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14 junho 2012

PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS DESDE 1972



Desde a primeira grande conferência mundial sobre meio ambiente, em 1972, os temas "verdes" entraram na agenda política e na consciência do consumidor. Mas como este quadro demonstra, poucos problemas foram resolvidos e alguns se agravam rapidamente.

PROTEÇÃO À CAMADA DE OZÔNIO: o Protocolo da ONU de 1987 tornou ilegal o uso de gases de clorofluorcarbono (CFC) que corroem a camada de ozônio, o que protege o planeta dos raios solares que podem causar câncer de pele. Foi contida uma expansão maior do buraco na camada de ozônio, mas sua recuperação total está prevista para meados deste século ou inclusive depois.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS: na Rio-92, a ONU estabeleceu a Convenção-quadro sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês). Em 1997, a UNFCCC promulgou o Protocolo de Kyoto, o único tratado que estabelece cortes específicos de emissões de gases de efeito estufa. Mas as metas de Kyoto foram atropeladas pelas emissões de grandes economias emergentes que não são obrigadas a cumprir metas. As partes da UNFCCC concordaram em lançar um novo pacto em 2015, efetivo a partir de 2020. O tempo é curto. A Terra está a caminho de um aquecimento de três graus Celsius ou mais ao final do século, aumentando gravemente os riscos de secas, inundações e tempestades.

BIODIVERSIDADE: a Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), outra herança da Eco-92, não conseguiu conter a extinção de espécies. O mundo não alcançou a Meta de Desenvolvimento do Milênio sobre a perda da biodiversidade para 2010. Os recifes de coral sofreram redução de 38% desde 1980 e e perda de habitat é superior a 20% desde aquela década, principalmente por causa da agricultura.

OCEANOS: com exceção de algumas pescas que estão sob controle dos Estados, muitas populações de peixes sofrem um esgotamento sem precedentes. Em 2007, só 7% da produção mundial de pescado tinha o certificado do Conselho de Administração Marinho (Marine Stewardship Council) de produção com respeito ao meio ambiente. Há 169 "zonas costeiras mortas" nos oceanos e 415 que sofrem eutrofização, poluição das águas provocadas por altas concentrações de nutrientes (devido ao despejo de fertilizantes ou matéria orgânica) que causam a proliferação de organismos que consomem o oxigênio dissolvido na água.

ÁGUA DOCE: nos últimos 50 anos, triplicou a extração mundial de água subterrânea em resposta ao aumento da população urbana e da demanda agrícola. Só 158 das 263 bacias de rios que cruzam fronteiras nacionais têm acordos de cooperação em matéria de gestão de recursos. Noventa e dois por cento da "pegada de carbono" mundial da água se deve à agricultura.

ENERGIA: o aumento do interesse em energias renováveis, impulsionado especialmente pelos objetivos estabelecidos na Europa, contrasta com o predomínio dos combustíveis fósseis, que representaram 80,9% das fontes de energia em 2009. Desde 1992, a produção de energia solar aumentou 30.000% e eólica (ventos) em 6.000%. Mas em conjunto com a geotérmica, representaram apenas 0,8% do total global em 2009. Com os biocombustíveis e o gás proveniente do lixo, o percentual chega a 10,2%. O investimento global em energia e combustíveis renováveis alcançou um recorde de 211 bilhões de dólares em 2010, 540% a mais do que em 2004.

DESMATAMENTO: desde 1992, as florestas primárias do mundo recuaram 300 milhões de hectares, uma área quase do tamanho da Argentina. O desmatamento é a terceira maior causa de emissões de gases de efeito estufa, causadores do aquecimento global. A boa notícia é que o reflorestamento ganhando terreno no hemisfério norte e que houve algum progresso na oferta de incentivos financeiros para proteger as florestas nativas. Desde 2006, quadruplicou uma iniciativa da ONU de replantar pelo menos um bilhão de árvores ao ano.

CONTAMINAÇÃO E DEJETOS: a produção anual de plásticos mais que duplicou nas últimas duas décadas para 265 milhões de toneladas, das quais a metade é usada para artigos descartáveis. A decomposição do plástico é muito lenta, criando uma ameaça ambiental de longo prazo. Por outro lado, o número de vazamentos de petróleo caiu nos últimos 20 anos. Chumbo no petróleo ou na gasolina está perto de ser eliminado e há um tratado mundial para deter a tristemente célebre "dúzia suja" de poluentes orgânicos persistentes (POPs) e produtos químicos que se biodegradam tão lentamente que se acumulam na cadeia alimentar. Também no lado positivo, os consumidores são cada vez mais sensíveis à reciclagem, desde que não seja caro demais.

FONTES: Informe Global sobre Meio Ambiente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma); números sobre energia do informe da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) e Agência Internacional de Energia (AIEA).

Extraído do sítio R7

30 abril 2012

FAZENDAS EÓLICAS 'AQUECEM' TEMPERATURA LOCAL, DIZ ESTUDO - Richard Black

Áreas perto de fazendas éolicas tendem a esquentar mais, segundo pesquisa
Fazendas eólicas podem afetar as condições meteorológicas das regiões em que se situam, provocando a elevação de temperaturas durante a noite.

