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09 agosto 2012

CRISE MUNDIAL COMPLETA 5 ANOS E CONTINUA SEM SOLUÇÃO, DIZ JORNAL FRANCÊS

Jornais franceses analisam o efeito cascata dos "subprimes" do mercado imobiliário na crise mundial. Flickr/ ILPeoplesAction

O aniversário de cinco anos da crise financeira mundial domina a manchete do principal diário econômico francês, o Les Echos, que dedica extensa reportagem para rememorar os fatos e analisar os efeitos provocados pelos chamados "subprimes", os títulos de crédito imobiliário que estremeceram as bases do sistema bancário e abalaram as economias mais poderosas do mundo.

Em 9 de agosto de 2007, lembra o Les Echos, o banco francês BNP Paribas suspendeu a valorização de três de seus fundos vinculados aos subprimes americanos, desencadeando uma crise que ainda não acabou. A data, segundo o jornal, marca talvez o fim de um período em que o capitalismo financeiro funcionou livremente, sem se autoregular.

O poder dos Estados Unidos, no epicentro da maior tormenta econômica mundial depois da depressão dos anos 30, enfraqueceu, constata o Les Echos e na Europa, o futuro do euro ficou ameçada com o problema da dívida soberana dos estados. O jornal lembra ainda que a crise na zona do euro derrubou vários governantes, como Gordon Brown, na Grã Bretanha, Silvio Berlusconi na Itália e Nicolas Sarkozy, na França.

O ex-presidente Sarkozy está na origem da manchete do Aujourd' hui en France. O jornal repercute a polêmica lançada pelo ex-presidente que emitiu ontem um comunicado criticando na terça-feira o suposto imobilismo da política da França sobre a Síria. Em entrevista ao Aujourd'hui en France, o chanceler socialista Laurent Fabius disse que esperava outra postura do ex-presidente e que a Síria, com seu arsenal de armas químicas, não é a Líbia. Ele lembrou ainda que Sarkozy recebeu o presidente Bashar Al-Assad, em Paris, 4 anos atrás.

O Le Figaro traz em capa o alerta do Banco da França de que o país poderá entrar em recessão diante da previsão de queda de 0,1 do PIB francês no terceiro trimestre do ano.

O Libération afirma em sua reportagem principal que o governo francês ainda estuda o congelamento nos preços dos combustíveis que estão em alta desde o início de julho. Apesar de ser uma das promessas do então candidato François Hollande, o ministério da Economia avalia que o nível de alerta ainda não foi atingido.

Extraído do sítio RFI

10 maio 2012

COM FIM DE IMUNIDADE, SARKOZY PODERÁ ENFRENTAR JUSTIÇA FRANCESA

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, em cerimônia de comemoração do fim da Segunda Guerra Mundial. REUTERS/Philippe Wojazer


Após deixar a presidência da França, no próximo dia 15 de maio, Nicolas Sarkozy poderá ter de enfrentar vários imbróglios judiciários. A sua imunidade de Chefe de Estado termina no dia 15 de junho e, a partir da data, o então ex-presidente poderá ser convocado como testemunha e até como réu em casos relacionados a financiamentos ilícitos de campanha e corrupção.

As investigações do caso Karachi são um dos principais problemas que Nicolas Sarkozy poderá enfrentar com a Justiça francesa. O juiz responsável pelo caso, Renaud Van Ruymbeke, aguarda por mais detalhes sobre um esquema de corrupção na venda de fragatas e submarinos franceses para o Paquistão nos anos 90. Na época, Sarkozy era ministro do Planejamento do governo de Edouard Balladur, sob a presidência de François Mitterrand.Possivelmente, avalia o jornal Le Monde, Sarkozy será intimiado a depor.

Outro assunto jurídico constrangedor para o futuro ex-presidente envolve suspeitas de financiamento ilegal para a sua campanha presidencial de 2007. Na ocasião, o tesoureiro da campanha, Eric Woerth, teria recebido envelopes com doações não declaradas de Liliane Bettencourt, herdeira do grupo L’Oréal e uma das maiores fortunas da Europa. Além de usar Woerth como intermediário, Sarkozy também é suspeito de ter ido receber pessoalmente as doações em espécie na casa da bilionária.

Ainda sobre recursos opacos de campanha, a Justiça francesa também poderá se interessar pelas denúncias do site Mediapart que publicou um documento assinado pelo ex-chefe dos serviços de informação exterior da Líbia, Mussa Kussa. O documento descreve um acordo para apoiar financeiramente a campanha eleitoral do então candiadto Sarkozy. Investigações preliminares encontraram evidências de grande proximidade entre o empresário líbio Ziad Takieddine e colaboradores próximos de Sarkozy como Claude Guéant (Ministro do Interior), Jean-François Copé (secretário-geral do UMP) e Brice Hortefeux (ex-ministro da Imigração).

