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25 janeiro 2013

OS OCEANOS ESTÃO VIRANDO PLÁSTICO

O que acontece com o plástico que não é corretamente descartado e onde ele vai parar

Uma das principais questões relacionadas ao lixo doméstico reside no lugar onde ele vai parar quando sai das nossas casas. Na verdade, grande parte das pessoas não se importa com isso, já que ele vai para “algum lugar” que ninguém sabe onde é, que ninguém vê. E se ninguém vê o lixo, ele “deixa” de ser um problema.

Bem, o lixo está começando a aparecer e, o que antes não parecia ser um problema, chegou à superfície. Mais precisamente à superfície do mar. Um dos lugares mais problemáticos é o Giro do Pacífico Norte.

Em primeiro lugar, um giro oceânico é um termo utilizado por oceanógrafos para descrever grandes correntes marítimas rotativas, que estão diretamente relacionadas com o movimento dos ventos.

O Giro do Pacífico Norte tem se caracterizado pela grande quantidade de detritos plásticos originários da costa oeste dos EUA e da Ásia que formam o que é conhecido entre ambientalistas como plastic patch (remendo plástico, em tradução livre). Em outras palavras, é uma área do oceano com grande concentração de poluentes e que afeta não apenas o ecossistema da região, mas em última análise a vida e a saúde do próprio homem.

De acordo com o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), que faz parte do Departamento de Comércio dos Estados Unidos (USDC), o nome remendo plástico “faz com que as pessoas acreditem que é uma área contínua e visível formada por garrafas e outros tipos de lixo”.

O lugar, como é mostrado no documentário “Garbage Island: An Ocean Full of Plastic”, é uma parte do oceano com grande concentração de todos tipos de plásticos, desde garrafas e embalagens, até microplásticos, que são partículas pequenas e extremamente tóxicas de plástico.

No filme, que foi produzido pela revista Vice, é mostrado que a grande quantidade de poluentes fez com que a composição da água do mar se alterasse. Amostras de água coletadas durante a expedição chegam a conter 1.000 partes de plástico para cada plâncton. Levando em conta que seis partes de plástico para cada plâncton já caracterizam um ambiente poluído, o que dá o tom da gravidade do problema.

Danos à saúde

O grande problema é que o microplástico é tão abundante que acabou se tornando parte do ecossistema. Plânctons e pequenos crustáceos se alimentam deles, se intoxicam, e, consequentemente, fazem o mesmo ao serem comidos por pequenos peixes. O processo vai se repetindo até chegar aos grandes peixes, como o atum, e, finalmente ao próprio ser humano.

Outro problema é o fato de o microplástico absorver com facilidade outros tipos de poluentes que se encontram no mar, como pesticidas, metais pesados e outros poluentes orgânicos persistentes (POPs). Isso faz com que o nível de contaminação aumente e os danos à saúde sejam ainda maiores. Entre os problemas de saúde causados pelos POPs estão diversos tipos de disfunções hormonais, neurológicas, reprodutivas e neurológicas.

Como colaborar com a diminuição da poluição

De acordo com o NOAA, o giro do Pacífico Norte não é o único a enfrentar esse fenômeno. O mesmo acontece no Oceano Atlântico, no Giro Subtropical do Atlântico Norte, e por todo o mundo. Uma das explicações para o surgimento desse problema é a grande quantidade de plástico usada no nosso dia-a-dia, o que nos leva a refletir sobre nossos hábitos de consumo. Há de se reconhecer a importância deste material em nossa sociedade, conferindo conveniências e contribuindo para o desenvolvimento, mas igualmente cabe a reflexão sobre a parcimônia que devemos incorrer em seu uso.

Utilize menos e sempre recicle, não só o plástico, mas todo tipo de resíduo reciclável que tenha optado por consumir. Pressione as autoridades da sua região e contribua para o desenvolvimento da coleta seletiva. Se informe sobre a nova política de resíduos sólidos e, principalmente, se conscientize sobre o como suas atitudes estão contribuindo, ou não, para a poluição dos nossos oceanos.

A eCycle ajuda você a dar o primeiro passo! Visite nossa seção Recicle Tudo para se informar sobre com reciclar diversos materiais, assim como para saber onde descartarseus objetos sem uso!