Essa foi a conclusão de um estudo realizado no Estado americano do Texas. Os pesquisadores usaram informações de satélites e observaram que áreas situadas perto de turbinas eólicas tendem a esquentar mais do que as que não contam com fazendas eólicas nas imediações.

A pesquisa, publicada na revista especializada Nature Climate Change, confirmou as conclusões de um estudo anterior, datado de 2010, também realizado em uma região específica dos Estados Unidos e que utilizou modelos criados por computador para mostrar que fazendas eólicas podem provocar aquecimento regional.

Os cientistas acreditam que o aquecimento é provocado pelas turbinas das usinas, que liberam ar quente ao nível do solo.

A área em que foi feita o estudo, localizada no centro-oeste do Texas, registrou um crescimento no número de programas de construção de turbinas, em meados da década passada, passando de 111 em 2003 para 2325 apenas seis anos depois.
Sensores de incêndios

Pesquisadores utilizaram informações geradas pelos sensores Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (Modis), contidos nos satélites Aqua e Terra, da Nasa, que são capazes de medir radiações infravermelhas emitidas por incêndios na superfície do planeta.

As informações geradas pelos Modis podem ser transformadas rapidamente em ''mapas ativos de incêndios'', que permitem localizar focos de incêndios florestais e avaliar para onde eles estão se movendo. Essas informações costumam ser usadas por corpos de bombeiros.

As informações dos sensores Modis foram usadas para medir as temperaturas na região estudada no começo e ao final do boom de construção de usinas - respectivamente os períodos que vão de 2003 a 2005 e de 2009 a 2011.

Ao longo desse período, a região centro-oeste do Texas como um todo observou um aumento de temperatura - e de forma mais acentuada nas áreas próximas a fazendas eólicas.

Mas os pesquisadores avaliaram que outros fatores podem ter influído nos resultados, como mudanças de vegetação, mas afirmaram que tais fatores ocorreram em escala muito pequena.

As mudanças não ocorreram de forma idêntica em todas as áreas próximas a fazendas eólicas. De acordo com os cientistas, o aquecimento observado foi de cerca de 0.72ºC por década.

O pesquisador-sênior Liming Zhou advertiu que a experiência não representa um sinal de que as temperaturas seguem aumentando. ''A tendência de aquecimento se aplica apenas à região e ao período estudados e não deve ser estendida de forma linear para outras regiões por períodos mais longos''.
'Resultados consistentes'

O especialista diz que à noite o ar acima do nível do solo costuma ser mais quente do que o ar no nível do solo. Mas Zhou e seus colegas acreditam que as lâminas das turbinas eólicas estão simplesmente agitando o ar, misturando ar quente e ar frio e fazendo com que parte do calor chegue ao nível do solo.

''Os resultados dessa pesquisa me parecem bem consistentes'', diz Steven Sherwood, do Centro de Pesquisas de Mudanças Climáticas, da University of New South Wales, da Austrália.

De acordo com Sherwood, a estratégia de provocar um aquecimento artificial costuma ser usada por produtores de frutas que sobrevoam seus pomares de helicóptero para combater geadas matinais".

"Essa pequisa é o primeiro passo na potencial exploração de informações satelitais para quantificar os possíveis impactos de grandes fazendas eólicas sobre o clima e as condições meteorológicas'', afirmou Zhou, da Universidade Estadual de Nova York em Albany, à BBC.

Ele conta que ele e sua equipe de pesquisadores estão agora ampliando seu estudo para outras fazendas eólicas e construindo novos modelos para melhor entender os processos físicos do aquecimento que estaria sendo provocado pelas usinas eólicas.


Extraído do sítio BBC Brasil

ENERGIA EÓLICA DEVE SUPERAR A GERADA POR USINAS NUCLEARES NO MUNDO ATÉ 2020 - Gero Rueter



O avanço do vento no mundo é irresistível. Limpa e barata, a eletricidade de origem eólica já equivale à produzida por 280 reatores e em breve passará à frente da energia nuclear no mundo.

A importância da energia eólica cresce rapidamente em todo o mundo. Na Espanha e na Dinamarca, o vento é a fonte de 20% da eletricidade. Na Alemanha, essa percentagem é de 10% e, segundo os prognósticos, até 2020, será de 20% a 25%.

Segundo a Associação Mundial de Energia Eólica (WWEA, na sigla em inglês), no ano passado foram construídas novas centrais eólicas perfazendo 40 gigawatts (GW) de energia produzida. Com isso, o total da energia ambientalmente correta em todo o mundo chegou a 237 GW no final de 2011, o equivalente ao desempenho de 280 reatores termonucleares.

Números respeitáveis, considerando-se que atualmente há cerca de 380 reatores desse tipo fornecendo energia. O prognóstico leva em conta a tendência de desligamento de usinas nucleares, o que deve reduzir a parcela de contribuição desta fonte no fornecimento mundial de energia.


Muito mais vento até 2020

A expansão da energia eólica em escala mundial avança a passos largos. A cada ano, o número de aerogeradores cresce 20%. A WWEA estima que até 2020 o volume energético gerado pelo vento irá quadruplicar, chegando a mais de mil gigawatts.