Em um depoimento no começo de abril deste ano, Takieddine declarou que tinha "boas relações com o coronel Kadafi" e que mediou a aproximação diplomática da França com a Líbia. Ele também disse que organizou viagens de ministros franceses para encontrar com Muammar Kadafi. Essas denúncias também estão sob a responsabilidade do juiz Renaud Van Ruymbeke.

Em relação às acusações do site Mediapart, Sarkozy decidiu abrir um processo por calúnia e difamação contra o site de jornalismo independente. O presidente francês nega ter recebido dinheiro líbio para a sua campanha e diz que as acusações são “grotescas”.


Extraído do sítio RFI

07 maio 2012

EUROPEUS ABREM OS BRAÇOS PARA FRANÇOIS HOLLANDE

François Hollande se prepara para encontrar os líderes da comunidade internacional. REUTERS/Regis Duvignau


Depois da vitória de François Hollande no segundo turno das eleições presidenciais francesas, diversas vozes reagiram na Europa, parabenizando o socialista e o convidando para encontros estratégicos. Vários líderes do velho continente se disseram dispostos a trabalhar com o novo presidente francês para a retomada do crescimento europeu. 

A chanceler alemã Angela Merkel foi a primeira a telefonar para François Hollande para felicitá-lo e convidá-lo para ir a Berlim. Os dois dirigentes tiveram uma primeira conversa e combinaram de trabalhar juntos em uma relação franco-alemã forte, amistosa e ao serviço da Europa.

A Alemanha será a primeira viagem de François Hollande ao exterior depois de sua posse, prevista para o dia 15 de maio, data do fim do mandato de Nicolas Sarkozy.

O primeiro-ministro David Cameron também conversou com Hollande por telefone, para felicitá-lo pela vitória.

Ainda na Europa, o premiê português Pedro Passos Coelho, que dirige um governo de centro-direita, enviou os votos de sucesso a Hollande pelo mandato que o povo francês acaba de lhe confiar. O chefe de governo acentuou sua vontade de trabalhar com Hollande no plano bilateral e no plano europeu.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, também felicitou calorosamente François Hollande, enviando um recado sem ambiguidades: "Temos um objetivo comum: relançar a economia europeia para gerar um crescimento durável". Barroso afirmou que conta com as convicções e o engajamento pessoal de Hollande para avançar a integração europeia.


Extraído do sítio RFI

SOCIALISTA FRANÇOIS HOLLANDE É O NOVO PRESIDENTE DA FRANÇA



Vitória de Hollande deve repercutir na estratégia europeia de combate à crise da dívida. Sarkozy reconhece responsabilidade pela derrota. Ministro do Exterior da Alemanha saúda presidente eleito.

François Hollande foi eleito o primeiro presidente socialista da França após quase duas décadas. Ele derrotou o candidato à reeleição, Nicolas Sarkozy, no segundo turno das presidenciais francesas realizado neste domingo (06/05). Com quase a totalidade das urnas apuradas no final da noite, Hollande vencia com quase 52% dos votos contra pouco mais de 48% de Sarkozy.

"Eu estou orgulhoso por trazer a esperança de volta. Muitas pessoas estavam esperando por este momento há anos. A França escolheu a mudança", disse Hollande no discurso da vitória em Paris. Com a eleição, Hollande, de 57 anos, torna-se o segundo presidente socialista da França desde 1958. Antes, somente François Mitterand esteve à frente do governo francês no período.

Nicolas Sarkozy assumiu a responsabilidade pelo resultado das eleições. Ele pediu para que seus correligionários se mantenham unidos e disse que não vai liderar a direita no parlamento francês. Sarkozy disse que telefonou para Hollande e desejou boa sorte ao novo presidente eleito.

O ministro do Exterior alemão, Guido Westerwelle, saudou a vitória de Hollande, afirmando que não tem dúvidas que os dois países vão continuar cooperando e vão "superar seus desafios comuns". O líder da oposição alemã, Sigmar Gabriel, do SPD, também saudou a vitória de Hollande, afirmando que é "de crucial importância para a Europa".

O que deve mudar

A expectativa é de que o resultado das eleições tenha impacto direto na maneira como o país vai enfrentar a crise da dívida na zona do euro daqui para frente. O novo presidente também deve determinar quanto tempo os soldados franceses continuarão no Afeganistão e qual será o novo posicionamento militar e diplomático do país nos conflitos mundiais.

