opiniões. Porque do contrário não há mais a liberdade de pensamento. Há liberdade de meia dúzia de caras. O pensamento é dos que produzem o jornal, é dos jornalistas. Não é um problema de censura, é um problema de não entregar o controle a uma meia dúzia de famílias. Abrir para a sociedade, abrir para os que trabalham no jornal, ou na rádio ou na televisão, para que eles possam expressar sua opinião. E haver, sim, um controle ético de moralidade e impedir certas indignidades.

ConJur − Algum exemplo de uma indignidade cometida pela imprensa?

Bandeira de Melo − Mostrar crianças sendo torturadas ou mostrar corpos dilacerados. Isso incentiva [a violência], sim. O ser humano não é bonzinho. Você não tem que incentivar a maldade. Porque os EUA são desse jeito? Eles exportam para nós tudo o que há de pior. A boa imagem dos EUA no mundo quem dá é o cinema. Porque o cinema deles tem coisas muito humanas, muito boas também. Para cá vem o lixo, o povo gosta do lixo.

ConJur − Na época do governo FHC havia um grande número de ações por improbidade administrativa, e de certa forma, durante o governo do PT isso deu uma diminuída. O senhor acha que o Ministério Público amadureceu, houve alguma mudança?

Bandeira de Melo − No governo do Fernando Henrique houve muita corrupção, e essas ações eram uma demonstração disso. Houve corrupções confessadas, por exemplo, foi gravado o senhor Fernando Henrique dizendo que podia usar o nome dele numa licitação. O que aconteceu com ele? Nada. Ele está endeusado pela imprensa. Nada. O senhor Menem andou uma temporada na cadeia, o senhor Fujimori está [na prisão] até hoje, e com ele [FHC] nem isso aconteceu. Não estou dizendo que era para ele ir para a cadeia ou não. Mas foi um crime e não aconteceu nada. Olha os dois pesos e duas medidas. Pegaram aquele italiano [Salvatore Cacciola] e meteram na cadeia. Ele ficou algum tempo e agora está solto.

ConJur – E no governo Lula?

Bandeira de Melo − As pessoas podem dizer o que quiserem a respeito dele, mas só não se podem renegar fatos: 30 milhões de pessoas foram trazidas das classes D e E para as classes B e C. Basta isso para consagrar esse homem como o maior governante que esse país já teve na história. Mas não só isso. Foi, portanto, a primeira vez que começaram a ser reduzidas as desigualdades sociais, que a Constituição desde 1988 já mandava. E veja outro fenômeno tão típico: olha o ódio que certos segmentos da classe média têm deste governante, deste político. É profundo, visceral. É o ódio daqueles que não suportam alguém de origem mais modesta estar equiparado a ele.

ConJur − Como o senhor vê a sucessão no STF, com a proximidade da aposentadoria dos ministros Ayres Britto e Cezar Peluso?

Bandeira de Melo − Não tenho a menor expectativa a respeito de quem vem e quem não vem. Claro que eu queria um candidato, todo mundo sempre tem um. Mas o que eu penso não interessa.

ConJur − O senhor já leu as poesias do ministro Ayres Britto?

Bandeira de Melo − Claro. Gosto delas. São poesias despretensiosas como ele. O Carlos é uma pessoa maravilhosa, não é só um grande ministro, um grande juiz, um grande constitucionalista. Ele fez mestrado em Direito Constitucional com um ex-assistente meu, Celso Bastos. O Carlos eu já conhecia e fez Direito Administrativo, que era cadeira obrigatória, comigo. Nós já tínhamos um relacionamento pessoal muito bom. À noite em casa o Carlos tocava violão. Ele é um ser humano maravilhoso, e isso é a coisa mais importante que existe. Ele é uma pessoa para se tirar o chapéu. Se eu fosse espírita, diria que o Carlos não reencarna mais. Ele vai direto, de tão perfeito que é.

Extraído do sítio Brasil 247

13 agosto 2012

O RUBOR DO JABOR - Valdemar Figueiredo Filho


No dia 7 de agosto deste ano Arnaldo Jabor publicou no segundo caderno do jornal O Globo mais um dos seus artigos bombásticos, reação ao que viu e ouviu nos primeiros dias do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal. O douto paladino da Justiça sentenciou logo no primeiro parágrafo que os julgadores precisavam ouvir a opinião pública. Isto é, a Suprema Corte não pode desmoralizar-se fugindo da vontade popular. A condenação dos réus anunciaria que a República está em franca evolução democrática.

Não tive como evitar a imaginação. Veio-me à mente o Jabor em cena no turno da noite recitando o seu texto para as câmeras do Jornal da Globo. Performático. Ruborizado. Indignado. Esbraveja que a tentativa do PT se perpetuar como partido único teria o seu julgamento. A Justiça tardou, mas não poderia falhar. Sarcástico. Depois de tanto contorcer a face ruborizada deixa transparecer um risinho no canto da boca: eu não disse?

A respeito da concepção do conceito de opinião pública, Jürgen Habemas teria muito a se instruir com Jabor. Caso não aprendesse nada com o artigo “Suprema Importância”, sem escapatória, aprenderia com o seu belíssimo filme Opinião Pública. Na película de 1967, como nos seus artigos e aparições televisivas, mostra-se especialista na classe média brasileira. Jabor milita como mestre dos desinformados há muito tempo. Fez desse ofício missão e profissão. Não há quem possa chamá-lo de mal sucedido.