Assista ao documentário (em três partes):

Parte 1 - Apresentações dos membros da expedição, preparações e partida para o Giro do Pacífico Norte


Parte 2 - O caminho para o Giro do Pacífico Norte


Parte 3 - A poluição no Giro do Pacífico Norte


Extraído do sítio Portal e-Cycle

01 junho 2012

PESQUISA MOSTRA QUE 26% DOS BRASILEIROS REUTILIZAM RECICLÁVEIS ANTES DE JOGÁ-LOS FORA

Curitiba tem maior percentual de pessoas que se preocupam com fim sustentável dos objetos.



Uma pesquisa feita pelo Ibope revelou que apenas 26% dos brasileiros entrevistados reciclam itens em vez de jogá-los fora. Isso quer dizer que essas pessoas separam o lixo para a coleta seletiva ou levam os materiais sem uso até um posto de reciclagem, por exemplo. 

A quantidade de pessoas que reciclam o lixo, apontou o estudo, aumenta significativamente a partir dos 35 anos. Dos 12 aos 34 anos, o percentual oscila entre 18% e 22%. Já cerca de 27% das pessoas que estão no grupo dos 35 aos 44 disseram separar o lixo ou levá-los para uma central de reciclagem. Entre os entrevistados de 45 a 44, o percentual é de 34%. 

Curitiba é a cidade com maior número de brasileiros que dizem fazer a reciclagem. Cerca de 45% dos entrevistados responderam que dão, com frequência, um destino sustentável ao lixo. Seguido da capital do Paraná vem São Paulo (35%) e Porto Alegre (45%). A cidade com o pior resultado foi Brasília, onde apenas 3% dos entrevistados disseram que reciclam os itens em vez de jogá-lo fora.

A maior parte da população (70%) ouvida no estudo do Ibope, no entanto, diz estar preocupado em ter mais hábitos sustentáveis. Esforços para a redução do consumo de água (73%) e a utilização de gás e eletricidade da casa (72%) são os mais evidentes. A prática é maior entre os entrevistados mais velhos. Apenas 8% relataram deixar a torneira aberta enquanto escovam os dentes. 

Outros 26% afirmaram que reutilizam os itens, como garrafas, tubos, caixas e envelopes. O grupo que mais possui este hábito é o de jovens entre 20 e 24 anos. 

Sacolas plásticas

A pesquisa ainda mostrou que a restrição de distribuição de sacolas plásticas ainda não surtiu o efeito esperado. Apenas 14% das pessoas ouvidas disseram que levam a sua própria sacola ou bolsa quando vão às compras. Foi em Belo Horizonte que quase metade (48%) dos entrevistados disseram levar as sacolas para transportar a mercadoria. 

Em São Paulo, o percentual de pessoas que disseram dispensar as sacolas plásticas é de 19%, a frente de Rio de Janeiro e Curitiba (11%). Apenas 5% dos entrevistados em Salvador e Recife afirmaram levar bolsas retornáveis na hora de fazer compras no 
supermercado. 

Apenas 5% do total dos brasileiros ouvidos no estudo afirmaram deixar de comprar algum produto com muitas embalagens plásticas. Em São Paulo, esse percentual chega a 7%. Em Belo Horizonte e Porto Alegre, 4% disseram se preocupar com o excesso de materiais usados para embalar as mercadorias. 

O estudo do Ibope, encomendado pela empresa Target Group Index, ouviu 10.368 pessoas, entre julho de 2011 e fevereiro de 2011, em Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).

Extraído do sítio R7

01 maio 2012

RUMO AO CONTINENTE LIXO - Ana Fuentes



Um grupo de pesquisadores ambientalistas embarca nesta quarta-feira, 2 de maio, em uma expedição rumo a um depósito de lixo quase cem vezes maior do que a Holanda que flutua no meio do Oceano Pacífico.

Poucos se fala sobre o “sétimo continente”. Trata-se de uma ilha de lixo 97 vezes mais extensa do que a Holanda, que possui cerca de 30 metros de espessura e localiza-se entre o litoral da Califórnia e do Havaí. Pesa cerca de 3,5 milhões de toneladas e se parece muito mais com uma enorme sopa de resíduos porque não é possível caminhar nela.