A proposta de renegociação do recente pacto fiscal da União Européia é considerado um dos carros-chefes da proposta de Hollande para a zona do euro. O novo líder francês já exigiu da Alemanha "mais solidariedade". Internamente, Hollande ganhou pontos com a promessa de criar 60 mil novos postos de trabalho para professores, revisar em parte a reforma previdenciária iniciada por Sarkozy e adotar um imposto de renda de 75% para milionários.

Sarkozy reconhece culpa na derrota
François Hollande nunca ocupou um cargo ministerial, fez sua carreira política trabalhando para o partido. Em 1988, ao mesmo tempo que Sarkozy, o socialista ingressou na Assembleia Nacional. O programa eleitoral de Hollande, intitulado "60 compromissos com a França", é considerado vago.

Crise que derruba

Nicolas Sarkozy amargura ser o 11º líder europeu a ser retirado do poder pela crise econômica e o segundo presidente da história da França a não conseguir ser reeleito. Na reta final de campanha, o conservador lutava para conquistar votos da extrema-direita e dos centristas.

Hollande, por sua vez, teve o apoio quase unânime de outros líderes de esquerda e foi surpreendido com apoio de última hora do líder centrista François Bayron, que negou aliança a Sarkozy. Bayron criticou a retórica de campanha de Sarkozy, considerando-a muito violenta. Críticos sempre salientaram o "estilo antipático" de Sarkozy, sua alegada proximidade política com os ricos e a inabilidade para reverter a lógica de favorecimento das maiores fortunas francesa em detrimento de um índice de desemprego de quase dois dígitos.

O socialista conquistou a opinião pública com suas críticas em relação às políticas de austeridade econômica que estão sendo implementadas não somente na França, mas em toda a Europa. Hollande também havia derrotado Sarkozy no primeiro turno, no dia 22 de abril, por meio milhão de votos de diferença. Pela primeira vez, um adversário conseguiu mais votos do que o presidente em exercício ainda no primeiro turno das eleições.


Extraído do sítio Deutsche Welle

SOCIALISTA É ELEITO PRESIDENTE DA FRANÇA

Com Hollande, os socialistas voltam ao poder após 31 anos
O socialista François Hollande conquistou uma clara vitória nas eleições presidenciais da França neste domingo, com estimados 52% dos votos.

Após o fechamento das urnas, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que telefonou a Hollande para desejar-lhe "boa sorte" no cargo.

Analistas dizem que a votação tem amplas implicações para a zona do euro. Hollande prometeu reformular o acordo sobre a dívida pública nos países membros.

Pouco depois do fechamento das urnas às 20h (15h de Brasília), meios de comunicação franceses publicaram projeções baseadas em resultados parciais que davam ao socialista uma vantagem de quase quatro pontos.

Partidários de Hollande se reuniram na Place de la Bastille em Paris - um ponto de encontro tradicional da esquerda - para comemorar.

Analistas dizem que Hollande foi beneficiado pelos problemas econômicos da França e a impopularidade do presidente Sarkozy.

O candidato socialista prometeu aumentar os impostos sobre as grandes corporações e as pessoas que ganham mais de 1 milhão de euros por ano.

Ele quer aumentar o salário mínimo, contratar 60 mil professores e diminuir a idade de aposentadoria de 62 para 60 anos para alguns trabalhadores.

Hollande também pediu a renegociação de um tratado europeu duramente negociado sobre disciplina orçamental, defendido pelo chanceler alemã Angela Merkel e Sarkozy.

Sarkozy

Em discurso neste domingo, Sarkozy disse a partidários que "François Hollande é o presidente da França e ele deve ser respeitado".

O presidente disse que estava "assumindo a responsabilidade pela derrota".

Insinuando sobre o seu futuro, ele disse: "Meu lugar não será mais o mesmo. Minha participação na vida do meu país agora vai ser diferente.".

Durante a campanha, ele disse que iria deixar a política se perdesse a eleição.

Sarkozy, que está no cargo desde 2007, havia prometido reduzir o déficit orçamentário da França por meio de cortes de gastos.

É apenas a segunda vez que um presidente em exercício não é capaz de ganhar a reeleição desde o início da Quinta República da França, em 1958.

O último foi Valery Giscard d'Estaing, que perdeu para o socialista François Mitterrand em 1981. Mitterrand teve dois mandatos no cargo até 1995.