Na querida e frágil República Federativa do Brasil não precisamos do Supremo Tribunal Federal pesquisando e se debruçando sobre toneladas de papel. É necessário que o fórum da justiça se silencie para ouvir as tais das provas produzidas em contraditório judicial? Para Arnaldo Jabor, este negócio de julgamento a partir dos autos pode acabar em embromação. Nesta linha jornalística, a opinião pública conhece a verdade e os tribunos da grande imprensa já estabeleceram a sentença justa e merecida. A opinião pública da qual fala o articulista cabe numa sala de redação. À noite, os membros da Suprema Corte da Grande Imprensa migram para os estúdios de rádio e TV. Um pouco de pó compacto no rosto para tirar os excessos de brilho e escamotear as rugas. Prontos para colocar em cena a festiva “opinião pública”. Para Jabor e seus interlocutores das redações e estúdios, sobram argumentos que faltam às togas.

O artigo do dia 7 de agosto é emblemático. Às favas com as defesas. Sobre os magistrados do Supremo Tribunal Federal, o que importa noticiar são o anedótico e os supostos alinhamentos políticos. Jabor já fez o seu julgamento há muito tempo e não precisou de pesquisa ou orientações jurídicas. A presunção da culpa está baseada numa refinada sensibilidade artística.

Para Jabor, na sua fúria indomável, os réus do mensalão são culpados até que provem o contrário. O que vale é a voz rouca da sua estimada “opinião pública” que circula pelas ruas do Leblon e, quando muito, vai de bicicleta elétrica até Ipanema. O porta-voz da classe média espera sinceramente que a Suprema Corte se dobre aos seus Supremos Pressupostos.

Extraído do sítio Revista Forum

12 agosto 2012

DATAFOLHA SOBRE MENSALÃO É FARSA PARA INFLUENCIAR STF E ELEIÇÕES - Eduardo Guimarães


Não é preciso ser muito inteligente para perceber que é uma fraude a pesquisa Datafolha, divulgada neste domingo, que afirma que 82% dos brasileiros querem que o STF condene os réus do mensalão. Uma fraude com fins político-eleitorais.

Essa pesquisa, vale dizer, sugere um nível de consciência política da sociedade que não deve existir nem na Suíça.

A farsa estatística do instituto de pesquisas da Folha de São Paulo é um ataque político que pretende pressionar o STF a condenar indistintamente os réus do julgamento e influenciar o processo eleitoral deste ano.

A própria reportagem do jornal paulista que dá conta dessa nebulosa sondagem carrega os elementos para se concluir que está sendo distorcida sob as razões supracitadas.

A manchete principal de primeira página da Folha é a de que “Maioria quer condenação, mas não crê em prisões”. A matéria, porém, mostra que essa maioria apenas respondeu de forma genérica a uma questão sobre corrupção.

Diz a matéria que 82% ligam o mensalão a corrupção, o que até uma criança de dez anos pode concluir no âmbito de um noticiário infatigável no sentido de colocar o assunto em pauta.

A pesquisa usa o senso comum e a desinformação da sociedade sobre o caso para construir uma tese política com objetivos escancaradamente político-eleitorais. Quem responderia que não quer a condenação de corruptos?

Aliás, a própria pesquisa mostra que o brasileiro está desinformado sobre o caso. Segundo o relato do jornal, 81% dos entrevistados dizem ter tomado conhecimento do mensalão, mas só 18% se consideram bem-informados.

Ora, como é possível que quem se considera mal-informado sobre um assunto já tenha opinião formada sobre ele? Como é possível que 82% tenham dito que houve compra de votos no Congresso se só 18% se dizem bem informados sobre o caso?

Se, como diz a matéria, 46% dos entrevistados pelo Datafolha julgam que a cobertura do mensalão pela imprensa é parcial e só 39% julgam imparcial, esse dado desmonta a tese de que a maioria já se decidiu pela tese jornalística sobre o mensalão.

A pergunta do Datafolha sobre a influência do caso nas eleições mostra objetivo político-eleitoral. E a ausência de transparência na divulgação dessa pesquisa ao não reproduzir o questionário submetido aos entrevistados, sugere manipulação.

Faz-se necessário, portanto, que os partidos políticos afetados pela divulgação nebulosa dessa pesquisa representem à Procuradoria Geral Eleitoral exigindo a divulgação imediata do questionário submetido aos entrevistados e a auditória da sondagem.

Aliás, nem é preciso que partidos políticos passem recibo e invoquem a Justiça Eleitoral. Qualquer cidadão pode fazer isso.

Nas eleição de 2010, por exemplo, a ONG Movimento dos Sem Mídia conseguiu abrir investigação de pesquisas na Polícia Federal. O Datafolha, inclusive, está sendo investigado. Não custará nada, portanto, fazer nova denúncia à PGE.

*

Filho de ex-ministro do STF diz que blogueiro da Globo mente sobre Dias Tóffoli

Eduardo Pertence, filho do ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, desmente blogueiro da Globo Ricardo Noblat, que acusa ministro do mesmo STF José Antônio Dias Tóffoli de tê-lo insultado com palavrões


Extraído do Blog da Cidadania