A China é o país que mais promove esse avanço: de lá vem quase a metade de todas as turbinas produzidas em 2011. O país é líder no setor de energia eólica, seguido por Estados Unidos e Alemanha. No entanto, em relação ao número de habitantes e à participação do vento perante outras fontes de eletricidade, nações da União Europeia como a Dinamarca, Espanha e Alemanha seguem sendo as campeãs. Na China, a parcela da energia eólica no abastecimento nacional gira em torno de apenas 3%.

Embora seja favorável ao meio ambiente e ao clima, o sucesso da energia eólica em escala global se deve, sobretudo, ao fato de ser a opção mais barata. Stefan Gsänger, diretor geral da WWEA, calcula entre cinco e nove cents de euro o preço de um kilowatt/hora de eletricidade produzido nas usinas modernas em terra. Em comparação, o mesmo volume de energia produzido em usinas modernas de carvão mineral custa cerca de sete cents na Europa.

Necessidade de apoio político

Stefan Gsänger, WWEA
Entretanto, estudos da UE e do ministério alemão do Meio Ambiente mostram que os verdadeiros custos são praticamente o dobro. Isso de deve ao fato de a fuligem expelida pelas usinas de carvão ser responsável por diversas doenças respiratórias, acarretando altos custos para o sistema de saúde. Cálculos sérios também revelam que o preço final da energia gerada em outras usinas modernas a base de combustíveis fósseis também são superiores aos da energia eólica em terra.

Na opinião de Gsänger, a energia eólica continua necessitando de apoio político, mesmo constando, hoje em dia, entre as fontes energéticas menos onerosas. Esse apoio não seria na forma de taxas mais altas, mas de uma tarifa de abastecimento garantida.

Segundo o diretor geral da WWEA, esse tipo de garantia é necessário para que se obtenham créditos bancários. Ele cita o exemplo da Turquia: "Lá, a tarifa de abastecimento está abaixo do preço de mercado. No entanto, a tarifa é necessária, pois aí os bancos financiam as usinas eólicas. E vejo isso também como perspectiva para outros países".

Microcréditos como solução

Instrumentos de financiamento são muito importantes para a expansão da energia eólica. Ao contrário das usinas de combustíveis fósseis, os principais custos são de investimento, o que é um grande problema nas regiões menos desenvolvidas. Por isso, em várias nações africanas, por exemplo, o avanço da energia do vento está totalmente estagnado.

Gsänger postula que, para produzir energia eólica mesmo assim nesses países, a solução seriam usinas menores e um sistema de microcrédito, como o desenvolvido pelo prêmio Nobel da Paz Muhammad Yunus em Bangladesh.

"Isto significa que a empresa que disponibiliza a usina também fornece o crédito, simultaneamente. Os consumidores de eletricidade o reembolsam mensalmente, mas só começam a pagar quando a central realmente fornecer energia."

Parque eólico na costa belga do Mar do Norte
Avanços tecnológicos

Nos últimos anos, a tecnologia eólica tem evoluído: assim, existem turbinas com hélices bem grandes, para regiões de pouco vento, e torres mais altas, que exploram melhor o potencial local. Além disso, são construídas grandes centrais em alto mar. Nesse caso, contudo, os custos de instalação e manutenção são altos, resultando em 18 a 20 cents de euro por kilowatt/hora, duas vezes mais do que em terra.

Uma outra inovação são pequenos aerogeradores para residências, comunidades ou firmas industriais. Mais de meio milhão deles foram instalados até o momento, a maioria na China e nos EUA. Também aqui os custos de eletricidade resultantes são mais elevados, entre 15 e 20 cents por kilowatt/hora.

Ainda assim, as miniusinas são rentáveis para muita gente nos países em desenvolvimento, onde não há outra possibilidade de produzir eletricidade. Mesmo para os consumidores das nações industriais, as minicentrais valem cada vez mais a pena, pois produzem a preços inferiores aos de muitas operadoras de energia. Deste modo, especialistas veem aí um mercado com grande futuro.

Iniciativa de cidadãos

Miniaerogeradores: tendência em ascensão
Mais da metade dos aerogeradores da Alemanha são propriedade de cidadãos, agricultores e comunidades locais. Este é um fator muito importante para a aceitação e sucesso da energia eólica, afirmou à DW o agricultor e presidente da confederação Windenergie, Hermann Albers.

Juntamente com outros agricultores e cidadãos, ele ergueu numerosos parques eólicos privados em sua região. "Hoje, registramos enorme aceitação nessas comunidades. Em muitos casos, a metade dos moradores locais já deseja investir na energia do vento. As pessoas compreenderam as chances que existem", registra Albers.

Também a WWEA vê na participação cidadã um instrumento importante para difundir mais rapidamente a energia ambientalmente correta em todo o mundo. Por isso, a próxima Conferência Mundial de Energia Eólica se realiza no início de julho de 2012, em Bonn, sob o título: Community Power – Citizens Power (Força da comunidade, força dos cidadãos).

Extraído do sítio Deutsche Welle