Uma eleição parlamentar está marcada para junho na França. A correspondente da BBC em Paris, Katya Adler, diz que, por causa da derrota de Sarkozy, a extrema direita francesa espera conquistar amplo terreno político no pleito parlamentar.


Extraído do sítio BBC Brasil

28 abril 2012

ELEIÇÕES NA FRANÇA, A SENHA PARA A VOLTA DE NOVOS TEMPOS DA ESQUERDA NO PODER NA EUROPA - José Dirceu

Na França com o 2º turno da eleição presidencial marcado para o domingo, 6 de maio, todas as pesquisas apontam numa mesma direção: o candidato da direita, o presidente que tentou a reeleição, Nicolas Sarkozy, da frente União por um Movimento Popular está com os dias contados.

Da mesma forma que previam e acertaram que a diferença entre ele e o candidato do Partido Socialista (PS), François Hollande, seria ínfima - foi de pouco mais de 1% - agora todas as pesquisas consolidam a vantagem do candidato da esquerda, em média com 10 pontos percentuais à frente do atual ocupante do Palácio dos Champs Elisée.

Tudo indica, então, que começa pela França a volta da esquerda ao poder na Europa, depois de longo jejum e predomínio da direita em vários países. A começar pela própria França, onde ela está no governo há 17 anos, desde o fim da era François Miterrand em 1995.

Com conservadores em declínio, as chances de volta da esquerda

Os indícios e a realidade indicam que os conservadores estão em célere declínio e não têm nenhum futuro nos demais e principais países europeus.

Na Inglaterra, o governo do primeiro-ministro David Cameron, do Partido Conservador, acaba de ser obrigado a reconhecer que o país está em recessão mesmo; na Espanha, deteriou-se rapidamente o apoio ao gabinete do primeiro-ministro Mariano Rajoy, do direitista PP, eleito há apenas seis meses (novembro-2011); e, na Itália, degringola o governo do primeiro-ministro Mário Monti.

Nenhum deles conseguiu até agora retirar seus países da profunda crise em que eles mergulharam a partir de 2008 quando bateram forte na Europa os efeitos da crise econômica global, levando a maioria à falência - ou quase - uma vez que as políticas conservadoras ortodoxas não conseguiram driblar a quebra e a recessão.

O que interessa, agora, são as eleições para a Assembleia Nacional

Com a situação do pleito presidencial praticamente definido na França, o que interessa agora são as eleições legislativas de junho para a Assembleia Nacional, onde os socialistas podem fazer uma maioria com a Frente de Esquerda e os verdes.

Essa é a questão. Para isso a esquerda francesa precisa crescer quase 10% até o pleito do meio do ano em relação ao que tem hoje, segundo as pesquisas. Esta é uma batalha e tanto que vai depender das medidas iniciais dos primeiros 100 dias da presidência de Hollande.

Que, espera-se, não reeditem o jogo pendular do governo anterior da esquerda (1991-1995), o primeiro de François Miterrand (PS), que foi um jogo de avanços e recuos, estatiza-desestatiza, o que até levou capitais franceses na primeira hora a deixarem o país.

27 abril 2012

HOLLANDE TEM DEZ PONTOS DE VANTAGEM SOBRE SARKOZY, SEGUNDO PESQUISA - João Novaes



São Paulo - François Hollande seria eleito o sétimo presidente da Quinta República na França caso o segundo turno da eleição, marcado para o dia 6 de maio, se a eleição fosse hoje. De acordo com pesquisa do instituto TNS/Sofres, o candidato do Partido Socialista obteria 55% dos votos, contra 45% do atual chefe de Estado e candidato à reeleição, Nicolas Sarkozy, da UMP (União por um Movimento Popular). A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira (26/04).

O resultado mantém a diferença de dez pontos percentuais em relação ao último levantamento, realizado entre os dias 18 e 19 de abril.

Transferência de votos

Segundo a enquete, 51% dos eleitores que votaram em Marine Le Pen (Frente Nacional, extrema-direita) no primeiro turno devem optar por Sarkozy, contra apenas 16% no socialista; já 33% se absteriam ou votariam branco ou nulo. Marine obteve 17,9% dos votos no primeiro turno.

Em compensação, 82% dos eleitores de Jean-Luc Mélenchon, quarto colocado com 11,11%, optariam por Hollande, contra 6% por Sarkozy (12% não teriam preferência). Entre os eleitores do centrista François Bayrou (9,1% no primeiro turno), 39% votariam por Sarkozy e 32% por Hollande; 29% pretendem se abster, votar branco ou nulo.