O oceanógrafo estadunidense Charles Moore a descobriu por acaso em 1999, porque não está perto de nenhuma rota marítima comercial ou turística. Os satélites não podem detectá-la: só pode ser vista a partir das pontes de comando dos barcos. Trata-se de uma das maiores ameaças ecológicas atuais.

Como o depósito está em águas internacionais, ninguém se importa com ele. Para conscientizar a comunidade internacional, nessa quarta-feira, 2 de maio, uma equipe de ambientalistas franceses partirá em uma expedição a partir de San Diego à ilha do lixo.

“Cerca de 80% dos resíduos provêm da terra firme, da população que habita os litorais. Chegam ao mar transportados pelos rios e pelo vento. Trata-se de todo tipo de resíduos que jogamos nos rios ou que provêm do lixo. Desde embalagens de detergente até o casco de um barco naufragado por um tsunami”, explica Alain Dupont. Mergulhador e especialista em travessia marítima, Dupont faz parte da primeira expedição europeia ao “sétimo continente”.

Dupont e seus quatro companheiros (mergulhadores, navegadores experientes e cientistas) têm vários objetivos para essa expedição de um mês. O primeiro: especificar quanto espaço ocupa a placa de lixo e que risco implica. “Os satélites atualmente detectam vários parâmetros como a temperatura da água, a altitude, a salinidade, a pressão ou a cor, por fotometria. No entanto, o plástico se desintegra em partículas de menos de um milímetro de tamanho, que entram em contato com os peixes e plâncton”, aponta Dupont.

O plástico não é biodegradável e geralmente pode levar mais de 100 anos para se decompor. O Greenpeace afirma que a proporção do plástico na área do continente lixo já é seis vezes maior do que a de plâncton. Os animais confundem as partículas de plástico com sua comida, não podem digeri-las e muitos acabam morrendo. Outros acumulam toxinas, prejudicando toda a cadeia alimentar.

Qual é a solução?

Repescar os resíduos é praticamente impossível porque custaria dezenas de milhares de euros. Nenhum governo se preocupa porque as placas estão em águas internacionais e legalmente eles não estão obrigados a isso.

De fato, este não é o único continente de lixo que existe. Há uma placa similar no Oceano Atlântico. Mas as campanhas contra jogar resíduos nas águas se concentram no máximo ao litoral e não ao alto mar.

Dupont insiste que este problema é tão grave como o da mudança climática e acredita ser crucial sensibilizar as novas gerações. “Nosso desafio principal nessa missão será redigir comunicados e informações diariamente, em tempo real, e enviar mensagens e imagens que o público possa seguir em nossa página na internet (em francês) e também via Facebook.”

A expedição foi financiada principalmente pela região da Guiana Francesa e pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais, mas os ambientalistas continuam precisando de patrocinadores. O plano é colaborar com escolas e instituições que se unam ao projeto. Eles também pretendem trabalhar lado a lado com pesquisadores suíços e estadunidenses que investigam o fenômeno dos continentes de lixo.


"Os plásticos que flutuam no oceano ficarão ali para sempre. Está praticamente confirmado que não há como tirá-los de lá. O que é preciso fazer é parar de jogar resíduos no mar para evitar que o fenômeno se amplie", explica Dupont. O problema cresce de forma exponencial. Os cientistas calculam que em 20 anos o sétimo continente será do mesmo tamanho da Europa.

Extraído do sítio RNW

27 abril 2012

A "SOPA" DE PLÁSTICO DO OCEANO PACÍFICO

Uma sopa de lixo de plástico que flutua no Oceano Pacífico está crescendo numa taxa alarmante e agora cobre uma área de duas vezes o tamanho dos Estados Unidos, dizem os cientistas.

A grande expansão dos pedaços de plástico – de fato a maior quantidade de lixo no mundo jogada fora – está sendo concentrada em uma determinada área pelo movimento circular das correntes marítimas. Esta sopa em movimento expande-se por cerca de 500 milhas náuticas a partir da costa da Califórnia, cruza o norte do Pacífico, passa o Havaí e chega quase ao Japão.


Charles Moore, um oceanógrafo americano que descobriu a “Grande área de lixo do Pacífico” ou o “vórtice de lixo”, acredita que cerca de 100 milhões de toneladas de dejetos estão circulando na região. Marcus Eriksen, um diretor de pesquisa da fundação de pesquisa americana Algalita Marine, fundada por ele, disse ontem: “A idéia que as pessoas tem sobre isso é que há uma ilha de lixo de plástico sob a qual se pode andar em cima. Não é assim. É mais como uma sopa de plástico.”