Na pesquisa, 27% dos entrevistados não manifestou intenção votar, dois pontos a mais do que o registrado na última semana. Em relação à certeza das opiniões, 81% das pessoas abordadas afirmaram estar certas de suas escolhas, contra 14% que se disseram abertas. Outros 5% “não tem opinião”.

A pesquisa foi realizada por telefone e consultou mil pessoas. No primeiro turno, Hollande venceu Sarkozy por 28,63% contra 27,02%. Nenhum instituto de pesquisa colocou, até agora, Sarkozy em uma desvantagem inferior a oito pontos percentuais.

Extraído do sítio Rede Brasil Atual

25 abril 2012

NICOLAS SARKOZY DESCARTA FAZER ALIANÇA COM EXTREMA-DIREITA

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, em campanha pela reeleição. REUTERS/Philippe Wojazer


A caça as eleitores da extrema-direita, que fizeram a candidata Marine Le Pen da Frente Nacional chegar em terceiro lugar no primeiro com 18% dos votos, mobiliza os dois candidatos que disputam a presidência francesa. Mas o socialista, François Hollande, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, fazem um complexo malabarismo político de cortejar esses eleitores sem fazerem concessões ao partido de Le Pen.

Em entrevista nesta manhã na Rádio France Info, Sarkozy, que precisa dos votos da extrema-direita para se reeleger, confirmou que não pretende negociar com o partido Frente Nacional. Ele também descartou a possibilidade de formar um governo com representantes da extrema-direita caso seja eleito. Para o presidente francês, há muitos pontos de discordância entre o seu partido, o UMP, e a Frente Nacional. Mas ele disse que está pronto para escutar os eleitores de Marine Le Pen que mostraram "raiva e desespero" ao votarem na candidata da extrema-direita. 

Ontem o candidato socialista François Hollande disse que cabe a ele conquistar também o votos dos eleitores da extrema-direita, que expressaram sua raiva. Mas ele não parece disposto a fazer grandes concessões. Hollande confirmou hoje, que, caso seja eleito, vai propor no ano que vem o direito de voto aos estrangeiros que vivem na França há mais de 5 anos. Essa proposta vem sendo usado pelos adversários de Hollande para afastá-lo dos eleitores da Frente Nacional, partido que defende uma restrição à entrada e permanência de imigrantes na França. 

A partir desta manhã, François Hollande distribui uma carta dirigida aos 46 milhões de eleitores franceses. O documento foi escrito na noite de domingo após os resultados do primeiro turno. O jornal Le Parisien, que publica a carta entitulada União para a mudança, escreve que o candidato resolveu se dirigir a todos os eleitores, incluindo os dos candidatos derrotados do centro e da extrema-direita.

Até o momento, Marine Le Pen tem esnobado os candidatos ao Eliseu e parece inclinada a convocar os seus eleitores a votarem em branco no segundo turno no dia 6 de maio. A representante da Frente Nacional, que obteve 6.421.773 votos, anunciará se ela apaoiará um candidato ao segundo turno durante um encontro com militantes no dia 1° de Maio. 


Extraído do sítio RFI

24 abril 2012

SEGUNDO TURNO NA FRANÇA: QUEM PODE TIRAR VOTO DE QUEM - Flávio Aguiar



Tão importante, no segundo turno francês (06 de maio), quanto saber quem pode dar voto a quem, é saber quem pode tirar de quem. Nesses termos, Hollande parece estar numa posição melhor do que a de Sarkozy.

O candidato socialista tirou votos do candidato mais à esquerda, Jean-Luc Mélenchon, na reta final. Uma parte dos que potencialmente votariam neste, no primeiro turno, preferiram votar direto em Hollande, para impulsionar desde já seu favoritismo no segundo. Criou-se um ambiente favorável ao “voto útil” desde já. A estratégia teve sucesso: Sarkozy tinha, como objetivo na reta final, chegar na frente (“mesmo que fosse por um fio de cabelo”, dizia ele) no primeiro turno para dar força à perspectiva de uma reviravolta na rodada final. 

Não conseguiu. Aposta agora em debater até o esgotamento com Hollande até o 6 de maio, pondo suas fichas em seu desempenho espetaculoso diante do mais comedido de Hollande. Há um duplo sentido nisso: de um lado, Sarkozy quer sobressair; do outro, marcaria pontos se conseguisse enfurecer Hollande, fazendo-o sair do sério e cometer deslizes.