Curtis Ebbesmeyer, um oceanógrafo e um técnico que controla os dejetos de plástico em praias, vem acompanhando o aumento do lixo de plástico nos oceanos nos últimos 15 anos e compara o vórtice de lixo a uma entidade viva: “Ele se move em círculos como um grande animal sem controle” Quando esse animal se aproxima da terra, e isso acontece no arquipélago havaiano, o resultado é dramático. “A área de lixo de derrama sobre a praia, e você tem uma praia coberta com esse confete de plástico.”

Historicamente o lixo que chegava aos oceanos era biodegradável. Mas os plásticos modernos são tão duráveis que objetos com mais de 50 anos podem ser encontrados na área do norte do Pacífico. O Sr. Moore disse que porque o mar de lixo é translúcido e está numa superfície de água, ele não pode ser detectado em fotografias de satélite. “Você só o vê da proa dos navios”.

De acordo com o Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas, os refugos de plástico causam a morte de mais de um milhão de pássaros marinhos todos os dias, e também de mais de 100 mil mamíferos marinhos. Seringas, filtros de cigarro e escovas de dente tem sido encontradas no estômago de aves mortas, que as confundem com comida.

Precisamos parar de jogar lixo nas ruas, rios e mares. Pense nisso!

(Esse artigo é parte do publicado no jornal britânico The Independent. Para ler o original clique aqui. Também existe um outro artigo sobre isso no website Superuse. Para lê-lo clique aqui. Para ver uma animação do lixo caminhando no Oceano Pacífico feita pelo Greenpeace clique aqui).

Extraído do sítio The Urban Earch

26 abril 2012

OCEANO DE PLÁSTICO - Paula Neiva e Roberta de Abreu Lima

WWF 2005
Os oceanos ocupam 70% da superfície da Terra, mas até hoje se sabe muito pouco sobre a vida em suas regiões mais recônditas. Segundo estimativas de oceanógrafos, há ainda 2 milhões de espécies desconhecidas nas profundezas dos mares. Por ironia, as notícias mais freqüentes produzidas pelas pesquisas científicas relatam não a descoberta de novos seres ou fronteiras marinhas, mas a alarmante escalada das agressões impingidas aos oceanos pela ação humana.

Um estudo atualmente em curso pela entidade ambientalista Greenpeace, cujas conclusões serão apresentadas em maio num congresso na Inglaterra, mostra que a concentração de material plástico nas águas atingiu níveis inéditos na história.

Nos últimos meses, embarcações do Greenpeace esquadrinharam dezenas de regiões dos oceanos pesquisando amostras da vida marinha. Os cientistas descobriram que a poluição por plásticos, antes restrita a alguns pontos conhecidos, hoje é onipresente nas águas dos mares do mundo inteiro.

"É absolutamente chocante quando se navega no meio do nada, a milhares de quilômetros da costa, e se descobre a alta concentração de plástico na água", diz o inglês Adam Walters, um dos pesquisadores que viajam a bordo dos barcos do Greenpeace. Segundo o Programa Ambiental das Nações Unidas, existem 46.000 fragmentos de plástico em cada 2,5 quilômetros quadrados da superfície dos oceanos. Isso significa que a substância já responde por 70% da poluição marinha por resíduos sólidos.

A primeira vítima dos plásticos que se depositam nos oceanos é a vida animal. Calcula-se que 267 espécies, principalmente pássaros e mamíferos marinhos, engulam resíduos plásticos ou os levem para seus filhotes julgando tratar-se de alimento. Há seis anos, uma baleia minke foi encontrada morta na Normandia, no norte da França, com 800 quilos de sacolas plásticas no estômago.

Em regiões como a Califórnia, é comum achar tartarugas, leões-marinhos e focas mortos por asfixia ou lesões internas provocadas pela ingestão de plástico. O Atol de Midway, próximo ao Havaí, é o símbolo máximo da tragédia que o plástico impinge aos mares. Por capricho das correntes marinhas, o atol recebe diariamente o entulho plástico proveniente do Japão e da costa oeste dos Estados Unidos.

O lixo de Midway provoca a morte de metade dos 500.000 albatrozes que nascem anualmente no atol, os quais confundem plástico com comida. O plástico do tipo PVC, empregado em canos, brinquedos e numa infinidade de utilidades domésticas, pode conter compostos de estanho altamente tóxicos para moluscos e peixes.



Essas substâncias, que chegam ao mar principalmente pela ação das chuvas que varrem os aterros sanitários, causam alterações hormonais que modificam o sistema reprodutivo e diminuem a taxa de fertilidade desses animais.

Os mesmos compostos de estanho estão presentes em alguns tipos de tinta utilizados para proteger o casco de barcos e navios. "Essas tintas já foram banidas em alguns países, mas continuam a ser usadas em muitos outros", informa o biólogo Alexander Turra, da Universidade de São Paulo.

O plástico encontrado nos oceanos não é apenas aquele que se vê enfeando as praias, como sacolas e garrafas. Uma das principais ameaças vem de peças quase invisíveis, os chamados pellets, bolinhas com meio centímetro de diâmetro utilizadas como matéria-prima pelas indústrias.

Quase metade de todo lixo produzido pelo homem termina no mar.
O mundo produz atualmente 230 milhões de toneladas de produtos plásticos por ano - contra 5 milhões na década de 50. Os pellets chegam aos oceanos como lixo industrial e por meio do descarte de navios que os usam para limpar seus tanques e porões. Essas bolinhas têm enorme capacidade de absorção de poluentes.

Apenas uma delas apresenta concentração de poluentes até 1 milhão de vezes maior que a da água onde se encontra, envenenando os cardumes que a ingerem. Um estudo feito neste ano por pesquisadores da Universidade de São Paulo mostrou que em Santos, no litoral paulista, cada meio metro cúbico de areia da praia contém até 20.000 pellets.

Um trabalho recente desenvolvido por um time de dezenove pesquisadores dos Estados Unidos, da Inglaterra e do Canadá mapeou, pela primeira vez, o impacto da ação humana sobre os mares.

De acordo com o estudo, apenas 4% das áreas oceânicas do mundo, localizadas nos pólos, estão imunes a ela.

E nada menos de 40% das regiões registram interferências humanas de alta ou média intensidade. "O interesse pelo tema aumentou consideravelmente na última década, depois que os cientistas perceberam que a ação humana altera profundamente os oceanos", disse a VEJA o ecologista Benjamin Halpern, da Universidade da Califórnia, coordenador do estudo.

Para chegarem a essa conclusão, os pesquisadores coletaram registros sobre uma série de variáveis, como poluição, atividade pesqueira e ocupação de zonas costeiras, em diversos pontos dos mares e oceanos e avaliaram sua intensidade.

Outro estudo, divulgado na semana passada pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas, indica que três quartos das regiões pesqueiras do mundo estão ameaçados pelo impacto da ação humana. Como as grandes regiões pesqueiras se encontram próximas à costa, sofrem os efeitos do crescimento desenfreado da ocupação dos litorais.

Calcula-se que 2.000 famílias se instalem diariamente em áreas litorâneas. Como se isso não bastasse, segundo o estudo da ONU, a pesca predatória ameaça 80% das principais espécies de peixes comercializadas. A indústria da pesca captura 2,5 vezes mais peixes do que poderia caso respeitasse a capacidade dos cardumes de se renovar.

Os estudos mais recentes sobre a saúde dos oceanos apontam que, além da praga dos plásticos, há cinco principais sintomas da deterioração causada pela interferência humana.

• Acidificação das águas - A produção desenfreada de dióxido de carbono (CO2), o gás do efeito estufa produzido pela queima de combustíveis fósseis, faz com que os oceanos hoje absorvam uma quantidade dez vezes maior da substância do que há 100 anos. O CO2 eleva a acidez das águas, o que ameaça a sobrevivência de diversas espécies de peixes e mamíferos.

• Surgimento de zonas mortas - O esgoto doméstico, os dejetos de gado e o lixo industrial despejados nos oceanos promovem a proliferação de algas. Em excesso, elas ameaçam todas as outras formas de vida porque, quando morrem, são degradadas por bactérias num processo que consome grande parte do oxigênio da água. O resultado é o surgimento das zonas mortas, inóspitas à maioria das espécies. Há cinqüenta anos, havia três zonas mortas no mundo. Hoje, são 150.