Outro ponto a favor de Hollande é o imediato apoio que recebeu de Mélenchon, sem pré-requisitos. Isso vai arrastar para sua votação a esmagadora maioria dos 11% que o candidato das esquerdas recebeu. Um efeito colateral desse movimento seria a contrapartida de projetar Mélenchon como um vetor decisivo no segundo turno, caso a vitória de Hollande se confirme. A esquerda sairia das cinzas (ou das traças) a que está jogada nesta erupção vulcânica da crise financeira européia.

Já do lado de Sarkozy as perspectivas são mais complicadas. Em primeiro lugar porque o maior fator a roubar votos de Sarkozy foi o próprio Sarkozy. Votos que potencialmente seriam seus se dispersaram, uma parte em direção a Le Pen, outra em direção a Bayrou e até mesmo em direção a Hollande, como testemunha o fato de que Jacques Chirac, o ex-presidente conservador, preferiu apoiar o socialista.

Sarkozy se deu mal num país que já teve como presidentes os carismáticos De Gaulle, à direita, e Mitterand, à esquerda. Faltou-lhe manter o “aplomb”, ou seja, o decoro da presidência. Suas incontinências iniciais, comemorando demasiadamente sua vitória anterior com um corte de “mais ricos”, foram-lhe tão fatais, quanto sua falta de coerência final, sassaricando em várias direções, indo desde tornar-se o parceiro menor da dupla Merkozy (coisa difícil para a direita francesa engolir) até rejeitar o apoio da chanceler alemã e entregar-se a arroubos nacionalistas de última hora.

Sarkozy terá de continuar sendo o boneco de molas que foi no primeiro turno, pressionado por ter de captar votos mais ao centro (eleitores de François Bayrou e seu Movimento Democrático – 9%) e mais à direita, os de Marine Le Pen, cujos 18% se dividem entre a direita tradicional, burguesa ou pequeno-burguesa, e um cortejo de neo-desempregados, jovens ou não, devido à crise. Prova disso é que Le Pen saiu-se melhor no nordeste da França, região em processo de desindustrialização, onde tirou o segundo lugar. Também na Bretanha ela saiu-se bem, como na região do Gard, “pays d’oc”, junto ao Mediterrâneo, onde chegou em 1º. Tradicionalmente, nessa região, os socialistas predominavam nas votações. Esses votos podem retornar à casa de onde, eventualmente, saíram.

Pode ser que Le Pen venha a apoiar Sarkozy. Mas num primeiro momento, pelo menos, os 18% que obteve subiram-lhe à cabeça, e por suas declarações iniciais ela parecia mais disposta a disputar a liderança do conservadorismo francês com Sarkozy do que fazer uma união ideológica com este contra a esquerda. Ou seja, sua votação expressiva pode continuar roubando votos de Sarkozy.

Enquanto isso, a Bolsa de Valores de Paris amanheceu na segunda em queda. Paradoxalmente, isso é bom, num primeiro momento, para Hollande, pois é um sinal de que os tão temidos “Mercados” estão de fato temendo a vitória do socialista e sua promessa de rever os acordos fiscais e de austeridade da Zona do Euro.

Do outro lado do Reno, Angela Merkel tem, de fato, razões para se preocupar.

* Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

Extraído do sítio Carta Maior

23 abril 2012

SARKOZY PERDE NO PRIMEIRO TURNO - Rui Martins



Em votação apertada, o socialista François Hollande derrotou o conservador presidente Nicolas Sarkozy no primeiro turno por 28,6% a 27,1%.

Mas a grande surpresa da eleição presidencial francesa neste domingo foi a votação da candidata da extrema direita, Marine Le Pen, que teve 18% dos votos.

Le Pen, de 43 anos, que roubou a cena com seu discurso anti-imigrante e a promessa de abandonar o euro, passa a ser o fiel da balança para o segundo turno. Mas já disse que só apoia Sarkozy se ele se comprometer com o discurso radical que ela prega.

Sarkozy vai ter que correr atrás dos votos dos centristas e do pessoal da extrema-direita, se quiser derrotar Hollande no segundo turno, no dia 6 de maio.

Já não haverá mais supresa – os franceses votarão domingo contra o atual presidente Nicolas Sarkozy e confirmarão esse voto, no segundo turno, no começo de maio. O baixinho hiperativo não conseguiu ganhar a confiança dos franceses nestes cinco anos, ao contrário, mesmo eleitores de direita dizem não suportar mais seu irrequieto presidente. Embora, na França, os presidentes costumem ser reeleitos, isso não acontecerá com Sarkozy.

O vencedor e próximo presidente francês será o ex-dirigente do Partido Socialista, François Hollande, ex-marido da candidata derrotada faz cinco anos, a também socialista Segolène Royal. Além da diferença de programa político entre Sarkozy e Hollande, existe uma enorme diferença de personalidade – Hollande não é hiperativo e tem tudo de um francês comum, com sorrisos e gestos controlados de um homem normal.

Parece que os franceses aspiram justamente isso – um presidente normal, mesmo um tanto devagar, mais próximo do comum dos mortais, pois isso acaba inspirando mais confiança e segurança. Dizem que, depois da revolta estudantil de maio 68, os franceses elegeram Georges Pompidou, por ter cara de senhor bonachão e tranquilo.

Politicamente Hollande não é também nenhum revolucionário; é um socialdemocrata típico, sem grande arrojos, consciente dos limites de um político na cena nacional, sujeito na maioria das vezes às pressões da máquina do capital e das grandes empresas multinacionais, sem se esquecer das limitações impostas pela União Europeia atualmente dominada por uma maioria neoliberal.

Quem quer sonhar com um mundo sem as especulações financeiras, sem a força e vantagens dos bancos e sem os jogos nas bolsas de valores, responsáveis pela liquidação econômica da Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha, como se uma revolução ainda fosse possível, votará domingo no candidato da esquerda unida, Jean-Luc Mélenchon, cuja plataforma considerada anacrônica, consegue entusiasmar centenas de milhares de pessoas nos comícios e irá garantir 15% dos votos.

É ainda possível se mudar o rumo do mundo ocidental neoliberal, baseado num capitalismo faminto de mais lucros e insensível às multidões de desempregados na Europa ?

Mélenchon, certo ou errado, sonhador, visionário ou irrealista, garante podermos chegar a um mundo mais justo e menos desigual, livre dos tentáculos dos grande conglomerados, onde os operários podem ter salários maiores e sem o endividamento colossal dos países. Quem ainda acredita ser possível se mudar o mundo, num utópico novo formato econômico, votará Mélenchon, mas, no segundo turno, terá de cair na realidade, votar Hollande, aceitar algo menos ambicioso para se evitar a reeleição de Sarkozy.

O presidente francês deixará saudades na imprensa people pelo seu gosto do luxo, por sua vida romanesca, pela incrível capacidade de refazer suas próprias propostas e pela sua megalomania. Ninguém esquecerá o presidente na fossa, abandonado pela esposa Cecília, apaixonada por um publicitário, nem de seu rápido amor e casamento com a cantora Carla.

De suas promessas é melhor esquecer, a França com seus sobressaltos pouco mudou depois de seus cinco anos de presidência, que Sarkozy bem gostaria terem sido de reinado.

Extraído do sítio Direto da Redação

22 abril 2012

COM MAIS DE 28% DOS VOTOS, HOLLANDE VENCE 1º TURNO E DISPUTA COM SARKOZY A PRESIDÊNCIA FRANCESA - Silvano Mendes


Segundo os primeiros resultados divulgados às 20h no horário de Paris, quando as últimas urnas foram fechadas, François Hollande conquistou mais de 28,4% dos votos no primeiro turno das eleições, nesse domingo. O atual presidente Nicolas Sarkozy obteve mais de 25,5% dos votos e enfrentará o líder socialista no segundo turno, no dia 6 de maio. Ainda de acordo com as informações divulgadas pelo ministério francês do Interior, o terceiro lugar nessa rodada do pleito ficou com a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, à frente de Jean-Luc Mélenchon, da extrema-esquerda.

As urnas confirmaram as principais sondagens divulgadas antes da votação deste domingo. François Hollande, do Partido Socialista, venceu o primeiro turno das eleições presidenciais francesas, com mais de 28,4% dos votos, seguido do presidente Nicolas Sarkozy, do partido UMP, que chegou em segundo lugar com cerca de 25,6% dos votos. Os dois vão disputar o segundo turno das eleições no dia 6 de maio.

Os resultados de boca de urna também confirmaram que a candidata de extrema-direita, Marine Le Pen, ficou em terceiro na disputa, com cerca de 20% dos votos, o maior índice já alcançado pelo partido Frente Nacional. Ela foi seguida pelo candidato da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélénchon, que conquistou cerca de 11% dos eleitores. O centrista François Bayrou registrou menos de 9% dos votos. Eva Joly, do partido Europa Ecologia, ficou apenas com menos 3% e os demais candidatos registraram não alcançaram 1% dos votos. 

A participação do eleitorado foi considerada alta, acima de 81%, um índice superior às eleições de 2007. Lembrando que mais de 44 milhões de eleitores foram convocados às urnas e o voto não é obrigatório na França.