• Desaparecimento de mamíferos - A presença de mamíferos marinhos é um indicador bastante preciso da qualidade dos oceanos. Alterações no ciclo de vida desses animais alertam para desequilíbrios em seu ambiente. Na última década, milhares de golfinhos e leões-marinhos morreram por envenenamento ao comer peixes menores, que se alimentam de algas tóxicas, contaminadas por resíduos químicos.

• Marés vermelhas freqüentes - Chama-se de maré vermelha a concentração de algas tóxicas em águas litorâneas. Há uma década, no Golfo do México, ela ocorria uma vez a cada dez anos. Atualmente, acontece todos os anos. Causa a morte de cardumes e pode provocar nas pessoas reações alérgicas e dificuldade para respirar. O fenômeno se deve à destruição dos manguezais e pântanos e à poluição decorrente da ocupação humana nas regiões costeiras.

• Destruição do assoalho marinho - A poluição decorrente de vazamentos em petroleiros destrói o habitat das espécies que vivem próximo à superfície oceânica. Mas o assoalho marinho também sofre com a contaminação ao redor das plataformas de perfuração e extração de petróleo. O nível de hidrocarbonetos no solo marinho se mantém excepcionalmente alto numa área de 8 quilômetros em volta das plataformas de extração. Em algumas regiões do Mar do Norte, a área poluída cobre mais de 100 quilômetros quadrados do assoalho marinho.

Extraído do sítio Planeta Sustentável

25 abril 2012

UM OCEANO DE PLÁSTICO

Entre o litoral da Califórnia e o Havaí, uma área enorme ganhou um triste apelido: o Lixão do Pacífico. Levadas pela corrente marítima, toneladas e toneladas de sujeira, produzidas pelo homem, se acumulam num lugar que já foi um paraíso.

Um oceano de plástico, uma sopa intragável, de tamanho incerto e aproximadamente 1,6 mil quilômetros da costa entre a Califórnia e o Havaí e que, segundo estimativas, seria maior do que a soma de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.


Extraído do Youtube

24 abril 2012

EL PLÁSTICO, PRINCIPAL AMENAZA DE LOS OCÉANOS


El aumento de la producción de plásticos en todo el mundo es indetenible, la mayoría de estos acaban en los océanos, amenazan a todos los seres vivos. Así lo aseguran científicos alemanes, británicos y chilenos del Instituto Alfred Wegener de Investigación Polar y Marina.

Las micropartículas, es decir las piezas de plástico disueltas y que pueden acumularse en los organismos vivos, son particularmente peligrosas. Estas micropartículas de plástico se absorben por el tracto gastrointestinal de los animales y también por el organismo humano.

En su reciente estudio, los investigadores utilizaron una red para atrapar las micropartículas más efectivamente y con ayuda de tecnología moderna lograron saber hasta qué punto puede disolverse el plástico en el mar y con qué eficiencia puede ser absorbido por los organismos vivos.

Todavía se desconoce la eficacia de penetración de las micropartículas en las rocas, o cómo se ubican en los pantanos y se ponen en contacto con las sales. Sin embargo, los científicos están extremadamente preocupados por el aumento de la contaminación marina con plástico, sobre todo porque no se sabe todavía nada sobre las posibles consecuencias de esta contaminación.

Anteriormente se sabía que los océanos contínuamente se oxidan, pero hoy en día la tasa de oxidación es la más alta de los últimos 300 millones de años. Esto se debe al aumento constante de las emisiones de dióxido de carbono principalmente por la industria. Esta contaminación convierte a las criaturas del mar en sus principales víctimas.

En un futuro próximo, la contaminación podría tener graves consecuencias en todos los países sin excepción. Además, las grandes cantidades de dinero asignadas al estudio de los problemas ambientales, de hecho han resultado en vano, porque la industria sigue trabajando sin prestar atención al medioambiente.


Extraído do sítio Patria Grande

23 abril 2012

POLUIÇÃO POR PLÁSTICOS NOS OCEANOS: UMA PREOCUPAÇÃO GLOBAL - Fernanda Imperatrice Colabuono

Em um estudo recentemente realizado no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, foram encontrados PCBs e pesticidas organoclorados em plásticos retirados do trato digestório de albatrozes e petréis.