Expectativa agora é para a repercussão dos resultados entre os candidatos. Na sede do Partido Socialista, em Paris, centenas de pessoas aguardam a chegada do candidato François Hollande que votou em Tulle, seu reduto eleitoral na região sudoeste da França. Muitos partidários estão reunidos no local. O presidente Nicolas Sarkozy deve se encontrar com seus partidários também em Paris para falar dos resultados deste primeiro turno.

Resultados finais na quarta-feira

Apesar dos primeiros resultados divulgados agora a pouco, que são apenas uma estimativa baseada nas pesquisas de boca de urna, os franceses ainda terão que esperar até quarta-feira para conhecer oficialmente o nome dos dois candidatos que concorrem para o segundo turno no dia 6 de maio.


Extraído da RFI - Rádio França Internacional

19 abril 2012

CANDIDATO SOCIALISTA HOLLANDE É O PREFERIDO DOS ELEITORES NA FRANÇA



A três dias do primeiro turno das eleições presidenciais na França, pesquisa mostra François Hollande à frente de Nicolas Sarkozy tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Nicolas Sarkozy chega à primeira rodada da disputa pela reeleição como o presidente mais impopular da história da França. Ele vai enfrentar outros nove candidatos no próximo domingo (22/04) com uma taxa de aprovação de 36%, revelou uma pesquisa feita pelo jornal Le Journal Du Dimanche.

De fato, o maior adversário do presidente francês é François Hollande, candidato do Partido Socialista. Pesquisas de opinião mostram Hollande um pouco à frente de Sarkozy no primeiro turno, com 27% a 29% dos votos, contra 24% a 28% para Sarkozy.

Por outro lado, no segundo turno, marcado para 6 de maio, o socialista venceria facilmente o presidente que concorre à reeleição, ficando com mais de 52% dos votos, indicam as sondagens.

"Imaginar que a eleição esteja ganha seria um erro político, e até um erro moral", comentou Hollande em entrevista a um jornal francês. Ele pode ser o segundo representante socialista a assumir a presidência da França. O primeiro foi François Mitterrand, que cumpriu dois mandatos entre 1981 e 1997.

Nicolas Sarkozy quer a reeleição
Candidatos e propostas

Hollande é tido como o favorito. O socialista, 57 anos, perdeu 15 quilos desde o início da campanha e diz que "não pode falhar". Ele promete criar 60 mil vagas de emprego e elevar para 75% a alíquota de imposto sobre os salários superiores a um milhão de euros.

Sarkozy, da União por um Movimento Popular (UMP), se comprometeu a reduzir o déficit do orçamento público, que chega a 1,7 trilhão de euros – ou 5,2% do Produto Interno Bruto – e a tornar o mercado de trabalho francês mais competitivo. O presidente quer diminuir o número de imigrantes que chegam ao país anualmente dos cerca de 180 mil atuais para 80 mil. Após os ataques terroristas em Toulouse e Mantauban, Sarkozy também prometeu medidas mais duras contra extremistas islâmicos.

A chefe do partido Frente Nacional, Marine Le Pen, de extrema direita, aparece em terceiro lugar na disputa, com 17% da preferência dos eleitores. Ela conduz a campanha abordando os temas centrais do partido, que são imigração e segurança. Le Pen defende que a França abandone a zona do euro e crie mais barreiras tarifárias.

Jean-Luc Melenchon, da esquerda, é a grande surpresa da campanha – pesquisas indicam que ele receberá entre 13% e 15% dos votos. Ele também é crítico da União Europeia, defende a legalização dos imigrantes clandestinos, elevar os gastos com benefícios sociais e o aumento do salário mínimo.

François Bayrou, de centro-direita, tem 9,5% das intenções de votos. Os demais candidatos, Eva Joly, Nicolas Dupont-Aignan, Philippe Poutou, Nathalie Arthaud e Jacques Cheminade aparecem nas pesquisas com menos de 5%.

Jean-Luc Melenchon: a surpresa na disputa presidencial
A missão do ganhador

Quem vencer as eleições presidenciais terá a complexa tarefa de, nos próximos cinco anos, acalmar eleitores e mercados que temem que a França seja o próximo país da zona do euro com uma grave crise da dívida.

Hollande, inclusive, afirmou que, se vencer, um dos seus primeiros atos como chefe será renegociar o pacto de disciplina fiscal cunhado por Angela Merkel e Sarkozy e incluir um capítulo que aborde crescimento e emprego.


Extraído do sítio Deutsche Welle