© David M. Lawrence / Plastics at SEA www.sea.edu/plastics
Os plásticos têm inúmeras qualidades e utilidades que trazem praticidade a nossa vida. Apesar disso, uma vez descartados no ambiente podem causar sérios prejuízos a biota e ao ecossistema. Hoje em dia, os plásticos são considerados poluentes emergentes e constituem um problema global. Por este motivo, pesquisadores de todo o mundo tem se preocupado com este tema e diversos estudos sobre a poluição por plásticos tem sido desenvolvidos.

A ingestão de plásticos por animais marinhos, como tartarugas e aves, é um assunto em particular que tem chamado muito a atenção dos pesquisadores, devido aos danos causados a estes animais. Os efeitos físicos causados pela ingestão de plásticos são os mais conhecidos. Dentre eles pode-se citar o sufocamento por grandes peças de plástico, a obstrução do trato digestório e a diminuição do volume funcional do estômago, que podem causar, em pouco tempo, a morte do animal.

Ave marinha encontrada morta em uma praia da costa sul do Brasil. Muitas destas aves encontram-se com o trato digestório repleto de plásticos. © Fernanda Imperatrice Colabuono / IO-USP

Outro problema associado à ingestão de plásticos que têm sido recentemente investigado é a transferência de poluentes orgânicos persistentes que encontram-se adsorvidos a superfície dos plásticos para os animais que os ingerem. Os plásticos adsorvem os poluentes presentes no ambiente e chegam a ter concentrações tão altas quanto as encontradas em diversos animais, e estão sendo utilizados para monitorar a poluição de diversos locais no mundo. Apesar de a alimentação ser a maior via de exposição de poluentes orgânicos persistentes para os animais marinhos, alguns trabalhos investigam a ingestão de plásticos como uma fonte adicional de contaminação. Os poluentes orgânicos persistentes são bastante conhecidos por seus efeitos tóxicos e além da sua grande persistência no ambiente, possuem alta afinidade aos tecidos animais. Os bifenilos policlorados (PCBs) e pesticidas organoclorados, como os DDTs, são exemplos de alguns poluentes orgânicos persistentes encontrados nos plásticos.

As aves marinhas estão entre os animais mais afetados pela poluição dos oceanos. São animais com alta freqüência de ingestão de plásticos, em especial o grupo dos albatrozes e petréis que são capazes de acumular os plásticos no trato digestório por longos períodos. Da mesma maneira, problemas causados por poluentes orgânicos persistentes em aves marinhas são bastante conhecidos, sendo associados com a diminuição do sucesso reprodutivo e declínio de populações destes animais. Em um estudo recentemente realizado no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, foram encontrados PCBs e pesticidas organoclorados em plásticos retirados do trato digestório de albatrozes e petréis. Observou-se que tanto as concentrações destes contaminantes nos plásticos como o grupo de compostos encontrados eram bastante similares aos encontradas nos tecidos das mesmas aves. As investigações continuam em diversos centros de pesquisa em busca de maiores evidências sobre a transferência de poluentes dos plásticos para os animais marinhos.

Pedaços de plásticos encontrados no trato digestório de uma ave marinha. Os plásticos podem causar diversos danos físicos, além de serem uma possível fonte de contaminação por poluentes orgânicos persistentes. © Fernanda Imperatrice Colabuono / IO-USP
A mortalidade de animais marinhos causada pelos plásticos pode ser facilmente observada em diversas partes do mundo. Entretanto, a poluição por plásticos pode causar problemas além daqueles que os nossos olhos podem ver como o transporte de poluentes orgânicos e a transferência destes contaminantes para os animais marinhos. Por serem leves e capazes de flutuar na superfície da água, os plásticos são carregados pelas correntes marinhas e são encontrados até em lugares remotos do planeta, distantes de áreas industrializadas e poluídas, o que mostra que este não é apenas um problema local. A grande quantidade de plásticos presentes no ambiente marinho e os prejuízos causados ao ecossistema por este tipo de poluição é um alerta de que este é um problema que merece a atenção de todos.

* Fernanda Imperatrice Colabuono é estudante de doutorado da Universidade de São Paulo. Seu projeto foi financiado pelo CNPq e contou com a colaboração do Projeto Albatroz e do Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (FURG).


Extraído do sítio Global Garbage